DEVOLUÇÃO GARANTIDA CORREIOS 11204/2002-DR/BSB Impresso Especial 11204/2002-DR/BSB CÂMARA DOS DEPUTADOS CORREIOS Brasília-DF, segunda-feira, 21 de março de 2005 www.camara.gov.br • [email protected] • Fone: (61) 216-1666 • Fax: (61) 216-1653 Brasil tem 15 mil comunidades expostas à água contaminada ECONOMIA 3 Carlito Merss prepara mudanças na MP dos impostos PLENÁRIO 7 Nelson Trad lamenta a fragmentação dos partidos PIAUÍ 8 Sessão solene lembra Batalha do Jenipapo Farc Abin diz que documento sobre doações é falso. Fraga quer CPI Em audiência pública no Congresso, na semana passada, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, negou a autenticidade de documentos denunciados pela imprensa que comprovariam uma doação de dinheiro das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a campanha presidencial do PT, em 2002. Já o deputado Alberto Fraga, autor da primeira denúncia sobre o assun- Imagem do Rio Tietê que participa do Fórum, disse que a contaminação no Brasil é causada por empresas multinacionais que não contabilizam esses prejuízos nos seus custos. Na Câmara, a Frente Parlamentar em Defesa da Água quer aprovar o projeto que or- ganiza o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. O deputado Odair Cunha, coordenador do movimento, está pedindo aos líderes partidários que indiquem os membros da Comissão das Águas, que analisará a proposta. Sigmaringa e Renan discutem mudanças na tramitação de MPs O relator da comissão mista especial que estuda mudanças na tramitação das medidas provisórias, deputado Sigmaringa Seixas, reúne - se amanhã com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da CPMI, Antonio Carlos Magalhães, para discu- tir mudanças na tramitação de medidas provisórias no Congresso. O parlamentar quer, de um lado, limitar o prazo de análise de MPs, na Câmara e, de outro, ampliar o prazo de tramitação no Senado, antes que a matéria tranque a pauta. Página 4 Lorenzoni pretende quebrar sigilo de cooperativa e escola O deputado Onyx Lorenzoni, vice-presidente da CPMI da Terra, disse que, no próximo dia 29, vai propor à comissão a quebra de sigilo telefônico e fiscal de cooperativa vinculada ao MST e da Escola de Formação de Militância do movimento, no Rio Grande do Sul. Na quinta-feira (17), o par- lamentar já havia antecipado que pediria a quebra dos sigilos do líder do MST, José Rainha Júnior, e do líder da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, durante audiência pública realizada no Pontal do Paranapanema, oeste do estado de São Paulo. Página 5 to, em 2003, reafirmou ter documentos que comprovam a denúncia e anunciou já dispor das assinaturas necessárias ao pedido de abertura de uma CPI para investigar o assunto. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, disse que o PT vai avaliar as medidas judiciais que poderão ser adotadas pelo partido em relação às reportagens divulgadas pela imprensa. Página 2 ROSE BRASIL ABR A delegação brasileira que participa do II Fórum Alternativo Mundial da Água, em Genebra (Suiça), denunciou ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU a existência de mais de 15 mil comunidades expostas a áreas com solos contaminados no Brasil. A delegação, que tem representantes do Congresso e da Procuradoria da República, apresentou à ONU documento preparado pela ONG Defensoria da Água, apontando casos como o do Aterro Mantovani, em Santo Antonio de Posse (SP), onde 63 indústrias depositam cerca de 500 mil toneladas de lixo tóxico. As substâncias podem causar câncer e outras doenças na população. A deputada Selma Schons, ANO 7 - Número 1393 Audiência pública ouviu ministro-chefe da Abin Wladimir Costa renuncia à relatoria da CPI do Setor Elétrico Alegando que não teria condições de trabalhar à vontade para conduzir a CPI, o deputado Wladimir Costa renunciou à indicação feita pela Presidência da Câmara e pelo PMDB. Os líderes dos partidos vão se reunir nesta semana com o presidente Severino Cavalcanti para tentar um acordo em torno de um novo nome. Página 6 Violência no campo O deputado Anselmo pediu uma participação mais direta do Congresso para revisar e aprovar leis que promovam a justiça social, a reforma agrária e o desenvolvimento sustentável, em especial na Amazônia, e assim contribuir para o fim das ações criminosas de invasões e da grilagem de terras. Página 6 2 Brasília, 21 de março de 2005 Abin nega autoria do relatório sobre as Farc A última reunião da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional terminou em impasse. O deputado Alberto Fraga (PTB-DF) voltou a afirmar que mantém cópias manuscritas dos documentos apresentados pela imprensa que comprovam suposta doação de dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a campanha presidencial petista em 2002. Já o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, e o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mauro Marcelo de Lima e Silva, negaram que a agência produziu os documentos citados. Na ocasião, o general Jorge Armando Félix assegurou que o único documento oficial da Abin que trata deste tema é um relatório de duas páginas, com número de classificação: 0095/3100/Doin/ Abin, de 25 de abril de 2002. Ele informou que o documento foi arquivado por não apresentar prova alguma das afirmações nele contidas. O relatório registrava “o boato” de que as Farc teriam oferecido 5 milhões de dólares (cerca de R$ 13,5 milhões) ao PT como ajuda nas eleições presidenciais. Alberto Fraga informou que as denúncias chegaram às suas mãos por dois funcionários da Abin em 2003, época em que ele fez um discurso no plenário da Câmara sobre o assunto. Porém o deputado recusou-se a apresentar os documentos, apesar dos pedidos de diversos parlamentares presentes à reunião. Na avaliação dele, o melhor ambiente para averiguar a veracidade dos documentos é o de uma CPI e não o da comissão mista. “A comissão é para analisar assuntos de inteligência e não para investigar. Isso não é atividade dessa comissão. E para investigar, ou MARCIA KALUME/AGÊNCIA SENADO mantes, agentes. Quando essas informações chegam à agência, segundo o delegado, são redigidas em forma de documento interno, de acordo com manual de redação e estilo, com características peculiares. “Posso garantir que os documentos apresentados pelo deputado Alberto Alberto Fraga reafirmou denúncia Fraga na televisão é a polícia, ou é o Ministério Pú- não são da Abin, fogem inteiramenblico, ou é uma CPI”, sustentou. te das características do nosso paDocumentos drão interno de texto e estilo”, disO diretor-geral da Abin, dele- se o delegado Lima e Silva. gado Mauro Marcelo de Lima e SilCPI va, enfatizou que todo documento O deputado Alberto Fraga inproduzido pela agência é resultado formou que conseguiu, na Câmade coleta, processamento e análi- ra, as assinaturas necessárias à insse, e as informações vêm de várias talação de uma CPI para investifontes: telefonemas, cartas, infor- gar a atuação das Farc no Brasil. AGENDA SEGUNDA-FEIRA 21/3 TERÇA-FEIRA 22/3 Presidência Discriminação Racial