Manoel Fernando Mota
Silvia Mary Pereira Borba
Sibyle Dourado Duarte Silva
Elisabeth Ritter
Juacyara Carbonelli Campos
Marcus Antonio Ventura
Tatiana Gonçalves do Rego Monteiro
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CARACTERIZAÇÃO E CONTAMINAÇÃO DO SOLO DO LIXÃO
DA MARAMBAIA, NOVA IGUAÇU, RJ
Manoel Fernando Mota 1
Silvia Mary Pereira Borba2
Sibyle Dourado Duarte Silva3
Elisabeth Ritter4
Juacyara Carbonelli Campos5
Marcus Antonio Ventura6
Tatiana Gonçalves do Rego Monteiro6
RESUMO
A Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu utilizou o Lixão da Marambaia para disposição
final dos resíduos sólidos urbanos coletados, desde o final da década de 80 até
fevereiro de 2003. O objetivo deste trabalho foi fazer uma primeira avaliação do solo
local, com sua caracterização geotécnica e determinação do coeficiente de
permeabilidade, e caracterização química do chorume. A capacidade de sorção do solo
também foi avaliada, através de ensaios de equilíbrio em lote, de modo a se verificar a
sua possibilidade de mitigação de um possível avanço da contaminação. Dois solos
foram identificados, um solo silto-argiloso, com uma atividade alta e outro
predominantemente argiloso com atividade baixa. Análises químicas no chorume
indicaram concentrações de cloreto e amônio como as mais significativas e baixas
concentrações de metal pesado. Ensaio de permeabilidade a carga variável em
laboratório foram efetuados com água e chorume, indicando valores da ordem de 10-4
cm/s e 10-6 cm/s respectivamente. Uma capacidade de sorção maior foi obtida para o
amônio no solo vermelho, indicando assim um solo com capacidade de mitigação.
Medidas de concentrações de chorume realizadas em 2001 indicam que um possível
processo de atenuação possa estar ocorrendo.
1
Diretor Técnico da EMLURB. Mestrando em Engenharia Ambiental PEAMB/UERJ
Engenheiro Civil/ênfase Sanitária UERJ. Mestrando em Geotecnia Ambiental COPPE/UFRJ
3
Engenheiro Civil/ênfase Sanitária UERJ. Carioca Engenharia.
4
Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da UERJ
5
Professor Visitante do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da UERJ
6
Graduando em Engenharia Civil UERJ
2
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1. INTRODUÇÃO
A maioria dos municípios brasileiros ainda dispõe seus resíduos em lixões. A
necessidade de acabar com esta disposição inadequada, que gera impacto social e
ambiental, faz com que alguns municípios comecem a direcionar esforços para a
construção de aterros sanitários. Mas o problema causado pela disposição inadequada
não cessa com a finalização dos lixões. O chorume continua sendo gerado e a
percolação através do solo não se interrompe. Entender e avaliar o grau de
contaminação em que está o solo do sítio de disposição será importante para avaliar o
processo de migração e avanço dos contaminantes presentes no chorume.
A Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu utilizou o Lixão da Marambaia para disposição
final dos resíduos sólidos urbanos coletados, desde o final da década de 80 até
fevereiro de 2003. Este vazadouro está situado na região norte do município de Nova
Iguaçu, próximo a Reserva de Tinguá, REBIO-TINGUÁ, no estado do Rio de Janeiro.
O objetivo deste trabalho (Andrade e Borba, 2003) foi fazer uma primeira avaliação do
solo local, com sua caracterização geotécnica e determinação do coeficiente de
permeabilidade, bem como caracterizar o chorume. A capacidade de sorção do solo
também foi avaliada, de modo a se verificar a sua possibilidade de mitigação de um
possível avanço da contaminação.
1.1 O Lixão da Marambaia
O lixão ocupava uma área de aproximadamente 200.000 m² e recebia diariamente
cerca de 1000 ton de resíduos sólidos urbanos que compreende lixo domiciliar, público,
comercial, hospitalar e industrial dos municípios de Nova Iguaçu e Mesquita.
