UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE VIABILIDADE ECONÔMICA E PLANEJAMENTO DE CUSTOS NA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA SALA DE TREINAMENTO CORPORATIVO INTINERANTE Por: Juan Carlos Chao Cabanas Orientador Prof. André Gustavo Guimarães da Cunha Rio de Janeiro 2009 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE VIABILIDADE ECONÔMICA E PLANEJAMENTO DE CUSTOS NA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA SALA DE TREINAMENTO CORPORATIVO INTINERANTE Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau especialista em Finanças e Gestão Corporativa. Por: Juan Carlos Chao Cabanas de 3 AGRADECIMENTOS A todos que puderam contribuir de forma positiva na elaboração e construção deste trabalho, que só pode ser concluído, com a dedicação do orientador e mediante a paciência de familiares. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais que me apóiam em todos os meus projetos de vida. 5 RESUMO A indústria petrolífera, na sua busca global por novas fontes de petróleo, alcançou seu objetivo em áreas remotas no mar, sendo necessária à utilização de novas tecnologias para o desenvolvimento deste trabalho, que passou a ser realizado em plataformas de exploração de petróleo. Essa utilização exige conhecimentos técnicos específicos e pessoal com qualificação e treinamento continuado. Para atender a esta demanda faz-se necessário um sistema de treinamento com um certo nível de refinamento tecnológico. No entanto, esta atividade pode ser prejudicada quando consideramos que o público alvo apresenta especificidades em relação ao seu regime de trabalho “embarcado”, onde 14 dias se encontra no mar e 21 em descanso. Para esta realidade necessitamos de um sistema de treinamento adequado às novas tecnologias da informação. Dessa forma, a separação física e temporal entre aluno e professor, pode vir a não ser empecilho para o aprendizado como também a possibilidade de criar uma vantagem competitiva sustentável onde exista o comprometimento da empresa com a evolução e desenvolvimento dos seus colaboradores, a partir do ambiente virtual de aprendizagem. Este trabalho pretende apresentar uma possibilidade de treinamento coorporativo em EAD, com foco nas estratégias estabelecidas pela empresa. Palavras-chave: educação a distancia, treinamento corporativo, trabalho embarcado. 6 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1.1- Formulação do Problema de estudo 1.2- Questão de Estudo 1.3- Objetivo da Pesquisa 07 10 11 11 2. EAD, EC E SUSTENTABILIDADE 13 2.1- Conceituando a EAD 13 2.1.1- Histórico 14 2.1.2- Evolução da EAD no Brasil 15 2.1.3- A EAD como estratégia na Educação Corporativa 16 2.1.4- Vantagens da utilização da EAD 18 2.1.5. E-learning 21 2.1.6- Legislação 24 2.2. Educação Corporativa: Características Gerais 25 2.2.1. Objetivos da Educação Corporativa 25 2.2.2 Mudança de paradigma: Evolução do Treinamento & Desenvolvimento para as UC´s 26 2.2.3. Univ. Tradicional X Universidade Corporativa 27 2.2.4. Metodologia para uma UC atual 29 2.3 O Modelo do regime de trabalho embarcado (off-shore) 30 2.3.1 O modelo em outros paises 30 2.3.2. O modelo no Brasil 31 2.3.3. Legislação Trabalhista (CLT) 31 2.4 A EAD como Processo de Capacitação em Responsabilidade Social Sustentabilidade e Desenvolvimento Limpo 32 2.4.1 Impactos Ambientais na Industrialização 33 2.4.2. Mitigando os impactos 34 2.4.3. Educação: Essência para uma sociedade sustentável 36 3. ANÁLISE DO LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO 3.1 Perspectivas para a EC a partir do modelo de EAD 3.2 Avaliando a EAD como ferramenta de treinamento 3.3 Reduzindo custos com o treinamento corporativo a distância 38 38 39 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 43 5. BIBLIOGRAFIA 46 41 7 INTRODUÇÃO A procura global pela suficiência energética destaca a indústria do petróleo como uma das principais provedoras de energia do planeta. Este tipo de negócio tem um aporte de capital elevado o que exige investimentos constantes em tecnologia, desenvolvimento de novos produtos e processos, além da preocupação de formar e especializar seu corpo técnico, a capacitação profissional foi-se diferenciando de um elemento técnico para um elemento estratégico na articulação dos negócios e implementação de projetos. Durante a crise mundial do petróleo, com a criação da Organização dos Paises Exportadores de Petróleo (OPEP) provocando crescentes e sistemáticas elevações dos preços internacionais e o aumento expressivo do consumo de óleo e seus derivados,, impulsionaram as empresas de petróleo a procura de novos campos de produção, o que inaugurou no Brasil uma nova fase para a produção e extração de petróleo no pais, que rapidamente transformou a Bacia de Campos em uma das maiores províncias produtora de petróleo em águas profundas do mundo, com a utilização de plataformas de exploração de petróleo. As plataformas de exploração são unidades de extração do óleo no mar, em resposta ao desafio de produzir em águas profundas, podendo na atualidade retirar óleo a uma de lamina d'água próxima dos 2000 metros, através de tecnologia criada dentro das próprias empresas exploradora onde o seu quando de técnicos e engenheiros que gradualmente foram conquistando o domínio da tecnologia submarina, alavancando a produção nacional de petróleo. Este tipo de operação requer uma tecnologia avançada e estudo contínuo de novos processos como o sensoriamento remoto, poços perfurados horizontalmente, robótica submarina e inúmeros outros recursos para manter a empresa na vanguarda da exploração em águas profundas e ultra profundas. Esses processos necessitam de um corpo técnico altamente especializado, em constante aprimoramento e dedicado à educação e proteção 8 ambiental. Para manter a qualidade desses treinamentos diversas empresas investem no Desenvolvimento de Recursos Humanos (DRH) através de Universidades corporativas e apoio externo de universidades conveniadas num sistema de cooperação entre a empresa e a escola para enriquecer o treinamento dos trabalhadores com o intuito de se desenvolver tecnologia própria para superar os desafios encontrados no dia a dia dessas empresas. As escolas atuam na especificação e contextualização do conhecimento, sob as perspectivas dos desafios das Companhias estabelecidos no seu planejamento estratégico e diretrizes corporativas. Em concordância com as tendências mundiais e a necessidade da gestão do conhecimento exigir cada vez mais investimentos, podemos apresentar a alternativa do treinamento à distância como um forte aliado para as empresas que necessitam capacitação constante de seu quadro técnico. Apresentando vantagens competitivas nesse contexto como: custo por treinado inferior a um curso tradicional, redução no custo com viagens e respectiva falta do funcionário na empresa, tempo de treinamento menor, pois é dado ao funcionário o curso adequado as suas reais necessidades através de módulos específicos aumentando a sua capacidade de auto-desenvolvimento. Todos esses argumentos tem como foco uma capacitação pontual, objetiva e efetiva minimizando perdas com tempo e recursos mal direcionados. O desenvolvimento da educação à distância, mediada por computador, no âmbito empresarial, será abordada nesta pesquisa que tem como foco apresentar uma alternativa de treinamento para funcionários embarcados em plataformas de exploração de petróleo. Este trabalho terá o objetivo de apontar caminhos, no treinamento corporativo a distância, identificando de que forma a aprendizagem pode ser mais significativa e objetiva, otimizando recursos da organização de forma sustentável. 