Pessoal, Seguem as atualizações e modificações da obra Economia para Concursos – 2ª Edição, já disponível para venda no site editoracampus.com.br e nas livrarias especializadas de sua região! CAPÍTULO 02: O SISTEMA DE CONTAS NACIONAIS. CONTAS NACIONAIS NO BRASIL. 2.1 CONTAS NACIONAIS UTILIZADAS PELO 1986/1995: METODOLOGIA ANTIGA. IBGE NO PERÍODO Página 18, SUBSTITUIR o quadro por... 2.1.1 Conta Produto Interno Bruto (PIB) ou conta de produção Débito (aplicação dos recursos) Crédito (origens dos recursos) +Produto Interno Bruto (PIB) a custo + Consumo Final das Famílias de fatores + Consumo Final das Administrações + Remuneração dos empregados Públicas + Excedente operacional bruto + Formação Bruta de Capital Fixo + Tributos indiretos + Variação de estoques - Subsídios + Exportação bens/serviços não fatores - Importação bens/serviços não fatores PIB a preços de mercado Despesa interna bruta a preços de mercado Página 20, SUBSTITUIR o primeiro quadro por... Conta Produto Interno Bruto (PIB) ou conta de produção Débito (aplicação dos recursos) Crédito (origens dos recursos) +Produto Interno Bruto (PIB) a custo + Consumo Final das Famílias de fatores + Consumo Final das Administrações + Remuneração dos empregados Públicas + Excedente operacional bruto + Formação Bruta de Capital Fixo + Tributos indiretos + Variação de estoques - Subsídios + Exportação bens/serviços não fatores - Importação bens/serviços não fatores PIB a preços de mercado Despesa interna bruta a preços de mercado Página 20, SUBSTITUIR o segundo quadro por... 2.1.2 Conta Renda Nacional Disponível Bruta ou conta de apropriação Débito (aplicação dos recursos) Crédito (origem dos recursos) + Consumo final das famílias + PIB a custo de fatores + Consumo final das APUs + Poupança bruta + Remuneração dos empregados + Excedente operacional bruto - REE + RRE + Tributos indiretos - Subsídios Utilização da renda nacional disponível Apropriação da renda nacional disponível SUBSTITUIR PÁGS. 21 a partir do quinto parágrafo até pág. 26 em A assertiva D está correta. POR... A terceira conta chamada consolidada de capital ou conta de acumulação identifica o aumento da capacidade produtiva e as necessidades de financiamento. Essa conta, em realidade, representa a identidade investimento/poupança, tópico sempre presente nas provas de Economia elaboradas por qualquer banca! 2.1.3 Conta consolidada de capital ou conta de acumulação: Débito (aplicação dos recursos) Crédito (origens dos recursos) + Formação bruta de capital fixo + Poupança líquida do setor privado + Variação de estoques + Poupança do governo em conta corrente (T – G) + Poupança externa ( M – X + RLEE) Acumulação Bruta lnterna Financiamento da Acumulação Bruta Interna Do lado do débito, são lançadas as aplicações na formação bruta de capital fixo ou investimento bruto e nas variações de estoques. Do lado do crédito, por sua vez, temos as fontes de financiamento daquelas aplicações, divididas em poupança interna (poupança bruta do setor privado mais a poupança do governo em conta corrente) e poupança externa. A poupança externa representa o montante que o país recebe do exterior para financiar os seus gastos a maior. Ou seja, partimos do princípio que o país é deficitário nas transações com o exterior ( o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente é deficitário) e, que, por conseguinte, a poupança do resto do mundo é responsável pelo seu financiamento. Mecanicamente entendemos porque o item poupança externa é lançado a crédito na conta de capital. Mas o que isso representa em termos econômicos, lembrando que a conta de capital demonstra a identidade investimento = poupança? Isso indica que, no período em questão, parte do investimento efetuado na economia deveu-se à importação de capital. O déficit do balanço de pagamentos em transações correntes acaba por ser coberto pela entrada de capitais externos, o que significa, exatamente, que a economia em questão para fazer frente a sua absorção interna, está importando capital, ou seja, poupança. Se, eventualmente, a economia produzir não um déficit, mas um superávit em transações correntes, ela terá se tornado, ao menos naquele período, exportadora líquida de capitais, ou seja, sua absorção interna, em face da produção, estará permitindo que ela exporte capitais. Nesse caso, o déficit do balanço de pagamentos em transações correntes continua a ser registrado do lado do crédito da conta de capital, porém com sinal negativo, indicando que se trata, de fato, de um superávit. A quarta conta, conta das transações correntes com o resto do mundo, inclui as transações realizadas entre os membros residentes e não-residentes do país. 2.1.4 Conta das transações correntes com o resto do mundo. Débito (aplicações dos recursos) Crédito (origens dos recursos) + Exportação bens/serviços + Importação bens /serviços + Rendas recebidas do exterior + Rendas enviadas para o exterior + Saldo das transações correntes com o resto do mundo Total de recebimentos Utilização dos recebimentos Do lado do débito, aparecem os gastos dos não residentes com a compra de bens, serviços e ativos nacionais (exportações brasileiras) bem como o montante de rendas recebidas do setor externo. Registram-se, por sua vez, no lado do crédito, as compras feitas pelos residentes na forma de importações de bens e serviços mais o somatório de rendas enviadas pelos agentes domésticos ao resto do mundo. Aqui também é lançado o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente, que será visto com riqueza de detalhes no momento pertinente, ou seja, no capítulo sobre Balanço de Pagamentos. O saldo em conta corrente (TC) é representado também da seguinte forma: X + RRE = M + REE + TC TC = X + RRE – M – RRE TC = (X – M) + (RRE – REE) TC = ( X – M) – RLEE Onde: X = exportações de bens e serviços não fatores; RRE = rendas recebidas do exterior; TC = saldo em transações correntes ou conta corrente; M = importações; REE = rendas enviadas ao exterior. E assumimos também que Se = - TC em que: Se = - ( X – M) + RLEE Se = - X + M + RLEE Se = M – X + RLEE Até aqui nos interessa e muito saber, memorizar e guardar que a poupança externa ou passivo externo líquido é idêntico ao saldo negativo (déficit) das transações correntes com o resto do mundo. Então, vale novamente registrar que: Poupança externa = Passivo externo líquido = Déficit no balanço de pagamentos em transações correntes Vejamos importante questão sobre a problemática acima, elaborada pela ESAF, para a prova do Banco Central. (ESAF/Analista – BC – 2001) Considere os seguintes dados, em unidades monetárias: - exportações de bens e serviços não fatores = 100; - importações de bens e serviços não fatores = 200; - renda líquida enviada ao exterior = 50; - poupança líquida do setor privado = 250; - depreciação = 10; - saldo do governo em conta corrente = 70; - variação de estoques = 80. Com base no sistema de contas nacionais, é correto afirmar que a formação bruta de capital é igual a : a) 400 b) 150 c) 250 d) 350 e) 500 Atenção! Exercício colocado aqui com a função de alertá-los sobre um fator complicador, que é, exatamente, a poupança do resto do mundo ou saldo negativo do BP em transações correntes a ser calculado e o significado do seu sinal! É suficiente a utilização da equação macroeconômica que roga o cômputo da poupança externa do país ou passivo externo líquido ou saldo deficitário do balanço de pagamentos em transações correntes, a saber: Se = M – X + RLEE (200 – 100 + 50), ou seja, queremos dimensionar o montante de recursos do exterior, do resto do mundo, propenso a financiar nossos gastos a maior, nossa taxa de investimento maior que a poupança doméstica, o que nos permitiu ter importações maiores que exportações (saldo negativo em conta corrente). Esse valor (150) aparece como positivo na identidade abaixo, dada a natureza do mesmo. Os mais desavisados poderiam utilizar-se de – 150 na equação, modificando totalmente o valor desejado. Em resumo: o déficit no BP em transações correntes equivale ao montante da poupança externa ou passivo externo líquido. Dessa forma, 150 aqui representa saldo negativo do BP em transações correntes ou poupança externa/passivo externo líquido igual a 150. Agora a questão se resumo aos cálculos. FBCF + VE = Sp + D + Sg + Se. Substituindo-se os valores, tem-se que FBCF + 80 - 10 = 250 + 70 + 150. Logo, FBCF é igual a 400. A assertiva “A” está correta. Página 32, INCLUIR.... 2.4 CONTAS NACIONAIS UTILIZADAS PELO IBGE A PARTIR DE 1996: METODOLOGIA NOVA Em 1993, surge uma nova proposta do System of Nacional Accounts, recomendando um novo formato das contas nacionais. O IBGE divulga a nova metodologia bem como a série de contas nacionais, reelaborada segundo o novo desenho. Cabe repisar que a nova estrutura de contas nacionais não envolve mudanças conceituais, mantendo os fundamentos anteriores. Buscava-se ser atualizado, harmônico e flexível, embora tenha ganhado uma complexidade maior. O sistema conta agora com um ferramental original chamado tabela de recursos e usos (TRU), em que se apresenta a oferta total como somatório da produção e importação e simultaneamente como somatório do consumo intermediário e da demanda final. Todas as informações são desagregadas por setor, de maneira que o consumo intermediário se identifica com a matriz insumo-produto, que fica assim definitivamente integrada ao sistema. As antigas quatro contas foram substituídas, no novo sistema, por uma estrutura denominada contas econômicas integradas (CEI), que apresenta três grandes grupamentos. Um é constituído pela conta de bens e serviços, um segundo sobre a conta de produção, que equivale a conta PIB do sistema anterior; conta de renda (geração, alocação, distribuição secundária e de usos), que equivale à conta renda nacional disponível bruta e a conta de acumulação, que equivale à conta de capital anterior. O terceiro grupamento contém a conta das operações correntes com o resto do mundo, que substitui a conta de mesmo nome do sistema anterior. As novas Contas Nacionais são compostas de três grandes grupos e substituem o método débito x crédito pela sistemática de colunas de usos (aplicações) e recursos (origens). Tabela 1 – Economia Nacional – Conta de bens e serviços - 2003 Recursos (R$ milhões) Operações e Saldos Usos (R$ milhões) 3 026 167 Produção 198 754 Importação de bens e serviços 160 578 Impostos sobre produtos 8 084 Imposto de importação 152 493 Demais impostos sobre produtos Consumo Intermediário 1 630 553 Despesa de consumo 1 192 613 final Formação bruta de 276 741 capital fixo Variação de estoques 30 750 Exportação de bens e 254 832 serviços 3 385 499 Total 3 385 499 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais. Tabela 2 – Economia Nacional – Contas de produção, renda e capital – 2003 Usos(R$ milhões) Operações e Saldos Recursos (R$ milhões) Conta 1 – Conta de Produção Produção 1 630 563 Consumo intermediário Impostos sobre produtos Imposto de Importação Demais impostos sobre produtos 1 556 182 Produto Interno Bruto 3 026 167 160 578 8 084 152 493 Conta 2 – Conta da Renda Conta 2.1 Conta de distribuição primária da renda Conta 2.1.1 Conta de geração da renda 554 149 553 658 491 266 968 (-) 3 617 738 683 69 757 668 926 Produto Interno Bruto Remuneração dos empregados Residentes Não residentes Impostos sobre a produção e de importação Subsídios à produção Excedente Operacional Bruto inclusive rendimento de autônomos Rendimento de Autônomos Excedente Operacional Bruto 1 556 182 Conta 2.1.2 – Conta de alocação da renda Excedente operacional bruto inclusive rendimento de autônomos Rendimento de Autônomos Excedente operacional bruto Remuneração dos empregados Residentes Não residentes Impostos sobre a produção e de importação Subsídios à produção (-) 66 384 Rendas de propriedade enviadas e recebidas do resto do mundo 1 509 785 Renda Nacional Bruta 738 683 69 757 668 926 554 481 553 658 824 266 968 (-) 3 617 10 902 Conta 2.2 – Conta de distribuição secundária da renda Renda nacional bruta 941 Outras transferências correntes enviadas e recebidas do resto do mundo 1 509 785 Renda disponível bruta 1 501 032 9 694 Conta 2.3 – Conta de uso da renda Renda disponível bruta 1 192 613 Despesa de consumo final 1 509 785 Conta 3 – Conta de acumulação Conta 3.1- Conta de capital Poupança bruta 276 741 Formação bruta de capital fixo 30 750 Variação de estoques 112 Transferências de capital enviadas e recebidas do resto do mundo (-) 11 193 Capacidade (+) ou Necessidade (-) líquida de financiamento Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais. 317 172 1624 Julgo importante demonstrarmos abaixo importante questão bem típica dos concursos elaborados pela ESAF para as provas de carreira fiscal. (ESAF/AFRF-2002.II) No ano de 1999, a conta de capital do sistema de contas nacionais no Brasil apresentou os seguintes dados (R$ 1.000.000): Poupança bruta: 149.491 Formação bruta de capital fixo: 184.087 Variação de estoques: 11.314 Transferências de capital enviada ao resto do mundo: 29 Transferências de capital recebida do resto do mundo: 91 Com base nessas informações, é correto afirmar que a necessidade de financiamento foi igual a: a) 34.566 b) 45.848 c) 80.414 d) 11.282 e) 195.401 Gabarito: “B” Comentários: Já vimos exaustivamente a importância da identidade investimento (I) igual à poupança (S), retratada em FBCF + Ve = Sp + Sg + Se, onde o total dos investimentos da economia deve ser financiado pelo somatório das poupanças (interna e externa), independente da metodologia de Contas Nacionais utilizada. O lado direito da identidade é dado na questão como 184.087 (FBCF) + 11.314 (Ve), totalizando 195.401 ao passo que o lado esquerdo, representativo das necessidades de financiamento da economia (poupanças) é dado por 149.491 (Sp + Sg = poupança interna) mais as transferências recebidas do resto do mundo (91) menos aquelas enviadas ao resto do mundo (29), totalizando 149.553. A diferença a maior dos investimentos frente às poupanças deve ser prontamente financiada, ou seja, a economia tem necessidades de financiamento da ordem de 195.401 – 149.553 = 45.848. Em conformidade com o novo sistema de contas nacionais: Conta 3 – Conta de acumulação Conta 3.1- Conta de capital 184 087 11 314 29 (-) 45 848 Poupança bruta Formação bruta de capital fixo Variação de estoques Transferências de capital enviadas e recebidas do resto do mundo Capacidade (+) ou Necessidade (-) líquida de financiamento 149 491 91 Tabela 3 – Economia Nacional – Conta das transações do resto do mundo com a economia nacional - 2003 Usos(R$ milhões) Operações e Saldos Recursos (R$ milhões) Conta 1 – Conta de bens e serviços do resto do mundo com a economia nacional 254 832 Exportação de bens e serviços 225 680 Exportação de bens 29 153 Exportação de serviços Importação de bens e serviços Importação de bens Importação de serviços 1 556 182 Produto Interno Bruto 198 754 150 302 48 452 Conta 2 – Conta de distribuição primária da renda e transferências correntes do resto do mundo com a economia nacional 824 10 902 8 597 2 305 9 694 10 118 9 566 (-) 9 681 Saldo externo de bens e serviços Remuneração dos empregados Rendas de propriedade Juros Dividendos Outras transferências correntes enviadas e recebidas do resto do mundo Prêmios líquidos de seguros não- vida Indenizações de seguros não- vida Transferências correntes diversas Saldo externo corrente (-) 56 078 491 66 384 46 966 19 418 941 118 9 815 Conta 3 – Conta de acumulação do resto do mundo com a economia nacional Conta 3.1. Conta de capital Saldo externo corrente (-) 9 681 1624 Transferências de capital enviadas e recebidas 112 do resto do mundo Variações do patrimônio líquido resultantes de (-) 11 193 poupança e de transferências de capital (-) 11 193 Capacidade (+) ou Necessidade (-) líquida de financiamento Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais. Vejamos, para solidificar o conhecimento, uma questão elaborada pela ESAF, no último concurso para o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal. (ESAF/AFRF – 2005) Considere os seguintes dados, extraídos de um sistema de contas nacionais – conta de bens e serviços – que segue a metodologia atualmente no Brasil ( em unidades monetárias): Produção total: 1.323 Importação de bens e serviços: 69 Impostos sobre produtos: 84 Consumo final: 630 Formação bruta de capital fixo: 150 Variação de estoques: 12 Exportação de bens e serviços: 56 Com base nessas informações, o consumo intermediário dessa economia foi a) 700 b) 600 c) 550 d) 650 e) 628 Gabarito: “E” Comentários: Importante observar que a questão mencionou a metodologia nova (atualmente em vigor no Brasil) através da conta de bens e serviços Tabela 1 – Economia Nacional – Conta de bens e serviços Recursos (R$ milhões) Operações e Saldos Usos (R$ milhões) 1.323 Produção 69 Importação de bens e serviços 84 Impostos sobre produtos Consumo Intermediário CI=? Despesa de consumo 630 final Formação bruta de 150 capital fixo Variação de estoques 12 Exportação de bens e 56 serviços 1476 Total Da tabela, vem: 1.323 + 69 + 84 = CI + 630 + 150 + 12 + 56 1.476 = CI + 848 CI = 628 Agora façamos se utilizando da metodologia antiga de Contas Nacionais. Já sabemos da conta de produção, a qual identifica as transações da atividade produtiva, que a oferta é igual à produção. Conta de Produção. Débito Crédito +Produto Interno Bruto (PIB) a custo + Consumo Final das Famílias de fatores + Consumo Final das Administrações + Remuneração dos empregados Públicas + Excedente operacional bruto + Formação Bruta de Capital Fixo + Tributos indiretos + Variação de estoques - Subsídios + Exportação bens/serviços não fatores - Importação bens/serviços não fatores PIB a preços de mercado Despesa interna bruta a preços de mercado Dessa forma, nossa conhecida identidade Y = C + I + G + X – M fica de certa forma transformada pelas óticas da demanda e da oferta. Assim, da ótica da oferta, ao valor total da produção, agrega-se as importações e a tributação sobre os produtos (1.323 + 69 + 84) e do lado da demanda aparece o requerido consumo intermediário mais a demanda final ( 630 + 150 + 12 + 56 + Consumo intermediário) . Logo, consumo intermediário é igual a 628. A assertiva “E” está correta. CAPÍTULO 03: MACROECONOMIA KEYNESIANA. HIPÓTESES BÁSICAS. AS FUNÇÕES CONSUMO E POUPANÇA. DETERMINAÇÃO DA RENDA DE EQUILÍBRIO. O MULTIPLICADOR KEYNESIANO. OS DETERMINANTES DO INVESTIMENTO. Página 48, SUBSTITUIR ... No caso de uma economia aberta, temos a presença de X e M onde.... ATÉ...Observe que o multiplicador para a economia aberta é menor do que o observado na economia fechada, considerando a mesma propensão marginal a consumir e a mesma alíquota de imposto. POR... 3.2.5 A ECONOMIA ABERTA: O RESTO DO MUNDO – O CASO DAS EXPORTAÇÕES LÍQUIDAS No caso de uma economia aberta, temos a presença de X e M onde X: exportações exógenas M: importações dependentes da renda: mY O modelo completo, com o resto do mundo, é assim registrado: Y = 1/ ( 1- c) . (C0 + I + G – tY + X – mY) Estamos admitindo que as exportações (X) são independentes e que as compras (importações) (M) dependem, ou melhor, são induzidas pela variável renda (Y). Como no equilíbrio Y = DA e sendo DA = C + I + G + X – M Temos: Y = C0 + c(Y - tY) + I + G + X – mY Y = C0 +cY - ctY + I + G + X - mY Y - cY +ctY + mY = C0 + I + G + X Y ( 1 – c + c.t + m) = C0 + I + G + X Y ( 1 – c + ct + m) = C0 + I + G + X Y =1. C0 + I + G + X 1 - c ( 1-t) + m Portanto, o multiplicador passa a ser: K = 1 1 - c ( 1-t) + m Página 49/51 SUBSTITUIR o texto abaixo mais a questão ANPEC/2005 Trazemos nesse instante importante questão produzida em 2005, pela Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (ANPEC), para os candidatos ao ingresso nos cursos de Mestrado em Economia. A questão recapitula também importante identidade investimento/poupança, do capítulo sobre Contas Nacionais. POR... Trazemos nesse instante importante questão produzida em 2006, pela Fundação Carlos Chagas (FCC) para o concurso de Fiscal estadual de São Paulo. (FCC-ICMS/SP – 2006) Suponha que numa economia fechada, o comportamento do setor de bens e serviços possa ser descrito pelas seguintes equações do modelo keynesiano simples: C = 100 + 0,8Yd I = 250 + 0,15Y G = 300 T = 50 + 0,25Y onde: C = consumo de bens e serviços Y = renda Yd = renda disponível G = gastos do governo T = tributação Nessa economia, a) o multiplicador dos gastos do governo é igual a 4. b) o nível de renda de equilíbrio é 2.400. c) o governo tem um superávit de 350 no nível de renda de equilíbrio. d) o multiplicador da tributação é igual a 4. e) os investimentos apresentam certa elasticidade em relação à taxa de juros real. O modelo keynesiano advoga que Y = C + I + G ( economia fechada) e sabese que Yd = Y – T. Y = 100 + 0,8(Y – T) + 250 + 0,15Y + 300 Y = 100 + 0,8(Y – 50 – 0,25Y) + 550 + 0,15Y Y = 100 + 0,8(0,75Y – 50) + 550 + 0,15Y Y = 100 + 0,6Y – 40 + 550 + 0,15Y Y – 0,75Y = 610 Y(1 – 0,75) = 610 Y = 610 = 2.440 0,25 A assertiva “A” está correta, SEGUNDO A BANCA EXAMINADORA. No modelo keynesiano (que é o cobrado pela ESAF), não existe o termo propensão marginal a investir (d), pois a função keynesiana roga que os investimentos são exógenos, ou seja, I = I0. Em modelos keynesianos derivados, ajusta-se a função investimento para I como função direta da renda, ou seja, I = I0 + dY, onde: I = função investimento I0 = investimento autônomo d= propensão marginal a investir em que o multiplicador para os gastos autônomos seria: K = 1/ 1 – c(1-t) – d Logo, vem: K = 1/ 1 – 0,8(1-0,25) – 0,15 K = 1/ 1 – 0,8x0,75 – 0,15 K = 1/ 1 – 0,6 – 0,15 K = 1/ 0,25 K = 4. É importante repisar que no edital da FCC constava a possibilidade de modelos derivados do keynesiano. LETRA B: Já vimos que a renda de equilíbrio é 2.440 e não 2.400. LETRA C: O superávit do governo em conta-corrente é dado pelo excesso de arrecadação (T) face aos gastos governamentais (despesas correntes e de capital, ou seja, G e Ig). Dessa forma, temos que: T = 50 + 0,25.Y = 50 + 0,25.2440 = 50 + 610 = 660 (ao nível da renda de equilíbrio) G = 350 Logo, T – G = 660 – 350 = 310 Superávit de 310. LETRA D: O multiplicador da tributação é igual a K = - c/ 1 – c(1-t) – d K = - 0,8/ 1- 0,8.0,75 – 0,15 K = - 0,8/ 1 – 0,6 – 0,15 K = - 0,8/ 0, 25 K = -3,2 . Em valor absoluto, 3,2. LETRA E: A Função investimento ( I = 250 + 0,15Y) no modelo keynesiano não depende da taxa de juros, ou seja, não está em função dos juros e sim da renda. Dessa forma, para a função em tela, não existe elasticidade (sensibilidade) do investimento aos juros. Notas: **Modelo Keynesiano simplificado: (I = I0) Dessa forma, temos para uma economia fechada, multiplicador dos gastos autônomos: K = 1/ 1 – c(1 – t) Multiplicador da tributação: Kt = - c/ 1 – c( 1 – t) ***Modelo Keynesiano derivado: I = I0 + dY, onde: I = função investimento I0 = investimento autônomo d= propensão marginal a investir Multiplicador dos gastos autônomos: K = 1/ 1 – c( 1 – t) - d Multiplicador da tributação: Kt = - c / 1 – c( 1 – t) - d CAPÍTULO 04: TEORIA MONETÁRIA: OFERTA DE MOEDA E DEMANDA DE MOEDA. MEIOS DE PAGAMENTO, MULTIPLICADOR MONETÁRIO E BASE MONETÁRIA. INFLAÇÃO E EMPREGO. DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE PREÇOS. INTRODUÇÃO ÀS TEORIAS DA INFLAÇÃO. A CURVA DE PHILLIPS Página 63, SUBSTITUIR a passagem abaixo: M1 = PMP + DVbc M2 = M1 + títulos públicos M3 = M2 + depósitos de poupança M4 = M3 + títulos privados POR... M1 = PMP + DVbc M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos públicos M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas registradas no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) M4 = M3 + títulos públicos de alta liquidez ( Letras do Tesouro Nacional, Notas do Banco Central). Vejamos agora questão bem recente e literal do concurso da Escola Nacional de Administração Pública – ENAP, para o cargo de Economista. (ESAF/ENAP-2006) Com relação aos meios de pagamentos adotados no Brasil, é incorreto afirmar que: a) M1 é igual papel moeda em poder do público + depósitos à vista. b) o M2 inclui as operações compromissadas registradas na Selic. c) M2 inclui os depósitos especiais remunerados. d) o M1 é o agregado monetário de maior liquidez. e) o M4 inclui os títulos públicos de alta liquidez. Não há o que ser comentado. É suficiente que memorizemos as categorias mencionadas acima sobre o conceito amplo de meios de pagamento. Embora julgue difícil a ESAF se posicionar novamente com questões desse cunho, vale como fixação de conteúdo. A assertiva “B” está correta. CAPÍTULO 05: MODELO DE OFERTA E DEMANDA AGREGADA. A FUNÇÃO DEMANDA AGREGADA. AS FUNÇÕES DE OFERTA DE CURTO E LONGO PRAZO. A RIGIDEZ DOS REAJUSTES DE PREÇOS E SALÁRIOS. Página 93, inserir o quadro abaixo antes de Considerações finais MOEDA NAS ESCOLAS DO PENSAMENTO ECONÔMICO O objetivo deste pequeno artigo é fazer uma breve resenha das principais colaborações das escolas de pensamento econômico e, quando