Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Iniciação Científica 2012.2/2013.1 Análise do Efeito da Estabilização Mecânica em Matrizes de Terra RELATÓRIO FINAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA APRESENTADO POR: Monique Nascimento dos Santos ORIENTADORES: KhosrowGhavami (Professor Titular) Alexander Zhemchuzhnikov(Doutorando) Rio de Janeiro, 31 de julho de 2013. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil Sumário AGRADECIMENTOS....................................................................................................................... 3 RESUMO .......................................................................................................................................... 4 OBJETIVO ........................................................................................................................................ 4 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................................................... 5 1) O solo como material de construção ..................................................................................... 5 2) Origem e definição do solo ..................................................................................................... 6 3) Classificação e propriedades do solo .................................................................................... 7 4) A presença de água no solo ................................................................................................... 8 5) Estabilização do solo: química e mecânica .......................................................................... 8 6) Preocupação Ambiental .......................................................................................................... 9 7) Revisão bibliográfica dos ensaios mecânicos do solo como material de construção. ...... 9 METODOLOGIA EXPERIMENTAL...............................................................................................12 8) Primeira parte: preparação e ensaio dos corpos de prova .................................................12 1.1) Materiais utilizados .............................................................................................................12 1.2) Características físicas ........................................................................................................12 1.3) Preparação e ensaio dos corpos de prova .......................................................................12 RESULTADOS E DISCUSSÕES .....................................................................................................14 1) Primeira parte .........................................................................................................................14 1.1) Características físicas ........................................................................................................14 1.2) Ensaio de Compressão Simples .......................................................................................16 1.3) Ensaio de Compressão Diametral ....................................................................................16 2) Segunda parte ........................................................................................................................18 CONCLUSÃO ..................................................................................................................................20 BIBLIOGRAFIA ..............................................................................................................................21 2 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil AGRADECIMENTOS Este trabalho é resultado da realização de um grande sonho nascido há alguns anos atrás quando ingressei na faculdade e tivea vontade de um dia participarde pesquisas científicas e poder contribuir um pouco mais para as mudanças que estão acontecendo em nosso país e fora dele também. Reconheço que a contribuição de inúmeras pessoas foi essencial para chegar até aqui. Nada seria possível sem a ajuda de muitos que estiveram comigo nestes últimos tempos. Em especial não poderia deixar de citar algumas delas e, por isso, gostaria de agradecer as seguintes pessoas que foram mais do que essenciais durante minha trajetória. Agradeço: À Deus em primeiro lugar por me conceder, além do dom da vida, também o dom da inteligência e me dar a oportunidade de poder me capacitar e atuar no que realmente amo. Aos meus pais e familiares pela preparação para a vida, que com seus ensinamentos e apoiome capacitaram a enfrentar os desafios encontrados. Aos nossos colegas de turma que estiveram presente durante toda a graduação e que de certa forma nos ajudaram a chegar até aqui e nos apoiaram em momentos de desespero. Aos meus orientadores professor KhosrowGhavami e doutorando Alexander Zhemchuzhnikovque me passaram seus conhecimentos acadêmicos e profissionais e me deram a oportunidade de participar de uma pesquisa científica, fazendo com que eu evoluísse na vida acadêmica, possibilitando-me descobrir novos horizontes. Aos meus professores que me passaram todo o conhecimento necessário para estarmos aptos a exercer a engenharia construindo aos poucos a realização de um grande sonho. À todos o meu Muito Obrigado! 