ARTIGO
O DESPORTO E A EDUCAÇÃO FISICA ADAPTADA PARA
PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS: APONTAMENTOS
HISTORICOS
Maria Elisa Caputo'
RESUMO
O objetivo do estudo é buscar uma compreensão histórica sobre o
desporto e a Educação Fisica Adaptada, entendidos como áreas do estudo
do movimento humano.
II
Palavras-chave: educação física, educação fisica adaptada, desporto adaptado, deficiência.
Dentro da temhtica "Educação para grupos especiais", a área da Educação Fisica e do Desporto, nos Últimos anos, vem se constituindo, ao lado de
outras áreas, em um dos mais importantes meios para promoção da educação
integral da "pessoa com necessidades especiais", identificada aqui como PNE.
A terminologia Educação Física Adaptada, Desporto Adaptado ou Atividade Motora Adaptada demonstra a necessidade de adequação de pressupostos, princípios, estratdgias e metodologia a frações populacionais, que estão
aquém ou além de parâmetros da normalidade, configuradas por nomenclaturas como: deficientes, portadores de deficiência, portadores de necessidades
especiais, portadores de necessidades educativas e/ou educacionais especiais,
deficitárias, superdotadas, infradotadas, e outras.
Esclarecemos que a Atividade Motora Adaptada é entendida aqui como
a busca de adequação de meios para se efetivar um resultado desejado, diante
da ausência ou da impossibilidade de usar os meios convencionais,que foram
estabelecidos como a maneira correta de se executar ou praticar uma atividade.
Por se tratar de duas áreas - Desporto Adaptado e Educação Fisica
Adaptada - cujas ações não tiveram início e desenvolvimento concomitantemente,
optamos por descrevê-las separadamente.
'Professora da Faculdade de Educaçüo Flsica da Universidade Federal de Juiz de Fora.
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I
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t
DESPORTO ADAPTADO E EDUCAÇÃO FISICA ADAPTADA
O desporto adaptado se expressa através do entendimento de que há
relação
estreita entre esporte e educação fisica. Primeiramente, esclarecemos
ir que o esporte
e a educação fisica têm se apoiado mutuamente, mesmo tendo
aspectos que os diferenciam em termos de objetivos, revelando suas identidades.
Necessitamos, assim, compreender que há diferença entre o esporte
enquanto um dos meios da educação fisica, sendo abordado como um meio
educacional, e o esporte enquanto "fenômeno de alto rendimento", voltado
primordialmente para a questão da performance. Neste nível, seus objetivos
são diferentes dos pedagógicos, sem, contudo, caracterizar uma abstenção de
preocupação educacional.
Assim, a educação fisica, na medida em que se utiliza do esporte como
um dos grandes e bons meios para seu desenvolvimento,sem dúvida, contribui
para melhor andamento do esporte de alto nível (ou esporte-performance, ou
esporte-rendimento), que se baseia também em níveis pedagógicos, mesmo
que relativamente reduzidos.
Entendendo essa correlação, podemos nos assegurar, conforme
ALMEIDA (1995), de que o esporte não é educação física, assim como educação fisica não é esporte. Ambos, sim, estão inseridos no estudo do movimento humano. Este autor acrescenta ainda que a falta de reflexão neste sentido
tem nos levado cada vez mais a criar distâncias entre esporte e educação fisica
e, conseqüentemente, a temer uma interposição entre estes.
Dessa forma, temos como pressuposto básico o fato de que a EF trata dos
fenômenos de aprendizagem, inclusive esporte. Este, por sua vez, vem também
expressar as representações de vida como dança, música etc., tendo uma
abrangência que o vincula até a sua significação como fenômeno pedagógico.
