UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADE CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
COMPARAÇÃO DE DIFERENTES ARMAZENAMENTOS DE
SEMENTES DE ANGICO GURUCAIA.
JOSÉ CARLOS FILHO NETO
FOZ DO IGUAÇU - PR
2010
i
JOSÉ CARLOS FILHO NETO
COMPARAÇÃO DE DIFERENTES ARMAZENAMENTOS DE
SEMENTES DE ANGICO GURUCAIA.
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica de Cataratas –
UDC, como requisito parcial para
obtenção de grau de Engenheiro
Ambiental.
Orientadora: Ms Paula Vergili Pérez.
Foz do Iguaçu – PR
2010
ii
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
COMPARAÇÃO DE DIFERENTES ARMAZENAMENTOS DE SEMENTES DE
ANGICO GURUCAIA
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
BACHAREL EM ENGENHARIA AMBIENTAL
Aluno: José Carlos Filho Neto
Orientadora: Ms Paula Vergili Pérez
Nota Final
Banca Examinadora:
Prof(ª). Ms Márcia Helena Beck
Prof(ª). Ms Rodrigo Augusto Z. Pelissari
Foz do Iguaçu, 06 de julho de 2010
iii
A Deus Pai todo poderoso, inspiração e vida.
A minha mulher e meus filhos que me incentivam todos os dias
para que eu nunca desista do que eu quero.
Aos amigos que fluem na caminhada com ajuda e apoio.
A todos os educadores com idéias elevadas e pés em terra.
iv
AGRADECIMENTOS
À Deus, pois sem ele nada seria possível.
A minha mulher Kelly, aos meus dois maravilhosos filhos Leandro
Henrique e Bruno Vinícius que sempre estiveram ao meu lado me incentivando e por
toda paciência durante estes anos.
À minha mãe, minhas irmãs e meu irmão pelo apoio e carinho que
demonstraram neste momento da minha vida.
À minha orientadora Ms Paula Vergili Pérez, pelos ensinamentos,
paciência e confiança de que este trabalho seria realizado com êxito.
Aos funcionários do Refúgio Biológico Bela Vista da Itaipu Binacional,
principalmente a Veridiana Araujo Alves da Costa Pereira, pela oportunidade a qual
muito significou em minhas conquistas e aprendizado profissional.
Agradeço a todos os funcionários da Faculdade União Dinâmica de
Faculdades Cataratas, principalmente aos professores que muito contribuíram para
enriquecer meus conhecimentos durante esse período.
Aos colegas que caminharam juntos nessa jornada, deixo registrado meu
eterno reconhecimento e gratidão.
Agradeço também a todas as pessoas que me apoiaram, ajudaram e não
me deixaram desanimar perante as dificuldades.
v
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer
um novo começo...
qualquer um pode começar agora a fazer
um novo fim!"
Chico Xavier
vi
SUMÁRIO
RESUMO.....................................................................................................................9
ABSTRACT...............................................................................................................10
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................11
2. REFERENCIAL TEÓRICO ...................................................................................13
2.1 A IMPORTÂNCIA DAS MATAS CILIARES. ........................................................13
2.1.1 Espécies da mata ciliar do Oeste do Paraná.. ............................................15
2.1.2 Recuperação de matas ciliares e legislação vigente ..................................17
2.1.3 Atividades recomendadas para a recuperação de formações ciliares. .......18
2.2 ANGICO GURUCAIA. .........................................................................................20
2.3 SEMENTES.........................................................................................................21
2.3.1 Dormência das sementes. ..........................................................................22
2.3.2 Germinação.................................................................................................23
2.3.3 Armazenamento de sementes.....................................................................24
2.3.4 Embalagens para armazenamento de sementes ........................................26
2.3.5 Condições para o armazenamento. ............................................................27
3. MATERIAL E MÉTODOS .....................................................................................30
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA...........................................................................30
3.2 TESTES PRELIMINARES...................................................................................31
3.3 METODOLOGIA..................................................................................................32
4. RESULTADOS DE DISCUSSÃO .........................................................................35
4.1 SUBSTRATO PAPEL GERMITEST - 2009. ........................................................36
4.2 SUBSTRATO AREIA - 2009................................................................................37
4.3 SUBSTRATO PAPEL GERMITEST - 2010. ........................................................38
4.4 GERMINAÇÃO SUBSTRATO AREIA - 2010. .....................................................40
4.5 DIFERENÇA SUSTRATO PAPEL GERMITEST/AREIA EM CÂMARA FRIA. ....41
4.6 DIFERENÇA ENTRE SUSTRATO PAPEL GERMITEST/AREIA EM SALA
LABORATÓRIO. .................................................................................................42
5. CONCLUSÃO .......................................................................................................44
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ...........................................................................45
ANEXOS ...................................................................................................................47
Anexo 1 – Principais espécies arbóreas com características de matas ciliares. .......48
vii
Anexo 2 – Especificações gerais da árvore angico gurucaia . ..................................48
Anexo 3 – Vista aérea da ITAIPU BINACIONAL. ......................................................51
Anexo 4– Vista aérea do Refúgio Biológico Bela Vista. ............................................51
Anexo 5 – Sementes de Angico Gurucaia Germinadas. ...........................................52
viii
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Coleta de sementes com equipamento de corte (podão)......................... 32
Figura 2 – Gerbox (caixas transparentes) forrada com substrato areia..................... 33
Figura 3 – Sementes do experimento na câmara de germinação......................... 34
Figura 4 – Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em
substrato de papel germitest – 2009.................................................... 37
Figura 5 – Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em
substrato de areia – 2009..................................................................... 38
Figura 6 – Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em
substrato de papel germitest – 2010.................................................... 39
Figura 7 – Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em
substrato de areia – 2010..................................................................... 41
Figura 8 – Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em
câmara fria em diferentes substratos................................................... 41
Figura 9 – % Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em
câmara fria em diferentes substratos................................................... 42
Figura 10 – Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em sala
do laboratório em diferentes substratos............................................... 42
Figura 11 – %Germinação de sementes de angico gurucaia armazenadas em
43
sala do laboratório em diferentes substratos.......................................
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Substrato papel germitest - 2009.............................................................36
Tabela 2 – Substrato areia - 2009 .............................................................................37
Tabela 3 - Substrato papel germitest - 2010 .............................................................39
Tabela 4 - Substrato areia - 2010..............................................................................40
9
NETO, José Carlos Filho. COMPARAÇÃO DE DIFERENTES ARMAZENAMENTOS
DE SEMENTES DE ANGICO GURUCAIA. Foz do Iguaçu, 2010. Projeto de Trabalho
Final de Graduação - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
Os plantios com finalidade de recuperação de ecossistemas degradados,
recomposição de matas ciliares e reposição da reserva legal refletem a preocupação
com as questões ambientais decorrentes da devastação das florestas. Uma das
maiores demandas para os programas de recomposição florestal com espécies
nativas é a disponibilidade de sementes. Frequentemente, as sementes não são
utilizadas imediatamente após a coleta, sendo necessário armazená-las por
períodos variáveis de tempo, de acordo com a época planejada para a semeadura.
O objetivo deste trabalho é analisar a viabilidade de sementes de Angico Gurucaia
recém colhidas e armazenadas em Câmara fria no laboratório de sementes do
Refugio Biológico Bela Vista da Itaipu Binacional.
Palavras-Chave: Mata Ciliar – Sementes Florestais - Germinação.
10
NETO, Jose Carlos Filho. COMPARISON OF DIFFERENT STORAGE ANGICO
GURUCAIA SEEDS. Foz do Iguaçu, 2010, Final Graduation Project - Dinâmica de
Cataratas College.
ABSTRACT
The plantations with the finality of recovering the degraded ecosystem, resetting of
the ciliar bushes and replacement of the legal reserve, reflects the worries about the
ambient facts due to the forests devastation. One of the biggest demands for the
programs of forest resetting with native species is the availability of seeds.
Frequently, the seeds are not used immediately after the collection, being necessary
to store them for changeable periods of time, according to the time planned for the
sowing. The aim of this paper is to analyze the seeds viability of Angico Gurucaia just
harvested and stored in cold Chamber in the seeds laboratory of Biological Shelter
Bela Vista of Itaipu Binational.
Keywords: Ciliar Bushes – Forest Seeds - Germination.
11
1 INTRODUÇÃO
A evolução do homem sempre esteve ligada à floresta e ao seu
extrativismo. Práticas irracionais de manejo e exploração da madeira causam
diversos problemas tanto para o meio ambiente, quanto para a economia do país. O
uso racional da madeira permite que se obtenha um melhor proveito sem que se
causem danos ao meio ambiente.
Os reflorestamentos mistos de áreas degradadas de preservação
permanente são uma opção para manutenção do meio ambiente. Uma espécie
ótima para este fim é o Angico Gurucaia, nome científico Parapiptadenia rígid, pois é
uma árvore de madeira com alta durabilidade, com excelentes características físicas
e mecânicas. A planta possui características ornamentais que a recomendam para o
paisagismo em geral (EMBRAPA, 2009).
O processo de seleção das espécies, bem como o local onde elas são
plantadas, envolve uma série de etapas, que se baseiam em analogias climáticas e
de solos entre a região de origem, ou de plantio experimentais, e as futuras áreas de
plantio. Para cada situação de reflorestamento é necessária a análise das condições
do meio em que as espécies de árvores serão inseridas. Daí a necessidade de se
aprimorar os estudos e conhecimentos na área, para que os resultados sejam cada
vez mais satisfatórios, (Galvão, 2000).
