Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 MONITORAMENTO E PROTEÇÃO TÉRMICA DO MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO DE BAIXA TENSÃO Allisson A. de Oliveira∗, Teresa C. B. N. Assunção∗, José T. Assunção∗ ∗ Laboratório de Otimização e Sistemas Motrizes - LOSIM Depto de Engenharia Elétrica, Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ Praça Frei Orlando 170, Campus Santo Antônio, 36.307-352 São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil Emails: [email protected], [email protected], [email protected] Abstract— The use of the microprocessor-based relays and one proper thermal model have provide an improvement of the basic level of the motor protection functions. The effects of the temperature high can be damage for the isolation of an induction motor in operation. The derivation of a first-order thermal sytem and the requirements of model for the implementation of the motor thermal prediction (”online” e ”of f line”) of the induction motor are presented in this paper. In conclusion, the thermal-electric model is considered as the key element for motor protection. Keywords— protection. thermal model, thermal protection model, temperature sensor, induction motor, overcurrent Resumo— O uso de relés baseados em microprocessadores e de um adequado modelo térmico pode contribuir para a atuação segura da proteção de um motor de indução de baixa tensão. Para um motor em operação os efeitos da alta temperatura podem ser prejudiciais para seu isolamento térmico. Portanto, neste artigo são apresentadas as equações de sistemas térmicos de primeira ordem e sea caracterı́sticas para a implementação da proteção térmica ”online” e ”of f line” de motores de indução de baixa tensão. Conclui–se que, o modelamento térmico é considerado elemento chave para a proteção do motor. Keywords— modelo térmico, modelo de proteção térmica, sensor de temperatura, motor de indução, proteção por sobrecorrente. 1 Introdução para as deficiências da proteção térmica de MIT, apresentadas pelas tecnologias convencionais, que historicamente até então, eram fundamentadas em proteção de sobrecorrente. Com as recentes técnicas digitais de proteção dos relés microprocessados pode-se elevar os nı́veis de produtividade dos setores industriais, evitando a parada não programada dos motores, e contribuindo para a redução dos tempo de perda de produção, com a operação ininterrupta e máxima utilização de carga dos motores. Ao efetuar um alarme prévio de sobrecarga, antes que o desligamento seja necessário, há a possibilidade de reduzir a condição operacional, antes da parada total da produção (Lukitsch, 2002). Além disso, as informações obtidas dos relés de proteção podem ser disponibilizadas em uma rede de comunicação para sistemas digitais de supervisão e controle, permitindo não só o monitoramento ”online” do equipamento como também ”of f line”, por meio da criação de bancos de dados históricos, com o armazenamento das grandezas medidas, dos relatórios de eventos e partidas, principalmente nas indústrias onde são comumente aplicados diversos tipos de motores e acionamentos. Portanto, com as mudanças verificadas nas tecnologias aplicadas aos sistemas de proteção, nos fornece uma grande fonte de motivação de estudo e pesquisa em sistemas inteligentes de proteção para motores elétricos, visto que, os motores de indução são responsáveis pelo acionamento Os relés eletromecânicos, baseados na mecânica de precisão e relojoaria foram os primeiros a serem usados e até hoje são considerados eficientes e confiáveis. Contudo, nas últimas décadas, os relés de proteção passaram por diferentes evoluções seja no aspecto tecnológico, construtivo ou operacional. Depois dos relés eletromecânicos, vieram os relés estáticos com tecnologia eletrônica analógica, mas com um perı́odo de vida muito curto, porque logo foram substituı́dos pelos