Editorial
Juventude em perigo
O carro, para os jovens, é muito mais do que um simples meio de transporte. É um objeto
de auto-afirmação, que eles usam para se destacar entre os amigos, conquistar a
namorada e partir em busca de novas aventuras. A essa visão distorcida do ato de dirigir,
somam-se a imperícia, a embriaguez ao volante e o excesso de velocidade. Nos finais de
semana, à noite, surge o resultado dessa combinação perigosa: as mortes de jovens no
trânsito aumentam preocupantemente.
Reverter esse cenário é um desafio para os órgãos de trânsito, porque o jovem nunca
pensa que pode morrer no trânsito em conseqüência de seus atos imprudentes. Muito
pelo contrário, arrisca-se nas ruas participando de rachas e dirigindo embriagado, muitas
vezes em turma, o que aumenta ainda mais os riscos de um acidente.
Os acidentes de trânsito são a segunda maior causa de morte entre a população jovem,
atrás apenas dos homicídios. E, quando um acidente não resulta em óbito, deixa em suas
vítimas seqüelas permanentes, uma sentença cruel para um jovem que está apenas
começando a viver. Estima-se que para cada morto no trânsito, dois ficam
permanentemente inválidos e outros 10, temporariamente inválidos.
A relação jovem e trânsito precisa ser discutida e, por isso, é tema da matéria de Capa
desta edição.
Boa leitura!
CAPA
Imprudência e irresponsabilidade matam jovens no trânsito
Excesso de velocidade e consumo de álcool formam uma combinação fatal nas ruas do
Paraná
O trânsito é uma das principais causas de mortes entre os jovens brasileiros. De acordo
com avaliação feita pela Unesco, os acidentes de transporte (que incluem acidentes de
trânsito, aéreo e em água) são responsáveis por 15,6% das mortes registradas na
população entre 15 e 24 anos. Entre 1993 e 2002, esse tipo de ocorrência aumentou
19,5% entre a população geral. Entretanto, entre a população jovem, esse índice foi 56%
maior, crescendo nesse período 30,5%. Segundo os dados da Unesco, que fazem parte
do estudo "Mapa da Violência 4", as mortes por acidente chegaram a apresentar uma
queda a partir de 1997, em decorrência da entrada em vigor do novo Código de Trânsito
Brasileiro. Porém, esse tipo de ocorrência voltou a apresentar uma elevação a partir de
2001, quando o número de vítimas fatais aumentou nessa faixa etária.
Os acidentes de transporte são a segunda causa de mortes na população jovem, ficando
atrás dos homicídios, que segundo a Unesco é responsável por 39,9% das mortes em
2002. O sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, representante da Unesco no Brasil, compara o
número de mortes por "causas externas" com as grandes catástrofes causadas
anteriormente por epidemias e doenças infecciosas.
O tenente-coronel Altair Mariot, comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar
(BPTran) de Curitiba, informa que a gravidade dos acidentes envolvendo jovens é maior
do que das outras faixas etárias. "O principal motivo desses acidentes é a imprudência,
avanço de sinal, conversão proibida, associadas ao excesso de velocidade e ao consumo
de álcool", afirma Mariot. No ano passado, em Curitiba, o número de acidentes
envolvendo jovens de 18 a 20 anos totalizou 2.170, com 8 mortes e 532 feridos.
Outra característica dos acidentes é que a maioria deles ocorre nos finais de semana e
durante a madrugada, que são os períodos nos quais os jovens saem com os amigos e
para beber. Segundo o comandante do BPTran, nos acidentes de grande monta
envolvendo os jovens, em 70% dos casos existe indícios de consumo de álcool. "O
consumo de álcool, associado à falta de prática na condução do veículo e o abuso da
velocidade, são todos os ingredientes para um acidente grave", diz.
"A sociedade é culpada pela tolerância ao consumo do álcool, que é cada vez maior entre
os jovens na nossa sociedade", critica o diretor geral do Departamento de Trânsito do
Paraná (Detran/PR), Marcelo Almeida.
