Chinelão
A história de um
dos monumentos
mais importantes
de Montes Claros
Formigão
reacende
paixão pelo
futebol
VIDE PÁGINAS
08 e 09
VIDE PÁG. 10
Opinião
Rio São Francisco vira
escoadouro de esgoto
e deixa saudades dos
velhos tempos.
Jornal laboratório do Curso
de Comunicação Social/
Jornalismo do Centro
Regional de Estudos em
Ciências Humanas
VIDE PÁG. 03
ANO V - Nº 33
MON T E S C LA R O S - MI NA S GE R AI S - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2007
O mercado
na pauta do
Jornalismo
6ª Semana da Comunicação, organizada pelos alunos
do Crecih/Soebras, traz a experiência de profissionais renomados,
com atuação em diversas áreas do jornalismo.
VIDE PÁGINAS 04 A 07
O repórter Caco
Barcellos, da Rede
Globo, foi uma das
atrações do evento
“Jornalista que
não lê terá
dificuldade pra
se estabelecer
no mercado,
pois ele não
perdoa”.
Maranhão
Viegas
“A audiência da Itatiaia é tão
grande que surpreende até
a gente que trabalha lá,
pois tem ouvintes de todas
as classes sociais”.
Mário Henrique
“...a dedicação
de cada um que
faz a diferença
no momento da
prova...”
Juliano Cangussu
“O jornalista
precisa se atualizar
para acompanhar
a evolução do
mercado, que está
em processo de
transição”.
Cassio Politi
“O jornalista não
é o porta-voz de
seu entrevistado,
que é apenas
uma fonte...”
Lucas Figueiredo
“Jornalista é um
trabalhador,
precisamos ter
um salário digno,
temos que
defender nossa
profissão”
Janaína da Mata
“É importante
tratar desses
temas nos
noticiários
porque a
informação é
uma forma de
pressão
social”.
Rachel
Costa
2
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
DIO NE AFO NSO
LUIZ CARLOS NUNES
DIO NE AFO NSO
Vide Verso fecha 2007
com balanço positivo
Este é o último Vide Verso de 2007
e não poderíamos encerrar o ano com
um resultado melhor. Apesar de terem
sido publicadas apenas quatro edições, cada uma delas significou um
avanço em relação à qualidade da
apuração, do texto e da diagramação.
Além disso, o jornal assumiu um novo
formato, passando do tablóide para
um padrão bem próximo ao Berliner,
mais conhecido como “midi”, que surgiu na Europa e vem conquistando a
preferência por lá.
Neste semestre, conseguimos ainda introduzir nas páginas do jornal o
gênero mais nobre do jornalismo, que
é a reportagem. Tudo isso é reflexo
do empenho dos estagiários em busca de fontes, e do trabalho de edição,
já que cada texto passou por várias
versões até atingir o que consideramos o ideal em relação à clareza, objetividade, fluência e humanização das
matérias.
Essa evolução do conteúdo do jornal é, também, fruto do trabalho multidisciplinar promovido em sala de
aula, associado à prática.
Nesta edição de fim de ano, o Vide
Verso traz uma cobertura da 6a Semana da Comunicação – principal evento do curso de Jornalismo do Crecih/
Soebras –, matérias de cultura e esporte, além de um número expressivo de textos opinativos – outro resultado de discussões realizadas em sala
de aula, que nos levam a refletir e valorizam qualquer publicação. Esperamos que todos apreciem a leitura e
que, no ano que vem, a gente continue nesse caminho de sucesso.
Um feliz Natal e um 2008 de muitas
realizações!
E X PE D I E N TE
O VIDE VERSO é o jornal laboratório do Centro Regional de Estudos em Ciências Humanas (CRECIH/
Funorte), da Associação Educativa do Brasil (SOEBRAS), com distribuição gratuita e edição mensal.
PRESIDENTE
Prof. Ruy Adriano Borges Muniz
DIRETORA ADM INISTRATIVA
Profª Tânia Raquel Queiroz Muniz
DIRETORA DO CENTRO REGIONAL DE
ESTUDOS EM CIÊNCIAS HUM ANAS - CRECIH
Profª Ana Cristina Couto Amorim
COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISM O
Prof. Elpídio Rocha
COLABORADORES
Ana Medeiros
Dione Afonso (cobertura fotográfica)
Érika Pereira
Hugo Leonardo (História)
Jarbas Oliveira
Maria Narciso
ESTAGIÁRIOS
Camila Guimarães
Élida Gonçalves
Hayslanne Oliveira
Jair Bastos
Samuel Fagundes
Marina Pereira
Thiago Leite
COORDENAÇÃO EDITORIAL E REVISÃO
Profª Ana Gabriela Ribeiro
REG. PROFISSIO NAL MG07113JP
Profª Juliana Paiva
REG. PROFISSIO NAL MG05985JP
EDITORAÇÃO
Cléber Caldeira e Jair Bastos
Tiragem: 500 exemplares
Impressão: Gráfica Uniset
CENTRO REGIONAL DE ESTUDOS EM CIÊNCIAS HUM ANAS
(CRECIH/SOEBRAS) - CURSO DE JORNALISM O
Rua Lírio Brant, 787 - Melo - Montes Claros - MG
Correio eletrônico:
[email protected]
vi deverso @tocadosfocas.com
FOTOS : DIONE A FONSO
PROFISSÃO: JORNALISTA
As lições que ficaram da
a
6 Semana da Comunicação
Ana Medeiros*
8º período - Jornalismo
Não foi fácil, aliás, pensei até em desistir. Um dia
cheguei na sala e disse para meu colega Luiz Carlos: “Não vai dar, estou jogando a toalha no chão”.
Mas ele não deixou, ainda bem. Agora que tudo
passou, e posso dizer sem medo de errar, o resultado da 6ª Semana da Comunicação compensou
todo o esforço, faria tudo de novo. Trabalhamos em
equipe, assim como deve ser o jornalismo, por isso,
o que no começo estava fora do lugar foi se encaixando. Como diria o Mário Henrique, da Itatiaia, “É
caixa”, marcamos um gol de letra. Pode haver quem
não concorde, e temos de respeitar a opinião das
pessoas, outra máxima do jornalismo – mais do que
isso, da vida. Uma das lições mais importantes que
cada palestrante nos deixou.
Não posso fazer a avaliação por todos, mas espero que cada estudante e até mesmo os profissionais que acompanharam tudo possam ter absorvido que realmente escolheram o caminho certo. Que
eles tenham a sensibilidade de entender que ser
jornalista, muito mais que ter uma profissão glamourosa, ser um rostinho bonito na tv ou um cara metido a intelectual, implica em um compromisso com
o outro, com princípios éticos e morais, que ajudam a defender o interesse da maioria.
Para ser jornalista é preciso muito mais que dedicação, persistência, acima de tudo, “o mercado
é repleto de dificuldades, no mercado só ficam os
que querem e acreditam nos seus sonhos”, como
declarou a diretora cultural do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Janaína da
Mata. Acreditar no sonho é o começo, mas para
que ele se concretize, e não seja uma realidade
evasiva, fútil, por mais inteligente que seja, um bom
repórter não se faz da noite para o dia.
A leitura é a principal ferramenta, “jornalista que
não lê vai ter dificuldade de entrar no mercado”,
assim disse o editor da TV Senado, Maranhão Viegas. E como vai ter dificuldade! Não só de entrar,
mas também de permanecer. O repórter do Estado
de Minas, Lucas Figueiredo, autor de “Morcegos
Negros”, “Ministério do Silêncio” e, recentemente,
“O Operador” – que conta a história do “valerioduto”, a máfia do mensalão –, viajou o mundo, e lê
um livro por dia. Não é à toa que já ganhou vários
prêmios de jornalismo.
Tão fundamental quanto a leitura é ter a certeza
de que o jornalismo, como ferramenta de uma imprensa considerada o quarto poder, não se faz para
defender interesses particulares, ou não deveria
fazer. Mas, sim, para ajudar a diminuir injustiças,
estar ao lado dos mais fracos, independentemente
da condição social, informar, denunciar, apontar culpados ou inocentes, como nos ensinou Caco Bar-
cellos: “Na formulação da pauta, temos que pensar
nas maiores injustiças que acontecem, jornalismo
deve ter contexto, pois, sem contexto, permite tudo”.
E é na rua, como o próprio Caco Barcellos disse,
que está a sabedoria e onde encontramos personagens e histórias de todos os tipos, que de uma
hora para outra podem virar notícia.
“A informação é uma forma de pressão social”,
completa o raciocínio a jornalista Rachel Costa, da
Rede ANDI Brasil, organização que faz pesquisas
sobre o impacto dos meios de comunicação na sociedade, especialmente na formação de educadores, crianças e adolescentes. E que responsabilidade temos! A informação tem de ser levada muito a
sério, por isso, quem realmente se interessa pela carreira, muito mais que um manual de redação, segue
as regras da integridade e da autenticidade, jornalista de verdade não se vende por preço nenhum.
Segundo o professor de Ética Jornalística do
Crecih, Juliano Cangussu, o jornalista é um profissional autônomo, deveria ter independência para
divulgar tudo que fosse de interesse público, o que
nem sempre acontece, por causa da pressão do
mercado, dos anunciantes, “Essa autonomia é importante, porque o jornalista vive de seus valores e
não de uma máquina de escrever”, afirmou o professor, em sua palestra.
Ser jornalista também exige desprendimento; levantar cedo, não ter hora pra chegar em casa. Às
vezes, aquele fim de semana planejado tem de esperar, ou se estamos no meio de um churrasco com
os amigos, um chamado de última hora, e a picanha fica pra próxima pauta. Agora não pense que
dá pra ficar rico, sinto muito em dizer. Bom, mas
também não se morre de fome. E se há prazer naquilo que se faz, dá pra ser feliz. Para o ombudsman do site Comunique-se, Cassio Politi, não há
dinheiro nenhum que pague a satisfação de fazer o
que nos realiza, e ele até sugere uma mudança no
significado da palavra trabalho. “Trabalho, em latim, significa sofrimento, dor; trabalhar deveria significar gostar do que se faz”, conclui Politi.