microprocessados, com tecnologia que incorpora o conceito de processamento digital de sinais, multifuncionalidade, elementos de software e comunicação de dados (Bulgarelli, 2006). A proteção térmica de motores de indução trifásicos de baixa tensão (BT) tem sido uma das áreas onde a proteção numérica, baseada em microprocessadores, tem sido largamente usada para o aprimoramento do nı́vel básico da proteção. A proteção térmica tem sido aperfeiçoada, desde os relés do tipo imagem térmica e relés térmicos baseados em detector de temperatura de resistência ou termo-resistores (RTD), para métodos mais avançados, considerando o aquecimento devido às correntes de seqüência positiva e negativa, e baseando-se nas caracterı́sticas térmicas do estator e do rotor do motor trifásico de indução (MIT) (ANSI, 1989), (Bulgarelli, 2006). A capacidade do processamento digital de sinais dos relés numéricos, tem trazido novas soluções 2013 Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 de cargas importantes e por representarem custos financeiros significativos, necessitando maior atenção e preocupação dos operadores e técnicos de manutenção, pois a perda temporária de um motor pode significar a parada de todo o processo de produção e, consequentemente, um prejuı́zo à empresa. 2 afetam diretamente a temperatura real do estator. Durante a partida os sensores de temperatura são usados em conjunto com outros tipos de proteção, porque durante este perı́odo o sensor não poderá atuar, já que o aumento da temperatura é um efeito natural da máquina durante a partida. Existem dois tipos de sensores de temperatura, o NTC e o PTC. Os NTC são conhecidos como sensores de coeficiente negativo de temperatura e o PTC como sensor de coeficiente positivo de temperatura. Para a proteção de um motor o PTC é amplamente utilizado, devido ao seu baixo custo e confiabilidade. Estes sensores apresentam uma limitação, pois protegem em relação a temperatura e não as outras condições de falhas e riscos como perda de fase, curtos circuitos, falhas no aterramento, bloqueio do rotor e outras falhas que põem em risco o funcionamento do motor. Por isso, a importância do uso conjunto dos sensores e relés. O relé é um dispositivo de proteção que atua como um interruptor, que é acionado quando há algum problema com o sistema. Em relação aos motores, os relés de proteção são capazes de protegêlos contra a sobrecarga elétrica, visando evitar o sobreaquecimento dos enrolamentos do motor, quando circula uma corrente acima da tolerada por seus enrolamentos. Os relés mais usados para a proteção de motores são os de detecção de sobrecarga, do tipo eletromagnético ou eletrônico. Há também a proteção por fase, neste caso é utilizado um relé eletrônico em cada fase, capaz de medir a falta de uma fase e desligar o motor, bem como, ele é capaz de analisar os desequilı́brios na linha, que não afeta somente o motor, mas a planta inteira ou a seção de uma planta. Os relés de proteção, atualmente, são constituı́dos por equipamentos digitais microprocessados, e possuem diversas funcionalidades e recursos, ou seja, protegem e monitoram os equipamentos, medem grandezas que antes não havia a possibilidade de serem obtidas, possibilitam o controle e automação e operação remota. Os relés microprocessados são capazes de monitorar a temperatura, as correntes e tensões, a distorção harmônica total e os nı́veis de harmônicos. As informações dos relés de proteção podem ser disponibilizadas em uma rede de comunicação para sistemas digitais de supervisão e controle, permitindo o monitoramento ”online” e ”of f line” do sistema (Rocha and Bernardes, 2010). Proteção de Motores Elétricos As causas mais frequentes de falhas em motores são as nos mancais, as devido à sobrecarga, desequilı́brio de tensão, operação monofásica, sobretensão, subtensão, ventilação obstruı́da, ciclos de carga rápidos, umidade e