UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE AGRONOMIA
AGR 99003 - ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
SUPERVISIONADO
FABIELE TATIANE SCHNEIDER PETER
00152527
Agropecuária Paquetá, Ponta Porã- Mato Grosso do Sul
Porto Alegre, maio de 2011.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE AGRONOMIA
AGR 99003 – ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO
Fabiele Tatiane Schneider Peter
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
SUPERVISIONADO
Orientadores do Estágio: Daniel Stoffel- Engº Agrônomo
Hélio de Biasi- Zootecnista
Tutor do Estágio: Harold Ospina Patino – Zootecnistra, PhD.
COMISSÃO DE ESTÁGIOS:
Prof. Elemar Antonino Cassol - Depto. de Solos - Coordenador
Prof. Fábio de Lima Beck – Núcleo de Apoio Pedagógico
Prof. José Fernandes Barbosa Neto – Depto. Plantas de Lavoura
Prof. Josué Sant’Ana – Depto. de Fitossanidade
Prof. Lair Angelo Baum Ferreira – Depto. de Horticultura e Silvicultura
Profa. Mari Lourdes Bernardi - Depto. de Zootecnia
Prof. Renato Borges de Medeiros – Depto. de Plantas Forrageiras e
Agrometeorologia
Porto Alegre, maio de 2011.
ii
Dedicatória
Dedico a minha família, em especial aos meus pais Jorge e Líria, por
acreditarem em meu potencial e sempre me apoiarem nas minhas decisões. Aos
meus irmãos, familiares e amigos por toda atenção e carinho.
iii
Agradecimentos
Aos meus professores pela orientação e conhecimento técnico, em especial
ao meu tutor de estágio Harold Ospina Patino. A Fazenda Paquetá e Gerente
Operacional Sr Edison Rech pela oportunidade de realização do estágio e
ensinamentos. Aos orientadores no campo de estágio Hélio de Biasi e Daniel Stoffel,
pela orientação e confiança. As grandes amizades que fiz durante o estágio e aos
amigos que estiveram sempre comigo durante a graduação. Obrigada pelo carinho
de todos, isto foi essencial para a conclusão desta etapa.
iv
Apresentação
O presente estágio foi realizado na Agropecuária Paquetá, Ponta Porã- MS,
sob a orientação do Engenheiro Agrônomo Daniel Stoffel, formado na Universidade
de Viçosa (UFV), localizada em Viçosa-MG e do Zootecnista Hélio de Biasi, formado
na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) de Aquidauana- MS.
A escolha do local para a realização do estágio ocorreu em função do desejo
de vivenciar a realidade nos sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), existente
na região centro-oeste de Brasil, e conhecer seus desafios e oportunidades.
Neste relatório serão descritas as atividades realizadas no período
compreendido entre 03 de janeiro e 28 de fevereiro de 2011, totalizando 320 horas,
destacando as ações realizadas em atividades relacionadas com a lavoura de soja,
plantio da cana de açúcar, monitoramento de pragas e doenças, elaboração de
silagem e manejo do rebanho de gado de corte.
v
Sumário
1
Introdução..........................................................................................
1
2
Caracterização Regional e Municipal................................................
2
2.1
Clima..................................................................................................
2
2.2
Relevo e Solo...................................................................................
4
2.3
Vegetação..........................................................................................
5
2.4
Aspectos Socioeconômicos...............................................................
5
3
Fazenda Paquetá..............................................................................
6
3.1
Localização da Propriedade..............................................................
6
3.2
Histórico.............................................................................................
7
3.3
Estrutura Física e Mecanização........................................................
8
3.4
Atividades da Empresa......................................................................
9
4
Estado da Arte...................................................................................
11
4.1
Pecuária.............................................................................................
11
4.2
Agricultura..........................................................................................
12
5
Atividades Desenvolvidas..................................................................
13
5.1
Pecuária.............................................................................................
13
5.1.2
Confinamento....................................................................................
18
5.1.3
Manejo Sanitário................................................................................
20
vi
5.1.4
Manejo Reprodutivo...........................................................................
21
5.1.5
Melhoramento Genético....................................................................
23
5.2
Agrícola.............................................................................................
25
5.2.1
Cultura da Soja (Glycine max.)..........................................................
25
5.2.1.1 Monitoramento de Pragas...........................................................................
26
5.2.1.2 Monitoramento de Doenças........................................................................
28
5.2.1.3 Controle Químico: Aplicação Aérea de Agrotóxicos....................................
30
5.2.1.4 Estimativa de Produtividade........................................................................
31
5.2.1.5 Perdas Ocasionadas por Animais...............................................................
32
5.2.2
Plantio de Cana-de-açúcar (Saccharum sp.).....................................
33
5.2.3
Ensilagem..........................................................................................
35
6
Considerações Finais........................................................................
38
7
Conclusão..........................................................................................
38
8
Análise Crítica....................................................................................
39
9
Bibliografia Consultada......................................................................
40
vii
Lista de Tabelas
1 Área de pastagens, efetivo bovino e taxa de lotação do estado do MS...........
6
2 Composição da Ração Creep-feeding da Fazenda Paquetá...........................
18
viii
Lista de Figuras
1
Localização do Município de Ponta Porã no estado do Mato Grosso do Sul.....
2
Precipitação pluviométrica (mm) anual registrada na estação experimental da
Fundação MS no período de 1993 a 2007. Maracaju- MS.................................
3
3
Precipitação pluviométrica (mm) mensal no ano de 2007 e média mensal de
(1993 a 2007) na estação experimental da Fundação MS. Maracaju- MS.......
4
2
3
Representação Esquemática da Distribuição do Latossolo Vermelho-Escuro
no Brasil..............................................................................................................
4
5
Sede Agrícola da Fazenda Paquetá, Ponta Porã- MS.......................................
8
6
Retiro Bocajá- Fazenda Paquetá, Ponta Porã- MS............................................
9
7
Disponibilidade forrageira na Região Centro-Oeste durante o ano...................
14
8
Pastagem de MG5 com crescimento excessivo................................................
15
9
Semeadura de braquiária em lavoura de soja....................................................
16
10
Aguadas e saleiros nas pastagens.....................................................................
17
11
Excesso de lama acumulada no confinamento em período chuvoso.................
20
12
Pragas da cultura da soja; a) Euschistus heros; b) Heliothis virscens;
c) Pseudoplusia includens; d) Anticarsia gemmatalis. .......................................
27
13
Área de soja em que as capivaras se alimentam...............................................
33
14
Plantio mecanizado de cana-de-açúcar.............................................................
34
15
Ensilagem: a) Corte da forragem; b) Preparação do inoculante;
c) Cobertura do silo ; d) Compactação;..............................................................
ix
37
1. Introdução
A Fazenda Paquetá situa-se no município de Ponta Porã- MS e vem atuando a
mais de 30 anos no ramo agropecuário, sempre na busca de índices produtivos
crescentes.
Nesta
fazenda,
inicialmente
havia
apenas
cultivo
de
lavoura.
Posteriormente, iniciou no ramo pecuário e, após erros e acertos, hoje ambas as
atividades andam juntas com a prática de Integração Lavoura-pecuária (ILP).
A ILP está tendo uma grande repercussão não só no Brasil, mas em todo o
cenário mundial em função da necessidade populacional de maior sustentabilidade
nos sistemas produtivos e também pela necessidade da produção de alimentos, uma
vez que a pecuária é uma atividade de maior estabilidade quando comparada com a
agricultura e sua oscilação produtiva em função de intempéries climáticas.
O rebanho bovino da fazenda é da raça Nelore e possui alta genética, que
iniciou na aquisição dos animais e vem sendo aperfeiçoada com o programa de
seleção praticado na fazenda (Gensys). A busca pela precocidade dos reprodutores e
a participação na Conexão Delta G Norte tornam a Fazenda Paquetá uma referência
do setor produtivo em função da comercialização de reprodutores e sêmen, além de
carne de animais jovens, com maior maciez e qualidade.
A Fazenda Paquetá também atua na produz grãos, soja e milho, para
suplementação do próprio rebanho e também para comercialização. Para isto há uma
completa estrutura de armazenagem e beneficiamento de grãos e maquinário agrícola
para que as atividades possam ser realizadas no período ideal.
O estado do MS possui clima favorável e grandes extensões de terras
produtivas para o desenvolvimento da agricultura e pecuária. Para continuar obtendo
bons índices produtivos e mantê-los ao longo do tempo, é necessário o respeito ao
ambiente e uma exploração sustentável, com várias técnicas associadas. Isto foi
notável na Fazenda Paquetá, em função da preocupação com conservação do solo e
também o respeito às áreas de preservação ambiental.
1
2. Caracterização Regional e Municipal
O município de Ponta Porã pertence ao estado do Mato Grosso do Sul, região
Centro-Oeste do Brasil. Localizado na mesorregião do Sudoeste do estado e na
Microrregião
de
Dourados,
faz
divisa
ao
norte
com Antônio
João, Bela
Vista, Jardim e Guia Lopes da Laguna; ao sul com Aral Moreira e Laguna Carapã; ao
leste com Dourados e Maracaju e ao oeste com a República do Paraguai (Figura 1).
Figura 1 Localização do Município de Ponta Porã no estado do Mato Grosso do Sul.
(Fonte IBGE 2008)
2.1
Clima
Em Ponta Porã predomina o clima tropical de altitude denominado Cwa,
segundo a classificação climática de Köppen. Trata-se de clima temperado úmido
com inverno seco e verão quente e chuvoso e precipitação média anual de
aproximadamente 1.660 mm (Figura 2) e temperatura média anual de 20,6 °C. O mês
mais quente é fevereiro, com temperatura média de 23,6 °C, e o mês mais frio é julho,
com média de 16,4 °C. Os meses mais chuvosos são novembro, dezembro, janeiro e
2
fevereiro com média de 212 mm, enquanto o mês mais seco é julho, com média de
55 mm, conforme ilustrado na Figura 3. Há ocorrência de geadas nos meses de junho
e julho, podendo ocorrer também em agosto e setembro (FUNDAÇÃO MS).
