SUGESTõES DE ATIVIDADES EXPERIMENTAIS PARA O ENSINO DA
QUíMICA NO ENSINO MéDIO
Fabrício de Campos Vitorino1 Zenildo Buarque de Morais Filho2 Jozenilda Buarque de
Morais Elias3 Marcelo Sierpe Pedrosa4 Wilma Clemente de Lima Pinto5
resumo: Neste trabalho buscamos realizar um levantamento acerca de vários
experimentos químicos simples e relacioná-los ao conteúdo ensinado no Ensino Médio
da disciplina de Química. Tal artigo tem a finalidade de melhorar o aprendizado em
Química, a qual é considerada uma das disciplinas de maior dificuldade para o alunado
do Ensino Médio, e com isso expor aos professores que lecionam tal disciplina um
apanhado de experimentos que possam facilitar o aprendizado e influenciar na
desmistificação da química como matéria específica para pessoas com alto grau de
inteligência.
abstract: In this work we looked for to accomplish a rising concerning several simple
chemical experiments and to relate them to the content taught in the medium teaching of
the chemistry discipline. Such article has the purpose of improving the learning in
chemistry, which one of the disciplines of larger difficulty of the students of the
medium teaching is considered, and with that to expose the teachers, that teach such
discipline, a caught of experiments that you/they can facilitate the learning and to
influence in the dispersal of the chemistry as specific matter for people with high
intelligence degree.
Palavras-chave: Ensino de Química; atividades experimentais; revisão.
Keywords: Chemistry teaching; experimental activities; revision.
INTRODUÇÃO
A Química surgiu como uma disciplina puramente experimental, servindo como base
para explicar diversos fenômenos existentes na natureza, bem como as teorias que os
explicassem (BRANDY et alii, 2002). No processo evolutivo da Química, citam-se os
experimentos dos alquimistas (MAAR, 2000), os quais buscavam a vida eterna
utilizando misturas de várias substâncias, cuja finalidade era a obtenção da pedra
filosofal para este fim (RODRIGUES, 2006). Tal pedra nunca foi encontrada.
Entretanto, esse objetivo, até hoje, não foi abandonado, basta observar o grande número
de indústrias de cosméticos que, através de seus produtos, prometem a diminuição da
influência do tempo sobre a pele, o que seria uma forma de prolongar a vida de um
indivíduo. Os mesmos alquimistas também trabalhavam na transformação de materiais e
nesse âmbito procuravam transformar ferro em ouro (PORTO, 1998). Este intento não
se configurou, mas suas ideias são observadas na criação de novos elementos químicos,
os quais, através da reação de fusão nuclear, resultam em novos elementos (CHANG,
1994). No decorrer da história, os alquimistas foram vistos como magos, feiticeiros e
/ou bruxos, poucos os viram como os verdadeiros pensadores de sua época. Suas
pesquisas foram tão relevantes que, atualmente, como descrito acima, muitos
conhecimentos adquiridos por eles são usados na ciência.
Não obstante, hoje em dia a Química vem se desenvolvendo muito, tanto no que tange
ao campo científico-tecnológico, com contribuições para os desenvolvimentos sociais,
econômicos e políticos (MAAR, 2000), quanto no campo do ensino de Química, com
contribuições em métodos cada vez mais eficientes no ensino (GAUCHE et alii, 2008;
REBELO et alii, 2008). Este último será o tema abordado neste artigo. Torna-se notório
o desenvolvimento do ensino de Química no país, basta verificar o elevado número de
artigos relacionados ao tema publicados periodicamente em revistas, jornais, sites e toda
mídia especializada. O número de publicações na área do ensino de Química, quando
colocada dentro de um contexto de produções do campo de pesquisa do Ensino de
Ciências no Brasil, corresponde a 10% do total de produções (BEJARANO &
CARVALHO, 2000).