9 CAPÍTULO I APRESENTAÇÃO E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA As empresas, orientadas a otimizar sua produtividade, visando ser competitivas no mercado, procuram capacitar e desenvolver seus funcionários com a intenção de colocar em pratica as competências especificas para suas áreas específicas de trabalho. Para desenvolver esse modelo tornou-se necessário criar uma abordagem mais orientada aos interesses do planejamento estratégico da companhia, gerando uma abordagem chamada de educação corporativa, onde Os programas de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) precisam adaptar-se rapidamente, pois , a demanda é imediata e diversificada, através da qual, cada profissional precisa de informações específicas para seu trabalho no momento em que este é exercido. Esse tipo de educação contempla a gestão da educação no ambiente interno, situação presente em diversos segmentos empresariais, com o foco em resultados para a empresa e funcionários. O desafio da educação corporativa em desenvolver o conhecimento humano é definido pela administração da empresa e, mais especificamente, da diretoria de gestão de pessoas que, orientada aos objetivos da corporação, busca alcançar os melhores níveis de produtividade de seus funcionários, gerenciando as necessidades de aprendizagem, o desenvolvimento de soluções e a manutenção do conhecimento da companhia, pensando em ações sistêmicas focadas na educação corporativa e na gestão do conhecimento corporativo para transformar as pessoas em talentos, conseguindo devido a competitividade acirrada, evitar o atraso tecnológico e a perda de competitividade. A necessidade de atrair e reter talentos se torna essencial devido a estarmos vivendo na era da informação e do conhecimento compartilhado. Onde desenvolver o capital intelectual constitui um valor intangível que viabiliza negócios e novas oportunidades para as empresas, onde as pessoas 10 precisam aprender a aprender de forma contínua para dar conta da falta de conhecimento que predomina na sociedade. Analisando as diretrizes da educação corporativa será avaliada a alternativa de utilização da educação a distância como metodologia para o treinamento de funcionários situados em trabalho embarcado, devido aos avanços tecnológicos que viabilizaram essa nova ferramenta de ensino, podemos através dos recursos da internet implementar um novo processo de interação professor aluno, rompendo o paradigma da separação física entre professor e aluno, desenvolvendo novas características como a aprendizagem autônoma, auto-administração do tempo, comunicação multidirecional e o atendimento de grande quantitativo de alunos, criando desta forma um ambiente virtual de aprendizagem. 1.1 – Formulação do Problema de Estudo O desenvolvimento na qualificação e treinamento do quadro funcional determina o investimento no Capital intelectual da empresa, apresentado como diferencial competitivo em todas as empresas lideres de mercado. Para desenvolver a qualificação desses funcionários devemos avaliar e superar os desafios apresentados abaixo: - Administração do Tempo: Analisando o funcionário no regime de trabalho “embarcado”, onde 14 dias se encontra no mar e 21 em descanso, apresenta duas dificuldades quanto ao tempo para treinamento: . Primeiro por ter uma jornada de trabalho continua de 12 horas, impossibilitando a participação regular em treinamentos nos moldes tradicionais; . Segundo os períodos de folga são alternados, o que inviabiliza treinamentos tradicionais por serem ministrados de forma contínua e sem flexibilidade. - Logística e Infra-Estrutura: Para desenvolver um treinamento numa plataforma de extração de petróleo, temos restrições de espaço e os 11 profissionais que devem ser treinados não necessariamente estão no mesmo local, estando distribuídos em várias plataformas sendo inviável conseguir agrupa-los na formação de turmas e conciliar horários com o professor, desta forma inviabilizando a tarefa de treinamento nos moldes tradicionais. - Custos: Qualquer operação no mar eleva os custos e riscos envolvidos, pois o transporte de pessoas depende de helicópteros ou barcos que estão sujeitos ao tempo e maré influenciando nos horários determinados, elevando os custos ou inviabilizando os treinamentos tradicionais. 1.2 – Questão de Estudo Partindo do pressuposto que estaremos trabalhando o processo ensino / aprendizagem em EAD, permitindo o treinamento corporativo à distância, apresentamos as seguintes questões formuladas para este trabalho: a) Utilizando a ferramenta de educação a distância, será possível reduzir custos e prazos de treinamento corporativo em uma plataforma de prospecção de petróleo? b) Utilizando a ferramenta de educação a distância, implementando um planejamento de custos, será possível viabilizar uma sala de aula itinerante? 1.3 – Objetivo da Pesquisa Apresentar uma alternativa ao treinamento corporativo, utilizando a ferramenta de ensino a distância, mostrando a preocupação em otimizar recursos da empresa visando uma melhor logística e redução dos custos envolvidos na capacitação dos funcionários embarcados sem com isso prejudicar a qualidade da capacitação. 12 - Demonstrar a importância do ensino a distancia como ferramenta de treinamento corporativo, aplicada na capacitação do profissional embarcado; - Descrever o diferencial competitivo gerado pela cultura do treinamento corporativo e a gestão do conhecimento; - Apresentar como a otimização dos recursos tem a preocupação alinhada com a sustentabilidade da empresa, podendo ser inserido nesse programa uma cultura de Educação ambiental. - Apresentar uma proposta econômica de forma a viabilizar a implantação de uma sala de treinamento itinerante. Deverá ser avaliando o benefício e a efetividade do treinamento a distancia frente as necessidade da empresa e o maior conforto e satisfação do funcionário, criando um envolvimento e interesses diferenciados, como desenvolver no funcionário uma cultura e prática de estudo onde o mesmo poderá realizar a coleta de dados e pesquisa em uma estação de trabalho disponibilizada para este fim durante o seu embarque, e em seu período de folga possa utilizar algum tempo vago para leitura e fixação do conhecimento para posterior avaliação presencial. Desenvolvendo uma cultura própria de gestão do conhecimento. 13 CAPÍTULO II EAD, EC E SUSTENTABILIDADE Uma nova tendência dentro das corporações tem levado as pessoas a trabalhar cada vez mais, melhor e mais rápido, focando as empresas em projetos de educação corporativa para mapear competências e investir na gestão do conhecimento. Dentro desses propósitos procura-se disseminar conhecimentos, destacar e identificar habilidades e atitudes responsáveis pela otimização de processos. Criando assim uma gestão por competências que irão diferenciar estrategicamente a corporação motivando seus colaboradores. elevando os custos ou inviabilizando os treinamentos tradicionais. 2.1 – Conceituando a EAD O processo de aprendizagem por Educação a distância (EAD) tem a peculiaridade dos agentes envolvidos (aluno, professor e instituição) não necessitem estar presentes durante um determinado período e em um mesmo local. A aprendizagem é mediada por algum recurso tecnológico que viabiliza essa comunicação bilateral. “A EAD é entendida como uma modalidade importante dos sistemas de formação, da mesma forma que o uso intenso e inovador das tecnologias de informação e comunicação e a disponibilização de recursos educacionais (mediatecas, centros de recursos técnicos, monitorias e tutorias) de forma ampla e democrática.” (Belloni, Educação a Distância, 2001, pg.35) Fato facilmente observável é a evolução da tecnologia cotidiana, que impulsionou e facilitou o acesso de um numero cada ver maior de internautas, criando assim uma grande capilaridade para a disseminação do conhecimento. Segundo Barros grande parte na expanção da EAD dá-se pela grande capacidade de criar uma interface entre campos tecnológicos, mediante uma 14 linguagem digital comum em que toda e qualquer informação pode ser gerada, armazenada, recuperada, processada e transmitida para qualquer lugar em qualquer espaço de tempo a um custo acessível a grande parte da sociedade. Devemos conceituar a EAD como uma ferramenta, um meio de aprendizado, onde de acordo com o pensamento de Belloni, no futuro próximo do campo educacional existirá uma “convergência de paradigmas” onde se unificará o ensino presencial e a distância, em forma novas e diversificadas que incluirão um uso mais intensificado das tecnologias da informação e comunicação. Destacando as novas tecnologias, como facilitador, abrindo fronteiras para criação de técnicas colaborativas de aprendizado e disseminação do conhecimento. 2.1.1 Histórico Analisando o desenvolvimento da educação a distância pela ótica tecnológica, podemos identificar na perspectiva do uso de ferramentas de comunicação, três gerações de modelos para EAD (Nipeer in Belloni pg.56): - 1° Geração: O ensino por correspondência, no final do século XIX, incentivado pelo desenvolvimento da imprensa, tendo como pontos negativos a interação lenta entre professor e aluno. - 2° Geração: O ensino através de multimeios a distância, ainda nos anos 60, integrado ao uso do impresso e meios de comunicação audio visuais (antena ou cassete), as tecnologias eram limitadas sendo utilizados rádio, televisão ou gravados (cassetes de audio ou vídeo) para distribuir o material de apoio. Esta geração foi influenciada pelo surgimento da Open University onde outros paises adotara seu modelo pedagógico, que combinava reuniões, encontros presenciais, sessões periódicas de tutorias e emissões radiofônicas. Como ponto negativo novamente a dispersa interatividade entre professor e aluno. - 3° Geração: Em meados dos anos 90, se desenvolve o ensino por intermédio das NTIC, novas tecnologias de informação e comunicação, que são responsáveis pela gestão das ferramentas disponíveis como: bando de dados, e-mail, listas de discussão, sites, CD-ROM didáticos, infoternimento, 15 etc. A característica principal deste modelo é a interatividade, recurso tecnológico que possibilita o usuário interagir com as partes envolvidas no processo de aprendizagem. Em outros trabalhos poderemos encontrar nomenclatura referente para as gerações, como textual, analógica e digital. Porém o conteúdo se assemelha e a divisão também segue a ótica tecnológica. Na atualidade por impulso da crescente demanda do e-leaning pelas empresas e a distribuição em massa da oferta de banda larga de comunicação, abrem-se as portas para uma nova 4° geração, onde se permite estabelecer e manter a interação dos participantes de uma comunidade de aprendizagem com mais qualidade, rapidez e segurança. 