Vale salientar que a biodiversidade não deve ser vista pelo aspecto
somente da conservação, uma vez que ela representa a fonte de recursos naturais
mais importantes do mundo. “A biodiversidade deve ser também mantida por
motivos psicológicos (necessidade de admirar e observar a natureza, alem de
usufruir dela), filosóficos (sustentabilidade, não violar o direito de existência das
espécies) e éticos (reverência a todas as formas de vida, conceito fundamental para
muitas religiões e sistemas morais).” (Braga, 2005)
Atualmente, há grande preocupação em relação às sementes de espécies
florestais (armazenamento x germinação), em conduzir estudos e pesquisas que
forneçam informações sobre a qualidade das sementes, especialmente no que diz
respeito à padronização, à agilização, ao aperfeiçoamento e ao estabelecimento dos
métodos de análise (EMBRAPA, 2009).
A mata ciliar é a vegetação das margens que funciona como um filtro de
água em rios, córregos, riachos e lagos. Esta vegetação tem a capacidade de reter
12
sedimentos e evitar a erosão. Também absorve a água das chuvas e garante o rio
cheio mesmo durante as estiagens. Para incentivar os produtores a proteger a mata
ciliar, a Itaipu fornece diversas espécies de mudas para a recomposição da
vegetação, a fim de minimizar os problemas de desmatamento e degradação. Os
motivos acima citados ocasionaram o estudo sobre a espécie de árvore Angico
Gurucaia, já que a planta é típica do Paraná, muito utilizada para o reflorestamento
em todo o Estado.
No caso das matas ciliares, também deve ser considerados para justificar
sua preservação a manutenção da fauna ictiológica, o aumento do estoque de
pescado, o aproveitamento dos recursos naturais nos seus múltiplos usos, bem
como a melhoria no aspecto paisagístico e de conforto ambiental. As pressões
exercidas pela expansão agrícola e pela ocupação inadequada em áreas urbanas,
resultaram no desmatamento reduzindo as matas ciliares drasticamente e, quando
presentes, deixando-as normalmente bastante perturbadas.
O local para a realização desta pesquisa é o viveiro florestal do RBV Refúgio Biológico Bela Vista da Itaipu Binacional, devido à importância que a Itaipu
Binacional dispensa a estudos e práticas em relação ao reflorestamento, a Itaipu
desenvolve o maior programa de reflorestamento do mundo já feito por uma
hidrelétrica. Durante o período de estágio, como aluno acadêmico do Cursos de
Engenharia Ambiental, verificou-se que uma das espécies de árvore que o Refugio
Biológico Bela Vista disponibiliza para a recuperação da mata ciliar é a Angico
Gurucaia, sendo assim; esta espécie foi a escolhida para o desenvolvimento deste
trabalho.
O
presente
trabalho
objetivou
comparar
diferentes
condições
de
armazenamento de sementes recém coletadas de Angico Gurucaia (Parapiptadenia
Rigida Bentham) Brenan, em câmara fria, no laboratório de sementes do Refúgio
Biológico Bela Vista da Itaipu Binacional, avaliadas seu vigor através de testes de
germinação visando encontrar o armazenamento mais viável para estas sementes.
13
2 REFERÊNCIAL TEÓRICO
2.1 IMPORTÂNCIA DAS MATAS CILIARES
O nome mata ciliar vem de cílios que protegem os olhos da mesma forma
que a mata protege os rios, sendo um ecossistema natural fundamental para o
equilíbrio dos ecossistemas, dentre as principais funções da mata ciliar é o de evitar
enchentes, o assoreamento dos rios, protegerem os recursos hídricos superficiais e
sub-superficiais de contaminações e, o solo contra erosões, entre outros benefícios,
Brito (2006).
A mata ciliar funciona como obstáculo para assoreamento dos rios,
evitando o acúmulo de materiais nas barragens e fundos de rios. Somando a esta
função, as matas ciliares proporcionam a manutenção da integridade da microbacia
hidrográfica, representada por sua ação direta numa série de processos importantes
para a estabilidade da microbacia, para manutenção da qualidade e da quantidade
de água, assim como para a manutenção do próprio ecossistema aquático, Lima &
Zakia (2000).
Para Oliveira-Filho et al. (1995), a mata ciliar é uma das formações
vegetais mais importantes para a preservação da vida e da natureza, ficam bem
próximas às nascentes, córregos, rios e lagos protegendo suas margens da erosão
e do ressecamento dos barrancos, evitando o estreitamento de seus leitos e
facilitando a infiltração da água da chuva, que chega com maior facilidade ao lençol
freático. Além disso, as matas ciliares ajudam a estabilizar a temperatura das águas
e são ricas em variedade de plantas e animais silvestres, são sistemas
particularmente frágeis face aos impactos promovidos pelo homem, pois convivem
com a dinâmica erosiva e de sedimentação dos cursos d'água.
De acordo com Brito (2006), ao cobrir o solo, assim como uma esponja,
impede que a água da chuva escoe direto para o rio levando com a enxurrada a
terra fértil e todo tipo de resíduos provenientes da antropização para seu leito. A
mata ciliar aumenta a infiltração da água elevando o nível do lençol freático,
aumentando o volume das nascentes disponibilizando água de melhor qualidade.
Esta qualidade é fundamental para a conservação da biodiversidade, pois
a mata ciliar forma corredores naturais que proporcionam a conexão de
14
remanescentes da vegetação nativa, facilitando o trânsito e o abrigo de animais
silvestres, troca de material genético, sem as quais não se garante a renovação
natural e a diversidade genética da flora e fauna.
Segundo Brito (2006), a importância dos corredores ecológicos para
interligarem Unidades de Conservação a fim de promover a conexão da diversidade
biológica, pois essas unidades não são suficientes para a proteção e preservação
dos recursos naturais e da fauna local, uma vez que os animais silvestres se
dispersam entre as regiões e até entre os continentes. Com isso, vem se idealizando
corredores ecológicos e zonas de amortecimento entre Unidades de Conservação
para aumentar o tamanho do espaço da área protegida, objetivando assegurar as
chances de sobrevivências das populações de pequeno e médio porte e sua
procriação, permitindo o fluxo genético entre as populações, aumentando as
chances de sobrevivência das espécies da fauna e da flora, reduzindo a pressão do
entorno das Unidades de Conservação, e garantindo o processo evolutivo dos
ecossistemas regionais em grande escala, facilitando a conectividade entre estas e
as áreas naturais.
Dentre os benefícios gerados pelas florestas, matas e vegetações Galvão
(2000), os apresenta de maneira direta e indireta. Os benefícios diretos das florestas
são os produtos úteis ao homem, como madeira, resinas, óleos, plantas medicinais,
frutos, mel, entre outros. E os benefícios indiretos geralmente são pouco percebidos
pelas pessoas e tornam-se mais apreciados quando atingem a escassez e as
conseqüências indesejáveis aparecem. Porém, apresentam-se em grande número e
são os serviços que as árvores ou florestas prestam, principalmente sobre os
aspectos do clima, solos e recursos hídricos, mas também sobre a vida dos animais
e do homem, inclusive em seus aspectos psicológicos e culturais, dentre os
exemplos benéficos são:
1) Contribuição para conservação dos solos, com o desenvolvimento radicular e
formação da serrapilheira;
2) Liberação de oxigênio e seqüestro de carbono, através da vegetação em seu
processo de fotossíntese;
3) Controle dos ventos, as florestas ou até arvores isoladas ajudam a diminuir a
velocidade dos ventos como se fossem barreiras;
15
4) Redução do risco de enchentes, com as matas ciliares preservadas, a ocorrência
de danos causados diminui consideravelmente, evitando-se assim prejuízos e
perdas;
5) Redução da poluição do ar e da água, o material particulado suspenso no ar é
retido pelas folhas da vegetação e são transferidos ao solo pelas chuvas ou
através da queda das folhas ou outras partes das plantas, ajudando a purificar o
ar;
6) Polinização nos pomares, pelo fato de manter ecossistemas favoráveis para
proliferação de insetos responsáveis pela polinização;
7) Manutenção de rios piscosos, pela preservação dos leitos contra o assoreamento
e carreamento de partículas tóxicas resultantes das atividades agropecuárias;
entre outros.
2.1.1 Espécies da mata ciliar do Oeste do Paraná
De acordo com Isernhagen (2001), e informações obtidas da Embrapa
Florestas (2000), algumas das principais espécies arbóreas propícias a serem
introduzidas em APP – Área de Preservação Permanente, levando-se em
consideração às características físico-químicas do solo local e fatores ecológicos,
estão listadas no anexo 1.
Dentre as várias espécies com aptidão biotécnica para recuperação da
vegetação em APP’s, conforme Classificação Florestal (2007), destacaram-se
algumas características em comum, como: altura média entre 10 a 20m, produção
de frutos e sementes, adaptação a solos pedregosos e com poucos nutrientes, uso
de espécies nativas e típicas de beira de rios e capoeiras, principalmente da região
Sul do país, ser tolerantes ao frio, entre outras características. Abaixo se encontra
uma breve descrição botânica de algumas espécies potenciais para recuperação de
matas ciliares desta região.