3 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil RESUMO Antes de dar início ao trabalho prático fez-se necessário buscar informações sobre a tecnologia de construção com terra crua. Este aprofundamento gerou uma extensa revisão bibliográfica onde observou-se pouca informação a respeito da influência do teor de umidade durante a compactação sob a resistência mecânica e durabilidade. Considerando este trabalho dividido em duas etapas, temos que na primeira parte focou-se em analisar esta influência do teor de umidade com a construção de uma curva de umidade ótima pré-estudada com pontos pré-determinados. Supõe-se que na curva de compactação existe um favorecimento da resistência mecânica no ramo seco devido ao arranjo floculado das partículas que transmite melhor as tensões enquanto que no ramo úmido a durabilidade que seria a mais favorecida, pois o grau de alinhamento aumenta formando um arranjo dispersivo que dificulta a percolação de água através do corpo-de-prova. (PINTO, 2008). Primeiramente o solo foi caracterizado fisicamente e sua curva de compactação foi determinada a uma tensão de 3 MPa de forma quase estática. Ao todo foram feitos 5 pontos em que 1 deles seria o ponto ótimo formado pela máxima densidade aparente seca e os outros 4 formariam 2 pares com a mesma densidade seca, porém com umidades distintas de modo que um se localiza-se no ramo seco da curva e o outro no ramo úmido. Após a determinação exata desses pontos, foram moldados os corpos de prova num total de 120 para serem avaliados aos 7 e 35 dias submetidos aos ensaios de compressão simples, diametral, ensaio de absorção por imersão e absorção por capilaridade. Na segunda etapa deste trabalho foi realizado um estudo comparativo entre as propriedades do solo estudado na primeira etapa e os solos estudados em diferentes outras bibliografias presentes em artigos internacionais. É feita uma avaliação de como as características do solo, envolvendo percentual de argila, condições de cura, umidade de compactação, percentagem de cimento, podem influenciar a resistência do solo. Na primeira etapa, os resultados confirmam um aumento da resistência à compressão simples e diametral dos corpos de prova compactados no ramo seco (ramo ascendente), em contrapartida, os espécimenes compactados no ramo úmido (ramo descendente) apresentaram resultados de durabilidade superiores. Na umidade ótima ambos (resistência e durabilidade) são satisfeitos. OBJETIVO Realização de um estudo comparativo entre a composição de solo-cimento utilizada neste projeto e a utilizada em diferentes outros artigos, envolvendo as características e propriedades do solo e resultados obtidos a partir dos ensaios de resistência mecânica. 4 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil INTRODUÇÃO O desgaste do meio ambiente pelo seu consumo excessivo sem a devida reposição tem sido motivo de preocupação em diversos setores. E não é diferente na construção civil. Há algumas décadas pesquisadores tem se interessado em desenvolver e divulgar materiais sustentáveis (que geram uma menor quantidade de lixo e poluem menos) e de fácil acesso as classes menos favorecidas (apresentam baixo custo). Devido ao solo ser um material presente em abundância em qualquer parte do mundo, apresentar baixo custo e não ser prejudicial à natureza, pois advém dela, é importante estudar seu comportamento e avaliar o seu potencial construtivo para que possamos aproveitá-lo de forma consciente. Na primeira etapa deste projeto avaliou-se a influência na resistência mecânica e durabilidade de matrizes de terra estabilizadas com cimento, compactadas com diferentes teores de umidade mantendo-se constante a mesma massa específica aparente seca. Dando continuidade ao projeto, foi então elaborado um modo de comparação entre os resultados obtidos durante a conclusão da primeira etapa e resultados de diversos outros trabalhos relatados em artigos internacionais. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 1) O solo como material de construção A terra crua foi um dos primeiros materiais de construção empregado pelo homem há cerca de 10 mil anos, quando o homem deixou de ser nômade para aguardar o tempo de colheita na agricultura e assim construiu sua edificação. Como materiais de construção ele utilizou o que a natureza ofertava a ele incluindo a própria terra. Ao longo do tempo esses materiais serviram para edificar casas, palácios, templos. Figuras 1 e 2: Cidades construídas com terra crua no Irã. Bam (à esquerda), antes do terremoto e Yazd (à direita). (BARBOSA E GHAVAMI, 2007). Milênios depois surgiram então os materiais industrializados e, com isso, os materiais de construção tradicionais foram sendo colocados de lado. Os materiais tradicionais se desvalorizaram e foram rejeitados pelos mais ricos. A terra ficou sendo material de construção para os mais pobres e com o passar do tempo, por eles não transmitirem corretamente as técnicas 5 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil de construção através de suas gerações, as tecnologias de construção com terra foram sendo esquecidas. Já recentemente, por volta da década de 70, percebeu-se a necessidade de repensar esta tecnologia antigamente utilizada. A energia não sendo inesgotável e com toda a poluição sendo causada ao meio ambiente vinda das indústrias, surgiu a idéia de aproveitar os materiais tradicionais. Figuras 3 e 4: Construções coloniais de terra crua em Minas Gerais. (BARBOSA E GHAVAMI, 2007). A terra crua possui enormes vantagens quando falamos de preservação do meio ambiente: consome pouca energia, não polui, pode ser mais barata e mais apropriada que os materiais industrializados em alguns casos. Existem numerosas formas de seu emprego, mas para isso é muito importante que se tenha conhecimento. 