INPE-10530-TDI/936 AVALIAÇÃO DAS IMAGENS DO SENSOR ASTER PARA DISCRIMINAÇÃO ESPECTRAL DE VARIAÇÕES FACIOLÓGICAS NO GRANITO SERRA BRANCA, ESTADO DE GOIÁS Bruno Eustáquio Moreira Lima Dissertação de Mestrado do Curso de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto, orientada pelos Drs. Raimundo Almeida Filho e Lênio Soares Galvão, aprovada em 10 de outubro de 2003 INPE São José dos Campos 2004 528.711.7 (817.3) LIMA, B. E. M. Avaliação das imagens do Sensor Aster para discriminação espectral de variações faciológicas no granito Serra Branca, Estado de Goiás / B. E. M. Lima. – São José dos Campos: INPE, 2003. 115p. – (INPE-10530-TDI-936). 1.Espectro de absorção. 2.Atenuação atmosférica. 3.Superfície de reflectância. 4.Espectro eletromagnético. 5.Cobertura vegetal. 6.Processamento digital. 7.Radiação de ondas curtas. I. Título. “Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante Dele com cântico. Sabei que o Senhor é Deus; foi Ele quem nos fez, e Dele somos; Somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio. Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-Lhe graças e bendizei-Lhe o nome. Porque o senhor é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade.” SALMOS 100 A DEUS e a meus pais, MANUEL DE JESUS LIMA e TERESINHA MOREIRA LIMA. AGRADECIMENTOS Agradeço a todas instituições e pessoas que me ajudaram a vencer mais esta etapa da vida. À Fundação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, pelo auxílio financeiro. Aos laboratórios de Sensoriamento Remoto e de Geoquímica da Universidade de Brasília (UnB), pela oportunidade de estudos e utilização de suas instalações. Aos professores do INPE pelo conhecimento compartilhado. Aos meus orientadores Prof. Dr. Raimundo Almeida Filho e Prof. Dr. Lênio Soares Galvão, pelo conhecimento transmitido, pela orientação e ajuda na realização de todas etapas deste trabalho. Aos Profs. Dr. Paulo Roberto Meneses e Dr. Geraldo Ferreira Andrade pelo apoio e incentivo na realização deste trabalho. Aos meus amigos Luciano Caniço, Alexandre de Amorim, Alessandro e Rutinéa Palmeira, Waldiza Brandão, Clério Lemos, João Almiro, Richard Milton e Fábio Campos pelo carinho e incentivo sempre demonstrados. A meus pais por sempre acreditarem na importância do estudo. RESUMO Este trabalho busca avaliar os aspectos relacionados à potencialidade das imagens do sensor Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer (ASTER)/Terra, obtidas na faixa do visível e infravermelho refletido, para discriminação espectral de variações faciológicas no maciço granítico Serra Branca, inserido na Província Estanífera de Goiás. Essa Província compreende diversos corpos granitóides, com mineralizações estaníferas (cassiterita) associadas com fácies alteradas metassomaticamente. O aplicativo Atmospheric Correction Now (ACORN) 3.12 foi utilizado para efetuar a correção atmosférica das imagens, transformando seus dados originais de radiância para reflectância de superfície. Na etapa de processamento digital dos dados ASTER, foram gerados produtos a partir do uso de técnicas para a discriminação de materiais geológicos (realce por decorrelação) e de detecção sistemática desses materiais (Mapeador de Ângulo Espectral (SAM), Profundidade Relativa de Bandas de Absorção (RBD) e Ajuste de Feições Espectrais (SFF)). Foi realizada também uma análise da influência da cobertura vegetal, através da determinação do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI), sobre o processo de detecção mineral com a técnica SAM. Os resultados sugerem que, em ambientes tropicais similares aos da área de estudo, com predomínio de vegetação de cerrado, os dados ASTER podem ser muito mais eficazes para a caracterização da associação rochasolo-vegetação, ou das variações relativas nas feições espectrais de argilominerais e da cobertura vegetal, do que para a detecção mineral propriamente dita. Os pixels classificados como tendo o mineral muscovita apresentaram, geralmente, baixos valores de ângulo SAM e NDVI e altos valores de SFF e RDB, ou seja, espectros com bandas de absorção mais profundas em 2200 nm. Estes pixels delimitaram os contatos do complexo granítico com as encaixantes e entre os principais litotipos e a área de atividade garimpeira. Conforme esperado, a detecção do mineral muscovita pela técnica SAM ocorreu em porções da cena com boa exposição de rochas e solos, como a área do garimpo. Entretanto, os resultados foram influenciados pela presença de vegetação fotossinteticamente ativa e/ou não-ativa (gramíneas) no substrato. ASTER SENSOR IMAGES VALUATION TO SPECTRAL DISCRIMINATION OF FACIOLOGICS VARIATIONS IN THE SERRA BRANCA GRANITE, GOIAS STATE ABSTRACT The objective of this work was to evaluate the potential of ASTER/Terra images, acquired in the visible and near-infrared (VNIR) regions and in the shortwave infrared (SWIR) interval, for the discrimination of faciological variations in the Serra Branca granite massif in the Tin Province of the Goiás. This province is composed of several granitoid bodies that may have cassiterite mineralization associated with metasomatically altered facies. The ACORN 3.12 software was used for the atmospheric correction and conversion of the radiance data into surface reflectance values. The digital processing of the ASTER data involved the use of techniques for the discrimination of geological materials (decorrelation stretch) and for their systematic detection (SAM, RBD, and SFF). The influence of the vegetation cover on the mineral detection with the SAM technique was also analyzed by the determination of the normalized difference vegetation index (NDVI). The results showed that, in the savanna tropical environment of the study area, the ASTER data can be more efficacious for the characterization of the rock-soil-vegetation association, or of their spectral features, than for mineral detection purposes. In general, pixels classified as having muscovite showed low SAM angles and NDVI and high SFF scale and RDB values, that is, spectra with well-defined 2200 nm absorption bands. These pixels delimitated the contact of the granitic complex with the surrounding rocks, the major lithologies of the study area and the mining activities (“garimpo”). As expected, the muscovite detection by the SAM technique occurred in portions of the scene with good exposure of rocks and soils such as the mining area. However, the results were affected by the presence of green or non-photosynthetic vegetation (grass) over the substrate. SUMÁRIO Pág. LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO E OBJETIVOS.............................................. 25 1.1 Aspectos Gerais....................................................................................... 25 1.2 Justificativa de Escolha da Área de Estudo.......................................... 28 1.3 Objetivos................................................................................................... 29 CAPÍTULO 2 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ÁREA DE ESTUDO....... 31 2.1 Aspectos Fisiográficos............................................................................ 31 2.2 Aspectos Geológicos Regionais............................................................ 33 2.3 Geologia da Área de Estudo................................................................... 35 2.3.1 Grupo Serra da Mesa............................................................................ 36 2.3.2 Grupo Araí............................................................................................. 36 2.3.3 Rochas Graníticas................................................................................. 37 2.3.4 Greisens................................................................................................. 38 CAPÍTULO 3 – MATERIAL E MÉTODOS....................................................... 41 3.1 Material...................................................................................................... 41 3.1.1 Sensor ASTER....................................................................................... 44 3.2 Metodologia.............................................................................................. 45 3.2.1 Pré-processamento............................................................................... 46 3.2.2 Aquisição de Dados Espectrais e Análises Geoquímicas................ 47 3.2.3 Processamento Digital das Imagens ASTER..................................... 48 3.2.3.1 Discriminação Espectral de Materiais Geológicos......................... 51 3.2.3.1.1 Realce por Decorrelação................................................................ 51 3.2.3.2 Detecção Sistemática de Materiais Geológicos.............................. 55 3.2.3.2.1 Mapeador de Ângulo Espectral (SAM).......................................... 55 3.2.3.2.2 Profundidade Relativa de Bandas de Absorção (RBD)……….... 59 3.2.3.2.3 Ajuste de Feições Espectrais (SFF)………….……..……………… 60 3.2.3.3 Detecção Mineral e Cobertura Vegetal………..............................… 62 3.2.3.3.1 Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI)……..… 62 CAPÍTULO 4 – ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS......................................................................................................... 65 4.1 Componentes de Cena............................................................................ 65 4.1.1 Caracterização Química dos Granitos e Greisens............................. 68 4.1.2 Caracterização Espectral dos Granitos e Greisens........................... 72 4.1.2.1 Espectros de Laboratório.................................................................. 72 4.1.2.2 Espectros Extraídos das Imagens ASTER...................................... 75 4.2 Discriminação Espectral de Materiais Geológicos..…......................... 77 4.2.1 Realce por Decorrelação.……………….......................……..……….... 77 4.3 Detecção Sistemática de Materiais Geológicos.................................... 82 4.3.1 Mapeador de Ângulo Espectral (SAM).……………..................…….... 82 4.3.1.1 Detecção Mineral a partir da Biblioteca Espectral.…......……….... 82 4.3.1.2 Classificação Litológica a partir dos Espectros PIMA.……........... 88 4.3.1.3 Classificação Litológica a partir dos Espectros ASTER.……….... 90 4.3.2 Profundidade Relativa de Bandas de Absorção (RBD).………..….... 92 4.3.3 Ajuste de Feições Espectrais (SFF).………………...............……….... 92 4.4 Detecção Mineral e Cobertura Vegetal................................................... 96 4.4.1 SAM versus Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI).............................................................................................................. 96 CAPÍTULO 5 – CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS..................... 101 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS.............................................................. 105 APÊNDICE A – Roteiro para conversão dos valores de radiância das bandas do sensor ASTER para reflectância, utilizando os programas ENVI 3.5 e ACORN 3.12. LISTA DE FIGURAS Pág. 1.1 Espectros de reflectância da caulinita e da muscovita comparados com os intervalos de comprimento de onda correspondentes às bandas do sensor ASTER (modificado de Hunt, 1977)................................................................................................ 1.2 Vista panorâmica da área de estudo, destacando-se a baixa cobertura vegetal no complexo granítico Serra Branca................... 2.1 32 Geologia, corpos graníticos e ocorrência de Sn na Subprovíncia Rio Tocantins. FONTE: Marini e Botelho (1986)............................. 2.3 29 Mapa de localização e vias de acesso à área de estudo. FONTE: DNER (2002)................................................................................... 2.2 28 34 Mapa geológico da Serra Branca, Cavalcante-GO. FONTE: Andrade (1978), Andrade e Danni (1978) e Dardenne e Schobbenhaus (2001)..................................................................... 3.1 35 Imagem da banda 5 do ETM+/Landsat-7, com os pontos visitados em campo indicados em vermelho e a principal estrada de acesso a área de estudo indicada em azul.................................................. 3.2 Procedimento para decomposição ácida de amostras. FONTE: Pinelli (1999).................................................................................... 3.3 43 Esquema metodológico das etapas de processamento e análise e 49 interpretação dos produtos gerados................................................ 3.4 51 Gráfico com os espectros de referência e de teste para uma imagem e com o ângulo formado entre eles. FONTE: Kruse et al. (1993)............................................................................................... 4.1 57 Composição colorida com as bandas ASTER 4 (1600-1700 nm), 3 (760-860 nm) e 2 (630-690 nm) exibidas em vermelho, verde e azul, respectivamente, mostrando a localização do granito Serra Branca no contexto geológico regional............................................ 4.2 66 Composição colorida com as bandas ASTER 4 (1600-1700 nm), 3 (760-860 nm) e 2 (630-690 nm) exibidas em vermelho, verde e azul, respectivamente, em perspectiva 3D, destacando as variações litológicas no granito Serra Branca no contexto geológico local.................................................................................. 4.3 Diagrama trifásico Fe+Mg, Na+K e Ca, com as doze amostras de biotita granito, biotita granito greisenizado e greisens plotadas....... 4.4 67 71 Curvas de reflectância representativas de duas faces (fresca e alterada) do biotita granito, obtidas em laboratório com o espectrômetro PIMA SP................................................................... 4.5 Curvas de reflectância representativas do biotita 73 granito greisenizado e do greisen, obtidas em laboratório com o espectrômetro PIMA SP................................................................... 4.6 Curvas de reflectância do biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen, obtidas a partir das bandas ASTER........... 4.7 74 Composição colorida RD1 (R), RD2 (G) e RD3 (B), utilizando-se 75 as imagens obtidas a partir do realce por decorrelação com as bandas 2, 3 e 4 do sensor ASTER, com os contatos entre os litotipos biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen mapeados por Andrade (1978) (Figura 2.3) em tracejado............... 4.8 80 Composição colorida RD1 (R), RD2 (G) e RD3 (B), utilizando-se as imagens obtidas a partir do realce por decorrelação com as bandas 1, 4 e 7 do sensor ASTER, com os contatos entre os litotipos biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen mapeados por Andrade (1978) (Figura 2.3) em tracejado............... 