O compromisso do jornalista, antes de mais nada,
é com a informação, atitude que exige responsabilidade, maturidade, uma aliança com a verdade acima de tudo. Não dá pra ficar em cima do muro, o
caminho é um só, aquele que mostra o lado certo e
honesto do cidadão consciente; é preciso seriedade com a notícia e com a profissão. É é como diz a
Rachel Costa: “O jornalista tem que ter noção de
que sua função é mais do que publicar notícias, tem
que, acima de tudo, se preocupar com a profissão”.
* Ana Medeiros presidiu a comissão organizadora da 6ª Semana da Comunicação do Crecih, realizada de 27 de outubro a 5
de novembro deste ano.
Agora que tudo
passou, e
posso dizer
sem medo de
errar, o
resultado da 6ª
Semana da
Comunicação
compensou
todo o esforço,
faria tudo de
novo...
...Como diria o
Mário Henrique,
da Itatiaia, ‘É
caixa’,
marcamos um
gol de letra.
3
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
Aniversário
de três anos
Fezes envenenam o Velho Chico
RENATO LOPES
Jarbas Oliveira
3o período - Jornalismo
Mara Narciso
3o período - Jornalismo
Sem festa, sem bolo, sem velas, sem
nada. Mas com afeto gestado e amargado
na dor mais doída, mais dilacerante, mais
desumana. O sofrimento fez-se motivo, e
esse se metamorfoseou em carinho. A resposta de gratidão está nele, mesmo nas
circunstâncias mais improváveis.
O bolo de farinha de trigo, açúcar e manteiga é desnecessário, porque não há boca
para comê-lo. Apenas um “buraco” no estômago e uma sonda. Vela de parafina poderá haver sim, de muitas cores, comprimentos e espessuras. Mas não há esperança, não há luz, nem mesmo quando as
velas estão acesas. O seu frágil corpo parece encolhido e emaciado, inativo, jogado ao leito, de tão sofrido, esgotado e fatigado pelos rasgões a que foi submetido
nos três anos de tosse ininterrupta, com
seus rios caudalosos de eternas secreções
e assombros de falta de ar.
Os olhos opacos, senis e perdidos vêem
sem enxergar a vida: meu pai – com seus
76 anos – está na cama há três, e não tem
prazer algum. Nunca lhe ouvi sequer um
gemido, barulho ou expressão facial de desagrado, nem nas piores horas das cinco
cirurgias cerebrais às quais foi submetido.
Ao final de cada procedimento, vi as ataduras com o passar dos dias serem substituídas por novos cabelos grisalhos, lisos
e teimosos, e pelas seqüelas detestáveis,
que a cada episódio o deixam mais deformado e incapaz.
A realidade é dura, mas a sua faceta da
dependência e invalidez é desoladora.
A medicina não pensa em orgulhar-se
desses seus resultados que são, na verdade, fracassos retumbantes.
Surpreendentemente, meu pai tem a capacidade de demonstrar reconhecimento
com um olhar ou um gesto débil, feito com
a sua trôpega mão esquerda que busca a
minha; faz um arremedo de aperto ou tenta afagar meus cabelos. Enxergá-lo na sua
penitência terrena é sabê-lo com vida, porém, não consigo vê-lo viver.
O Rio São Francisco, também conhecido como
Velho Chico, antes da contaminação pelas
"algas azuis"
O leitor, com todo o direito, pode
até pensar que o título é sensacionalista e apelativo. Eu afirmo que é
apelativo, não no sentido pejorativo, mas, sim, de manifesto. Por isso,
desde já, peço que me desculpem,
mas, às vezes, torna-se necessário
utilizarmos palavras agressivas,
para despertar os comandantes.
Em conversa com o jornalista e
colega de sala, Luiz Ribeiro, ele entregou-me uma reportagem que fez
em parceria com a jornalista Cristiana Andrade, publicada no Caderno Gerais, do jornal “Estado de Minas”, intitulada “Alga contamina o
São Francisco”. Li e reli, até pensei
em não acreditar: “Luiz, achei a sua
reportagem apavorante. Mas, para
nossa desgraça, ela é real”, falei. É
a mais pura verdade.
O Velho Chico da escritora Glória Mameluque e de todos nós está
envenenado. O nome científico do
veneno (algas azuis) é “cianobactérias”. A origem: fezes belorizontinas e de outros 240 municípios situados na bacia mineira do Velho
Chico.
É, Velho Chico, jogaram tantas fezes no seu afluente, Rio das Velhas,
que ele se tornou o seu maior poluidor. Então, é ele o culpado? Não,
claro que não! O pobre coitado também é vítima, foi igualmente envenenado.
Lembra, Velho Chico, aqueles homens, sapecados pelo sol, que vivem canoando em suas águas, em
busca dos já escassos surubis e
dourados? Eles estão prestes a encerrar su as carreiras. Também,
quem vai querer peixe contaminado?
E tem mais, Velho Chico! Tem
gente que tomou banho em suas
barrancas, bebeu das suas águas
e comeu dos seus pescados e, agora, está com uma diarréia danada,
vomitando, coçando e doente da
cabeça. Pobres coitados também!
E nem têm como remediar.
É, Velho Chico, não faz dez dias,
viajávamos com destino a Uberaba
e, ao atravessar a ponte sobre você,
enchi o peito e, orgulhosamente, gritei para o meu neto, Luca Cauet, de
cinco anos: “Olha lá, ‘chico lé!’
[Esse é um dos apelidos carinhosos com que eu, avô, costumo chamar os meus netos.] Tá vendo esse
rio bonitão? Ele se chama São Francisco, nasce no nosso estado – Minas Gerais – e é um dos maiores
rios do nosso Brasil. Um dia, vou
trazer você para passear nele de vapor”.
Fiz uma promessa ao meu neto,
Velho Chico! Mas não sei se dou
conta de cumpri-la, principalmente
agora, que fiquei sabendo que estás envenenado.
Mas agüenta o tranco aí, Velho
Chico. Existe um tal de PAC Federal dizendo que vai investir bilhões
e bilhões em você. Querem até tirálo do seu leito maternal. A princípio,
sou contra, mas quem sabe assim
lhe sobra algum para fazer o seu tratamento. Já o Governo Estadual, Velho Chico, informou que a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil
(CEDEC) e outros órgãos estão de
prontidão para o caso de ocorrências emergenciais que suas águas
contaminadas possam causar.
Aí, eu pergunto, Velho Chico. Pergunto não, interrogo, gritando em
altos brados: “O seu caso, o do Rio
das Velhas, do Verde Grande e de
tantos outros rios não é emergencial? Não?”.
Acordem, comandantes! Acordem! E salvem os nossos rios enquanto ainda é tempo.
Aparência
MANOEL FREITAS
Samuel Fagundes
6o período - Jornalismo
http://www.jornalismopossilga.blogspot.com
A aparência pode fazer com que interpretemos mal ou até mesmo não gostemos de uma pessoa antes mesmo de conhecê-la. De uma maneira ou de outra, fomos condicionados, desde pequenos, a relacionar certas aparências a tais tipos de
pessoas. Seja por meio de desenhos animados, comerciais de televisão, novelas,
filmes ou revistas, sempre estão tentando
nos impor conceitos baseados na aparência e na estética. E é baseado nesses conceitos que a maioria das pessoas pré-julgam e tacham as outras, sem nem mesmo
terem conhecimento sobre um individuo
que, muitas vezes, é totalmente o oposto
do que sua aparência supostamente demonstra.
Muitas pessoas ficam com medo, olham
de maneira diferenciada ou até ridicularizam quando vêem alguém que não se enquadra nos padrões “aceitáveis” da nossa
sociedade, que, por sinal, tem tradição em
humilhar e agredir quem é “diferente”. É o
que acontece com aqueles que são cabeludos, tatuados, roqueiros, dentre tantos
outros tipos de pessoas que sofrem por
pensar, agir e se vestir de forma diferente
da maioria.
A aparência pode, de certo modo, valer
mais até do que o tão cobiçado dinheiro,
que move o mundo atual. Uma pessoa com
dinheiro e mal vestida é barrada em determinados locais. Já uma pessoa bem vestida, mesmo que não tenha um centavo no
bolso, com certeza, irá ser bem recebida
em qualquer lugar.
Nossa sociedade segue padrões e conceitos que pararam no tempo. Vivemos em
um mundo de aparências, onde a verdadeira face jamais é conhecida. A imposição desses padrões leva as pessoas a uma
interminável busca por uma falsa beleza e
gera preconceitos e discriminações.
Uma nova história já começou?
Hugo Leonardo
2º período - História
Montes Claros, em 3 de julho de 2007,
completou 150 anos de elevação à condição de cidade. Com essa data nascem
várias controvérsias. Em primeiro lugar,
a comemoração do aniversário, para alguns historiadores, deveria ser no dia 13
de outubro, data em que se instala a
primeira Câmera Municipal e o arraial é
elevado à categoria de vila, com o nome
de Formigas. Para outros, a data deveria ser em abril, quando completaria 300
anos de fundação da Fazenda Montes
Claros pelo aventureiro Antônio Gonçalves Figueira.
A cidade de Montes Claros, que fica
localizada na região Norte de Minas
Gerais, possui uma história bonita e culturalmente diversificada, contudo, neste ano em que completou 150 anos, o
município resolveu escrever uma nova
história: o que isso nos leva a pensar?
Qual seria essa nova história? O que
mudaria nessa nova história em relação
à velha?
São mistérios como esses que nos levam a refletir sobre o assunto, que é polêmico. Isso quer dizer que será um novo
tempo de mudanças para a cidade, melhorias? Na verdade, é isso que todos
nós esperamos.