2.1.2 Evolução da EAD no Brasil O histórico da EAD no Brasil é recente e iniciou-se basicamente com a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, posteriormente chamada Rádio MEC, fundada por Edgard Roquette Pinto, promovendo programas de EAD por radiofusão. Podemos verificar o progresso de experiências brasileiras em EAD conforme tabela abaixo: Tabela I: Experiências brasileiras com EAD ANO FATO Rádio-escola municipal do Rio de Janeiro. 1934 1941 1941 1947 1957 1961 1964 Fundação do Instituto Universal Brasileiro, oferecendo cursos profissionalizantes. Universidade do ar, voltada para o professor leigo. Universidade do ar, treinando comerciantes e empregados em técnicas comerciais. Atingiu o ápice na década de 50, com 80 mil alunos. Sistema Rádio educativo Nacional, passa a produzir programas transmitidos por diversas emissoras. Movimento Nacional de Educação de Base, finalizado em 1965. Solicitação do Ministério da Educação de reserva de canais de VHF e UHF para TVs educativas. RECURSOS USADOS Folhetos, esquema de aula, cartas radiofônicas Folhetos Rádio Leituras de aulas feitas por professores Rádio Rádio TV 16 ANO FATO 1970 Anos 70 Projeto Minerva em cadeia nacional. Fundação Roberto Marinho inicia educação supletiva a distância para primeiro e segundo graus. Implementação em Minas Gerais do projeto piloto do SENAC, em cursos a distância. Anos UnB cria os primeiros cursos de extensão a 80 distância. (Nunes, 1993,p.23 in monografia Uriarte, 2003,p.44) RECURSOS USADOS Rádio Rádio, TV e material impresso. Diversos Dentre todas as empreitadas nacionais a que mais se destacou foi o IUB, Instituto Universal Brasileiro, que possui uma organização de educação a distância modular, iniciada na década de 40, através de material impresso. Atualmente possui cerca de 160 mil alunos matriculados, estudando via apostilas e/ou internet. Conforme informação no site do instituto (http://www.institutouniversal.g12.br). 2.1.3 A EAD como estratégia na educação corporativa O tema treinamento e educação passou a ter importância estratégica para a empresa, mostrando-se como ferramenta direta na obtenção dos objetivos da organização, por isso a preocupação da diretoria em focar suas ações na qualidade, eficácia e retorno de investimento na áreas de educação corporativa. Com as transformações tecnológicas atuais, a sofisticação e a agilidade no trato das informações, passando pela melhor qualificação no relacionamento com um mercado consumidor mais exigente. Torna necessária uma transformação na formação, qualificação e capacitação dos colaboradores responsáveis pelo atendimento dessas novas demandas. A EAD se apresenta como ferramenta para otimizar recursos organizacionais, pois permite envolver um grande número de colaboradores ao mesmo tempo e em regiões distantes a um custo reduzido, elevando a qualidade do treinamento, através de um conteúdo programático bem elaborado e direcionado as questões estratégicas da empresa. 17 A educação aberta e a distância aparece cada vez mais, no contexto das sociedades contemporâneas, como uma modalidade de educação extremamente adequada e desejável para atende às novas demandas educacionais decorrente das mudanças na nova ordem econômica mundial. Por outro lado essa sociedade requer um novo indivíduo mostrando ênfase na necessidade de competências múltiplas do indivíduo, no trabalho em equipe, na capacidade de aprender e adptar-se a novas situações. Conseguindo se tornar um cidadão global com competitividade para desenvolver mecanismos de auto gestão (capacidade de organizar seu próprio trabalho), resolução de problemas, adaptabilidade e flexibilidade tendo de aprender por si próprio de modo cooperativo e pouco hierarquizado. Através de um bom planejamento realizado no treinamento a distância poderemos receber uma programação feita sob medida com cunho acadêmico no perfil solicitado pela gestão de pessoas da empresa. Onde segundo Ricardo (2005) evitará deslocamentos até as instalações das universidades ou dos centros de capacitação, diminuindo custos, pode englobar todos os escritórios espalhados em qualquer parte do mundo e dar homogeneidade ao conhecimento. As UC’s estão se preparando para uma nova realidade de mercado, se transformando para atender a um público, através de tecnologia já existente, propiciando o aprendizado “a qualquer hora e em qualquer lugar”, atendendo a especificidades de tempo, distância e econômicas. Eboli justifica isto em seu trabalho demonstrando que as experiências mais bem sucedidas de UC fundamentam-se na educação a distância e no uso intensivo da tecnologia, em suas mais diversas formas, para criar um ambiente organizacional propício a aprendizagem ativa, contínua e compartilhada. Neste trabalho é desenvolvida a ferramenta de treinamento corporativo a distância devido as necessidades apresentadas sobre a importância das empresas em investir na capacitação da sua força de trabalho. A EAD flexibiliza e proporciona uma capilaridade maior no alcance de todos os empregados, desde os funcionários da sede como os deslocados em missão no exterior ou locais de difícil acesso. Essa ferramenta não deve 18 comprometer a eficácia ou os objetivos da capacitação mas funcionará como alternativa no treinamento corporativo justificando a utilização da ferramenta de educação a distância no ambiente empresarial. 2.1.4 Vantagens da utilização da EAD: O papel estratégico da educação a distância é servir como ferramenta para auxiliar um público com necessidades diferenciadas, atendendo às peculiaridades e dificuldades de cada um, universalizando as oportunidades de acesso a educação. Segundo Barros (2003), a flexibilidade de horários e metodologia de trabalho também são formas de incentivar os estudos para que se atendam aos objetivos de qualificação geral. Para ilustrar o desenvolvimento da EAD como ferramenta de treinamento a distância, utiliza-se a tabela abaixo, a qual resume a coletânea de dados realizado por Eboli (2004) em seu trabalho. Tabela II: EAD como ferramenta no treinamento corporativo. EAD NO TREINAMENTO CORPORATIVO EMPRESA / UC ABN AMRO Bank Academia ABN AMRO BankBoston Boston school Banco do Brasil UC do BB BNDES Universidade BNDES Caixa Econômica Federal UC Caixa TECNOLOGIA ABRANGÊNCIA Programa “on the job” via elearning, CD-ROM, CD's e DVD's Treinamento a distância representa 60% do total de treinamentos. CD-ROM's, vídeos, fitas cassete, intranet, internet e papel Na aplicação dos programas 70% são presenciais e 30, virtuais. Portal da Universidade via internet Na aplicação dos programas 70% são presenciais e 30, virtuais. e-mail, chats e internet Não foi divulgado Sua estrutura virtual utiliza os ambientes físicos já existentes na empresa: email e internet Do total de participantes em treinamento, 63% fez parte do ensino a distância 19 EAD NO TREINAMENTO CORPORATIVO Natura Cosméticos EC Natura (ECN) Lojas Renner Universidade Renner Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) UC Vale (VALER) Siemens Brasil Siemens Management Learning Embratel UC Embratel (UCE) Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) Universidade Empresarial SABESP (UES) Atende a toda comunidade Natura, colaboradores Vídeos, jogos e simulações, internos,terceiros, através de fitas de vídeo e fornecedores, futuramente pretende consultoras, que implantar uma TV corporativa aproximadamente somam 350 mil pessoas em todo pais. Portal da Universidade via internet 80% dos programas são realizados na forma presencial e 20% são virtuais, utilizando-se uma plataforma de gerenciamento Programa “on the job” via elearning, Portal da Universidade via internet e intranet 16.500 empregados diretos (CVRD) e empresas controladas e coligadas, atingindo um número de 29.500 colaboradores. Internet, software Centra, chats, netmeeting, vídeo conferência, fóruns de discussão e e-mail. Não foi divulgado e-learning e TV corporativa Em 2001, foram realizados treinamentos a distância atendendo 3221 funcionários. TV corporativa, portal na internet da UES, fóruns de discussão, chats, salas de aula virtuais e banco de conhecimento. Programas desenvolvidos pela UES, 60% são presenciais e 40% realizados a distancia. Em 2003 foram realizadas 4350 participações em atividades virtuais 20 EAD NO TREINAMENTO CORPORATIVO Grupo AMIL AMIL universidade corporativa Alcatel Telecomunicações Alcatel University Volkswagen do Brasil (VW) UC Volkswagen (AutoUni) Elektro – Eletricidade e Serviços de SP Centro de excelência Elektro E-learning, e-ABA – Amil Business Administration e internet. Dentro do