Região Autónoma da Madeira Diário Assembleia Legislativa IX Legislatura I Sessão Legislativa (2007/2008) Número: 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 REUNIÃO PLENÁRIA DE 12 DE FEVEREIRO Presidente: Exmo. Sr. José Miguel Jardim de Olival Mendonça Secretários: Exmos. Srs. Sidónio Baptista Fernandes Ana Mafalda Figueira da Costa Sumário O Sr. Presidente declarou aberta a Sessão às 9 horas e 35 minutos. PERÍODO DE ANTES DA ORDEM DO DIA:- Para tratamento de assuntos de interesse político relevante para a Região interveio o Sr. Deputado Gabriel Drumond (PSD). Respondeu, depois, a um pedido de esclarecimento do Sr. Deputado Medeiros Gaspar (PSD). - Ainda neste período foi votado um voto de protesto, apresentado pelo Partido Socialista, “Ao Governo Regional da Madeira pela inércia e a apatia na actuação dos problemas dos madeirenses e na total ausência de sentido reformador”. Intervieram sobre o mesmo os Srs. Deputados Carlos Pereira (PS), Paulo Martins (BE), João Isidoro (MPT), Leonel Nunes (PCP), José Manuel (CDS/PP), Jaime Filipe Ramos (PSD) e Baltasar Aguiar (PND). Este voto, submetido à votação, mereceu os votos contra do PSD, as abstenções do BE e do MPT e os votos a favor do PS, do PCP, do CDS/PP e PND. PERÍODO DA ORDEM DO DIA:- Iniciaram-se os trabalhos com a discussão e votação do processo de urgência, requerido pelo Partido Comunista Português, para o projecto de resolução denominado “Funchal – Património da humanidade”. Usaram da palavra a propósito da urgência os Srs. Deputados Paulo Martins (BE) e Edgar Silva (PCP), tendo a mesma sido rejeitada em votação. Produziram declarações de voto os Srs. Deputados Baltasar Aguiar (PND), André Escórcio (PS) e Gualberto Fernandes (PSD). - Passou-se depois à apreciação e votação na generalidade do projecto de decreto legislativo regional, da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Erradicação do analfabetismo – regime que regulamenta a educação extra-escolar”. Usaram da palavra na discussão, a diverso título, para além do Sr. Deputado Edgar Silva (PCP), que apresentou o diploma, os Srs. Deputados André Escórcio (PS) e Sónia Pereira (PSD), tendo o diploma, submetido à votação, sido rejeitado. - Seguidamente, participaram na apreciação do projecto de decreto legislativo regional, da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Defesa do peixe-espada preto”, os Srs. Deputados Leonel Nunes (PCP), José Manuel (CDS/PP), Jaime Leandro (PS), Rui Coelho (PSD), João Isidoro (MPT), Paulo Martins (BE) e Baltasar Aguiar (PND). Submetido à votação, este diploma foi rejeitado. - Por fim, usaram da palavra a propósito do projecto de decreto legislativo regional, apresentado pelo Partido Comunista Português, denominado “Conselho Regional do Ambiente”, os Srs. Deputados Edgar Silva (PCP), Paulo Martins (BE), Victor Freitas (PS), João Isidoro (MPT), Vicente Pestana (PSD) e Baltasar Aguiar (PND) tendo ficado a continuação da discussão deste diploma agendada para o dia seguinte. O Sr. Presidente declarou encerrada a Sessão às 13 horas. Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito bom dia, Sras. e Srs. Deputados, Srs. Jornalistas. Estavam presentes os seguintes Srs. Deputados: PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA (PSD) Agostinho Ramos Gouveia Ana Mafalda Figueira da Costa Élvio Manuel Vasconcelos Encarnação Gabriel Paulo Drumond Esmeraldo Ivo Sousa Nunes Jaime Ernesto Nunes Vieira Ramos Jaime Filipe Gil Ramos Jaime Pereira de Lima Lucas Jorge Moreira de Sousa José António Coito Pita José Gualberto Mendonça Fernandes José Jardim Mendonça Prada José Lino Tranquada Gomes José Luís Medeiros Gaspar José Miguel Jardim Olival Mendonça José Paulo Baptista Fontes José Savino dos Santos Correia Manuel Gregório Pestana Maria do Carmo Homem da Costa de Almeida Maria Rafaela Rodrigues Fernandes Miguel José Luís de Sousa Nivalda Silva Gonçalves Pedro Emanuel Abreu Coelho Rubina Alexandra Pereira de Gouveia Rui Miguel Moura Coelho Rui Moisés Fernandes Ascensão Rui Ramos Gouveia Sara Aline Medeiros André Sidónio Baptista Fernandes Sónia Maria de Faria Pereira Vânia Andreia de Castro Jesus Vasco Luís Lemos Vieira Vicente Estêvão Pestana PARTIDO SOCIALISTA (PS) Carlos João Pereira Jaime Manuel Simão Leandro João André Camacho Escórcio João Carlos Justino Mendes de Gouveia Lino Bernardo Calaça Martins Victor Sérgio Spínola de Freitas PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (PCP) Edgar Freitas Gomes Silva Leonel Martinho Gomes Nunes CENTRO DEMOCRÁTICO SOCIAL/PP (CDS/PP) João Alberto Santos de Freitas José Manuel de Sousa Rodrigues BLOCO DE ESQUERDA (BE) Paulo Martinho Martins MOVIMENTO PARTIDO DA TERRA (MPT) João Isidoro Gonçalves PARTIDO DA NOVA DEMOCRACIA (PND) Baltasar de Carvalho Machado Gonçalves de Aguiar Dispomos de quórum. Declaro aberta a Sessão. Eram 9 horas e 35 minutos. E dou a palavra ao Sr. Deputado Gabriel Drumond. Pág. 2 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Perdão está antes o Sr. Deputado Baltasar Aguiar, mas não está aqui. Sr. Deputado Gabriel Drumond, faz favor. O SR. GABRIEL DRUMOND (PSD):- Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira Senhoras e Senhores Deputados "O respeito do Direito alheio, é a Paz". Citei um antigo Presidente da República do México (Índio). O Estado de Direito Democrático, não existe no Portugal de Abril. Senão vejamos: Os Órgãos de Soberania não cumprem com a Constituição, pondo em causa a Unidade Nacional. Para que serve a Autonomia Política deste Parlamento quando os Órgãos de Soberania deste país chamado Portugal não a respeitam! É lamentável que a cegueira do oportunismo economicista deste Governo da República esqueça os seus deveres constitucionais para com esta Região Autónoma. É lamentável que a Assembleia da República não respeite a Constituição. É lamentável que o Tribunal Constitucional por incrível que possa parecer não respeite a Constituição. É lamentável que o Senhor Presidente da República assista impávido e sereno ao desmoronamento do Estado de Direito Democrático, e nada faz para inverter esta situação. Senhor Presidente Senhoras e Senhores Deputados No Portugal republicano e dito democrático é proibido criar partidos regionais. Porquê? Na Espanha monárquica são permitidos partidos regionais. Na Bélgica monárquica capital da União Europeia, na Região Flamenga, o seu parlamento fala e discute sobre a sua autodeterminação. Na Inglaterra monárquica, na Região Autónoma da Escócia, fala-se e discute-se sobre a sua autodeterminação e, em princípio, será realizado um referendo em 2016. Na Espanha monárquica diversas regiões autónomas, incluindo as nossas vizinhas Canárias, querem um referendo sobre a sua autodeterminação. E poderia continuar a citar outros países do mundo, tais como o Canadá que tem uma província que quer a sua independência que é o Quebeque, Kosovo Sérvia, Sardenha – Itália e outros. No Portugal republicano é tabu falar sobre a autodeterminação das chamadas Regiões Autónomas Portuguesas. Porquê? Senhor Presidente Senhoras e Senhores Deputados Através das chamadas agências de comunicação o Governo da República, trata o Povo da Madeira como uns "chupistas" e "chulos" dos portugueses do Continente. Risos. Até os meios de comunicação social estatizada, pagos com os dinheiros dos contribuintes, contribuem para denegrir a imagem do Povo da Madeira. O Governo Português, através dos seus "homens de mão", pressiona empresas privadas para não investirem na Madeira. É uma vergonha as campanhas desencadeadas pelo Governo Português contra os interesses dos Madeirenses e Portosantenses. Veja-se por exemplo o caso da companhia de aviação TAP, empresa pública cujo único sócio é o estado português que nos últimos anos o seu objectivo principal tem sido prejudicar o Povo da Madeira. Outro exemplo é o Aeroporto de Lisboa onde a empresa pública que gere os Aeroportos Portugueses criou um "gueto" chamado Terminal 2 para embarcar os passageiros para as "ilhas" prejudicando com esta medida não só os Madeirenses e Portosantenses mas também os