2) Origem e definição do solo O solo é constituído da camada mais superficial da crosta terrestre, onde se desenvolve muitas plantas e vive uma grande variedade de animais.O solo é um meio complexo e heterogêneo, produto de alteração do remanejamento e da organização do material original (rocha, sedimento ou outro solo).Inicialmente na crosta terrestre só havia rocha e é daí que vem o solo.Com a decomposição das rochas que inicialmente formavam a crosta terrestre e com o processo de intemperismo ao longo do tempo causado pelos agentes de intemperismo, surgiu o solo. Os principais fatores causadores desse intemperismo são as variações de temperatura, a água ao congelar e degelar, o vento ao fazer variar a umidade do solo e a presença da fauna e da flora promovendo ataque químico através de hidratação, hidrólise, oxidação, lixiviação, troca de cátions, carbonatação, e outros (PINTO, 2000). Além dos agentes do intemperismo, temos também os agentes erosivos e em especial podemos destacar a água como o principal. Esses agentes transportam o solo e a água nesta função atua na forma de chuva, rio, lagos, oceanos e geleiras. Com o tempo e sob a ação do calor, do vento e da água, a rocha foi se desgastando e formando uma parte mineral (areia, calcário e argila) e uma outra parte orgânica(húmus restos de animais e vegetais em decomposição). Quando um certo elemento, que compõe o solo, existe em maior quantidade que os demais, caracteriza o tipo do solo. Os principais componentes da terra, fazendo uma abordagem química, são a sílica, a alumina e a hematita, além da presença de outros componentes como óxidos de potássio, sódio, titânio, cálcio, magnésio e outros. A percentagem de cada componente varia. Quanto à definição do solo podemos dizer que não uma única definição que englobe totalmente todo o significado de solo. Contudo, existem diferentes definições sob pontos de 6 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil vista geológico, pedológico, agrícola, geotécnico. A definição vai depender do enfoque que se quer ter. Na Engenharia Civil, por exemplo, solo define-se como material escavável, que perde sua resistência quando em contato com a água. De acordo com Neves et al. (2009),solo é o material da crosta terrestre proveniente da decomposição de rochas, constituído por elementos minerais e/ou orgânicos, que dependem da composição química e mineralógica da rocha de origem, das características do relevo, dos diferentes climas e do tempo de exposição às intempéries. 3) Classificação e propriedades do solo A classificação do solo pode ser realizada dentro de diferentes critérios como, por exemplo, a sua origem, sua composição química, tamanho das partículas presentes. Quanto à sua origem, os solos formados por produtos do intemperismo no seu lugar de origem são chamados de solos residuais. Já os solos que são transportados durante a sua formação podem ser classificados em vários grupos, dependendo do seu modo de transporte e de deposição: solos glaciais, aluviais, lacustres, marinhos, eólicos e coluviais (DAS, 2007). Os solos recebem designações segundo as dimensões das partículas compreendidas entre determinados limites convencionais. Geralmente, são classificados pela quantidade de grão do tamanho argila, silte e areia, e, por vezes, agregados maiores, como cascalho e pedras. Para determinar a percentagem de cada fração presente no solo é feita a análise granulométrica. No Brasil, adota-se a ABNT/NBR 6502/95. "Dependendo de qual dos três componentes édominante, falamos de um solo argiloso, siltoso ou arenoso" (MINKE, 2000).Na Tabela 2.2 estão representadas as classificações adotadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), AASHTO (American Association for StateHighwayandTransportationOfficials), ASTM (American Society for TestingMaterials) e MIT (Massachusetts Instituteof Technology). Figura5: Escalas granulométricas adotadas pela A.S.T.M., A.A.S.H.T.O, M.I.T. e ABNT. As mais importantes propriedades do solo para uso na construção são: composição granulométrica, plasticidade, retração, umidade e grau de compactação (durante a sua 7 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil execução). Por meio de procedimentos simples de laboratório, é possível conhecer a granulometria de determinado solo e aferir sobre a sua adequabilidade para a construção. Também é possível distinguir as percentagens de elementos constituintes do solo. O ensaio granulométrico, além de facilitar a escolha de determinada técnica construtiva, permite saber como corrigir a composição do material através da adição de elementos (técnica conhecida como estabilização). 4) A presença de água no solo A água é o maior responsável pela alteração das rochas e seus mais importantes mecanismos de ataque são oxidação, hidratação, carbonatação e efeitos químicos da vegetação (CAPUTO, 1980).O fenômeno do deslocamento da água através do solo é chamado de percolação da água. As chuvas deflagram problemas em superfície, mas também por infiltração alimentam o lençol freático e mudam as características e comportamento dos solos podendo também ativar patologias por ação no subsolo. O conhecimento do fluxo da água no solo é muito importante, pois ele é responsável por um grande número de problemas práticos de engenharia, os quais podem ser resumidos em três grupos: avazão da água através de maciços terrosos, drenos ou filtros, orecalque nas fundações das obras e aestabilidade geral das massas de solo principalmente de taludes. 5) Estabilização do solo: química e mecânica O solo natural é abundante e apresenta baixo custo comparado a outros materiais utilizados na construção civil, porém também apresenta-se como um material complexo e variável para o emprego na engenharia. É comum que o solo de umalocalidade não preencha parcial ou totalmente as exigências doengenheiro construtor. Assim, torna-se necessário escolher entre aceitar o material tal como ele é e desenvolver o projeto de forma acontemplar as limitações que o solo impõe; remover o material e substituí-lo por outro de melhor qualidade; ou alterar as propriedades do solo existente de modo a criar um novomaterial capaz de adequarse de melhor forma as exigências doprojeto (PINHEIRO). Segundo Pinto (2008), a estabilização do solo compreende todos os processos naturais e artificiais que objetivam melhorar características como resistência, durabilidade, e outras, bem como garantir a manutenção