1-Introdução
1.1-Objetivos
Este trabalho visa analisar os balanços de uma determinada empresa, no caso a
construtora Método Engenharia S.A., para extrair informações das suas demonstrações
financeiras, com vistas à tomada de decisões.
A análise de balanços tem a capacidade de transformar dados, que as demonstrações
financeiras fornecem sobre a empresa, em informações.
Com este trabalho será possível obter informações necessárias para permitir que se
conclua se a Método Engenharia S.A. merece ou não crédito, se vem sendo bem ou mal
administrada, se tem ou não condições de pagar suas dívidas, se é ou não lucrativa, se vem
evoluindo ou regredindo, se é eficiente ou ineficiente, se irá falir ou se continuará
operando.
1.2-Justificativa para a escolha da empresa
Nas últimas férias, minha namorada estava pensando em adquirir um apartamento
em São Paulo que estivesse em fase de lançamento, porém, apesar de se pagar normalmente
um preço melhor pelo apartamento, existe o risco de a construtora falir e o sonho ir por
água abaixo, juntamente com o dinheiro pago.
Portanto, com a análise de balanços da empresa, é possível se obter informações
importantes para que se decida entre comprar ou não o imóvel de uma determinada
construtora.
1.3-Estrutura do trabalho
Primeiramente serão apresentados os fundamentos teóricos utilizados para a análise
de balanços, para que o trabalho possa ser entendido por uma pessoa que não tenha muita
familiaridade com o assunto, sendo que após essa apresentação será feito o estudo de caso
para a empresa escolhida, isto é, a Método Engenharia S.A..
2-Fundamentos Teóricos
2.1-Análise através de índices
O papel dos índices é de extrema importância na análise de determinada empresa,
pois eles evidenciam determinados aspectos da situação econômica ou financeira da
empresa. Portanto, a característica fundamental dos índices é fornecer visão ampla da
situação econômica ou financeira da empresa.
O importante não é o cálculo de um grande número de índices, mas de um conjunto
de índices que permita conhecer a situação da empresa, segundo o grau de profundidade da
análise.
Os índices são divididos em índices que evidenciam aspectos da situação financeira
e índices que evidenciam aspectos da situação econômica. Os índices da situação
financeira, por sua vez, são divididos em índices de estrutura de capitais e índices de
liquidez.
2.1.1-Descrição dos índices
¼Estrutura de capitais
Os índices desse grupo mostram as grandes linhas de decisões financeiras, em
termos de obtenção e aplicação de recursos.
a)Participação de Capitais de Terceiros:
Indica quanto a empresa tomou de capitais de terceiros para cada $100 de capital
próprio investido.
Quanto menor, melhor.
Fórmula: Capitais de Terceiros x100
Patrimônio Líquido
b)Composição do Endividamento:
Indica qual o percentual de obrigações de curto prazo em relação às obrigações
totais.
Quanto menor, melhor.
Fórmula: Passivo Circulante x100
Capitais de Terceiros
c)Imobilização do Patrimônio Líquido:
Indica quanto a empresa aplicou no ativo permanente para cada $100 de
patrimônio líquido.
Quanto menor, melhor.
Fórmula: Ativo Permanente x100
Patrimônio Líquido
d)Imobilização dos Recursos não Correntes:
Indica que percentual de recursos não correntes a empresa aplicou no ativo
permanente.
Quanto menor, melhor.
Fórmula:
x100
Ativo Permanente
Patrimônio Líquido + Exigível a Longo Prazo
¼Liquidez
Os índices desse grupo mostram a base da situação financeira da empresa.
a)Liquidez Geral:
Indica quanto a empresa possui no ativo circulante e realizável a longo prazo
para cada $1,00 de dívida total.
Quanto maior, melhor.
Fórmula: Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo
Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo
b)Liquidez Corrente:
Indica quanto a empresa possui no ativo circulante para cada $1,00 de
passivo circulante.
Quanto maior, melhor.
Fórmula: Ativo Circulante
Passivo Circulante
c)Liquidez Seca:
Indica quanto a empresa possui no ativo líquido para cada $1,00 de passivo
circulante.