O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, é homenageado pela Assembléia Legislativa do estado do Paraná, em Curitiba, às 14h30. Em seguida, às 16 horas, Severino Cavalcanti recebe a medalha de honra ao mérito, na sede da Federação do Comércio do Paraná, também naquela cidade. O Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial será tema da sessão solene, desta terça-feira, às 10 horas, no Plenário da Casa, por requerimento do deputado Luiz Alberto (PT-BA). Foram convidadas entidades governamentais e Ongs que combatem à discriminação racial. Portal da Câmara Fim da tarifa de telefonia Hoje entra em funcionamento o Fale com o Deputado, serviço pelo qual os internautas poderão enviar mensagens a determinado parlamentar ou a um grupo deles (por estado ou por comissão da qual seja membro) ou a todos os deputados da Casa. As mensagens enviadas ficarão armazenadas em um banco de dados específico. SAIBA MAIS O relator do projeto que acaba com a assinatura básica na telefonia fixa, deputado Léo Alcântara (PSDB-CE), participa, na próxima terça-feira, às 11 horas, de um chat (bate-papo eletrônico) que será promovido pela Agência Câmara O tema tem mobilizado segmentos da sociedade, como as entidades de defesa do consumidor, e provocou 3º Secretário: Eduardo Gomes (PSDB-TO) 4º Secretário: João Caldas (PL-AL) Suplentes: Givaldo Carimbão (PSB-AL), Jorge Alberto (PMDB-SE), Geraldo Resende (PPS-MS), Mário Heringer (PDT-MG) Defesa do PT Nilson Mourão (PTAC) criticou reportagem da Revista Veja que, na sua opinião, tenta vincular o Partido dos Trabalhadores com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) diz que a vinculação não tem fundamento, observou o parlamentar, para quem o objetivo da matéria é colocar cortina de fumaça sobre o PT para antecipar a eleição do ano que vem. “O povo brasileiro continua acreditando no PT”, afirmou. Previsão da semana muitas ligações para o 0800 da Câmara no ano passado. Pacote Verde O Pacote Verde será tema da audiência pública que a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional realiza nesta terça-feira, às 14 horas, no Plenário 15. Mortalidade Infantil A mortalidade infantil entre a população indígena brasileira será debatida, às 14h30, desta terça-feira, pela Comissão de Seguridade Social e Família, no Plenário 7. Entre os convidados estão: o presidente da Funasa, Valdi Camarcio Bezerra; o presidente da Funai, Mercio Pereira Gomes; a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Helena Carvalho Lopes QUARTA-FEIRA 23/3 Custo Brasil O custo Brasil no setor agrícola é o tema que a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural debaterá, quarta-feira, às 10 horas, no Plenário 6. Reforma Sindical A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público prossegue os debates em torno da Reforma Sindical, nesta quarta-feira, às 10 horas, no Plenário 12. Serão ouvidos, entre outros, o presidente do Sindicato dos Técnicos da Receita Federal (SindiReceita) e o presidente do Conselho Executivo da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência (Anip). A pauta completa do plenário e das comissões pode ser consultada no endereço eletrônico www2.camara.gov.br/agendacd Mesa da Câmara dos Deputados - 52a Legislatura Presidente: Severino Cavalcanti (PP-PE) 1º Vice-Presidente: José Thomaz Nonô (PFL-AL) 2º Vice-Presidente: Ciro Nogueira (PP-PI) 1º Secretário: Inocêncio Oliveira (PMDB-PE) 2º Secretário: Nilton Capixaba (PTB-RO) A comissão, no entanto, não poderá ser instalada de imediato, pois já existem, na Câmara, outras CPIs na fila aguardando instalação. Já o presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, senador Cristovam Buarque (PT-DF) informou que vai analisar regimentalmente se a comissão pode exigir do deputado a apresentação dos documentos e dos nomes dos agentes envolvidos na produção deles. Medidas judiciais O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, disse que o PT vai avaliar as medidas judiciais que poderão ser adotadas pelo partido em relação às reportagens divulgadas pela imprensa. O general Jorge Armando Félix enfatizou que a Abin continuará a acompanhar qualquer atividade que as Farc exerçam no Brasil, até mesmo pelas implicações internacionais que essas atividades possam ter. Procuradoria Parlamentar: Ney Lopes (PFL-RN) Ouvidoria Parlamentar: Custódio Mattos (PSDB-MG) Diretor-Geral: Sérgio Sampaio de Almeida Secretário-Geral da Mesa: Mozart Vianna de Paiva SECOM - Secretaria de Comunicação Social Diretor: Ademir Malavazi (61) 216-1500 - Fax: (61) 216-1505 Jornal da Câmara Diretora: Amneres Pereira (61) 216-1651 Editor-chefe: Marcondes Sampaio Editores: (61) 216-1666 João Pitella, Luís Castro, Marcos Rossi, Renata Torres, Roberto Seabra e Rosalva Nunes Diagramadores: (61) 216-1667 Ferreira Júnior, Cerino, Guilherme Rangel Barros e José Antonio Filho Endereço: Câmara dos Deputados - Anexo I - Sala 1508 - CEP: 70160-900 Brasília - DF 3 Brasília, 21 de março de 2005 Relator anuncia mudanças na MP dos Tributos O aumento do limite de isenção do Imposto de Renda para pequenos produtores rurais, que beneficiaria quase a totalidade do setor; a isenção de IPI e do PIS/Cofins na exportação de bens de capital na área de software; e a redução da alíquota de PIS/Cofins para as incorporadoras são os principais pontos que deverão constar do relatório do deputado Carlito Merss (PT-SC) à Medida Provisória 232/04. As alterações na MP foram negociadas na semana passada em reunião entre o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. De acordo com o relator, as mudanças visam contemplar a produção e, ao mesmo tempo, Carlito Merss combater os sonegadores. “Poderíamos considerar que há uma nova medida provisória pois o Governo, sensível às manifestações da sociedade, faz modificações importantíssimas”, afirmou Carlito Merss, lembrando Paes Landim ressalta papel do Supremo O papel do Supremo Tribunal Federal (STF) como última instância de decisões soberanas e democráticas foi destacado pelo deputado Paes Landim (PTB-PI), ao defender o ministro Marco Aurélio Mello de críticas publicadas na imprensa. “O ministro Marco Aurélio, eventualmente, em suas decisões, pode cometer erros, mas se trata de juiz corajoso, combativo, que sempre se destacou por onde andou na magistratura, tanto no Juizado do Trabalho, quanto no Tribunal Superior do Trabalho e, agora, na Suprema Corte”, afirmou. Segundo o deputado, as críticas ao ministro do STF foram feitas por um parlamentar, em relação a uma decisão do ministro em um caso envolvendo um cidadão chinês. “A Suprema Corte é a mais veneranda instituição republicana. Ao longo de mais de 100 anos, sempre se portou com muita dignidade e honestidade, independentemente de concordarmos ou não com suas decisões, seus arestos”, afirmou, lembrando que houve momentos, no Brasil, em que leis autoritárias obrigaram o STF a mudar seu perfil jurisprudencial, como no caso dos Atos Institucionais, mas, mesmo assim, a instituição sempre se comportou com altivez e nunca pairaram suspeitas sobre seus