Comentário dos Livros Uva 2014.1 Prof. Vicente Jr. Monitores ( Acássia, Rachel, Geane, Wallas e Roberto) www.literaturafantastica.pro.br Livro 1 ( Helena) O Título O título deste romance mais parece uma ironia machadiana, pois lembra o nome de uma das personagens femininas mais fortes da literatura mundial. No entanto, a Helena de Machado de Assis é fraca e será vencida pela sociedade escolhendo romanticamente a morte como fuga da realidade. Autor e obra Joaquim Maria Machado de Assis é considerado o maior escritor brasileiro, mas no seu dizer, nunca foi digno de tudo isso. Nascido a 21 de junho no Morro do Livramento (RJ), filho de uma lavadeira e um pintor de paredes, Machado de Assis em sua infância, era mestiço, pobre, feio, gago e epiléptico e, para se sustentar, vendia doces nas baixadas cariocas. Com todas essas “qualidades” e tendo seu talento literário reconhecido por seu grande mestre Manuel Antônio de Almeida, de quem foi ajudante de tipógrafo, Machado fez de tudo um pouco, ou seja, escreveu romances, peças teatrais (Lição de botânica), contos, crônicas, crítica e poesia (parnasiana e simbolista), mas, ficou conhecido principalmente por seus contos e pelo seu principal texto, o romance Dom Casmurro. Publicou quatro livros de poesia intitulados: Crisálidas, Falenas, Americanas e Poesias Completas. Quanto à prosa romanesca, sua obra pode ser dividida em duas fases: a Primeira é romântica, (Ressurreição 1872; A Mão e a Luva 1876; Iaiá Garcia 1878; e Helena 1876); e a Segunda é realista, compreendendo os romances (Memórias Póstumas de Brás Cubas 1881; Dom casmurro (1890); Quincas Borba 1891; Esaú e Jacó 1904 e Memorial de Aires, 1908). Muito influenciado por Gustave Flaubert (FRA) alimentou grandes polêmicas com Eça de Queiroz (PORT). Machado de Assis não era um escritor qualquer, ou seja, o “anatomista” de almas ou “bruxo” , como era chamado, nunca escrevia só por escrever; cada personagem, cada palavra em seu texto precisava estar no local exato e desempenhando a função mais do que adequada. Sua obra é recheada de filosofia, cientificismo, pessimismo, materialismo, perspicácia e ironia. Casou-se com D. Carolina Xavier de Novais, a quem amou por toda a vida. Com a ajuda do cearense Antônio Sales, fundou a ABL, sendo seu primeiro presidente. Morreu a 29 de setembro de 1908, deixando, para a eternidade, uma vasta e importantíssima contribuição literária. Momento Possuidor de traços bastante característicos como a aura de mistério e o tom melancólico do amor impossível levado ao extremo (escapismo) e, principalmente, por ser anterior a 1881( início do Realismo no Brasil ), o romance HELENA pertence ao Romantismo, ou seja, à fase romântica de Machado de Assis. Publicado em 1876, o romance enquadra-se com algumas ressalvas nos moldes tradicionais das obras do romantismo. Tanto é que não conserva aspectos “sonolentos” como a valorização exagerada do espaço ou da natureza (atitude alencarina), típica do Romantismo em sua fase inicial. É, também, melodramático por atender, em seu enredo, às perspectivas de um público burguês, basicamente feminino ávido pela leitura de folhetins. Este romance merece atenção redobrada. Por quê? Porque é do Machado de Assis. E em se tratando de “aparentar o que não é “ o bruxo do Cosme Velho era o maior. “Em Helena, Machado foi romântico, mas estava aprendendo a ser realista”. Esclarecendo desde já, desavisado vestibulando, o livro Helena de Machado de Assis tem tudo pra “parecer” realista, mas para você, para a sua prova do vestibular, parece, mas não é. Helena tem traços do Realismo, mas é um romance romântico de Machado de Assis. Resumo No dia da morte do Conselheiro Vale, a tristeza tomou conta de todos na casa. E os que mais sofreram foram Úrsula, irmã do Conselheiro, e Estácio (professor, bonito, educado, inteligente , honesto, bom partido...) filho único do Conselheiro Vale. Os amigos compareceram e o mais íntimo deles ficou junto da família o tempo todo, uma fidelidade invejável. Assim era o Dr. Camargo, amicíssimo do Conselheiro Vale. O Pe. Melchior também não faltou, pois no Romantismo não existe “família” sem a presença forte e necessária da Igreja. Até os criados estavam tristes, principalmente um rapazinho de nome Vicente, que será pajem de Helena. No dia seguinte (não deixaram nem o defunto esfriar), o testamento foi aberto e qual não foi o susto de todos quando o Dr. Camargo, reproduzindo as palavras do morto, declarou que toda a herança deveria ser dividida também com uma filha de nome Helena, que ele (Vale) havia deixado em um colégio interno na Capital. Úrsula, indignada, não teve como protestar pois Estácio, sempre correto, sempre ético (modelo de homem romântico) disse que a vontade de seu pai, mesmo morto, seria respeitada. FRAGMENTO 1 “Era uma moça de dezesseis a dezessete anos, delgada sem magreza, estatura um pouco acima da mediana, talhe elegante e atitudes modestas. A face, de um moreno-pêssego, tinha a mesma imperceptível penugem da fruta de que tirava a cor; naquela ocasião tingiam-na uns longes cor-de-rosa, a princípio mais rubros, natural efeito do abalo. As linhas puras e severas do rosto parecia que as traçara a arte religiosa. Se os cabelos, castanhos como os olhos, em vez de dispostos em duas grossas tranças lhe caíssem espalhadamente sobre os ombros, e se os próprios olhos alçassem as pupilas ao céu, disséreis um daqueles anjos adolescentes que traziam a Israel as mensagens do Senhor. Não exigiria a arte maior correção e harmonia de feições, e a sociedade bem podia contentar-se com a polidez de maneiras e a gravidade do aspecto. Uma só cousa pareceu menos aprazível ao irmão: eram os olhos, ou antes o olhar, cuja expressão de curiosidade sonsa e suspeitosa reserva foi o único senão que lhe achou, e não era pequeno”. Em poucos dias, mandaram buscar Helena. Estácio não se continha de curiosidade até que, finalmente se encontraram e, de imediato, rolou um “clima” que só foi quebrado quando Úrsula, a contra gosto, apresentou um ao outro e enfatizou a palavra “irmãos”. Mas não foi com este sentimento que Helena olhou para aquele moço tão bonito... Daí por diante, todos gostaram de Helena, que era realmente muito simples, bonita, inteligente e educada (uma beleza de morena ) Duas pessoas, no entanto, não ficaram satisfeitas com a atenção dada a Helena: Dr. Camargo e Eugênia, sua filha. O maquiavélico doutor era um grande interesseiro, um pai extremoso que já havia traçado planos para o casamento da filha Eugênia com Estácio, de olho, é claro, na fortuna da família Vale, ao menos é isso que sugere o narrador. E toda a atenção que antes era para Eugênia, agora, era dedicada a Helena. Se o Dr. Camargo ficou com raiva desse carinho todo, eu não preciso nem dizer como é que ficou Eugênia... a noiva que agora era deixada de lado. Dr. Camargo não perdeu tempo. Passou a vigiar Helena e descobriu que ela dava uns passeios meio misteriosos. Saía sozinha e visitava uma casa velha que ficava bem próxima às terras do Conselheiro. Na primeira oportunidade, mais propriamente numa festa em homenagem a Estácio, o pilantra (analisado como antagonista) usou o que descobriu contra Helena, dizendo que sabia que ela se “encontrava” com alguém, forçando a nossa protagonista a desistir do que sentia por Estácio e, ainda por cima, apressar o casamento dele com Eugênia. Nessa ocasião é apresentado a Helena um moço chamado Mendonça, um dândi, ou seja, um tipo de playboizinho, gastador do dinheiro dos pais que, “imediatamente” se apaixona por ela. Helena, com medo de ter o seu segredo revelado, entrou no jogo de Camargo que, na verdade, não sabia era de nada. O próprio Estácio, no entanto, caçando por suas terras, encontrou a casa velha onde morava um “coroa” bonitão de nome Salvador. Estácio, com a cabeça “feita” por Camargo e morrendo de ciúmes de Helena, passa a achar que ela tem um caso com o homem da casa da bandeira azul. Helena, sentindo-se descoberta, faz uma carta revelando tudo. Mas é o próprio Salvador que conta a verdade a Estácio, manda um bilhete para a família dizendo que é o pai de Helena e que vai embora para não complicar a vida da filha. No entanto, assevera que o Conselheiro Vale foi o verdadeiro pai, pois criou Helena e deu-lhe tudo que ele (Salvador) na época não poderia dar. Portanto, Vale tornou-se mesmo pai de Helena. Estácio, Úrsula, Camargo e Pe. Melchior ficam apalermados com a revelação. Helena não é filha legítima do conselheiro Vale; mentiu para todos e, por isso, não merece tomar parte na herança. Estácio e Melchior, no entanto, reúnem-se para definir o destino de Helena que, a essa altura, se sente aliviada, pois fora forçada a mentir, e torce pela chance que surge de poder ficar com Estácio. O que sentem um pelo outro já é quase incontrolável. Melchior e Estácio optam por fazer a vontade do Conselheiro que queria, a todo custo, ter Helena como filha e, por isso, decidem perdoá-la. Helena, porém, sem o verdadeiro pai e sem o amor de Estácio, adoece de tristeza e quase se mata quando, em uma chuva muito forte fica joga-se em um tanque d’água. Mesmo sendo salva por Estácio, passa dias acamada com pneumonia. Estácio, sem saber o que fazer, luta contra os próprios sentimentos. Admite que ama Helena, e que podem ter uma chance pois não são irmãos. Em contrapartida, não tem coragem suficiente para enfrentar a sociedade, que ignora tudo o que se passa, e dizer para todos que ama Helena e vai ficar com ela. Tem