Mas começar por onde? Uma frase
usada pela campanha publicitária da
prefeitura de Montes Claros diz que
“uma nova história já começou”. Essa
nova história não estaria apagando a memória viva que está presente em becos,
casas, casarões e ruas da cidade? Pois
há uma história e uma memória que
merecem ser preservadas e valorizadas.
O que mais me preocupa é que esses
slogans podem ser levados ao pé da
letra por muitos.
Apesar de termos certeza de que a
intenção do governo municipal é trazer
melhorias para acrescentar à história já
existente, não podemos nos esquecer
que essa nova história tem que manter
a velha, principalmente na conservação
do patrimônio histórico, da cultura, da
tradição e do folclore.
O que podemos fazer para também
participar dessa nova história? Devemos
participar diretamente como verdadeiros
cidadãos, exigindo mudanças e melhorias, reivindicar nossos direitos e não deixar de cumprir devidamente os nossos
deveres. Não podemos ficar sentados
vendo essa nova história sendo escrita
sem a nossa participação.
Essa nova história pode ser uma história de mudanças para pior – não podemos esquecer essa possibilidade.
Mas isso não seria apenas obra dos órgãos públicos; portanto, nós também temos o dever de trabalhar em prol dessa
mudança.
4
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
Informação e troca de experiências
A 6a Semana da Comunicação reuniu profissionais de diversas áreas
e trouxe o conhecimento da prática e do mercado para os futuros jornalistas
FOTOS : DIONE A FONSO
Marina Pereira
3° período - Jornalismo
A 6ª Semana da Comunicação,
realizada de 27 de outubro a 5 de
novembro, pelo curso de Jornalismo do Centro Regional de Ciências Humanas (Crecih) da Soebras,
teve como tema “Comunicação e
mercado: encarar e vencer desafios” e contou com um público de
148 pessoas, divididas entre acadêmicos dos cursos de Jornalismo, Letras e Publicidade, além de
profissionais da imprensa de Montes Claros e de cidades vizinhas.
A abertura foi no auditório Cândido Canela, do Centro Cultural
Hermes de Paula, onde o coordenador do curso de Jornalismo, Elpídio Rocha, explicou o objetivo e
a importância da Semana, como
uma forma de atualização dos conhecimentos. Segundo ele, é a informação que faz o diferencial do
profissional.
A primeira palestra, presidida
pelo jornalista Maranhão Viegas,
editor-chefe da TV Senado, foi a
respeito da TV pública. Ele falou
sobre sua experiência recente no
setor público e disse que a TV Senado realiza um trabalho rico por
lidar com coisas que não estão na
pauta dos meios privados, seguindo um regimento interno. Maranhão contou, para a surpresa da
platéia, que a TV Senado, apesar
de ser a única a ter imagens exclusivas da sessão secreta que julgou a cassação do presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDBAL), não pôde exibi-las por causa
das normas internas da emissora.
Maranhão também falou que o
melhor caminho para os jornalistas trabalharem numa TV pública
é através de concurso, mas que
para isso é preciso estar preparado, e ressaltou a importância da
leitura nessas horas: “Jornalista
que não lê terá dificuldade pra se
estabelecer no mercado, pois ele
não perdoa”.
A outra palestrante do primeiro
dia de evento foi a diretora cultural do Sindicato dos Jornalistas
Profissionais de Minas Gerais, Janaína Ferreira da Mata, que definiu o perfil do profissional: “Jornalista tem que ser pesquisador, ser
capaz de ligar temas e assuntos,
ser um contador de histórias, e
isso se consegue com muita persistência”. Segundo ela, a profissão foi regulamentada há 40 anos
e o mercado está cada dia mais
saturado, por isso, só permanecem nele os que querem e acreditam em seus sonhos.
Janaína informou que, atualmente, em Minas, há 41 cursos de
Jornalismo e, por ano, são “despejados” no mercado cerca de
4.000 profissionais, mas que no
Estado apenas 100.000 jornalistas
são sindicalizados. A representante do sindicato questionou muito
o comodismo de alguns jornalistas que não se mobilizam: “Jornalista é um trabalhador, precisamos
ter um salário digno, temos que
defender nossa profissão”. Sobre
o assunto, o repórter do jornal
“Hoje em Dia” em Montes Claros
e acadêmico do 3o período, Girleno Alencar, comentou que isso
acontece devido a um problema
de mentalidade que está presente
em todas as profissões.
Concursos públicos
Nos dias seguintes, as palestras
foram realizadas no auditório do
Raquel Costa - jornalista da Rede
Andi-Brasil e Oficina de Imagens
Caco Barcellos - repórter da Rede
Globo
Juliano Cangussu - professor de
Ética e Legislação do Crecih
Lucas citou também o processo que responde por danos morais, movido por um juiz de Alagoas, por causa de uma frase de seu
livro “Morcegos Negros” - resultado da investigação do jornalista
sobre o envolvimento do esquema
PC Farias com o crime organizado internacional. A frase diz o seguinte: “O juiz Alberto Jorge, que
só reclamava, resolveu tomar uma
atitude e solicitou à Secretaria de
Segurança que indicasse um novo
delegado para o caso”. O repórter
disse que trata o assunto com naturalidade e explicou: “O jornalista
não é o porta-voz de seu entrevistado, que é apenas uma fonte. E
quando você se envolve com coberturas delicadas, as pessoas se
sentem ofendidas”. No final da
palestra, ele deixou um conselho
para os estudantes: “Ler, ler e ler.
Essa é a regra para se tornar um
bom repórter”.
Nas ondas do rádio
Cassio Politi - ombusdsman do portal
Comunique-se
Mário Henrique - locutor esportivo
da Rádio Itatiaia
Lucas Figueiredo - repórter especial
do jornal Estado de Minas
Janaína da Mata - diretora cultural
do Sindicato dos Jornalistas de MG
Centro Regional de Odontologia
(CRO). O advogado e professor de
Ética e Legislação do curso de Jornalismo, Juliano Cangussu, iniciou
o segundo dia da Semana da Comunicação falando sobre um tema
que chamou a atenção dos participantes: o concurso público como
opção de atuação dos jornalistas.
Ele citou vantagens como a estabilidade no emprego, adquirida
após três anos de exercício, e a autonomia profissional. Juliano também passou orientações e dicas
de como estudar, mas deixou claro que é a dedicação de cada um
que faz a diferença no momento
da prova, uma vez que a concorrência é muito grande. No concurso do Ministério Público, por exemplo, foram 4.475 inscritos para cadastro de reserva.
A estudante Virgínia Miranda, do
curso de Publicidade das Faculdades Pitágoras, afirmou que a palestra foi bastante proveitosa, pois
ela pretende tentar concurso público e teve a oportunidade de se
atualizar.
Jornalistas e
assessores de
imprensa
No terceiro dia de palestra, o jornalista Cássio Politi, ombusdsman
do portal Comunique-se, falou sobre as perspectivas do mercado de
trabalho e sobre as diferenças entre a remuneração dos jornalistas
e dos assessores de imprensa. Ele
explicou alguns pontos revelados
por uma pesquisa feita em 2004
pelo portal, com profissionais de
todo o País. Segundo Politi, estados como Paraná, Rio Grande do
Sul e Santa Catarina oferecem os
piores salários, já a região Sudeste acompanha a média nacional, e
o Distrito Federal é o mercado que
melhor paga os jornalistas.
Outro dado interessante apresentado por Cássio Politi é que o
Maranhão Viegas - editor-chefe da
TV Senado
assessor de imprensa, em geral,
ganha mais do que o jornalista. Ele
afirmou que o mercado para assessores em Minas é o 4º maior
do Brasil. Também de acordo com
a pesquisa, o jornalista é, em geral, um profissional insatisfeito e
quer mudar de função. Já o assessor visa o reconhecimento profissional, do mercado: “O assessor
busca mudança para ter um salário melhor, pensando mais na carreira. Sua meta pode durar um ano
e a meta do jornalista, às vezes,
dura um dia, quando ele fecha a
matéria para o jornal”.
Atento à palestra, o estudante
Eurico Santos da Silva, do 6º período de Jornalismo, disse que pretende trabalhar com assessoria de
imprensa, e justifica: “Fiz estágio
na redação e achei horrível, por
isso pretendo atuar como assessor porque o salário é melhor e tem
horário fixo”.
Ao finalizar, Cássio Politi citou
um dado da pesquisa que ele considera alarmante: 88% dos jornalistas não falam uma segunda língua. E fez um alerta: “O jornalista
precisa se atualizar para acompanhar a evolução do mercado, que
está em processo de transição”.
Jornalismo
investigativo
O repórter especial do jornal Estado de Minas, Lucas Figueiredo,
foi o destaque do quarto dia de
evento. Ele falou sobre jornal impresso, internet, reportagem, jornalismo investigativo e livro-reportagem. Para ele, o jornal só não vai
acabar se fugir do factual, oferecendo aos leitores algo diferente,
investindo em grandes reportagens, pois a evolução da internet,
que é imbatível, está mudando o
modo de se consumir informação.
O quinto dia teve a presença de
dois profissionais que atuam em
Belo Horizonte: o jornalista Mário
Henrique, da Rádio Itatiaia; e Raquel Costa, integrante da Oficina
de Imagens e da Rede ANDI-Brasil (Agência de Notícias dos Direitos da Infância). Com o tema “A
criança e o adolescente na mídia”,
Raquel falou do trabalho da ANDI,
que tem o objetivo de disseminar
metodologias participativas de
educação, esclarecer os termos do
Estatuto da Criança e do Adolescente, além de orientar os jornalistas a cobrirem pautas relacionadas ao assunto.