O local é constituído por morrotes de baixa altitude, com árvores e arbustos
remanescentes da mata nativa. Próximo ao lixão, existe uma antiga fábrica de tijolos, o
que demonstra que até pouco tempo a área vinha sendo explorada por atividade
ceramista, o que fez com que o contorno da região do lixão seja rodeado por
depressões. Próximo à entrada, um talude vertical delimita a área do lixão, em cujo pé
estava implantada uma lagoa para armazenar os líquidos percolados. Esta lagoa foi
implantada em julho de 2003 em caráter provisório, até que a rede de drenagem de
chorume, fosse construída. Em maio de 2004, a rede de drenagem da face sul foi
concluída e implantada a primeira lagoa definitiva com capacidade de 1200 m3. Ao
Norte, a região é delimitada pelo Rio Iguaçu, e entre a área de disposição de lixo e o rio
existe várias depressões nas quais são encontrados pequenos depósitos de chorume.
Os resíduos eram transportados através de carretas ou pelos próprios caminhões
coletores, não havendo no local a presença de balança ou critérios para o controle
operacional de descarga e disposição dos resíduos, quer fossem resíduos domiciliares,
quer sejam de serviços de saúde ou industriais.
Os acessos internos do Lixão não apresentavam pavimento ou qualquer tipo de
proteção superficial, comprometendo o tráfego das carretas, os coletores e máquinas
de operação quando havia incidência de chuvas. Nos períodos de maiores
precipitações os resíduos eram descarregados sem qualquer controle ao lado da
estrada de acesso à parte alta da área de disposição. A compactação dos resíduos
dispostos era feita através de um único trator de esteiras, responsável também pelo
serviço de cobrimento do lixo com solo, que não era executado de maneira adequada,
ocorrendo grandes áreas com resíduos expostos. Tal fato reflete o grande número de
animais que se verificavam dentro da área, atraídos pelos resíduos expostos. A falta de
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recobrimento do lixo também era responsável pela existência de focos de queimadas,
bem como uma elevada produção de chorume, principalmente após períodos de chuva.
Os fatos anteriormente descritos geravam um impacto ambiental negativo na região em
torno ao lixão. A disposição inadequada era responsável pelos incômodos provocados
pelo mau cheiro, presença de vetores, impacto visual, contaminação do solo,
contaminação do lençol freático pelo chorume e poluição do ar pelo biogás.
Atualmente, os resíduos da cidade estão sendo encaminhados para a Central de
tratamento de resíduos, CTR Nova Iguaçu, inaugurada em 13 de fevereiro de 2003. A
área do lixão está sendo recuperada através de ações como retaludamento e
recobrimento com solo da região, e construção de estrada periférica para delimitação
do perímetro da área a ser recuperada. Além disso, estão sendo efetuadas perfurações
de poços para a coleta de biogás e sistemas de drenagem das águas pluviais e do
chorume. O chorume será encaminhado a duas lagoas impermeabilizadas,
posicionadas nas duas laterais do Aterro junto ao acesso principal.
2. MATERIAL E MÉTODOS
Com a finalidade de caracterizar e estudar o comportamento do solo da região do Lixão
da Marambaia, foram coletadas amostras de solo e chorume que estão indicados na
figura 1. O solo foi coletado de dois pontos bastante próximos, indicados como P1, à
montante do lixão, por tanto não afetados pela percolação do chorume. O chorume foi
coletado da lagoa localizada à entrada do Lixão da Marambaia, pontos C3 e C4 , o qual
foi caracterizado no Laboratório de Engenharia Sanitária (LES) da UERJ, e utilizado nos
ensaios. Contou-se com dados de chorume coletado nos pontos C1 e C2 no ano de
2001 e analisado pela Escola de Engenharia de São Carlos, São Paulo (EESC/USP).
Durante a visita realizada ao local do lixão foi possível constatar que a maioria do solo
exposto, sem cobertura vegetal, tem uma coloração avermelhada e em alguns locais
observa-se uma coloração mais amarela. Isto motivou a decisão de coletar duas
amostras indeformadas do solo de coloração avermelhada. Entretanto foram também
coletadas amostras deformadas dos dois tipos de solo.
Com as amostras deformadas foram feitos ensaios de caracterização e de sorção, e
com as amostras indeformadas ensaios de permeabilidade com carga variável com
água e com chorume do local.
2.1 Caracterização do chorume
Para a caracterização do chorume do Lixão da Marambaia, foi obtido um laudo
fornecido pela EMLURB (Empresa Municipal de Limpeza Urbana de Nova Iguaçu), que
foi realizado em maio de 2001 pela EESC/USP. Adicionalmente foram elaboradas
análises pelo LES/UERJ em novembro de 2003 e março de 2004.