O comportamento do jovem no trânsito é o reflexo do seu comportamento dentro da
sociedade e do grupo em que convive. Uma das principais características são a autoafirmação e a influência dos colegas. "O grupo é uma das maiores forças e referências na
adolescência. Para destacar-se, é comum o jovem arriscar-se em situações perigosas",
analisa a doutora em psicologia Suzane Schmidlin Löhr, coordenadora do curso de
Psicologia do Unicenp. Os conselhos dados pelos pais ficam em segundo plano em
relação à opinião dos colegas, pois inibem a impulsividade e a necessidade de satisfação
imediata, outras características dessa idade.
"Se o motorista resiste aos incentivos, os amigos zoam dele, chamam de medroso,
covarde", diz Marcelo Almeida. O diretor do Detran/PR cita que na Austrália e na Nova
Zelândia é proibido que um jovem dirija um carro com mais de dois passageiros após as
22 horas. "Isso porque as autoridades de lá perceberam que esta combinação é propícia
para acidentes", analisa Almeida.
O carro também é um objeto para afirmação do jovem dentro do grupo. Serve como
símbolo de maturidade e de status social. O metalúrgico Marcelo Robaina, de 22 anos, é
um aficcionado por carro. "Carro para mim significa tudo, sou um apaixonado por carro.
Digo que tenho gasolina nas veias", diz. Robaina comprou um carro esse ano e gastou
uma boa quantia para equipá-lo com rodas especiais e som potente. Ele afirma que o
carro ajuda na hora de paquerar as garotas e aumenta sua auto-confiança.
Para tentar diminuir o número de acidentes, as autoridades de trânsito têm realizado
trabalhos específicos para a população mais jovem. O BPTran faz blitze perto de bares
durante os finais de semana para tentar inibir o consumo de álcool entre os motoristas. O
Detran do Paraná também investe em ações educativas nos bares para alertar sobre os
perigos da combinação entre álcool e direção. Além disso, o Detran/PR fez uma parceria
com a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania no combate ao uso indevido de álcool
e drogas nas escolas.
A dificuldade enfrentada pelas campanhas de educação no trânsito é o sentimento de
invulnerabilidade dos adolescentes. Por mais informação que ele tenha sobre os perigos
do consumo de álcool, o jovem acredita que nada de mau vai acontecer com ele, que
apesar de ter bebido, pode dirigir, porque está se "sentindo bem". Esse sentimento se
agrava quando combinado com a diluição da responsabilidade junto a um grupo de
amigos. "Lidar com estes fatores constitui um desafio, que tem ocupado muitos
pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento", diz a psicóloga Suzane Löhr.
Para que as campanhas sejam efetivas, o trabalho de educação precisa começar muito
cedo. Os conceitos e comportamentos seguros precisam ser cultivados desde a infância.
"Encontraremos jovens com bom grau de maturidade, porque desde crianças foram
estimulados a analisar as situações, a avaliar e assumir as conseqüências de suas ações
e escolhas", resume Suzane.
EDUCAÇÃO: Arte para conscientizar sobre o trânsito
Festival de Arte da Rede Estudantil (FERA) tem quatro oficinas voltadas ao tema
O Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) está apostando na arte para
conscientizar sobre o trânsito, na parceria firmada com o Festival de Arte da Rede
Estudantil (FERA), promovido pela Secretaria de Estado da Educação. O evento, que terá
oito edições ao longo deste ano em diferentes regiões do Estado, promove o aprendizado
e a criatividade dos estudantes da rede estadual e municipal de ensino por meio da arte e
de atividades culturais.
Em sua segunda edição, quatro das 92 oficinas serão voltadas ao tema trânsito. Teatro,
música e jogos educativos estimularão crianças e adolescentes a aprender as noções
básicas de trânsito e a repensar o seu comportamento no dia-a-dia. Todos os
coordenadores das oficinas foram treinados pelo Detran/PR.
Para a coordenadora de Educação para o Trânsito do Detran/PR, Maria Helena Gusso, a
atividade cultural é uma das melhores maneiras de instituir, nas crianças e adolescentes,
valores e conhecimentos sobre o meio em que vivem. "Levar a educação de trânsito para
a vida dessas crianças e adolescentes de forma lúdica, divertida, faz com que eles nunca
mais se esqueçam do que aprenderam, pois vão aprender o que é certo e errado de
forma criativa e sem imposições."