Não se tem a intenção de modificar drasticamente os procedimentos de ensino aplicados
atualmente, mas sim contribuir, um pouco mais, para o desenvolvimento do ensino da
Química com diversas experiências visuais; possibilitando uma maximização da
aprendizagem dos alunos. É interessante dizer também que relacionar essas experiências
com o dia-a-dia dos estudantes permitirá que eles possam vir a adquirir um
conhecimento mais aprofundado, menos superficial, consistindo no foco principal para
qualquer educador, que é a “formação de um discente questionador e não um mero
depósito do conhecimento do docente” (FREIRE, 2003). Corroborando as ideias de
Freire, Arroio et alii (2006) preconizou que as experiências visuais ajudam os alunos a
assimilar o conteúdo de uma maneira mais prática, salientando a importância de traçar
um paralelo entre os experimentos e o seu cotidiano; o que corrobora o pensamento de
Piaget (1977), ou seja, “o conhecimento realiza-se através de construções contínuas e
renovadas a partir da interação com real”. E é do saber de todos que um
desenvolvimento cultural voltado para os alunos propiciará uma população de
pensadores no futuro, refletindo no desenvolvimento da sociedade em geral.
OBJETIVO
Este trabalho tem como objetivo auxiliar os professores e educandos que estão
envolvidos no ensino e aprendizagem dos conteúdos ministrados pela Química,
promovendo a oportunidade de ensiná-los e aprendê-los através de experimentos
empregados em livros e artigos voltados ao Ensino Médio. É bem verdade que muitos
experimentos surgem para o corpo discente desvinculados do conteúdo estudado.
Espera-se, com este trabalho, relacionar tais experimentos com os conteúdos abordados
no Ensino Médio, favorecendo uma maior compreensão dos mesmos. No entanto,
nossa maior meta é a promoção do ensino de Química nas escolas brasileiras. Esta é
vista, pelos alunos, como uma disciplina com alto grau de complexidade e de grande
dificuldade de assimilação, porém tal informação é meramente um mito, cabendo ao
docente desmistificá-la. Esse artigo intenciona auxiliar os professores e alunos das
escolas de Nível Médio, colaborando para tornar a aprendizagem dos conteúdos mais
dinâmica, ilustrativa e, porque não, divertida. O objetivo principal deste trabalho é fazer
com que os alunos tenham um maior contato com a Química através de experiências
reais, nas quais terá a oportunidade de ver, experimentar, questionar e suscitar questões
sobre o conteúdo abordado. O que é diferente da Química convencional, que, na maioria
dos casos, apresenta-se puramente conteudística. Essa é a Química que os alunos
denominam “chata”. Segundo um estudo publicado na revista Química Nova
(CARDOSO, 2000), havia um questionário em que uma das perguntas era se o aluno
teria sugestões para melhorar o ensino de Química. O resultado desta foi o seguinte:
alegaram ser importante o manuseio de substâncias e a realização de práticas, deste
modo, teriam como comprovar os conhecimentos passados em sala de aula. Com base
nesta pesquisa, foi desenvolvido este trabalho. Não está sendo discutida a parte de
segurança, tema que será abordado em outro trabalho, mas uma boa referência que
aborda, de forma geral, a segurança, encontra-se no artigo publicado por Machado &
Mól (2008) e no livro publicado por Carvalho (1999).
ATIVIDADES
Este trabalho descreve diversos temas relacionados ao ensino de Química, tais como:
reações químicas, gases, densidade, ácidos e bases, pilhas e pressão. Para tal,
apresentaremos alguns experimentos de fácil realização e com materiais simples, os
quais o professor não terá muito trabalho de obter, pois a maioria deles pode ser
encontrada em casa ou num simples laboratório. Caso o professor não tenha o material
no laboratório da escola, deve procurar substituí-lo por um equivalente, já que foram
inseridas sugestões, entre parênteses, no decorrer do artigo. O importante é tentar de
alguma forma fazer com que essas experiências cheguem aos alunos em sala de aula,
embora nunca esquecendo os devidos cuidados relacionados com as substâncias que
possam trazer alguma espécie de risco à saúde. Por isso o auxílio de luvas e óculos de
proteção é indispensável para a execução dos experimentos. Será, também, de grande
interesse para a aprendizagem do discente que ele e seus companheiros elaborem em
casa questionamentos e/ou soluções relacionados às experiências ministradas em sala de
aula, para que haja uma maximização da aprendizagem.