Figura 2 Precipitação pluviométrica (mm) anual registrada na estação experimental da Fundação MS no
período de 1993 a 2007. Maracaju- MS. (Fundação MS, 2008)
Figura 3 Precipitação pluviométrica (mm) mensal no ano de 2007 e média mensal de (1993 a 2007)
na estação experimental da Fundação MS. Maracaju- MS.
(Fonte: Fundação MS, 2008)
3
2.2
Relevo e Solo
O município de Ponta Porã faz parte da Bacia do rio Dourados, que apresenta
2
uma área de aproximadamente 10.080 km , e seu rio principal possui uma extensão
de 280 km. A bacia apresenta uma topografia plana e levemente ondulada e em geral
solos férteis (BENEVENTO, 2006).
Na região ocorrem predominantemente os Latossolo Vermelho- Escuro com
predominância de Latossolo Roxo, em suas imediações. O Latossolo VermelhoEscuro é formado a partir de uma grande diversidade de materiais de origem,
possuem grande variabilidade em seus teores de argila. As áreas de domínio deste
tipo de solo confirmam a grande potencialidade agrícola, devido à fertilidade natural
do solo ou pela facilidade de resposta à correção e também pela ampla possibilidade
de mecanização por ocorrer principalmente em áreas de topografia plana ou
suavemente ondulada. A distribuição no Brasil ocorre conforme a Figura 4, nos
estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Mato
Grosso e Rio Grande do Sul.
Figura 4 Representação Esquemática da Distribuição do Latossolo Vermelho-Escuro no Brasil.
(Fonte: KER, 2011)
4
2.3 Vegetação
Tem
em
sua
vegetação
a
predominância
dos campos limpos
como
característica do município, formado por grandes áreas de gramíneas rasteiras,
constituindo as famosas pastagens naturais fazendo parte do Bioma Cerrado e Mata
Atlântica (IBGE 2006).
2.4 Aspectos Socioeconômicos
A população do município de Ponta Porã, segundo Censo do IBGE em 2010, é
de 77.866 e densidade demográfica de 14,61 habitantes por km², dos quais
89% moram na zona urbana e apenas 11% na zona rural. A estrutura fundiária da
zona rural é caracterizada por médias a grandes propriedades.
A pecuária do MS é um dos principais segmentos da economia estadual, sendo
sua contribuição ao PIB de R$ 525 milhões, representando 30% do setor primário da
economia e 5% do PIB do Estado. O rebanho de MS, com cerca de 22 milhões de
cabeças, representa 15% do rebanho brasileiro. Deste rebanho, são abatidas mais de
4 milhões de cabeças por ano, recriadas ou engordadas dentro ou fora do Estado. A
produção de carne é de aproximadamente 860 mil toneladas, com um valor de
mercado de US$ 1,4 bilhão (IBGE, 2006).
A atividade de pecuária bovina em MS é exercida por 39.960 produtores e
ocupa uma área de 21.810.708 hectares (IBGE, 2006). Os dados da Tabela 1 indicam
que a área total de pastagem praticamente permaneceu inalterada no período de
1985 a 1995, mas houve uma redução de 37% na área de pastagens nativas e, por
outro lado, a área de pastagens cultivadas cresceu 29%. Neste mesmo período, o
rebanho cresceu 31% e a taxa de lotação média do Estado passou de 0,7 cabeças
para 0,9 cabeças por ha.
5
Tabela 1 Área de pastagens, efetivo bovino e taxa de lotação do estado
do MS. (Fonte: IBGE 2006)
Valores
Ano
1985
Pastagem cultivada (ha)
1995
12.144.529
15.727.930
9.658.224
6.082.778
Total (ha)
21.802.753
21.810.708
Efetivo bovino (cabeças)
15.017.906
19.754.356
0,7
0,9
Pastagem nativa (ha)
Lotação média (cabeça/ha)
Além da pecuária, o MS também grande destaque na produção de soja. A
região de Dourados faz parte da zona de expansão consolidada com cultivo anual de
em torno de 600 mil ha, o que faz do MS um dos maiores produtores de soja do país
(IBGE, 2006).
3. Fazenda Paquetá
3.1 Localização da Propriedade
A Fazenda Paquetá localiza-se no município de Ponta Porã- MS e situa-se às
margens da rodovia BR 463 no km 36, a aproximadamente 40 km da cidade de
Dourados e a 90 km da cidade de Ponta Porã.
A fazenda tem uma área total de aproximadamente 13.000 ha, das quais 23%
são áreas de preservação da Reserva Legal, em sua maioria cercadas para que o
gado não tenha acesso. Isto garante seu enquadramento na Lei Federal nº 4.771,
de 15 de setembro de 1965 do Código Florestal Nacional, que exige uma área de
preservação de no mínimo 20% da área total da propriedade.
A região em que a Fazenda Paquetá está situada, próximo ao município de
Dourados, é significativa na produção agropecuária do Estado de MS (IBGE, 2006).
6
3.2
Histórico
O grupo Paquetá é uma empresa do setor coureiro- calçadista que se instalou
no MS em 1971 para investir em agropecuária. Neste ano foi adquirida a Fazenda
Paquetá, no município de Ponta Porã- MS, que desenvolve a seleção genética da
raça Nelore. Em 1981 foi adquirida a Fazenda Cedro, também em Ponta Porã, que
cuida do programa de seleção da raça Angus e Brangus. Em 1983, o grupo adquiriu a
Fazenda Dom Arlindo, no município de Naviraí- MS, que é responsável pelo programa
de seleção genética das raças Hereford e Braford.
A Fazenda Paquetá, nos primeiros anos após a sua instalação, iniciou o
desmatamento para a abertura de novas áreas para o cultivo de lavouras de soja e
milho, e este foi o foco durante vários anos. Atualmente, o grupo Paquetá trabalha na
produção e melhoramento genético das raças bovinas, anteriormente mencionadas
utilizando a integração lavoura-pecuária como ferramenta de apoio.
A produção pecuária na fazenda teve início no ano de 1975, com fêmeas e
machos da raça Nelore adquiridos de diversas fazendas dos municípios de Ponta
Porã- MS e Dourados- MS. Em 1992 se iniciou a prática de inseminação artificial no
rebanho Nelore, visando o melhoramento do rebanho na propriedade. Em 1996, com
o assessoramento da GenSys, as fazendas do Grupo Paquetá deram início ao
Programa de Melhoramento Genético Animal, com a seleção de animais para
precocidade e habilidade materna, visando a produção de reprodutores para
comercialização de machos, sêmen e carne de melhor qualidade (novilho precoce). A
fazenda integra o Grupo Conexão Delta G Norte que é formado pela associação de
24 empresas, num total de 50 fazendas brasileiras. Esta associação de pecuaristas
usa tecnologias de manejo e melhoramento genético que permitem melhorar a
rentabilidade da pecuária de corte através da produção
A Agropecuária Paquetá desenvolve o projeto de matrizes super precoces,
marca New Gen® na busca de precocidade reprodutiva. O projeto teve inicio em
2004, quando um grupo de bezerras estava com 253 kg aos 7 meses de idade, sendo
suplementadas com ração com consumo de 0,4% PV em sistema de creep-feeding.
Então, o diretor operacional observou que tinham 4 meses para ganhar 40 kg e
estariam prontas para entrar na estação de monta de primavera. Daí nasceu a idéia
do Projeto New Gen, voltado para o desafio da prenhez Nelore com 12 a 14 meses de
7
idade. Em quatro anos de existência, mais de 1.500 matrizes emprenharam com 1
ano de idade, apresentando taxas de prenhez média de 57%.
O grande desafio foi a reconcepção, considerada a fase crítica, devido ao fato
dos animais estarem em crescimento (21 a 24 meses de idade), lactando com cria ao
pé e precisando emprenhar na próxima estação de monta. Os resultados foram
satisfatórios com taxa de reconcepção de 64,3%, no segundo ano com uso da técnica
de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). Nas vacas primíparas o índice subiu
para 72% e no quarto ano e com a inclusão de gordura protegida na dieta a taxa
chegou a 83,64%. Já nas multíparas New Gen o índice atinge 91% em média.
O atual objetivo da Fazenda Paquetá é fornecer ao mercado carne de
qualidade e genética superior para a produção a campo, aliada à rusticidade da raça
Nelore. No ramo agrícola o objetivo é a produção de grãos para consumo na fazenda
e para comercialização, além de cana-de-açúcar e pastagens para o rebanho bovino.
3.3 Estrutura Física e Mecanização
A Fazenda Paquetá tem uma sede agrícola (Figura 5) onde estão localizadas
as seguintes instalações: o escritório, uma balança de pesagem, a oficina para
manutenção geral da fazenda, o depósito de defensivos, o depósito para embalagens
de defensivos, o secador e o armazém de grãos, o posto de abastecimento de
combustível e óleo lubrificante, a garagem das máquinas, o refeitório, os alojamentos
para visitantes e estagiários e 20 casas para funcionários.
Figura 5 Sede Agrícola da Fazenda Paquetá, Ponta Porã- MS. (Fonte: Agropecuária Paquetá, 2011)
8
Além disto, existem mais 5 retiros em que são distribuídas 30 casas de
funcionários. No retiro Bocajá (Figura 6) encontram-se silos, escritório e balança,
depósito de máquinas, depósito de sementes, armazém e fábrica de ração. No retiro
da Usina há uma usina hidrelétrica que fornece energia para 90% da fazenda. Nos
demais, sede da Pecuária, São Francisco, Roda d’Água, Cabo e Confinamento
existem mangueiras de manejo. Em cada retiro mora o capataz e os peões, o que
facilita o manejo do rebanho e também aumenta o comprometimento dos funcionários
no melhoramento de sua área e no manejo dos animais de cada retiro.