4.9 81 (a) Espectros de reflectância de laboratório dos minerais biotita, cassiterita, caulinita e muscovita, extraídos da biblioteca espectral do USGS; (b) Espectros de laboratório reamostrados para a resolução espectral do sensor ASTER e utilizados como referência para aplicação da técnica SAM....................................... 84 4.10 Detecção do mineral muscovita (pixels em vermelho com ângulo inferior a 0,27 radianos) com a técnica SAM, utilizando seu espectro de laboratório da biblioteca espectral do USGS como referência. Os resultados foram projetados sobre a banda 2 do sensor ASTER na porção centro-leste do complexo granítico de Serra Branca.................................................................................... 86 4.11 Área de garimpo no greisen mineralizado em cassiterita na parte leste do complexo granítico, com altas concentrações de muscovita e exposição de rocha e sedimentos................................ 4.12 Leito de drenagem seca que corta o corpo granítico no sentido NS, com altas concentrações de muscovita no material 87 inconsolidado................................................................................... 87 4.13 (a) Exemplo de dois pixels, próximos ao leito seco de drenagem, classificados como biotita granito (em vermelho) pela técnica SAM, utilizando-se os dados de laboratório. Os resultados estão representados sobre uma composição colorida com as bandas ASTER 4 (R), 3 (G) e 2 (B); (b) Curvas de reflectância de um pixel classificado (azul) e da amostra de referência do biotita granito obtida com o PIMA reamostrado (vermelho).................................... 89 4.14 Pixels classificados pela técnica SAM utilizando como referência os espectros de reflectância média, extraídos das imagens do sensor ASTER, representativos de biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen, com os principais contatos entre esses litotipos mapeados por Andrade (1978) (Figura 2.3) em tracejado.. 91 4.15 Pixels com valores de Profundidade Relativa da Banda de Absorção (RDB) de hidroxila maiores que 2,25, indicados em vermelho. Os resultados foram projetados sobre a banda 2 do sensor ASTER na porção centro-leste do complexo granítico de Serra Branca.................................................................................... 93 4.16 Diagrama de espalhamento de pixels obtidos a partir das imagens Escala e Erro médio quadrático (RMS), resultantes do procedimento de detecção do mineral muscovita através da técnica SFF. Pixels com valores comparativamente altos de Escala e baixos de erro são indicados em azul............................... 4.17 (a) Pixels com elevados valores de Escala e baixos valores de erro (em vermelho) sobrepostos a banda 2 do sensor ASTER; (b) 94 Composição colorida com as bandas ASTER 4 (R), 3 (G) e 2 (B). Em ambas as figuras, a área de garimpo é destacada.................... 95 4.18 Área de garimpo indicada nas Figuras 4.10 e 4.15 com: (a) variações nos valores de ângulo SAM para o mineral muscovita; e (b) variações nos valores de NDVI................................................... 97 4.19 Correlação entre os valores de ângulo SAM e de NDVI, obtida a partir de 100 (cem) pixels aleatoriamente selecionados na área do garimpo (Figura 4.18). Os espectros dos pixels indicados por setas são mostrados na Figura 4.20................................................ 98 4.20 Curvas espectrais, mostradas no intervalo de comprimento de onda correspondente ao das bandas 5 a 8 do sensor ASTER, de 2 (dois) pixels com valores distintos de ângulo SAM e de NDVI na Figura 4.19....................................................................................... 99 LISTA DE TABELAS Pág. 3.1 Intervalos espectrais das bandas dos sensores ASTER/Terra e ETM+/Landsat-7 e resolução espacial.............................................. 3.2 45 Linhas analíticas e limites de detecção para os elementos Al, Si, Ti, Ca, Fe, Mg, Na e K determinados na extração total. FONTE: PINELLI (1999)................................................................................. 3.3 Tripletes de bandas do sensor ASTER, com 50 diferentes combinações de faixas espectrais, utilizados na técnica realce por decorrelação..................................................................................... 4.1 Concentrações químicas em amostras de biotita granito, biotita granito greisenizado e greisens da área de estudo......................... 4.2 69 Matriz de correlação entre as bandas 1 a 9 do sensor ASTER na área de estudo................................................................................. 4.3 55 77 Tripletes de bandas do sensor ASTER utilizadas no realce por decorrelação, com as feições e unidades geológicas e a área de garimpo identificadas, respectivamente, em cada um desses produtos........................................................................................... 77 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO E OBJETIVOS 1.1 Aspectos Gerais O Sensoriamento Remoto e as técnicas auxiliares de computação têm sido importantes na consolidação da imagem digital como uma ferramenta auxiliar, tanto para o mapeamento geológico quanto para a prospecção mineral. Esta ferramenta visa a discriminação espectral de alvos específicos, que podem ser áreas potenciais para exploração mineral ou petrolífera. Produtos obtidos a partir de plataformas orbitais têm sido intensamente utilizados nas últimas duas décadas para diversas finalidades dentro das geociências, com destaque para o mapeamento geológico e pesquisa mineral. A utilização de dados de sensoriamento remoto tem sido importante na minimização de custos e tempo em campanhas de pesquisa e exploração mineral. Estudos utilizando estes dados têm sido realizados com maior sucesso em regiões áridas e semi-áridas do mundo, onde ocorrem maiores áreas com materiais expostos, permitindo aquisição direta da informação espectral da assembléia rocha-solo (p. ex., Amos e Greenbaum (1989), Emran et al. (1996), White et al. (1997)). Em ambiente tropical, a caracterização das propriedades espectrais de rochas e solos é normalmente influenciada pela cobertura vegetal. Desta forma, investigações minerais utilizando sensoriamento remoto podem explorar o fato de que mudanças sutis na cobertura vegetal podem refletir alterações nas condições do substrato, constituindo associações rocha-solo-vegetação (Lulla, 1985; Almeida 25 Filho et al., 1996; Almeida Filho et al., 1997 e Almeida Filho e Vitorello, 1997) e, também, o grau de exposição de rocha-solo na cena imageada. A Província Estanífera de Goiás é coberta por vegetação do tipo cerrado. Nas áreas alteradas metassomaticamente, a quantidade de vegetação arbustiva tende a ser menor. Utilizando essa característica, a técnica de divisão de bandas em imagem Landsat (sensores Multispectral Scanner – MSS e Thematic Mapper – TM) foi usada por Almeida Filho (1984) e Almeida Filho et al. (1996) na discriminação de áreas alteradas metassomaticamente em corpos granitóides desta Província. Essas áreas compreendem fácies albitizadas–greisenizadas, as quais são hospedeiras litológicas de mineralizações estaníferas (cassiterita). De acordo com Almeida Filho e Vitorello (1997), dados espectrais de campo mostram que amplas feições de absorção de óxido de ferro nas bandas TM1 e TM2 possibilitaram a discriminação espectral entre áreas de materiais alterados hidrotermalmente e áreas de solos derivados a partir de biotita granitos. Dados espectrais previamente coletados em campo possibilitaram a seleção das bandas espectrais do TM/Landsat-5 mais apropriadas e também foram utilizados para facilitar o uso de técnicas de processamento de imagens. No trabalho de Almeida Filho e Vitorello (1997) foram discutidos e quantificados índices de cobertura vegetal para a discriminação espectral de fácies alteradas em granitóides da Província Estanífera de Goiás. A metodologia de comparação utilizada por aqueles autores para os espectros de solo-vegetação, a partir de diferentes tipos de solos, mostrou que áreas de materiais não-alterados (solos escuros em biotita granitos com 40% de cobertura vegetal) tiveram resposta mais baixa do que áreas de materiais alterados hidrotermalmente (solos claros com 60% de cobertura vegetal). Baseado em espectros de campo, os dois tipos de solos foram confundidos espectralmente somente quando a cobertura vegetal alcançou 80% em áreas de alteração. 26 Novas perspectivas foram abertas para a discriminação de alvos geológicos com o advento das imagens do sensor Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer (ASTER), a bordo do satélite Terra. O sensor ASTER representa um avanço, em termos de resolução espectral, quando comparado ao instrumento Enhanced Thematic Mapper (ETM+) do satélite Landsat-7. Um exemplo da maior potencialidade do sensor ASTER para geologia foi apresentado por Van der Meer (1999), que discutiu o potencial de detecção de alguns minerais, como caulinita e muscovita, através deste sensor. Esses dois minerais são caracterizados por uma banda de absorção em aproximadamente 2,2 µm devido a hidroxila (OH) (Hunt, 1977) correspondente à banda 6 do sensor ASTER (2,185 – 2,225 µm) (Figura 1.1). De fato, feições de absorção, no intervalo espectral de 2,0 a 2,5 µm (Shortwave Infrared – SWIR), são claramente observadas nas curvas espectrais tanto da caulinita quanto da muscovita (Figura 1.1). Estas informações espectrais podem ser detectadas nas bandas 5 a 9 do sensor ASTER. Já o sensor ETM+, que possui apenas a banda 7 posicionada neste importante intervalo espectral para a geologia, registra, portanto, uma única resposta nesta faixa espectral. Crósta et al. (2002) utilizaram dados do sensor ASTER para caracterizar halos de alteração hidrotermal em depósitos auríferos epitermais no distrito de Los Menucos, Argentina. Foram utilizadas tanto técnicas usualmente empregadas no processamento especificamente de imagens desenvolvidas multiespectrais, para o como também processamento de técnicas imagens hiperespectrais. Segundo aqueles autores, os resultados foram bastante satisfatórios, demonstrando os benefícios que a recente disponibilização de imagens orbitais multiespectrais de melhor resolução espectral pode trazer para atividades de exploração mineral. 27 Muscovita Reflexão Caulinita 0,6 1,0 1,5 2,0 2,5 Comprimento de onda em micrometros Bandas do sensor Aster 0,6 1,0 1,5 2,0 2,5 Comprimento de onda em micrometros FIGURA 1.1 – Espectros de reflectância da caulinita e da muscovita comparados com os intervalos de comprimento de onda correspondentes às bandas do sensor ASTER. FONTE: modificada de Hunt (1977). 1.2 Justificativa de Escolha da Área de Estudo O complexo granítico Serra Branca foi selecionado como área de estudo devido aos seguintes fatores: disponibilidade de dados de mapeamentos geológicos já 28 realizados e de sensoriamento remoto (imagens ASTER), baixa densidade de cobertura vegetal e ocorrência de amplas áreas de alteração metassomática, algumas com mineralizações de estanho (cassiterita), berilo, cobre e fluorita. As variações faciológicas, devido a essa alteração, oferecem a oportunidade de avaliar a diferenciação dos padrões de resposta espectral das unidades discriminadas nas imagens ASTER. A densidade de cobertura vegetal no complexo granítico de Serra Branca é baixa, como pode ser observado na Figura 1.2, sendo dominada por gramíneas e árvores de baixo porte, além de arbustos, permitindo áreas de exposição de solo e rocha. FIGURA 1.2 – Vista panorâmica da área de estudo, destacando-se a baixa cobertura vegetal no complexo granítico Serra Branca. 1.3 Objetivos Dentro desse contexto, o presente trabalho teve como objetivo geral avaliar a potencialidade de imagens do sensor ASTER para a discriminação espectral de variações faciológicas associadas a processos de alteração metassomática no corpo granítico Serra Branca. Mais especificamente, os objetivos foram: 29 a) Avaliar o desempenho de diferentes técnicas de processamento digital de imagens na discriminação espectral de variações faciológicas no granito Serra Branca e na detecção mineral, tais como: realce por decorrelação, mapeador de ângulo espectral (Spectral Angle Mapper - SAM), profundidade relativa de banda de absorção (Relative Absorption-Band Depth - RBD) e ajuste de feições espectrais (Spectral Feature Fitting SFF); b) Comparar as respostas radiométricas dos alvos, obtidas a partir das imagens, com os padrões de respostas espectrais de minerais e rochas fornecidos na literatura e obtidos em laboratório; c) Discutir a influência da cobertura vegetal no processo de detecção de padrões espectrais de minerais nos espectros dos pixels. 30 CAPÍTULO 2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ÁREA DE ESTUDO A Província Estanífera de Goiás, onde está inserido o granitóide Serra Branca, localiza-se na parte norte do estado de Goiás, a aproximadamente 400 Km de Brasília-DF (Figura 2.1). O granitóide Serra Branca encontra-se na porção oeste da Província Estanífera de Goiás, no município de Cavalcante, limitado pelos paralelos 13o 33’ 44” e 13o 38’ 50” de latitude sul e pelos meridianos de 48o 05’ 03” e 48o 07’ 13” de longitude oeste. O acesso à área de estudo pode ser feito pela rodovia federal BR-153 (BelémBrasília) até a cidade de Santa Tereza – GO e a partir deste ponto pela rodovia estadual GO-029 até a cidade de Minaçu – GO (Figura 2.1). A partir desta, o acesso é realizado por uma estrada não pavimentada. 