for o caso, explicitar as diferenças existentes entre elas. A idéia é mostrar como evoluiu o pensamento econômico a partir do monetarismo até os pós-keynesianos, deixando claro os momentos em que as diferentes escolas convergem e os momentos em que há uma total ruptura. Até o presente momento, apenas a banca examinadora NCE/UFRJ explicitou em editais a cobrança do tópico Moeda no Pensamento Econômico, de sorte que tal artigo só deve ser lido e estudado se o edital assim o explicitar. OS CLÁSSICOS Para a teoria clássica, a moeda aparece apenas como um elemento neutro, um véu a recobrir as atividades produtivas, não sendo considerado um ativo. Se, por um lado, ela é capaz de facilitar as transações entre coisas reais, por outro, é incapaz de interferir na produção dessas mesmas coisas. A moeda assume a função primordial de mera lubrificadora das trocas. O que interessa é gastar moeda, não há entesouramento da moeda. Variações nominais não são relevantes. Advogam a dicotomia clássica: moeda não tem qualquer interferência no mundo real ( a moeda é neutra). Os setores monetário e real são separados. Como resultado, alterações na quantidade de moeda não afetam os valores de equilíbrio das variáveis reais. Com variáveis reais independentes face a mudanças na quantidade de moeda, os clássicos argumentam que a moeda é neutra. OS KEYNESIANOS Keynes reconheceu o notável papel da moeda, não unicamente, mas também na produção. Keynes mostrou que a moeda pode assumir a função de reserva de valor (desprovido de qualquer sentido para os clássicos), isto é, transformarse em um objeto como outro qualquer do desejo dos agentes. A moeda é encarada como instrumento capaz de reter e transportar poder de compra no tempo, atenuando a incerteza produzida pelo futuro incerto. Dada a concepção de Keynes de que as firmas são agentes que desejam a moeda não só como um meio para obter mais mercadorias e realização de planos de pagamentos de salários, mas também como uma forma de manter uma determinada riqueza ao longo do tempo, pode-se concluir que tal fato é por si só suficiente para evidenciar a não neutralidade da moeda. A moeda além de representar a forma universal de riqueza, possui a capacidade de conservar valor no tempo. Para Keynes, a moeda afeta tanto no curto prazo quanto no longo prazo as decisões de gastos dos indivíduos (moeda não é neutra) e a política monetária não consegue persuadir os agentes econômicos a livrarem-se de moeda, revertendo assim suas decisões de gastos. Somente o Estado intervencionista constitui-se na solução keynesiana para a dinamização da demanda efetiva e, conseqüentemente, expandir os níveis de produto e emprego. A teoria monetária de produção de Keynes consiste em mostrar que a moeda, em uma economia monetária, exerce um papel essencial na dinâmica produtiva, afetando motivações e comportamentos dos agentes econômicos e, portanto, postergando as decisões de produção. Em outras palavras, em uma economia monetária, a moeda, tanto no curto prazo quanto no longo prazo, não é neutra no sistema econômico, pois diante de um processo de incerteza, ela se torna o elo entre o presente e o futuro, influenciando, assim, o ritmo de crescimento da atividade econômica a ponto, inclusive, de afetar as decisões de produção e consumo dos indivíduos. A moeda é ativo capaz de reduzir a insegurança que é gerada pelo futuro incerto deslumbrado pelos agentes. Único ativo capaz de transferir riqueza no tempo, o que permite que os agentes tenham flexibilidade para realizar planos a qualquer momento (capacidade de rever estratégias). A moeda como ativo mais líquido garante que sua posse salvaguarda todos os agentes da desconfiança e do desalento quanto às possibilidades da atividade econômica ao longo do tempo e que a riqueza mantida sob a forma mais líquida possível constitui-se na melhor trincheira contra o incerto. Se a liquidez da moeda não for posta em dúvida, os agentes aceitarão suas obrigações denominadas e descontáveis em dinheiro e os sistemas de contrato será construído. A existência de uma demanda por moeda como um ativo afeta a demanda (e preços) por outros tipos de ativos, formas alternativas de conservar riqueza com atributos diferentes. OS MONETARISTAS Para os monetaristas de Friedman, é elaborada uma nova versão da TQM em que a demanda por moeda depende da renda permanente (renda estável, proxy da riqueza), da taxa de juros (demanda por moeda depende do rendimento dos outros ativos), da inflação esperada e dos gostos e preferências. A demanda por moeda é positivamente relacionada com a renda permanente e negativamente com a taxa de juros e inflação esperada. Embora Friedman assuma que variações no estoque de moeda causem variações no nível de renda e emprego, mostra que o governo não deve praticar uma política monetária ativa em razão do “gap” existente entre a tomada de decisão e os efeitos na economia. A principal lição é que a política monetária poderá impedir que a própria moeda se torne uma fonte principal do distúrbio econômico. A política monetária poderá contribuir para a neutralização dos principais distúrbios do sistema econômico, que surgem de outras fontes e somente quando se mostrarem um perigo claro e presente. As autoridades monetárias devem se guiar pelas magnitudes que podem controlar e o total monetário talvez seja o melhor critério para a política monetária. Quanto às expectativas, Friedman assim como Keynes, assume que são adapatativas. O diferencial é que Friedman introduz a curva de Phillips na formação das expectativas. Sua versão de curva introduz a variável inflação esperada em substituição à taxa de salários nominais. Estabelece uma relação entre salários e inflação esperada. Uma variação no estoque de moeda não prevista pelos trabalhadores provocaria um trade-off inflação-desemprego no curto prazo. Após todos os ajustamentos e adaptações a economia estará de volta ao ponto de taxa natural de desemprego (longo prazo). Para Friedman e seus seguidores, na ausência de intervenções contínuas, a economia estará sempre gravitando em trono ou em direção a esta taxa. Não é só a competição que faz com que a economia se dirija a esse ponto. OS NOVOS CLÁSSICOS Os novos clássicos são monetaristas como Friedman. A grande diferença entre eles diz respeito à formação das expectativas. Enquanto para monetaristas os agentes formam expectativas olhando para trás (backward looking), para novos clássicos, os agentes formam suas expectativas olhando para frente (forward looking). É a idéia das expectativas racionais. No processo de formação das expectativas, todos os agentes econômicos levam em conta todas as informações para formarem suas expectativas em relação ao nível de preços. Por exemplo, se os agentes acreditam que variações no estoque de moeda levarão a variações no nível de preços e se há uma variação efetiva no estoque de moeda, os agentes esperarão uma variação de preços. Todos os agentes possuem a mesma teoria e esta os leva a uma interpretação correta da realidade. A versão, no entanto, não apregoa que os agentes sempre acertarão. Podem haver erros provenientes de uma informação incompleta como um choque de demanda, por exemplo. Para os novos clássicos, a moeda só não será neutra quando houver assimetria de informações enquanto que para Friedman a não neutralidade se dará graças ao estágio de ilusão monetária. Uma crítica a esse modelo é que os agentes não formam suas expectativas racionalmente e existem divergências entre os agentes acerca do modelo que melhor interpreta a realidade. Não se pode afirmar que agentes têm um único modelo e nem que este modelo seria, de fato, o modelo certo. No período de ilusão monetária, a taxa corrente de desemprego é menor que a taxa natural, pois os trabalhadores não percebem que o aumento de salários nominais se deu numa proporção inferior ao aumento dos preços. Os trabalhadores percebem uma variação relativa de preços e não absoluta, o que reforça a idéia de que os empresários podem remunerar os trabalhadores com salários reais mais elevados. Nesse estágio, a moeda é não neutra. A partir do momento que percebem que o salário real não se elevou, desfaz-se a ilusão monetária e a moeda passa a ser neutra. Para Friedman, a moeda importa, influencia no lado real da economia, ainda que por alguns momentos (passageira). Para a Escola das Expectativas Racionais, só é possível influenciar no lado real se obtiver êxito em enganar (surpreender) os agentes, enquanto que para a Teoria dos Ciclos Reais, não é possível surpreender os agentes, isto é, variável surpresa tem peso nulo. OS NOVO KEYNESIANOS Enquanto Keynes acredita que as flutuações econômicas sejam explicadas pela ótica demanda efetiva, os novos keynesianos apostam que as flutuações econômicas são explicadas por imperfeições no mercado que fazem com que preços e salários sejam rígidos. Não se deve, entretanto, confundir a rigidez das variáveis com variáveis fixas. Novos keynesianos afirmam que variáveis rígidas são variáveis lentas ou viscosas. Quando há uma variação na demanda, a quantidade demandada também varia bem como o nível de preços, ainda que de forma lenta e desprezível. Rigidez não significa que os salários jamais caiam. E o fato deles sofrerem uma redução em determinadas circunstâncias não significa que sejam flexíveis. A noção de rigidez implica apenas que os trabalhadores, através de seu poder de barganha, procurarão resistir à redução dos salários. Há ocasiões, contudo, geralmente associadas a situações de crise endogenamente criadas ou deliberadamente precipitadas caracterizadas, portanto, por descontinuidades ou anormalidades em que os salários reais poderão sofrer redução. Exemplos típicos são mudanças abruptas em regimes políticos ou períodos prolongados de desemprego que reduzem o poder de barganha dos sindicatos. A posição defendida pelos novos keynesianos de que a moeda é neutra no longo prazo mas não no curto prazo é exatamente a compartilhada pelos clássicos (pré keynesianos) ao passo que para os novos clássicos a moeda é neutra também no curto prazo assumindo a dicotomia clássica mais seriamente do que os próprios clássicos. A TEORIA DOS CICLOS REAIS A partir do início dos anos 80, os novos clássicos passaram a concentrar suas explicações a respeito das flutuações econômicas nos chamados choques reais e não apenas nos choques monetários ( em que variações na oferta de moeda não antecipadas têm efeitos sobre as variáveis reais). Surge, então, a Teoria dos Ciclos Reais (TCR). Segundo essa teoria, se agentes são racionais, acabam por entender o momento em que a regra monetária será quebrada. Sendo assim, os policymakers perdem a capacidade de surpreender os agentes. Todas as variações na oferta de moeda são antecipadas. Advogam a (super) neutralidade da moeda. A política monetária não influencia variáveis reais (nem temporariamente), só provoca inflação. Quanto ao receituário de política monetária, aproximam-se de Friedman no sentido de se promover uma variação constante do estoque de moeda (regras). Como a inflação é governada pela taxa de expansão monetária e em razão dos agentes com expectativas racionais não poderem ser sistematicamente surpreendidos, política monetária antecipada não vai ser efetiva. As variáveis reais não podem ser influenciadas por variações antecipadas na oferta de moeda e se constituem num resultado notavelmente anti-keynesiano. As variações integralmente antecipadas na política monetária vão ser inoperantes para influenciar o nível de produto e emprego mesmo no curto prazo. A TCR não aceita a idéia de rigidez de preços dos novos keynesianos nem a ilusão monetária de Friedman. As flutuações ocorreriam em razão dos choques tecnológicos. Choques tecnológicos são todos os choques capazes de deslocar a função de produção mesmo que estes não sejam relacionados à tecnologia como, por exemplo, desastres ambientais, preço de energia, problemas sociais e políticos e regulações governamentais. Somente o choque de produtividade pode ser considerado de cunho tecnológico. As flutuações seriam então decorrentes de mudanças do lado da oferta e não do lado da demanda, como afirmam os novos keynesianos. Como alterações permanentes na renda não podem advir de choques monetários no mundo novo clássico em razão da (super) neutralidade da moeda, as principais forças que causam instabilidade devem ser creditadas a choques reais. Neutralidade monetária é uma propriedade importante da T.C.R. Em tais