Experimento 1: Reações químicas
Decomposição da água oxigenada:
Nessa parte poderá ser feita uma experiência tirada de um artigo da revista Química
Nova na Escola (ARROIO et alii, 2006), denominada “Decomposição da água
oxigenada”.
Esta experiência pode ser considerada bastante simples, porém extremamente
ilustrativa. Será necessário para a execução dessa experiência:
1. 50ml água oxigenada (obtida em farmácias - 30 volumes);
2. 10ml de detergente (obtido em supermercados);
3. Anilina colorida (obtida em casas de materiais para festas infantis);
4. 2 gramas de iodeto de potássio;
5. Proveta de 500ml (ou um copo que comporte igual volume).
Com esse material, será feito o seguinte: Colocam-se 20 ml de água oxigenada (30
volumes) dentro da proveta, depois 10 ml de detergente e algumas gotas de anilina. Por
fim, colocam-se 2g de iodeto de potássio, que são usados como catalisador nessa reação.
Será notada nessa reação a formação de espuma colorida devido à decomposição da
água oxigenada em H2O e gás oxigênio (O2).
Experimento 2: Gases
Outro capítulo importante da Química é a parte que diz respeito aos gases. Nessa parte
devemos dar bastante atenção aos métodos de ensino, pois os gases normalmente são
incolores, portanto de difícil visualização. Eis um bom motivo para a realização de
experimentos em sala de aula, para uma fácil e melhor compreensão dos alunos a
respeito desse conteúdo tão importante.
a) Bolas de sabão:
Uma ótima experiência para ser realizada com os alunos é a de bolas de sabão (SILVA,
2003). É uma experiência simples, porém bastante ilustrativa, que irá prender a atenção
dos alunos. Primeiramente precisaremos:
1. Dois copos de 300 ml;
2. Arame;
3. Jarra grande e transparente com capacidade para 1,5 L;
4. 100ml de água;
5. 100ml de detergente;
6. 300ml de vinagre;
7. 60g de bicarbonato de sódio (encontrado em padarias).
Com o auxílio desses materiais para a confecção de bolinhas de sabão, deverá ser feita
uma mistura de água e detergente numa proporção de 1:1 dentro de um copo de 300 ml.
Depois, com o arame, faça uma argola que será utilizada para fazer as bolas de sabão.
Dentro da jarra coloque as 60 g de bicarbonato de sódio e em seguida acrescente os 300
ml de vinagre, com auxílio de um copo. Haverá uma reação entre o bicarbonato de
sódio e o vinagre, gerando ácido carbônico, que se decompõe em dióxido de carbono
gasoso e água. Este processo libera o dióxido de carbono; após a reação, deve-se fazer
uma bola de sabão direcionando-a para que caia no interior da jarra (não deverá ser feita
bola de sabão diretamente dentro da jarra, pois isso faria com que o dióxido de carbono
escape).
Esta experiência revelará diversos detalhes, tais como: a bola que fica suspensa no ar e o
seu aumento, em virtude do dióxido de carbono resultante da reação entre o bicarbonato
e o ácido acético do vinagre. Tal fenômeno faz com que a bola, que é mais leve que o
ar, flutue e seu aumento é em consequência do aumento da concentração desse gás
dentro da bola.
