Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - CUT | Abril de 2011
A ousadia de
uma categoria
Balanço do mandato que começou em 2008 mostra que
a direção conseguiu unir ainda mais os trabalhadores
Tribuna Metalúrgica
Rossana Lana/SMABC - 05.10.2010
editorial
H
Aqui o trabalhador
sempre é a notícia!
á quase três anos, tivemos
a honra de assumir a direção deste que é um dos
mais importantes sindicatos do País. Com a honra,
veio o desafio de decisões e realizações
que influem diretamente nas vidas de
mais de 100 mil metalúrgicos. Certamente uma grande responsabilidade. E
não fugimos dela.
Assumimos a direção em 2008, em
um excelente momento da economia
do País, com a indústria e, especialmente, o setor automobilístico batendo recordes de produção e vendas. O
emprego estava em ascensão e a inflação em baixa, mas fomos pegos de
frente pela crise econômica internacional e tivemos de usar a criatividade e
a tradicional organização da categoria
para evitar o desemprego em massa e
preservar salários.
Para tanto, fomos a Brasília levar
nossas propostas ao então presidente
Vitórias
inéditas e
união da
categoria
Lula. Saímos às ruas em protesto contra empresários e banqueiros oportunistas. Realizamos um seminário de
repercussão nacional que resultou em
propostas concretas e contempladas
pelo governo federal.
Sindicato cidadão por excelência,
tivemos participação decisiva nos processos eleitorais porque também temos
de lutar para garantir qualidade de vida
aos trabalhadores fora da fábrica. Por
isso, apoiamos o projeto político que
venceu as eleições presidenciais em
2010 para dar continuidade ao crescimento do País com distribuição de renda e justiça social.
No 6° Congresso da categoria, em
2009, traçamos as diretrizes do trabalho que vem sendo cumprido ponto a
ponto, como o 2° Congresso das Mulheres Metalúrgicas do ABC e o lançamento da primeira emissora de TV da
classe trabalhadora.
As campanhas salariais dos últimos
três anos foram as mais vitoriosas em
duas décadas. Conquistamos índices de
aumento real que se tornaram referência
para todo o País e cláusulas sociais inéditas. No ano passado, ratificamos que dirigimos igualmente para toda a base ao realizar primeiro o acordo com as autopeças.
Este ano, entramos no processo eleitoral do Sindicato mais unidos e fortes
do que nunca, porque, pela primeira vez
em 20 anos, a Volkswagen terá chapa
única, fruto do amplo debate interno.
Esta revista tem o objetivo de fazer
um balanço das principais realizações
deste mandato e apresentar o que será
feito nos próximos três anos.
Obrigado a todos os metalúrgicos e
metalúrgicas, membros dos CSEs, CIPAS, Comissões de Fábrica e aos trabalhadores e trabalhadoras do Sindicato.
Sérgio Nobre
Presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
3
Editorial3 Balanço dos três anos de mandato mostra vitórias inéditas e categoria mais unida
Entrevista6
Executiva
Sérgio Nobre
Presidente
Rafael Marques Jr.
Vice-presidente
Wagner Firmino de Santana
Secretário-geral
Teonílio Monteiro da Costa
Diretor administrativo-financeiro
José Paulo Nogueira
Secretário de organização
Diretores executivos
Carlos Alberto Gonçalves, David Lima Carvalho, Francisco Duarte de Lima, Moisés Selerges Junior
Campanhas salariais8
Sérgio Nobre fala sobre as
próximas metas da direção
Mobilização e negociação garantiram as melhores
conquistas salariais dos últimos 20 anos
mobilizou a categoria, foi a Brasília
Em defesa do emprego16 Sindicato
e às ruas para enfrentar e vencer a crise
Diretores
foto Rossana Lana
foto Stephen Johnson/getty
Adailton Ferreira de Oliveira, Adalto de Oliveira, Adão Gonçalves Goveia, Adeildo da Silva Jordão, Adelmo Gonçalves da Silva, Adezildo Bezerra de Figueredo, Adi dos Santos Lima,
Admilson Aparecido de Brito, Ailton de Faria, Aldemir Moreira Santos, Aldenor Francalino de Sousa, Alexandre Aparecido Colombo, Alexandre da Cruz, Almiro Silva Cruz, Altamiro
Santana, Amarildo Marques de Souza, Amarildo Sesario de Araujo, Ana Maria Martins Braga, Ana Nice Martins de Carvalho, Andrea Ferreira de Sousa, Angelo Maximo de Oliveira
Pinho, Antenor de Sousa, Antonio Aparecido Soncella, Antonio Carlos dos Santos, Antonio Carlos Silva de Carvalho, Antonio Claudiano da Silva, Antonio de Melo Silva, Antonio
Dias Lima, Antonio Garrido Filho, Antonio Pereira Campos, Antonio Ronivaldo O da Silva, Antonio Sérgio Verginio, Aparecida Das Graças Rodrigues Henriques, Aroaldo Oliveira da
Silva, Barnabé Moraes de Moura, Benedito Carlos Amancio da Silva, Benedito da Silva Filho, Benigno José Domingues, Carlos Alberto Damião, Carlos Alberto de Melo, Carlos Alberto
Gonçalves, Celso Donizeti dos Santos, Cícera Michelle da Silva, Cícero Gomes de Moura, Claudio Roberto Ribal, Claudionor Vieira do Nascimento, Crivone Leite da Silva, Daniel Bispo
Calazans, Edilson Santos Burys, Edinaldo Raimundo Gomes de Sá, Edinei José da Silva, Edinilson Ronaldo Mercedes, Edivaldo José de Moura, Edmar Vieira Freire, Edmilson José dos
Santos, Edmiro Dias de Castro, Eduardo Aparecido de Sousa, Edvaldo Eduardo, Edvaldo Sousa Santos, Elbem Batista Gomes, Eraldo Lucena do Nascimento, Evandne Jose da Silva,
Evando de Novaes Alves, Fernando Narcizo da Costa, Firmino Batista Muniz Filho, Francisco Aritamá de Castro da Silva, Francisco Chagas Leite Brasil, Francisco Correa Sobrinho,
Francisco Das Chagas Sarmento, Francisco Das Chagas Soares Pereira, Francisco de Assis Gonçalves de Almeida, Francisco de Muniz Rosa, Francisco Demontier Barbosa, Francisco
Dijalma Leite, Francisco Duarte de Lima (Alemão), Francisco Edivan Camelo de Sousa, Francisco Ferreira de Souza, Francisco Pinho de Araujo, Francisco Vagner Ferreira, Fulvio
Menegoni, Genário Batista Cordeiro, Genildo Dias Pereira, Geraldo Aparecido Gonçalves, Geraldo Domingos Ribeiro, Geraldo Tadeu de Oliveira, Gercio Faria, Gilberto da Rocha,
Gilberto Jose de Souza, Gilmar da Silva Costa, Gilmar de Souza Costa, Gilson Andrade de Barros, Gilson Moreira Garcia, Gilvan Simeão Ferreira, Guilherme Francisco Rocha, Hamilton
Guimarães de Carvalho, Helio Barbosa da Silva, Helio Honorato Moreira, Jaco de Almeida Bezerra, Jair Dantas Martins, João Alves Cordeiro Neto, João André Santos da Silva, João
Dalírio Sivieiro, João dos Santos Souza, João Gonçalves do Nascimento, João Paulo de Oliveira dos Santos, Jorge Aparecido Lobo, Jose Ataide Costa, José Augusto Gonçalves, José
Bento de Oliveira, Jose Caitano Lima, Jose Carlos de Alcantara, Jose Carlos de Lima, José Carlos de Souza, José Carlos Nunes da Cruz, José Cícero Barbosa de Melo, José Correia
de Lima, José David Lima Carvalho, José Domingos Mota da Silva, Jose Erivan Furtado da Silva, José Eustáquio de Souza, José Inácio de Araujo, José Inácio dos Santos, Jose
Lopez Feijoo, José Mourão da Silva, Jose Paulo da Silva Nogueira, José Pedro dos Santos Delgado, José Pequeno da Costa, José Ribamar Feitosa da Silva, José Roberto da Silva,
José Roberto Gomes, Jose Sinval de Jesus, José Uilson Passos Santos, Joseildo Januario da Silva, Josivaldo Pedro da Silva, Josivan Nunes do Vale, Jovelino Gil, Juarez Barros da
Silva, Lindomar Barbosa Siqueira, Luis Carlos de Lima, Luis Carlos Miron, Luis Donizeti Marchioli, Luis Eduardo Gross, Luis Vital Dantas, Luiz Antonio de França, Luiz Carlos Araujo
da Silva, Maicon Michel Vasconcelos da Silva, Manoel Francisco Filho, Manoel Santiago Gomes, Marcelo Donisete Bernardo, Marcelo Pereira dos Santos, Marcio Adriano Gonçalves,
Marcio Ribeiro de Brito, Marco Aurélio Santana, Marcos Augusto Nunes de Oliveira, Marcos Aurelio Braga, Marcos Caetano de Paula, Maria de Fátima Gomes, Maria Dilvetânia Pereira
da Silva, Maria Gilsa C. Macedo, Maria Jose da Silva, Mauro Farabotti, Mauro Nei dos Passos Ferreiras, Mauro Soares, Milton Aparecido Alves Bertholdo, Moacir Garcia Nicolau,
Moacir Rodrigues Costa, Moises Augusto Canuto, Moisés Selerges Junior, Murilo Donisete VilasBoas, Nazareno da Silva Luiz, Neivailde Damasceno Murça, Nelio Profirio da Silva,
Nelsi Rodrigues da Silva (Morcegão), Nilton Costa de Aguilar, Nivaldo Nunes Bezerra, Osvaldo Gomes Viana, Paulo Aparecido Silva Cayres, Paulo Francisco Franco, Paulo Marcio
Nogueira, Pedro da Silva Carvalho, Rafael Marques da Silva Junior, Raimundo Domingos Silva, Reginaldo Bandeira, Regis Reis Guedes, Reinaldo Marques da Silva, Ricardo Alves
Pimentel, Robson Dias Bonjardim, Robson dos Santos Assis, Robson Silverio Damasceno, Rodrigo Ferreira dos Santos, Rogério Fernandes Medeiros, Romário Alves da Fonseca,
Romeu Ribeiro da Cruz, Ronaldo Souza, Rosimar Dias Machado, Santino Braz de Oliveira, Sebastiana Lopes Domingos, Sebastião Amadeu de Albuquerque, Sebastiao Gomes de Lima,
Sebastiao Pereira Campos, Sergio Aparecido Nobre, Sergio Cardoso, Sergio de Lima Pereira, Sergio Roberto Sitta, Severino Ferreira da Silva, Simone Aparecida Vieira, Sostenes Luiz
Lima, Tarcísio Secoli, Teonílio Monteiro da Costa, Tsukassa Isawa, Vagner Batista da Silva, Vagner Jose da Silva, Vagner Stefanato, Valdeci Candido da Silva, Valdeci Onofre Martins,
Valderez Dias Amorim, Valdir Freire Dias, Valdir Oliveira Rios, Valter Sanches, Valter Saturnino Pereira, Vanderlei Cardoso de Jesus, Vanio da Silva Guedes, Vladimir de Mendonsa,
Wagner Firmino de Santana, Walter de Souza Filho, Wanderley Lisboa Barbosa, Wilson de Sá Alves e Wilson Roberto Ribeiro
Esta revista é uma publicação especial do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Coordenação e edição: Vanilda Oliveira. Edição de fotos: Rossana Lana. Redação: Vanilda Oliveira, Silvio Berengani,
Carlos Alberto Balista, Gonzaga do Monte. Colaboradores: Wagner Santana (secretário-geral), Subseção Dieese do Sindicato,
Monica Valente, Marcelo Donisete Bernardo (Volkswagen).
Projeto gráfico: Vander Fornazieri. Impressão: Gráfica Simetal (11-4341-5810).