Nesse sentido, encontramos em BENTO (1987) a seguinte explicitação:
"o esporte é um subsistema das modernas sociedades industriais, possuindo e
reforçando, simultaneamente, com inequívoca nitidez os traços característicos
daquelas: competição, rendimento, 'igualdade de chances'. E isto pode ser entendido tanto positiva como negativamente". Além disso, esclarecemos que o
esporte integra a cultura corporal, revelando que sua essência resulta da função que lhe é atribuída pela sociedade.
Tratando do esporte voltado para as PNE, verificamos que este começou a ser incentivado depois da Primeira Guerra Mundial, com o inicio da prática do esporte em cadeira de rodas para pessoas amputadas e deficientes da
visão. Contudo, foi com a Segunda Guerra Mundial que o desporto, para a
PNE, realmente tomou impulso. Na fase pós-guerra (final da década de 40), as
sociedades modernas passaram a perceber a necessidade de descobrir novos
métodos, que visassem a integração do deficiente, tornando-o mais ativo e, na
medida do possível, fator de produção no campo de trabalho, minimizando o
custo social. As grandes potências assustavam-se com o número de prejudicaR. Min. Educ. Fís., Viçosa, v. 8, n. 1, p. 44-52,2000
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dos direta e indiretamentepelos efeitos mecânicos e químicos da guerra. "Eram
portadores de amputações, lesões medulares causadoras de diversas plegias,
les6es cranioencefálicas, psicoses graves que prejudicavam a conduta
psicossocial, disfunções motoras variadas entre os casos mais graves" (ROSADAS, 1986). O pós-guerra criou, então, uma situação de emergência com
relação à construção de centros de reabilitação e treinamento vocacional.
Verificamos que os países foram se destacando nessa área, iiicluindo
Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, França, Itália e Espanha, e criando centros de convalescença e reabilitação, com uso de exercícios terapêuticos e
atividades recreativas que auxiliavam na restauração de funções fisiológicas e
psíquicas. Nestes países foram mobilizados os primeirosjogos e esportes adaptados para amputados, paraplégicos e outros com deficiências maiores.
Com relação a jogos, antes da Segunda Guerra Mundial não se conheciam os jogos organizados para deficientes mentais. Pode ser que alguns indivíduos deficientes que gostavam muito de esportes pudessem ser encontrados
praticando algum tipo de esporte, em espaços particulares, com propósitos
terapêuticos principalmente. Entretanto, na década de 50, novas propostas surgiram, procurando perceber os deficientes, antes segregados e desvalorizados,
como seres humanos, indivíduos capazes de viver em suas comunidades.
No período pós-guerra, paralelamente à criação de centros terapêuticos,
foram criados programas de esporte com cadeiras de rodas em vários hospitais
de veteranos nos Estados Unidos. O basquetebol surge em 1946, como o primeiro esporte em cadeiras de rodas organizado da história. Além dos deficientes do pós-guerra, apareceram também os paraplégicos por poliomielite, os
amputados e outros deficientes ortopédicos.Em 1949,em Illinois, foi organizado o primeiro campeonato de basquetebol em cadeira de rodas, com grande
sucesso em sua organização. Até 1985, já existiam 80 equipes americanas
filiadas ANational Wheelchair Athletic Associatjon, segundo as elaborações de
ADAMS et al. (1985).
As competiç6es internacionais aumentaram e abundaram depois do primeiro encontro em Stoke Mandeville, em 1948. Em 1952, destacam-se os
primeiros Jogos Internacionais em Mandeville, graças a Sir Ludwig Guttmann.
Nestes jogos integraram-se diversas modalidades num movimento esportivo
sem precedentes, participando deficientesde diversas partes do mundo. Guttinanii
expandiu as modalidades de esportes em cadeiras de rodas, como boliclie na
grama, tênis de mesa, arremesso de dardos e arremesso de peso, acrescentando natação, esgrima e sinuca, em 1960.
