INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS METEOROLÓGICO NOS CASOS DE DENGUE NA NOS ANOS DE 2008 a 2010, EM MARINGÁ, PARANÁ INFLUENCE OF METEOROLOGICAL ELEMENTS IN CASES OF DENGUE IN THE YEARS 2008 TO 2010, IN MARINGÁ, PR, Ivonete de Almeida Souza1, Nair Gloria Massoquin2 1 2 GERA/UNESPAR(FECILCAM) – Paraná – Brasil – [email protected] UNESPAR(FECILCAM) – Departamento de Geografia - Campo Mourão, PR, Brasil RESUMO: Esta pesquisa objetivou averiguar a influência de elementos meteorológicos no aumento de casos de Dengue nos anos de 2007 a 2010 na cidade de Maringá, localizada na região norte do Paraná na faixa de transição climática para clima tropical úmido. Com população urbana de 350.653 habitantes, pouco eram os casos de Dengue até 2006. No ano de 2007 a proliferação do mosquito Aedes Aegypt caracterizou uma pandemia na população. Necessário se faz verificar qual foi à influência de elementos meteorológicos (temperatura do ar, umidade relativa e chuva) no aumento de casos de Dengue. O estudo utilizou dados do número de casos positivos de Dengue, cedidos pela Secretaria da Saúde, e dados climáticos na ECPCM de Maringá. Dados preliminares indicam que no período de dezembro a maio há os maiores números de casos de Dengue. As variáveis analisadas que apresentaram maiores influências no aumento de casos positivos de Dengue foram temperaturas mínimas elevadas, integradas aos totais de chuva acima do padrão. Palavras-chave: variabilidade climática, chuva, temperatura, Dengue ABSTRACT: The purpose of this research is to investigate the influence of meteorological elements in the rise of dengue cases in the years 2007 to 2010 in Maringá, in the northern region of Paraná. Where there is a climate transition to humid tropical climate. With urban population of 350,653 inhabitants, some cases of dengue were referenced by 2006. In 2007 a proliferation of Aedes aegypti mosquito can be characterized a pandemy in the population. It is necessary to check what the influence of meteorological elements was (such as in the air temperature, relative humidity and rain) rise of dengue cases. The study used the number of positive cases of dengue, data, given by the Department of Health and climate data at ECPCM Maringá. Preliminary numbers indicate that the period from December to May there is the highest number of cases of Dengue. The variables that have most influenced the increase of positive cases of dengue are high minimum temperatures associated with total rainfall above the standard. Key-words: Climatic variability, rain, temperature, Dengue INTRODUÇÃO O clima tem sido referenciado no Brasil desde o do século XIX como um fator que pode influenciar na proliferação de doenças epidemiológicas, especialmente pelas precárias condições de higiene da população que naquela época, nas nascentes vilas, apresentavam insalubridade pela excessiva umidade e temperaturas elevadas, (Sant’Anna Neto, 2004). A partir da década de 1970, discute-se, em específico pela ciência geográfica, o aparecimento das denominadas ilhas de calor e poluição atmosférica na cidade, especialmente pelos gases estufas, cujos efeitos passaram a influenciar na saúde humana por meio de doenças respiratórias. A partir do ano de 2000 a discussão ressurge, nomeadamente na Geografia da Saúde, com reincidência de algumas epidemias que trata de estudos de casos. Pode-se considerar, além das doenças respiratórias, a ocorrência de certos tipos de endemias, emergentes e re-emergentes ligadas às condições climáticas, pela influência de algumas variáveis meteorológicas (temperatura do ar, umidade relativa e, totais mais elevados de precipitação em certos períodos do ano). Dentre as doenças destacam-se as ocorrências de meningite, malária, cólera e a Dengue, esta última (objeto de estudo) provocada pelo mosquito Aedes