Participam da foto da capa os metalúrgicos e metalúrgicas: Paula de Jesus (Ouro Fino), Everaldo Santos (Scania), Alec Sandro
de Oliveira Barros (Mahle), Fabio de Morais Couto (Mercedes-Benz), Lorival Francisco de Lima (Magnetti-Marelli), Leonardo
Rezende Farabotti (Ford), Ivani Ivone de Souza (Kostal), Liliane Teixeira (TRW), Altamiro Santana, o Miro (Melling), Marco
Antonio Soares, o Paco (Dana), Luzia Helena Silva Santos (Volkswagen)
Está no ar22 sua primeira emissora de televisão, a TVT
Depois de 23 anos de luta, categoria consegue
Chão de fábrica28
CSEs são a maior conquista dos metalúrgicos do ABC
e servem de exemplo para o País. Entenda por quê
Comissões32
Mulheres, negros, jovens e pessoas com deficiência realizaram atividades e eventos importantes à categoria
vai construir escola de formação
Trabalho e cidadania38 Sindicato
profissional em São Bernardo
Economia solidária42
Fábricas falidas nas mãos dos
trabalhadores passam a gerar
emprego e renda
Sindicato cidadão52
Cultura e 44
organização
Direção resgatou o Dia do
Trabalhador no Paço
Apoiamos Dilma, Marinho, Grana e Vicentinho porque eles têm compromisso com a classe trabalhadora
4
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
30.08.2010
Lei que fortalece
CSE é maior desafio
23.09.2010
Entrevista
O que vem por aí até 2014? Quais as metas para as
próximas campanhas salariais?
Vamos buscar acordos de longo prazo. Isso é possível
porque a economia brasileira está em crescimento, há ampliação do emprego e a tendência é de que o País prossiga nesse caminho positivo. Em um cenário como esse, a
previsibilidade do salário é importante para todos os lados. Para o trabalhador porque permite que ele planeje
a sua vida melhor – seus gastos, poupança, compras - e
aos empresários porque podem visualizar custos e, assim,
planejar investimentos. Nos países que têm economia estabilizada, os acordos são de longo prazo e é isso que buscaremos também para a categoria, para assegurar mais es-
6
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
tabilidade às conquistas não só salariais, mas também na
saúde e segurança no trabalho, planos de carreira e qualificação profissional.
Além das campanhas salariais o que é prioridade para
os próximos três anos.
Os Comitês Sindicais de Empresa são a maior conquista
dos Metalúrgicos do ABC. Nossa meta é aprovar projeto de
lei no Congresso Nacional para consolidar o CSE e estimular para que ele seja adotado como modelo no restante do
País. É muito triste saber que trabalhadores têm seus direitos mais básicos, como carteira assinada, desrespeitados por
falta de fiscalização e de representação sindical no local do
trabalho e que, por isso, tenham procurar a Justiça.
A lei que estamos propondo tem potencial para transformar essa realidade porque vai assegurar a presença permanente do sindicato no interior da fábrica e dar maior segurança jurídica para que trabalhadores e empresários firmem
acordos e negociações coletivas adequados às diferentes realidades dos locais de trabalho.
Infelizmente, ainda hoje no Brasil, trabalhador sem carteira assinada, trabalho escravo e infantil são graves problemas. Mas também é fato que existem setores modernos, que
incluem empresas, e o nosso projeto faz distinção bem clara
dessas realidades, porque o moderno, caso do CSE, tem de
ser valorizado e o arcaico, combatido..
02.09.2010
N
a trajetória de 25 anos do chão de fábrica à
presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC, Sérgio Nobre conheceu de perto os revezes e as inúmeras vitórias da categoria. Fez
parte das lutas salariais e sociais, mas também
da construção de um sindicato cidadão, cujo trabalho não
se restringe ao interior das fábricas. Presidente do Sindicato
desde 2008, esse metalúrgico na Mercedes-Benz está na categoria desde 1980, quando ingressou na Scania como aprendiz do Senai. Nesta entrevista, ele fala dos planos da direção
para os próximos anos, que estão detalhados nas 60 páginas
desta revista de balanço.
fotos rossana lana/smabc - 15.12.2010
Sérgio Nobre, presidente do Sindicato, fala das metas da direção para a
categoria nos próximos três anos, entre elas aprovar projeto de lei que
consolida os Comitês e construir a Escola de Formação Profissional
O Sindicato é referência para o mundo do trabalho fora e dentro do Brasil, essa importância pode ser medida nas inúmeras entrevistas
que Sérgio Nobre concedeu a jornalistas de outros países, como Espanha/México; França (no alto); Coréia do Sul e Portugal
Quais são os planos da direção para formação sindical?
Em 2011, formaremos mais de 2.500 trabalhadores pelo
Programa Trabalho e Cidadania. Vamos construir, no Clube
de Campo, um espaço exclusivo ao curso de formação.
Na formação profissional, o Sindicato comprou um prédio para criar uma escola?
Compramos a antiga escola Cacique, na Marechal Deodoro, onde construiremos uma escola de formação profissional
que será inaugurada em 2012. Faremos parceria com o Senai e
universidades da Região. Outro projeto importante é a criação
do IRT (Instituto de Relações do Trabalho), que vai produzir
estudos e pesquisas sobre relações de trabalho que vão ser imprescindíveis ao fortalecimento da representação sindical.
O que está planejado para a TVT e áreas de cultura,
esportes e lazer?
Vamos ampliar o alcance da TVT, com mais uma emissora já concedida pelo governo e buscar apoios para ampliar a
produção. Na cultura, este ano, teremos o Festival de Música
e um concurso de fotografia voltados à categoria, além de triplicar os pontos de leitura nas fábricas. Outra parceria, com
empresa e Prefeitura, vai levar a arte do circo para dentro das
fábricas. e traremos de volta sessões de cinema no Sindicato. Vamos ampliar as atividades esportivas e de lazer para os
metalúrgicos e seus familiares. O campeonato de videogame,
que é um sucesso, vai crescer e deverá ser inserido no circuito
nacional e, futuramente, internacional. Teremos ainda atividades esportivas, como campeonatos de futebol e de truco,
para os trabalhadores da categoria, e oficinas de arte para os
filhos dos metalúrgicos
Na área de Saúde do trabalhador, o que será realizado?
Promoveremos este ano um evento para debater o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e criar propostas.
Também ampliaremos e aprimoraremos a formação dos cipeiros e membros dos CSE para fortalecer a ação sindical no
local de trabalho.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
7
CAMPANHAS SALARIAIS
Mobilização
garantiu
conquistas
inéditas
Assembleia
de autopeças
em 2010:
primeiro grupo
a realizar
acordo
Aumentos reais da categoria
atingiram maiores índices dos
últimos 20 anos. Em 2010, a
direção inovou ao fechar acordo
com outros grupos patronais
antes das montadoras
8
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Rossana Lana/SMABC - 04.09.2010
Rossana Lana/SMABC - 08.09.2010
Ato de
mensalistas
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
9
Trabalhadores mensalistas também se mobilizaram na campanha salarial do ano passado para reivindicar fim do teto salarial
Campanha 2010 também conseguiu melhorar os pisos salariais: um dos antídotos contra a rotatividade de mão de obra na categoria
V
10
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Metalúrgicos do ABC têm maior salário da categoria no País
Município
Rossana Lana/SMABC - 13.09.2010
itoriosas econômica e socialmente. São essas as principais marcas das campanhas
salariais pelos avanços conquistados na valorização dos
salários e em novos direitos sociais.
O incremento salarial tornou-se mais
nítido na metade da década passada
quando a política econômica colocou o
Brasil na rota do desenvolvimento seguro e constante. Exemplo mais bem sucedido do resultado da luta da categoria foi o aumento real conquistado em
2010, que superou o índice de inflação.
Além de inédita na história dos metalúrgicos, a conquista abriu caminho para onda que contagiou as campanhas de
diversas categorias Brasil afora.
Foram tempos também de expressivo crescimento nos pisos salariais, pois,
em todas as últimas campanhas os menores salários da categoria obtiveram
índices acima dos acordados para as
Rossana Lana/SMABC - 03.09.2010
Rossana Lana/SMABC - 09.09.2010
CAMPANHAS SALARIAIS
Agitação nas fábricas garantiu novas conquistas sociais com impacto direto na qualidade de vida
Média salarial
do montador (em R$)*
São Bernardo do Campo
3.532,75
Taubaté3.355,99
São José dos Campos
3.125,50
São Caetano do Sul
2.604,15
Sumaré2.418,53
Curitiba2.245,35
São José dos Pinhas
2.059,74
São Carlos
1.868,32
Resende1.780,75
Gravataí1.627,27
Betim1.602,19
Camaçari1.519,36
Porto Real
1.417,42
Catalão1.076,21
Sete Lagoas
1.016,34
*Nos municípios que têm plantas automobilísticas
Fonte: MTE/RAIS 2009. Subseção Dieese do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
demais remunerações. A medida acrescenta mais valor às profissões com menor remuneração e serve de antídoto à
rotatividade de mão de obra.
São direitos acumulados que se relacionam com o crescimento do País e
inflação baixa, combinados à mobilização, unidade e disposição de luta, sempre fundamentais em toda negociação.
Dessa receita, também resultaram novos direitos sociais, como a expansão da
licença maternidade de 120 para 180
dias nas fábricas do Grupo 3 e da Fundição. Outra conquista preciosa veio do
Grupo 10, com o retorno da estabilidade para trabalhadores com doença ou
sequela de acidente no trabalho. Nessa
lista, incluem-se ainda garantias à mulher vítima de violência, ampliação da
licença paternidade, diversidade nas
contratações, programa de formação e
outras com impactos diretos na qualidade de vida do trabalhador.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
11
CAMPANHAS SALARIAIS
346
milhões de
reais foram
injetados na
economia
por conta do
aumento e
abono nas
montadoras
do ABC em
2010
Raquel Camargo/SMABC - 10.09.2009
F
Passeata da categoria reuniu trabalhadores na Ford, Rassini e Mercedes-Benz em 2009, ano em que, apesar da crise, foi conquistado aumento real
12
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
echar acordos com a maior
parte dos grupos patronais
em primeiro lugar e depois
com as montadoras foi novidade estratégica e acertada da direção do Sindicato na Campanha Salarial 2010.
Antecipar o desfecho das negociações e firmar acordo com o Grupo 3
(autopeças) enterra a ideia de que a
direção prioriza os trabalhadores nas
montadoras. Essa afirmação nunca foi
verdadeira, o que foi comprovado no
ano passado, quando a categoria acertou quase todos os acordos, e bons
acordos, em conjunto, com base no
que foi assinado com o Grupo 3.
Outro objetivo da medida foi dar maior
protagonismo aos sindicatos do interior
do Estado, o que resultou em unidade
ampliada da categoria em São Paulo, pois
a presença dos setores, exceto as montadoras, é marcante em outras regiões.
Por fim, os sindicatos viram a necessidade de se criar um bom índice de aumento, os 9%, para balizar toda a luta
salarial, inclusive para testar bases metalúrgicas não filiadas à CUT. Esse índice fechado com antecedência serviu
de referência ao acordo com as montadoras, o penúltimo da campanha.
O último acordo assinado foi com o
Grupo 10, cujos trabalhadores, depois
de uma década de luta, conseguiram
mudar a data-base de novembro para
setembro, definitivamente unificando a
luta dos metalúrgicos paulistas da CUT
e, certamente, do Brasil, em breve.
