Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 ELABORAÇÃO DE BRIGADEIROS COM O ALBEDO DO MARACUJÁ AMARELO (Passiflora edulis): AVALIAÇÃO SENSORIAL E FÍSICO-QUÍMICA OLIVEIRA, Leilanne Marcia Nogueira1; LAURENTINO, Larissa da Silva2; BANDEIRA, Tatiana Fontoura Vidal3; OLIVEIRA JUNIOR, Sergio Dantas4; RODRIGUES, Maria do Carmo Passos5 1 Departamento de Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Ceará – UFC, Av. Mister Hull, 2977, Campus Universitario do Pici, bl. 858.CEP: 60356-000, Fortaleza, CE, BrasilE-mail: [email protected]. 2 Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima, CEP: 88040-900, Trindade, Florianópolis, SC, Brasil.E-mail: [email protected]. 3 Universidade Federal do Ceará - UFC. E-mail: [email protected]. 4 Departamento de Engenharia Química, Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN,Av. Sen. Salgado Filho 3000, Campus Universitário. CEP: 59072-970, Natal, RN, Brasil. E-mail: [email protected]. 5 Professora Associada IV do Departamento de Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Ceará – UFC. E-mail: [email protected] Resumo: Os resíduos do processamento de maracujá amarelo (casca, albedo e sementes) correspondem a cerca de 40% a 60% da massa total da fruta, sendo 12% a 32% somente de albedo. O albedo é um subproduto rico em nutrientes essenciais, fibras solúveis (pectina) e de outros constituintes importantes à alimentação humana, sendo em grande parte, descartado. Dessa forma, este trabalho objetivou elaborar brigadeiros adicionados de albedo do maracujá amarelo (AMA) em diferentes proporções, avaliarsuas características sensoriais (aceitabilidade, preferência e intenção de compra dos consumidores) e físico-químicas. Foram desenvolvidas três formulações de brigadeiros, contendo 20, 40e 60% de AMA. Avaliou-se a aceitabilidade, a preferência e a intenção de compra com 102 provadores não treinados. Além disso, foi determinada a quantidade de sólidos solúveis, umidade, cinzas, proteínas, lipídios, glicídios e valor energético dessas formulações. Os resultados mostraram que as formulações diferiram entre si (p<0,05), sendo a amostra com 20% de AMA a mais aceita em todos os atributos e com o maior percentual de intenção de compra, demonstrando aceitação sensorial satisfatória. O aumento da quantidade de AMA nas formulações proporcionou um aumento no teor de umidade e redução nos teores de cinzas, lipídeos, glicídios e valor energético. O teor de proteína apresentou pequena variação sendo a maior quantidade observada na amostra contendo 20% de AMA. Assim, a utilização do albedo do maracujá como matéria-prima para formulação de brigadeiro, representa uma boa alternativa para o reaproveitamento desse subproduto. Palavras chave: albedo de maracujá, brigadeiro, aceitabilidade, preferência, subproduto. ELABORATION OF “BRIGADEIRO” WITH PASSION FRUIT ALBEDO (Passifloraedulis): SENSORY AND PHYSICO-CHEMICAL EVALUATION Abstract: Waste of passion fruit processing (bark, albedo and seeds) account for about 40% to 60% of the total weight of the fruit, being 12% to 32% albedo. The albedo is a 10 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 by-product rich in essential nutrients, soluble fiber (pectin) and other important constituents for human consumption, being largely discarded. Thus, this research aimed to develop “brigadeiros” added passion fruit albedo (AMA) in different proportions, evaluate their sensory characteristics (acceptability, preference and purchase intent of consumers) and physico-chemical. Were developed three “brigadeiros” formulations containing 20, 40 and 60% of AMA.Evaluated the acceptability, preference and purchase intent with 102 untrained. Furthermore, it was determined the amount of soluble solids, humidity, ash, protein, lipids, carbohydrates and energy value of these formulations. The results showed that the formulations differ from each