Síntese
Síntese
O envelhecimento terá um impacto profundo nas sociedades e deverá reter cada vez
mais a atenção dos decisores políticos, no século XXI. No mundo desenvolvido, mas
também em numerosas regiões do mundo em desenvolvimento, a proporção de pessoas
idosas na população está a aumentar rapidamente. O envelhecimento reflecte o êxito
do processo de desenvolvimento humano, uma vez que é uma consequência da queda
da mortalidade (aliada a uma descida da fecundidade) e de uma maior longevidade.
O envelhecimento cria novas oportunidades, associadas à participação activa dos
idosos tanto na economia como na sociedade em geral. Nesses países, principalmente
no mundo em desenvolvimento, onde o número de jovens está ainda a aumentar
rapidamente, a conjuntura é propícia ao desenvolvimento económico. O envelhecimento da população também levanta desafios importantes, em particular no que
se refere à viabilidade financeira dos sistemas de reforma, aos custos dos sistemas
de cuidados de saúde e à plena integração dos idosos como parceiros activos do desenvolvimento da sociedade.
O World Economic and Social Survey 2007 analisa os desafios e oportunidades
ligados ao envelhecimento das populações e visa facilitar os debates sobre a implementação do Plano Internacional de Madrid adoptado, por consenso, a 12 de Abril de
2002, pela Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento. O Plano de Madrid proporciona um quadro de referência que permite integrar o debate sobre o envelhecimento
da população no debate sobre o desenvolvimento e a aplicação de políticas nacionais
destinadas a responder ao desafio de construção de sociedades para todas as idades.
O Plano dá prioridade à integração do envelhecimento no conjunto de prioridades
internacionais em matéria de desenvolvimento, à promoção da saúde e do bem-estar na
terceira idade e à criação de um ambiente favorável às pessoas idosas.
Envelhecimento da população mundial
A estrutura etária da população mundial conhece uma transformação profunda. Devido
à queda da mortalidade e da fecundidade, a pirâmide etária sofreu uma alteração
progressiva no sentido do aumento da proporção de idosos. Esta transformação regista-se em todas as regiões do mundo.
O aumento da esperança de vida e a redução da descendência final são os principais factores que determinam a “transição demográfica”. À escala mundial,
a esperança de vida passou de 47 anos, em 1950-1965, para 65 anos, em 2000-2005,
e deverá atingir os 75 anos, em 2045-2050. No período entre 1950-1955 e 2000-2005,
a fecundidade total baixou de 5,0 para 2,6 filhos por mulher e deverá continuar
a diminuir até atingir os 2,0 filhos por mulher, em 2045-2050. Em várias regiões do
mundo, não só nos países desenvolvidos mas também em muitos países em desenvolvimento, a descendência final é agora inferior a 2 filhos por mulher e, portanto, inferior
ao nível necessário para a substituição da população a longo prazo.
v
vi
World Economic and Social Survey 2007
A transição demográfica compreende três fases. Durante a primeira, produz-se
um rejuvenescimento da pirâmide etária, à medida que a proporção de crianças
aumenta, em virtude do aumento da taxa de sobrevivência entre os grupos mais jovens
da população. Durante a segunda fase, devido à baixa da fecundidade, a proporção de
crianças começa a diminuir, sendo acompanhada por um aumento da proporção de
adultos em idade de trabalhar. Durante a terceira fase – que, em geral, surge após longos períodos de queda da fecundidade e da mortalidade – a proporção de crianças e a
de adultos em idade de trabalhar diminui, aumentando apenas a proporção de idosos.
O forte crescimento da população activa, durante a segunda fase da transição, é
temporário (dura, em regra, cerca de 30 anos). No entanto, dura o tempo suficiente
para ter repercussões significativas nos países em questão. Teoricamente, este dividendo
demográfico cria uma conjuntura propícia ao desenvolvimento económico acelerado.
Contudo, a concretização destes benefícios potenciais depende da criação de empregos
produtivos e de possibilidades de investimento e, em última análise, da existência de
condições sociais e políticas susceptíveis de proporcionar condições favoráveis a um
crescimento e desenvolvimento sustentáveis.
Durante a terceira fase, o envelhecimento da população pode criar problemas
específicos às políticas públicas, sendo necessários ajustamentos importantes em diversos domínios para fazer face a uma diminuição da mão-de-obra e à procura crescente
de cuidados de saúde e de apoio aos idosos.
Envelhecimento demográfico acelerado
nos países em desenvolvimento
Os países desenvolvidos encontram-se, em geral, na terceira fase da transição demográfica e a sua estrutura etária é nitidamente mais velha do que a dos países em desenvolvimento. Nos países de economia em transição, a estrutura etária é, em regra, mais jovem
do que a dos países desenvolvidos, embora seja consideravelmente mais velha do que a
dos países em desenvolvimento.
A maioria dos países em desenvolvimento encontra-se na segunda fase da transição demográfica. No entanto, a maior parte dos idosos do mundo vive nos países em
desenvolvimento e, até 2050, 79% da população com 60 anos ou mais, ou seja, cerca
de 1,6 mil milhões de pessoas, viverão nesses países (figura 0.1). Além disso, os países
onde se registaram quedas rápidas da fecundidade, em particular no Leste Asiático e no
Pacífico bem como na América Latina e Caraíbas, conhecerão um envelhecimento
demográfico mais rápido do que o que os países hoje desenvolvidos conheceram no
passado. Pelo contrário, a maioria dos países africanos só há pouco iniciou a segunda
fase da transição demográfica e a população desta região deverá manter-se relativamente
jovem, durante uma boa parte do século XXI.
Síntese
vii
Figura 0.1.
Dimensão e distribuição da população mundial com 60 anos ou mais, 1950,
1975, 2000, 2025 e 2050
2 000
Milhões
1 800
1 600
1 400
79
1 200
1 000
70
800
600
63
400
200
0
52
9
39
1950
38
1975
4
5
53
7
10
30
2005
25
2025
18
2050
Anos
Países em desenvolvimento
Economias em transição
Países desenvolvidos
Fonte: Nações Unidas /Departamento de Assuntos Económicos e Sociais.
Notas: 1) O gráfico apresenta estimativas (até 2005) e projecções com base na variante média (depois de 2005).
2) As percentagens são indicadas nas barras.
Diferenças entre os sexos na velhice
Como as mulheres vivem, em geral, mais tempo do que os homens, são sensivelmente
mais numerosas do que estes entre os idosos. A proporção de mulheres na população
idosa tem, por conseguinte, tendência para aumentar sensivelmente com a idade. Em
2005, havia, no mundo inteiro, cerca de 4 mulheres por cada três homens a partir dos
65 anos e perto de 2 mulheres por cada homem a partir dos 80 anos. Contudo, devido,
em parte, à redução prevista desta vantagem de longevidade das mulheres nos países
desenvolvidos, a diferença entre o número de homens e o de mulheres entre as pessoas
idosas deverá diminuir um pouco nestes países, até 2050. Em compensação, nos países
em desenvolvimento, o desequilíbrio entre o número de homens e o de mulheres idosos acentuar-se-á ainda mais em consequência da crescente disparidade entre os sexos
em matéria de esperança de vida.
viii
World Economic and Social Survey 2007
Aumento dos índices de dependência
Uma das consequências do envelhecimento na maioria das sociedades é a diminuição do
número de pessoas activas e que têm rendimento em relação ao das que não trabalham
e dependem de rendimentos gerados por outros. Os índices de dependência comparam
o tamanho de um grupo da população considerado economicamente dependente (em
regra, os jovens com menos de 15 anos e os idosos com mais de 65 anos) com o de outro
que é considerado economicamente activo. Devido às limitações dos dados, os índices
de dependência são em geral calculados unicamente em função dos grupos etários.
Entre 1975 e 2005, o índice de dependência a nível global desceu de 74 para 55
dependentes por 100 pessoas activas, devido a uma redução muito acentuada do
número de crianças e jovens a cargo. Esta tendência decrescente deverá deixar de se
verificar durante a próxima década, após o que se inverterá. O índice de dependência
total (que relaciona o número de crianças de menos de 15 anos e adultos com 65 anos
ou mais com o número de adultos de 15 a 64 anos) deverá ser de 53, em 2025, para
alcançar os 57 dependentes por 100 pessoas em idade de trabalhar, até 2050, devido
apenas à subida do índice de dependência de idosos (número de pessoas com 65 anos
ou mais em relação ao número de pessoas em idade economicamente activa).
Nos países desenvolvidos, o índice de dependência total atingiu um nível historicamente baixo em 2005. Espera-se uma subida regular deste índice no conjunto dos
países, devido ao aumento previsto do número de idosos no futuro (ver figura 0.2a). As
tendências dos índices de dependência nos países em transição são idênticas às observadas nos países desenvolvidos.
No caso dos países em desenvolvimento, tanto a experiência histórica como as
perspectivas de futuro são muito diferentes. Entre 1950 e 1975, o seu índice de dependência total foi muito mais elevado do que o dos outros dois grupos de países, devido,
principalmente, a um grande número de crianças e jovens a cargo (figura 0.2b). Desde
cerca de 1975, porém, os índices de dependência de crianças e jovens e de dependência
total nos países em desenvolvimento têm diminuído e a dependência total deverá continuar a baixar até 2025, para aumentar de novo a partir daí, em consequência da rápida
subida projectada do índice de dependência de idosos.
O envelhecimento demográfico é inevitável
Espera-se um envelhecimento acentuado da população nas próximas décadas, em todas
as regiões do mundo. É pouco provável que as intervenções dos poderes públicos destinadas a incentivar a fecundidade nos países onde esta é baixa – ainda que tais intervenções sejam eficazes – modifiquem sensivelmente essa previsão. Além disso, embora um
aumento considerável do número de migrantes internacionais pudesse alterar as tendências entre a população activa dos países industrializados, qualquer hipótese plausível
relativa aos níveis futuros da migração internacional teria apenas um impacto moderado no envelhecimento esperado da população desses países.