Rossana Lana/SMABC - 08.09.2010
Direção
trata
todos os
grupos
igual
Assembleia na Mercedes: metalúrgicos nas montadoras fecharam acordo depois das autopeças
Aumentos salariais dos Metalúrgicos do ABC de 2008 a 2010
AnoGrupoINPCAumentoReajuste
Real
Total
2010 4.29%6.25% 10.81%
2009
Montadoras4.44% 2.00%
6.53%
2008 7.15%3.60% 11.01%
2010
Autopeças4.29% 4.52%
9.00%
2009 4.44%2.00% 6.53%
2008 7.15%3.60% 11.01%
2010
Fundição4.29% 4.52% 9.00%
2009 4.44%2.00% 6.53%
2008 7.15%3.13% 10.50%
2010
G 104.29%4.52% 9.00%
2009 3.75%2.00% 5.83%
2008 7.26%3.00% 10.48%
2010
G8
2009
2008
4.29%
4.52%
9.00%
4.44%2.00% 6.53%
7.78%3.00% 11.0%
2010
G 2 4.29%4.52% 9.00%
2009 4.66%2.00% 6.75%
2008 7.56%3.00% 10.8%
Fonte: Subsessão Dieese do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
13
CAMPANHAS SALARIAIS
Categoria
cresce e
embolsa R$ 1 bi
só de PLR
Sérgio Nobre comanda assembléia, ao lado da sede, na qual trabalhadores nas autopeças aprovam 9% de aumento salarial
Na Karmann-Ghia, metalúrgicos
paralisaram atividades na
Campanha Salarial passada
14
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Roberto Parizotti - 11.09.2008
13º salário gordo
A valorização no salário dos metalúrgicos também produziu importante
efeito econômico para a Região. O abono de fim de ano em 2010 cresceu e representou 26% do total pago de 13º a
todos os trabalhadores formais do ABC.
Dois elementos proporcionaram esse
aumento. O primeiro foi o crescimento
no total de trabalhadores na categoria.
O segundo decorreu do resultado positivo da campanha.
Rossana Lana/SMABC - 10.08.2010
Rossana Lana/SMABC - 04.09.2010
M
ais e melhores acordos. Essa
é a orientação que norteia,
a cada ano, a campanha
por PLR (Participação nos
Lucros e Resultados) dos
metalúrgicos do ABC, uma base que conquistou mais de 24 mil novos postos de trabalho nos oito anos de governos Lula.
Com o valor recorde de R$ 390 milhões conquistados no ano passado, a
categoria acumula um ganho próximo
de R$ 1 bilhão, desde 2008.
Trata-se de um valor que segue dois
caminhos. Um deles leva alívio ao bolso do trabalhador, que consegue cumprir compromissos em atraso.
Outro caminho impulsiona a economia do ABC, como confirmam levantamentos regionais. Parte desse grande
volume de dinheiro vai para o consumo, faz girar a roda de mais compras,
mais produção, gerando mais empregos e salários e, por fim, beneficiando
o metalúrgico do ABC.
A luta pela PLR, porém, não se resume em conquistar mais e melhores
acordos. Está nas metas da direção
acabar com a cobrança do Imposto
de Renda sobre esse pagamento. Uma
questão de justiça. A reivindicação já
está com o Ministério da Fazenda.
Morcegão, coordenador da Regional Ribeirão Pires, comanda assembleia de PLR na Marcolar
Emprego na categoria é o maior em 15 anos
Governo Fernando Henrique Cardoso
1995
110.239
1996
97.827
1997
97.923
1998
82.038
1999
78.522
2000
82.026
2001
81.663
2002
78.855
Governo Lula
2003
2004
77.427
85.721
2005
89.281
2006
90.612
2007
2008
2009
2010
95.597
102.989
97.027
104.188
Fonte: Subseção Dieese do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com dados do MTE, RAIS, Caged
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
15
EM DEFESA DO EMPREGO
Em Brasília e nas
ruas, um não a crise
Direção mostrou força e organização na crise econômica de
2008/2009 ao colocar a categoria nas ruas para impedir
demissões, ir ao governo para exigir soluções e dialogar
com empresas e sociedade para construir propostas
N
a defesa do emprego e da
renda, a direção do Sindicato foi às ruas em manifestações públicas, promoveu eventos para debater
saídas contra a crise econômica internacional e esteve em Brasília levando propostas para evitar e combater demissões
e cortes de direitos trabalhistas.
A crise de 2008, que teve origem nos
Estados Unidos e contaminou o mundo, assustou os empresários brasileiros
que começaram a demitir antes mesmo
de saber como o problema atingiria o
Brasil. A categoria ocupou a Avenida
Paulista para exigir a redução das taxas
de juros e estimular investimentos na
produção. Também denunciou banqueiros que dificultavam a concessão
de empréstimos à população.
Na época, o Sindicato alertava sobre
a possibilidade de as empresas usarem a
crise para acelerar a troca de trabalhadores com o objetivo de reduzir salários.
Como é muito barato e fácil demitir no
Brasil, as empresas começaram a demi-
tir mesmo antes de conhecerem o real
tamanho da crise que começava a surgir.
As demissões não se justificavam
porque o País vivia um momento excelente de crescimento econômico. No
ABC, as montadoras vinham consecutivos de recordes de produção e vendas (leia quadro na página 19). Sérgio
Nobre, presidente do Sindicato, exigia
responsabilidade social das empresas e
afirmava que “o trabalhador não iria
pagar a conta da crise”.
No início de 2009, ele levou ao en-
16
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Roberto Parizotti - 20.09.2009
Raquel Camargo/SMABC - 11.03.2009
Ainda ministra, Dilma participou do
seminário realizado em São Bernardo,
por iniciativa do Sindicato, para
debater propostas contra a crise
Metalúrgicos lotaram as ruas próximas à Via Anchieta, em 2009, para protestar contra os efeitos da crise econômica e evitar demissões
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
17
EM DEFESA DO EMPREGO
18
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Direção lutou para
preservar postos de
trabalho e salários
A direção do Sindicato enfrentou
a crise econômica de forma diferente em cada empresa, conforme a
realidade dos trabalhadores. Quando o problema explodiu nos EUA,
grande parte dos empresários e da
mídia criou um ambiente negativo
de que os direitos dos trabalhadores,
especialmente salários, deveriam ser
reduzidos, como única alternativa
para evitar demissões.
Essa idéia não foi aceita pela direção, que resistiu e, desde o início da
crise, fez do diálogo e da negociação
os principais instrumentos para encontrar saídas e preservar o bem maior
do trabalhador que é o emprego.
Instrumentos de preservação do
emprego existem e foram bem usados.
A redução da jornada de trabalho foi
uma das vias. Ampliação de bancos de
horas, licenças remuneradas e antecipação de férias figuraram na lista de
soluções de curto prazo para companheiros de muitas fábricas.
As medidas não chegaram a ser
aplicadas na totalidade. Não foi necessário. A produção foi retomada pouco
tempo depois provando que a estratégia da direção estava correta.
Produção de veículos bateu
recordes mesmo na crise
2.391.354
Na Avenida Paulista, a
categoria usou o humor
para protestar contra
os banqueiros, que
sumiram com o crédito
Raquel Camargo/SMABC - 04.11.2008
tão presidente Lula propostas como a
redução da jornada de trabalho sem redução de salário, redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados),
ampliação dos programas sociais, redução dos juros, implantação de um programa de substituição de importações
e a exigência de contrapartidas sociais
com destaque para a preservação de
empregos nos setores beneficiados com
dinheiro público.
No encontro, que aconteceu em Brasília, construiu-se a ideia do Seminário
ABC do Diálogo e do Desenvolvimento,
realizado em São Bernardo, em março de
2009. Sindicato à frente, entidades de diferentes setores da sociedade, movimento sindical, prefeituras da Região, mais
os governos paulista e federal debateram
medidas para a superação da crise.
O evento trouxe a São Bernardo a então ministra Dilma Rousseff, o governador de São Paulo, ministros, presidentes
de sindicatos patronais, parlamentares,
acadêmicos e, o mais importante, trabalhadores.
Um dos desdobramentos do evento
foi a abertura de processo de negociação e articulação regional permanente
a partir da reanimação da Câmara Regional do ABC, instância que pensa
soluções integradas para as sete cidades
da Região. Também foram criados os
grupos de trabalho do Setor Automotivo e do Polo Tecnológico do Consórcio
Intermunicipal do ABC, que reúne os
prefeitos da Região.
No 6º Congresso da categoria, realizado em 2009, a pauta principal foi a
necessidade de enfrentar os desafios e
demandas para a construção de um Brasil mais justo com emprego e trabalho
decente. Essas atividades de busca de alternativas à crise aconteceram em meio
a protestos e atos por um Brasil melhor.
Nas manifestações realizadas na capital paulista, a CUT cobrou atitude do governo estadual, denunciando
que o único investimento do governo
do Estado à geração de emprego foi o
dinheiro recebido da União pela venda
da Nossa Caixa.
2007
2.545.729 2.576.628
2008
2009
2.823.949
2010
Fonte: Subseção Dieese/SMABC, com dados da Anfavea
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
19
EM DEFESA DO EMPREGO
Abr - 21.01. 2009
Sérgio Nobre levou a Lula, em
Brasília, propostas para a superação
da crise econômica, que foram
acolhidas pelo então presidente
Governo Lula apoiou propostas da direção para superar a crise
20
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Lula participa, na Prefeitura de
São Bernardo, de um dos eventos
que tiveram origem no seminário
promovido pelo Sindicato
Raquel Camargo/SMABC - 25.08.2009
A
Medidas reduziram impostos sobre veículos
n
n
n
n
n
n
n
Isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos
Isenção de IPI para material de construção
Isenção de IPI para linha branca (geladeira, fogões, máquinas de lavar)
Ampliação do crédito para micro e pequenas
Liberação de crédito para empresas de agronegócios
Liberação de linha de crédito para a construção civil
Ampliação do tempo de seguro desemprego
Raquel Camargo/SMABC - 11.02.2009
realização do Seminário
ABC do Diálogo e do Desenvolvimento, que, a partir de iniciativa do Sindicato, reuniu movimento
sindical, empresas e Poder Público, ganhou forma na audiência de janeiro de
2009 em que Sérgio Nobre levou ao
então presidente Lula propostas dos
trabalhadores para superação da crise.
Em Brasília, o presidente do Sindicato defendeu que era preciso fazer
um diagnóstico adequado sobre o momento econômico e, a partir dele, decidir qual o caminho a seguir, em ação
que lembrava as câmaras setoriais dos
anos 1990.
Para a direção, a sociedade estava fazendo um debate pela metade, pois discutia apenas as situações emergenciais
que evitassem as demissões e a retirada
de direitos, quando deveria encaminhar também ações de fortalecimento
da economia.
Importante e pertinente, a iniciativa
do Sindicato em busca do diálogo entre
todos os segmentos da sociedade ganhou
todo o apoio do governo federal.
Assembleia com trabalhadores na Volkswagen, em São Bernardo, parou o trânsito na Via Anchieta para alertar empresas contra demissões
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
21
está no ar
E
m 23 de agosto de 2010, quaos espectadores dos programas sejam
se duas mil pessoas entre litambém seus personagens principais e
deranças políticas, sindicais,
rompam com o preconceito contra o
empresariais, do movimentrabalhador, raramente valorizado nas
to social e até o presidente
emissoras comerciais.
Lula estiveram no teatro do Centro de
Por tudo isso, a proposta dos metaFormação dos Profissionais da Educalúrgicos do ABC é um marco no unição de São Bernardo para acompanhar
verso fechado da televisão brasileira.
mais uma conquista inédita da atual diDominado por seis redes privadas e
reção do Sindicato.
familiares, com faturamento superior
Naquela noite, os metalúrgicos do
a R$ 6 bilhões, os donos dos poderoABC concluíram uma lusos canais não querem nem
ta histórica que durou
aceitam concorrência, em23 anos para levar ao ar a
bora não retratem as necesSindicato
transmissão inicial da TVT
sidades e anseios da classe
lutou
– TV dos Trabalhadores -,
trabalhadora.
primeira emissora de televiProva disso é que, apedurante 23
são brasileira inteiramente
sar
de o direito à liberdade
anos para
sob o comando dos trabade
expressão
estar previsto
conseguir a
lhadores.
na Constituição Federal, as
concessão
Naquele mesmo dia, os
críticas ao fato de um sindimetalúrgicos do ABC inicato de trabalhadores estar à
ciavam também uma nova batalha,
frente de uma emissora de tevê surgiram
ainda sem data para terminar: enfrenmuito antes de a TVT entrar no ar.
tar o desafio de consolidar a decisão tiA direção foi bombardeada pelos prinrada em congresso da categoria de tocar
cipais jornais brasileiros. Eles afirmavam
uma TV. O objetivo é simples: mostrar
que a emissora só tinha saído porque Luna telinha o mundo dos trabalhadola era presidente da República e ex-meres e do trabalho de uma forma que
talúrgico. Nisso tinham razão, segundo
23.11.2010
Trabalhadores
agora têm TV
“Além do trabalho da direção, o fato de Lula, um operário metalúrgico,
ter sido presidente da República foi determinante para conseguirmos a
concessão da emissora de televisão” Sérgio Nobre, presidente do Sindicato
22
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
fotos Rossana Lana/SMABC
TVT exibe seis
produções em
uma hora e
meia por dia de
programação
própria
Sérgio Nobre, Lula, Marinho e a garota Nicole no evento para 2 mil convidados que marcou o início das transmissões, em 23 de agosto de 2010
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
23
está no ar
sos sindicatos filiados à CUT.