As pessoas com profundas deficiências passaram, então, a desfrutar de
um certo grau de integração da sociedade a partir das idéias avançadas de
Guttmann sobre a readaptação pelo esporte no caso de lesões da coluiia vertebral - readaptação englobando os fatores físicos, fisiológicos e sociais - e dos
trabalhos de Macintyre em matéria de cirurgia plástica.
Na América do Sul, o interesse pelo esporte adaptado começou a partir
de 1957, quando a fisioterapeuta Monica Jones despertou o interesse, nas vítimas de pólio, em participar dos jogos de Mandeville.
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O ano de 1960 marca então a entrada dos Estados Unidos em competições internacionais, sendo também o ano em que os esportes em cadeiras de
rodas aproximaram-se dos Jogos Olimpicos Internacionais,. Os avanços na política mundial de acesso igual de todas as crianças as opomnidades são essenciais para o desenvolvimento de seu pleno potencial. Visou-se pela primeira
vez, nos Estados Unidos, o atendimento clínico, educacional e profissional adequado ao portador de deficiência mental. Desde 1960 são realizadas as
Paraolimpíadas (Olimpíadas para paraplégicos), e a cada quatro anos elas acontecem na mesma cidade, imediatamente após os Jogos Olimpicos. No Brasil,
os VI Jogos Panamericanos em Cadeira de Rodas foram realizados no Rio de
Janeiro em 1979.
Com relação às Olimpíadas Especiais, o conceito surgiu nos primeiros
anos da década de 60, quando Eunice Kennedy Shiver começou um trabalho
para pessoas com deficiência mental. Foi a partir de 1986 que ocorreu a organização dos primeirosjogos internacionais das Olimpíadas Especiais, em Soldier
Field, Chicago, Illinois, USA.
O Brasil participou pela primeira vez de uma Olimpíada Especial para
portadores de deficiência mental nos VI11 Jogos Internacionais de Verão das
Olimpíadas Especiais, realizados de 19 a 27 de julho19 1, em Minneapolis e Saint
PauI/Minnesota/USA.O programa Olimpíadas Especiais/Brasil foi implantado
a partir de projeto piloto desenvolvido em BrasílidDF, em 1990191, com apoio
da Secretaria dos Desportos da Presidência da RepúblicdDepartamento de
Desportos para Portadores de Deficiência. Participaram deste progrpma 33
atletas especiais brasileiros, sendo 29 de Brasília, que participaram de cinco
modalidades: atletismo, ginástica, futebol, natação e handebol, conquistando para
o País 32 medalhas, das quais 13 foram de ouro.
As questões relativas ao lazer e ao esporte, apesar de os portadores de
deficiência não terem sido lembrados quando da elaboração da PolíticaNaciona1 de Desportos pela SEEDIMEC, para o quinquênio 80-85, particularmente
os deficientes visuais e os mentais, puderam ser contempladas no reconhecimento que obtiveram no Conselho Nacional de Desportos - CND.
Na questão do desporto, o Governo Federal, por meio do Decreto no
91.452 de 19 de julho de 1985, regulamentado pela Portaria Ministerial no 598,
instituiu uma comissão para realizar um estudo sobre o Desporto Nacional,
publicado sob o título "Uma Nova Política para o Desporto Brasileiro - Esporte Brasileiro Questão do Estado". Com esta regulamentação o governo procurou atingir todos os profissionais e setores desportivos, sem preconceito ou
discriminação, de forma a proporcionar a participação ativa dos segmentos
desportivos, no mais amplo sentido democrático.
Identificamosnesta regulamentação que, na questão da imprescindibilidade
da modernização de meios e práticas de esporte, foi especificada a questão do
deficiente, na indicação no75, sob o titulo: Do Esporte para Portadores de Deficiência. Além disso, e abordada a questão da insuficiência de conhecimentos científicos aplicados ao esporte, deixando clara a preocupação em elaborar indicações visando abrir novas perspectivas para o desporto nacional. As forinulações
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compreendem projeções e sugestões, incorporandoaos objetivos de uma política
nacional do esporte a descentralização desportiva e o esporte para PNE.