1) Anadenanthera colubrina, conhecida popularmente como Angico:
Árvore inerme, de até 35 m de altura, 120 cm de diâmetro, possui casca
lisa de coloração pardo-escura. Suas folhas são compostas de 3 a 7 mm de
comprimento por 0,5 a 1 mm de largura. Suas flores são brancas e pequenas. Os
16
frutos são legumes alongados e achatados. As flores desabrocham nos meses de
novembro a março e a frutificação estende-se pelos meses de fevereiro a julho. Sua
madeira é de alta durabilidade, com excelentes características físicas e mecânicas,
normalmente utilizada na construção civil, em pontes e como dormentes ferroviários.
A lenha é considerada de boa qualidade, a casca é rica em tanino e as flores são
melíferas. A planta possui características ornamentais que a recomendam para o
paisagismo em geral. Ocorre desde o Maranhão até a Argentina. Característica da
mata secundária de regiões acima de 400 m de altitude.
2) Bauhinia fortificata, conhecida popularmente como Pata-de-vaca:
Árvore de 10 a 15 m de altura, possui tronco geralmente tortuoso e curto
de 25 a 40 cm de diâmetro, com casca externa castanho-acinzentada, marcada por
fissuras longitudinais pouco profundas e ramos novos com espinhos nodais. Suas
folhas são compostas, bifolioladas. Medem de 8 a 12 cm de comprimento por até 8
cm de largura. As flores são bastante vistosas, possuem pétalas longas, estreitas,
estriadas e rugosas. Os frutos são legumes alongados, pontiagudos, sublenhosos,
de coloração castanha, medem de 10 a 20 cm de comprimento por 1 a 2,5 cm de
largura. Possuem em seu interior, sementes achatadas, ovais, escuras, de até 1,2
cm de comprimento. A floração ocorre de dezembro a fevereiro e a frutificação de
junho a agosto. Ocorre desde o Piauí até o Rio Grande do Sul, nas formações
florestais do complexo atlântico.
3) Luehea divaricata, conhecida popularmente como Açoita-cavalo
Árvore de 10 a 30 m de altura, possui fuste de 50 a 120 cm de diâmetro,
com casca externa pardo-acinzentada, com numerosos e pequenos sulcos
longitudinais e, casca interna rosada até avermelhada, com textura fibrosa. Suas
folhas são simples, verde-escuras, ásperas ao tato, medem de 5 a 15 cm de
comprimento por 2 a 6 cm de largura. As flores são brancas ou róseas. O fruto é
uma cápsula de até 3 cm, coberta de pilosidade de cor castanha. A floração ocorre
de dezembro a fevereiro e os frutos amadurecem entre os meses de março a maio
liberando sementes pretas. Ocorre desde Minas Gerais e Rio de Janeiro até o Rio
Grande do Sul, nas formações florestais do complexo atlântico e nas florestas
estacionais semideciduais e deciduais, penetrando em alguns pontos no domínio do
cerrado,
ocorrendo
nas
formações
florestais
ciliares.
No
Paraná
ocorre
17
principalmente na Floresta Ombrófila Mista. No Rio Grande do Sul a espécie ocorre
em todas as regiões fisiográficas, habitando principalmente várzeas de rios,
capoeiras e florestas de encostas. Também é indicada para recuperação de áreas
degradadas por ser agressiva. Espécie secundária.
4) Cedrela fissilis, conhecida popularmente como Cedro
Árvore de 15 a 30 m de altura, com tronco geralmente reto revestido de
casca grossa, acinzentada, rugosa e profundamente sulcada, delimitando placas
retangulares. Suas folhas são compostas, cobertos de pêlos finos e curtos e com
nervura central saliente na face inferior. As flores brancas, dispostas em panículas
terminais de até 20 cm de comprimento. Os frutos são cápsulas oblongas, medem
de 4 a 11 cm de comprimento por 3 a 6 cm de largura. Floresce entre os meses de
agosto e novembro e frutifica de janeiro a setembro, mais intensamente com a
árvore totalmente desfolhada. Espécie com ampla distribuição geográfica na
América do Sul, a registros na Venezuela, Bolívia, Equador, Peru, Colômbia,
Argentina e Brasil, onde ocorre do Acre, Mato Grosso, Bahia até o Rio Grande do
Sul, dando preferência a solos férteis. Espécie secundária tardia, decídua.
5) Campomanesia xanthocarpa, conhecida popularmente como Guaviroveira
Árvore de copa densa, alargada, com ramificações irregulares, mede 8 a
25 metros de altura e 30 a 50 centímetros de diâmetro. O tronco contém caneluras e
sapopemas, casca coloração pardo-acinzentada, deiscente em tiras delgadas. Suas
folhas são simples, medem de 3 a 10 cm de comprimento por 2,5 a 5 cm de largura,.
Suas flores são hermafroditas, isoladas, brancas ou creme-esbranquiçadas, axilares.
Os frutos são bagas globosas de 15 e 20 mm de diâmetro, coroadas por sépalas
persistentes. A floração ocorre entre os meses de setembro e novembro e a
frutificação entre novembro e fevereiro. Originária do Uruguai, Argentina, Paraguai e
Brasil, onde a espécie ocorre de Minas Gerais, Espírito Santo até o Rio Grande do
Sul, sendo encontrada também nos cerrados.
2.1.2 Recuperação de matas ciliares e legislação vigente
As matas ciliares exercem importante papel na proteção dos cursos
hídricos contra o assoreamento e a contaminação difusa, além de, em muitos
18
casos, constituírem-se nos únicos remanescentes florestais das propriedades
rurais. Estas peculiaridades conferem às matas ciliares um grande aparato de leis,
decretos e resoluções visando sua recuperação e preservação (EMBRAPA, 2009).
De acordo com Medauar (2006), o artigo 225 da Constituição Federal
deixa claro que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações”.
Para Lopes (2002), a existência de uma legislação severa como o Código
Florestal contendo os instrumentos da ação repressora contra a destruição de
APP’s, entre as quais foram incluídas as matas ciliares, não impediu que estas
continuassem a sofrer um processo de degradação que hoje atinge níveis críticos. A
destruição das matas ciliares tem custos ambientais e sociais elevados,
ocasionando distúrbios no ecossistema e a morte de inúmeros organismos.
Projetos de recuperação de matas ciliares devem ser incentivados,
estimulando a cooperação entre o governo estadual, prefeituras municipais,
sindicatos, ONG’s, empresas públicas e privadas afetadas de alguma forma pela
destruição das matas ciliares. Essa estratégia representa a troca da repressão pela
persuasão e pela ação participativa (EMBRAPA, 2009).
O Código Florestal através da Lei 4.771/65 inclui as matas ciliares na
categoria de APP – Área de Preservação Permanente. No Artigo 2º, considera como
de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural
situada ao longo dos rios ou de qualquer curso de água, desde o seu nível mais alto
em faixa marginal. A largura da faixa de mata ciliar varia de 30 a 500m em cada
margem e está relacionada com a largura do curso hídrico.
A grande mudança instituída por esta Lei é a visão da água como um bem
finito, dotado de valor econômico e como um bem público comum, e a utilização da
bacia hidrográfica como objeto de estudo e gestão dos recursos hídricos.
2.1.3 Atividades recomendadas para a recuperação de formações ciliares
De acordo com Rodrigues (2004), as atividades definidas para projetos de
recuperação de áreas degradadas são variáveis e dependem do grau de intervenção
19
imposta no local. Para as formações ciliares, as atividades relacionadas com
vegetação mais comumente empregada na tentativa de restauração dos processos
ecológicos em ordem de prioridade são: isolamento da área, retirada dos fatores de
degradação, adensamento de espécies com uso de mudas ou sementes,
implantação de espécies pioneiras atrativas à fauna. Na seqüência, é apresentado
um detalhamento das atividades recomendadas na recuperação de formações
ciliares:
Isolamento da área: uma das práticas mais simples para a recuperação
de uma determinada área pode ser o seu simples isolamento, evitando a
continuação do processo de degradação. Isso ocorre nos casos onde a resiliência
da área foram mantidas, dadas às características do dano ambiental, preservando
os processos naturais da comunidade, com a regeneração de espécies, as
interações bióticas.
Retirada dos fatores de degradação: a correta identificação e a retirada
dos fatores causadores da degradação de uma área ciliar (ex.: moradias, fogo,
extração de areia, criação de animais, espécies competidoras, entre outras), são
aspectos básicos que devem ser resolvidos antes da implementação de qualquer
manejo da área, visando sua restauração. Muitas vezes, a incorreta identificação
das causas da degradação ou a sua incompleta eliminação, podem resultar no total
ou parcial insucesso do projeto de recuperação ciliar.
Adensamento de espécies com uso de mudas ou sementes: essa
prática consiste no plantio de mudas ou na semeadura direta no interior de uma
capoeira ou de um trecho de floresta degradado. Este procedimento visa aumentar
as populações de algumas espécies de alta densidade nas formações ciliares que,
em função da degradação, tiveram suas populações muito reduzidas na área,
podendo estar condicionadas ao isolamento reprodutivo.
Implantação de espécies pioneiras atrativas à fauna: essas espécies
acabam por facilitar a sucessão, pois mantém grande interação com elementos da
fauna pelo uso do local para abrigo e alimentação, atuando como polinizadores e/ou
dispersores. Esses animais podem trazer consigo uma grande diversidade de
propágulos que poderão se implantar na área. Gradualmente estas árvores pioneiras
vão se tornando pequenas ilhas de restauração, principalmente em regiões onde a
matriz ainda é florestal ou mesmo bacias hidrográficas com muitos remanescentes
florestais na composição da paisagem.