Quanto maior, melhor.
Fórmula: Disponível + Aplicações Financeiras + Clientes
de Rápida Conversibilidade em Dinheiro
Passivo Circulante
¼Rentabilidade
Os índices deste grupo mostram qual a rentabilidade dos capitais investidos,
isto é, quanto renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito econômico da
empresa.
a)Giro do Ativo:
Indica quanto a empresa vendeu para cada $1,00 de investimento total.
Quanto maior, melhor.
Fórmula: Vendas Líquidas
Ativo
b)Margem Líquida:
Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 vendidos.
Quanto maior, melhor.
Fórmula: Lucro Líquido x100
Vendas Liquidas
c)Rentabilidade do Ativo:
Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 de investimento
total.
Quanto maior, melhor.
Fórmula: Lucro Líquido x100
Ativo
d)Rentabilidade do Patrimônio Líquido:
Indica quanto a empresa obteve de lucro para cada $100 de capital próprio
investido.
Quanto maior, melhor.
Fórmula:
x100
Lucro Líquido
Patrimônio Líquido Médio
2.2-Análise em relação ao setor
2.2.1-Atribuindo Notas
Para que a análise de balanços através de índices adquira consistência e
objetividade, os índices devem ser comparados com padrões.
Basicamente, deve-se comparar um índice com índices de outras empresas do
mesmo ramo.
Para que seja feita esta análise, primeiramente deve-se recorrer ao maior
número possível de empresas do determinado ramo e calcular seus índices. Feitos os
cálculos, coloca-se cada índice em ordem crescente, para então serem definidos os decis,
isto é, existirão dez grupos diferentes para cada índice, tendo cada um desses grupos sua
nota correspondente, como no exemplo seguinte:
Decis
1o
2o
3o
4o
5o
6o
7o
8o
9o
0,91
1,06
1,12
1,19
1,23
1,32
1,45
1,57
1,73
Ind. Padrão
No caso do exemplo acima, se uma empresa pertencente ao setor possui para
o determinado índice acima o valor de 1,38, significa que essa empresa está localizada entre
o sexto e o sétimo decil, e portanto, terá uma nota correspondente a tal posição.
Portanto, através da comparação com os padrões, pode-se verificar em que
faixa de mercado a empresa se situa.
Porém, para se chegar a conclusões finais sobre a empresa devem ser
atribuídos pesos aos índices, diferentes para cada tipo de empresa, isto é, os índices mais
importantes para um banco comercial não serão os mesmos que os de uma indústria. Com a
atribuição dos respectivos pesos podem ser atribuídas notas finais para a empresa.
2.3-Análise Vertical/Horizontal
A análise vertical/horizontal é uma técnica que visa aprofundar a análise feita
pela avaliação geral da empresa. Com essa técnica é possível conhecer pormenores das
demonstrações financeiras que escapam à análise genérica através de índices.
2.3.1-Análise Vertical
Se baseia em valores percentuais das demonstrações financeiras, sendo
calculados, para isso, o percentual de cada conta em relação a um valor base.
Objetivos: mostrar a importância de cada conta em relação à demonstração
financeira a que pertence e, através da comparação com padrões do ramo ou com
percentuais da própria empresa em anos anteriores, permitir inferir se há itens fora das
proporções normais.
2.3.2-Análise Horizontal
Se baseia na evolução de cada conta de uma série de demonstrações
financeiras em relação à demonstração anterior e/ou em relação a uma demonstração
financeira básica.
Objetivos: mostrar a evolução de cada conta das demonstrações financeiras e,
pela comparação entre si, tirar conclusões sobre a evolução da empresa.
2.4_Prazos Médios
Os índices de prazos médios são índices calculados através da análise de balanços
que, analisados em conjunto, podem indicar elementos importantes para a estratégia
empresarial, sendo a combinação do prazo médio de recebimento de vendas (PMRV), o
prazo médio de renovação dos estoques(PMRE) e o prazo médio de pagamento das contas
(PMPC) um indicativo da análise dos ciclos operacional e de caixa (financeiro) na empresa.