modelos, a neutralidade é aplicada tanto no curto prazo como no longo prazo. A T.C.R. exibiu uma correlação positiva entre moeda e produto, mas no sentido que a oferta de moeda está respondendo à atividade econômica do que o inverso. Rejeitam a interpretação monetarista ortodoxa da causalidade moedaproduto. OS PÓS-KEYNESIANOS O tema principal da economia pós-Keynesiana é o princípio da demanda efetiva. Segundo essa corrente, vivemos em um mundo incerto onde as ações são baseadas no desconhecimento ou na ignorância dos eventos que estão por vir uma vez que o conhecimento pleno é inalcançável. A existência de um ativo perfeitamente líquido (a moeda) permite que os agentes adiem a compra de bens de produção durante períodos de incerteza. Nesse ponto, tanto Keynes quanto pós-keynesianos convergem. A diferença é que, enquanto o primeiro dava atenção especial ao espírito empreendedor como fator primordial na decisão de investir, os pós-keynesianos se preocupavam com os problemas associadas com a criação, acumulação e alocação do excedente econômico. A capacidade de investir é tão importante quanto a vontade de investir. O espírito empreendedor por si só não garante o investimento. Os pós-keynesianos reconhecem a importância das instituições financeiras em atender a demanda por crédito dos capitalistas, o que facilitaria os gastos com investimento independentemente do nível de poupança e do poder de autofinanciamento da empresas oligopolísticas uma vez que estas podem estabelecer preços que proporcionam a formação de fundos internos. A natureza da endogeneidade da oferta de moeda é ponto de discussão entre pós-keynesianos e monetaristas. Para os primeiros, o alto grau de sofisticação do sistema bancário-financeiro faz com que a oferta de moeda se acomode às necessidades de transações, o que é uma reversão da causalidade entre moeda e gastos exposta pelos monetaristas. O desejo ex ante do setor privado por empréstimos do sistema bancário só poderá se tornar realidade se os bancos criarem a quantia de crédito necessária. Pós-keynesianos fazem uma crítica em relação à versão forte das expectativas racionais novo clássica. Basicamente esta crítica se refere à impossibilidade dos agentes econômicos conhecerem o verdadeiro modelo econômico. Essa versão das expectativas racionais não só supõe que as crenças dos agentes encontram eco na realidade como também assume que o mundo é ergódico,isto é, um mundo onde as informações do passado permitem que os agentes façam previsões relativamente seguras a respeito do futuro. A partir dos fundamentos teóricos de uma economia monetária de produção, os autores pós-keynesianso desenvolvem análises que se preocupam, essencialmente, com os “processos dos fenômenos econômicos” e que, para isto, consideram: o tempo histórico, o tratamento orgânico dos fatos econômicos, a heterogeneidade dos agentes econômicos, a influência das instituições na determinação dos resultados econômicos, a incerteza radical em relação ao futuro. CONCLUSÕES Depois de analisar as linhas gerais destas escolas de pensamento econômico, pode-se ver claramente que o legado de Keynes e dos clássicos continua vivo. Destas duas diferentes correntes, surgiram as escolas novo keynesiana, pós- keynesiana influenciadas por Keynes e escolas monetarista, novo clássica e de ciclos reais influenciadas pela escola clássica. O nascimento de cada uma dessas escolas veio confirmar, negar ou aperfeiçoar as idéias das escolas anteriores. A cada surgimento, novas questões e dúvidas são levantadas fazendo com que, hoje em dia, não se possa apontar qual delas é a melhor ou a mais proeminente. CAPÍTULO 07: MACROECONOMIA ABERTA. ESTRUTURA DO BALANÇO PAGAMENTOS. REGIMES CAMBIAIS.CRISES CAMBIAIS. DE Página 141, INCLUIR O TEXTO ABAIXO, LOGO APÓS O PRIMEIRO PARÁGRAFO: 7.2.2 COMPORTAMENTO DA BALANÇA COMERCIAL NOS ÚLTIMOS ANOS Sobre o conceito da balança comercial e o seu comportamento nos últimos anos, vamos tecer algumas considerações relevantes no campo teórico que podem servir de instrumento para eventuais questões formuladas pela banca, uma vez que não se apurou até o momento questões passadas sobre o tema. Temos as transações dos residentes com os não-residentes, isto é, as transações do país com o resto do mundo, em que estão computadas, dentre outras, as negociações de exportações (X) e importações (M) de bens. As exportações (X) são as vendas ao mercado externo, ou seja, as compras de bens e serviços nacionais pelo resto do mundo. Geram divisas para o país, isto é, entrada de recursos. Já as importações refletem as compras de produtos e serviços estrangeiros pelos residentes, pelos nacionais. Acarretam saída de divisas, isto é, saem recursos nacionais (Reais) para adquirir mercadorias do resto do mundo. Mais de uma década após a estabilização econômica do país, algumas questões emblemáticas provenientes da sobrevalorização cambial e da abertura dos mercados parecem ter sido, de certa forma, superadas. Os déficits na balança comercial converteram-se, desde 2001, em crescentes e expressivos superávits. Em realidade, os déficits em produtos de alta e média intensidade tecnológica foram compensados por expressivos superávits em commodities primárias e produtos intensivos em mão-de-obra e recursos naturais e de baixa intensidade tecnológica. Podemos aqui delimitar os fatores que contribuíram para esse resultado mais substancial da balança comercial doméstica, a saber: desvalorização cambial para um nível mais competitivo, aumento dos preços internacionais das commodities (em 2003), inserção do país em novos mercados e o desaquecimento do mercado interno até 2006. Caber repisar que, ainda que não se possa manter o alto nível de preço das commodities e se observe recentemente um processo de aquecimento da economia, não é de se esperar que déficits na balança comercial voltem a se operar. A discussão mais relevante no momento tange à qualidade da pauta de comércio exterior do país no sentido de se incrementar o conteúdo tecnológico das exportações domésticas. O paradigma dominante sobre os determinantes do comércio internacional afirma que o comércio Norte-Sul deve-se às tradicionais vantagens comparativas determinadas pela dotação de fatores de produção dos países e está associado ao comércio interindustrial ao passo que o comércio NorteNorte baseia-se em economias de escala e diferenciação de produto e está, notadamente, associado ao comércio intra-industrial. Dessa forma, os países em desenvolvimento são inseridos no comércio internacional via exportações de bens intensivos em recursos naturais e mãode-obra, com elevada participação de commodities, e importações intensivas em produtos de maior conteúdo tecnológico enquanto que os países desenvolvidos inserem-se nas exportações de bens intensivos em capital – mais sofisticados tecnologicamente e produzidos com tecnologias que exibem rendimentos de escala. Apesar de sua abundância em recursos naturais e mão-de-obra, o que confere ao país reconhecida competitividade nos bens que demandam maior dotação relativa desses fatores, o tamanho do mercado doméstico permite que as firmas instaladas atinjam escalas de produção ótimas para torná-las competitivas na produção de bens em que rendimentos crescentes de escala são determinantes da competitividade das firmas no mercado internacional. Conforme se desprende da Tabela 1, commodities primárias correspondem a quase 40% do total da pauta de exportações brasileiras e pouco mais de 30% estão centrados em produtos de média e alta intensidade tecnológica contra os 60% da participação desse conteúdo de produtos nas exportações mundiais1. Vale anotar que, nos anos mais recentes, houve sofisticação mais intensa na pauta de importações do que na de exportações nacionais. Os principais bens de alta intensidade tecnológica exportados pelo Brasil são as aeronaves, aparelhos celulares e produtos químicos orgânicos. Já as exportações de média intensidade tecnológica atendem pelos produtos do setor automotivo, motores e peças para motores além de máquinas e equipamentos elétricos. 1 Segundo a UNCTAD (United Nations Conference for Trade and Development), são exemplos de produtos de alta intensidade tecnológica, produtos farmacêuticos e produtos de química fina, aviões. Os produtos de média intensidade correspondem, entre outros, equipamentos mecânicos, automóveis e máquinas elétricas. Já, produtos de baixa intensidade, representam os produtos de metal e suas obras. Papel até produtos da indústria têxtil são exemplos de produtos intensivos em mão-de-obra e recursos naturais. E, finalmente, as commodities primárias incluem carnes, óleos vegetais e produtos da indústria alimentícia até metais ferrosos e não-ferrosos. O panorama descrito na Tabela 2, a seguir, ilustra a especialização regional do comércio brasileiro, sinalizando que o país exporta produtos de alta intensidade tecnológica para mercados competitivos como o norte-americano. Todavia, em linhas gerais, os países desenvolvidos exportam para o Brasil produtos, eminentemente, de alta e média tecnologia, fazendo com que os superávits domésticos com tais países sejam ancorados em commodities e produtos intensivos em mão-de-obra e recursos naturais. Cabe repisar, de uma vez por todas, que a baixa intensidade tecnológica das exportações brasileiras se contrasta com a maior intensidade tecnológica das importações domésticas. Nessa direção, o Brasil tem assumido um perfil de país em desenvolvimento, ainda “engatinhando” no processo competitivo, capaz de se inserir internacionalmente via diversificação da pauta de exportações em direção a produtos de maior conteúdo tecnológico. Em primeiro lugar, produtos mais intensivos em conhecimento apresentam elasticidade-renda superior à das commodities e, por tabela, potencial de crescimento maior quando a renda mundial aumenta. Em segundo lugar, atividades intensivas em tecnologia geram barreiras à entrada para outros competidores, proporcionando às empresas inovadoras poder de mercado e rendas extraordinárias. E, finalmente, estas atividades geram maior potencial de aprendizado e de ganhos de produtividade, com efeitos multiplicadores para trás e para frente da economia. O Brasil é um país muito competitivo, no comércio internacional, em produtos intensivos em trabalho e recursos naturais além das commodities, isto é, produtos de menor valor agregado. Tais produtos foram determinantes para impulsionar o substancial incremento quantitativo das exportações nos últimos tempos. Contudo, dado que o comércio mundial está centrado em produtos de maior valor agregado (conteúdo tecnológico superior), a pauta doméstica se vê muito aquém do padrão mundial e pouco dinâmica. Além disso, temos que relatar a assimetria existente entre a pauta de exportações do país e sua pauta de importações, muito mais intensiva em tecnologia. 