20
Para Rodrigues (2004), a escolha de um modelo de restauração é um
processo dinâmico em constante aprimoramento, deve levar em conta os
conhecimentos básicos de ecologia, demografia, genética, bioengenharia e as
informações sobre o ambiente físico e biológico da região a ser recuperada. Além
dos conhecimentos científicos, a disponibilidade tecnológica é outro ponto
importante a ser mencionado, envolvendo a disponibilidade de sementes, a
produção de mudas e a implantação da floresta.
2.2 ANGICO GURUACAIA
Como espécie não muito sensível aos fatores físicos dos solos é
encontrado tanto em solos úmidos como secos, é, porém exigente à luz, motivo pelo
qual nas florestas altas e densas ocorre apenas como árvore bem desenvolvida,
apresentando por vez troncos muito grossos e copas bem amplas, descrição feita
por Reitz apud Reis (1978).
Para Maixner & Ferreira (1976), vitalidade com judicação para o tipo de
cultivo e indicações sobre reprodução produz anualmente boa quantidade de frutos,
cujas sementes são disseminadas pelo vento, faz-se necessário coletar os frutos
ainda fechados (maduros), depois de coletados, os frutos secam abrindo e liberando
as sementes. As sementes possuem longevidade prolongada quando armazenadas
em câmara fria.
O angico apresenta características de espécie pioneira e agressiva,
ocupando posição importante na sucessão de capoeiras e florestas secundárias,
lugares onde é árvore que se sobressai sobre as demais. Dos seus produtos têm-se
a madeira para construções e lenha, a goma, saponina e tanino. Serve como
forrageira, ornamental, medicinal e para recuperação de mata ciliar e áreas
degradadas. Ocorre em matas de galeria, várzeas e margens de rios, onde pode
dominar amplamente, confirmando sua preferência por solos úmidos e profundo,
Carvalho (2003).
Ainda segundo Maixner & Ferreira (1976), as mudinhas nos viveiros são
freqüentemente atacadas pelo tombamento (Damping-off), doença que ataca o colo
da planta levando-a à morte. As pequenas mudas desde cedo se desenvolvem
inclinadas, o que é característico da espécie. As mudas, após um período vegetativo
21
podem alcançar alturas superiores a 1,5 metros, o que é desaconselhável, pois as
mudas superiores a 40 cm já são de difícil pega no transplante. Desde tenra idade a
muda desenvolve uma raiz pivotante (principal) muito acentuada em relação às
secundárias (laterais), motivo da difícil pega no transplante definitivo.
Para mudas produzidas no viveiro, antes de serem levadas ao campo
recomenda-se a poda da raiz principal, assim como no plantio definitivo um condutor
(estaca) evita o acamamento da muda, Maixner & Ferreira (1976), ainda
recomendam espalhar no viveiro um pouco de terra retirada sob angicais idosos
para inocular as bactérias específicas da espécie.
Quando cresce em céu aberto, com luz abundante, as mudas tendem a
ramificar precocemente, formando fuste de baixa altura comercial. É necessária a
definição de práticas silviculturais adequadas como opções para o reflorestamento
da espécie (poda alta, plantios sob cobertura, etc...).
De acordo com a (EMBRAPA, 2009) o angico gurucaia, nome científico
Parapiptadenia rígida, é uma espécie ótima para reflorestamentos mistos de áreas
degradadas de preservação permanente, árvore que atingir até 35m de altura e DAP
de até 120cm. Sua madeira é de alta durabilidade, com excelentes características
físicas e mecânicas, normalmente utilizada na construção civil, em pontes e como
dormentes ferroviários, a lenha é considerada de muito boa qualidade, a casca é rica
em tanino, as flores são melíferas. A planta possui características ornamentais que a
recomendam para o paisagismo em geral.
2.3 SEMENTES
A semente é uma estrutura de propagação da planta, é a unidade
reprodutiva que dá início a uma nova geração da espécie. Esta estrutura contém o
embrião e protege-o contra a dessecação, danos mecânicos e ataques de
organismos diversos, ÁrvoresBrasil (2009).
O desenvolvimento da semente é o resultado normal do processo de
polinização. Entretanto, isto nem sempre ocorre, pois após a fertilização, o embrião
inicia
seu
crescimento,
porém,
às
vezes,
não
consegue
completar
seu
desenvolvimento. Isto pode estar relacionado com as condições fisiológicas que
envolvem o endosperma. Em geral, o desenvolvimento do fruto e da semente
22
ocorrem simultaneamente e de forma sincronizada. Alguns frutos podem
desenvolver sementes sem que a polinização e a fertilização tenham ocorrido,
processo conhecido como partenocarpia. Existem também, frutos partenocárpicos
que possuem óvulos maduros não fecundados, isto é, sem embrião. O crescimento
do fruto envolve a divisão celular, elongação e diferenciação, e requer água,
carboidratos, compostos nitrogenados, sais minerais e substâncias de crescimento.
A escassez de um ou mais desses elementos diminui a taxa de crescimento
ÁrvoresBrasil (2009).
Ainda de acordo com o site ArvoreBrasil (2009), a germinação, que ocorre
quando as sementes estão maduras e se as condições ambientais forem
adequadas, é o processo de reativação do crescimento do embrião, culminando com
o rompimento do tegumento da semente e o aparecimento de uma nova planta. As
condições básicas requeridas para a germinação das sementes são a água, o
oxigênio, a temperatura (20°C a 30ºC) e, para algum as espécies, a luz.
As sementes de várias espécies podem ser armazenadas por longos
períodos sem tratamento, como muitas leguminosas pioneiras, mas outras
necessitam preparação para o armazenamento e condições ambientais especiais.
Assim, além do tratamento da própria semente, são necessários embalagem e
ambiente apropriados. Os principais meios utilizados para o armazenamento de
sementes são a câmara fria, a câmara seca e a câmara fria seca, que se adaptam à
maioria das situações, Vieira et al. ( 2002).
2.3.1 Dormência das sementes
As sementes de algumas espécies, quando colocadas em condições
ambientais favoráveis, não germinam, por apresentares dormência. As sementes
desenvolvem a dormência como um mecanismo de sobrevivência e sua superação
está relacionada a fatores que ameaçam a espécie.
A dormência é um processo que distribui a germinação no tempo como
resultado da estratégia evolutiva das espécies para garantir que algumas encontrem
condições ambientais favoráveis para desenvolver plantas adultas, bloqueando a
germinação sob condições favoráveis imediatas em diferentes graus dentro de uma
população, protegendo as sementes da deterioração e sendo superada ao longo do
23
tempo e sob condições naturais de clima ou de alterações climáticas, Bianchetti
(1989).
Para Kramer e Koslowski (1972), a dormência impede a germinação, mas
é uma adaptação para a sobrevivência das espécies a longo prazo, pois geralmente
faz com que as sementes mantenham-se viáveis por maior período de tempo, sendo
quebrada em situações especiais; para o silvicultor, a dormência tanto pode servir
para manter as sementes por longos períodos, como pode ser um empecilho à
germinação, impedindo-a ou tornando-a irregular e, como conseqüência dificultando
a produção de mudas por via sexuada.
Segundo Flowler e Bianchetti (2000), a dormência pode ser tegumentar
ou exógena e embrionária ou endógena, podendo ocorrer independentemente uma
da outra ou simultaneamente na mesma semente.
Para Kramer e Koslowski (1972), a dormência de sementes pode ser
causada por substâncias inibidoras, por resistência mecânica dos tecidos externos
ao embrião, pela imaturidade do embrião ou pela dormência do próprio embrião.
2.3.2 Germinação
O processo que inicia com a retomada do crescimento pelo embrião das
sementes, desenvolvendo-se até o ponto em que forma uma nova planta com
plenas condições de nutrir-se por si só, tornando-se independente, é chamado de
germinação de acordo com Kramer e Kozlowski (1972).
Ainda segundo os autores a germinação ocorre numa sequência de
eventos fisiológicos lnfluenciada por fatores externos (ambientais: luz, temperatura,
disponibilidade de água e de oxigênio) e internos (inibidores e promotores da
germinação) às sementes, que podem atuar por si ou em interação com os demais.
As sementes de cerca de um terço das espécies germinam imediatamente em
condições favoráveis, mas as demais apresentam algum grau de dormência. O
conhecimento de como os fatores internos e externos influenciam a germinação e a
dormência das sementes de cada espécie é que permite controlar o armazenamento
e a germinação.
A germinação, após a embebicação da semente absorve a água e incha,
o tegumento hidratado amolece e se rompe, os tecidos de crescimento se
24
desenvolvem com o fornecimento de alimento pelos cotilédones, a radícula emerge
e se fixa, as folhas começam a se formar aumentando o potencial fotossintético da
plântula, inicia-se a absorção de nutrientes do ambiente, os cotilédones sobre
abscisão e a planta passa a se alimentar sozinha. Na germinação epígea, o
hipocótilo alonga-se e curva-se para cima, levando os cotilédones para fora do solo,
que se expandem em órgão fotossintéticos, o tegumento se desprende e a plântula
forma o caule com as primeiras folhas, na hipógea, não há alongamento do
hipocótilo e os cotilédones se mantém no interior do tegumento, sob a terra, a raiz
primária penetra o solo para o fundo e o hipocótilo cresce para fora do solo emitindo
as primeiras folhas fotossintética, Embrapa (2009).