Ciclo de caixa é medido pela diferença entre a soma do prazo médio de renovação
dos estoques com o prazo médio de recebimento de vendas a prazo menos o prazo médio de
fornecedores a pagar, assim: prazo médio de renovação de estoques é o tempo entre a
aquisição da mercadoria, numa empresa comercial, ou da aquisição da matéria-prima, numa
empresa industrial, e o momento da venda; prazo médio de recebimento é o tempo
decorrido entre a venda e o efetivo recebimento do valor dessa venda; prazo médio de
pagamento de fornecedores é o período entre a compra da mercadoria, matéria-prima ou
insumo e o pagamento ao fornecedor (CC = PME + PMRV - PMPC). A idéia é apurar, com
o prazo médio de pagamento de compras, o período em que os nossos fornecedores
financiam nossa atividade de produção (ou estocagem) e venda, em razão do prazo que nos
concedem. Há quocientes para encontrar esses prazos, cujos denominadores são diferentes:
estoque médio dividido pelo custo da mercadoria (ou do produto) vendida, para prazo
médio de renovação de estoques, duplicatas a receber divididas pela vendas líquidas (de
impostos sobre vendas, devoluções de vendas, descontos incondicionais e abatimentos),
para o prazo médio de recebimento, e fornecedores divididos pelas compras. Para análise
da Necessidade Líquida de Capital de Giro, usa-se reduzir esses índices a denominador
comum, as vendas líquidas.
Fórmulas: PMRV = (DR/V)*360
PMPC = (F/C)*360
PMRE = (E/CMV)*360
Onde:
DR = Duplicatas a receber
V = Vendas
F = Fornecedores
C = Compras
E = Estoques
CMV = Custo da mercadoria vendida
2.5-Previsão de Falência
Diversos testes estatísticos foram efetuados por estudiosos sobre a previsão
de insolvência.
Para a realização deste trabalho a fórmula escolhida foi a de Kanitz, em que:
FI = 0,05x1 + 1,65x2 + 3,55x3 – 1,06x4 – 0,33x5
Onde:
FI = Fator de insolvência
x1 = Lucro Líquido/Patrimônio Líquido
x2 = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo)/Exigível Total
x3 = (Ativo Circulante – Estoques)/Passivo Circulante
x4 = Ativo Circulante/Passivo Circulante
x5 = Exigível Total/Patrimônio Líquido
De acordo com esse modelo, a empresa estará insolvente se FI for inferior a
-3, terá classificação indefinida entre –3 e 0 e acima de 0 estará na faixa de solvência.
2.6- EVA
O Valor Econômico Agregado, popularmente conhecido como EVA, tornou-se algo
crescentemente popular. O EVA faz com que empresários pensem e atuem como
proprietários e reengenheiros do sistema da administração financeira medindo e
recompensando as atividades criadoras de valor.
O aspecto do Valor Agregado tem se tornado cada vez mais questionado e discutido
nas empresas, sendo sempre o objetivo final da empresa aumentar o seu próprio valor.
O poder do conceito do Valor Econômico Agregado(EVA) origina-se da idéia de
que é possível não conhecer se uma operação está realmente criando valor, levando-se em
conta o custo de oportunidade de todo o capital utilizado. Na maioria das operações
internas das companhias, não se tem idéia de qual ou de quanto é o valor agregado delas.
O EVA é uma medida de criação ou destruição de riqueza, centrada num
determinado período, sendo que, quando positivo, indica que a operação, no período,
apresentou retorno superior ao custo de oportunidade do investimento.
Neste trabalho, o valor do EVA será calculado da seguinte maneira:
EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL
, sendo que:
NOPAT = Lucro Operacional Depois dos Impostos
WACC = Custo Médio Ponderado de Capital
CAPITAL = Exigível a Longo Prazo + Patrimônio Líquido
3- Estudo de Caso
3.1-A Empresa
Fundada em 1973, a Método Engenharia S.A. consolidou-se ao longo de quase 30
anos de atuação como uma das três maiores construtoras do País na área de escritórios e
edificações comerciais. A companhia diferencia-se, porém, pela versatilidade nos negócios
atuando em diferentes segmentos do mercado por dar prioridade ao desenvolvimento das
pessoas e aos valores sociais, dentro e fora da empresa.
