III Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação
Recife - PE, 27-30 de Julho de 2010
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O BAIRRO DE SANTA TERESA: SUA EVOLUÇÃO NO CONTEXTO
DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
JHONE CAETANO DE ARAÚJO ¹
LUIS FELIPE KUHNER DA ROCHA FRAGOSO¹
PAULO MÁRCIO LEAL DE MENEZES²
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Centro de Ciências da Matemática e da Natureza - CCMN
Departamento de Geografia, Rio de Janeiro, RJ
¹{jhone, luis.felipe.fragoso}@gmail.com
²[email protected]
RESUMO - O presente estudo tem por objetivo analisar a evolução urbana do bairro de Santa Teresa no
Rio de Janeiro. Este bairro apresentou fatores de atração diferentes dos demais em sua época, não sendo
alvo de ocupação e loteamentos no princípio de povoamento da cidade. A pesquisa em torno dos fatores
de atração e das funções exercidas pelo bairro juntamente com a sua disposição e forma da malha urbana,
adquirida através da sua história, torna-se a base para o estudo. Esse trabalho é um dos esforços de resgate
histórico-geográfico-cartográfico da cidade do Rio de Janeiro, utilizando uma metodologia calcada nos
métodos digitais de análise histórico-cartográfica e aplicação do conhecimento geográfico. O bairro de
Santa Teresa tem uma característica muito marcante diante dos demais bairros cariocas. “Santa” como é
carinhosamente conhecida pela seus moradores e usuários, tem em seu bucolismo o contraste com os seus
arredores: o agitado e intenso centro do Rio de Janeiro, Laranjeiras, Catete, Glória e Catumbi. Pretende-se
construir um quadro de expansão da malha urbana e mostrar os vetores por onde o bairro mais se
dispersou e o seu porquê. O estudo desenvolver-se-á através de documentos, plantas, mapas e cartas
históricas e utilizando geoprocessamento, visando uma melhor visualização e disposição das informações
geográficas de interesse do estudo. Serão desenvolvidos Modelos Digitais de Elevação (MDE), de várias
épocas e mapas temáticos sobre a pesquisa.
ABSTRACT - The present paper aims to analyze the urban evolution of Santa Teresa's neighborhood in
Rio de Janeiro. This neighborhood introduced different attractive factors from the others at early time, not
having an occupation focus and divisions into lots at the beginning of the city´s settlement. The research
around the attractive factors and the exercised neighboring functions with its disposition and shape of the
urban net, developed through its history, becomes the base for study. This paper is one of the efforts of
historical-geographical-cartographic rescue of Rio de Janeiro, using a methodology supported by digital
methods of historical-cartographic analysis and application of geographical knowledge. Santa Teresa has
a very outstanding characteristic against other carioca´s neighborhoods. “Santa” as is known
affectionately by its residents and visitors, has a rustic contrast with its surrounding neighborhoods: the
agitated and intense Rio de Janeiro center, Laranjeiras, Catete, Gloria and Catumbi. It is intended to build
an expansion of the urban net image and to show the vectors through where it was dispersed and it reason.
The research will be developed through documents, plants, maps and historical maps and with the usage
of geoprocessing, seeking a better visualization and disposition of the geographical information of
interest. This research will develop Digital Elevation Models (DEM) and thematic maps from various
epochs.
1 INTRODUÇÃO
A cidade do Rio de Janeiro coleciona um acervo
histórico-cartográfico extenso que se apresenta em forma
de plantas, mapas, material iconográfico e documentos
desde a sua conquista e fundação. A grande produção
desses documentos foi favorecida pela posição estratégica
J.C. Araújo, L.F. Fragoso, P.M.L. Menezes
e logística da cidade. Num primeiro, a função de defesa
do território contra a invasão francesa e em seguida, como
pólo comercial significativo e político-administrativo de
modo que foi capital do país entre os anos de 1763 até
1960.
