I-005 – OTIMIZAÇÃO VERSUS CONFIABILIDADE PARA REDES DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA DIMENSIONADAS PELO PNL2000 Heber Pimentel Gomes(1) Engenheiro Civil e Mestre em Recursos Hídricos pela Universidade Federal da Paraíba, Especialista em Gestão de Recursos Hídricos pela Universidade de São Paulo (USP) e em Engenharia de Irrigação pelo Centro de Estudos Hidrográficos do CEDEX (Espanha) e Doutor pela Universidade Politécnica de Madrid. Autor dos livros: Sistemas de Abastecimento de Água - Dimensionamento Econômico; Sistema de Riego; e Engenharia de Irrigação - Aspersão e Gotejamento. Leonardo de Araújo Neves(2) Engenheiro Sanitarista pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestre em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Saulo de Tarso Marques Bezerra(3) Engenheiro Civil pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mestrando em Recursos Hídricos na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Endereço(1): Campus I da UFPB, Cidade Universitária, CEP 58050-900. João Pessoa - PB, Brasil. Tel.(83) 2167684, 2481937 e 99852300 - e- mail: [email protected]. RESUMO As redes de distribuição de água constituem a maior parcela dos investimentos dos sistemas de abastecimento e o seu dimensionamento possui estreita ligação com a qualidade dos serviços. O presente trabalho apresenta uma metodologia de otimização para dimensionar economicamente redes malhadas urbanas, utilizando técnicas de programação não linear, levando-se em consideração o critério de confiabilidade do atendimento contínuo do sistema, em casos de rompimento de trechos da rede. Para a aplicação do método, foi utilizado o sistema de abastecimento do bairro do Bessa em João Pessoa, e o dimensionamento econômico foi feito utilizando o algoritmo GRG2, baseado na técnica dos Gradientes Reduzidos Generalizados. Os resultados mostraram que a metodologia utilizada na análise da confiabilidade mostrou-se bastante eficiente na previsão do comportamento do sistema sob condições críticas e que o uso conjunto de técnicas de otimização e conceitos de confiabilidade pode auxiliar na fase de projeto de redes, visando um planejamento a longo prazo, focado na redução de custos e manutenção da qualidade dos serviços. PALAVRAS-CHAVE: Otimização, Redes de Abastecimento, Confiabilidade. INTRODUÇÃO Das partes que compõem os sistemas de abastecimento de água, as redes malhadas de distribuição são extremamente importante em termos de custo e da qualidade do abastecimento. Dado ao aumento da capacidade de cálculo dos atuais computadores, aliado à facilidade que há nos nossos dias em se trabalhar com ferramentas de pesquisa operacional, tornou-se viável a implementação de critérios de otimização econômica para o dimensionamento das redes de distribuição, levando-se em consideração também a confiabilidade do sistema de abastecimento. As técnicas de otimização econômica começaram a ser aplicadas, para o cálculo de redes, no final dos anos 60. Existem dezenas de trabalhos científicos já desenvolvidos com o objetivo de minimização dos custos de redes de abastecimento. Somente para citar alguns exemplos, dentre os inúmeros existentes, Karmeli et al. (1968) utilizou a programação linear para encontrar o menor custo de redes ramificadas; Alperovitz e Shamir (1977), propuseram a utilização dessa técnica na minimização dos custos em redes malhadas; Gessler e Walski (1985), desenvolveram o método WADISO, baseado na enumeração exaustiva das possíveis soluções do dimensionamento. A metodologia GRANADOS, baseada em princípios de programação dinâmica (Granados, 1986), foi aplicada por Leal e Gomes (1997) na otimização das redes malhadas. Além das ferramentas de programação linear, não linear e dinâmicas, tem sido utilizada também técnicas baseadas no Algoritmo Genético, aplicado na resolução de diversos problemas relacionados à otimização dos custos de implantação e também de operação em redes malhadas (Savic e Walters, 1997). Pode-se ressaltar que a solução de custo mínimo para uma rede malhada de distribuição, obtida através dos métodos de otimização, não é uma boa solução em termos de confiabilidades do sistema de abastecimento. Este fato pode ser explicado pelas características das redes malhadas. Os modelos de otimização, quando