destas melhorias no tempo de vida útil das obras de engenharia. As propriedades de um solo podem ser alteradas por métodos mecânicos,físicos e/ou químicos.O tipo de estabilização escolhida depende das propriedades no estado natural, propriedades desejadas para o solo estabilizado e dos efeitos no solo após a estabilização. Neste trabalho apenas a estabilização química e mecânica foram utilizadas. A estabilização química dos solos refere-se ao procedimento no qual uma quantidade de material químico qualquer (aditivo) é adicionada ao solo natural, para melhorar uma ou mais de suas propriedades de engenharia.Os estabilizantes utilizados podem serbetumes, cimento Portland, cal, pozolanas, e outros. O estabilizante químico mais utilizado é o cimento, sua ação no solo se dá precisamente da mesma maneira que no concreto. A reação com a água forma um gel coloidal cimentício insolúvel, capaz de dispersar-se e preencher os poros, endurecendo para formar uma matriz contínua de melhor resistência que envolve as partículas de solo ligando as juntas (COOK e SPENCE, 1983, apud PINTO, 2008). A estabilização química conduz a uma melhor resistência mecânica e menor permeabilidade, proporcionando uma maior durabilidade. 8 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil A estabilização mecânica é aquela que não seadicionam nenhum material estranho ao solo. Aumenta-se a densidade do solo, melhorando sua resistência mecânica e durabilidade. Envolve a redução de volume de vazios in situ do solo através da energia imposta; preenchimento de vazios reduzindo os poros e inibindo a percolação da água e a erosão provocada por ela, aumentando a durabilidade; aumento da compacidade, tendo-se o acréscimo da resistência mecânica; drenagem e mantendo o conteúdo de água constante, a mistura de tipos de solos diferentes.Em geral estas técnicas são combinadas com a compactação. O carregamento efetuado durante a compactação pode gerar uma estabilização mecânica de natureza dinâmica ou estática.Isto influencia na densidade seca e consequentemente no teor de umidade ótima. Neste trabalho, foi-se utilizada a estabilização mecânica de natureza estática. 6) Preocupação Ambiental Um dos assuntos mais discutidos entre os estudiosos referente a construção civil seria o impacto que ela causa ao nosso meio ambiente quando não bem planejada. Reduzir o impacto nas construções passa por dois fatores principais, a diminuição dos resíduos produzidos e do desperdício de materiais. As duas questões estão muito próximas e é isso que faz com que as soluções incluam, de uma forma ou de outra, o material utilizado. A utilização desenfreada dos recursos naturais, sem qualquer consciência das consequências que poderão surgir no futuro, é algo presente em nosso dia-a-dia. Uma ótima alternativa para continuar promovendo o crescimento sem que ocorra comprometimento dos nossos recursos é o desenvolvimento sustentável ou desenvolvimento com sustentabilidade. Segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento criada pelas Nações Unidas, desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, garantindo a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. O conceito de Desenvolvimento Sustentável é apresentado pela primeira vez na década de 80 pelo Relatório Brundtland, aos temas relacionados aos sistemas que envolvem a Construção Civil (CORRÊA, 2009). O setor da construção civil, responsável por 15 a 50% do consumo dos recursos naturais, é certamente o maior gerador de resíduos de toda a sociedade (USP, 2003). O significado de sustentabilidade na construção civil deve estar firme em todas as etapas do processo construtivo, assim como em casos de demolição. Os responsáveis devem estar cientes dos impactos ambientais que poderão gerar e desta forma devem tentar minimizá-los ao máximo possível dentro do empreendimento. 7) Revisão bibliográfica dos ensaios mecânicos do solo como material de construção. A curva granulométrica do solo é uma das ferramentas mais úteis para avaliar a adequação do material para construção de terra batida. Diferentes e por vezes contraditórias proporções de argila, silte, areia e cascalho são propostos para abalroado solos de terra. Walker a Jaquin (2012) investigaram a confiabilidade dos valores de referência atuais, através de testes de amostras de terra bateu desempenho comparativo. Dez lotes de solo artificial (cinco deles estabilizado com cimento e / ou cal) considerado adequado para a taipa de acordo com as diretrizes atuais foram testados em termos de resistência à compressão, retração e erosão. A 9 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil investigação mostra que, em conformidade com os critérios de distribuição de tamanho de partículas de solo não só significa, necessariamente, a adequação de um solo de terra batida. Com base nestes resultados, este trabalho propõe recomendações e critérios a serem implementadas na avaliação do solo para a terra batida. Hall e Djerbib (2003) apresentaram uma nova abordagem para a especificação e a criação de métodos para terra batida, através de um processo de mistura de material de pedreira graduada. Os métodos de solo são altamente consistentes e reprodutíveis, que permite o controle preciso dos parâmetros tais como a distribuição de tamanho de partículas. Uma nova técnica para a produção consistente de amostras de cubo de terra batida foi apresentado que satisfaz NZS4298: 1998, e está em bom acordo com o padrão estabelecido para a compactação Proctor. De acordo com o método proposto para a produção de amostras de terra, o nível de entrada de energia usado para a compactação pode ser variada, dependendo do tipo de solo. Para um dado esforço de compactação, a variação da densidade seca, devido ao tipo de solo não parece estar diretamente relacionada coma característica