Para Embrapa Forestal (2003), a germinação epígea, do angico gurucaia
com início entre 3 e 40 dias após a semeadura. O poder germinativo é alto (até
100%), média de 70%. As mudas atingem porte adequado para plantio, cerca de 5
meses após a semeadura. Mudas superiores a 40 cm de altura são de difícil
pegamento no campo. Segundo Durigan et at. (1997), as mudas ficam prontas em
cerca de 6 meses e não devem ser mantidas muito tempo em viveiro, pois a
mortalidade de mudas grandes costuma ser alta.
2. 3.3 Armazenamento de sementes
Para Bonner (1981), normalmente, as sementes não são utilizadas
imediatamente após a coleta. Por isso, devem ser armazenadas para utilização
futura no mesmo ano ou até nos anos seguintes, pois as espécies nativas
apresentam ciclicidade de produção de sementes, caracterizada por um ano de alta
produção, seguido de um ou dois de baixa produção.
Em decorrência disso, existe a necessidade de se manter a germinação
das sementes armazenadas, minimizando-se a velocidade de deterioração, por meio
de tecnologias desenvolvidas e apropriadas a cada espécies.
O objetivo a ser atingido no armazenamento de um lote de sementes é
manter sua germinação. A duração do período de armazenamento depende de
planejamento do uso futuro das sementes. Segundo Bonner (1981), período curto de
armazenamento é normalmente até 6 meses, período médio até 5 anos, e período
longo, mais de que 5 anos, que é utilizado para conservação de germoplasma.
25
Fatores que afetam a longevidade das sementes durante o armazenamento são as
adversidade durante a formação e desenvolvimento da semente, as adversidades
sofridas durante o período que vai da fertilização do óvulo até a coleta podem
predispô-la a uma deterioração mais rápida. Essas adversidades são a falta ou
excesso de chuvas, temperaturas extremas e ataque de pragas e doenças aos
frutos.
Viabilidade inicial da semente coletas em épocas inadequadas, imaturas
ou colhidas no solo, geralmente apresentam germinação baixa e vigor baixo,
enquanto as sementes maduras de uma mesma espécie mantêm a germinação e o
vigor por mais tempo em armazenamento. Para sementes de várias espécies, as
mais vigorosas resistem melhor do que as menos vigorosas ás condições
desfavoráveis quando estocadas, Durigan et at. (1997).
Para Willian (1985), injúrias térmicas durante a secagem das sementes
podem predispor as sementes à deterioração durante o armazenamento. Os
principais fatores envolvidos são a temperatura e o tempo de exposição. As
sementes úmidas são mais sensíveis a temperaturas altas, devendo-se observar
que quanto maior o grau de umidade inicial das sementes, menor deve ser a
temperatura de secagem. A germinação das sementes está intimamente ligada à
temperatura e umidade que, quando elevadas, aumentam sua atividade metabólica.
A redução da umidade relativa e da temperatura, no ambiente de
armazenamento, favorecem a conservação das sementes ortodoxas, pela redução
de sua atividade metabólica. A capacidade de absorção de umidade pelas sementes
varia de acordo com a composição química, a natureza e a espessura do
tegumento. Para sementes ortodoxas, quando o conteúdo de umidade está entre 5%
e 14%, a longevidade da semente dobra para cada 1% de redução do conteúdo de
umidade e pra cãs 5ºC de redução da temperatura, dentro do ambiente de
armazenamento. Entende-se como regra geral que, quanto mais baixa a
temperatura do ambiente de armazenamento, tanto melhor será a conservação das
sementes.
De acordo com as recomendações de Fowler & Carpenezzi (1998), o
armazenamento de sementes de angico gurucaia são para serem em câmara fria e
embalagem de plietileno (24 micras) por 12 meses.
26
2.3.4 Embalagens para armazenar de sementes
O tipo de embalagem afeta a viabilidade das sementes de muitas
espécies de forma diferenciada. As embalagens para armazenamento podem ser
abertas ou fechadas. As abertas são utilizadas para sementes que necessitam de
aeração e as fechadas para as que são sensíveis às flutuações da umidade e não
tem problemas quanto à aeração, Hong e Ellis (2003). Além disso, as embalagens
podem ser permeáveis, semipermeáveis e impermeáveis, como segue:
1) Embalagens permeáveis – Sacolas de papel e sacolas plásticas de pequena
espessura permitem troca de gases e de umidade com o ambiente e são adequadas
para a conservação de sementes ortodoxas de tegumento duro e para as
recalcitrantes que necessitam de aeração, Hong e Ellis (2003). Usadas para
armazenamento por período curto de tempo, normalmente entre a colheita e o
plantio subseqüente;
2)
Embalagem
semipermeável
–
Esse
tipo
de
embalagem
não
impede
completamente a troca de umidade entre as sementes e o ar exterior. O
condicionamento neste tipo de embalagem necessita que o grau de umidade da
semente seja 3% inferior ao recomendado para as sementes acondicionadas em
embalagem permeável. Não se recomenda a utilização desse tipo de embalagem
para acondicionar sementes por longo período de tempo. Exemplos de tipos de
embalagem semipermeável: polietileno fino (12 micras) e papel aluminizado;
3) Embalagens impermeáveis – São adequadas para estocagem de sementes
ortodoxas por longos períodos (de 2 a 10 anos), sob temperaturas de 0 a 10º C, com
teor de umidade de 8 a 10% , Hong e Ellis (2003). Não existe troca de umidade
entre a semente e o ambiente externo. Assim, não ocorre variações de grau de
umidade. As sementes amiláceas deverão apresentar teor máximo de umidade de
12% e as oleaginosas de 9% para armazenamento seguro, podem ser armazenadas
em: envelope de alumínio, latas, vidros com tampa possível de vedar e sacos de
alumínio revestidos com polietileno, Popinigis (1985).
27
2.3.5 Condições para o armazenamento
De acordo com a UFSM (2004), os princípios gerais do armazenamento
de sementes são:
1) O armazenamento não melhora a qualidade das sementes, apenas as mantêm;
2) Quanto maior a temperatura e a umidade no armazenamento, maior será a
atividade fisiológica da semente e mais rápida sua deterioração;
3) A umidade é mais importante do que a temperatura;
4) A umidade da semente é função da umidade relativa e em menor escala da
temperatura;
5) O frio seco é a melhor condição para o armazenamento de sementes ortodoxas;
6) Sementes imaturas e danificadas não resistem bem ao armazenamento,
enquanto as sementes maduras e não danificadas permanecem viáveis por mais
tempo;
7) O potencial de armazenamento varia com a espécie.
Para Kramer e Kozlowski (1972), pode-se acrescentar ainda que:
sementes armazenadas sempre deterioram com o passar do tempo. E as condições
acima são adequadas para sementes ortodoxas, enquanto para as recalcitrantes,
nem sempre são aplicáveis e, destas, cada espécie tem suas exigências
específicas.
Espécies recalcitrantes, geralmente, necessitam manter a umidade com
que foram colhidas, não suportando perdas superiores a 5% da umidade inicial para
permanecerem viáveis. O ambiente adequado à conservação pode ser obtido
enterrando-as em carvão úmido, serragem úmida, ou areia úmida; mas há espécies
que necessitam de boa aeração e não podem ser enterradas, devendo ser
acondicionadas em sacolas de papel ou em caixas abertas para possibilitar boa
difusão de oxigênio, devendo ser colocadas em ambiente com elevada umidade
relativa para não desidratar, Hong e Ellis (2003).
As espécies intermediárias tropicais apresentam comportamento, com
relação à temperatura, diferente das de clima temperado (incluindo altas altitudes
nos trópicos). Sementes de espécies de comportamento intermediário podem ter
longevidade média no armazenamento, contanto que o ambiente ótimo tenha sido
identificado e possa ser mantido, Hong e Ellis (2003).
28
A longevidade das sementes armazenadas é influenciada principalmente
pelos seguintes fatores, observados por Hong e Ellis (2003); Bonner (2001):
1) Qualidade inicial das sementes;
2) Teor de umidade da semente;
3) Tempo decorrido entre colheita e o armazenamento;
4) Tratamentos fitosanitários e térmicos aplicados;
5) Tipo de embalagem;
6) Temperatura de armazenamento;
7) Umidade relativa de armazenamento.
O armazenamento deve ser realizado em diferentes condições,
dependendo da espécie e das características de suas sementes. Algumas das
condições de armazenamento utilizadas atualmente são descritas abaixo pelos
autores , Hong e Ellis (2003), Schumacher et al. (2002).
1) Armazenamento seco com baixa temperatura – Este tipo de ambiente é
adequado armazenar sementes ortodoxas. Obtém-se através de câmaras frias e
desumidificadores. A temperatura de armazenamento é mantida entre 3 a 5 º C
para espécies ortodoxas temperadas e entre 10 e 20º C para espécies ortodoxas
tropicais com a umidade relativa do ar em torno de 45%.