Segundo ela, a Secretaria de Estado da Educação tornou-se grande parceira do
Detran/PR na luta por um trânsito mais seguro e humano. "Parcerias como essa nos
colocam junto aos países de primeiro mundo, onde os deveres do cidadão que está no
trânsito são valores transmitidos à população desde cedo."
A expectativa é de que as oito etapas do Projeto FERA atinjam 56 mil pessoas, entre
alunos e professores da rede estadual e municipal de ensino. "Se cada um deles
transmitir o que aprendeu na sua família, começaremos a construir uma verdadeira
corrente do bem. E no futuro, com certeza, teremos um trânsito menos violento", acredita
o diretor geral do Detran/PR, Marcelo Almeida.
O primeiro FERA foi realizado em Maringá, entre os dias 20 e 26 de junho. Os próximos
acontecerão em Umuarama (4 a 10 de julho), Londrina (25 a 31 de julho), Dois Vizinhos
(8 a 14 de agosto), Paranaguá (22 a 28 de agosto), Arapongas (12 a 18 de setembro),
Castro (3 a 9 de outubro) e Toledo (17 a 23 de outubro).
DICAS
Gravidez requer cuidados ao dirigir
Mulher grávida deve utilizar cinto de segurança de três pontos
A gravidez é uma época de muita alegria e também de preocupações para a futura
mamãe. Uma delas é o cuidado que as gestantes devem tomar quando estão no trânsito.
Estimativas internacionais, apresentadas em junho na 19ª Jornada de Obstetrícia e
Ginecologia da Santa Casa de São Paulo, apontam que cerca de 30% das lesões ao feto
são causadas por acidente e estão associados ao óbito materno. Boa parte delas ocorre
em decorrência do mau uso do cinto de segurança.
Para maior segurança da mamãe e do bebê, é preciso seguir algumas orientações. Por
exemplo, ao contrário da crença popular, os assentos traseiros, equipados somente com
cinto abdominal, não são os locais mais seguros, pois trazem risco à mulher grávida por
permitir a flexão do tronco sobre as pernas. Então, caso a gestante não seja a condutora
do veículo, o lugar mais seguro é o banco dianteiro direito, com cinto de três pontos.
Apesar do desconforto em algumas situações, deve-se sempre usar o cinto de segurança
de três pontos, mesmo em pequenas distâncias. O cinto deve ser utilizado mantendo-se a
faixa abdominal tão baixa e ajustada quanto possível. A faixa diagonal deve cruzar o meio
do ombro, passando entre as mamas. Nunca sobre o útero. O impacto do cinto sobre a
barriga da gestante pode levar ao deslocamento da placenta.
Algumas mulheres colocam almofadas ou toalhas entre o cinto e o corpo. Entretanto, esse
procedimento pode trazer riscos em caso de acidente ou freada brusca, pois esses
materiais podem permitir o deslizamento do corpo quando o cinto de segurança trava. O
cinto nunca deve ser usado com folga, ele precisa estar bem ajustado.
"Gravidez não é doença", brinca a médica Cláudia Mara Abdalla, ginecologista e obstetra
do Hospital Vita. Ela afirma que não há grandes restrições nas atividades de uma mulher
grávida. No entanto, ela recomenda que após 36 semanas de gestação a gestante evite
dirigir. Nesse período, um susto no trânsito pode provocar contrações abdominais e fazer
com que a mulher entre em trabalho de parto.
No último mês de gravidez, ainda há maior possibilidade de haver queda de pressão e
uma diminuição dos reflexos. O tamanho da barriga é outro fator que pode impedir a
mulher grávida de dirigir. A distância entre a barriga e o volante deve ter no mínimo 15
centímetros, de acordo com a cartilha Criança e Gestantes da Associação Brasileira de
Medicina de Tráfego (Abramet). Outras recomendações da cartilha são evitar estadas
ruins, longas distâncias, jejum e calor ou frio excessivos.
Eunice Mary Munhoz está no oitavo mês de gravidez e prefere não dirigir nesta etapa final
de gestação. Ela sempre se preocupa em utilizar o cinto de segurança de maneira correta
e conta que a preocupação no trânsito aumentou muito depois que ficou grávida. "Fico
sempre olhando os espelhos retrovisores e falo para o meu marido dirigir mais devagar",
diz..