medo, assim, como Úrsula e o Padre, do que as pessoas possam falar (o domínio podre da burguesia). Enquanto o jovem se desfaz em dúvidas e angústias, Helena não resiste à febre e, olhando apaixonadamente para Estácio, morre segurando as mãos do seu único e impossível amor. Cumpre-se o destino da personagem romântica, sofrida, martirizada, que sofre imposições da sociedade, mas que não pretende cumprir. Como é incapaz de insurgir-se contra o seu destino (a personagem rebelde é mais comum no Realismo ) encontra uma saída nos braços da morte, a mais fiel de todas as amigas, que não atrasa e nunca falta ( escapismo e Ultrarromantismo). Vale ressaltar que a morte de Helena não é uma “covardia”, mas um ato redentor, uma morte por amor. FRAGMENTO 2 “Fecharam o féretro; ao moço pareceu que o encerravam a ele próprio. Saindo o enterro, deixou-se Estácio cair numa cadeira, sem pensar nada, sem sentir nada. Pouco a pouco, despovoou-se a casa; os amigos saíram; um só de tantos ainda ali ficou, a lastimar consigo a noiva, tão cedo prometida e tão cedo roubada. Esse mesmo saiu, enfim, não ficando mais do que a família, cujo pai espiritual era Melchior. Sozinho com Estácio, o capelão contemplou-o longo tempo; depois, alçou os olhos ao retrato do conselheiro, sorriu melancolicamente, voltou-se para o moço, ergueu-o e abraçou com ternura. - Ânimo, meu filho! - disse ele. - Perdi tudo, padre-mestre! - gemeu Estácio. Ao mesmo tempo, na casa do Rio Comprido, a noiva de Estácio, consternada com a morte de Helena, e aturdida com a lúgubre cerimônia, recolhia-se tristemente ao quarto de dormir, e recebia à porta o terceiro beijo do pai. FIM Crítica Amigo vestibulando, aceite o meu conselho: entremos no clima do Romantismo. Só assim será possível entender o que o “Bruxo” quis dizer. O romance que acabamos de ler (resumido, é claro) parece ser a prova mais concreta de que o amor, de fato, existe (mesmo que poucos acreditem). É um texto muito bem construído, o autor dispensa apresentações, justamente pelos elementos tipicamente românticos utilizados na composição. A adjetivação, o senso de mistério, a idealização das personagens, a valorização da beleza, a subjetividade e outros fatores identificam o referido texto como um excelente exemplo do movimento romântico. Não caia nessa de achar que só porque Machado de Assis é o maior nome do nosso Realismo ele tenha sido completamente realista no romance Helena. Há traços que denunciam um Machado em transição para um novo momento, mas ainda é romântico. Helena é o retrato do segundo momento romântico, o Ultrarromantismo. A personagem principal é obrigada a viver uma mentira, a situação a leva a isso. A tristeza dela e sua morte justificam esse amor em exagero; tem a morte como única saída (escapismo). Helena não morre de tuberculose ou pneumonia, ela morre de tristeza, por amor, um amor impossível que, para existir, precisa lutar contra a sociedade e nós sabemos que Sociedade = Família + Igreja, sendo praticamente impossível passar por cima dessas instituições. Note que para Helena é apresentada ainda uma outra opção, justamente quando Mendonça, amigo de Estácio se interessa por ela, mas a mentira não pode ser encoberta com outra, Helena cansou de fingir, de fugir de todos e de si mesma. Mas quando prefere morrer, para alguns uma “covardia”, precisamos entender que isso acontece como elemento caracterizador do próprio ideário romântico. “Morrer de amor” não é covardia, pois a maior demonstração de amor e coragem é ser capaz de dar a vida por alguém, como o próprio Cristo um dia fez. Esse tipo de atitude jamais pode ser em vão, segundo os autores românticos. Sendo assim, o livro Helena, do “Bruxo” Machado de Assis, não é Realista. É um romance romântico até que o pessoal que vai ingressar no curso de Letras resolva provar o contrário. Só. Exercícios I - Da leitura de “Helena” (Machado de Assis), responda as questões. 01- O pai de Helena era: a. ( ) Mendonça b. ( ) Cons. Vale c. ( ) Salvador d. ( ) Dr. Camargo 02- Os personagens principais são: a. ( ) Helena e Estácio Mendonça c. ( ) Eugenia e Estácio d. ( ) Helena e Pe. Melchior b. ( ) Helena e 03- A temática central da obra é: a. ( ) o triângulo amoroso formado por Helena, Estácio e Eugenia. b. ( ) amor impossível, sacrilégio. c. ( ) amor platônico de Helena por Estácio. d. ( ) a relação familiar entre Helena e Estácio. 04- São algumas das personagens da obra em questão: a. ( ) Helena, Vicente e Eugênia b. ( ) Helena, Estácio e Mendonça c. ( ) Helena, Pe. Melchior e Antônio d. ( ) Helena, Conselheiro Vale e Tereza 05- Da leitura de “Helena”, de Machado de Assis, podemos dizer que, quanto ao estilo de época, é uma obra: a. ( ) Realista. b. ( ) Romântica. c. ( ) Naturalista. d. ( ) Modernista. 06- Algumas características dessa Escola são: a. ( ) objetivismo e impessoalidade. crítica à sociedade. c. ( ) análise psicológica e pessimismo. escapismo. b. ( ) racionalismo e d. ( ) subjetivismo e 07-São bases históricas para a Escola Literária de Machado: a.( )a Rev. Industrial e Rev. Francesa. b.( ) a Revolução Gloriosa e o Teocentrismo. c. ( ) a Rev. Francesa e o Feudalismo. d ( ) a Inquisição e a Contrarreforma. II - Da leitura de "Helena", de Machado de Assis, responda as questões de 01 a 04 1 - A personagem, que dá título à obra, é considerada: a)abastada b)hospedeira c)herdeira d) bastarda 2 – A profissão de Estácio era: a)médico b)advogado c)professor d) engenheiro 3 – Na obra, temos um triângulo amoroso formado por. a)Salvador – Conselheiro Vale – Angela b)Estácio – Helena – Eugênia c)Eugênia - Estácio - Helena d)Mendonça – Estácio - Helena 4 – Em “Uma onda de sangue invadiu a face da moça, com a mesma rapidez com que ela lhe empalidecera” temos: a)uma figura de palavras b)uma figura de sintaxe. c)uma figura de construção d)uma figura de pensamento 5 – Na construção " As linhas puras e severas do rosto parecia que as traçara a arte religiosa” o termo em destaque indica: a)objeto direto b)objeto indireto c)objeto direto preposicionado d)objeto direto pleonástico 6 – No período."Atropelaram o tempo lá fora atirando à lama a nossa espera” o sujeito da oração principal é do tipo: a)indeterminado. b)desinencial c) simples d) oração sem sujeito 7 – O período Saindo o enterro revela uma: a) oração coordenada explicativa. b) oração subordinada substantiva apositiva. c) oração subordinada adjetiva explicativa. d) oração subordinada adverbial temporal 8 – Na construção "Fecharam o féretro o termo destacado tem por sinônimo: a)enterro b)defunto c)caixão d)evento Livro 2 (O Seminarista) O Título O título do romance passa uma ideia de iniciação, de alguém ainda muito jovem, imaturo e manobrável que inicia uma carreira sem ter plena certeza do que quer. Se um missionário ou um padre podem ainda ter dúvidas, quanto mais um seminarista. Autor e obra Bernardo Guimarães, (1825-1884), foi romancista e poeta brasileiro. Estudou Direito em São Paulo. Foi juiz municipal na cidade de Catalão em Goiás. Foi jornalista, professor de latim, francês, retórica e poética. Estreou como poeta com "Cantos da Solidão", mas foi como romancista que seu nome ganhou destaque. Foi considerado o criador do romance sertanejo e regional, ambientado em Minas Gerais. De todos os seus romances, "O Seminarista" , de 1872, é considerado a sua melhor obra, onde expõe sua crítica ao celibato religioso. No entanto, Seu romance mais popular foi "A Escrava Isaura". Bernardo Joaquim da Silva Guimarães faleceu no dia 10 de março de 1884, em Ouro Preto, Minas gerais. MOMENTO O Romantismo Foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII, na Europa, que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa. Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento, e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. O Romantismo no Brasil Os romances no Brasil podem ser classificados como indianistas, urbanos, históricos e regionalistas. No romance indianista, o índio era o foco da literatura, pois era considerado uma autêntica expressão da nacionalidade, e era altamente idealizado. Ex. Iracema. Os romances urbanos tratam da vida na capital e relatam as particularidades da vida cotidiana da burguesia. Ex. Senhora. O romance regionalista propunha uma construção de texto que valorizasse as diferenças étnicas, linguísticas, sociais e culturais. Ex. O sertanejo. Os romances históricos valorizam fatos importantes da história do Brasil. Ex. Guerra dos mascates, de José de Alencar. Fases do Romantismo 1º geração — As características centrais do romantismo viriam a ser o lirismo, o subjetivismo, o sonho de um lado, o exagero, a busca pelo exótico e pelo inóspito de outro. 2º geração — Serão notados o pessimismo e o gosto pela morte, religiosidade e naturalismo. A mulher era alcançada, mas a felicidade não era atingida. 