Aegypti. Considerando-se as variáveis citadas há a necessidade de estudo de prevenção de epidemias ocasionadas pelo mosquito Aedes Aegypti. Estudos têm provado que algumas variáveis meteorológicas têm significativa influência na distribuição da Dengue, principalmente em países localizados nas baixas latitudes, como o Brasil, onde inserida-se a área estudada, Maringá, PR. O clima é considerado como um dos componentes que influencia na saúde, o qual favorece o aparecimento de inúmeras doenças ˝emergentes˝, dentre elas, a Dengue (Medonça, 2000). Sendo o meio urbano considerado o principal habitat do Aedes aegypti, torna-se de suma importância a discussão dessa temática. OBJETIVOS Analisar variáveis climáticas de um período sazonal com maior número de casos de Dengue em Maringá; Definir as variáveis climáticas que melhor explicam o aumento de casos de Dengue; MATERIAL E MÉTODOS Segundo Köppen o tipo climático predominante na área estudada, Maringá, PR, é o Cfa, subtropical úmido mesotérmico, com temperatura média do mês mais frio inferior a 18ºC, caracterizando-se por verões quentes, com média do mês mais quente acima de 22ºC, baixa freqüência de geadas severas e uma tendência de concentração das chuvas no período de verão. A chuva média anual varia em torno de 1500mm e os meses mais chuvosos são Janeiro e Fevereiro com precipitação média de 150mm a 200mm. Os meses menos chuvosos são junho, julho e agosto, com média mensal de 50mm a 125mm. Os elementos climáticos utilizados (temperatura do ar, chuva, umidade relativa do ar) foram obtidos da ECPM – Estação Climatológica Principal de Maringá e os dados dos casos positivos de Dengue cedidos pelo Serviço de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Município estudado. Para a análise dos dados utilizou-se do método analítico teórico e empírico, utilizando-se como recorte temporal os anos de 2007 a 2010. Nesse caso considerou-se a variabilidade pluviométrica e térmica sazonal dos meses de dezembro, do ano anterior, a maio, do ano seguinte, período esse analisado trimestralmente. Essas variáveis meteorológicas foram analisadas relacionando-as com os casos de Dengue. Os dados foram submetidos a operações matemáticas e com auxílio do software Excel, apresentados em forma de tabelas e gráficos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Dos elementos meteorológicos analisados verificou-se que a temperatura mínima e o total de chuva foram os dois fatores que melhor justificam o aumento no número de casos de Dengue no município estudado. Dos quatros anos analisados os anos de 2007 e 2010 foram anos com maiores ocorrências de casos positivos de Dengue e 2008 e 2009 tiveram os menores números de casos registrados. Para os anos de 2007 e 2010 as características dos elementos temperatura mínima e chuva e a ocorrência de casos de Dengue foram as seguintes: Os meses de verão (Dezembro 2006, Janeiro e Fevereiro de 2007) e outono (Março, Abril e Maio de 2007) apresentam uma relação sequêncial (DJF, JFM, FMA, MAM) com temperatura mínima (em torno de 21ºC nos meses de verão e 19ºC a 21ºC em abril e março) e total de chuva elevadas. Ou ainda, dentro dessa seqüência, a ocorrência de pelo menos uma variável esteve acima do padrão habitual. Essas condições favoreceram o aumento no número de casos positivos de Dengue no município de Maringá, quando registrou-se nessas duas estações um número de 5.551 (2007) e 3.629 (2010) casos, de um total anual de 5676 e 3693, respectivamente (Figura 1). Os outros anos, 2008 e 2009, não apresentaram relação sequêncial da variável temperatura mínima e total de chuva, semelhantes à descrita para os anos de 2007 e 2010. Para as estações de verão e outono, no ano de 2008 houve ocorrência de 53 casos positivos de Dengue, de um total anual de 57 e em 2009 foram 54 de um total de 63 casos. 