UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ
Lucimara Lourenço de Oliveira
MUSEU DE ARTE COMO ESPAÇO DE CONHECIMENTO: UMA
PRÁTICA COM ALUNOS EM CURITIBA
CURITIBA
2012
MUSEU DE ARTE COMO ESPAÇO DE CONHECIMENTO: UMA
PRÁTICA COM ALUNOS EM CURITIBA
CURITIBA
2012
LUCIMARA LOURENÇO DE OLIVEIRA
MUSEU DE ARTE COMO ESPAÇO DE CONHECIMENTO: UMA
PRÁTICA COM ALUNOS EM CURITIBA
Monografia apresentada como requisito
parcial à obtenção do grau Especialista em
Ensino das Artes Visuais, Universidade Tuiuti
do Paraná, Programa de Pós- Graduação,
Especialização em Ensino das Artes Visuais:
Práticas
Pedagógicas
e
Linguagens
Contemporâneas.
Orientadora: Profª. Dr. Josélia S. Salomé.
CURITIBA
2012
TERMO DE APROVAÇÃO
Lucimara Lourenço de Oliveira
CONSIDERAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO NA ARTE
Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Especialista em
Artes Visuais do curso de Pós- Graduação, Especialização em Ensino das Artes
Visuais: Práticas Pedagógicas e Linguagens Contemporâneas da Universidade Tuiuti
do Paraná.
Curitiba, 29 de setembro de 2012.
Prof. Ms. Renato Torres
Coordenador do Curso de Pós- Graduação, Especialização em Ensino das Artes
Visuais: Práticas Pedagógicas e Linguagens Contemporâneas da Universidade Tuiuti
do Paraná.
Orientador: Profª. Dr. Josélia S. Salomé
Universidade Tuiuti do Paraná.
Curso de Pós- Graduação, Especialização em Ensino das Artes Visuais:
Práticas Pedagógicas e Linguagens Contemporâneas da
AGRADECIMENTO
A realização da presente pesquisa sobre o museu como um espaço de conhecimento
foi maravilhosa, pois consegui desenvolver e envolver o público pretendido: meus
alunos. Por isso agradeço a compreensão da minha família que encontro entusiasmo
de continuar essa caminha, os alunos e os grandes mestres que encontrei na minha
vida acadêmica como o coordenador Renato Torres e a orientadora Josélia S.
Salomé.
RESUMO
O presente trabalho de conclusão de curso tem por objetivo investigar a temática sobre
a mediação entre a escola e o Museu de Artes visuais Oscar Niemayer como uma ação
pedagógica na Arte Educação. Considerando que, hoje o museu está ganhando cada
vez mais espaço entre eles o espaço da educação. Assim, esse estudo irá propor
possibilidades para o uso do museu aliado a educação para o Ensino de Artes Visuais
no Ensino Fundamental Séries Finais na escola de Rio Branco do Sul, a qual visa
ampliar um olhar holístico dos educandos para compreender criticamente a Arte. Pude
observar durante o processo em que foi executada a proposta de mediação meus
momentos de reflexão sobre a educação, que a proposta do ensino da arte é bastante
interessante e relevante, porém o que vemos muitas vezes, é que os professores
sentem-se despreparados para atuar nesta área, alguns por desinteresse ou por falta
de conhecimento da área, assim muitos acabaram desmotivando-se e acomodando-se,
demonstrando insegurança, medo do novo e de enfrentar desafios. Em muitas
propostas as práticas de Artes Visuais são entendidas apenas como mero passatempo
em que atividades de desenhar, colar, pintar e modelar com argila ou massinha são
destituídos de significados ou até mesmo algumas situações isoladas de levar os
alunos ao museu como um prêmio de comportamento. Nesse sentido, esta pesquisa
propõe uma proposta, onde o aluno irá trabalhar com sua imaginação além do espaço
de sala de aula, isso faz com que os alunos sintam prazer nas aulas de arte, pois estará
construindo e dando sentido a essa experiência.
Palavra-chave: Museu de Artes Visuais; Ensino da Arte, Mediação.
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1:
RECEPÇÃO DOS ALUNOS......................................................
26
FIGURA 2:
SALA DE EXPOSIÇÃO DE POTY LAZZAROTTO....................
26
FIGURA 3:
EXPOSIÇÃO DA OBRA DE POTY LAZZAROTTO...................
27
FIGURA 4:
OFICINA DE DESENHO: POTY LAZZAROTTO.......................
28
FIGURA 5:
EXPOSIÇÃO DE DESENHO NO COLÉGIO............................
29
SUMARIO
1
INTRODUÇÃO............................................................................................ 9
2
MUSEU DE ARTES VISUAIS OSCAR NEIMAYER................................... 11
2.1
MON.............................................................................................................12
3
A ARTE-EDUCAÇÃO NOS MUSEUS........................................................ 16
3.1
MUSEU COMO LUGAR DE CONHECIMENTO......................................... 19
4
PROPOSTA DE MEDIAÇÃO NO MUSEU................................................. 22
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................ 30
6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................32
9
1. INTRODUÇÃO
A arte é uma possibilidade de expressão fundamental em nossas vidas,
porém, é comum ouvir de alunos e até de profissionais da educação que não gostam
de arte ou salientam que a ênfase da escola é para língua portuguesa ou
matemática, uma vez que os alunos ao precisam saber ler e escrever
adequadamente como se fosse um privilégio de certas áreas do conhecimento. Mas
esse questionamento torna-se simplesmente uma resistência pelo que é
considerado novo para o conhecimento, por isso ocorre muitas vezes na escola
discussões baseadas no senso comum como um simples gosto.
Neste sentido, surge uma necessidade de mudança, pois como a escola está
inserida numa sociedade em constante mudança, exige-se uma competência
principalmente por parte do professor, uma vez que este profissional é quem faz a
mediação do conhecimento cientifico para o aluno. Por isso se faz necessário
repensar como o ensino da Arte tem sido mediado no campo escolar e na
sociedade.