Em termos da participação da PNE, queremos enfatizar que no ano de
1987 ocorreram campeonatos e torneios, em várias modalidades. O objetivo
maior das entidades desportivas direcionadas a esse segmento social era garantir sua inserção no meio social em que vivia, pois as atividades desportivas
proporcionavam, além de bem-estar físico e mental, a integração social. A
Secretaria de Educação Física e Desportos do MEC apoiou financeiramente
só algumas dessas competições, devido a ausência de recursos orçamentários1
financeiros. No âmbito desta Secretaria, não havia prioridade de atendimento
ao esporte para PNE, bem como inexistiam também programas que possibilitassem o desenvolvimento dessa atividade. A questão desportiva estava a cargo de iniciativas das entidades de desportos específicos e das Secretarias Estaduais de Educação e/ou Desporto.
Ressaltamos ainda que o MEC, por meio da SEED e de seu programa
de publicações, editou e divulgou várias obras, entre elas algumas referentes ao
Desporto para PNE.
Encontramos em Rosadas (op. cit.) uma contribuição que singulariza:
"as equipes brasileiras constituídas por deflcientes trouxeram para o Brasil, em disputa de provas
internacionais, um número tão expressivo de medalhas
que chegam a pôr em xeque as obtidas por nossas delegações de atletas que participam nas Olimpíadas tradicionais, imaginadas também por um idealista da competição esportiva amadora, Pierre de Coubertin ".
As Paraolimpíadas, bem como as Olimpíadas Especiais, desenvolveramse bastante, levando ao aumento de pessoas interessadas na prática motora
PNE, introduzindo estas questões na academia, desafiando-a a buscar respostas para a formação profissional para atuar nesta área emergente, relacionando a prática motora a reabilitação, em todos os seus aspectos (sociais, físicos e
mentais), e fazendo surgir a área de estudos em EFA.
Diante desses avanços e das possibilidades a serein descobertas,
enfatizamos que estão sendo criadas sociedades científicas, reunindo profissionais para o estudo mais aprofundado sobre a PNE. No Brasil ocorreu a criação da Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada, em 05112/94,filiada
a IFAPA (International Federation of Adapted Physical Activity) ein 16/05/97.
Além disso, o governo brasileiro, procurando expandir sua intervenção na PNE,
criou em 1990 o Departamento de Desporto para PNE (Lei no 8.028190).
Há também, segundo ARAUJO (1997), no Brasil, diversas associações
para apoio e desenvolvimento de esportes para PNE, como: FENAPES (Federação Nacional das Associações de Pais e Ainigos dos Excepcionais), ein 101
1 1/62; ANDE (Associação Nacional de Desporto para Deficientes), ein 181081
75; ABDC (Associação Brasileira de Desporto para Cegos), em 1910 1 11984;
ABDEM (Associação Brasileira de Desportos de Deficientes Mentais), eni
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17/05/89;ABRADECAR (Associação Brasileira de Desportos em Cadeira de
Rodas), em 09/12/84; CBDS (Confederação Brasileira de Desportos de Surdos), em 17111/87; ABDA (Associação Brasileira de Desportos para Amputado), em 24/08/90; e a Associação das Olimpíadas Especiais do Brasil, em 081
12/90. Em 30/08/94 foi criado o Comitê Paraolímpico Internacional.
Com este conjunto de informaçaes, acreditamos que, nos dias atuais, a
PNE passou a ser vista de uma outra forma: quando adequadamente atendida,
pode ter minimizado suas necessidades, podendo vir a ser uma pessoa socialmente integrada, produtiva e feliz. Assim, busca-se o respeito de ser diferente,
a sua integração na sociedade. O atendimento ao portador de necessidades
especiais pretende enfocar não o aspecto de sua incapacidade ou limitação,
mas suas potencialidades, sua competência e seu desempenho.