vibração. A proteção dos motores pode ter vários objetivos, sendo necessária durante a partida e nas condições anormais de operação (Lukitsch, 1998). Apesar dos vários objetivos da proteção em motores elétricos, neste trabalho será dada ênfase na proteção térmica. A proteção térmica, assim como outros sistemas de proteção, passou e passa por diversas inovações. Este aperfeiçoamento vai deste os relés que utilizam a imagem térmica até os que se baseiam em detectores de temperatura, conhecidos como termoresistores (RTD). A proteção térmica pode atuar em dois segmentos: proteção por sobrecorrente e empregando um sistema térmico de primeira ordem. A proteção por sobrecorrente é usada para determinar o aquecimento do motor, pois a variação de temperatura é proporcional ao quadrado da corrente de carga do motor. As deficiências que acontecem devido à proteção por sobrecorrente têm sido suprimidas pelo processo digital, que sendo muito mais preciso e ágil é capaz de ser bem mais eficiente do que outras proteções usadas atualmente (Bulgarelli, 2006). O princı́pio de funcionamento de um relé de sobrecorrente convencional é baseado na elevação da temperatura nos condutores do motor, ou seja, a sua caracterı́stica é monitorar a curva do limite térmico do motor. A temperatura pode ser monitorada por uma resistência (RTD), que é incorporada à máquina junto com o relé de proteção. O sensor de temperatura é um dispositivo capaz de responder de forma especı́fica a estı́mulos térmicos como o próprio calor, permitindo mensurar a temperatura do componente por contato. O sensores de temperatura são usados com mais frequência para a proteção de motores em estágios ou processos crı́ticos ou motores de potência elevada, mas nada impede de serem usados em motores de baixa potência. Estes sensores são incorporados ao enrolamento do estator e o fato de estarem em contato fı́sico com o enrolamento possibilitam a medida real da temperatura. Também são capazes de detectar o bloqueio da ventilação, a alta temperatura do ambiente ou algum defeito na ventoinha do motor, isto porque, estes problemas 3 Proteção Térmica de Motores Elétricos Para a proteção do motor tem sido aplicados os modelos térmicos aos algoritmos dos relés microprocessados, considerendo os limites de temperatura do seu sistema de isolação e de seus 2014 Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 componentes. O processamento numérico dos relés microprocessados para a proteção de motor, tem mostrado ser uma forma eficiente para a implementação das equações diferenciais de um modelo térmico simples, na forma do tempo discreto (Bulgarelli, 2006). Quando é conhecido o nı́vel térmico dos motores em operação, evita-se que o mesmo opere em sobrecarga, ou com uma falta de fase ou alimentado com sinais com alto conteúdo harmônico. Desta forma, quando o nı́vel térmico do motor se encontra inferior, mas, próximo ao valor limite, é acionado um sinal de alerta indicando algum problema no motor, dando tempo para o operador corrigir a causa da elevação da temperatura interna da máquina, como mostrado na Figura 1 (Lukitsch, 1998). (Ieq ), como mostrado na Figura 2. Quando a temperatura do motor ultrapassa o valor máximo admitido pela classe de isolação, a fonte de corrente, representada na Figura 2, deve se desligada automaticamente por um dispositivo de proteção. Figura 2: Representação do MIT como um STPO. Considera-se que há elevação de temperatura na máquina, quando a temperatura do motor ultrapassa a temperatura ambiente, como em (1). θ = θmotor − θambiente O fator de serviço (FS) do motor relaciona a corrente máxima e a corrente nominal, e assim é possı́vel determinar o nı́vel térmico máximo (Tmax ). Como a proteção se baseia no nı́vel térmico, o motor sofre interferências de fatores relacionados com as elevadas temperaturas do ambiente, as deficiências do sistema de ventilação ou de