membros. Paes Landim destacou que faz parte da tradição republicana o Legislativo, por ser o Poder mais aberto, receber sempre as insatisfações e críticas da sociedade pela situação política do País, mas a Suprema Corte deve estar acima dessas discussões por ser a garantia maior do sistema republicano e democrático. O deputado lembrou que, na condição de chefe do Departamento de Direito da Universidade de Brasília, recebeu o ministro Marco Aurélio como professor, profissão que ele exerceu “com eloqüência, firme em seus raciocínios e incentivando os alunos a estudar com profundidade os institutos jurídicos”. que a MP já reajusta em 10% a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física. Alterações como a redução do PIS/Cofins para as incorporadoras, explica o relator, são uma forma de incentivar a construção civil, setor considerado estratégico pelo Governo por ser um grande gerador de empregos. No mesmo sentido, os caminhoneiros autônomos também devem ter o limite de isenção para o recolhimento do Imposto de Renda na fonte ampliado de R$ 1.164 para R$ 2.910. “Além dos 10% da tabela do Imposto de Renda, permitiremos que a produção continue sendo valorizada, mas tomando algumas medidas concretas para reduzir a elisão fiscal e a sone- gação”, explicou o parlamentar. Carlito Merss confirmou que há uma forte tendência para se manter a alíquota de 32% da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para as empresas prestadoras de serviço que gastam pelo menos 20% da receita com pagamento de pessoal. Pelo texto original, a base de cálculo para os prestadores que optam pelo lucro presumido subiria para 40%. O relatório deverá incluir também a criação de câmaras específicas para atender pequenas causas no Conselho de Contribuintes. A MP determina que apenas causas com valores acima de R$ 50 mil poderiam ser objeto de recurso ao Conselho. Plenário vota MP sobre clubes de futebol O estabelecimento de prazos para que os clubes de futebol resgatem recursos a que têm direito quando seus times participam dos jogos da Loteria Esportiva é o primeiro item da pauta de votações do Plenário nesta semana. A Medida Provisória 229/04, que tranca os trabalhos do plenário, determina um prazo de 90 dias após o sorteio lotérico para que os clubes façam os resgates dos recursos. Se não for resgatado no período, o dinheiro será repassado ao Ministério do Esporte para aplicação em programas da política nacional de incentivo e desenvolvimento da prática desportiva. Após a MP, os deputados poderão votar a regulamentação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O texto regulamentando o Fundo (PL 7.049/02, do Senado) estipula índices anuais mínimos ou máximos para aplicações dos recursos em pesquisas do setor. Universidades, centros de pes- quisa e entidades sem fins lucrativos terão um mínimo de 60% da verba para projetos que executarem. Além das dotações orçamentárias, haverá outras fontes de receita, como royalties sobre a produção de petróleo e gás natural, percentual da receita operacional líquida de empresas de energia elétrica e a compensação financeira pelo uso de recursos hídricos para geração de energia elétrica. Também estão na pauta a criação do Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas, constante do Projeto de Lei Complementar 187/97, de autoria do deputado Mário Negromonte (PP-BA); o PL 1.787/96, do Executivo, que trata da proteção e do registro da propriedade intelectual do desenho de circuitos integrados usados em diversos produtos eletrônicos; e o PL 6.988/02, do deputado Cabo Júlio (PMDB-MG), que acrescenta a tipificação do crime de assédio sexual ao Código Penal Militar. PINGA-FOGO Riscos do subteto A Câmara cometeu um erro ao aprovar na semana passada, dentro da PEC paralela da Previdência, o subteto do Judiciário para as carreiras de delegado, agente fiscal e advogado dos estados. O alerta foi feito pelo deputado Léo Alcântara (PSDB-CE), que advertiu sobre as conseqüências da decisão nas finanças estaduais. No Ceará, explicou o parlamentar, um delegado poderá receber mais do que o governador, pois este ganha R$ 8,5 mil, enquanto o teto do Judiciário passou a ser de R$ 17 mil. “Devíamos ter levado esse fato em consideração ao votar o destaque”, afirmou Alcântara, lembrando que o líder do Governo, Professor Luizinho (PT-SP), e o relator da PEC paralela, José Pimentel (PTCE), também alertaram para os danos que a medida poderia causar. “Esta Casa não pode fazer as coisas sem pensar nas conseqüências e nem deixar para o Senado Federal a função de corrigir”, advertiu. Para Léo Alcântara, resta agora aos governadores esperar que o Senado conserte o erro cometido pela Câmara. “Espero que fiquem atentos, pois grande número de senadores já foi governador e sabe o quanto os estados serão prejudicados”, afirmou. O deputado argumentou que delegados, agentes fiscais e advogados merecem salários maiores, mas, primeiro, é preciso saber se os cofres estaduais agüentam pagar. Responsabilidade fiscal O deputado Colbert Martins (PPS-BA) informou que seu partido está coletando assinaturas contra a Medida Provisória 232/04, que aumenta a carga tributária sobre empresas prestadoras de serviço. O PPS, segundo o parlamentar, analisa ainda os efeitos da MP 237/04, que perdoa dívidas de empresas e órgãos públicos que contraíram financiamento a partir de 2000 para o projeto Reluz, destinado a modernizar a rede elétrica urbana. Colbert Martins explicou que o endividamento com este programa tem sido um dos causadores de problemas, em muitos municípios, com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Para o deputado, a anistia desses débitos tenta livrar os gestores públicos das responsabilidades. “É preciso cobrar lisura de quem está encarregado de gerir o dinheiro público”, alertou. 4 Brasília, 21 de março de 2005 Relator quer limitar prazo de análise de medidas provisórias na Câmara O relator da comissão mista especial que estuda mudanças na tramitação das medidas provisórias, deputado Sigmaringa Seixas (PTDF), vai propor que o prazo de análise das MPs seja limitado na Câmara. No Senado, poderá haver prazo adicional para analisar as MPs enviadas pela Câmara, sem trancamento da pauta. As propostas serão discutidas amanhã em reunião com o presidente da comissão, senador Antonio Carlos Magalhães, e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Atualmente, as MPs têm 60 dias para serem votadas no Congresso. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias, mas elas passam a trancar a pauta de votações depois de 45 dias. Na maioria dos casos, esses primeiros 45 dias se esgotam na Câmara e as medidas já chegam ao Senado com o prazo de tramitação normal vencido, trancando automaticamente a pauta. Sigmaringa Seixas quer manter o prazo total de 120 dias de tramitação, dividindo o tempo entre as Casas. “Serão 60 dias na Sigmaringa Seixas Câmara, 45 dias no Senado e, tendo necessidade de voltar à Câmara, mais 15 dias”, explica. Já os prazos para que as medidas passem a trancar a pauta ficariam restritos a dois terços desses períodos, ou seja, 45 dias na Câmara, 30 no Senado e mais 10, caso elas voltem para a Câmara. Urgência e relevância Outra proposta em discussão é eliminar as comissões mistas para examinar as medidas. A análise começaria pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Ela definiria se a MP é urgente e relevante, para, em seguida, encaminhar à comissão que trata do tema. O deputado vai sugerir ainda que alguns projetos possam ser votados, mesmo quando a pauta estiver trancada. De acordo com o parlamentar, todas as mudanças serão examinadas pelos líderes dos partidos na Câmara e no Senado antes de serem apresentadas à Câmara por Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e alterações no Regimento. PINGA-FOGO Construção de Navios Mariângela Duarte (PT-SP) culpou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pelo fato de as cidades de Santos e Cubatão não poderem participar do edital da Petrobras e Transpetro para a construção de petroleiros e reforma de plataformas petrolíferas, apesar de a Companhia Siderúrgica Paulista ser responsável pela produção de 90% do aço para construção naval. “A culpa é do governador Geraldo Alckmin, que negociou somente com a OAS, empresa despreparada e incompetente. São Paulo tem de participar dessa concorrência”, defendeu. Companhia ferroviária Mauro Benevides (PMDB-CE) comemorou o fim de disputa judicial de duas décadas envolvendo a extinta companhia ferroviária Refesa, do Ceará. “Nos últimos seis anos, acompanhei, de perto, a rumorosa pendência. Foram efetuados os cálculos da quantia devida aos servidores da ferrovia, que é de R$ 129 milhões. Cabe agora à União assegurar o pagamento indispensável aos liquidantes da empresa”, declarou. Energia elétrica Mauro Passos (PT-SC) apresentou requerimento solicitando explicações à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a tentativa de reajuste extra em 6,13% das tarifas da concessionária de energia carioca Light. A medida, que foi revogada pelo ministro Antonio Palocci depois da intervenção de deputados, atingiria cerca de 3,5 milhões de consumidores, gerando R$ 300 mi- lhões a mais para a concessionária. Ele alerta que as concessionárias não podem agir dessa forma, pois a conta final sempre é paga pelos consumidores. Para o deputado, se o reajuste tivesse vingado, outras concessionárias teriam a brecha para também solicitar reajustes iguais ou até superiores. Navegação Edson Duarte (PV-BA) disse que a Companhia de Navegação do São Francisco (Franave) se recusa a pagar uma diferença salarial para seus funcionários, em um processo que se arrasta há 14 anos. Ele levou o assunto ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e disse que, se não for resolvido, vai à Justiça para buscar uma solução definitiva. “A Franav possui uma história importante. Infelizmente, ao longo do tempo, foi abandonada e hoje passa por um dos seus momentos mais difíceis”, disse. Indústria têxtil Ildeu Araújo (PP-SP) anunciou o lançamento oficial, em maio, da Frente Parlamentar Mista da Indústria Têxtil, de Confecção e Moda, da qual é presidente. Ele informou que a frente está preparando uma série de eventos para compor a Semana de Moda Brasileira no Congresso, sob o título Congresso na Moda. “Acontecerão palestras e debates, montaremos painéis e faremos exposições e desfiles de marcas que levam o nome do Brasil para além de nossas fronteiras”, afirmou. Amauri Gasques Hamilton Casara Seguridade aprova recadastramento domiciliar para pensionistas do INSS A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou na quinta-feira (17) o substitutivo do deputado Amauri Gasques (PL-SP) aos projetos de lei 2.831/03, de autoria do deputado Hamilton Casara (PLRO), e 3.007/04, do deputado Paulo Lima (PMDB-SP), que tratam do recadastramento dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O substitutivo proíbe a convocação de pessoas com mais de 70 anos para recadastramento nas agências do INSS, o que deverá ser feito por meio eletrônico, nas agências dos Correios ou nos seus respectivos domicílios. O texto garante que o bloqueio do pagamento dos benefícios em função de impossibilidade de recadastra- mento só poderá ser feito quando for constatado o fim do direito ao benefício ou quando ocorrer fraude. Dificuldade de locomoção Amauri Gasques lembrou que a recente experiência de convocação de aposentados para recadastramento gerou forte indignação na sociedade. “Foi flagrante a injustiça praticada pela exigência de comparecimento, às agências do INSS, de pessoas com idade avançada e evidentes dificuldades de locomoção”. O deputado explicou que reuniu os dois projetos em um substitutivo porque ambos se complementam. Os projetos tramitam em caráter conclusivo e serão avaliados pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. 5 Brasília, 21 de março de 2005 Comissão vai analisar quebra de sigilos O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Terra, anunciou que vai pedir a quebra de sigilo telefônico e fiscal de uma cooperativa e de uma escola de militância vinculadas ao MST. Ele afirmou já ter prontos os requerimentos para submeter aos parlamentares, na reunião da CPMI marcada para o dia 29 de março. Em audiência pública realizada na quinta-feira (17) no Pontal do Paranapanema, no oeste do estado de São Paulo, deputados da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra desafiaram os líderes do Movimento dos Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, e da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, a abrir mão do sigilo bancário e fiscal. Os depoimentos e debates aconteceram na Câmara de Vereadores de Presidente Prudente. Onyx Lorenzoni chegou a entregar uma declaração para o coordenador do MST no Pontal assinar, que liberava espontaneamente os dados bancários e fiscais. Rainha recusou a proposta. Onyx Lorenzoni Jamil Murad Ele lembrou que seu sigilo já fora quebrado quando foi preso, em 2003, sob acusação de formação de quadrilha por comandar ocupações de terra. “O objetivo da CPMI é perseguir e incriminar os movimentos sociais”, acusou Rainha, que está sob liberdade provisória. Onyx Lorenzoni apresentou requerimento à comissão para que o Ministério Público de São Paulo envie os resultados da investigação contra o líder dos sem-terra. O pedido deve ser votado na próxima reunião, prevista para 29 de março. Empréstimo Lorenzoni pediu a quebra de sigilo para apurar o empréstimo de R$ 228 mil tomado por Rainha ao Bradesco, em 1998. O valor foi pago depois por meio de transferência bancária da conta da Cooperativa de Prestação de Serviços dos Assentados da Reforma Agrária no Pontal (Coocamp) para a conta de Rainha. O líder dos sem-terra, que era diretor da cooperativa Deputados aplaudem projetos de expansão das universidades federais A aprovação do Projeto de Lei 3.962/04, do Executivo, que cria a Universidade Federal do ABC, e de requerimentos de urgência para outros projetos que criam novas universidades no País foram saudados em plenário pelos deputados. Ivan Valente (PT-SP) elogiou a “legitimidade, a justeza e a oportunidade” do projeto que cria a universidade do ABC, uma reivindicação de 40 anos. Segundo o parlamentar, o Governo anterior não teve nenhum plano de expansão do ensino superior. Valente temia que o Governo Lula caminhasse na mesma direção, dados os constrangimentos fiscais impostos pelo capital financeiro e pelo FMI. Ele festeja a mobilização do povo do ABC paulista, para ele o verdadeiro protagonista desta conquista. Colbert Martins (PPS-BA) revelou ter satisfação em saber que na Bahia será criada a segunda universidade federal do esta- do: a Universidade do Recôncavo Baiano. “Não temos apenas que comemorar, mas garantir o funcionamento com qualidade daquela unidade, cuja sede será em Cruz das Almas. Será a grande Faculdade de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, que conta com o apoio do reitor Neomar de Almeida, que está interiorizando e ampliando as ações da Universidade Federal”, disse. Neucimar Fraga (PL-ES) informou que o ministro da Educação, Tarso Genro, acatou requerimento da bancada do seu estado para formação de um comissão com a finalidade de estudar a criação de uma universidade pública no norte do Espírito Santo. De acordo com o deputado, o ministro explicou que, se isso não for possível, o estado será contemplado com o plano de expansão universitário. “Agradeço ao ministro Tarso Genro por atender ao pleito da bancada capixaba”, disse. na época, explicou que o empréstimo em seu nome foi o meio de viabilizar o socorro financeiro à entidade que comercializava produtos dos assentados. O relator da comissão, deputado João Alfredo (PT-CE), queixou-se que Lorenzoni estava constrangendo o depoente. Já o deputado Jamil Murad (PCdoBSP) declarou que a CPMI deve investigar as causas da violência no campo e não tentar colocar representantes do povo na cadeia. “Esta é uma luta dos que são a favor contra os que são contra a Reforma Agrária”, definiu. Milícias Em contrapartida, Murad sugeriu que o presidente nacional da UDR, Nabhan Garcia, também abrisse mão do sigilo bancário e fiscal. O pedido serviria para apurar a compra de armas para montar milícias na região do Pontal. Questionado por João Alfredo, Nabhan Garcia disse que era pessoalmente contra o uso de milícias armadas para defender as propriedades contra as invasões, mas justificou os fazendeiros que as mantêm. O fazendeiro Manoel Domingues Paes Neto, que teria relatado à Polícia Federal a ocorrência de um suposto encontro de milícias na fazenda de Nabhan Garcia, não compareceu para depor. Ele será convocado novamente para a próxima reunião da CPMI, em Brasília. Grilagem O geógrafo e especialista na questão agrária do Pontal Bernardo Mançano Fernandes, professor da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), também participou da audiência. Segundo ele, as terras públicas da região, uma das mais pobres do estado, foram griladas desde o século XIX. “O que o Governo precisa fazer é reavê-las e disponibilizá-las para a Reforma Agrária”, propôs. Também participaram da comitiva da CPMI da Terra no Pontal o presidente da comissão, senador Álvaro Dias (PSDBPR), os deputados Abelardo Lupion (PFL-PR), Adão Preto (PT-RS) e Luís Carlos Heinze (PP-RS), além do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). PINGA-FOGO Campanha da Fraternidade Ao lembrar o tema da Campanha da Fraternidade de 2005 Solidariedade e Paz, o deputado Ivo José (PT-MG) afirmou que “mais alta do que a distinção entre católicos e evangélicos é a consciência de que sobre os cristãos brasileiros pesa uma grande responsabilidade: a da construção de um Brasil melhor e de um mundo mais fraterno, mais digno e mais justo”. Ele assinalou que, na luta contra a exploração e a desigualdade, é enorme o dever dos políticos ao elaborar leis que concorram para uma realidade economicamente mais justa e socialmente mais digna. Ivo José citou o Estatuto do Desarmamento como uma iniciativa recente que contribuiu para a redução do total de mortes por armas de fogo no País. Assembléia de Deus Zelinda Novaes (PFL-BA) registrou que a Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil comemorou 75 anos, salientando que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo movimento, mesmo entre os evangélicos, ele teve papel importante na integração com as comunidades, implantando escolas, centro de recuperação de drogados, orfanatos e creches. A deputada registrou ainda a criação da Casa Publicadora das Assembléias de Deus, com publicações voltadas para a Escola Bíblica Dominical, como também ocorre em outros países. Homenagem a juristas Elimar Máximo Damasceno (Prona-SP) fez um tributo aos que considera os três maiores juris- tas brasileiros: o baiano Teixeira de Freitas, “um dos mais insignes civilistas do século XIX”; o cearense Clóvis Bevilacqua, “o segundo de nossos grandes civilistas”; e o alagoano Pontes de Miranda, “talvez o maior teórico do Direito da história nacional”. Para Damasceno, o Brasil pode orgulhar-se de sua tradição no campo do Direito, devido principalmente a esta “tríade genial de juristas”. Defesa de Uruaçu Enio Tatico (PL-GO) protestou contra matéria “equivocada e inconseqüente” da revista Veja, que discriminou os moradores da cidade goiana de Uruaçu, ao sugerir que o município seria conhecido como “a cidade das espanholas”, numa referência a moradoras de lá que foram trabalhar como prostitutas na Espanha. Ao destacar a importância política do município para o estado, advertiu que generalizações desta natureza ferem o caráter e a personalidade dos outros moradores, “que são pessoas honradas e ordeiras, que nunca saíram da cidade e que agora têm de conviver com esse estigma”. Assistência Social Ana Alencar (PSDB-TO) lembrou sua trajetória política como secretária municipal em Paraíso do Tocantins e agradeceu aos eleitores a oportunidade de representá-los na Câmara. A deputada ressaltou que, como dentista, dedicou sua vida profissional à causa da Assistência Social, que será uma das prioridades de seu mandato. A área da Saúde também receberá atenção especial, além da defesa dos direitos da mulher e das questões estratégicas para o desenvolvimento do Tocantins. 