Síntese
ix
Dado que se compreendem bem as alterações futuras da estrutura etária da
população, é com frequência possível prevê-las. Em condições ideais, as intervenções
dos poderes públicos deveriam ter lugar antecipadamente, a fim de facilitar a adaptação
a essas alterações demográficas a longo prazo. Ainda que o envelhecimento demográfico
seja inevitável, as suas consequências dependem das medidas adoptadas para superar os
desafios que coloca.
Figura 0.2.b
Índices de dependência de jovens
e de idosos, 1950-2050, em países
em desenvolvimento
Figura 0.2.a
Índices de dependência de jovens
e de idosos, 1950-2050, em países
desenvolvidos
Estimativas
Projecção
90
90
80
80
70
Total
Idosos
60
50
40
Jovens
30
Estimativas
100
Por 100 pessoas com 15-64 anos
Por 100 pessoas com 15-64 anos
100
Total
70
60
50
Jovens
40
30
20
20
10
10
0
Projecção
Idosos
0
1950
1960
1970
1980
1990
2000
2010
2020
2030
2040 2050
1950
1960
Anos
1970
1980
1990
2000
2010
2020
2030
2040 2050
Anos
Fonte: Nações Unidas /Departamento de Assuntos Económicos e Sociais.
Nota: Os índices de dependência de jovens e de idosos representam a relação entre, respectivamente, a população
com 0-14 anos e com 65 anos ou mais e a população activa, com idades compreendidas entre 15 e 64 anos.
O índice de dependência total corresponde à soma desses dois índices.
Contudo, não será, sem dúvida, fácil garantir ao número crescente de idosos
suficiente apoio, acesso a um trabalho digno, no caso de precisarem de se manter
economicamente activos ou o desejarem, e cuidados de saúde apropriados. Se não se
puder acelerar de forma sustentada o crescimento económico, o envelhecimento
representará um fardo mais pesado para a população activa (sob a forma de um
aumento dos impostos e de outras contribuições), a fim de assegurar uma transferência
estável de recursos para os grupos de idosos.
Envelhecimento e mudanças no contexto social
As condições sociais em que as pessoas envelhecem estão a transformar-se rapidamente.
O tamanho das famílias está a diminuir, o papel das famílias extensas está a sofrer uma
redução e as noções de apoio intergeracional e de cuidados aos idosos evoluem rapidamente.
x
World Economic and Social Survey 2007
Evolução das condições de vida
Um em cada 7 idosos, ou seja, 90 milhões de idosos, vivem sós e esta proporção
aumentou na maior parte dos países, durante a última década. Ainda que esse crescimento seja bastante modesto, é provável que a tendência se mantenha e tenha consequências sociais importantes, especialmente para as mulheres idosas, que têm maior
probabilidade de viver sozinhas (figura 0.3). O facto de os idosos viverem sozinhos, que
pode implicar um isolamento crescente, torna mais difícil a prestação de cuidados pelos
membros da família e aumenta a necessidade de assegurar serviços de apoio suplementares para permitir que os idosos continuem a viver em suas casas. Os países em desenvolvimento podem ter dificuldade em prestar serviços deste tipo.
Nos países em desenvolvimento, a grande maioria dos idosos vive com os filhos
adultos. É o caso de cerca de três quartos dos idosos com 60 anos ou mais, na Ásia e na
África, e de dois terços deste grupo etário, na América Latina. A proporção de idosos
que vivem sós é ainda relativamente baixa, ou seja, inferior a 10%, mas está a aumentar
na maioria dos países em desenvolvimento, embora não em todos.
Figura 0.3.
Proporção de idosos com 60 anos ou mais que vivem sós, por região e por
sexo, 2005 (percentagem)
Percentagem
40
37
34
30
19
20
16
14
10
10
9
8
8
9
6
3
0
Mundo
Ásia
África
Homens
América Latina
e Caraíbas
América
do Norte
Europa
Mulheres
Fonte: Nações Unidas/Departamento de Assuntos Económicos e Sociais.
As repercussões destas modificações da composição da família e dos arranjos
domiciliares, no que se refere ao apoio e cuidados aos idosos, variam em função do
contexto. Nos países onde os idosos têm um acesso limitado aos organismos oficiais de
protecção social, têm de contar com a família e a comunidade local. Acontece, porém,
Síntese
que estes mecanismos informais de protecção têm sido sujeitos recentemente a tensões
crescentes, sob o efeito não só de factores como as tendências demográficas mencionadas e a crescente participação das mulheres no mundo do trabalho, mas também da
mudança na concepção dos cuidados aos pais e aos idosos em geral.
A transformação das condições de vida dos idosos tem importantes repercussões
em termos de políticas públicas, tanto nos países em desenvolvimento como nos países
desenvolvidos. Os países desenvolvidos devem alargar a oferta de cuidados formais
de longa duração para os idosos, incluindo acolhimento em instituições apropriadas, e
criar outros tipos de serviços de apoio, a fim de que os idosos que desejem viver em
suas casas o possam fazer (ver também mais abaixo). Os países em desenvolvimento
enfrentam desafios ainda maiores, uma vez que, além de criar infra-estruturas de base
para os idosos (abastecimento de água, saneamento, etc.) e prestar-lhes serviços sociais,
deverão expandir a oferta formal de cuidados de longo prazo e desenvolver novas
formas de apoio informal.
Participação e empoderamento dos idosos
À medida que os idosos constituem uma percentagem cada vez maior da população
total, têm possibilidade de assumir um papel também mais decisivo na sociedade.
O empoderamento e a participação política dos idosos variam muito de um país para
outro: há países onde os idosos têm um grande peso social e político, ligado sobretudo
a uma forte concentração dos recursos económicos e a uma tradição de participação
política; em muitos outros países, porém, os idosos não estão organizados e têm uma
grande dificuldade em expressar as suas preocupações e em conseguir que sejam incorporadas no debate público e nas opções em matéria de políticas.
As organizações não-governamentais internacionais e nacionais têm encorajado
activamente os idosos a organizarem-se para constituir uma força capaz de influenciar a
concepção e aplicação das políticas que os afectam. Dado que a alfabetização e a formação permanente, nomeadamente a informação sobre direitos humanos, constituem
elementos importantes de empoderamento, as medidas que visem organizar as pessoas
idosas deveriam ser conjugadas com programas alargados que englobassem esses
elementos.
Empoderamento dos idosos e luta contra
a negligência e os maus tratos
Embora seja difícil quantificar de um modo sistemático a incidência de abusos e maus
tratos, há motivo para nos preocuparmos com os casos de negligência e de maus tratos
infligidos a idosos. Foram assinalados tais casos no seio da família e das comunidades
mas também em instituições que prestam cuidados a idosos, tantos nos países desenvol-
xi
xii
World Economic and Social Survey 2007
vidos como nos países em desenvolvimento. Os factores de risco estão, com frequência,
associados a falta de recursos em matéria de cuidados, à formação e educação insuficientes dos prestadores de cuidados, ao stress ligado ao trabalho em tais instituições, à
existência de estereótipos negativos dos idosos na sociedade e a situações de pobreza em
geral.
Garantir e proteger os direitos humanos dos idosos tal como são definidos na
Declaração Universal dos Direitos Humanos (resolução 217.a (III) da Assembleia Geral)
é um meio importante de reduzir os riscos de maus tratos e de os tornar autónomos. Em
certos países, são necessárias, por vezes, leis complementares para melhorar o quadro
jurídico destinado a proteger os direitos dos idosos, evitar a negligência e os maus tratos
e reforçar as suas possibilidades de participação em todos os aspectos da vida social.
Não basta, porém, melhorar o quadro jurídico. É também preciso que as sociedades
encontrem mecanismos apropriados que permitam evitar a discriminação com base na
idade no mercado de trabalho, garantir a solidariedade intergeracional graças a sistemas
apropriados de garantia dos rendimentos dos idosos e mobilizar os recursos necessários
para lhes assegurar serviços de saúde e cuidados de longa duração apropriados.
As medidas tomadas para responder a situações de negligência e de maus tratos
deveriam garantir aos idosos afectados por essas situações a possibilidade de aceder a
informações fiáveis e a mecanismos eficazes de denúncia de tais casos. Além disso, os
Governos deveriam continuar a desenvolver iniciativas nacionais de formação e de educação, a fim de difundir uma imagem positiva das pessoas idosas e de dar às pessoas
que delas cuidam as competências apropriadas.
Envelhecimento, oferta de mão-de-obra
e crescimento da produtividade
Com o envelhecimento demográfico, a proporção da população em idade de trabalhar
diminuirá e a idade média da força de trabalho aumentará. Isso acontece especialmente
nos países mais desenvolvidos, onde as taxas de fecundidade são baixas. Pelo contrário,
os países com taxas de fecundidade relativamente elevadas (principalmente países de
baixo rendimento) continuarão a conhecer um forte aumento da mão-de-obra até
2050, o que poderia criar uma conjuntura propícia a uma aceleração do crescimento
económico.
Repercussões do envelhecimento
demográfico no crescimento económico
O envelhecimento demográfico poderá travar o crescimento económico, se o abrandamento do crescimento da mão-de-obra não for controlado ou se não se intensificarem
os esforços para aumentar a produtividade do trabalho. Na maioria dos casos, seria
Síntese
xiii
necessário um aumento da produtividade do trabalho para complementar as medidas
que contribuíram para conter a queda da oferta de mão-de-obra. Por exemplo, se todas
as outras condições se mantiverem iguais, para compensar os efeitos negativos de uma
contracção da mão-de-obra, o Japão deveria alcançar um crescimento de produtividade
do trabalho da ordem dos 2,6% por ano, a fim de conhecer um crescimento anual
de 2% do seu rendimento per capita, durante os próximos 50 anos. Mais de 80% do
aumento necessário da produtividade do trabalho serviria para compensar o impacte do
crescimento no envelhecimento da população (ver figura 0.4). Isto aplica-se também,
ainda que em menor grau, a outros países que conhecem um envelhecimento da população, como a Itália e a Alemanha, e também aos Estados Unidos da América. No
entanto, em todos estes casos, o aumento da produtividade parece ser possível segundo
as normas históricas.