resfriamento do motor (Bulgarelli, 2006). O fator de serviço e a constante térmica (τ ) são especificados com dados fornecidos pelos fabricantes e os parâmetros medidos do motor. Um dos dados, é o limite do valor do Ttrip , que é o valor ajustado para a atuação da proteção, e obtido a partir de (2). Figura 1: Uso do Trip e o Controle de Carga. Os motores possuem uma temperatura máxima permissı́vel, de acordo com a sua classe de isolação. Com a inserção do relé de proteção térmica, este é capaz de remover a fonte de energia, antes que o ponto mais quente do enrolamento atinja o valor máximo da temperatura admitida pela classe de isolação. 2 Ttrip = (F S) (2) A constante de tempo τ é calculada por (3): τ = Ct Rt 3.1 (1) Modelo térmico baseado em um sistema de primeira ordem (STPO) (3) A capacidade térmica da máquina (C t ) é definida por (4): Para um sistema térmico simples, a elevação de temperatura devido a uma corrente elétrica em um condutor, é determinada por uma equação diferencial de primeira ordem, relacionando a potência de entrada menos as perdas com a taxa de elevação de temperatura. A constante térmica do motor é utilizada como a taxa da variação da temperatura. Para a simplificação do sistema de primeira ordem considera-se que a máquina é um corpo homogêneo, onde o aquecimento do motor é modelado pelo aumento de temperatura em um resistor (r), que representa a resistência ôhmica dos enrolamentos percorrida por uma corrente equivalente Ct = m c (4) sendo: m = massa da máquina e c = calor especı́fico. Para especificar a resistência térmica nominal, foi usada a relação expressa por (5): θn Rt = Pnom × 1 ηno min al −1 (5) Sabendo que (θn ) representa a diferença entre a temperatura limite do isolante (θLim ) e a temperatura limite da classe do motor (θClasse ), tem-se: 2015 Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 3.2 θn = θLim − θClasse (6) Na IEC 60255 (Commission, 1990) a caracterı́stica tempo-corrente do relé de proteção térmica é especificada com o motor inicialmente a frio ou aquecido. A solução tempo-corrente é o tempo requerido para a elevação da temperatura desde a temperatura inicial, definida como corrente prévia, até o limite térmico pré-determinado, que estabelece o ”trip” do relé. O ttrip é o tempo requerido para a atuação do dispositivo de proteção para o sistema a frio, ou seja, é usado para calcular o tempo de desligamento (ttrip ) do motor sem uma carga prévia. Este modelo de proteção térmica não apresenta as mesmas caracterı́sticas de tempo corrente, extremamente inverso, dos relés de proteção de sobrecorrente. A proteção de sobrecorrente não modela a dinâmica do comportamento térmico do motor elétrico (Bulgarelli, 2006). A elevação de temperatura de um motor acima da temperatura ambiente é representada por (13). Caso, o motor não esteja na operação nominal; considera que: 1 −1 = R1 × I12 Pnom × ηnom (7) Para a determinação do nı́vel térmico é calculada a corrente equivalente de alimentação da máquina, empregando as componentes simétricas das correntes medidas do motor. Utilizando a matriz de transformação de (8), têm-se as componentes de sequência, como em (9). P erdas = 1 1 1 1 α2 T = 3 1 α I0 1 1 1 I1 = 1 α2 3 1 α I2 1 α α2 (8) 1 IA α IB α2 IC (9) θmotor (t) = 1+q× I22 pu I12 P U (10) θmax (t) = ∆t τ I2 + Tn−1 τ + ∆t eq pu τ + ∆t (14) 2 RT ×r ×Ieq ttrip/ τ 1−e +θamb (15) ou ! 2 RT × r × Ieq ttrip = τ × ln 2 − (θ RT × r × Ieq motor − θamb ) (16) Usando a relação (θmotor −θamb ) de (14), temse: (11) O nı́vel térmico do motor é calculado por (12). Tn = −t/ τ 1−e +θamb (13) Para não comprometer a vida útil da isolação do motor, é necessário que a temperatura do isolamento não ultrapasse a temperatura máxima permitida, assim tem-se que: ! 