6 Brasília, 21 de março de 2005 Setor elétrico Wladimir Costa anuncia renúncia O deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) renunciou, na noite de quinta-feira (17), à indicação para ser relator da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que vai apurar irregularidades na privatização do setor elétrico. A instalação da CPI, marcada para a manhã de quinta, foi adiada porque as lideranças dos partidos não concordaram com a indicação feita pela Presidência da Câmara e pelo PMDB. Wladimir Costa disse que resolveu renunciar porque não teria condições de desenvolver o trabalho que gostaria. “Se for para relatar, é para fazer um trabalho sério. Apontar os culpados e levá-los às barras da Justiça. Em hipótese alguma jogar lixo para debaixo do tapete ou apadrinhar alguns envolvidos que têm alguma espécie de amizade com integrantes da CPI,” afirmou. O vice-líder do PSDB, Eduardo Paes (RJ), disse que o partido não é contra a instalação da CPI que vai analisar principalmente fatos ocorridos no governo anterior, mas defendeu a definição de critérios para a escolha das relatorias. “Não é especificamente uma questão em relação ao relator. Apesar de que, antes de ser indicado, o relator deu declarações que mostram comprometimento com alguma tese, e isso é absolutamente impróprio. É fundamental que os critérios de designação de relatores e presidentes de comissão sejam claros, bem definidos”, ressaltou. O deputado Fernando Ferro (PT-PE), integrante da CPI, afirma que os partidos devem participar da escolha do relator. “Penso que deve ser alguém que tenha algum domínio na área de energia. Deve ser uma pessoa que transite entre os partidos, que possa dialogar, que tenha serenidade e responsabilidade para tratar desse assunto”, afirmou. Nesta semana, os líderes dos partidos vão conversar com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, para tentar um acordo sobre a relatoria da CPI. Parlamentar pede mais ação contra violência no campo O deputado Anselmo (PTRO) disse que o Congresso Nacional tem um papel importantíssimo na tarefa de pôr fim à violência desenfreada que impera no campo, em especial na sua região, a Amazônia. “Basta de violência no campo! Nós, amazônidas, não nos conformamos em ver nossa região ser tachada de terra sem dono ou de terra sem lei. Impõese a todos, e não somente a nós, colocar um ponto final nesta situação”, afirmou o parlamentar. Segundo Anselmo, o trabalho no Congresso não se esgota nas atividades da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra. “Falo de uma participação mais direta em todo o processo, revendo e aprovando leis que agilizem a justiça social, a reforma agrária e o desenvolvimento sustentável, assim como Anselmo assegurando os recursos orçamentários necessários à infra-estrutura e execução das ações e políticas para o setor”, disse. O deputado lembrou que todos os dias a mídia noticia conflitos pela terra, atos de violên- cia contra trabalhadores e agressões ao meio ambiente. Na sua região, disse, não é novidade o que está acontecendo. “Há décadas os amazônidas são obrigados a conviver com a exploração predatória das riquezas da floresta, com o desmatamento descomedido, com a biopirataria, com a grilagem de terras públicas, com as ameaças, a violência e a morte de pessoas inocentes”, afirmou. Segundo Anselmo, o conjunto de medidas anunciadas pelo Governo Federal para conter a grilagem de terras e o desmatamento na Amazônia não decorre apenas de uma resposta ao assassinato da irmã Dorothy Stang, no Pará. Esse caso apenas acelerou sua implementação. Há algum tempo, afirmou, o Governo vem estudando e pon- do em prática ações que visam a por fim às ações criminosas de invasões e à grilagem de terras na Amazônia, responsáveis diretas pela violência na região. Por outro lado, estuda-se como levar adiante projeto de aproveitamento sustentável das riquezas da floresta, concretizando a idéia de um desenvolvimento responsável, respaldado no Zoneamento Econômico e Ecológico da região. Ele destacou a importância de duas medidas adotadas pelo Governo Federal, do ponto de vista da conservação da biodiversidade: a criação de 5,2 milhões de hectares de áreas protegidas nos estados do Pará, Amazonas e Acre e a interdição, para estudo, de outros 8,2 milhões de hectares na área de influência da BR-163 (Cuiabá-Santarém). Zezéu Ribeiro destaca aplicação dos planos diretores das cidades Maria Helena quer tempo maior para debater gestão das florestas Até julho do ção de uma série de próximo ano, toplanos diretores, das as cidades brasem capacitação de sileiras com mais técnicos locais e sem de 20 mil habitanuma efetiva particites, integrantes de pação popular na regiões metropolisua concepção e na tanas, localizadas sua gestão. em áreas turísticas Na visão de Zeou em áreas de inzéu Ribeiro, o granfluência de ativide desafio é como dades com impacconstruir cidades to ambiental, demais justas, que vem ter um plano “incorporem à sua Zezéu Ribeiro diretor aprovado. vida a população O prazo estabelecido pelo Esta- marginalizada”, a partir de um tuto das Cidades foi lembrado instrumento participativo e não pelo deputado Zezéu Ribeiro como cumprimento formal de (PT-BA). Ele observou que cer- uma exigência legal. ca de 1.700 municípios precisam Ribeiro afirmou que o Estaelaborar os seus planos. tuto das Cidades representou o O deputado ressaltou que al- coroamento das lutas pelo direiguns municípios não sabem se- to à cidade a partir de um moviquer o que é um plano diretor. mento iniciado no processo de “Dentre os que conhecem, mui- elaboração da Constituição, na tos dos seus gestores não acredi- qual foi incluído um capítulo tam no planejamento como ins- sobre a questão urbana. “Direitrumento de gestão, muito menos to à cidade é o acesso aos benena implementação permanente fícios oferecidos pela cidade, ou de um processo de planejamen- seja, lazer, cultura, saúde, eduto”, avaliou. Por outro lado, aler- cação, transporte, o direito de tou, algumas empresas de consul- circular e o controle social sotoria se organizam para elabora- bre a cidade”, assinalou. A presidente “o governo tome da Comissão da para si a decisão e Amazônia, Intea responsabilidade gração Nacional e de realizar o ordeDesenvolvimento namento territoriRegional, deputaal brasileiro, por da Maria Helena meio de um eficaz, (PPS-RR), afirdemocrático e mou que é preciso profundo zonea“um exame cuidamento agro-ecolódoso e um debate gico-econômico”. exaustivo” do ProDesse zoneamento jeto de Lei 4.776/ dependem, de 05, que dispõe soacordo com ela, a Maria Helena bre a gestão de flodefinição de polítirestas públicas para produção cas públicas referentes a temas sustentável, institui o Serviço prioritários, como a demarcação Florestal Brasileiro e cria o Fun- de terras indígenas, a regularizado Nacional de Desenvolvi- ção fundiária, o combate à biopimento Florestal. A parlamentar rataria, a exploração de minérios, acredita que é arriscada a tra- a gestão dos recursos hídricos e a mitação da proposta em regime defesa da faixa de fronteira. de urgência, pois a falta de conMaria Helena vê méritos imsenso indica a necessidade de portantes na proposta, que tenta mais debates. estabelecer um patamar para geA proposta do Governo, para ração de riqueza real na AmazôMaria Helena, não diz, “em um nia. Para ela, o debate realizado contexto regional articulado com pela comissão pode incluir a souma política nacional de desen- ciedade civil na discussão e imvolvimento, quais áreas, em que pedir que atores externos voltem dimensão, prazos e condições se a propor a internacionalização da implementarão as concessões”. Amazônia, ameaçando a soberaA parlamentar defende que nia nacional. Brasília, 21 de março de 2005 7 Nelson Trad critica a divisão partidária O deputado Nelson Trad (PMDB-MS) reclamou da pulverização do sistema partidário brasileiro. Ele disse que a multiplicação de