Muitas vezes ocorre a falta de preparo, de planejamento ou até mesmo de
compreensão das concepções de Arte que os professores adotam em suas práticas
pedagógicas com os alunos das séries finais do Ensino Fundamental em escolas
públicas, deixando de explorar o potencial do aluno, ou em muitos casos por
comodismo, passando conteúdo de pouco interesse para o educando. Nesse
sentido, alguns professores deixam de explorar espaços que oportunizem o
conhecimento, como em específico o Museu Oscar Niemayer.
Despertar o interesse dos discentes pelo conteúdo e pelas atividades
propostas, bem como o buscar significado em seu aprendizado é uma função da
escola juntamente com o aluno, que devem achar meios de tornar a aula prazerosa,
evidenciando o objetivo do aprendizado de cada conteúdo e sua relevância, uma vez
que aprender deste espaço pode torna-se uma atividade muito rica, proporcionando
um intenso aprendizado.
Os métodos utilizados para a realização dessa pesquisa foram a pesquisa
de campo e a pesquisa bibliográfica buscando referencias teóricas que abordem
sobre o tema, Pois será utilizada uma proposta de intervenção com alunos da rede
pública das séries finais a fim de desenvolver uma aula no espaço do Museu Oscar
10
Niemayer.
Essa experiência visa aguçar os sentidos dos alunos, transmitir significados
que somente a Arte proporciona enquanto linguagem. Entretanto, “por meio da arte,
é possível desenvolver a percepção e a imaginação para aprender a realidade do
meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo analisar a realidade
percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi
analisada”. (BARBOSA, 2009, p. 21).
Neste sentido a arte faz parte da história da humanidade desde os tempos
antigos e vem se transformando e adaptando de acordo com os ambientes culturais,
sendo a arte uma consequência do trabalho feito pelo homem e expressão de sua
personalidade, pois mostra o período que foi feito e sua influência cultural. “No
século XX, a área de arte acompanha e se fundamenta nas transformações
educacionais, artísticas, estéticas e culturais”. (PCNs, 1998, p. 21).
Esses princípios influenciaram o que se chamou “Movimento da Educação
por meio da Arte”. Fundamentado principalmente nas ideias do filósofo inglês
Herbert Read, que reconhecia a arte como manifestação auto-expressiva:
“Valorizava a livre expressão e a sensibilização para a experimentação artística.
Como orientações que visavam ao desenvolvimento do potencial criador, eram
propostas centradas na questão do desenvolvimento do aluno” (PCNs, 1998, p. 21).
A presente pesquisa apresenta três capítulos. O primeiro capítulo aborda
uma breve descrição do histórico do Museu Oscar Niemayer, o segundo capítulo
discorre sobre o que é mediação nos museus, para a arte-educação o museu como
um espaço de conhecimento sobre arte e arte-educação e a possibilidade de
trabalhar com o museu.
No terceiro capítulo aborda a amostra de um trabalho de mediação escolaMuseu, e por último as considerações finais sobre essa experiência de mediação.
Esta pesquisa buscou referencia teórica nos autores (Barbosa, 2009: Herkenhoff,
2007; Bemvenuti, 2007; Caillet, 2009, Coutinho, 2009; Orloski, 2009; Mir, 2009;
Better, 2007; Lima, 2009; Costa, 2009, Cavalcanti, 2007; Vaz, 2009).
11
2 MUSEU DE ARTES VISUAIS OSCAR NIEMAYER
Este capítulo aborda à Arte dos Museus no Paraná, em Curitiba em
específico o Histórico do MON.
Identidade uma palavra chave muito presente quando se fala em museu,
pois é uma forma de manifestação e representação de um determinado tempo ou
período da sociedade, assim a partir do século XX no estado no Paraná inicia uma
forte preocupação no centro da cultura paranaense, compreendendo que os museus
passam a ocupar espaço de conhecimento para a população tanto quanto a nível
nacional como internacional.
De acordo com Herkenhoff (2007, p. 26):
Nessa primeira década do novo século, ocorreu o surgimento de novos
museus pelos quatro quadrantes do Brasil. Seguindo uma tendência
mundial, o país revela projetos audaciosos, que se tornaram símbolo das
cidades numa época de globalização e intensa circulação internacional das
pessoas.
Para o autor, com o surgimento de novos museus pelos quadrantes do país
ocorreu devido uma tendência mundial. Nos quatro cantos do Brasil, o
desenvolvimento passa necessariamente pelo respeito à cultura.
O Paraná compreendeu no inicio do século XX que os museus passaram a
fazer parte da cultura paranaense. “Na missão do Oscar Niemayer estão o apoio e a
divulgação da arte no Paraná”. (HERKENHOFF 2007, p. 71).
Os museus na cidade de Curitiba são singulares no Brasil, pois raros
Estados fornecem uma história semelhante. Em 1876 surge o Museu Paranaense
com foco em objetos de história natural.
Curitiba, foco de pesquisa deste trabalho tem interesse em ser uma
referência cultural em nível nacional e internacional. Segundo Herkenhoff (2007, p.
37) “Curitiba é uma das cidades mais bem servidas numericamente de museus no
Brasil”, dentre os vários museus está o Oscar Niemayer um museu que passa a
desempenhar uma importante missão, atuando como órgão educativo e como centro
de investigação em que consiste colecionar, catalogar, preservar, estudar, exibir,
12
publicar, comunicar e incluir na educação.
Com a preocupação em salvar guardas as memórias culturais e compartilhar
com a comunidade surgiu dois museus com importância capital em Curitiba como o
“Museu da Gravura e o Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Centro Cultural
Solar do Barão, Museu de Fotografia, Museu Alfredo Andersen, Museu
Metropolitano, Museu em Arte Sacra, Museu da Imagem e do Som e Casa João
Turin.”. (HERKENHOFF 2007, p. 37).
