Caminhos de Ferro de Israel Link leva tecnologia Calypso ao Médio-Oriente A link consulting foi seleccionada em concurso internacional pelos Caminhos de Ferro de Israel (Israel Railways, ISR) para prestar serviços de consultoria em sistemas de bilhética sem contacto. Pelo caminho ficaram algumas das maiores empresas europeias da área dos transportes e da consultoria relacionada. Este resultado reflecte, segundo Joel Teixeira, membro da equipa que trabalhou no projecto, “da participação da link consulting em vários projectos internacionais, no âmbito da tecnologia Calypso”. A experiência adquirida e comprovada da link consulting nos projectos da CP-USGL e OTLIS foi um factor relevante nas negociações com os ISR. Em concreto, a link consulting procedeu à avaliação dos actuais sistemas de bilhética utilizados no operador nacional de transporte ferroviário de Israel e à caracterização de cenários tecnológicos futuros de implementação do sistema de bilhética, incorporando os requisitos da tecnologia Calypso e alinhados com a estratégia de crescimento do ISR. Os Caminhos de Ferro de Israel prevêem que nos próximos doze anos o número de passageiros transportados se multiplique por três. Joel Teixeira afirma: “Este projecto também vem na sequência do crescimento previsto. Os ISR consideram que o sistema actual não tem capacidade para acompanhar as taxas de crescimento previstas. A evolução prevista inclui o número de passageiros, a construção de novas vias e as interfaces que estão previstas com o Metro de superfície de Jerusalém e de Telavive, bem como a articulação com os transportes rodoviários”. Um projecto similar e diferente, em simultâneo As comparações com um trabalho afim realizado pela link consulting para a CP-Lisboa são obrigatórias, tanto no que é similar como no que é diferente. “os ISR pretendiam ir de encontro às directrizes governamentais e adoptar a tecnologia Calypso, por outro lado, suspeitavam que o sistema tinha um desempenho inferior aos standards internacionais e que a sua manutenção se estava a tornar muito cara. Pretendiam que alguém de fora lhes dissesse como é que se migrava do actual sistema para a bilhética sem contacto, e também que os ajudasse a definir se o custo do sistema actual estava alinhado com as práticas deste mercado ou não e qual seria o custo aceitável para o futuro sistema”, afirma Joel Teixeira, acrescentando: “Utilizámos a mesma metodologia seguida na caracterização da situação actual e a elaboração das Arquitecturas de Processos, Informação e Tecnologia para a solução futura. A Arquitectura Tecnológica foi aqui particularmente importante pois esteve na base da construção e avaliação do custos-benefícios de vários cenários de evolução.”. As diferenças detectadas são, essencialmente, de âmbito – em Israel, o projecto terá uma aplicação nacional, enquanto em Portugal as iniciativas têm sido ao nível das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto – e de entidade coordenadora – em Israel, cabe ao Ministério dos Transportes a definição das normas a ter em conta; em Portugal, são os operadores, associados em estruturas como a OTLIS, que decidem sobre o caminho a seguir. Para Alexandra Marques, outra consultora presente em Israel, A equipa Link Consulting 28 | N7 - Junho de 2005 | Cadernos Link - Internacionalização Jorge Leandro da Link Consulting por via do contexto diferente, o trabalho desenvolvido foi “mais político e mais abrangente, também mais didáctico, dado que houve a necessidade de explicar o que era o sem contacto”. Alexandra Marques chama a atenção para uma particularidade que envolve este projecto – a preocupação com a segurança. “O que os ISR pedem a este sistema é que consiga disponibilizar uma grande base de informação sobre as pessoas que utilizam o comboio, sobre quem entra e sai das plataformas de acesso. Pretendem ter informação diferenciada para fazer análises em tempo real e reflecti-la ao nível operacional para intervenções”. Começado formalmente em Agosto de 2004, o projecto contemplou a identificação de problemas tecnológicos, operacionais e funcionais que exigiam resolução. Foi dividido em três fases. A primeira incidiu sobre “a descoberta do caminho”, como se lhe refere Joel Teixeira. A fase seguinte, ainda dependente de uma encomenda, consiste em elaborar o caderno de encargos. Numa terceira fase, proceder-se-á ao acompanhamento do processo de concurso e da implementação. A primeira fase deste projecto internacional foi auspiciosa. Aguardam-se novos passos no seu desenvolvimento. ‹› Jehoshua Fuhrmann Director do Departamento de Informática dos Caminhos de Ferro de Israel De Israel, na primeira pessoa No seguimento de um concurso internacional, a link consulting foi a empresa escolhida pelos Caminhos de Ferro de Israel (Israel Railways, ISR) para prestar serviços de consultoria com vista à introdução de um novo sistema automático de bilhética. Pretendia-se uma análise ao actual sistema de bilhética em utilização nos ISR e recomendações sobre as características do sistema a implementar, bem como sugestões