2589 CHUVA mm Nº CASOS DENGUE CHUVA mm Nº CASOS DENGUE 1659 627 623 271,5 238,3 235,0 207,4 150,0 63,9 53 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 20 mai/07 34 Temp Méd 32 Temp Máx dez/07 Temp mín 30 9 9 jan/08 172,2 126,6 fev/08 25 mar/08 81,5 10 abr/08 1 mai/08 34 Temp Méd 32 Temp Máx Temp mín 30 28 28 26 Temperatura (ºC) Temperatura (ºC) 134,6 117,5 40,0 24 22 20 18 26 24 22 20 18 16 16 14 14 12 12 10 10 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 dez/07 mai/07 jan/08 fev/08 mar/08 CHUVA mm CHUVA mm abr/08 mai/08 Nº CASOS DENGUE Nº CASOS DENGUE 1202 1077 791 385 360,4 264,7 243,9 252,8 97,5 85,4 1 dez/08 6 jan/09 3 10 174 103,6 58,9 16 mar/09 abr/09 18 30 Temperatura (ºC) 28 Temperatura (ºC) jan/10 fev/10 26 24 22 20 18 Temp Méd Temp Máx Temp mín 12 jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 56,6 abr/10 mai/10 Temp Máx 30 28 26 24 22 20 18 16 14 12 10 10 dez/08 mar/10 Temp Méd Temp mín 34 32 32 14 64,2 mai/09 34 16 128,8 5 dez/09 fev/09 190,0 mai/09 dez/09 jan/10 fev/10 mar/10 abr/10 Figura 1 – Dados de chuva, de temperatura e de Dengue em Maringá PR, período 2007 a 2010. mai/10 Percebeu-se que o total anual de chuva acima do padrão não é condição para o aumento de ocorrência de casos de Dengue, pois os anos com os maiores registros dessa doença tiveram totais anuais de chuva abaixo do ano padrão (1640 mm). No ano de 2007 choveu um total de 1365,7 mm e em 2010 choveu 1444,7 mm. Para os anos de 2008 e 2009 os totais de chuva foram de 1365,7 mm e 2171,2 mm respectivamente. Mendonça et al. (2010) e Oliveira (2006), perceberam que além do desenvolvimento dessa doença estar intimamente associada com as condições meteorológicas (variáveis térmicas e hídricas) é também de ocorrência preferencialmente urbana, sendo que os fatores de ordem socioeconômica e política podem contribuir para a sua proliferação. Keating (2001) considerada que os totais pluviométricos contribuem, no verão, para a incidência da doença. Por fim, salienta-se que nesta pesquisa não foram abordados todos os atributos condicionantes, sendo que outras variáveis serão consideradas para complementar estudos futuros. CONCLUSÃO A partir da análise dos dados, foi possível avaliar a relação entre os elementos meteorológicos, especialmente chuva e temperatura mínima do ar, e verificar suas influências no aumento de casos positivos de Dengue na cidade de Maringá nos anos de 2007 a 2010. Observou-se que há um período sazonal, que corresponde aos meses de dezembro a maio, preferencial para o aumento de casos de Dengue. O maior número de casos ocorreu nos anos de 2007 e 2010, em períodos de no mínimo dois meses, onde há aumento de temperatura mínima concomitantemente com aumento no total de chuva. Verificou-se que apenas o total de chuva não é condição para o aumento no número de casos positivos de Dengue. Totais anuais de chuva acima da média e temperatura mínima abaixo da média podem não contribuir para o aumento de casos da referida doença. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS OLIVEIRA, M.M.F. Condicionantes sócio ambientais urbanos da incidência de Dengue em Londrina, PR. Dissertação (Mestrado). Curitiba, UFPR. 2006. Keating, J. An investigation into the cyclical incidence of Dengue fever. Soc Sci Med. v. 53, p.1587-1597, 2001. MENDONÇA, F. Aspectos da interação clima-ambiente-saúde humana: da relação sociedadenatureza à insustentabilidade ambiental. Rev. RA’EGA, UFPR, n. 4, p. 85-99. 2000. MENDONÇA, F. Influência climática na incidência de Dengue na região Sul do Brasil (uma introdução). Disponível em: http://observatoriogeograficoamericalatina.org. mx/egal11/Procesosambientales/Climatologia/01.pdf. Acesso em: 15 jul 2010. SANT’ANNA NETO, J. L.História da Climatologia no Brasil. Cadernos Geográficos nº. 7, Florianópolis , UFSC – Depto de Geociências, 2004, 124 p.