1-Introdução 1.1-Objetivos Este trabalho visa analisar os balanços de uma determinada empresa, no caso a construtora Método Engenharia S.A., para extrair informações das suas demonstrações financeiras, com vistas à tomada de decisões. A análise de balanços tem a capacidade de transformar dados, que as demonstrações financeiras fornecem sobre a empresa, em informações. Com este trabalho será possível obter informações necessárias para permitir que se conclua se a Método Engenharia S.A. merece ou não crédito, se vem sendo bem ou mal administrada, se tem ou não condições de pagar suas dívidas, se é ou não lucrativa, se vem evoluindo ou regredindo, se é eficiente ou ineficiente, se irá falir ou se continuará operando. 1.2-Justificativa para a escolha da empresa Nas últimas férias, minha namorada estava pensando em adquirir um apartamento em São Paulo que estivesse em fase de lançamento, porém, apesar de se pagar normalmente um preço melhor pelo apartamento, existe o risco de a construtora falir e o sonho ir por água abaixo, juntamente com o dinheiro pago. Portanto, com a análise de balanços da empresa, é possível se obter informações importantes para que se decida entre comprar ou não o imóvel de uma determinada construtora. 1.3-Estrutura do trabalho Primeiramente serão apresentados os fundamentos teóricos utilizados para a análise de balanços, para que o trabalho possa ser entendido por uma pessoa que não tenha muita familiaridade com o assunto, sendo que após essa apresentação será feito o estudo de caso para a empresa escolhida, isto é, a Método Engenharia S.A.. 2-Fundamentos Teóricos 2.1-Análise através de índices O papel dos índices é de extrema importância na análise de determinada empresa, pois eles evidenciam determinados aspectos da situação econômica ou financeira da empresa. Portanto, a característica fundamental dos índices é fornecer visão ampla da situação econômica ou financeira da empresa. O importante não é o cálculo de um grande número de índices, mas de um conjunto de índices que permita conhecer a situação da empresa, segundo o grau de profundidade da análise. Os índices são divididos em índices que evidenciam aspectos da situação financeira e índices que evidenciam aspectos da situação econômica. Os índices da situação financeira, por sua vez, são divididos em índices de estrutura de capitais e índices de liquidez. 2.1.1-Descrição dos índices ¼Estrutura de capitais Os índices desse grupo mostram as grandes linhas de decisões financeiras, em termos de obtenção e aplicação de recursos. a)Participação de Capitais de Terceiros: Indica quanto a empresa tomou de capitais de terceiros para cada $100 de capital próprio investido. Quanto menor, melhor. Fórmula: Capitais de Terceiros x100 Patrimônio Líquido b)Composição do Endividamento: Indica qual o percentual de obrigações de curto prazo em relação às obrigações totais. Quanto menor, melhor. Fórmula: Passivo Circulante x100 Capitais de Terceiros c)Imobilização do Patrimônio Líquido: Indica quanto a empresa aplicou no ativo permanente para cada $100 de patrimônio líquido. Quanto menor, melhor. Fórmula: Ativo Permanente x100 Patrimônio Líquido d)Imobilização dos Recursos não Correntes: Indica que percentual de recursos não correntes a empresa aplicou no ativo permanente. Quanto menor, melhor. Fórmula: x100 Ativo Permanente Patrimônio Líquido + Exigível a Longo Prazo ¼Liquidez Os índices desse grupo mostram a base da situação financeira da empresa. a)Liquidez Geral: Indica quanto a empresa possui no ativo circulante e realizável a longo prazo para cada $1,00 de dívida total. Quanto maior, melhor. Fórmula: Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo b)Liquidez Corrente: Indica quanto a empresa possui no ativo circulante para cada $1,00 de passivo circulante. Quanto maior, melhor. Fórmula: Ativo Circulante Passivo Circulante c)Liquidez Seca: Indica quanto a empresa possui no ativo líquido para cada $1,00 de passivo circulante. Quanto maior, melhor. Fórmula: Disponível + Aplicações Financeiras + Clientes de Rápida Conversibilidade em Dinheiro Passivo Circulante ¼Rentabilidade Os índices deste grupo mostram qual a rentabilidade dos capitais investidos, isto é, quanto renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito econômico da empresa. a)Giro do Ativo: Indica quanto a empresa vendeu para cada $1,00 de investimento total. Quanto maior, melhor. Fórmula: Vendas Líquidas Ativo b)Margem Líquida: Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 vendidos. Quanto maior, melhor. Fórmula: Lucro Líquido x100 Vendas Liquidas c)Rentabilidade do Ativo: Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 de investimento total. Quanto maior, melhor. Fórmula: Lucro Líquido x100 Ativo d)Rentabilidade do Patrimônio Líquido: Indica quanto a empresa obteve de lucro para cada $100 de capital próprio investido. Quanto maior, melhor. Fórmula: x100 Lucro Líquido Patrimônio Líquido Médio 2.2-Análise em relação ao setor 2.2.1-Atribuindo Notas Para que a análise de balanços através de índices adquira consistência e objetividade, os índices devem ser comparados com padrões. Basicamente, deve-se comparar um índice com índices de outras empresas do mesmo ramo. Para que seja feita esta análise, primeiramente deve-se recorrer ao maior número possível de empresas do determinado ramo e calcular seus índices. Feitos os cálculos, coloca-se cada índice em ordem crescente, para então serem definidos os decis, isto é, existirão dez grupos diferentes para cada índice, tendo cada um desses grupos sua nota correspondente, como no exemplo seguinte: Decis 1o 2o 3o 4o 5o 6o 7o 8o 9o 0,91 1,06 1,12 1,19 1,23 1,32 1,45 1,57 1,73 Ind. Padrão No caso do exemplo acima, se uma empresa pertencente ao setor possui para o determinado índice acima o valor de 1,38, significa que essa empresa está localizada entre o sexto e o sétimo decil, e portanto, terá uma nota correspondente a tal posição. Portanto, através da comparação com os padrões, pode-se verificar em que faixa de mercado a empresa se situa. Porém, para se chegar a conclusões finais sobre a empresa devem ser atribuídos pesos aos índices, diferentes para cada tipo de empresa, isto é, os índices mais importantes para um banco comercial não serão os mesmos que os de uma indústria. Com a atribuição dos respectivos pesos podem ser atribuídas notas finais para a empresa. 2.3-Análise Vertical/Horizontal A análise vertical/horizontal é uma técnica que visa aprofundar a análise feita pela avaliação geral da empresa. Com essa técnica é possível conhecer pormenores das demonstrações financeiras que escapam à análise genérica através de índices. 2.3.1-Análise Vertical Se baseia em valores percentuais das demonstrações financeiras, sendo calculados, para isso, o percentual de cada conta em relação a um valor base. Objetivos: mostrar a importância de cada conta em relação à demonstração financeira a que pertence e, através da comparação com padrões do ramo ou com percentuais da própria empresa em anos anteriores, permitir inferir se há itens fora das proporções normais. 2.3.2-Análise Horizontal Se baseia na evolução de cada conta de uma série de demonstrações financeiras em relação à demonstração anterior e/ou em relação a uma demonstração financeira básica. Objetivos: mostrar a evolução de cada conta das demonstrações financeiras e, pela comparação entre si, tirar conclusões sobre a evolução da empresa. 