Figura 0.4.
Impacto do envelhecimento da população na necessidade de aumentar
a produtividade do trabalho, Alemanha, Itália, Estados Unidos da América
e Japão, 2000-2050
3
Percentagem por ano
2
1
0
Alemanha
Itália
Efeito do envelhecimento
Estados Unidos
Japão
Outros factores da oferta de mão-de-obra
Fonte: Nações Unidas/DESA.
Nota: O efeito do envelhecimento da população é calculado com base num exercício contrafactual; o crescimento da
produtividade necessário para gerar uma determinada taxa de crescimento do PIB per capita tendo em conta as
modificações esperadas da estrutura etária da população é comparado ao crescimento da produtividade necessário para manter a mesma taxa de crescimento do PIB per capita na ausência dessas modificações. Supõe-se
que a relação entre o número de pessoas com 65 anos ou mais e o de pessoas com idades entre 15 e 64 anos se
mantém constante, ao nível registado em 2000.
xiv
World Economic and Social Survey 2007
O World Economic and Social Survey 2007 conclui que as medidas destinadas a
estimular o crescimento da produtividade são prioritárias para superar as possíveis consequências negativas do envelhecimento da população para o crescimento económico.
Existem também propostas destinadas a influenciar directamente a oferta de mão-de-obra embora algumas pareçam ser mais eficazes do que outras.
Fala-se frequentemente das migrações internacionais como meio de garantir
uma oferta suficiente de trabalhadores nos países desenvolvidos, mas não se deve esperar que algum destes países aceite a entrada maciça de migrantes que seria necessária
para compensar ou anular o envelhecimento da população. Por exemplo, para compensar o aumento do índice de dependência de idosos, a União Europeia deveria receber
um afluxo líquido de 13 milhões de imigrantes por ano, durante os próximos 50 anos,
enquanto o Japão e os Estados Unidos deveriam absorver 10 milhões de migrantes por
ano, cada um. Em todos os casos considerados, isso representaria níveis de imigração
muitas vezes superiores aos níveis actuais.
O outsourcing de recursos humanos é outra possibilidade, mas não resolveria
o problema do aumento dos índices de dependência de idosos. Se a transferência da
produção para o estrangeiro atenua a escassez de mão-de-obra, não reduz as pressões
que pesam sobre os regimes de pensões de velhice, uma vez que o emprego e, por conseguinte, a base contributiva desses regimes não aumentarão.
A análise contida no presente estudo leva a pensar que o melhor meio de compensar as alterações projectadas do crescimento da mão-de-obra consistiria em aumentar as taxas de participação das mulheres e dos trabalhadores idosos. Na verdade, muitos países ainda dispõem de uma enorme margem de acção para introduzir medidas
destinadas a aumentar a taxa de participação no mercado de trabalho dos trabalhadores
idosos – com idades entre os 55 e os 64 anos, em geral – aproximando a idade efectiva
de reforma da idade obrigatória para se reformar.
Existe também uma ampla gama de possibilidades de eliminar os desincentivos
para trabalhar para além da idade de reforma: modificações das condições no local de
trabalho, a fim de melhor responder às necessidades dos trabalhadores, à medida que
envelhecem; melhoria das condições de trabalho a fim de manter a capacidade de trabalho durante toda a vida; luta contra a discriminação com base na idade; e promoção de
uma imagem positiva dos trabalhadores idosos. Estes estarão também em melhores
condições para prolongar a sua vida activa se tiverem a possibilidade de beneficiar de
iniciativas de aprendizagem contínua e de formação no emprego.
Estas medidas poderiam acelerar o crescimento económico nos países que
conhecem um envelhecimento demográfico, embora não seja provável que o seu efeito
seja muito acentuado. Segundo este estudo, no caso da Alemanha, por exemplo, o produto per capita passaria de 1,7% para 1,8% ao ano, entre 2000 e 2050, se as taxas de
participação dos trabalhadores de 55 a 64 anos alcançassem o mesmo nível do que as
das pessoas de 15 a 54 anos. Os efeitos seriam análogos noutros países que conhecem
um envelhecimento acentuado da população.
De um modo geral, porém, as preocupações suscitadas pelo facto de o envelhecimento da população e da mão-de-obra poder conduzir a uma queda acentuada do
crescimento económico parecem destituídas de fundamento. Segundo as projecções das
Síntese
Nações Unidas, se o aumento da produtividade prosseguir como está previsto, no
futuro imediato, os desafios relacionados com o mercado de trabalho, em particular
com a oferta de mão-de-obra, gerados pelo envelhecimento da população parecem susceptíveis de ser superados.
Existe uma janela de oportunidade
demográfica?
Os países onde a mão-de-obra é relativamente jovem e continua a crescer contam com
um potencial para acelerar o seu crescimento económico. Contudo, a fim de beneficiarem desse dividendo demográfico, deverão enfrentar um outro tipo de problemas. Mais
do que preocuparem-se com a futura escassez de mão-de-obra, esses países deveriam
continuar a criar oportunidades de trabalho digno, especialmente para o número crescente de jovens que deverão entrar para o mercado de trabalho. Fomentar a subida das
taxas de emprego na economia formal ajudará a elevar as receitas fiscais e a criar as condições necessárias para o alargamento dos regimes de protecção social onde não estão
ainda suficientemente desenvolvidos, permitindo, assim, que os trabalhadores idosos se
reformem com segurança financeira.
O aumento da produtividade é também, obviamente, necessário nos países em
desenvolvimento com um excedente de mão-de-obra e um importante sector informal,
porque uma maior produtividade não só ajudará a criar os meios necessários para prover a um número crescente de idosos como elevará o nível de vida geral e reduzirá a
pobreza.
Envelhecimento, consumo e crescimento
Segundo um ponto de vista muito comum, o envelhecimento da população deveria ter
repercussões sobre os padrões de consumo, de investimento e de poupança. Assim
sendo, é fundamental compreender se – e de que modo – o envelhecimento da população influenciará efectivamente estas variáveis económicas a fim de poder prever a possível evolução do crescimento económico e do desenvolvimento no futuro. Embora a
teoria económica contenha certas noções sobre estas ligações, na realidade é bastante
difícil prever a maneira como o envelhecimento influirá nos padrões de consumo e de
crescimento no futuro.
xv
xvi
World Economic and Social Survey 2007
Evolução dos padrões de consumo
Segundo noções muito difundidas em matéria de teoria económica, os padrões de consumo e de poupança evoluem no decurso da vida dos indivíduos. Segundo uma delas,
as necessidades e gostos das pessoas mudariam ao longo do ciclo vital. De facto, concluiu-se que os idosos têm tendência para gastar uma proporção maior dos seus rendimentos com o alojamento e os serviços do que as coortes mais jovens. A partir das tendências actuais de consumo entre as pessoas de 65 anos ou mais que vivem nos países
desenvolvidos, é possível prever um aumento provável das despesas ligadas à procura de
serviços de saúde e cuidados de longa duração. As despesas com o alojamento e a energia também aumentarão, em virtude de os reformados passarem mais tempo em casa.
Inversamente, os gastos com lazer e transportes poderão diminuir, enquanto os gastos
com bens essenciais como a alimentação e o vestuário se manterão relativamente constantes. O envelhecimento da população poderia, assim, conduzir a alterações da composição da procura de bens e serviços.
Uma análise mais minuciosa das tendências actuais leva a pensar que a transformação dos padrões de consumo devido ao envelhecimento da população varia de um
país para outro e se produz lentamente. Além disso, os níveis de consumo estão mais
estreitamente ligados ao rendimento do que à estrutura demográfica. Esta realidade
completa faz com que seja difícil prever as tendências futuras do consumo, pois é
muito difícil de se prever com uma certa confiança o grau de crescimento do rendimento dos idosos nas próximas décadas.
Poupanças e envelhecimento
Uma segunda noção teórica é ilustrada pelo modelo de poupança ao longo da vida.
Segundo este modelo, os indivíduos produzem mais do que podem consumir durante a
sua vida activa, gerando assim um excedente que pode ser utilizado para prover às
necessidades dos filhos a cargo e/ou poupado para assegurar um rendimento na
reforma. Nesta perspectiva, os países onde o índice de dependência de jovens é elevado
deveriam ter uma taxa de poupança relativamente baixa. Em compensação, as economias onde uma grande parte da população está em idade de trabalhar podem, em princípio, desenvolver-se mais rapidamente, porque esta estrutura demográfica produz um
forte excedente agregado. Além disso, as taxas de poupança deveriam ser mais elevadas
nessas economias, em virtude de os indivíduos pouparem para a reforma. Acresce que,
quando os indivíduos pensam que a sua esperança de vida aumenta, podem ter tendência para aumentar as poupanças durante os seus anos de vida activa, a fim de financiar
uma reforma mais longa.
Também neste caso, se é certo que o envelhecimento pode ter um certo peso,
outros factores influem no comportamento em matéria de poupança e no nível de poupança na economia. Estes factores prendem-se, nomeadamente, com a qualidade de
vida e a distribuição dos rendimentos na economia, o valor dos bens que os indivíduos
Síntese
detêm e a sua distribuição, a maneira como encaram o futuro, as taxas de tributação, os
regimes de pensões existentes bem como os cuidados prestados aos idosos em caso de
doença crónica. A hipótese do ciclo vital aplica-se ao comportamento a nível do agregado familiar ou pessoal e que pode ser afectado pelos regimes de pensões vigentes.
Entretanto, o impacto do regime de pensões é reduzido quando se tomam em conta os
padrões de poupança do sector público e do sector empresarial.
O que é, no entanto, claro é que uma proporção crescente da poupança gerada
a nível dos agregados familiares alimenta os fundos de pensões e outros planos de investimento para o financiamento da reforma. Os investidores institucionais que, em geral,
gerem essa poupança, tornaram-se já os principais actores nos mercados financeiros.
