Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS PROFESSORES SOBRE AGROECOLOGIA EM UMA ESCOLA PUBLICA DO MUNICIPIO DE CHAPECÓ - SANTA CATARINA Nívea Bitencourt da Silva Cortina1 (UNOCHAPECÓ) Denilso Hermes2 (UNOCHAPECÓ) Geovana Mulinari Stuani3 (UNOCHAPECÓ) Resumo: As representações sociais se mostram como uma forma de interpretar e pensar a realidade cotidiana dos indivíduos. Este trabalho teve como objetivo conhecer as representações sociais de professores de uma escola pública sobre a agroecologia. O desenvolvimento de práticas agroecológicas é uma alternativa para a busca da relação entre alimentação saudável e produção sustentável. A pesquisa atingiu a saturação teórica com 11 entrevistados. Constatou-se que os entrevistados não possuem domínio conceitual sobre a agroecologia, porém reconhecem a importância de aliar o conteúdo didático com tais práticas. Assim, concluiu-se que antes de iniciar um trabalho efetivo de horta pedagógica nesta unidade escolar, será necessário reconstituir suas representações sociais. Palavras-chave: Grounded Theory; horta pedagógica; educação alimentar. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS PROFESSORES SOBRE AGROECOLOGIA EM UMA ESCOLA PUBLICA DO MUNICIPIO DE CHAPECÓ - SANTA CATARINA Introdução Considerada um fator vital e também uma fonte de prazer individual e coletivo, a alimentação é muito mais do que a ingestão de nutrientes, ela também caracteriza um traço de identidade social ou cultural. É ainda uma das principais determinantes da saúde e qualidade de vida, podendo acarretar prejuízos ou benefícios dependendo da qualidade e quantidade ingerida diariamente pelo individuo. Na sociedade atual em que vivemos o padrão alimentar é cada vez mais impróprio, devido ao consumo excessivo de produtos industrializados, que são prejudiciais à saúde por serem ricos em gordura, sais, açucares e também ao crescente hábito de alimentar-se em fast food (BRASIL, 2006). ___________________________________ 1 Acadêmica do curso de Ciências Biológicas da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). E-mail: [email protected] 2 Acadêmico do curso de Ciências Biológicas da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). E-mail: [email protected] 3 Área de Ciências Exatas e Ambientais - Universidade Comunitária da Região de Chapecó Unochapecó). Email: [email protected] 6008 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 Devido a vários fatores, entre eles a necessidade de alimentação adequada e a produção agrícola, é preciso que se estabeleçam relações entre a utilização do solo e a agricultura sustentável a fim de amenizar os impactos causados pela agricultura convencional ao meio ambiente e melhoria no produto final que é o resultado da produção. Com suas práticas de conservação da natureza, a agroecologia é um caminho para estabelecer relações sustentáveis na produção de alimentos, a fim de suprir a necessidade alimentar da população, aliada com a educação, com as políticas públicas, desenvolvimento de tecnologias e respeito à vida (MEC, 2005). Para Caporal e Costabeber (2004) a agroecologia “é uma ciência para o futuro sustentável”, pois ela integra conhecimentos diferentes de ciências para atual análise do desenvolvimento da agricultura atual. Costa e Wizniewsky (2010) afirmam que mesmo sendo a agroecologia um campo de produção científica recente, a mesma é constituída por traços de práticas antigas da agricultura, sendo embasada nas interações entre o homem e o meio ambiente. O desenvolvimento de práticas agroecológicas é uma alternativa para a busca da relação entre alimentação saudável e produção sustentável. Além do subsidio na produção de alimentos, a agroecologia tem como principal objetivo a qualidade de vida do consumidor, pois trata de uma agricultura saudável que estimula mudanças de estilo de vida, nos hábitos alimentares e padrões de consumo. Sabemos que com o crescimento acelerado da população, é necessário assegurar a conservação ambiental assim como a segurança alimentar. A pesquisa realizada buscou trabalhar em duas extensões: a agroecologia e a Teoria das Representações Sociais. Moscovici (1978) menciona que a realidade é reportada na forma de representações sociais, sendo distinguida pelo contexto de valores e relações. Assim a Teoria das Representações Sociais auxiliou a compreender, nesta pesquisa, qual é o conceito de agroecologia no senso comum dos professores. A Teoria das Representações Sociais é estudada pela Psicologia Social, que é interceptada entre as Ciências Psicológicas e as Sociais. Ela se pronuncia tanto com a vida coletiva como com os processos de construção alegórica para a constituição da identidade social a fim de compreender a realidade (Jovchelovitch, 2002). O conceito de “Representação Social” havia sido esquecido, mas está sendo muito utilizado atualmente em diferentes áreas. As representações sociais se apresentam como uma forma de interpretar e pensar a realidade cotidiana, sendo uma forma de