2.4_Prazos Médios Os índices de prazos médios são índices calculados através da análise de balanços que, analisados em conjunto, podem indicar elementos importantes para a estratégia empresarial, sendo a combinação do prazo médio de recebimento de vendas (PMRV), o prazo médio de renovação dos estoques(PMRE) e o prazo médio de pagamento das contas (PMPC) um indicativo da análise dos ciclos operacional e de caixa (financeiro) na empresa. Ciclo de caixa é medido pela diferença entre a soma do prazo médio de renovação dos estoques com o prazo médio de recebimento de vendas a prazo menos o prazo médio de fornecedores a pagar, assim: prazo médio de renovação de estoques é o tempo entre a aquisição da mercadoria, numa empresa comercial, ou da aquisição da matéria-prima, numa empresa industrial, e o momento da venda; prazo médio de recebimento é o tempo decorrido entre a venda e o efetivo recebimento do valor dessa venda; prazo médio de pagamento de fornecedores é o período entre a compra da mercadoria, matéria-prima ou insumo e o pagamento ao fornecedor (CC = PME + PMRV - PMPC). A idéia é apurar, com o prazo médio de pagamento de compras, o período em que os nossos fornecedores financiam nossa atividade de produção (ou estocagem) e venda, em razão do prazo que nos concedem. Há quocientes para encontrar esses prazos, cujos denominadores são diferentes: estoque médio dividido pelo custo da mercadoria (ou do produto) vendida, para prazo médio de renovação de estoques, duplicatas a receber divididas pela vendas líquidas (de impostos sobre vendas, devoluções de vendas, descontos incondicionais e abatimentos), para o prazo médio de recebimento, e fornecedores divididos pelas compras. Para análise da Necessidade Líquida de Capital de Giro, usa-se reduzir esses índices a denominador comum, as vendas líquidas. Fórmulas: PMRV = (DR/V)*360 PMPC = (F/C)*360 PMRE = (E/CMV)*360 Onde: DR = Duplicatas a receber V = Vendas F = Fornecedores C = Compras E = Estoques CMV = Custo da mercadoria vendida 2.5-Previsão de Falência Diversos testes estatísticos foram efetuados por estudiosos sobre a previsão de insolvência. Para a realização deste trabalho a fórmula escolhida foi a de Kanitz, em que: FI = 0,05x1 + 1,65x2 + 3,55x3 – 1,06x4 – 0,33x5 Onde: FI = Fator de insolvência x1 = Lucro Líquido/Patrimônio Líquido x2 = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo)/Exigível Total x3 = (Ativo Circulante – Estoques)/Passivo Circulante x4 = Ativo Circulante/Passivo Circulante x5 = Exigível Total/Patrimônio Líquido De acordo com esse modelo, a empresa estará insolvente se FI for inferior a -3, terá classificação indefinida entre –3 e 0 e acima de 0 estará na faixa de solvência. 2.6- EVA O Valor Econômico Agregado, popularmente conhecido como EVA, tornou-se algo crescentemente popular. O EVA faz com que empresários pensem e atuem como proprietários e reengenheiros do sistema da administração financeira medindo e recompensando as atividades criadoras de valor. O aspecto do Valor Agregado tem se tornado cada vez mais questionado e discutido nas empresas, sendo sempre o objetivo final da empresa aumentar o seu próprio valor. O poder do conceito do Valor Econômico Agregado(EVA) origina-se da idéia de que é possível não conhecer se uma operação está realmente criando valor, levando-se em conta o custo de oportunidade de todo o capital utilizado. Na maioria das operações internas das companhias, não se tem idéia de qual ou de quanto é o valor agregado delas. O EVA é uma medida de criação ou