ENTREVISTA
O “jeitinho brasileiro” no trânsito
O Antropólogo Roberto DaMatta diz que os motoristas brasileiros são mal treinados para
uma sociedade igualitária
O antropólogo carioca Roberto DaMatta é um dos mais importantes intelectuais brasileiros
da atualidade. Autor de diversos livros, entre eles "Carnavais, Malandros e Heróis" e "O
que faz o Brasil, Brasil?", além do recém lançado "Tocquevilleanas Notícias da América",
DaMatta é o autor brasileiro mais citado em trabalhos acadêmicos em ciências sociais do
País e tem uma coluna semanal nos jornais O Estado de São Paulo e O Globo.
O trânsito recebe atenção especial em seus estudos, pois é considerado um espelho para
a democracia de qualquer país do mundo. Para ele, os nossos problemas sociais, como a
luta entre classes, refletem diretamente no comportamento do motorista brasileiro no
trânsito. "Quem tem o melhor carro acha que tem mais direito do que aquele que está a
pé", afirma. Nesta entrevista, DaMatta ainda comenta a influência e as conseqüências do
famoso "jeitinho brasileiro" no trânsito e a eficácia das campanhas educativas para reduzir
os acidentes fatais.
- Como surgiu o seu interesse pelo assunto trânsito?
Quando eu voltei dos Estados Unidos em 1964, depois de uns dez meses vivendo em
Cambridge (Massachusetts), e vi na Praça XV do Rio de Janeiro um ônibus quase
atropelando uma senhora mal vestida que queria simplesmente atravessar a rua. Eu fiquei
chocado com aquilo, que antes era trivial e até mesmo "natural" para mim. A experiência
americana do respeito ao pedestre e o fato de ter obtido uma licença para dirigir por lá me
levou a essa aguda consciência da nossa bestialidade no dirigir em geral.
- O motorista brasileiro é mal educado?
O motorista brasileiro é muito bom. Ele dirige muito bem o que lhe dá a confiança de
imaginar-se dono da rua. Os motoristas são, penso eu, mal treinados para uma sociedade
igualitária. Eles ainda são treinados para um sistema no qual quem tem um carro pensa
que é superior a quem está a pé.
- Existem fatores sociais que levam o brasileiro a agir desta maneira?
Sim. A falta de conhecimento do que se passa na sua cabeça e o treinamento que
recebe. No fundo, há um estilo agressivo de dirigir que tem raízes no modo pelo qual a
"rua" é concebida no Brasil. É um estilo revelador que até hoje jamais foi discutido,
segundo o qual na "rua" todos são nossos inimigos até prova em contrário. O exemplo
que o motorista recebe, então, é o de dirigir agressivamente, de ultrapassar, de ser mais
esperto, mais malandro, etc. Ou seja, de tudo o que conduz a transgressão e,
eventualmente, ao desastre.
- O que o famoso "jeitinho brasileiro" tem a ver com isso?
O trânsito combina igualdade absoluta com hierarquias implícitas. O resultado é uma alta
tensão entre o ser obrigado a obedecer e ser tratado especial, como manda a regra do
"sabe com quem está falando?"
- No trânsito, então, existem privilegiados?
Creio que sim. Quem tem carro de luxo pensa que é especial, quem dirige outros carros
muitas vezes vai dar uma lição nos especiais e os motoristas de ônibus e táxis dão de
ensinar todo mundo a dirigir. Há uma luta constante que é, de fato, um retrato das
relações entre os diversos grupos no Brasil. Mas veja bem, tudo isso é palpite. A prova
estaria numa investigação que sempre deixamos de lado.
- A impunidade seria a principal causa dos abusos cometidos no trânsito?
A impunidade é capital na estrutura da criminalidade brasileira, porque o crime é praticado
com vistas a sua impunidade. O crime no trânsito tem sido protegido e uma campanha
para denunciar as velhas atitudes e as novas posturas seria essencial.
- Os jovens são os mais imprudentes no trânsito?
Só um inquérito poderia responder. Tudo depende de situação. Já vi jovens prudentes e
profissionais imprudentes e abusivos.
- Como mudar o perfil dos motoristas brasileiros?