2.1 O MON
O museu Oscar Niemayer denominada de Museu Oscar Niemayer, recebeu
este nome em homenagem ao arquiteto brasileiro Oscar Niemayer e apresenta
linhas singulares e sinuosas do espaço. Um Museu que tem se tornado um ponto
focal da Cultura da Paraná, do Brasil, do Mercosul pela sua capacidade de diálogo e
interação com os mais tradicionais museus do mundo.
O MON foi inaugurado em 22 de novembro de 2002 e nos meados de 2003,
torna-se um referencial, sendo uma das instituições do gênero mais ativas do Brasil
contribuindo positivamente com a cartografia da circulação de exposições do país.
“Pouquíssimos museus brasileiros têm um programa expositivo tão vigoroso como a
instituição paranaense”. (HERKENHOFF 2007, p. 23).
Em 1967 foi projetado o edifício principal do Museu Oscar Niemeyer pelo
seu patrono. No inicio foi usado para acolher a sede do Instituto de Educação do
Paraná, sendo deslocado para atender distintas secretarias do Governo do Paraná.
“Mas no governo de Jaime Leiner foi recuperado o edifício com função diferenciada
da qual estava sendo utilizada, resgatando do seu uso burocrático e adaptando para
a função de abrigar um museu”. (CAVALCANTI 2007, p. 235).
Essa decisão de transformar o prédio que abrigava as secretarias em
museu, com nível internacional alterou o espaço artístico da cidade da cidade e do
Estado do Paraná, “contribuindo- juntamente com outras iniciativas do Rio Grande
do Sul- para integrar a região no circuito mais importante de arte nos pais”.
(CAVALCANTI 2007, p. 235).
Em paralelo, surgiu à decisão de construir o segundo pavilhão, o olho cuja
inspiração foi na imagem da Araucária, árvore símbolo do Paraná. Um prédio com
valor simbólico importante com dupla metáfora com capacidade de olhar e ser
13
percebido pelo mundo.
De acordo com Herkenhoff (2007, p. 63):
O individuo possa se identificar com o edifício com sua dimensão de seu
próprio exercício da cidadania e de seu lugar no mundo. É uma arquitetura
do espaço, sublime, que parece estar suspensa com relação a todos os
compromissos do cotidiano. Afinal a arquitetura estaria satisfeita em revelarse com a própria grande obra.
Para o autor, a primeira metáfora, é um olhar do lado de fora simbólico
contemplativo diante da obra de arte suspenso por um lado cheio de significações.
Segundo Herkenhoff (2007, p. 63) “a obra de arte é a própria arquitetura. A
arquitetura quase funcionaria como uma logomarca para um museu de arte”. Uma
vez que, o arquiteto projetou significados a essa forma, sendo ele um conhecedor
dos espaços públicos no sentido da construção da cidadania através das múltiplas
ideias.
Na segunda metáfora o olho discorreria pela própria experiência de ser
percebido no interior do edifício. Segundo Herkenhoff (2007, p. 67) “o espectador
contempla e parece estar simultaneamente observado pela monumental arquitetura,
que em muito extravasa as dimensões humanas”. Sendo assim, o olho é um
monumento à arquitetura e à engenharia que por meio da poesia sensual de
concreto armado, assim fez a grandeza de Oscar Niemayer.
De acordo com Herkenhoff (2007, p. 67) o museu passa a ser o orgulho do
cidadão comum. É então que faz sentido proclamar ser o Museu Oscar Niemayer a
maior estrutura museológica da América Latina. Pois o museu apresenta mais de
35.000 metros quadrados de área construída, sendo mais de 17.00 metros
quadrados destinados a exposições.
Uma marca registrada do arquiteto Oscar Niemayer são as suaves rampas
de acesso, ao ar livre. Os 316 metros de rampas possibilitam o visitante um passeio
arquitetural, fazendo que percorra visualmente e espacialmente pelo prédio e a
natureza, provocando a função entre os dois. “são elas o elemento necessário que
termina de resolver a relação edifício/território e parece conter a chave da intriga do
objeto simplesmente por não deixar claro o limite de nenhum dos dois, unindo a
arquitetura e terreno em uma única dúvida”. (CAVALCANTI, 2007, p. 235).
Distribuído por três pisos – subsolo, térreo e primeiro pavimento, o foco do
MON são as artes visuais, mais especifico artes plásticas, design, arquitetura e
urbanismo, no subsolo estão localizados as salas administrativas, o Espaço da Ação
Educativa, a Reserva Técnica, o Laboratório de Conservação e Restauro o Espaço
14
Niemayer- exposição das obras permanente do arquiteto e, anexo a ele o Pátio das
Esculturas.
Neste espaço também ficam em exposição algumas obras permanentes, as
quais pertencem ao museu como: “de autoria Amélia Toledo, Ângelo Venosa, Marcos
Coelho Benjamin, Emanuel Araújo, Sérvulo Esmeraldo, Bruno Giorgi, Erbo Stenzel e
Tomie Ohtake”. (CAVALCANTI 2007, p. 245).
Dependendo das características de cada obra que precise de transição,
pode ser incorporados às amostras, fechados por paredes de madeira. Segundo
Cavalcanti (2007 p. 245):
Nos projetos de grandes museus, é esperado que o arquiteto, além de
atender a necessidades de ordem estética e funcional, crie um objeto capaz
de desempenhar uma função simbólica de tradução espacial da pujança,
cosmoplatismo e avanço cultural do lugar no que está sendo construído.
Neste sentido, as cidades criam seus museus e exposições como paradigma
de sua identidade na arena global, ou seja, numa nova forma de olhar para um
museu, principalmente o Oscar Niemayer. Cada museu representa uma determinada
ênfase no que gostaria de representar.
“O Museu Oscar Niemayer tem sido
consistente na apresentação ao público paranaense de uma revisão da história da
arte brasileira de todos os períodos e sob várias perspectivas”. (HERKENHOFF
2007, p. 27).