treinamento virtual existem doze módulos sobre temas variados, nos quais 80% são aplicados virtualmente e 20% presencial. Em 2003 o volume de horas aula utilizando o e-learning, internet, intranet e e-learning superou campus virtual 30% do total de treinamentos. e-learning e internet Atualmente os programas de treinamento são divididos: o colaborador interno utiliza 10% de aulas virtuais, enquanto o externo tem 60% das aulas virtuais. TV Elektro e o E-learning center Não foi divulgado (Eboli, 2004, coletânea de dados) A EAD representa um processo ensino/aprendizagem mediado por tecnologias, nesse aspecto apresenta diferenças competitivas em relação ao ensino presencial que podem ser evidenciadas abaixo: -Custo Individual e global de programas de treinamento: A empresa tem exata noção do orçamento, podendo prever o custo de aquisição e implementação dos programas, pois os custos são definidos no momento em que se planejam as necessidades e forma de aplicação do treinamento. -Padronização do ensino: O ensino a distancia permite aplicar o mesmo curso em diferentes unidades da empresa com metodologia e conteúdos similares pois a qualidade 21 do processo de transferência da informação não depende mais exclusivamente do professor, mas da forma como o conteúdo é desenvolvido. -Maior intercambio de conhecimento: As ferramentas utilizadas na EAD viabilizam a troca de informação, conteúdo e experiência entre funcionários, seja, através de salas de batepapo, fóruns e e-mails, desenvolvendo, novas formas de interação o conhecimento. -Quebras de barreiras geográficas: Com esta ferramenta a distância física entre alunos de uma mesma turma e professor torna-se irrelevante, pois o contato é mediado pelo computador e a web. -Gestão e medição sistematizada de programas de treinamento: O gestor de recursos humanos podem obter informações mais apuradas sobre os treinamento realizados, facilitando o desenvolvimento, orientação e implementação de novas iniciativas de reciclagem, qualificação ou planos de carreiras para os profissionais da empresa. 2.1.5 E-learning As rápidas mudanças que caracterizam a sociedade atual, a progressiva expansão da internet, com o surgimento de software mais amigáveis para criação e edição de páginas para web e as novas relações no ambiente de trabalho que exigem a capacidade de reagir as alterações e a dinâmica do diaa-dia, tem contribuído de forma positiva para alavancar o progresso do ensino a distância, pela ferramenta do e-learning. Este processo de ensino e aprendizagem é caracterizado pelo suporte tecnológico necessário para interação entre aluno/professor, permitindo a criação de turmas virtuais e eliminando o isolamento tradicional dos alunos a distância. Segundo Carvalho (2003), o “e-learning deve ser encarado como uma ferramenta educativa diferente, com potencialidades, dificuldades e limitação inerentes do processo. A sua adoção será mais rápida em situações pontuais, 22 específicas, do que propriamente para aprendizagens em situações prolongadas como em cursos acadêmicos”. Uma ferramenta de apoio tutorial onde o professor/tutor deverá disponibilizar materiais, interagir on-line, esclarecendo dúvidas, assumindo uma tutoria eletrônica por intermédio da web promovendo o apoio necessário para o aprendizado dos colaboradores, podemos ilustrar este mecanismo através da figura abaixo: Figura I: Mecanismo de aplicação do e-learning (Artigo E-learning: Reflexões em torno do conceito, 2006,p.236 ) Neste modelo educacional devemos observar a integração entre os participantes onde existe a inclusão do indivíduo numa sociedade da informação, o tutor passa a ter o papel de auxiliar no processo de aprendizagem não sendo este mais o único responsável pela transmissão do conhecimento, mais com a responsabilidade de integrar ferramentas, alunos e informação valorizando a interatividade e demonstrando os novos caminhos que contemplam as múltiplas oportunidades e recursos que a sociedade moderna dispõe. A mudança de paradigma e o impacto da internet na transmissão de conhecimento/aprendizagem são demonstrados no seguinte quadro de Marilene Santos Garcia e Iolanda Cortelazzo, pesquisadoras da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (Nova Escola, 1998) como podemos observar na tabela abaixo: 23 Tabela III: Mudança de Paradigma no treinamento a distância A sala de aula antes Na educação Com a nova e depois da internet tradicional tecnologia O professor Um especialista Um facilitador O aluno Um receptor passivo Um colaborador ativo A ênfase educacional Memorização de Pensamento crítico fatos A avaliação Do que foi retido Da interpretação O método de ensino Repetição interação O acesso ao Limitado ao Sem limites conhecimento conteudo (Revista Nova Escola, Ano XIII, n°110, marco de 1998, in artigo O Ensino Presencial e via internet, Aldemir Cacique) Dependendo da especificidade do treinamento, mesmo com a adoção do e-learning não podemos descartar o uso de aulas pontuais no modo presencial. Essa metodologia deve ser adotada quando na prática é necessário utilizar ambientes específicos, como laboratórios e oficinas ou é imprescindível a interação direta do professor com o aluno. Nestes casos poderemos utilizar a ferramenta blended learning1, que se caracteriza por promover um processo de ensino e aprendizagem, no qual diversas tecnologias e metodologias são adotadas em conjunto. Desta forma é estabelecida uma experiência onde a educação a distancia planejada no formato “blend”, incorpora o aprendizado “on-line” e “off-line”, no qual “on-line” utiliza a internet e o “off-line” acontece em salas de aula, oficinas ou algum laboratório com ferramentas específicas para o treinamento. Devemos trabalhar esta nova ferramenta de forma colaborativa onde podemos associar uma complementaridade entre atividades presenciais e atividades a distância, suprida por um suporte de tecnologias disponíveis na internet, facilitando a interação entre os participantes e promovendo o aprendizado de forma flexível sem a rigidez acadêmica, porém mantendo a qualidade e requisitos pedagógicos exigidos para um treinamento corporativo adequado. 1 Blended learning: aprendizado combinado, misto, hibrido de forma semi-presencial ou semi-virtual. 24 2.1.6 Legislação No Brasil a EAD foi oficializada como modalidade de ensino, por intermédio da Lei n° 9.394, de 20/12/1996, Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Onde no artigo 80 da Lei foi regulamentado o Decreto n°2.494, de 10/02/1998, que estabelece o incentivo e desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distancia, pelo poder público, em todos os níveis e modalidades de ensino e educação continuada. Após a EAD oficializada, foram estabelecidos procedimentos para o credenciamento de instituições que desejam ofertar cursos de graduação e educação tecnológica a distância, normatizados através da Portaria do MEC n°301 de 07/04/1998. Essa legislação respaldou as atividades da EAD, permitindo uma atuação mais efetiva das Universidades no desenvolvimento de suas atividades e pesquisas. Todas as fundamentações legais referentes a educação a distância são propícias a sua expansão e atendimento as exigências do mercado produtivo e competitivo que exige um nível de qualificação de mão de obra com uma dinâmica de atualização constante. 2.2 – Educação Corporativa: Características Gerais A preocupação das empresas com um novo ambiente empresarial caracterizado por freqüentes mudanças e pela necessidade de soluções mais ágeis da organização, gerou a necessidade de desenvolver vantagens competitivas sustentáveis. Para superar este desafio as organizações focaram 25 o seu comprometimento na educação e capacitação de seus colaboradores, estimulando-os á busca constante pelo aprendizado, proporcionando o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Para coordenar o trabalho de capacitação foram implementadas as Universidades Corporativas, como ferramenta para alinhar o desenvolvimento dos recursos humanos em conformidade com as estratégias corporativas. “O mundo globalizado exige um novo perfil do trabalhador da era do conhecimento, já que as empresas estão saindo do antigo padrão de produção em massa para o modelo cuja prioridade são as necessidades de seus clientes.” (Ricardo Jorge ,2005,p.27) 2.2.1 Objetivo da Educação Corporativa As universidades corporativas desenvolvem trabalhos otimizando recursos de pesquisa e aprendizagem continuada, funcionando como espaços para a gestão do conhecimento e desenvolvimento de competências e habilidades. Utilizando o uso de redes de conhecimento interno e externo da empresa, acumulando o chamado capital cognitivo em prol das metas estabelecidas pela direção da empresa. Desta forma apresentam a flexibilidade necessária para desenvolver soluções pertinentes aos negócios da organização. Na visão da empresa a UC será utilizada como um agente de mudanças, desenvolvendo qualificações e competências dos colaboradores de acordo com diretrizes organizacionais. Para o empregado se torna um investimento pessoal e diferencial em sua carreira. Valorizando seu curriculum com o reconhecimento extra companhia. Segundo Marisa Eboli (2004) “a missão da UC consiste em formar e desenvolver os talentos na gestão dos negócios, promovendo a gestão do conhecimento organizacional (geração, assimilação, difusão e aplicação), por meio de um processo de aprendizagem ativa e contínua. Definindo as seguintes metas globais: 26 . Difundir a idéia de que capital intelectual será o fator de diferenciação das empresas. . Despertar nos talentos a vocação para o aprendizado e a responsabilidade por seu processo de auto desenvolvimento; . Incentivar, estruturar e oferecer atividades de autodesenvolvimento; . Motivar e reter os melhores talentos, contribuindo para o aumento da realização e felicidade pessoal.” Podemos perceber que o foco atual das empresas está em estabelecer o treinamento corporativo como ferramenta para alinhar a força de trabalho as suas estratégias empresariais, criando um diferencial competitivo tanto para a empresa como para seus colaboradores, propiciando o desenvolvimento de ambos. 