3º geração — É a fase de transição para outra corrente literária, o realismo, a qual denuncia os vícios e males da sociedade. A mulher era idealizada e acessível. CARACTERISTICAS Individualismo Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos. Subjetivismo O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa. Idealização Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é vista como uma virgem frágil. Sentimentalismo exacerbado Essa escola literária é movida através da emoção. Sendo comuns a saudade, a tristeza e a desilusão. O romântico analisa e expressa a realidade por meio dos sentimentos. Egocentrismo Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Natureza interagindo com o eu lírico A natureza, no Romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. Medievalismo Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Indianismo É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone para a origem nacional e o colocam como um herói. RESUMO O Seminarista narra o drama de Eugênio e Margarida que, na infância passada no sertão mineiro, estabelecem uma amizade que logo se transforma em paixão. Capitão Antunes e sua mulher, fazendeiros em Minas, obrigam seu filho, Eugênio, a ser padre, acreditando que este possuía forte vocação para a carreira religiosa. Eugênio, porém, tem um amor de infância, Margarida, filha de uma agregada da fazenda, a qual fora esposa de um antigo amigo da família. No seminário, o rapaz trava uma terrível luta entre o amor que sente por Margarida e o desejo de tornar-se padre. Percebendo que era inútil tentar esquecer a sua amada, tenta abandonar a carreira imposta. Os pais não consentem e, de comum acordo com os sacerdotes do seminário, inventam a notícia do casamento de Margarida. Eugênio, acreditando na traição da mulher amada, ordena-se padre. Algum tempo depois, Eugênio volta à terra natal para celebrar sua primeira missa, cumprindo assim a vontade dos pais. No dia em que chega à vila, porém, é chamado para atender a uma doente, que não é outra senão Margarida, a qual fora expulsa da fazenda com a mãe. Esta, falecida há pouco, deixou Margarida sozinha e totalmente desamparada, tendo por companhia apenas uma velha tia que em nada podia ajudá-la. Ao rever Margarida, reacende-se em ambos a chama da paixão que outrora lhes consumia o coração. Ela conta a Eugênio tudo o que lhe acontecera e, então, ele percebe que fora enganado quanto ao destino da moça. Já com o amor novamente vivo e ardente dentro do peito, o temperamento ardente da moça faz com que Eugênio seja arrastado ao "pecado”. “No quarto da enferma, apesar da sua pobre simplicidade, reinava uma ordem e asseio, que contrastava com o aspecto miserável do resto da casa. O leito bem composto era guarnecido de um transparente cortinado cor-de-rosa, e em frente dele sobre uma pequena mesa de jacarandá de pés torneados, via-se um lindo oratório dourado, diante do qual ardia uma vela de cera entre duas jarras cheias de viçosas e fragrantes flores. Parecia mais uma gruta mística e perfumada, um voluptuoso ninho de amor, do que o quarto de uma moribunda.” No dia seguinte, Margarida morre e Eugênio é chamado a encomendarlhe a alma ainda sem saber que se tratava da mulher amada. Ao levantar o véu da finada, percebe que era Margarida. O choque causado pelo acontecimento é tão forte que o faz enlouquecer imediatamente tanto pela dor afetiva quanto moral. Em meio à loucura, o jovem padre arranca do corpo uma a uma as roupas sacerdotais, as joga no chão e sai correndo pela porta principal da igreja, desesperado, sem controle. Estava louco de raiva. Crítica Publicado em 1872, O seminarista é um romance de ambientação pastoril que reflete os costumes da vida burguesa na tradição da escola romântica. O autor manifesta neste romance, pensamentos contra o celibato clerical e a vocação forçada. Apesar das peripécias folhetinescas, tem um marcado substrato de Naturalismo e é, sob vários aspectos, precursor deste movimento, ao basear a caracterização das personagens nos fatores do meio e na constituição psicofisiológica. Bernardo Guimarães fala de Minas Gerais, misturando a idealização romântica com elementos tomados da narrativa oral. Nesta obra Bernardo Guimarães faz um romance de tese iniciático, querendo provar o equívoco do celibato religioso, que deforma o homem, e do autoritarismo familiar, que não permite ao jovem seu próprio caminho na vida. A obra trata de diferenças sociais e preceitos morais. Apesar de sua dimensão melodramática, o romance apresenta uma das mais veementes críticas ao patriarcalismo, em toda a literatura do século XIX, no Brasil. EXERCÍCIOS 1. (EQI) Para muitos críticos o Romantismo é considerado o “verdadeiro nascimento” da nossa literatura porque: a) Não havia autores brasileiros no período anterior ao século XIX, época em que surge o Romantismo. b) Finalmente as nossas obras passaram a ser publicadas em jornais muito importantes da época. c) Apenas no Romantismo passou-se a defender a ideia de um país livre do domínio português. d) Paralelamente ao contexto de independência, os autores passaram a defender a história, língua e a cultura nacional em suas obras. 2. (EQI) No século XVII, o surgimento do romance como gênero literário tornou pródigas as publicações em forma de: a) panfleto b) carta c) folhetim d) cordel 3. (EQI) De acordo com as anotações históricas da nossa Literatura, o romance O seminarista, de Bernardo de Guimarães, deve ser considerado: a) Um romance sertanista b) Um romance histórico c) Um romance naturalista d) Um romance romântico 4. (EQI) A expressão “O seminarista” em relação ao substantivo “Eugênio” revela o uso de uma figura denominada: a) epígrafe b) epíteto c) ironia d) metonímia 5. (EQI) Cidade onde fica o seminário, um tipo de prisão para Eugênico: a) São José dos Campos – São Paulo b) Taubaté – São Paulo c) Belo Horizonte – Minas Gerais d) Congonhas do Campo – Minas Gerais 6 – (EQI) Sobre o fragmento considere o que se diz: I – No excerto “que contrastava com o aspecto miserável do resto da casa”, o vocábulo destacado exerce função de objeto direto. II – A expressão “de viçosas e fragrantes flores” revela uso de um complemento nominal III – Em “reinava uma ordem e asseio” o termo destacado é sujeito de contrastava. Logo, a) Todas são falsas b) Todas são verdadeiras c) Apenas II é verdadeira d) Apenas III é verdadeira Parte 2 1 - Assinale a alternativa que NÃO está de acordo com o texto ou com o entendimento global da obra. a) Pode-se notar, no texto, uma associação entre o estado de espírito de Eugênio e manifestações da natureza. b) Considerando a obra globalmente, há razões para que padre Eugênio se julgue sacrílego. c) O adorno da “capela de alvas flores” (última linha), considerando o romance como um todo, na verdade, não condiz com a defunta. d) Contextualmente, sabemos que o casamento de Margarida foi a grande vingança da natureza contra Eugênio. e) A defunta a quem Eugênio deverá fazer a encomendação, em sua primeira missa, é Margarida. 2 - Releia a passagem abaixo; a seguir, responda à questão proposta. “Já que assim o quiseram os homens - murmurava consigo, - já que assim o ordena a sanha irresistível do destino, assim seja; serei um padre sacrílego, um padre infame, como tantos outros, que todos os dias profanam com mãos impuras os vasos do altar e a hóstia sacrossanta. Era essa a sina fatal que desde o berço me estava fadada... Margarida não morre... o que a atormenta não é mais do que uma deplorável apreensão... O céu não quis que eu fosse seu esposo, o inferno me fez seu... que horror, meu Deus! que abominável sacrilégio!... mas... já agora que hei de eu fazer... caí até o fundo do abismo, donde nunca mais poderei levantar-me. Ah, celibato!... terrível celibato!... ninguém espere afrontar impunemente as leis da natureza! tarde ou cedo elas têm seu complemento indeclinável, e vingam-se cruelmente dos que pretendem subtrair-se ao seu império fatal! (...)”. Considere as afirmações seguintes: I. Pode-se notar, nas lamentações de Eugênio, certo fatalismo. II. Quando diz “o inferno me fez seu”, Eugênio refere-se ao fato de ter consumado seu amor por Margarida mesmo depois de ter-se ordenado padre. III. Na concepção de Eugênio, o impulso sexual não poderia ser refreado pelas normas da Igreja. IV. O excerto acima deixa claro que era prática comum a existência de padres que recebiam os votos sem honrá-los. V. Quando afirma “Margarida não morre... o que a atormenta não é mais do que uma deplorável apreensão (...)”, Eugênio faz uma previsão errada sobre o destino da amada. Marque a alternativa CORRETA. a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Estão corretas somente I e IV. c) Estão incorretas as afirmativas I, III e V. d) Apenas II e V estão incorretas. e) Todas as afirmativas estão incorretas. 3 - Assinale, entre as afirmativas abaixo, sobre a obra O seminarista, aquela que está INCORRETA. a) Trata-se de uma obra ambientada no interior de Minas Gerais. b) Quando criança, Eugênio demonstrava certa inclinação para a vocação religiosa. c) Para namorar Margarida, Eugênio recebeu grande apoio de sua mãe. d) Durante a infância, Margarida escapou ilesa ao contato com uma serpente. e) Eugênio enlouquece no exato dia em que rezaria sua primeira missa. 4 - Qual é o motivo pelo qual Eugênio é enviado para o seminário no livro de Bernardo Guimarães? a) A madrinha de Eugênio, também, mãe de Margarida, Umbelina, teme pelo romance entre os dois meninos e sugere aos compadres o envio de Eugênio para o seminário. b) A mãe de Eugênio teve complicações durante o parto, o que a fez prometer para Deus que, caso seu filho se salvasse, ele seria um padre. Eugênio então é obrigado a cumprir a promessa da mãe. c) Como a mãe de Eugênio não consegue engravidar faz uma promessa religiosa para que, caso isso acontecesse, o filho tornar-se-ia padre. d) O protagonista Eugênio se mostra, ainda muito jovem, um menino muito inteligente e religioso. Seus pais, percebendo a vocação celibatária do filho e desejando a carreira eclesiástica a ele, enviam-no ao seminário. 