2) Armazenamento úmido com baixa temperatura – É utilizado para conservar
sementes recalcitrantes que necessitam de ambiente úmido, como a Araucaria
angustifólia. Obtém-se através de câmaras frigoríficas ou refrigeradores. A
temperatura é mantida entre -3º C e 5º C para as recalcitrantes temperadas e
entre 7 e 17º C para as recalcitrantes tropicais, com a umidade relativa entre 98 e
99%, sendo que a maioria das recalcitrantes necessita de boa aeração.
3) Armazenamento à umidade e temperatura ambientais – Usa-se para sementes
de espécies de tegumento duro. É necessário o uso de embalagens adequadas,
preferencialmente
semipermeáveis
ou
impermeáveis,
dependendo
da
sensibilidade da espécie à desidratação. É recomendável para curto período de
tempo.
4) Criopreservação – Tem sido utilizada para armazenamento de sementes
ortodoxas a longo prazo, principalmente para conservação de germoplasma; a
criopreservação
(ou
crioarmazenamento)
é
realizada
a
temperaturas
29
extremamente baixas, entre -80 °C e -196 °C, obtida s com nitrogênio líquido,
Embrapa (2003).
As sementes de angico gurucaia, nome científico Parapiptadenia rígid
apresentam comportamento recalcitrante em relação ao armazenamento. O período
em que as sementes dessa espécie se mantêm viáveis após a coleta dificulta sua
utilização. Fowler & Carpenezzi (1998) preconizam que as sementes dessa espécie
podem ser armazenadas por 12 meses em câmara fria e embalagem de polietileno,
com a manutenção de 56% do poder germinativo inicial.
30
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA
O Refúgio Biológico Bela Vista pertencente a Itaipu Binacional é uma
unidade de proteção com 1920 hectares criada para receber milhares de plantas e
animais desalojados quando da formação do reservatório da usina. Todas as
edificações do espaço usam fontes alternativas de energia e foram construídas com
base em conceitos de arquitetura verde. As atividades concentram-se na produção
de mudas para reflorestamento, acolhimento e reprodução de animais silvestres em
cativeiro e pesquisa da fauna e flora. Também são desenvolvidas ali ações de
educação ambiental voltadas a escolas e a comunidades da região.
A conservação do ecossistema no qual está inserida a maior hidrelétrica
do mundo, Itaipu Binacional, é de muita importância. Ao longo de mais de 30 anos
de história, obteve resultados de sucesso no campo da preservação ambiental. A
mais antiga e bem-sucedida delas é o Refúgio Biológico Bela Vista da Itaipu
Binacional.
O RBV esta localizado na Rua Teresina, nº 62 na Vila “C” nova, em Foz
do Iguaçu – PR. É uma Unidade de Conservação localizada as margens do
reservatório de Itaipu, em Foz do Iguaçu – PR. Entre as atividades ambientais
desenvolvidas está a produção de mudas florestais e plantas medicinais.
Comprometido com o desenvolvimento sustentável, o Refúgio sempre esta em
busca de novas tecnologias que contemplam o uso racional dos recursos naturais.
O RBV conta também com o Centro de Educação Ambiental e Turismo,
além de diferentes trilhas para visitação e educação ambiental. Nestes locais, os
visitantes recebem informações sobre a fauna e flora da região e também sobre
conceitos e práticas de sustentabilidade. As visitas às trilhas são realizadas em
grupos acompanhados de monitores e possuem acesso para pessoas portadoras de
deficiência.
O viveiro florestal do RBV possui capacidade para produzir até 350.000
mudas de mais de 60 espécies florestais nativas por ano, tem sua produção de
mudas em estrutura suspensa para tubetes, e conta com estufa, laboratório de
sementes e galpão para as operações de beneficiamento de sementes, semeadura,
31
preparo do substrato entre outras atividades. No laboratório há duas câmaras frias
para armazenamento de sementes. As embalagens utilizadas são tamboretes de
papelão.
Além do Refúgio Bela Vista, a Itaipu possui outras áreas de proteção
ambiental, como outros refúgios biológicos, reservas e faixa de proteção do
Reservatório, uma mata ciliar de 200m de largura, que percorre as margens do
Lago. Juntas ocupam uma área de 100 mil hectares, onde já foram plantadas mais
de 22 milhões de mudas.
Desde 1979, já promoveu o plantio de mais de 44 milhões de mudas nas
margens brasileira e paraguaia. Atualmente, estão em atividade três viveiros, um no
Paraguai e dois no Brasil, em Foz do Iguaçu e em Santa Helena, que funciona por
meio de uma parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
Uma equipe especializada, colaboradores da própria Itaipu, no Refugio Biológico
Bela Vista com o auxílio da bióloga brasileira Ingrid Peters Robinson, professora da
Universidade de Albany, dos Estados Unidos e em parceria com a Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Estadual de
Maringá (UEM) e pesquisadores independentes, a Itaipu desenvolve desde 1987
mais de 40 experimentos diferentes, com mais de 180 espécies de árvores nativas e
exóticas, ITAIPU (2010).
3.2 TESTES PRELIMINARES
O teste de germinação visa observar a viabilidade da espécie,
demonstrando assim de forma qualitativa e quantitativa o estado nutricional da
semente. Os testes indicam as condições de armazenamento estão adequadas para
a espécie ou se será necessário uma modificação no processo de secagem ou
armazenamento.
Realizou-se teste de germinação com o objetivo de obter informações
sobre a qualidade das sementes estocadas, no Laboratório de Sementes do RBV,
para fins de semeadura em campo e fornecer dados que possam ser usados,
juntamente com outras informações, para comparar diferentes lotes de sementes.
32
O controle de estoque de sementes é realizado através de pesagens das
sementes coletadas e acondicionamento, as entradas e saídas de sementes do
laboratório estão em um controle de planilhas eletrônicas.
A coleta realizou-se com saídas a campo. Fez-se necessária a utilização
de técnicas de escalada e rapel, com o uso do “podão” figura abaixo, indispensável
para a coleta de sementes, além de todos os equipamentos de segurança
necessários.
Figura 1: Coleta de sementes com equipamento de corte, popularmente conhecido como podão.
Para garantir a diversidade do reflorestamento, especial atenção é
dedicada à coleta de sementes realizada no banco de germoplasma florestal
mantido no Refúgio Bela Vista.
As mudas deste viveiro florestal são usadas na recomposição florestal
das áreas protegidas da Itaipu e também na recuperação das matas ciliares dos rios
da Bacia do Paraná 3, através do Programa Cultivando Água Boa e também doadas
a prefeituras e entidades.
33
3.3 METODOLOGIA
O experimento foi instalado para avaliar a eficiência do armazenamento
de sementes de angico gurucaia no laboratório de sementes do Refúgio Biológico
Bela Vista da Itapu Binacional.
Primeiramente foram observadas todas as condições mínimas para que
as sementes pudessem germinar, mantendo os equipamentos utilizados limpos e
preservados, livrando assim as sementes de contaminação por fungos.
As sementes utilizadas para o experimento foram colhidas no mês de
março de 2009, e tomadas ao acaso para o teste de germinação. Foram submetidas
a duas condições de armazenamento sendo uma em câmera fria com temperatura
de 8º e umidade de 72%, e outra em ambiente do laboratório num período de 12
meses, o qual realizou-se a avaliação.
Foram utilizados dois tipos diferentes de substrato: papel germitest e areia
autoclavada. Na primeira condição, as sementes foram colocadas em gerbox (caixas
transparentes), forrada com papel germitest 28X38 cm e 65g, dobrado em 4 partes e
adicionados 30ml de água destilada e outra colocada em gerbox forrada com 150g
de areia esterilizada em autoclave durante 30 minutos e adicionados 40ml de água
destilada mexendo-se até obter uma mistura homogênea.
Figura 2: Gerbox (caixas transparentes), forrada com substrato areia.
34
Para que a areia utilizada tivesse uma textura uniforme, foi separada e
peneirada antes dos testes. A análise dos resultados foram através de cálculo do
total de sementes germinadas/mês, cálculo da média, cálculo do desvio padrão
(desvio padrão é uma medida do grau de dispersão dos valores em relação ao valor
médio - a média), e porcentagem de germinação.
Para se obter a porcentagem de germinação foi dividido o número total de
sementes germinadas pelo número total de sementes da amostra, multiplicando por
100, calculada através da fórmula:
% Germinação = nº. total de sementes germinadas x 100
nº. total de sementes da amostra
Foram analisadas as germinações das sementes em relação ao tipo de
substrato, em relação ao tempo e em relação as condições de armazenamento.
O experimento foi instalado em câmara de germinação com foto período,
para controlar o ambiente, em especial, a temperatura, a umidade e a luz, com uma
temperatura de 30º e alternância de luz de 12 em 12 horas. O delineamento é de 8
repetições com 25 sementes cada.
Figura 3: Sementes do experimento na Câmera de germinação
35
As contagens das sementes germinadas realizaram-se no 7º dia, 14º dia e
21º dia, o experimento teve inicio no dia 16/03/2009 e repetido em abril, maio e junho
do mesmo ano, e também em janeiro, fevereiro e março de 2010. Para esses
experimentos utilizaram-se os seguintes materiais e equipamentos:
1) Gerbox;
2) Areia autoclavada;
3) Papel germitest;
4) Água destilada;
5) Sementes;
6) Câmara com fotoperiodo.
36
4 RESULTADOS DE DISCUSSÃO
Os resultados obtidos foram em relação a germinação em diferentes
substratos.