Acreditamos que há muitos espaços e avanços a conquistar, por isso
ressaltamos que é necessário cada vez mais que prestemos atenção às necessidades de apoio às PNE. Neste sentido, reforçamos que a coordenação de
atiyidades recreativas ou de educação física adaptada com os procedimentos
de tratamento constitui um programa eficaz e que auxilia aPNE a reobter o uso
de seu corpo, deficiente em alguns movimentos, pois a participação nos movimentos corporais ativos é educativa e não apenas uma diversão. A diversão, a
brincadeira e a competição são importantes, mas o essencial é que cada PNE
possa ser vista de maneira diferente ao ser atendido num programa que o visualize
como unidade biopsicossocial.
EDUCAÇÃOFISICA ADAPTADA NO BRASIL: ORIGENS E POSSIBILIDADES
Ao refletir sobre o tema Educação Física Adaptada no Brasil: origens e
possibilidades, reforçamos a visão de educação como possibilidade de inclusão
social da PNE. Nesta perspectiva, é importante termos clareza de que, na área
da Educação, defendemos perspectivas de abordagens e de reflexões que se
encontram em publicações de alguns dos nomeados pesquisadores da área,
como CARVALHO (1 997), MANTOAN (1 997), MAZZOTA (1 996),
SASSAKI (1997) e SILVA (1986). Na área de Educação Física Adaptada,
desta'camos CARMO (1991), CARMO et al. (1997), FERREIRA (1993),
ROSADAS (1986), etc.
A EFA tem sido objeto de preocupação dos profissionais de EF, órgãos
governamentais e das universidades no que diz respeito a formação de recursos humanos para atuar junto com a PNE. A grande dificuldade, todavia, tem
sido o despreparo do corpo docente nas universidades para a formação destes
recursos humanos, além da carência de referências bibliográficas.
Verifica-se que, até a década de 70, não existia, nos cursos de graduação em Educação Física e Desportos, uma disciplina específica cujo conteúdo
prograrnático abordasse a atividade física direcionada a PNE.
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Somente a partir da década de 80, no Brasil, de forma empírica e acanhada, foram desencadeadas discussões a respeito da Educação Física Adaptada,
tendo como fonte provocadora uma realidade concreta advinda do desporto já
então praticado pelos deficientes e que remetia b Instituições de Ensino Superior
a necessidade de fundamentação teórica, calcada no conhecimento científico
indispensável para professores de educação física licenciados, que se encontravam diante de uma perspectiva de trabalho até então desconhecida.
Podemos afirmar que na década de 80, de forma institucionalizada, foram realizados estudos, pesquisas, discussões científicas e intercâmbio internacional, objetivando a aquisição de conhecimento especializado e troca de experiências. Foram pioneiras nessa área a USP, UFU, UFMG e UCB, segundo
reflexões de PETENGILL e COSTA (1997).
Na tentativa de promover e fomentar uma EF que atenda aos interesses
e às necessidades da PNE, palestras, conferências, simpósios, cursos de extensão e mesmo cursos de especialização em EFA, EF Especial, EF para PNE
etc. têm sido organizados em várias partes do País, com o intuito de capacitar
os profissionais para atuarem nesta área específica da EF.
Em termos de situar o quadro da Educação Física Adaptada no Brasil,
verificamos que a partir de 1985 o País passou a contar com maior número de
profissionais para intervir elou para desenvolver pesquisas. Essa ampliação
contribuiu para fortalecer um processo que contribuiu para a formação de massa crítica indispensável à produção científica e tecnológica.
Acreditamos que a implantação de disciplinas específicas nos cursos de
EF no País constituiu passo fundamental para a preparação destes profissionais, posto que vem acompanhando o processo de mudanças que está ocorrendo no meio social e educacional. Este processo acompanha a reestruturação
curricular,visando compatibilizarconteúdos e estratégias pedagógicas, a fim de
que sejam formados profissionais conscientes e críticos, para intervir na PNE.