que nos visitam. Outro exemplo é a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, que de misericórdia não tem nada, por ser tutelada pelo governo da república que detém o monopólio dos jogos sociais em Portugal continental e regiões autónomas. O Povo da Madeira não tem benefícios dos jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia. Quando será o dia que o Povo da Madeira se libertará de mais este monopólio? Quando é privatizada a Rádio e a Televisão estatizada? O Governo de Portugal não cumpre os seus compromissos como determina a Constituição em relação à Região Autónoma da Madeira. Até quando haverá paciência para aturar os senhores que governam Portugal, como se este país fosse uma quinta de uns senhores feudais que detêm lá longe umas ilhas perdidas na bruma do Atlântico. O Governo de Portugal prejudica a Madeira ao não autorizar empréstimos para aproveitar os dinheiros comunitários. O governo de Portugal está a tirar o pão ao Povo da Madeira. Até quando? Aonde pára o nosso Presidente da República quando uma parte de Portugal está a ser flagelada… O SR. JOSÉ MANUEL (CDS/PP):- Em Castela! O ORADOR:- …e roubada por gente que só pensa em prejudicar um povo que, ao longo da história, sempre lutou por um Portugal maior. Há ministros de Portugal que têm conversas de "sarjeta" quando se referem ao Povo da Madeira. Não me calarei em face dos atentados à Autonomia da Madeira perpetrados pelo Governo da República que despudoradamente querem eternizar o chamado contencioso das autonomias. A Liberdade de Abril com o actual governo da república esfumou-se. O governo da república é dirigido por um homem injusto ao fazer e aplicar decretos e leis que prejudicam os mais pobres. Aonde está o socialismo de Portugal quando retira benefícios fiscais aos deficientes? Os Madeirenses e Portosantenses não são bastardos. São tão portugueses como são os de Bragança, Porto, Lis- Pág. 3 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 boa, Beja, Loulé e outros como os nossos homens e mulheres na diáspora. Acordem Madeirenses e Portosantenses porque vem aí um novo colonialismo, desta vez dito democrático e socialista. Se na Revisão Constitucional de 2010, não houver consenso para alterar o actual Estatuto Político das Regiões Autónomas Portuguesas, o que deve fazer o Povo da Madeira? Eu já tomei a decisão, cabe agora ao Povo da Madeira decidir! Povo da Madeira não tenham medo porque vamos vencer! A Luta continua! Transcrito do original. Aplausos do PSD. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Medeiros Gaspar, para um pedido de esclarecimento, tem a palavra. O SR. MEDEIROS GASPAR (PSD):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Gabriel Drumond, V. Exa. fez aqui uma intervenção que obviamente não pode ter qualquer tipo de pergunta por parte do Partido Socialista, porque este não está interessado de modo algum em relevar nenhuma das questões que aqui veio denunciar. E portanto, com aquele ar de sobranceria que já se conhece aos Srs. Deputados do Partido Socialista, eles tentaram ironizar com as questões que aqui colocou, mas que representam a descrição pura do que tem sido o tratamento de que tem sido alvo a Região Autónoma da Madeira, em termos de discriminação, em termos de não tratamento em pé de igualdade de uma população que é também portuguesa, mas que está num território que tem autonomia política e que a pretende desenvolver e aprofundar. E o que eu gostava de perguntar a V. Exa. é se considera que um Estado que pretende atacar um órgão de comunicação social, como era o Jornal da Madeira, mas que considera que a televisão pública, essa sim, deve ser subvencionada e da forma que o é e nos montantes em que o Estado se vê obrigado a subvencionar a televisão pública, se considera que isto é um exemplo de discriminação ou não em termos de uma comunicação que o Esta do diz querer livre, mas que depois, como se sabe e ainda recentemente houve notícias disso, um jornalista por ter feito alguns comentários quanto à orientação que era dada, ao que era a linha editorial da RTP, foi alvo de um processo e um processo que claramente ele denunciou como sendo um processo político, porquê? Porque ele tinha apenas… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …dado a conhecer aquilo que os portugueses já sabiam, ou seja, de que havia uma influência política na orientação da RTP! O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Gabriel Drumond para responder. O SR. GABRIEL DRUMOND (PSD):- Sr. Presidente da Assembleia Legislativa, Sra. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Medeiros Gaspar, o Governo da República prepara-se para fazer uma lei que proíbe as Regiões Autónomas meios de comunicação social. Isto é uma vergonha, na medida em que o Governo da República detém dois órgãos de comunicação social estatizados, que são a Rádio e a Radiotelevisão portuguesa. E acontece que estes dois órgãos de comunicação social, independentemente de serem tutelados pelo Governo da República, continuam a ter interferências dos homens de mão do Sr. Primeiro-Ministro, ou seja, os senhores da república não querem que as Regiões Autónomas detenham órgãos de comunicação social, mas o próprio Governo da República pode tê-los e controlar essa informação através das assessorias e das agências de comunicação. Isto é uma vergonha e essas agências de comunicação ainda por cima servem para denegrir a imagem da Região Autónoma da Madeira e do seu governo. Eu peço a intervenção, já tenho pedido diversas vezes a intervenção de Sua Excelência o Sr. Presidente da República para que ponha cobro a estas manigâncias do Governo da República em relação à comunicação social. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Passamos à discussão e votação do texto do voto de protesto da autoria do Grupo Parlamentar do PS/Madeira. Consta do seguinte: Voto de Protesto “Ao governo Regional da Madeira pela inércia e a apatia na actuação dos problemas dos madeirenses e na total ausência de sentido reformador” Desde o último acto eleitoral que o Governo Regional da Madeira permanece ausente e distante das suas funções principais: governar e resolver os problemas dos madeirenses. Infelizmente, apesar da maioria absoluta obtida, este governo, sustentado pelo PSD Madeira, não tem demonstrado capacidade e competência para colocar no terreno as iniciativas necessárias para encarar o futuro próximo com esperança e naturalidade. Pelo contrário, dia após dia, avolumam-se os sinais de um desnorte evidente na governação e, sobretudo, clara ausência de motivação para responder aos desafios que a Madeira tem de enfrentar. Mais grave é que a juntar a esta pública dificuldade de executar as medidas adequadas às necessidades da Região, junta -se uma notória incapacidade de um sentido reformador essencial para a sustentabilidade do nosso desenvolvimento. Os madeirenses estão hoje confrontados com a influência objectiva, mas negativa, de uma acção frenética, mas indesejável, da actividade partidária do PSD, no plano da governação, provocando um clima de absurda instabilidade e total estagnação na condução normal de um governo que demonstra falta de seriedade e pouca preocupação com os Pág. 4 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 problemas das pessoas. Além disso, já não é possível esconder, por muito mais tempo, as insuficiências deste governo do PSD: não tem estratégia, não tem prioridades, não tem dinâmica, está amorfo, cansado e mal preparado. A propaganda instalada no regime mantém o discurso dos últimos anos. Procura, como habitualmente, os mesmos bodes expiatórios e as mesmas acções de diversão para desviar a atenção dos madeirenses do essencial: é a revi são da constituição, é a moção do PSD, é a actuação do Presidente da República, é o Ministro da República. Contudo já não consegue disfarçar a sua absoluta inaptidão para o cumprimento do desafio que os madeirenses os elegeram. Cada vez é mais difícil fingir que se governa, num contexto de recursos escassos e de enorme competitividade entre regiões, como