aplicados a uma única configuração de demanda, resultam em sistemas ramificados ao invés de sistemas malhados, a menos que a solução seja restringida de modo a forçar a formação de anéis (Walski et al., 1987, Deb, 1976). Restrições para garantir a formação de anéis na rede, como as de diâmetro mínimo, fazem com que a solução ótima seja uma rede ramificada fechada por tubulações de diâmetro mínimo (Quindry et al., 1981). Dessa forma, existe uma relação antagônica entre o custo e a confiabilidade da rede, em que um aprimoramento de um fator implica na depreciação do outro. A grande vantagem de uma rede malhada, frente a uma ramificada, está na segurança do abastecimento de água. Caso haja uma ruptura em um trecho de um determinado anel de uma rede malhada, os trechos localizados a jusante do trecho avariado receberão água por meio dos trechos que compõem a artéria oposta a do trecho avariado. Assim, a rede malhada de custo mínimo terá seus trechos, situados mais distantes da origem, com diâmetros mínimos que dificultarão a passagem da água por ambos os lados dos anéis. Dessa forma pode-se concluir que uma rede de custo mínimo é uma rede com baixa confiabilidade em quanto ao atendimento das demandas de vazão e pressão em todos os seus pontos de consumo. Em paralelo com pesquisas sobre otimização econômica do dimensionamento de redes, esforços foram despendidos com vistas à quantificação da confiabilidade da rede, visto que esse parâmetro é uma limitação à redução do custo do sistema. De modo geral, redes ramificadas seriam de baixa confiabilidade e custo, enquanto que as redes malhadas seriam de alta confiabilidade e custo. Geralmente os pesquisadores atribuem algum tipo de falha às redes de distribuição, para tentar mensurar a confiabilidade destas. Segundo Su et al. (1987), a confiabilidade do sistema é a probabilidade deste executar uma tarefa, dentro de certos limites, em um determinado intervalo de tempo, indicando a capacidade que o sistema tem para suprir demanda nos nós, ou em pontos de um sistema, com um mínimo de pressão requerida, mesmo se um trecho da rede estiver fora de operação. Para Gupta e Bhave (1996) a confiabilidade do sistema está diretamente relacionada com a sua capacidade de atender requisitos de performance durante situações de falha de componentes, principalmente nas suas tubulações. Lopes (2002) quantificou a confiabilidade da rede de abastecimento de acordo com o abastecimento do sistema e ocorrência de falhas, que seriam basicamente situações de rompimento das tubulações. O presente trabalho tem como objetivo a aplicação de um modelo de otimização econômica para o dimensionamento de redes malhadas, levando-se em consideração a confiabilidade do atendimento contínuo de água para todos os nós da rede. METODOLOGIA Dado que no problema físico o cálculo de redes malhadas se enquadra em um processo matemático não linear, optou-se, nesta pesquisa, pela utilização do modelo matemático da programação não linear (PNL), para se alcançar o dimensionamento mais econômico. O modelo escolhido é o PNL2000 (Gomes, 2002), com algumas adaptações para levar em conta as condições de contorno relativas às rupturas de determinados trechos da rede. A metodologia prevê o comportamento hidráulico de uma rede malhada, considerando diversas configurações de falha, de modo a se verificar a confiabilidade do sistema em termos de atendimento das vazões e pressões a todos os pontos de consumo. A metodologia se divide em duas etapas. Na primeira etapa faz-se um prédimensionamento do sistema, simulando o funcionamento da rede para três situações de contorno (em paralelo): a primeira quando a rede estiver com todos os seus trechos intactos, ou em operação; a segunda quando a rede estiver com um trecho de um determinado lado de um anel fora de operação; e a terceira quando a rede estiver com um trecho do lado oposto do anel fora de operação. Para as duas últimas condições de contorno serão nulas as vazões para cada trecho avariado e a rede funcionará como sendo uma rede ramificada, na qual o abastecimento do anel ocorrerá apenas por um lado. Na primeira etapa do modelo será executado um pré-dimens ionamento da rede, onde os diâmetros e as vazões nos trechos são variáveis contínuas a serem determinadas no processo de