Foi investido R$ 1 milhão na comPara garantir a realização inicial do
pra de equipamentos e o custo menprojeto, a categoria aprovou em assemsal da programação da TVT está estibleia um aporte de R$ 15
mado em mais de R$ 400
milhões. O desafio da dimil. Por ser educativa, a
reção agora é buscar outras
emissora não pode veicular
Desafio da
fontes de sustentação, copublicidade nem ter patrodireção
mo apoios culturais e novas
cínios, mas apenas apoios
é buscar
parcerias.
culturais.
A entidade sem fins lucraDepois de tanto esforço,
fontes de
tivos recebeu a outorga da
a
programação da TVT,
sustentação
TV em outubro de 2009 em
que adotou o slogan A TV
para a TVT
decreto assinado pelo então
que Te Vê, pode ser assistipresidente Lula. Além do
da em 27 canais comunitáCanal 46 UHF, a Fundação também terios (a cabo) da Grande São Paulo e em
ve outorgadas, no ano passado, mais uma
mais de 240 pontos de abrangência da
emissora UHF e duas emissoras de rádio.
Rede NGT em todo o País. fotos Rossana Lana/SMABC - 28.07.2010
Sérgio Nobre, porque só um presidente
operário e democrático nos daria uma
emissora em um País onde universidades,
igrejas e políticos têm a sua TV há muito
tempo. “Por que então não podíamos ter
a nossa”, respondia Nobre.
Os críticos ignoraram, porém, que,
para entrar no ar, a TVT cumpriu todas
as exigências. E foram muitas. Para dar
conta dos critérios legais, em 1991, foi
criada a Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho. Presidida
pelo metalúrgico na Mercedes-Benz e
diretor do Sindicato Valter Sanches, a
Fundação é dirigida por conselho de
40 membros eleitos em assembleia a
cada três anos, que representam diver-
Arquivo Pessoal
Rossana Lana/SMABC - 04.08.2010
Na porta de fábrica e do mundo: “Nossa TV é uma porta de entrada para que o mundo do trabalho possa estar presente nas comunicações”, Sérgio Nobre
Programação
Seu Jornal
Notícias Do ABC e do mundo do
trabalho. De segunda a sexta-feira, 19h
Elizeu Marques, ex-dirigente do Sindicato, com a câmera que Lula doou aos metalúrgicos em 1983 (à esquerda), é hoje gerente da TV dos trabalhadores
Memória e Contexto
Fatos do passado refletidos na atual
conjuntura. Segunda-feira, 19h30
De Lula a Lula, a história da batalha pela concessão
Vicentinho (presidente do Sindicato).
O ministro pediu um estudo técnico que foi
feito, mas a concessão não saiu. Foram feitas mais
quatro tentativas, seguidas de quatro negativas sem
explicações convincentes. A concessão não saia por
motivos políticos, pois os requisitos exigidos foram
todos atendidos.
Finalmente, em 13 de abril de 2005, Lula, o primeiro
presidente operário do Brasil, assinou a concessão do
canal UHF 46. Nascia a TVT. A outorga (publicação
oficial da concessão) saiu em 2009.
Bom para Todos
Programa de serviços voltado ao
trabalhador. Quarta-feira, 19h30
Melhor e mais Justo
Debates sobre a realidade brasileira.
Quinta-feira, 19h30
02.09.2010
No início dos anos 1980, Lula então presidente
do Sindicato viajou à Europa para divulgar o novo
sindicalismo e ganhou uma câmera amadora. De volta
ao Brasil, doou a filmadora aos metalúrgicos do ABC,
que a partir daquela doação criariam a produtora que
documentaria a história da categoria.
Em 29 de setembro de 1987, delegação do Sindicato
foi a Brasília pedir ao então ministro das Comunicações,
Antônio Carlos Magalhães, a concessão de canais de
rádio e TV. Integravam a delegação Lula, na época
deputado federal, Jair Meneguelli (presidente da CUT) e
Clique e Ligue
Novas tecnologias e inclusão digital.
Terça-feira, 19h30
ABCD em Revista
Revista eletrônica semanal.
Sexta-feira, 19h30
Moisés Selerges, um dos diretores que produziu e transmitiu reportagens via celular para a TVT
24
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
25
está no ar
TV por assinatura em
São Paulo – TV aberta
canais 9 NET e 186 TVA
30.11.2010
No internet
www.tvt.org.br
19.07.2010
Na ECO TV
canais 9 e 96 da NET ABC
Menos de seis meses após ir ao ar, a TVT caminha de forma sólida
para atingir as metas definidas pela direção e conquistar maior
alcance e visibilidade.
Ainda neste semestre, será publicada a autorização do Ministério
das Comunicações para as transmissões a partir de um novo canal,
cuja concessão já foi outorgada. A direção também trabalha
para conseguir a concessão de retransmissores que garantirão a
formação de uma rede, segundo Valter Sanches.
Enquanto a parte técnica evolui, o conteúdo da TVT tem boa
repercussão dentro e fora da categoria por conta da qualidade de
sua programação, com destaque para o mundo do trabalho, dos
sindicatos e movimentos sociais.
A emissora atende, assim, a uma demanda reprimida desses
grupos, que nunca tiveram espaço na mídia tradicional.
Valter Sanches,
diretor da TVT
Rossana Lana/SMABC - 19.07.2010
30.11.2010
29.07.2010
Canal 46
Mogi das Cruzes e Alto Tietê
Bom Para Todos, apresentado por Marília Zanardo (à dir.), é um programa de serviços voltado ao trabalhador, que vai ao ar todas as quartas, às 19h30
Novo canal já saiu e vai ampliar alcance da TV dos Trabalhadores
Sintonize
Canal 48 UHF
ABC e Grande São Paulo
Rossana Lana/SMABC - 21.02.2011
19.07.2010
Carlos Ribeiro apresenta o Seu Jornal, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 19h às 19h30
19.07.2010
A TV dos Trabalhadores produz seis
programas que totalizam 90 minutos
diários de programação própria,
um esforço que exige o trabalho de
112 profissionais especializados.
O restante da programação vem
de parcerias firmadas com a TV
Brasil (pública) e as tevês Câmara
e Senado, que fornecem noticiário
nacional, reportagens especiais e
documentários. Todos os programas
estão disponíveis no site da
emissora (www.tvt.org.br)
O carro-chefe da TVT é um
jornal ao vivo de 30 minutos –
Seu Jornal - exibido de segunda a
sexta-feira. Os demais programas
falam de serviços, debates,
documentários, cooperativismo,
entrevistas e destaques do mundo
do trabalho.
Após a consolidação do projeto
da emissora, a transmissão da TVT
atingirá um quarto do território
nacional, via cabo e por meio de
canais comunitários, permitindo
que a emissora seja vista em
praticamente todo País.
Rossana Lana/SMABC - 17.08.2010
A TVT por dentro
Para colocar os seis programas da TVT no ar, é necessário o trabalho de 112 profissionais
26
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
27
CHÃo de fábrica
CSE é nosso
exemplo
para o Brasil
Nascida na Ford,
primeira Comissão
de Fábrica
completa 30 anos
Representação no local de
trabalho é uma das prioridades da
direção porque garante autonomia
e poder de fiscalização diária e
permanente dentro da fábrica
M
28
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Roberto Parizotti – 01.02.1999
Roberto Parizotti – 25.04.1996
Trabalhadores
na Ford na
Campanha
Salarial do
ano passado
e, ao lado, em
passeata pela
fábrica em
1981 e outros
momentos
históricos
de luta
organizados
pela Comissão
de Fábrica
Roberto Parizotti – 11.12.1986
Direção levou representantes de diferentes segmentos da sociedade para
conhecer os CSEs, modelo vitorioso de representação no local de trabalho
arquivo SMABC - 1981
Raquel Camargo/SMABC - 28.05.2010
Rossana Lana/SMABC - 13.09.2010
uitos fatos lembram o ano de 1981: Zé Ramalho fazia sucesso com “A Terceira Lâmina”, a
Rede Globo exibia Baila Comigo, Bob Marley morria, o papa João Paulo II era baleado
em Roma e o mundo ficava perplexo diante
da descoberta do primeiro caso de Aids. Em São Bernardo, a
Volkswagen demitia 3.750 trabalhadores em um único dia.
Sete meses mais tarde, a Mercedes-Benz faria o mesmo com
5.200 operários. Enquanto as empresas demitiam, a Justiça
Militar condenava Lula e mais dez sindicalistas pela greve de
1980. O Sindicato, mesmo sob intervenção, lotava o Estádio
da Vila Euclides nas assembléias da campanha salarial.
A maioria dos 104 mil trabalhadores que compõem hoje
a categoria ou nem era nascida ou ainda brincava nas ruas
Primeira representação sindical
no local de trabalho conquistada
pelos metalúrgicos, a Comissão
de Fábrica dos Trabalhadores na
Ford completa três décadas em
julho.
Divisor de águas no movimento
sindical brasileiro, a Comissão
mudou totalmente o cenário à
época. Até 1981, o movimento
sindical no País atuava fora das
fábricas e, a partir da conquista
dos trabalhadores na Ford, passou a agir e ter voz nos centros
de produção de riqueza.
A origem da Comissão está na
contestação ao autoritarismo da
empresa à época, na repressão
das chefias e na falta de diálogo
com os trabalhadores. Foi esse
turbilhão que levou os metalúrgicos da Ford a buscarem a organização no local de trabalho.
Eles estavam certos, pois
passaram a ter um instrumento
para representar suas reivindicações diante da fábrica. O relacionamento evoluiu até chegar
a discussões e negociações de
questões vitais para o emprego
e qualidade de vida no trabalho,
como investimentos e produção
de novos modelos de veículos na
planta de São Bernardo.
De uma relação inicialmente
conflituosa aos dias atuais,
que tem o diálogo como marca
da relação entre empresa e
metalúrgicos, a representação
só completa 30 anos porque os
trabalhadores deram sustentação
à sua organização em todos os
momentos.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
29
CHÃo de fábrica
Rossana Lana/SMABC - 19.11.2010
quando todos esses fatos aconteceram. O que esses futuros
diferentes realidades e necessidades dos trabalhadores.
metalúrgicos não podiam imaginar era que 1981 também fiÉ aí que está o segredo da força do Sindicato: o capital e os
caria marcado na história do movimento sindical brasileiro
patrões sabem muito bem que, ao negociar com o CSE, estão
pela conquista do mais precioso e revolucionário instrumenlidando com uma categoria muito bem organizada.
to da categoria: a primeira Comissão de Fábrica reconhecida
Unidade inédita
pelos patrões. Conquistada após uma greve de cinco dias na
Pela primeira vez desde que as eleições da direção são feitas a
Ford, a Comissão deu voz e respeito ao trabalhador dentro da
partir dos CSEs, a Volkswagen terá chapa única. Essa unidade é
fábrica e perante o patrão.
mais uma conquista histórica da direção que assumiu em 2008.