other (p <0.05), and the sample with 20% AMA the most accepted on all the attributes and the highest percentage of purchase intent, demonstrating satisfactory sensory acceptance. The increased amount of AMA in the formulations resulted in an increase in humidity and decrease in the ash contents, lipids, carbohydrates and energy value. The protein content showed little variation with the largest amount found in the sample containing 20% AMA. Thus, the use of passion fruit albedo as a raw material to “brigadeiro” formulation is a good alternative to the reuse of this by-product. Keywords: passion fruit albedo, “brigadeiro”, acceptability, preferably, by-product. 1. INTRODUÇÃO O maracujazeiro é originário da América Tropical, com mais de 150 espécies de Passifloraceas utilizadas para consumo humano. As espécies mais cultivadas no Brasil e no mundo são o maracujá-amarelo (Passiflora edulisf. flavicarpa), maracujároxo (Passiflora edulis) e o maracujá-doce (Passiflora alata) (MARCHI, 2000) O maracujá-amarelo é o mais cultivado no mundo, sendo o Brasil o maior produtorcom produção de 776 mil toneladas e área de aproximadamente 57 mil hectares (IBGE, 2012). Mais da metade da produção mundial dessa fruta é destinado para a fabricação de suco concentrado com cerca de 30% de rendimento (DIAS et al., 2011). A utilização do maracujá para a produção de suco resulta em grande quantidade de resíduos, uma vez que cerca de 70% do peso total do fruto é representado pela casca, albedo e sementes, as quais apresentam propriedades funcionais e podem ser utilizadas para o desenvolvimento de novos produtos (CÓRDOVA et al., 2005). O albedo do maracujá amarelo (parte branca) é rico em pectina, niacina (vitamina B3), ferro, cálcio, e fósforo. Em humanos, a niacina atua no crescimento e na produção de hormônios, assim como, previne problemas gastrointestinais. Os minerais atuam na prevenção da anemia (ferro), no crescimento e fortalecimento dos ossos (cálcio) e na formação celular (fósforo) (MATSUURA, 2005). Quanto à composição de fibras, a casca do maracujá constitui produto vegetal rico em fibra solúveis (pectinas e mucilagens), que são benéficas, podendo auxiliar na prevenção de doenças degenerativas que incluem a redução das lipoproteínas de alta densidade (LDL), aumento das lipoproteínas de baixa densidade (HDL), e auxiliam no tratamento de diabetes e redução de peso ROCCO, 1993; MELO et al., 2006; GALISTEO; DUARTE, 2008). O panorama nutricional brasileiro mostra um aproveitamento insuficiente do potencial nutritivo dos alimentos, ou seja, a fome é agravada pela carência de incentivos para uma melhor utilização de fontes nutricionais disponíveis (BENEVIDES et al., 2006). Segundo Rodriguez e colaboradores (1996) apud Casagrande et al.(1994), o desperdício é gerado pela falta de hábito de se utilizar os alimentos de forma integral e o desconhecimento sobre o valor nutritivo das diversas partesdos alimentos. Como este 11 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 descarte representa inúmeras toneladas, agregar valor a estes subprodutos é de interesse econômico, científico e tecnológico (FERRARI; COLUSSI; AYUB, 2004). Uma alternativa para a inclusão do albedo do maracujá na alimentação é a sua adição em produtos normalmente consumidos, como o brigadeiro. A versão original do brigadeiro, composta de leite condensado, margarina e chocolate, é tipicamente brasileiro. Hoje, esse doce é praticamente obrigatório nas mesas de festa de aniversário de todo país, principalmente se a mesma for infantil e tem ganhado variações em consistência e sabor. Internacionalmente é conhecido como “trufa brasileira” devido à semelhança, de consistência, com as trufas francesas (STAPAIT, 2010). Em razão da imensa quantidade de resíduos industriais gerados a partir da industrialização do maracujá, o objetivo do presente estudo foi elaborar brigadeiros adicionados de albedo do maracujá amarelo (AMA) em diferentes proporções, avaliar suas características sensoriais (aceitabilidade, preferência e intenção de compra dos consumidores) e físico-químicas. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1 Formulação dos brigadeiros Todos osingredientes utilizados foram adquiridos no comércio local do município de Fortaleza (CE). No Laboratório de Análise Sensorial do Departamento de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Ceará (UFC), os maracujás foram higienizados, sanitizados (solução de hipoclorito de sódio 200 ppm de Cloro Residual Livre/15 minutos), cortados, descascados e o albedo foi então extraído. Em seguida, o albedo de maracujá amarelo (AMA) foi triturado, em liquidificador doméstico, com adição de água na proporção de 2:1 (albedo:água), formando uma pasta. Foram desenvolvidas três formulações para os brigadeiros adicionados de AMA. As formulações preparadas continham: 20% de albedo do maracujá amarelo (20% AMA) + 80% de leite condensado, 40% de albedo do maracujá amarelo (40%AMA) + 60% de leite condensado e 60% de albedo do maracujá amarelo (60%AMA) + 40% de leite condensado, conforme a Tabela 1. Tabela 1 - Formulações dos brigadeiros adicionados de albedo de maracujá amarelo (AMA). Formulações Ingredientes (g) 20% AMA 40% AMA 60% AMA Leite condensado 800 600 400 Pasta do albedo de 200 400 600 maracujá amarelo Achocolatado 150 150 150 2.2 Preparo dos brigadeiros Em uma panela, foram adicionados o leite condensado, a pasta elaborada com albedo de maracujá e o achocolatado. Levou-se a fogo médio até a obtenção de uma consistência cremosa. Em seguida, foram resfriados até temperatura ambiente (28ºC). 2.3 Análise Sensorial A análise sensorial dos brigadeiros foi efetuada através de testes de aceitação, de ordenação da preferência e de intenção de compra no Laboratório de Análise Sensorial 12 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UFC, que dispõe de cabines individuais. Foram recrutados 102 provadores não treinados, com idade entre 18 e 55 anos. A maioria dos provadores era consumidora habitual do produto, relatando consumir brigadeiro de3 a 5 vezes por semana (23,53%) ou1 vez por semana (30,40%). Os brigadeiros foram servidos em copos plásticos de 50mL com aproximadamente 10 g. Estes foram apresentados de forma monádica, devidamente codificados com números de 3 dígitos eem blocos completos balanceados. Foi fornecido água para limpeza do palato entre a avaliação das amostras. No teste de aceitação, avaliaram-se os atributos sabor, doçura, textura e impressão global, utilizando escala hedônica de 9 pontos (9 = gostei extremamente, 5 = nem gostei, nem desgostei, 1 = desgostei extremamente). Para a intenção de compra, utilizou-se uma escala estruturada em 5 pontos (5 = certamente compraria, 3 = tenho dúvidas se compraria ou não, 1 = certamente não compraria). Os resultados foram avaliados através de comparação de médias por Análise de Variância (ANOVA) e teste de Tukey, ao nível de 5% de significância. Além disso, foram construídos histogramas de distribuição percentual das notas hedônicas. No teste de ordenação da preferência foi solicitado aos provadores que ordenassem de forma crescente as amostras em relação à preferência (ABNT, 1994). Os resultados foram avaliados estatisticamente por meio da tabela para o teste de ordenação de Newell e Mac Farlane que define o valor das diferenças críticas entre os totais de ordenação, ao nível de 5% de significância (DUTCOSKY, 1996). 