5 - Sobre a obra “O Seminarista”, é Correto afirmar: a) É um romance realista, escrito por Bernardo Guimarães, filiado ao movimento estético literário romântico. b) É um romance urbano, escrito por Joaquim Manoel de Macedo, e filiado ao movimento estético literário romântico. c) É um romance histórico, escrito por Bernardo Guimarães, e filiado ao movimento estético literário realista. d) É um romance regionalista, escrito por Bernardo Guimarães, e filiado ao movimento estético literário romântico. e) É um romance regionalista, escrito por Joaquim Manoel de Macedo, e filiado ao movimento estético literário realista. Literatura é Vida! Livro 3 A carne - (Júlio Ribeiro) O Título O título deste romance sugere ao leitor uma compreensão um tanto teológica, ou seja, religiosa ou simbólica, pois faz uma alusão aos prazeres sexuais, os “prazeres da carne”, condenados pela Igreja e pela sociedade. Autor e obra Júlio César Ribeiro Vaughan foi jornalista, filólogo e romancista. Nasceu em Sabará, MG, em 16 de abril de 1845, e faleceu em Santos, SP, em 1o de novembro de 1890. É o patrono da Cadeira nº 24, da Academia Brasileira de Letras-ABL. Era filho do casal George Washington Vaughan e Maria Francisca Ribeiro Vaughan, professora de escola pública, com quem fez os estudos de instrução primária, matriculando-se depois em um colégio mineiro. Deixou-o para vir estudar na Escola Militar do Rio de Janeiro, em 1862. Três anos depois, interrompia o curso militar para se dedicar ao jornalismo e ao magistério. Tinha adquirido, para essas atividades, os mais completos recursos: conhecia bem o latim e o grego e tinha conhecimentos em línguas modernas, além de conhecer música. Fez concurso para o curso anexo da Faculdade de Direito de São Paulo, na cadeira de Latim, ainda na Monarquia. Na República, de cuja propaganda participara, foi professor de Retórica no Instituto de Instrução Secundária, em substituição ao Barão de Loreto. Foi um jornalista combativo, panfletário, polemista. Ao defender a própria literatura contra os que o atacavam, reconheceu: "Das polêmicas que tenho ferido nem uma só foi provocada por mim: eu não sei atacar, eu só sei defender-me, eu só sei vingar-me". Como romancista, filia-se ao Naturalismo. Seu romance A carne (1888) constituiu grande êxito, ao menos pela polêmica então suscitada, e com ele Júlio Ribeiro ficou incorporado ao grupo dos principais romancistas do seu tempo. No momento em que foi publicado pareceu aos leitores impregnados da preocupação de exibicionismo sensual, o que provocou a irritação de muita gente. Vários críticos, entre eles José Veríssimo e Alfredo Pujol, atacaram o romance. Além de A carne (1888) seu livro mais famoso e mais polêmico escreveu também: O Padre Belchior de Pontes (1867/1868) em 1881 publica Gramática Portuguesa, Cartas Sertanejas (1885) em 1888 é publicado o romance que o consagrou dentro do Naturalismo Brasileiro. Estamos falando de A carne, onde Júlio Ribeiro começa a responder as ofensas a ele dirigidas pelo padre Senna Freitas, dando origem à disputa através dos jornais, mais tarde reunida em volume sob o título Uma Polêmica Célebre. Em 1890, morre tuberculoso, em Santos, aos 45 anos de idade. MOMENTO O Naturalismo A escola literária Naturalista, cujo maior expoente é o francês Emile Zola (Segunda metade do século XIX) é a ideia de que a literatura é determinada pela ciência, é conhecida como uma radicalização do Realismo que se baseia na observação fiel da realidade e na experiência. Nunca a literatura foi tão científica como foi nessa época, onde o indivíduo era determinado pelo ambiente (O Cortiço) e pela hereditariedade. É no romance naturalista que a abordagem é extremamente aberta. O sexo torna-se explícito, o que resultou em algo muito chocante para a sociedade conservadora da época. Os naturalistas escreviam sobre o instinto fisiológico e natural, retratando a bestialidade, o amoralismo e o erotismo como elementos que simplesmente fazem parte da personalidade do ser humano. Naturalismo no Brasil O Naturalismo no Brasil começou com a publicação do romance O Mulato (1881) do autor maranhense Aluísio de Azevedo. O mesmo autor também escreveu a obra O Cortiço (1890), o que acabou sendo um dos romances mais marcantes da literatura brasileira. Os escritores naturalistas do Brasil se ocuparam, principalmente, com os temas mais obscuros da alma humana e, por isso, outros fatos importantes da história do país acabaram sendo deixados de lado, como a Abolição da Escravatura e a proclamação da República. Outros exemplos de obras naturalistas são A Carne (1888), de Júlio Ribeiro e O Ateneu (1888), de Raul Pompéia. Características - O mundo pode ser explicado através das forças da natureza; - O ser humano está condicionado às suas características biológicas (hereditariedade) e ao meio social em que vive; - Forte influência do evolucionismo de Charles Darwin; - A realidade é mostrada através de uma forma científica (influência do positivismo); - Na literatura, ocorre muito o uso de descrições de ambientes e de pessoas; - A linguagem é coloquial; simples, porém as descrições são bastante minuciosas; - Os principais temas abordados nas obras literárias naturalistas são: desejos humanos, homossexualismo, instintos, loucura, violência, traição, miséria, exploração social, etc. - O cientificismo é exagerado, algo que transformava o homem e a sociedade em objetos de experiências. – Os naturalistas queriam reformar a sociedade e através de seus textos denunciavam os problemas da época, tentando corrigir o mundo em que viviam. RESUMO O livro conta a história da garota Lenita (seu nome mesmo era Helena), cuja mãe morrera em seu nascimento e o pai educara-a ministrando-lhe instrução acima do comum. Lenita era uma garota especial, inteligente e cheia de vida. No entanto, aos 22 anos, após a morte de seu pai, tornou-se uma jovem extremamente sensível e teve sua saúde abalada. Com o intuito de sentir-se melhor, Lenita decide ir viver no interior de São Paulo, na fazenda do coronel Barbosa, velho que havia criado seu pai. Lá, conhece Manuel Barbosa, o filho do coronel. Manuel era um homem já maduro e exímio conhecedor das coisas da vida, vivia trancado no quarto com seus livros e periodicamente partia para longas caçadas; vivera por dez anos na Europa, onde se casara com uma francesa de quem separara-se há muito tempo. Lenita firmara uma sólida amizade com Manuel, que, aos poucos, vai se revelando uma tórrida paixão, no início, repelida por ambos, mas depois consolidada com fervor em nome do forte desejo da "carne". Lenita desde logo revela-se uma moça dominada pelos desejos da carne, o que ela buscava não era propriamente o amor, mas a satisfação de seus desejos sexuais. Num episódio em que assiste a tortura que sofria um escravo, sentiu prazer ao ver a carne açoitada com violência. “... do alto do céu no lodo da terra, sentia-se ferida pelo aguilhão da carne, espoliar-se nas concupiscências do cio, como uma negra boçal, como uma cabra, como um animal qualquer... era a suprema humilhação.” Lenita diante da presença afetuosa do Coronel Barbosa chega a desejálo, e o mesmo Coronel também se remói diante do pensamento de ter Lenita como amante, diante do impasse, resolve viajar a negócios. Passou a considerar a possibilidade do namoro com o filho do Coronel Barbosa, embora a sua figura, em princípio não correspondia ao ideal de homem que pensava pudesse satisfazer os seus desejos. As impossibilidades do casamento, por ser Manuel um homem que já havia contraído o matrimônio, não afligiam Lenita, visto que, sonhava apenas com a realização dos desejos da carne, descartando a possibilidade de uma mera amizade. O livro narra a ardente trajetória desse romance singular, marcado por encontros e desencontros, prazer e violência, desejo e sadismo, batalha entre mente e carne. A história caminha para um trágico desfecho a partir do momento em que Lenita, encontrando cartas de outras mulheres guardadas por Manuel, sente-se traída e resolve abandoná-lo; estando grávida de três meses, casa-se com outro homem. Manuel, não suportando tamanha traição, suicida-se, o que comprova o resultado final da batalha "mente vs carne". O suicídio de Manuel é dramático e injetando curare nos minutos finais assiste ao desespero dos pais enquanto lhe passam na mente os pensamentos que o levara a tal atitude, chega a querer reverter o quadro, mas não tem como avisar os outros acerca do antídoto, pois o veneno o paralisa completamente triunfam os prazeres da carne, no trágico final, os desenganos da mente. EXERCÍCIOS 1. Com relação à obra A Carne, de Júlio Ribeiro: I - É uma obra que pertence ao Naturalismo brasileiro. II - Como uma obra Naturalista, faz uma abordagem patológica do homem. III - Por ser escrita no século XIX é uma obra romântica. a) Apenas a afirmativa I está correta. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) Apenas a afirmativa III está correta. d) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. 2.O realismo foi um movimento de: a) volta ao passado; b) exacerbação ultrarromântica; c) maior preocupação com a objetividade; d) irracionalismo; e) moralismo. 3. O Naturalismo, como escola literária, é caracterizado: a) pelo exagero da imaginação b) pelo culto da forma; c) pela preocupação com o fundo; d) pelo objetivismo 4. Assinale a única alternativa incorreta: a) O Realismo não tem nenhuma ligação com o Romantismo. b) A atenção ao detalhe é característica do Realismo. c) Pode-se dizer que alguns autores românticos já possuem certas características realistas. d) O cientificismo do século XIX forneceu a base da visão do mundo adotada, de um modo geral, pelo Naturalismo. 