E apontado como dado relevante por TEIXEIRA (1997) o fato de que,
no período correspondentea 1986 até 1996,ocorreu "maior definição do objeto
de estudo e das metodologias de investigação". Este autor considera também
que é preciso reconhecer que esta é uma área dinâmica, que vem buscando
integração de conhecimentos e criação de interfaces com outras áreas. Com
isso, vêm se definindo e constituindo grupos multidisciplinares que têm procurado "compreender e gerar conliecimentos de procedimentos para um grande
número de deficiências".
Queremos mencionar que avanços vêm sendo conquistados, e há dados
que são reveladores, como apresenta TEIXEIRA (ibid:53): em 8% dos Institutos de Ensino Superior, em 1986,já havia sido implantada disciplina nesta área
(época em que foi realizado o primeiro Simpósio Paulista de EFA), e, em 1994,
mais de 70 instituições assumiram ministrar disciplinas tratando desta área de
especialização. Além disso, há informação da Secretaria de Desportos da Presidência da República - SEDESRR de que foi realizado, em 199 1, um levantamento das IEs com referência ao oferecimento de disciplina(s) sobre a PNE
50
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nos cursos de Educação Física. Deste levantamento ficou evidenciado que, das
116 IEs cadastradas, 93 ofereciam disciplinas específicas e/ou correlatas a
área (id.,ib).
Outro destaque fundamental recai sobre a criação da Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada - SOBAMA, em 9 de dezembro de 1995,
no decorrer do V Simpósio Paulista de EFA. Em 1995 foi realizado o primeiro
congresso desta sociedade, contando com representantes internacionais, simbolizando "grande avanço e consolidação da área", conforme enfatiza
TEIXEIRA (id.ibid.), ocasião em que foi lançada a primeira revista desta sociedade, como órgão de divulgação e socialização das informações.
Afirmamos, diante dessa configuração, que a EFA encontra-se em fase
de desenvolvimento, fundamentando-seem princípios filosóficos,epistemológicos,
axiológicose teleológicos. Esperamos que este desenvolvimentotenha condições
de ter sua continuidade assegurada, mesmo com a carência de apoio técnico e/ou
financeiro do Governo Federal. Nessa dimensão, reforçamos que ao Ministério
da Educação e do Desporto cabe, em sua função normativa e orientadora, entre
outras, formular políticas e determinar diretrizes que contribuam para a formação
educacional integral do homem, incluindo a PNE.
Também reforçamos que o crescimento, seja na produção de conhecimentos ou na formação de futuros profissionais, na área da EFA, constitui
responsabilidade das instituições formadoras de recursos humanos. Na verdade, há pensadores que defendem que a EFA simboliza um dos instrumentos que
a educação utiliza para o desenvolvimento integral da PNE e, como os demais,
deve estar no mesmo espaço administrativo de cada secretaria do Ministério
da Educação, incluindo do pré-escolar ao ensino superior.
Com essas ponderações, acreditamos também que órgãos públicos e
privados, em suas áreas de competência, necessitam ampliar sua intervenção
para que a prática indispensável das atividades fisicas seja acessível a todas as
PNE, principalmente no Sistema de Ensino Regular.
Nesta perspectiva, temos a esperança de que, no decorrer deste final de
milênio, possam ser encaminhadas discussões, produzidos conhecimentos, reforçadas as potencialidades e possibilidades de desenvolvimento da PNE por
educadores também da EF, visando garantir-lhe a conquista da cidadania, sem
restrições e/ou exclusões.
ABSTRACT
Sports and Adapted Physical Education to Persons with Special
Needs: Historical Remarks
This study aims to provide a coinprehensive historical view on sports and
Adapted Physical Education, understood as areas of liuman movement study.
Key words: physical education, adapted physical education, adapted sports,
haiidicapped.
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