175 2 IRB 2 θmotor (t) = RT × r × Ieq + θamb sendo: I1pu = corrente de sequência positiva em pu; I2pu = corrente de sequência negativa em pu; q = fator de ponderação do efeito de aquecimento causado pela corrente de sequência negativa, em relação ao causado pela de sequência positiva. O fator q é calculado por (11). q= 2 RT ×r×Ieq Para a temperatura máxima permitida para o sistema de isolação do motor, (13) pode ser escrita como (14). Conhecido o efeito do aquecimento causado pela corrente de sequência negativa, que circula pelo estator e rotor, tem-se um modelo de proteção térmica. A corrente equivalente por unidade (Ieqpu ); é calculada conforme (10): 2 2 Ieq pu = I1 pu × Modelo de Proteção Térmica de Motores segundo a IEC 60255-8 ttrip = τ ×ln (12) 2 RT × r × Ieq 2 − R × r × I2 RT × r × Ieq T eq ! max (17) No cálculo do tempo requerido para atingir a temperatura máxima, com o motor já aquecido, considera-se que a corrente em estado estacionário é a corrente prévia de operação antes de uma sobrecarga. Portanto, a temperatura de operação do motor é calculada por (18): Os valores calculados para o nı́vel térmico mostram a condição de operação do motor, e também podem ser empregados para limitar o funcionamento do motor, quando a sua temperatura de operação estiver acima do valor permitido para sua classe de isolamento. 2016 Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 2 θop = RT × r × Iop + θamb Considerando a corrente constante, a (25) resulta; (18) O tempo para atingir a temperatura de operação, pode ser definido como: R × i2eq (26) c×ω A curva tempo corrente para a máxima temperatura é obtida de: θ= −top/ 2 τ + θamb (19) θop = RT × r × Ieq 1−e t (I) = ou seja: k i2eq (27) Sendo que: top = τ × ln 2 Ieq RT × r × 2 − (θ RT × r × Ieq op − θamb ) ! θmax ×c×ω (28) R Durante o aquecimento para a corrente ieq > IP LC , a temperatura θ é calculada por (29). k= (20) Usando a relação entre (θop − θamb ) de (18); tem-se: ! 2 Ieq top = τ × ln (21) 2 − I2 Ieq eq op θn+1 = θn + ∆t t (I) (29) Durante o resfriamento para a corrente ieq > IP LC , a temperatura θ é: Com (21) é determinado o valor do tempo para o trip. θn+1 = θP LC + (θn − θP LC ) e ttrip = τ × ln 2 2 − Ieq Ieq op 2 2 Ieq − Ieq max ! ttrip = τ × ln 3.3 3.4 ! (23) P otência da f onte−perdas = Ct ×m× Z i2eq dt = c × ω × θ dθ (31) dt Sendo que, neste modelo θ é o aumento da temperatura do enrolamento acima da temperatura ambiente. As perdas ou a quantidade de calor transferido para o meio ambiente é expressa por (32): No artigo de Grainger (Grainger and McDonald, 1997) é afirmado que: ”Independentemente de onde o aquecimento ocorre e devido à sua rapidez, o motor pode ser considerado um sistema adiabático que absorve a energia do estator equivalente atual, mas não irradia calor. Idealmente, a temperatura do motor aumenta à medida que absorve energia ao longo do tempo, desde que circule uma corrente maior que a corrente a plena carga (IP LC ) ”. Então, para o aquecimento adiabático: q × dt = R Modelo de relé tipo B O modelo térmico do relé tipo B, baseia-se no modelo térmico do rotor. O aumento de temperatura no motor pode ser expresso por: Modelo de relé tipo A Z (30) sendo: IP LC = 1. (22) E sabendo que, a corrente máxima permitida pode ser representada pelo fator de serviço (FS); tem-se: 2 2 Ieq pu − Ieq op pu 2 2 Ieq pu − F S −t/ τ P erdas = θmotor − θambiente θ = R R (32) Assim, (31) pode ser reescrita como: θ dθ = Ct × m × R dt A (33) pode ser expressa por: I2 × r − (24) 2 I = Ct × m × sendo: ω = peso do metal do enrolamento do motor; θ = temperatura do enrolamento; R = resistência elétrica do enrolamento; q = fluxo de calor, dt = variação no tempo.. A partir da (24) chega-se a: Z R θ= i2eq dt (25) c×ω 1 dθ × r dt + θ r×R (33) (34) Definindo: U= e 2017 θ r×R dU 1 dθ = × dt r×R dt (35) (36) Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 Assim, I2 = τ × Un − Un−1 ∆t + Un−1 (37) Portanto, o nı́vel térmico pode ser expresso por (38): Un = ∆t I 2 × ∆t + 1− × Un−1 τ τ (38) Figura 3: Interface da monitoração do nı́vel térmico no Labview. sendo: Un−1 = nı́vel térmico anterior e Un = nı́vel térmico atual (ZOCHOLL, 2005). 