destruição de riqueza, centrada num determinado período, sendo que, quando positivo, indica que a operação, no período, apresentou retorno superior ao custo de oportunidade do investimento. Neste trabalho, o valor do EVA será calculado da seguinte maneira: EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL , sendo que: NOPAT = Lucro Operacional Depois dos Impostos WACC = Custo Médio Ponderado de Capital CAPITAL = Exigível a Longo Prazo + Patrimônio Líquido 3- Estudo de Caso 3.1-A Empresa Fundada em 1973, a Método Engenharia S.A. consolidou-se ao longo de quase 30 anos de atuação como uma das três maiores construtoras do País na área de escritórios e edificações comerciais. A companhia diferencia-se, porém, pela versatilidade nos negócios atuando em diferentes segmentos do mercado por dar prioridade ao desenvolvimento das pessoas e aos valores sociais, dentro e fora da empresa. Atenta às modificações da economia no Brasil e no mundo, a Método esteve sempre na vanguarda do setor da construção civil. A busca constante por parcerias estratégicas, conhecimento, novas tecnologias, treinamento e valorização dos colaboradores deu à empresa capacidade e competitividade para ingressar (e desbravar) com sucesso em vários segmentos da construção e, também, em novos mercados, como o das telecomunicações. A empresa extrapolou, há muito, os limites de uma construtora executora de obras. A Método é hoje uma competente gestora de complexos projetos, atuante em toda a cadeia de valor. Em suas obras, a companhia conduz o processo construtivo desde a concepção do projeto até a entrega do empreendimento e a sua ocupação. 3.2-Apresentação do Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados Padronizados Estes são os balanços patrimoniais da Método Engenharia para os anos de 2001, 2002 e 2003(valores em mil reais): Descrição da Conta Ativo Total Ativo Circulante Financeiro Disponibilidades Aplicações Financeiras Subsoma Operacional Clientes Estoques Subsoma Total do Ativo Circulante Ativo Realizável a Longo Prazo Ativo Permanente Investimentos Imobilizado Diferido Total do Ativo Permanente Total do Ativo 31/12/2003 31/12/2002 31/12/2001 293.913 265.867 200.400 72.033 90.125 42.202 13.961 2.143 11.818 13.961 58.072 39.439 18.633 58.072 72.033 120.735 23.452 7.333 16.119 23.452 66.673 40.825 25.848 66.673 90.125 94.717 6.675 6.443 232 6.675 35.527 24.551 10.976 35.527 42.202 88.534 101.145 81.025 69.664 84.295 16.126 724 101.145 58.411 21.704 910 81.025 46.466 22.318 880 69.664 293.913 265.867 200.400 Descrição da Conta Passivo Total Passivo Circulante 31/12/2002 31/12/2001 31/12/2000 293.913 265.867 200.400 61.427 76.910 41.175 4.633 22.146 26.779 3.128 45.124 48.252 3.604 26.722 30.326 26.233 8.415 34.648 61.427 165.092 25.053 3.605 28.658 76.910 112.178 10.849 0 10.849 41.175 96.095 226.519 67.394 189.088 76.779 137.270 63.130 72.805 -5.411 67.394 72.805 3.712 76.517 90.686 -27.556 63.130 293.913 265.605 200.400 Operacional Fornecedores Outras obrigações Subsoma Financeiro Empréstimos e Financiamentos Duplicatas descontadas Subsoma Total do Passivo Circulante Passivo Exigível a Longo Prazo Capitais de Terceiros Patrimônio Líquido Capital Social Realizado e reservas capital Lucros e Prejuizos acumulados Total do Patrimônio Líquido Total do Passivo E estas são as demonstrações de resultados para os respectivos anos: Demonstração de Resultados Padronizada Descrição da Conta Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos Resultado Bruto Despesas/Receitas Operacionais Resultado Operacional antes result financeiros Receitas Financeiras Despesas Financeiras Resultado Operacional Resultado