INFLUÊNCIA DE INDICADORES SÓCIO-AMBIENTAIS NOS CASOS POSITIVOS DE
DENGUE DO MUNICÍPIO DE FERNANDÓPOLIS-SP
Lima, C. L. de 1, Mendes, E.C.B2, Vanzela, L. S. 3
1
UNICASTELO/Mestranda em Ciências Ambientais, Estrada projetada F-1, s/n, Fazenda Santa Rita,
Fernandópolis – SP
2
1UNICASTELO/Mestranda em Ciências Ambientais, Estrada projetada F-1, s/n, Fazenda Santa Rita,
Fernandópolis – SP
3
UNICASTELO/Professor Titular, Mestrado em Ciências Ambientais
1
2
3
[email protected] , [email protected] , [email protected]
Resumo – Sabendo-se que o município de Fernandópolis está entre os 25% dos municípios com maior
número de casos de dengue do Estado de São Paulo e que os fatores socioambientais são decisivos neste
processo, este trabalho objetivou avaliar a influência de indicadores socioambientais nos casos positivos de
dengue do município por meio de análise de regressão estatística. Observou-se que os casos positivos de
dengue tenderam a diminuir com o aumento da renda bruta per capta, distância média dos cursos d’água e
cobertura arbórea. Para os indicadores densidade demográfica e área de terreno livre de edificações, os
casos positivos de dengue diminuíram determinado valor, a partir do qual, aumentaram novamente.
Palavras-chave: geoprocessamento; Aedes aegypti, epidemias.
Área do Conhecimento: Ciências Ambientais, Saúde Ambiental
Introdução
Um dos principais problemas de saúde pública
no Brasil e no mundo, atualmente, é a incidência
de doenças transmitidas por vetores, dentre os
quais, pode-se destacar a dengue. De acordo com
o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado
de São Paulo (2011), em 2011, somente no
Estado de São Paulo foram diagnosticados
aproximadamente 103.000 casos de dengue, que
tem como vetor o mosquito Aedes aegypti.
Deste modo, uma forma de favorecer o controle
da incidência de dengue é minimizar as
características do ambiente que favorecem a
proliferação de seu vetor. Mas para que isso seja
possível, em uma grande área municipal, é
necessário conhecer os fatores socioambientais
que se correlacionam com o aumento da
reprodução e disseminação do vetor. Embora já se
conheça o ambiente favorável ao vetor da dengue,
poucos trabalhos tem se dedicado a modelar a
reprodução do vetor com os fatores ambientais.
Alguns trabalhos, como o desenvolvido por Strini
(2006), tentaram modelar e, com isso, desenvolver
sistemas de previsão da incidência de dengue.
No município de Fernandópolis, Noroeste do
Estado de São Paulo, com população de cerca de
65.000 habitantes e com incidência de pobreza de
17,8% (IBGE, 2010a), está localizado em uma
região de clima Tropical úmido (Aw) de acordo
com a classificação de Koppen (Rolim et al.,
2007). Estas características favorecem a sua
colocação entre os 25% dos municípios do Estado
de São Paulo com maior incidência de casos de
dengue, que de acordo com dados do Centro de
Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo
(2011) em 2011, foi de 149 casos por 100.000
habitantes. Assim, este trabalho objetivou avaliar a
influência de fatores socioambientais nos casos
positivos
de
dengue
do
município
de
Fernandópolis - SP.
Metodologia
O trabalho foi desenvolvido em Fernandópolis SP, com os dados de 40 bairros que apresentaram
casos positivos de dengue (cp) no ano de 2011.
Os indicadores socioambientais selecionados para
avaliar a influência sobre os “cp” foram: densidade
demográfica (dd), renda bruta per capita (rc),
distância média dos cursos d'água (dc), área de
terrenos livres de edificações (tl) e área de
cobertura arbórea (ca).
A influência dessas variáveis independentes
sobre a variável dependente “cp“ foi avalaida por
meio de análises estatisticas de regressão. Os
dados de “dd“ e “rc“ foram obtidos a partir de
mapas do banco de dados do IBGE (2010b). Os
dados de “dc“ foram obtidos por um mapa de
distâncias dos córregos obtido por técnicas de
geoprocessamento. A “tl“ foi obtida por meio de
mapas cedidos pela Prefeitura Municipal. Já a “ca“
foi obtida a partir do mapa de cobertura arbórea
desenvolvido por Silva et al. (2009). Os dados de
“cp“, por bairro em 2011, foram cedidos pela
Superintendência de Controle de Endemias.