não-confinado a resistência à compressão das amostras de terra batida. Segundo Reddy e Gupta (2004) blocos de solo-cimento também conhecidos como blocos de terra comprimido ou de blocos de barro estabilizados são usados para carga de alvenaria rolamento. O trabalho centra-se no estudo de várias características dos blocos de solo-cimento utilizando solos muito arenosos através de uma investigação experimental. Características dos blocos de solo-cimento com três conteúdos de cimento diferentes (6%, 8% e 12%) foram analisados. O artigo relata resultados de influência do teor de cimento na resistência à compressão, resistência à tração, a taxa inicial de absorção (IRA), absorção de água, a taxa de absorção de água, porosidade e tamanho dos poros, as relações tensão-deformação e propriedades elásticas de blocos de solo-cimento. Os resultados indicam que não há aumento de 2,5 vezes na resistência para a duplicação do teor de cimento a partir de 6%. IRA diminui drasticamente com o aumento do teor de cimento do bloco. O conteúdo dos blocos de água saturada não é sensível ao teor de cimento, enquanto a taxa de absorção de humidade depende muito do teor de cimento. O tamanho dos poros diminui com o aumento do conteúdo de cimento de bloco, enquanto a porosidade de superfície é independente do teor de cimento. Solo-cimento bloco módulo varia entre 2000 e 6000MPa. Módulo de elasticidade aumenta em 2,5 vezes, quando o teor de cimento é aumentada de 6 a 8%, enquanto que o aumento no módulo é marginal quando o conteúdo de cimento vai de 8 a 12%. Jayasingh e Kamaladasa (2006) a fim de minimizar os impactos ambientais causados pela exploração excessiva dos recursos naturais para a produção de material de construção, a possibilidade de usar terra batida estabilizada com cimento para paredes estruturais foi avaliado. Uma vez que a carga vertical capacidade de carga depende principalmente da resistência à compressão, um estudo detalhado foi realizado para paredes de taipa construídas com três tipos de solo comumente disponíveis laterítico no Sri Lanka. Os resultados indicam a possibilidade de utilização de taipa por casas de um andar, que também pode ser estendido para sobrados. As características de deformação de carga foram usadas para determinar os coeficientes parciais de segurança adequados para o desenho estrutural. Ciancio e Gibbings (2011) realizaram uma pesquisa que tem como objetivo melhorar as técnicas insuficientes e inadequadas de controle de qualidade atualmente disponíveis de terra batida estabilizada com cimento em canteiros de obras. Para atingir este objetivo, a comparação entre a resistência à compressão de amostras cilíndricas tubulares e moldadas vêm sendo investigados experimentalmente. A fim de obter uma compreensão mais profunda das causas adicionais que influenciam a resistência das amostras de terra, as investigações sobre a finura da amostra, métodos de 10 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil tamanho, forma e nivelamento foram também realizados. Este estudo mostra que, em certos casos, o comportamento mecânico de concreto e cimento estabilizado taipa são semelhantes. Os resultados obtidos também indicam que a resistência das amostras tubulares é sempre menor do que a de espécimes moldados. De acordo com Reddy, Lal e Rao (2007) grandes números de edifícios de alvenaria com blocos de solo-cimento existem na Índia e em muitos outros países. O artigo trata de um estudo experimental sobre a influência da classificação do solo sobre as características dos blocos de solo-cimento e resistência ao cisalhamento-bond de solo-cimento bloco trigêmeos alvenaria. Influência do teor de argila do bloco de solo-cimento sobre as características de resistência, absorção e durabilidade e resistência de união interfacial argamassa-bloco foi examinado. Algumas das principais conclusões do estudo são: 1 - teor de argila ótima levando a força máxima variando de 14-16%; 2 - o teor de água saturada dos blocos aumenta com o aumento do teor de argila do bloco; 3 - taxa inicial de absorção diminui com o aumento do teor em argila do bloco; 4 - a perda de peso depois de ensaio ASTM zero fio é mínimo quando o teor de argila do bloco é de cerca de 16%, e 5 - teor de argila ideal para o mais alto módulo para os blocos e para maior resistência ao cisalhamento é de cerca de 16%. Bahr, Benazzoug e Kenai (2004) afirmam que construção em terra é comum no deserto e em áreas rurais devido à sua abundância e mão de obra barata, e poderia ser um material alternativo para a construção de habitação de baixo custo na Argélia. No entanto, a construção em terra sofre com rachaduras de encolhimento, baixa resistência e falta de durabilidade. Este artigo relata sobre a experiência argelina na construção de terra em habitação e dá uma avaliação extensiva de um estudo experimental para investigar um solo estabilizado através de meios mecânicos, tais como compactação e vibração e / ou estabilização química com cimento. O solo utilizado foi caracterizado pela sua curva granulométrica e composição química. Foiaplicada a compactação estática ou dinâmica por um método de queda de peso. Uma mistura de areia e cimento também foi julgado. O efeito de cada método de estabilização em retração, resistência à compressão, resistência à tracção e dividindo a resistência à água são resumidamente relatadas. Os resultados experimentais mostraram que o melhor método de estabilização do solo investigado, o que lhe dá uma boa resistência à compressão e uma melhor durabilidade a um custo razoável, pode ser uma combinação de uma compactação mecânica e estabilização química por cimento ou areia e cimento, até um determinado nível. Walker e Stace (1996) apresentam os resultados de uma investigação em curso sobre os efeitos das propriedades do solo e teor de cimento sobre as