Denunciados 3 acusados da morte de Auro PÁGINA 4 terça Falta de limpeza em córregos traz preocupações [email protected] PÁGINA 7 A GAZETA - 1B CUIABÁ,1 DE NOVEMBRO DE 2011 CÂNCER DE MAMA Prazo máximo para começar tratamento está entre metas para reduzir número de vítimas Inca lança 7 recomendações TANIA RAUBER DA REDAÇÃO A cada ano, 12 mil mulheres morrem vítimas do câncer de mama no Brasil. Para reduzir este número, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou 7 novas recomendações para o tratamento da doença. A primeira delas estipula o prazo máximo de 3 meses para que as mulheres que descobrem a existência de tumores começarem o tratamento. Já as sessões de quimioterapia, quando recomendadas, devem iniciar em até 60 dias. O médico oncologista Cleberson Queiroz explica que, quanto mais cedo o tratamento começar, mais chances de cura a paciente terá. Isso porque alguns tumores crescem rápido e, num intervalo de 3 meses, podem agravar e muito o quadro de saúde do paciente. Ele ressaltou que, apesar dos inúmeros avanços no diagnóstico precoce e nos tratamentos oferecidos, que conseguiram reduzir o risco de mortes, as longas distâncias dentro do Estado ainda são um dos maiores desafios para o tratamento. Atualmente, uma grande parcela de pacientes do interior precisa se deslocar até Cuiabá para se tratar. As sessões de radioterapia, por exemplo, são realizadas somente na Capital. Segundo Queiroz, apenas os municípios de Sorriso e Rondonópolis possuem unidades que prestam serviços isolados de quimioterapia, por meio de convênios com o Estado e municípios. Diante desta realidade, explica o oncologista, algumas pacientes podem ter dificuldade para conseguir o encaminhamento. “Temos casos de pacientes que demoram mais de 1 mês para conseguir a consulta e dar encaminhamento aos exames porque houve demora no agendamento pela Secretaria de Saúde do município. O tratamento é disponibilizado, o problema está na distribuição”. Ele também destacou que muitos pacientes também precisam enfrentar “pequenas filas de espera” para realizar alguns exames, necessários para definir o tratamento adequado. Com isso, a realização da cirurgia para retirada do tumor ou as sessões de quimioterapia e radioterapia, podem demorar para começar. “Os médicos solicitam os exames e precisam esperar para definir o tratamento ou marcar a cirurgia. Isso pode demandar tempo. Temos exames, por exemplo, que demoram quase 30 dias para ficar prontos”. Incidência - Este ano, a estimativa do Inca é que, em cada grupo de 100 mil mulheres mato-grossenses, 175 sejam vítimas de algum tipo de câncer. Dessas, 26 do câncer de mama, o que deve totalizar 400 novos casos em 2011. É a neoplasia que mais atinge a população feminina, perdendo apenas para o melanoma (câncer de pele). Em Ma1º - Toda a mulher com diagnóstico de câncer de mama confirmado deve to Grosso, 35% do casos de câncer em mulheres são de mama iniciar seu tratamento o mais breve possível, não ultrapassando o prazo Garantir a melhora na qualidamáximo de 3 meses. de de vida destas mulheres também é uma das propostas do Inca. Uma das 2º - Quando indicado, o tratamento complementar de quimioterapia recomendações sugere o acompanhaou hormonioterapia deve ser iniciado no máximo em 60 dias e o de mento das pacientes por equipes radioterapia no máximo em 120 dias. multidisciplinares que incluam, além de médicos e enfermeiros, psicólo3º - Toda mulher com câncer de mama deve ter seu diagnóstico gos, nutricionistas, assistentes sociais complementado com a avaliação do receptor hormonal. e fisioterapeutas. É o que busca também a Asso4º - Toda mulher com câncer de mama deve ser acompanhada por uma ciação MT Mamma, criada para auequipe multidisciplinar especializada que inclua médicos (cirurgião, xiliar pessoas portadoras de câncer oncologista clínico e um radioterapeuta), enfermeiro, psicólogo, de mama com programas educativos, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta. atendimento psicossocial, acesso a terapias complementares e promoção de atividades voltadas ao bem estar e 5º - Toda mulher com câncer de mama deve receber cuidados em um à autoestima das pacientes que estão ambiente que acolha suas expectativas e respeite sua autonomia, em estágios diferentes do tratamento. dignidade e confidencialidade. Desde o início de outubro a associação realiza, em Cuiabá e outras 6º - Todo hospital que trata câncer de mama deve ter Registro de Câncer 18 cidades do interior, a campanha em atividade. “Outubro Rosa”, para alertar ao diagnóstico precoce para a saúde das ma7º - Toda mulher com câncer de mama tem direito aos cuidados mas de homens e mulheres. O encerpaliativos para o