otimização, considerando as três condições de contorno citadas anteriormente. Na segunda etapa, com as três condições de contorno da primeira etapa, realiza-se o ajuste da solução inicialmente obtida já que os valores dos diâmetros determinados (variável contínua) não coincidem com os valores dos calibres interiores dos tubos comerciais. Nesta segunda etapa o diâmetro contínuo, calculado inicialmente para cada trecho, é desdobrado nos dois diâmetros comerciais adjacentes, um imediatamente superior e outro imediatamente inferior, considerando como incógnitas (variáveis de decisão) os comprimentos de seus sub-trechos pertencentes ao trecho considerado. Além dos comprimentos dos tubos, as vazões nos trechos também são consideradas como variáveis a serem otimizadas, na segunda etapa do método. Para realizar a otimização, o PNL2000 utiliza o método do Gradiente Reduzido Generalizado (GRG2), que é um algoritmo de programação não linear, desenvolvido por Lasdon et al. (1984). O modelo da programação não linear, a partir do GRG2, pode ser formulado e processado através da ferramenta Solver da planilha eletrônica Excel da Microsoft. Solução Inicial (Primeira Etapa) Função Objetivo A equação que representa a função objetivo a ser minimizada será: C(Di,Qi,) = equação (1) onde: C(Di,Qi,) é o custo da rede, em função dos diâmetros e das vazões nos seus trechos; Li é o comprimento do trecho i; P(Di) é a função que relaciona o preço do tubo com o diâmetro; e m é o número de trechos da rede. A função P(Di) se obtém através da correlação entre os dados conhecidos de diâmetros comercia is com seus correspondentes custos de implantação, incluindo os custos dos tubos e os de montagem. A equação (1), com o critério de custo mínimo, representa a função objetivo do método proposto, cujas variáveis de decisão são os diâmetros contínuos Di e as vazões nos trechos Qi. Restrições A solução ótima (de custo mínimo) a ser obtida, que fornece os diâmetros de todos os trechos da rede, deve satisfazer um conjunto de restrições hidráulicas inerentes ao escoamento permanente em redes malhadas: Pressões mínimas nos nós As pressões nos nós da rede devem estar situadas dentro de um intervalo de valores admissíveis: equação (2) onde: Z é a cota de cabeceira da rede; Zk cota piezométrica requerida no nó "k"; e S hf soma das perdas de carga nos trechos pertencentes ao percurso compreendido entre a cabeceira e o nó "k". Diâmetros mínimos e máximos: Os diâmetros são limitados por um valor mínimo (Dmin) e máximo (Dmax) adotados previamente. Dmin?£ Di £ Dmax equação (3) Conservação de energia no anel: Essa restrição deve garantir que a soma algébrica das perdas de carga dos trechos de um anel seja nula. equação (4) onde: hj a perda de carga no trecho i; zk o número de trechos no anel k em questão; Epj a energia de impulsão aplicada na malha ou anel. Na falta de uma fonte externa dessa energia no interior do anel, o valor de S Ep será nulo; e pk número de fontes de energia de impulsão dentro do anel k. Continuidade nos nós: A soma algébrica das vazões nos nós deve ser igual a zero, ou seja, as vazões que entram devem ser iguais às que saem: equação (5) onde: Qentra(i) as vazões dos trechos i que chegam ao nó n; Qsai(j) as vazões dos trechos j que deixam o nó n; dn a demanda concentrada nesse nó; kn a número de trechos com vazões chegando ao nó n; e qn a número de trechos com vazões saindo do nó n. Velocidades mínima e máxima admissíveis: Vmín £ Vi £ Vmáx equação (6) onde: Vi - velocidade média no trecho i; Vmax - velocidade máxima admissível; e Vmín - velocidade mínima recomendada. Vazão nula no trecho avariado: A partir desta equação de restrição escolhe-se os trechos que estariam fora de operação. Esta indica que em um determinado trecho a vazão será nula. Qi = 0 equação (7) Dimensionamento definitivo (segunda etapa) Função objetivo A partir dos resultados obtidos no pré-dimensionamento, executa-se a segunda etapa do PNL2000. Assim, para cada trecho, o diâmetro ótimo contínuo, obtido na primeira etapa, é desdobrado em dois diâmetros comerciais, sendo um o imediatamente superior, e o outro o imediatamente inferior àquele encontrado. Dessa forma, a função objetivo a ser minimizada será: equação (8) onde: C(lij, Qi) é o custo total da rede de distribuição; lij é