b) Estufando o balão:
Ótima experiência a ser realizada em sala com os estudantes, pois é altamente ilustrativa
e cativante. Essa foi encontrada no site da TV Cultura e serão necessários os seguintes
materiais:
1. Bexiga (comum de festa);
2. 100ml de água quente;
3. Três colheres de fermento biológico (usado para fazer pães, encontrado em
supermercados e padarias);
4. Três colheres de chá de açúcar;
5. Uma garrafa de plástico, tipo pet, com capacidade para 500ml.
De posse dos materiais, coloque o fermento e o açúcar dentro da garrafa pet, em seguida
adicione 100ml de água quente. Depois de realizadas essas etapas, tampe a boca da
garrafa com a bexiga. Após um tempo, notar-se-á um aumento de volume da bexiga,
isso ocorre em razão do gás de dióxido de carbono que é liberado da reação entre o
fermento e o açúcar. Este é o mesmo gás que faz com que a massa dos pães cresça antes
de ser assada.
Experimento 3: Densidade
a) Gotas de óleo flutuantes:
Nesse capítulo da Química, podemos estudar uma experiência muito interessante
(SILVA, 2003), essa prática é bastante simples e muito ilustrativa. Será preciso apenas:
1. Um copo fundo transparente (capacidade de 300 ml);
2. Conta gotas;
3. Água (100 ml);
4. Óleo (5 ml);
5. Groselha (2 ml);
6. Álcool etílico (100 ml) (desses comuns que são vendidos em supermercados).
Com os materiais supracitados, será feito o seguinte:
1°. Misturar num copo um pouco de groselha (2 ml) na água para ficar vermelha;
2°. Em seguida, verter o álcool (100 ml) sobre a água, vagarosamente, para que não se
misturem completamente, gerando duas fases;
3°. E finalmente com a ajuda de um conta-gotas, pingue sobre as fases formadas 10
gotas de óleo, bem devagar.
Observa-se nessa experiência que as gotas pingadas na superfície da mistura bifásica
ficarão esféricas, devido à pequena força que a gravidade exerce. Notam-se também,
nessa demonstração, as diferentes densidades dos líquidos envolvidos nesse
experimento, o que pode ser observado pela formação das fases.
b) Líquido colorido:
É possível verificar a densidade de líquidos através dessa outra prática (SILVA, 2003).
São necessários:
1. 100 ml de água com corante (2 gotas de groselha);
2. 50 ml de azeite;
3. 50 ml de mel;
4. 50 ml de álcool etílico (encontrado em qualquer farmácia);
5. 1 copo de vidro alto (capacidade de 300 ml);
6. 1 Copo plástico de café (capacidade de 50 ml).
Neste experimento, para que caibam outros líquidos no copo, colocamos, apenas, duas
medidas do copo de café de água com corante. Depois, uma medida de mel, na mesma
proporção; em seguida o azeite e por último o álcool etílico. Tranquilamente, poderá ser
notada a diferença de densidade entre esses líquidos presentes na mistura.
Experimento 4: Ácido e bases
a) Teste de acidez:
Como um bom exemplo de experimento para o capítulo de Ácido e Bases, pode ser
citada a experiência em que se empregam hortaliças como indicador de ácido ou base
(NASCIMENTO, 2001). Consiste num experimento simples e bastante interessante, que
com certeza irá cativar os alunos. Serão necessários:
1. 25 g de repolho roxo cortado (encontrado em supermercados);
2. Um liquidificador;
3. 100 ml de água filtrada;
4. Filtro de papel (pode ser o de coar café);
5. 10 ml de amostras ácidas e básicas (vinagre, limpador Veja, suco de limão).