Figura 6 Retiro Bocajá- Fazenda Paquetá, Ponta Porã- MS. (Fonte: Peter, F.)
Na mecanização da fazenda são utilizados 18 tratores (14 a 140 CV), 6
colheitadeiras, 7 caminhões e 3 caminhonetes. Os implementos são 10 plantadeiras
para plantio direto (9 a 13 linhas), duas enfardadeiras, duas ensiladeiras, dois
distribuidores de adubo, 14 grades e 3 pé de patos, dentre outros equipamentos.
3.4 Atividades da Empresa
Atualmente a fazenda está mais voltada para o ramo pecuário, trabalhando na
cria, recria e terminação, utilizando um rebanho da raça Nelore submetido a um
intenso programa de seleção genética por precocidade e fertilidade. O objetivo é
9
comercializar reprodutores, matrizes e sêmen e também oferecer ao mercado carne
de qualidade.
A fazenda conta com um Zootecnista- Helio de Biasi (Gerente da Pecuária), um
Engenheiro Agronômo- Daniel Stoffel (Gerente da Agrícola) e um Médico VeterinárioVinicius Dutra (Subgerente). Cada retiro da pecuária da fazenda possui um capataz
responsável pela execução das atividades de manejo do gado e a coordenação do
grupo de peões. Este trabalho é orientado pelo Zootecnista, sendo que os peões
participam em cursos de capacitação técnica relacionados com castração,
inseminação e avaliação genética. Já os partos distócicos, diagnóstico de gestação,
exame andrológico e demais casos clínicos são de responsabilidade do médico
veterinário da fazenda.
O rebanho total da fazenda, com cria, recria e engorda é de aproximadamente
13 mil cabeças. Este rebanho é manejado em pastagens cultivadas utilizando a
suplementação como ferramenta de manejo nutricional, conforme a categoria animal.
No ramo agrícola há produção de soja, milho e pastagens cultivadas de sorgo e
aveia, que além do ganho direto da lavoura na comercialização da safra, também há o
ganho indireto na pecuária com o fornecimento de suplementos e também melhora de
áreas de pastagens degradadas com rotação de culturas, que faz da ILP uma
importante aliada para o funcionamento, aperfeiçoamento das atividades realizadas e
lucratividade da fazenda.
A utilização da ILP tem trazido benefícios na pecuária devido ao aumento da
fertilidade do rebanho.
Nas matrizes (classe em que estão as categorias mais
exigentes da fazenda: primíparas e multíparas) tem-se observado bons índices de
prenhez: 54% das fêmeas emprenharam aos 18 meses (são precoces), 35% das
fêmeas emprenharam aos 12 meses (são super precoces e denominadas de New
Gen) e só 11% das fêmeas (vacas velhas) emprenharam aos 24 meses de idade.
10
4 Estado da Arte
4.1 Pecuária
Atualmente, segundo a ABIEC, o Brasil tem um rebanho bovino de mais de 190
milhões de cabeças, que está em crescimento contínuo e também apresenta avanços
nos índices de produtividade. Além disto, o custo de produção da carne bovina no
Brasil fica dentre os mais baixos do mundo e traz uma grande vantagem competitiva
ao país. A pecuária tem uma grande representatividade no agronegócio brasileiro,
gerando faturamento de mais de 50 bilhões de reais por ano e oferece em torno de
7,5 milhões de empregos. Em 2008, o Brasil foi o maior exportador de carne bovina
do mundo, exportando para mais de 170 países (ABIEC, 2011).
O desafio da cadeia produtiva da carne bovina é, além de manter o país como
líder neste mercado, transformar a carne brasileira num produto com valor agregado,
e não em mais uma commodity. Para solucionar este impasse é necessária uma
maior organização do setor produtivo (ABIEC, 2011).
O Brasil detém o maior rebanho bovino comercial do mundo, composto por
cerca de 80% de animais de raças zebuínas (Bos indicus) e de 20% de raças taurinas
(Bos taurus), sendo que a raça Nelore constitui cerca de 90% dos animais zebuínos
existentes no rebanho Brasileiro (ABIEC, 2011).
A rusticidade do Nelore lhe confere resistência ao calor, a doenças e parasitas.
Pêlos curtos e finos (facilidade na perda de calor) e pele com melanina (proteção
contra raios ultravioletas) tornam os zebuínos, em condições tropicais e/ou
subtropicais, altamente eficientes para produção de carne.
As orelhas e barbela
também contribuem para a perda de calor pelo aumento da superfície corpórea. Outro
fato importante é a boa adaptação ao esquema extrativista da pecuária brasileira que
se dá principalmente com alimentação a pasto. As raças européias conferem maior
marmoreio à carne quando comparadas com raças indianas, como o Nelore. Muitos
programas de melhoramento implantados no Brasil vêm buscando maior precocidade
e qualidade da carne de Nelore, de modo a preencher as demandas dos mercados
importadores, principalmente da Rússia e dos países árabes (ABIEC, 2011).
11
A extensão territorial, as condições climáticas e os programas voltados para
garantir a sanidade animal e a segurança alimentar fazem do Brasil um dos países
com maior potencial para produção e exportação de carne bovina. A rastreabilidade
na cadeia produtiva começa na fazenda e vai até a indústria frigorífica, desde a
recepção e abate dos animais, até o processamento, estocagem e expedição dos
produtos, conforme o Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e
Bubalinos (SISBOV).
A carne bovina proveniente de animais criados a pasto tem sido cotada como
uma das mais nutritivas. Várias pesquisas concluíram que o produto contém
concentrações elevadas de β-caroteno e α-tocoferol, maiores concentrações de
ácidos graxos Omega 3, melhor relação de ácidos graxos Omega-3: Omega-6, e altas
concentrações de ácido linoléico conjugado, todas estas substâncias sabidamente
com efeitos favoráveis à saúde humana (ABIEC, 2011).
4.2 Agricultura
A cultura da soja, que, embora introduzida e melhorada para áreas bem
drenadas no Brasil, é uma espécie originária de áreas alagadiças do norte da China
(Evans, 1996).
A soja e seus derivados constituem um dos produtos agrícolas mais
comercializados em termos mundiais, pela sua importância como insumo em diversos
segmentos
da
cadeia
agroindustrial.
É
um
dos
produtos
agrícolas
mais
comercializados no mundo, provavelmente devido à variedade de formas de
consumo, que se estendem desde alimentação (humana e animal) até a indústria
farmacêutica e siderúrgica. Essa diversidade é possível porque as indústrias de
processamento de soja produzem co-produtos, farelo e óleo, que se constituem em
importante matéria prima para diferentes setores industriais. (Freitas et al., 2001).
A produção de soja tem sido crescente nos últimos anos em conseqüência da
aplicação de tecnologia, uso de materiais genéticos de maior potencial produtivo e da
crescente profissionalização dos produtores rurais. No entanto, na maior parte dos
anos, a freqüência e a intensidade das chuvas no período do desenvolvimento da soja
e a ocorrência de déficit hídrico tem sido as principais causas de perdas agrícolas na
região, pois na safra de verão ocorrem, com freqüência, veranicos e estiagens, devido
12
à grande demanda evapotranspirativa e distribuição irregular das chuvas (Fietz,
2001).
A rotação lavoura-pastagem aparece como uma estratégia mais promissora
para desenvolver sistemas de produção. Existe grande quantidade de trabalhos
realizados que mostram o efeito danoso, acarretado por vários anos de agricultura
contínua, sobre várias propriedades do solo. O efeito é revertido, à medida que
aumenta o número de anos sucessivos com pastagens.
5 Atividades Desenvolvidas
Foram acompanhados todos os manejos realizados no período de janeiro e
fevereiro de 2011, bem como a rotina diária da fazenda no campo e no escritório
(administração).
As
atividades
da
pecuária
e
agricultura
serão
descritas
separadamente, com a relação entre ambas as áreas.
A aprendizagem foi além das atividades desenvolvidas no período, pois foram
bastante discutidas com os gerentes as atividades que são realizadas em outras
épocas do ano. Já que estas são importantes para a compreensão do sistema
produtivo, também serão descritas.
5.1 Pecuária
Há uma grande preocupação no manejo do rebanho, principalmente por se
tratar de Nelore que possui uma grande reatividade. Em todos os manejos realizados
sempre foi salientada a importância em não estressar os animais, sendo esse um dos
fatores importantes para o aumento da produtividade. Para capacitar os funcionários
são ministrados cursos sobre comportamento animal, instruindo o uso de um “manejo
calmo” durante as operações, principalmente nas que implicam a concentração de um
grande número de animais dentro da mangueira. As operações devem ser feitas com
calma, sem gritos, sem presença de cachorros e sem uso de instrumentos
contundentes, pois isto diminui o estresse dos animais e a liberação de hormônios
como a adrenalina, que acarretam em perda de peso.
13
5.1.1 Manejo das Pastagens e Suplementação a Campo
O rebanho Nelore, de aproximadamente 13 mil cabeças, da Fazenda Paquetá
necessita de bom planejamento alimentar para que seja possível um bom
desenvolvimento e também retorno econômico da atividade pecuária. Para isto o
rebanho é manejado em pastagens cultivadas que fornecem qualidade e
principalmente quantidade de forragem durante o ano todo, sendo que possíveis
deficiências na qualidade podem ser corrigidas com a suplementação.
O Centro-Oeste possui clima bem definido, por isto as forrageiras tem um pico
de produção que é seguido por outro de déficit, como pode-se observar na figura 7.