2.4 Caracterização físico-química dos brigadeiros As análises físico-químicas (teores de umidade, de cinzas, de proteínas, de lipídeos e de sólidos solúveis) das três formulações de brigadeiros foram realizadas em triplicata e determinadas conforme as normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz (2005). O teor de sólidos solúveis (SS) foi determinado através de refratômetro digital e o teor de proteína foi determinado pelo o método de KJELDAHL, utilizando fator 6,25 na conversão para nitrogênio protéico (AOAC, 1980). O teor de glicídeo foi calculado por diferença em relação às demais frações e o valor energético total (VET) pela fórmula: VET(Kcal)= Proteína (%) x 4 + Glicídeos (%) x 4 + Lipídeos (%) x 9 (FRANCO, 1987). Os resultados foram expressos em média e desvio-padrão entre as amostras e avaliados através de comparação de médias por Análise de Variância (ANOVA) e teste de Tukey, ao nível de 5% de significância, utilizando o software Assistat7.7 beta. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Avaliação sensorial Em relação à aceitação, os brigadeiros contendo concentrações diferentes de AMA diferiram entre si (p<0,05) (Tabela 2), sendo a amostra com 20% de AMA a mais aceita para todos os atributos avaliados. No entanto, as amostras com 40 e 60% de AMA apresentaram médias para os atributos sabor e doçura entre 6 e 8, ou seja, entre “gostei ligeiramente” e “gostei muito”. O mesmo comportamento também foi observado para a impressão global. Para o atributo textura, somente a amostra com 60% de AMA apresentou média entre 5 (nem gostei/nem desgostei) e 6 (gostei ligeiramente). 13 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 Tabela 2 -Média das notas hedônicas para os atributos sabor, doçura e textura das amostras de brigadeiros contendo albedo de maracujá amarelo (AMA). Formulações Sabor Doçura Textura Impressão Global a a a 20% AMA 8,07 ± 1,23 7,94 ± 1,44 7,65 ± 1,55 7,95 ± 1,33a b b b 40% AMA 7,05 ± 1,68 7,22 ± 1,64 6,70 ± 1,87 7,17 ± 1,54b 60% AMA 6,15 ± 1,95c 6,19 ± 1,83c 5,52 ± 2,16c 6,15 ± 1,93c DMS 0,438 0,458 0,549 0,424 Letras diferentes na mesma coluna diferem significativamente (p<0,05) entre si. *DMS = Diferença mínima significativa A análise dos histogramas (Figura 1) mostrou que o brigadeiro contendo 20% de AMA na formulação apresentou o maior percentual das notas situadas entre 6 e 9 (faixa de aceitação) para todos os atributos avaliados, com destaque para o atributo sabor que apresentou 97,05% de aceitação.Silva et al. (2009) também observaram maior aceitação do sabor de barras de cereais quando o AMA foi adicionado em substituição à aveia em um percentual de até 20%. Diante dos valores hedônicos obtidos, observou-se que todas as formulações de brigadeiros foram bem aceitas pelos consumidores. Ainda que, a formulação avaliada com a menor concentração de AMA tenha sido a mais aceita, pode-se considerar que o aproveitamento do albedo do maracujá na elaboração de brigadeiro possa minimizar os problemas referentes à destinação imprópria dos resíduos industriais, bem como a agregar valor nutricional a esse produto. Figura 1 - Distribuição percentual das notas dos atributos sabor, doçura e textura das amostras de brigadeiros adicionados de albedo do maracujá amarelo (AMA). 1 = desgostei extremamente; 2 = desgostei muito; 3 = desgostei moderadamente; 4 = desgostei ligeiramente; 5 = nem gostei/nem desgostei; 6 = gostei ligeiramente; 7 = gostei moderadamente; 8 = gostei muito; 9 = gostei extremamente. Os resultados obtidos no teste de ordenação da preferência dos consumidores estãorepresentados na Tabela 3. Utilizando o método de Friedman foram obtidas as diferenças críticas entre os totais de ordenação, atribuindo valor 1 para a amostra 14 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 considerada como a menos preferida e valor 3 para a amostra mais preferida. Por esses dados, pode-se verificar que as amostras formuladas contendo albedo de maracujá amarelo (AMA) apresentaram diferenças significativas em relação à preferência (p<0,05) quando comparadas entre si. Sendo a amostra 20%AMA a mais preferida e a 60% AMA a menos preferida. Tabela 3 - Total de ordenação dos valores obtidos pelo teste de ordenação da preferência dos diferentes brigadeiros