Nessa experiência, você precisará cozinhar por 10 minutos, com o solvente em ebulição,
25 gramas de repolho roxo em 100 ml de água filtrada. Em seguida, triture ainda quente
num liquidificador e com o auxílio de um filtro de papel coe a mistura, para obter um
suco. Duas gotas do suco (contendo antocianinas presentes na planta) poderão ser
utilizadas como indicador na determinação de ácidos e bases. Quando na presença de
ácidos como, por exemplo, o vinagre, a solução ficará vermelha. Já na presença de uma
base como a amônia, o suco ficará azul ou verde. Faça diversos testes com diversas
substâncias e anote a cor dos resultados.
b) Acidez do Leite:
Essa experiência (FERREIRA, 1997), apesar de seus reagentes serem um pouco mais
difíceis de serem encontrados, como a solução de soda Dornic, que é uma solução de
1/9 de NaOH mol/L (0,111 mol/ L), assim como a solução alcoólica de fenolftaleína
2%, é otimizada pelo fato de estar intimamente relacionada com o cotidiano dos alunos,
por se tratar da qualidade do leite, que é um alimento consumido por muitas pessoas
todos os dias. Por isso, vale a pena o esforço de tentar encontrar esses materiais em um
laboratório. Dever-se-á também ter o máximo de cautela com o NaOH e sua solução
evitando seu contato com pele. Caso isso ocorra, lave a área afetada com água em
abundância. Fora isso, o resto da experiência é relativamente fácil. Os reagentes
necessários serão os seguintes:
1. Amostras diferentes de leite;
2. Uma pipeta volumétrica (ou se não houver, uma seringa grande sem a agulha);
3. Um erlenmeyer de 50 ml (ou um copo);
4. Uma bureta de 10 ml (que também pode ser substituída por uma seringa);
5. 50 ml de solução de NaOH 1/9 mol/L (0,111 mol/L), chamada de soda Dornic;
6. 2 gotas de solução de fenolftaleína 2%.
Transfira 10 ml de leite para dentro de um erlenmeyer. Adicione 20 ml de água e em
seguida duas gotas de solução de fenolftaleína. Coloque na bureta a solução de soda
Dornic e goteje (termo técnico: titule) sobre o leite até que ele adquira uma coloração
rósea persistente. Após a titulação, anote a quantidade de soda gasta.
O fato é que cada 0,1ml de soda Dornic gasto equivale a um grau Dornic (1°D), que
representa uma unidade de medida de acidez. Sabe-se que o grau de acidez aceitável
para um bom leite é entre 16°D e 20°D. Esses testes propiciarão aos alunos comprovar a
qualidade dos leites ingeridos por eles.
Experimento 5: Relação entre calor e trabalho
Agora poderá ser feita uma experiência um pouco mais trabalhosa, porém muito
elucidativa, referente à termodinâmica. Essa experiência foi feita no século XVIII por
James Prescott Joule para comprovar a relação entre calor e trabalho (CHEMELLO,
2006). Para a realização dessa experiência, será necessário:
1- Um recipiente de vidro grande (capacidade de 1,5 L);
2- Um termômetro bastante sensível
(0-50°C, com variação de 0,2°C);
3- 1000 ml de água;
4- Palhetas para mexer a água.
Coloque água no recipiente até um pouco mais da metade. Meça a temperatura da água
à temperatura ambiente. Com a ajuda de palhetas, agite a água por uns 5 minutos e meça
sua temperatura novamente. Note que a temperatura, mesmo que ligeiramente, se
elevou. Isso ocorre em função do esforço realizado pela água ao resistir aos movimentos
das palhetas.
Experimento 6: Eletroquímica
No capítulo de eletroquímica também existem ótimos experimentos, com metodologias
e utilização de materiais relativamente fáceis, que proporcionarão uma aula muito
cativante e erudita para os educandos.
a) Pilha de Limão:
Este experimento consiste na preparação de pilhas usando limões, laranjas ou batatas
(NASCIMENTO, 2001). Será necessário para esta prática:
1. Um limão, laranja ou batata;
2. Um relógio eletrônico;
3. Uma combinação de zinco (pregos) e cobre (na forma de fios de instalação
caseira).