características físicas dos blocos de terra comprimido e argamassas de solo. Uma série de blocos de ensaio foram fabricados utilizando uma variedade de solos compostos, estabilizada com 5% e 10% de cimento, e compactado com uma prensa manual. Os resultados de resistência à compressão saturada, retração de secagem, durabilidade em molhagem / secagem e os testes de absorção de água são apresentados no artigo. Em conjunto com os ensaios de blocos, a funcionalidade e características de resistência à compressão adequada do solo:cimento e cimento:cal:areia também foram estudados. A consistência da argamassa foi avaliada por meio de testes de abatimento de cone e. Propriedades das argamassas de retenção de água também foram medidos. Para um dado esforço de compactação, a força, a retração por secagem e as características de durabilidade dos blocos de terra comprimido melhoraram com o aumento da redução do teor de cimento e argila. O slumptest provou o meio mais confiável de avaliação do solo: cimento de consistência de argamassa. Propriedades de retenção de água de solo: argamassas de cimento aparecem bem adequadas para as características de absorção de água de unidades típicas. Argamassas fortes foram intimamente relacionadoas com cimento e argila, como esperado, mas eram menos do que as forças unitárias médias. 11 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil Segundo Reddy e Kumar (2009) a taipa é uma alternativa eficiente e de baixa emissão de carbono para paredes de suporte de carga. Este trabalho pretende analisar a influência do teor de argila e teor de umidade sobre a resistência à compressão da taipa estabilizada com cimento através de investigações experimentais. A resistência à compressão de prismas de taipa foi monitorada tanto em condições seca e molhada (saturada). As principais conclusões deste estudo são as seguintes: (a) o teor de argila ótimo para a força de compressão máxima é de cerca de 16%, (b) a força de resistência à compressão da taipa estabilizada com cimento é sensível à umidade, no momento do ensaio, (c) na condição de saturado a resistência é menos da metade da resistência a seco e (d) a absorção de água (teor de água saturada) aumenta à medida que o teor de argila da mistura de solo aumenta e é na faixa de 12 a 16% para os prismas com 8% de cimento. METODOLOGIA EXPERIMENTAL 8) Primeira parte: preparação e ensaio dos corpos de prova 1.1) Materiais utilizados Os corpos de prova moldados para execução dos ensaios são compostos de solo e uma pequena adição de 6% de cimento. O solo é proveniente do distrito de Vila de Cava, no município de Nova Iguaçu - Rio de Janeiro, o mesmo utilizado em outros trabalhos executados no laboratório de engenharia civil da PUC-RJ. O cimento Portland composto com adição de filler CPII-32F, marca Mauá, vendido em estabelecimentos comerciais de materiais de construção foi utilizado como aglomerante na confecção dos espécimes. A água é proveniente da rede de abastecimento da cidade do Rio de Janeiro. 1.2) Características físicas As características físicas do solo foram obtidas através dos procedimentos descritos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). NBR 7181/1984 – Solo – Análise granulométrica; NBR 6459/1984 – Solo – Determinação do Limite de Liquidez; NBR 7180/1984 – Solo – Determinação do Limite de Plasticidade; NBR 6508/1984 – Solo – Determinação da massa específica aparente; NBR 7182/1986 – Solo – Ensaio de compactação. As normas brasileiras padronizadas utilizadas descrevem o passo à passo realizado nos ensaios de classificação do solo 1.3) Preparação e ensaio dos corpos de prova Moldagem Fez-se necessário a realização de um estudo com relação à curva de umidade ótima do solo para a determinação dos pontos que seriam usados na moldagem dos corpos de prova. Os pontos escolhidos, 5 no total, formavam 2 pares coma mesma massa específica seca aparente e umidades distintas e o outro era a umidade ótima e a massa específica aparente seca máxima da 12 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil curva. Para cada ponto foram realizados ensaios de compressão simples, compressão diametral, absorção por imersão e absorção por capilaridade (neste caso, só estaremos interessados nos ensaios de compressão). Além disso, para cada ensaio em cada ponto confeccionou-se 3 corpos de prova com o objetivo de estabelecer uma comparação na obtenção dos resultados. Os ensaios foram executados aos 7 dias e aos 35 dias. Utilizou-se moldes de uso comum para a moldagem de espécimenes de argamassa (50 x 100 mm). Figuras 6 e 7: equipamentos utilizados na confecção dos corpos de prova. O equipamento utilizado na moldagem foi uma máquina de ensaios, marca EMIC, com capacidade de carga de 30 kN. Ela foi programada para compactar o solo a uma velocidade de 65 mm/s. Após a compactação, eles são extraídos e levados à câmara climática com temperatura de 25°Ce umidade relativa de 57%, aproximadamente, permanecendo até o dia do ensaio. Figuras 8 e 9: Máquina de ensaio EMIC e corpos de prova na câmara climática. Ensaio de Compressão Simples Este ensaio consiste em comprimir axialmente o corpo de prova a uma velocidade constante (neste caso, 0,02 mm/s) e aumentando continuamente a força imposta a ele até que o mesmo chegue ao seu limite e ocorra sua ruptura (os corpos de prova tendem a romper de maneira a formar um cone). O espécimenes foram capeados com uma pasta feita com massa plástica, areia fina e aditivo para melhorar a superfície de contato com o êmbolo da máquina, garantindo uma melhor transmissão da força. 