As análises efetuadas pela EESC/USP abrangem um número maior de parâmetros: pH,
DBO, DQO, Nitrogênio Total, Carbono Orgânico Total, Coliformes Totais e Fecais,
Sólidos Totais, Sólidos Suspensos Totais, Sólidos Suspensos Fixos e Voláteis, Sólidos
Dissolvidos Totais, Sólidos Dissolvidos Fixos e Voláteis, e os metais pesados Zinco,
Chumbo, Cádmio, Níquel, Ferro Total, Manganês Total, Cobre e Cromo Total.
A análise efetuada pelo LES/UERJ, como proposição deste trabalho, abrange um
número menor de parâmetros, sendo estes pH, Alcalinidade Total, Condutividade,
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Rio Iguaçu
RIO
Estrada
Federal
P1
C2
Lixão da Marambaia
C 1,3,4
Figura 1 - Pontos de coleta de solo (P1) e chorume (C 1,2,3,4)
Fonte: Empresa Municipal de Limpeza Urbana - EMLURB
Cloreto, DBO, DQO, Nitrogênio Amoniacal, Sólidos Totais, Sólidos Suspensos Totais,
Sólidos Dissolvidos Totais, Fósforo Total e os metais pesados Chumbo, Cádmio,
Níquel, Ferro Total e Cromo Total. As normas utilizadas foram do “Standard Method”
(APHA/AWWA/WEF, 1998)
2.2 Caracterização do solo e ensaios de permeabilidade e equilíbrio em lote
A caracterização do solo e o ensaio de permeabilidade com carga variável foram
efetuados no Laboratório de Mecânica dos Solos da UERJ (LMS/UERJ). O ensaio de
equilíbrio em lote foi realizado no LES/UERJ.
A caracterização do solo, com a determinação de limites de Atterberg, da densidade
dos grãos e da curva granulométrica seguiu as normas específicas da ABNT (NBR
7180, 7181).
A determinação do coeficiente de permeabilidade foi realizada com ensaio de carga
variável, visto ser um material fino. O gradiente utilizado foi de 15, por ser o permitido
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pelas instalações do LMS/UERJ. A metodologia adotada no ensaio seguiu a norma
ABNT NBR 14545.
O ensaio de equilíbrio em lote seguiu a norma da EPA/530/SW-87/006-F, visto que este
ensaio ainda não está normatizado pela ABNT. Este ensaio tem o objetivo de medir a
capacidade de adsorção ou sorção do solo para determinados íons, presentes em uma
solução. Uma amostra do solo seco ao ar, pulverizada, é misturada com um volume
conhecido da solução, numa determinada concentração inicial, numa proporção mínima
de 1(solo): 4(solução). Nesta pesquisa utilizou-se a proporção 1(solo): 10(solução), 20
gramas de solo pulverizado e 200 ml da solução, em 4 níveis de concentração (100%,
75%, 50% e 25%). Os tubos fechados contendo a mistura foram levados a um agitador
de 150 rpm, que permitiu agitação durante 48 horas. Após este tempo, a separação
entre solo e líquido foi realizada por filtração. O líquido foi armazenado para
determinação da concentração de equilíbrio. Nenhuma medida foi efetuada no solo;
este, após o processo de filtração, foi jogado fora. Todas as análises químicas foram
realizadas na solução, e a quantidade sorvida foi obtida por diferença entre a
concentração inicial e a concentração de equilíbrio no líquido.
3. RESULTADOS OBTIDOS E ANÁLISE
Em função da diversidade de resultados envolvendo análise de chorume e de solo, a
análise de resultados será efetuada após a apresentação dos mesmos.
3.1 No chorume
A tabela 1 apresenta os valores medidos dos parâmetros para as amostras de C1 e C2
(vide figura 1) analisadas em São Carlos, e as amostras C3 e C4, coletadas nesta
pesquisa, e analisadas no LES/UERJ.
É possível observar que as amostras de chorume, analisadas em maio de 2001,
diferem significativamente nos diferentes pontos de coleta. A amostra C1, coletada na
lagoa de acumulação, perto da entrada do lixão, possui valores em muitos casos 100%
superiores a amostra C2, coletada na cabeceira do aterro, de um fio de líquidos
percolados. A relação DBO/DQO é utilizada como parâmetro de biodegradabilidade do
lixiviado, que pode variar de 0 a 1, com zero para não biodegradável e um para
totalmente biodegradável. No ponto C1 obteve-se um valor de 0,08, ou seja, indicando
uma baixa biodegradabilidade, e para C2 um valor de 0,47. O valor de C2 pode ser
comparado com os valores de biodegradabilidade encontrados nos esgotos, que são
considerados bem biodegradáveis.