Figura 7 Disponibilidade forrageira na Região Centro-Oeste durante o ano.
Fonte: Agropecuária Paquetá, 2011
Na primavera até o outono há uma boa disponibilidade forrageira. Este pasto
deve ser bem manejado para que nos meses de junho a setembro, período mais frio e
seco do ano em que há redução da qualidade e do crescimento das pastagens, ainda
seja possível ter uma boa disponibilidade de forragem nos piquetes. No final do
outono os potreiros são diferidos de modo a ter forragem disponível para ser utilizado
durante o inverno. A forragem acumulada durante o diferimento é denominada “feno
em pé” e apresenta baixo teor protéico e alto teor de fibra, sendo necessário utilizar
sal mineral proteinado como suplemento, para melhorar a digestão e aproveitamento
desta fibra pelo animal.
14
As pastagens são compostas principalmente por Brachiaria spp. manejadas em
pastejo rotacionado de acordo com a observação diária dos capatazes de cada retiro.
É usada uma lotação de aproximadamente 2,2 U.A. (Unidade Animal) por ha ou uma
carga de 990 kg/ha com um período de ocupação variado de acordo com a categoria
animal e a época do ano.
Por alguns períodos é feita a vedação do pasto para aumentar a massa de
forragem e para dar um período de escape para a pastagem, como é o caso da
Brachiaria humidicula, em que algumas áreas permanecem sem pastejo no verão
para usar no inverno para vacas amojadas (perto do parto). Esta possui baixo poder
nutricional, mas elevada produção de massa, então é fornecido sal e uréia para
aumentar a digestibilidade. Não há praticamente ganho de peso, mas mantém a
condição corporal durante as condições adversas do período de inverno.
Após a implantação de uma nova pastagem ela é avaliada por no mínimo cinco
anos para ver sua adaptação e qualidade. Foi possível observar que a B. brizantha
cultivar MG-5 não teve boa aceitação pelo gado, pois as manchas de outras
gramíneas da área estavam fortemente pastejadas enquanto ela estava alta e
lignificada (Figura 8).
Figura 8 Pastagem de MG5 com crescimento excessivo. Fonte: Peter, F.
A intensidade de pastejo deve ser bem manejada, porque com o crescimento
excessivo ocorre a lignificação. Já a Brachiaria brizantha cultivar MG-4 ocupa uma
15
área de aproximadamente 50% da fazenda, pois teve boa adaptação e tolera alguns
erros de manejo.
A semeadura de Brachiaria ruziziensis foi realizada com avião agrícola nas
áreas em que a lavoura de soja já estava maturando (estádio reprodutivo R7) (Figura
9). Foram semeados 280 ha com B. ruziziensis, com 15 kg de semente peletizada
por ha e com 60% de poder germinativo. A queda natural das folhas de soja propicia
um bom desenvolvimento das sementes, em função da umidade, matéria orgânica e
nutrientes que são liberados rapidamente devido à baixa relação carbono/ nitrogênio
da cultura. Após a colheita da soja a pastagem já está em fase de desenvolvimento
bem avançada para posterior entrada de bezerros desmamados (pastagem de boa
qualidade e disponibilidade).
Figura 9 Semeadura de braquiária em lavoura de soja. (Fonte: Peter, F.)
A braquiária tem boa adaptação e alta produção de massa, a B. Ruziziensis
fornece 150 dias de pasto (de julho a novembro) para bezerras desmamadas com
lotação de 4 U.A. por ha quando inicia a monta até fevereiro. O ganho diário é menor
quando comparada com uma pastagem de aveia, mas por um período maior, porque
a aveia só é usada até agosto.
Todas as áreas de pastagem possuem aguadas e cochos para suplementação,
a maioria construídos em praças de alimentação que facilitam o manejo (Figura 10).
16
Figura 10 Aguadas e saleiros nas pastagens. (Fonte: Peter, F.)
As pastagens não são adubadas, após alguns anos de exploração é feita uma
sucessão com lavoura, em geral soja, para melhorar as condições químicas e físicas
do solo. Os custos da adubação são pagos pela comercialização da produção
agrícola ou pelo uso na alimentação animal.
Para suprir os nutrientes que faltam nas pastagens é feita a suplementação a
campo com sal e concentrados. Estas suplementações a campo têm permitido a
melhora dos índices reprodutivos do rebanho. A média de prenhez num período de 6
anos foi de 62%,com acasalamento dos 12 aos 14 meses, e 70 % de reconcepção.
Diariamente foram fornecidos 4 sacos (100 kg)
para aproximadamente 90
vacas de primeira e segunda cria. Fêmeas de mais de 3 anos recebem
suplementação diferenciada na estação de monta (EM). A casca de soja (rica em
pectina) é fornecida para vacas de primeira cria e tem baixo custo de compra- R$
180,00 por tonelada. O fornecimento de casquinha de soja para um grupo de manejo
de vacas multíparas elevou o índice de prenhez na Inseminação Artificial em Tempo
Fixo (IATF) para 65%, enquanto os outros grupos tiveram em média 55% de prenhez.
Os bezerros recebem a suplementação ou creep-feeding, do nascimento ao
desmame, que ocorre com aproximadamente 7 a 8 meses de idade. Este tipo de
suplementação visa melhorar o crescimento do bezerro e diminuir as exigências
nutricionais da vaca para lactação, disponibilizando mais energia para a reconcepção.
O suplemento fornecido tem uma formulação que pode variar ao longo do ano de
acordo com o valor dos produtos, mas em geral tem um percentual de proteína bruta
17
(PB) de 25% e 70% de nutrientes digestíveis totais (NDT), (Tabela 2), sendo fornecida
numa quantidade equivalente a 0,4 % de peso vivo (PV).
Tabela 2 Composição da Ração Creep-feeding da Fazenda Paquetá.
Ração Crep-feeding
Ingredientes
Percentual
Quantidade
%
kg
Millho
47,90
479,00
Farelo de Soja
40,00
400,00
Núcleo Desmama
7,00
70,00
Melaço em Pó
2,50
25,00
Carbonato de Cálcio
1,50
15,00
Sal Branco
1,00
10,00
Flavorizante
0,10
1,00
100,00
1.000,00
Total
Após o desmame, com média de peso de 232 kg, continuam recebendo ração
a 0,4 % do PV. O desmame é racional, os bezerros são retirados de 20 em 20 dias,
assim o estresse dos animais é reduzido. Então os bezerros são separados em
grupos de machos e fêmeas.
A avaliação genética de desmama é realizada conforme o Grupo de Manejo
(GM) que é definido na maternidade, para que seja possível avaliar os animais sob a
mesma condição ambiental (avaliação Gensys). Dos machos, 50% dos animais são
descartados, os outros 50% são avaliados ao sobreano com 14-16 meses e apenas
10% permanecem para serem usados como reprodutores na fazenda ou para venda.
Os tourinhos de um ano recebem sal no cocho e também é adicionado um
produto homeopático para controle da sodomia.
5.1.2 Confinamento
A lotação utilizada é de 66 animais por m², com uma área de 100m de
profundidade e 66 metros de cocho. A dieta é fornecida duas vezes ao dia, as 5 horas
e as 14 horas, em cochos de concreto que são limpos diariamente.
18
Para melhor adaptação dos animais ao confinamento existem áreas mais altas
denominadas de “morunduns” para dormir em local seco e proteger do vento no
inverno e também correntes e troncos para os animais se coçarem e brincarem e
assim diminuir o estresse e a quebra de cercas. O problema que deve ser corrigido é
a ausência de sombra disponível no confinamento, pois isto provoca desconforto
térmico dos animais que pode acarretar na redução dos ganhos de peso e fertilidade
na EM.
Foram confinadas 1.200 novilhas de 12 meses em monta natural (1 touro para
25 vacas) por 90 dias. O custo da alimentação das novilhas confinadas na estação de
monta com touro é de R$ 1,80 por dia para um ganho de 480 g diários. Nesta fase os
animais recebem uma dieta balanceada composta por 60% de volumoso (silagem) e
40% de concentrado, fornecida diariamente no cocho mediante um vagão forrageiro.
No confinamento também estavam na terminação animais descartados após a
avaliação genética, touros descartados depois do exame andrológico ou por
problemas locomotores e também vacas descartadas no exame ginecológico.
A média do peso ao abate, no frigorífico JBS de Naviraí- MS, de 100 vacas
nascidas em 2008 foi de 413,80 kg. As vacas vazias foram ao abate após
confirmação com ultrassonografia, para ter certeza de que realmente não estavam
prenhas. Estas vacas deviam ter parido de agosto a novembro de 2010 já que no
toque foram dadas como prenhas, mas deve ter ocorrido o aborto do feto ou morte do
bezerro posterior ao nascimento em função de pouca habilidade materna. Então,
foram terminadas em confinamento para o abate. Foram separadas por anos
(carimbos 08 e 07, 05,06) para remuneração diferenciada em função da idade do
animal. O Governo do Estado do MS dá uma premiação pelo abate de animais
precoces.
Outro lote destinado ao abate foram 107 vacas com média de 310 kg com
carimbo 2009. Os animais com 330 kg ou mais foram embarcados, os demais
permanecerão mais um período no confinamento. Estes animais foram descartados
por não atenderem às características genéticas, como cola branca, aprumo, chanfro,
despigmentado e/ ou características reprodutivas, como problemas na formação do
aparelho reprodutivo feminino e reprovação no exame ginecológico em outubro.
19
Neste período ocorreram precipitações pluviométricas acima da média que
dificultaram o manejo dos animais confinados em função do acúmulo de lama (Figura
11), principalmente na extensão dos cochos, o que dificulta o acesso dos animais à
alimentação.
Figura 11 Excesso de lama acumulada no confinamento em período chuvoso. (Fonte: Peter, F.)