Estes investidores gerem não uma grande parte da poupança dos agregados familiares
do países desenvolvidos mas também, e cada vez mais, a poupança dos países em desenvolvimento, onde os regimes de pensões por capitalização integral sob gestão privada
assumiram importância (ver abaixo). Os investidores institucionais podem ter um papel
importante no aprofundamento dos mercados financeiros e na disponibilização de fundos adicionais para financiar projectos de investimento a longo prazo. No entanto,
geralmente operam fora da regulamentação dos mercados financeiros e dos mecanismos
de controlo que se aplicam aos estabelecimentos bancários. Se não forem controladas,
as operações dos mercados financeiros ligadas aos fundos de pensões poderiam, assim,
tornar-se uma fonte de instabilidade financeira. De resto, dado que os investimentos
financeiros são, cada vez mais frequentemente, administrados fora do sistema bancário,
as autoridades monetárias perdem, pouco a pouco, parte do controlo do aumento do
crédito, o que limita a eficácia das políticas monetárias. Assim sendo, é necessária uma
melhoria das medidas reguladoras a nível internacional, a fim de evitar os possíveis efeitos destabilizadores das transacções de grandes fundos de pensões nos mercados financeiros e de evitar pôr em risco a segurança dos rendimentos dos idosos.
Garantir a segurança dos rendimentos
dos idosos
À medida que as pessoas envelhecem, o seu nível de vida sofre, com frequência, uma
queda. Com o envelhecimento, a redução de oportunidades económicas e a deterioração do estado de saúde agravam muitas vezes a vulnerabilidade dos idosos à pobreza.
Essas condições variam, no entanto, em função do contexto e da categoria dos idosos.
As estratégias de vida ou de subsistência têm tendência para diferir da mesma maneira.
Nos países desenvolvidos, as pensões constituem o principal meio de subsistência e de
protecção dos idosos, enquanto, nos países em desenvolvimento, são poucos os idosos
que têm direito a uma pensão, pelo que têm de encontrar outras fontes de rendimento.
De facto, 80% da população mundial não beneficia, na terceira idade, de uma protecção suficiente contra os riscos em matéria de saúde, incapacidade e rendimentos. Isso
poderia significar que, só nos países em desenvolvimento, cerca de 342 milhões de ido-
xvii
xviii
World Economic and Social Survey 2007
sos não beneficiam actualmente de suficiente segurança económica. Este número poderia atingir os 1,2 mil milhões até 2050, se a cobertura dos sistemas de pensões não for
alargada. A transição demográfica constitui um enorme desafio, se se quiser garantir a
um número crescente de idosos a existência e a viabilidade de regimes de pensões e de
outros sistemas susceptíveis de garantir a sua segurança económica. Segundo o World
Economic and Social Survey 2007, o desafio está longe de ser insuperável, se forem
tomadas as medidas apropriadas.
Pobreza e envelhecimento
Segundo os dados disponíveis, os idosos que vivem em países que dispõem de um
regime universal de pensões e de sistemas de transferências públicas, correm um risco
menor de cair na pobreza do que as coortes de pessoas mais jovens da mesma população. Em países onde os regimes de pensões têm uma cobertura limitada, a pobreza dos
idosos tem tendência a corresponder à média nacional.
É evidente que a probabilidade de ser pobre na terceira idade não depende apenas da cobertura dos regimes de pensões. Em regra, o grau de pobreza entre os idosos
varia em função do seu nível de instrução, do sexo e das condições de acolhimento. Por
exemplo, a probabilidade de se tornar pobre na velhice diminui à medida que o nível
de instrução aumenta. As mulheres idosas são com mais frequência pobres do que os
homens idosos.
Nos países em desenvolvimento, a maioria dos idosos enfrenta uma enorme
insegurança de rendimentos, quando não existe um regime oficial de pensões. Para as
pessoas que não têm acesso a pensão – muitas vezes pequenos agricultores, trabalhadores agrícolas e trabalhadores do sector informal – não existe a noção de reforma. Não
tendo tido emprego formal, estas pessoas não têm direito a uma pensão e, se não conseguiram acumular reservas suficientes, têm de continuar a trabalhar para viver. A situação dos muito idosos (de 80 anos e mais), que podem não estar tão aptos para trabalhar como os mais jovens, pode ser bastante precária. Em particular, aqueles que já
eram pobres na força da vida continuarão a sê-lo na terceira idade. As pessoas que
vivem acima do limiar da pobreza, mas não conseguirem fazer poupanças para financiar
o seu consumo durante a velhice correm o risco de se tornar pobres, quando envelhecem.
Os idosos podem, frequentemente, contar com o apoio da família e da comunidade para sobreviver ou complementar os seus rendimentos. Neste aspecto, os idosos
que são solteiros, viúvos ou sem filhos (em especial as mulheres) estão expostos a um
risco maior de cair na pobreza. Por outro lado, as redes de apoio familiar podem não
proteger plenamente os idosos da pobreza, pois estas redes também dispõem de rendimentos limitados. É muito mais difícil garantir rendimentos suficientes aos idosos
quando a pobreza é geral.
Síntese
Melhoria da segurança dos rendimentos
por meio de medidas gerais a vários níveis
Os regimes de pensões, quer estejam sob controlo público quer privado, são os principais instrumentos utilizados para lutar contra a pobreza e a vulnerabilidade económica
dos idosos. Em condições ideais, estes regimes deveriam garantir a segurança dos rendimentos de todos os idosos e assegurar-lhes prestações que colocassem os beneficiários
acima do nível de vida mínimo socialmente aceitável.
No entanto, na maioria dos países em desenvolvimento, a cobertura dos sistemas de pensões é limitada. Nos países desenvolvidos, a boa regulação dos mercados de
trabalho permitiu alargar a praticamente toda a população regimes de pensões financiados por contribuições dos empregados. As pessoas que não beneficiam desses regimes
têm, normalmente, acesso a uma protecção social gratuita, de cunho assistencialista, na
terceira idade.
Contudo, a sustentabilidade dos regimes de pensões é posta em causa tanto nos
países em desenvolvimento como nos países desenvolvidos. A sustentabilidade financeira desses regimes viu-se comprometida pelo aumento da esperança de vida, a concepção deficiente dos programas, a má gestão, o crescimento económico insuficiente e a
criação inadequada de empregos. A subida dos índices de dependência de idosos exercerá uma pressão acrescida sobre os regimes de apoio formais e informais, se o crescimento económico (ligado à criação de empregos dignos) não puder ser acelerado e
mantido.
As questões de acessibilidade, de viabilidade financeira e de sustentabilidade
estão no cerne da concepção e da reforma dos regimes de pensões dos idosos. Em
última análise, a concepção de sistemas de pensões corresponde à situação específica de
cada país e deve traduzir as escolhas e as preferências da sociedade. A partir da prática
estabelecida em numerosos países, parece ser desejável elaborar regimes de pensões
a vários níveis, a fim de criar sistemas que ofereçam segurança dos rendimentos
dos idosos e que sejam, ao mesmo tempo, pouco onerosos, financeiramente viáveis e
equitativos.
Garantir o acesso universal às pensões
de velhice
O princípio fundamental de todos os regimes de pensões deveria consistir em garantir
um mínimo de segurança de rendimentos a todos os idosos. Seria possível atingir este
objectivo criando um pilar básico para garantir a atribuição de uma pensão mínima ou
para a alargar, quando já existe. Um mecanismo de protecção social universal desta
natureza poderia ter um carácter contributivo ou não contributivo, consoante a situação. Nos países onde predomina o emprego formal, este pilar básico poderia ser financiado por contribuições em função dos rendimentos, como acontece na maioria dos
xix
xx
World Economic and Social Survey 2007
países desenvolvidos. Nos países onde predomina o sector informal ou em que coexistem um mercado de emprego formal e um mercado informal, o regime social de pensões mínimas poderia ter duas componentes: um sistema essencialmente não contributivo que oferecesse benefícios mínimos financiados pelos impostos e, quando possível,
por contribuições das pessoas que têm possibilidades de as dar; e um sistema inteiramente contributivo.
Na maioria dos casos, os regimes de pensões de base não contributiva parecem
ser financeiramente acessíveis, mesmo nos países de baixo rendimento. Um simples cálculo baseado em hipóteses razoáveis leva a pensar que, para abolir a pobreza extrema
entre os idosos, bastaria pagar uma pensão universal equivalente a 1 dólar por dia a
todas as pessoas com mais de 60 anos, o que representaria menos de 1% do Produto
Interno Bruto anual de 66 países em desenvolvimento em 100 (ver figura 0.5). Apesar
do envelhecimento rápido da população, os custos de um regime de pensões de base
seriam relativamente modestos em 2050, segundo as projecções.
No entanto, é importante ressaltar que a viabilidade financeira desses regimes
universais de pensões depende tanto da prioridade política atribuída à garantia de uma
segurança mínima de rendimento dos idosos como do ritmo do crescimento económico. Além disso, em especial nos países de baixo rendimento, haverá que escolher
entre exigências concorrentes quando se trata de atribuir recursos públicos insuficientes.
Por exemplo, o custo de um sistema universal de pensão mínima como o esboçado
anteriormente representa menos de 10% do total das receitas fiscais de países como os
Camarões, a Guatemala, a Índia, o Nepal e o Paquistão. No Bangladesh, no Burundi,
na Costa do Marfim ou no Myanmar, é equivalente ao orçamento destinado à saúde
pública. Assim, a maneira de financiar um regime de pensão mínima teria de ser determinada em estreita coordenação com o processo de afectação de recursos (incluindo
a utilização da ajuda ao desenvolvimento) para outros programas sociais.
Síntese
xxi
Figura 0.5.
Simulação dos custos, para os países em desenvolvimento, de programas de
protecção social universal destinados a manter os idosos acima do limiar de
pobreza extrema, de 2005 a 2050
Percentagem de PIB
Mais de 3
2.01-3.0
1.51-2.0
1.01-1.5
0.51-1.0
0,5 ou menos
0
10
20
30
Número de países
2050
40
50
2005
Fonte: UN/DESA.