Os valores de Sólidos Totais e Sólidos Dissolvidos Totais, que indicam a presença de
sais são muito próximos em todas as medições, o que comprova a predominância dos
sais na composição do chorume. No ponto C2 os valores são inferiores a metade dos
valores encontrados no ponto C1. Considerando o exposto anteriormente percebe-se
que o chorume que percola pelo solo e aflora em um ponto mais distante, C2, sofre
uma filtração física através do solo e reações bioquímicas de depuração, mostrando a
troca com o solo, que trata o chorume e reduz seu potencial poluidor. As amostras mais
recentes, C3 e C4, foram coletadas aproximadamente um ano após o encerramento do
lixão. Entre elas são observadas pequenas diferenças, que mostram valores inferiores
de Cl- e N-NH4+ para a amostra C3. Estas diferenças podem ser justificadas pelo alto
índice de pluviosidade ocorrido no período de coleta de C3. Na análise destes
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Tabela 1- Comparativa dos parâmetros
Parâmetros
Amostras
Amostras
UERJ
São Carlos
C1
C2
C3
pH
8,0
8,5
7,8
Alcalinidade Total
(mg CaCO3/ L)
1.518,00
Condutividade
(mS/cm)
5,0
Cloreto
(mg/L)
953,0
Demanda Química Oxigênio
(mg/L) 5.880,0
1.778,0
1.206,0
Demanda Bioquímica Oxigênio
(mg/L)
494,0
835,0
220,0
Nitrogênio Total
(mg/L)
939,0
357,0
Nitrogênio Amoniacal
(mg/L)
214,0
Carbono Orgânico Total
(mg/L) 1.379,5
459,4
NMP coliformes totais
(NMP/100ml) 33.800,0 1.986,3 x
103
NMP coliformes fecais
(NMP/100ml)
3.100 51,2 x 103
Sólidos Totais
(mg/L) 9.565,0
4.384,0
3.522,0
Sólidos Totais Fixos
(mg/L) 6.153,0
3.101,0
Sólidos Totais Voláteis
(mg/L) 3.412,0
1.283,0
Sólidos Suspensos Totais
(mg/L)
313,0
88,0
220,0
Sólidos Suspensos Fixos
(mg/L)
100,0
40,0
Sólidos Suspensos Voláteis
(mg/L)
213,0
48,0
Sólidos Dissolvidos Totais
(mg/L) 9.252,0
4.296,0
3.302,0
Sólidos Dissolvidos Fixos
(mg/L) 6.053,0
3.061,0
Sólidos Dissolvidos Voláteis
(mg/L) 3.199,0
1.235,0
Fósforo Total
(mg/L)
0,62
Zinco
(mg/L)
0,36
0,02
Chumbo
(mg/L)
0,07
< 0,02
0,30
Cádmio
(mg/L) < 0,0006 < 0,0006
<0,01
Níquel
(mg/L)
0,10
< 0,008
0,10
Ferro Total
(mg/L)
13,00
7,0
6,14
Manganês Total
(mg/L)
0,48
0,24
Cobre
(mg/L)
0,18
0,05
Cromo Total
(mg/L)
0,40
0,10
0,10
Data das Análises
Maio-01
Maio-01
Nov-03
C4
7,3
9,0
1.097,00
604,0
Mar-04
resultados destacam-se valores significativos para Cl- e N-NH4+. Os valores de Cl- estão
inseridos no intervalo citado por Qasim & Chiang, 1994 (in D’Almeida e Vilhena, 2000,
p. 298, 299)). O amônio apresenta concentração próxima à apresentada no Lixão de
Brasília (Junqueira e Palmeira, 1999), cerca de 500 mg/l, maior do que o Lixão de São
Pedro da Aldeia (Lima et al, 2003), em torno de 50 mg/l, e menor do que o Aterro
Metropolitano de Gramacho (Ritter et al, 2003), cerca de 1500 mg/l. Em todas as
análises realizadas observou-se que a quantidade medida de metais pesados é muito
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baixa, inferior até ao padrão estabelecido pelo CONAMA 20 (1986) para lançamento de
efluentes químicos em corpos d`água.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DOS SOLOS DAS DUAS JAZIDAS
A tabela 2 apresenta a caracterização dos solos amostrados, onde wnat é o teor de
umidade do solo, LL, limite de liquidez, LP, limite e plasticidade, IP, índice de
plasticidade e G, densidade dos grãos.