Não Operacional Resultado Antes Tributação/Participações Provisão para IR e Contribuição Social IR Diferido Participações/Contribuições Estatutárias Lucro/Prejuízo do Exercício 01/01/2003 a 01/01/2002 a 01/01/2001 a 31/12/2003 31/12/2002 31/12/2001 157.592 -123.250 34.342 -21.117 13.225 37.108 -71.653 -21.320 -999 -22.319 0 11.677 0 -10.642 135.251 -85.212 50.039 -20.433 29.606 11.226 -31.343 9.489 42 9.531 -141 -3.409 -750 5.231 87.551 -39.274 48.277 -23.926 24.351 7.572 -23.460 8.463 224 8.687 -1.463 -2.642 0 4.582 3.3- Índices 3.3.1- Índices de Estrutura Índices de Estrutura Participação do Capital de Terceiros CT/PL 2003 2002 2001 336,112 246,276 217,440 Composição do Endividamento PC/CT 27,118 40,674 29,996 Imolbilização do Patrimônio Líquido AP/PL 150,080 105,530 110,350 43,506 42,880 43,752 Imobilização dos Recursos não-correntes AP/(PL+ELP) Pode-se notar que a empresa tem grande dependência de terceiros, e ainda por cima, essa dependência aumentou nos dois últimos anos. No entanto, para o último ano a empresa apresentou um perfil de dívida que demonstra ter diminuído a porcentagem de dívidas de curto prazo, porém tal fato deve ser devido a valores altíssimos de dívidas a longo prazo. O grau de imobilização do patrimônio líquido também aumentou, mostrando que, além de a empresa não possuir capital circulante próprio, também absorve parcela significativa de capitais de terceiros. Quanto a imobilização de recursos não correntes, este índice tem se mantido praticamente igual. 3.3.2- Índices de Liquidez Índices de Liquidez 2003 Liquidez Geral Liquidez Corrente Liquidez Seca 2002 2001 (AC+RLP)/(PC+ELP) 0,851 0,978 0,952 AC/PC (AC-Estoques)/PC 1,173 0,869 1,172 0,836 1,025 0,758 A empresa apresenta tranqüilidade para pagar suas dívidas, fato que apresentou relativa piora em 2003, visto que sua liquidez geral aponta que ela terá que criar recursos para pagar suas dívidas de longo prazo. Já quanto a liquidez corrente a empresa obteve um pequeno aumento que fez com que ficasse mais tranqüila em relação a 2001, porém, retirando os estoques, a empresa não dispõe de dinheiro para pagar as dívidas de curto prazo para nenhum dos anos. 3.3.3- Índices de Rentabilidade Índices de Rentabilidade 2003 Giro do ativo Margem Líquida Rentabilidade do Ativo Rentabilidade do Patrimônio Líquido VL/AT LL/VL LL/AT LL/PL médio 2002 2001 0,536 0,509 0,437 -6,753 -3,621 -14,763 3,868 1,968 7,478 5,234 2,286 7,258 Analisando somente o giro do ativo podemos ter a falsa impressão de que a empresa melhorou sua rentabilidade durante os anos. Porém, nota-se que sua margem líquida despencou, juntamente com a rentabilidade do ativo e a rentabilidade do patrimônio líquido, que teve um leve aumento em 2002 mas em 2003 obteve um valor muito ruim. 3.4- Análise em Relação ao Setor Para ser feita a análise em relação ao setor foram escolhidas nove outras construtoras para que fosse feita a comparação. Porém, como esse não é um número excessivamente grande, as notas foram atribuídas de maneira um pouco diferente da apresentada, isto é, como havia exatamente dez empresas(a Método mais nove), elas foram colocadas em ordem, de onde já resultava a nota a ser atribuída. As empresas escolhidas foram as seguintes: - Construtora Adolpho Lindenberg - Servix Engenharia - Construtora Beter - Construtora Lix da Cunha - Ecisa Engenharia Com. e Ind. - João Fortes Engenharia - Rimet Empreendimentos Industriais e Comerciais - Construtora Sultepa - Mendes Jr Engenharia Nas seguintes páginas são mostradas as notas da empresa, juntamente com os índices de todas as empresas, para cada um dos anos. Pode-se notar que nos anos de 2001 e 2002 a empresa se comportou de maneira que, apesar de não ser surpreendente, se mostrou em níveis satisfatórios, porém, no ano de 2003, a empresa teve uma grande queda, passando a apresentar notas que não são suficientes para dar credibilidade à empresa em relação ao setor. Quanto ao setor, nota-se que, em geral não apresenta boa rentabilidade do patrimônio líquido, mostrando não ser um setor interessante para investimentos no momento, é claro que com algumas exceções. 