o comprimento ocupado pelo diâmetro Dj no trecho i considerado; P(Dj)i é o preço unitário do tubo de diâmetro Dj no trecho i; e m é o número de trechos da rede. Restrições A função objetivo (equação 8), tem como variáveis de decisão os comprimentos dos subtrechos lij, e as vazões Qi. As restrições "a", "c", "d", "e" e "f" da etapa inicial também devem ser satisfeitas nesta fase. Além dessas, a solução encontrada deve satisfazer a mais dois grupos de restrições, que são: Comprimento dos sub-trechos: equação (9) h)Não negatividade dos comprimentos dos sub-trechos lij ³ 0 equação (10) EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO MÉTODO A rede deste exemplo foi projetada pela CAGEPA, em 1982, para abastecer o bairro do Bessa, na cidade de João Pessoa - PB (ver figura 1). Figura 1 - Esquema do Grande Anel Para o cálculo do dimensionamento otimizado, será considerado três situações de contorno: a primeira, a rede sem trechos fora de operação; a segunda, com o trecho "dois" estivesse fora de operação; e a terceira, quando o trecho "cinco" estivesse fora de operação. Quando o trecho "dois" estiver fora de operação, a vazão total que se d ividiria no nó "A", passará totalmente através do trecho "cinco", dando a volta completa no anel, até atender o nó "B" (nó mais desfavorável). Quando o trecho "cinco" estiver fora de operação, a vazão total dará a volta no anel através do trecho "dois", até atender o nó "E" (nó mais desfavorável). Isto implica na ocorrência de maiores vazões no final da rede, considerandoa com a possibilidade dela se tornar ramificada (trechos "quatro" e "sete"), que implicará em maiores diâmetros para a rede como um todo. Assim, esta rede não disporá de diâmetros mínimos no seu final (trechos 4 e 7), se for levado em consideração o rompimento de trechos que transformará a rede malhada em ramificada. A confiabilidade da rede estará garantida pela sua capacidade em abastecer continuamente os nós "B" e "E", considerando que poderá haver rompimentos no trecho "dois" e "cinco". Os nós "B" e "E" seriam os mais prejudicados com a falha de seus trechos a montante, já que a vazão teria que contornar toda a rede até chegar a esses nós e manter a demanda nestes nós. Estas simulações serão comparadas: a) com resultados obtidos no projeto original pela CAGEPA, considerando os diâmetros encontrados por esta e utilizando os custos atuais das tubulações; e b) com os resultados encontrados pelo método PNL2000 para a primeira situação de contorno (sem considerar a possibilidade de rompimento dos trechos "dois" e "cinco"). Por último será testado o dimensionamento encontrado pela CAGEPA e pelo PNL2000 (dimensionamento ótimo sem considerar ne nhum trecho fora de operação), onde foram simulados o funcionamento da rede, com os trechos "dois" e "cinco" fora de operação, para testar a confiabilidade do atendimento contínuo das vazões e pressões a todos os nós da rede. A rede do exemplo é abastecid a por gravidade a partir do reservatório elevado, que possui uma carga constante, com cota piezométrica de 54 m (cota do terreno de 30 m, mais 24 m de altura do reservatório elevado). A tabela 1 apresenta as demandas, as cotas altimétricas do terreno nos nós dos anéis em questão e os dados referentes aos comprimentos dos trechos dos anéis. A pressão mínima imposta aos nós da rede é de 25 mca, mesmo para as condições de falha dos trechos "dois" ou "cinco". As velocidades máximas e mínimas admitidas nos trechos da rede são de 3,0 m/s e 0,2 m/s, respectivamente. Tabela 1: Dados de vazões demandadas, cotas e comprimento dos trechos Os dados referentes aos custos de implantação dos tubos (em reais por metro), material utilizado e o conjunto de diâmetros internos, em função dos seus diâmetros nominais utilizados se encontram na Tabela 2: Tabela 2: Preço dos tubos em função do diâmetro. Resolução do Exemplo A equação que relaciona o custo de implantação da tubulação P(D), com o seu diâmetro "D", pode ser obtida através de um ajuste de curva. A equação obtida, a partir dos dados da tabela 2 (coluna 6 versus coluna 3), é: P(D) = 2 x 10-8 x D4 - 3 x 10-5 x D3 + 0,0162 x D2 –2,9416 x D + 175,73 equação (11) 1ª Etapa: Função objetivo da 1ª etapa De posse da expressão que relaciona o custo da tubulação com o preço do tubo e levando-se