partidos acaba prejudicando o sistema democrático, pois as correntes de pensamento ficam muito fragmentadas e confusas. Trad citou o seu próprio partido, o PMDB, como exemplo de instituição política que, apesar de sua importância histórica e do seu papel de destaque no cenário político brasileiro, poderia funcionar ainda melhor se as relações entre os seus in- tegrantes fossem mais harmônicas. Ele argumentou, também, que é preciso haver vinculações consistentes entre os partidos brasileiros e os setores sociais que eles representam. “Os sistemas partidários procuram viabilizar uma íntima aproximação entre o povo e os governantes para facilitar o processo de comunicação próprio da democracia”, explicou. De acordo com Trad, essa aproximação permite que sejam atendidos os anseios dos diversos segmentos sociais. Nelson Trad A excessiva quantidade de legendas e a confusão de correntes partidárias impediriam, segundo ele, que a vontade popular se expressasse de maneira correta. Trad lembrou que, atualmente, há mais de 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas não está claro para a população a que correntes de pensamento eles se filiam. Só no campo trabalhista, segundo ele, há cinco legendas. “Esse cipoal de siglas revela uma fragmentação partidária nociva”, afirmou. Neyde Aparecida cobra mais recursos para os municípios A importância de uma revisão no pacto federativo, com foco no aumento dos repasses aos municípios, foi destacada pela deputada Neyde Aparecida (PT-GO). Ela listou as necessidades financeiras expostas pelos prefeitos que participaram, neste mês, da VIII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, e comemorou os “novos parâmetros” estabelecidos pelo Governo Lula para os entes federativos. Segundo ela, os dados do Instituto Brasileiro de Administração Municipal demonstram que vem ocorrendo uma expressiva queda da participação municipal na administração dos recursos públicos desde a entrada Neyde Aparecida em vigor da Constituição de 1988. “Ao longo do tempo, verificou-se uma tendência de diminuição da parcela destinada aos municípios; paralelamente, houve um paulatino repasse de competências para as prefeituras sem o pertinente reforço financeiro”, acrescentou. A deputada disse que a votação da Reforma Tributária, prevista para o próximo dia 29, precisa atender aos principais pontos da Carta de Brasília, elaborada ao final da marcha dos prefeitos. Entre esses pontos, Neyde Aparecida destacou o aumento em um ponto percentual do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Além disso, ela considerou “indispensável e urgente” transferir às prefeituras a competência para arrecadar e fiscalizar o Imposto Territorial Rural (ITR), conforme previsto na Emenda Constitucional 42/03. Pastor Frankembergen defende rejeição da MP 232 O deputado Pastor Frankembergen (PTB-RR) propôs a rejeição pela Câmara da Medida Provisória 232/04, que aumenta a carga tributária do setor de serviços. Segundo ele, a MP prejudica sobretudo as micro e pequenas empresas, “que representam a base da economia de qualquer país e são responsáveis pela absorção da esmagadora maioria da mão-de-obra.” Na avaliação do Pastor Frankembergen, as micro e pequenas empresas precisam de iniciativas que protejam os seus negócios e estimulem novos investimentos.“É preciso desburo- cratizar, facilitar o acesso ao crédito, remunerar a produção e, principalmente, baixar os juros”, avaliou. Frankembergen citou números que comprovam a importância desse setor para a economia nacional. Segundo ele, 98% das empresas brasileiras são micro ou pequenas, e respondem por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e pela absorção de 70% da mão-de-obra formalmente empregada. O deputado observou que esse setor, apesar da participação significativa na economia, é responsável por apenas 8% das exportações brasileiras. Por outro lado, menos de 200 companhias de grande porte expor- Sobre a disputa interna pela liderança do PMDB, ele pediu à Mesa Diretora que reconheça a escolha do líder comunicada oficialmente pelo partido, e não a definida por listas assinadas pelos deputados, à revelia do presidente da agremiação. O parlamentar advertiu que, se o PMDB se tornar como a figueira infrutífera mencionada na Bíblia, “suas folhas e raízes secarão”. O PMDB, segundo ele, precisa ficar inteiro, e a forma de viabilizar isso é seguir os exemplos históricos dos líderes que o construíram. PINGA-FOGO Juros Osório Adriano (PFL-DF) disse que o aumento dos juros atrapalha o crescimento nacional. As altas taxas, segundo ele, forçam o Governo a segurar investimentos e a aumentar o superávit primário para pagar os juros da dívida. O deputado alertou que o Governo não pode perder o controle sobre a área econômica. Ele também comunicou o seu retorno à Câmara, onde representa o Distrito Federal há 14 anos. Municípios Wilson Cignachi (PMDB-RS) informou que retorna à Casa para defender os interesses do seu estado e dos municípios. Segundo ele, é preciso promover uma mobilização nacional para votar, no próximo dia 29, a maior participação dos municípios nos recursos arrecadados pela União. “Serei mais um deputado nesta Casa a defender os interesses do Rio Grande do Sul e do País”, disse. Impostos Inaldo Leitão (PL-PB) afirmou que é preciso continuar lutando para que a MP 232/04 seja rejeitada pelo Plenário, pois, segundo ele, a MP eleva sensivelmente os impostos dos pequenos empreendedores. “Nessa MP, apenas a correção da tabela do Imposto de Renda é aceitável, e mesmo assim o reajuste deveria ser maior, para compensar as perdas de 17% dos contribuintes nos últimos 12 meses”, ressaltou. Desigualdade Gonzaga Mota (PSDB-CE) disse que o País precisa combater a desigualdade social, e não apenas manter a estabilidade econômica. Segundo ele, devem ser ampliados os direitos econômicos e sociais dos brasileiros, com o objetivo de reduzir disparidades. “O atendimento das reais necessidades do povo é o método pelo qual os governantes podem conquistar estabilidade e poder legítimo para administrar o País”, afirmou. Segundo ele, na verdadeira democracia o povo é soberano e o Governo é comprometido com a justiça social. Tarifas Pastor Frankembergen tam mais de 60% do total. Frankembergen explicou que, nos países desenvolvidos, essa relação se inverte. Vicentinho (PT-SP) pediu apoio ao Projeto de Lei Complementar 233/05, de sua autoria, que proíbe a cobrança de tarifas bancárias nas contas funcionais. O projeto, segundo ele, foi inspirado por uma campanha do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Segundo observou o deputado, a escolha do banco onde o salário vai ser depositado é imposta aos trabalhadores, que são obrigados a pagar mais de 20 itens de serviços, como talões de cheques e transferências. O projeto, de acordo com ele, trará grandes benefícios: “Haverá uma economia de R$ 19 milhões para os trabalhadores”. 