3.5-Análise Vertical/Horizontal Nas páginas seguintes estão apresentadas as análises horizontal e vertical tanto para o balanço patrimonial quanto para a demonstração de resultados: - - - - - Como aspectos mais relevantes que podem ser citados sobre esta análise devem-se destacar: A empresa possui grande percentual de capital de terceiros, porém sua liquidez pode ser considerada boa pois os seu ativo circulante é praticamente igual ao passivo circulante. Também o passivo exigível a longo prazo não apresenta valores absurdos quando comparado com o ativo realizável a longo prazo. Boa parte das despesas da empresa diz respeito ao custo de bens, fato que veio aumentando ao longo dos últimos três anos, provavelmente por uma grande quantidade de construções sendo executadas em 2002 e 2003. Os capitais de terceiros obtiveram aumento significativo, principalmente para o exigível a longo prazo, fato que provavelmente se deve a financiamentos que a empresa deve ter tomado para realizar um grande número de obras, fazendo com que a empresa apresente despesas financeiras muito altas. A empresa conseguiu um significante aumento de receita líquida de vendas, porém esse aumento foi acompanhado por outro ainda bem maior para o custo de bens, fazendo com que a empresa obtivesse prejuízo no ano de 2003. No entanto, como a empresa tem tido tantos gastos com custo de bens, fica a esperança de nos próximos anos ela colher os respectivos frutos. 3.6- Prazos Médios Para o ano de 2002: Prazo Médio de Recebimento de Vendas(PMRV) = (DR/V)*360 = (40825/135251)*360 = 109 dias Prazo Médio de Pagamento de Compras(PMPC) = (F/C)*360 =(3128/25848-10976+85212)*360 = 11 dias Prazo Médio de Renovação de Estoques(PMRE) = (E/CMV)*360 = (25848/85212)*360 = 109 dias Para o ano de 2003: Prazo Médio de Recebimento de Vendas(PMRV) = (DR/V)*360 = (39439/157592)*360 = 90 dias Prazo Médio de Pagamento de Compras(PMPC) = (F/C)*360 = (4633/18633-25848+123250)*360 = 14 dias Prazo Médio de Renovação de Estoques(PMRE) = (E/CMV)*360 = (18633/123250)*360 = 54 dias Portanto, ao analisarmos os prazos médios da empresa, podemos perceber que este é um fator que a vem prejudicando, apesar da relativa melhora de 2002 para 2003, pois a empresa apresenta um ciclo operacional muito grande, tendo que pagar muito rapidamente por suas compras, fazendo com que fique com um grande ciclo de caixa, isto é, necessitando financiar muito dinheiro para que o ciclo operacional se complete. Um dos motivos pelos quais a empresa apresenta tão grande participação de capitais de terceiros. 3.7- Previsão de Falência Fórmula de Kanitz: FI = 0,05x1 + 1,65x2 + 3,55x3 – 1,06x4 – 0,33x5 Para 2001: x1 = Lucro Líquido/ Patrimônio Líquido = 0,072 x2 = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo)/Exigível Total = 0,952 x3 = (Ativo Circulante – Estoques)/Passivo Circulante = 0,758 x4 = Ativo Circulante/Passivo Circulante = 1,025 x5 = Exigível Total/Patrimônio Líquido = 2,174 FI = 0,05*0,072 +1,65*0,952 +3,55*0,758 –1,06*1,025 –0,33*2,174 FI = 2,46 Para 2002: x1 = 0,068 x2 = 0,978 x3 = 0,836 x4 = 1,171 x5 = 2,471 FI = 0,05*0,068 +1,65*0,978 +3,55*0,836 –1,06*1,171 – 0,33*2,471 FI = 2,53 Para 2003: x1 = -0,158 x2 = 0,851 x3 = 0,869 x4 = 1,173 x5 = 3,361 FI = 0,05*-0,158 + 1,65*0,851 + 3,55*0,869 – 1,06*1,173 – 0,33*3,361 FI = 2,13 Portanto, conforme a fórmula de Kanitz para previsão de falência, a empresa não tem risco de falir pelo menos no curto prazo, fato que pode ser observado analisando-se os índices de liquidez da empresa. 