O Museu Oscar Niemayer por meio do setor educativo atende ao público das
escolas com ações educativas que viabiliza de maneira didático- pedagógica as
oficinas apresentadas pelos artistas. Segundo Barbosa (2009, p. 54) “O
conhecimento no museu não surge por si só, mas é construído e compartilhado por
uma série de interesses e por alguns profissionais que projetam o que “é ou deveria”
ser um museu”. Para a autora o museu vai além da técnica das exposições, mas sim
a compreensão, o significado das mensagens da exposição.
O MON cria oportunidades além do acesso às obras, pois o público tem a
possibilidade de interagir sob as oficinas orientadas, a qual permitirá que
futuramente o próprio “museu reconheça sua diversidade e evolua em suas gestões,
fazendo desse espaço um local de sociabilidade onde cada grupo se identifique
como participante desse espaço museu. Logo, o acesso a bens culturais é um das
primeiras etapas para democratização, tendo como instrumental a comunicação”.
(VAZ, 2009, p. 12).
15
O posicionamento do Museu Oscar Niemayer é o estar em constantes
mudanças para melhorar cada vez mais o setor de educativo. Segundo Barbosa
(2009, p. 54) “Essas mudanças são muito importante para a educação dos museus”.
Sendo assim é interessante compreender que os visitantes tem lugar nessa
posicionalidade, pois contribuem com suas histórias de vida, suas culturas e
experiências. Os grupos podem agendar as visitas monitoradas em diversas salas
expositivas e /ou participar das oficinas de arte/educação.
16
3 A ARTE-EDUCAÇÃO NOS MUSEUS
A compreensão sobre a educação ser entendida como mediação vem sendo
construída ao longo do tempo de acordo com as transformações que ocorrem na
sociedade. Nesse processo de tempo, o conceito de mediação também vem sendo
construído tendo o professor como um organizador, estimulador e mediador.
De acordo com Barbosa (2009, 13), “A arte tem enorme importância na
mediação entre seres humanos e o mundo, apontando um papel de destaque para
arte/educação: ser a mediação e o público”. Pois no século XX, o conceito de
educação foi minimizado para dar lugar ao socioconstrutivistas a qual atribuem ao
professor o papel de mediar à relação dos aprendizes com o mundo para a
construção de conhecimento.
De acordo com Ana Mae Barbosa (2009, p. 13-14):
O lugar experimental dessa mediação é o museu. Pensamos nos museus
como laboratórios de arte. Museus são laboratórios de conhecimento de
arte, tão fundamentais para a aprendizagem da arte como os laboratórios de
química o são para a aprendizagem de química.
Partindo deste pressuposto, faz se necessário reforçar a educação para a
arte como um conteúdo a ser embasado seriamente por professores. O museu logo
torna-se -a assim um espaço imprescindível para a abertura de novas possibilidades
de aprendizagens para os alunos. Isto é, se levado a sério em seu processo de
ensino-aprendizagem.
Não que isto já não venha ocorrendo, mas é importante ressaltar que a
teorização do museu como um espaço de educação vem muito lentamente
crescendo, e esta inovação é muito recente.
Barbosa (2009, p. 14) ressalta que:
O prestígio dos departamentos de educação dos museus de arte é muito
recente, embora ainda haja enorme resistência por parte de curadores,
críticos, historiadores e artistas a ideia do museu como instituição
educacional, o que os leva a considerar os educadores profissionais de
segunda categoria.
17
Nesse sentido, esta hierarquização acontece com frequência no mundo
artístico, considerando que ainda é recente a educação nos museus, sendo assim,
fica evidente que o poder de conhecimento de muitas obras e trabalhos artísticos é
apenas visto sob a ótica de poucos que logo após é repassado para o público o que
é de interesse que este mesmo público saiba. Sem um real entendimento de
educação para á Arte através dos museus, fica complexo o desenvolvimento deste
conhecimento, já que o mesmo é ignorado para a funcionalidade de educar.
Por isso a mediação escola/museu torna-se de extrema importância, numa
busca mais profunda sobre o museu encontra-se marcas da educação sendo
realizado nesses espaços. O Museu sempre foi um espaço que representa a
sociedade no seu aspecto histórico cultural, onde suas propostas que foram
inseridas em acervos tiveram como referência a indicação do poder do próprio
museu.
De acordo Bemvenuti (2007 p. 618):
O museu em sua história adquiriu uma função determinante relacionada a
memória e ao patrimônio cultural de uma sociedade. O processo de
selecionar quais objetos e obras deverá ser conservado e preservados para
contemplação da sociedade garante que a instituição museológica no
exercício de poder das classes dominantes determina quais valores e
conceitos será parte da memória desse período histórico.
Para a autora o museu em sua história representa uma função importante
para sociedade, uma vez que dita as tendências principalmente das classes
dominantes. É importante ressaltar que as obras de artes necessitam chegar para
todas as classes sociais e o museu propicie formas de interação para que isto
ocorra, pois as pessoas envolvidas tenham contato com bens culturais fazendo com
que sintam-se parte desse espaço museológico.
Segundo Bemvenuti (2007 p. 618):
É preciso considerar que o medo, o mito e a distancia da obra de arte
ultrapasse o cenário de classes baixas ou de grupos de excluído, pois é
crescente o afastamento das instituições. Não basta que os museus estejam
abertos a todos, é preciso possibilitar o acesso aos bens culturais e
provocar primeiramente uma aproximação e uma relação mais intima com
este espaço envolvendo atividades de mediação dos objetos.
Neste sentido, para que as classes baixas ou grupos excluídos sejam mais
participativos do espaço, faz se necessário não só oferecer acesso aos bens
18
culturais, mas uma mediação dos objetos com a arte. Logo o museu torna-se um
espaço que media conhecimento, práticas sociais das quais tem como principal base
o momento político histórico cultural que a sociedade está passando.