adicionados de albedo do maracujá amarelo (AMA). Formulações Totais de ordenação 20% AMA 249a 40% AMA 188b 60% AMA 133c Letras diferentes na mesma coluna diferem significativamente (p<0,05) entre si. Os percentuais das notas atribuídas pelos provadores para a intenção de compra encontram-se na Figura 2. Observou-se que 87,26% dos consumidores certamente ou provavelmente comprariam o brigadeiro contendo 20% de AMA, comparado a 62,74 e 30,39% para as amostras contendo 40 e 60% de AMA, respectivamente. Este resultado demonstra que o brigadeiro com menor quantidade de AMA apresentou maior intenção de compra positiva. Por outro lado, quando o AMA foi utilizado na formulação de barras de cereais, não foi observada influência dessa inclusão sobre a intenção de compra dos produtos avaliados (SILVA et al., 2009). Figura 2 - Distribuição percentual das notas de intenção de compra das amostras de brigadeiro adicionado de albedo do maracujá amarelo (AMA). 3.2 Caracterização físico-química Os resultados das análises físico-químicas estão expressos na Tabela 4. 15 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 Tabela 4 - Médias das características físico-químicas dos brigadeiros contendo albedo de maracujá amarelo (AMA). Amostra Componente 20% AMA 40% AMA 60% AMA Sólidos Solúveis (°Brix) 6,63 ± 0,06a 4,90 ± 0,00b 5,50 ± 0,00c Umidade (%) 7,89 ± 0,81c 16,78 ± 0,88b 26,74 ± 1,81a Cinzas (%) 1,92 ± 0,05a 1,61 ± 0,02b 1,46 ± 0,02c a b Proteína (%) 5,89 ± 0,08 5,52 ± 0,06 5,80 ± 0,03a Lipídeos (%) 0,93 ± 0,03 a 0,73 ± 0,12 b 0,20 ± 0,01c a b Glicídeos (%) 83,37 ± 0,83 75,35 ± 0,81 65,80 ± 1,78c VET (kcal) 365, 43 ± 3,38a 330,09 ± 3,83b 288,22 ± 7,26c Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (p<0,05) entre si. A formulação de brigadeiros contendo 20% de AMA apresentou maior teor de sólidos solúveis (6,63°Brix). Essevalor foi superior ao encontrado por Dias et al. (2011), que obteve 2,00°Brix para o albedo de maracujá. A maior média de umidade foi encontrada para osbrigadeiros elaborados com 60% de AMA (26,74%), sendo um resultadoesperado já que quanto maior a quantidade de AMA adicionada, maior será o valor de umidade. Segundo Dias et al. (2011), o AMA é um subproduto rico em água, apresentando umidade em torno de 96,48%. Para os valores de cinzas, observou-se que quanto maior a concentração de AMA no brigadeiro menor a quantidade do resíduo mineral fixo. Em relação ao conteúdo de proteína, os brigadeiros contendo 20 e 60% de AMA apresentaram os maiores valores (5,89 e 5,80%, respectivamente), sendo superiores aos obtidos por Oliveira et al. (2002) para o AMA (1,07%), devido à presença dos demais ingredientes da formulação. Os valores de lipídeos encontrados evidenciaram que uma maior a adição de AMA, levou a uma redução da quantidade de leite condensado utilizada e por sua vez, a uma menor a quantidade de lipídeos. O mesmo aconteceu com os valores de glicídios, onde a amostra com 20% de AMA apresentou 83,37%. Para o valor energético, foi observada uma redução com a inclusão de AMA na formulação dos brigadeiros, chegando a 288,22Kcal para a amostra contendo 60% de AMA. Dessa maneira, a incorporação de AMA em brigadeiro pode tornar este produto mais saudável e contribuir para a redução desses resíduos industriais. 4. CONCLUSÃO Os brigadeiros contendo 20% de albedo do maracujá amarelo foram os mais aceitos (p≤0,05) em relação aos atributos sabor, doçura, textura e impressão global, foram também os mais preferidos (p≤0,05) e os que apresentaram maior intenção de compra positiva. A inclusão do albedo do maracujá amarelo na formulação de brigadeiros aumentou o teor de umidade, reduzindo os teores de sólidos solúveis, cinzas, lipídeos, glicídios e o valor energético. 5. AGRADECIMENTOS Aos provadores voluntários pela realização dos testes e ao Departamento Tecnologia de Alimentos da UFC pelo suporte nas análises. 