5.1.3 Manejo Sanitário
O manejo sanitário é realizado de acordo com um calendário previamente
estipulado pelo gerente da pecuária para permitir maior controle de endoparasitas,
ectoparasitas, além de prevenir a ocorrência de outras enfermidades e buscando a
otimização dos manejos em mangueira.
Para otimizar o manejo de mangueira junto com a detecção de prenhez foi
realizada a vacinação contra leptospirose e raiva e foram administrados vermífugos. A
vacina contra aftosa não é feita neste período porque dá febre nas vacas por 10 dias
e pode ocasionar abortos.
Para controle de parasitas os terneiros recebem ao nascimento recebem 1 ml
de Doramectina 1% para evitar bicheiras e também para diminuir os casos de tristeza
parasitária causada pela infestação de carrapatos.
20
5.1.4 Manejo Reprodutivo
A Fazenda Paquetá insemina 80% das matrizes em 30 dias com Inseminação
Artificial de Tempo Fixo. O custo médio da IATF por vaca é de R$30,00 e esta é
usada apenas em vacas com escore de condição corporal (ECC) acima de 2,5 porque
a técnica é de custo elevado quando se obtém baixos índices de prenhez. Para
redução de despesas o implante de progesterona é usado por até quatro vezes
mesmo que a recomendação seja de apenas três, mas segundo as observações não
houve redução da prenhez em função disto. A concentração da prenhez em um único
período concentra também a época de parição no período em que há maior
disponibilidade de pasto, na primavera.
A Fazenda Paquetá investe na IATF em função dos ganhos diretos e indiretos
proporcionados, como o aumento das vacas inseminadas (acima de 60%), aumento
de ganho genético e paternidade conhecida, redução no ciclo da produção de carne
(aumento de peso de desmama/ aumento de peso de abate/diminuição do tempo de
abate), concentração de nascimentos (início da estação de parição), diminuição do
período de estação de monta, aumento na reconcepção de novilhas e primíparas
(principalmente das New Gen), padronização de lotes e permite a utilização de mão
de obra em outras atividades rotineiras da fazenda.
Para que seja possível inseminar o rebanho em um curto período de tempo os
peões são qualificados com cursos e instruções de higiene. Cada peão pode
inseminar por lote no máximo 20 vacas, em função de observações feitas na queda
do rendimento pelo cansaço ou pressa no final. Para o controle, as informações são
armazenadas em planilhas onde constam os dados sobre o número da vaca
inseminada, sêmen usado, nome do inseminador e data. Posteriormente, com a
avaliação de prenhez, é possível observar os índices de cada inseminador e corrigir
os erros, já que se trata de custos e índices produtivos.
Posterior à IATF é feito o repasse com touros durante 90 dias, de 02 de
novembro a 02 de fevereiro aproximadamente, podendo ser alguns dias a mais para
fechar o ciclo de 21 dias e não perder o cio das vacas. Os machos passam por exame
andrológico no mês de setembro e podem entrar na EM com até 1 ano de idade se
forem aprovados no exame andrológico. Para as novilhas de 12 meses são usados
touros de 2 anos de idade.
21
O exame andrológico é realizado todo ano em setembro, antes da estação de
monta. Ele é muito importante para avaliar a aptidão e capacidade reprodutiva do
touro sendo avaliados histórico, problemas físicos, exame genital por palpação,
exame de sêmen e exame do comportamento sexual, mediante o Teste de
Capacidade de Serviço (TCS) para observação do libido.
Para melhorar ainda mais a fertilidade das fêmeas com terneiro ao pé também
é usado o “Shang”, prática em que o bezerro é separado da mãe por 48 horas na
estação de monta (EM) com touro para estimular o aumento dos picos do hormônio
LH. Esta prática é realizada em vacas nascidas em novembro (independentemente da
idade). Na IATF, o desmame pode ser usado após a retirada do CIDR (implante de
progesterona) e pode ser realizado a cada 20 dias.
Para selecionar os animais que realmente são super precoces e conseguem
emprenhar sem o estímulo da aplicação de hormônios é realizada a monta natural
para novilhas com 12 meses de idade. Se a novilha emprenhar entra para o grupo
das New Gen (super precoces). Se não emprenhar é colocada em monta pela
segunda vez em abril-maio aos 16-18 meses e com média de 340 kg. Se a novilha
emprenhar aos 18 meses entra no grupo das precoces.
A vantagem das matrizes que emprenham com 18 meses é que no próximo
período os animais estão sem bezerro ao pé e 90% delas ficam prenhes enquanto no
grupo das New Gen só emprenham 70% dos animais. A desvantagem é que
desmama um bezerro leve porque passa com bezerro ao pé em uma época em que a
disponibilidade de pasto é menor.
Após a EM as novilhas saíram do confinamento e foram para pastagem de
Brachiaria brizantha cultivar MG4 (área implantada há 6 anos) que estava vedado
desde dezembro, área subdividida em 300 ha para até 700 animais. Permanecem no
local até o mês de agosto, quando vão para outra área para a parição.
Se a novilha emprenhar com 12 meses o custo é R$650,00 e se emprenhar
com 18 meses custa R$ 900,00. Se emprenhar com 2 anos já dando prejuízo e por
isso são eliminadas do rebanho.
O diagnóstico de gestação foi realizado por médico veterinário da fazenda, no
mês de janeiro, com aparelho de ultrassonografia que detecta a prenhez após no
mínimo 30 dias de fecundação. No próximo diagnóstico de gestação as vacas que
22
não emprenham na IATF e nem na EM serão eliminadas do rebanho, visto que as
outras sob as mesmas condições de manejo puderam emprenhar.
No período de parição, as vacas que estão amojando, ou seja, próxima da
parição, são manejadas numa área mais próxima do retiro com boa disponibilidade
forrageira e também para permitir maior observação diariamente. Os nascimentos são
concentrados nos meses de setembro, outubro e novembro.
Ao parto, os peões do campo pesam e anotam os dados do bezerro, cortam o
umbigo, aplicam solução de iodo a 10%, e 1 ml de Doramectina como preventivo
contra miíase e tristeza parasitária bovina. Além disto, realizam um corte na orelha
para identificar o mês de nascimento e verificam a ingestão do colostro.
As vacas que vão parindo são agrupadas em grupos de manejo para posterior
avaliação genética dos bezerros. A rastreabilidade do rebanho inicia já no
nascimento, os dados do número da mãe e do terneiro, data do nascimento, peso e
sexo são digitados no programa COMPEC, sendo que a colocação de brinco (orelha
direita) e botton (orelha esquerda) é realizada no desmame.
5.1.5 Melhoramento Genético
Os critérios avaliados e usados como ferramentas de seleção na Fazenda
Paquetá são listados a seguir.
Peso ao nascer;
Dias para ganhar 160 kg do nascimento ao desmame;
Conformação no desmame e pós- desmame;
Precocidade no desmame e pós- desmame;
Musculatura no desmame e pós-desmame;
Caracterização racial;
Cor e comprimento da pelagem;
Presença ou não de aspas;
Tamanho no desmame e pós-desmame;
Umbigo no desmame e pós- desmame;
Dias para ganhar 240 kg no pós-desmame;
Perímetro escrotal no pós-desmame;
23
Conformação, precocidade e musculatura (CPM) no desmame e pósdesmame;
São avaliados comparativamente aos demais grupos de manejo, somente
machos ou fêmeas separadamente, da mesma raça e criados nas mesmas condições
alimentares e sanitárias para que o efeito ambiental não interfira na avaliação
genética. O grupo deve ser observado atentamente, no seu conjunto, para formar
uma idéia dos animais superiores (recebem nota 5), médios (recebem nota 3) e
inferiores (recebem nota 1), pouco acima da média nota 4 e pouco abaixo nota 2.
Deve-se observar a conformação da carcaça pelo tamanho, comprimento e grau de
musculosidade.
Na precocidade avalia-se a capacidade do animal chegar ao acabamento
mínimo de carcaça com um peso não elevado, pela observação da cobertura de
carne e gordura na ponta da paleta (últimas costelas) e sobre a linha média do dorso,
pois qualquer cobertura tecidual é deposição de gordura. Os indicadores de
precocidade são maior profundidade de costela, maior caixa torácica, silhueta cheia,
virilhas pesadas e deposição de gordura na base da cauda. Animais altos, com pouca
profundidade de costelas e enxutos indicam ser mais tardios.
No quesito musculatura avalia-se todo o desenvolvimento muscular, observase a paleta, lombo, garupa e principalmente o traseiro. Animal com melhor
conformação muscular apresenta maior largura na parte inferior do corpo com peito
amplo.
O tamanho e formato do prepúcio e também do umbigo é avaliado e serve
como critério de descarte. São avaliados em relação a um tamanho e formato ideal.
Após a avaliação de desmama, 50% dos machos são descartados, os outros
50% são avaliados ao sobreano com 14-16 meses e apenas 10% permanecem para
serem usados como reprodutores na fazenda ou para venda.
Após as avaliações são classificados pela Gensys em Decas de 1 a 10. Os
Deca 1 são os melhores 10% do rebanho, Deca 2 são os 20% e assim
sucessivamente. Permanecem na fazenda apenas os animais com Deca 1 a 5, os
demais são comercializados para a Fazenda Dom Arlindo que faz a terminação e
destina ao abate.
24
Os 20% dos animais melhores de cada safra da Conexão Delta G Norte
recebem o Certificado Especial de Identificação de Produção (CEIP) que é
reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) pela sua qualidade
genética. Devem ter DEP’S balanceadas, umbigo adequado, andrológico completo,
caracterização racial e ausência de defeitos físicos. O benefício é a isenção de ICMS
na Central de Inseminação, exposições, maior preço de comercialização e ganho
genético na progênie do touro.