Para Caillet (2009, p. 73) a mediação é então:
Um ato de colocar em presença uma atualização. Presença entendida não
certamente no sentido imediato, porém na representação do presente
(simbolização). Ela procura tornar contemporâneo, trazer para o tempo do
receptor aquilo que não está mais lá, ou ainda não está. Para esse fim, ela
trabalha sobre as obras de arte ou de pensamento que respondem à
definição de extraordinário representativo.
Dessa maneira, sob o olhar crítico da mediação, a autora procura restituir o
questionamento entre a origem da obra e o pensamento e ser formulado e colocálos em narrativa.
Coutinho (2009, p. 176) complementa que as interpretações nunca são
completas e definitivas, assim:
A mediação pode potencializar esse processo de interpretação, seja no
momento da ampliação, quando o mediador alimenta o leitor com novas
informações, seja na articulação dessas informações, quando o mediador
instiga o leitor com questões que provocam reações.
Com esse diálogo a troca o confronto das ideias favorece a mediação em
grupos, pois o mediador e circulante entre as obras e o público com o papel de
ativador das interrelações.
Para Orloski (2009, p. 234):
A obra de arte por si não comunica todos os seus significados, ela conserva
latente suas possibilidades de interpretação e significação. Portanto é
utilizada a ação de mediadores na exposição para a manifestação e a
contextualização dessas informações, proporcionando fruição e
consequentemente aprendizado.
Nesse contexto, os mediadores vão além do educador/mediador e as obras
expostas como as legendas, textos na parede, dados bibliográficos e as ações
educativas realizadas pela Área de Ação Educativa.
De acordo Bemvenuti (2007 p. 623) ao citar Velho e Chagas ampliam o
papel do museu como “uma instituição mediadora de saberes e práticas sociais, ao
qual são atribuídos valores, sendo estes determinantes de aspectos a serem
19
relevados ou omitidos num exercício político, social e cultural do espaço que ocupa
na sociedade”.
Desta maneira o museu pode ser visto como um possibilitador de
experiências individuais e mediador de conceitos através das obras de artes, dos
objetos apresentadas no local. Isso possibilita menor distancia entre individuo e as
obras de arte, a qual se torna um ponto crucial para um museu que busca deixar
com contado maior a sua identidade.
De acordo com Bemvenuti (2007 p. 625):
Através deste grande processo de mobilizar o museu como um espaço
mediador de conceitos e valores é possível transformar o encontro do
sujeito com o objeto com o encontro de experiências, relações, saberes e
aprendizagem. Como possibilidade de construção, de relação com o
patrimônio acolhido pelo museu de arte, cabe considerar que situações
organizadas facilitam a aproximação e o acesso daquilo que poderiam
permanecer distantes.
Nesse sentido, por meio do museu é possível estimular e dar suporte às
várias atividades culturais e artísticas que podem ser desenvolvidas neste espaço.
Uma vez que o museu vem assumindo os desafios da educação, sendo uma
alternativa para a construção de aprendizagem por meio de mediação.
Segundo Mir (2009, p. 98):
A atitude do estudante é mais aberta porque não recebe qualificações e a
visita ao centro de arte está dentro da esfera do que ele considera lúdico; à
aprendizagem, costuma ser experimental, através de práticas que
favoreçam a interpretação e a criação pessoal; ao conhecimento é
interdisciplinar, o que resulta mais próximo à vida real; aos temas são
atuais; as mesmas imagens, ou semelhantes, podem ser vistas na rua e nos
meios de propaganda; e a serem oferecidas motivações por meio de
estratégias de curiosidade, jogo.
Para autora deve-se levar em consideração à Arte como meio de
conhecimento pessoal do entorno do social, à Arte sendo um instrumento que
desencadeia a vivencia de experiências significativas. A arte como um meio de
leitura de mundo, sendo está uma linguagem para expressar ideias e sentimentos.
3.1.
MUSEU COMO LUGAR DE CONHECIMENTO
O surgimento dos museus como espaço de pesquisa e a produção de
20
conhecimento como ciência tornou-se possível pelo ocorrido durante “o século XVIII
na Europa, quando documentos, fósseis, plantas foram coletados, armazenados,
selecionados, classificados e exibidos pelos museus ganham importância”
(BRITTER 2009, p. 22).
Entretanto existem muitas formas de definir o museu, porém o mais
abrangente é segundo Britter (2009, p. 22) ao citar a definição com base no
Conselho Internacional de Museus (ICOM) que trata de instituições de interesse
público com a finalidade de:
Conservar, estudar, expor e valorizar os testemunhos materiais do homem e
de seu ambiente, para educação e lazer da sociedade. Partindo dessa
definição, são considerados museus: aquários, jardins zoológicos e botânicos, sítios e monumentos naturais e arqueológicos, centros de ciência e
cultura que abrigam acervos, galerias de arte, exposições não comerciais,
entre outras tantas.
Dessa forma, o museu pode ser constituído em torno de temáticas
abrangendo uma vasta área da produção humana.
Segundo Britter (2009, p. 23):
O conhecimento que os museus se propõem a difundir é majoritariamente
centrado na visualidade dos objetos exibidos através de exposições. O valor
que esses objetos adquirem enquanto documentos está na sua capacidade
de tornar presentes realidades distantes, pois são considerados como
partes, fragmentos ou vestígios dessas realidades. Importante, entretanto, é
observar que o conhecimento de uma determinada realidade não se esgota
nos objetos que supostamente a representam, devendo-se buscá-lo de
outras formas.
Não é possível conhecer a totalidade da vida social e cultural das pessoas,
apenas por meio de alguns objetos extraídos do contexto original. Sendo assim,
deve-se buscar o conhecimento de outras formas usando a pesquisa como exemplo.