SOLO
wnat
LL
LP
IP
G
Tabela 2 - Caracterização dos Solos Amostrados
A - Coloração
B - Coloração
Amarela
Avermelhada
25,19
17,32
73,00
52,20
42,40
30,30
30,60
21,90
2,74
2,72
Os percentuais das diferentes frações que compõe as amostras, retirados das curvas
granulométricas estão apresentados na tabela 3.
Tabela 3 - Percentuais das Frações que Compõe as Amostras
Frações
A - Coloração
B - Coloração
Amarela
Avermelhada
Argila
70%
23%
Silte
3%
35%
Areia fina
11%
19%
Areia média
13%
20%
Areia grossa
0%
1%
Pedregulho
3%
2%
Observando a tabela 3, verifica-se que no solo vermelho predomina o silte com
35%, tendo porém 23% de argila, sendo portanto um solo silto-argiloso, e o solo
amarelo é predominantemente uma argila. Fazendo uso da carta de plasticidade, as
amostras são classificadas como MH, ou seja, silte de alta compressibilidade; ressaltase que especialmente para o solo de coloração vermelha, a localização na carta de
plasticidade é muito próxima de CH (argila de alta compressibilidade). Quanto ao valor
de atividade da argila (relação entre IP e fração menor do que 2µ), o solo de coloração
vermelha, silto-argiloso, tem 1,46, ou seja, argila ativa, e o solo de coloração amarela,
com predominância de argila 0,48, solo de baixa atividade.
- Ensaios de permeabilidade
O ensaio de permeabilidade com água foi realizado na amostra indeformada de
coloração vermelha. O valor médio do coeficiente de permeabilidade k obtido foi de
3,79 x 10-4 cm/s que se enquadra na faixa de permeabilidade apresentada para solos
siltosos. Outro ensaio foi efetuado utilizando chorume, em vez da água, a 27º C.
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Ocorreu uma diminuição progressiva do k, chegando no último ensaio a 4,23 x 10-6
cm/s.
- Ensaios de sorção
As figuras 2 e 3 apresentam os gráficos plotados, que apresentam a quantidade de
massa sorvida x concentração de equilíbrio da solução, para os vários níveis de
concentração de amônio.
Quantidade Sorvida (x/m)
mg/g
Ensaio de Sorção - Solo A - Coloração Amarela
0,60
0,50
0,40
0,30
0,20
0,10
0,00
0
100
200
300
400
500
600
+
Concentração de equilíbrio na fase líquida (mg N-NH4 /L)
Figura 2 – Ensaio de Sorção - Solo A
Ensaio de Sorção - Solo B - Coloração
Avermelhada
Quantidade Sorvida (x/m)
mg/g
0,60
0,50
0,40
0,30
0,20
0,10
0,00
0
200
400
600
+
Concentração de equilíbrio na fase líquida (mg N-NH4 /L)
Figura 3 – Ensaio de Sorção - Solo B
No solo de coloração amarela foi ajustada uma isoterma linear, definido um valor de Kd
(coeficiente de distribuição linear) de 0,80 cm3/g. Para o solo de coloração avermelhada
uma isoterma de Langmuir foi definida com parâmetros b= 7,5 cm3/g e Sm= 0,65. De
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modo a se comparar os valores em termos de Kd, uma isoterma linear foi ajustada com
os três primeiros pontos (até a concentração de 400 mg/l); assim o valor de Kd definido
foi de 1,2 cm3/g.
Verifica-se que o solo de coloração vermelha, mesmo contendo a menor porcentagem
de argila, tem uma atividade maior, sendo portanto mais competente como material de
barreira para o avanço da contaminação. A diferença de concentrações entre os pontos
C1 e C2, observadas nas análises de 2001, indicam que um possível processo de
atenuação estivesse ocorrendo no local. Os ensaios atuais indicam que o solo tem uma
capacidade de mitigação.
4. CONCLUSÕES
Dois tipos de solo foram analisados no lixão da Marambaia. O primeiro é predominante
na região, de coloração avermelhada com 23% de argila e 35% de silte, com alto grau
de atividade, com a propriedade de reter os contaminantes. O segundo solo tem uma
coloração mais amarelada, contendo 70% de argila na sua composição granulométrica,
porém sendo uma argila de baixa atividade.
As amostras indeformadas, retiradas do solo de coloração avermelhada, quando
submetidas a ensaios de permeabilidade com carga variável, utilizando água e
chorume, indicaram valores diferentes para o coeficiente de permeabilidade. O ensaio
realizado com água indicou uma permeabilidade da ordem de 10-4 cm/s, valor típico de
solos siltosos, já no ensaio realizado com chorume observou-se um valor do coeficiente
de permeabilidade da ordem de 10-6 cm/s.