5. Examine as frases abaixo I – Os representantes do Naturalismo faze aparecer na sua obra dimensões metafísica do homem, passando a encará-lo como um complexo social examinando à luz da psicologia. II – No Naturalismo, as tentativas de submeter o Homem a leis determinadas são consequências das ciências, na segunda metade do século XIX. III – Na seleção de “casos” a serem enfocados, os naturalistas demonstram especial aversão pelo anormal e pelo patológico. Pode-se dizer corretamente que: a) só a I está certa; b) só a II está certa; c) só a III está certa; d) existem duas certas; Posso dizer que a Literatura por muitas vezes tem salvado-me! Livro 4 (Casa de Pensão) O Título O título “Casa de pensão” como em “O cortiço dá ao livro”, na ótica do naturalismo, uma compreensão ou alusão à coletividade, ou seja, o individuo (parte) analisado pela sua inserção no espaço sofrendo as influências do meio (todo), em um diálogo literário e científico do todo com as suas partes. Autor e obra Considerado o pioneiro do naturalismo no Brasil, o romancista Aluísio de Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão em 14 de abril de 1857. Quando jovem ele fazia caricaturas e poesias, como colaborador, para jornais e revistas no Rio de Janeiro. Seu primeiro romance publicado foi: Uma lágrima de mulher, em 1880. Patrono da cadeira número quatro da Academia Brasileira de Letras e crítico social, este escritor naturalista foi autor de diversos livros, entre eles estão: O Mulato, que provocou escândalo na época de seu lançamento, Casa de Pensão (1884), que o consagrou e O Cortiço, conhecido com sua obra mais importante. Este autor, que não escondia seu inconformismo com a sociedade brasileira e com suas regras, escreveu ainda outros títulos: Condessa Vésper, Girândola de Amores, Filomena Borges, O Coruja, O Homem, O Esqueleto, A Mortalha de Alzira, O livro de uma Sogra e contos como: Demônios. Durante grande parte de sua vida, Aluísio de Azevedo viveu daquilo que ganhava como escritor, mas ao entrar para a vida diplomática ele abandonou a produção literária. Faleceu em Buenos Aires, Argentina, no dia 21 de janeiro de 1913. O Naturalismo Para o chamado Naturalismo, o marco atribui-se ao romance O Mulato(1881), de Aluísio Azevedo, também em 1881. Em algumas definições, podemos ver o Realismo e o Naturalismo como parte de um mesmo movimento o que não é incorreto, tendo em vista que o Naturalismo é visto como uma tendência mais avançada do Realismo, porém com um teor mais científico além da crítica social, da representação da realidade e do engajamento que o Realismo possui em suas obras. Características - O mundo pode ser explicado através das forças da natureza; - O ser humano está condicionado às suas características biológicas (hereditariedade) e ao meio social em que vive; Forte influência do evolucionismo de Charles Darwin; - A realidade é mostrada através de uma forma científica (influência do positivismo); - Nas artes plásticas, por exemplo, os pintores enfatizam cenas do mundo real em suas obras. Pintavam aquilo que observavam; - Na literatura, ocorre muito o uso de descrições de ambientes e de pessoas; Ainda na literatura, a linguagem é coloquial; - Os principais temas abordados nas obras literárias naturalistas são: desejos humanos, instintos, loucura, violência, traição, miséria, exploração social, etc Foco narrativo O autor escolheu como ponto-de-vista narrativo a 3ª. do singular, um narrador onisciente e onipotente, fora do elenco dos personagens, atento e minucioso, dentro da fórmula proposta pelo naturalismo. RESUMO Amâncio da Silva Bastos e Vasconcelos, rapaz rico e provinciano, abandona o Maranhão e segue de navio para o Rio de Janeiro (à Corte) a fim de se encaminhar nos estudos e na vida. É um provinciano que sonha com os deslumbramentos da Corte. Chega cheio de ilusões e vazio de propósitos de estudar... A mãe fica chorosa e o pai, indiferente, como sempre fora no trato meio distante com o filho. O rapaz tinha que se tornar um homem. Amâncio começa morando em casa do Sr. Campos, amigo do Pai, e, forçado, se matricula na Escola de Medicina. Ia começar agora uma vida livre para compensar o tempo em que viveu escravizado às imposições do pai e do professor, o implacável Pires. Por convite de João Coqueiro, co-proprietário de uma casa de pensão, junto com a sua vetusta mulher Mme. Brizard, muda-se para lá. É tratado com as maiores preferências: os donos da pensão queriam aproveitar o máximo de seu dinheiro e ainda arranjar o seu casamento com Amélia, irmã de Coqueiro (um sujo jogo de baixo interesses, sobretudo de dinheiro). Naquele ambiente, tudo ocorria para fazer explodir a supersensualidade do maranhense. A casa de pensão era um amontoado de gente, em promiscuidade generalizada, apesar da hipócrita moralidade pregada pelo seu dono: havia miséria física e moral, clara e oculta. Com a chegada de Amâncio, a pensão passou a ser uma arapuca para prender nos seus laços o jovem inexperiente e rico estudante: pegar o seu dinheiro e casá-lo com a irmã do Coqueiro. (Amâncio passara a pagar todas as contas da família). Para alcançar o casamento de Amâncio com Amélia todos os meios eram absolutamente lícitos. Amélia, principalmente quando da doença do rapaz, se desdobrou nos mais íntimos cuidados. Até que se tornou, disfarçadamente, sua amante sempre mantendo as aparências do maior respeito exigido dentro da pensão pelo João Coqueiro... Amélia se oferecia o tempo todo. O pai de Amâncio morre no Maranhão. A mãe chama o filho. Ele pretende voltar logo que terminem os seus exames de medicina. Era preciso que o filho voltasse para vê-la e ver os negócios que o pai deixara. Mas o rapaz está preso à casa de pensão e à Amélia: esta o ameaça e só permite sua ida ao Maranhão, depois do casamento com ela. Amâncio explicava que precisava muito ir ver a sua mãe necessitada. Mas, Amélia, morrendo de ciúmes dele irse embora e conhecer outras mulheres no Maranhão, protestava: ele não iria jamais! Então Amâncio prepara sua viagem às escondidas. Mas, no dia do embarque, um oficial de justiça acompanhado de policiais o prende para apresentação à delegacia e prestação de depoimentos. Amâncio é acusado de sedutor da moça. João Coqueiro prepara tudo: o caso foi entregue ao famigerado Dr. Teles de Moura. Aparecem duas testemunhas contra o rapaz. Começa o enredado processo: uma confusão de mentiras, de fingimentos, de maucaratismo contra o jovem rico e desfrutável para os interesses pecuniários de Mme. Brizard e marido. Há uma ressonância geral na imprensa e, na maioria, os estudantes se colocam ao lado de Amâncio. O senhor Campos prepara-se para ajudar o seu protegido, mas Coqueiro lhe faz chegar às mãos uma carta comprometedora que Amâncio escrevera à sua senhora, D. Hortênsia. (pois Amâncio se envolvia sentimentalmente com as mulheres casadas da pensão, em especial Hortência, esposa de Campos). Campos então se coloca contra quem não soube respeitar nem a sua casa... Amâncio continua preso. Três meses depois de iniciado o processo, Amâncio é absolvido. O rapaz é levado em triunfo para um almoço, no Hotel Paris. Todo mundo olhava com curiosidade e admiração o estudante absolvido. E lhe atiravam flores, Ouviam-se vivas ao estudante e à Liberdade. Os músicos alemães tocaram a Marselhesa. Parecia um carnaval carioca. Em outro plano, Coqueiro, sozinho, via e ouvia tudo. Sua alma estava envenenada de raiva. Quando em casa, sua mulher o acusava de todo o fracasso. As testemunhas reclamavam o pagamento do seu depoimento. Um inferno dentro e fora dele. Chegaram cartas anônimas com as maiores ofensas. Um homem acuado... Tinham-lhe acabado a vida boa. Coqueiro também tinha muita vergonha do que a cidade estava comentando sobre a sua irmã prostituída. Não poderia isso ficar assim. Pegou, na gaveta, o revólver do pai. E pensou em se matar. Carregou a arma. Acertou o cano no ouvido. Não teve coragem. Debaixo da sua janela, gritavam injúrias pela sua covardia e mau caráter... No dia seguinte, de manhã, saiu sinistro. Foi ao Hotel Paris. Bateu no quarto II, onde se encontrava o estudante com a rapariga Jeanete. Esta abriu a porta. Amâncio dormia, depois da festa e da bebedeira, de barriga para cima. Foi então que Coqueiro atirou a queima-roupa em Amâncio. E Amâncio passa a mão no peito, abre os olhos, não vê mais ninguém. Ainda diz uma última palavra: mamãe ... e morre. Coqueiro foi agarrado por um policial, ao fugir. A cidade se enche de comentários. Muitos visitam o necrotério para ver o cadáver de Amâncio. Vendem-se retratos do morto. Um funeral grandioso com a presença de políticos, notícias e necrológicos nos jornais, a cidade toda abalada. A tragédia tomou conta de todos. A opinião pública começa a flutuar, a mudar de posição: afinal, João Coqueiro tinha lavado a honra da irmã... Quando D. Ângela, envelhecida e enlutada, chega ao Rio de Janeiro, se viu no meio da confusão, procurando o filho. Numa vitrine, ela descobriu o retrato do filho na mesa do necrotério, com o tronco nu, o corpo em sangue. Uma legenda: Amâncio de Vasconcelos, assassinado por João Coqueiro, no Hotel Paris... 