Para Britter (2009, p. 23) o museu apresenta várias atribuições como:
Constituir e preservar coleções de objetos de natureza variada restaurálos quando necessário, exibi-los na forma de exposições temporárias ou
permanentes, disponibilizar informações sobre os acervos, desenvolver
pesquisas, fomentar ações educativas, promover o contato com outros
universos culturais, etc.
Essas atribuições são realizadas por profissionais especializados e
qualificados, como museólogos, restauradores, curadores, técnicos de montagem e
iluminação, pesquisadores entre outros. Apesar de para o público que visita as
exposições algumas funções tornarem-se invisíveis, são fundamentais para garantir
21
a guarda e a conservação dos objetos, “para mediar à relação do público com as
coleções e as demais fontes de conhecimentos dos museus”. (BRITTER 2009, p.
23)
O museu tem sido um espaço de grande importância para a ciência em
diversas dimensões do saber, pois continuam a preservar coleções que são muito
uteis para a pesquisa e a contribuição de novos conhecimentos, isto decorrente das
novas necessidades impostas pelas pesquisas científicas.
Segundo Britter (2009, p. 26) “Muitos museus, contudo, associaram-se a
institutos de pesquisa que muito frequentemente se envolvem com os estudos
relacionados às suas coleções”. São pesquisas relacionadas nas áreas da botânica,
geologia e patologia como o caso do Museu Nacional-RJ9, ligado à Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
Entretanto o museu em estudo por meio do seu papel histórico e dos
desafios futuros desdobra-se, segundo Herkenhoff (2007, p. 43), em “colecionar,
catalogar e preservar estuda e exibir, publicar e comunicar e incluir na educação
esse complexo de responsabilidade”. Pois um museu desse porte oportunizar essas
inquietações na prática e raro no sentido de avançar sua prática política.
22
4 PROPOSTA DE MEDIAÇÃO NO MUSEU OSCAR NIEMAYER
Este capítulo aborda uma proposta de mediação a ser vivenciado pelos
alunos da rede pública numa região metropolitana no Museu Oscar Niemayer por
meio da exposição do Poty Lazzarotto.
Acredito que toda instituição que assume a responsabilidade de ensinar e
aprender representa um novo desafio para a sociedade, em específico os alunos, à
escola. Uma vez que ensinar e aprender vai além dos espaços escolares “salas de
aulas”. Hoje surge um novo espaço a qual pode proporcionar experiências ricas na
vida acadêmica do aluno.
Uma possibilidade de mediação cultural pode ter base na concepção de
Educação de John Dewey a qual parte de dois princípios importantes: a continuidade
e a experiência. Para Dewey citado por Costa (2009, p. 162):
Tão evidente é, em efeito, a necessidade de ensinar e aprender para a
existência continuada de uma sociedade, que pode parecer que estamos
insistindo indevidamente sobre um lugar comum. Porém, isto tem sua
justificativa no fato de qual insistência é um meio de evitar que incidamos
em uma noção escolástica e formal da educação.
Para o autor, a educação é compreendida como uma forma de comunicação,
sendo esta essencial para a continuidade da sociedade e assim por meio da
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experiência encontra a possibilidade de renovar-se. Dessa forma é a Educação em
um sentindo mais amplo que mediatiza a continuidade da sociedade, sendo uma
constante reorganização ou reconstrução da experiência.
Com base na concepção deweyana, a mediação cultural é pautada numa
compreensão em que o “professor é um sujeito livre epistemologicamente e, por
isso, tem capacidade de reorganizar-se ou reconstruir-se por meio ou pela mediação
da experiência”. (COSTA, 2009, P. 162).
Nesse sentido ao pensar na proposta de mediação além de ser pautado em
Dewey foi abordado uma perspectiva educativa encontrada na Proposta Triangular.
“Que dialogando com a contemporaneidade, tem se testado por sua capacidade de
“reconstrução contínua da experiência” (COSTA 2009, p. 163)
As bases epistemológicas do plano de mediação também recebe o
pensamento de Freedman citado por Costa (2009, p. 163):
A educação nas artes visuais tem lugar no âmbito da cultura visual e,
através desta, dentro e fora das escolas, em todos os níveis educativos,
através dos objetos, as ideias, as crenças e as práticas que constituem a
totalidade da experiência visual humana concebida; dá forma a nosso
pensamento sobre o mundo e nos leva a criar novo conhecimento através
da forma visual. A arte/educação, em seus entornos institucionais e não
institucionais, se realiza em sala de aula de educação infantil ou em uma
faculdade de arte, em uma sala de desenho ou como parte de uma unidade
de ciências interdisciplinares, ajuda a desenvolver significados ricos através
da experiência de vida dentro e fora da escola.
Nesse contexto, tanto nas salas de aula, nas galerias dos museus, nos
centros culturais ou na rua entre outros lugares, a arte/educação informal está cada
vez mais presente na vida dos cidadãos, sendo uma exigência da arte/educação
contemporânea e pós-moderna a qual é percebida com clareza pelo modelo
educativo proposto por Kerry Freedman em que se baseia nos aspectos educativos
da cultura visual.
De acordo com Costa ao citar Freedman (2009, p. 164) esse modelo
educativo além de contribuir com a construção de identidades, se adapta as
exigências de uma democracia contemporânea que:
Tem que ver com a liberdade de informação em toda gama de formas de
arte visual necessárias para a criação do conhecimento individual e grupal.
As pessoas não só podem falar livremente; podem apropriar-se
visualmente, apresentar e duplicar, manipular informáticamente, e televisar
mundialmente. As imagens e os objetos da cultura visual se veem
constantemente e se interpretam instantaneamente, formando um novo
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conhecimento e novas imagens sobre a identidade e o entorno. Media as
relações sociais entre criadores, entre criadores e espectadores, e entre
espectadores. A arte e a arte/educação são formas de mediação entre
pessoas nas que uma série de prática profissionais e discursivas
desempenham um papel importante.