Raquel apresentou, ainda, dados relacionados à realidade do
semi-árido brasileiro, região onde
95% dos municípios têm taxa de
mortalidade infantil superior à
média nacional. A jornalista afirmou: “É importante tratar desses
temas nos noticiários porque a informação é uma forma de pressão social”.
Em seguida, Mário Henrique Silva, jornalista e locutor esportivo da
Rádio Itatiaia, falou sobre a linguagem radiofônica, que, segundo ele,
é interessante por permitir que o
profissional use a criatividade. “Não
existe escola que ensina a narrar,
tudo é prática e persistência”, declarou. Para ele, o rádio ainda é um
meio de comunicação muito forte,
mesmo diante da TV, pois manteve
a tradição: “A audiência da Itatiaia
é tão grande que surpreende até a
gente que trabalha lá, pois tem ouvintes de todas as classes sociais”.
No final da palestra, Mário Henrique
atendeu a um pedido do público e
narrou vários gols, levando o auditório ao delírio.
“Profissão repórter”
A Semana da Comunicação encerrou com a presença do repórter
da Rede Globo Caco Barcellos, idealizador e responsável pelo programa “Profissão repórter”, exibido
como um quadro do Fantástico. Segundo ele, um projeto como esse
é um verdadeiro desafio porque é
preciso provar à emissora que o
programa se sustenta: “De imediato, o desafio foi maior por coordenar dois grupos de jornalistas inexperientes que estão iniciando”. O
repórter também falou sobre dois
de seus livros mais famosos: “Rota
66” e “Abusado”. Antes de responder às perguntas da platéia, Caco
Barcellos exibiu algumas de suas
reportagens especiais.
5
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
FOT O: D IONE AFONSO
FOT O: AR QUIVO PESS OAL
FOTO: MARINA PEREIRA
“A semana foi bem organizada,
mas faltou divulgação. As
palestras foram produtivas
porque tivemos grandes profissionais da área”.
“A semana foi muito organizada e o conteúdo
das palestras enriqueceu nossos conhecimentos, mas houve uma falha nossa com
relação às perguntas feitas aos palestrantes.
Deveríamos ter explorado mais.”
Deise Oliveira
Dione Afonso dos Anjos
6° período de Jornalismo
4° período de Jornalismo
Os bastidores do sucesso
FOTO: MARINA PEREIRA
Alunos de todos os períodos se envolveram com as atividades da Semana da Comunicação
Élida Gonçalves
3º período – Jornalismo
Quem vê o resultado final da 6ª Semana
da Comunicação pode não saber quanto
trabalho rendeu tudo isso, mas foi um trabalho que valeu a pena. A organização, que
ficou a cargo do 8º período do curso de
Jornalismo – como acontece desde a quarta edição do evento, em 2005 –, procurou
reunir professores e acadêmicos para que
houvesse uma troca de experiências entre
os mesmos. À frente de todo esse trabalho, esteve a aluna Ana Medeiros.
Acadêmicos do 7º período foram incumbidos de fazer o cerimonial do evento, como
avaliação exigida pela professora Sílvia Ramos para a disciplina ministrada por ela. As
equipes foram divididas para que o trabalho
fosse feito com cautela e nenhum detalhe
fosse esquecido. A professora Maria Eugênia Brasil foi a responsável por coordenar a
produção dos informativos, material que trazia um resumo das palestras e informava
sobre os palestrantes – uma atividade que
fez parte do evento pela primeira vez.
Os trabalhos realizados pelos alunos
dentro e fora da faculdade foram apresentados ao público e serviram como forma
de incentivo para os outros acadêmicos.
Foram exibidas videorreportagens e apresentado o projeto do UHU! Fanzine, uma
publicação independente dos alunos Emanuela Almeida, Carolina Marinho, Hayslanne Araújo, Pablo Diassi e Maíra Almeida.
Outra atração da semana foi a performance teatral apresentada pelos acadêmicos Pablo Caires, Onilda Santos, Janaína Gonçalves, Renata Martins e Diego Silva. Apesar de alunos dos diversos
períodos terem se envolvido com atividades da Semana da Comunicação, o
acadêmico Josimar Santa Rosa, do 7°,
considera que o trabalho ainda fica muito centralizado na turma que está concluindo o curso. Ele acha importante que
os estudantes dos períodos iniciais participem mais ativamente do evento para
conhecerem bem seu funcionamento e
não ficarem assustados com tanto trabalho quando chegar a sua vez de assumirem a organização.
Desafios
Organizar eventos pode ser também uma
aula de improviso. E, nesse caso, foi. O
maior dos desafios que a coordenação enfrentou foi a notícia inesperada do cancelamento da palestra do repórter Caco Barcellos, da Rede Globo, que participaria do segundo dia do evento. A notícia foi recebida
por e-mail, apenas três dias antes. O impacto foi grande: como explicar para os congressistas que a palestra mais esperada por
eles fora cancelada? Havia inscrições de
pessoas de vários cursos de graduação de
Montes Claros e outros interessados, inclusive alunos de outras faculdades, muitos
com o único intuito de prestigiar a palestra
do renomado repórter.
A primeira providência foi entrar em contato com ele, já que uma mensagem enviada por e-mail pode ser vista como fonte inverídica de informações. O contato foi feito, e a situação confirmada. Caco Barcellos gravou um pedido de desculpas que
foi exibido aos congressistas. A coordenação agiu rápido, remarcou a palestra para
o dia 5 de novembro, estendendo o prazo
previsto para o evento.
Era preciso um substituto para o jornalista, pois a palestra cancelada era justamente no segundo dia do evento, que não
poderia passar em branco. Juliano Cangussu, advogado e professor de Ética e Legislação do curso de Jornalismo do Crecih, foi
o escolhido para falar sobre “Os desafio dos
concursos públicos para jornalistas”.
Prévia do mercado
O coordenador do curso de Jornalismo, Elpídio Rocha, afirma que a Semana da Comunicação atualiza os conhecimentos dos acadêmicos, dos palestrantes e da comunidade em
geral. Além disso, mostra até que ponto os alunos são capazes de chegar e permite que eles
sintam que podem fazer algo concreto, aplicando o que aprendem na faculdade.
Toda a programação foi executada pelos
acadêmicos, antecipando situações que
certamente irão vivenciar no exercício da
profissão, o que os motiva para vencer as
dificuldades do ensino superior e aprimorar seus conhecimentos, tornando-os mais
preparados para o mercado de trabalho.
“A semana mostrou a
realidade da profissão e
acredito que quem tinha
alguma dúvida a respeito
do curso conseguiu sanála. Com relação à palestra
de Caco Barcellos, a
minha expectativa não foi
correspondida. Acho que
todos esperavam mais dele
e houve uma certa frustração. Mas vale registrar que
os acadêmicos levam um
pouco de culpa, uma vez
que a palestra é o momento para tirar ‘proveito’ do
profissional, e isso não
aconteceu porque perguntas que deveriam ser feitas
para enriquecer nosso
conhecimento foram
substituídas por questões
vagas.”
Adailza Rodrigues
3° período de Jornalismo
FOTO: MARINA PEREIRA
FOTO: MARINA PEREIRA
“A 6ª Semana da Comunicação
trouxe aos acadêmicos, professores
e visitantes debates sobre temas
atuais, despertando a importância da
comunicação na vida das pessoas.”
“Foi de extrema importância e pode ajudar aquelas
pessoas que ainda estavam indecisas sobre se é realmente esse o caminho que desejam seguir. Para mim,
acrescentou muito, mas no que se refere à conscientização dos desafios da profissão, apenas confirmou o que
já presencio há algum tempo.”
Ludmila Guimarães
2° período de Jornalismo
Aparecida Santana
3° período de Jornalismo
6
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
Será o fim do jornalismo impresso?
Discussão sobre o futuro da mídia impressa movimenta alunos e profissionais e aponta saídas, como o gênero investigativo
DIO NE AFO NSO
Hayslanne Oliveira
4º período - Jornalismo
O possível fim do jornal impresso é uma questão que há muito
se discute entre os profissionais
da comunicação. Alguns fatos reforçam essa idéia e ajudam a antecipar o futuro de muitos jornais,
como é o caso da internet, que
nos últimos anos vem crescendo
cada vez mais, apresentando a
notícia em tempo real, e a migração da publicidade para outros
meios que não sejam a televisão
e a mídia impressa. “A internet
veio para ficar e está mudando o
modo de transmitir informação, o
jornal impresso vai acabar. A internet é imbatível como suporte
de informação”, diz o premiado
repórter do jornal Estado de Minas, Lucas Figueiredo, um dos
palestrantes da 6a Semana da
Comunicação.
“As outras mídias não podem
concorrer com a internet porque
vão perder. O jornal tem que fugir
do factual, oferecer para o leitor
algo diferente, investindo em
grandes reportagens”, continua
Lucas. A opinião do repórter é
compartilhada pela jornalista Raquel Costa, da Rede Andi-Brasil
(Agência de Notícias dos Direitos
da Infância). Ela também acredita
que o fim do jornal impresso está
próximo: “Eu acho que ele corre
risco, porque as vendas caíram
muito. Ele é o veículo mais ameaçado pela internet”, comenta.
Muitos culpam a internet pelo
“empobrecimento” dos jornais
impressos, mas de acordo com o
jornalista Washington Novais, autor do livro “A quem pertence a
informação?”, o problema não é
o que está vinculado à imprensa
nem à instantaneidade da internet, mas sim, ao que ela omite.
Ele afirma que o comprometimento editorial e o ritmo compulsivo
das redações são as principais
causas dessas deficiências: “Muitos acontecimentos são tratados
de forma parcial, por meio de uma
angulação pré-estabelecida do
assunto. Não é novidade, por
exemplo, a posição contrária da
grande imprensa em relação aos
movimen tos sociais, como o
MST”, diz o jornalista. Sobre essa
deficiência, ainda em 1986, quando a internet ainda não era popularizada, o jornalista Cláudio Abramo (1923-1987) disse: “Tão perecível quanto o leite, assim é o jornal”, remetendo ao caráter instantâneo das edições diárias. Sobre
a parcialidade editorial, ele afirmou: “Em jornal impresso muitos
acontecimentos são relatados,
outros tantos, ignorados”.