2.2.2 Mudança de Paradigma: Evolução do Treinamento & Desenvolvimento para as UC's A mudança na percepção da gerencia de Recursos Humanos teve papel importante para a substituição do treinamento pela educação. O que não é apenas uma troca de palavras, mas uma mudança de conceito. O RH atual tem o papel de desenvolver e transformar a forma de pensar e agir dos colaboradores, promovendo o aprendizado e a interação entre os funcionários para que ocorra o compartilhamento de experiências, idéias e informações. Conforme tabela abaixo: Tabela IV: Mudança de paradigma de centro de T&D3 para a universidade corporativa CENTRO DE EDUCAÇÃO TREINAMENTO CORPORATIVA Desenvolver habilidades Desenvolver as OBJETIVO competências criticas Aprendizado individual Aprendizado FOCO organizacional Tático Estratégico ESCOPO Necessidades Estratégia de negócios ÊNFASE Individuais Interno Interno e externo PÚBLICO Espaço real Espaço real e virtual LOCAL 27 CENTRO DE TREINAMENTO Aumento das habilidades (Eboli, 2004,p.50) RESULTADO EDUCAÇÃO CORPORATIVA Aumento da competitividade Para Eboli (2004), o maior desafio é promover a identidade cultural da empresa, criando condições propícias ao desenvolvimento de lideres eficazes. Isso implica em profundas mudanças não só na estrutura dos sistemas, políticas e pratica de gestão de pessoas. Mas principalmente na mentalidade, valores e cultura organizacional. Como proposta para solucionar o desafio de cultivar o conhecimento dos funcionários, se estabeleceu a metodologia da Gestão por competências, que consiste em compreender quais são as premissas organizacionais críticas para o sucesso e desdobra-las em termos de competências profissionais. Prática que deve ser coordenada junto ao quadro de funcionários internos. As UC devem assumir seu papel central no gerenciamento dos recursos humanos, se destacando na valorização da aprendizagem no meio empresarial, pois a atualização e o desenvolvimento do capital intelectual da empresa servirão para garantir sua própria sobrevivência nesse mercado altamente competitivo. 2.2.3 Universidade Tradicional X Universidade Corporativa As universidades corporativas são impedidas de oferecer diploma ou certificados com validade acadêmica, excetuando os casos que envolvem parcerias com instituições de ensino reconhecida e credenciada pelo MEC. Porém, as empresas com necessidades nem sempre apresentadas nos cursos convencionais optam por manter a liberdade e flexibilidade nas suas exigências. Promovendo uma capacitação que traga mudanças na atitude, comportamento e comprometimento do colaborador direcionado com os interesses organizacionais. Reconhecemos que universidade tradicional tem por objetivo uma formação técnica e científica ampla, direcionada para formar um indivíduo com 28 vontades e desejos individuais e com competência para atuar em qualquer setor da sociedade, promovendo o bem estar ao núcleo social a que pertence. Não se restringindo a interesses particulares e organizacionais das estratégias empresariais. Compartilhando o mesmo pensamento de Ricardo a universidade tradicional deve se ajustar as demandas e necessidades de capacitação das empresas, enquanto as UC devem seguir às normas, padrões e possibilidades pedagógicas e tecnológicas da universidade tradicional. Conquistaríamos assim um ponto ótimo de equilíbrio onde as necessidades e objetivos das duas universidades se complementem, podendo a sociedade usufruir dos benefícios de ambas, como se observa no quadro abaixo: Tabela V: Diferenças entre a Universidade tradicional e a corporativa Universidade Tradicional Universidade Corporativa Cursos e programas são regulados por lei e estruturados segundo normas rígidas do Ministério da Educação. Preponderância de aulas expositivas e teóricas Aprendizagem temporária Cursos e programas são livres, atendendo às necessidades das pessoas que integram a s organizações Preponderância de metodologias que privilegiam a aprendizagem por meio de atividades práticas, de estudos de caso, simulação, jogos de empresa, etc. Aprendizagem contínua Liga o conhecimento à formação técnica e científica de um indivíduo Aprendizagem baseada em conceitos acadêmicos Liga o conhecimento, nem sempre estruturado, às necessidades estratégicas de uma organização. Aprendizagem baseada na prática do mundo dos negócios. Ensina crenças e valores Ensina crença e valores do universais ambiente de negócios. (www.institutimvc.com.br in Ricardo, 2005,p.42) “Além da tarefa de suprir lacunas de formação, desenvolvimento intelectual e conteúdos para o bom desempenho no trabalho, as organizações educam pela cultura compartilhada, ou seja, pelo “jeito de fazer”, pelos valores, mitos e ritos que apregoa a prática, pelos métodos de liderar, premiar, punir e de fazer as coisas. Assim, as organizações estão, continuamente, as voltas com a formação/conformação.” (Bonilauri Ana ,artigo Educação corporativa: reflexões e práticas,p.88) 29 O ensino corporativo ao conquistar uma maior difusão entra em conflito com o ambiente de educação formal, pois o dia-a-dia das organizações está criando um bom espaço para ensinar e aprender. 2.2.4 Metodologia para uma UC atual Nesse novo espaço, não podemos minimizar o impacto na vida real das pessoas, servindo como multiplicadores de conhecimento, cultura e valores no âmbito externo da empresa. Possivelmente uma organização que cria em seus colaboradores uma consciência de preservação ambiental, na prática esta não será utilizada apenas “in company”, mas se difundirá aos redores da fabrica e da moradia destes funcionários influenciando outras pessoas de seu convívio nas mesmas práticas e valores, determinando o desenvolvimento da sociedade local. Procurando estabelecer uma relação entre as necessidades de desenvolvimento profissional da pessoa e o aproveitamento do seu conhecimento pela empresa, Bonadio in Ricardo (2005) identifica cinco processos que “devem ser acionados ao mesmo tempo e em toda a empresa”: - Criar oportunidades para que todos possam compartilhar com todos os conhecimentos que possuem; - dar a oportunidade para que o conhecimento latente em cada pessoa possa ser explicitado; - agrupar os mais talentosos em projetos nos quais os seus conhecimentos sejam mais críticos; - fazer com que o aprendizado ocorra principalmente em situações práticas ou durante trabalhos reais; e - estabelecer uma relação de vantagens recíprocas entre a necessidade de desenvolvimento profissional da pessoa e o aproveitamento do seu conhecimento pela empresa. Por melhor que seja a capacitação interna da empresa, a organização não pode se fechar para novos conceitos, opiniões e idéias, sempre existindo a necessidade de capacitar e aprimorar sua equipes externamente. Dentro desta metodologia empresa e escola têm papéis complementares na 30 preparação de pessoas. 2.3 – O Modelo do Regime de Trabalho Embarcado Devido à singularidade desta pesquisa, que envolve o trabalho embarcado, torna-se necessário apresentar o modelo das relações profissionais desse colaborador. O que a primeira vista pode parecer um privilégio ou prêmio, numa análise mais apurada, podemos perceber o árduo trabalho contínuo e em confinamento dos trabalhadores off-shore. Durante um período de vários dias, deslocarem-se apenas dentro de um espaço limitado, onde a conseqüente proximidade de atividades diferentes como trabalho, alimentação, lazer, repouso e atendimento a saúde, não favorece o relaxamento. O petróleo flui 24 horas do dia ao longo do ano, exigindo o revezamento de várias equipes para o acompanhamento da produção. 