2.1 Aspectos Fisiográficos O clima da região caracteriza-se por duas estações distintas: uma seca, de abril a outubro, e outra de chuvas entre novembro e março. As temperaturas médias variam entre 23o e 24o C. A precipitação pluviométrica anual é em torno de 1750 mm. O granitóide Serra Branca forma uma estrutura dômica com bordas constituídas por rochas quartzíticas e o núcleo interno por uma associação de rochas graníticas greisenizadas. Os quartzitos presentes são bem marcados por cristas com quebras abruptas e relevo na forma de vales profundos e estreitos, quando intercalados por rochas menos resistentes. Nas bordas da estrutura dômica 31 ocorrem as maiores altitudes, próximas a 840 metros. No núcleo, as cotas estão por volta de 400 metros, nos leitos dos córregos Lageado e Buriti. TO Granito Serra Branca 029 GO MG FIGURA 2.1 – Mapa de localização e vias de acesso à área de estudo. FONTE: DNER (2002). Devido ao relevo acentuado da Serra Branca, às condições climáticas e a escassa vegetação, ocorre considerável quantidade de afloramentos. Os granitóides e greisens possuem delgada cobertura de solos coluvionares, com ocorrência de cascalhos de quartzo leitoso. Sobre os quartzitos encaixantes os solos altamente silicosos são também de pouca espessura e coloração clara. A cobertura vegetal, como já foi mencionado anteriormente, é do tipo cerrado, tendo como característica básica a presença de árvores de pequeno porte, com troncos e galhos retorcidos, e intercaladas por arbustos e plantas herbáceas. Nas 32 proximidades dos principais cursos d’água como os rios Maranhão e Preto, a vegetação predominante passa a ser de mata galeria com árvores eretas e de porte elevado, devido à umidade do solo. 2.2 Aspectos Geológicos Regionais A Província Estanífera de Goiás está inserida no Escudo Brasileiro Central, composto principalmente de rochas metamórficas de alto grau (gnaisses, migmatitos, anfibolitos e metabasaltos) de idade arqueana (Almeida et al., 1981). Essas rochas possuem evolução geológica complexa, com evidências de polimetamorfismo e eventos tectono-estruturais superimpostos, envolvidas pelo cinturão de dobramentos do Brasiliano, de idade neoproterozóica, constituído por metassedimentos metamorfisados na fácies xisto verde. De acordo com Almeida et al. (1977), os granitóides estaníferos de Goiás estariam situados na Província Estrutural Tocantins. A Província Estanífera de Goiás é composta por cerca de duas dezenas de corpos graníticos de idade proterozóica média, sendo a maioria mineralizados em cassiterita (Marini e Botelho, 1986). Segundo esses autores, os granitóides podem ser agrupados em quatro subprovíncias: Rio Tocantins, Rio Paranã, PirenópolisGoianésia e Ipameri. O granitóide Serra Branca está inserido na subprovíncia Rio Tocantins (Figura 2.2). Os complexos graníticos que afloram na região possuem dimensões variáveis e ocupam núcleos de estruturas braqui-anticlinais que se destacam no relevo, dentre os quais, os denominados de granitóide Serra da Mesa, Serra Dourada e Serra do Encosto, que segundo Barbosa et al. (1969) são produtos de remobilização de rochas do embasamento. Estes granitóides são compostos predominantemente por biotita granitos rosados a acinzentados, com textura variando de aplítica a porfirítica. 33 Nos granitóides ocorrem fácies alteradas metassomaticamente, representadas principalmente por muscovita granitos greisenizados e albitizados, freqüentemente enriquecidas em cassiterita (Botelho, 1992). 48O30’ 48O00’ PROTEROZÓICO SUPERIOR N PALMEIRÓPOLIS GRUPO PARANOÁ PROTEROZÓICO MÉDIO GRANITOS PEGMATÓIDES GRUPO ARAÍ GRUPO SERRA DA MESA SERRA DOURADA SERRA DO ENCOSTO GRANITOS ESTANÍFEROS PROTEROZÓICO INFERIOR FORMAÇÃO TICUNZAL SEQÜÊNCIA PALMEIRÓPOLIS ARQUEANO / PROT. INFERIOR 13O30’ O 13 30’ COMPLEXO GRANULÍTICO DE CANABRAVA MINAÇU COMPLEXO GRANITO-GNÁISSICO GARIMPOS SERRA BRANCA 48 54O O SERRA DA MESA 8O CAMPINAÇU CAVALCANTE TO 14O00’ 14O00’ O 48 30’ 48O00’ 16O GO O DF 48O 16 42O FIGURA 2.2 – Geologia, corpos graníticos e ocorrência de Sn na Subprovíncia Rio Tocantins. FONTE: Marini e Botelho (1986). Na região do granitóide Serra Branca, ocorrem unidades litoestratigráficas formadas por metassedimentos pré-cambrianos pertencentes aos Grupos Serra da Mesa (Marini et al., 1976) e Araí (Barbosa et al., 1969). 34 2.3 Geologia da Área de Estudo A geologia da área de estudo está sintetizada no mapa da Figura 2.3. As unidades litoestratigráficas que ocorrem na estrutura dômica Serra Branca fazem parte das formações pré-cambrianas que recobrem extensas áreas da parte central de Goiás, sendo os metassedimentos atribuídos ao Pré-Cambriano Médio (Grupo Serra da Mesa), e ao Pré-Cambriano Superior (Grupo Araí). O contato entre o granitóide e os metassedimentos encaixantes é de caráter intrusivo, com presença de xenólitos (Andrade e Danni, 1978). 48o06’ 48o02’ Macaco N o o 13 33’ 13 33’ LEGENDA Có r. Lageado R io M aran h ão Greisens Endógenos Berilo-muscovita greisens com fluorita, topázio, tenacita e cassiterita Berilo-muscovita-quartzo greisens localmente com biotita Muscovita-quartzo greisens Muscovita greisens feldspáticos Fácies Graníticas Biotita granito parcialmente greisenizado com muscovita, berilo, fluorita e cassiterita. Biotita granito com pórfiros de feldspato K Bigode GRUPO ARAÍ Muscovita xistos Calco xistos, filitos grafitosos e quartzitos grosseiros Quartzitos Sericita xistos com magnetita Metaconglomerados e muscovita quartzitos intercalados C ór . Bu r i ti Rio Preto GR SERRA DA MESA - Fm Cachoeira das Éguas Muscovita-quartzo xistos, grafita xistos, granada-muscovita xistos o 13 40’ o o o 48 06’ FIGURA 2.3 – 48 02’ 13 40’ Mapa geológico da Serra Branca, Cavalcante-GO. FONTE: Andrade (1978), Andrade e Danni (1978) e Dardenne e Schobbenhaus (2001). 35 2.3.1 Grupo Serra da Mesa As rochas que compõem o Grupo Serra da Mesa foram inicialmente mapeadas por Barbosa et al. (1969) como pertencentes ao Grupo Araxá, incluídas posteriormente por Marini et al. (1977) no Grupo Serra da Mesa. Na região de estudo, ele é representado pela Formação Cachoeira das Éguas, formada por quartzo xistos intercalados por muscovita xistos, e mais raramente por muscovitabiotita xistos granadíferos e xistos grafitosos (Andrade e Danni, 1978) (Figura 2.3). Os xistos presentes na porção leste do corpo granítico apresentam-se metassomatizados, constituindo-se em típicos greisens exógenos. Andrade (1978) cita ainda que as mineralizações relacionadas ao processo de greisenização encontram-se nos quartzo xistos do Grupo Serra da Mesa, não deixando dúvida quanto à natureza intrusiva do contato entre estes e as rochas graníticas do núcleo. 2.3.2 Grupo Araí Assim como no Grupo Serra da Mesa, as camadas do Grupo Araí obedecem ao padrão estrutural definido pela estrutura dômica. Este grupo encontra-se subdividido em duas unidades (Andrade, 1978): uma basal, denominada Formação Arraias, e uma superior, Formação Traíras. A Formação Arraias é composta por metaconglomerados basais, aparentemente em discordância com os xistos do Grupo Serra da Mesa. Apresentam espessuras variando entre 1 e 15 metros, com seixos sub-arredondados de quartzitos e quartzo leitoso em matriz quartzo-muscovítica. Para o topo, ocorre a transição para quartzitos conglomeráticos, quartzitos muscovíticos com granulação média e serecita xisto quartzoso, nessa ordem (Andrade, 1978) (Figura 2.3). A Formação Traíras é composta por metassedimentos de natureza pelítica e química: calcoxistos, filitos grafitosos, quartzitos grosseiros e muscovita xistos com 36 abundante magnetita e, localmente, cianita, granada, biotita e clorita (Andrade, 1978). 2.3.3 Rochas Graníticas Na porção interna do domo Serra Branca, ocorre uma considerável variação petrográfica representada por rochas graníticas, granitos greisenizados e greisens típicos, mineralizados em Sn, Be, Cu, Li e F (Andrade, 1978). As rochas graníticas são representadas por biotita granito porfirítico, passando progressivamente para granito greisenizado em direção à porção leste do granitóide (Figura 2.3). De acordo com Andrade (1978), o biotita granito porfirítico caracteriza-se por coloração predominantemente rosada e textura porfirítica grossa orientada. Os fenocristais são de ortoclásios microclinizados com dimensões de 1 a 5 cm, geminados segundo a lei de Carlsbad; por grãos de quartzo de forma subarredondada, cor cinza azulada, e ainda por raros oligoclásios. Esses minerais estão imersos em matriz de granulação média a grossa, composta por quartzo, feldspato potássico, plagioclásio e biotita. Uma feição bastante comum neste granito é a ocorrência de xenólitos arredondados de biotita e grafite. Constata-se ainda a presença de uma série de minerais secundários, representados por sericita, clinozoisita, pistacita, granada, clorita e calcita. Como minerais acessórios, ocorrem fluorita, topázio, zircão, esfeno, apatita e xenotima. O biotita granito greisenizado consiste de um granito com alteração metassomática incipiente indicada pelo aumento da muscovitização dos feldspatos e o surgimento de berilo, cassiterita e calcopirita. A textura é porfirítica grossa, com orientação pronunciada dos fenocristais de feldspatos alcalinos. Macroscopicamente, evidencia-se uma mineralogia semelhante àquela citada para a fácies anterior, destacando-se como principais diferenças aumento de albita (ou oligoclásio sódico) e de muscovita (Andrade, 1978). Ainda de acordo com esse 37 autor, a greisenização intensifica-se em direção as partes apicais do maciço, aspecto que pode ser observado pelo acréscimo de muscovita, quartzo, oligoclásio ácido ou albita e fluorita e pela diminuição de feldspato potássico, oligoclásio cálcico e biotita do granito original. Também se observa aumento progressivo das inclusões fluidas no quartzo e nos feldspatos. 2.3.4 Greisens Os greisens são rochas metassomáticas de composição predominante quartzomica, ricas em feldspatos, fluorita, topázio, turmalina e minerais metálicos, oriundos do granito e das encaixantes pela ação de soluções pneumatolíticahidrotermais. Diferentes fácies de greisens apicais foram reconhecidas e são descritas a seguir. a. Muscovita greisen feldspático representando o termo intermediário entre rochas graníticas e os greisens típicos. O contato com o granito subjacente é do tipo gradativo, assinalado pela maior quantidade de muscovita. Estes greisens foram derivados da substituição de feldspatos por quartzo, muscovita e albita. Os minerais acessórios diagnósticos do processo de greisenização são cassiterita, fluorita, topázio, apatita, calcosita, covelita, calcopirita, cuprita, azurita e malaquita. b. Muscovita quartzo greisen feldspático representam os termos mais evoluídos do processo de greisenização, compostos basicamente de quartzo e muscovita em variadas proporções. Os minerais acessórios presentes são cassiterita, fluorita, turmalina, topázio, calcosita, covelita, calcopirita, malaquita, azurita e cuprita. c. Greisens lenticulares e de fraturas ocorrem em lentes ou preenchendo fraturas com direções aproximadas NNE-SSW, distribuídos por todo o maciço, com maior freqüência nos biotita granitos greisenizados. Estes greisens normalmente acompanham os filões de quartzo, podendo alcançar dimensões quilométricas, 38 salientando-se no relevo sob a forma de morrotes alongados. Como no muscovitaquartzo greisen feldspático, a composição mineralógica dos greisens lenticulares e de fraturas é basicamente quartzo e muscovita, podendo aparecer biotita. Os principais minerais acessórios que compõem essa rocha são: berilo, fluorita, fenacita, cassiterita, sulfetos, óxidos e carbonatos de cobre, grafite e localmente turmalina e granada. Greisens exógenos são constituídos por muscovita quartzo greisens e quartzo muscovita greisens, originados a partir dos xistos atribuídos ao Grupo Serra da Mesa. Os efeitos de greisenização apresentam-se de forma mais acentuada na zona de contato ao longo de toda parte leste do maciço e nas suas proximidades. Entre os principais minerais acessórios, destacam-se cassiterita, fluorita, grafite, granada, turmalina e carbonatos de cobre. Pinto-Coelho (1996) propôs uma divisão faciológica mais simplificada para o granitóide Serra Branca, representada por quatro tipos de granitos: biotita-granito porfiróide grosso, granito porfiróide grosso com duas micas, muscovita granito heterogranular e muscovita topázio granito. O biotita granito porfiróide grosso encontra-se fortemente estruturado, com foliação mergulhando para oeste. Aflora na porção oeste do maciço e apresenta como mineralogia os seguintes componentes: quartzo, biotita, muscovita, feldspato potássico e albita. Esse tipo corresponde ao biotita granito de Andrade (1978). O granito porfiróide grosso com duas micas apresenta características petrográficas semelhantes às do biotita granito porfiróide, mas com maior desenvolvimento de processos de alteração pós-magmáticos, correspondendo ao biotita granito greisenizado de Andrade (1978). O muscovita granito heterogranular é a fácies metassomaticamente mais evoluída do maciço, ocorrendo na porção leste. Possui a seguinte mineralogia: quartzo, 39 albita, microclínio pertítico e muscovita, correspondendo aos muscovita greisen feldspático e muscovita quartzo greisen feldspático de Andrade (1978). O muscovita topázio granito ocorre apenas na porção leste do maciço, tendo como minerais acessórios zircão, apatita, alanita, fluorita, monazita, óxidos/hidróxidos de ferro e opacos, correspondendo aos greisens lenticulares e de fraturas de Andrade (1978). Os granitóides que compõem o maciço granítico da Serra Branca são silicosos, potássicos, fraca a moderadamente sódicos, pouco ferríferos, pobres em F e Li e desprovidos de Ca, Mg e Ti (Pinto-Coelho, 1998; Pinto-Coelho e Charoy, 2001). A assinatura geoquímica original dessas rochas foi modificada pelas alterações pósmagmáticas responsáveis pelas variações nas composições mineralógicas observadas nas diferentes fácies. Ainda segundo aqueles autores, as alterações hidrotermais ocorrem na seguinte ordem cronológica no maciço: primeiro albitização localizada, seguida por greisenização e, finalmente, microclinização tardia atingindo todas as fácies graníticas. O mineral de estanho é a cassiterita que ocorre nas seguintes formas: buchas associadas aos filões de quartzo leitoso, vênulas de minério maciço resultantes do preenchimento de fraturas e disseminada (Andrade, 1978). Outras mineralizações importantes que ocorrem no granitóide Serra Branca são berilo, cobre e fluorita. 40 CAPÍTULO 3 MATERIAL E MÉTODOS Ao longo deste capítulo serão apresentados os materiais e procedimentos de aquisição dos dados espectrais e análises geoquímicas, além das técnicas de préprocessamento, processamento e análise digital dos dados. A metodologia apresentada irá seguir a ordem lógica do desenvolvimento da pesquisa proposta. Segue também uma apresentação dos conceitos e fundamentos teóricos sobre os dados de sensoriamento remoto e sobre as técnicas de processamento digital de imagens utilizadas no trabalho. 3.1 Material Dados cartográficos, geológicos, imagens de satélite do sensor ASTER e dados espectrorradiométricos de laboratório foram utilizados na presente investigação. Os dados cartográficos foram os de topografia, drenagem, vias de acesso e localização de cidades, distritos e povoados extraídos da carta topográfica Minaçu-GO (SD.22-X-D-VI) na escala 1:100.000 e na projeção UTM. Os dados geológicos podem ser divididos em dois grupos: os mapas regionais de Marini e Botelho (1986) e os locais, na escala 1:25.000, de Andrade (1978), Andrade e Danni (1978), Pinto-Coelho (1996) e Dardenne e Schobbenhaus (2001). Também foi utilizado o mapa de pontos na escala 1:25.000 de Andrade (1978). As imagens do sensor ASTER, obtidas em 09/08/2000, compreenderam as bandas 1 a 3 do Visible and Near-infrared (VNIR – 400 a 1000 nm) e as bandas 4 a 9 do Shortwave Infrared (SWIR – 1000 a 2500 nm). 