3.5 em mente que esta simulação não será referente ao estado atual do motor, mas, ao estado anterior do motor antes de ser desligado, ou seja, ao estado em que ele estava quando os dados estavam sendo colhidos, e saber se o nı́vel térmico foi o responsável pela interrupção. E este caso, servirá também para realizar uma consulta preventiva do estado da isolação do motor, através da certificação de que em nenhum momento o mesmo ultrapassou o seu limite máximo de temperatura. O ensaio experimental foi realizado na bancada do Laboratório de Otimização de Sistemas Motrizes (LOSIM) da Universidade de São João de Rei. A bancada é composta por dois motores, um de indução trifásico e outro de corrente contı́nua, que opera como carga para o motor de indução. Os motores são acoplados mecanicamente e alimentados por uma fonte de 220 V. O segundo motor, injeta carga ao eixo do motor, testando o motor em operação normal e sobrecarregado, para análise do sobreaquecimento, e além disso é testada operação a vazio e o desligamento para a análise do resfriamento do motor. Na Figura 4 é mostrado o funcionamento do caso ”of f line” durante a adição de mais carga no eixo do motor, sendo possı́vel visualizar a simulação do nı́vel térmico da máquina, e depois de atingido o nı́vel mais alto permitido é possı́vel verificar o seu resfriamento, logo após o desligamento do motor pelo relé microprocessado. Resultados Para a aquisição das medidas e o monitoramento do motor foi usada a placa de aquisição de dados, NI USB-6210 Bus-Powered M Series Multifunction DAQ Device, NI-DAQmx driver software and Signal Express LE for Windows, (P/N 779675-01), e o software LabView. Os modelos estudados para o cálculo do nı́vel térmico do motor foram implementados na placa Labview, como mostrado na Figura 3. Os métodos implementados se baseiam nas informações coletadas da rede, como a corrente de alimentação da máquina e os parâmetros fornecidos pelos catálogos de fabricantes. Caso a proteção ”online” seja escolhida, a corrente trifásica coletada é transformada para o sistema de sequência positiva e negativa, através da teoria das componentes simétricas. Com as correntes em componentes simétricas é calculada a corrente equivalente do motor, que é empregada para determinação do nı́vel térmico estimado da máquina. Foram feitos ensaios com o motor trabalhando na região normal de operação, ou seja, onde a sua corrente de alimentação não oferece risco ao seu funcionamento. Também o motor foi ensaiado na região chamada de alerta, onde em uma situação real, o operador atuaria, evitando a ultrapassagem do nı́vel térmico. E finalmente, a região de sobreaquecimento, indicando uma sobrecarga, ou falta de fase e/ou um aumento do conteúdo harmônico na rede, que elevam o nı́vel térmico da máquina acima do permitido, e prejudicando não só a sua operação, mas danificando fisicamente os seus enrolamentos. Contudo, caso a proteção ”of f line” fosse acionada, o mesmo processo de conversão dos dados aconteceria, mas neste caso, os parâmetros usados seriam coletados antes, e também é consultado um banco de dados, previamente preenchido com os parâmetros do motor. Coletados os dados, o usuário pode usar o banco de dados, para simular a curva do nı́vel térmico do motor, mesmo o motor estando fora de operação (”of f line”). Certamente, ao fazer a escolha deste tipo de simulação, o usuário deve ter Figura 4: Resultado do ensaio do nı́vel térmico do motor utilizando o banco de dados. O banco de dados usado para a simulação do caso ”of f line”, foi criado durante a simulação do 2018 Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 caso ”online” da máquina, muito semelhante ao banco de dados visualizado na Figura 5, que utiliza o Excel como uma planilha para armazenamento dos