13 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil Figuras 10 e 11: Ensaio de compressão simples e amostra já deformada pelo ensaio. Ensaio de Compressão Diametral O ensaio de compressão diametral serve para determinar a resistência à tração do solo. Ele consiste em submeter o corpo de prova a uma linha de carga contínua longitudinalmente. Essa força imposta provoca tensões a amostra que resiste até uma força máxima onde então é dada a ruptura. O corpo de prova rompe com uma linha vertical, partindo o cilindro em duas metades. Isso caracteriza à boa execução do ensaio. A velocidade de ensaio utilizada durante a execução foi de 0,002 mm/s. Figuras 12 e 13: Ensaio de compressão diametral e amostra já rompida. RESULTADOS E DISCUSSÕES 1) Primeira parte 1.1) Características físicas Como já dito anteriormente, uma etapa bem importante da pesquisa foi a determinação dos pontos em que ocorreria a moldagem dos espécimenes. Para isso, vários pontos foram moldados até a obtenção daqueles que apresentaram as características desejadas. Abaixo encontra-se a curva de compactação do solo onde é possível visualizar os 5 pontos escolhidos para a confecção dos corpos de prova. Eles foram numerados de 1 à 5, da esquerda para a direita e em ordem crescente. Os pares 1 - 5 e 2 - 4 possuem a mesma massa específica seca aparente, 14 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil porém com umidades distintas de modo que um deles localize-se no ramo seco e o outro no ramo úmido. O ponto de número 3 é o ponto ótimo onde localiza-se a umidade ótima e a máxima massa específica aparente seca. Figura 14: Curva de compactação do solo. A tabela abaixo apresenta as características físicas do solo utilizado, onde: LL – Limite de Liquidez; LP – Limite de Plasticidade; IP – Índice de Plasticidade e; Gs – densidade relativa dos grãos. Figura 15: Características do solo. A análise granulométrica do solo foi realizada segundo a NBR 7181 e os dados obtidos geraram o seguinte gráfico: % QUE PASSA DA AMOSTRA TOTAL 120,00 100,00 80,00 60,00 40,00 20,00 0,00 0,001 0,010 0,100 1,000 DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS(MM) 10,000 Figura 16: Curva granulométrica do solo. 15 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil 1.2) Ensaio de Compressão Simples Analisando os dados obtidos nos ensaios de compressão simples pode-se notar que tanto aos 7 dias quanto aos 35 dias ocorreu um aumento progressivo da resistência a partir do primeiro ponto até o terceiro e, depois, nos pontos 4 e 5, a resistência cai com valores menores que os anteriores. O ramo seco, pontos 1 e 2, apresenta maior resistência mecânica que o ramo úmido, pontos 4 e 5. Já o ponto 3 que é o ponto ótimo, este apresenta a maior resistência em relação a todos os outros. 3 Compressão Simples - 7 dias Tensão(Mpa) 2,5 2 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5 1,5 1 0,5 2,7E-02 2,4E-02 2,0E-02 1,7E-02 1,3E-02 1,1E-02 9,3E-03 8,3E-03 7,4E-03 6,5E-03 5,8E-03 5,1E-03 4,2E-03 3,2E-03 2,4E-03 1,8E-03 1,3E-03 1,0E-03 6,7E-04 3,3E-04 0,0E+00 0 Deformação Figura 17: Gráfico tensão x deformação de cada ponto retirado do ensaio de compressão simples aos 7 dias. 4 Compressão Simples - 35 dias 3,5 3 Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5 2 1,5 1 0,5 2,2E-02 2,1E-02 1,7E-02 1,3E-02 1,1E-02 1,0E-02 9,2E-03 8,4E-03 7,8E-03 7,2E-03 6,8E-03 6,3E-03 5,8E-03 5,0E-03 3,7E-03 2,7E-03 2,0E-03 1,5E-03 1,1E-03 7,1E-04 3,6E-04 0 -0,5 0,0E+00 Tensão(Mpa) 2,5 Deformação Figura 18: Gráfico tensão x deformação de cada ponto retirado do ensaio de compressão simples aos 35 dias. 1.3) Ensaio de Compressão Diametral Já na compressão diametral, que representa o comportamento à tração do solo, os valores obtidos representam cerca de 6,5 à 12% em comparação com os resultados da compressão simples. Logo, a tração em relação à compressão em solos apresenta comportamento parecido com o concreto. No concreto a tração é cerca de 10 vezes menor que a compressão. No solo encontrou-se que a resistência à tração está entre 6,5 e 12% da resistência 16 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil à compressão. Notou-se que aos 7 dias ocorreu um aumento da resistência a partir do ponto 1 até o ponto 5. Já aos 35 dias, aconteceu o mesmo que em compressão simples: um aumento de 1 a 3 e um decréscimo em 4 e 5. O ramo seco também apresentou-se mais resistente que o ramo úmido, e o ponto ótimo foi o mais resistente de todos. 0,25 Compressão Diametral - 7 dias Tensão (Mpa) 0,2 0,15 0,1 0,05 0,0E+00 1,0E-03 2,0E-03 3,1E-03 4,4E-03 5,7E-03 7,0E-03 8,3E-03 9,6E-03 1,1E-02 1,2E-02 1,4E-02 1,5E-02 1,6E-02 1,7E-02 1,9E-02 2,0E-02 2,1E-02 2,3E-02 2,4E-02 2,5E-02 0 Deformação Figura 19: Gráfico tensão x deformação de cada ponto retirado do ensaio de compressão diametral aos 7 dias. 0,45 0,4 Compressão Diametral - 35 dias 0,35 0,3 Tensão(Mpa) 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0,0E+00 6,3E-04 1,3E-03 1,9E-03 2,5E-03 3,3E-03 4,1E-03 5,0E-03 5,8E-03 6,6E-03 7,3E-03 7,9E-03 8,7E-03 9,4E-03 1,0E-02 1,1E-02 1,2E-02 1,3E-02 1,4E-02 1,4E-02 1,5E-02 1,6E-02 1,7E-02 1,8E-02 1,8E-02 0 -0,05 Deformação Figura 20: Gráfico tensão x deformação de cada ponto retirado do ensaio de compressão diametral aos 35 dias. Os corpos de prova que tiveram um processo de cura maior, 35 dias, houve um ganho entre 40 e 70% a mais de resistência nos ensaios de compressão simples e diametral. Figura 21: Tensões Máximas obtidas em cada ponto pelos ensaios de compressão simples e diametral aos 7 e 35 dias. 17 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil 2) Segunda parte Nome Granulometria (%) Amostra argila silte 1 5 25 2 30 0 3 15 15 4 30 20 5 40 20 6 10 15 7 10 5 8 20 0 9 30 10 10 5 25 532 6 14 622 6 14 712 6 14 802 6 14 433 10 20 523 10 20 613 10 20 703 10 20 424 13 27 514 13 27 SCB1 9 17,7 SCB2 9 17,7 SCB3 9 17,7 areia pedreg. 50 20 50 20 50 20 40 10 20 20 50 25 40 45 60 20 20 40 50 20 50 30 60 20 70 10 80 0 40 30 50 20 60 10 70 0 40 20 50 10 73,3 73,3 73,3 - Cimento Limites % 5 4,5 4 4 4,5 6 8 12 LL % PI % 15,6 3,1 26,1 13,8 18 9,7 24,8 13,4 34,5 18,4 15,4 5,3 17,3 7,9 22,3 12,1 38,5 23,3 15,4 4 44,6 23,9 44,6 23,9 44,6 23,9 Sandy 8,4 59,4 32,2 6 - - Laterite 14,4 29,6 56 6 - - Clayey limest. 