7.2.4 NOVO BALANÇO DE PAGAMENTOS A) Balança Comercial B) Balança de Serviços e Rendas De acordo com a classificação adotada na metodologia na 5ª edição do Manual de Balanço de Pagamentos do FMI, o agrupamento serviços foi alterado quanto a sua composição. Itens anteriormente alocados como serviços migraram para outras contas. Como exemplo, pode-se citar os salários e ordenados que passaram a compor o item rendas e operações com derivativos que ganharam uma categoria própria inserida na conta financeira. C) Transferências Unilaterais ( donativos em divisas ou mercadorias) D) Saldo em conta corrente do Balanço de Pagamentos = A + B + C E) Contas de Capitais ou Conta Financeira Transferências unilaterais de capital (receita e despesa) compreendem os ingressos e remessas para o exterior a título de transferências de patrimônio de migrantes. Anteriormente à 5ª edição do Manual de Balanço de Pagamentos, esses valores eram alocados em transferências correntes. Bens não financeiros não produzidos relaciona-se com a venda ou compra de marcas ou patentes. Esta série iniciou-se em 2000, quando foram criados os códigos de natureza das operações para a cessão de marcas e patentes. Anteriormente, só existia a codificação para a licença de uso de marcas e patentes (alocadas em serviços – royalties e licenças). E.1) Investimentos diretos líquidos Representa o somatório dos valores líquidos de investimento brasileiro direto no exterior e investimento estrangeiro direto no Brasil. Compõem os investimentos diretos a participação no capital de empresas e os empréstimos intercompanhia. E.2) Investimentos em carteiras Registra os fluxos líquidos de ativos: (Investimento brasileiro em carteira - IBC) e passivos (Investimento estrangeiro em carteira - IEC), constituídos por valores mobiliários comumente negociados em mercados secundários de títulos. E.3) Derivativos Registra os fluxos financeiros relativos à liquidação de haveres e obrigações decorrentes de operações de swap, opções e futuros e os fluxos relativos aos prêmios de opções. Não inclui os fluxos de depósitos de margens de garantia vinculados às operações em bolsas de futuros, alocados em outros investimentos de curto prazo. E.4) Outros investimentos Representa o somatório dos valores líquidos dos ativos e passivos relacionados a créditos comerciais, empréstimos e financiamentos, moeda e depósito e outros ativos e passivos a curto e a longo prazos. Compreendem outros investimentos brasileiros e outros investimentos estrangeiros. F) Erros e Omissões G) Saldo do Balanço de Pagamentos ( D + E + F) H) Haveres da Autoridade Monetária Representa a variação das reservas internacionais do país, no conceito de liquidez internacional, deduzidos os ajustes relativos a valorizações/desvalorizações das moedas estrangeiras em relação ao dólar americano e os ganhos/perdas relativos a flutuações nos preços dos títulos e do ouro. Um sinal negativo indica aumento nos haveres. Vejamos importante questão sobre a nova metodologia do Balanço de Pagamentos do Brasil. (ESAF/MPOG-2003) A partir de janeiro de 2001, o Banco Central do Brasil passou a divulgar o balanço de pagamentos de acordo com a metodologia contida no Manual de Balanço de Pagamentos do Fundo Monetário Internacional. Não faz parte das alterações introduzidas na nova apresentação: a) introdução, na conta corrente, de clara distinção entre bens, serviços, renda e transferências correntes, com ênfase no maior detalhamento na classificação dos serviços. b) introdução da “conta de capitais” em substituição à antiga “conta financeira”. c) estruturação da “conta de rendas” de forma a evidenciar as receitas e despesas geradas por cada uma das modalidades de ativos e passivos externos contidos na conta financeira. d) inclusão, no item investimentos diretos, dos empréstimos intercompanhias. e) reclassificação de todos os instrumentos de portfólio, inclusive bônus, notas e commercial papers, para a conta de investimentos em carteira. A assertiva “A” está correta porque de acordo com a classificação adotada na metodologia na 5ª edição do Manual de Balanço de Pagamentos do FMI, o agrupamento serviços foi alterado quanto a sua composição. Itens anteriormente alocados como serviços migraram para outras contas. Como exemplo, pode-se citar os salários e ordenados que passaram a compor o item rendas e operações com derivativos que ganharam uma categoria própria inserida na conta financeira. A assertiva “B” está incorreta porque está invertida. De fato, o que se sucedeu foi a substituição da “conta de capitais” pela “conta financeira”. A assertiva “C” está correta. A assertiva “D” está correta porque os investimentos diretos representam o somatório dos valores líquidos de investimento brasileiro direto no exterior e investimento estrangeiro direto no Brasil. Compõem os investimentos diretos a participação no capital de empresas e os empréstimos intercompanhia. A assertiva “E” está correta porque investimentos em carteiras registram os fluxos líquidos de ativos: (Investimento brasileiro em carteira - IBC) e passivos (Investimento estrangeiro em carteira - IEC), constituídos por valores mobiliários comumente negociados em mercados secundários de títulos. CAPÍTULO 09: A ECONOMIA INTERTEMPORAL. O CONSUMO E O INVESTIMENTO NUM MODELO DE ESCOLHA INTERTEMPORAL. A RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA INTERTEMPORAL DAS FAMÍLIAS. A RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA INTERTEMPORAL DO GOVERNO E A EQUIVALÊNCIA RICARDIANA. Página 181, INCLUIR.... 9.2.2 CONCEPÇÕES DA DÍVIDA PÚBLICA 9.2.2.1 A Visão Tradicional A concepção tradicional da dívida pública sustenta que esta dívida reduz a poupança nacional e inibe a acumulação de capital. Um corte nos impostos, financiado através de aumento na dívida pública via emissão de títulos públicos, repercute de várias formas na economia. O efeito imediato seria um estímulo às despesas de consumo, com aumento de renda agregada às custas de maior endividamento público (leia-se aumento de dívida pública). A redução da poupança nacional, decorrente do corte nos impostos, significará um menor estoque de capital e uma maior dívida externa. Portanto, o produto nacional será reduzido e dependente do financiamento estrangeiro. As gerações presentes se beneficiam de um nível de renda e de emprego maior, embora a inflação também aumente. Ocorrerá deslocamento do ônus tributário para as gerações vindouras. A concepção tradicional apresenta as restrições de crédito (liquidez) dos consumidores para combater o modelo da renda permanente. Esses agentes só podem consumir a renda corrente. Além disso, existe a perspectiva de que o ônus do incremento futuro dos impostos venha a recair sobre as gerações futuras. 9.2.2 A Equivalência Ricardiana A concepção alternativa, a chamada equivalência ricardiana, por sua vez, roga que a dívida pública não influi sobre as poupanças e sobre a acumulação de capital. A equivalência ricardiana se alimenta da convicção que uma redução tributária hoje (incremento da dívida pública presente) será inevitavelmente compensada por novo aumento de carga de impostos amanhã (desincremento da dívida pública futura), o que não motivará variações no nível de consumo total, que é função da renda permanente das famílias. A concepção ricardiana sinaliza que o agente irá guardar o ganho obtido com o corte tributário de sorte a capitalizar o mesmo na poupança, já que os impostos voltarão a crescer, o que diminui a sua renda disponível. O consumidor atento ao futuro percebe, nas entrelinhas, que o endividamento público do presente significa um incremento da carga tributária mais à frente. Não se verifica redução da carga de impostos permanente. Ocorre um deslocamento, um remanejamento. A renda permanente do agente não se modificou e, portanto, o consumo não se alterou. As famílias poupam o acréscimo na renda disponível para poder custear o pagamento futuro de impostos. Este aumento da poupança privada apenas compensa a redução na poupança pública. A poupança nacional, o somatório das poupanças pública e privada, se mantém a mesma. Admitimos, portanto, a neutralidade da dívida pública, uma vez que seu aumento é percebido pelos agentes como um incremento futuro nos impostos, de sorte que o consumo presente se mantém constante. Os simpatizantes e adeptos da visão ricardiana sustentam os pressupostos no sentido de as gerações futuras serem filhos e netos da geração atual e, portanto, não podem ser considerados agentes independentes. Pensem na questão ilustrativa da herança. Vejamos um quadro comparativo sobre as duas concepções da dívida pública. Concepção tradicional da dívida Concepção alternativa da dívida pública pública – Equivalência Ricardiana Consumo = f( renda corrente ou atual) Consumo = f( renda permanente) Presença de restrições ao crédito Ausência de restrições ao crédito Dívida pública afeta poupança Dívida pública não afeta poupança nacional nacional Consumidor egoísta e imprudente Consumidor consciente e prudente Cabe repisar que as questões se repetem nos diversos concursos. Vejamos questão arrolada abaixo elaborada de forma idêntica por bancas examinadoras diferentes. (ANPEC/2003 e ESAF/STN-2000) Assinale a assertiva incorreta, relativa à equivalência ricardiana e ao déficit público. a) Segundo a “equivalência ricardiana”, uma redução de impostos não exerce impacto algum sobre as decisões de consumir, caso os planos de gastos governamentais permaneçam inalterados. b) A “equivalência ricardiana” não se aplica se houver restrições ao crédito para as famílias. c) Uma maneira de testar a equivalência ricardiana é verificar se o consumo das pessoas depende da renda disponível ou da renda permanente. d) A hipótese de que os consumidores são indiferentes ao bem-estar das gerações futuras enfraquece a teoria da equivalência ricardiana. e) De acordo com a proposição da equivalência ricardiana, dizer que os consumidores alteram seu consumo em resposta a uma redução nos impostos é o mesmo que dizer que a poupança privada cresce na mesma proporção que o déficit. Os agentes econômicos validam suas decisões de consumo com base não só na renda atual (corrente), mas também na renda que esperam ter no futuro (renda permanente). Com esse contexto delineado, redução dos impostos hoje – sem nenhum plano de gastos – representa aumento de impostos no futuro. A assertiva “A” está correta. Os agentes econômicos submetidos a restrições de liquidez irão sempre optar por aumentos nos gastos quando ocorrerem redução de imposto em vez de poupar o acréscimo de renda disponível para compensar os aumentos futuros de impostos. A equivalência ricardiana não se aplica nesse contexto. A assertiva “B” está correta. A equivalência ricardiana postula que os agentes estão sujeitos a uma restrição intertemporal e que o consumo depende da renda permanente de forma que alterações transitórias na renda não apresentam efeitos sobre o consumo. A renda disponível é a renda atual (corrente) após o pagamento dos impostos. A assertiva “C” está correta. Quando os consumidores estão convictos que o ônus tributário futuro dos impostos vai recair sobre as gerações futuras e os mesmos não nutrem nenhum sentimento quanto ao bem-estar dessas, um corte nos impostos deve estimular gastos presentes de consumo, porque estimula a geração atual gastar em detrimento da pior situação das gerações futuras. A equivalência ricardiana, por sua vez, roga que as gerações futuras são filhos e netos da geração atual e não devem ser tidos como agentes independentes, exógenos. A família continua indefinidamente. Não se consome, portanto, o acréscimo de renda gerado pelo corte de impostos, fazendo recurso à poupança para as gerações futuras que arcarão com o ônus tributário mais evidente. A alternativa “D” está correta. A equivalência ricardiana (concepção alternativa da dívida pública) sustenta que a dívida pública não influi sobre as poupanças e acumulação de capital. Os consumidores julgam que uma redução tributária será inevitavelmente compensada por novo aumento de carga tributária no futuro, o que não motivará variações no nível de consumo total, que é função da renda permanente das famílias. Não se verifica redução da carga tributária de impostos. Ocorre um deslocamento, um remanejamento. A assertiva “E” está incorreta. Página 184, incluir a seção abaixo, antes das Considerações finais: 9.3.3 RESTRIÇÃO INTERTEMPORAL DE UMA NAÇÃO Imaginemos, primeiramente, que Y represente o somatório dos bens e serviços produzidos internamente em um dado território num certo tempo e C sinalize o já conhecido gastos de consumo dos agentes com esses bens e serviços. Em um segundo momento, reconheça que a nação exporta bens para o resto do mundo (X), ou seja, o exterior compra mercadorias do país em questão. Ao mesmo tempo, existem as importações (M) que são as compras realizadas pelo citado país ao resto do mundo. Temos, portanto, aqui, a balança comercial (BC). Sabemos também que a oferta de bens e serviços (disponibilidade de produtos) é dada pelo somatório da produção interna (Y) com as importações (M): Y + M ao passo que a demanda agregada de bens é gerada pela soma da demanda interna ( C) com a externa (X): C + X. Y+M=C+X Y=C+X–M Substituindo-se X – M por BC: Y = C + BC Isolando-se C: C = Y – BC Observa-se que o consumo pode ser maior que o permitido pela produção em razão de maiores importações, o que acarreta déficits na balança comercial. Logo: C > Y pois BC <0. A interpretação que se faz é que parte do consumo será financiada pela poupança externa, ou seja, os superávits comerciais dos outros países irão financiar os gastos a maior dessa nação hipotética. Com o surgimento de déficits comerciais, há necessidade de captação de recursos externos que estejam disponíveis nos mercados financeiros internacionais, ou seja, a poupança externa (poupança dos países superavitários em conta corrente) será utilizada e atraída para fechar o rombo das contas. Poupança externa representa recursos do resto do mundo aplicados nos mercados financeiros como a compra de ativos junto a instituições financeiras privadas internacionais ou a aquisição de títulos de dívida pública de países com ganhos consideráveis em razão do risco assumido. O país em questão respeita a restrição orçamentária intertemporal de sorte que o endividamento frente ao resto do mundo no período atual deverá ser honrado no período futuro. Daí, a franca necessidade do manejo da balança comercial para a obtenção de superávits capazes de quitar os empréstimos assumidos. 