Vilã ou não, o certo é que a internet tornou-se o maior obstáculo para o jornalismo impresso,
que agora tem que buscar caminhos para driblar esse fenômeno,
que a cada dia ganha mais adeptos. Uma saída apontada pelos
profissionais da área para a permanência e a credibilidade do
impresso seria o investimento em
grandes reportagens, e no chamado jornalismo investigativo.
Jornalismo
investigativo: uma
saída para o impresso
De acordo com site Wikipédia,
jornalismo investigativo é “o ter-
O repórter Lucas Figueiredo, que acaba de receber o Prêmio Esso de
Reportagem pelo trabalho investigativo "O livro secreto do Exército",
publicado no jornal Estado de Minas
mo que se dá àquela reportagem em que o repórter tenta
desvendar mistérios e fatos que
não chegam ao conhecimento
do público”. Para muitos jornalistas e pesquisadores da área,
é uma modalidade especializada de jornalismo, calçada em características específicas, e diferencia-se da rotina habitual das
redações por exigir uma investigação minuciosa dos fatos, busca por personagens, de possíveis ângulos e pontos de vista.
Na concepção do repórter Lucas Figueiredo, no entanto, o jornalismo investigativo nada mais é
do que o jornal, aqui tratado como
empresa, resolver investir tempo
e dinheiro em uma reportagem.
Para ele, todo jornalismo é, por
natureza, investigativo: “Não existe jornalismo investigativo, o que
existe é o investimento das empresas e a estrutura do repórter.
Esse termo ‘jornalismo investigativo’ é uma jogada de marketing”,
diz. Mas Lucas prevê que essa é
uma saída e, mais do que isso,
um diferencial que o jornalismo
impresso tem para sobreviver ao
crescimento da internet.
Já para o jornalista Aziz Filho,
editor da sucursal do Rio da Revista Istoé e apresentador do
programa “Movimento Urbano”,
do canal GNT (GLOBOSAT), é
injusto falar que não existe jornalismo investigativo. Segundo
ele, jornalista investigativo é sim
aquele que se preocupa em desvendar os mistérios por trás dos
fatos. “Alguns vêem como arrogância ou preconceito um jornalista se credenciar como investigativo. Outros dizem que jornalismo investigativo é expressão
redundante. Mas é apenas semântica. O bom senso indica
diferenças óbvias entre o jornalista que investiga e desvenda e
os que estão em outras funções
– não menos nobres, mas notadamente diferentes. É claro que
um profissional pode transitar
por todos esses papéis ao longo da carreira, mas é investigativo quando se dedica a abrir
informações desconh ecidas,
ocultas, perigosas ou fundamentais”, argumenta Aziz.
O certo é que o jornalismo investigativo é uma das soluções
que pode garantir a continuidade do jornal impresso. A grande
reportagem – aquela bem tratada, que desperta interesse nos
leitores - hoje pode ser o diferencial da mídia impressa para
driblar a concorrência, muitas
vez es desleal, da in ternet. E
mesmo sendo a salvação do jornal impresso, o jornalismo investigativo vem encontrando dificuldades econômicas, éticas e até,
por incrível que pareça, em relação à censura, que segundo
Aziz Filho, “voltou a dar as caras – não por parte da empresa
e, sim, por parte dos próprios
jornalistas”.
O repórter Lucas Figueiredo
concorda com a afirmação de
Aziz e completa: “A principal dificuldade é a falta de autonomia
da notícia diante do jogo de influência que seduz proprietários
e dirigentes dos veículos de comunicação. Isso é muito mais
comum do que poderia se esperar em um país com uma impren-
sa desenvolvida. Muitas vezes,
o jornalismo investigativo sucumbe aos interesses que corrompem a imprensa”. Ainda,
segundo Lucas: “O tesão que os
governos têm pelo obscurantismo ou pela língua burocrática,
que afasta o cidadão do espaço
público, também prejudica um
bocado o trabalho desses profissionais”.
Livros-reportagens:
mais autonomia para
os jornalistas
Por causa do comprometimento editorial de vários jornais,
muitos fatos são tratados de forma superficial. Mesmo as reportagens mais aprofundadas do
jornal diário também apresentam essas deficiências. O livroreportagem, por ser uma obra
do autor, tornou-se uma opção
para os jornalistas por poder
escapar desse comprometimento editorial, porque o livro baseia-se numa visão pessoal do
autor, que sempre busca uma
maior aproximação com o leitor.
O jornalista Lucas Figueiredo,
que após o término da sua reportagem sobre a morte de PC
Farias resolveu fazer um livro
contando todos os detalhes sobre a história, afirma que o livroreportagem é o grande suporte
para o jornalista. “O livro é muito importante porque você faz o
mais gostoso do jornalismo que
é contar histórias”, diz.
Para o jorn alista da R ede
Globo Caco Barcellos, a reportagem é um gênero do jornalismo que vai além das entrevistas e quase nunca do direito de opinião: “A reportagem
tem muitas forças. Dependendo do seu critério de apuração,
você sempre é surpreendido
com novidades”.
Reportagens de prateleira
Confira alguns títulos de livros-reportagens disponíveis na biblioteca do campus São Luís/Soebras
Morcegos Negros
Lucas Figueiredo
Editora: Record
Ano: 2000
Edição: 1
Número de páginas: 420
Lucas Figueiredo investiga a fundo o poder
no período Collor, mostrando como a máfia
italiana teve livre acesso a todos os seus meandros. Um livro atual e instigante, que procura a resposta para uma pergunta que até
hoje perdura: para onde foi o dinheiro do Esquema PC?
Hiroshima
John Hersey
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2002
Edição: 1
Número de páginas: 176
Grande reportagem sobre as conseqüências da
bomba atômica que devastou Hiroshima, a partir
da história de seis sobreviventes. O livro foi escrito um ano após a explosão e quarenta anos mais
tarde, quando o repórter volta à cidade para reencontrar seus personagens. Hiroshima é considerado um dos livros- reportagens mais importantes do século XX.
Chico Mendes - Crime e Castigo
Zuenir Ventura
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 248
No começo de 1989, o jornalista Zuenir Ventura foi enviado ao Acre para uma série de reportagens sobre a morte do seringueiro Chico Mendes, assassinado em dezembro de
1988. Os textos deram ao repórter o prêmio
Esso de Jornalismo. Zuenir voltou à região dois
anos mais tarde e, em outubro de 2003, completou a série de matérias sobre o líder que
chamou a atenção do mundo todo para a luta
contra a devastação da Amazônia.
Rota 66, a História da Polícia que Mata
Caco Barcellos
Editora: Globo
Ano: 2001
Edição: 35
Número de páginas: 274
O jornalista Caco Barcellos investigou durante cinco anos o esquadrão da morte que age na cidade de São Paulo. Ele mostra como é o sistema
de extermínio e seus métodos de atuação e como
o sistema incentiva esse tipo de ação.
7
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
Experiência profissional de Caco
Barcellos foi destaque no encerramento
da Semana da Comunicação
FOTOS : DIONE A FONSO
Caco Barcellos mostra aos congressistas um jornal com dados assustadores da v iolência de policiais contra jovens das favelas do Rio de Janeiro
Idealismo, medo e liberdade em pauta
Após sua palestra na Semana da Comunicação,
Caco Barcellos pôs-se à disposição para esclarecer dúvidas dos congressistas. Separamos aquelas questões
que julgamos mais interessantes e relevantes para os
leitores do Vide Verso.
Congressista: Como você
descreveria o jornalista profissional, como você descreveria o jornalista Caco Barcellos?
Caco Barcellos: Eu não sou
exatamente jornalista, eu sou
um repórter radical, eu acho
que hoje a profissão tem um
desenho heterogêneo, tem
muitos tipos de perfis diferentes. Há inclusive quem pratique política com o microfone,
com a câmera, com a caneta,
com o computador, então
acho difícil sintetizar uma profissão que está tão diferente.
Antes as pessoas usavam o
jornalismo como instrumento
para contar histórias, independente de sua ideologia. Meu perfil é esse,
de um repórter radical, que todos os
dias quer conhecer
pessoas n ov as,
contar histórias diferentes e para o
maior número de
pessoas possível.
C.: Se você tinha
a intenção de mudar
o mundo, até que ponto acha que conseguiu
contribuir para isso?
C.B.: É difícil avaliar o nosso
trabalho, é claro que se tem
algum valor esse valor é subjetivo. Não se percebe no cotidiano,
salvo raríssimas exceções, o poder de transformação do nosso
trabalho. Eu acredito que a gente
tem um papel social a cumprir,
estou sempre preocupado e pergunto a mim mesmo se estou fazendo algum tipo de contribuição
social. Gostaria de ter essa resposta que é muito complicada.
Com relação aos meus livros, eu
tinha uma esperança através deles, como o “Abusado”, que as
pessoas tentassem se informar
mais sobre a realidade que está
em volta desses traficantes de
drogas, e eu percebo que cada
vez mais as pessoas formadoras
de opinião se afastam mais dessa realidade. Eu trabalho há 33
anos e nunca
encontrei um
juiz nas favelas do Rio de
Janeiro, nunca
encontrei um
p ro mo to r
Jornalismo na prática: alunos fazem entrev ista coletiva com o repórter
Caco Barcellos
público, ou um investigador de
polícia, enfim, uma camada de
profissionais que tem obrigação
de freqüentar esses lugares. É
muito raro encontrar alguém trabalhando, ou tentando melhorar
a qualidade de vida nas favelas.
C.: Qual é o peso do medo para
o repórter Caco Barcellos?