2.3.1 O modelo em outros paises O período em dias de trabalho embarcado no mar e no descanso em terra é variável. Em alguns paises possui uma alternância de 14/14 (Reino Unido), 7/7 (EUA), ou mesmo uma progressão de 14/14 no primeiro ciclo, 14/21 no segundo ciclo e 14/28 no terceiro ciclo (Noruega). Em termos de horas de trabalho, durante o período de embarque, o mais comum são 12 de trabalho para 12 de descanso. Porém, o período de horas efetivamente trabalhadas, inclui as extras, o que freqüentemente chegam a 14 horas diárias. Independente da modalidade de turnos estabelecida, os trabalhadores permanecem de prontidão durante todo o tempo em que se encontram na plataforma. (Freitas, 2001) 2.3.2 O modelo no Brasil 31 No Brasil, a relação do regime de trabalho e descanso se alterna em 14/21 dias para os funcionários diretos e 14/14 para os colaboradores terceirizados. Atualmente coexistem dois tipos de escalas para os funcionários diretos: - Revezamento em turnos de 12 horas, que compreende funções operacionais realizadas por técnicos de nível médio; - Sobreaviso, exercido por supervisores e profissionais de nível superior. As características básicas do regime são o confinamento que por conseqüência propiciam o afastamento social e familiar e a periculosidade inerente dos trabalhos de produção de petróleo no mar, fatores que devem sempre estar presentes no processo de adaptação ao trabalho off-shore. 2.3.3. Legislação Trabalhista (CLT) De acordo com a Lei nº 7.855, de 1989, é estabelecida as diretrizes para o regime de trabalho aplicável aos empregados que prestam serviços em atividades de exploração, perfuração, produção e refinação de petróleo, bem como na industrialização do xisto, na indústria petroquímica e no transporte de petróleo e seus derivados por meio de dutos. Sendo descrito no artigo segundo: Sempre que for imprescindível à continuidade operacional, o empregado será mantido em seu posto de trabalho em regime de revezamento. Com o objetivo de eliminar ou minimizar os aspectos negativos da obrigatoriedade na realização de cursos de desenvolvimento profissional para o trabalhador embarcado, o treinamento a distancia vem demonstrar a possibilidade de realização dos cursos sem uma interferência penosa na rotina do embarcado, procurando despertar no mesmo um interesse de constante atualização profissional. 32 2.4 – A EAD como Processo de Capacitação em Responsabilidade Social Sustentabilidade e Desenvolvimento Limpo Vivemos na era da informação em tempo real, da globalização da economia e, com a internet, rompendo a fronteira entre nações. Devido a esses fatores o trabalho de treinamento a distancia é relevante para o desenvolvimento corporativo pois se enquadra perfeitamente no conceito de eco-eficiência, onde “Produzir mais, melhor, com menos consumo de recursos e maior responsabilidade sócio-ambiental.” O processo de aprendizagem a distancia consegue atender a um grande quantitativo de alunos sem restrição de tempo ou espaço, consumindo menos recursos econômicos conforme pode ser comprovado por este estudo, além de ter um alcance extra-companhia onde pode ser usado também em ações sociais de educação, financiadas pela empresa em programas de desenvolvimento social. Devido a esses fatores podemos concluir que o treinamento ministrado a distancia, por sua própria essência, já pode ser definido como socialmente responsável e ecologicamente correto. Este treinamento visa aliar a Educação Ambiental à cultura corporativa23 da sustentabilidade para desenvolver a preservação ecológica e a responsabilidade social. Dependemos de uma consciência ecológica e a formação desta depende da educação. As empresas que desejam desempenham um papel de destaque na economia global, necessitam elaborar programas ambientais que contemplem, em seu planejamento estratégico, a meta de formar uma cultura ecológica no seu quadro de empregados. Essa cultura se desenvolve a partir da criação de multiplicadores na sociedade para, dessa forma, termos uma conscientização do conceito de 3 Cultura corporativa, segundo Ricardo (2005), é o conjunto de valores, crenças e regras de comportamentos estabelecidos pela cúpula decisória de uma empresa em que embasarão todas as suas políticas. 33 responsabilidade individual onde cada um cria sua cultura de preservação ambiental. 2.4.1 Impactos ambientais da industrialização A consciência ecológica nos desperta para o problema da sociedade moderna e o destino do homem, a partir da análise das questões que desencadeiam os distúrbios ambientais. Mais especificamente na industria do petróleo com a corrida para desenvolvimento dos recursos petrolíferos, afetando a paisagem, os padrões agrícolas e o turismo, incluindo os vários aspectos da saúde e uma ampla gama de atividades humanas. A utilização do petróleo, em particular, contribui significativamente para o amplo desenvolvimento econômico com conseqüências positivas para a saúde e felicidades humanas. No entanto, a energia e o petróleo também produzem tipos de poluição que levam a doenças, degradação do meio ambiente e, através do aquecimento global, a conseqüências potencialmente severas para a sustentabilidade em muitas partes do mundo. A era dos hidrocarbonetos, sem dúvida, teve um papel positivo no avanço industrial e no estilo de vida moderno. Porém, o passivo desse progresso está se multiplicando e acontece, em todo o mundo, um exame minucioso dos impactos negativos da extração, transporte e do consumo de petróleo sobre o meio ambiente, bem como as relações sociais, a saúde pública em comunidades e sobre os direitos humanos. Inúmeras fontes de informação mundial alertam para dados como o fato da temperatura média da superfície terrestre, nos últimos anos, estar aumentando numa velocidade preocupante. Temos ainda, como dados nesse mesmo aspecto, a alta substancial da concentração de dióxido de carbono na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis, o aumento do nível dos oceanos, a ocorrência de mudanças nos padrões de circulação de massas marítimas e atmosféricas, responsáveis pela modificação de vários fatores determinantes do equilíbrio da temperatura do planeta. É observado, ainda, um 34 aumento do número de eventos climáticos extremos como tornados , ciclones, furacões e maremotos, que se intensificam ao longo do tempo. A utilização de recursos naturais para obtenção de energia é um mercado que atualmente envolve questões militares e geopolíticas. No centro dessas questões, alinham-se os problemas ambientais, como o aquecimento global, esgotamento de reservas, efeito estufa e corrida para fontes nucleares. Esse comércio é alimentado pelo desejo da sociedade em prol do bem estar. Não sendo levados em consideração os efeitos negativos devido à ignorância e à alienação energética. As empresas, por serem responsáveis em satisfazer esse desejo e estarem diretamente ligadas a degradação, devem incluir em sua missão empresarial a educação da sociedade, promovendo um convívio ecológico sustentável. Esta medida, tomada a curto prazo, evitará que a corporação vá de encontro ao princípio da perpetuidade, pois destruindo o planeta a sociedade se dissolverá e as empresas não conseguirão evitar que seus produtos cheguem ao ciclo de maturidade e declínio por falta de consumidores, terminando desta forma a razão e a viabilidade da sua existência. 2.4.2 Mitigando os Impactos Despertar na sociedade uma visão ecológica e de sustentabilidade vem sendo realizada por várias entidades produzindo ótimos trabalhos e promovendo um comprometimento maior de todas as nações. Dessa forma, determinando o rumo e o foco das discussões mundiais e criando uma ecoconsciência para o planeta, definindo metas e prazos para reduzir a degradação do meio ambiente num prazo aceitável e reduzindo seqüelas. Pois o desenvolvimento econômico só será sustentável se conseguir manter o equilíbrio das forças biológicas que mantém o planeta. A conclusão que a humanidade está contribuindo para o aquecimento global através das emissões de CO2, foi à força para criar em 1997 um acordo para redução de gases do efeito estufa, chamado de protocolo de Kyoto. 35 O tratado, limita emissão de poluentes e estipula um calendário para o cumprimento das metas acordadas, determinando a redução em 5,2% as emissões equivalentes ao ano de 1990, até 2012. Esse entendimento estabelece o princípio da responsabilidade compartilhada pelo aquecimento global e impõe aos paises industrializados participantes transferir “tecnologias limpas” aos paises em desenvolvimento evitando a propagação de uma industrialização poluente. Desenvolvendo um mecanismo cooperativo, mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), como uma forma evidente para redução das emissões aplicando recursos em tecnologias sustentáveis. Após o tratado de Kyoto acontece a conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento, realizado na Cidade do Rio Janeiro, em 1992, onde em paralelo ocorre o fórum global 92 promovido pelas entidades da apresentados sociedade documentos civil. Nesse importantes encontro para foram estabelecer elaborados e diretrizes e compromissos entre os 172 paises participantes. Entre os acordos assinados podemos citar dois deles. A Carta da Terra que consiste numa declaração de princípios globais para orientar a questão do meio ambiente e do desenvolvimento e a Agenda 21 onde constam tratados em diversas áreas correlatas ao meio ambiente e a sua preservação. As entidades não-governamentais se mobilizam para cobrar de seus governantes projetos voltados para a sustentabilidade do planeta e obtenção de resultados concretos na preservação do meio. Outra vertente dessa mobilização se reflete no consumo, onde a seletividade por produtos ecológicos, e que não gerem resíduos, está forçando a indústria a ter um papel mais ativo nesse movimento de interesses voltados para o desenvolvimento sustentável. 