01-Considera-se iniciado o Movimento Naturalista no Brasil quando: A( )Machado de Assis publica em 1881 “Memórias Póstumas de Brás Cubas” B( )Aluísio de Azevedo publica em 1881 “O Cortiço” C( )Aluísio de Azevedo publica em 1881 “Casa de Pensão” D( ) Domingos Olimpio publica em 1902 “Luzia Homem” 02-Da leitura de “Casa de Pensão”,de Aluisio de Azevedo ,podemos dizer que quanto ao estilo de época é uma obra: A( )Realista C( )Naturalista B( ) Romântica D( ) Barroca 03-Casa de Pensão é baseado em um famoso caso policial da época de Aluisio de Azevedo chamado: A( ) Crime carioca B( ) Crime de Amor C( ) Questão Capistrano D( ) Crime de ciúmes 04-São obras de Aluísio de Azevedo: A( )O cortiço, A carne ,Bom crioulo B( )O mulato ,Casa de Pensão ,O cortiço C( ) O homem ,Casa de pensão,Helena D( )O coruja,Til,O seminarista 05-São personagens do romance “Casa de Pensão”: A( )Amâncio,Helena,Lucia B( )João Coqueiro ,Margarida e Jorge C( )Amâncio,Amelinha e João Coqueiro D( )Mme. Brizard,Amâncio e Pedro “Fazer vestibular é desejar, planejar, investir, resistir e vencer!” (Vicente Jr.) Livro 5 ( Triste fim de Policarpo Quaresma) O título “Triste fim de Policarpo Quaresma” na verdade é um título que anuncia uma morte, a morte da própria personagem central que, por não compactuar totalmente com as atitudes desumanas do regime republicano (militar) de sua época, acaba sendo fuzilado. Autor e obra De vida infeliz e desgraçada, pode-se dizer que Lima Barreto (1881) foi um autor da marginália. Na infância, em suas brincadeiras, teve como cenário um asilo de loucos onde o pai trabalhava como zelador. Na adolescência, por conta das péssimas condições econômicas da família, foi impedido de fazer a faculdade que desejava: engenharia. Sobrevivia fazendo contos e artigos para os jornais, já demonstrando um talento para a ironia à moda Machado de Assis. Em seguida, a bebida passou a dominar-lhe os sentidos. Assim mesmo, lia muito, instruía-se a cada instante. Em seus artigos a nota social era sempre viva, os dramas do homem mestiço e outros problemas sociais não passavam despercebidos, tome-se como exemplo, Clara dos Anjos. Interessantemente, não fez sucesso em sua época, sendo como autor, o mesmo homem que era, sempre à margem da sociedade, um artista com paixão por sua cidade, sobretudo os bairros pobres, subúrbios de funcionários, retocados por dramas humildes, tragédias de classe média ao som de serenatas de violão, a boêmia carioca. Também soube retratar com agudeza e sarcasmo os políticos, literatos e jornalistas de seu tempo mostrando aspectos curiosos e dolorosos. No entanto, enquanto perdia a estima de seus contemporâneos, ganhava para sempre a admiração dos homens póstumos inscrevendo seu nome como um dos mais significativos das letras brasileiras. Faleceu em 1922. Obra: Romances: Recordações do escrivão Isaias Caminha (1909); Triste fim de Policarpo Quaresma (1915); Numa e a Ninfa (1915); Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919); Clara dos Anjos (1923 ); Conto: Histórias e sonhos (1920); Contos Argelinos (1952); Aventuras do Dr. Bogoloff (1912); Crônicas: Os Bruzundangas (1922); Bagatelas (1923 ); Marginália (1953); Vida Urbana (1953); Feiras e mafuás (1953); Memórias: Diário íntimo (1953) e Cemitério dos Vivos (1953); Crítica: Impressões de Leitura (1956). Momento Afonso Henriques de Lima Barreto pertence ao Pré-Modernismo, um período de transição em nossa literatura que vai desde a publicação de Os Sertões ( 1902), de Euclides da Cunha, a 1922 com o advento da Semana de Arte Moderna. A seu lado, podemos destacar as presenças de Monteiro Lobato, Graça Aranha e Augusto dos Anjos. O Pré-modernismo é um momento em que os autores, por não pertencerem a nenhuma estética, e a todas ao mesmo tempo, não podem ser enquadrados como velhos (tradicionais) nem como novos (modernistas). Resta-lhes a alcunha de pré-modernistas, marcando com suas obras o período de vinte anos que antecede a Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 22. Resumindo, são pré-modernistas os autores que, em forma de romance, conto e crônica, analisaram em suas obras a situação do Brasil no início do século. Análise Parte I Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, subsecretário do Arsenal de Guerra, residia no bairro de São Januário, na cidade do Rio de Janeiro, há cerca de trinta anos. Muito conhecido entre a vizinhança, principalmente por seus hábitos metódicos e por seu extremado nacionalismo, sentia-se realizado em sua função burocrática no exército, escolhida quando, ao apresentar-se para o serviço militar, fora recusado pela junta de saúde. Sua pontualidade era tal que a vizinhança podia marcar o tempo por seus movimentos diários. E seu nacionalismo era tão extremado que em sua mesa, em sua biblioteca e em seu jardim havia lugar exclusivamente para comidas, livros e flores genuinamente nacionais. Na música só apreciava a modinha, a seu ver a mais autêntica e completa expressão musical da alma brasileira. Foi devido exatamente às suas preferências musicais que começaram a ser notados sinais de na vida do metódico subsecretário do Arsenal, sinais logo detectados pela vizinhança. Ocorria que, depois de quase trinta anos de estudos e de silencioso devotamento à causa de pátria, Quaresma começara a sentir dentro de si uma força que impelia a colocar em prática suas ideias, a colaborar para que o Brasil se tornasse rapidamente uma nação até mesmo superior à Inglaterra, que na época se encontrava no apogeu de seu poder. A primeira decisão tomada foi a de aprender a tocar violão. Para tanto contratou como seu professor Ricardo Coração dos Outros, famoso violinista e cantador de modinhas, que passou então a frequentar assiduamente a casa, para desgosto de Adelaide, a irmã de Quaresma, que com ele residia, e para surpresa e espanto da vizinhança. Com a colaboração do general Albernaz, um vizinho que tinha cinco filhas para casar, e de Cavalcanti, um dentista, noivo de Ismênia, uma delas Quaresma descobre também um velho poeta popular que lhe fornece dados relativos a cultura do povo. Em seu entusiasmo, porém, o subsecretário não se satisfaz com isso e se dedica ao estudo das manifestações culturais indígenas chegando a assustar Olga, sua afilhada, e o compadre, o rico imigrante italiano Vicente Coleone, ao saudá-los à moda tupinambá quando, certa ocasião, estes vão visitá-lo. E um dia deixa intrigado Ricardo Coração dos Outros ao qualificar a inúbia e o maracá como instrumentos musicais muitos superiores ao violão. Assim, ninguém de surpreende quando, no dia do há tanto tempo esperado noivado de Ismênia uma notícia se espalha rapidamente Quaresma ficara louco e se encontrava internado. Tudo começara, segundo os presentes à festa, com requerimento que o subsecretário enviara à Câmara de Deputados solicitando a doação do tupi como língua oficial do país. O fato provocara risos, tornara-se o assunto do dia em todos os jornais e atraíra sobre o metódico Quaresma a ira dos colegas de repartição. A situação tornara-se, porém completamente insustentável quando o subsecretário, por distração traduzira para o tupi um requerimento que fora parar no Ministério da Guerra. O incidente gerava sua suspensão - que apenas não se transformara em demissão por intervenção de Vicente Coleoni - e o levara a tomar a decisão de interna-se no hospício, localizado na Praia das Saudades. Ali, Quaresma recebia periodicamente a visita de Ricardo Coração dos Outros, de Vicente Coleone e da filha. Em uma destas visitas, na companhia do pai. Olga percebe que o padrinho está bem melhor e aproveita a ocasião para informá-lo, sem muito entusiasmo, de que em breve casaria. Ao retornarem à casa de Quaresma, encontram Ricardo Coração dos Outros, em conversa com Adelaide, que lhes dá notícias do desconsolo de Ismênia, cujo noivo viajara há meses e nunca mais mandara notícias. Parte II Depois de seis meses de internamento Quaresma deixa o hospício aparentando ter-se recuperado, apesar de demonstrar tristeza e abatimento. Certo dia, Olga, vendo-o assim, pergunta-lhe se comprar um sítio não seria uma boa solução para ele. Quaresma mostra-se tão entusiasmado com a ideia que a afilhada quase se arrepende de ter falado no assunto. Passando imediatamente à ação, vende sua casa em São Januário, compra o 'Sossego', um sítio localizado no município de Curuzu, a duas horas de trem do Rio de Janeiro e, começa a fazer planos de produzir grandes quantidades de feijão, milho, frutas, verduras, etc. No 'Sossego', em companhia de Adelaide e de Anastácio, um antigo escravo que se esforça para ensiná-lo a capinar. Quaresma passa o tempo a trabalhar, limpando o pomar e as imediações da residência. Apesar do isolamento do sítio, ali também chega a política e Quaresma recebe um dia a visita do Tenente Antonino Dutra, escrivão da coletoria, que vem pedir-lhe uma ajuda para a festa da padroeira e sondá-lo a respeito de sua posição quanto às lutas políticas do município. Quaresma mostra-se disposto a dar ajuda para a festa mas deixa claro que não pretende envolver-se na política local, o que faz com que o escrivão fique surpreso e insatisfeito. Enquanto isto, no Rio, em seu quarto de pensão, Ricardo Coração dos Outros reflete, amargurado, sobre o fato de que outro tocador de violão e cantador de modinhas, um negro, passara aos poucos a ocupar seu lugar fazendo com que o povo esquecesse o antigo menestrel. Mas uma carta o anima: o general Albernaz finalmente conseguira marcar o casamento de uma das filhas, Quinota, e o convidava para a festa. Na ocasião, Ricardo Coração dos Outros