8 Brasília, 21 de março de 2005 PEC paralela O deputado Walter Pinheiro (PT-BA) elogiou o tratamento dispensado aos professores do ensino médio e fundamental na aprovação da PEC paralela da Previdência. Segundo o parlamentar, a Câmara entendeu a natureza difícil da atividade do professor ao aprovar a redução do tempo de contribuição, que passou de 30 para 25 anos, no caso das mulheres, e de 35 para 30, no caso dos homens, mantendo o critério de idade. Aprovou também a redução de 1 ano para cada ano trabalhado que ultrapassar o período de contribuição. “Este não é um privilégio, mas o reconhecimento do trabalho do professor. Esperamos agora que o Senado mantenha o que a Câmara aprovou”, disse. Miranda do Norte Sebastião Madeira (PSDB-MA) registrou o transcurso do 17º aniversário de emancipação do município maranhense de Miranda do Norte, comemorado no dia 15 de março. O deputado elogiou a administração da prefeita Aurinha, observando ter visitado os serviços de saúde e de educação do município que, na sua avaliação, estão funcionando a contento. Segundo o deputado, o hospital público da cidade tem médicos, inclusive especialistas, como pediatras. Reajuste para policiais O deputado Wasny de Roure (PT-DF) pediu urgência na publicação de medida provisória que reajuste os salários dos policiais civis, militares e bombeiros do Distrito Federal. Segundo o parlamentar, 36 mil famílias dos servidores das três categorias esperam por uma solução. Wasny de Roure reconhece que as medidas provisórias desviam o Congresso de sua agenda normal, por obstruírem a pauta, mas estima que o problema salarial dos policiais merece atenção imediata. Wasny também parabenizou os professores da rede pública de Brasília, que realizaram campanha salarial e obtiveram percentual de aumento próximo ao da reivindicação. O deputado avalia que a negociação revelou à sociedade os verdadeiros números da educação no Distrito Federal. Sessão solene lembra heróis da Batalha do Jenipapo A Câmara realizou, na sexta-feira (18), sessão solene para homenagear os heróis da Batalha do Jenipapo, ocorrida no Piauí, em 13 de março de 1823. Foi durante essa sangrenta batalha na luta pela independência do Brasil, em local próximo à cidade de Campo Maior, que vários civis, em sua maioria camponeses coordenados por fazendeiros rebelados contra o domínio colonial, enfrentaram o destacamento militar português então sediado na região. Foram derrotados, mas infringiram pesadas perdas aos portugueses, que acabaram forçados à rendição algum tempo depois, na cidade de Caxias. O deputado Simplício ELTON BOMFIM PINGA-FOGO Simplício Mário discursa durante a solenidade que lembrou a batalha Mário (PT-PI), que propôs e presidiu a sessão solene, destacou a forte participação popular, inclusive da mulher, na Batalha do Jenipapo. O deputado Paes Landim (PTB-PI), que também presidiu uma par- te da solenidade, sugeriu que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) assuma a área da batalha como patrimônio nacional. Também o deputado Alceste Almeida (PMDB-RR) Osvaldo Coelho condena transposição do Rio São Francisco A transposição das águas do Rio São Francisco é uma decisão equivocada, na opinião do deputado Osvaldo Coelho (PFL-PE), para quem a relação custo-benefício não justifica o projeto. “É pouco benefício para muito gasto”, disse o deputado. Segundo ele, a obra está orçada em R$ 4,5 bilhões. A seu ver, existe água suficiente no Nordeste para atender à demanda da população com os açudes existentes. Por isso, é preciso que se invista, primeiramente, na construção de adutoras, permitindo que se transporte água dos açudes para os municípios necessitados. O parlamentar ressaltou que, em toda sua trajetória parlamentar, sempre defendeu o empenho do Governo Federal na solução dos problemas da região do semi-árido. Entretanto, ele reiterou que a transposição não gerará riqueza, nem resolverá o problema socioeconômico da região, como vem sendo divulgado, pois só a água não elimina a miséria. Coelho destacou também que a área potencialmente ir- Osvaldo Coelho rigável no Vale do São Francisco é de cerca de 1 milhão de hectares, quando se consideram os recursos de solo e disponibilidade de água. Ele ressaltou que, atualmente, são ir- rigados apenas 330 mil hectares, restando 670 mil hectares. Se toda a área fosse incorporada ao processo produtivo, seriam criados mais de 2 milhões de postos de trabalho. Ele lembrou que algumas áreas do semi-árido apresentam condições propícias para a produção de frutas e hortaliças, o que abre possibilidades para o desenvolvimento da agricultura irrigada, aproveitando as centenas de açudes espalhados pela região, além da água subterrânea. Em sua opinião, os investimentos na agricultura irrigada podem promover o desenvolvimento regional, elevar as exportações, e diminuir a pobreza na região. Fernando Ferro cobra revitalização O deputado Fernando Ferro (PT-PE) cobrou urgência na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 524/02, que trata da proposta de revitalização hidroambiental do Rio São Francisco. Segundo o deputado, o rio é patrimônio nacional, mas vem sendo agredido pela poluição, pelo desmatamento, pelas usinas hidroelétricas e outros fatores. Ferro afirmou que a proposta pode ser um instrumento para o desenvolvimento de uma política para o semi-árido que democratize o acesso aos recursos hídricos. homenageou a “epopéia piauiense, pautada pelo anseio de liberdade de voluntários de todos os cantos do sertão, que combateram com facas, machados e facões, porque as espingardas eram poucas.” Um dos oradores da sessão foi o governador do Piauí, Wellington Dias. Ele afirmou que o Piauí busca ser reconhecido por este “momento histórico decisivo” para a unidade nacional do Brasil. “As estimativas falam de 200 a 600 independentistas mortos. O fato concreto é que, em Jenipapo, foi derrotada a estratégia portuguesa de dividir o Brasil. Ali se consolidou a unidade desta grande Nação”, disse o governador. Deputados criticam alta dos juros O deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE) criticou a elevação, pelo Conselho de Política Monetária (Copom), da taxa básica de juros em 0,5%, passando para 19,25%. Segundo ele, esse aumento elevará em R$ 2,5 bilhões a dívida pública interna. Ele lembra que a dívida aumentou 14 vezes nos últimos dez anos, mas o Produto Interno Bruto não seguiu essa evolução. De acordo com o parlamentar, os membros do Copom seguem uma cartilha ortodoxa e ninguém avalia as suas decisões. Ele informou que a Comissão de Finanças e Tributação promoverá um seminário sobre a gestão da dívida pública e sobre os impactos da política macroeconômica. O deputado Gilberto Nascimento (PMDB-SP) também lamentou a decisão do Copom. Segundo ele, o Brasil já perdeu quase R$ 14 bilhões desde que o Copom começou a se reunir. “Cada vez que o Copom se reúne, o Brasil vai ladeira abaixo, endividado, enquanto os banqueiros vão enriquecendo”, afirmou. O parlamentar chamou os técnicos do Banco Central de homens “frios e sem coração, mais preocupados com o sistema financeiro do que com o povo brasileiro” e ressaltou que o modelo econômico defendido por eles não dá mais certo.