A cada dois anos são descartadas as vacas Deca 10 (pela avaliação dos
bezerros). Através disto é possível aumentar o peso de bezerro desmamado.
5.2 Agrícola
A lavoura de soja é implantada em sucessão à pastagem para recuperação de
pastagens degradadas, visto que estas não são adubadas com freqüência. A
produção de grãos, como milho e soja é usada, em parte, na ração, ou é realizada a
ensilagem de capim, sorgo e milho. Também são implantadas pastagens cultivadas
como o milheto e aveia (alternativa de forragem para o inverno). Assim, a qualidade
do solo melhora em função de maior aporte de matéria orgânica (com uso de plantio
direto) e ciclagem de nutrientes. Também é importante ressaltar a maior sanidade
vegetal em função da quebra do ciclo de pragas e doenças. Os benefícios da
integração lavoura-pecuária são inúmeros e permitem o sucesso da atividade agrícola
e pecuária.
5.2.1 Cultura da Soja (Glycine max)
A soja sempre foi cultivada em grandes extensões de terras da fazenda, mas
em função da intensificação da atividade pecuária, ela ocupa uma área menor
cultivada de 1.314 ha, principalmente com a função de recuperação de áreas de
pastagens degradadas. O plantio da soja é realizado no inicio do mês de novembro.
As variedades cultivadas são de ciclo precoce (Magna RR BRASMAX) com ciclo de
aproximadamente 115 dias ou semiprecoce (Potencia RR BRASMAX) com ciclo de
aproximadamente 125 dias para que seja possível fazer safrinha de milho na área.
São usadas variedades de ciclo determinado (Brs 245 e Brs 246) e de ciclo
25
indeterminado (Potencia RR e Magna RR). As variedades de ciclo indeterminado são
mais afetadas pela antracnose, visto que a infecção ocorre pela flor.
A escolha das variedades foi feita pelo Engenheiro Agrônomo Daniel de acordo
com as recomendações para o estado do MS, para escalonamento da colheita, de
acordo com a fertilidade das áreas e exigência da variedade (Brs 245 para áreas de
média fertilidade e Potencia RR, Magna RR e Brs 246 para áreas de alta fertilidade).
O plantio direto é feito em todas as áreas que não necessitam de revolvimento,
como após a ensilagem e nas áreas de pastagem degradadas. Todas as áreas têm
curvas de nível para drenagem e absorção da água da chuva.
A densidade de plantio da variedade Potencia RR ficou em média de 15
plantas por m corrido. A intenção era ter 12 plantas, mas em função das boas
precipitações na época de plantio a germinação foi de quase 100%.
Após a colheita da soja é realizada a semeadura de aveia para cobertura e
manutenção da palhada sobre o solo, mas se o inverno for muito rigoroso pode ser
feita a fenação para posterior alimentação do rebanho bovino. O beneficiamento dos
grãos e armazenagem são feitos na fazenda, as impurezas retiradas na limpeza da
soja são torradas e fornecidas aos animais na ração.
5.2.1.1 Monitoramento de Pragas
A cultura da soja está sujeita ao ataque de pragas desde a germinação até a
colheita acarretando em danos econômicos de importância relevante. Por conta disso,
o monitoramento de pragas durante todo o ciclo da cultura constitui prática importante
no sentido de diminuir as perdas no rendimento e também evitar diminuição da
qualidade do produto final, gerando menores receitas ao produtor.
O agroecossistema do Centro-oeste é um ambiente favorável à multiplicação
de pragas. Nele prevalece um sistema de produção em que a soja é a principal
cultura na maioria das áreas (monocultura), podendo ser rotacionado ou não,
permanecendo em “pousio”. Então, não ocorre a quebra do ciclo das pragas e
também doenças.
A lavoura da soja está sujeita ao ataque de vários insetos, da germinação até
a colheita e para maior eficiência no controle é importante a adoção do manejo
integrado de pragas (MIP). É muito importante que ao se tomar a decisão de controle
26
seja feito com base em princípios como amostragens, nível de dano, tamanhos de
insetos e também o estágio de desenvolvimento da cultura.
O monitoramento de pragas foi realizado pela contagem em 1 m corrido de
linha em vários pontos da lavoura. Constatou-se a presença de “Percevejo-marromda- soja” (Euschistus heros), “Lagarta-da-maçã” (Heliothis virscens), “Falsamedideira” (Pseudoplusia includens) e “Lagarta-da-soja” (Anticarsia gemmatalis)
(Figura 12). A infestação foi considerada alta quando na amostragem foram
encontradas 5 lagartas e 4 percevejos. O dano das lagartas é maior na fase
vegetativa e inicio da reprodutiva, já o dano de percevejo é maior no final do ciclo da
cultura.
a
b
c
d
Figura 12 Pragas da cultura da soja; a) Euschistus heros; b) Heliothis virscens; c) Pseudoplusia
includens; d) Anticarsia gemmatalis. (Fonte: Peter, F.)
Juntamente com o Engenheiro Agrônomo foi constatado que as lagartas que
mais ocasionaram perdas nesta safra foram a “Falsa- medideira” que, diferente da
Anticarsia gemmatalis, habita mais o baixeiro das plantas, se expondo menos aos
inseticidas aplicados. Além disso, é em geral, mais tolerante às dosagens usuais dos
defensivos quando comparado com a “Lagarta-da-soja”. Isto também ocorre com a
27
“Lagarta-da-maçã,” já que ainda não existem produtos registrados para seu controle
na cultura da soja.
Mas como as aplicações de inseticidas são freqüentes e o monitoramento é
constante não houve nenhum dano intenso causado por pragas e também doenças.
Apenas numa área de cabeceira houve um dano maior ocasionado pelo “Ácarorajado-da-soja” (Tetranychus urticae), cuja população chegou a mais de 25 ácaros por
folha. Isto ocorreu em função de falhas na aplicação aérea de inseticidas, pois o alvo
não foi atingido.
A “Lagarta-da-maçã”, embora não tenha causado danos intensos nas áreas de
soja da fazenda, chama a atenção pelos danos que vem causando nas lavouras de
soja da região. Já é muito conhecida pelos cotonicultores e tem esse nome em função
de atacar as “maçãs do algodoeiro”. Os danos ocasionados pelo ataque são maiores
que os causados por outras lagartas, principalmente nas fases posteriores ao inicio do
florescimento. Causa queda na produtividade, porque ataca principalmente as
vagens, serve como porta de entrada para patógenos e pode ocasionar queda de
vagens.
Também foi observado que em uma das áreas ocorreu baixa infestação por
nematóides formadores de galhas (Meloidogyne sp.). Para evitar que a infestação
aumente é necessário fazer rotação cultural com aveia, braquiária ou milheto para
diminuir a população ou usar alguns híbridos de milho que são resistentes como M
SOY8001, CD 201, BRS INVERNADA, mas estas normalmente não são plantadas
por não serem transgênicas. A variedade de soja que foi cultivada na área, Potencia
RR, também é tolerante, e por isso, não foram observadas perdas produtivas.
5.2.1.2 Monitoramento de Doenças
A monocultura é um dos fatores que potencializa o surgimento de moléstias,
além de fatores climáticos e de manejo da cultura. Na região de Centro-oeste são
muitos os produtores de soja, o que facilita a disseminação de esporos no caso da
Ferrugem Asiática (Phakopsora pachyrhizi). Mesmo assim, na Fazenda Paquetá a
incidência de doenças fúngicas, bacterianas e virais foi baixa e não ocasionou perdas
consideráveis de produção. Devido à combinação desses fatores, a utilização de
28
fungicidas é feita de forma preventiva na propriedade, pois uma vez que a doença se
estabeleça muito poucos são os efeitos benéficos gerados pelo controle químico.
A ferrugem asiática da soja, que tem como agente causal o fungo Phakopsora
pachyrhizi, é de grande preocupação na fazenda devido à agressividade e
capacidade de adaptação do fungo a uma ampla faixa de temperatura (ótimo de 20 a
24° C), tornando-se mais importante em períodos de molhamento foliar devido às
chuvas e orvalho. Já que foi um ano atípico, com excesso hídrico, isto foi mais um
motivo que aumentava a preocupação do Engenheiro Agrônomo da fazenda.
O Estado do MS cumpre um período de vazio sanitário para a cultura da soja, a
medida que proíbe o plantio durante três meses. Esta medida é adotada para
minimizar a incidência da ferrugem asiática, doença que compromete o potencial
produtivo das plantas e é considerada uma ameaça à sojicultura nacional. Entre os
dias 1º de julho e 30 de setembro o cultivo do grão estará proibido em todo o Estado.
A determinação é considerada essencial para reduzir os índices de ferrugem asiática
nas lavouras.
Constantes monitoramentos foram realizados na área em busca de focos da
ferrugem, já que a Fundação MS relatou dados do Consórcio Anti Ferrugem que
indicavam condições ideais para o desenvolvimento do fungo e, também, a presença
de pústulas em alguns locais de monitoramento. Para observação foram utilizadas
lupas no campo e uma lupa de maior aumento no laboratório para se certificar de que
não havia focos.
A aplicação preventiva evita que o patógeno evolua para pústula, que depois
coalesce e causa o amarelecimento, crestamento e desfolha precoce. A aplicação de
fungicida foi realizada com intervalo de 21 dias. Durante o período de estágio não foi
possível verificar a esporulação devido ao eficiente controle e monitoramento
realizado.
O controle deste fungo é de fundamental importância para obter bons
resultados de produtividade, visto que os danos diretos da ferrugem asiática são o
amarelecimento e o bronzeamento das folhas e sua queda prematura, impedindo a
plena formação dos grãos. Quanto mais cedo ocorre a desfolha, menor é a taxa de
fotossíntese realizada e conseqüentemente menor o rendimento e qualidade dos
grãos colhidos.