Após tabulados os dados, realizou-se a análise
de regressão estatística da variável dependente
Encontro de Pós-Graduação e Iniciação Científica – Universidade Camilo Castelo Branco
147
em função das variáveis independentes, com o
auxílio do software SPSS, onde foram
selecionados os modelos de melhor significância
estatística para explicar a relação entre as
variáveis.
Resultados
Os melhores modelos encontrados da resposta
dos
“cp”
em
função
dos
indicadores
socioambientais
estão
apresentados
nas
equações 1, 2, 3, 4 e 5.
cp = 3 ⋅ 10 -7 ⋅ dd2 - 0,0029dd+ 11,947 (p=0,281)…….(1)
cp = - 0,0133⋅ rc + 9,4689 (p=0,234)………………..(2)
cp = - 0,0053⋅ dc + 8,9573 (p=0,230).....................(3)
cp = 124,21⋅ tl2 - 178,59⋅ tl + 67,448 (p=0,135)..........(4)
cp = - 17,581⋅ ca + 7,5946 (p=0,421)......................(5)
Discussão
O melhor modelo encontrado para “cp” em função
da “dd” foi o quadrático (equação 1), com
significância estatística de p = 0,281. Utilizando
este modelo, observou-se que o número médio de
“cp” tendeu a reduzir até um mínimo de 5 casos
-1
-1
-2
1000 hab na “dd” de 4833 hab km , a partir do
qual houve aumento novamente. Para a “rc” o
melhor modelo obtido foi o linear (equação 2), com
significância estatística p = 0,234. Entretanto, de
acordo com o modelo obtido, houve uma
tendência de redução dos “cp” com o aumento da
-1
-1
“rc”, variando de um média de 1 caso 1000 hab
-1
-1
para uma “rc” de R$ 638,00 hab mês até 8
-1
-1
casos 1000 hab para um “rc” de R$ 102,00 hab
1
-1
mês . O modelo de maior significância dos “cp”
em função da “dc” foi o linear (equação 3) com
significância de p = 0,230. No entanto, se este
modelo for considerado, espera-se que os “cp”
zerem a partir de distâncias acima de 1690 m dos
cursos d’água. Para os “cp” em função da “tl”
observou-se que o modelo quadrático (equação 4)
foi o mais significativo, com p = 0,135. A partir
deste modelo verifica-se que os valores médios
dos “cp” diminuiriam até um mínimo de 3 casos
-1
-1
2
-2
1000 hab para uma “tl” de 0,72 m m , a partir
do qual, aumentam novamente com o aumento da
“tl”. Já os “cp” em função da “ca” apresentou
significância p = 0,421 para o modelo linear
(equação 5). Se mesmo assim for considerado,
espera-se que os “cp” sejam zerados para um
2
-2
valor médio de “ca” igual a de 0,43 m m .
tenderam a diminuir com o aumento dos
indicadores renda bruta per capta, distância média
dos cursos d’água e cobertura arbórea.
Para o indicador densidade demográfica, os
casos positivos de dengue diminuíram até o valor
-2
de 4833 hab km , a partir do qual aumentou
novamente. E com o indicador área de terreno
livre de edificações, os casos positivos de dengue
2
-2
reduziram até uma área de 0,72 m m , a partir do
qual, aumentou novamente.
Referências
- CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
DO ESTADO DE SÃO PAULO. Distribuição dos
casos de dengue autóctones segundo o município
provável de infecção e casos importados de outros
estados segundo o município de residência no
Estado de São Paulo no ano 2011. São Paulo:
CVE-SP, 2011.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA - IBGE. @cidades. Brasília, 2010a.
Disponível em:<http://www.ibge.gov.br>. Acesso
em: 10 mar. 2012.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA - IBGE. Censo Demográfico 2010.
Brasília,
2010b.
Disponível
em:<http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 mar.
2012.
- STRINI, E. J. Previsão da incidência de dengue
por meio de redes neurais artificiais. 2006. 52f.
Monografia (Curso de Informática Biomédia),
Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2006.
- SILVA, A. Q. L. da; OLIVEIRA, D. M. da S.;
CASTREQUINI, J. E.; MARTINS, L. C.; VANZELA,
L. S. Condições atuais de arborização do
perímetro urbano do município de Fernandópolis SP. In: Simpósio de Iniciação Científica da
Fundação Educacional de Fernandópolis, 2009,
Fernandópolis. 6 Simpósio de Iniciação Científica
da Fundação Educacional de Fernandópolis.
Fernandópolis:
Fundação
Educacional
de
Fernandópolis, 2009.
Conclusão
Os
casos
positivos
de
dengue
em
Fernandópolis, considerando os modelos obtidos,
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