9.3.3.1 ESQUEMA PONZI Retrata a situação em que o país incorre em déficit de forma definitiva, tomando empréstimos novos para quitar os pretéritos, incorrendo em mais juros, o que acarreta novo déficit, incrementando cada vez mais o endividamento. Os credores internacionais podem inferir que a capacidade do país honrar seus compromissos financeiros é bastante suspeita, o que leva a negativa de novos empréstimos, provocando um verdadeiro efeito dominó de colapso e bancarrota nas contas externas. Vejamos importante questão sobre o tema elaborada pela ESAF para o concurso da Receita Federal em 2002. (ESAF/AFRF-2002.I) Considere a restrição orçamentária intertemporal de um país, representada pela equação a seguir: C1 + C2/(1 = r) + ... = (1 + r)B0 +(Q1 – I1) + (Q2 – I2)/(1 + r) +.... Onde: Ci = consumo no período i (i = 1,2,...) Qi = produção no período i (i = 1,2,...) I1 = investimento no período i (i=1,2,..) r = taxa real de juros B0 = estoque de ativos externos no período zero Considerando que Bci = Qi – Ci – Ii, onde BC representa o saldo comercial do país no período i (i = 1,2,...) e supondo a condição de “exclusão do esquema Ponzi”, é correto afirmar que: a) se o país é devedor líquido e deve (1 +r).D0, onde D0 = - B0, esse país deverá declarar moratória da divida se apresentar déficit comercial em mais de um período. b) a condição “exclusão do esquema ponzi” descarta a possibilidade do país ser devedor em qualquer período. c) BC pode ser negativo em todos os períodos, independente do valor de (1+r)B0, uma vez que está garantida a hipótese de não existência do esquema ponzi. d) se o país é devedor líquido e deve (1 +r).D0, onde D0 = - B0, esse país deverá ter superávits comerciais no futuro para que a condição de “exclusão do esquema ponzi” seja válida nesse modelo. e) a condição “exclusão do esquema ponzi” indica que o país deverá apresentar equilíbrio no balanço de pagamentos em todos os períodos. O “Esquema Ponzi” refere-se à situação em que o país toma empréstimos pata pagar os anteriores, incorrendo assim em uma verdadeira bola de neve de juros, o que acarreta em déficits cada vez maiores, ocorrendo múltiplos endividamentos. A suspeita de incapacidade de honrar as dívidas pode levar à negativa de concessão de novos empréstimos, trazendo um colapso sem precedentes nas contas externas. “Exclusão do esquema Ponzi” representa literalmente que o país respeita a restrição orçamentária da nação e entende que um endividamento externo no período presente deverá ser quitado no período futuro, ou seja, o país deve gerar superávits comerciais para pagar tais empréstimos. A assertiva “D” está correta. SUBSTITUIR TODO O CAPÍTULO..... CAPÍTULO 11: PONTOS DETERMINANTES DE CADA AULA E POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O PRÓXIMO CERTAME – ASPECTOS CONCLUSIVOS. POR..... CAPÍTULO 11: DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO NO PÓS-GUERRA E ECONOMIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA. Embora a banca ESAF não tem cobrado dos candidatos o conhecimento do desenvolvimento brasileiro no pós-guerra, existem algumas bancas de alguns concursos fiscais estaduais que têm reiteradamente cobrado a disciplina. Além disso, a própria ESAF tem exigido tal conhecimento em concursos como o de Analista e Especialista do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG/2008). Dessa forma, sem pretender substituir qualquer material relevante de Economia Brasileira, procuramos, nesse último capítulo, tecer breves considerações sobre os pontos fundamentais da temática Desenvolvimento Brasileiro no Pós-Guerra e Economia Brasileira Contemporânea. 11.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO PÓS-GUERRA: DESIGUALDADES INTRAREGIONAIS E INTERREGIONAIS A fase desenvolvimentista do pós-guerra permitiu às regiões apresentarem taxas de crescimento econômico mais robustas, sinalizando a capacidade de incorporar alto contingente de novas populações ao setor produtivo. Até mesmo a década de 1980 (reconhecida como “década perdida”), quando a intervenção estatal vê sua pior crise e o país se rompe em processos de hiperinflação e saídas volumosas de capitais para fazer frente ao serviço da dívida externa, o desempenho econômico foi superior ao do início dos anos 90. A atuação decisiva do planejamento governamental entre 1960 e 1985 foi decisiva para o processo de desconcentração espacial das atividades produtivas no país, revertendo uma tendência histórica de concentração econômica na região Sudeste (leia-se São Paulo2). A alteração do modelo econômico a partir da década de 90 – ancorada em maior integração à economia mundial (abertura comercial e financeira, desregulamentação dos mercados) e menor intervenção do aparato estatal – não foi capaz de elevar a taxa de crescimento da economia tampouco garantir a desconcentração produtiva em caráter espacial. Os sinais de exaustão e da crise das finanças públicas indicavam que a intervenção estatal como operacionalizada nas décadas anteriores tinha chegado ao fim e estavam comprometidas as mudanças radicais nas estruturas produtivas e de emprego de várias regiões do país. Para integrar-se plenamente ao novo modelo de economia global, os atores privados consolidaram definitivamente a estrutura de concentração em termos regionais, fechando filiais em locais periféricos, obtendo ganhos de escala e aglomeração que só a região mais desenvolvida poderia fornecer. Dessa forma, os processos de modernização e ganhos tecnológicos tenderiam a promover reconcentrações de plantas produtivas nas regiões Sudeste e Sul do país, atraídos também pelo Mercosul. A ampliação da fronteira agrícola – pelo crescimento da área plantada para a produção de grãos exportáveis (soja, arroz etc) – em direção ao Centro Oeste e Norte do país poderia atenuar este processo de concentração. Todavia, as ligações diretas do comércio exterior das regiões com os mercados mundiais poderiam significar fragmentação do mercado interno nacional em função da possibilidade de reduzir as inter-relações setoriais que se dão entre as diversas regiões. Sob o prisma dos desequilíbrios espaciais da federação brasileira, os desafios para a minoração das disparidades entre estados e regiões continuaram. Mesmo a partir de 1994, com o Plano Real e as reformas que lhe sucederam, por conta da continuidade da crise fiscal do Estado, a capacidade governamental de realizar gastos em investimentos bem como estimular o setor privado a arranjos macroeconômicos de plantas industriais em regiões de menor potencial de mercado e renda mais baixa (regiões Norte e Nordeste) não obtiveram êxito. Destacamos agora os fatores que impediram o sucesso da desconcentração espacial das atividades e rendas da economia: i) os níveis de investimento alcançados na década de 90 não foram suficientes para gerar trajetória sustentada de crescimento no país: mantiveram-se abaixo, em valores reais, aos níveis prevalecentes nos anos 80; ii) o investimento público direto perdeu seu papel de ativador do crescimento regional sem que, entretanto, fosse substituído pelo investimento privado; iii) o crédito público não se restabeleceu suficientemente para compensar a queda do investimento governamental além dos instrumentos explícitos de política regional terem perdido importância relativa; iv) o quadro de maior liberalização econômica e de queda no investimento público, prevalecente desde o início dos anos 90, tem contribuído para o 2 A expansão e consolidação do complexo agroexportador da cafeicultura no estado de São Paulo desde fins do século XIX engendrou um processo de industrialização localizado, concentradamente, no município de São Paulo, o qual viria a definir nas décadas posteriores o próprio crescimento do mercado interno nacional e também, uma redefinição, em escala nacional de que regiões ficariam com quais atividades produtivas. conservadorismo na decisão do setor privado em investir de modo desconcentrado no espaço nacional: aproximadamente 75% do volume de recursos associado às intenções privadas de investimento destinam-se preferencialmente para as regiões Sudeste e Sul. 11.2 O MILAGRE ECONÔMICO As reformas institucionais do Plano de Ação Econômica do Governo (Paeg), entre 1964 e 1966, em particular as reformas fiscais/tributárias e financeira, criaram condições para a aceleração do crescimento subseqüente. Um dos principais objetivos do Paeg foi promover um forte ajuste fiscal (redução de déficits fiscais) e, com isso, contribuir para o combate à inflação, gerando condições para maior poupança do governo, de forma a financiar os investimentos públicos e estimular o crescimento. A reforma tributária implementada garantiu maior arrecadação e racionalização do sistema, extirpando impostos em cascata e de pouca funcionalidade econômica como os impostos do selo. Substituiu-se o imposto estadual sobre vendas, incidente sobre o faturamento das empresas, pelo ICM, incidentes sobre o valor adicionado em cada etapa de comercialização do produto. Além disso, mecanismos de reajuste dos impostos com correção monetária garantiram ganhos de arrecadação real do governo. Sobre a importante reforma do sistema financeiro, vale lembrar que nos anos 60, o sistema financeiro nacional era deficiente e inexistia mercado de capitais. O controle monetário era precário, já que não havia um Banco Central. As elevadas taxas de inflação combinadas com a lei da usura (proibia juros nominais superiores a 12% ª a.) desestimulava a aplicação em títulos públicos. Com a criação do Banco Central e a instituição do instrumento da correção monetária, ocorreu um grande aprimoramento institucional da condução da política monetária e do financiamento dos déficits públicos. Outra medida estimulante foi a criação do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), formado pelo Banco Nacional da Habitação (BNH), pela Caixa Econômica Federal (CEF), pelas caixas econômicas estaduais, sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimo. Também foi criado o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O crescimento acelerado da construção civil não teria sido possível sem a criação do SFH com suporte do FGTS. O mesmo se aplica ao excelente desempenho da indústria automobilística e de bens de consumo duráveis em geral, para o qual foi de grande importância a expansão do crédito ao consumidor. No final dos anos 70, o longo ciclo de prosperidade econômica parecia estar com os dias contados, crescendo o número de críticos ferrenhos da presença marcante do Estado na economia. A administração Figueiredo lançou oficialmente uma comissão de Desestatização, contudo, poucas foram as empresas que transferiram para o setor privado sua direção. A atuação planejada do setor público no Brasil passou por alterações sensíveis nas últimas três décadas. Nos anos 70, os chamados Planos Nacionais de Desenvolvimento – PND I e II constituíram marcos na evolução da prática de planejamento. Seus objetivos e metas de curto, médio e longo prazos permitiram estruturar as necessidades dos agentes econômicos e da população em inúmeros programas e projetos, com um enfoque abrangente, orientado por uma macro-estratégia. Desde o final dos anos 60 e durante quase toda a década seguinte, o número de empresas estatais aumentou consideravelmente, com a criação de subsidiárias em setores antes exclusivos de empresas privadas, coincidindo com a transferência para as mãos do setor público de um grande número de empresas privadas, sob a égide do II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). A expansão do número e do escopo de atuação das empresas estatais nas décadas de 60 e 70 aumentou desmesuradamente a participação direta do Estado na economia, fazendo do setor produtivo estatal um gigante sem estrutura, foco e fora do controle das autoridades centrais. 