em consideração as três condições de contorno, a função objetivo será: equação (12) Restrições Pressão mínima requerida nos nós A restrição de pressão mínima impõe que em todos os nós da rede a pressão disponível seja maior ou igual a 25 mca. Isto deve ser garantido até nos nós "B" e "E", que ficam a jusante dos possíveis trechos avariados. Para cada nó, têm-se três equações de restrições, devido às três condições de contorno (simulando com a rede normal e com cada um dos dois trechos avariados). Portanto, ter-se-á dezoito equações de restrição a serem desenvolvidas, seis em cada situação de contorno: Para a rede sem trechos avariados: Nó A: 54 - (2540 · hf1) = (25 + 5,0) equação (13a) Nó B: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf2) = (25 + 5,0) equação (13b) Nó C: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf2 + 1140 · hf3) = (25 + 4,0) equação (13c) Nó D: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf5 + 1140 · hf3 + 1430 · hf4) = (25 + 4,5) equação (13d) Nó E: 54 - (2540 · hf1 + 1020 · hf5) = (25 + 4,5) equação (13e) Nó F: 54 - (2540 · hf1 + 1020 · hf5 + 1430 · hf6) = (25 + 4,5) equação (13f) Para o trecho dois avariado: Nó A: 54 - (2540 · hf1) = (25 + 5,0) equação (13g) Nó B: 54 - (2540 hf1 + 1020 hf5 + 1430 · hf6+ 1710 ·hf7 + 1430 · hf4 + 1140 · hf3) = (25 + 5,0) equação (13h) Nó C: 54 - (2540 · hf1 + 1020 · hf5 + 1430 · hf6+ 1710 · hf7 + 1430 hf4) = (25 + 4,0) equação (13i) Nó D: 54 - (2540 · hf1 + 1020 · hf5 + 1430 · hf6+ 1710 · hf7) = (25 + 4,5) equação (13j) Nó E: 54 - (2540 · hf1 + 1020 · hf5) = (25 + 4,5) equação (13k) Nó F: 54 - (2540 · hf1 + 1020 · hf5 + 1430 · hf6) = (25 + 4,5) equação (13l) Para o trecho cinco avariado: Nó A: 54 - (2540 · hf1) = (25 + 5,0) equação (13m) Nó B: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf2) = (25 + 5,0) equação (13n) Nó C: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf2 + 1140 · hf3) = (25 + 4,0) equação (13o) Nó D: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf5 + 1140 · hf3 + 1430 · hf4) = (25 + 4,5) equação (13p) Nó E: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf5 + 1140 · hf3 + 1430 · hf4 + 1710 · hf7+ 1430· hf6) = (25 + 4,5) equação (13q) Nó F: 54 - (2540 · hf1 + 350 · hf5 + 1140 · hf3 + 1430 · hf4 + 1710 · hf7) =(25 + 4,0) equação (13r) Diâmetros mínimos e máximos Todos os diâmetros devem ser maiores do que 108,4 mm e menores do que 638 mm, que é a faixa de diâmetros disponível para o projeto: D1 = 108,4 ... D7 = 108,4equação (14) D1 = 638 ... D7 = 638equação (15) Conservação de energia nos anéis A rede deste exemplo possui somente um anel, proporcionando apenas uma equação de restrição desse tipo. Serão consideradas como positivas as perdas em que o sentido da vazão é o mesmo que o arbitrado para o anel (no caso contrário as perdas serão negativas).Teria-se então uma equação para cada situação de contorno, ou seja, uma para quando a rede estivesse com todos os trechos normais, uma para quando o trecho "dois" estivesse avariado e uma quando o trecho "cinco" estivesse avariado. Porém quando um anel estiver com um dos seus trechos fora de operação, a equação da conservação de energia não poderá ser aplicada já que o anel estará aberto. Com isso, só haverá uma equação de restrição, que será quando a rede estiver com todos ao trechos normais: Para a rede sem trechos avariados: Anel 1: hf2 + hf3 + hf4 - hf5 - hf6 - hf7= 0 equação (16) Continuidade nos nós A soma algébrica das vazões nos nós deve ser igual a zero, ou seja, as vazões que entram devem ser iguais às que saem. Como a rede possui seis nós, teremos, seis equações para o dimensionamento normal, seis para o trecho dois avariado e seis para o trecho cinco avariado. Tomando-se as vazões em, l/s, as equações de restrição serão: Para a rede sem trechos avariados: Nó A: (Q1 - Q2 - Q5) = 0 equação (17a) Nó B: (Q2 - Q3) = 43,44 equação (17b) Nó C: (Q3 - Q4) = 40,29 equação (17c) Nó D: (Q4 + Q7) = 208,6 equação (17d) Nó E: (Q5 - Q6) = 47,78 equação (17e) Nó F: (Q6 - Q7) = 80,32 equação (17f) Para o trecho dois avariado: Nó A: (Q1 - Q2 - Q5) = 0 equação (17g) Nó B: (Q3 - Q2) = 43,44 equação (17h) Nó C: (Q4 - Q3) = 40,29 equação (17i) Nó D: (Q7 - Q4) = 208,6 equação (17j) Nó E: (Q5 - Q6) = 47,78 equação (17k) Nó F: (Q6 - Q7) = 80,32 equação (17l) Para o