29
Outros sintomas da presença de outros fungos como Corynespora cassiicola,
agente causal da Mancha alvo, Colletotrichum truncatum causador da Antracnose,
Sclerotinia sclerotiorum agente causal do Mofo branco da haste e Fusarium solani que
causa a Podridão vermelha da raiz puderam ser observados, mas estes fungos não
causaram danos à cultura. Segundo Picinini e Fernandes (1988), o molhamento foliar
prolongado favorece o desenvolvimento dos fungos, mas mesmo com precipitações
freqüentes os fungos não puderem se desenvolver em função das medidas
preventivas de controle.
5.2.1.3 Controle Químico: Aplicação Aérea de Agrotóxicos
O controle geralmente foi feito juntamente com a aplicação de fungicida para
ferrugem asiática da soja de 21 em 21 dias. A aplicação dos agrotóxicos foi realizada
com avião agrícola (modelo Ipanema) terceirizado da empresa Aplique de DouradosMS. O valor pago foi de R$ 18,00 por ha e o consumo de combustível é de 60 L de
gasolina por hora (R$ 4,00 por litro).
A pulverização iniciava as 5 e 30 da manhã para pegar as condições ideais de
aplicação, como umidade, temperatura e vento (o ideal é que tenha um pouco para
que as gotículas sejam empurradas para baixo e haja maior movimento das folhas
para assim atingir o alvo). Mas nem sempre foi possível iniciar neste horário em
função da neblina que impossibilitava o vôo.
As vantagens da aplicação aérea são a velocidade com que é concluída, dando
uma maior uniformidade à área e impedindo a migração dos insetos. Outro ponto
positivo é que pode ser realizada mesmo em condições de alta umidade do solo,
importante para esta região em que as precipitações ocorrem principalmente no
período de maior necessidade de controle para a cultura. Também é uma vantagem a
ausência de danos, como quebra de ramos produtivos, pela passagem do
pulverizador de barras. Os problemas são as áreas de cabeceira que muitas vezes
são difíceis de atingir em função das manobras e também presença de vegetação de
porte alto. Além disto, a inexperiência do piloto que sobrevoa muito alto pode
aumentar a deriva. A ocorrência de precipitação logo após a aplicação reduz ou
elimina o efeito da aplicação.
30
Na avaliação qualitativa do avião agrícola foi constatado apenas um pequeno
vazamento em um bico, não haviam mangueiras danificadas ou dobradas. Os filtros
são limpos periodicamente e se situam antes da calda entrar nas barras.
As barras de aplicação são equipadas com 17 bicos de cada lado espaçados a
10 cm e 5 bicos na parte inferior do avião. O tanque de calda tem capacidade para
700L e os bicos são do tipo D6 com vazão de 20 L/ ha. Portanto, em cada vôo foi
possível abranger uma área de aproximadamente 35 ha.
A mistura da calda de 700L foi feita com uso de EPIs em tanque misturador e
em todas as aplicações foram adicionados à mistura Nimbus (espalhante adesivo)
(SYNGENTA) e SAG (adubo foliar). Para controle de insetos, como Pseudoplusia
includens foi aplicado Lannate BR (DU PONT), para Anticarsia gemmatalis Nomolt
150 (BASF) e para controle de Euschistos heros, Tamaron BR (BAYER). Os
fungicidas aplicados foram Priori (SYNGENTA), Novazin (CHEMINOVA) e Streak 500
SC (CONSAGRO).
Os produtos são todos registrados para a cultura e pragas no Ministério da
Agricultura Pecuária e Abastecimento e foram usadas as doses semelhantes às
recomendadas. Sempre foram misturados em tanque com água, com uso de EPIs, e
feita a tríplice lavagem das embalagens, para posterior destinação ao posto de coleta
em Dourados-MS.
Em algumas áreas, ao final do ciclo reprodutivo da soja (estágio R7), em que
foram feitas aplicações aéreas apenas para controle de percevejo foram feitas com
uma vazão menor, de 10L/ha, porque não é necessário tanto molhamento foliar como
o usado para controle da ferrugem asiática da soja.
5.2.1.4 Estimativa de Produtividade
Com o objetivo de prever a produtividade de soja, foram feitas estimativas de
produção à medida que a cultura estava entrando em maturidade fisiológica, em duas
áreas com diferentes densidades de plantio. Foi feita a coleta de plantas em dois
diferentes pontos em 1m de linha (0,45 m²) para contar o número de vagens e obter
um número médio de vagens no total das plantas. Ambas as áreas foram cultivadas
com a variedade Potencia RR, mas em função das chuvas do período a germinação
31
foi diferente. Na área “A” a densidade de plantas foi de 15,5 por metro linear e na área
“B” de 12,3 plantas por metro linear.
O número médio de vagens foi multiplicado pelo número de plantas e por 2,5
que representa o número médio de sementes contidas em cada vagem, e com isso
obteve-se na área A 1.588,8 grãos e na B 1.137,8 grãos. Então multiplicou- se pelo
peso de mil grãos (PMG) da cultivar Potencia que é de 140g, dividindo por 1.000
sementes, obteve-se em A 222,4 g/m e em B 159,3g/m. Para ter esse valor em
hectares, foi multiplicado por 22.222 m², resultando numa produtividade média em “A”
de 4,94 t/ ha e em “B” de 3,54 t/ ha.
Essa estimativa mostra um bom rendimento da lavoura de soja e fica próxima à
média regional, mas ainda devem ser descontadas as perdas que ocorrem na colheita
e beneficiamento dos grãos. Em posterior conversa com o gerente após a colheita,
observou-se um valor semelhante de produção. Na área A em que a densidade de
plantas foi maior que a desejada houve uma maior produção de grãos, já que no
período crítico de desenvolvimento da cultura (floração e enchimento de grãos) não
houve déficit hídrico.
5.2.1.5 Perdas Ocasionadas por Animais
Esta região caracteriza-se por uma grande diversidade de fauna e na fazenda,
em especial, há uma grande área de preservação em que a caça é proibida. Foi
possível observar danos pela alimentação dos animais em diversas áreas,
principalmente nas bordaduras de matas (Figura 13), locais em que, posteriormente,
ocorre a invasão por plantas daninhas, principalmente gramíneas. Existe um grupo de
mais de 60 capivaras, além de emas, javalis e também um casal de antas na área de
preservação citada.
É importante ressaltar que as emas contribuem para o controle biológico de
insetos, sempre foi possível observar o grupo alimentando-se em áreas de soja em
que havia infestação de insetos.
32
Figura 13 Área de soja em que as capivaras se alimentam. (Fonte: Peter, F.)
5.2.2 Plantio de Cana-de-açúcar (Saccharum sp.)
O plantio foi realizado no final do mês de janeiro em área de 1.000 ha que foi
arrendada para a multinacional Bunge para o cultivo de cana-de-açúcar. Isto foi
efetuado porque a usina alcooleira Monteverde fica ao lado da fazenda, o que facilita
o transporte e, também, em função da alta demanda de álcool. Nesta área havia uma
pastagem consolidada de braquiária. Então, foi necessário um preparo intensivo do
solo para melhorar as condições químicas e físicas e assim assegurar uma boa
brotação, desenvolvimento e estabelecimento da cultura.
O cultivo foi realizado com dois tratores, Muller TM 31 (220 CV) e Engesa 1128
(280 CV). Inicialmente foi feita a dessecação da pastagem, seguida de adubação e
calagem conforme necessidade avaliada pelas análises do solo. Foram incorporados
gesso agrícola (2,5 toneladas por ha), para melhorar a qualidade do solo no perfil e
permitir maior aprofundamento de raízes e conseqüentemente maior desenvolvimento
da parte aérea, e calagem com 3 toneladas de calcário por ha. Também foi aplicado
agrotóxico para inibir a germinação do banco de sementes existente no solo, que se
não fosse controlado poderia vir a prejudicar o desenvolvimento da cana-de-açúcar
principalmente na fase inicial. Então, foi feita uma gradagem com grade média (36
polegadas), uma subsolagem com sulcador a 35 cm de profundidade (o ideal seria 50
cm, mas este não estava disponível na empresa que terceiriza o serviço de
33
preparação de solo), outra com grade leve para o destoroamento e, por último, com
grade niveladora para uniformizar a superfície do solo.
O plantio é realizado com plantadeiras específicas para a cultura (Figura 14),
em que por ha são necessárias 14 toneladas de tolete (quando novas) ou até 17
toneladas quando estes já estão com qualidade inferior. Esta quantidade é regulada
pelo maquinista que opera a plantadeira, mas em geral são plantados 3 toletes
sobrepostos de aproximadamente 30 cm (três gemas). O espaçamento de plantio é
de 1,5 m nas entrelinhas e profundidade de 25 cm. A plantadeira faz a cobertura dos
toletes e adubação na linha de plantio, mas os funcionários fecham com enxadas se
houver alguma descoberta. Além disto, junto ao plantio também é aplicado o
inseticida Regent 800 WG- BASF (250 g por ha) para controle de formigas cortadeiras
e cupins. As formigas podem causar perdas de até 10 toneladas por hectare e pode
comprometer a longevidade do canavial, pois a aplicação com o canavial já formado é
dificultada. A aplicação do inseticida desta forma economiza uma operação. Como
pode-se observar na Figura 14 o tanque com a calda fica na parte posterior da
plantadeira.
Figura 14 Plantio mecanizado de cana-de-açúcar (Fonte: Peter, F.).