para a integração dos dois sistemas. Caberia ainda à link consulting a preparação da documentação necessária para o lançamento de concursos visando o fornecimento de soluções automáticas de bilhética, bem como a análise das propostas recebidas. Segundo determinações do Ministério dos Transportes de Israel o sistema a implementar deve ser interoperável entre todas as empresas de transportes do país, utilizando-se para o efeito a tecnologia Calypso. A dificuldade do projecto de consultoria pedido à link consulting residia não apenas na tecnologia a utilizar como na gestão dos riscos associados, na procura do custo adequado e na definição da repartição de receitas entre os diferentes operadores a envolver. Estamos presentemente na fase de preparação dos documentos RFP (request for proposal). As recomendações elaboradas pela link consulting foram aprovadas pela nossa Administração. Estamos satisfeitos por a escolha que fizemos se ter revelado correcta, tendo a equipa da link consulting que connosco trabalhou revelado elevada competência e experiência em modernos sistemas de bilhética. O significado de uma internacionalização Jorge Leandro responsável pela Área de Negócio Internacional da link consulting, participante activo na equipa que realizou o projecto de consultoria em Israel, faz uma análise às circunstâncias como tudo se iniciou e ao desenrolar dos trabalhos: “Perante grandes empresas, players muito fortes neste segmento, a Link ganhou o concurso porque conseguiu ter a relação preço/qualidade adequada. Conseguimos fazer uma proposta credível e em que as nossas credenciais de experiência na região metropolitana de Lisboa foram significativas, bem como a nossa longa história de participação e intervenção na área dos projectos Calypso para bilhética inteligente”. Jorge Leandro afirma: “Este é um marco importante para a nossa empresa. Ganhámos a coragem suficiente para ir a um concurso internacional e ultrapassámos as barreiras burocráticas que são estranhas para nos apresentarmos a um concurso em Israel. Tivemos um grande apoio da delegação local do ICEP. Apesar de termos sido convidados por uma empresa local tivemos de ser nós o prime contracter, fomos nós que demos a cara. Tivemos sucesso e isso mostrou-nos que temos de continuar por este caminho e não ter receio”. A tecnologia Calypso Calypso é a designação do standard de bilhética electrónica sem contacto que define o diálogo rápido e seguro realizado entre cartões e um terminal, aplicado em transportes públicos. Foi desenvolvido por um grupo de parceiros europeus oriundos de Paris, Lisboa, Bruxelas, Veneza e Konstanz (Alemanha) ao longo de quase 10 anos. Permite, entre outras funcionalidades, transacções rápidas e seguras entre cartão e terminal, através de interface com ou sem contacto, troca segura da informação com os sistemas de back-office dos operadores e a implementação dos sistemas e aplicações de forma flexível e adaptadas a vários serviços, como por exemplo Transportes e Turismo. O conceito está em aplicação em mais de 40 cidades de 14 países; foram emitidos até à data mais de 10 milhões de cartões sem contacto; o número de terminais ascende a 30 mil. O conhecimento do meio A experiência acumulada pela Link, desde 1996, em diferentes projectos que vieram a dar origem à tecnologia Calypso e que lhe deram o capital de conhecimento sobre a lógica de negócio dos operadores de transportes, é um aspecto fundamental e que contribuiu para que a experiência tecnológica da link seja aplicável quando os operadores pretendem fazer evoluir os seus sistemas de bilhética para sistemas contactless. No entanto existe outra valência, não tecnológica, ligada ao conhecimento do meio, não só à lógica de negócio como à componente política, que possibilita à link fazer certas coisas sem melindrar ou tentando captar o apoio daqueles que mais tarde ou mais cedo podem pôr em causa a implementação dos projectos, e que é fundamental. Este «saber-fazer» em diferentes cenários foi bem aplicado em Israel. Jorge Leandro afirma a propósito: “Rapidamente estávamos a ter uma conversa de igual para igual com a equipa dos ISR. Isto significa que as diferenças, quando puxadas para o terreno da resolução de problemas concretos numa área de transportes, são ultrapassadas com a nossa valia e a nossa experiência”. Esta experiência da Link tem, duas componentes, a tecnológica e a não tecnológica. Não basta dizer como é que se vai implementar a tecnologia, é preciso compreender toda a envolvente e isso tem sido um ponto importante. A link tem tido experiências que demonstram como o enquadramento da tecnologia no ambiente local rapidamente se torna na discussão central. Por tudo isto, Jorge Leandro considera o trabalho desenvolvido em Israel como “marcante”, quer pelo projecto em si, quer pelo que ele significa em termos da actividade internacional da Link, quer ainda pelas lições que proporcionou relativamente à capacidade para “chegarmos a um país estranho e longínquo e começarmos a desempenhar”. Internacionalização - Cadernos Link | N7 - Junho de 2005 | 29