Atenta às modificações da economia no Brasil e no mundo, a Método esteve sempre
na vanguarda do setor da construção civil. A busca constante por parcerias estratégicas,
conhecimento, novas tecnologias, treinamento e valorização dos colaboradores deu à
empresa capacidade e competitividade para ingressar (e desbravar) com sucesso em vários
segmentos da construção e, também, em novos mercados, como o das telecomunicações.
A empresa extrapolou, há muito, os limites de uma construtora executora de obras.
A Método é hoje uma competente gestora de complexos projetos, atuante em toda a cadeia
de valor. Em suas obras, a companhia conduz o processo construtivo desde a concepção do
projeto até a entrega do empreendimento e a sua ocupação.
3.2-Apresentação do Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados
Padronizados
Estes são os balanços patrimoniais da Método Engenharia para os anos de
2001, 2002 e 2003(valores em mil reais):
Descrição da Conta
Ativo Total
Ativo Circulante
Financeiro
Disponibilidades
Aplicações Financeiras
Subsoma
Operacional
Clientes
Estoques
Subsoma
Total do Ativo Circulante
Ativo Realizável a Longo Prazo
Ativo Permanente
Investimentos
Imobilizado
Diferido
Total do Ativo Permanente
Total do Ativo
31/12/2003 31/12/2002 31/12/2001
293.913
265.867
200.400
72.033
90.125
42.202
13.961
2.143
11.818
13.961
58.072
39.439
18.633
58.072
72.033
120.735
23.452
7.333
16.119
23.452
66.673
40.825
25.848
66.673
90.125
94.717
6.675
6.443
232
6.675
35.527
24.551
10.976
35.527
42.202
88.534
101.145
81.025
69.664
84.295
16.126
724
101.145
58.411
21.704
910
81.025
46.466
22.318
880
69.664
293.913
265.867
200.400
Descrição da Conta
Passivo Total
Passivo Circulante
31/12/2002 31/12/2001 31/12/2000
293.913
265.867
200.400
61.427
76.910
41.175
4.633
22.146
26.779
3.128
45.124
48.252
3.604
26.722
30.326
26.233
8.415
34.648
61.427
165.092
25.053
3.605
28.658
76.910
112.178
10.849
0
10.849
41.175
96.095
226.519
67.394
189.088
76.779
137.270
63.130
72.805
-5.411
67.394
72.805
3.712
76.517
90.686
-27.556
63.130
293.913
265.605
200.400
Operacional
Fornecedores
Outras obrigações
Subsoma
Financeiro
Empréstimos e Financiamentos
Duplicatas descontadas
Subsoma
Total do Passivo Circulante
Passivo Exigível a Longo Prazo
Capitais de Terceiros
Patrimônio Líquido
Capital Social Realizado e reservas capital
Lucros e Prejuizos acumulados
Total do Patrimônio Líquido
Total do Passivo
E estas são as demonstrações de resultados para os respectivos anos:
Demonstração de Resultados Padronizada
Descrição da Conta
Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços
Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos
Resultado Bruto
Despesas/Receitas Operacionais
Resultado Operacional antes result financeiros
Receitas Financeiras
Despesas Financeiras
Resultado Operacional
Resultado Não Operacional
Resultado Antes Tributação/Participações
Provisão para IR e Contribuição Social
IR Diferido
Participações/Contribuições Estatutárias
Lucro/Prejuízo do Exercício
01/01/2003 a 01/01/2002 a 01/01/2001 a
31/12/2003 31/12/2002 31/12/2001
157.592
-123.250
34.342
-21.117
13.225
37.108
-71.653
-21.320
-999
-22.319
0
11.677
0
-10.642
135.251
-85.212
50.039
-20.433
29.606
11.226
-31.343
9.489
42
9.531
-141
-3.409
-750
5.231
87.551
-39.274
48.277
-23.926
24.351
7.572
-23.460
8.463
224
8.687
-1.463
-2.642
0
4.582
3.3- Índices
3.3.1- Índices de Estrutura
Índices de Estrutura
Participação do Capital de Terceiros
CT/PL
2003
2002
2001
336,112
246,276
217,440
Composição do Endividamento
PC/CT
27,118
40,674
29,996
Imolbilização do Patrimônio Líquido
AP/PL
150,080
105,530
110,350
43,506
42,880
43,752
Imobilização dos Recursos não-correntes
AP/(PL+ELP)
Pode-se notar que a empresa tem grande dependência de terceiros, e ainda
por cima, essa dependência aumentou nos dois últimos anos. No entanto, para o último ano
a empresa apresentou um perfil de dívida que demonstra ter diminuído a porcentagem de
dívidas de curto prazo, porém tal fato deve ser devido a valores altíssimos de dívidas a
longo prazo. O grau de imobilização do patrimônio líquido também aumentou, mostrando
que, além de a empresa não possuir capital circulante próprio, também absorve parcela
significativa de capitais de terceiros. Quanto a imobilização de recursos não correntes, este
índice tem se mantido praticamente igual.