41 O espectrômetro Portable Infrared Mineral Analyser (PIMA) SP, marca Integrated Spectronics, versão 2.2, fornecido pela Universidade de Brasília (UnB), foi utilizado em laboratório para a aquisição de dados espectrais a partir das amostras de campo. O instrumento opera na região do espectro eletromagnético de 1300 a 2500 nm e adquire dados em intervalos espectrais de 2 nm. Nesta faixa de comprimento de onda, minerais que contêm, por exemplo, hidroxila (OH) e carbonato (CO32-), entre outros, podem apresentar curvas de reflectância com bandas de absorção em comprimentos de onda específicos que favorece sua detecção espectral. O instrumento PIMA não necessita de iluminação solar, pois utiliza uma fonte de iluminação independente. Para a calibração das medidas é utilizado um padrão de referência interno composto de uma placa de ouro. O instrumento gerou curvas espectrais de reflectância que foram armazenadas como arquivos binários individuais. Foram utilizados os seguintes aplicativos nas etapas de pré-processamento, processamento e análise digital dos dados: Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas (SPRING) 3.5 (Câmara et al., 1996), The Environment for Visualizing Images (ENVI) 3.5 (Rsi, 2001) e Atmospheric Correction Now (ACORN) 3.12 (ImSpec, 2002). O SPRING 3.5 foi usado na digitalização dos dados cartográficos (estrada de acesso à área de estudo e pontos de campo), como apresentado na Figura 3.1, e geológicos. O ENVI 3.5 foi utilizado no pré-processamento e processamento dos dados ASTER, bem como para a geração do modelo digital de elevação (DEM). O aplicativo ACORN 3.12 foi utilizado para efetuar a correção atmosférica das bandas do sensor ASTER, transformando os dados originais deste sensor de radiância para reflectância de superfície. 42 FIGURA 3.1 – Imagem da banda 5 do ETM+/Landsat-7, com os pontos visitados em campo indicados em vermelho e a principal estrada de acesso à área de estudo indicada em azul. 43 3.1.1 Sensor ASTER O sensor Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer (ASTER) é um projeto entre o Japão e os Estados Unidos da América (E.U.A.), onde os japoneses foram responsáveis pela construção do sensor e os americanos pelo satélite. A plataforma Terra, que carrega o sensor ASTER, foi lançada em 18 de dezembro de 1999. Seu período de operação é estimado em seis anos, até 2005, em órbita Sol-síncrona de 16 dias, com altitude de 705 km e com período para completar uma órbita de 98,9 minutos. A cena imageada pelo sensor ASTER tem dimensões de 60 x 60 km2. O ASTER é formado pelos seguintes subsistemas: visível e infravermelho próximo (VNIR) com três bandas e resolução espacial de 15 metros; infravermelho médio (SWIR) com seis bandas e resolução espacial de 30 metros; e infravermelho termal (TIR) com cinco bandas e resolução espacial de 90 metros (Tabela 3.1). Conforme constatado na Tabela 3.1, o sensor ASTER possui algumas vantagens em relação ao instrumento ETM+/Landsat-7 para aplicações geológicas: O intervalo espectral aproximadamente correspondente ao da banda 7 do sensor ETM+ (2,08 – 2,35 µm) foi subdivido em 5 (cinco) bandas no sensor ASTER, favorecendo a detecção de feições de absorção mineral (p. ex., hidroxila e carbonato) nos espectros de reflectância dos pixels; O intervalo espectral aproximadamente correspondente ao da banda 6 do sensor ETM+ (10,4 – 12,5 µm) foi ampliado e subdivido em 5 (cinco) bandas no sensor ASTER, favorecendo a detecção de feições minerais (p. ex., sílica) nos espectros de emissividade dos pixels; 44 As imagens produzidas pelo sensor ASTER nas faixas do visível e do infravermelho próximo possuem resolução espacial melhorada em relação à do ETM+ (15 metros). TABELA 3.1 – Intervalos espectrais das bandas dos sensores ASTER/Terra e ETM+/Landsat-7 e resolução espacial. Subsistema Banda VNIR SWIR TIR PAN 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 - ASTER/Terra Intervalo Resolução Banda espectral (m) (µm) 1 0,52-0,60 15,0 2 0,63-0,69 15,0 3 0,76-0,86 15,0 4 1,60-1,70 30,0 5 7 2,145-2,185 30,0 2,185-2,225 30,0 2,235-2,285 30,0 2,295-2,360 30,0 2,360-2,430 30,0 6 8,125-8,475 90,0 8,475-8,825 90,0 8,925-9,275 90,0 10,25-10,95 90,0 10,95-11,65 90,0 8 ETM+/Landsat-7 Intervalo Resolução espectral (m) (µm) 0,45-0,52 30,0 0,52-0,60 30,0 0,63-0,69 30,0 0,76-0,90 30,0 1,55-1,75 30,0 2,08-2,35 30,0 10,4-12,5 90,0 0,52-0,90 15,0 3.2 Metodologia O trabalho foi desenvolvido em quatro etapas, a saber: a) pré-processamento digital dos dados ASTER; b) aquisição de dados espectrais e análises geoquímicas sobre as amostras de rochas coletadas em campo; c) processamento digital dos dados ASTER; e d) análise e interpretação dos produtos gerados. Antes da fase de pré-processamento, as bandas do SWIR (4, 5, 6, 7, 8 e 9) do sensor ASTER foram reamostradas, utilizando-se interpolação por vizinho mais 45 próximo, para 15 (quinze) metros, ficando com a mesma resolução espacial das bandas do visível e do infravermelho próximo (1, 2 e 3). A etapa de aquisição dos dados espectrais e análises geoquímicas foi precedida por um trabalho de campo, realizado em junho de 2002. As atividades de campo possibilitaram não apenas a coleta de amostras, como também a verificação de resultados preliminares obtidos a partir de composições coloridas. Na etapa de processamento digital dos dados ASTER foram gerados produtos a partir do uso de técnicas de realce e discriminação de materiais geológicos (Realce por Decorrelação) e de detecção sistemática desses materiais (Mapeador de Ângulo Espectral - técnica SAM, Profundidade Relativa de Bandas de Absorção - técnica RBD e Ajuste de Feições Espectrais - técnica SFF). Finalmente, foi feita uma análise da influência da cobertura vegetal, através da determinação do índice Normalized Difference Vegetation Index (NDVI), sobre o processo de detecção mineral com a técnica SAM. Os processamentos foram realizados no Laboratório de Tratamento de Imagens Digitais (LTID) e no Laboratório de Sensoriamento Remoto Geológico (LSRG) do INPE, com exceção da aquisição de dados espectrais e das análises geoquímicas que foram realizadas nos laboratórios de Sensoriamento Remoto e de Geoquímica Aplicada da Universidade de Brasília (UnB). 3.2.1 Pré-processamento O pré-processamento das imagens ASTER foi feito em duas etapas: correção atmosférica e correção geométrica. A correção atmosférica foi realizada utilizando-se o programa ACORN 3.12, baseado no uso do MODTRAN 4, que transforma valores de radiância para de reflectância de superfície. O modelo tropical e uma quantidade fixa de vapor d’água (20 mm) foram adotados para fins de correção dos efeitos de 46 espalhamento e absorção atmosféricos. Um esquema resumido com todas as etapas realizadas nessa transformação é apresentado no Apêndice. A correção geométrica das imagens foi feita utilizando-se como base a carta topográfica de Minaçu (GO) (DSG, 1977), escala 1:100000. Foram identificados pontos de controle na carta que serviram para realizar a correção geométrica, utilizando-se interpolação por vizinho mais próximo, e obtendo-se precisão de correção inferior a 1 (um) pixel. 3.2.2 Aquisição de Dados Espectrais e Análises Geoquímicas Medidas de reflectância de 25 (vinte e cinco) amostras coletadas em campo, variando entre os litotipos biotita granito, biotita granito greisenisado e greisens, foram realizadas no Laboratório de Sensoriamento Remoto da Universidade de Brasília (UnB). As amostras foram divididas em dois grupos: as que apresentaram pelo menos uma das faces alteradas por processos intempéricos e as que não apresentaram nenhuma face alterada. Nas amostras com pelo menos uma face alterada, foram efetuadas 7 (sete) medidas, sendo 5 (cinco) na face não alterada e 2 (duas) em face alterada. Nas amostras sem faces alteradas foram realizadas 5 (cinco) medidas. O instrumento utilizado foi o espectrômetro PIMA SP. A medição para obter a curva espectral foi realizada em uma área de aproximadamente 10 mm por 2 mm na amostra. Na análise geoquímica, a determinação dos elementos silício (Si), titânio (Ti), alumínio (Al), ferro (Fe), magnésio (Mg), cálcio (Ca), sódio (Na) e potássio (K) foi feita com o Espectrômetro de Emissão Atômica com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP/AES), marca SPECTRO, modelo FVM03, e com o Espectrofotômetro de Absorção Atômica (EAA), marca PERKIN ELMER, modelo 603 de duplo feixe. 47 Foram analisadas um total de doze amostras, sendo três de biotita granito (SB01A, SB03A e SB13B), três de biotita granito greisenizado (SB02B, SB04A e SB06A) e seis de greisens (SB04B, SB07A, SB08A, SB09A, SB09B e SB10A). Para determinação total de metais, utilizou-se decomposição ácida, segundo o método descrito por Pinelli (1999). As etapas envolvidas neste procedimento estão resumidas no fluxograma da Figura 3.2. Os comprimentos de onda utilizados para cada tipo de elemento foram selecionados em função da maior sensibilidade e ausência de interferências significativas (Tabela 3.2). 3.2.3 Processamento Digital das Imagens ASTER Na etapa de processamento digital das imagens ASTER, resumida na Figura 3.3, foram utilizados três técnicas. A primeira (realce por decorrelação) teve como objetivo o realce e discriminação de materiais geológicos, enquanto a segunda (técnicas SAM, RDB e SFF) visou à detecção sistemática desses materiais na cena. A terceira envolveu a determinação do índice de vegetação NDVI e a comparação de seus valores com os resultados de detecção mineral obtidos com a técnica SAM. 48 1 g de amostra depois de moída (em bécker de teflon) 20 mL de HF, 3 mL de HNO3 , 1 mL de HClO 4 e 7 mL de HCl Banho de areia (200 o C) até perto da secura 10 mL de HF, 2 mL de HNO3, 0,5 mL de HClO4 e 5 mL de HCl Banho de areia até secura total Adicionar HCl 2N e água (1/1) aquecendo em banho de areia até solubilizar Filtrar e acondicionar em balão de 100 mL FIGURA 3.2 – Procedimento para decomposição ácida de amostras. FONTE: Pinelli (1999). 49 TABELA 3.2 – Linhas analíticas e limites de detecção para os elementos Al, Si, Ti, Ca, Fe, Mg, Na e K determinados na extração total. (*) Elementos determinados por absorção atômica. Elemento Linha Analítica (nm) Limite de Detecção (µg/mL) Al Si Ti Ca Fe Mg Na K 308,215 251,611 337,28 317,933 259,948 279,879 589,6* 766,5* 0,00841 0,04684 0,0046 0,002 0,0006 0,005 0,015 0,04 FONTE: Pinelli (1999). 50 Imagem Aster/Terra Registrada e com Valore de Reflectância Discriminação Espectral de Materiais Geológicos Realce por Decorrelação Mapeador de Ângulo Espectra - SAM Detecção Sistemática de Materiais Geológicos Profundidade Relativa da Banda de Absorção - RBD Detecção Mineral e Cobertura Vegetal Ajuste de Feições Espectrais - SFF SAM x NDVI Análise e Interpretação dos Produtos Gerados Resultados e Conclusões FIGURA 3.3 – Esquema metodológico das etapas de processamento e análise e interpretação dos produtos gerados. 3.2.3.1 Discriminação Espectral de Materiais Geológicos 3.2.3.1.1 Realce por Decorrelação Bandas espectrais adjacentes em um sistema de imageamento multiespectral em sensoriamento remoto são geralmente correlacionadas. A presença de correlação 51 entre as bandas de imagens multiespectrais implica na existência de redundância nos dados. Segundo Mather (1999), o realce por decorrelação é uma Transformação por Componentes Principais (TCP) modificada, de maneira a melhorar sua aplicação em alguns casos específicos, como por exemplo, para as bandas do sensor ASTER, altamente correlacionadas. A transformação por componentes principais pode ser sucintamente descrita da seguinte maneira: dadas p imagens brutas, são analisadas as suas correlações e produzido um novo conjunto de p novas imagens, sem correlação entre si. De forma geral, esse novo conjunto de imagens terá como característica o fato de a CP1 conter a informação que é comum a todas p bandas originais, a CP2 possuir a feição espectral mais significante do conjunto e assim sucessivamente, até que as CP’s de ordem mais alta irão conter feições espectrais cada vez menos significantes (Mather, 1999). A técnica realce por decorrelação é aplicada na última etapa da transformação de componentes principais onde é possível restaurar as relações de cores originais para melhor visualizar e interpretar os resultados desse processamento. O realce por decorrelação se diferencia da transformação de componentes principais por utilizar-se da matriz transposta de auto-vetores. Essa matriz de autovetores representa a rotação inversa dos eixos das componentes principais (Schowengerdt, 1997). De acordo com Mather (1999), o realce por decorrelação requer apenas três bandas do espaço de cores RGB que são submetidas a uma Análise por Componentes Principais, onde um realce (stretch) é aplicado no espaço das componentes principais e o resultado retorna ao espaço RGB. O resultado é normalmente um aumento no intervalo de intensidade e saturações para cada cor, 52 com o matiz permanecendo inalterado, e permite que os dados ocupem melhor o espaço de atributos. O uso da matriz de correlação no realce por decorrelação significa dizer que as três bandas possuem o mesmo peso. Se o realce é baseado na matriz de covariância, cada banda é considerada de acordo com a própria variância. Ainda de acordo com Gillespie et al. (1986) e Campbell (1996), o processo de realce por decorrelação pode ser subdividido em três etapas distintas: a) as bandas originais são inicialmente transformadas para suas componentes principais; b) as variáveis transformadas são então separadas, nivelando as variâncias para as componentes principais; e c) um processo inverso da TCP é aplicado. Segundo Gillespie et al. (1986), no realce por decorrelação, o espaço de atributos assemelha-se a um círculo, uma vez que esse possui a mesma forma quando visto de qualquer ângulo. Portanto, este espaço pode ser rotacionado ao redor do seu centro sem alterar o formato da distribuição, preservando a informação original. A técnica realce por decorrelação utiliza apenas três bandas, reduzindo a quantidade de variáveis presentes nesse processamento. Guo e Moore (1996) desenvolveram uma técnica, denominada de Direct Decorrelation Stretch (DDS), para realizar o processo de realce por decorrelação. O método DDS consiste em operações aritméticas simples dentro de bandas individuais e sem usar transformação de coordenadas. Inicialmente, os níveis de cinza (NC’s) de R, G e B são examinados para cada pixel e o valor mais baixo (pode ser o vermelho, o verde ou o azul) é selecionado. Uma proporção fixa, controlada pelo usuário, do menor nível de cinza selecionado é então subtraída de cada NC original (R, G e B) deste pixel. O resultado desta subtração, baseada no mínimo valor de pixel RGB, é uma imagem com baixa cromaticidade (achromacity), correspondendo a um acréscimo na saturação. 