11.3 ANOS 80: DÉCADA PERDIDA Desde a desorganização do padrão de financiamento do setor público, ainda nos anos 1980, o grande desafio para o crescimento vem sendo a substituição do antigo formato por uma nova configuração. Nos anos oitenta, as questões da economia brasileira, relacionadas à inflação e à dívida externa, eram tão graves que se priorizavam as decisões de curto prazo em detrimento de temas tradicionais como desequilíbrios regionais e distribuição da renda ou temas emergentes como a conservação e a preservação ambiental. Cabe repisar que o desenvolvimento do pós-guerra até o início dos anos 90, ou seja, todas as décadas de 60, 70 e 80, não presenciou nenhuma iniciativa de crescimento econômico ordenado, ou seja, crescimento econômico com desenvolvimento e inclusão social. Não houve nenhuma preocupação em atender minimamente o consumidor doméstico com produtos de qualidade e baratos. Em meados dos anos 80, a Nova República, promoveu o advento da privatização em um contexto de reformas liberalizantes para aperfeiçoar os fundamentos macroeconômicos e resolver a séria crise fiscal. Só que novamente os resultados do programa de privatizações foram pífios. A crise dos anos 1980 deu lugar a dois eventos de grande impacto, considerando o modo de funcionamento da economia das décadas anteriores. De um lado, a falência da estrutura de financiamento do setor público desordenou a capacidade do Estado em ser um elemento ativo na dinâmica do processo econômico. Ao contrário, os setores com predominância de empresas estatais passaram a enfrentar problemas de suprimento corrente de bens e serviços, e o financiamento foi travado ou praticamente desapareceu. De outro lado, os movimentos de abertura comercial dos anos 1980 (via exportações lastreadas na desvalorização cambial) e 1990 (redução de tarifas e barreiras institucionais) produziram a emergência de espaços para investimentos que, embora fragmentados em comparação ao mercado interno anteriormente organizado, representavam oportunidades para diversos agentes econômicos. 11.4 ANOS 90 E DÉCADA ATUAL O início deste novo século presencia justamente o choque entre duas formas de articulação econômica. De um lado, a dependência da ação estatal em determinados segmentos em que a transição para o empreendimento realizado pelo setor privado encontrou obstáculos ou não se completou adequadamente. De outro, um novo tipo de heterogeneidade da estrutura produtiva privada, mais referida ao resto do mundo, mais internacionalizada, mas nem por isso isenta da realidade de uma economia nacional, especialmente no que toca à infra-estrutura econômica. Na atual configuração da economia brasileira, o desafio que surge é dar conta do reordenamento de espaços entre as ações públicas e privadas, preservando o equilíbrio fiscal mas dando conta da necessidade de um patamar mais elevado de investimentos públicos, enquanto as condições institucionais não ganham os contornos necessários à plena atuação dos capitais privados. Logicamente, essa realidade deriva da especificidade histórica de desenvolvimento do capitalismo brasileiro e das formas de estruturação do setor público e das relações entre este e o aparelho econômico. O problema é que o investimento é um agregado macroeconômico que se concretiza em mercados específicos. Nesse âmbito, a realidade das complementaridades com outros investimentos e a necessidade de formas institucionais que sejam seguras aos olhos do investidor passam a ser expressivas. Nunca é demais notar que a economia brasileira tem um histórico de presença estatal superdimensionada no domínio econômico, não só como produtor de bens e serviços, mas também como regulador de preços, comércio exterior e de um grande conjunto de normas. Nesse contexto, é importante refletir mais sobre a interação entre ações, decisões de investir e investimentos dos setores público e privado. 11.5 FINANÇAS PÚBLICAS NO BRASIL: EXPERIÊNCIAS RECENTES ENTRE 1994/2007. Aqui aproveitamos a oportunidade e extraímos do nosso livro Finanças Públicas para Concursos, literalmente o fragmento do texto Finanças Públicas no Brasil no período 1994/2007. Senão vejamos! O período Collor/Itamar Franco (primeiros anos da década de 90) é marcado por um esforço fiscal de resultados primários, estimulados pela inflação galopante, que permitia ao governo acomodar as pressões por mais gasto, deixando-as serem depois parcialmente corroídas pela inflação. Em suma, a melhora do resultado primário foi ancorada na alta inflação que ajustava o valor das despesas reais em função dos objetivos fiscais em um ambiente de receitas razoavelmente indexadas à inflação. O período 1995/1998 (primeiro mandato de FHC) sucede o tumultuado início dos anos 90, em que se observava um déficit operacional das contas públicas artificialmente camuflado por uma inflação galopante (processo hiperinflacionário aberto). Em 1995, o mecanismo de “mascarar” as contas públicas pelo fenômeno inflacionário se exauriu e a displicência no controle da máquina pública se fez notar com toda a grandeza. Os anos 1994/98 são tidos como de transição e são marcados por um resultado primário das contas públicas modesto ou até mesmo deficitário e, em função dos juros, a dívida pública cresceu e se tornou de certa forma preocupante. A dívida líquida do setor público (DLSP) que, no advento do Plano Real (1994) era de 30% do PIB, alcançou a cifra de 40% do PIB em 1998. O déficit primário de 0,2% do PIB na média de 1995/98 somado às despesas de juros da ordem de 6% do PIB geraram um déficit nominal médio de 6,2% do PIB. Já o período 1999/2002 (segundo governo FHC), tido como fase do ajustamento, houve um forte arrocho fiscal e o governo obteve superávits primários robustos, que só não foram ainda mais expressivos em função de certa desconfiança no cenário externo da sustentação do ajuste, o que impedia a queda das taxas de juros, gerando uma carga de despesas financeiras e déficits elevados, que ainda alimentavam a dívida pública. O expressivo aumento dívida pública associada à taxa de câmbio e o reconhecimento de passivos contingentes (esqueletos) acabaram elevando a dívida pública para mais de 50% do PIB no final de 2002. Esse ambiente, de forte ajuste fiscal no final da década passada coincidente ainda com uma elevação da dívida pública, permaneceu inalterado no início do governo Lula (2002 e 2003). Já no final do primeiro mandato da gestão Lula (2004/2006), a persistência do ajuste fiscal, isto é, a manutenção de elevados superávits primários garantiu a credibilidade dos investidores, o que permitiu a redução (ainda que em doses suaves) das taxas de juros, gerando igualmente queda das despesas financeiras do setor público e, conseqüentemente, um cenário de declínio da relação dívida pública/PIB. Esse período de controle do endividamento fez com a dívida pública sofresse uma redução para algo em torno de 44% do PIB (dado referente a setembro de 2007). Dos anos 80 e 90, um país marcado por uma dívida social imensa e por uma dívida pública crescente, com taxas de juros elevadas, altamente suscetível ao impacto dos juros de curto prazo e concentrada no curto prazo, o Brasil vem gradualmente, a partir de 2002, se transferindo para uma estrutura de dívida mais madura, horizonte declinante, com taxas de juros reais menores e menos dependente dos juros de curto prazo em razão de uma maturidade de vencimentos dos papéis mais alongada. Segundo BICALHO (2005), a continuidade do processo de elevação da relação gasto público/PIB, desaproveitando uma excelente ocasião propiciada pelo elevado crescimento da economia para compensar a alta observada nesse indicador durante toda a década de 90, a ausência de uma reforma mais ambiciosa da Previdência Social, que permita vislumbrar uma inflexão futura na trajetória da relação gasto do INSS/PIB, que aumenta de forma quase sistematicamente ascendente há 18 anos, a ocorrência de novos aumentos de carga tributária em relação aos níveis recordes desta já vigentes em 2002 bem como a repetição dos valores modestos do investimento público. Todos esses fatores representarm problemas, sempre associados à baixa qualidade do ajustamento fiscal. Se não tivessem ocorrido, permitiriam ao país estar hoje em uma situação muito melhor. Nesse sentido, da mesma forma que nos dois governos de FHC, a política fiscal da Administração Lula pode ser considerada um caso típico de spend-and-tax. Podemos concluir que, após duas décadas de forte expansão do gasto público, faz-se mister conter o ritmo de crescimento do gasto corrente, de sorte a ampliar o espaço para a elevação do investimento público e reduzir a carga tributária. Seguem algumas questões comentadas sobre a temática Economia Brasileira do pós-guerra aos anos atuais: 01- (CESPE/UNB- PETROBRAS – ECONOMISTA-2007) A análise da economia e do orçamento público brasileiros ajuda a compreender os fenômenos econômicos que caracterizam o Brasil. Com base nessa análise, julgue os itens abaixo. a) Como parte das reformas de 1964/67, o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), lançado em novembro de 1964, tinha por objetivo combater a inflação, sem comprometer o ritmo de crescimento econômico. b) O crescimento da economia brasileira foi, até 1973/74, liderado pela indústria de bens de consumo duráveis, destinados, majoritariamente, às camadas de poder aquisitivo médio e alto. c) No período de 1995 a 1998, a crise dos estados deveu-se unicamente à Lei Kandir, já que, desde o início dos anos 80, os gastos com pessoal – ativos e inativos – tinham sido equacionados e, por isso, não pressionavam o orçamento das unidades da federação. d) No Brasil, o processo de privatização é parte do projeto de reformulação do papel estatal na economia; nesse projeto, o Estado produtor é substituído pelo Estado regulador. e) Na evolução recente da dívida pública brasileira, o reconhecimento de dívidas antigas e não-registradas inicialmente – os chamados esqueletos – representou um aumento do valor da dívida não-relacionado ao resultado fiscal. A assertiva “A” está correta porque o PAEG procurava criar condições adequadas à expansão do capital, corrigindo as distorções da economia, sobretudo a inflação, tida como o problema maior. Foi um plano gradualista em contraposição ao tratamento de choque prescrito pelo FMI. Embora sem alcançar inteiramente os objetivos pretendidos, consegue lançar as bases para o desenvolvimento a longo prazo, preparando o país para retomar o crescimento econômico, com plena garantia ao capital estrangeiro. A assertiva “B” está correta porque o í é é “ ô” ç á í ã é çã é A assertiva “C” está incorreta porque ao longo do período 1995/98, o governo federal foi aperfeiçoando os seus mecanismos de controle sobre o déficit estadual e municipal, embora em alguns casos os resultados só serão visíveis a médio prazo. Entre as mudanças que merecem ser citadas, encontram-se: • O fim do uso dos bancos estaduais para o financiamento dos tesouros estaduais, seja por via de privatização ou de sua transformação em banco de fomento, com regras rígidas de funcionamento, que impeçam a utilização dos seus recursos para a cobertura de gastos dos governos estaduais; • O maior controle das “antecipações de receitas orçamentárias” (ARO) amplamente utilizadas até 1995 como forma de os tesouros estaduais se financiarem junto ao sistema bancário e cuja prática foi seriamente limitada desde então, por parte das autoridades monetárias; • A renegociação das dívidas mobiliárias estaduais; • A inibição do instrumento “precatórios”; • A aprovação da reforma administrativa deu aos estados condições de cumprir com os dispositivos da Lei Camata, que definiu 60% o teto da despesa com pessoal em relação à receita disponível. A assertiva “D” está correta porque o lançamento do Plano Nacional de Desestatização (PND) privilegiou a venda de empresas tradicionalmente estatais inserido em uma estratégia geral do governo, que contemplava a promoção das chamadas “ reformas de mercado” (abertura comercial, desregulamentação da economia, redução do tamanho do Estado etc). Brasildefinaisdosanos60(per odo1967/73) tidocomoa pocado Milage rEcon mico nogovernoCostaeSilva.Alideran adocrescimentodosetordebensdeconsum odur velfoima ntida,ficandoocrescimenton idustrialente r13 %aoano.Ad vidaexternaseencontravaexcessiva mentealtaemraz odeempr stim osfeitosparaam oderniza odoBrasil.Fora mestabelecidasmaisdeduascene tnasdeempresasdecunhoestatal,repe rsentandoagrandefontedecrescimentodaeconom iadom stica. Com a aprovação, em fevereiro de 1995, da Lei de Concessões – que teve como objetivo estabelecer regras gerais pelos quais o governo concede a terceiros o direto de explorar serviços públicos – foram lançadas as bases para a terceira fase do processo de privatização. Caracterizou-se pela privatização dos serviços públicos – com destaque para os setores de energia elétrica e telecomunicações e pela magnitude das receitas envolvidas, podendo ser considerada como a fase das “megaprivatizações” ou da venda de algumas das “ jóias da coroa” do Tesouro Nacional. A assertiva “E” está correta porque na análise da evolução da dívida pública mais recente é necessário levar em conta os passivos ocultos (“esqueletos”) e o efeito de redução de dívida associado às privatizações. Sobre os “esqueletos” tem-se, por exemplo, o Fundo de Compensação de Valores Salariais (FCVS) não relacionado ao resultado fiscal propriamente dito, mas que afeta o esforço fiscal das contas públicas negativamente. 