16 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 6. REFERÊNCIAS ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13170: teste de ordenação em análise sensorial. Rio de Janeiro, 1994. ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS - AOAC. Official methods of analysis. 13th ed. Washington, DC, 1980. 620p. BENEVIDES, C. M. J. et al. Uso de farinha mista de trigo e semente de abóbora (Cucúrbita máxima) na elaboração de pão francês. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE ALIMENTOS, 20, 2006, Curitiba. Anais...Curitiba: SBCTA, 2006. CÓRDOVA, K. R. V.; GAMA, T. M. M. T. B.; WINTER, C. M. G.; KASKANTZIS NETO, G.; FREITAS, R. J. S. Características físico-químicas da casca do maracujá amarelo (Passiflora edulis Flavicarpa Degener) obtida por secagem. Boletim Centro de Pesquisa de Processamento de Alimentos, v. 23, n. 2, p. 221-230, 2005. DIAS, M. V.; FIGUEIREDO, L. P.; VALENTE, W. A.; FERRUA, F. Q.; PEREIRA, P. A. P.; PEREIRA, A. G. T.; BORGES, S. V.; CLEMENTE, P. R. Estudo de variáveis de processamento para produção de doce emmassa da casca do maracujá (Passiflora edulis f. flavicarpa). Ciência e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v.31, n.1, p. 65-71, 2011. DUTCOSKY S.D. Análise sensorial de alimentos. Curitiba: Champagnat, 1996. 123p. FERRARI, R. A.; COLUSSI, F.; AYUB, R. A. Caracterização de subprodutos da industrialização do maracujá: aproveitamento das sementes. Revista Brasileira de Fruticultura. Jaboticabal, v.26, n.1, p.101-102, abr. 2004. FRANCO. G. Tabela de composição de alimentos. 8.ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1987. 230p. GALISTEO, M.; DUARTE, J. Z. A. Effects of dietary fibers on disturbances clustered in the metabolic syndrome. Journal of Nutritional Biochemistry, v.19, n.2, p.71-84, 2008. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Maracujá: área plantada e quantidade produzida 2012. (Produção Agrícola Municipal, 2012). Disponível em: < ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Agricola/Producao_Agricola_Municipal_[anual]/2012/pa m2012.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2015. INSTITUTO ADOLFO LUTZ - IAL. Métodos físico-químicos para análise de alimentos. 4. ed. Brasília, 2005. 1018 p. MARCHI, R.; MONTEIRO, M.;BENATO, E. A.; SILVA, C. A. R. Uso da cor da casca como indicador de qualidade do maracujá amarelo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Deg.) destinado à industrialização. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 20, n. 3, p. 381-387, 2000. 17 Journal of Fruits and Vegetables, v. 1, n. 1, p. 10-‐18, 2015 MATSUURA, F. C. A. U. Estudo do albedo de maracujá e de seu aproveitamento em barra de cereais, 2005. 138p Tese (Doutorado em Tecnologia de Alimentos) – Curso de Pós-graduação em Tecnologia de Alimentos, Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 2005. MELO, E. A.; MACIEL, M. I. S.; LIMA, V. L. A. G.; LEAL, F. L. L.; CAETANO, A. C. S.; NASCIMENTO, R. J. Capacidade antioxidante de hortaliças usualmente consumidas. Ciência e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v. 26, n. 3, p. 639-644, jul/set. 2006. ROCCO, C. S. Determinação de fibra alimentar total por método gravimétrico não-enzimático. Curitiba, 1993, 102 p. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Química) – Curso de Pós-graduação em Tecnologia Química, Universidade Federal do Paraná. RODRIGUEZ, R. M. H. P.; PENTEADO, P. T. P. S.; WASZCZYNSKYJ, N.; JOERKE, C. G. Análise sensorial de doces em pasta elaborados com polpa e/ou casca de banana. B. CEPPA, Curitiba, v.14, n.1, p. 33-46, 1996. SILVA, I.Q.; OLIVEIRA, B.C.F.; LOPES, A.S.; PENA, R.S. Obtenção de barra de cereais adicionada do resíduo industrial de maracujá. Alimentos e Nutrição, Araraquara, v.20, n.2, p. 321-329, 2009. STAPAIT, R. A história do Brigadeiro. Disponível http://gulanews.sites.uol.com.br/brigadeiro.html. Acesso em: 16/08/2010. em: 18