Nota: Pensão universal estimada em 1 dólar por dia para todas pessoas de 60 anos ou mais. Baseada na hipótese de
a taxa de crescimento anual do PIB durante o período 2005-2050 ser igual à taxa registada durante o período
1990-2005.
Sustentabilidade dos regimes de pensões
O debate sobre os regimes de pensões gira essencialmente em torno da sustentabilidade
financeira de regimes alternativos e, mais concretamente, de dois tipos de mecanismos
de financiamento. Um é o regime baseado na repartição, em que as contribuições pagas
pela actual geração de trabalhadores servem para pagar as pensões aos trabalhadores já
reformados. O outro é um regime de capitalização integral em virtude do qual as pensões são financiadas pelo trabalhador no activo e pelos juros e rendimentos gerados pelo
investimento das contribuições. No debate sobre a reforma das pensões, a sustentabilidade dos regimes baseados na repartição é frequentemente posta em questão porque,
devido à subida dos índices de dependência de idosos, o número de trabalhadores que
contribuem para esses regimes está a diminuir em relação ao número de beneficiários.
As reformas dos regimes de pensões contributivos são de dois tipos: reforço
dos sistemas existentes com modificação dos parâmetros fundamentais (reformas paramétricas) e alteração profunda da concepção do regime (reformas estruturais).
xxii
World Economic and Social Survey 2007
As reformas paramétricas são muito mais frequentes do que as reformas estruturais. Os países adoptaram medidas tanto em matéria de despesas como de receitas, a
fim de garantir a acessibilidade financeira e a sustentabilidade dos regimes de repartição. Em especial, são cada vez mais adoptadas medidas que visam aumentar a idade
efectiva de reforma. Nos Estados Unidos, deverá ser aumentada de 65 para 67 anos, até
2027, enquanto em França, a partir de 2009, o número de anos de carreira contributiva deverá aumentar de acordo com o aumento da esperança de vida. Além disso, os
países estão a avaliar a possibilidade de abolir incentivos fiscais implícitos a favor das
reformas antecipadas que figuram em numerosos regimes de pensões. Estas medidas
visam resolver o problema constituído pelo prolongamento da duração da reforma
resultante de uma maior longevidade e por uma redução da vida activa. Na maior parte
dos países, o facto de aumentar a idade de reforma e de prolongar a vida activa poderia
contribuir significativamente para preservar a viabilidade dos regimes baseados na
repartição.
Outros países centraram-se em introduzir reformas estruturais nos seus regimes
de pensões e passaram de um regime baseado na repartição, com prestações determinadas, para um regime de capitalização integral e contribuições determinadas. O Reino
Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, por exemplo, fê-lo, em parte, em 1980.
O Chile adoptou um método mais radical, substituindo o seu regime baseado na repartição gerido pelo Estado e com prestações definidas por um regime de capitalização
integral, gerido pelo sector privado. Numerosos países da América Latina seguiram
o seu exemplo. Num sistema de capitalização integral com prestações determinadas,
o montante da pensão paga aos beneficiários depende do montante investido e do rendimento desses investimentos. Devido à capitalização das contribuições para o regime
de pensões de reforma, acredita-se que este sistema estimula a poupança nacional e, ao
fazê-lo, fomenta o crescimento económico em geral.
Embora os regimes de capitalização integral tenham sido apresentados como
mais viáveis e possam propiciar mercados financeiros mais aprofundados, nada prova
que a sua adopção tenha realmente conduzido a um crescimento da poupança e ao
aumento do crescimento económico. Ainda que, em princípio, os regimes de capitalização integral possam ser financeiramente sustentáveis, a mudança de um regime baseado
na repartição para um regime de capitalização integral tem um impacto negativo nas
finanças públicas, porque é preciso continuar a honrar as obrigações contraídas no contexto do sistema anterior, enquanto as contribuições actuais são canalizadas para o novo
sistema. Se bem que uma grande proporção das obrigações do Tesouro seja absorvida
pela carteira de fundos de pensões deste modo financiando, em grande parte, esses
custos fiscais, o efeito de tal acção não é neutro em termos macroeconómicos. Com
efeito, o crescimento da dívida pública pode afectar as taxas de juro, aumentando, por
sua vez, os custos fiscais da transição e ter repercussões no investimento privado. Além
disso, quando um sistema de capitalização integral domina um regime de pensões
como pilar único, os riscos económicos passam a recair inteiramente sobre os reformados; e, na medida em que o valor das pensões está ligado às taxas de rendimento dos
fundos de pensões, a segurança do rendimento dos idosos não é plenamente garantida.
Há ainda que ter em conta algo que é também importante: estes regimes não são imu-
Síntese
nes às pressões demográficas exercidas pela proporção crescente da população não
activa.
Na realidade, muitas reformas ignoram o facto de, independentemente do tipo
de mecanismo de financiamento, todos os regimes de pensões enfrentarem o mesmo
problema de sustentabilidade. Todo o “bem” ligado a uma reforma, adquirido pela
população activa de hoje – quer se trate de um bem financeiro, como acontece num
regime de capitalização integral, quer seja um compromisso assumido pelo sector
público, num regime baseado na repartição – representa um crédito sobre rendimentos
futuros. Por conseguinte, tanto num regime como noutro, tem de haver uma redistribuição das receitas entre os reformados e a população activa. Atendendo a que os índices de dependência de idosos são cada vez mais elevados, isso significa que para proporcionar a mesma segurança de rendimentos aos idosos, é preciso aumentar as
contribuições para as pensões de reforma pagas pela população activa ou melhorar as
taxas de rendimento.
Globalmente, a dinâmica demográfica não representa um problema insolúvel
para os regimes de pensões de reforma. Estes regimes deveriam ser adaptados às condições específicas de cada país, mas desenvolvidos ou revistos de acordo com certos princípios básicos, um dos quais é a sustentabilidade financeira. A solidariedade intergeracional e a adequação das prestações a fim de garantir a todos uma segurança de
rendimentos suficiente devem figurar também entre os outros princípios orientadores.
De facto, nas reformas mais recentes, aceitou-se a necessidade de um sistema com
vários pilares e com base num regime de pensões sociais, a fim de garantir uma cobertura universal e de combater directamente os problemas da pobreza dos idosos.
Promoção da saúde e dos cuidados
a longo prazo até na terceira idade
Envelhecimento e transição epidemiológica
O envelhecimento da população é acompanhado por uma transição epidemiológica, ou
seja, a passagem da predominância das doenças infecciosas e da mortalidade materna e
infantil para uma predominância das doenças não transmissíveis, em particular as doenças crónicas. As mudanças demográficas e a transição epidemiológica estão estreitamente ligadas. À medida que a fecundidade e a incidência das doenças infecciosas mortais diminuem, a idade média da população aumenta. Paralelamente, a longevidade das
pessoas que sobreviveram às doenças da infância continua a aumentar ao longo dos
anos. É por esta razão que a população acabará por contar com mais idosos, os quais
são mais vulneráveis às doenças crónicas do que os mais jovens. Com o incremento do
número de idosos, é provável que a incidência das doenças não transmissíveis aumente
também. Daí que o envelhecimento acelere a transição epidemiológica.
xxiii
xxiv
World Economic and Social Survey 2007
Estes dois fenómenos estão muito avançados nos países desenvolvidos e começam agora a manifestar-se nos países em desenvolvimento. O aumento da longevidade
é uma consequência de uma melhor nutrição, saneamento e higiene e da rápida generalização dos conhecimentos no domínio da medicina e da sua aplicação nos centros de
prestação de cuidados de saúde. Nos países desenvolvidos, o aumento da longevidade
é acompanhado de uma diminuição da morbilidade, ou seja, embora as pessoas vivam
mais, passam mais tempo com saúde precária. Nos países em desenvolvimento, as transições demográfica e epidemiológica ocorrem a um ritmo muito mais rápido do que
aconteceu nos países desenvolvidos, a níveis de rendimento comparativamente mais
baixos e com sistemas de protecção social nitidamente menos desenvolvidos. Isto
explica por que razão ainda não se registou qualquer diminuição da morbilidade nos
países em desenvolvimento. Em consequência, as populações destes países, onde a esperança de vida é mais curta do que nos países desenvolvidos, tem maior probabilidade
de passar uma fracção maior da sua vida sem estar em boas condições de saúde.
(Ver figura 0.6)
Figura 0.6.
Esperança de vida aos 60 anos: anos de boa saúde e de falta de saúde, por
região e por sexo, 2002
Países de baixa
mortalidade
Homens
Mulheres
Europa Oriental
Homens
Mulheres
América Latina
Homens
Mulheres
Mediterrâneo
Oriental
Homens
Mulheres
Sudoeste Asiático
Homens
Mulheres
China
Homens
Mulheres
Outras partes do Homens
Pacífico Ocidental Mulheres
África
Subsariana
Homens
Mulheres
Mundo inteiro
Homens
Mulheres
0
5
10
15
20
Anos de esperança de vida aos 60 anos
HALE
25
30
LHE
Fonte: C.D. Mathers e outros, “Global patterns of healthy life expectancy in the year 2002”, BMC Public Health, vol. 4,
np. 66.
Nota: HALE designa a esperança de vida associada à saúde e LHE designa o número de anos de doença ou de invalidez, ou seja, a diferença entre a esperança de vida total e a esperança de vida ajustada em função do estado de
saúde.
Síntese
O envelhecimento não é o principal factor
do aumento das despesas de saúde
na maioria dos casos
O envelhecimento da população levanta problemas aos sistemas nacionais de cuidados
de saúde. Os países desenvolvidos preocupam-se com o aumento das despesas de saúde
e com a manutenção do nível e da qualidade dos serviços de saúde e cuidados a longo
prazo destinados a uma população em processo de envelhecimento. O problema é
ainda mais complicado em numerosos países em desenvolvimento, pois têm de assumir
um duplo fardo em matéria de despesas de saúde. Por um lado, estes países têm ainda
de resolver muitos problemas de saúde básica que afectam importantes secções da sua
população, nomeadamente a falta de acesso a água potável e saneamento, a subnutrição, o acesso limitado à educação em matéria de saúde reprodutiva e a serviços de
saúde nesse domínio e a cobertura insuficiente dos programas de vacinação. Por outro
lado, o rápido envelhecimento demográfico e o aumento concomitante da procura de
serviços de saúde exercem uma pressão adicional sobre os recursos disponíveis no domínio da saúde.