2.4.3 Educação: essência para uma sociedade sustentável Pelo panorama já apresentado, a sociedade moderna precisa encontrar um equilíbrio dinâmico. Esse equilíbrio consiste na necessidade do 36 desenvolvimento econômico preservar os eco sistemas. De acordo com Gadotti (1998), para construir um desenvolvimento sustentável, devemos ter uma educação com esse foco. No entanto, essa educação no que tange ao que todo o projeto empresarial deve atender, segundo Gutierrez, in Gadotti, necessita ter como pressuposto a conformidade entre quatro condições básicas. São elas: - economicamente factível - ecologicamente apropriado - socialmente justo - culturalmente eqüitativo, respeitoso e sem discriminação de gênero. Essas condições básicas acima devem ser entendidas como valores para o desenvolvimento de novos projetos em nossa sociedade, criando uma ética pessoal baseada em uma consciência ecológica, servindo de base para o equilíbrio dinâmico e o convívio harmônico entre o homem e a natureza. A preservação do meio ambiente depende de uma consciência ecológica e a formação dessa consciência depende da educação. Contudo, devemos evitar a proliferação da Alienação Energética, onde a ausência do entendimento da importância das fontes de energia e suas relações no cotidiano, deve constituir um compromisso das empresas que dão maior importância ao conceito de sustentabilidade. Esse conceito pode englobar diversos fatores, entre eles, os códigos de conduta, governança corporativa, política ambiental, eco eficiência e ética nas relações trabalhistas e no desenvolvimento de capital humano nas empresas. Esse objetivo deve ser alcançado através de programas de treinamento corporativo que apresentem os impactos do uso das fontes de energia no ambiente, prevenindo o consumo agressivo da energia e a produção desenfreada de resíduos não absorvíveis pelo ambiente. Programas corporativos de treinamento necessitam ter como pressuposto o entendimento da formação de uma cultura em Educação Sustentável. Assim, contribuem para formar um envolvimento que se realize na prática. Em decorrência disso, possuir uma componente fundamental que é a sustentabilidade educacional, pois, segundo Gutierrez in Gadotti, para termos 37 uma “atitude de preservação ambiental dependemos de uma consciência ecológica e, a transformação dessa consciência, depende da educação”. Segundo Muniz, 2003, devemos ter o papel de multiplicadores na arte de “educar para recuperar a harmonia com o ambiente no qual estamos inseridos, onde não se destrói, não explora, não pretende dominar o mundo natural mas conhecê-lo para respeitá-lo gerando um bem estar humano num mundo sustentável no qual se devolva o que se toma emprestado da natureza para viver, sem agredi-la e sem comprometer as gerações futuras que nos sucederão.” Desenvolvendo a cultura onde a redução da utilização de energia também reduz o impacto ambiental de sua utilização. 38 CAPÍTULO III ANÁLISE DO LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO O desenvolvimento na qualificação e treinamento dos colaboradores tem se apresentado como diferencial competitivo em todas as empresas lideres de mercado. Desenvolvendo o processo ensino / aprendizagem em EAD, permitindo o treinamento corporativo à distância. Apresentamos como proposta para viabilizar as questões anteriormente formuladas para este trabalho os tópicos abaixo: 3.1 Perspectivas para a EC a partir do modelo de EAD No desenvolvimento de práticas na administração de recursos humanos, de acordo com Potter (1991), as organizações serão capazes de criar e sustentar vantagens competitivas, se complementarem capacitações econômicas, tecnológicas, estratégicas e dos produtos em si. Para alcançar estes objetivos as empresas apontam três aspectos capazes de sustentar a competitividade das empresas, que são descritos por Ricardo (2005) como: - envolver e comprometer pessoas levando em conta sua diversidade cultural; - oferecer segurança e auto-confiança; - desenvolver e atrair pessoas talentosas - manter um ambiente com tecnologia de informaçãoe conhecimento circulando em velocidade crescente. Devemos enxergar a educação a distância via internet EAD, como uma evolução para as soluções de treinamento e aprendizagem nas empresas. Segundo pesquisa citada em Ricardo (2005), realizada pelo Meta Group, empresa americana de pesquisas, demonstra que 60% das companhias americanas estejam usando sistemas de EAD para capacitar seus colaboradores desde 2004. Utilizando esta ferramenta dinâmica para difundir conhecimentos, principalmente em locais geograficamente dispersos. 39 Segundo Fonseca in Ricardo (2005), o conjunto das diversas ações de educação corporativa implementada nas organizações nos últimos anos, pode ser observado o crescimento significativo da quantidade de ações de treinamento a distância realizadas para o alcance de metas organizacionais. O crescimento dos cursos de EAD nas organizações vem sendo potencializado pelos seguintes fatores: - o alto custo da educação tradicional; - a rapidez da mudança dos conteúdos dos cursos de forma dinâmica e personalizada; - a limitação de ordem temporal, (ditadas por horários de trabalho e dificuldades de deslocamento); - a importância crescente da educação continuada; - as limitações geográficas (impossibilidade do deslocamento de potenciais alunos localizados em regiões distantes); - a globalização dos negócios e da educação; - a evolução das tecnologias interativas de comunicação. Esses fatores no ambiente corporativo complementam as necessidades dos empregados trabalhando em plataformas de petróleo envolvendo vários usuários e justificando o uso da EAD neste caso específico. 3.2 Avaliando a EAD como ferramenta de treinamento. No sentido de ampliar a abordagem dada, nesta pesquisa, à EAD como ferramenta de treinamento corporativo, recorremos a uma realizada por Cacique (2002) investigação que desenvolveu-se a partir do estudo comparativo, entre um nini-curso realizado nas modalidades presencial e a distância. Esse estudo vem contribuir de forma significativa na identificação desse novo modelo educacional como uma possibilidade de oferecer condições de melhores desempenhos dos envolvidos no processo de capacitação e do reconhecimento da eficiência da metodologia a distância. 40 A seguir apresentamos o quadro da avaliação da aprendizagem, dos cursistas, desenvolvido por Cacique (2002) onde podemos observar, com mais clareza as questões apontadas acima da referida pesquisa, demonstrada no quadro abaixo: Tabela VI: Quadro de avaliação da aprendizagem PRESENCIAL INTERNET TOTAL Ativi dades Média de %Total de Média de %Total de Média de %Total de Pontos Pontos Pontos Pontos Pontos Pontos Exerci cios 2,61 87,00% 2,3 77,00% 2,51 84,00% Prova Final 5,1 73,00% 5,32 76,00% 5,16 74,00% Total Geral 7,71 77,00% 7,62 76,00% 7,67 77,00% (Artigo: O Ensino presencial e via internet, Aldemir Cacique, 2002) Assim, podemos constatar resultados potencias de aprendizagem em ambas modalidades. No entanto, essa eqüidade nos remete a concluir que a aprendizagem na modalidade a distância se efetiva com sucesso num contexto novo e com inúmeras especificidades que acabam tornando-se também fatores dessa mesma aprendizagem. Visando demonstrar a EAD como ferramenta para o treinamento corporativo, avaliando a qualidade e abrangência do trabalho, vamos citar as vantagens apontadas na implementação da EAD via web na Marinha do Brasil, citadas por Azevedo in Ricardo (2005), abaixo: . qualificação/atualização do militar em concomitância com o trabalho – ao realizar o curso no mesmo local de trabalho, a OM22 pode contar com o trabalho do aluno, ao mesmo tempo em que este realiza o curso; . quantidade maior de alunos por curso – nos cursos presenciais, a quantidade de alunos está limitada ao número de lugares de uma sala de aula. Na EAD, pode-se oferecer um número significativamente maior de vagas, o que redunda maior economia e rapidez na qualificação/atualização do pessoal; e 2 OM: Organização Militar 41 . maior abrangência – dependendo da definição de mídias empregadas, podese atingir todo o público-alvo, independente do local onde se encontre o militar, no pais e até no exterior. Segundo Ricardo (2005), podemos avaliar os fatores educacionais como a qualidade, através do planejamento do curso, a qualidade de suas informações ou do conteúdo ministrado, além dos autores, instrutores e professores envolvido no processo da aprendizagem. Outro aspecto importante é destacado por Bastos (2005), onde o modelo de treinamento a distância através da web ou rede pode obter a manutenção do mesmo padrão de qualidade ainda que o número de alunos seja elevado, pois o material utilizado e o trabalho proposto é o mesmo, nos cursos presenciais a preparação do material e as aulas são ministradas por diferentes professores e nem sempre é possível contar com professores qualificados para todas as turmas, mantendo assim uma uniformidade na distribuição do conhecimento. 