Com uma campanha bem realizada, baseada menos em palpites e opiniões e muito mais
em fatos obtidos por meio de pesquisa empírica. O trânsito tem que ser politizado
- O senhor realmente acredita que as campanhas e programas educativos mudam o
comportamento do motorista acostumado a cometer infrações de trânsito?
Sem dúvida. Quem segue moda, imita artista de novela e jogador de futebol, vota em
demagogo e em populista, pode perfeitamente seguir a lei com base no exemplo de uma
campanha.
- As vítimas de acidentes de trânsito estão por todo lado. Mesmo assim, ainda é
forte o sentimento de que "isso nunca vai acontecer comigo". Por que conscientizar
o motorista é tão difícil?
Porque os comportamentos têm uma inércia cultural. A gente imita e segue o contexto. Se
todo mundo é desregrado, se o estilo é agressivo, fazemos como todo mundo.
GENTE
Superando as dificuldades
Neusa Aparecida Deonízio, do Call Center, é exemplo de força de vontade
A teleatendente Neusa Aparecida Deonízio, do Call Center do Detran/PR, ganhou uma
viagem para Paranaguá, litoral do Paraná. Foi o prêmio pelo primeiro lugar no concurso
interno realizado pela Coordenadoria de Atendimento ao Cidadão (CAC) sobre a evolução
do Call Center. O prêmio recebido foi mais uma vitória de Neusa, que coleciona inúmeras
outras conquistas em sua vida.
Neusa é funcionária do Detran/PR desde fevereiro de 1996, quando foi contratada para
trabalhar na área de revisão no setor de despachantes. Ela foi indicada pela Associação
Paranaense de Reabilitação (APR). Neusa teve poliomielite quando tinha um ano de
idade, o que lhe deixou algumas seqüelas. Durante muito tempo, ela teve que usar
muletas mas, com trabalhos de reabilitação e muito esforço, recuperou os movimentos do
braço e hoje utiliza somente aparelhos ortopédicos para andar.
Do setor de despachantes, Neusa foi para a área de atendimento ao público do setor de
veículos, no Posto Central. Foi nesse trabalho que ela começou, indiretamente, sua
história no Call Center. Com a experiência adquirida no atendimento ao público, Neusa
solicitou transferência para o seu atual setor.
Além de gostar de lidar com o público, a mudança foi uma necessidade de ordem prática.
Na época, há três anos, ela conseguiu um segundo emprego, coincidentemente, no
telemarketing da Copel. Para conciliar os dois trabalhos, foi preciso ir para um setor que
tivesse uma carga horária menor, de seis horas. Os dois trabalhos lhe renderam
qualificação dupla na área de teleatendimento, pois passou por treinamento, quase
simultâneo, na Copel e no Detran.
A experiência adquirida nos dois empregos ajudou Neusa a conhecer melhor o trabalho
de um Call Center, o que contribuiu para fazer o trabalho que lhe rendeu o premio.
O trabalho premiado não ficou restrito à história do serviço no Brasil e no mundo. Incluiu
também o surgimento do teleatendimento no do Detran/PR. Para isso, Neusa não mediu
esforços e entrevistou colegas de trabalho e a sua primeira supervisora. Atualmente, o
Call Center do Detran/PR é um dos mais modernos do Estado e recebe cerca de 50 mil
ligações por mês.
A viagem de trem até Paranaguá, pela Serra do Mar, será feita ao lado do seu futuro
marido, Valdecir.
COMPORTAMENTO
Viciados em carros
Preguiça e prazer de dirigir tornam o carro um objeto indispensável
O carro é muito mais do que um simples meio de transporte. Tornou-se símbolo de status
e um modo de vida. Algumas pessoas incorporam o veículo de tal maneira em sua vida
que não conseguem mais viver sem ele. O carro, para essas pessoas, torna-se um
prolongamento de suas pernas. Mesmo para fazer tarefas simples, como ir à padaria, o
carro é o meio de transporte. "Faço tudo de carro, pela comodidade e pelo tempo que
economizo, é muito mais rápido", diz a estudante de Medicina, Ticiana Martins Balsi, de
24 anos.