reconhecimento desenvolvida pelos indivíduos para descrever sua posição em relação a situações, eventos e objetos (SEGA, 2000). A importância da pesquisa deu-se em conhecer a representação social dos professores sobre o tema agroecologia, a fim de nortear, no sentido de fornecer dados, o estabelecimento 6009 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 de uma horta escolar em parceria com o projeto anual da escola, cujo tema era: “Escola Sustentável” tendo como objetivo principal a implantação de práticas sustentáveis nesta unidade escolar. Buscou-se então: Conhecer o perfil sociocultural dos professores; Entender a compreensão de agroecologia representada pelos mesmos e identificar atividades na escola que promovam a agroecologia. Metodologia No ano de 2013 a escola, onde se realizou a pesquisa, pretendia realizar um projeto que teria a duração de 01 (um) ano com o seguinte tema: “Escola Sustentável” onde o objetivo principal foi a implantação de práticas sustentáveis. O publico alvo era composto por: educadores, estudantes, profissionais dos serviços gerais, pais e equipe gestora. Várias ações foram propostas pela gestão escolar, inclusive a criação de uma horta escolar pedagógica. Para a análise dos dados qualitativos desta pesquisa, usou-se o método da Teoria Fundamentada em Dados (Grounded Theory). Este método é um tipo de análise de conteúdo que consiste em uma coleta de dados, através de entrevistas que são gravadas e após transcritas. O pesquisador não inicia a pesquisa com uma hipótese já formulada, ao contrário, busca reunir um volume de informações sobre o assunto estudado. Analisando essas informações de acordo com as etapas do método, o pesquisador elabora uma teoria que explique o fenômeno estudado (TAYLOR E BOGDAN, 1998; CHAMBERLAIN, et al 2004; HARRIET et al, 2007). As entrevistas gravadas são cuidadosamente transcritas e analisadas, frase a frase. De suas respostas se extraem uma serie de códigos, podendo ser palavras ou expressões. Com a mesma palavra ou grupo de palavras é possível gerar mais de um código. Códigos similares são reunidos em conceitos, e esses em categorias (conceitos e categorias também podem ser palavras ou expressões). São elaborados diagramas com os códigos, conceitos e categorias. As categorias servem de base para a construção de uma teoria que elucida o fenômeno que se está pesquisando (ALLAN, 2003; KELLE,2005). A coleta e análise dos dados são realizadas até que ocorra uma saturação teórica, ou seja, o pesquisador constata uma repetição ou ausência de novos dados. Portanto, não há um número de entrevistas previamente estabelecidas. Harriet et al (2007), por exemplo, em um estudo sobre o significado de jardins para as pessoas, alcançaram a saturação teórica com 18 entrevistas. As entrevistas se iniciam com questões norteadoras, e comumente durante as entrevistas surgem novas perguntas durante o processo de coleta de dados (ANGEOLETTO, 6010 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 2012; BOUSSO e ANGELO, 2001; VERONESE e OLIVEIRA 2006; HARRIET et al, 2007). Para essa pesquisa as questões norteadoras foram: a) Você sabe o que é agroecologia? Como funciona? Quais os objetivos? b) Já esteve envolvido em alguma atividade em unidade escolar ou outro espaço que abordasse o tema da agroecologia? Se sim, quais as atividades e quais os resultados obtidos? c) Já existe alguma atividade nesta unidade escolar que envolva a agroecologia? No seu ponto de vista, o que poderia ser explorado nesta unidade escolar que envolva o tema da agroecologia? Por quê? d) Você acredita que a agroecologia seja importante para auxiliar as disciplinas ministradas? Quais? e) Como você faria a integração entre os conteúdos e a agroecologia? Resultados A saturação teórica das entrevistas foi atingida com o numero de 11 entrevistados, sendo 27% do sexo masculino e 73% do sexo feminino com idades variando entre 26 e 52 anos (tabela 1). A formação acadêmica é variada predominando as graduações em Pedagogia, todas realizadas no município de Chapecó-SC, em universidades locais. A grande maioria dos entrevistados já teve contato com a agroecologia, seja em plantios, em comércio ou em práticas agrícolas. Inicialmente os entrevistados não apresentavam domínio sobre a conceituação do termo, mas com o uso de associações terminológicas, como plantio de hortaliças, os mesmos conseguiram produzir a representação social da agroecologia a partir de vivências já adquiridas. No grupo de entrevistados prevaleceu a perspectiva de que, a agroecologia se caracteriza como uma base para atividades voltadas a sustentabilidade e cuidado com a natureza. Essa representação assemelha-se com a definição de Caporal e Costabeber (2009) em que afirmam: “a agroecologia é uma ciência que estabelece as bases para a construção de estratégias para o desenvolvimento sustentável, com foco no apoio à transição dos atuais modelos de agricultura e desenvolvimentos convencionais para modelos de desenvolvimento sustentáveis”. A