3.3 Reduzindo custos com o treinamento corporativo a distância Os cursos a distância e principalmente os cursos em rede estão conquistando um maior espaço nos treinamento das empresas no Brasil, um dos aspectos procurados é a redução de custos no treinamento de pessoas. Importante salientar que a questão custo não é o ponto chave na escolha de um programa de treinamento, mas certamente que as considerações sobre os custos são valiosas para fundamentar a opção por um tipo de capacitação, que reduza gastos com material, pessoas, equipamentos e ainda traga benefícios positivos como maior difusão e flexibilidade nos treinamentos corporativos. Com a internet podemos alcançar uma maior conectividade e alcance global, segundo Ricardo (2005) , desta forma conseguimos uma redução nos custos de comunicação, transação e de operação, facilitando a interatividade, flexibilidade, personalização e distribuição acelerada de conhecimento. Desta forma podemos destacar que o meio internet, é um campo promissor para 42 melhorar o aprendizado e o suporte à performance dos colaboradores. Na implementação da EAD via web na Marinha do Brasil, citadas por Azevedo in Ricardo (2005), também é destacada a economia de escala de recursos empregados, demonstrando que o custo do curso por aluno, nessa modalidade, decresce à medida que aumenta o número de alunos. Justificando a utilização do e-learning como estratégia de treinamento, citamos o caso da Universidade Corporativa Embratel, onde segundo seu gerente geral de desenvolvimento de RH (in Eboli), “Em 2001, o treinamento a distância de 3221 profissionais representou ema economia de 1,9 milhão de reais para empresa, em comparação ao que seria gasto se essas mesmas pessoas tivessem participado de cursos presenciais, em salas de aula convencionais”. As experiência acima citadas demonstram o potencial do treinamento a distância em otimizar os recursos da empresa reduzindo custos com o treinamento corporativo. 43 CAPÍTULO IV CONSIDERAÇÕES FINAIS Voltamos agora às nossas questões iniciais deste estudo; neste sentido, discutimos a possibilidade de treinamento corporativo em EAD a partir das estratégias e especificidades estabelecidas no problema apresentado. Da leitura de teóricos e de pesquisas existentes na área, pode-se evidenciar que a EAD, como estratégia corporativa, é considerada uma ferramenta para otimizar recursos organizacionais. Nesse aspecto, através de um bom planejamento, pode reduzir os custos individual e global dos programas de treinamento, viabilizar o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre os funcionários, romper com a distância física e facilitar o desenvolvimento , orientação e implementação de programas de treinamento. No entanto, as especificidades trazidas por esse novo processo de ensino aprendizagem, que se caracteriza pelo suporte tecnológico e uma consistente interação entre professor e aluno, nos remete para a relevância de valorizar a interatividade, demonstrando os novos caminhos que contemplem as múltiplas oportunidade de recursos que a sociedade moderna dispõe. Sabedores de que o mundo globalizado, na sociedade do conhecimento, exige um novo perfil do trabalhador faz-se necessário as empresas saírem do modelo de produção em massa para outro onde as necessidades de seus clientes são a prioridade. Para atender a essas demandas encontramos na Universidade Corporativa (UC) o agente para a mudança, promovendo o desenvolvimento de qualificações e competências, de acordo com as diretrizes organizacionais da empresa. O desenvolvimento da qualificação e competências está vinculado à missão da UC que visa estabelecer metas nas empresas por meio de aprendizagem contínua e ativa. 44 Assim, ao focarmos a especificidade do modelo de regime de trabalho embarcado (off-shore), que se caracteriza pelo confinamento, torna-se relevante considerar fatores inerentes a esse modelo no processo de trabalho “off-shore”. Ao relevar a distância social e familiar, inerente ao trabalho de produção de petróleo no mar, tomamos como pressuposto a necessidade de eliminar ou minimizar os aspectos negativos que envolvem o prolongamento desse afastamento em virtude da necessidade de realizar cursos presenciais de desenvolvimento profissional. Além do aspecto humano devemos considerar o aspecto ambiental, onde programas corporativos de treinamento necessitam ter como pressuposto o entendimento da formação de uma cultura em Educação Sustentável. Assim, contribuem para formar um envolvimento que se realize na prática, desenvolvendo uma consciência ecológica na formação e treinamento dos colaboradores. Desta forma a empresa desenvolve uma conscientização do conceito de responsabilidade individual criando valores para a adoção de novos projetos em nossa sociedade, visando uma ética pessoal baseada em uma consciência ecológica, servindo de base para o equilíbrio dinâmico e o convívio harmônico entre o homem e a natureza. Embora o treinamento a distância tenha características próprias, que o diferenciam do presencial, pesquisas mostram que essa modalidade de treinamento, não presencial, possibilita a aquisição de informação e conhecimento superando as expectativas da formação presencial. Entre esses diferenciais da EAD podemos citar, por exemplo, a padronização do ensino, maior intercâmbio de conhecimento, quebra de barreiras geográficas e a melhoria na gestão dos programas de treinamento, otimizando os recursos da empresa. No que diz respeito aos custos, que uma formação na empresa pode demandar, podemos dizer que há uma economia de escala quando se trabalha com EAD. Isso se deve ao fato de que o custo por aluno fica reduzido em função do aumento do quantitativo de alunos. Essa proporção, a favor da empresa, se deve ao fato de serem utilizadas plataformas de aprendizagem e programas que são reutilizados à medida do surgimento da demanda por 45 qualificação. Além disso, há redução de custos pelo fato de serem utilizados recursos e equipamentos do contexto diário da empresa para a realização do treinamento específico. A partir das especificidades do modelo de regime de trabalho embarcado, as quais já foram explicitadas ao longo de nossa pesquisa, percebemos que o processo de aprendizagem a distância contribui para minimizar os aspectos negativos trazidos pela obrigatoriedade da realização de cursos de desenvolvimento profissional. Nesse aspecto, entende-se que a EAD é um meio promissor para a realização de treinamentos corporativos em funcionários embarcados em plataformas de prospecção de petróleo. Pela própria essência do treinamento a distância, as empresas são capazes de se destacar na competitividade do mercado, bem como apontar caminhos na evolução de soluções alternativas de treinamento e aprendizagem nas organizações. Na realização do treinamento pode-se recorrer a ferramenta do blended learning quando em situações específicas utiliza-se reuniões presenciais com o intuito de explorar assuntos que necessitem uma demonstração específica, justificando a necessidade da interação direta do professor com o aluno, criando um equilíbrio entre o presencial e o virtual otimizando e motivando a aprendizagem. Para finalizar nos apropriamos das palavras de Fonseca in Ricardo (2004) que associam o crescimento significativo das ações de treinamento a distância ao alcance de metas organizacionais. Assim, o estudo desenvolvido nos aponta para várias perspectivas em torno da EAD como estratégia na formação continuada de profissionais em serviço, especificamente aqueles que estão embarcados. O mesmo estudo nos desafia a buscar caminhos e formas de pensar uma ampla implementação nessa área, tendo como base os pressupostos de uma organização e estruturação clara do planejamento desses cursos, associados a materiais pedagógicos de qualidade. 46 BIBLIOGRAFIA BASTOS, Vânia Lomônaco. Artigo: Curso Presencial ou Curso a distância? Aspectos econômicos do processo decisório. Brasília, DF, UnB, 2005. BARROS, Daniela Melaré Vieira. Educação a distância e o universo do trabalho. Bauru, SP; EDUSC,2003. BELLONI, Maria Luiza. Educação a distancia. 2°ed., Campinas, SP; Autores Associados, 2001. BELLONI, Maria Luiza. Ensaio sobre a educação a distância no Brasil., Campinas, SP; Educação & Sociedade, 2002. CACIQUE, Aldemir. 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