53 Kenea (1997) utilizou a técnica de realce por decorrelação para mapeamento geológico na região árida de Red Sea Hills, Sudão, para as bandas do TM/Landsat-5. Segundo Kenea (1997), as imagens geradas a partir do processo de realce por decorrelação apresentaram maior quantidade de informações para distinguir litotipos com diferentes composições e delimitar feições estruturais, maximizando a informação geológica. Este método apresentou os melhores resultados para mapeamento geológico em regiões áridas, preservando as informações morfológicas e espectrais e, quando combinado com outros dados, sendo útil para melhorar o resultado final em áreas já mapeadas. Baseados em interpretação dos dados do ASTER, simulados a partir das bandas do Airborne Visible/Infrared Imaging Spectrometer (AVIRIS), juntamente com medidas espectrais de campo e laboratório, Abrams e Hook (1995) produziram um mapa mostrando a distribuição de rochas com concentração de argilo-minerais e áreas dominadas por caulinita utilizando as técnicas TCP e realce por decorrelação com as bandas 4, 6 e 9 na região de Cuprite, E.U.A.. Na técnica realce por decorrelação, utilizada neste trabalho, foram testados 4 (quatro) tripletes de bandas do sensor ASTER, com diferentes combinações de faixas espectrais (Tabela 3.3). Avaliou-se, posteriormente, de forma qualitativa, o desempenho de cada triplete na discriminação dos litotipos da Serra Branca. 54 TABELA 3.3 – Tripletes de bandas do sensor ASTER, com diferentes combinações de faixas espectrais, utilizados na técnica realce por decorrelação. Triplete Faixa Espectral (1a Banda) Faixa Espectral (2a Banda) Faixa Espectral (3a Banda) 1 VNIR VNIR VNIR 2 VNIR VNIR SWIR 3 VNIR SWIR SWIR 4 SWIR SWIR SWIR 3.2.3.2 Detecção Sistemática de Materiais Geológicos 3.2.3.2.1 Mapeador de Ângulo Espectral (SAM) Na década passada, técnicas de detecção mineral tiveram um grande avanço em conseqüência do surgimento dos sensores hiperespectrais. Estes sistemas operam com mais de cem bandas, normalmente entre as faixas espectrais do visível e do infravermelho médio (400-2500 nm), com largura de bandas entre 10 e 20 nm. Como exemplo, o sensor AVIRIS, do Jet Propulsion Laboratory (JPL) / National Aeronautics and Space Administration (NASA), adquire dados em 224 bandas espectrais (10 nm de largura) que possibilitam uma melhor caracterização espectral dos materiais (minerais, vegetação, água, gelo e neve) e, em alguns casos, sua identificação direta na cena (Goetz et al., 1985; Vane e Goetz, 1985; 1986; Vane 1987; 1988; Green, 1990; NASA, 1987). O processo de detecção mineral através de dados de sensores hiperespectrais explora o fato de que muitos minerais apresentam bandas de absorção que são diagnósticas de sua presença na cena. As bandas de absorção mais comuns 55 compreendem duas classes principais: absorções amplas no VNIR, atribuídas à presença de minerais de ferro, e absorções estreitas no SWIR, associadas à ocorrência de água, hidroxila e carbonatos. Quanto melhor for a resolução espectral disponível, mais facilmente as feições de absorção poderão ser quantitativamente caracterizadas e comparadas com dados de bibliotecas espectrais, que fazem a ligação das medidas de sensoriamento remoto com aquelas obtidas em laboratório. Tal aproximação é válida uma vez que a interação física básica em laboratório e as propriedades espectrais medidas em sensoriamento remoto são as mesmas, com as devidas considerações de escala e textura (Mustard e Sunshine, 1999). O sensor ASTER pode ser considerado um sistema multiespectral melhorado quando comparado aos sistemas multiespectrais mais comuns (ETM+/Landsat-7 e HRV/SPOT). No entanto, no SWIR, especialmente entre 2000 e 2500 nm, a existência de 5 (cinco) bandas e a possibilidade de reconstituir feições de absorção mineral permitem que técnicas inicialmente desenvolvidas para análise de dados hiperespectrais (p. ex, técnicas SAM e SFF) possam ser utilizadas com dados ASTER. A técnica Mapeador de Ângulo Espectral (Spectral Angle Mapper - SAM) (Kruse et al., 1993) é uma ferramenta que permite o mapeamento rápido da similaridade entre o espectro de um pixel e o de um material de referência. O espectro de referência pode ser tanto de laboratório quanto de campo, de uma biblioteca espectral ou extraído da própria imagem. Este método assume que o dado da imagem foi convertido para reflectância de superfície. O algoritmo determina a similaridade espectral entre dois espectros através do cálculo do ângulo formado entre eles, tratando-os como vetores em um espaço de dimensionalidade correspondente ao número de bandas (nb). 56 Uma representação simplificada desta operação é feita na Figura 3.4. Considerando um espectro de referência e outro de teste, a partir de duas bandas representadas bidimensionalmente como dois pontos, quanto menor for o ângulo determinado entre os dois vetores (espectros de reflectância), maior será a sua similaridade. O algoritmo SAM generaliza essa interpretação geométrica para o espaço nb-dimensional. Espectro de teste Banda 2 α Espectro de referência Banda 1 FIGURA 3.4 – Gráfico com os espectros de referência e de teste para uma imagem e com o ângulo formado entre eles. FONTE: Kruse et al. (1993). Na Figura 3.4, as linhas conectando cada ponto do espectro com a origem contêm todas as posições possíveis para o material, em termos de iluminação. Pixels pouco iluminados irão cair mais próximo da origem do que aqueles com mesma assinatura espectral, mas com iluminação mais intensa. Portanto, o ângulo entre os vetores será o mesmo, indiferente de seus comprimentos. A técnica SAM determina a similaridade de um espectro teste t para um espectro de referência r, de acordo com Kruse et al. (1993), pela aplicação da seguinte equação: 57 cos −1 r r t ⋅r r r t ⋅ r ; (3.1) Que também pode ser escrita como: nb t r ∑ i i i =1 ; cos −1 1/ 2 1/ 2 nb 2 nb 2 ∑ t i ∑ ri i =1 i =1 (3.2) Onde nb é igual ao número de bandas. Esta medida de similaridade é insensível aos fatores de ganho porque o ângulo entre os dois vetores é invariante em relação aos comprimentos dos vetores. Como resultado, espectros de laboratório podem ser diretamente comparados aos espectros de reflectância de superfície dos pixels, os quais inerentemente apresentam um fator de ganho desconhecido relacionado a efeitos de iluminação devidos à topografia (Kruse et al., 1993). Na técnica SAM utilizada neste trabalho, foram comparados três conjuntos distintos de dados de entrada: a) curvas de reflectância de minerais obtidas a partir da biblioteca espectral do United States Geological Survey (USGS) presente no software ENVI 3.5; b) curvas de reflectância de rochas obtidas em laboratório com o espectrômetro PIMA SP; e, por último, c) espectros de reflectância representativos das unidades litológicas presentes na área do complexo granítico, obtidos a partir das imagens ASTER. No primeiro conjunto de dados de entrada, os padrões de resposta espectral utilizados foram dos minerais: muscovita (código na biblioteca espectral do USGS: GDS 107), cassiterita (HS279.3B), caulinita (CM9) e biotita (HS28.3B). 58 No segundo grupo de dados, obtidos com o espectrômetro PIMA SP, foram utilizadas as curvas espectrais das amostras: SB13B (biotita granito), SB04A (biotita granito greisenizado) e SB10A (greisen). Posteriormente, os espectros PIMA foram reamostrados para a resolução espectral do sensor ASTER, através da função de resposta de seus filtros, e utilizados no processo de classificação com a técnica SAM. No terceiro conjunto de dados de entrada, os padrões de resposta espectral representativos de três unidades presentes na área do complexo granítico (biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen) foram obtidos a partir da própria imagem ASTER, com base em observações de campo e em composições coloridas obtidas nos processamentos da etapa anterior. Para tanto, foram consideradas 10 (dez) amostras de cada unidade, utilizando-se uma janela de 7 (sete) por 7 (sete) pixels para cada amostra. Posteriormente, foi calculado o espectro de reflectância média das 10 (dez) amostras para cada litotipo, que foi utilizado como dado de entrada na classificação com a técnica SAM. 3.2.3.2.2 Profundidade Relativa de Bandas de Absorção (RBD) Crowley et al. (1989) desenvolveram uma técnica de razão entre bandas com o objetivo de gerar imagens de profundidade relativa de bandas de absorção, denominada Relative Absorption-Band Depth (RBD). Esta técnica pode ser utilizada para a identificação de hidróxidos de Al e Mg e carbonato. Rowan e Mars (2003) aperfeiçoaram esta técnica para os dados SWIR do ASTER, objetivando a detecção de carbonatos, muscovita (Al-OH), hematita e goethita. No presente trabalho, foi utilizado apenas o procedimento para a muscovita, através da seguinte razão: RBD = ( banda 5 + banda 7 ) / banda 6; 59 (3.3) As bandas do numerador (bandas 5 e 7 do ASTER) eqüivalem às bordas da banda de absorção da hidroxila, enquanto a banda do denominador (banda 6) é aproximadamente correspondente ao centro da absorção em 2200 nm. Na imagem resultante deste processamento, foram analisados os pixels com valores de RBD maiores que 2,25, ou seja, com bandas de absorção mais profundas em 2200 nm, que representam, em princípio, maiores concentrações de materiais argilosos ou micáceos. 3.2.3.2.3 Ajuste de Feições Espectrais (SFF) A técnica Ajuste de Feições Espectrais (Spectral Feature Fitting – SFF) (Clark et al., 1990) envolve um processo de determinação de similaridade baseado na comparação entre o espectro de reflectância de cada pixel com espectro(s) de referência (p. ex., minerais da biblioteca espectral do USGS1), utilizando regressão linear por mínimos quadrados. Um fator importante neste processo diz respeito a capacidade do sensor em reconstituir as bandas de absorção dos materiais nos espectros dos pixels. A caracterização ideal de uma determinada feição, principalmente se ela for estreita, pode requerer muitas bandas. Por exemplo, a banda de absorção da hematita, que ocorre em torno de 900 nm e se estende desde aproximadamente 750 até 1300 nm, corresponde a 56 bandas do AVIRIS. Por ser ampla, tal feição pode ser reconstituída por um número relativamente pequeno de bandas. O contrário ocorre com a banda de absorção da caulinita, que compreende aproximadamente 13 bandas do AVIRIS posicionadas em torno de 2200 nm. O processo de detecção de materiais através da técnica SFF deve ser precedido pela normalização dos dados através da técnica de remoção do contínuo (Clark e Roush, 1984), que consiste na normalização do espectro de reflectância em 1 http://www.speclab.cr.usgs.gov 60 relação a uma linha de base comum. Pizarro (1999) utilizou a técnica de SFF para a identificação dos minerais de dois grupos diferentes separadamente, hematita/goetita e caulinita/gibbsita/montmorilonita, em solos tropicais, tomando como verdade terrestre os dados de reflectância obtidos em laboratório e através das análises por difração de raios-X. Neste trabalho, o autor selecionou os intervalos espectrais, na imagem AVIRIS, de 749 a 1085 nm (hematita/goetita) e de 2101 a 2330 nm (gibbsita/montimorilonita/caulinita) para a remoção do contínuo e classificação mineralógica, com base em espectros de referência contidos na biblioteca espectral JPL/NASA. Segundo Calle (2002), a vantagem da técnica SFF aplicada a dados hiperespectrais é o fato dela conseguir mapear com grande precisão feições espectrais de maior complexidade, como, por exemplo, a dupla absorção típica da caulinita, situada próxima ao comprimento de onda de 2200 nm. Neste trabalho, foram selecionados como dados de entrada para o uso da técnica SFF apenas os padrões de reflectância de minerais obtidos a partir da biblioteca espectral do USGS presente no ENVI 3.5. Os padrões de resposta espectral utilizados foram dos minerais: muscovita (GDS 107), cassiterita (HS279.3B), caulinita (CM9) e biotita (HS28.3B). Foram utilizadas somente as 5 (cinco) bandas do SWIR (5, 6, 7, 8 e 9), devido a melhor resolução espectral do sensor ASTER neste intervalo de comprimento de onda e a presença de bandas de absorção mineral. Antes da aplicação da técnica SFF, para maior exatidão do processo de comparação, foi necessária a remoção do contínuo das bandas ASTER utilizadas neste processamento. A técnica SFF produziu duas imagens, denominadas de “Escala” e “Erro” (Root Mean Square error – RMS). Valores elevados na imagem Escala indicaram pixels com feições profundas de absorção, enquanto que valores pequenos nesta imagem representaram feições de absorção mais fracas. O cálculo da similaridade 61 entre o espectro de referência dos minerais e o do pixel desconhecido foi feito pelo ajuste dos mínimos quadrados. Os valores de erro médio quadrático (RMS) deste ajuste para cada pixel foram usados para construir a imagem RMS. Por último, foi realizado um processo de análise com a plotagem das imagens Escala e RMS em um diagrama X e Y para facilitar a seleção das áreas na imagem com elevados valores de Escala e baixos valores de RMS para um determinado mineral, o que indica em princípio maiores possibilidades para sua detecção na cena. 3.2.3.3 Detecção Mineral e Cobertura Vegetal 3.2.3.3.1 Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) A maioria das investigações relacionadas à detecção mineral tem sido realizada com maior sucesso em regiões áridas e semi-áridas, nas quais grandes áreas de material exposto permitem a aquisição de informação espectral diretamente da associação rocha-solo. Em terrenos tropicais, contudo, essa característica é raramente observada, devido ao fato da forte presença da componente vegetação na imagem. Nesses ambientes, a recuperação de bandas de absorção depende de vários fatores, como o grau de exposição litológica da superfície imageada ou a mistura espectral (Galvão et al., 2003). Por esse motivo, no presente trabalho, foi gerada uma imagem NDVI para a melhor caracterização da associação rochasolo-vegetação na área de estudo. Em geral, a vegetação verde apresenta baixa reflectância na faixa do vermelho do espectro eletromagnético (banda 2 do ASTER), devido à absorção da radiação solar pelos pigmentos fotossintéticos, e alta reflectância na região do infravermelho próximo (banda 3), devido ao espalhamento múltiplo dos componentes do dossel (Moura, 2002). Os valores das reflectâncias nessas duas bandas podem ser usados para gerar os chamados índices de vegetação. 62 Diversas transformações lineares de bandas espectrais já foram propostas para estes índices. O índice mais comumente utilizado é o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) (Rouse et al., 1974), obtido utilizando a seguinte equação: NDVI = (NIR – VER) / (NIR + VER); (3.4) Que também pode ser escrita, para este trabalho, como: NDVI = (B3 – B2) / (B3 + B2); (3.5) Onde NIR e VER são, respectivamente, as reflectâncias nas regiões do espectro eletromagnético correspondentes ao infravermelho próximo e ao vermelho e B2 e B3 são, respectivamente, as bandas 2 e 3 do ASTER. Segundo Moreira (1997), o NDVI ressalta o contraste entre a reflectância da vegetação no NIR e no vermelho. Sendo o valor de reflectância no NIR bastante superior ao da região do vermelho, quanto maior for a biomassa, maior será o valor do NDVI, pois na região do NIR, a quantidade de radiação refletida por várias camadas de folhas é maior do que a de uma única folha. A influência da cobertura vegetal sobre o processo de detecção mineral com a técnica SAM foi investigada através da correlação dos valores de NDVI com os valores de ângulo SAM. Para tal finalidade, foram escolhidos aleatoriamente 100 (cem) pixels na porção da imagem que apresentou melhores resultados de classificação SAM ou condições mais favoráveis para a detecção mineral. 