C.B.: É fortíssimo! Eu acho importante termos consciência de que
não estamos livres de violência,
visto que moramos em um país
extremamente violento.(...) Eu
levo muito a sério o medo, de
maneira até subjetiva. Mas
tento me informar muito,
para contar a história sem
passar por riscos.
C.: As empresas de comunicação, hoje em dia,
se preo cupam muito
com a geração de lucros. Isso
leva à censura de algumas matérias, em função da influência
da área comercial sobre a jornalística. É possível pensar em
uma imprensa livre, em que o
jornalista não seja refém do
interesse econômico da empresa para a qual trabalha?
C.B.: Sim e não. Eu venho do
tempo da ditadura militar,
onde eram implantados censores dentro das redações.
Hoje a censura é maior, pois
está ligada ao fator econômico. A censura não se limita ao
patrão, mas ao colega que se
deixa levar pela situação e prefere estar bem com as outras
pessoas. É possível, sim, trabalhar com independência,
mas é preciso sentir o gostinho de brigar por ela, que, na
nossa sociedade, está cada
vez mais em falta. Liberdade
é do dono, independência a
gente tem que ter, se não tivermos, a gente morre enquanto profissional. Reportagem séria dá lucro indireto e
as pessoas se identificam, isso
gera audiência, que gera lucro, que gera dinheiro para a
empresa. É possível ganhar dinheiro sendo sério e gostando do país.
Camila Guimarães
2° período – Jornalismo
Thiago Leite
4° período – Jornalismo
É possível uma pessoa sair dos
bancos da faculdade de Jornalismo diretamente para um dos horários mais nobres da programação da maior emissora de TV do
Brasil? A experiência do programa “Profissão repórter” prova que
sim. E foi principalmente para falar a esse respeito que o jornalista da Rede Globo, Caco Barcellos, veio a Montes Claros, no último dia da 6ª Semana da Comunicação. “Embora acredite que a
experiência é fundamental, e respeite os profissionais que tiveram
uma longa trajetória, como eu,
para chegar numa emissora tão
importante, o caminho inverso
também é possível. É preciso ter
coragem e firmeza para vencer
desafios!”, diz o jornalista.
O quadro surgiu em 2006,
como um projeto-piloto do “Globo Repórter”. Um mês depois,
passou a ser apresentado aos
domingos durante o “Fantástico”;
agora, é exibido mensalmente
neste que é um dos programas
de maior audiência da emissora.
No “Profissão repórter”, Caco
Barcellos comanda uma equipe
de jovens jornalistas que vai às
ruas para mostrar diferentes ângulos do mesmo fato, da mesma
notícia. De acordo com Caco, é
um programa que visa fazer com
que o profissional passe por todas as fases: sugestão de pauta,
produção, reportagem de rua e
edição das matérias. A equipe de
rua é composta por seis repórteres, dois câmeras e o apresentador e repórter Caco Barcellos.
Além de esclarecer dúvidas a
respeito do funcionamento do
programa, o jornalista abordou,
durante a palestra, muitos outros
temas e passou aos participantes
do evento sua experiência de 20
anos de atuação na TV Globo,
passando pelo “Globo Repórter”
e “Jornal Nacional”.
U ma das presenç as mais
aguardadas durante a 6ª Semana da Comunicação, Caco Barcellos foi prestigiado por uma diversificada platéia. Eram acadêmicos
dos cursos de Jornalismo do Crecih/Soebras, Letras e Pedagogia
da Unimontes, Publicidade do Pitágoras, jornalistas, professores e
autoridades, que lotaram o auditório do Conselho Regional de
Odontologia, na noite de 5 de
novembro.
Para os acadêmicos de Jornalismo, no entanto, o encontro com
Caco Barcellos começou mais
cedo: à tarde, eles tiveram um
bate-papo com o repórter no campus São Luís da Soebras. Ele falou a respeito de suas grandes reportagens sobre injustiça social e
violência e dos polêmicos livros
de sua autoria: “Rota 66, a História da Polícia que Mata”, obra ganhadora de oito prêmios de direitos humanos e do prêmio Jabuti
de Literatura, e “Abusado, o Dono
do Morro Dona Marta”, também
vencedor do prêmio Jabuti de Literatura, como melhor obra de
não-ficção do ano de 2004.
8
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
DIO NE AFO NSO
STÉFANNIE LOPES
De volta ao estádio, a torcida apoiou o Funorte E. C. em todas as partidas
disputadas em Montes Claros
STÉFANNIE LOPES
Ditinho foi um dos destaques do "Formigão" na temporada 2007
Thiago Leite
4o período - Jornalismo
Vermelho, azul e branco, estas
são as cores do Funorte Esporte
Clube, time que chegou colorindo
Montes Claros, os torcedores, invadindo as conversas nas rodas de
amigos e resgatando as tradições
do futebol da cidade. Há seis anos,
Montes Claros ficou sem um representante profissional. Mas houve
um tempo em que os torcedores já
vibraram com vários times, hoje extintos, como o Cassimiro de Abreu,
o União São Pedro, o Ateneu e o
Montes Claros Futebol Clube.
O Ateneu foi campeão mineiro da
Terceira Divisão por duas vezes
(1996 e 1999); o Montes Claros Futebol Clube foi vice-campeão mineiro da Segunda Divisão (1996), vicecampeão mineiro da Terceira Divisão (1995), e chegou a disputar
duas partidas pelas quartas-de-final
do Campeonato Mineiro de 1997
com o Cruzeiro, mas perdeu ambas.
Uma por 2x1, no Estádio José Maria Melo, em Montes Claros, e a segunda por 2x0, no Mineirão. O time,
também conhecido como “Bicho”,
foi o último a representar a cidade.
Desde então, criou-se um tabu
quanto à dificuldade de se manter
uma equipe profissional em atividade. Devido à falta de estrutura financeira, um campo para treinar, planejamento e patrocinadores, e a
uma série de outros fatores, esses
times foram desativados e deixaram
apenas lembranças.
Mas em 04 de maio de 2007, os
apaixonados por futebol tiveram
uma boa notícia: o lançamento de
uma equipe profissional – o Funorte
Esporte Clube (FEC), apelidado pelos torcedores de “Formigão”. Finalmente, a cidade voltou a ter um
time de futebol na Segunda Divisão
do Campeonato Mineiro, disputando com outros 21 times de Minas
Gerais. Destes, três foram eliminados pelo Departamento de Futebol
da Federação Mineira de Futebol
(FMF), por irregularidades: o Minas
Esporte Clube (Boa Esperança), o
Clube Esportivo de Futebol (Passos)
Bandeirão da jovem torcida organizada do Formigão
Montes Claros
de chuteiras
A estréia do Funorte Futebol Clube na Segunda Divisão
do Mineiro reacende a paixão dos torcedores que ficaram
seis anos sem um representante nos gramados
e o Betim Futebol Clube (Betim).
Suporte técnico
e financeiro
A estréia do Funorte F. C. também
trouxe novidades em relação à estrutura de um time profissional de futebol. O clube nasceu de um projeto acadêmico e tem o apoio empresarial da Soebras/Funorte. Segundo o presidente de honra da instituição, Ruy Muniz, o Funorte contará
com um Centro de Treinamento
completo, com arquibancadas, iluminação, vestiários, que dentro de
um ano deve estar pronto para ser
usado. Enquanto isso, os treinos do
Formigão acontecem em locais diferentes, como os campos do Cassimiro, da Unimontes, do Pentáurea
e do Campus JK da Funorte.
Ruy Muniz fala ainda sobre a
parceria do Funorte com times de
Portugal, que prevê a venda e a
compra de jogadores entre os países. “Será um intercâmbio. Nós
vamos receber atletas europeus
para jogar aqui e os nossos atletas que se destacarem vão jogar
no campeonato português (Segunda Divisão). Os talentos serão comercializados e os lucros e resultados divididos em partes iguais
para Portugal e Brasil”, explica.
Essa nova proposta de trabalho
permitiu que o Funorte nascesse
com uma verdadeira estrutura de
um time de futebol profissional,
como comissão técnica, gerência
de futebol, administração e um técnico experiente – Paulo César Alencar. O treinador passou por vários
times como Montes Claros Futebol
Clube, Ateneu, Cassimiro, Alfenense (Alfenas) e Social (Coronel Fabriciano). Segundo ele, sua experiência ajuda no treinamento e também a aconselhar no gerenciamento administrativo do time.
De acordo com Paulo César, 60%
dos jogadores foram indicados por
ele e os outros 40% são jovens de
Montes Claros mesmo, escolhidos
para jogar no time da categoria de
base do Funorte, mas que treinam
junto com a equipe principal. “Hoje
eles estão no profissional porque a
categoria de juniores não tem competição nenhuma esse ano, então,
pra eles não ficarem parados, eles
estão trabalhando também no profissional”, diz P.C Alencar.
O técnico acredita na fusão da
juventude dos jogadores com os
mais experientes para formar uma
equipe competitiva, e frisa a importância do jogador de base para
manter o time sempre bem financeiramente, além de poder utilizar
esse jogador futuramente no time.
“O time profissional tem que fazer o jogador, botar o jogador na
vitrine e, logicamente, tem que
vender o jogador pra fazer o caixa e manter a equipe no profissional”, afirma.
Para o torcedor Diego Félix Guimarães, de 20 anos, os jogadores
de fora, contratados pelo time, atuaram bem nas partidas. Ele cita
como exemplos o atacante Ditinho,
o lateral direito Tiaguinho, o meia
Nando e o goleiro Everaldo. “Esses
jogadores entraram bem nas partidas, mostraram muita técnica e
raça para jogar no Funorte. O Ditinho com suas finalizações, Nando
com jogadas inteligentes pelo meio
do campo e o Tiaguinho com habilidade e marcação forte, além de
Everaldo, que fechou o gol do time.