19 limest. 13 laterite 19 SCB41 SCB42 SCB43 19,1 30,4 50,5 6 - - Densid. Resist. à OMC seca Referência Comp. kg/m³ (Mpa) % 5,8 1971,76 0,3 8,3 1969,28 0,56 6,4 2005,35 0,34 7,4 1791,03 0,42 Walker e 9,6 1758,13 0,54 Jaquin, 5,6 1994,74 4,56 (2012) 5,4 2152,84 8,3 7,4 1939,57 3,88 9,4 1793,15 2,6 5,3 6022,42 5,87 7 à 9 2141,83 0,90 7 à 9 2141,83 0,98 7 à 9 2069,89 0,77 7 à 9 2015,68 1,10 Hall e 7 à 9 2160,87 1,40 Djerbib 7 à 9 2130,28 1,38 (2003) 7 à 9 2129,74 1,47 7 à 9 2066,14 1,16 7 à 9 2079,94 1,37 7 à 9 2098,03 1,08 10 1800 3,13 Reddy e Gupta 10 1800 5,63 (2004) 10 1800 7,19 9,5 à 11 2000 2,47 Jayasingh e 9,5 à Kamaladasa 11 2000 2,03 (2006) 9,5 à 11 2000 1,82 0 0 68 32 10 - - 9,15 2091 >5 0 0 76 24 10 - - 8,85 2091 >5 50 - 10 4 4 4 30,3 25,4 24,7 17 10,5 6,2 9,15 15,89 15,7 15,25 2091 1738 1749 1738 >5 5,3 8,33 5,56 0 0 50 21,7 17,7 60,6 16,3 15,4 68,3 10,9 13,1 76 Ciancio e Gibbings (2011) Reddy, Lal e Rao (2007) 18 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil SCB44 SCB81 SCB82 SCB83 SCB84 1 2 3 4 5 6 7 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 83,7 60,6 68,3 76 83,7 30,3 30,3 30,3 30,3 30,3 30,3 30,3 76,6 70,4 64,2 51,8 39,4 33,2 76,6 70,4 64,2 51,8 39,4 33,2 7,7 7,7 7,7 7,7 7,7 7,7 7,7 8,2 10,3 12,4 16,6 20,8 22,9 8,2 10,3 12,4 16,6 20,8 22,9 4 8 8 8 8 2 4 6 8 10 12 15 5 5 5 5 5 5 10 10 10 10 10 10 23,4 30,3 25,4 24,7 23,4 39 39 39 39 39 39 39 21,9 23,7 26,7 32,7 39,8 44,3 21,9 23,7 26,7 32,7 39,8 44,3 4,1 17 10,5 6,2 4,1 15 15 15 15 15 15 15 3,1 7,2 15,7 19,8 21,8 3,1 7,2 15,7 19,8 21,8 94,8 - 8 30 9 31,6 18,1 50,3 - 8 30 9 13,9 65,1 - 8 30 9 4 15,8 11,6 72,6 - 8 30 9 5 12,6 10,4 77 - 8 30 9 6 1 2 3 4 5 9 54,5 54,5 54,5 54,5 54,5 82,1 38,97 38,97 38,97 38,97 38,97 - 8 6 6 6 6 6 30 59 59 59 59 59 9 26,93 26,93 26,93 26,93 26,93 1 2 3 5,4 10,9 21,7 17,7 16,3 15,4 10,9 13,1 5,4 10,9 62 62 62 62 62 62 62 11,2 4 15,3 4 19,4 4 27,6 4 35,8 4 39,9 4 11,2 4 15,3 4 19,4 4 27,6 4 35,8 4 39,9 4 - 21 5,2 8,9 6,53 6,53 6,53 6,53 6,53 14,87 15,28 14,97 14,84 14,66 11 11 11 11 11 11 11 14,6 16,4 18,1 21,1 24,8 27,3 13,1 14,4 17,2 20,7 23,1 25,9 12 à 13 13 à 13 14 à 13 15 à 13 16 à 13 17 à 13 20 20,5 21,3 24 25,2 1749 1733 1749 1751 1737 1760 1760 1760 1760 1760 1760 1760 1733 1702 1659 1584 1503 1408 1775 1757 1671 1620 1520 1452 5 9,86 12,04 9,77 8,1 4,3 5,5 6,5 7,3 7,8 8 8,2 3,67 2,95 2,34 1,45 0,39 0,3 7,11 5,78 4,71 3,86 2,91 2,13 1800 - 1800 3,6 1800 3,4 1800 3,9 1800 2,8 1800 1640 1660 1720 1660 1640 2,5 2,94 3,38 3,28 2,92 2,89 Bahr, Benazzoug e Kenai (2004) Walker e Stace (1996) Reddy e Kumar (2009) Monique, 2013 19 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil CONCLUSÃO Foram cumpridas diferentes etapas durante esta pesquisa científica até que se obteve um resultado final de acordo com o que se esperava ou não. É muito gratificante confirmar as suposições iniciais, no entanto, quando os resultados esperados não são alcançados deve-se entender o motivo ou possível erro que levou a isto. Foi realizada uma extensa revisão bibliográfica que se iniciou durante a primeira parte da iniciação e deu continuidade nesta segunda etapa. Com isso pôde-se conhecer mais um pouco como é o comportamento do solo, para que serve, as mudanças que se pode fazer nele para melhorar sua estabilidade, e acima de tudo apresentá-lo como uma alternativa de material de construção sustentável para a construção civil. Posteriormente, o solo que seria utilizado passou por ensaios regulamentados pela ABNT para o conhecimento de suas características e propriedades. Feitas as análises necessárias, iniciou-se o estudo da curva de compactação do solo que daria origem aos pontos que seriam utilizados na confecção dos corpos de prova. Já com os pontos determinados partiuse para a etapa de moldagem dos espécimenes, com umidade e massa específica aparente seca conhecidos. Essas amostras foram levadas à câmara climática onde permaneceram por 7 ou 35 dias em processo de cura. Decorrido estes tempos foram realizados os ensaios de absorção por imersão e por capilaridade e os ensaios de compactação simples e diametral que deram origem aos resultados no qual seriam avaliados mais a frente. Os resultados demonstraram a influência do teor de umidade na resistência mecânica e durabilidade das matrizes de solo. Os dados confirmam um aumento da resistência à compressão simples e diametral dos corpos de prova compactados no ramo seco (ramo ascendente) da curva de compactação, em contrapartida, os especímenes compactados no ramo úmido (ramo descendente) apresentaram resultados de durabilidade superiores. Na umidade ótima ambos (resistência e durabilidade) são satisfeitos. Na segunda etapa da iniciação foi feita uma comparação entre diferentes artigos de autores conhecidos no campo de solo-cimento e os resultados obtidos durante os ensaios deste trabalho. Os resultados desta pesquisa preenchem uma lacuna existente no desenvolvimento de materiais e tecnologias não convencionais em que o material pesquisado é o solo para uso em construções com terra crua. 20 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Departamento de Engenharia Civil BIBLIOGRAFIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6459: Solo - determinação do limite de liquidez. Rio de Janeiro, 1984b. 6 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6508: grãos de solo que passam na peneira de 4,8 mm – determinação da massa específica. Rio de Janeiro, 1984d. 8 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7180: Solo - determinação do limite de plasticidade. Método de ensaio. Rio de Janeiro, 1984c. 3 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 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