O problema da adaptação dos sistemas existentes em matéria de saúde e de
cuidados de saúde de longa duração à evolução demográfica e epidemiológica em curso
é considerável, mas não é seguramente insuperável. A análise contida no presente relatório mostra que o envelhecimento da população contribui para o aumento dos gastos
com a saúde, mas, na maioria dos casos, não é o principal factor desse aumento.
É difícil fazer projecções a longo prazo sobre as despesas de saúde. Um método
frequentemente utilizado (a avaliação actuarial) consiste em medir o impacto das transformações demográficas com base nas tendências actuais das despesas de saúde. Em
compensação, o método epidemiológico toma também em consideração as alterações
esperadas no que se refere aos padrões das doenças. É aplicado com menor frequência,
devido à insuficiência dos dados. É interessante notar que ambos os métodos concluíram que o envelhecimento não parece ser a principal causa do aumento das despesas de
saúde: o impacto demográfico nas despesas de saúde nos próximos 50 anos representa
apenas uns quantos pontos percentuais do PIB.
Mas os mesmos estudos mostram invariavelmente que as despesas de saúde continuarão provavelmente a absorver uma proporção crescente do PIB. Outros factores
parecem ser mais importantes no que se refere à subida das despesas de saúde, como,
por exemplo, mudanças do comportamento das pessoas que passam a procurar ter uma
vida mais saudável, a subida dos salários do pessoal médico, as insuficiências no funcionamento dos serviços de saúde, a adopção de novas técnicas médicas e a subida dos
preços de produtos farmacêuticos e dos seguros de saúde.
xxv
xxvi
World Economic and Social Survey 2007
Dificuldades encontradas pelos sistemas
de saúde e de cuidados de longa duração
É muito provável que o envelhecimento da população afecte de outras duas maneiras os
sistemas de saúde. Por um lado, o aumento do número total de casos de doenças crónicas e de pessoas com incapacidades físicas e mentais exigirá novas competências da
parte dos especialistas e do pessoal de saúde. Isso constitui um enorme desafio para os
países em desenvolvimento, cuja população conhece um envelhecimento rápido.
Actualmente, os gastos per capita com a saúde são relativamente baixos nos países em
desenvolvimento, sobretudo em comparação com os dos países desenvolvidos, e não
muito diferentes, em regra, da média das despesas correspondentes a outros grupos
etários (o que não acontece nos países desenvolvidos). Esta situação explica-se, em
parte, pela escassez de cuidados de enfermagem, de cuidados paliativos e de tratamentos mais intensivos a que os idosos têm em geral acesso nos países desenvolvidos.
Por outro lado, trata-se de saber como prestar cuidados de longa duração a pessoas cuja doença é irreversível. A dificuldade consiste, então, em encontrar soluções que
preservem a dignidade e a independência das pessoas que precisam de cuidados, permitindo-lhes permanecer no ambiente a que estão habituadas. A estrutura familiar tradicional e o papel das mulheres – que são, na maioria dos casos, quem presta cuidados
informais aos idosos – estão em vias de transformação e o número de filhos por casal
está a diminuir na maioria das regiões do mundo. Numerosos países em desenvolvimento terão, assim, cada vez mais dificuldade em manter os actuais tipos de cuidados
informais de longa duração.
Adaptação das políticas de saúde
O envelhecimento da população influenciará certamente as despesas de saúde, mas não
irá necessariamente absorver uma parte demasiado importante do rendimento nacional
no futuro. A composição das despesas de saúde poderá ter de sofrer uma alteração significativa, a fim de atribuir uma importância crescente aos serviços médicos e cuidados
de saúde de longa duração. No entanto, os decisores políticos, tanto dos países desenvolvidos como dos países em desenvolvimento, deveriam encarar intervenções com
alvos específicos em matéria de cuidados preventivos e de educação, por exemplo, desaconselhando o consumo de cigarros e o consumo excessivo de álcool e incentivando o
exercício físico para reduzir a obesidade. Estas medidas podem contribuir para reduzir os
riscos de doenças crónicas como o cancro, a diabetes e as doenças cardiovasculares entre
os idosos. Outra prioridade deve ser a reabilitação após uma doença crónica. Estas intervenções permitem travar o aumento das despesas de saúde ligadas ao envelhecimento
da população, ao contribuírem para adiar a chegada das doenças e das deficiências.
Síntese
Adequação do pessoal de saúde
Um dos problemas mais urgentes tanto nos países em desenvolvimento como nos países desenvolvidos tem que ver com a disponibilidade de pessoal médico qualificado.
Nos países em desenvolvimento, em especial nos de baixo rendimento, a escassez de
trabalhadores da saúde qualificados é já notória e agravar-se-á. À medida que o peso das
doenças aumentar, estes países terão igualmente necessidade de um maior número de
profissionais de saúde especializados em doenças crónicas. Também nos países desenvolvidos, existe uma procura crescente de pessoal especializado por parte de hospitais e
centros de cuidados de saúde de longa duração, devido ao número crescente de idosos.
Isto já levou um grande número de profissionais de saúde a deixarem os países
em desenvolvimento. Por exemplo, muitas enfermeiras formadas nas Caraíbas deixaram
a região para ir para o Canadá, os Estados Unidos e o Reino Unido, o que teve como
consequência uma taxa de postos vagos da ordem dos 42,4% nos oitos países das Caraíbas em relação aos quais se dispõe de dados. Para responder às necessidades dos países
obrigados a suportar um duplo fardo em matéria de saúde, haverá que adoptar políticas
destinadas a aumentar os recursos disponíveis para a formação do pessoal médico e
adoptar medidas de incentivo que visem atrair mais pessoas às profissões ligadas à saúde
e aos cuidados de longa duração, de acordo com as exigências criadas pelo envelhecimento da população.
Aumento das necessidades de cuidados
domiciliários de longa duração
Nos países desenvolvidos, as necessidades de cuidados de longa duração estão essencialmente ligadas ao envelhecimento da população. É agora dada maior ênfase aos serviços
de saúde domiciliários no contexto de um contínuo de cuidados de diferentes tipos e a
diversos níveis, como pede o Plano de Acção Internacional de Madrid sobre o Envelhecimento. O desenvolvimento dos cuidados de saúde domiciliários pode ser fomentado
por meio de diversos incentivos financeiros e de vários serviços de cuidados e de protecção social.
Nos países em desenvolvimento, pelo contrário, o envelhecimento da população
é apenas um dos factores de acréscimo das necessidades de cuidados de longa duração.
A importância decrescente da família extensa em numerosos países em desenvolvimento
torna cada vez mais difícil depender exclusivamente deste tipo de ajuda informal.
A rapidez dessa evolução varia de um país para outro, mas muitos governos terão de
pensar em tomar medidas que visem facilitar a criação de mecanismos oficiais de cuidados de longa duração, a fim de alargar o sistema existente de cuidados familiares ou
comunitários destinados aos idosos.
xxvii
xxviii
World Economic and Social Survey 2007
O Plano de Acção Internacional de Madrid
sobre o Envelhecimento
O World Economic and Social Survey 2007 examina os problemas que o envelhecimento
da população e a mudança dos arranjos domiciliares representam para a promoção do
crescimento económico, a segurança dos rendimentos dos idosos e a promoção da
saúde e do bem-estar na terceira idade. Sublinha a importância desses problemas, que,
no entanto, podem ser superados graças a políticas com alvos específicos, sem que isso
seja uma sobrecarga para os recursos disponíveis. O princípio básico dessas políticas é o
pleno reconhecimento da contribuição dos idosos para a sociedade.
O Plano de Acção Internacional de Madrid sobre o Envelhecimento proporciona um quadro para a incorporação da questão do envelhecimento no debate internacional sobre desenvolvimento e na execução de políticas nacionais que visem promover
o desenvolvimento das sociedades para todos os grupos etários. Continua, no entanto,
a ser indispensável que os governos e a comunidade internacional redobrem os esforços
para integrar o envelhecimento na agenda do desenvolvimento internacional.
Nos países onde não existe um regime de pensão de reforma mínima, a pobreza
entre os idosos tem tendência para ser mais acentuada do que entre os outros grupos
etários e, por conseguinte, as políticas que visam melhorar a segurança dos rendimentos
dos idosos deveriam compreender estratégias de redução da pobreza. As políticas de
emprego deveriam prestar mais atenção à melhoria das condições de trabalho e das
oportunidades de emprego para os trabalhadores idosos, a fim não só de aumentar as
possibilidades de plena participação dos idosos na sociedade mas também de favorecer a
sustentabilidade dos regimes de pensões. As políticas de saúde deveriam abordar o
duplo fardo suportado por numerosos países em desenvolvimento: estes países continuam a pretender alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio em matéria
de redução da mortalidade materna e infantil, ao mesmo tempo que readaptam os seus
sistemas de cuidados de saúde, de modo a satisfazer as necessidades criadas pelo envelhecimento de uma proporção crescente da população.
Os maus tratos infligidos às pessoas idosas e a discriminação com base na idade
são problemas presentes em muitos países. Exigem medidas para inverter estas tendências negativas e promover o empoderamento dos idosos, indispensável para garantir
a sua plena participação na sociedade, como afirma o Plano de Acção de Madrid.
A integração do envelhecimento na agenda do desenvolvimento mundial é fundamental para a realização dos objectivos enunciados no Plano de Acção de Madrid.