A experiência é simples, consiste basicamente em colocar os dois pedaços de metal um
em cada lado do limão, laranja ou batata; em seguida uni-los por fios e conectá-los a um
pequeno aparelho. O melhor resultado é usando um pequeno relógio eletrônico que
funciona com uma pilha de 1,5 Volts. Deve-se retirar a pilha deste e conectar os fios em
seus pólos positivo e negativo. O relógio funciona por pouco tempo, mas o suficiente
para poder mostrar aos alunos. Se quiser acender uma lampadazinha, será necessário
mais energia, o que é possível conseguir com uma solução de água e sal, que permite
uma melhor transição de íons e elétrons pelo sistema formado. Assim como na solução
salina, existem no limão, batata e laranja alguns ácidos e sais que se ionizam ou se
dissociam em íons positivos e negativos, e cada um destes tipos de íons migra para os
terminais metálicos.
b) Condutores de eletricidade:
Essa experiência deve ser feita com o máximo de cuidado, utilizando-se equipamentos
de proteção, como luvas de borracha e óculos de proteção, devido ao fato de estar
lidando com eletricidade. Essa experiência é de boa visualização (PERUZZO &
CANTO, 2002), através da qual os alunos observarão que certos materiais podem ou
não conduzir corrente elétrica. Com o auxílio de:
1. Uma tomada com as pontas dos fios desencapados (encontrada em lojas de
materiais elétricos);
2. Um pedaço de fio (2,5 mm de espessura) de cor diferente das tomadas. (encontrado
em lojas de materiais elétricos);
3. Uma lâmpada e bocal comum fixos a uma ripa de madeira;
4. Um becher de 300 ml (ou copo de vidro);
5. 200 ml de água destilada (encontrada em postos de gasolina)
6. 10 gramas de NaCl (sal de cozinha).
Conecta-se um dos fios da tomada no bocal da lâmpada fixa ao suporte de madeira. A
outra ponta do fio deverá ser colocada no copo que contém a água destilada. Com o
auxílio do pedaço de fio colorido, conecte o outro conector do bocal da lâmpada, mas
ainda sem pôr a sua outra ponta na água. Como é do conhecimento de todos, a água
destilada apresenta uma baixíssima condutividade eletricidade. Pode-se comprovar esse
fato colocando a ponta do fio colorido dentro da água destilada contida no becher. Será
notado que a lâmpada não acenderá. No entanto, misturando as 10g de NaCl (sal de
cozinha) na água, a mistura passará a conduzir eletricidade, fato comprovado pelo
acendimento da lâmpada. Para melhor fixação dos alunos, pode-se fazer o teste de
várias soluções, como por exemplo, de açúcar ou outros materiais que os discentes
tiverem curiosidade.
Experimento 7: Pressão
A pressão é uma força que está presente em todo o planeta. Todos os seres encontram-se
sob a influência da pressão. Os gases são influenciados pela pressão (aumento da
pressão), ocasionando uma redução do seu volume e, por conseguinte, uma maior
aproximação das suas moléculas, gerando um aumento dos choques de suas partículas
no interior de recipientes que os contêm.
Dito isso, poderão ser feitas experiências para comprovar essa força que a pressão
exerce sobre tudo na natureza.
a) Amassando latinha de uma forma diferente:
Essa experiência, retirada do livro Química na Cabeça (MATEUS, 2007), é uma das
melhores práticas, no quesito visualização, porém deve-se ter bastante prudência, pois
se estará lidando com fogo e altas temperaturas. Será necessário para a realização:
1. Uma lata de refrigerante de alumínio (350 ml);
2. Uma tigela de vidro de 2 l;
3. 1,5 l de água à temperatura ambiente;
4. Uma pinça de madeira (ou um pregador de madeira, desses de pendurar roupas no
varal);
5. Uma fonte de calor (que pode ser um fogareiro qualquer).
De posse desses materiais, coloque 1 litro de água na tigela. Adicione à lata,
aproximadamente, dois dedos d’água. Com o auxílio de uma pinça de madeira, segure a
lata contendo água firmemente sobre a chama, até que a água entre em ebulição. Espere
que ocorra a formação de bastante vapor, saindo da boca da latinha. Em seguida,
coloque a lata com a boca virada para baixo dentro da tigela contendo água à
temperatura ambiente. Note o efeito que a brusca queda de pressão, ocorrida pela
condensação dos gases, causa na lata. Observe que a lata amassa sozinha. Isto ocorre
por causa da contração dos gases, gerando a diminuição, brusca, do volume interno da
lata.