02- (CESPE/UNB- AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL -2002) A expressão Consenso de Washington, cunhada em 1990, traduz, em linhas gerais, um conjunto de teses e idéias neoliberais defendidas por altos funcionários da área econômica dos Estados Unidos da América (EUA) e pelos organismos multinacionais lá sediados. Esse ideário, espécie de esteio da economia dita globalizada, estabeleceu o tom da evolução econômica e financeira mundial desde então, angariando adeptos e opositores pelo mundo afora. Relativamente a esse tema, julgue os itens que se seguem. a) O Consenso de Washington defendia a austeridade fiscal como condição essencial ao sucesso dos programas de estabilização monetária, de que decorria a adoção de um programa de corte dos gastos públicos e reformas administrativas, previdenciárias e fiscais. b) Tendo em vista a abertura e a desregulação do mercado cada vez mais internacionalizado, o Consenso de Washington propunha – e praticou – que o capital fosse pesadamente taxado para não colocar em risco as economias mais frágeis. c) O modelo de industrialização adotado pelos países periféricos após a Segunda Guerra Mundial, que envolvia sensível presença estatal, segundo a perspectiva de Washington, estava ultrapassado e, como tal, deveria ser desmontado. d) Paradoxalmente, ao mesmo tempo que propunha a desregulação do mercado financeiro, o Consenso de Washington estimulava a presença mais ativa do Estado na defesa do trabalho ampliando a legislação trabalhista como forma de impedir conflitos sociais. e) Ampla abertura comercial e privatização das empresas e dos serviços públicos foram alguns dos aspectos mais marcantes do receituário elaborado pelo Consenso de Washington. Gabarito: “VFVFV” Comentários: Em finais dos anos 80, reuniram-se em Washington, diversos economistas latino-americanos, funcionários do FMI, Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento para discutir um conjunto de reformas essenciais para a retomada do crescimento na América Latina, que apresentava um diagnóstico temerário: inflação crescente ou hiperinflação, estagflação, dívida externa elevada, déficit público comprometedor.... O Consenso de Washington representa uma corrente de pensamento neoliberal em favor da economia do mercado com a redução do papel do Estado na economia (Estado mínimo), utilizando-se do receituário neoliberal: privatização das empresas estatais, flexibilização da legislação trabalhista, redução da carga fiscal e ampla abertura comercial. Os principais pontos ou regras universais desse receituário estão descritos a seguir: 1. Disciplina fiscal, com buscas de superávit primário, com vistas a eliminar o déficit público. 2. Reforma tributária que amplie a base sobre a qual incide a carga tributária, com maior peso nos impostos indiretos e maior progressividade nos impostos diretos. 3. Liberalização financeira, com o fim dos obstáculos à livre circulação dos capitais. 4. Liberalização do comércio exterior, com redução das alíquotas de importação e incentivos à exportação. 5. Eliminação de restrições ao capital externo, com permissão ao investimento direto estrangeiro. 6. Privatização massiva das empresas estatais. 7. Desregulação, com redução da legislação de controle do processo econômico e das relações trabalhistas. á â ô í çã çãà çã é çã ã ó çã çã çãàú í í çã çã ú ó à ãí çã ê ê é çõ ”” á “”á é çã çã ã í á çãàú A assertiva “B” está correta porque o í í çã çã ú É í çã çõ A assertiva “C” está correta porque países como o Brasil que apresentam mercados consumidores extraordinários por serem continentais geram economias de escala, o que facilitou e muito o modelo de substituição de importações em benefício das estatais intensivas em capital. A assertiva “D” está correta porque n í çã ê ã çõ çã õ çã é ê ó í çã ã çã çã ô 03-(ESAF/AnalistaCont a)Aoo lngodad b)Oper c)Opr bl-iSEFAZ-CE-2006/2007)Apreponder nciadoEstadonaEconomiaBrasileiradecorreu,em grandeporte,danecessidadedeogovernoine trvirdemaneiracrescene tnosiste maecon cadade1930,aa odo1940/1950foicaracterizadopelon i odoEstadomanifestou-senaexpans ciodafom ra priotamanhoecrescimentodomercadoba rsileiropermitiu sestataisn itensivasemcaptialobtereconom iasdeescalaquen odasag s.Assim ,determ ineaop ofalsacomrela rios,nadeterm ina odosetorprodutivoestatal(cria d)Nofinaldosanos1990,oBrasiln iiciouumanovafasedasuaeconomia,comacria e)Houvepo rfundasaltera micodopa odosn istrumentosregulat odaCia.Sider oseriam obtidasempa nciasreguladoras,como,poe rxe mplo,aAg o odetetosparaataxadejuo rs,nacria n i terven ogoverna mentalnoBrasil. odeautarquiasenapo rte o n id striao lcal. rgc iaNacional,Cia.ValedoRiodoce,ente routras). sesemdesenvolvimentomenores. nciaNacionaldeEnergiaEl trica(ANE EL). esdopapeldoEstadonosgovernosm ilitaresdentrodoprocessodedesenvolvimentobrasileiro. Gabarito: E Coment rios: Aassertiva A est corretapoq rueaoo lngodad cadade30,aa odoEstadoseancoranosetorn idustrialviadinamiza odosetorexportadorcafeeiroqueseton rouapin rcipalfone tdecaptiais.S ocriadosinstrumentosdepol ticam onet riaefiscaldepo rte o n id strianacional. per ofinaldosanos90,nogovernoFHC,opa N ohouvealtera essignificativasdefom ra ta odeEstadoduranteasgest esm ilitares.Houvesem prearacionaliza odofederalismofiscalatrav sdecom pet nciaspr priasparacadan veldegoverno,com centa rliza onaUni oemecans im osdeds itribui odosrecursosfederais:fundosdeparticipa o.OpapeldoEstadonosgovernosm ilitareseraodecentralizadod rereceitasegastosepo rpulsordocrescimentoecon odo1940/1950foicaracterizadopelon i ciodafom ra satravessaum novom odelodeEstado:oEstadoregulador,comacria odosetorpo rdutivoestatalcomacria odeag odaValedoRioDoceedaSider rgc iaNacional. oper ododesubstitui odem i porta es. nciasreguladorascom oaANEE L,ANA C,ANV ISA,ANSetc. mico. 04-(NCE/UFRJ/ ANAC-2007) Pode-se afirmar que o sucesso do Plano Real deveu-se principalmente: a) à criação de um novo indexador, a Unidade Real de Valor (URV), que permitiu, temporariamente, a conversão de preços, valores de contrato e outros ativos através da nova “moeda indexada”. b) à introdução de uma nova moeda, o Real, que substituiu a anterior, o cruzeiro real, e de um imediato congelamento de preços, a partir de 1o de março de 1994. c) à introdução de uma nova moeda, o Real, em substituição à anterior (cruzeiro real) e de um imediato congelamento de preços, a partir de 1o de julho de 1994. d) à criação de um novo padrão monetário, a partir da criação da URV, que vigorou durante quatro meses, desempenhando as funções de meio de pagamento e unidade de valor. e) à criação de um novo padrão monetário, a partir da criação da URV, antecedida por um forte ajustamento fiscal e pela elevação das taxas de juros reais. A URV não é um programa de estabilização, e sim um mecanismo para uniformizar preços e contratos. A URV é uma média de três índices de preços tradicionais no mercado. A inflação captada por estes índices é transferida à URV, caracterizando a superindexação da economia e balizando preços relativos. Há, evidentemente, na economia brasileira, um enorme conflito distributivo, onde os movimentos de preços tendem a transferir renda entre setores e camadas sociais, de acordo com o seu poder de formação/negociação de preços e salários. A URV não resolve esse conflito, mas pode amenizá-lo na medida em que se consolide enquanto indexador geral e torná-lo mais transparente. A estabilização, por outro lado, imprescinde de uma nova configuração no dispêndio e financiamento públicos e de um padrão monetário confiável, com regras transparentes e estáveis. Enquanto essas condições não estiverem garantidas, as chances de estabilização duradoura são pequenas. É preciso avançar nessas formas, o que exige um mínimo de consenso nas negociações sobre as questões relevantes e que efetivamente possam mudar o eixo da estrutura econômica. A assertiva “A” está correta. 05- Sobre o tema distribuição de renda, no contexto do Plano Real, assinale a assertiva correta: a) O Brasil é um país injusto e concentrador de renda, com o agravante de não apresentar um mercado potencial emergente. b) A queda da inflação durante o Plano Real diminuiu a perda de poder aquisitivo bem como reduziu drasticamente o nível de desemprego do país. c) Hoje em dia, as vantagens comparativas como recursos naturais, população e extensão territorial são importantes e garantem a competitividade por si só. d) Os elevados juros reais, que juntamente com a âncora cambial são os pilares da estabilização brasileira, têm um significativo efeito de concentração de renda. e) A questão de distribuição de renda pode ser vista de forma dissociada de um conjunto de variáveis importantes como a questão fiscal e tributária, o papel do Estado nesse processo, a estabilização e o desenvolvimento econômico. A assertiva “A” está incorreta porque o país é subdesenvolvido porque apresenta um nível de desenvolvimento aquém da sua necessidade e potencial; injusto, porque é a sociedade organizada de maior desigualdade de renda e patrimônio, mas é também um país emergente, na medida em que apresenta um enorme mercado potencial. A assertiva “B” está incorreta porque a queda da inflação nos últimos anos diminuiu o efeito da perda do poder aquisitivo da população mais pobre, decorrente do menor “imposto inflacionário”. Mas o desemprego transforma-se num dos grande problemas do país. O Plano Real conseguiu avanços na estabilização, mas a combinação da política econômica (câmbio sobrevalorizado, abertura comercial e juros elevados) significou o limite do crescimento econômico, que se tem mostrado insuficiente para diminuir o desemprego e absorver os novos trabalhadores que adentram anualmente o mercado de trabalho. A assertiva “C” está incorreta porque as vantagens naturais, como recursos naturais, população e extensão territorial são importantes, mas por si só não garantem a competitividade. Os fatores de dinamismo estão hoje mais relacionados ao desenvolvimento tecnológico, à educação e a todos os demais itens que signifiquem o aumento da eficiência econômica dos países. A assertiva “D” está correta porque a melhora distributiva proporcionada pela estabilização se deu, num primeiro momento, pela diminuição do imposto inflacionário, pela viabilização do crédito e pelo aumento da demanda por trabalhadores, o que puxou os rendimentos. Mas esses efeitos já se exauriram. O tarifaço adotado pelo governo, os elevados juros e o esgotamento do poder de endividamento dos consumidores têm se encarregado de esfriar a bolha distributiva. A combinação da política econômica atual, se por um lado trouxe ganhos representativos e rápidos no combate à inflação, por outro jogou o País na armadilha da vulnerabilidade externa e do baixo crescimento. A assertiva “E” está incorreta porque a questão tributária e fiscal é um importante instrumento distributivo. O nosso sistema tributário é sabidamente ineficaz, complexo e, principalmente, injusto. A excessiva carga tributária sobre os itens da cesta básica, por exemplo, é uma das iniqüidades que devem ser alteradas. Da mesma forma, um maior equilíbrio na distribuição de recursos e responsabilidades, entre União, Estados e municípios é algo que deve fazer parte da pauta de revisão. A inflação é um grande inimiga da renda dos assalariados. A sustentação da estabilidade somente se dará através de reformas fundamentais, envolvendo, além das questões já colocadas, o redesenho do papel do Estado brasileiro para que ele tenha condições de cumprir sua função. Bons estudos a todos que já adquiriram a obra Economia para Concursos 1ª Edição ou vão comprar a obra Economia para Concursos 2ª Edição! Marlos Vargas Ferreira