O bairro de Santa Teresa possui uma característica
arquitetônica, cultural e bucólica que se destaca dentro do
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agitado centro da metrópole. O primeiro vetor de
transformação da elevação geomorfológica onde hoje é o
bairro, foi a construção do Aqueduto da Carioca,
necessário para o abastecimento do núcleo urbano e em
seguida o sistema de bondes, que inicialmente eram por
tração animal e ao final do século XIV foi retirado de
cena dando lugar aos movidos à eletricidade.
Este momento se insere em um processo histórico
de evolução tecnológica onde “A ciência, a tecnologia e a
informação estão na base de todas as formas de utilização
e funcionamento do espaço, da mesma forma que
participam da criação de novos processos vitais”. (Santos,
1996). Ou seja, contexto tecnológico atual permite que o
levantamento e análise de documentos cartográficos
analógicos possam ser desmembrados e reconstruídos a
partir de um ambiente computacional, facilitando a
composição dinâmica de temas de interesse.
O material trabalhado se insere desde o final do
século XVII até muito próximo aos dias atuais. O que
possibilita um panorama considerável da evolução urbana
carioca.
2 OBJETIVOS
O estudo tem por princípio a utilização da
elaboração de pesquisa em ambiente de Sistema de
Informações Geográficas. O refino da metodologia de
Umbelino et al., 2009 que reconstruiu a estrada real em
confronto ao de Fragoso e Martins, 2007 que
georreferenciou cartas históricas da Ilha do Fundão, para
a partir das duas metodologias, se construir a um
panorama de análise.
Em linhas gerais procura-se compreender a
evolução do núcleo urbano da cidade e do bairro em
questão, procurando estabelecer relações tanto no que diz
respeito a infraestrutura quanto o perfil socioeconômico
de ocupação. Especificamente, optou-se pelo Aqueduto da
Carioca, atual Arcos da Lapa, e o sistema de transporte de
bondes como os vetores de expansão a serem melhor
analisados.
3 JUSTIFICATIVA
Esse estudo faz parte de um esforço de resgate
histórico-cartográfico desenvolvido pelo Laboratório de
Cartografia da UFRJ. Através do levantamento de
documentos relevantes ao conjunto geográfico, histórico e
cartográfico carioca procura-se arquivar digitalmente os
mesmos e gerar informações pertinentes ao tema.
A Cartografia Histórica pode ser vista como um
instrumento de alto desempenho, pois a “Cartografia
Histórica no presente momento está em franco processo
de reestruturação do seu emprego e utilização. Atuando
como instrumento de análise sobre mapas antigos, pode
ser empregada para cobrir um incontável número de
aplicações, apresentando contribuições em uma série de
outras finalidades, tais como, recuperação de informações
geográficas de diferentes épocas, a memória de uma área,
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posicionamento do espaço no tempo, caracterização de
estudos evolutivos sobre tendências de ocupação do solo,
estruturas culturais e outras”. (Menezes, em edição)
Segundo Davis e Fonseca (2001), “Os SIGs
procuram simular a realidade do espaço geográfico,
permitindo o armazenamento, manipulação e análise de
dados geográficos num ambiente computacional. Esses
dados representam objetos e fenômenos em que a
localização geográfica é uma característica inerente à
informação e é indispensável para investigá-la”.
O diálogo entre esses dois instrumentos os torna
ferramentas de grande potencial para a análise geográfica.
4 METODOLOGIA
A metodologia para a execução deste estudo
baseia-se principalmente no ajustamento das cartas
históricas sobre o mapeamento atual da área de estudo
utilizando para tal, as construções que estão representadas
em ambos os mapeamentos e que não sofreram em
nenhum dos casos alterações, tanto na representação
(generalização cartográfica) como alterações em sua
forma original, ou seja: elementos em que há a certeza
posicional com relação as suas coordenadas como, por
exemplo, a murada mais ao norte da fortaleza da
conceição(figura 1), hoje 5ª Divisão de Levantamento do
Exercito Brasileiro (figura 2).