trecho cinco avariado: Nó A: (Q1 - Q2 - Q5) = 0 equação (17m) Nó B: (Q2 - Q3) = 43,44 equação (17n) Nó C: (Q3 - Q4) = 40,29 equação (17o) Nó D: (Q4 + Q7) = 208,6 equação (17p) Nó E: (Q6 - Q7) = 47,78 equação (17q) Nó F: (Q7 - Q6) = 80,32 equação (17r) Velocidade máximas e mínimas adotadas V1 = 0,2 m/s;.....,V7 = 0,2 m/s equação (18a) V1 = 3,0 m/s; ,V7 = 3,0 m/s equação (18b) Vazão nula no trecho avariado Como explicado anteriormente, foram escolhidos os trechos "dois" e "cinco", devido a sua localização (ligados à linha tronco), que proporciona as duas situações mais desfavorável de operação da rede. Haverá duas equações, uma para o trecho dois e outra para o trecho cinco: Para o trecho dois avariado: Q2 = 0 equação (19) Para o trecho cinco avariado: Q5 = 0equação (20) Montadas as equações procede-se a otimização, utilizando o algoritmo GRG2 disponível na ferramenta Solver da Planilha Excelâ . As tabelas 3a, 3b, 4a, 4b, 5a e 5b mostram os resultados do dimensionamento para a primeira etapa, resultados esses que devem satisfazer as três condições de contorno estabelecidas. Tabela 3a: Resultados da otimização da primeira etapa sem nenhum trecho avariado Tabela 3b: Resultados da otimização da primeira etapa sem nenhum trecho avariado Tabela 4a: Resultados da otimização da primeira etapa para o trecho dois avariado Tabela 4b: Resultados da otimização da primeira etapa para o trecho dois avariado Tabela 5a: Resultados da otimização da primeira etapa para o trecho cinco avariado Tabela 5b: Resultados da otimização da primeira etapa para o trecho cinco avariado 2ª Etapa Com os resultados dos diâmetros e vazões obtidos na primeira etapa do dimensionamento, ilustrado nas tabelas 3, 4 e 5, executa-se um novo processo de otimização, alterando-se algumas variáveis de decisão já que agora o diâmetro não será mais variável de decisão, passando a sê-la, no seu lugar, o comprimento dos sub-trechos. Para cada trecho será adotado dois diâmetros comerciais, um imediatamente superior e outro imediatamente inferior ao obtido na etapa anterior. Na tabela 2 estão os diâmetros comercialmente utilizados, para as três condições de contorno adotadas. Como têm-se três condições de contorno a função objetivo para a segunda etapa e as equações de restrição serão formuladas levando em consideração que as três considerações sejam atendidas no processo de otimização. equação (21) Substituindo os valores dos preços dos tubos (tabela 2), tem-se: equação (22) Para as três condições de contorno a função objetivo estará sujeita às restrições: Pressão mínima requerida nos nós Para a rede sem trechos avariados: Nó A: 54 - (hf1,500 + hf1,600) = (25 + 5,0) equação (23a) Nó B: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf2,500 + hf2,600) = (25 + 5,0) equação (23b) Nó C: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf2,500 + hf2,600+ hf3,500 + hf3,600) = (25 + 4,0) equação (23c) Nó D: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,500 + hf5,600+ hf3,500 + hf3,600 + hf4,500 + hf4,600) = (25 + 4,5) equação (23d) Nó E: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,500 + hf5,600) = (25 + 4,5) equação (23e) Nó F: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,500 + hf5,600+ hf6,500 + hf6,600) = (25 + 4,5) equação (23f) Para o trecho dois avariado: Nó A: 54 - (hf1,500 + hf1,600) = (25 + 5,0) equação (23g) Nó B: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,500 + hf5,600+ hf6,500 + hf6,600+ hf7,500 + hf7,600 + hf4,500 + hf4,600 + + hf3,500 + hf3,600) = (25 + 5,0) equação (23h) Nó C: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,400 + hf5,450+ hf6,500 + hf6,600+ hf7,500 + hf7,600 + hf4,500 + hf4,600) = (25 + 4,0) equação (23i) Nó D: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,400 + hf5,450 + hf6,500 + hf6,600+ hf7,500 + hf7,600) = (25 + 4,5) equação (23j) Nó E: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,400 + hf5,450) = (25 + 4,5) equação (23k) Nó F: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,400 + hf5,450 + hf6,500 + hf6,600) = (25 + 4,5) equação (23l) Para o trecho cinco avariado: Nó A: 54 - (hf1,500 + hf1,600) = (25 + 5,0) equação (23m) Nó B: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf2,500 + hf2,600) = (25 + 5,0) equação (23n) Nó C: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf2,500 + hf2,600+ hf3,500 + hf3,600) = (25 + 4,0) equação (23o) Nó D: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,400 + hf5,450 + hf3,500 + hf3,600 + hf4,500 + hf4,600) = (25 + 4,5) equação (23p) Nó E: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,400 + hf5,450+ hf3,500 + hf3,600 + hf4,500 + hf4,600+ hf7,300 + hf7,350+ +hf6,500 + hf6,600) =(25 + 4,5) equação (23q) Nó F: 54 - (hf1,500 + hf1,600 + hf5,400 + hf5,450+ hf3,500 + hf3,600 + hf4,500 + hf4,600+ hf7,300 + hf7,350) = (25 + 4,0) equação (23r) Conservação de energia nos nós Do mesmo modo que realizado na primeira etapa, haverá somente uma equação de restrição, que seria para o dimensionamento sem trechos avariados: Anel 1: (hf2,500 + hf2,600) + (hf3,500 + hf3,600) + (hf4,500 + hf4,600) - (hf5,500 + hf5,600) - (hf6,500 + hf6,600) – (hf7,500 + hf7,600) = 0 equação (24) Continuidade nos nós As equações de continuidade nos nós são idênticas às obtidas na primeira etapa do método, ou seja, equações 17a,...., 17r. Velocidades máximas e mínimas adotadas As equações de velocidades máximas admissíveis são idênticas às obtidas na primeira etapa do método. Vazão nula no trecho avariado As equações de vazão nula para os trechos avariados serão idênticas às obtidas na primeira etapa do método, ou seja, equações 19 e 20. Comprimentos dos trechos Por esta nova restrição, tem-se que a soma dos comprimentos dos sub-trechos deve ser igual ao comprimento de cada trecho: Trecho 1: l1,500 + l1,600 = 2.540 equação (25a) Trecho 2: l2,500 + l2,600 = 350 equação (25b) Trecho 3: l3,500 + l3,600 = 1.140 equação (25c) Trecho 4: l4,500 + l4,600 = 1.430 equação (25d) Trecho 5: l5,500 + l5,600 = 1.020 equação (25e) Trecho 6: l6,500 + l6,600 = 1.430 equação (25f) Trecho 7: l7,500 + l7,600 = 1.710 equação (25g) Não negatividade dos comprimentos dos sub-trechos Todos os comprimentos devem ser maiores ou iguais a zero: Trecho 1: l1,500 = 0; l1,600 = 0 equação (26a) Trecho 2: l2,500 = 0; l2,600 = 0 equação (26b) Trecho 3: l3,500 = 0; l3,600 = 0 equação (26c) Trecho 4: l4,500 = 0; l4,600. = 0 equação (26d) Trecho 5: l5,500 = 0; l5,600 = 0 equação (26e) Trecho 6: l6,500 = 0; l6,600 = 0 equação (26f) Trecho 7: l7,500 = 0; l7,600 = 0 equação (26g) Terminado o processo de elaboração das equações, faz-se a otimização do problema, novamente utilizando o algoritmo GRG2. Os resultados da otimização para a 2ª etapa são mostrados nas tabelas 6a, 6b e 6c: Tabela 6a: Resultados da otimização da segunda etapa sem nenhum trecho avariado Tabela 6b: Resultados da otimização da segunda etapa para o trecho dois avariado Tabela 6c: Resultados da otimização da segunda etapa para o trecho cinco avariado Como ocorreu para a 1ª etapa, os trechos "dois" e "cinco" continuaram fora de operaç ão. E os diâmetros nesta 2ª etapa, que foram desdobrados em dois diâmetros comerciais, onde esses não seriam mais variáveis de decisão, o modelo continua garantindo a confiabilidade da rede com relação a não encontrar diâmetros mínimos ao final desta (o diâmetro mínimo encontrado foi de 500 mm no trecho "sete" e de 500 mm no trecho "quatro"), o que demonstra que a rede dimensionada garante o abastecimento contínuo de todos os nós, mesmo em caso de rompimento de um ou mais trechos. As pressões mínimas (25 mca) foram atendidas em todos os nós da rede, para a simulação sem trechos avariados. Tabela 7: Comparação entre os diâmetros adotados pela a CAGEPA, e os calculados pelos PNL2000 e o método proposto Essas duas redes dimensionadas, uma pelo método Hardy-Cross (CAGEPA) e a outra pelo método PNL2000 sem levar em consideração a confiabilidade, foram simuladas adotando as mesmas falhas utilizadas por esse trabalho (os trechos "dois" ou "cinco" fora de operação), os resultados obtidos mostraram que o dimensionamento feito pelo método Hardy-Cross, não é confiável. Quando o trecho "dois" estiver fora de operação, existirão três nós onde a pressão será negativa (nós "D", "C" e "B"), ou seja, não haverá abastecimento nestes nós. Quando o trecho "cinco" estiver fo ra de operação não haverá nós com pressão negativa, porém, em alguns destes a pressão mínima não será atendida. Com relação ao dimensionamento efetuado pelo método PNL2000 sem levar em consideração a confiabilidade, o dimensionamento também não atende o