Ao longo desses anos, a representação no local de trabalho
A chapa única na Volks comprova que a forma de orgasempre foi uma das prioridades do Sindicato. Em 1999, houve
nização por meio das comissões de fábrica e dos
a primeira eleição da direção a partir dos Comitês
CSEs é, de fato, democrática e permite a conviSindicais de Empresa (CSEs), também eleitos direvência das opiniões divergentes, que existem em
tamente pelos trabalhadores sindicalizados de cada
Chapa única todas as categorias, mas que nos metalúrgicos do
fábrica. São os Comitês que garantem o respeito
ABC têm espaço.
aos direitos dos trabalhadores a partir da fábrica,
na Volks
“Foram mais de 20 anos de disputas internas
além de autonomia e fiscalização diária e permadepois de
(na
VW), que em muitos momentos permitiram
nente das condições de trabalho.
20 anos
que a fábrica desrespeitasse a organização interna
No último congresso do Sindicato, realizado
dos trabalhadores. E quem perdeu com isso foem 2009, uma das prioridades definidas foi a
mos nós. Esse passo é importantíssimo para iniciarmos uma
consolidação do nosso modelo de representação no local de
nova e proveitosa fase dentro da fábrica”, avalia Sérgio Notrabalho (os CSEs). Isso porque a conquista de um espaço
bre, presidente do Sindicato.
próprio dentro da fábrica garante ao trabalhador uma nova
Para Wagner Santana, secretário-geral e trabalhador na
identidade, mais protagonista e cidadã. Representa também
Volks, “a valorização da organização no local de trabalho passa
um canal de expressão e negociação permanente das demanpela unidade dos trabalhadores com respeito às diferenças”.
das que democratizam as relações de trabalho e atendem as
Para conquistar apoios, a direção debateu projeto com juristas, acadêmicos, parlamentares, dirigentes sindicais e empresários
Direção propõe lei que consolida
comitês, acordos e negociações coletivas
Eleições realizadas
em dois turnos terão
94 chapas e 288
candidatos este ano
30
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Luciano Vicioni/ABCDMAIOR - 10.03.2008
Se transformada em lei nacional, moderniza as relações de trabalho
A
direção deu um passo decisivo para consolidar a organização sindical no local
de trabalho e tornar o CSE
reconhecido pela legislação
ao elaborar proposta de projeto de lei
que visa criar um novo instrumento para
regular as relações de trabalho dentro da
fábrica. Criada em 1940, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), embora
reconheça a existência de acordos e negociações e está em descompasso com a
realidade do mundo do trabalho atual.
A proposta da direção, quando
transformada em lei nacional, modernizará as relações de trabalho, ampliará
as possibilidades de negociação coletiva
e, ao mesmo tempo, garantirá segurança jurídica necessária para conquistar
cada vez mais direitos ao trabalhador
no chão da fábrica.
Para construir um consenso em torno da proposta e conseguir que seja
apresentada como um projeto de lei
pelo Executivo (governo federal), a direção promove, desde o ano passado,
debates com especialistas em relações
de trabalho, juristas, universidades,
empresários e centrais sindicais. Os debates incluem a discussão de critérios
bem definidos e claros para todas as
partes envolvidas.
Apenas sindicatos fortes e enraizados
nos locais de trabalho, com representatividade e organização, poderão implementar essa negociação; assim como as
empresas, que vão ter de comprovar o
respeito a todos os direitos já garantidos pela CLT para poder participar.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
31
comissões
32
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Diário do Grande ABC - 1978
O 1º Congresso das Mulheres Metalúrgicas foi realizado em 1978, após Lula,
que presidia o Sindicato, destacar a necessidade de as trabalhadoras participarem do movimento sindical. Começava a
nascer ali a Comissão de Mulheres.
“Vocês poderão desenvolver um extraordinário papel de incentivadoras da
luta por melhores salários e condições
de trabalho e por um País democrático
e mais justo”, disse Lula.
A realidade era difícil. O 1° Congresso mostrou que, para serem admitidas,
as mulheres precisavam ser jovens e
solteiras e que apenas 2% exerciam
funções de chefia.
O evento de 1978 aprovou plataforma de luta pela igualdade de remuneração, melhoria das condições de trabalho e pelo fim do trabalho noturno.
Raquel Camargo/SMABC - 26.03.2010
Metalúrgicas se reuniram 32 anos
após a realização do 1° evento da
categoria específico para mulheres,
que representam 14% da base
32 anos de espera,
mas valeu
Raquel Camargo/SMABC - 25.03.2010
Congresso
revelou a força
das mulheres
Rossana Lana - 25.03.2010
Raquel Camargo/SMABC - 03.02.2010
E
m março de 2010, as metalúrminina nas atividades no Sindicato e
gicas do ABC fizeram mais do
dentro da fábrica, como comprova o
que comemorar o Dia Internaaumento das mulheres na direção da
cional da Mulher. Durante três
entidade e nas CIPAs.
dias, a Sede do Sindicato receEm maio, será realizado o encontro
beu 435 delegadas que acompanharam o
anual de trabalho das metalúrgicas para
2º Congresso das Mulheres Metalúrgifazer um balanço das atividades do últicas do ABC. A abertura do evento teve
mo ano e avaliar como estão sendo enas presenças de Dilma Rousseff (à época
caminhadas as decisões do 2º Congresso.
ministra) e do então presidente Lula, que
Perfil
passou seu recado: “É bobagem acreditar
Estudo da Subseção Dieese do Sindique os homens vão lhes dar mais espaço.
cato mostra que as mulheres são 14%
Não se trata de fazer uma guerra de gêneda base, ganham mais que as mulheres
ro, daquela luta feminista dos anos 1970
da categoria no restante do Brasil, mas
de mulheres contra homens, mas a luta
recebem, em média, 33% menos que
por igualdade”.
os homens, apesar de terem mais escoRecado presidencial recebido, as metalaridade – 68% cursam ou concluíram o
lúrgicas fizeram três dias de conferências,
ensino superior e 17% tem
debates e oficinas temáticas.
ensino médio completo.
Ao final do evento, aproA grande porcentagem de
varam uma carta-comproMetalúrgicas mulheres na base faz quesmisso pela valorização do
do ABC têm
tionar por que somente 32
trabalho e salário das muanos depois do 1° Congreslheres, por maior participaencontro
ção feminina nas instâncias
marcado em so aconteceu a segunda edição. Até Lula, no evento de
de representação sindical e
maio
2010, cobrou a demora e
na categoria e pela realizaparabenizou Sérgio Nobre
ção de encontros anuais de
pela realização. “Na década de 1980, a
trabalhadoras.
prioridade era brigar pela democratizaPara garantir a participação de centeção. Nos anos 1990, vivemos muito denas de metalúrgicas no 2° Congresso,
semprego, então tínhamos de brigar peas diretoras do Sindicato tiveram muilo trabalho. Somente nos últimos anos,
to trabalho. Mas foram as visitas às fáa direção do Sindicato pode focar neste
bricas que renderam mais visibilidade
assunto, mas nesse tempo não ficamos
à Comissão de Mulheres Metalúrgicas
parados”, explicou Sérgio Nobre.
e garantiram a efetiva participação fe-
Mais de 400 delegadas participaram do 2° Congresso das Mulheres Metalúrgicas do ABC, realizado em março de 2010, na sede do Sindicato
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
33
comissões
Na luta contra o preconceito
Metalúrgica conquista mais tempo com os filhos
34
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Raquel Camargo/SMABC - 27.04.2010
A
s delegadas do 2° Congresso puderam participar
das atividades despreocupadas. A direção montou
uma creche e garantiu toda a assistência necessária
às crianças para que suas mães pudessem ficar focadas nos debates. Essa, porém, não é a realidade de
boa parte das trabalhadoras, que não tem onde deixar os filhos
para trabalhar. Por isso, logo no início do 2º Congresso, a direção do Sindicato lançou a campanha Dá licença, queremos 180,
para exigir a ampliação da licença maternidade para seis meses.
Era uma antiga reivindicação do movimento social, que
nos últimos anos entrou para o debate, depois da pressão das
entidades femininas e sindicais.
Enquanto a campanha era divulgada na base dos Metalúrgicos do ABC, a comissão de mulheres e o coletivo de
mulheres da CUT apresentavam pauta com reivindicações
específicas aos sindicatos patronais no debate para renovação
da Convenção Coletiva.
A cláusula da licença de 180 dias foi incluída na Convenção Coletiva dos setores patronais de Fundição e de Autopeças. Esse avanço, mais os acordos assinados com as empresas
garantem que, atualmente, 31% das mulheres da categoria
tenham direito à conquista.
A luta continua e vai voltar à pauta da Campanha Salarial
2011. Também integra as reivindicações da CUT para aprovação
de projeto nesse sentido na Câmara dos Deputados.
Ela teve 180 dias de licença
Iasmin e a mãe, a metalúrgica Fernanda de Paula Zanutto, analista de RH na Toledo, foram as primeiras na
categoria a terem direito à licença maternidade de 180
dias. “A gente vê a vantagem (dos 180 dias) no desenvolvimento da criança”, comenta Fernanda. “Até agora ela
não sabe o que é gripe”, emenda. Yasmin completou um
ano agora em março.
A
Comissão de Igualdade RaDiadema, o curso já existe há dez anos.
cial do Sindicato abriu um
Por meio da Comissão de Igualdade
novo espaço para a apresenRacial, a direção esteve presente em todas
tação de debates sobre temas
as atividades relativas à questão afro, coatuais e da música negra
mo a 2ª Conferência da Igualdade Racial
com as Rodas de Conversa, realizadas na
de São Bernardo e a audiência pública sosede. Essa foi apenas uma das novidades
bre política de cotas realizada no Supreimplementadas pela direção.
mo Tribunal Federal, entre outros.
Nas Rodas foram abordados assunA comissão lançou o vídeo Valeu,
tos como igualdade social
Zumbi, em 2009, com as
na educação, estatuto da
atividades artísticas e culigualdade racial, desafios
turais das comemorações
Direção
da comunicação, juventuDia da Consciência Negra,
garantiu
de negra, ações afirmativas,
e também promoveu o Baiimportância do dia da mule da Kizomba, alegria da
núcleo do
lher negra latino-americaEducafro em raça.
na e caribenha, o preconEm 2010, a Comissão foi
São Bernardo
ceito de ter preconceito,
uma das idealizadoras do
história do samba e o negro
prêmio Carolina de Jesus,
e a diversidade cultural no Brasil.
destinado às mulheres negras do ABC.
Na educação, a comissão assinou
Também foram realizadas a exposição
mais um convênio com o Educafro
de fotos Arte e Cultura Negra, sobre as
para instalação de um núcleo em São
comunidades negras do Brasil, e a exBernardo de ensino pré-vestibular e
posição João Cândido, sobre o líder da
preparação para concurso público. Em
Revolta das Chibatas, no Rio.
Raquel Camargo/SMABC - 16.06.2009
Trabalhadoras e
trabalhadores foram
às ruas exigir mais
tempo de licença
maternidade e
conseguiram
Raquel Camargo/SMABC - 07.08.2009
rossana Lana/SMABC - 19.07.2010
Debates, dança,
exposição de
arte da cultura
afro marcaram
as atividades
da Comissão de
Igualdade Racial
do Sindicato
De olho no futuro, Comissão também
realizou atividades voltadas às crianças
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
35
comissões
Acessibilidade é
direito de todos
Juventude ampliou
participação
Sindicato saiu na frente e puxou a adesão, em
2010, de mais de 40 entidades, entre elas prefeituras, câmaras municipais e empresas, à campanha de acessibilidade para a eliminação das barreiras que impedem as pessoas com deficiência de
ter livre acesso nos espaços públicos.
As adesões são resultado da luta das entidades e instâncias
do ABC que defendem os direitos das pessoas com deficiência. Entre elas, está a Comissão de Trabalhadores com Deficiência do Sindicato, que tem como sua principal bandeira
fazer valer a cota de trabalhadores com deficiência no quadro
de funcionários das empresas.
Para tanto, a Comissão promoveu encontros e debates, como o realizado em dezembro do ano passado com a presença
do então ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.
Eventos e assembleias da categoria contam com o trabalho
de um intérprete de Libras (linguagem de sinais), ação que
aumentou a participação dos trabalhadores com deficiência
auditiva nas decisões da base.