Para a autora as mudanças dão origem a novas produções e a novos
significados, isso acontece por meio de rupturas demonstradas pela arte
contemporânea que no aspecto ilimitado das formas dos objetos artísticos. Assim
desafia o ensino das artes visuais dentro da arte/educação pós-moderna, pois:
A arte/ educação adquire uma responsabilidade cada vez mais importante
enquanto os limites entre educação, alta cultura e diversão se dissolvem, e
os alunos cada vez mais aprendem a partir das artes visuais. No contexto
de mudanças se deve estudar a cultura visual a partir dos desafios aos
limites da forma, aos limites do objeto e aos limites das disciplinas
escolares. (COSTA, 2009, p. 164).
Dessa maneira, os artistas contemporâneos quebram os limites do objeto e
centram a atenção na relação entre o objeto. Ou seja, a mediação cultural deve se
sustentar na ideia que as imagens são mediadoras de valores culturais e que “a
função da arte/educação é reconhecer essas metáforas e seu valor em diferentes
culturas”. (COSTA, 2009, p. 165).
Segundo Costa (2009, p. 166) ao citar Gisbert afirma que a mudança na
metodologia do professor faz se necessária:
O professor de arte, moderno, obrigado pela incorporação das modas reúne
ideais, conteúdos, metodologias, atitudes e comportamentos sociais de
modo compulsivo, a maioria das vezes sem assumir, nem assimilar seus
significados e sem previsão de consequências, porque em grande medida
ter uma boa informação sobre a arte supõe estar ao dia das novidades e
das últimas contribuições, e porque para este “saber fazer” é a condição
essencial para “saber e pode ensinar”, e porque se ensina aquilo que se
sabe por acreditar que isto é o que devem os alunos aprender.
A autora faz uma análise sobre o perfil do professor, pois o foco deste
profissional será centrado na realidade e no diálogo com o aluno, levando em
consideração o educando como um agente ativo da sua própria aprendizagem. A
proposta pedagógica partiu da necessidade de alinhar as atividades realizadas na
sala de aula na escola pública da rede estadual em conjunto com o museu, um
espaço que também possibilita a aprendizagem.
A técnica de pesquisa utilizada foi por meio da documentação direta.
Segundo Marconi (2006), “a documentação direta constitui-se, em geral, no
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levantamento de dados no próprio local onde os fenômenos ocorrem. Esses dados
podem ser obtidos de duas maneiras: por meio de campo ou de pesquisa de
laboratório”. Neste caso especificamente, foi utilizada a pesquisa de campo.
A experiência aconteceu com alunos de num Colégio Estadual da Região
Metropolitana de Curitiba, sendo uma população de estudantes do ensino
fundamental de três anos 7º, 8º e 9º, uma amostra no museu. dez alunos realizaram
uma visita ao museu, adquirindo muitas experiências, sendo assim é necessário que
haja uma forma de compartilhar, expandir e inspirar outros que os cercam por meio
da sistematização da visita técnica a qual foi levar os alunos para uma visita ao
museu a fim de despertar o interesse no aluno em conhecer a instituição como
espaço de reflexão e conhecimento da arte.
De acordo com Lima (2009, p. 152) existem tipos de vistas mediadas que
propiciam melhor aproveitamento e conhecimento, sendo as que utilizam métodos
de interpretação. “Visita conferencia, discussão dirigida, descoberta orientada e
percurso biográfico”. Este é um método de interpretação, porém não pode ser tornar
uma camisa de força para o arte/educador, e sim um orientador.
Dessa forma cabe ao educador do museu na interação com o grupo
perceber e investigar caminhos significativos com o público, pois hoje as leituras das
obras levam em consideração o contexto cultural do público.
Por meio do método de interpretação foi realizado um exercício de leitura da
obra, no contexto da educação, além de um trabalho de apreciação a se realizar
com os alunos. Segundo Lima, (2009, p. 153) ao citar Edmundo Burke Feldman
destaca uma proposta baseadas nas quatro operações de leituras de imagens como
“1) descrição, 2) análise, 3) interpretação, 4) julgamento”. Nessa proposta os alunos
aprofundam seu olhar, pois veem o que num primeiro momento não poderia ser
visto. Em todo o percurso foi realizado o exercício de leitura das obras.
A descoberta
1º Momento- Organização para visita ao Museu
Os alunos estavam ansiosos desde a entrada no ônibus para se dirigir ao
museu, pois muitos nunca tinham tido a oportunidade de realizar uma visita técnica,
em específico o museu numa outra cidade. A curiosidade fazia parte do ser dos
alunos neste dia, foi um bimestre inteiro trabalho com os alunos sobre o museu em
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si e suas possibilidades de conhecimento, além do privilégio conhecer as obras do
Poty num museu.
Tudo isso, despertava nos alunos ansiedade de logo caminhar, sentir e
observar o que aprendemos em sala. Porém ao sairmos foi feito uma conversa com
os alunos sobre mexer nas obras sem autorização ou fazer perguntas fora do
contexto a qual era foco.
2º Momento- Passeio pela sala expositiva de Poty Lazzaroto
No 2 º bimestre o planejamento docente da disciplina de Artes foi de
trabalhar com os artistas paranaenses. Nesse processo de aprendizagens sobre os
artistas a qual teve ênfase no autor Napoleón Potyguara Lazzatto ou Poty como é
conhecido, ele é reconhecido como o maior criador artístico de sua geração tendo a
maioria dos murais encontrados em Curitiba, onde suas obras tem caráter
expressionista com um realismo social.
FIGURA 1- Recepção dos alunos
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Ao chegarmos ao museu fomos recepcionados e acolhidos por uma
monitora que já nos aguardava, porque a visita tinha sido agendada. Antes de
conhecermos o espaço ela orientou como seria conduzido trajeto ao museu, assim
tivemos uma monitoria maravilhosa fizemos uma visita conhecendo cada espaço do
museu e suas obras que ali estavam expostas.