Esses jogadores estão de parabéns!”, analisa.
Torcida tricolor: a força
jovem que vem das
arquibancadas
O primeiro encontro do Funorte
com a torcida foi no dia 15 de setembro, no estádio José Maria Melo
(Cassimiro). O time montesclarense venceu o Arsenal de Santa Luzia por 3x0. A partir daí, o “Formigão” gerou expectativa nos torcedores e, no segundo jogo em casa,
contra o Monlevade (João Monlevade), levou um público de mais de
dois mil pagantes ao campo do
Cassimiro, que tem capacidade
para cinco mil pessoas, com toda
a festa e a euforia da torcida organizada – Torcida Jovem Tricolor
(TJT). E para animar ainda mais, o
“Formigão” contou também com o
apoio da charanga.
Foram dois meses em que os
torcedores tiveram a oportunidade
de conhecer o time e até de arriscar palpites na escalação. “A torcida estava nota 10, tinha até torcida organizada, com uniformes personalizados do Funorte. Eles ficavam atrás do gol, animando os jogadores e os outros torcedores
que lotaram o estádio do Cassimiro”, conta Diego Félix.
9
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
O presidente da Torcida Jovem
Tricolor, Peterson Diego Lopes
Nery, de 23 anos, conhecido
como Pyter, diz que a TJF surgiu
com a paixão e a força de torcidas veteranas. “A camisa nós conseguimos com o apoio de Cristiano Junior, que é diretor financeiro do Funorte. Agora, nós temos
uma faixa de 25 metros, onde está
escrito Jovem Tricolor, que não
teve patrocínio nenhum, a gente
tirou do próprio bolso. Já para o
ano que vem, nós estamos querendo fazer uma faixa de 50 metros escrito: Torcida Jovem Tricolor”, conta com empolgação.
Pyter e os cinco diretores da
torcida acompanharam todos os
jogos do “Formigão” no estádio
do Cassimiro e ainda viajaram
para assistir a outros jogos fora
de casa: “Aqui dentro fomos a
todos os jogos, fazendo chuva
ou sol, e viajei com alguns companheiros da diretoria acompanhar a partida entre Funorte e
Ideal, sempre com o apoio da
Força Jovem do Formiga (torcida organizada do Formiga Esporte Clube, da cidade de Formiga-MG), da Pantera Cor de
Raça (do Democrata E.C, de Governador Valadares-MG) e da
Guaracolo, (do Guarani E.C, de
Divinópolis-MG), que são torcidas que se uniram à nossa, e vieram em alguns jogos apoiar o
Funorte junto com a TJT “.
Campanha marcada
por altos e baixos
A primeira campanha do Funorte no futebol profissional começou bem. O time chegou a ser
o líder da competição, mas foi perdendo posições: foram duas vitórias, cinco empates e uma derrota – resultados que deixaram a
equipe de Montes Claros em sexto lugar, com 11 pontos, e fora da
semifinal (já que apenas os cinco
primeiros de cada grupo se classificam). Na segunda fase, as
equipes jogam novamente entre
si em turno único, mantida a regionalização vigente na primeira
fase. Classificam-se os três primeiros colocados de cada grupo
para o Módulo II de 2008, e os
campeões de cada grupo fazem
a final do campeonato em jogo
único na casa da equipe de melhor campanha
Na opinião do radialista esportivo, Nairlan Clayton, da Rádio Expressão FM, a equipe não conseguiu a classificação devido a algumas falhas: “O time não teve resposta na frente, embora tivemos
aqui um excepcional jogador, que
foi o Ditinho, mas que estava jogando sozinho no ataque, e isso
dificultou, porque vários jogadores
que tinham a oportunidade de fazer os gols não fizeram. O Funorte empatou demais, não venceu
as partidas que deveria vencer e,
em algumas situações, foi apático, não correspondeu àquilo que
o técnico esperava deles. Se reparar bem, o time não tomou um
número expressivo de gols, tinha
uma boa defesa, um meio de campo que trabalhava a bola, mas um
ataque incompleto”.
Para Nairlan, faltou ao “Formigão” jogadores decisivos: “O Funorte é um ótimo time em nível
de Campeonato Mineiro da Segunda Divisão. É um bom time,
TIC YANA FONS ECA
se analisarmos as questões de
salário e de estrutura, mas na
questão de nível dos jogadores,
a gente percebe que são de nível
médio, mas que podem vir a se
aprimorar”.
O torcedor Diego Félix também lamenta a desclassificação:
“Não achei bom. Apesar do time
ser novo, tinha cinco vagas para
a classificação, e um time que representa Montes Claros, uma cidade deste porte, tem que pensar grande e não se contentar
com um sexto lugar na Segunda
Divisão do Mineiro”.
Destaques de 2007 e
preparação para 2008
Para a estréia na Segunda Divisão do Mineiro de 2007, a diretoria do Funorte contratou jogadores experientes, como o meia
Rafael Rincón – atleta que passou pelas categorias de base do
Cruzeiro, também defendeu o
Santos sob o comando do técnico Wanderley Luxemburgo, passou pelo XV de Piracicaba, Paysandu, América/MG, Vila Nova
de Goiás, Náutico e, por último,
pelo Anapolina/GO. A equipe
conta ainda com o goleiro montesclarense Everaldo, um dos
mais experientes do time, que já
defendeu as cores do Ateneu e
do Montes Claros F.C. Outro jogador que caiu nas graças da
torcida foi o atacante Ditinho, que
nasceu em São José dos Campos-SP, e jogou na URT de Patos de Minas. Ele mostrou muita
determinação nas partidas, com
dribles desconcertantes, muita
raça e, ainda, foi o artilheiro do
time, com sete gols (três a menos que o artilheiro da competição, o jogador Renato, do Tupynambás F.C, de Juiz de Fora). Em
oito jogos, Ditinho fez uma média de 0,83 gol por jogo, quase
um por partida.
Na avali ação de Nairlan
Clayton, além do atacante Ditinho
(quase uma unanimidade entre
torcedores e especialistas), o time
teve como destaques o meiocampista Robert Fernandes (chamado de “Guerreiro”), o zagueiro Silmar, o lateral direito Tiaguinho e o atacante Thiago “Pitbul”.
Segundo o radialista, para
2008, o Funorte precisa contratar mais jogadores eficientes,
sem que seja necessário investir
caro naqueles de renome. Para
ele, o time deve investir em atletas de qualidade, que resolvam
o problema. “Se é jogador famoso ou não, se é jogador que vai
ser feito na base, se é jogador
aqui do Norte de Minas não interessa, o importante é ter jogadores com presença de área para
fazer os gols que o time precisa”, afirma Nairlan.
Sobre a próxima temporada,
Pyter, presidente da Torcida Jovem Tricolor, manda um recado
para os montesclarenses: “Ano
que vem a torcida vai estar com
várias novidades, assim como o
time também, com novos reforços. Então, espero que o pessoal compareça no campo pra incentivar o time do Funorte e não
ficar sentado, porque a gente
não tá indo pra teatro. Em 2008,
com toda certeza, o Funorte vai
subir e a torcida vai estar presente fazendo a parte dela”.
Alunos de Jornalismo conheceram os estúdios do MGTV, na Globo Minas...
Estudantes de Jornalismo
fazem visita técnica a veículos
de comunicação em BH
Acadêmicos do curso também participaram do Intercom – principal congresso de ciências
da comunicação do Brasil – e do encontro de jornalistas de assessorias de comunicação
Élida Gonçalves
3º período – Jornalismo
Sempre nos programas de rádio ou TV são anunciadas pessoas conhecidas e importantes. Foi
assim que os acadêmicos do curso de Comunicação Social - Jornalismo do Crecih/Soebras se
sentiram ao serem anunciados,
ao vivo, em dois programas de
uma das maiores redes de rádio
do Brasil, a Rede Itatiaia, em Belo
Horizonte. Participar dos programas das rádios Itatiaia e Extra,
bem como conhecer os estúdios
e toda a estrutura das emissoras,
foi motivo de muita emoção para
os 15 estudantes que estiveram
em visita técnica a órgãos de comunicação de Belo Horizonte, no
final de setembro último. A visita
foi coordenada pelas professoras
Tatiana Murta e Nádia Carla.
Além da Rede Itatiaia, os alunos visitaram a Rede Globo Minas, o Sistema Estadual de Meio
Ambiente (Sisema), as Faculdades Promove e o Museu das Telecomunicações. Segundo a acadêmica Ticyana Fonseca, do 6º
período, conhecer o funcionamento da assessoria de comunicação do Sisema foi um dos pontos mais produtivos da viagem.
Trata-se de um sistema que engloba quatro órgãos ambientais
– Secretaria do Estado de Meio
Ambiente, Instituto Estadual de
Florestas, Fundação Estadual de
Meio Ambiente e Instituto Mineiro
de Gestão das Águas –, cuja assessoria conta com 11 jornalistas,
quatro relações públicas e dois
TIC YANA FONS ECA
...em Belo Horizonte, eles também v isitaram a Assembléia Legislativa.
publicitários. Eles são responsáveis pelas áreas de comunicação
interna, atendimento à imprensa,
publicidade e eventos.
Intercom 2007
Outra viagem feita pelos alunos
do curso de Jornalismo do Crecih foi com destino a Santos (SP),
onde eles participaram do 30º
Congresso Brasil de Ciências da
Comunicação (Intercom), entre 29
de agosto e 2 de setembro. Onze
acadêmicos e o coordenador do
curso, Elpídio Rocha, estiveram
no evento, que teve como tema
“Mercado e Comunicação na Sociedade Digital”. A proposta do
Intercom 2007 era desafiar a comunidade acadêmica a pensar e
pesquisar o que vem a ser o impacto das indústrias digitais nos
processos de mediação simbólica. Um evento feito para os acadêmicos e profissionais, que moveu pessoas de todo o Brasil, oferecendo muita informação e interatividade.