adequado controle dos sintomas e suporte social, ramento será no sábado, com uma espiritual e psicológico. macarronada e um bazar beneficente no Cenarium Rural, na Capital. Recomendações Chico Ferreira/Arquivo Este ano, estimativa é que a cada 100 mil mulheres mato-grossenses, 175 tenham um tipo da doença Autoexame e mamografia são indispensáveis DA REDAÇÃO Em 2010, as recomendações do Inca foram focadas em ações de prevenção, detecção precoce e informação. O oncologista Cleberson Queiroz ressalta que o rastreamento da doença, por meio do autoexame e mamografia, ainda é a principal forma de reduzir o número de óbitos de mulheres vítimas na neoplasia e lembra que existem outros tipos de câncer que não têm esta possibilidade. A coordenadora de Departamento Pessoal Suely Pereira de Souza, 44, descobriu que estava com câncer de mama depois de fazer o autoexame. Ela conta que, no dia 12 de novembro do ano passado, percebeu que estava com um nódulo no seio e decidiu procurar um médico. “Tinha feito um chekup em maio e os exames não detectaram nada. Como sempre fazia o autoexame no banho ou quando deitava na cama, percebi este nódulo”. Depois de realizar os exames de mamografia, ultrassonografia e a biópsia, Suely confirmou que estava com um tumor e deu início ao tratamento. “Em fevereiro fiz uma cirurgia e retirei metade de um seio”. Depois vieram as sessões de quimioterapia, 8 no total. Agora, a coordenadora está realizando o tra- tamento de radioterapia. Até final de novembro, ela comparece, todas as tardes, no Hospital do Câncer para as sessões. Suely conta que um dos momentos mais difíceis durante o tratamento foi a queda do cabelo, das so- brancelhas e dos cílios, durante a quimioterapia. “Eu fiquei um pouco depressiva. Mas quando cheguei no MT Mamma e vi que outras mulheres, que também tinham passado pelo que eu estou passando, estavam com os cabelos compridos, muito Otmar de Oliveira Suely conta que ficou um pouco depressiva, mas encontrou apoio bonitas, vi que isso é passageiro”. Desde então, ela participa dos encontros psicoterapeuticos, batepapos e outras atividades do MT Mamma, onde conhece mulheres com histórias de vida parecidas, que conseguiram vencer e agora ajudam outras pacientes. “Eu nunca perdi minha autoestima e isso é fundamental. Quando descobre a doença, a mulher não pode deixar de ser mulher, ao contrário, ela tem que se amar mais e dar valor mais a vida. Foi assim comigo”. Mamografia - A mamografia deve ser feita por mulheres com mais de 45 anos, pelo menos uma vez a cada 2 anos. O exame é oferecido, gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Queiroz acrescenta que, em alguns casos, ele deve ser realizado antes dos 45 anos. “Se a mulher tiver casos na família, principalmente mais precoces, deve começar a fazer o exame com antecedência”. Ele também alertou que, mesmo se não detectar nenhuma anormalidade nos seios, quando completarem 45 anos, as mulheres não devem deixar de fazer a mamografia. Isso porque elas são capazes de detectar o câncer de mama antes que esse possa ser sentido ou palpado. (TR) MUTIRÃO DA CIDADANIA Projeto visita 3 cidades DA ASSESSORIA No mês de outubro, o projeto Mutirão da Cidadania, desenvolvido num formato itinerante, realizou atividades de cidadania nos seguintes municípios da região Leste de Mato Grosso: Canarana, Nova Xavantina, Campinápolis, beneficiando também as tribos indígenas de Santa Clara, Paraíso e Campinas. Foram registrados mais de 30 mil atendimentos levando à população serviços como emissão de documentos, orientações jurídicas, educação para o consumo e trânsito, além da realização de cortes de cabelo, aferição de pressão, serviços de manicure, saúde bucal e exposição de artesanatos. Outro documento emitido no Mutirão da Cidadania é a Carteira de Pescador, emitida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). “O Mutirão da Cidadania é uma ação governamental que neste mês de outubro se estendeu a toda região leste de Mato Grosso, contemplando não só a população que vive nas cidades, como também as tribos indígenas locais, ofertando a todos os serviços gratuitos disponibilizados pelo programa”, afirmou o coordenador do Mutirão da Cidadania, João Paulo Couto. Já no mês de novembro, o projeto começa as atividades a partir do dia 5 no bairro Pedra 90, localizado em Cuiabá. O Mutirão da Cidadania é realizado pela Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Secretaria de Estado de Saúde (SES), Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejudh), Prefeituras Municipais, Tribunal Regional Eleitoral (TRE), entre outros parceiros. Mais informações sobre o mutirão podem ser obtidas pelo telefone (65) 3613 5782.