3.3.2- Índices de Liquidez
Índices de Liquidez
2003
Liquidez Geral
Liquidez Corrente
Liquidez Seca
2002
2001
(AC+RLP)/(PC+ELP)
0,851
0,978
0,952
AC/PC
(AC-Estoques)/PC
1,173
0,869
1,172
0,836
1,025
0,758
A empresa apresenta tranqüilidade para pagar suas dívidas, fato que
apresentou relativa piora em 2003, visto que sua liquidez geral aponta que ela terá que criar
recursos para pagar suas dívidas de longo prazo. Já quanto a liquidez corrente a empresa
obteve um pequeno aumento que fez com que ficasse mais tranqüila em relação a 2001,
porém, retirando os estoques, a empresa não dispõe de dinheiro para pagar as dívidas de
curto prazo para nenhum dos anos.
3.3.3- Índices de Rentabilidade
Índices de Rentabilidade
2003
Giro do ativo
Margem Líquida
Rentabilidade do Ativo
Rentabilidade do Patrimônio Líquido
VL/AT
LL/VL
LL/AT
LL/PL médio
2002
2001
0,536
0,509
0,437
-6,753
-3,621
-14,763
3,868
1,968
7,478
5,234
2,286
7,258
Analisando somente o giro do ativo podemos ter a falsa impressão de que a
empresa melhorou sua rentabilidade durante os anos. Porém, nota-se que sua margem
líquida despencou, juntamente com a rentabilidade do ativo e a rentabilidade do patrimônio
líquido, que teve um leve aumento em 2002 mas em 2003 obteve um valor muito ruim.
3.4- Análise em Relação ao Setor
Para ser feita a análise em relação ao setor foram escolhidas nove outras
construtoras para que fosse feita a comparação. Porém, como esse não é um número
excessivamente grande, as notas foram atribuídas de maneira um pouco diferente da
apresentada, isto é, como havia exatamente dez empresas(a Método mais nove), elas foram
colocadas em ordem, de onde já resultava a nota a ser atribuída.
As empresas escolhidas foram as seguintes:
- Construtora Adolpho Lindenberg
- Servix Engenharia
- Construtora Beter
- Construtora Lix da Cunha
- Ecisa Engenharia Com. e Ind.
- João Fortes Engenharia
- Rimet Empreendimentos Industriais e Comerciais
- Construtora Sultepa
- Mendes Jr Engenharia
Nas seguintes páginas são mostradas as notas da empresa, juntamente com os
índices de todas as empresas, para cada um dos anos. Pode-se notar que nos anos de 2001 e
2002 a empresa se comportou de maneira que, apesar de não ser surpreendente, se mostrou
em níveis satisfatórios, porém, no ano de 2003, a empresa teve uma grande queda, passando
a apresentar notas que não são suficientes para dar credibilidade à empresa em relação ao
setor.
Quanto ao setor, nota-se que, em geral não apresenta boa rentabilidade do
patrimônio líquido, mostrando não ser um setor interessante para investimentos no
momento, é claro que com algumas exceções.