Segundo a aluna Emanuela
Almeida, do 4º período de Jornalismo, entre as discussões, a
que chamou mais sua atenção
foi a respeito da utilização da Internet nas faculdades, onde, geralmente, os sites de relacionamento e blogs são bloqueados,
sob a alegação de não terem
conteúdo para pesquisa. A aluna rebate esse argumento, dizendo que para produzir o fanzine “UHU!” – que ela edita com
colegas da faculdade – recorre
aos blogs como a melhor fonte
de pesquisa.
Encontro em
Diamantina
Acadêmicos e professoras no estúdio da TV Assembléia. Ao centro, a
apresentadora Ana Paula Ceribelli.
Acadêmicos de Jornalismo,
acompanhados pelo coordenador do curso, Elpídio Rocha, também participaram, de 5 a 7 de outubro, do Encontro Estadual dos
Jornalistas em Assessorias de
Comunicação, o Enjac Minas
2007. O evento, realizado pelo
Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, aconteceu em Diamantina, e discutiu os
“Desafios da Comunicação para
a Cidadania”.
10
NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2007
A história por trás do Chinelão
O monumento criado pelo artista Konstantin Christoff é um símbolo da cultura norte-mineira
e guarda um passado ainda desconhecido pela população de Montes Claros
FOTOS: ÉRIKA PEREIRA
Érika Pereira
6o período - Jornalismo
Montes Claros, também conhecida como Princesinha do Norte,
é uma cidade cheia de encantos,
que conserva um ar interiorano, e
nos remete ao passado. Porém,
não é só esse ar que nos traz lembranças, a cidade possui monumentos que conseguem representar fielmente o povo de outrora,
como é o caso do Chinelão – escultura localizada na praça próxima ao aeroporto, na avenida Magalhães Pinto, no bairro Jaraguá.
O primeiro Chinelão foi feito na
década de 1960, pelo artista plástico Konstantin Christoff, em homenagem aos tropeiros que passavam e que moravam na região.
Tropeiros eram aqueles homens
que conduziam comitivas de cavalos entre os pólos consumidores e as localidades de produção.
Em Montes Claros, a tradição de
tropeiros era tão intensa que se
fez necessária a construção do
Mercado Municipal, logo eleito
como o ponto de encontro desses viajantes. O prédio foi feito em
Konstantin Christoff: autor da
escultura, que mescla simplicidade
e ousadia
Segunda versão do Chinelão: homenagem aos tropeiros, que chama a atenção
de quem passa pela praça próxima ao aeroporto
3 de setembro de 1899 e era localizado onde hoje funciona o
Shopping Popular. Os tropeiros vinham das mais distintas regiões
de Minas Gerais e, apesar disso,
possuíam uma característica em
comum: usavam precatas, chinelos de couro bastante simples.
Pensando nisso, Konstantin planejou a obra do Chinelão, que representaria, de forma plena, o ho-
mem sertanejo, como afirma Igor
Cristoff, filho do artista plástico:
“Em 1960 a cidade tinha muitas
características rurais e a tradição
dos tropeiros. Então, meu pai viu
na precata uma forma de homenagear a população de Montes
Claros, por isso resolveu fazer tal
obra”. E acrescenta: “Ele foi
muito bem feito, ficava suspenso por três pedras”.
Samuel Fagundes
Na medicina, “vômer” é o
nome dado a um dos ossos ímpares do crânio. Já em Montes Claros, Vomer significa som
muito pesado e de ótima qualidade. Com mais de dez anos
de estrada e várias formações,
o Vomer vem conquistando
cada vez mais fãs do trash
metal do Norte de Minas e também do Brasil. Aproveitando
essa crescente do rock na cidade, a banda lança seu primeiro cd, “Lord of Hell”.
O show de lançamento, realizado em 14 de novembro
último, levou cerca de 350 pessoas ao ginásio Darcy Ribeiro
(Praça de Esportes), em Montes Claros, onde ouviram dez
músicas próprias do grupo e
quatro de bandas conhecidas.
O evento foi promovido pelo
Coletivo Retomada, organização formada por músicos e
artistas independentes, com o
apoio da Secretaria Municipal
de Cultura, e chamou a atenção pela organização. Além de
profissionais contratados, a
guarda municipal também ajudou na segurança do show,
que não teve qualquer tumulto ou briga. Tudo prosseguiu
com tranqüilidade, se é que se
pode ter tranqüilidade num
show de trash metal. “O show
estava seguro e bem organizado, o som da banda está cada
vez melhor”, comenta a estudante Sara Pinheiro.
Segundo os integrantes do
Vomer, parte do dinheiro para
a gravação e realização do
O segundo Chinelão
Em 1994, um outro monumento foi construído, projetado e executado no mesmo local, também
por Konstantin Christoff, com a
ajuda de outros profissionais. Antônio Carlos Maia, engenheiro civil, foi um dos que ajudou na
construção da nova escultura.
Orgulhoso, ele fala um pouco des-
Rock
PESADO
Show da banda Vomer
prova que Montes Claros tem
público para o estilo
6o período - Jornalismo
Com o passar do tempo, a escultura ficou desgastada, foi alvo de
vândalos. Do primeiro Chinelão, foram arrancadas as correias e, com
elas, uma parte da história.
Mais de 300 pessoas foram à
Praça de Esportes assistir ao lançamento
do primeiro cd do grupo
FÁBIO & FARLEY
O trash metal do Vomer “estremece” as estruturas da Praça de Esportes e agrada os fãs
O Coletivo Retomada é uma organização formada por produtores, artistas, músicos independentes, empresas e instituições voluntárias, que visam ao desenvolvimento da produção cultural independente de Montes Claros e região. Num
primeiro momento, os trabalhos desenvolvidos pelo Coletivo
Retomada atingem atividades ligadas à música, como a prestação de serviço em shows e espetáculos. Mas o projeto pretende abranger outros setores da produção cultural como as
artes plásticas, teatro e cinema.
Outras informações sobre a organização, você encontra no site:
www.coletivoretomada.blogspot.com
show de lançamento do cd veio
de outros shows realizados nos
últimos dois anos e outra parte
saiu do próprio bolso deles.
Persistência
recompensada
A banda mantém a mesma for-
sa experiência: “Foi um prazer
imenso trabalhar com o Cristoff na
escultura, principalmente porque
ela representa o povo sertanejo,
isso é importante”. O engenheiro
conta um fato interessante que
presenciou ao término da obra:
“Quando o Chinelão ficou pronto, o Konstantin veio com a enxada e fez um pequeno estrago no
monumento. Perguntei a ele o
porquê daquela ação, aí ele me
explicou que sertanejo não pisa
certo na sandália, sempre fica um
lado mais desgastado que o outro”. Esse segundo Chinelão, estrutura que permanece até hoje,
é de concreto e tem cerca de oito
metros de comprimento por três
metros de largura.
A escultura encanta quem cruza a praça ou mora no Jaraguá,
como é o caso da dona de casa
Ivani de Almeida, que, apesar
de ser moradora do bairro há 14
anos, desconhecia a história do
Chinelão. “Não sei o que essa
obra de arte representa, mas ela
é muito bonita, é uma pena que
muitas pessoas destroem a
área, isso não podia acontecer,
o Chinelão deve ser preservado.” Embora não tenha seu significado conhecido por todos, é
de extrema importância a existência do monumento, uma vez
que ele representa, de forma
singular, a cultura norte-mineira, que possui em sua construção fortes vestígios da tradição
dos tropeiros.
mação há quase três anos e, atualmente, conta com Clayton no
vocal, Airton no baixo, Léo na
bateria, Daniel Carrapato e João
Bernardo nas guitarras. “Das várias formações, com certeza, a
atual é a mais sólida”, diz Eurico Rodriguez, universitário, que
acompanha a trajetória do grupo há alguns anos.
O baixista Ayrton, em entrevista ao Vide Verso, falou que falta
incentivo para bandas de rock
pesado em Montes Claros, mas
que, mesmo assim, elas estão
fazendo seu som na garra e na
vontade. Ele disse, ainda, que os
fãs estão reconhecendo e aprovando essa atitude das bandas
e têm comparecido em massa
aos shows. O baixista ressaltou
a quantidade de pessoas que
compareceu ao lançamento do
cd, ocasião em que, ao contrário de outros eventos, havia apenas uma banda tocando: “Era
um público para cinco bandas”.
Para se ter uma idéia, o Metal
Moc Rock Fest – maior evento
de rock da cidade, realizado
este ano – contou com a partici-
pação de quatro bandas e
teve um público de aproximadamente 600 pessoas.
O Vomer tenta agora marcar mais shows não só em
Montes Claros, mas em todo
o País. A banda tem enviado
o cd para todas as partes do
Brasil e já recebeu respostas.
Ayrton conta que eles receberam u ma c arta falando
muito bem do cd: “A galera
da banda ficou surpresa, na
era digital em que vivemos,
com e-ma ils, messenger e
coisas do tipo, uma pessoa
se deu ao trabalho de escrever uma carta. Isso significa
muito pra gente”, comemora
o baixista.
A afirmação de bandas já
conhecidas regionalmente,
como o Vomer, estimu la o
surgimento de novos grupos
em Montes Claros e região,
o que é muito bom para o
cenário do rock no Norte de
Minas. Uma renovação muito grande está acontecendo,
tanto das bandas, qu an to
dos fãs, que são cada vez
mais jovens. Grupos tradicionais como o Vomer têm que
melhorar cada vez mais para
poderem competir e ganhar
mais espaç o n o mercado.
Quem ganha com tudo isso
são os amantes do bom e velho rock n’ roll.
Para entrar em contato com
a banda Vômer é só enviar
um e-mail para o seguinte
endereço eletrônico:
[email protected]
ou acessar o site
www.bandavomer.blospot.com
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Vide Verso – Nº 33