b) Enchendo um balão de um jeito diferente:
Outra experiência muito interessante no capítulo de pressão consiste em um
experimento com maior grau de complexidade (NASCIMENTO, 2001), porém passível
de ser realizado. Os materiais necessários são:
1. Uma vasilha de vidro de 500 ml, com tampa de cortiça (tipo essas de doces
caseiros);
2. Dois canudos, de preferência de vidro;
3. Uma bexiga de festa.
Faça dois furos na tampa da vasilha. Insira os canudos, sendo que em um deles deverá
ser posto a boca da bexiga, devidamente amarrada, para que o balão não escape. Em
seguida, tampe o vasilhame com a tampa de cortiça e o balão voltado para dentro do
recipiente. Aspire no canudo que não contém a bexiga. Note que o balão de festa enche.
Isso ocorre devido à compensação na queda da pressão dentro da vasilha, fazendo com
que entre ar pelo outro canudo que enche a bexiga.
DISCUSSÃO
Tendo como foco inicial de discussão as experiências, é importante que o professor
levante questões e debates em sala de aula para uma fixação geral do conteúdo
apreciado em cada experiência. Estas questões e debates levarão os educandos a
refletirem, em casa, sobre o que eles viram no experimento. Deste modo, poderão
também discutir as observações com seus colegas. O resultado esperado desse trabalho
é um maior envolvimento por parte dos alunos com a matéria, já que tiveram acesso à
visualização da teoria através da prática, com esses experimentos.
De acordo com MACHADO (1996), é necessário buscarmos a prática de uma
“educação química” - esta se subentende pelo ato de o aluno elaborar conceitos através
de construções de conhecimentos adquiridos. O que difere em muito do ensino de
Química atual, no qual a aula é centrada no docente, sendo o aluno um mero espectador.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É interessante notar que essa interação com a realidade dos alunos permitirá que eles
assimilem o conteúdo de uma maneira mais prática e prazerosa, fazendo com que não
apenas gravem o conteúdo, mas que aprendam de fato o que lhes é apresentado, isso faz
com que eles vejam a Química não mais como uma matéria para pessoas com
“superdotação intelectual”, ou da qual devam gravar leis e fórmulas super complicadas,
mas sim como uma disciplina interessante, que lhes possibilita compreender coisas úteis
a seu dia-a-dia, gerando uma cultura de questionamento e aprendizado, e não uma
simples fixação de conteúdo sem nenhuma relevância para sua vida cotidiana.
De um modo geral, é esperado que esses experimentos, quando aplicados em sala,
contribuam para desmistificar a Química como uma disciplina complexa. Espera-se com
este artigo que os estudantes possam constatar que, apesar da complexidade relacionada
à Química, os discentes poderão provar e comprovar na prática que a disciplina é uma
matéria interessante e que faz parte de suas vidas, contribuindo assim para uma melhor
aceitação da disciplina nas escolas.
AGRADECIMENTOS
FUNADESP e FAPERJ pelo financiamento de bolsas de IC.
SOBRE O AUTOR
1 - Graduando da Faculdade de Química, Universidade do Grande Rio.
2 - Doutor em Ciências, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação em
Ciências e Matemática, Universidade do Grande Rio.
3 - Pós-Graduação em Língua Portuguesa: Teoria e Prática, Universidade do Grande
Rio.
4 - Doutor em Ciências, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação em
Ciências e Matemática, Universidade do Grande Rio.
5 - Doutor em Ciências, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação em
Ciências e Matemática, Universidade do Grande Rio.
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