partir da saturação das ideias presente nas respostas inicialmente chegou-se a elaboração de 06 (seis) códigos, os 03 (três) primeiros foram: a) Falta de clareza conceitual a respeito do termo “Agroecologia”; b) Ausência de atividades pedagógicas com agroecologia; c) É impossível desenvolver hortas pedagógicas nesta unidade escolar. Esses códigos foram agrupados, segundo semelhanças das respostas, em 03 (três) conceitos: 6011 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 1 - Agroecologia: Terminologia desconhecida; 2 - A agroecologia não é um tema explorado em unidade escolar e; 3 - não há condições de materiais pedagógicas para se trabalhar com o tema. A síntese destes conceitos pode ser compreendida via categoria: Agroecologia: Falta de compreensão da terminologia. Os outros 03 (três) códigos, obtidos por meio das respostas, foram: d) Práticas agroecológicas são atividades pedagógicas muito importantes; e) Práticas pedagógicas com agroecologia permitem à interdisciplinaridade e, f) A escola não é interdisciplinar, mas a agroecologia poderia deflagrar uma pedagogia integradora. Estes, foram agrupados em 01 (um) conceito: 1 - Valorização pedagógica e interdisciplinar relacionada ao tema da agroecologia, sendo compreendido em outra categoria: Agroecologia: Atividade Pedagógica e interdisciplinar, conforme diagrama 1. Diagrama 1. Categorização das entrevistas com os professores Análise e Discussão Na categoria Agroecologia: falta de compreensão da terminologia, analisamos a compreensão dos professores em relação à conceituação do termo agroecologia. A partir das respostas obtidas, podemos perceber que a maioria dos entrevistados não possui domínio sobre a conceituação correta, o que limitava o entendimento das questões abordadas, porém 6012 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 quando esse conceito era relacionado com atividades práticas como, por exemplo, o cultivo de hortaliças, todos compreendiam e estabeleciam conexões com experiências já vividas em agroecologia. Os professores, mesmo em um primeiro momento não compreendendo a terminologia do termo, logo discorreram da importância do mesmo para as atividades práticas da docência, como podemos perceber na fala de um dos entrevistados: “é importante por ser uma necessidade inclusive, por várias questões, primeira para aproximar as pessoas...além de tu criar uma cultura sustentável com relação à saúde”(Entrevistado 01). “Eu penso que sim, porque dá pra trabalhar tudo com a horta né, desde a matemática, podemos trabalhar língua portuguesa, dá pra eles entenderem um pouco da terra, de onde vem alimentação” (Entrevistado 03). Todos os entrevistados afirmaram não haver nenhuma prática agroecológica na escola, isso resulta de vários fatores entre eles a má compreensão dessas práticas, sabe-se que são importantes, porém, não as incorpora nas atividades educativas. Mendonça (2012) afirma que se devem discutir questões inerentes ao meio ambiente e sustentabilidade nas escolas em condições de risco social e econômico. Esse tipo de experiência possibilita o enriquecimento na formação de professores, colaboradores e estudantes na área de meio ambiente, percorrendo por temas como o uso racional da água, reciclagem e compostagem de resíduos. Além da grande discussão atual sobre a educação alimentar de crianças e adolescentes. Na categoria Agroecologia: atividade pedagógica e interdisciplinar analisamos a importância dada à horta escolar, enquanto instrumento pedagógico para os conhecimentos escolares. A pesquisa apontou que nesta escola os professores percebem a importância pedagógica de práticas agroecológicas, e que essas poderiam ser realizadas no ambiente escolar, entretanto, nossos resultados também apontam para um ceticismo dos professores quanto à efetiva implantação de tais práticas, como por exemplo, através da construção de uma horta pedagógica na escola. “eu acho primeiro que tem que ter espaço, nós tentamos uma vez fazer uma horta a dificuldade foi, foram vária, mas também foi desistido na primeira, né assim..(Entrevistado 04). “acho que se nós pudéssemos usar os produtos da horta sim, mas como não é permitido só se usa alimentos provenientes do município, acredito que não seria muito interessante” (Entrevistado 07). 6013 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 Ressalta-se que a unidade escolar possui centenas de m² de áreas disponíveis que poderiam ser usadas para a inserção da horta. Abreu (2013) em estudo similar encontrou resultados diferentes: em sua pesquisa, há uma disposição do corpo docente em implantar hortas pedagógicas nas escolas investigadas. Em seu trabalho realizado em 43 unidades educativas no município de Florianópolis, centrado na educação ambiental relacionada à horta e compostagem, atingiram 500 educadores e 1500 estudantes, tendo como resultados, através dos relatos de pais, professores e estudantes, infinitas possibilidades com a horta para fins didático tais como: integração social, consciência ecológica e até mesmo efeitos estéticos e paisagísticos, refutando a importância dessa atividade em uma unidade escolar. Bonafé (1998) afirma que a organização e o desenvolvimento de práticas pedagógicas devem buscar um significado maior ao trabalho docente, abordando as variadas funções da escola como uma instituição social. A horta escolar é um instrumento que pode abordar diferentes conteúdos curriculares de forma significativa e contextualizada, e que possibilita promover vivências que resgatam valores. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) criados pelo Ministério da Educação em 1998 indica que o ensino de valores e atitudes deve ser mais explorado do ponto de vista pedagógico, sendo importante para promover uma atitude de cuidado e atenção com as questões ambientais (BRASIL, 1998). O grupo entrevistado revela uma preocupação quanto ao trabalho efetivo em relação ao tema, ressaltando a importância de um acompanhamento pedagógico durante o planejamento e a execução da horta, visto as dificuldades apontadas pelos entrevistados: “Seguramente porque a própria formação da maioria dos professores, não, na formação desses profissionais que estão atuando a maioria não tem um olhar que contemple no caso um projeto como esse de sustentabilidade, o próprio ensino superior não o preparou. Não é fazer um, acusar quem esta, mas é o próprio ensino superior que não prepara o profissional para atuar dentro dessa gama maior de conteúdo de conhecimento” (Entrevistado 01). “Meu Deus eu não sei nada, eu tenho que aprender tudo entendeu porque assim como eu vou explicar algumas coisas pros meus alunos se eu não estou a par de tudo, com vou dizer pra eles cuidam da horta da casa de vocês se eu não sei cuidar uma horta, se eu não sei carpir, então eu acho que sim, pessoas que nos auxiliam, porque quem diz que nós sabemos tudo nós sabemos um pouquinho pra passar pros alunos, mas muita coisa a gente que ler ter informações alguém 6014 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 auxiliar ajudar, dizer certinho, assim, então eu não estou hoje nem um pouquinho capacitada pra fazer esse tipo de coisa, mas até queria aprender, pq assim e mais um aprendizado que eu adquirir” (Entrevistado 05). Um primeiro ponto comum observado em todas as falas dos entrevistados é a importância da agroecologia para a promoção da sustentabilidade e qualidade de vida. Outro ponto positivo é que os entrevistados estão plenamente conscientes da contribuição para a educação dos estudantes. Moscovici (2004) denomina essa “força irresistível” de prescrição, sendo considerada a segunda função das representações. Outro ponto importante a ser considerado é que, a representação social descrita nas falas dos entrevistados com relação à agroecologia é fundamentada em informações do senso comum e de práticas vivenciadas pelos mesmos. Algo consensual entre os entrevistados é: a horta escolar auxiliaria em aulas práticas relacionadas a todas as disciplinas, e que seria importante para o desenvolvimento de um trabalho relacionado à educação alimentar na unidade escolar. Porém, em sua maioria, consideram inviável a implantação devido a fatores estruturais, espaço físico e utilidade dos alimentos oriundos da horta. Consideramos que essa análise é pressuposta pela falta de estudos sobre o termo agroecologia, levando em conta que várias experiências de inserção de uma horta pedagógica, já obtiveram resultados positivos, além da contribuição para o aprendizado dos estudantes. Conclusões Constatou-se que as representações sociais relacionadas à agroecologia dos entrevistados, estão vinculadas ao senso comum, mesmo estando eles envolvidos no ambiente escolar, e sendo profissionais que deveriam buscar a formação continuada em diversas áreas do conhecimento. Assim, conclui-se que, através dos resultados obtidos, é necessário que, antes que seja iniciado um trabalho efetivo de horta pedagógica nesta unidade escolar, é preciso remodelar e reconstituir as representações sociais relacionadas à agroecologia. A importância se dá em caracterizar a importância dessa prática na educação formal e também na formação de cidadãos conscientes sobre os assuntos relacionados ao meio ambiente e qualidade de vida. Além das representações sociais dos professores pode-se também investigar a representação social dos estudantes, pais e colaboradores, pois os mesmos também estarão envolvidos na atividade pedagógica, contribuindo efetivamente na formação do conhecimento. Sempre embasados nos questionamentos propostos por Jodelet (2001): quem 6015 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 sabe e de onde sabe? O que sabe e como sabe? Sobre o que sabe e com que efeito? Para que assim, possa resultar na formação do sujeito preocupado com as questões ambientais e sociais. REFERÊNCIAS ABREU, M.J. Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos: o caso do Projeto Revolução dos Baldinhos (PRB). 2013, 150 p. 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