OCP – 03 Artigo: Liberação de Leves Título: O que fazer quando o ponto de fulgor do fluido térmico está caindo? Quais são os riscos? É altamente recomendado realizar análises periódicas do fluido térmico como uma ação preventiva na avaliação da degradação do fluido térmico. Com o resultado da análise podemos agir antes que as consequências da degradação do fluido coloquem em risco o sistema. Os maiores perigos envolvendo sistemas de fluido térmico são incêndios e explosões. A propriedade do fluido térmico analisada em laboratório que é um dos parâmetros para quantificar o risco do sistema a incêndio e explosão é o ponto de fulgor. O ponto de fulgor é a menor temperatura do fluido na qual há a liberação de vapores suficientes para que em contato com o oxigênio do ar atmosférico formese uma mistura que se inflame sem a sustentação do fogo. Ou seja, o ponto de fulgor mede a volatilidade, a tendência à evaporação do fluido, quanto mais baixo for o ponto de fulgor, maior é a formação de vapores e maior será o risco de incêndio e explosão no sistema. Para ocorrência de incêndio é necessário a formação do triângulo do fogo composto pelo calor, combustível e oxigênio. O calor já é inerente do processo de aquecimento, o combustível é o fluido térmico e o oxigênio está presente no ar atmosférico. Assim, uma forma de evitar um incêndio é evitar o contato do fluido quente com o ar atmosférico, ou seja, evitar vazamentos. Tendo o conhecimento dos riscos e possíveis causas ficam ainda algumas perguntas: Como evitar que o ponto de fulgor do fluido térmico caia? É possível agir na recuperação do ponto de fulgor? O que fazer? A queda no ponto de fulgor está diretamente relacionada com a degradação do fluido térmico. Os três principais fatores de degradação de um fluido térmico são o estresse térmico, a oxidação e a contaminação. A causa preponderante para a degradação do fluido térmico com formação de leves é o estresse térmico. O processo de degradação por estresse térmico é um fenômeno ligado ao grau de agitação da estrutura molecular do fluido térmico devido à alta temperatura. Quanto maior a temperatura maior a agitação da molécula, e essa intensidade da agitação faz com que haja uma quebra da molécula em estruturas menores processo conhecido como craqueamento. Essas moléculas menores são mais voláteis, “leves”, diminuindo o ponto de fulgor e também a viscosidade do fluido térmico. É um fenômeno natural que acontece a uma baixa taxa quando o fluido trabalha dentro da faixa de temperatura de trabalho recomendada pelo fabricante. Quando o fluido é exposto a um aquecimento excessivo, acima da temperatura máxima recomendada pelo fabricante, esse processo é acelerado diminuindo drasticamente a vida útil do fluido térmico. Com a queda no ponto de fulgor e na viscosidade podemos intuir que o fluido térmico está sofrendo estresse térmico. O ponto crítico do sistema que leva o fluido ao estresse térmico é o aquecedor. Caso o sistema seja aquecido por chama direta recomenda-se observar se os controles de temperatura estão satisfatórios, se a chama não está tocando diretamente alguma parte da serpentina, se a vazão de circulação está correta e se esta é mantida em caso de queda de força. Caso o sistema seja aquecido por resistências elétricas é recomendado verificar se a taxa de aquecimento em W/m² está dentro dos parâmetros aceitáveis recomendados pelo fabricante do fluido térmico. Outros fatores também podem contribuir para o estresse térmico e são identificados com o estudo específico de cada sistema. Uma vez identificada e sanada a causa da degradação, podemos recuperar o ponto de fulgor do fluido térmico? Conforme explicado acima, no processo de degradação por estresse térmico há a formação de moléculas voláteis, os leves, que na pressão e temperatura submetidas dentro da tubulação são diluídos no fluido térmico. A maneira de remover esses leves é evaporá-los. Para que isso aconteça necessitamos colocar o fluido aquecido em exposição à pressão atmosférica de forma que esses leves evaporem e sejam eliminados. O ponto do sistema de fluido térmico onde é possível realizar esse processo é o tanque de expansão. Forçando o fluido aquecido a passar pelo tanque de expansão aberto para a atmosfera podemos remover boa parte dos leves e aumentar o ponto de fulgor do fluido térmico. De acordo com a norma DIN 51 222 a temperatura do ponto de fulgor deve estar acima de 100°C. Sistemas que operem com fluidos térmicos com temperatura do ponto de fulgor abaixo de 100°C devem ser monitorados quanto a vazamentos para que sejam mantidos em condição segura. A OCP Engenharia possui conhecimento para a realização desse procedimento de recuperação do ponto de fulgor, qualquer dúvida entre em contato. Especialista: Everton Alexandre Fernandes Colaboração: Eng. Maurino Gomes Costa OCP ENGENHARIA INDUSTRIAL E COMERCIO LTDA