3.5-Análise Vertical/Horizontal
Nas páginas seguintes estão apresentadas as análises horizontal e vertical
tanto para o balanço patrimonial quanto para a demonstração de resultados:
-
-
-
-
-
Como aspectos mais relevantes que podem ser citados sobre esta análise devem-se
destacar:
A empresa possui grande percentual de capital de terceiros, porém sua liquidez pode
ser considerada boa pois os seu ativo circulante é praticamente igual ao passivo
circulante. Também o passivo exigível a longo prazo não apresenta valores absurdos
quando comparado com o ativo realizável a longo prazo.
Boa parte das despesas da empresa diz respeito ao custo de bens, fato que veio
aumentando ao longo dos últimos três anos, provavelmente por uma grande
quantidade de construções sendo executadas em 2002 e 2003.
Os capitais de terceiros obtiveram aumento significativo, principalmente para o
exigível a longo prazo, fato que provavelmente se deve a financiamentos que a
empresa deve ter tomado para realizar um grande número de obras, fazendo com
que a empresa apresente despesas financeiras muito altas.
A empresa conseguiu um significante aumento de receita líquida de vendas, porém
esse aumento foi acompanhado por outro ainda bem maior para o custo de bens,
fazendo com que a empresa obtivesse prejuízo no ano de 2003.
No entanto, como a empresa tem tido tantos gastos com custo de bens, fica a
esperança de nos próximos anos ela colher os respectivos frutos.
3.6- Prazos Médios
Para o ano de 2002:
Prazo Médio de Recebimento de Vendas(PMRV) = (DR/V)*360
= (40825/135251)*360
= 109 dias
Prazo Médio de Pagamento de Compras(PMPC) = (F/C)*360
=(3128/25848-10976+85212)*360
= 11 dias
Prazo Médio de Renovação de Estoques(PMRE) = (E/CMV)*360
= (25848/85212)*360
= 109 dias
Para o ano de 2003:
Prazo Médio de Recebimento de Vendas(PMRV) = (DR/V)*360
= (39439/157592)*360
= 90 dias
Prazo Médio de Pagamento de Compras(PMPC) = (F/C)*360
= (4633/18633-25848+123250)*360
= 14 dias
Prazo Médio de Renovação de Estoques(PMRE) = (E/CMV)*360
= (18633/123250)*360
= 54 dias
Portanto, ao analisarmos os prazos médios da empresa, podemos perceber
que este é um fator que a vem prejudicando, apesar da relativa melhora de 2002 para 2003,
pois a empresa apresenta um ciclo operacional muito grande, tendo que pagar muito
rapidamente por suas compras, fazendo com que fique com um grande ciclo de caixa, isto
é, necessitando financiar muito dinheiro para que o ciclo operacional se complete. Um dos
motivos pelos quais a empresa apresenta tão grande participação de capitais de terceiros.
3.7- Previsão de Falência
Fórmula de Kanitz:
FI = 0,05x1 + 1,65x2 + 3,55x3 – 1,06x4 – 0,33x5
Para 2001:
x1 = Lucro Líquido/ Patrimônio Líquido = 0,072
x2 = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo)/Exigível Total = 0,952
x3 = (Ativo Circulante – Estoques)/Passivo Circulante = 0,758
x4 = Ativo Circulante/Passivo Circulante = 1,025
x5 = Exigível Total/Patrimônio Líquido = 2,174
FI = 0,05*0,072 +1,65*0,952 +3,55*0,758 –1,06*1,025 –0,33*2,174
FI = 2,46
Para 2002:
x1 = 0,068
x2 = 0,978
x3 = 0,836
x4 = 1,171
x5 = 2,471
FI = 0,05*0,068 +1,65*0,978 +3,55*0,836 –1,06*1,171 – 0,33*2,471
FI = 2,53
Para 2003:
x1 = -0,158
x2 = 0,851
x3 = 0,869
x4 = 1,173
x5 = 3,361
FI = 0,05*-0,158 + 1,65*0,851 + 3,55*0,869 – 1,06*1,173 – 0,33*3,361
FI = 2,13
Portanto, conforme a fórmula de Kanitz para previsão de falência, a empresa
não tem risco de falir pelo menos no curto prazo, fato que pode ser observado analisando-se
os índices de liquidez da empresa.