Ticiana conta que já pegou o carro para ir à loja de conveniência que fica a uma quadra
de sua casa, apenas para comprar um refrigerante. "Sou muito preguiçosa", admite a
estudante. Além da preguiça, Ticiana não abre mão do carro porque adora dirigir. Mesmo
para encontrar os amigos em algum dos bares da região do Batel, onde mora, ela faz
questão de ir de carro e ainda dá carona para aqueles que moram longe. "Muitas vezes
acabo estacionando o carro a uma quadra da minha casa para entrar em algum
barzinho", ri ela.
O uso excessivo do carro traz diversas conseqüências, para a pessoa e para a cidade.
Sair de casa para ir a algum lugar próximo seria a oportunidade de fazer uma caminhada
para quem não faz exercícios regularmente. Na cidade, o que se percebe é a piora do
trânsito. Em Curitiba, nos horários de pico, verifica-se que a maioria dos veículos trafega
somente com o motorista. "Precisamos fazer campanhas educativas mais contundentes,
mostrando que o sedentarismo faz mal para a saúde, e incentivar a carona solidária",
analisa Rosângela Battistella, gerente de Engenharia de Tráfego da Urbs, empresa que
administra o transporte público de Curitiba.
Porém, utilizar o carro em vez de caminhar e usar o transporte coletivo parece ser uma
tendência consolidada. Alguns fatores contribuem para esse fenômeno. O status que a
posse de um carro propicia é um dos mais fortes e essa realidade está sendo
impulsionada pelas facilidades de financiamento para a compra de veículos. Esses dois
fatores, associados ao aumento da tarifa dos ônibus, estão fazendo a alegria da indústria
automotiva, que a cada ano bate os recordes de produção de veículos.
No Paraná, a frota de automóveis aumentou em 132.967 unidades entre 2003 e 2004, de
acordo com estatísticas do Detran/PR. Em 2003, circulavam 1.882.259 carros, enquanto
que no ano passado esse número saltou para 2.015.226. Isso equivale a 364 carros a
mais, por dia, circulando pelo estado.
NOTICIAS DETRAN
Cargas perigosas e caçambas na mira
Fiscalização intensa previne acidentes no perímetro urbano
O Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR) vem realizando operações especiais
para fiscalizar o transporte de cargas perigosas e a colocação irregular de caçambas para
armazenagem de detritos da construção civil no centro de Curitiba. As duas ações visam
prevenir acidentes de trânsito e possíveis danos ao meio ambiente.
As blitze para fiscalização de caminhões que transportam produtos perigosos acontecem
uma vez por semana nas vias de acesso a Curitiba. "É uma ação inovadora porque a
fiscalização desse tipo de transporte costuma ser feita apenas nas rodovias e nunca
dentro das cidades, apesar dos riscos que um acidente com produtos perigosos no
perímetro urbano pode causar aos habitantes e ao meio ambiente", explica o diretor geral
do Detran/PR, Marcelo Almeida. Curitiba, segundo ele, merece atenção ainda maior pois
recebe tráfego intenso de caminhões que abastecem os estados da região Sul.
A ação é coordenada pela Defesa Civil, em parceria com a Polícia Militar, Corpo de
Bombeiros, Secretaria de Estado da Saúde e Vigilância Sanitária, Instituto Ambiental do
Paraná (IAP), Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) e a Polícia Florestal.
Já a fiscalização das caçambas é feita pelo Detran/PR, BpTran, Diretoria de Trânsito de
Curitiba (Diretran) e Secretarias Municipais do Meio Ambiente e Urbanismo. Segundo o
assessor militar do Detran/PR, Júlio Nóbrega, existem em Curitiba 108 caçambas
instaladas na região central, sendo que apenas seis estão em situação regular, ou seja,
possuem registro da Prefeitura, estão em bom estado de conservação, com numeração e
pintura adequada. "Uma caçamba colocada em local indevido e em mau estado de
conservação pode causar acidentes de trânsito, principalmente no período noturno,
quando o motorista tem maior dificuldade para visualizá-la", afirma.
As caçambas apreendidas nas operações são levadas ao pátio do Detran/PR e só
liberadas após a regularização e pagamento das multas. As empresas proprietárias das
caçambas podem ser enquadradas em três situações: instalar a caçamba sem
autorização (multa da Secretaria Municipal de Urbanismo), depositar lixo doméstico (da
Secretaria do Meio Ambiente) e deixar em via pública material sem autorização (Art. 245
do Código de Trânsito Brasileiro).