Criar “uma sociedade para todas as idades”, como se pretende, exige, ao mesmo tempo,
uma sólida parceria mundial, a fim de implementar os compromissos inscritos no programa, e o reforço das parcerias nacionais entre todos os níveis da administração
pública, da sociedade civil, do sector privado e das associações de idosos que visam pôr
em prática o Plano de Acção.
Síntese
Anexo Estatístico*
Conteúdo
Tabela A.1. População de países e regiões seleccionados por grandes grupos etários,
1950, 1975, 2005, 2025 e 2050
Tabela A.2. Índices de dependência segundo variantes utilizadas nas projecções relativos ao mundo e grupos de países
Tabela A.3. Índices de dependência segundo diferentes definições no mundo e em
grupos de países, 1950, 1975, 2005, 2025 e 2050
Tabela A.4. Economias em transição e países em desenvolvimento seleccionados:
Custo estimado das pensões de velhice universais, 2005 e 2050
* Fonte: Word Economic Social Survey 2007, Development in an Ageing World. Páginas 155-162.
xxix
Síntese
xxxi
Tabela A.1.
População de países e regiões seleccionados por grandes grupos etários,
1950, 1975, 2005, 2025 e 2050
Milhões
Grupo etário
1950
1975
2005
Percentagem
2025
2050
1950
1975
2005
2025
2050
25,1
16,0
45,8
13,1
100,0
8,9
1,1
23,7
15,6
43,1
17,6
100,0
12,5
2,0
16
12,7
49,5
21,9
100,0
16,6
4,1
14,5
10,4
45,9
29,2
100,0
22,2
6,0
14,8
10,2
39,9
35,1
100,0
28,7
10,7
35,4
19,6
37,2
7,7
100,0
4,9
0,4
24,3
15,4
48,6
11,7
100,0
7,9
1,1
14,0
11,0
48,6
26,3
100,0
19,7
4,8
12,5
9,4
42,9
35,2
100,0
29,1
10,6
13,4
9,1
35,8
41,7
100,0
35,9
15,3
25,2
18,7
41,3
14,8
100,0
10,5
2,1
20,8
14,2
48,3
16,7
100,0
12,3
3,6
18,6
13,1
44,5
23,8
100,0
17,7
4,1
17,3
12,1
44,2
26,4
100,0
20,6
7,3
18,6
13,7
50,1
17,6
100,0
12,9
3,5
16,4
11,0
45,9
26,8
100,0
20,1
4,9
15,9
11,0
42,0
31,0
100,0
24,8
9,4
19,0
17,8
47,7
15,5
100,0
12,2
1,9
17,8
12,4
48,6
21,2
100,0
15,0
2,7
16,6
11,0
43,3
29,1
100,0
21,1
5,3
Países desenvolvidos
Europa
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
0,96
0,61
0,175
0,50
0,382
0,34
0,4
109
71
198
81
459
57
9
80
63
248
110
502
84
21
73
53
232
148
505
112
30
72
49
193
170
485
139
52
Japão
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
30
16
31
6
84
84
0,4
27
17
54
13
112
9
1
18
14
62
34
128
25
6
16
12
54
44
125
36
13
15
10
40
47
112
40
17
Estados Unidos da América
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
43
23
72
20
158
13
2
55
41
91
33
220
23
5
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
7
4
11
3
24
2
0,3
11
7
17
5
40
3
0,6
62
42
144
50
298
37
11
65
46
156
83
350
62
14
68
48
175
104
395
82
29
27,0
14,9
45,6
12,5
100,0
8,3
1,1
Canadá, Austrália e Nova Zelândia
10
8
28
10
56
7
2
11
7
31
18
67
13
3
12
8
32
23
76
19
7
28,5
15,4
44,2
11,9
100,0
7,9
1,1
27,0
18,7
41,8
12,5
100,0
8,6
1,6
Economias em transição
Comunidade de Estados Independentes
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
51
36
71
17
175
12
2
66
45
104
32
247
21
3
53
49
133
43
278
34
5
47
33
129
56
266
40
7
40
26
104
70
239
51
13
28,9
20,4
40,8
10,0
100,0
6,7
1,0
26,5
18,4
42,1
12,9
100,0
8,6
1,3
xxxii
World Economic and Social Survey 2007
Tabela A.1. (continuação)
Milhões
Grupo etário
1950
1975
0,5
3
6
2
16
1
0,2
6
4
9
2
21
2
0,2
2005
Percentagem
2025
2050
1950
1975
2005
2025
2050
27,3
18,3
42,8
11,6
100,0
8,2
0,9
18,7
15,0
48,1
18,2
100,0
13,7
0,0
16,3
11,2
48,0
24,5
100,0
18,2
3,7
15,3
10,6
42,2
31,8
100,0
24,6
6,9
41,3
19,6
32,6
6,5
100,0
4,3
0,6
30,0
18,8
42,4
8,8
100,0
6,1
1,2
23,3
15,8
46,4
14,5
100,0
10,1
2,1
18,1
12,6
45,2
24,1
100,0
18,4
5,2
35,1
18,5
39,3
7,1
100,0
4,3
0,3
40,1
19,3
34,1
6,6
100,0
4,2
0,5
23,8
17,3
48,8
10,1
100,0
7,0
1,0
19,3
12,9
49,8
18,1
100,0
12,2
2,0
16,4
11,3
43,8
28,4
100,0
21,5
6,1
38,8
19,1
36,1
6,0
100,0
3,6
0,3
40,6
19,0
34,4
6,0
100,0
3,7
0,3
33,2
19,8
39,7
7,4
100,0
4,9
0,7
26,0
16,9
46,0
11,1
100,0
7,3
1,1
19,8
13,4
47,6
19,2
100,0
13,6
2,9
40,4
19,4
34,2
6,1
100,0
3,6
0,3
43,7
19,3
31,2
5,9
100,0
3,8
0,3
34,8
19,4
39,8
6,1
100,0
4,1
0,5
28,1
17,5
45,0
9,4
100,0
6,0
0,8
21,4
14,5
46,8
17,3
100,0
12,4
2,4
Países do Sudeste da Europa
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
5
4
12
4
24
3
0,5
4
3
11
6
24
4
0,9
3
2
9
7
22
5
1
31,0
20,2
38,7
10,2
100,0
7,1
1,1
Países em desenvolvimento
América Latina e Caraíbas
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
67
31
59
10
167
6
0,7
133
63
105
21
322
14
2
168
106
238
49
561
34
7
163
110
323
101
697
70
15
141
99
354
189
783
144
40
40,0
18,6
35,4
6,0
100,0
3,7
0,4
Leste Asiático e Pacífico
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
270
142
302
54
768
33
2
525
253
447
86
1311
55
6
466
339
958
199
1961
137
20
428
286
1104
401
2217
271
43
369
253
983
637
2242
482
137
Sul da Ásia
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
186
91
173
29
479
17
1
341
159
288
51
839
31
3
515
307
617
114
1553
76
11
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
17
8
15
3
43
2
0,1
38
17
27
5
87
3
0,3
69
38
79
12
198
8
1
528
343
933
224
2029
149
23
479
325
1151
465
2419
329
69
Ásia Ocidental
79
49
127
26
282
17
2
79
53
172
63
367
46
9
Síntese
xxxiii
Tabela A.1. (continuação)
Milhões
Percentagem
Grupo etário
1950
1975
2005
2025
0-14
15-24
25-59
60 +
Total
65 +
80 +
0,94
42
76
12
224
7
0,6
187
79
129
21
416
13
1
376
189
294
47
906
31
4
495
270
494
86
1344
57
7
2050
1950
1975
2005
2025
2050
42,0
18,9
33,9
5,3
100,0
3,2
0,3
44,9
19,0
31,1
5,0
100,0
3,1
0,3
41,5
20,8
32,5
5,2
100,0
3,4
0,4
36,9
20,0
36,7
6,4
100,0
4,2
0,6
28,7
18,1
43,3
10,0
100,0
6,7
1,0
África
556
350
838
193
1937
129
20
Fonte: Nações Unidas (2005).
Nota: A tabela apresenta estimativas, até 2005, e projecções (variante média), a partir de 2005.
xxxiv
World Economic and Social Survey 2007
Tabela A.2.
Índices de dependência, segundo variantes utilizadas nas projecções, relativos
ao mundo e a grupos de países
Valor em Percentagem
Tipo
de
índice
Estimativas
2005
Baixo
Médio
Alto
Baixo
Médio
Alto
Mundo
Total
Jovens
Idosos
55
44
11
46
30
16
53
37
16
60
44
16
52
23
29
57
32
25
63
40
22
Países
desenvolvidos
Total
Jovens
Idosos
49
26
23
53
19
34
59
25
34
65
31
34
71
19
52
72
27
45
75
35
40
Economias
em transição
Total
Jovens
Idosos
46
28
18
42
19
23
49
26
23
56
33
22
59
18
41
61
27
34
66
36
29
Total
Países
Jovens
em desenvolvimento
Idosos
57
48
9
46
32
13
52
39
13
59
46
13
50
24
26
55
32
23
61
41
20
2025
2050
Fonte: Nações Unidas (2005).
Nota: O Índice de Dependência Total representa a relação entre a população jovem (0-14 anos) e a populaçãp idosa
(65 e + anos) e a população em idade activa de 15-64 anos. O Índice de Dependência dos jovens traduz a relação
entre o grupo dos jovens de 0-14 anos e a população activa de 15-64 anos. Finalmente, o Índice de Dependência
dos Idosos representa a relação entre os idosos de 65 e mais anos e a população em idade activa.
Os índices apresentados na tabela foram multiplicados por 100.
Síntese
xxxv
Tabela A.3.