63 64 CAPÍTULO 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS 4.1 Componentes de Cena Os litotipos que formam o complexo granítico (biotita granito, biotita granito greisenizado e greisens), juntamente com os xistos e quartzitos encaixantes mais fortemente afetados pela deformação devido à ascensão do granito, formam um conjunto litológico com contato bem definido com as demais rochas, destacado na composição colorida com as bandas 4(R), 3(G) e 2(B) (Figuras 4.1 e 4.2). Na composição colorida da Figura 4.1, observa-se que no corpo granítico e em parte nas rochas encaixantes (xistos do Grupo Serra da Mesa e metaconglomerados e quartzitos do Grupo Arai) a cobertura vegetal, em tons de verde, é significativamente menor, comparada com aquelas das outras unidades presentes na cena. A cobertura vegetal (gramíneas) nas rochas greisenisadas na porção leste do complexo granítico é muito rala. No corpo granítico, a cobertura vegetal é mais densa no biotita granito, na porção oeste, do que nas rochas greisenisadas (biotita granito greisenizado e greisens da Figura 4.1). Tanto o biotita granito quanto os litotipos greisenizados (biotita granito greisenizado e greisens) ocorreram na Figura 4.1 em tons de magenta, por possuírem resposta espectral relativamente mais alta nas bandas 4 e 2. A textura do biotita granito e das rochas greisenizadas, observada na composição colorida da Figura 4.1, também pôde ser diferenciada. Na porção onde ocorre o biotita granito, o relevo é mais acidentado, destacando-se pequenos morrotes 65 decamétricos. Já na área de rochas greisenizadas, o relevo é menos acidentado e os morrotes são menos numerosos e menores (Figura 4.2). Grupos Araí e Serra da Mesa Biotita Granito Grupo Araí Greisens Granito Serra Branca Xistos e Quartzitos Encaixantes Biotita Granito Greisenizado Grupos Araí e Serra da Mesa Grupo Araí FIGURA 4.1 – Composição colorida com as bandas ASTER 4 (1600-1700 nm), 3 (760-860 nm) e 2 (630-690 nm) exibidas em vermelho, verde e azul, respectivamente, mostrando a localização do granito Serra Branca no contexto geológico regional. 66 Na porção norte do complexo granítico, existe uma região de depressão topográfica, onde grande volume de sedimentos recentes foi depositado (Figura 4.2). O padrão de resposta espectral destes sedimentos foi semelhante ao observado nas rochas greisenisadas (biotita granito greisenizado e greisens), com uma coloração magenta. Xistos e quartzitos encaixantes Greisens Biotita granito greisenizado Biotita granito Xistos e quartzitos encaixantes FIGURA 4.2 – Composição colorida com as bandas ASTER 4 (1600-1700 nm), 3 (760-860 nm) e 2 (630-690 nm) exibidas em vermelho, verde e azul, respectivamente, em perspectiva 3D, destacando as variações litológicas no granito Serra Branca no contexto geológico local. 67 4.1.1 Caracterização Química dos Granitos e Greisens A Tabela 4.1 resume os resultados de análises geoquímicas para silício (Si), titânio (Ti), alumínio (Al), ferro (Fe), magnésio (Mg), cálcio (Ca), sódio (Na) e potássio (K) de doze amostras dos três grupos de rochas presentes no complexo granítico Serra Branca: biotita granito, biotita granito greisenizado e greisens. De maneira geral, observou-se na Tabela 4.1, que as concentrações do elemento Si, nas amostras de greisen mineralizado em cassiterita (valor médio de 68,04%) e greisen mineralizado em cassiterita e fluorita (43,94%), têm valores inferiores aos observados para os outros litotipos. O valor médio das concentrações de Ti nas amostras de biotita granito (0,03%) foi superior aos valores médios dos outros litotipos analisados. A concentração média do Al aumentou do biotita granito (16,40%) para o greisen sem mineralização (17,99%). Os valores médios de concentração do Al foram de 14,25% para o greisen mineralizado em cassiterita e de 30,12% para o greisen mineralizado em cassiterita e fluorita. A concentração média do elemento Fe aumentou nas fácies alteradas, sendo 2,35% no greisen sem mineralização, 2,03% no greisen mineralizado em cassiterita e 2,47% no greisen mineralizado em cassiterita e fluorita. As maiores concentrações médias de Mg foram observadas nas fácies greisen sem mineralizações (0,37%) e greisen mineralizado em cassiterita e fluorita (0,29%), e o menor valor médio foi obtido no biotita granito (0,09%). A concentração média do Ca encontrada no biotita granito (0,77%), no biotita granito greisenizado (1,17%) e no greisen mineralizado em cassiterita e fluorita (7,47%) (Tabela 4.1) foi mais alta. Já os elementos Na e K mostraram um comportamento geoquímico bastante semelhante em todas as amostras, apresentando menores valores de concentrações médias nas amostras de greisens. 68 TABELA 4.1 – Concentrações químicas em amostras de biotita granito, biotita granito greisenizado e greisens da área de estudo. Biotita Granito Amostra SB01A SB03A SB13B Média Desvio Padrão Si (%) 74,82 72,40 74,56 73,93 1,33 Ti (%) 0,02 0,06 0,02 0,03 0,02 Al (%) 16,31 17,31 15,58 16,40 0,87 Fe (%) 1,38 1,57 1,35 1,43 0,12 Mg (%) 0,10 0,09 0,09 0,09 0,01 Ca (%) 0,32 0,32 1,67 0,77 0,78 Na (%) 0,13 0,13 0,14 0,13 0,01 K (%) 3,16 3,19 3,40 3,25 0,13 Total (%) 96,24 95,07 96,82 96,04 0,89 Ca (%) 1,27 0,34 1,90 1,17 0,78 Na (%) 0,13 0,13 0,14 0,13 0,01 K (%) 3,02 3,22 3,33 3,19 0,16 Total (%) 98,56 97,61 96,85 97,67 0,86 Ca (%) 0,27 0,31 0,18 0,25 0,07 Na (%) 0,03 0,03 0,03 0,03 0,00 K (%) 0,45 0,43 0,45 0,44 0,01 Total (%) 94,94 95,20 95,04 95,06 0,13 K (%) 0,50 0,36 0,43 0,10 Total (%) 91,96 78,23 85,10 9,71 K (%) 0,58 Total (%) 84,93 Biotita Granito Greisenizado Amostra SB02B SB04A SB06A Média Desvio Padrão Si (%) 75,48 76,36 72,69 74,84 1,92 Ti (%) 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00 Al (%) 17,21 16,61 17,30 17,04 0,38 Fe (%) 1,29 0,75 1,30 1,11 0,31 Mg (%) 0,15 0,20 0,20 0,18 0,03 Greisen Amostra SB04B SB07A SB10A Média Desvio Padrão Si (%) 72,51 75,50 72,86 73,62 1,63 Ti (%) 0,01 0,00 0,00 0,00 0,01 Al (%) 18,03 16,99 18,95 17,99 0,98 Fe (%) 3,01 1,76 2,29 2,35 0,63 Mg (%) 0,64 0,18 0,28 0,37 0,24 Greisen (mineralizado em cassiterita) Amostra SB09A SB09B Média Desvio Padrão Si (%) 72,29 63,78 68,04 6,02 Ti (%) 0,00 0,00 0,00 0,00 Al (%) 16,52 11,98 14,25 3,21 Fe (%) 2,30 1,75 2,03 0,39 Mg (%) 0,14 0,13 0,14 0,01 Ca (%) 0,18 0,21 0,20 0,02 Na (%) 0,03 0,02 0,03 0,01 Greisen (mineralizado em cassiterita e fluorita) Amostra SB08A Si (%) 43,94 Ti (%) Al (%) 0,02 30,12 Fe (%) 2,47 Mg (%) 0,29 69 Ca (%) 7,47 Na (%) 0,04 No greisen mineralizado em cassiterita, tanto a amostra SB09A quanto a SB09B apresentaram comportamento geoquímico geral semelhante ao observado para as amostras de greisen sem mineralizações, com a diferença que os valores de concentração total destas amostras estão abaixo dos constatados para o greisen, sendo 91,96% para SB09A e 78,23% para SB09B (Tabela 4.1). Na amostra SB09B, os valores das concentrações de Si (63,78%) e de Al (11,98%) estão abaixo dos que ocorrem para as amostras de greisen sem mineralizações. Estas diferenças são provavelmente devido ao fato da presença da cassiterita na composição mineralógica do greisen mineralizado em cassiterita e sua fórmula química ser SnO2. Desta maneira, estas amostras de greisen mineralizado em cassiterita devem apresentar altos teores de estanho (Sn), diminuindo a proporção dos outros elementos e a concentração total, já que o estanho não foi amostrado. Por outro lado, no greisen mineralizado em cassiterita e fluorita, o comportamento geoquímico é totalmente distinto do apresentado pelos outros litotipos na Tabela 4.1. Na amostra SB08A, o valor da concentração de Si (43,94%) está muito abaixo da média das outras amostras, enquanto que os de Al (30,12%) e Ca (7,47%) estão muito acima. O valor da concentração total (84,93%) para a amostra SB08A também está abaixo da média apresentada pelas outras amostras. Isto ocorre devido ao fato da presença do Sn na cassiterita descrita anteriormente para as amostras mineralizadas somente em cassiterita e também devido à presença de fluorita, que possui fórmula química CaF2. A presença de Ca na fórmula química da fluorita explica o elevado valor de concentração deste elemento na amostra de greisen mineralizado em cassiterita e fluorita. A proporção de Ca para flúor (F) na composição química da fluorita é de quase um para um (1:1), sendo 51,33% de Ca e 48,67% de F. Desta maneira, é possível extrapolar que a concentração de F nesta amostra deve ser aproximadamente 7%. 70 No diagrama trifásico da Figura 4.3, observou-se que as amostras de biotita granito e biotita granito greisenizado estão posicionadas mais próximas do vértice Na+K, enquanto que as amostras de greisen e de greisen mineralizado em cassiterita estão localizadas mais próximas do vértice Fe+Mg. Por último, a amostra de greisen mineralizado em cassiterita e fluorita foi plotada próxima do vértice Ca. Constatou-se nessa figura e na Tabela 4.1, uma tendência geral dos greisens apresentarem maiores concentrações de Fe e Mg que os biotita granitos, com maiores concentrações de Na e K. Fe+ M g *+ ** Biotita Granito Biotita Granito Greisenizado Greisen Greisen Mineralizado com Cassiterita Greisen Mineralizado com Cassiterita e Fluorita + N a+ K Ca FIGURA 4.3 – Diagrama trifásico Fe+Mg, Na+K e Ca, com as doze amostras de biotita granito, biotita granito greisenizado e greisens plotadas. 71 4.1.2 Caracterização Espectral dos Granitos e Greisens 4.1.2.1 Espectros de Laboratório Em laboratório, os espectros de reflectância das amostras coletadas em campo foram obtidos utilizando-se o espectrômetro PIMA SP. O padrão de resposta espectral dos três grupos de rochas observados no complexo granítico Serra Branca (biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen) apresentou comportamento geral semelhante quanto ao posicionamento das feições de absorção. Observou-se, no entanto, uma variação na intensidade da resposta espectral das amostras e na profundidade das bandas de absorção de seus espectros. As curvas representativas dos três grupos de rochas apresentaram sete bandas de absorção posicionadas em torno de 1400 nm, 1840 nm, 1900 nm, 2120 nm, 2210 nm, 2340 nm e 2440 nm (Figuras 4.4 e 4.5). Segundo Hunt e Salisbury (1970), Hunt e Salisbury (1971), Hunt (1977) e Meneses e Madeira Netto (2001), a ocorrência conjunta das bandas de absorção em 1400 nm e em 1900 nm é diagnóstica da presença de água. Se houver somente o aparecimento da feição em 1400 nm, estará indicando somente a presença da hidroxila. De acordo com esses mesmos autores, outras feições importantes entre 2200 nm e 2400 nm podem ocorrer devido a processos vibracionais na ligação M-OH, onde M pode ser Al ou Mg. Para a ligação Al-OH, as bandas estão situadas em 2200 nm e 2300 nm, já para a ligação Mg-OH, elas ocorrem próximas a 2300 nm e 2400 nm. Os minerais caulinita e muscovita possuem bandas de absorção características em 2209 nm (caulinita) e 2120 nm e 2208 nm (muscovita). No espectro de reflectância do biotita granito (Figura 4.4), as bandas de absorção em 1400 nm, 1900 nm, 2210 nm, 2340 nm e 2440 nm ocorreram de forma pronunciada. A banda de absorção em 1400 nm possui menor profundidade 72 comparada com as curvas do biotita granito greisenizado e do greisen (Figura 4.5). A curva do biotita granito, tem valores de reflectância mais baixos que os verificados nos dois outros grupos de litotipos. Face não alterada Face alterada 45 Reflectância (%) 40 35 30 25 20 1300 1400 1500 1600 1700 1800 1900 2000 2100 2200 2300 2400 2500 Comprimento de Onda (nm) FIGURA 4.4 – Curvas de reflectância representativas de duas faces (fresca e alterada) do biotita granito, obtidas em laboratório com o espectrômetro PIMA SP. Na Figura 4.4, os padrões de resposta espectral de duas faces (uma fresca e outra alterada com presença de capa milimétrica de alteração verde escura) de uma mesma amostra de biotita granito são comparados. Observa-se que as duas curvas são semelhantes, tendo a curva da face fresca valores de reflectância de 2 a 7% maiores do que os da face alterada. Isto ocorre, porque parte da radiação 73 eletromagnética (REM) incidente é absorvida pelo filme de alteração, diminuindo a intensidade da energia refletida. Biotita Granito Greisenizado Greisen 70 Reflectância (%) 60 50 40 30 20 10 1300 1400 1500 1600 1700 1800 1900 2000 2100 2200 2300 2400 2500 Comprimento de Onda (nm) FIGURA 4.5 – Curvas de reflectância representativas do biotita granito greisenizado e do greisen, obtidas em laboratório com o espectrômetro PIMA SP. No padrão de resposta espectral do biotita granito greisenizado (Figura 4.5), as bandas de absorção em 1840 nm e 2120 nm possuem profundidades discretas, com feições de absorção mais pronunciadas em 1400 nm, 2210 nm, 2340 nm e 2440 nm. Sua reflectância tem valores intermediários entre o biotita granito e o greisen. 74 Na curva de reflectância do greisen (Figura 4.5), verificou-se a presença de todas as sete bandas de absorção citadas anteriormente, em 1400 nm, 1840 nm, 1900 nm, 2120 nm, 2210 nm, 2340 nm e 2440 nm. 4.1.2.2 Espectros Extraídos das Imagens ASTER Os espectros dos pixels representativos dos três litotipos presentes no granítico Serra Branca, obtidos a partir das bandas do sensor ASTER, apresentaram comportamentos gerais semelhantes entre si. Porém, a intensidade da resposta espectral de cada curva variou (Figura 4.6). O pico de reflectância em 1655 nm ocorreu nas curvas dos três litotipos, sendo que seu valor máximo variou desde 26% de reflectância no greisen a 32% no biotita granito greisenizado e com valor intermediário de 30% para o biotita granito. B io tita G ra n ito B io tita G ra n ito G re ise n iza d o G re ise n 35 R e fle ctâ n cia (% ) 30 25 20 15 10 5 B 1 (5 5 5 ) B 2 (6 6 0 ) B 3 (8 0 5 ) B 4 (1 6 5 5 ) B 5 (2 1 6 5 ) B 6 (2 2 0 5 ) B 7 (2 2 6 0 ) B 8 (2 3 2 8 ) B 9 (2 3 9 5 ) B a n d a A S T E R (C e n tro d a B a n d a e m n m ) FIGURA 4.6 – Curvas de reflectância do biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen, obtidas a partir das bandas ASTER. 