Comissão de Jovens conseguiu aumentar
e qualificar a participação da juventude
nas atividades do Sindicato. Ação que
também garantiu um trabalho mais organizado do segmento nas instâncias da
CUT e ajudou na definição das políticas específicas
para jovens.
Hoje, as principais lutas da Comissão de Jovens são
a redução da jornada para 40 horas semanais, o fim da
rotatividade, salário igual para função igual e também
trabalho decente, com objetivos como o de acabar com
o trabalho infantil.
Organizados em toda a base, mas principalmente na
Volkswagen e na Mercedes-Benz, os jovens metalúrgicos
do Sindicato promovem reuniões para discutir problemas específicos e encaminhar soluções que repercutem
em toda a base.
A Comissão esteve presente, por exemplo, nos debates sobre o jovem e o mercado de trabalho, desen-
O
36
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Rossana Lana/SMABC - 26.09.2010
Mais de 30% dos
metalúrgicos do
ABC têm até 29
anos de idade
fotos RRossana Lana/SMABC - 02.12.2010
fotos Rossana Lana/SMABC - 09.09.2010
Raquel Camargo/SMABC - 13.06.2010
Palestra de
Paulo Vannuchi
Campeonato de game
é sucesso de público
A
Wellington Damasceno: trabalho da Comissão de Jovens
aumentou a participação nas atividades sindicais
volvendo de atividades para além dos muros das empresas, como mais qualidade e eficiência no transporte
público, com tarifas menores; escola pública estadual
de qualidade, mais equipamentos públicos na periferia e centros da juventude, para estimular a cultura e
o lazer.
O campeonato de games realizado pela Comissão de
Jovens do Sindicato é um dos eventos mais esperados
e de maior repercussão na categoria. Jovens e não tão
jovens assim lotam a sede para participar, assistir ou
simplesmente torcer na competição que já ficou conhecida fora da base. O sucesso do torneio levou a direção
a iniciar estudos para inseri-lo no circuito nacional e
até internacional.
Um dos objetivos da direção ao promover esse tipo de
evento é proporcionar a integração da categoria também no esporte, lazer e cultura.
Os dois torneios de games realizados até agora reuniram milhares de pessoas durante vários finais de
semana. Somente para o segundo campeonato, realizado no ano passado, foram feitas mais de duas mil
inscrições.
Todos os finalistas ganharam medalhas e troféus, um
dos primeiros colocados recebeu um Play Station III.
Durante as finais, foram sorteadas quatro bicicletas.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
37
TRABALHO E CIDADANIA
A
38
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
23.11.2010
03.08.2010
Metalúrgicos têm
um dia por ano
abonado pela
empresa para
participar do
Programa Trabalho
e Cidadania
21.09.2010
10.08.2010
09.11.2010
Programa é conquista
inédita garantida
pela direção na
campanha salarial
de 2009. Escola
Profissionalizante
em sede própria
será mais um sonho
concretizado
fotos Rossana Lana/SMABC - 24.08.2010
Um dia de
formação no
Sindicato
direção do Sindicato atendeu antiga reivindicação
da base e deu mais um
passo histórico para fortalecer a representação no
local de trabalho. Em 28 de junho de
2010, na sede do Sindicato, diretores
da Mercedes-Benz confirmaram a primeira adesão de uma empresa da base
ao Programa Trabalho e Cidadania.
Conquistado na campanha de 2009,
o acordo inédito no Brasil libera trabalhadores do serviço para dedicar, uma
vez por ano, um dia inteiro ao estudo
e debate de assuntos inteiramente relacionados à sua formação. O dia é abonado pela empresa.
Desde aquela assinatura até março de
2011, foram realizadas mais de trinta
edições do programa. Nele, 750 trabalhadores compreenderam melhor o que
é representação sindical e como ocorre
a relação com as empresas; negociação
como política sindical; Convenção Coletiva; o papel da representação sindical nesse processo, além do trabalho
das Comissões de Cidadania (Jovens,
Mulheres, Igualdade Racial e Trabalhadores com Deficiência).
Neste ano, 2.500 trabalhadores participação do programa. Quando estiver
totalmente implementado, formará 650
metalúrgicos por dia. Para tanto, a direção vai construir dentro do Clube de
Campo um espaço exclusivo de aulas.
No curso, o metalúrgico, que está cada vez mais escolarizado (quadro na página 41), passa a ter noção maior da atuação de seus representantes na fábrica e
a compreender melhor a importância de
manter diálogo permanente com seu legítimo interlocutor: o Sindicato.
Além de ampliar e adquirir novos conhecimentos, os trabalhadores também
conhecem a trajetória desse Sindicato
que marcou a história do ABC e do Brasil nas últimas três décadas. Aprendizado importante para uma categoria na
maioria jovem (61% têm até 39 anos)
e que, por isso, não teve a oportunidade
de ver como as relações de trabalho mudaram para melhor nesses 30 anos.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
39
TRABALHO E CIDADANIA
Direção compra prédio da Cacique para construir escola
O
Sindicato vai construir
um Centro de Educação
Profissional para a categoria no local onde funcionava a escola Cacique,
na rua Marechal Deodoro. O imóvel
foi arrematado em leilão em 2010.
Este ano serão feitos os projetos arquitetônico e pedagógico. Em 2012,
começarão as obras, com previsão de
término para 2013.
Lugar de trabalhador
é na sala
de aula
2011
2012
n Começam as obras
de construção da
Escola Técnica
2013
n Inauguração da
Escola Técnica do
Sindicato em parceria
com Senai e
universidades
fotos Rossana Lana/SMABC - 23.11.2010
O objetivo da direção é oferecer novas possibilidades de qualificação profissional aos trabalhadores da categoria
e criar condições para que os metalúrgicos possam desenvolver uma carreira.
O Sindicato firmará parceria com instituições reconhecidas na área, como o
Senai, e universidades do ABC.
Também este ano, a direção vai colocar em funcionamento o Instituto de
Relações do Trabalho (IRT), que realizará estudos e pesquisas em cooperação
com empresas e universidades.
Rossana Lana/SMABC - 11.02.2011
n 2.500 trabalhadores
serão diplomados pelo curso
de Formação e Cidadania
n Inauguração do IRT
(Instituto de Relações do Trabalho)
n Início do projeto
pedagógico e arquitetônico
da Escola Técnica
do Sindicato
Última turma de 2010 do Programa Trabalho e Cidadania. Em 2011, cursos formarão 2.500 trabalhadores, cinco vezes mais que no ano passado
Fonte: Departamento de Formação do SMABC
Cresce a escolaridade dos metalúrgicos do ABC
40
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Foi meu primeiro contato com o Sindicato. Adorei. Tem muita gente que
critica, mas na hora de participar se
recusa. Curti muito conhecer as lutas e tudo o mais”.
Bruna Levitzchi Natal,
montadora na Mercedes-Benz
fotos Rossana Lana/SMABC - 03.08.2010
“Até pouco tempo atrás, eu trabalhava
em uma empresa de segurança e tinha
uma impressão distorcida do que era
sindicato. Achava que era só desordem
e greve. Agora vejo que não é isso”.
Douglas Soares Espírito Santo,
prensista na Ford
0%
0,12%
Superior
incompleto
1996
8%
Superior
completo
3,8%
6,1%
13,5%
Médio
incompleto
48,1%
9%
8%
Fundamental
completo
19,1%
12,4%
Fundamental
incompleto
Analfabeto
2008
14,6%
Médio
completo
24.08.2010
“O curso foi bate papo agradável para
conhecer melhor o Sindicato. Conhecer melhor, para cobrar mais, também.
Às vezes, as pessoas não cobram por
não conhecerem seus direitos”.
Claudio Anerão, analista
financeiro na Mercedes-Benz
20.07.2010
20.07.2010
Mestrado e/ou
doutorado
45,7%
10,5%
0,9%
0,2%
Fonte: MTE/Rais. Elaboração: Subseção Dieese/Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
41
economia solidária
União e solidariedade
por trabalho e renda
Metalúrgicos
na Uniforja
transformaram uma
empresa quebrada
em fonte de trabalho
e renda para 420
trabalhadores
Economia baseada na ação solidária dos
trabalhadores tem apoio da direção do Sindicato
e já garante trabalho a 45 mil pessoas no Brasil
segmento. A economia solidária gera
trabalho para 45 mil pessoas nas áreas
industrial, agrícola, de serviços, de reciclagem, comércio e artesanato e só em
2009 faturaram R$ 1,2 bilhão
A qualidade, porém, não está nos números e, sim, no crescimento orgânico
do movimento, aquele em que as pessoas se fortalecem na cultura e na ideia
de uma economia gerada pela ação coletiva e não predatória, que prejudica a
natureza e o homem.
A luta da Unisol para a expansão do
sistema está ainda em cobrar e apontar políticas públicas, conquistar crédito e uma legislação democrática para
o setor, reforçar e dar continuidade às
ações do governo federal e ligar os empreendimentos em rede. Na economia
solidária, o trabalhador tem poder de
gestão sobre o seu trabalho.
fotos Raquel Camargo/smabc
U
ma nova economia nasce no Brasil sob a marca
da união e solidariedade
dos trabalhadores. Nela, o objetivo final não é
o lucro e sim o desenvolvimento humano e social. É a economia solidária,
movimento que nasceu na Europa, no
século 18, e que está na raiz do surgimento do movimento sindical e no
qual o Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC faz uma grande aposta por ser alternativa viável para geração de trabalho e renda.
Com o apoio do Sindicato, há sete
anos surgiu a Unisol Brasil, entidade
de representação de empreendimentos
da economia solidária. Hoje, ela reúne
800 empreendimentos desse tipo. Há
três anos havia pouco mais de 100, o
que revela o crescimento contínuo do
Uniforja prova que trabalhador sabe, sim, administrar
06.07.2009
Unisol Brasil vai dobrar empreendimentos
42
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Com 600 delegados e representantes de entidades do mundo
todo, a Unisol Brasil realizou seu 2° Congresso Nacional há dois
anos em São Bernardo do Campo (foto), de olho na expansão do
setor e no fortalecimento da sua organização e dos empreendimentos que representa. O grande desafio é potencializar a Unisol
Brasil como organismo de representação e integração dos trabalhadores nos vários ramos de atividade. Uma das metas definidas
é atingir todos os Estados brasileiros e conseguir totalizar 1.500
filiados até 2012, quando acontecerá o próximo congresso.
O salário atrasou, o Fundo de Garantia não foi depositado, o patrão sumiu e a fábrica quebrou. O tempo era
de recessão no governo FHC. Foi com
essa realidade que os trabalhadores na
antiga Conforja, em Diadema, se depararam há 14 anos. A empresa chegou
a ter 800 trabalhadores.
Em vez de entregar os pontos e esperar uma decisão judicial para reaver
seus direitos, resolveram assumir a fábrica. Primeiro, tiveram de organizar
os próprios metalúrgicos para enfrentar
o desafio. Depois, veio o enfrentamento de uma dura batalha judicial e outra
para conseguir financiamento.
O resultado foi positivo e hoje o empreendimento supera os R$ 250 milhões em faturamento e emprega 170
metalúrgicos, além dos 250 que são sócios cooperados. A Uniforja configura
um dos casos mais bem acabados da capacidade que o trabalhador tem em tocar seu próprio negócio e sob a bandeira
do cooperativismo. É dela também a semente na qual nasceu a Unisol.
Exemplo recente na categoria vem da
Unimáquinas, empreendimento que
um grupo de antigos funcionários da falida fábrica de máquinas Lawes, de São
Bernardo, inaugurou no início de 2011.
Uniwídea, do setor de ferramentas
em Mauá, e Uniferco de equipamentos
para iluminação e instalações elétricas,
em Diadema, são outros casos de sucesso dos metalúrgicos que assumiram
fábricas quebradas. Do total de empreendimentos da Unisol Brasil, 25 têm
essa mesma origem.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
43
Cultura e organização
Categoria
merece
festa
Festa de 50 anos na
Estância Alto da Serra
Direção criou agenda que garantiu
espaço para a confraternização dos
trabalhadores e seus familiares
E
Raquel Camargo/SMABC - 30.05.2009
ventos de massa que reuniram milhares de trabalhadores e seus familiares voltaram à agenda do
Sindicato, desde 2008, por decisão da direção. Todas as atividades privilegiaram a cultura, o lazer e
as manifestações e tradições populares.