revive seus dias de glória, o general aproveita para falar das batalhas das quais nunca participara e Ismênia chora ao recordar-se do noivo que nunca mais aparecera. Uma semana depois Olga também casa, apesar de já estar desiludida do noivo, o doutor Armando Borges, que inicialmente aparentara ser uma personalidade séria e dedicada à ciência mas logo se revelara um carreirista sem muitos escrúpulos. Quaresma decidira não ir à festa do casamento da afilhada, pois a época da semeadura aproximava-se e ele não queria perder tempo. Contudo, enviara o peru e o leitão tradicionais. Em Curuzu, a chegada de Ricardo Coração dos Outros, que decidira visitar o 'Sossego', movimenta a vila e o cantor vive novo período de glória em meio à sociedade local. Dias depois, Olga e o marido também aparecem no sitio. Certa manhã, Quaresma e todos os demais são tomados de surpresa: O Município, um semanário local ligado ao partido situacionista, publica um editorial atacando violentamente os intrusos, além de uns versos que ironizavam o antigo subsecretário do Arsenal. O espanto aumenta quando Ricardo Coração dos Outros relata o que ouvira, dias antes, na vila: todos acreditam que Quaresma viera ali para fazer política e o escrivão Antonino Dutra jurara desmascará-lo. Quaresma fica impressionado mas a presença dos amigos faz com que aos poucos o episódio seja esquecido. Durante os dias em que permanecem no 'Sossego', Olga se choca, em seus passeios pela região, com a miséria da população e o doutor Armando Borges chega à conclusão de que seria necessário adubar a terra para que ela produzisse, o que é violentamente negado por Quaresma, que em seu nacionalismo exacerbado defende a tese de que as terras do Brasil são as mais férteis do mundo. Depois de quase um ano lutando contra as ervas daninhas, as formigas, as pestes e toda a sorte de contratempos, Quaresma, finalmente, consegue produzir aipim, abacates, abóboras e outros alimentos. Mas ao vendê-los percebe que seu lucro é quase nulo, já que a ação dos atravessadores faz com que o preço paga ao produtor seja ínfimo e o cobrado do comprador seja alto. Isto o leva a pensar na necessidade de modernizar a agricultura, de comprar implementos e talvez até de usar adubos, como o aconselhara o marido da afilhada. Quaresma se dá conta também de que as condições em que viviam as populações do interior e que tanto haviam chocado Olga eram o resultado de uma política consciente dos grupos que detinham o poder há séculos, os quais não possuíam qualquer interesse em realizar reformas, pois as mesmas só serviriam para atrapalhar e até destruir seus esquemas de dominação política e social. Disso tem pessoalmente a prova quando percebe a rede de intrigas que os grupos políticos de Curuzu armam a seu redor por ter-se mantido equidistante dos mesmos. Na perspectiva destes grupos, ele é um intruso que com suas ideias ameaça a tranquilidade do município, sendo necessário afastá-lo a qualquer custo. Diante de tudo isto, os olhos do ex-subsecretário do Arsenal se abrem e ele compreende quanto fora ingênuo com suas ideias a respeito da modinha, do folclore e, até mesmo, da agricultura. Os remédios necessários para os males do país eram de natureza bem mais drástica. Era preciso um governo forte, faziam-se necessárias reformas profundas e leis sábias, principalmente no setor agrícola. Então sim a terra daria frutos, a população toda viveria em melhores condições e a Pátria seria feliz. Quaresma refletia sobre tais assuntos quando Felizardo, um de seus empregados, o informa que não viria trabalhar no dia seguinte, 7 de setembro, não por ser feriado, mas porque decidira fugir para o mato a fim de escapar a um possível recrutamento forçado. Ao ler os jornais, Quaresma, que ficara surpreso com o fato, entendo tudo. A esquadra revoltara-se e exigia que o presidente, o Marechal Floriano Peixoto, deixasse o poder. Os lhos de Quaresma brilham: um governo forte, reformas profundas, leis sábias....Era chegado o momento! Imediatamente vai até o telégrafo e passa uma mensagem: 'Marechal Floriano. Rio. Peço energia. Sigo já. Quaresma.' Enquanto isto, a cidade do Rio de Janeiro fervia. Em meio à agitação, o general Albernaz não só falava de suas batalhas como pensava em ver aumentado seu soldo, o que lhe possibilitaria casar outra das filhas: o doutor Armando Borges, por sua parte, preparava um novo salto em sua carreira; Vicente Coleoni mantinha-se, prudentemente, afastado da política; Ismênia enlouquecia aos poucos e Olga conformava-se com um casamento infeliz. Só Ricardo Coração dos Outros, desligado das contingências terrenas e satisfeito com mais um período de fama, cantava sua última composição: Os lábios de Carola! Parte III Passados alguns dias, que ocupara colocando em dia seus negócios e procurando alguém para fazer companhia a Adelaide, Quaresma viaja ao Rio, contra os conselhos da irmã e sob o olhar assombrado de Anastácio, que parecia prenunciar desgraças. Chegando à cidade, agitada pela revolta, vai ao Palácio presidencial, carregando um memorial em que expunha as medidas necessárias para reformar e modernizar a estrutura agrária do país. Floriano, que o conhecera nos tempos do Arsenal, o saúda e, um tanto a contragosto, recebe o memorial mas não lhe dá muita importância, chegando a rasgar a primeira folha para escrever um bilhete ao ministro da Guerra. A conselho do marechal, Quaresma passa a integrar o batalhão patriótico 'Cruzeiro do Sul', comandado pelo Major Inocêncio Bustamante, agora tenente-coronel, com quem já se havia encontrado na casa do General Albernaz. Deixando o Palácio, sai em direção à residência de Vicente Coleoni, cruza-se com o general, o qual, interrogado sobre o estado de Ismênia, mostra-se contrafeito, não o informando de que a mesma enlouquecera completamente. Na casa de Coleoni, Quaresma discute a situação do País com Olga e o doutor Armando Borges, ocupado então com seu último truque de carreirista: traduzir seus artigos para uma linguagem difícil, diante da qual seus colegas de profissão e o público ficavam extasiados. Ao entardecer, segundo determinara o Tenente-coronel Bustamante, dirige-se ao quartel provisório em que se instalara o batalhão, na Ponta do Caju, e ali encontra Ricardo Coração dos Outros, recrutado a força e que se recusa a servir. Quaresma intervém a favor do cantor mas Bustamante mostra-se irredutível e o incorpora ao batalhão como cabo, concedendo, porém, que possa ficar com o violão. Agora como major de fato e não apenas por ter tido certa vez seu nome incluído em uma lista de integrantes da Guarda Nacional, o ex-subsecretário do Arsenal passa a comandar a guarnição do quartel provisório do batalhão patriótico 'Cruzeiro do Sul'. Entre seus comandados estão o próprio Ricardo Coração dos Outros e o Tenente Fontes, positivista fanático e noivo de Lalá, a terceira filha do General Albernaz. Responsável pelo canhão da guarnição, o Tenente Fontes mostra-se duro e autocrático, proibindo Ricardo Coração dos Outros de fazer suas serenatas. Com o tempo, a guerra passa aos poucos a integrar a vida da cidade e do próprio Quaresma, que tem no estudo da artilharia sua nova paixão. Às vezes, contudo, aborrecido da rotina, costumava deixar o posto entregue ao comando do tenente Fontes, quando este ali se encontrava, ou de Polidoro, o imediato, e ri até a cidade. Certo dia, andando até São Januário, visita o General Albernaz, em cuja residência estavam jantando o Almirante Caldas, o Tenente-coronel Bustamante e o Tenente Fontes. Na discussão que então tem lugar, o tenente mostra-se um idealista que pensa no futuro da nação e da sociedade como um todo, ao contrário do almirante e do general. O primeiro, cujo velho sonho era comandar uma esquadra, mostra-se pessimista com o futuro e o segundo tem como preocupação fundamental o problema de Ismênia. Pouco depois de Quaresma retornar ao quartel, ali chega Floriano, que tinha por hábito visitar à noite as guarnições. Na saída, o ex-subsecretário do Arsenal cria coragem e pergunta ao marechal se lera seu memorial. Este responde que sim mas não se mostra muito disposto a discutir as questões nele levantadas, encerrando o diálogo com a frase: 'Você, Quaresma, é um visionário...' Por esta época já fazia quatro meses que a revolta se iniciara e a situação continuava indefinida. Na Ponta do Caju, Ricardo Coração dos Outros, apesar de promovido a sargento a pedido do Tenente Fontes, entristecia cada vez mais em virtude da proibição de tocar violão. Quaresma, por sua vez, recordava com desânimo a forma como fora tratado por Floriano, em quem depositara a esperança de que viesse a ser o grande líder capaz de reformar e reorganizar o país. E na casa do General Albernaz, Ismênia definhava a olhos vistos, apesar de terem sido tentados todos os recursos para salvá-la, inclusive médium e feiticeiros. Informando desta situação, Quaresma solicita ao doutor Armanda Borges que a trate. Mesmo não se mostrando muito entusiasmo, o médico acede ao pedido. Seus esforços, contudo, também nada resolvem e certo dia Ismênia, depois de manifestar à mãe seu desejo de ser enterrada vestida de noiva, põe o vestido há tanto tempo guardado, o véu e a grinalda e cai sobre a cama, morta. Enquanto isto, em Curuzu, o 'Sossego' regredia rapidamente. Anastácio continuava trabalhando mas de forma totalmente desordenada e assim o sítio voltara aos poucos ao abandono em que se encontrava antes da chegada de Quaresma. Na vila, os