75 As curvas de reflectância dos pixels indicam bandas de absorção em 2205 e 2330 nm (Figura 4.6). Porém, deve-se destacar o fato de que todas feições de absorção observadas nas curvas de reflectância, obtidas a partir do sensor ASTER, ocorreram de maneira menos pronunciada, com profundidades significativamente menores que nas curvas obtidas a partir do radiômetro PIMA SP. Provavelmente, este fato ocorre devido aos seguintes fatores: melhor resolução espectral do PIMA SP, escala de obtencão dos dados (milimétrica em laboratório e métrica na imagem) e a ausência em laboratório da influência espectral de outros componentes de cena (mistura espectral) sobre a resposta espectral das rochas. A reflectância observada na curva do biotita granito indica valores intermediários em relação à resposta espectral do biotita granito greisenizado e do greisen, variando entre 8% a 30% de reflectância (Figura 4.6). A curva espectral do biotita granito greisenizado é muito semelhante à do biotita granito, ocorrendo somente a feição de absorção em 2330 nm. Já a intensidade da resposta espectral indica um pico de reflectância de 32%. Na curva de resposta espectral do greisen, além da feição de absorção em 2330 nm, ocorreu outra feição em 2205 nm com menor profundidade. A intensidade da reflectância geral do greisen varia entre 7% e 26%, sendo, desta maneira, menor do que a do biotita granito greisenizado, comportamento inverso do observado nas curvas obtidas pelo PIMA (Figura 4.5). Isto é devido, provavelmente, a influência de sombreamento na porção leste do complexo granítico, exatamente onde ocorre o greisen, diminuindo sua reflectância média na imagem ASTER. A banda 9 (2360-2430 nm) do sensor ASTER provavelmente tem problemas instrumentais denotado por valores de reflectância maiores do que os esperados para alguns litotipos. Como resultado, variações espectrais associadas à banda de absorção em 2330 nm não podem ser devidamente caracterizadas na cena. 76 4.2 Discriminação Espectral de Materiais Geológicos 4.2.1 Realce por Decorrelação Como mencionado anteriormente, o realce por decorrelação tem por objetivo gerar novas imagens, não correlacionáveis entre si, a partir de dados originais, como, por exemplo, as bandas do sensor ASTER utilizadas nesse trabalho, altamente correlacionadas, principalmente na faixa espectral do SWIR (Tabela 4.2). TABELA 4.2 – Matriz de correlação entre as bandas 1 a 9 do sensor ASTER na área de estudo. Bandas B1 B2 B3 B4 B5 B6 B7 B8 B1 B2 B3 B4 B5 B6 B7 B8 B9 1,00 0,93 0,47 0,80 0,81 0,81 0,82 0,83 0,82 1,00 0,40 0,82 0,83 0,84 0,84 0,85 0,84 1,00 0,49 0,36 0,38 0,36 0,35 0,32 1,00 0,95 0,95 0,94 0,93 0,91 1,00 0,97 0,97 0,96 0,95 1,00 0,97 0,96 0,94 1,00 0,97 0,95 1,00 0,96 Foram realizados processamentos de realce por decorrelação combinando diferentes tripletes de bandas do sensor ASTER, sendo que os melhores resultados foram obtidos com as seguintes bandas: a) 2, 3 e 4 e b) 1, 4 e 7 (Tabela 4.3). 77 TABELA 4.3 – Tripletes de bandas do sensor ASTER utilizadas no realce por decorrelação, com as feições e unidades geológicas e a área de garimpo identificadas, respectivamente, em cada um desses produtos. Triplete de Bandas ASTER Contato Granitóide Serra Branca com Encaixantes Biotita Granito Biotita Granito Greisens Greisenizado 1 (VNIR), 2 (VNIR) e 3 (VNIR) X X 2 (VNIR), 3 (VNIR) e 4 (SWIR) X X X X X 1 (VNIR), 4 (SWIR) e 7 (SWIR) X X X X X 4 (SWIR), 6 (SWIR) e 8 (SWIR) X Garimpo X X Na composição colorida RD1 (R), RD2 (G) e RD3 (B), com as bandas 2, 3 e 4, (Figura 4.7), observa-se que o contato do complexo granítico com as rochas encaixantes encontrava-se bem delimitado por variações na tonalidade. Os pixels representativos do biotita granito têm tonalidades predominantemente vermelha, alaranjada e verde, enquanto aqueles representativos do biotita granito greisenizado têm coloração azul e dos greisens vermelha e magenta. A área de garimpo tem coloração amarelo esbranquiçada, enquanto as rochas encaixantes mais afastadas do granitóide e com maior influência da cobertura vegetal, ocorrem com coloração verde. Na composição colorida RD1 (R), RD2 (G) e RD3 (B), com as bandas 1, 4 e 7 (Figura 4.8), as rochas graníticas ocorrem geralmente nas tonalidades azul, magenta, amarela e verde, espectralmente distintos dos xistos e quartzitos encaixantes, onde predominaram as tonalidades azul e verde. Os litotipos biotita granito, biotita granito greisenizado e greisens foram delimitados devido a diferenças na tonalidade e na textura de suas respostas. O biotita granito apresenta tonalidade entre verde, amarela e magenta e textura destacada por 78 pequenos morrotes decamétricos, orientados preferencialmente segundo NW. Na porção sul do biotita granito, alguns destes morrotes correspondem a greisens mapeados por Andrade (1978) dentro do biotita granito (Figura 2.3). O biotita granito greisenizado tem coloração entre verde e ciano e textura com morrotes de menor extensão. Os greisens, localizados preferencialmente na porção leste do corpo granítico, apresentam tonalidade magenta característica e textura semelhante à do biotita granito greisenizado. Na área de garimpo com solo exposto ocorre coloração entre amarela e branca. 79 FIGURA 4.7 – Composição colorida RD1 (R), RD2 (G) e RD3 (B), utilizando-se as imagens obtidas a partir do realce por decorrelação com as bandas 2, 3 e 4 do sensor ASTER, com os contatos entre os litotipos biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen mapeados por Andrade (1978) (Figura 2.3) em tracejado. 80 FIGURA 4.8 – Composição colorida RD1 (R), RD2 (G) e RD3 (B), utilizando-se as imagens obtidas a partir do realce por decorrelação com as bandas 1, 4 e 7 do sensor ASTER, com os contatos entre os litotipos biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen mapeados por Andrade (1978) (Figura 2.3) em tracejado. 81 Na técnica realce por decorrelação, resultados mais limitados foram obtidos com o triplete formado com as bandas do SWIR (4, 6 e 8), onde somente o contato do complexo granítico com as rochas encaixantes e a área de garimpo encontra-se bem delimitado por variações na tonalidade (Tabela 4.3). 4.3 Detecção Sistemática de Materiais Geológicos 4.3.1 Mapeador de Ângulo Espectral (SAM) Os resultados da detecção sistemática de materiais geológicos, utilizando o Mapeador de Ângulo Espectral (SAM), são apresentados, a seguir em três seções: a) Detecção mineral a partir da biblioteca espectral; b) Classificação litológica a partir dos espectros PIMA; e c) Classificação litológica a partir dos espectros ASTER. 4.3.1.1 Detecção Mineral a partir da Biblioteca Espectral A Figura 4.9a mostra os espectros de reflectância de laboratório dos 4 (quatro) minerais da biblioteca espectral do USGS (biotita, caulinita, cassiterita e muscovita) selecionados como referência para fins de classificação das imagens ASTER com a técnica SAM. A Figura 4.9b ilustra o impacto da reamostragem destes espectros para as 9 (nove) bandas do sensor ASTER usando a função de resposta de seus filtros. Na Figura 4.9a, pode-se observar que as curvas de laboratório da biotita e da cassiterita não possuem feições espectrais características. Por outro lado, os espectros de laboratório de caulinita e muscovita possuem duas bandas de absorção bem definidas em 1400 e 2200 nm, causadas por vibrações moleculares da hidroxila (Hunt, 1977). 82 A dupla e sutil feição de absorção presente no espectro da caulinita, em 21602200 nm, normalmente é usada para a sua diferenciação da muscovita, cujo espectro não exibe essa feição. No entanto, esta informação espectral foi perdida após a reamostragem dos espectros para a resolução espectral do sensor ASTER (Figura 4.9b). De fato, o principal efeito da reamostragem dos espectros, no intervalo de 2000-2500 nm, foi suavizar ou tornar mais amplas as feições de absorção nas curvas da caulinita e da muscovita. Neste intervalo as larguras das bandas 5 a 9 do ASTER variam de 40 a 70 nm, mais largas do que as dos sensores hiperespectrais (p. ex., AVIRIS com largura de bandas de 10 nm). Biotita Cassiterita Caulinita Muscovita 90 a) 80 Reflectância (%) 70 60 50 40 30 20 10 0 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 Comprimento de Onda (nm) 83 2000 2200 2400 Biotita Cassiterita Caulinita Muscovita 90 b) 80 Reflectância (%) 70 60 50 40 30 20 10 0 B1 (555) B2 (660) B3 (805) B4 (1655) B5 (2165) B6 (2205) B7 (2260) B8 (2328) B9 (2395) Banda ASTER (Centro da Banda em nm) FIGURA 4.9 – (a) Espectros de reflectância de laboratório dos minerais biotita, cassiterita, caulinita e muscovita, extraídos da biblioteca espectral do USGS; (b) Espectros de laboratório reamostrados para a resolução espectral do sensor ASTER e utilizados como referência para aplicação da técnica SAM. Quando os espectros da Figura 4.9b foram utilizados como referência para a detecção mineral com a técnica SAM, apenas um número relativamente pequeno de pixels foi classificado na cena, usando um limiar de 0,27 radianos. A maior parte dos pixels classificados, concentrou-se na área do garimpo, que contém boa exposição de solo-rocha. Do total de pixels classificados, 98% foram detectados como contendo muscovita, 1% como caulinita e menos de 1% como biotita e cassiterita. A utilização somente das bandas do SWIR (bandas 5 a 8 do ASTER) com a técnica SAM produziu resultados similares. O uso de limiares inferiores a 0,27 radianos resultou na detecção somente da muscovita em ambos os casos. 84 A Figura 4.10 mostra os resultados de classificação da técnica SAM para o mineral muscovita projetados sobre a banda 2 do sensor ASTER. Os pixels em vermelho possuem ângulos SAM inferiores a 0,27 radianos. Na Figura 4.10 pode-se observar que o algoritmo SAM mapeou duas áreas principais como sendo pixels com padrão de resposta espectral semelhante ao da muscovita. Estas duas áreas são o garimpo e os sedimentos no leito de drenagem seca que corta o corpo granítico no sentido N-S. Isto pode ser explicado por dois fatores: a) pela alta concentração do mineral muscovita tanto no greisen presente na área de garimpo, quanto nos sedimentos no leito de drenagem seca; b) pela alta exposição de rocha e sedimento nessas duas áreas, sem praticamente nenhuma cobertura vegetal (Figuras 4.11 e 4.12). 85 Área de Garimpo FIGURA 4.10 – Detecção do mineral muscovita (pixels em vermelho com ângulo inferior a 0,27 radianos) com a técnica SAM, utilizando seu espectro de laboratório da biblioteca espectral do USGS como referência. Os resultados foram projetados sobre a banda 2 do sensor ASTER na porção centro-leste do complexo granítico de Serra Branca. 86 FIGURA 4.11 – Área de garimpo no greisen mineralizado em cassiterita na parte leste do complexo granítico, com altas concentrações de muscovita e exposição de rocha e sedimentos. FIGURA 4.12 – Leito de drenagem seca que corta o corpo granítico no sentido NS, com altas concentrações de muscovita no material inconsolidado. 87 4.3.1.2 Classificação Litológica a partir dos Espectros PIMA Os espectros de reflectância obtidos em laboratório com o espectrômetro PIMA SP representativos de biotita granito (Figura 4.4), biotita granito greisenizado e greisen (Figura 4.5) reamostrados, foram utilizados como referências para tentar classificar estes litotipos nas imagens ASTER com a técnica SAM. Com um limiar de 0,25 radianos, ou com valores inferiores a este ângulo, não foram obtidos resultados satisfatórios com a técnica. Somente foram classificadas áreas com predominância de biotita granito através da detecção de um pequeno número de pixels que ocorreram em 4 (quatro) regiões distintas: a) leito de drenagem seca; b) garimpo; c) porção do terreno, próxima ao lago, utilizado para garimpo; e d) algumas áreas de lajedos ou exposição de rocha. Essas quatro áreas classificadas pela técnica SAM ocorrem distribuídas por todo o complexo granítico, inclusive em áreas mapeadas por Andrade (1978) como sendo biotita granito greisenizado e greisen. Portanto, não houve distinção entre os três litotipos e a classificação dos pixels ocorreu de forma restrita às áreas com boas exposições de solos e rochas. Na Figura 4.13a, exemplifica-se a ocorrência de dois pixels classificados pela técnica SAM como biotita granito, próximo ao leito da drenagem que corta o corpo granítico no sentido N-S. Conforme indicado na Figura 4.13b, embora os valores de reflectância dos espectros dos pixels e da referência (biotita granito) sejam distintos, o formato geral das curvas é aproximadamente similar, o que resultou na classificação dos pixels com base no limiar estabelecido (0,25 radianos). 88 Reflectância (%) N 0 a) 50 40 35 30 25 20 100m b) 1000 2000 1500 Comprimento de Onda (nm) FIGURA 4.13 – (a) Exemplo de dois pixels, próximos ao leito seco de drenagem, classificados como biotita granito (em vermelho) pela técnica SAM, utilizando-se os dados de laboratório. Os resultados estão representados sobre uma composição colorida com as bandas ASTER 4 (R), 3 (G) e 2 (B); (b) Curvas de reflectância de um pixel classificado (azul) e da amostra de referência do biotita granito obtida com o PIMA reamostrado (vermelho). Em geral, o baixo desempenho da técnica SAM com os espectros de referência de laboratório obtidos com o PIMA pode ser explicado por: a) diferença na escala de obtencão dos dados: milimétrica em laboratório com o PIMA (detecção mineral) e métrica na imagem; b) devido ao fato das medidas de reflectância feitas com o PIMA terem sido realizadas em amostras de rocha pouco alteradas, sem efeitos de sombreamento e da influência da cobertura vegetal (mistura espectral), situação bem distinta da que ocorre na imagem ASTER, com forte influência destas componentes; c) perda de resolução espectral quando da reamostragem dos espectros PIMA para a resolução espectral do sensor ASTER, para serem utilizados como referência na aplicação da técnica SAM; e d) pela grande semelhança das curvas de reflectância representativas do biotita granito, do biotita 89 granito greisenizado e do greisen, com diferenças sutis perdidas na reamostragem, dificultando a diferenciação entre esses litotipos pelo classificador SAM. 4.3.1.3 Classificação Litológica a partir dos Espectros ASTER No terceiro conjunto de dados de entrada, utilizando-se espectros de reflectância média representativos das unidades presentes na área do complexo granítico obtidos a partir da imagem ASTER, o melhor resultado com a técnica SAM foi obtido com os ângulos de 0,03, 0,05 e 0,07 radianos para as curvas do biotita granito, do biotita granito greisenizado e do greisen, respectivamente (Figura 4.14). Estes espectros obtidos a partir da imagem ASTER são membros que representam a mistura espectral de rocha, solo, vegetação e sombreamento presente nos pixels da área de estudo. A influência da cobertura vegetal sobre esses espectros será discutida no tópico Detecção Mineral e Cobertura Vegetal. Na Figura 4.16 observa-se que os pixels classificados como biotita granito, em vermelho, biotita granito greisenizado, em azul, e greisen, em verde, estão nas porções oeste, centro e leste do complexo granítico, respectivamente. A distribuição espacial dos pixels classificados pela técnica SAM é bastante semelhante à representada no mapa geológico de Andrade (1978), onde a intensidade de greisenização das rochas aumenta de oeste para leste dentro do complexo granítico (Figura 2.3). Isto indica que os melhores resultados com a aplicação da técnica SAM foram obtidos utilizando-se os espectros da própria imagem como referência, comparados aos espectros de laboratório indicados na Figura 4.9. 