critério de confiabilidade adotado, quando esta rede estiver com um dos dois trechos fora de operação. Quando o trecho "dois" estiver fora de operação, haverá três nós com pressão negativa, ou seja, não haverá abastecimento nestes nós (nós "D", "C" e "B"). Quando o trecho "cinco" estiver fora de operação, haverá três nós com pressão negativa, ou seja, não haverá abastecimento nestes nós (nós "D", "F" e "E"). Confiabilidade versus custo A relação entre a confiabilidade e o custo da rede será obtida a partir das considerações do trecho "dois" e "cinco" fora de operação. Neste caso tem-se que a confiabilidade da rede estaria em abastecer continuamente os nós "B" e "E" da rede, onde se diminui gradativamente a demanda de abastecimento destes dois nós. A variação da demanda influenciará na variação dos custos, haja vista que com demandas menores, os diâmetros das tubulações também serão menores. Mesmo com a diminuição da demanda, foi imposto que a pressão requerida em todos os nós continuaria de 25 mca. Após várias simulações, estabeleceu-se um gráfico que relaciona o custo da rede, com a confiabilidade do sistema (ver figura 2). A figura 2 e a tabela 8 demonstram que quanto mais confiável for uma rede mais onerosa ela se tornará. Pode-se acrescentar que a simulação com apenas 50% da demanda nos nós "B" e "E" e com os trechos "dois" ou "cinco" avariados, que seria o dimensionamento mais desfavorável para o Grande Anel, atende a todas as restrições imposta ao sistema. Tabela 8: Resultados dos custos obtidos para os dois trechos avariados com relação a diminuição da demanda Figura 3 - Custo de implantação versus confiabilidade CONCLUSÕES Ficou demonstrado que as técnicas de otimização e análise de confiabilidade, utilizadas na fase de projeto de redes de distribuição, podem contribuir para a melhoria da qualidade do abastecimento, levando-se em conta a minimização dos custos de implantação. Com relação a confiabilidade do sistema ficou verificado que a alteração na rede de suas características hid ráulicas implica na variação de seu custo de implantação, já que componentes que promovem aumento de capacidade hidráulica e melhora dos índices de performance estão ligados diretamente a custos mais elevados. Assim, a maior confiabilidade estaria associada a maiores custos e vice- versa. Através deste trabalho ficou demonstrado que a solução obtida para o dimensionamento de uma rede a partir de critérios de otimização econômica, não proporciona uma alternativa de projeto confiável, com relação ao atendimento das vazões e pressões nos pontos de consumo, com possíveis avarias em trechos da rede. Para que o dimensionamento ótimo, em termos econômicos, possa ser considerado confiável, haverá que introduzir critérios ou determinadas situações de projeto que possam prever rompimentos ou falhas no abastecimento. Com isso o custo da rede de abastecimento será incrementado em função das condições impostas ao atendimento. Para o estudo de caso apresentado neste trabalho, pode-se verificar que o dimensionamento ótimo da rede, considerando as condições de atendimento em caso de falhas no sistema (situações mais desfavorável), o seu custo torna se semelhante ao custo do projeto original efetuado pela CAGEPA (ver dados da tabela 7). Entretanto, pode-se dimensionar a rede com critérios de otimização, de maneira que o sistema atenda a determinadas situações de falha com vazões e pressões menores do que máximas admitidas. Assim pode-se ter uma rede cujo custo possa ser compatível com uma relativa confiabilidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALPEROVITS, E.; SHAMIR, U. Design of Optimal Water Distribution Systems. Water Resources Research. AGO. Vol. 13, Nº 6, p. 885-900. New York, NY, USA, 1977. DEB, A. K. Optimization of Water Distribution Network Systems. Journal of Environmental Engineering Division, 102(4), p. 837-851, 1976. FORMIGA, Klebber Teodomiro. Metodologia de Otimização de Redes Malhadas através da Programação Não Linear. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Paraíba. Campina Grande – 1999. GESSLER, J.; WALSKY, T. M. Technical Report EL-85-11: Water Distribution System Optimization. U.S. Army Corps Engineers, Washington, DC, USA, 1985. GOMES, H. P. 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