partidos adversários haviam feito as pazes por algum tempo diante da situação criada com o surgimento de um terceiro candidato, imposto pelo governo. O desfile dos que iam votar na secção eleitoral localizada quase diante do 'Sossego' servira pelo menos para distrair um pouco Adelaide. Esta, que não tinha qualquer gosto pela roça e, inclusive, passara a comprar na venda os alimentos de que necessitava, vivia desolada, apesar da companhia de Sinhá Chica, a mulher de Felizardo, o qual continuava escondido no mato. Temendo o recrutamento forçado. Nas cartas que escrevia ao irmão, Adelaide pedia que retornasse o quanto antes, mostrando-se inconsolável pela situação. Nas respostas, Quaresma lhe pedia calma. A última destas, porém, fora diferente. O irmão contava que participara de uma batalha feroz, tendo chegado a matar inimigos, e revelava-se desesperado tanto por seu próprio destino quanto pela natureza humana. E acrescentava que fora ferido, tendo acontecido o mesmo com Ricardo Coração dos outros. Apesar do ferimento não ser grave, a convalescença de Quaresma foi longa, tendo a mesma servido para que ele meditasse sobre sua vida e suas desilusões. O período da inatividade chegou ao fim mais ou menos ao mesmo tempo que a revolta. As forças leais a Floriano dominaram a baía da Guanabara, os oficiais revoltosos refugiaram-se em navios portugueses e os marinheiros foram presos. Por esta época, Quaresma e Ricardo Coração dos Outros recebem alta. Este vai para a ilha das Cobras e o major é destacado para comandar a guarnição da ilha das Enxadas, assumindo a contragosto o papel de carcereiro, pois ali encontravam detidos os marinheiros abandonados por seus oficiais. Sozinho, sem ninguém para conversar, Quaresma fica profundamente deprimido ao refletir sobre o inesperado e melancólico final de uma aventura que o levara a ser o carcereiro de pobres seres humanos que estavam à mercê dos vencedores pelo crime de terem obedecido a seus superiores, que os haviam deixado à própria sorte. E certo dia, ao assistir a uma cena em que alguns dos prisioneiros eram escolhidos ao acaso e retirados da ilha para serem fuzilados, não resiste e escreve uma carta protestando violentamente contra o ato. Imediatamente é preso como traidor e levado para a ilha das Cobras para ser executado. Ali, diante da morte, mais uma vez medita sobre a inutilidade de sua vida, sobre o desastre q que o havia levado a causa republicana, sobre a própria ingenuidade ao acreditar no idealismo de homens que buscavam antes de tudo vantagens para si próprios e não a transformação e a felicidade da Pátria. Pátria, aliás, que lhe parecia agora não ser mais que um mito, um fantasma que criara no silêncio de seu gabinete. Sem amores, sem filhos, abandonado por todos, diante do vazio de sua vida e da morte próxima, Quaresma chora. Quaresma enganara-se, porém, pelo menos no que dizia respeito a Olga e Ricardo Coração dos Outros. Este, tão logo soubera da detenção, fazia tudo para conseguir a libertação, mesmo ciente de que corria grandes riscos, pois fora informado que a carta de Quaresma provocara grande indignação no Palácio presidencial, onde o massacre dos prisioneiros era visto como uma necessidade destinada a servir de exemplo e, assim, a fortalecer o regime. Contudo, seus esforços de nada resolvem. Nem o General Albernaz, nem seu genro Genelício, nem o tenente-coronel Bustamante aceitam interceder em favor de Quaresma. Sem saber o que fazer, Ricardo Coração dos Outros vai a casa de Olga. Esta mostra-se desorientada, pois também não tinha noção do que fazer. Em determinado momento, porém, o menestrel a lembra que ela própria poderia ir ao Palácio. Surpreendendo-se inicialmente com a ideia, decide enfrentar a situação. Ao saber disto, temeroso das consequências deste ato para suas ambições de carreirista, o doutor Armando Borges fica furioso e quer impedi-la de fazer o que pretende. Olga, porém, não o atende e sai da residência determinada a falar com o presidente. No palácio, um ajudante de ordens de Floriano, depois de qualificar Quaresma de traidor e bandido, a informa de que não será recebida. Olga não insiste e retira-se orgulhosamente, chegando à conclusão de que talvez fosse mais coerente deixar o padrinho morrer só e heroicamente do que humilhá-lo com um pedido de clemência que diminuiria sua grandeza moral diante de seus verdugos. Olhando a cidade e pensando nas profundas modificações que tudo sofrera ao longo de quatro séculos, consola-se pensando que o futuro trará mudanças. E nutrindo esta frágil esperança segue ao encontro de Ricardo Coração dos Outros. Crítica Triste Fim de Policarpo Quaresma surgiu como um romance de folhetim em edições semanais, em 1911. Quatro anos depois, foi publicado em um livro. Seu autor, Lima Barreto, era um mulato com idéias socialistas e um estilo de escrever inovador, cuja linguagem simples e direta podia ser compreendida pelo leitor popular. O meio intelectual da época, que ainda vivia sob forte influência romântica e parnasiana, reagiu chamando o escritor de semianalfabeto, condenando-o à marginalidade e ao ostracismo. Lima Barreto sofreu muito por criticar os poderosos de seu tempo, e suas desilusões não foram poucas. O escritor esteve internado em sanatório, tornou-se alcoólatra e morreu com apenas 41 anos, em estado de completo abandono e de miséria. Grande parte da narrativa pode ser sintetizada como o elenco das desilusões do protagonista com o seu país. Policarpo Quaresma é um personagem de má sina, como seu nome indica – “poli”, muito, e “carpo”, choro, sofrimento –, e também o sobrenome “Quaresma”, período de penitências e resguardo que começa no fim do Carnaval e se estende por 40 dias. Como personagem, Policarpo tem muito de Dom Quixote, pois se cerca de uma visão do sublime que a realidade a sua volta não comporta. É ridicularizado por todos, mas essa zombaria mal esconde a mediocridade de quem ri de suas atitudes e idéias. Entre seus companheiros de romance, Policarpo é o único que tem um ideal maior, que não se deixa levar pelo mundo comezinho e limitado que era a alta sociedade carioca do século XIX. Exercícios Romance social Nacionalismo crítico (agricultura, música, literatura, língua etc.) Relação com D. Quixote de La Mancha 1 – São temas abordados por Lima Barreto no livro Triste fim de Policarpo Quaresma, exceto. a) O casamento por conveniência b) A cultura popular brasileira c) A corrupção na política brasileira d) A importância do francês para o Brasil 2 – Só não se pode dizer de Floriano Peixoto: a) Que era tirano b) Que era preguiçoso c) Que era honrado d) Que era fanático 3 – Subentende-se no texto que ao dizer que Floriano era um "homem-talvez" isso quer dizer que: a) Floriano era altruísta b) Floriano era desenvolto c) Floriano era dedicado d) Floriano era irresoluto 4 – Livro de Lima Barreto considerado sua autobiografia: a) Triste fim de Policarpo Quaresma b) Clara dos Anjos c) Recordações do escrivão Isaias Caminha d) Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá 5 – Sobre o Pré-modernismo e seus representantes considere as afirmativas. I – Tem na figura de Euclides da Cunha o seu maior representante II – Apresenta o desenvolvimento dos textos de caráter infantil e didáticos III – As obras, conto e romance seguem ainda as técnicas do realismonaturalismo Logo, devemos assinalar que: a) Todas são verdadeiras b) Todas são falsa c) Apenas II é verdadeiro d) Apenas III é verdadeiro 6 – Apelido de Policarpo Quaresma na repartição onde trabalhava. a) b) c) d) Peri Poti Uiracoera Ubirajara 7 – Personagem do romance que representa uma crítica ao pedantismo e ao modo de escrever parnasiano. a. Armando Borges b. Antonino Dutra c. Vicente Coleone d. Inocêncio Bustamante 8 – Uma das coisas que os jovens mais detestavam ou temiam na época de Floriano Peixoto: e) Ser preso f) Ser morto g) Ser recrutado h) Ser vendido 9 – Instrumento musical símbolo de marginalidade e da vagabundagem segundo o texto. e) violino f) pandeiro g) flauta h) violão 10 – Relacione as mulheres do livro. 1 – Olga 2 – Ismênia 3 – Adelaide ( ) Comportamento representativo do século XIX ( ) Comportamento marcado pelo desvio de personalidade. ( ) Comportamento emancipatório do século XX a) 1 – 2- 3 b) 3 – 2- 1 c) 2- 3 - 1 d) 1- 3 – 2 “Fazer vestibular é desejar, planejar, investir, resistir e vencer!” (Vicente Jr.) Quadro Comparativo UVA 2014.1 Helena 1876 O seminarista - 1872 A carne 1888 Casa de pensão - 1884 Triste fim de Policarpo Quaresma 1911 Romance de Romance tese (3ª. social Pes.)urbano do (3ª.Pes.) de Realismo/Natu caráter ralismo realista. Romance romântico de costumes (3ª. Pes.) urbano com traços prérealistas. Rio de Janeiro, tempo cronológico Helena Romance romântico (3ª. Pes.) rural, com traços naturalistas. Romance de tese do Naturalismo (3ª. Pes.) com teor regionalista. Minas Gerais, tempo cronológico. São Paulo – tempo cronológico Rio de Janeiro – tempo cronológico Eugênio Ambição, crítica de costumes, patriarcalism o. Crítica à igreja e ao celibato, patriarcalismo, ruralismo e leve traço naturalista. Lenita (Helena) Determinism o; Mesologia; teorias sociais; coletividade; personagens degeneradas . Amâncio Bastos Determinismo; Mesologia; teorias científicas; coletividade; personagens degeneradas;c rítica social. Rio de Janeiro, tempo cronológico. Policarpo Quaresma Crítica social, realismo, nacionalismo crítico, valorização cultural, loucura, casamento por conveniência .