1 Sinopse
“Teria sido uma noite como qualquer outra, se ele não tivesse aparecido. E se eu
não estivesse completamente sozinha. Com um estranho em um Penhasco e sem
lembrar de como fui parar ali. Me assustei quando ele se materializou à minha
frente. Nunca vi olhos iguais. Verdes, como esmeraldas. Meu medo se tornou
ainda maior com meu próprio desejo, que me preencheu inexplicavelmente em
um segundo ou menos. Mas seu olhar me provocava uma sensação incômoda.
Parecia gritar que alguma coisa muito ruim acontecia naquele instante. Ainda
assim, demorei a me convencer. Não podia ser real. No início, pensei que tudo
fosse apenas um sonho. Quando despertei, já era tarde.”
2 Prólogo
Uma noite típica de Los Angeles.
Um posto de gasolina.
Um policial se dirige à loja de conveniência para comprar cigarros.
Um bêbado bate continência, enquanto segura a porta de vidro para o policial entrar.
Um casal solicita informações.
Duas sombras observam, aguardando o momento certo de agir. Um único suspeito.
Nenhuma lembrança.
Não há evidências.
Não há testemunhas.
Não há motivo.
Duas filhas dormem tranquilas, em um quarto de hotel.
Uma jovem sonha com olhos hipnotizantes, desejando que o sonho fosse realidade.
Verde-esmeralda. Cabelos pretos.
E a certeza...
A certeza, de que havia muito que ele sabia.
A certeza, de que havia muito a se descobrir.
E ela queria. Ela o queria.
E queria saber. De tudo.
Devemos ter cuidado com o que desejamos.
3 “Alguns perdem a fé, quando o Céu mostra pouco. Outros, quando o Céu mostra demais.”
Willian Shakespeare
Primeiro capitulo
HIPNOTIZANTE
Liza
Passei alguns minutos tentando me convencer: “Não foi real, Liza, não foi real.”
Repeti diversas vezes durante a noite.
Se tudo não passava de um sonho, eu não queria mais acordar. Estava dividida entre a
sensação e a razão. Uma me seduzia com o melhor sentimento que já tive. A outra me
forçava a aceitar o que eu já conhecia, me obrigava a retornar para o mundo concreto. Mas
eu não queria voltar. Apesar de não saber como fui parar ali, àquela altura, pouco me
importei como isso ocorreria. No momento em que o vi, fui dominada por uma estranha
certeza: tudo o que eu sabia sobre mim e conhecia do mundo à minha volta não se
aproximava de um terço da verdade. Percebi, tardiamente, que daquele momento em diante,
estaríamos condenados. As coisas aconteceram em questão de minutos e minha vida virou
de cabeça para baixo. Eu só me dei conta de que meus pais ainda não haviam retornado do
mecânico ao ver os primeiros raios de sol entrarem pelas frestas das cortinas. Sentei-me na
cama, ligeiramente desnorteada, e abafei um grito quando o vi ali. O homem do Penhasco
me observava parado ao lado da TV. Seu olhar esmeralda estava sério, me causou calafrios.
Mas antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele desapareceu. — Não! — gritei para o
quarto de hotel.
Vazio.
4 Como ele consegue desaparecer assim?
Esfreguei os olhos e observei a cama de casal. Intocada.
Onde estão meus pais?
Por um momento esqueci que Raquel dormia na cama de solteiro ao meu lado. Minha irmã
continuou em sono profundo quando levantei e me esgueirei pelo quarto. Precisava ligar,
com urgência, para o celular da minha mãe. Uma calmaria estranha pairava no ar, entrava
com as lufadas de vento pela cortina. O costumeiro arrepio gelou meu sangue, e isso
geralmente acontecia antes dos problemas aparecerem.
Meus ombros enrijeceram quando olhei, de verdade, para aquele quarto de hotel. Vi as malas
reviradas, vi as roupas jogadas no chão, formando um caminho até a porta. Era o cenário de
um arrombamento, mas nada parecia ter desaparecido. Além, é claro, dos meus pais.
Calma! Deve haver alguma explicação.
Respirei fundo.
Será que alguém entrou aqui sem que eu ouvisse nada? Afinal, o meu sono sempre foi tão leve.
“Seja honesta consigo mesma, Liza”, disse meu consciente com desdém. “Você estava muito
entretida com seu sonho.”
Verdade, admiti.
Em meio a toda essa tensão desejei, intimamente, voltar para o sonho. Para ele... Olhos
verdes e sedutores... Atraiam-me para um Penhasco deslumbrante.
Ao desviar-me de uma bolsa caída, encontrei um papel rasgado, jogado sobre uma das malas.
Apesar do garrancho, reconheci a letra da minha mãe:
5 “Liza, algo aconteceu... Saiam desse hotel, mas não voltem para casa. Não procurem por nós.
Amamos vocês. Tel: 323 674 -3432.”
Liguei imediatamente para o número no papel. Uma voz masculina atendeu:
— Delegado Machado.
***
O homem do Penhasco
Eu a observava de perto, precisamente, ao seu lado na cama. Não era a primeira vez que o
fazia. Muito menos, seria a última. Às vezes ela suspeitava da minha presença, me procurava
por todos os lados, chegava até a olhar atrás da cortina. Eu gostava de vê-la, inspirando o ar
com força, algo que ela sempre fazia quando eu deixava o recinto. Ela parecia gostar do meu
cheiro, mesmo não sabendo a quem pertencia.
Ainda não havia acontecido o esperado, mas seria nessa noite.
O oposto da tormenta sempre pairava no ar antes das sombras chegarem. Eu já sentia a
aproximação do fim. Podia sentir a calma criando um momento sereno, antecipando a
tragédia. Algumas vezes as sombras se manifestavam sutilmente, como um sussurro no
vento, em outras, eram violentas, bruscas. Depois que desapareciam, deixavam no ar aquele
vestígio para nos reafirmar que o que foi não volta. Costumava ser um vislumbre de vida que
pairava por alguns segundos, até desaparecer por completo.
Observei a garota mais nova, Ela se aconchegou no colchão e, em poucos minutos,
adormeceu. Já a que estava sob o meu olhar vigilante deitou-se para dormir e repetiu
diversas vezes o movimento de inspirar e expirar o ar com força. Pressentia o que se
aproximava. Respirava pesadamente, com o peito inflando e esvaziando. Sua intuição era
aflorada, e a calma, pesando o ar ao seu redor, a assustava. Ela olhou algumas vezes para o
relógio de pulso e sacudiu a cabeça. Lutava para afastar seus próprios pensamentos, que eu
6 sentia, densos de preocupação. Demorou algum tempo para que sossegasse até que ajeitou o
travesseiro e, após uma longa pausa, relaxou e adormeceu. Agora, tinha a expressão serena,
despreocupada. Mal sabia o que a aguardava naquela noite. Mal imaginava o que a manhã
seguinte lhe traria. Faltava pouco. Para mim, seria em um piscar de olhos. Para ela, algumas
horas.
Deixei o quarto e fui até o Penhasco, como havia planejado. Retornei após um breve tempo.
Contornei o rosto dela suavemente com o indicador. Era a minha despedida. Ela murmurou
de leve, prestes a despertar. Antes que abrisse os olhos, me afastei. Caminhei a passos lentos
até a televisão. E ela me viu.
Eu não podia ficar, nem devia estar ali.
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