dados no computador. Figura 8: Sistema Supervisório do LOSIM. Figura 5: Banco de dados na planilha do Excel. segura, e monitorando sempre o estado térmico. Deve ser ressaltado que, os dados baseiam-se em relações medidas e equações que definem o motor termicamente. Desta forma, foi possı́vel a simulação do nı́vel térmico, mostrando em tempo real a curva do estado térmico do motor. Quando é identificado o desligamento do motor por alguma falha, e que o relé de alguma forma atuou, é função do operador analisar cada uma das grandezas monitoradas para saber quais foram responsáveis pelo aquecimento da máquina. Nas Figuras 6 e 7 são mostrados os resultados das correntes e tensões das fase A, B e C, respectivamente. Figura 6: Correntes das fases A, B e C. Figura 9: Simulação de carregamento do motor na região normal de operação. 4 Conclusões Neste artigo foi apresentado o estudo e a análise de técnicas de proteção para os motores de indução trifásicos de baixa tensão. A metodologia proposta determina o responsável pelo sobreaquecimento no motor, a partir de um banco de dados previamente criado durante o funcionamento do motor ou baseado em informações coletadas da rede, como a corrente de alimentação da máquina e de parâmetros fornecidos pelo catálogo do fabricante. Conclui-se que, o uso de relés baseados em microprocessadores e de um adequado modelo térmico pode contribuir para a melhoria da proteção de um motor de indução de baixa tensão. Figura 7: Tensões das fases A, B e C. Além das ferramentas já mencionadas foi usado o sistema supervisório do LOSIM, mostrado na Figura 8, que é o programa usado para regular a carga a inserida no motor, possibilitando o estudo do comportamento do relé com o motor operando na região normal, de alerta e de sobreaquecimento. Os resultados do comportamento térmico usando os dados ”online” são apresentadas nas Figuras 9, 10, 11 e 12, mostrando a importância da determinação do nı́vel térmico, de forma 2019 Anais do XX Congresso Brasileiro de Automática Belo Horizonte, MG, 20 a 24 de Setembro de 2014 Figura 10: Simulação de carregamento do motor operando na região de alerta. Figura 12: Simulação de retirada de carga do motor. Agradecimentos Os autores agradecem à ELETROBRÁS (Convênio ECV-023-2004 Eletrobrás-UFSJ) e FAPEMIG pelo apoio financeiro. Referências ANSI (1989). Guide for ac motor protection. Bulgarelli, R. (2006). Proteção térmica de motores de indução trifásicos industriais. Commission, I. E. (1990). Electrial relays,thermal eletrical relays. Grainger, L. C. and McDonald, M. C. (1997). Increasing refinery production by using motor thermal capacity for protection and control, IEEE Transactions on Industry Applications . Figura 11: Simulação de carregamento do motor na região acima do nı́vel térmico permitido. Lukitsch, W. J. (1998). Selecting motor protection for plant and process optimization, Textile, Fiber and Film Industry Technical Conference. Com o nı́vel térmico é possı́vel saber a situação térmica do motor durante e mesmo fora de operação. Assim, a importância deste estudo e os benefı́cios por ele gerados reforçam a necessidade de melhorar ainda mais a metodologia visando a sua praticidade e a precisão dos resultados. A capacidade do processamento digital de sinais tem trazido novas soluções para a deficiência de proteção térmica apresentadas nas tecnologias convencionais. Portanto, a implementação através de software de um modelo térmico e o cálculo das componentes de sequência positiva e negativa são exemplo da aplicabilidade das técnicas de processamento. Lukitsch, W. J. (2002). Selecting motor protection for plant and process optimization, Textile, Fiber and Film Industry Technical Conference. Rocha, G. and Bernardes, R. (2010). Uso de relés de proteção avançados com o objetivo de otimizar a operação e ampliar a vida útil de motores de indução, Revista O Setor Elétrico . 2020