Praça do Ferreira
Seu nome é referência ao Boticário Ferreira que em 1871, enquanto presidente da câmara municipal, fez
uma reforma na área e urbanizou o espaço. Desde 2001, após pesquisa popular, a praça do Ferreira foi
oficialmente declarada Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza pela lei municipal 8605 de 20 de dezembro
de 2001. Na praça do Ferreira, aglutinaram-se grandes empreendimentos e grandes eventos da sociedade e da
cultura fortalezense durante o final do século XIX até a metade do século XX quando a cidade passou por uma
expansão urbana e pela criação de outros pólos de desenvolvimento. Em 30 de janeiro de 1942 o Sol foi vaiado
por um grupo de pessoas na praça depois de 2 dias de tempo nublado e chuvas. O ano de 1942 foi de estiagem
no Ceará
História
Em 1839 era apenas um campo de areia com um grande poço no centro, alguns cajueiros, rodeada de
casebres, onde se destacava apenas os sobrados do comendador Machado, construído em 1825 e o do Pacheco,
de 1831, que depois foi sede da Municipalidade. O prédio do Ensino Mútuo ficava na esquina onde hoje fica a
Caixa Econômica Federal. Havia na praça o "beco do cotovelo", com casas em diagonal, que foi derrubado por
Antônio Rodrigues Ferreira, o boticário Ferreira que, em 1842 foi eleito presidente da Câmara Municipal e
como tal aumentou as ruas de Fortaleza, dando-lhes um traçado antes defeituoso. Acabou com o "beco do
cotovelo" criando a praça que em 1871 passou a denominar-se do Ferreira. Desde então a praça teve as
seguintes denominações: Feira-Nova, Pedro II, e da Municipalidade.
No dia 7 de setembro de 1902 houve sua primeira urbanização, pelo intendente Guilherme Rocha, com a
construção de um jardim em cujo centro ficava a Avenida que então passou a denominar-se Jardim 7 de
setembro, rodeada por colunas de concreto e grades de ferro, ocupando pequeno espaço em frente ao hoje cine
São Luiz. Foram construídos também cinco artísticos quiosques que abrigavam quatro cafés e um servia de
posto de fiscalização da Companhia de Luz. Ali existiam também os célebres frades de pedra, feitos de pedra de
lioz vinda de Portugal, com argolas, onde se amarravam os animais. Havia também, no centro do jardim, uma
caixa d’água e um cata vento, que puxava água para aguar os jardins. Em 1892 um dos cafés foi palco do
movimento literário “Padaria Espiritual”.
O prefeito Godofredo Maciel fez uma reforma em 1920 que retirou os quiosques, colocando mosaico em
toda a praça e também tapou o poço, fazendo vários jardins e colocando em seu centro um coreto sem coberta,
onde a banda da Polícia executava às quintas-feiras suas afamadas retretas. Em 1923 foi colocado outro coreto,
este coberto.
Em 1933 Raimundo Girão derrubou o coreto e levantou a Coluna da Hora em estilo “Art Dèco” de
cimento e pó de pedra”. Com os festejos pelo fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 a praça passou ser
considerada e batizada de “Coração da Cidade”. No dia 15 de novembro de 1949 o Abrigo Central foi
inaugurado, pelo prefeito Acrísio Moreira da Rocha. Concebido inicialmente como terminal de ônibus, fez parte
da história de Fortaleza. Poucas pessoas lembram de um centro comercial que funcionava, ininterruptamente, ao
norte da Praça do Ferreira da década de 1950, onde antes existia o prédio da Intendência Municipal, bem à
frente do prédio do hotel Savanah.
Durante o ano de 1966 o prefeito Murilo Borges, sem nenhuma consulta popular e sob a alegativa de que
o abrigo estava para ruir, iniciou uma reforma que derrubou a Coluna da Hora e o Abrigo Central. Em 1968
foram encontradas duas urnas no subsolo da praça, uma de 1936 contendo moedas, cartas e jornais de época. A
reforma terminou em 1969, deixando a praça totalmente diferente. Nessa época a praça teve instalações
subterrâneas e que abrigaram a Galeria Antônio Bandeira até sua última reforma.
Em 1991, o poço foi recuperado, quando da última reforma pela qual a Praça passou na gestão de Juraci
Magalhães. Descoberto o poço, ele foi mantido e novamente erguida a Coluna da Hora em estilo semelhante a
primeira com projeto contemporâneo dos arquitetos Fausto Nilo e Delberg Ponce de León, que tiveram a
sensibilidade para resgatar a beleza histórica da Praça do Ferreira, canto preferido do nosso afeto.
Quem é cidadão da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção tem clara identificação com a Praça do
Ferreira. Parafraseando Milton Nascimento, “quero a nossa cidade sempre ensolarada, os meninos e o povo no
poder, eu quero ver”. E o palco dessa festa de quem tem o coração civil só pode ser um: A Praça do Ferreira.
Bibliografia
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ESCÓSSIA, Fernando Melo de. Guia cultural: quatro vezes Fortaleza. Fortaleza: Edições Demócrito
Rocha, 2000.
GALENO, Alberto. A praça e o povo: homens e acontecimentos que fizeram a praça do Ferreira.
Fortaleza: Stylus comunicações, 1991.
PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Époque. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha;Multigraf
Editora, 1993.
SOUZA, Simone de; NEVES, Frederico de Castro (org.). Fortaleza: História e Cotidiano Comportamento. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002.
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