34
5.2.3 Ensilagem
A fazenda possui uma alta demanda por alimentação no confinamento, com
uma estimativa de duas toneladas por cabeça confinada durante o ano. Por isso é
necessário um grande volume de silagem. A silagem de sorgo forrageiro híbrido
(Sorghum bicolor) e capim Mombaça (Panicum maximum); (Figura 15 a) foi realizada
no final do mês de fevereiro, um pouco além do ponto ideal de ensilar porque as
chuvas do período impediram a entrada das máquinas na lavoura. A expectativa de
rendimento, baseada em experiências anteriores, é de aproximadamente 53
toneladas por ha no primeiro corte.
O plantio foi realizado no mês de outubro em uma área de 160 ha, mas a
época ideal seria setembro. O espaçamento usado foi de 17 cm com 12 kg por ha de
semente de Panicum maximum cultivar Mombaça e 5 kg de Sorghum bicolor híbrido
BRS 610 (EMBRAPA, 2011). As sementes foram misturadas com 80 kg de MAP, que
não queima a semente. A profundidade de plantio é de no máximo 1,5 cm após
gradeação para que a germinação ocorra com maior facilidade.
As variedades híbridas de sorgo possuem um elevado potencial de produção
de massa verde, em torno de 60 toneladas por ha. Dentre os híbridos forrageiros para
silagem
de
porte
alto
disponíveis
no
mercado,
o BRS
610 destaca-se
pela produtividade de matéria seca de alta digestibilidade que confere qualidade à
silagem, além de maior sanidade foliar e resistência ao acamamento (EMBRAPA,
2011).
O capim Mombaça cresce em touceiras vigorosas e altas, podendo chegar a
2,5 m de altura e possui elevado potencial produtivo de matéria seca (MS).
Pragas ocorrem mais no início do desenvolvimento da cultura e, segundo o
Engenheiro Agrônomo da fazenda, são de fácil controle. As plantas daninhas de folha
larga, como a leiteira e caruru, também são controladas facilmente e causam danos
principalmente nas fases iniciais de desenvolvimento.
A ensiladeira é terceirizada da empresa Agrosilagem de Carambeí-PR, cujo
valor pago por hora é de R$ 700,00. A ensiladeira da marca CLASS (fabricação
alemã) tem um ótimo rendimento operacional enchendo um caminhão com
capacidade de 9 a 12 toneladas a cada 3 minutos em média. Têm 6 m de plataforma
de corte, 500 CV de potência no motor e mais torque de 20 CV, tanque de
35
combustível de 700 litros que dá uma autonomia de 12 horas de trabalho e seu peso
é de 17.500 kg. Possui um sensor que ajusta a altura de corte conforme a
configuração, neste caso 22 a 25 cm do chão. O picador é composto por um conjunto
de 18 facas em sistema V, que são afiadas automaticamente a cada 10 horas de
trabalho, durante 15 segundos. A velocidade de trabalho é de 5,5 km/h a 7 km/h.
O inoculante foi armazenado em caixa de isopor para não perder a qualidade e
misturado com água apenas na hora do uso (Figura 15 b). Ele já é adicionado pela
própria ensiladeira no momento da trituração da forragem. Para 250 toneladas de
pasto é necessário um pacote de inoculante “KERA-SIL”, conforme orientação da
empresa fabricante. O abastecimento de ensiladeira foi realizado na lavoura para que
houvesse uma maior eficiência operacional, bem como a água necessária para o
inoculante era trazida com trator.
Para o transporte foram usados inicialmente 7 caminhões truque que estavam
cheios em apenas 3 minutos, 5 destes são terceirizados ao custo de R$ 45,00 a hora.
Mas como a máquina estava tendo que esperar em alguns momentos foi colocado
mais um caminhão da fazenda para ajudar no transporte até o silo, cujo trecho leva
aproximadamente 18 minutos (ida e volta).
Para armazenagem existem 6 silos do tipo trincheira com dimensão de 60 m x
25 m e com capacidade de 2.500 toneladas em cada um. As laterais foram forradas
com lona preta e fina, e no fundo não é feita cobertura, fica diretamente no solo. A
cobertura do silo foi feita com lona branca de dimensões 12x50x150 e sobre esta foi
colocada uma camada de silagem (Figura 15 c).
A compactação foi feita com tratores, mas em função da velocidade de corte da
ensiladeira a compactação ficou deficiente porque não havia tempo suficiente. Outro
fator que dificultou esta operação foi o uso de trator com rodado traseiro duplo (Figura
15 d), que tem justamente a função de distribuir o peso em uma maior área e impedir
a compactação do solo.
O tamanho do picado maior também dificultou a compactação, mas é melhor
para que a taxa de passagem no rúmen seja mais lenta e assim ocorra melhor
aproveitamento da silagem pelos animais.
36
a
b
c
d
Figura 2 Ensilagem: a) Corte da forragem; b) Preparação do inoculante; c) Cobertura do silo
d)
Compactação; (Fonte; Peter, F.)
O custo contabilizado pelo gerente é de R$ 22,00 por tonelada de silagem de
capim no primeiro corte, se for feito o segundo corte os custos serão diluídos. O
segundo corte é realizado aproximadamente 60 dias após o primeiro e,
posteriormente, a área pode ser cercada para o gado comer a rebrota ou é gradeado
com grade pesada e pateado, aproveitando para calcarear para posterior plantio de
soja.
A determinação da matéria seca (MS) da forragem picada foi realizada com
amostras coletadas em diversos pontos do silo, logo que os caminhões
descarregavam. Obteve-se 28,2% de MS, que é considerado um bom percentual de
matéria seca.
37
6 Considerações finais
A vivência do período de estágio nesta etapa de conclusão de curso é
fundamental para adquirir maior segurança e também conhecimento para a formação.
Com o acompanhamento das atividades e a aplicação do conteúdo teórico na prática,
foi possível perceber a realidade e compreender o sistema da Fazenda Paquetá. A
observação e inserção no sistema produtivo, desde o campo até o gerenciamento das
atividades e das pessoas, foi muito importante, visto que tudo funciona em conjunto.
No dia a dia de uma fazenda pode-se observar a grande responsabilidade que
o Engenheiro Agrônomo tem na realização de suas funções. Qualquer desatenção ou
erros podem acarretar em grandes perdas na produção que vão muito além de uma
safra, pois tem impactos no meio ambiente e nas pessoas que vivem no entorno.
A multidisciplinaridade, a humildade, o trabalho em grupo e o respeito a todos
são pontos chave que ficaram muito marcados durante o período de estágio e que
pretendo empregar em minha atuação profissional.
7 Conclusão
O estágio permitiu uma abrangente visualização do sistema, podendo
acompanhar as tomadas de decisões necessárias no dia a dia, até mesmo no âmbito
de gerenciamento e convivência com funcionários.
O trabalho em equipe é fundamental e a fazenda conta com dois funcionários
exemplares, Zootecnista e Engenheiro Agrônomo, que trabalham juntos para
continuar obtendo êxito e bons resultados.
Durante os dois meses de estágio ficou muito compreensível o processo
produtivo, o manejo do rebanho e os cuidados com a lavoura, mas além de tudo isto o
gerenciamento destas atividades. O conhecimento técnico é essencial, mas também é
necessário saber aplicar na prática e ter a capacidade de gerenciamento das
atividades.
38
8 Análise Crítica
A fazenda está muito bem estruturada, tanto na lavoura como na pecuária, em
que há boa disponibilidade de pasto, água e saleiros. Mas devido ao pioneirismo na
precocidade de animais é necessário aperfeiçoar ainda mais as técnicas na busca de
melhores resultados.
O manejo dos bovinos se mostrou muito satisfatório em virtude das condições
atuais de produção, principalmente pela integração lavoura x pecuária que não traz
somente benefícios econômicos (principalmente pelo pagamento dos custos com
adubação), mas também ambientais, ainda mais se estiver associado a outras
práticas de conservação como o sistema de plantio direto.
A pecuária tem menores riscos a variações de preços e imprevisibilidade
quando comparada à agricultura e suas culturas de verão, com ambas as atividades
em conjunto há uma diminuição nos riscos.
O monocultivo é evidenciado claramente. Apesar de algumas áreas terem
rotação de cultura com milho e sorgo, a maioria das áreas de lavoura tem apenas
sucessão entre cultivos de verão e inverno.
A aplicação de agrotóxicos é intensa, sendo necessário o desenvolvimento de
técnicas que se adaptem a grandes áreas de cultivo, ou pelo menos a aplicação de
defensivos mais seletivos e que causem menos impacto ao ambiente.
A Fazenda Paquetá tem um enorme potencial produtivo e, apesar das
incertezas agroclimáticas, há capital para investir em tecnologias e para manejar
essas variáveis, assim como em melhorar ainda mais a infraestrutura da propriedade.
Porém, é necessária muita dedicação para manejar e aperfeiçoar cada vez mais as
técnicas aplicadas. Atualmente, uma propriedade somente atingirá desenvolvimento
sustentável quando conseguir manejar tanto a parte social e econômica, quanto a
parte de preservação ambiental, com uso correto de seus recursos naturais, para
então obter um retorno econômico satisfatório.
39
9 Bibliografia Consultada
ABIEC 2011. Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carnes. Disponível em: < http://www.abiec.com.br/news_view.asp?id={CAACE975B5D1-4337-9F3B-580E7118CB45}> . Acesso em: 05 de fevereiro de 2011.
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http://www.fazendas.paqueta.com.br/. Acesso em: 27 de abril de 2011.
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Iguaçu. Anais. Foz do Iguaçu: Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola, 2001.
FREITAS, Silene M.; BARBOSA, Marisa Z.; FRANCA, Terezinha J. F. Cadeia
de produção de soja no Brasil: o caso do óleo. Informações Econômicas, v. 30; n.
12, p. 30-40, dez. 2000.
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http://www.igc.ufmg.br/geonomos/PDFs/5_1_17_40_Ker.pdf. Acesso em: 30 de abril
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e controle.Passo Fundo: EMBRAPA- CNPT, 1988. 91 p.
40