NOTAS
Público recorde nos Fóruns de Trânsito
A 5ª edição do Fórum de Trânsito Mutirão pela Vida atingiu recorde de público. Realizado
em Paranavaí, no dia 3 de junho, o evento reuniu 700 pessoas, que debateram os
principais problemas do trânsito na região e as soluções para reduzir o número de mortes
em acidentes. Também em junho, no dia 23, foi realizado o Fórum em Francisco Beltrão.
O evento contou com a participação de 600 pessoas.
Detran/PR capacita para o transporte escolar
Numa parceria com o Sindicato dos Operadores do Transporte de Escolar de Curitiba, o
Detran/PR promoveu cursos de atualização e de capacitação para motoristas de vans e
ônibus escolares entre os meses de março e julho. O curso de atualização é obrigatório
para os motoristas que atuam com esse tipo de transporte e deve ser feito de cinco em
cinco anos. Participaram do curso do Detran/PR 58 motoristas. Já o curso de capacitação
contou com a participação de 32 pessoas, que receberam o certificado e já podem buscar
o registro junto à Prefeitura Municipal de Curitiba para atuar com o transporte de
escolares na cidade.
Nota de esclarecimento
A respeito da matéria "Auxílio às vítimas de trânsito", publicada na edição nº 24, a
Associação Paranaense de Vítimas de Trânsito, seus Familiares e Usuários do
Transporte Rodoviário (Apavitran) esclarece que, "no reconhecimento do direito do autor
associado, que sempre será representado por um advogado credenciado da Associação,
os honorários pertencerão exclusivamente ao patrono da causa (Art. 23 da Lei 8.906/94) e
não para a Associação, como mencionado na matéria."
NOTAS
Público recorde nos Fóruns de Trânsito
A 5ª edição do Fórum de Trânsito Mutirão pela Vida atingiu recorde de público. Realizado
em Paranavaí, no dia 3 de junho, o evento reuniu 700 pessoas, que debateram os
principais problemas do trânsito na região e as soluções para reduzir o número de mortes
em acidentes. Também em junho, no dia 23, foi realizado o Fórum em Francisco Beltrão.
O evento contou com a participação de 600 pessoas.
Detran/PR capacita para o transporte escolar
Numa parceria com o Sindicato dos Operadores do Transporte de Escolar de Curitiba, o
Detran/PR promoveu cursos de atualização e de capacitação para motoristas de vans e
ônibus escolares entre os meses de março e julho. O curso de atualização é obrigatório
para os motoristas que atuam com esse tipo de transporte e deve ser feito de cinco em
cinco anos. Participaram do curso do Detran/PR 58 motoristas. Já o curso de capacitação
contou com a participação de 32 pessoas, que receberam o certificado e já podem buscar
o registro junto à Prefeitura Municipal de Curitiba para atuar com o transporte de
escolares na cidade.
Nota de esclarecimento
A respeito da matéria "Auxílio às vítimas de trânsito", publicada na edição nº 24, a
Associação Paranaense de Vítimas de Trânsito, seus Familiares e Usuários do
Transporte Rodoviário (Apavitran) esclarece que, "no reconhecimento do direito do autor
associado, que sempre será representado por um advogado credenciado da Associação,
os honorários pertencerão exclusivamente ao patrono da causa (Art. 23 da Lei 8.906/94) e
não para a Associação, como mencionado na matéria."
CARTAS
"Parabéns à equipe da revista Detrânsito pela qualidade das reportagens, pela linguagem
simples e acessível, pelo enfoque sempre atualizado da legislação, pelo conteúdo atrativo
e dinâmico, por servir de apoio na conscientização e ensino dos novos condutores, por
fortalecer o elo entre Detran e Centros de Formação de Condutores."
Dirce Sauthier Annoni – Santa Terezinha de Itaipu/PR
"Sou habilitado há cinco anos, sem infração alguma na carteira. Mas, no dia-a-dia,
acabamos cometendo alguns erros, sem nos darmos conta. Creio que com mais
informações, como as disponibilizadas nesta revista, nos reeducamos a cada dia que
passa, diminuindo assim a chance de provocarmos acidentes."
Ricardo Oliveira – Curitiba/PR
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Editorial Juventude em perigo O carro, para os jovens, é muito mais