Figura 1 – Edificação da 5ª Divisão de Levantamento do
Exercito Brasileiro (2004)
Figura 2 – Edificação da 5ª Divisão de Levantamento do
Exercito Brasileiro em 1791.
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Sabe-se que as modificações sofridas por esta
Local
y SAD 69
x SAD 69
Mosteiro de São Bento
686981,299 7466767,439
Igreja de Nossa Senhora de
Bonsucesso
687743,658 7465703,473
Palácio Episcopal
686452,003 7466498,486
Igreja de Nossa Senhora da
Glória
687172,786 7464062,992
Igreja de Santa Cruz dos
Militares
687147,651 7466178,904
Capela de São Francisco da
Prainha
686352,906 7466669,292
Ermida Igreja de Santa Luzia 687477,844 7465371,499
Capela Nossa Senhora do
Livramento
685581,733 7466649,503
Ponta Esquerda do Aqueduto 686651,671 7465100,651
Capela de Santa Efigênia
686427,507 7465816,102
Convento de Santo Antônio 686605,921 7465651,284
construção não incluíram a referida murada. Sendo essa
metodologia baseada no georreferenciamento do mapa
histórico a partir de um mapeamento atual, faz-se
necessária constante verificação do alinhamento e
posicionamento dos elementos do mapa histórico a fim de
confirmar a validade do georreferenciamento. Por medida
de segurança, deve-se considerar a escala final do
trabalho, sempre menor que a escala original do
mapeamento a fim de diluir ou eliminar possíveis
distorções provocadas pela incompatibilidade dos
sistemas projetivos de ambos os mapas.
Os outros pontos de controle para o
georreferenciamento, retirados em campo em sistema de
prejeção UTM – Universal Transversa de Mercator e
datum vertical de referência SAD69 – South American
Datum 69, seguiram a mesma lógica e estão indicados na
tabela 1 a seguir:
Tabela 1 – Pontos
georreferenciamento.
de
controle
para
o
5 CONCLUSÃO
O trabalho está por ser finalizado, mas as
perspectivas são boas de modo que o mapeamento
histórico está em plena construção e a evolução urbana se
vê de modo bastante representativo.
Os
exercícios
de
vetorização
e
georreferenciamento foram concluídos com sucesso e a
cidade do Rio de Janeiro está ganhando um material
histórico, geográfico e cartográfico que valoriza o aspecto
visual, instrumental e de consulta que servirá de apoio a
outras pesquisas e também à sociedade do ponto de vista
acentuação
das
características
socioeconômicas,
infraestruturais e culturais imbricadas no processo.
J.C. Araújo, L.F. Fragoso, P.M.L. Menezes
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer aos professores Manoel do
Couto Fernandes e Eduardo Bulhões que me trouxeram a
visão de que o geoprocessamento poderia me ajudar e
muito em minha carreira. Aos companheiros de trabalho
do laboratório de cartografia da UFRJ e aos amigos de
classe que sempre me puseram situações em SIG que
apenas com muita dedicação pude ter sucesso e com isso
aprender.
REFERÊNCIAS
BETANCUR, F. A. S. Plano da cidade do Rio de
Janeiro elevado em 1791 oferecido ao Ilmo. Senhor
Concelheiro Luis Beltrão de Gouveia de Almeida
chanceller da cidade. Acervo Digital da Biblioteca
Nacional
DAVIS, C., FONSECA, F. Introdução aos Sistemas de
Informação Geográficos. Belo Horizonte: Departamento
de Cartografia/UFMG, 2001.
FRAGOSO,
L.F.K.R.,
MARTINS,
F.M.,
Compatibilização de sistemas de coordenadas e
projetivos em mapas matriciais. XXVIII Jornada Giulio
Massarani de Iniciação Científica, Artística e Cultural da
UFRJ, 2007
UMBELINO, G., CARVALHO, R., ANTUNES, A. Uso
da Cartografia Histórica e do SIG para a
Reconstituição dos caminhos da Estrada Real. Revista
Brasileira de Cartografia No 61/01, 2009. (ISSN 05604612)