Índice de dependência, segundo diferentes definições no mundo e em grupos
de países, 1950, 1975, 2005, 2025 e 2050
Tipo
de índice
A. Níveis de dependência em relação B. Níveis de dependência em relação
à população de 15-64 anos a
à população de 15-59 anos b
1950
1975
2005
2025
2050
1950
1975
2005
2025
2050
74
60
14
83
67
16
63
46
17
65
40
25
72
35
37
67
41
26
67
41
26
78
28
50
92
30
62
65
44
21
53
29
24
64
29
35
84
30
54
90
78
12
64
50
13
63
42
21
69
35
34
Mundo
Total
Jovens
Idosos
65
57
9
74
64
10
0,55
44
11
53
37
16
57
32
25
Países desenvolvidos
Total
Jovens
Idosos
54
42
13
55
38
17
49
26
23
Total
Jovens
Idosos
56
45
11
54
41
13
46
28
18
59
25
34
72
27
45
65
45
20
Economias em transição
49
26
23
61
27
34
64
48
16
Países em desenvolvimento
Total
Jovens
Idosos
71
65
7
82
75
7
57
48
9
52
39
13
55
32
23
79
67
11
Fonte: Nações Unidas (2005).
Notas: 1 Os índices apresentados no quadro foram multiplicados por 100.
2 A tabela apresenta estimativas, até 2005, e projecções (variante média), a partir de 2005.
a Níveis de Dependência em relação à população de 15-64 anos
P (0-14)
Índice de Dependência dos Jovens = ––––––––––
P (15-64)
.
100
P (65 e +)
Índice de Dependência dos Idosos = ––––––––––
P (15-64)
.
100
P (0-14) + P (65 e +)
Índice de Dependência Total = ––––––––––––––––––––
P (15-64)
.
100
b Níveis de Dependência em relação à população de 15-59 anos
P (0-14)
Índice de Dependência dos Jovens = ––––––––––
P (15-59)
.
100
P (60 e +)
Índice de Dependência dos Idosos = ––––––––––
P (15-59)
.
100
P (0-14) + P (60 e +)
Índice de Dependência Total = ––––––––––––––––––––
P (15-59)
.
100
xxxvi
World Economic and Social Survey 2007
Tabela A.4.
Economias em transição e países em desenvolvimento seleccionados: Custo
estimado das pensões de velhice universais, em 2005 e 2050
Percentagem do PIB
País
Kuwait
Bahrein
Omã
Arábia Saudita
Singapura
Botsuana
Israel
África do Sul
Malásia
República da
Coreia
Namíbia
Barbados
Trindade e Tobago
Costa Rica
Maurício
México
República
Dominicana
República
Islâmica do Irão
Gabão
Argélia
Cabo Verde
Chile
Argentina
Colômbia
Turquia
Jordânia
Cazaquistão
Brasil
Tunísia
Panamá
Filipinas
Paraguai
Tailândia
República
Bolivariana
da Venezuela
República Árabe
Síria
Nicarágua
Peru
Custos das
pensões universais – 2005
(percentagem
do PIB)
Experiência 1:
Pensão uniCusto da penversal de
Crescimento
são universal
PIB per capita 1 dólar/dia
médio do
de 1 dólar/dia
2005 ($ PPP) como proporPIB (PPP)
– 2005 (perção do PIB per 1990-2005 a
centagem
capita 2005
do PIB)
0,07
0,08
0,10
0,13
0,17
0,20
0,23
0,23
0,25
0,18
0,11
0,16
0,22
0,07
0,03
0,12
0,17
0,13
16 903
19 477
14 541
12 874
26 730
9 472
3 981
10 809
10 203
2,16
1,87
2,51
2,84
1,37
3,85
9,17
3,38
3,58
3,94
4,23
3,98
3,30
5,95
4,85
3,90
2,15
5,70
0,27
0,28
0,30
0,31
0,32
0,32
0,32
0,08
0,13
0,39
0,15
0,23
0,15
0,48
18 634
7 029
16 066
12 632
9 560
11 029
8 952
1,96
5,19
2,27
2,89
3,82
3,31
4,08
5,07
3,93
1,52
4,02
4,22
4,39
2,46
0,33
0,22
6 898
5,29
4,48
0,33
0,36
0,37
0,38
0,40
0,41
0,41
0,41
0,42
0,42
0,43
0,43
0,47
0,49
0,50
0,50
0,31
0,45
0,64
0,25
0,14
0,22
0,58
0,33
0,40
0,49
0,54
0,27
0,27
0,75
1,19
0,23
7 186
6 255
6 419
5 287
10 674
12 494
6 738
7 108
4 381
9 809
7 494
7 362
6 775
4 487
4 118
7 681
5,08
5,83
5,69
6,90
3,42
2,92
5,42
5,14
8,33
3,72
4,87
4,96
5,39
8,14
8,86
4,75
4,12
1,96
2,64
5,57
5,43
3,33
2,56
3,60
4,42
1,39
2,53
4,36
4,52
2,71
1,93
4,25
0,50
0,96
5 507
6,63
1,99
0,51
0,52
0,53
0,62
0,93
0,40
3 368
3 443
5 375
10,84
10,60
6,79
4,23
2,93
3,90
Síntese
xxxvii
Tabela A.4. (continuação)
Percentagem do PIB
País
Guatemala
Angola
Bielorrússia
China
Marrocos
Papua-Nova Guiné
Guiana
Líbano
El Salvador
Egipto
Uruguai
Azerbaijão
Honduras
Equador
Indonésia
Roménia
Uzbequistão
Croácia
Camarões
Albânia
Arménia
Djibuti
Gana
Paquistão
Jamaica
Índia
Bolívia
Mauritânia
Sudão
Vietname
Bulgária
Uganda
Sri Lanka
Bangladesh
Lesoto
Bósnia e
Herzegovina
Guiné
Senegal
Quénia
Ruanda
Comores
Gâmbia
Chade
Togo
Burkina Faso
Custos das
pensões universais – 2005
(percentagem
do PIB)
Experiência 1:
Pensão uniCusto da penversal de
Crescimento
são universal
PIB per capita 1 dólar/dia
médio do
de 1 dólar/dia
2005 ($ PPP) como proporPIB (PPP)
– 2005 (perção do PIB per 1990-2005 a
centagem
capita 2005
do PIB)
0,55
0,56
0,61
0,63
0,64
0,64
0,65
0,65
0,68
0,71
0,72
0,74
0,75
0,76
0,78
0,78
0,78
0,85
0,87
0,89
0,92
0,93
0,93
0,93
0,95
0,96
0,98
1,00
1,00
1,01
1,03
1,03
1,04
1,06
1,09
0,58
0,82
0,43
0,21
1,00
0,59
1,18
0,23
0,61
0,60
0,49
0,27
1,42
1,17
0,50
0,80
1,22
0,88
1,21
0,75
1,17
3,25
0,66
0,71
1,39
0,40
1,01
0,52
0,47
0,53
1,16
0,66
0,49
0,78
0,14
4 044
2 549
11 089
6 385
3 881
2 261
4 150
5 777
4 099
3 684
8 849
4 572
2 704
3 998
3 906
8 987
2 887
9 435
2 357
4 931
5 767
1 853
2 230
2 286
3 901
3 029
2 503
1 932
2 060
2 696
7 930
1 356
3 732
1 944
2 490
9,02
14,32
3,29
5,72
9,41
16,14
8,80
6,32
8,90
9,91
4,12
7,98
13,50
9,13
9,35
4,06
12,64
3,87
15,49
7,40
6,33
19,69
16,37
15,97
9,36
12,05
14,58
18,89
17,72
13,54
4,60
26,91
9,78
18,78
14,66
3,25
2,42
1,49
9,01
2,49
4,05
1,19
7,03
3,57
3,77
2,15
5,87
2,45
2,15
3,93
0,87
2,61
0,53
1,91
2,38
0,89
0,54
4,16
4,29
0,98
5,37
3,18
4,89
5,44
6,51
0,02
5,75
4,28
4,38
4,82
1,1
1,14
1,14
1,17
1,17
1,21
1,21
1,23
1,36
1,39
0,18
1,1
1,37
3,1
2,62
4,06
1,42
0,48
2,65
1,11
6 368
1 795
1 558
1 282
1 228
1 292
1 797
1 399
1 301
1 106
5,73
20,33
23,42
28,48
29,72
28,26
20,31
26,09
28,06
32,99
12,34
3,12
3,21
1,77
1,73
1,47
2,89
6,61
2,10
4,03
xxxviii
World Economic and Social Survey 2007
Tabela A.4. (continuação)
Percentagem do PIB
País
Custos das
pensões universais – 2005
(percentagem
do PIB)
Costa do Marfim
Nigéria
Moçambique
Iémen
Mali
Congo
Nepal
Niger
Benim
Eritreia
Zâmbia
República Centro
Africana
Madagáscar
Etiópia
Serra Leoa
Guiné-Bissau
República Unida
da Tanzânia
Malawi
Experiência 1:
Pensão uniCusto da penversal de
Crescimento
são universal
PIB per capita 1 dólar/dia
médio do
de 1 dólar/dia
2005 ($ PPP) como proporPIB (PPP)
– 2005 (perção do PIB per 1990-2005 a
centagem
capita 2005
do PIB)
1,42
1,46
1,55
1,59
1,61
1,62
1,64
1,68
1,69
1,78
2,05
3,90
1,15
0,48
1,21
1,00
1,95
1,34
3,64
1,62
1,48
2,41
1 351
1 193
1 223
840
958
1 017
1 281
711
933
813
829
27,02
30,61
29,83
43,44
38,09
35,91
28,50
51,37
39,12
44,91
44,05
0,66
3,49
6,12
5,73
4,54
2,74
3,94
2,18
4,08
4,26
1,86
2,14
2,29
2,35
2,52
2,71
3,34
5,19
2,58
0,87
6,86
1 035
768
723
796
640
35,26
47,52
50,46
45,84
57,05
0,70
1,62
2,95
0,48
0,82
2,94
3,08
2,18
2,43
632
552
57,79
66,10
3,62
2,92
Fonte: Nações Unidas/DESA.
Nota: Número total de países: 100
a
Dados disponíveis referentes aos períodos e países abaixo referidos:
Bahrein
1990-2004
Barbados
1990-1999
Bósnia e Herzegovina
1994-2005
Eritreia
1992-2005
Kuwait
1995-2004
Omã
1990-2004
Uzbequistão
1992-2005
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