A categoria comemorou a posse da diretoria, os 50 anos
de fundação do Sindicato, os 30 anos da greve da Scania, a
entrega do prêmio João Ferrador, as jornadas cidadãs, os atos
de 1º de Maio, os encontros das comissões temáticas, entre
outros.
Além de garantir espaço à confraternização da categoria,
esses eventos, segundo a direção, têm um peso importante
na formação dos trabalhadores. É por isso que uma extensa agenda de ações e atividades está sendo organizada para
os próximos três anos. Dos já tradicionais campeonatos de
videogame e festa junina ao concurso de fotografia e festival
de música que virão por aí, os metalúrgicos do ABC podem
esperar por um Sindicato repleto de novidades.
Roberto Parizotti - 02.08.2008
Posse e 50 anos do Sindicato
44
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Duas comemorações são destaques neste balanço de
atividades organizadas pela direção. A primeira foi a festa
da posse
da lacinia
atual diretoria, em agosto de 2008, no Clube
Phasellus
libero(foto
luctusànunc
da Ford
esquerda), que reuniu mais de 20 mil pespretium
soas,donec
entre
elas
o ex-presidente Lula, além de inúmeras
tincidunt purus
autoridades regionais e nacionais.
O destaque especial, no entanto, foi o metalúrgico e
seus familiares, que puderam passar o dia no clube e ainda
conferir atrações musicais de grupos locais e um grande
show da banda Ultraje a Rigor.
No ano seguinte, a celebração dos 50 anos do Sindicato
foi marcada como a segunda grande comemoração do pe-
ríodo. Começou em 12 maio, com um ato político com a
presença do presidente Lula, da ministra Dilma Rousseff e
de centenas de militantes e dirigentes.
O ponto forte foi a festa na Estância Alto da Serra, quando uma multidão acompanhou shows de bandas e artistas
regionais e as apresentações do Fundo de Quintal e de
Jorge Benjor.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
45
Cultura e organização
Raquel Camargo/SMABC - 12.05.2010
Rossana Lana/smabc - 18.09.2009
Guido Mântega
Bernardo
Kucinski
João Ferrador de Cidadania 2010.
História
O personagem João Ferrador, sempre
indignado contra as injustiças, foi criado em 1972 pelo cartunista Hélio Vargas e redesenhado pelo ilustrador Laerte. Era porta-voz da categoria por meio
de seus bilhetes e sua estampa em campanhas, cartazes, camisetas. A coluna do
João Ferrador apareceu pela primeira
vez na Tribuna Metalúrgica em março
de 1972.
Raquel Camargo/SMABC - 15.09.2008
Em novembro
tem Congresso
A 2ª edição da
Jornada teve o
resultado mais
importante até
agora: a criação
do Fórum Social
Jornada Cidadã por
uma vida melhor
16.11.2010
foi resgatar o personagem para dar forma ao prêmio.
A direção ampliou a proposta no
ano passado e incorporou a premiação ao calendário de comemoração do
aniversário do Sindicato, 12 de maio.
Em 2010, a escolha dos homenageados
teve a participação da categoria. Uma
lista com nomes e entidades foi apresentada e os metalúrgicos puderam escolher seus preferidos.
O jornalista Bernardo Kucinski e o
Dieese foram os ganhadores do Prêmio
A 4ª edição da Jornada foi realizada no ano passado em Diadema
Um congresso de trabalhadores é a principal instância de decisão de uma categoria profissional
organizada. Assim tem sido com os metalúrgicos
do ABC, onde nada é feito sem que uma definição
prévia seja debatida com os trabalhadores em plenárias, assembleias e congressos.
O 6º Congresso (foto) realizado em maio de 2009
provou a sua importância ao apontar várias alternativas que contribuíram para a superação da crise
internacional.
Em novembro próximo, será realizado o 7° Congresso que vai listar as prioridades que a próxima direção
assumirá até o final do seu mandato, em 2014.
16.11.2010
J
oão Ferrador, personagem
símbolo dos metalúrgicos do
ABC, também virou título de
prêmio para homenagear pessoas e entidades que se destacam na defesa dos interesses dos trabalhadores e promovam ações para tornar
o País mais justo e democrático.
A idéia surgiu em 2009, quando a direção decidiu homenagear o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, por suas
ações para reduzir os efeitos da crise econômica no País. A alternativa escolhida
Com apoio do Sindicato, Jornada Cidadã já teve quatro edições
46
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
fotos Luciano Vicioni/abcdmaior - 15.11.2008
Prêmio João Ferrador presta homenagem a quem melhora o Brasil
O
rganizada pelo jornal ABCD Maior e o Fórum
Social do ABC, a Jornada Cidadã é resultado da
iniciativa e apoio do Sindicato para unir Poder
Público e movimentos sindical e social com objetivo de organizar e discutir propostas que melhorem a qualidade de vida na Região.
O evento foi pensado para encaminhar aos órgãos governamentais os anseios e necessidades da população e dos trabalhadores. É aí que entra a direção do Sindicato: para empunhar suas bandeiras, que trazem como preocupação central a
qualidade de vida do trabalhador também fora da fábrica. O
princípio que destaca o Sindicato Cidadão.
A Região do ABC tem tradição em lutas democráticas e a
Jornada é um elo entre os vários setores que comandam essas
batalhas. O seu compromisso é ser a voz das organizações
sociais, para tornar a sociedade mais justa.
Foram realizadas quatro edições da Jornada Cidadã – São
Bernardo (2007), Santo André (2008), Mauá (2009) e Diadema, no ano passado.
Da segunda, saiu o resultado mais importante até agora:
a criação do Fórum Social, espaço de debates que coloca a
jornada em movimento e forma a pauta de reivindicações e
propostas da sociedade.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
47
Cultura e organização
Raquel Camargo/SMABC – 01.05.2008
1º de Maio
de 2008
Direção devolve ao
Paço de São Bernardo
lugar de honra no
Dia do Trabalhador
Lula volta ao
Paço de São Bernardo
48
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Raquel Camargo/SMABC – 01.05.2010
Ricardo Stuckert/PR – 01.05.2010
A
partir de 2008, após sete anos,
o Dia do Trabalhador voltou a
ser comemorado no Paço Municipal de São Bernardo, palco
histórico das lutas e conquistas
dos Metalúrgicos do ABC.
Foi justamente o sentido histórico do
1° de Maio e do Paço que motivaram a direção a trazer de volta para São Bernardo a realização do maior evento público da Região
e de maior relevância histórica e política da
luta dos trabalhadores.
No ano passado, a manifestação foi acompanhada por 90 mil pessoas e contou com o
retorno de Lula ao Paço Municipal de São
Bernardo. O ato é marcado por shows e festa, mas a estrela do dia é o trabalhador.
Cerca de 90 mil pessoas lotaram o Paço Municipal de São Bernardo, em 2010, em uma das maiores comemorações do Dia do Trabalhador
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
49
Cultura e organização
Leitura “pegou”
e mudou rotina
Valderez no ponto de
leitura da Legas Metal
Festa Junina do
Sindicato em Diadema
Raquel Camargo/SMABC - 26.06.2009
As estantes recheadas de livros
dentro da fábrica mudaram a
rotina dos trabalhadores. “O
programa pegou”, afirma Valderez
Dias Amorim, membro do CSE na
Legas Metal. “Pergunto sempre aos
trabalhadores se eles retirariam
livros em outra biblioteca caso
não tivesse ponto de leitura aqui
e a resposta é não”, conta o
metalúrgico. Ele confirma, assim,
o quanto a ação foi importante
para estimular e facilitar o acesso
dos trabalhadores à literatura.
Na IGP, que teve o primeiro ponto
de leitura inaugurado na base, a
média diária de acesso subiu de 20
metalúrgicos por dia para 33.
Vem aí o festival de música
50
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
M
Sérgio Nobre e David Carvalho(à dir.), coordenador da Regional
Diadema, inauguram ponto de leitura em fábrica do Grupo
Papaiz, uma das dez empresas de Diadema que aderiram ao
programa. Além de 650 livros, DVDs e enciclopédias, o espaço
tem computador e um agente de leitura especialmente treinado
para orientar os trabalhadores sobre o acervo
etalúrgicos de dez fábricas de Diadema deixaram de conviver apenas
com máquinas e ferramentas desde o ano passado. Agora, eles têm a companhia de
autores clássicos da literatura como Lima Barreto, José de Alencar, Rachel de
Queiros, Guimarães Rosa, entre outros.
Aproveitar os espaços das fábricas
para incentivar no trabalhador o hábito de ler é o objetivo do Programa
Leitura nas Fábricas. Desde junho de
2010, a ação é realizada em Diadema,
em convênio inédito entre o Sindicato,
a Prefeitura e o Ministério da Cultura.
O programa consiste na instalação de
minibibliotecas e espaço de leitura nos
locais de trabalho, que oferecem acesso
a acervo com mais de 650 títulos de literatura brasileira, estrangeira, infantil e
juvenil, além de DVDs, livros didáticos,
enciclopédias. Os livros podem ser emprestados e levados para casa.
Mais de 20 mil pessoas entre trabalhadores e seus familiares já são beneficiadas
pelos pontos de leitura nas fábricas. Este ano, serão abertas mais 25 bibliotecas
em empresas de São Bernardo, Diadema,
Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Lucinha veio conhecer o
Programa exposto na sede
15.12.2010
O mundo dos livros dentro das fábricas para os trabalhadores
28.09.2010
Garantir acesso à cultura, esportes e lazer também é
prioridade da direção. Além de promover conhecimento
e integrar a categoria, essas atividades preservam tradições. Para este ano, a direção programou uma série de
eventos culturais. Serão realizados o Festival de Música e
concurso de fotografia para a categoria, além de exposições, cinema no Sindicato, torneios esportivos e oficinas
infantis. Também vem por aí o Circo Paratodos.
Além das novidades, a tradicional festa junina na Regional Diadema segue firme na agenda (foto), assim como
os bailes quinzenais da Associação dos Metalúrgicos Aposentados, exposições temáticas em homenagem às lutas
sociais e aulas de música na Regional Diadema e na Sede.
O Sindicato também passou a prestigiar festas de escolas de samba. A União Cultural das Escolas de Samba escolheu sua corte na Sede do Sindicato em janeiro deste ano.
No final do ano passado, serviu de cenário para o batizado da Escola de Samba Renascente de São Bernardo.
Batismo é o ritual de promoção da escola ao grupo especial da cidade.