4.1 SUBSTRATO PAPEL GERMITEST 2009
A tabela abaixo representa a germinação em substrato papel germitest em
um período de 4 meses, onde foram analisadas as germinações das sementes
armazenadas em câmara fria e sala do laboratório. Demonstra também a média, o
desvio padrão e a % de germinação em cada mês.
Tabela 1: Substrato papel germitest - 2009.
SUBSTRATO PAPEL GERMITEST - 2009
substrato
germiteste
Repetições
R1
R2
R3
R4
R5
R6
R7
R8
Total
Média
Desvio
pad.
% Germ.
Recém
colhida
1º mês
2º mês
3º mês
4º mês
16/03/2009
20/04/2009
18/05/2009
22/06/2009
20/07/2009
Recém colhida
Camara
Fria
Amb.
Lab.
Camara
Fria
Amb.
Lab.
Camara
Fria
Amb.
Lab.
Camara
Fria
Amb.
Lab.
23
24
24
25
22
24
25
24
191
23,88
24
23
24
25
24
23
24
22
189
23,63
18
16
19
21
15
18
16
18
141
17,63
21
24
22
24
25
24
23
22
185
23,13
9
7
5
8
7
13
8
6
63
7,88
22
23
24
20
21
24
23
21
178
22,25
2
5
3
1
4
2
3
2
22
2,75
21
20
23
19
21
22
21
20
167
20,88
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,00
0,99
95,50
0,92
94,50
1,92
70,50
1,36
92,50
2,42
31,50
1,49
89,00
1,28
11,00
1,25
83,50
0,00
0,00
Na figura 4 está a comparação da germinação de sementes de angico
gurucaia no substrato de papel germitest em ambiente controlado (câmara fria), e a
germinação no substrato de papel germitest em sala do laboratório, no período de
120 dias no ano de 2009.
Onde foi possível observar que as sementes armazenadas em condições
do ambiente mantidas em sala do laboratório tiveram a perda completa de sua
viabilidade no período de 120 dias de armazenamento.
37
Enquanto que as sementes mantidas em câmera fria (ambiente
controlado), com germinação em papel germitest tiveram apenas uma perda de
parte de sua viabilidade e continuam mantendo 83,5% do seu poder germinativo.
Figura 4: Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em substrato de papel germitest - 2009.
4.2 SUBSTRATO AREIA
Na tabela a seguir esta representa a germinação em substrato areia em
um período de 4 meses, onde foram analisadas as germinações das sementes
armazenadas em câmara fria e sala do laboratório. Demonstra também a média , o
desvio padrão e a % de germinação em cada mês.
Tabela 2: Substrato areia - 2009.
SUBSTRATO AREIA - 2009
substrato
germiteste
Repetições
R1
R2
R3
R4
R5
R6
R7
R8
Total
Média
Desvio
pad.
% Germ.
Recém
colhida
1º mês
2º mês
3º mês
4º mês
16/03/2009
20/04/2009
18/05/2009
22/06/2009
20/07/2009
Recém colhida
Camara
Fria
Amb.
Lab.
Camara
Fria
Amb.
Lab.
Camara
Fria
Amb.
Lab.
Camara
Fria
Amb.
Lab.
24
25
21
22
25
24
25
23
189
23,63
25
20
24
24
23
25
23
22
186
23,25
19
14
18
20
16
15
17
19
138
17,25
21
25
23
24
22
23
24
22
184
23,00
6
8
3
5
9
12
9
7
59
7,38
22
24
18
23
24
20
23
22
176
22,00
3
2
2
4
1
1
2
1
16
2,00
20
21
23
19
21
20
20
22
166
20,75
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,00
1,51
94,50
1,67
93,00
2,12
69,00
1,31
2,77
92,00 29,50
2,07
88,00
1,07
8,00
1,28
83,00
0,00
0,00
38
A figura 5 abaixo demonstra a comparação da germinação de sementes
de angico gurucaia no substrato areia em ambiente controlado (câmara fria), e a
germinação no substrato areia em sala do laboratório, no período de 120 dias no
ano de 2009. Sendo possível observar que as sementes armazenadas em
condições do ambiente mantidas em sala do laboratório mesmo trocando o
substrato, permaneceram com a perda completa de sua viabilidade no período de
120 dias de armazenamento.
Mas as sementes mantidas em câmera fria (ambiente controlado), com
germinação em substrato areia tiveram apenas uma perda de parte de sua
viabilidade e continuam mantendo 83% do seu poder germinativo.
Figura 5: Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em substrato de Areia - 2009.
4.3 SUBSTRATO PAPEL GERMITEST - 2010
Na tabela 3 está a representação da germinação em substrato papel
germitest ao final de 12 meses do experimento, onde foram analisadas a
germinação das sementes armazenadas em câmara fria e sala do laboratório,
obtendo a quantidade de sementes germinadas em cada uma das 8 repetições.
39
Tabela 3: Substrato papel germitest - 2010.
SUBSTRATO PAPEL GERMITEST - 2010
substrato
germiteste
Repetições
Recém
colhida
10º mês
11º mês
12º mês
16/03/2009
18/01/2010
22/02/2010
25/03/2010
Recém colhida
R1
R2
R3
R4
R5
R6
R7
R8
Total
Média
Desvio
pad.
% Germ.
Camara Fria
Amb. Lab.
Camara Fria
Amb. Lab.
Camara Fria
Amb. Lab.
23
24
24
25
22
24
25
24
191
23,88
15
17
21
13
18
16
19
22
141
17,63
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,00
13
16
13
19
15
18
16
22
132
16,50
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,00
16
12
22
13
15
17
14
9
118
14,75
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,00
0,99
95,50
3,02
70,50
0,00
0,00
3,07
66,00
0,00
0,00
3,85
59,00
0,00
0,00
A figura 6 representa as sementes germinadas no substrato de papel
germitest
em
ambiente
controlado
(câmara
fria),
passado-se
12
meses
permaneceram com uma grande viabilidade de seu poder geminativo inicial
chegando a 59%, o que demonstrou uma ótima porcentagem de viabilidade das
sementes armazenadas e câmera fria.
Figura 6: Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em substrato de papel germitest - 2010.
40
4.4 GERMINAÇÃO SUBSTRATO AREIA – 2010
A tabela 4 abaixo representa a germinação em substrato areia ao final de
12 meses do experimento, onde foram analisadas a germinação das sementes
armazenadas em câmara fria e sala do laboratório, obtendo a quantidade de
sementes germinadas em cada uma das 8 repetições.
Tabela 4: Substrato areia - 2010.
SUBSTRATO AREIA - 2010
substrato
germiteste
Recém colhida
10º mês
11º mês
12º mês
16/03/2009
18/01/2010
22/02/2010
25/03/2010
Recém
Camara
Amb.
Camara
Fria
Lab.
Fria
Repetições colhida
R1
19
0
14
23
R2
24
17
0
18
R3
24
15
0
13
R4
25
16
0
16
R5
18
0
21
22
R6
24
14
0
14
R7
18
0
17
25
R8
21
0
14
24
Total
191
138
0
127
Média
23,88
17,25
0,00
15,88
Desvio
pad.
0,99
2,25
0,00
2,70
% Germ.
95,50
69,00
0,00
63,50
Amb.
Lab.
Camara
Fria
Amb.
Lab.
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,00
15
17
13
17
14
16
11
13
116
14,50
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,00
0,00
0,00
2,14
58,00
0,00
0,00
A figura 7 mostra que as sementes germinadas no substrato areia em
ambiente controlado (câmara fria), passado-se 12 meses permanecem com uma
ótima poder germinativo chegando a 58%, demonstrando uma velocidade de
deterioração das sementes armazenadas em câmera fria bem menor do que o
ambiente externo.
41
Figura 7: Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em substrato de areia - 2010.
4.5 DIFERENÇA SUBSTRATO - PAPEL GERMITEST / AREIA EM CÂMARA FRIA
Figura 8: Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em Câmara Fria em diferentes substratos.
Acima verifica-se que a germinação das sementes em estudo, estando em
substrato de papel germitest e substrato areia, ambos em câmara fria, não notou-se
diferença expressiva, sendo assim, nota-se que ambas podem serem utilizadas para
o teste de germinação. O gráfico abaixo esta demonstrando estes resultados em
porcentagem de germinação.
42
Figura 9: % Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em Câmara Fria em diferentes substratos.
4.6 DIFERENÇA ENTRE SUBSTRATO - PAPEL GERMITEST / AREIA EM SALA
LABORATÓRIO
Figura 10: Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em Sala do Laboratório em diferentes
substratos.
Na figura 10 pode-se observar que as sementes de angico gurucaia
armazenadas na sala de laboratório e germinadas em substrato papel germitest e
substrato areia, tiveram a perda completa da viabilidade das sementes em apenas
120 dias, isto devido a exposição das sementes ao ambiente com temperaturas
43
variáveis. Ocasionando assim, a contaminação das sementes por fungos devido a
variação da umidade em que elas foram expostas.
Figura 11: % Germinação de sementes de Angico gurucaia armazenadas em Sala do Laboratório em diferentes
substratos.
Esta figura 11 demonstra os resultados em porcentagem de germinação, e
também mostra que a perda total da vialilidade independe do substrato utilizado para
a germinação.
Portanto, os resultados encontrados para os tipos de substratos
concordam com os resultados encontrados por Ramos & Bianchetti (1984) e Ramos
et al., 1995, apud Carvalho, P. E. R. 2003. E as melhores condições de
armazenamento de sementes de angico são as que envolvem o armazenamento em
câmara fria.