3.8- EVA
Para o cálculo do EVA serão considerados:
Para cálculo de WACC: 12% para ELP e 20% para PL
Capital = Ativo Total
Valores em milhares.
Cálculo do EVA para 2001:
EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL
WACC = %ELP*0,12*(1-0,34) + %PL*0,2
WACC = 0,60*0,12*0,66 + 0,40*0,2
WACC = 12,8%
EVA = 20246 –0,128*200400
EVA = -5405,2
Cálculo do EVA para 2002:
EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL
WACC = %ELP*0,12*(1-0,34) + %PL*0,2
WACC = 0,59*0,12*0,66 + 0,41*0,2
WACC=12,9%
EVA = 26056 – 0,129*265867
EVA = -8240,0
Cálculo do EVA para 2003:
EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL
WACC = %ELP*0,12*(1-0,34) + %PL*0,2
WACC = 0,71*0,12*0,66 + 0,29*0,2
WACC=11,4%
EVA = 24902 – 0,114*293913
EVA = -8604,1
Portanto, segundo o cálculo do EVA pode-se notar que a empresa está destruindo
valor. Para que a empresa melhore o valor de seu EVA ela deve descobrir maneiras para
cortar gastos e gerar mais receitas.
Vale ressaltar que se fosse considerado para capital o exigível a longo prazo mais
patrimônio líquido, a empresa apresentaria valores positivos de EVA para os anos de 2001
e 2002.
4-Conclusões
Depois deste estudo sobre a Método Engenharia S.A., as principais conclusões
sobre ela são as seguintes:
A empresa apresenta grande dependência de capitais de terceiros, fato que teve
significativo aumento nos anos de 2002 e 2003, dinheiro este que foi dividido entre o
realizável a longo prazo e ativo circulante, fazendo com que a empresa apresente liquidez
suficiente para que fique tranqüila e também ajudando-a a conseguir novos empréstimos.
Porém, quanto à rentabilidade, a empresa não apresenta bons valores quando comparados
ao mercado, tendo tido, inclusive, valor negativo para o ano de 2003.
Comparada com o setor de construtoras, a empresa apresentou notas que foram
consideradas satisfatórias para o anos de 2001 e 2002 e fraca para o ano de 2003, tendo
sempre notas satisfatórias quanto à liquidez. O setor demonstrou, em geral, não ser bom
quanto à rentabilidade.
Sobre a evolução da empresa nos últimos anos, esta demonstrou um significativo
aumento na receita líquida de vendas, porém apresentou um aumento ainda maior no custo
de bens ou serviços e também nas receitas financeiras, já que a empresa tomou grande
quantidade de dinheiro emprestado, piorando sua rentabilidade.
Quanto aos prazos médios, a empresa apresentou melhora para o ano de 2003,
porém ainda apresenta valor muito alto de ciclo de caixa, ponto a ser considerado para a
melhora da empresa, pois esse fator atua de modo a elevar as despesas financeiras da
empresa.
De acordo com a fórmula de previsão de falência de Kanitz, a empresa não corre
risco de falência, pelo menos a curto prazo, o que já era esperado devido a liquidez
relativamente boa da empresa.
Por fim, a empresa apresentou valores negativos de EVA para os três anos,
mostrando que a empresa deve atuar de forma a melhorar esses valores. Porém, se ao invés
de utilizar como capital o ativo total fosse utilizado o exigível a longo prazo mais
patrimônio líquido, a empresa apresentaria valores positivos de EVA para os anos de 2001
e 2002.
Universidade Federal de Itajubá
Instituto de Produção
Análise de Balanços da Empresa
Método Engenharia S.A.
Professor: Dr. Edson de Oliveira Pamplona
Aluno: Mateus Martins de Toledo
Matrícula: 10660
Download

MétodoEngenharia S.A - Instituto de Engenharia de Produção e