28.07.2010
fotos Rossana Lana/SMABC - 30.07.2010
Rossana Lana/SMABC - 06.02.2011
Festa do Carnaval na
sede em São Bernardo
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
51
Sindicato cidadão
Dilma tem o apoio
dos metalúrgicos
Direção trabalhou pela eleição de Dilma
porque ela vai ampliar e dar continuidade ao
projeto político de Lula, que mudou o Brasil
e melhorou a vida da classe trabalhadora
52
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Rossana Lana/SMABC - 27.10.10
Raquel Camargo/SMABC - 10.04.2010
Dilma na sede do
sindicato: último
ato da campanha
no primeiro turno
Na sede, centrais
declaram apoio
à petista, que
fez campanha na
Mercedes, com
Lula e Sérgio
Rossana Lana/SMABC - 23.08.2010
Roberto Stuckert Filho – 02.10.2010
O
Sindicato dos Metalúrgicos
sou de 200 reais, em 2002, para 510
do ABC tem lado. É o lareais, em 2010, um crescimento real
do dos trabalhadores e do
de 67,4% (descontada a inflação). O
projeto político que nos
salário médio de admissão dos trabaúltimos oito anos garantiu
lhadores subiu quase três vezes nesse
ao Brasil crescer com distribuição de
período e os aumentos superaram a
renda e justiça social. Esse é o papel
inflação.
de um sindicato cidadão, que pensa e
O governo Lula investiu no futuro
age para garantir à sua base emprego
dos jovens. Construiu 14 universidade qualidade, melhores salários e condes públicas e só o ProUni (Programa
dições de trabalho dentro da fábrica,
Universidade para Todos) permitiu a
mas que também luta para que, fora da
748 mil estudantes o acesso à universiempresa, o trabalhador tenha direito à
dade. Também investiu em ensino técsaúde, educação, moradia,
nico e profissionalizante:
transporte, cultura de quade 140 escolas, em 2002,
lidade.
o Brasil passou. Resultado:
A direção apoiou o proje500 mil novas vagas.
to político que elegeu DilAs políticas sociais, por
milhões de
ma Rousseff a primeira presua vez, garantiram a reduempregos
sidenta do Brasil, em 2010,
ção da miséria e da pobreza
formais
em
por ter certeza de que ela e
em programas que benefisua equipe ampliarão e daciaram milhões de brasileioito anos
rão continuidade às realizaros, como o Bolsa Família e
ções dos dois governos do
o Luz Para Todos. Também
ex-metalúrgico Lula, o primeiro presihouve investimentos nunca antes feidente operário deste País.
tos em infraestrutura e moradia, com
Nos últimos oito anos, a vida da
o PAC (Programa de Aceleração do
classe trabalhadora mudou para meCrescimento) e o Minha Casam Milhor. De 2003, quando Lula assumiu
nha Vida.
o primeiro mandato, até o fim do ano
Esse projeto político vitorioso seguipassado, foram criados quase 15 mirá com Dilma, que conquistou 56 milhões de empregos com carteira aslhões de votos (12 milhões a mais que
sinada – nos oito anos de Fernando
seu adversário) e chegou à Presidência
Henrique Cardoso, foram 5 milhões.
como herdeira de um Brasil melhor
O governo Lula criou política de vatambém com o apoio dos Metalúrgilorização do salário mínimo, que pascos do ABC.
15
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
53
Wilson Magão - 10.07.2008
fotos Rossana Lana/SMABC - 04.09.2010
Sindicato cidadão
Do chão de fábrica na Volkswagen a ministro de Lula por duas vezes, Marinho agora comanda a Prefeitura de São Bernardo
Com apoio da direção, candidatos foram às fábricas
de São Bernardo, em 2010, fazer campanha eleitoral.
Vicentinho se reelegeu para o 3° mandato consecutivo
de deputado federal e Grana, que concorreu pela
primeira vez à Assembléia de São Paulo, foi o
deputado estadual petista mais votado no ABC
Marinho, Grana e Vicentinho ocupam espaços de decisão
10.09.2010
O
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Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
resultado das eleições municipais de 2008 deu início a uma
nova e produtiva era para São
Bernardo do Campo. Luiz
Marinho, ex-trabalhador na
Volkswagen, ex-presidente do Sindicato
e da CUT e duas vezes ministro de Lula
foi eleito prefeito com 237,6 mil votos.
Vitória que colocou um ponto final no
poder de um grupo político que governou a cidade apenas para uma minoria
durante mais de uma década.
Nas eleições do ano passado, foi a vez
de Carlos Grana, também ex-dirigente
do Sindicato e presidente da CNM-CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos) conquistar uma vaga na Assembléia Legislativa de São Paulo. Com
126,7 mil votos, Grana foi o candidato
petista mais votado da Região do ABC.
Vicentinho têm em comum a confianTambém ex-presidente do Sindicato e
ça da categoria e o apoio que recebeda CUT, Vicentinho foi
ram às suas candidaturas e
reeleito em 2010 para o
a seus mandatos.
terceiro mandato conseOs três representam paRepresentantes ra os metalúrgicos um imcutivo de deputado federal
(141 mil votos) e vai pasportante canal de diálogo,
da classe
sar mais quatro anos no
reivindicação e encamitrabalhadora,
Congresso Nacional, em
nhamento de propostas
prefeito e
Brasília, onde sua atuação
aos Poderes municipal, esparlamentares
está voltada às causas e lutadual e federal. Porque, a
petistas
tas da classe trabalhadora,
exemplo dos mais de 104
tiveram
assim como fará Grana em
mil trabalhadores na base
apoio da
São Paulo.
do Sindicato dos MetaAlém do fato de serem
lúrgicos do ABC, Maricategoria
metalúrgicos do ABC,
nho, Vicentinho e Grana
terem trabalhado no
conhecem e entendem
chão de fábrica e feito parte do mesmo
as necessidades da classe trabalhadora
sindicato de Lula, Marinho, Grana e
brasileira.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
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Rossana Lana/SMABC - 02.02.2011
Sindicato cidadão
Trabalhadores na Scania entregam doações
Marinho, ao lado da hoje ministra Miriam Belchior,
vistoria Conjunto Três Marias: 5,1 mil moradias até 2012
Raquel Toth/pmsbc - 05.07.2010
marcos lu/pmd - 25.09.2009
Em defesa da saúde
Direção apoia prefeitos que priorizam a população
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Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
Evandro Oliveira/PMM - 08.12.2010
S
ão Bernardo do Campo está
em “reconstrução” desde que
o prefeito Luiz Marinho assumiu o município em janeiro
de 2009. O prefeito investiu
em obras e ações de grande porte na habitação, saúde, educação, infraestrutura
urbana, transporte que podem ser vistas
em todos os bairros da cidade, principalmente na periferia, que ficou abandonada durante mais de uma década
pelos governos anteriores.
Novas moradias, escolas, serviços de
saúde, ambulâncias e ônibus urbanos foram entregues à população pela prefeitura nesses dois anos de mandato. A gestão
Marinho também investiu maciçamente
em cultura, lazer e programas sociais e de
geração de emprego e renda. Somente em
2010, por exemplo, o prefeito entregou
324 moradias nos conjuntos Três Marias
Em Mauá, Oswaldo Dias investiu em serviços essenciais, escolas e renovação da frota de ônibus
Em Diadema, prefeito Mario Reali priorizou a educação, mas também construiu UBSs e moradias
para famílias que viviam em áreas de risco e alojamentos. Até o fim do mandato,
serão entregues 5.196 moradias.
Na Saúde, Marinho já entregou quatro
Unidades de Pronto Atendimento - até
2012, serão entregues mais cinco UPAs.
A prefeitura também iniciou as obras do
Hospital de Clínicas, que terá 240 leitos
e ficará pronto no ano que vem, com investimento de R$ 125 milhões em parceria com o governo federal.
Na Educação, a prefeitura investe para criar 16 mil vagas e zerar, até 2012, o
déficit de vagas na rede municipal. Para
atingir esse objetivo, deu início à construção de sete CEUs (Centros de Educação Unificado). Também construiu e
já entregou quatro novas EMEBs (Escola Municipal de Educação Básica) e todos os 85 mil alunos da rede municipal
receberam kit completo de material e
uniforme escolar.
Diadema E Mauá
Em Mauá, o prefeito Oswaldo Dias
inaugurou duas escolas, um prédio para
o Centro de Formação de Professoras o
primeiro Centro Público de Trabalho e
Renda e o Centro de Referência em As-
sistência Social. Fez tudo isso, apesar de
ter herdado e estar pagando uma dívida
de R$ 1 bilhão.
O grande marco, porém, desses dois
anos foi a quebra do oligopólio do
transporte público na cidade. Uma nova
empresa passou a operar 18 linhas municipais e 140 novos ônibus entraram
em circulação, melhorando a vida da
população.
Sucesso em Diadema, o Programa
Mais Educação vai dobrar sua capacidade para atender 6.300 alunos de 6, 7 e 8
anos em 2011. Desenvolvido em parceria com o governo federal, o programa de
educação integral amplia a permanência
dos alunos na escola para até 8h diárias.
Nesses dois anos de mandato, o prefeito Mario Reali também priorizou a
habitação, área que teve como marco a
entrega de 252 moradias (primeira fase)
na “favela naval”, local que ficou conhecido por episódios de violência e que
agora, urbanizado, devolve a autoestima
à sua população. Também em 2010 foi
entregue mais uma Unidade Básica de
Saúde, a da Vila Conceição. Outras duas estão sendo construídas, além de uma
UPA (Paineiras).
A direção preocupa-se com a saúde
dos trabalhadores dentro e fora da fábrica, por isso acompanha e debate as
ações dos governos para poder melhorar a qualidade dos serviços.
Entre as atividades programadas para a área de saúde nos próximos anos,
está uma campanha, seguida de um
amplo seminário, em defesa do fortalecimento do SUS (Sistema Único
de Saúde). O objetivo é debater e
apontar soluções para problemas de
financiamento, planejamento local e
interações regionais que melhorem o
serviço e o atendimento à população.
Dentro das fábricas, a formação dos
cipeiros será aprimorada.
Solidariedade
Quando o Poder Público falta ou
enfrenta tragédias, a categoria se
mostra sempre pronta a ajudar. Foi
assim nas diversas campanhas realizadas pela direção nas fábricas para
arrecadar doações enviadas a vítimas
de enchentes em todo o País.
Após as chuvas no Rio, trabalhadores de 30 empresas da base doaram
dinheiro. Em 2010, os metalúrgicos
na Volkswagen doaram 12 mil quilos
de alimentos aos desabrigados em
Pernambuco. Outra campanha bem
sucedida foi a de doação de medula.
Na Ford, os trabalhadores fizeram um
mutirão para cadastrar possíveis doadores, em 2010.
abril 2011 | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
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Rossana Lana/SMABC - 26.08.2010
Rossana Lana
memória
Jornal, que hoje é
distribuído para toda a base
e completa 40 anos em
julho, muitas vezes teve de
ser levado às escondidas
para dentro da fábrica. Ao
lado sua primeira edição
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Sindicato dos Metalúrgicos do ABC | abril 2011
CEDEM/SMABC
Fernando Rodrigues - 22.10.1987
Tribuna Metalúrgica,
jornal que faz história
A
Tribuna Metalúrgica do ABC teve papel decisivo na organização dos metalúrgicos no local
de trabalho, porque é um jornal sindical que
forma, informa, organiza a luta sendo direto e
claro na defesa dos interesses da classe.
Em julho, a Tribuna completa 40 anos. Quando surgiu,
circulava uma vez por mês. Em alguns períodos foi semanal e
em outros não teve periodicidade definida. Durante algumas
greves, chegou a circular de forma clandestina e a ser levado
às escondidas para dentro das fábricas. A partir de 1986, o
jornal se tornou diário e em 1993 começou a circular com
quatro páginas. Em 2000, ganhou quatro cores e desde 2005
é impresso no formato germânico, o atual.
A Tribuna registrou as lutas e conquistas da categoria muitas vezes com capas históricas e irreverentes. Em uma delas,
levou o Fantástico, da ‘poderosa’ Rede Globo, a encontrar o
metalúrgico que em 25 de maio de 1980, no Vila Euclides,
erguia um quadro premonitório de Lula como futuro presidente da República. A capa da Tribuna à época perguntava
“quem é você”. A categoria, como sempre, respondeu e 22
anos depois elegeu o homem daquele quadro.
O Sindicato dos Metalúgicos do ABC anuncia mais uma realização que vai levar a arte circense aos
trabalhadores da base. Em parceria com a Mercedes-Benz e a Cia. Capadócia Circo-Teatro, a direção
apresenta o Circo Teatro Paratodos, projeto que colocará, gratuitamente, o circo dentro da fábrica
Sede São Bernardo do Campo
Rua João Basso, 231, Centro
Fone: 4128-4200
Regional Diadema
Av. Encarnação, 290, Piraporinha
Fone: 4066-6468
Regional Ribeirão Pires
Rua Felipe Sabag, 149, apto 1, Centro
Fone: 4823-6898
Clube de Campo
Entrada de Ribeirão Pires, Caminho 618
(Estrada Velha de Santos)
Riacho Grande
Fone: 4354-9408
Centro de Formação Celso Daniel
Rua João Lotto, s/n, Centro
São Bernardo do Campo
(ao lado da sede do Sindicato)
Fone: 4128-4200
www.smabc.org.br
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Balanço do mandato que começou em 2008 mostra que a direção