FIGURA 2- Sala de exposição de Poty Lazzarotto
Por meio da monitoria de uma profissional excelente que esclarecia e
dialogava a cada questionamento que era levantado pelos alunos. Os alunos foram
realizando uma leitura das artes de maneira fantástica, pois estavam diante de um
trabalho que faz parte de certa forma da realidade dos alunos.
Embora a visita pela primeira vez, os alunos já conheciam bastante o autor,
isso por que estão acostumados a ver os monumentos espalhados por Curitiba em
específico o monumento na Praça 19 de Dezembro a qual teve participação em
comemoração ao Primeiro Centenário do Paraná como o artista Erbo Stenzel, onde
o ponto final de ônibus da cidade de Rio Branco fica em frente.
Quem desembarca no Aeroporto de São José dos Pinhais se depara com a
obra de Poty com os murais O Eterno Sonho (1981) sobre a História da Aviação e
Aeroporto e a Porta para o Mundo (1996), se passar pelo prédio do teatro Guairá
também vai se deparar com uma fachada sobre a História do Teatro chamado
Cortina Corta Fogo, na Boca do Palco no auditório Bento Munhoz da Rocha.
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FIGURA 3- Exposição obra de Poty Lazzarotto
3º Momento- Oficina no Setor Educativo
Esse foi um momento onde os alunos trabalharam com a possibilidade de
construção da obra do artista por meio de uma continuação de um desenho de Poty.
As monitoras solicitaram que os alunos sentassem no chão para receber as
orientações de como seria a oficina. Após ser orientado cada um sentou no seu
lugar a qual foi distribuído o material que seria usado como palito, tinta nanquim e
uma folha A3, com o início de um desenho do Poty, e os alunos teriam que dar
continuidade nos desenhos cada um de sua maneira.
Neste dia tinha outras escolas, o local estava cheio de alunos e os nossos
ficaram um pouco tímidos, mas logo começaram a se envolver na atividade a qual
surgiu resultados bem positivos, uma vez que a ênfase era dada sempre na linha a
qual é característica nas obras de Poty.
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FIGURA 4- Oficina de desenho no museu
4º Momento- Sistematização dos conteúdos
Esse momento de sistematização foi quando retornamos para sala de aula.
Esse momento foi impactante para os demais alunos que não foram com as
novidades contadas pelos alunos e uma apresentação realizada pela professora de
Artes, os olhos dos demais brilharam para participar de atividades como esta.
Cada educando com a sua atividade que trouxe da oficina realizamos uma
exposição no colégio para todos os demais alunos poder observar as obras dos
alunos e também os alunos que foram compartilhar sua experiência.
Esse momento foi bem rico na escola, pois podemos compreender em
conjunto que, o espaço do museu pode sim ser um espaço de conhecimento e a
escola pode incluir esse espaço na Proposta Pedagógica e no Currículo Escolar.
Pois os sentimentos foram expressos nesta relação do Museu/Escola.
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FIGURA 5- Exposição de desenho no colégio
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Cada autor que foi pesquisado para esse trabalho de conclusão de curso
contribuiu para o acréscimo do conhecimento que busquei durante a realização do
mesmo, de forma a analisar que ao conviver com a arte e produzir arte, através de
uma didática motivadora, o aluno é levado a assumir atitudes críticas, reflexivas,
curiosas e investigadoras que lhe desenvolvem a capacidade de interferir, construir e
transformar.
A arte proporciona no indivíduo, um crescimento, um conhecimento e
reconhecimento do indivíduo e de seu papel na sociedade, através do visual o
indivíduo aprende a expressar-se e apreciar, seja através de seus desenhos, de uma
peça de teatro ou de outras formas, portanto entende-se aí a importância da arte na
vida do educando.
A arte vem alcançando mais espaço, em específico foi tratado o museu como
um lugar de conhecimento, entretanto, não são todas as escolas que tem à
disposição professores que consigam trabalhar de modo a levar os alunos para o
museu e mediar o conhecimento entre as obras e o sujeito.
Dessa forma, o museu assume um papel de desenvolver potencialidades
na construção de conhecimento dos alunos, possibilitando múltiplas leituras a qual
permite o aumento dos conhecimentos iniciais que cada sujeito tem, criando
desafios e estimulando a interpretação.
O museu de artes visuais diferente do ambiente escolar, com uma rotina
específica, com profissionais preparados com leituras e experiência na área tem
finalidade de realizar a mediação entre a escola e o museu. Nesse sentido o grupo
de alunos ficou maravilhado com o passeio.
Após a sistematização realizada em sala, foi observado que o grupo que não
foi selecionado para ir ao museu o aprendizado ficou prejudicado no sentido de ver,
de ser real, de sentir a Arte, de poder dizer o quanto o museu é um espaço de
conhecimento e não somente o professor, os livros, a internet. Por isso que a forma
com que foi selecionado com os alunos também teve prejuízo, pois eram por
critérios como: os melhores, os mais comportados, os que tinham notas altas. Enfim
de certa forma, por mais que trabalhei com todos os alunos da escola, poucos foram
e isso teve perda no aprendizado, principalmente no que tange a sensibilidade.
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Minha visão sobre o Ensino da Arte é de trazer uma reflexão para escola no
sentido de derrubar a hierarquização das disciplinas e dar importância para assuntos
relacionados à Arte. Pois conforme é a concepção das pessoas em Arte que atuam
na escola é o encaminhamento que elas oferecem, mas ressalto a escola não está
preparada para um relacionamento mais estreito entre Escola/Museu.
Em síntese todo o processo, desde o planejamento das aulas até a volta
para a sistematização fomos envolvidos pela Arte. Comprovando que ela faz parte
da nossa vida e vai além de um senso comum.
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6. REFERÊNCIAS
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Professor. Ano XIII-Nº 51 -1997.
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Educativo Em 2009. Disponível em ducere.bruc.com.br/CD2011/pdf/5672_2571.pdf.
Acesso jun. 2012.
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