44
5. CONCLUSÃO
Tomando como base os resultados obtidos e nas condições em que o
experimento foi desenvolvido, conclui-se que é eficiente o armazenamento de
sementes de angico gurucaia no laboratório de sementes do Refugio Biológico Bela
Vista da Itaipu Binacional, pois os resultados encontrados nos testes de germinação
indicam que o armazenamento das sementes por um período de 12 meses em
câmara fria, dentro de tamburetes, foi considerado adequado.
Outro aspecto importante levantado foi que com as sementes recém
colhidas para comparação de germinação, estando armazenadas em câmara fria
com temperaturas em torno de 8º e com umidade de 72%, manteve-se a viabilidade
de 58 % da germinação das sementes de angico ao final do experimento. De modo
geral, o armazenamento em condições de ambiente controlado se mostrou mais
favorável ao ambiente natural do que na sala de laboratório.
Diante disto, constatou-se que o armazenamento de sementes de angico
gurucaia no laboratório de sementes está de acordo com o esperado para que se
obtenha as sementes necessárias para a recomposição florestal das áreas
protegidas da Itaipu e também na recuperação das matas ciliares dos rios da Bacia
do Paraná 3, através do Programa Cultivando Água Boa e também por meio da
doação de mudas para prefeituras e entidades.
45
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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de ecossistemas. Florianópolis : UFSC, 2006.
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BONNER, F.T. (Ed). New Orleans: Southern forest Experimental Station. 1981.
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Brasília: Embrapa comunicações para Transferência de Tecnologia; Colombo, PR:
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[s.l]: USDA Forest Service’s, Reforestation, Nurseries, & Genetics Resources, 2003.
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(Mestrado) – Departamento de Botânica, Setor de Ciências Biológicas, Universidade
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www.itaipu.gov.br, acessado em: 24/04/2009.
ITAIPU. Site official da Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional. Disponível no site:
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Leitão-Filho HF (eds) Mata Ciliares: conservação e recuperação. São Paulo: Editora
da Universidade de São Paulo/FAPESP.
46
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MEDAUAR, Odete. Constituição Federal: coletânea de direito ambiental. 5.
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sementes florestais. Santa Maria: UFSM/AFUBRA, Projeto Bolsa de Sementes de
Espécies Florestais, 2002.
UFSM. Armazenamento de sementes. [Santa Maria]: UFSM, 2004. Disponível em:
http://www.ufsm.br/sementes/. Acesso em: 02 set. 2009.
UFSM/AFUBRA, Projeto Bolsa de Sementes de Espécies Florestais, 2002.
47
ANEXOS
48
Anexo 1
Principais espécies arbóreas com características de matas ciliares para a região Os
grupos ecológicos (GE), estão simbolizados da seguinte maneira: pi: pioneira; si:
secundária inicial; st: secundária tardia ou clímax.
Família
Espécie
Nome popular
GE
ANACARDIACEAE
ASTERACEAE
BOMBACACEAE
CECROPIACEAE
CAESALPINIACEAE
“
EUPHORBIACEAE
FABACEAE
“
LAURACEAE
MELIACEAE
MIMOSACEAE
“
“
“
MYRTACEAE
“
“
“
“
“
“
SAPOTACEAE
SOLANACEAE
TILIACEAE
ULMACEAE
Schinus terebinthifolius
Baccharis brachylaenoides
Ceiba speciosa
Cecropia pachystachya
Bauhinia forficata
Peltophorum dubium
Sebastiana commersoniana
Dalbergia frutescens
Lonchocarpus leucanthus
Ocotea pulchella
Cedrela fissilis
Parapiptadenia rigida
Inga vera
Inga virescens
Inga sp.
Campomanesia guazumifolia
Campomanesia xanthocarpa
Eugenia involucrata
Eugenia pyriformis
Eugenia uniflora
Plinia trunciflora
Psidium guajava
Chrysophyllum gonocarpum
Solanum sp.
Luehea divaricata
Trema micrantha
Aroeira
Vassourinha
Paineira
Embaúva
Pata-de-vaca
Canafístula
Branquilho
Rabo-de-Bugio
Farinha-seca
Canelinha
Cedro
Angico
Ingá
Ingá
Ingá-do-Miúdo
Sete-capotes
Guaviroveira
Cerejeira
Uvaia
Pitangueira
Jabuticabeira
Goiabeira
Aguaí
Fumo-bravo
Açoita-Cavalo
Crindiúva
pi
pi
st
pi
pi
si
si
si
si
si
si, st
pi, si
*
*
*
*
st
st
st
st
*
si
st
pi
si, st
pi
Fonte: Isernhagen (2001, p. 13).
Anexo 2
Especificações gerais da árvore angico gurucaia
Familia:
Mimosaceae
Nome Científico:
Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan
Nomes Comuns:
gurucaia, angelim amarelo, angico, angico amarelo, angico branco, angico
cambi, angico cedro, angico curtume, angico fava, angico ferro, angico preto,
angico rosa angico roxo, angico sujo, angico verdadeiro, angico vermelho,
angico da mata, angico de curtume, angico de banhado, angico de campo,
angico do curtume, angico do mato, angico dos montes, brincos de sauí,
cambuí, corocaia, curupaí, frango assado, gorocaia, gorucaia, guaiçara,
guarucaia, monjoleiro, picará
Crescimento:
árvore
Grupo Ecológico:
oportunista
Ocorrência:
floresta estacional semidecídual , floresta de araucária
49
Distribuição
Geográfica:
MG MS PR RJ RS SC SP
Dispersão:
anemocoria
Polinização:
melitofilia
Floração:
jan fev mar set out nov dez
Frutificação:
mar abr mai jun jul ago set
Utilização
Utilizada para:
Construção
Carvão
Resina
Arborização Urbana
Medicina
Melífera
Paisagismo
Dados do Caule
Tipo de Copa:
corimbiforme
Densidade da Madeira: 0,88
Observações:
Casca interna dura, parda avermelhada, exuda goma quando ferida. Quando
nova a casca apresenta uma goma amarelada, que pode substituir a goma
arábica. Sua casca é rica em resina.
Dados da Flor
Tamanho da Flor:
0,35
Cor:
amarela
Estrutura:
espiga
Tipo:
Inflorescencia
Observações:
Numerosas, reunidas em espigas axilares, cilíndricas, com 4 a 10 cm de
comprimento.
Dados da Folha
Estrutura:
imparipinada
Tipo:
Composta
Forma da Folha:
oblonga
Tamanho da Folha:
8 x 15
Inserção:
alterna
Consistência:
foliácea
Contem:
Glandulas
Observações:
Nervura principal submarginal, pecíolo com 2 a 4 cm de comprimento, com
glândula peciolar grossa, séssil, alongada e uma a duas glândulas menores,
redondas, entre os pares apicais.
Dados do Fruto
Tipo do Fruto:
vagem
Estrutura:
Seco
50
Cor do Fruto:
vermelha
Tamanho:
12
Deiscencia:
sim
Periodicidade:
anual
Observações:
Se abre ao meio por uma fenda, membranáceo, coriáceo, apresentando a
ponta prolongada em acúmem de 1cm de comprimento, estípete com 7 a 10
mm de comprimento.
Dados sobre Pragas e Doenças
Descrição da Doença: Pragas: caruncho (Merobruchus sp) Coleóptera Bruchidae infestando frutos e
sementes. Os serradores cerambicídeos: Oncideres saga e Oncideres
impluviata com danos leves. Oncideres gutturator, com danos de grau variável.
Doenças: "damping-off", doença fúngica que ataca o colo da planta, levando-a
á morte, na fase de viveiro. Quando em maciços quase puros, é muitas vezes
atacada por fungos e brocas da raiz, o que provoca a morte em reboleiras,
sobrando poucos exemplares ou exemplares ocos.
Dados das Sementes
Forma da Semente:
asa
Cor da Semente:
rosa
Tamanho:
11
Quantidade:
6
Observações:
Lisa, brilhante, comprimida, plana, ovado orbicular, geralmente com um
pequeno funículo aderente, circundada por estreita ala menbranácea que se
rompe com facilidade, deixando transparecer o embrião.
Técnicas em Viveiro
Beneficiamento:
Os frutos são colhidos quando iniciam a deiscência. A semente é facilmente
extraída da vagem. Sua viabilidade em armazenamento é superior a 3 meses.
Sementes por Kilo:
41655
Dormência:
não
Quebra Natural:
4 meses
Quebra Câmara:
8 meses
Umidade:
0%
Germinação:
70 % após 30 dias
Condução:
pleno sol
Formação:
a 30 cm em 5 meses
Tolerância:
sim, 2 semanas após a germinação
Plantio:
O crescimento da gurucaia varia de lento a moderado. Em espaçamento 3 x 2
m a média da porcentagem de plantas vivas foi 50% . Em espaçamento 4 x 4
m a média da porcentagem de plantas vivas foi 47%.
Conservação:
Não ameaçada.
Fonte: Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais
51
Anexo 3
Vista aérea da ITAIPU BINACIONAL
Fonte: Itaipu Binacional
Anexo 4
Vista aérea - Refúgio Biológico Bela Vista
Fonte: Itaipu Binacional
52
Anexo 5
Sementes de Angico Gurucaia Germinadas
Download

TCC _ José Carlos F. Neto