90 LEGENDA Biotita Granito Biotita Granito Greisenizado Greisen FIGURA 4.14 – Pixels classificados pela técnica SAM utilizando como referência os espectros de reflectância média, extraídos das imagens do sensor ASTER, representativos de biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen, com os principais contatos entre esses litotipos mapeados por Andrade (1978) (Figura 2.3) em tracejado. 91 4.3.2 Profundidade Relativa de Bandas de Absorção (RBD) A imagem Profundidade Relativa da Banda de Absorção (RBD) da hidroxila, centrada em 2200 nm, foi obtida com as bandas 5, 6 e 7, conforme descrito na metodologia deste trabalho. Na Figura 4.15, os pixels com valores de RBD maiores que 2,25, ou seja, cujos espectros possuem bandas de absorção mais profundas em 2200 nm, são indicados em vermelho sobre a banda 2 do sensor ASTER. Estes pixels compreendem áreas de solo e rocha expostos, principalmente as que ocorrem na área do garimpo. Na comparação dos resultados obtidos com as técnicas RBD (Figura 4.15) e SAM na detecção da muscovita a partir da biblioteca espectral do USGS (Figura 4.10), observou-se uma concordância entre as áreas mapeadas por ambas. Isto confirma o fato da detecção mineral na área de estudo estar restrita a um pequeno número de pixels de solo e rocha expostos com espectros caracterizados por bandas de absorção bem definidas em 2200 nm. 4.3.3 Ajuste de Feições Espectrais (SFF) A detecção mineral na imagem ASTER, utilizando a técnica Ajuste de Feições Espectrais (SFF) e os espectros de referência dos 4 (quatro) minerais da biblioteca espectral do USGS (muscovita, caulinita, biotita, cassiterita) (Figura 4.9), foi realizada com as bandas ASTER do SWIR (bandas 5 a 9). Dos quatro minerais testados, os melhores resultados foram obtidos para o mineral muscovita, com base na comparação dos espectros dos pixels com o espectro de referência deste mineral, ambos normalizados pelo método do contínuo espectral. 92 Área de Garimpo FIGURA 4.15 – Pixels com valores de Profundidade Relativa da Banda de Absorção (RDB) de hidroxila maiores que 2,25, indicados em vermelho. Os resultados foram projetados sobre a banda 2 do sensor ASTER na porção centro-leste do complexo granítico de Serra Branca. 93 A Figura 4.16 mostra um diagrama de espalhamento de pixels para as relações entre os valores de escala (eixo X) e erro médio quadrático (RMS) (eixo Y), obtidos no processo de detecção da muscovita com a técnica SFF. As melhores possibilidades de detecção da muscovita estão associadas à seleção de pixels com valores relativamente altos de escala (porção direita do eixo X) e baixos de erro (porção inferior do eixo Y) (pixels em azul na Figura 4.18). 0,34 0,26 RMS 0,17 0,09 0,00 0,00 0,48 0,96 Escala 1,45 1,93 FIGURA 4.16 – Diagrama de espalhamento de pixels obtidos a partir das imagens Escala e Erro médio quadrático (RMS), resultantes do procedimento de detecção do mineral muscovita através da técnica SFF. Pixels com valores comparativamente altos de Escala e baixos de erro são indicados em azul. Os pixels em azul na Figura 4.16 são representados em vermelho na Figura 4.17a, sobrepostos a banda 2 do ASTER. Para facilitar a visualização dos resultados, uma composição colorida com as bandas ASTER 4 (R), 3 (G) e 2 (B) também é apresentada na Figura 4.17b. 94 a) b) FIGURA 4.17 – (a) Pixels com elevados valores de Escala e baixos valores de erro (em vermelho) sobrepostos a banda 2 do sensor ASTER; (b) Composição colorida com as bandas ASTER 4 (R), 3 (G) e 2 (B). Em ambas as figuras, a área de garimpo é destacada. Na Figura 4.17a observa-se que os pixels em vermelho ocorreram preferencialmente na porção leste/nordeste do complexo granítico, exatamente nas áreas com rochas greisenizadas com maiores concentrações de muscovita mapeadas por Andrade (1978) e expostas na Figura 2.3. Os resultados da Figura 4.19a são concordantes com os obtidos pela técnica SAM (Figura 4.10) e os da Profundidade RDB (Figura 4.15), mostrando que os pixels classificados como contendo muscovita estão restritos às áreas de rocha e solo expostos 95 principalmente na área do garimpo. Pôde-se observar que muitos pixels foram mapeados pela técnica SFF nessa área de solo exposto com atividade garimpeira. 4.4 Detecção Mineral e Cobertura Vegetal 4.4.1 SAM versus Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) Na área de garimpo, onde foram obtidos os melhores resultados de detecção da muscovita com a técnica SAM, a influência espectral da vegetação sobre o processo de detecção mineral seria teoricamente mínima, em função da presença de boas exposições de rochas. Entretanto, mesmo para esta área, os resultados da Figura 4.18 sugerem a existência de uma relação de covariância positiva entre os valores de ângulo SAM (Figura 4.18a) e de NDVI (Figura 4.18b). Em outras palavras, pixels com menores (em vermelho) e maiores (em amarelo) valores de ângulo SAM (Figura 4.18a) tendem a apresentar também menores (em vermelho) e maiores (em amarelo) valores de NDVI (Figura 4.18b), respectivamente. 96 N N FIGURA 4.18 – Área de garimpo indicada nas Figuras 4.10 e 4.15 com: (a) variações nos valores de ângulo SAM para o mineral muscovita; e (b) variações nos valores de NDVI. A relação de covariância entre os valores de NDVI e ângulo SAM na área do garimpo é mostrada na Figura 4.19, obtida a partir de 100 pixels aleatoriamente selecionados na Figura 4.18. Um coeficiente de correlação (r) de +0,56 foi obtido para a relação entre estes dois parâmetros, confirmando a tendência dos valores de ângulo SAM aumentarem com o aumento do NDVI. Esse resultado comprova que mesmo nas áreas mais favoráveis, com boas exposições de rocha-solo, o processo de detecção mineral com a técnica SAM ainda é espectralmente influenciado pela presença de vegetação fotossinteticamente ativa e não-ativa (gramíneas verdes e secas). A presença da vegetação produz aumento nos valores de NDVI do substrato e, conseqüentemente, nos valores de ângulo SAM, afetando as relações de similaridade entre os espectros dos pixels e o de mineral de referência (muscovita). 97 0 ,3 5 Ângulo SAM = 0,27; NDVI = 0,30 0 ,3 y = 1 ,6 1 4 8 x - 0 ,1 9 0 8 r = + 0 ,5 6 NDVI 0 ,2 5 0 ,2 0 ,1 5 0 ,1 0 ,0 5 Ângulo SAM = 0,21; NDVI = 0,12 0 ,1 9 0 ,2 1 0 ,2 3 0 ,2 5 0 ,2 7 0 ,2 9 Â n g u lo S A M (R a d ia n o s) FIGURA 4.19 – Correlação entre os valores de ângulo SAM e de NDVI, obtida a partir de 100 (cem) pixels aleatoriamente selecionados na área do garimpo (Figura 4.18). Os espectros dos pixels indicados por setas são mostrados na Figura 4.20. A Figura 4.20 mostra os espectros de reflectância de dois pixels indicados na Figura 4.19, com valores diferentes de NDVI e de ângulo SAM. A presença de vegetação fotossinteticamente ativa ou não-ativa no substrato não apenas produz aumentos nos valores de ângulo SAM (0,21 para 0,27) e de NDVI (0,12 para 0,30), como também provocam a substituição da banda de absorção mineral, em torno de 2200 nm, pelas feições de lignina/celulose, em torno de 2100 e 2300 nm. Nos dados ASTER utilizados neste trabalho, a banda de absorção mineral foi normalmente observada nos espectros dos pixels com valores de ângulo SAM inferiores a 0,25 radianos. A partir deste valor, as feições espectrais de vegetação passaram a predominar no intervalo do SWIR. 98 Â n gu lo S A M = 0,21 ; N D V I = 0 ,1 2 Â n gu lo S A M = 0,27 ; N D V I = 0 ,3 0 24 R e fle ctâ n cia (% ) 22 20 18 16 14 2 16 5 2 20 5 2 26 0 2 33 0 C o m p rim e n to d e O n d a (n m ) FIGURA 4.20 – Curvas espectrais, mostradas no intervalo de comprimento de onda correspondente ao das bandas 5 a 8 do sensor ASTER, de 2 (dois) pixels com valores distintos de ângulo SAM e de NDVI na Figura 4.19. 99 100 CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados deste estudo demonstram que as imagens ASTER podem ser muito mais eficazes para a caracterização da associação rocha-solo-vegetação, ou das variações relativas nas feições espectrais de argilo-minerais e da cobertura vegetal, do que para a detecção mineral propriamente dita. Em relação à avaliação do desempenho de diferentes técnicas de processamento digital de imagens na discriminação espectral de variações faciológicas no granito Serra Branca e na detecção mineral, pôde-se concluir que: 1) Com a técnica realce por decorrelação, os melhores resultados para a discriminação espectral de variações faciológicas no complexo granítico Serra Branca foram obtidos com os tripletes formados pelas bandas ASTER 2, 3 e 4 e 1, 4 e 7, onde foi possível delimitar o contato do complexo granítico com as rochas encaixantes, os três principais litotipos presentes na área de estudo (biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen) e a área de garimpo; 2) Com as técnicas para detecção sistemática dos materiais geológicos, os melhores resultados foram obtidos utilizando a técnica Mapeador de Ângulo Espectral (SAM). Uma possível explicação para este fato é a própria simplicidade do algoritmo de comparação da similaridade espectral entre os pixels da imagem e os espectros de referência. Técnicas como Ajuste de Feições Espectrais (SFF) são limitadas pelo pequeno número de bandas usadas para o ajuste das feições de absorção e cálculo das imagens Escala e RMS; 101 3) Em geral, as técnicas SAM, SFF e RDB mostraram resultados concordantes, classificando áreas de solo e rocha expostos, como as regiões de exploração garimpeira e de sedimentos em leito de drenagem seco. Nestas áreas, os espectros dos pixels tendem a exibir bandas de absorção mineral bem definidas em torno de 2200 nm; 4) Em termos de detecção mineral com dados de biblioteca espectral do USGS, tanto usando a técnica SAM, quanto a SFF, os melhores resultados foram obtidos com o mineral muscovita. Já na técnica SAM, com os dados PIMA, somente foram classificadas áreas com predominância de biotita granito; 5) Em termos de classificação litológica, os melhores resultados aplicando a técnica SAM, foram obtidos quando se utilizaram os padrões de resposta espectral representativos das unidades presentes na área do complexo granítico obtidos a partir das imagens ASTER. Na imagem classificada, a ocorrência e a localização dos litotipos biotita granito, biotita granito greisenizado e greisen corresponderam aos do mapa geológico da área de estudo. A utilização dos espectros de laboratório PIMA das litologias não produziu bons resultados. Isto ocorreu em função da perda de informação resultante da reamostragem das curvas para as bandas do ASTER e das condições distintas existentes em nível orbital e de laboratório, especialmente no que se refere à mistura espectral nos pixels. Em relação à comparação das respostas radiométricas dos alvos, obtidas a partir das imagens, com os padrões de respostas espectrais obtidos em laboratório, pôde-se concluir que: 1) Os espectros dos pixels apresentaram características distintas dos espectros das litologias obtidos laboratório, especialmente no que se refere à ausência de bandas de absorção bem definidas. Isto se deveu às diferenças na escala de obtencão dos dados (milimétrica em laboratório e métrica na imagem) e a 102 ausência em laboratório da influência espectral de outros componentes de cena (mistura espectral), especialmente da vegetação, na resposta espectral das rochas. Finalmente, com respeito à influência da cobertura vegetal da área de estudo sobre o processo de detecção de padrões espectrais de minerais nos espectros dos pixels, pôde-se concluir que: 1) Mesmo na porção da cena mais favorável para a detecção do mineral muscovita pela técnica SAM, como a área do garimpo com boa exposição de rochas e solos, os resultados foram influenciados pela presença de vegetação fotossinteticamente ativa e/ou não-ativa (gramíneas) no substrato. Um coeficiente de correlação (r) de +0,56 foi obtido entre os valores de NDVI e de ângulo SAM; 2) A influência espectral deste tipo de vegetação no substrato provoca a substituição da banda de absorção de hidroxila em 2200 nm por feições de lignina/celulose em 2100 e 2300 nm, dificultanto o processo de detecção mineral. 103 104 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS Abrams, M.; Hook, S.J. Simulated ASTER data for geologic studies. IEEE Transactions on Geoscience and Remote Sensing, v.33, n.3, p.692-699, May. 1995. 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O PROGRAMA ACORN SÓ ACEITA OS FORMATOS BIL E BIP. - BASIC TOOLS - CONVERTER DE BSQ PARA BIL 4) ABRIR IMAGEM .BIL 5) CARREGAR UMA BANDA QUALQUER E DEPOIS: - TOOLS - PROFILES - Z PROFILES - OPTIONS - NEW WINDOW BLANK - FILE - INPUT DATA - ASCII - ABRIR ARQUIVO DE UNIDADES DE CONVERSÃO (UNITCONV) 6) - ESPECTRAL 114 - ESPECTRAL MATH (S1 – 1) * S2; ONDE S1 É O ARQUIVO .BIL COM TODAS AS BANDAS - MAP VARIABLE TO INPUT FILE; E S2 UM ARQUIVO TXT COM OS COMPRIMENTOS DE ONDA DE CADA BANDA EM UMA COLUNA E OS FATORES DE CONVERSÃO EM OUTRA COLUNA (S2 = UNIT CONV COEF) - COEFF.TXT:C2 7) GERAR ARQUIVO DE SAÍDA. O ARQUIVO DE SAÍDA GERADO ESTÁ EM FLOATING POINT. 8) CONVERSÃO PARA INTEGER: - SPECTRAL - SPECTRAL MATH - FIX (S1 * 100); O VALOR 100 É UTILIZADO PARA FACILITAR A EXPANSÃO DOS NÚMEROS. S1 É A IMAGEM GERADA NO PASSO ANTERIOR (IMAGEM FLOATING POINT) - SALVAR NOVO ARQUIVO COM AS BANDAS QUE SERÁ NO FORMATO INTEGER ¾ NO ACORN 3.12 115 1) - FILE - OPEN - CUP5 => MODO DE CORREÇÃO PARA IMAGENS MULTIESPACTRAIS (TM, SPOT, ASTER, ETC) 2) PRECISA-SE DE 3 ARQUIVOS DE ENTRADA, ALÉM DO ARQUIVO COM AS BANDAS NO FORMATO INTEGER GERADAS NA ETAPA ANTERIOR. SÃO OS SEGUINTES: A) ARQUIVO TXT COM A FUNÇÃO DE RESPOSTA ESPECTRAL DOS FILTROS (PODE SER GERADO NO ENVI) B) ARQUIVO TXT COM OS FATORES DE GANHO PARA CADA COMPRIMENTO DE ONDA C) ARQUIVO TXT COM OS VALORES DE OFFSET: 0 (ZERO) PARA TODAS AS BANDAS 3) ARQUIVO DE ENTRADA: ARQUIVO INTEGER GERADO NO ENVI 4) LATITUDE DO CENTRO DA IMAGEM: - PARA SUL E + PARA NORTE 5) LONGITUDE DO CENTRO DA IMAGEM: - PARA OESTE E + PARA LESTE 6) ELEVAÇÃO MÉDIA DO TERRENO (CARTA TOPOGRÁFICA) 7) DATA DE AQUISIÇÃO DA IMAGEM (DD/MM/AA) => PARA O PROGRAMA CALCULAR O ÂNGULO ZENITAL SOLAR 8) HORÁRIO: HH MM SS (UTC) 116 9) ALTITUDE DO SATÉLITE 10) MODELO ATMOSFÉRICO: - TROPIC 11) - FIXED WATER VAPOR: PODE VARIAR DE 10 A 50 MILIMETROS. QUANTO MAIOR O VALOR, MAIS ÚMIDA A ATMOSFERA. EXEMPLO: GOIÁS => 20 12) - IMAGE ATMOSPHERE VISIBILITY: QUANTO MENOR O VALOR, MAIS EMBAÇADA A ATMOSFERA. EXEMPLO: GOIÁS => 75 KILOMETERS (ATMOSFERA LIMPA) 13) - RUN 117