Os resultados de medida de sorção através de ensaios de equilíbrio em lote mostram
valores diferenciados para os dois solos. Uma capacidade de sorção maior foi obtida
para o amônio no solo vermelho, indicando assim um solo com capacidade de
mitigação. Medidas de concentrações de chorume realizadas em 2001 indicam que um
possível processo de atenuação possa estar ocorrendo.
A pesquisa continua, como dissertação de mestrado do primeiro autor, com retirada de
um maior número de amostras, em alguns pontos do lixão, de modo a verificar o grau
de contaminação do solo local. Também ensaios adicionais serão efetuados de modo a
se fazer um prognóstico de um possível avanço da contaminação causado pelo lixão da
Marambaia.
5. AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem a EMLURB e a S.A. Paulista, concessionária da CTR Nova
Iguaçu, pela disponibilidade de dados, do acesso ao Lixão da Marambaia e pela
retirada de amostras, aos Laboratórios de Mecânica dos Solos e de Engenharia
Sanitária da UERJ pelos ensaios efetuados, e a UERJ pelas bolsas de iniciação
científica e estágio interna dos dois últimos autores e pela bolsa de Prociência do
terceiro autor.
6. BIBLIOGRAFIA
1. ANDRADE, S.D.D. e BORBA, S.M.P. Caracterização e Avaliação da Contaminação
do solo do Lixão da Marambaia. Trabalho de Fim de Curso. Engenharia Civil.
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 87 pp.UERJ. 2003
160
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2. APHA, AWWA, WPCF. Standard Methods for the Examination of Water and
Wastewater, 20th edition, New York. 1998
3. ABNT. Limite de Liquidez e Limite de Plasticidade dos Solos. NBR 7180. Rio de
Janeiro. 1984.
4. ABNT. Análise Granulométrica. NBR 7181. Rio de Janeiro. 1984.
5. ABNT. Determinação do coeficiente de permeabilidade de solos argilosos a carga
variável. NBR 14545. Rio de Janeiro. 2000.
6. D´ALMEIDA M.L.O e VILHENA A.(org.) Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento
Integrado. 2 ed. São Paulo:IPT/CEMPRE, 2000.
7. JUNQUEIRA,F.F e PALMEIRA,E.M. Monitoramento do comportamento de lixo em
células geotecnicamente preparadas, IN: IV CONGRESSO BRASILEIRO DE
GEOTECNIA AMBIENTAL, IV REGE0´99, Ouro Preto. 1999. pp 428-433
8. LIMA,J.S., RITTER,E., e FERREIRA, J.A.. Contaminação do lençol freático do Lixão
de São Pedro da Aldeia, IN: V CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOTECNIA
AMBIENTAL, V REGE0´03, Porto Alegre. 2003. CD.
9. RITTER, E., CAMPOS, J.C. e GATTO, R.L.Medida do processo de contaminação da
argila orgânica da barreira lateral do Aterro metropolitano de Gramacho. IN: V
CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOTECNIA AMBIENTAL, V REGE0´03, Porto
Alegre. 2003. CD.
10. RESOLUÇÃO CONAMA nO 20, de 18/06/86. Dispões sobre a classificação das
águas doces, salobras e salinas, em todo o Território Nacional, bem como determina
padrões de lançamento.
ABSTRACT
Nova Iguaçu Municipality dispose of its waste in an open dump, called Marambaia ,
since end 1890`s till the February of 2003. The objective of present work is to do an
initial evaluation of local soil thorough geotechnical characterization, determination of
permeability coefficient, and chemical characterization of leachate. Sorption capacity of
soil also was evaluated through batch-tests, to verify the soil attenuation potential to
prevent contamination advance. Two types of soils were identified, one a silt clay soil
with high activity and the other containing mainly clay with low activity. Leachate
analysis showed chloride and ammonium with meaningful concentration and low
concentration of heavy metals. Permeability test of variable charge carried out with
water and leachate, shows results of 10-4cm/s and 10-6cm/s respectively. A greater
sorption capacity was determined to ammonium by red soil indicating its mitigation
capacity. The results of leachate analysis performed in 2001 indicate that a attenuation
process possible is taking place.
KEY-WORDS: contaminação, solo, chorume, lixão
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A Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu vinha se utilizando