3.8- EVA Para o cálculo do EVA serão considerados: Para cálculo de WACC: 12% para ELP e 20% para PL Capital = Ativo Total Valores em milhares. Cálculo do EVA para 2001: EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL WACC = %ELP*0,12*(1-0,34) + %PL*0,2 WACC = 0,60*0,12*0,66 + 0,40*0,2 WACC = 12,8% EVA = 20246 –0,128*200400 EVA = -5405,2 Cálculo do EVA para 2002: EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL WACC = %ELP*0,12*(1-0,34) + %PL*0,2 WACC = 0,59*0,12*0,66 + 0,41*0,2 WACC=12,9% EVA = 26056 – 0,129*265867 EVA = -8240,0 Cálculo do EVA para 2003: EVA = NOPAT – WACC*CAPITAL WACC = %ELP*0,12*(1-0,34) + %PL*0,2 WACC = 0,71*0,12*0,66 + 0,29*0,2 WACC=11,4% EVA = 24902 – 0,114*293913 EVA = -8604,1 Portanto, segundo o cálculo do EVA pode-se notar que a empresa está destruindo valor. Para que a empresa melhore o valor de seu EVA ela deve descobrir maneiras para cortar gastos e gerar mais receitas. Vale ressaltar que se fosse considerado para capital o exigível a longo prazo mais patrimônio líquido, a empresa apresentaria valores positivos de EVA para os anos de 2001 e 2002. 4-Conclusões Depois deste estudo sobre a Método Engenharia S.A., as principais conclusões sobre ela são as seguintes: A empresa apresenta grande dependência de capitais de terceiros, fato que teve significativo aumento nos anos de 2002 e 2003, dinheiro este que foi dividido entre o realizável a longo prazo e ativo circulante, fazendo com que a empresa apresente liquidez suficiente para que fique tranqüila e também ajudando-a a conseguir novos empréstimos. Porém, quanto à rentabilidade, a empresa não apresenta bons valores quando comparados ao mercado, tendo tido, inclusive, valor negativo para o ano de 2003. Comparada com o setor de construtoras, a empresa apresentou notas que foram consideradas satisfatórias para o anos de 2001 e 2002 e fraca para o ano de 2003, tendo sempre notas satisfatórias quanto à liquidez. O setor demonstrou, em geral, não ser bom quanto à rentabilidade. Sobre a evolução da empresa nos últimos anos, esta demonstrou um significativo aumento na receita líquida de vendas, porém apresentou um aumento ainda maior no custo de bens ou serviços e também nas receitas financeiras, já que a empresa tomou grande quantidade de dinheiro emprestado, piorando sua rentabilidade. Quanto aos prazos médios, a empresa apresentou melhora para o ano de 2003, porém ainda apresenta valor muito alto de ciclo de caixa, ponto a ser considerado para a melhora da empresa, pois esse fator atua de modo a elevar as despesas financeiras da empresa. De acordo com a fórmula de previsão de falência de Kanitz, a empresa não corre risco de falência, pelo menos a curto prazo, o que já era esperado devido a liquidez relativamente boa da empresa. Por fim, a empresa apresentou valores negativos de EVA para os três anos, mostrando que a empresa deve atuar de forma a melhorar esses valores. Porém, se ao invés de utilizar como capital o ativo total fosse utilizado o exigível a longo prazo mais patrimônio líquido, a empresa apresentaria valores positivos de EVA para os anos de 2001 e 2002. Universidade Federal de Itajubá Instituto de Produção Análise de Balanços da Empresa Método Engenharia S.A. Professor: Dr. Edson de Oliveira Pamplona Aluno: Mateus Martins de Toledo Matrícula: 10660