está confrontada hoje a RAM. Ao crescimento do desemprego o PSD não responde com medidas e estratégias no plano da economia ou com as necessárias iniciativas de apoio ao cidadão desempregado; ao avolumar da dimensão da pobreza este governo do PSD não implementa as adequadas medidas sociais de modo a limitar os danos na sociedade madeirense ou, então, na procura, no quadro da sua política económica, de medidas tendentes à redução das diferenças significativas na distribuição de rendimento; ao marasmo na economia, à desmotivação do sector privado e às dúvidas notórias ao desenvolvimento futuro da Região por parte do sector privado endógeno, o PSD e o governo demora uma eternidade na implementação das medidas de apoio ao investimento privado (já passaram 4 meses desde a aprovação dos regulamentos nesta casa e nem sinais de fumo sobre a abertura das candidaturas) e não é capaz de dar sinais objectivos de um plano de investimentos públicos adequado, sério e compatível com as nossas necessidades, antes opta por um inqualificável e insustentável plano de investimentos públicos cuja consequência é o reforço do endividamento da Região sem contrapartidas de valor acrescentado; à falência das sociedades de desenvolvimento, o PSD e o governo não reponde com medidas concretas de modo a minimizar o prejuízo para a Madeira; ao crescimento do consumo e tráfico de droga o PSD encolhe os ombros; ao falhanço na educação, o PSD e o governo não é capaz de reforçar a aposta, quer no plano orçamental, quer na qualidade das iniciativas; ao descalabro do planeamento e ordenamento do território, o governo manda para debaixo do tapete os POOC, o POTRAM e os próprios PDM’s; à crise evidente no sector do turismo, o governo mostra-se incapaz de apresentar soluções num plano estratégico diferenciador e adequado ao novo contexto do turismo na Madeira; à falência do comércio em contexto urbano, o governo mostra-se incapaz de legislar no sentido de evitar a canabilização do sector; às crescentes dificuldades dos reformados, o governo não tem capacidade de iniciativa no sentido de melhorar as muito precárias condições de vida da nossa terceira idade… Em resumo, a tudo isto o governo do PSD responde de duas formas: em primeiro lugar, não tem iniciativa e, em segundo, pratica uma notória política de terra queimada, chumbando todas as propostas da oposição que surgem no sentido de dar corpo a iniciativas concretas nestas e noutras matérias. Funchal, 12 de Fevereiro de 2008 O Grupo Parlamentar do PS-Madeira Ass.: Victor Freitas.Está em discussão o texto. Algum dos Srs. Deputados deseja intervir? O Sr. Deputado Carlos Pereira faz favor, tem a palavra. O SR. CARLOS PEREIRA (PS):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, nós hoje trazemos aqui a esta Assembleia um voto de protesto da grande preocupação do PS/Madeira relativamente à evidente e notória apatia do Governo Regional da Madeira na condução dos interesses dos madeirenses. Ou seja, o último acto eleitoral decorreu há mais de seis meses e desde esses últimos seis meses muito pouco ou nada de concreto, do ponto de vista da resolução dos problemas dos madeirenses, acabou por acontecer. E portanto nós achamos absolutamente relevante que seja feita nesta Assembleia uma chamada de atenção veemente sobre os problemas que estão em cima da mesa e que não têm por parte desta maioria e deste governo suportado por esta maioria, nenhuma resposta. Por exemplo, ao crescimento evidente do desemprego na Região Autónoma da Madeira, o que se esperaria eram medidas concretas no plano da economia e, por outro lado, medidas concretas do plano social do ponto de vista do apoio aos desempregados, o que vemos é o Governo e o seu presidente a desviar as atenções para uma ideia de arc o autonómico. Com o avolumar da dimensão da pobreza, o que esperávamos era também aqui medidas concretas do ponto de vista da resolução dos problemas da pobreza, medidas concretas de reconhecer esse fenómeno da pobreza na Madeira e actuar de forma deliberada, o que acontece? O Governo, a maioria e o seu presidente avançam para um desvio completo de atenção, para a ideia de criar um presidente da Região Autónoma da Madeira. Ao marasmo da economia que parece cada vez mais evidente e que os empresários demonstram, pelo menos nos cafés, nas conversas de café, que é preciso fazer alguma coisa, que esperaríamos que o Governo avançasse rapidamente, por exemplo, para a regulamentação dos apoios ao investimento privado, do qual nós já aprovamos nesta Sala há quatro meses de regulamentações genéricas e ainda não estão em vigor, o que é que faz o Governo da Madeira? O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- Já termino. O que faz o Governo da Madeira? Desvia as atenções para matérias internas do PSD de guerras de delfins. Só para terminar, há o crescimento da insegurança do tráfego de droga. O que faz o Governo do PSD? Desvia mais uma vez as atenções para o Presidente da República. Burburinho na bancada do PSD. Queremos por isso manifestar este protesto veemente nesta Assembleia. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Obrigado, Sr. Deputado. Pág. 5 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Sr. Deputado Paulo Martins, faz favor, tem a palavra. O SR. PAULO MARTINS (BE):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fiquei perplexo esta manhã quando, ao ler um matutino, verifiquei que o autor deste voto de protesto, queria que o Governo Regional governasse. É caso para dizer, Sr. Deputado, Deus nos livre, porque caso eles fossem governar a sério, medidas como aquela que tentaram tomar contra os enfermeiros, seriam tomadas em todos os sectores. Risos do Sr. Deputado Vasco Vieira (PSD). No entanto, lendo melhor este voto de protesto, ele tem um outro sentido, é que o PS quer que este Governo Regional governe para responder aos problemas que existem na Região Autónoma da Madeira: o desemprego, a pobreza, a crise económica, a crise social, os problemas que existem em variadas áreas. Mas sinceramente, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós já sabemos o que é que o Governo tenciona fazer nestas matérias. Nós já sabemos que o Governo para não fazer nada, ou para fazer mais do mesmo, levanta os espantalhos da Revisão da Constituição, da criação do Presidente da Região, etc., etc.. Nós já sabemos que o Governo não se vai afastar da sua política, e nós já sabemos que é essa política que o PS agora quer que o Governo aplique, que tem causado a pobreza, o desemprego, a crise económica e social. É de facto uma situação perplexa aquela que nos deixa este voto aqui apresentado: querer que governem aqueles que têm causado os males da Madeira… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:-.…é realmente um absurdo! O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado João Isidoro, tem a palavra. O SR. JOÃO ISIDORO (MPT):- Obrigado Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sem pôr em causa a legitimidade do partido que apresenta aqui esta iniciativa, porque essa é uma liberdade que lhe assiste, eu julgo que este documento não se coaduna com a figura de voto de protesto. Julgo que este documento seria mais correcto se fosse género de moção de censura, declaração política ou então uma interpelação ao Governo Regional, porque estamos em presença de um documento que abarca as áreas todas da governação. Eu não me recordo de alguma vez ter aparecido nesta Casa um voto de protesto que abarque toda a área da governação. Julgo que não faz sentido este tipo de protesto, aliás, este documento desta forma, não faz sentido, repito, e ele teria um outro sentido se fosse, nomeadamente aquilo que o Regimento permite ao partido proponente, ter aqui uma interpelação de política geral ao Governo Regional e por isso não vou tomar posição nem contra, nem a favor e vou abster-me nisto. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Leonel Nunes, faz favor. O SR. LEONEL NUNES (PCP):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que bom seria que este voto de protesto fosse dois em um, fosse um voto de protesto não só pelas políticas seguidas pelo Governo Regional, como também pelo Governo da República, porque no que concerne à matéria do desemprego, isto de governar é resolver problemas. É verdade que o Governo Regional ao estar estagnado, ao não fazer muitas ondas, está a fazer-nos um favor, porque não está a agravar as condições de vida e de trabalho das populações da nossa Região. Ao contrário, o Governo da República prepara uma ofensiva muito grande contra os trabalhadores, não está a resolver os problemas do emprego, mas de qualquer das formas como o que está em causa é um voto de protesto em relação ao Governo Regional, vamos votar favoravelmente. Mas continuamos a fazer esta afirmação: era muito bom que isto fosse dois em um, ou seja, um voto de protesto em relação aos dois governos. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado José Manuel Rodrigues, faz favor. O SR. JOSÉ MANUEL (CDS/PP):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, lido este voto de protesto, fica-se com a sensação de que ele é mais um artigo de opinião do que propriamente um voto de protesto contra aquilo que está a acontecer na Madeira. No entanto, o conteúdo… O SR. VICTOR FREITAS (PS):- Um bom artigo de opinião! O ORADOR:- Um bom artigo de opinião! Um bom artigo de opinião. Eu acho que escalpeliza aqui realmente áreas em que o Governo Regional está completamente paralisado. Uma das questões centrais para os madeirenses e portosantenses, empresas e famílias, é a aplicação dos fundos comunitários. Este Governo Regional tem-se atrasado sistematicamente na aplicação do Quadro Comunitário de Apoio 2007-2013. A própria luta política interna do PSD está a paralisar a governação regional e a administração pública regional, com consequências negativas para a vida das famílias e das empresas. Pág. 6 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Só entendemos que este protesto está bem fundamentado, mas no final deveria protestar contra a inércia do Governo Regional em várias áreas de governação. A Madeira está há um ano paralisada, em primeiro lugar, por eleições antecipadas, depois pela posse do Governo, depois pelo Orçamento Regional e a verdade é que até hoje não se vê o Governo governar. Mais! O PSD prometeu a 6 de Maio do ano passado aos madeirenses e portosantenses que se ganhasse as eleições com maioria absoluta, teria todas as condições para governar e resolver os problemas da Região. Afinal, os problemas da Região estão a agudizar-se dia a dia e não se vê novas políticas nem uma governação eficaz na Região Autónoma da Madeira. Daí o nosso voto favorável. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Jaime Filipe Ramos, tem a palavra. O SR. JAIME FILIPE RAMOS (PSD):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, este voto em primeiro lugar tem a feliz coincidência com um trabalho jornalístico, que é legitimo, mas que não deixa de ser uma grande coincidência. Pelos vistos, na Madeira continua a haver trabalhos jornalísticos que dão coincidências úteis para a nossa oposição, são as tais coincidências úteis a que nós estamos habituados. Mas no que diz respeito a esta matéria de voto de protesto, além de ser recheada de mentira e demagogia, e basta lê-lo para perceber o que é que é esta demagogia, este voto de protesto interroga-se e é também um atestado de menoridade àquilo que tem sido o julgamento popular nos últimos 30 anos na Madeira porque, que eu saiba, não existe melhor indicador do que as eleições, o povo de uma forma legítima, livre, soberana de fazer a sua escolha de 4 em 4 anos, mas que a oposição infelizmente nesta Casa continua a recusar esta realidade e aqui mesmo se confirmou, vive da comunicação social e dos cafés. Quando se tem uma oposição que não ouve o povo, que não está lá fora a ouvir a vontade popular e o que ouve são os cafés e a comunicação social, Meus senhores, está dito o que temos nesta Casa desta oposição! Vozes do PSD:- Muito bem! Muito bem! O ORADOR:- Este voto é ridículo, uma vez que o Programa de Governo, como sempre, será executado na íntegra. Foi sempre esse o compromisso eleitoral do PSD e mais uma vez será feito, em nome da sua responsabilidade com o povo da Madeira e do Porto Santo. Vozes do PSD:- Muito bem! Muito bem! O ORADOR:- É preciso também dizer que nós não somos um partido que tem uma cara nas eleições, tem um rosto nas eleições e depois diferente na governação. Esse partido é o Partido Socialista, não é o Partido Social-Democrata. Ainda mais, este voto de protesto é tão cheio de demagogia que esquece que há sectores onde o Governo Regional e onde a Madeira têm resultados ímpares, resultados por excelência e aqui é dito que é ao contrário. O turismo… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …da Madeira tem tido as maiores taxas de crescimento, tem tido as maiores taxas de ocupação. No desemprego, continuamos a ter uma taxa inferior à média nacional e aqui é negado. Meus senhores, concluo dizendo: este é o voto da demagogia, é um voto da mentira, é sobretudo um voto de uma oposição que não sabe e não quer acreditar naquilo que é a realidade dos nossos dias. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Baltasar, faz favor, tem a palavra. O SR. BALTASAR AGUIAR (PND):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, este voto de protesto é fundamentalmente verdadeiro. Ele reproduz aquilo que todos nós sabemos e sentimos, que o Governo está paralisado e que o Governo não governa. Em qualquer outro país, noutras circunstâncias, com outro cenário eleitoral não tenham dúvidas do seguinte: este voto de protesto seria o objecto, o corpo, não de um voto de protesto, mas de um voto de censura ao governo, porque seria fundamental em qualquer outro país, para salvar o próprio país, havendo um governo que não governa, substituir esse governo. Este Governo desde que foi eleito não fez rigorosamente coisa nenhuma e continua a fazer as trapaças a que sempre nos habituou no passado. Vejam só o seguinte: o que se passa agora com o Estádio dos Barreiros? O Governo que não fez nada nos portos, continuamos com os portos mais caros do mundo, que não fez nada nos transportes aéreos, continuamos com um sufoco dos transportes aéreos, de que todos nós nos queixamos e aqui protestamos, o Governo fez um acto de governo muito fácil: pega num estádio que é de todos nós e vai entregá-lo ao Marítimo. E o que é que faz o Presidente do Governo? Porque não governa e não quer que o povo da Madeira se governe, diz o seguinte: se os senhores avançarem com acções judiciais para impedir este negócio, esta negociata com a SAD do Marítimo, nós vamos avançar com represálias, as chamadas represálias no bom sentido. Nós vamos votar a favor deste voto de protesto, mas desde já informamos o Sr. Presidente do Governo Regional relativamente a essas mesmas represálias, que nós não nos acobardamos com as suas ameaças, que nós não acobardamos como o Sr. Presidente se acobardou perante a injusta indignação dos associados do Marítimo… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo. Pág. 7 Sessão nº 51 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 O ORADOR:- …quando se procurou fundir o Marítimo com clubes inexistentes e que vamos não só neste voto de protesto, mas na fiscalização ao Governo, àquilo que de mal o Governo faz, agir com todos os meios que estão ao nosso alcance, designadamente com as acções judiciais, se elas forem aconselháveis. Estamos à espera, Sr. Presidente, das represálias no bom sentido, que nos reserva. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado Baltasar. Srs. Deputados, vou colocar à votação o texto do voto de protesto da autoria do Grupo Parlamentar do PS. Submetido à votação, foi rejeitado com 22 votos contra do PSD, 2 abstenções sendo 1 do BE e 1 do MPT e 11 votos a favor, sendo 6 do PS, 2 do PCP, 2 do CDS/PP e 1 do PND. Srs. Deputados, passamos à nossa ordem de trabalhos. ORDEM DO DIA O ponto 1 é a apreciação e votação na generalidade do projecto de resolução da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Funchal – Património da humanidade”, apresentado com processo de urgência. Consta do seguinte: Sua Excelência Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira O Grupo Parlamentar do PCP-Madeira vem, por este meio e ao abrigo das disposições regimentais, requerer a V. Exa. processo de urgência para o Projecto de Resolução da autoria deste Grupo Parlamentar, intitulado “Funchal – Património da Humanidade”, com os seguintes requisitos: a) Redução do prazo previsto no artigo 147.º; b) Dispensa de exame em comissão; c) Dispensa do envio à comissão para redacção final. Funchal, 23 de Janeiro de 2008 Com os melhores cumprimentos, O Grupo Parlamentar do PCP-M Ass.: Edgar Silva, Leonel Nunes.Pergunto ao Sr. Deputado Baltasar se deseja intervir na deliberação da urgência? Não. Sr. Deputado João Isidoro deseja intervir? Não. Sr. Deputado Paulo Martins, faz favor, tem a palavra. O SR. PAULO MARTINS (BE):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Bloco de Esquerda irá votar a favor da urgência que acompanha este projecto de resolução. Assistimos nos últimos tempos no Funchal a uma suspensão do Plano Director Municipal, quer no pormenor, quer em aspectos mais genéricos e se houver cautelas, se não houver o repor da legalidade, se não houver a urgência no solicitar a declaração do Funchal como Património Mundial da Humanidade, se não houver esta celeridade, não haverá nada a declarar como património mundial da humanidade, porque tudo está à venda, tudo está à destruição. É construir, construir, construir sem manter a traça original da nossa cidade. Por isso, mesmo uma razão fundamental para a urgência. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado João Alberto, deseja intervir? Não. O PCP deseja intervir? Sr. Deputado Edgar Silva, faz favor, tem a palavra. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, agora que estamos no ano em que se celebram os 500 anos da Cidade do Funchal, o Funchal como a primeira cidade da globalização deveria, neste ano de comemorações, enquanto marco histórico, deveria ser assinalado através de uma decisão que pudesse deixar uma marca de futuro para a cidade do Funchal. E o nosso projecto, aqui apresentado por processo de urgência, visa contribuir para que na comemoração dos 500 anos da Cidade do Funchal, possa este tempo de importante comemoração não só servir para olhar para o passado, mas para defender e afirmar ao nível internacional, ao mais alto nível, ao nível mundial, a cidade, a sua história, o seu património e o seu desempenho futuro nos processos de desenvolvimento. Nós já anteriormente, em anos anteriores, trouxemos a este Parlamento a proposta para que se abrisse o processo, para que se pudesse chegar aos 500 anos com esta candidatura concluída e para que se fizesse coincidir a comemoração dos 500 anos com a candidatura do Funchal a património da humanidade. Não foi esse o entendimento da maioria. Trazemos hoje, no ano em que se comemora os 500 anos da Cidade do Funchal, esta proposta para que 2008, ano dos 500 anos, possa aqui ficar registado um marco em que nestas comemorações se abrem as portas para um tempo de afirmação novo da cidade e dos cidadãos que aqui residem. Esta poderá ser uma oportunidade. Daí o processo de urgência aqui solicitado a este Parlamento, para que, se não foi possível termos já a candidatura concluída e esta afirmação festiva do Funchal como património da humanidade, pois que este ano fique como o ano em que se abriram as portas para esta afirmação internacional e mundial da cida- Pág. 8 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 de e do seu património. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. O PS deseja intervir na deliberação da urgência? Não. O PSD deseja intervir? Não. Srs. Deputados, vou colocar à votação a deliberação da urgência. Submetida à votação, foi rejeitada com 27 votos contra do PSD e 12 votos a favor, sendo 6 do PS, 2 do PCP, 1 do CDS/PP, 1 do BE, 1 do MPT e 1 do PND. Para uma declaração de voto, Sr. Deputado Baltasar Aguiar, tem a palavra. O SR. BALTASAR AGUIAR (PND):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, a Nova Democracia votou a favor desta proposta do PCP e da urgência deste projecto, porque nós sentimos que finalmente chegou o momento, nesta altura em que se discutem os 500 anos da Cidade do Funchal, para discutirmos uma coisa que é o nosso Funchal, todos somos do Funchal. Este momento e a discussão desta proposta seriam fundamentais para a discussão do Funchal aqui na Assembleia, que pertence ao património também desta Assembleia e de todos os madeirenses. O PSD votou contra esta proposta e nós sabemos porque é que o PSD votou contra esta proposta. O PSD votou contra esta proposta, porque sabe que para conseguir que o Funchal seja algum dia designado patri mónio da humanidade, o Funchal tinha que estar com a sua identidade histórica respeitada, não podia estar delapidado, nem podia estar destruído. E o que nós sabemos é que as gestões camarárias todas da vossa bancada, todas do PSD, começaram por delapidar e por destruir o Funchal, esmagando completamente a sua identidade histórica. Hoje, o Funchal é uma cidade prejudicada por 30 anos, 30 anos de delapidação e de destruição. Vou lembrar apenas algumas coisas: vou lembrar a desastrosa descaracterização das zonas altas do Funchal, com a administração de Virgílio Pereira; vou lembrar a destruição das quintas e dos espaços verdes à volta do Funchal, com o novo Plano Director do Funchal e com a administração desta Câmara; vou lembrar a permissão de construção com violações de PDM de grandes edifícios no centro da cidade do Funchal… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …com esta nova administração camarária. E vou lembrar o que se fez na zona história do Funchal, onde praticamente só se salvam o Largo do Município e a zona envolvente da Sé. Tudo o resto é um desastre, está a cair, precisa de intervenção e salvação, e por isso o PSD vota contra esta proposta, porque sabe que o Funchal (por causa de si, PSD) não teria condições de ser património da humanidade. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado André Escórcio, faz favor, tem a palavra. O SR. ANDRÉ ESCÓRCIO (PS):- Obrigada, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, independentemente da posição devidamente fundamentada que temos sobre esta matéria, votámos favoravelmente o processo de urgência porque entendemos que este tema deve ser amplamente discutido, discutido de uma forma muito aberta para que seja de facto travado este ímpeto de destruição patrimonial que, aliás, está documentado, bem como a necessidade do Governo e sobretudo a Câmara Municipal do Funchal assumirem a recuperação do que ainda é possível recuperar. Esta votação que acabou por impedir a possibilidade de um debate imediato, na generalidade, acaba por ter o significado de quem sabe, de quem conhece, o porquê do Funchal não reunir as condições necessárias no sentido de uma candidatura a Património da Humanidade. É um voto que, inequivocamente, constitui uma implícita crítica aos sucessivos governos da Região. Mas é também um voto de desconfiança à Câmara Municipal do Funchal, enquanto primeira responsável pela defesa dos bens patrimoniais da cidade, pela recuperação e requalificação da cidade no sentido de poder alcandorar-se a este importante galardão da UNESCO. Mas esta proposta será, certamente, agendada. E nessa altura aqui estaremos para analisar, em pormenor, as consequências, em vários planos, sobretudo no plano cultural e no plano económico, das intervenções marcadamente abusivas a que o Funchal tem sido sujeito, reflectidas que estão na acentuada descaracterização da identidade da cidade e que denunciam uma clara ausência de sensibilidade na defesa da memória de um povo. Muito obrigado. Transcrito do original. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Gualberto, faz favor, tem a palavra. O SR. GUALBERTO FERNANDES (PSD):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Évora, que é património da humanidade simplesmente dentro das suas muralhas, neste momento tem muito do seu património degradado, não recuperado e com dificuldades em fazer a revitalização desse mesmo centro. É a dificuldade quando se pretende substituir uma porta e ela tem de ser do mesmo material do que existia, é a substituição da cobertura que tem que ser, por exemplo, em telha de bica, quando podia ser uma telha de aba e canudo e são outras dificuldades que se vão amontoando, obrigando as pessoas a sair do centro, de dentro das muralhas e a viver fora delas. Isto foi-me confirmado… O SR. EDGAR SILVA (PCP):- A urgência é por causa da telha? Pág. 9 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 O ORADOR:- Não é por causa da telha! É para justificar… Protestos do Sr. Edgar Silva (PCP). Dê-me licença! É para justificar que isto tem que ser devidamente analisado e não pode ser feito com esta urgência que é pretendida. Angra do Heroísmo, de que também falava no seu projecto de resolução também passa pelo mesmo problema. Neste momento disse-me o Dr. Maduro Dias, que um dos problemas por que passa Angra do Heroísmo é a lentidão na recuperação dos edifícios. As pessoas são cépticas, as pessoas não têm dinheiro, as pessoas não podem recuperar, preferem deixar a zona classificada e ir viver para outro sítio, porque é muito mais fácil. E não é isto que nós pretendemos para a Cidade do Funchal, nós pretendemos para a Cidade do Funchal um desenvolvimento sustentado, temos que fazer recuperação, mas também devemos fazer adaptação e melhoramentos no sentido de que a cidade possa crescer. É esta a nossa opinião. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Passamos ao ponto 2 da nossa ordem de trabalhos, com a apreciação e votação na generalidade do projecto de decreto legislativo regional da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Erradicação do analfabetismo – Regime que regulamenta a educação extra-escolar”. Está em discussão, na generalidade. Sr. Deputado Edgar Silva, tem a palavra, para uma intervenção. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o objectivo da erradicação do analfabetismo foi um objectivo assumido internacionalmente no ano em que se comemorou, por decisão das Nações Unidas, o Ano Internacional da Alfabetização. Já lá vão duas décadas e todos os compromissos e os bons propósitos também assumidos pela Região nessa altura, pois ficaram-se efectivamente por alguns bons propósitos. Não vamos dizer que todos os países e todas as regiões tenham procedido desta forma, porque na verdade houve países e regiões que tomaram medidas enérgicas e profundas, no sentido da erradicação do problema do analfabetismo. Como muito bem foi proclamado por Paulo VI na década de 60, o analfabetismo não é pior do que aquelas situações em que os cidadãos não têm de comer, nem de beber, é esta miséria, é esta fome de espírito que o analfabetismo gera e cristaliza que importa erradicar, tomar medidas para que homens e mulheres na nossa terra possam libertar-se desta canga do analfabetismo, que hoje, nos nossos dias, ainda penaliza tanta gente entre o povo desta Região. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Madeira teve sempre uma taxa de analfabetismo muito mais elevada do que o resto do País. Logo nos Censos de 81, a Madeira apresentava 26,6% contra uma média nacional de 19%; depois em 91, a Madeira apresentava uma taxa de analfabetismo de 15% contra uma taxa nacional de 13%; em 2001, a Madeira apresenta, nos Censos de 2001, 12,6% de analfabetismo para uma taxa nacional de cerca de 10% de analfabetismo. Ou seja, nós temos sempre o analfabetismo com números bastante mais gravosos do que o resto do País. Vem agora o Governo Regional dizer que os números não são tão maus, que o número está a descer e que estão a ser dados passos importantes e que este problema se calhar já não é problema. Mas é o próprio site da Secretaria de Educação que hoje diz que, neste momento, números em relação aos quais naturalmente existirão algumas dúvidas porque o que conta são os números dos Censos, mas os números oficiais do Governo acerca de si próprio, o Governo aponta para 18.731 indivíduos com analfabetismo na Madeira. E diz o Governo que destes, mais de 3.000 estão entre os 30 e 59 anos. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, este problema, esta realidade constitui uma taxa que desfigura o rosto nobre desta Ilha e da suas gentes, esta taxa é, como alguém já lhe chamou e muito bem, é a taxa da vergonha e são possíveis, não são apenas necessárias, são possíveis e são necessárias medidas para a erradicação desta taxa da vergonha na Região Autónoma da Madeira… O SR. LEONEL NUNES (PCP):- Taxa da vergonha! O ORADOR:- E basta lembrar que ainda há muito pouco tempo, por exemplo, em 2005, a Venezuela foi reconhecida ao nível internacional como território livre do analfabetismo, porque em Outubro de 2005 um milhão e meio de pessoas, um milhão e meio de pessoas na Venezuela receberam os seus certificados, porque se libertaram do analfabetismo, concluíram o 1º ciclo e iniciaram uma nova fase de escolarização no quadro do Programa Robinson, que foi um programa com fortes apoios públicos para a erradicação do problema do analfabetismo e eis que em muito poucos anos, um território com problemas gravíssimos como era o da Venezuela, com milhões de analfabetos, consegue ser internacionalmente reconhecido pela UNESCO como território livre do analfabetismo. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, deve ou não, deveria ou não, a Região Autónoma da Madeira assumir-se como objectivo nobre do futuro, como território livre do analfabetismo? Se os outros têm isso ao seu alcance, porque é que a Madeira não há-de ter? Nós perguntámos. Vamos aqui às vizinhas Canárias, à outra Região Autónoma nas Canárias, qual é a taxa de analfabetismo? É uma taxa residual, mas mesmo assim, com 4% de analfabetismo, são regiões que não deixam de insistir e de apos tar no combate ao analfabetismo. E agora o Governo de Zapatero anunciou uma medida de grande importância, que é de pagar para estudar, uns cidadãos que não têm ainda acesso à escolarização plena, vão receber 600 euros/mês se cumprirem com os deveres da escolarização. Pág. 10 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós estamos a propor que a Região assuma compromissos no seu Orçamento para criar bolsas de estudo para financiar, para pagar a estes, que não tendo ao longo do tempo oportunidade de acesso à escola, poderem receber uma bolsa de estudo, receberem uma bolsa de estudo mensal e um prémio no final do curso, caso concluam com sucesso o 1º ciclo de alfabetização. Isto que estamos a propor de uma bolsa de 50 euros por mês e 200 euros no final do curso, com material escolar atribuído directamente, com apoio escolar, não é mais do que criar um pequeno incentivo, nada que se compare com o que se está a fazer em Canárias, que vão receber 600 euros/mês e têm 4% de analfabetismo! Nós estamos nos cerca de 13%, 13% é a taxa da vergonha na Região Autónoma da Madeira! Pois, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, são possíveis medidas concretas para que esta taxa dos Censos 2001, que aponta 12,8%, cerca de 13%, que é a taxa do Censos e é aquela que conta, para que esta taxa da vergonha seja erradicada. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, honraria ou não o bom nome da Madeira se, dispondo o Orçamento de plenos poderes autonómicos para o fazer, se a Região definisse como grande objectivo para os próximos 4 anos, até 2010, por exemplo, até 2012, por exemplo, conseguir que a Madeira possa ser declarada ao nível internacional como território livre do analfabetismo? As Nações Unidas têm apoios, têm incentivos, têm formas de acompanhamento desses programas. No quadro da UNESCO existem programas, medidas de apoio de monitorização, para garantir o combate ao analfabetismo. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, se outros conseguem, se outros o fazem, porque é que a Madeira não o háde querer, porque é que a Madeira não o há-de fazer? Sr. Presidente, será que alguém nesta terra fica honrado por termos a taxa de analfabetismo que é a mais elevada do País? Certamente que não. Certamente que a ninguém, seja do Governo, seja da maioria, seja nos partidos das oposições, a ninguém honra ter a terra que no quadro da União Europeia é a região mais analfabeta, é a região de maior número de analfabetismo, é a região que tem este estigma da fome espiritual, que tem este estigma desta miséria, que é a canga que resulta do não ter acesso à leitura, à interpretação dos textos. É que já não estamos a falar… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …do analfabetismo funcional, estamos a falar do analfabetismo crónico que importa erradicar, e é nesse sentido que consideramos que não só é possível, porque outros o fizeram, mas é desejável, é um imperativo ético e político, tomar medidas no sentido da erradicação deste problema. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado André Escórcio tem a palavra para uma intervenção. O SR. ANDRÉ ESCÓRCIO (PS):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o analfabetismo constitui de facto a primeira causa do nosso atraso. Nós consideramos que há aqui um défice de investimento que se torna muito difícil recuperar, mas é possível. Há trinta anos, paralelamente à generalização do ensino, tivesse o governo investido, prioritariamente, no combate ao analfabetismo, hoje, certamente, estaria a Região com taxas residuais e a caminho da solução deste gravíssimo problema. A Região acordou tarde para o drama da população analfabeta. Não se assistiu, em tempo devido, a um combate que integrasse as várias frentes que estão na origem da existência de analfabetos. A rede escolar foi de facto melhorada, foi garantida alguma protecção social mas o governo falhou redondamente no que diz respeito ao estímulo para um regresso à escola dos que a abandonaram precocemente onde se inclui a faixa dos menos jovens. Trinta anos depois ter, ainda, cerca de 2% de analfabetos no estrato populacional abaixo dos 34 anos de idade parece-nos pouco abonatório para uma política. Da mesma forma que, hoje, dispor apenas de cerca de 50 cursos, em toda a Região, para o ensino recorrente do 1º ciclo do ensino básico, que junta cerca de 500 alunos é muito pouco em função das necessidades. E se a grandeza é esta, ainda assim, é consequência das obrigações a que ficam sujeitos os que recebem o Rendimento Social de Inserção que vem do tempo do governo socialista do Eng. António Guterres. Mas há cerca de 3000 adultos, com idades entre os 30 e os 59 anos que não estão a ser devidamente alfabetizados. Dirão alguns dos Senhores Deputados que a oferta está de acordo com a procura. Resta saber porque é que a procura não tem uma maior expressão. E não tem porque na Região não foram consideradas políticas incentivadoras e porque o governo passou ao lado de um ambiente cultural favorecedor dessa necessidade. E isto é grave, porque o problema, Senhores Deputados, sabem tão bem quanto eu, não se resume à aprendizagem mínima da leitura arrastada, da escrita que pouco vai além do nome ou então de um cálculo sumário. O problema é confrontarmo -nos, hoje, com uma população que exprime dificuldades em cruzar a informação disponível. É analfabeto todo aquele que não percebe as mensagens ou não compreende o outro lado das coisas. É o chamado analfabetismo funcional, aquele que aprendeu a descodificar minimamente a escrita mas não tem a habilidade na interpretação de um texto. E este é um problema cultural, um problema de criação de uma necessidade. Essa necessidade, por múltiplas razões, não foi criada e, portanto, em 2007 como aqui já foi referido, por estimativa, a Região tinha ainda 18.731 indivíduos analfabetos, isto é, milhares de activos que condicionam o desenvolvimento. Pode o governo acenar com uma estimativa para 2011 de uma taxa de 7,2%. Os Censos é que vão ditar a verdade. Só em 2015 o governo estima que a taxa se aproxime dos 5%. Quarenta e um anos depois de Abril. Senhores Deputados, o analfabetismo não é uma falsa questão como sublinhou o Senhor Secretário da Educação em 18 de Abril de 2007. O analfabetismo, numa perspectiva mais lata, é uma realidade que tem de ser combatida pelo que ele representa para o desenvolvimento da Região. E essa perspectiva mais lata sublinha que “os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler nem escrever, mas sim aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender” (Alvin Toffler). É por isso que, embora não concordemos com alguns artigos de pormenor desta proposta, nós vamos votar favo- Pág. 11 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 ravelmente, porque identificamo-nos com o essencial da proposta. Em sede de Comissão estamos disponíveis para debater esta importante questão que constitui o combate à erradicação do analfabetismo na Região, no sentido do crescimento e do desenvolvimento da nossa terra. Muito obrigado. Transcrito do original. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Edgar Silva, para um pedido de esclarecimento, tem a palavra. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado André Escórcio, a questão que eu queria colocar a V. Exa. tem a ver exactamente com a referência que faz à opinião vinculada pelo responsável regional pela pasta da educação. Diz o Secretário, e não é a primeira vez que o faz, nessa referência a que faz alusão o Sr. Deputado, que o analfabetismo na Madeira corresponde a uma falsa questão. Como é que é possível que alguém com as responsabilidades políticas e governativas, que tem o Sr. Secretário, responsável pela área da educação possa afirmar tamanha barbaridade? É que quando todos os estudos credíveis sobre a realidade da pobreza apontam como causa estrutural da pobreza no País o chamado círculo vicioso da pobreza, em que analfabetismo gera pobreza, pobreza gera analfabetismo, isso está provado em todos os estudos, desde a década de 80, os estudos realizados pela Dra. Manuela Silva e pelo Engenheiro Alfredo Bruto da Costa, todas as equipas que têm vindo a trabalhar o problema da pobreza em Portugal, enquanto realidade endémica, estrutural do País apontam o seguinte como conclusão: enquanto não for erradicado o analfabetismo, não será possível dar passos profundos na erradicação da pobreza, como é que é possível, quando está comprovado este círculo vicioso da pobreza, alguém com a responsabilidade política e governativa como o Secretário de Educação vir afirmar, repetir, dizer reiteradamente, que o problema do analfabetismo, não no País mas certamente na Região constitui uma falsa questão? Como é que o Sr. Deputado considera, do ponto de vista da responsabilidade política e das suas implicações, este tipo de afirmação, quando colocada por quem a fez? Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado André Escórcio para responder, faz favor. O SR. ANDRÉ ESCÓRCIO (PS):- Obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Edgar Silva, eu seria mais soft na linguagem e não diria que se tratou de uma afirmação repetida no quadro de uma barbaridade em termos linguísticos. Mas diria que é uma infelicidade discursiva e de facto uma pessoa que das duas, uma: ou quer tapar o sol com a peneira ou então está distante da realidade concreta da nossa Região. Mas só dizia, e para terminar, Sr. Deputado, aqui um documento da Secretaria Regional da Educação que diz tãosomente isto: uma análise mais fina por grupos etários indica-nos que o sistema sócio-educativo já não produz analfabetos e isto desde já há alguns anos, cerca de 20. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sra. Deputada Sónia Pereira, para uma intervenção, tem a palavra. A SRA. SÓNIA PEREIRA (PSD):- Obrigada, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Partido Comunista volta a trazer ao debate o problema do analfabetismo na Região Autónoma da Madeira. Mas o flagelo do analfabetismo não só na nossa região, também em Portugal Continental é um problema estrutural e histórico. A título de exemplo em 1924, a França tinha uma taxa de analfabetismo de 5%, a Bélgica fixava-a nos 10% e Portugal nos 64%. Esta herança não se esbate de um dia para outro e se, em 1981, Portugal registava uma taxa de 19%, na Madeira a taxa era de 26,6%, já em 1991 a taxa desceu para os 15,3% e em 2001 situou-se nos 12,7% contra 9,3% a nível nacional. Actualmente, segundo a Secretaria Regional de Educação e Cultura, prevê-se que a taxa de analfabetismo se situe nos 8,7% e, também por estimativa, que em 2011 se situe nos 7,2%. Há efectivamente uma redução significativa e como tal o Partido proponente não pode continuar a afirmar que o sistema produz analfabetos e que ainda existem analfabetos como consequência das políticas de há 30 anos, pois os casos que ainda subsistem incidem sobre um escalão etário acima dos 60 anos, cerca de 78%, sendo a faixa etária entre os 10 e os 34 anos de, apenas, 1,9% que coincide com a média de alunos com deficiência, os necessitados de Educação Especial, restando em 2007, cerca de três mil analfabetos, entre os 10 e os 59 anos, sobre os quais devem ser focalizadas as políticas de alfabetização. Assim, como forma de erradicação do analfabetismo nestes casos, a Secretaria Regional de Educação criou ensino recorrente no 1º ciclo em todos os concelhos num total de 86 cursos e 1218 alunos. Em instituições sociais, inclusivamente em Casas do Povo, estão a ser leccionados cursos de alfabetização, num total de 35 cursos e 756 alunos, proporcionando à população adulta e sénior uma oportunidade de escolarização. No presente ano lectivo, pela primeira vez, foram criados cursos denominados saber mais, que incidem sobre literacia tecnológica, nomeadamente o uso de nova tecnologias, ainda Inglês e Português como segunda língua, esta última disciplina em especial, destinada a imigrantes que pretendam por esta via aprender a Língua Portuguesa. Os 32 cursos a decorrer nesta área visam aperfeiçoar competências naqueles domínios e são frequentados por 488 alunos. Pelo exposto e porque hoje a situação não tem a dimensão que alguns partidos procuram fazer crer e porque os casos que ainda subsistem estão a ser equacionados, consideramos desnecessárias outras medidas para além daquelas que a Secretaria Regional está a desenvolver e bem para combater esta problemática. Pág. 12 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 E como tal, o Partido Social-Democrata vai votar contra este projecto de decreto legislativo. Obrigada. Transcrito do original. Vozes do PSD:- Muito bem! O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Sr. Deputado Edgar Silva tem a palavra para um pedido de esclarecimento. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sra. Deputada, a Região pelos dados que trouxe na verdade tem uma fase onde a taxa de analfabetismo não diminui ao ritmo da taxa de mortalidade. E a única fase em que a taxa de analfabetismo na Madeira não diminui ao ritmo da taxa de mortalidade é exactamente quando a Região tomou uma medida empreendedora no combate ao analfabetismo, era o Secretário da Educação então, o Dr. Brazão de Castro. E porque se comemorava o Ano Internacional da Alfabetização foram tomadas medidas e desencadeados programas para alfabetização na Região. E é a única altura em que a Região não diminui o analfabetismo ao ritmo da taxa de mortalidade. Onde é que está esse programa, não é tarde para aprender, e tudo o que tocou a campanha publicitária com os incentivos? A Sra. Deputada se calhar não se lembra, se calhar ainda não era nascida, eu também não era muito velho ainda, mas ainda me lembro disso. Burburinho na bancada do PSD. Mas Sra. Deputada, a questão que eu gostaria de perguntar era directamente esta: concorda que seja a própria Secretaria de Educação a considerar que a partir dos 60 anos as pessoas não são alfabetizáveis? Concorda? Aqui diz a Secretaria da Educação: nós temos 18.731 indivíduos com analfabetismo, números que são incertos, mas que considera a Secretaria que sim, dos quais 14 mil têm mais de 60 anos,… O SR. LEONEL NUNES (PCP):- É para deitar fora! O ORADOR:- …os restantes apenas serão analfabetos alfabetizáveis, e quais são? Aproximadamente 3 mil adultos entre os 30 e 59 anos. Ou seja, a Secretaria de Educação concorda que venha o Governo dizer que só são alfabetizáveis os que têm entre os 30 e os 59 anos e que a partir dos 60 anos não há nada a fazer, que o que importa é esperar pela taxa de mortalidade? Concorda V. Exa. que a Secretaria tenha como plano, que o plano do Governo Regional para diminuir o analfabetismo seja a taxa da mortalidade da Região? Concorda com isto? O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sra. Deputada Sónia, para responder. A SRA. SÓNIA PEREIRA (PSD):- Obrigada, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sr. Deputado Edgar, eu não concordo porque a Secretaria nunca afirmou tamanha barbaridade. Eu referi que existem em instituições sociais 35 cursos com 756 alunos para alfabetização, estão a ser leccionados cursos de alfabetização. É uma oportunidade para a população sénior, com 60 ou mais anos, ter escolarização. A Secretaria nunca afirmou a barbaridade que o Sr. Deputado andou para aí a berrar, que foi mesmo, que andou a… Protestos do Sr. Edgar Silva (PCP). A ORADORA:- Desculpe, desculpe, o Sr. Deputado interpreta à sua maneira, não é isso que está no site. Eu tenho aqui também o site… Protestos do Sr. Edgar Silva (PCP). A ORADORA:- Não, não é! Não é isso que está no site. A Secretaria no site não diz que não quer que os seniores de 60 e mais anos são sejam alfabetizados, pois se assim fosse não existiam estes tais cursos em instituições sociai s para alfabetizar os adultos. Se o Sr. Deputado não sabe interpretar, paciência. Obrigada. Burburinho geral. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Srs. Deputados, vou colocar à votação o ponto 2 da nossa ordem de trabalhos. Submetido à votação, foi rejeitado 21 votos contra do PSD e 10 votos a favor, sendo 4 do PS, 2 do PCP, 2 do CDS/PP, 1 do BE e 1 do PND. Passamos ao ponto 3 da nossa ordem de trabalhos, que é apreciação e votação na generalidade do projecto de decreto legislativo regional, da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Defesa do peixe-espada preto”. Está em discussão na generalidade o diploma. Pág. 13 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Dou a palavra ao Sr. Deputado Leonel Nunes para uma intervenção. O SR. LEONEL NUNES (PCP):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, realmente há pessoal que de espada só conhece as ovas, e passadas pela frigideira. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, esta preocupação da paragem biológica relacionada com o peixe-espada preto já passou por esta Assembleia em anos anteriores. Lembro-me perfeitamente que alguém do lado da bancada da maioria fez um desafio muito interessante, que eu faço agora. Ou seja, na altura disseram: “vai a Câmara de Lobos, vai ali ao sítio do Poço, fala com os pescadores, fala com os armadores, fala com eles no sentido da paragem biológica”. Realmente há 2, 3, 4 anos não havia sensibilidade por parte quer dos armadores, quer dos pescadores em relação a esta matéria. Hoje, desafiamos aqueles que nos desafiaram a irem até Câmara de Lobos, inclusive o Sr. Dr. Vasco, ir até Câmara de Lobos para falar com os armadores, para falar com os pescadores. Burburinho na bancada do PSD. Sr. Presidente, estamos a falar dum peixe que é emblemático da nossa Região, que é daqueles que mais rendimento traz aos pescadores e aos armadores, e que hoje, em termos de capturas, é superior a qualquer outra espécie, mesmo às dos tunídeos, que hoje representa quase 50% das capturas na Região. Mas que hoje também tem uma diminuição, nos últimos 5 anos, de cerca de 1.000 toneladas. O peixe-espada tem vindo a perder progressivamente com as capturas. No entanto, o Diário de Notícias da nossa terra, baseado em dados concretos e objectivos, anuncia que os pescadores e os armadores têm ganho mais dinheiro com menos espada. É caso para perguntar: se eles têm ganho mais dinheiro com menos espada, quem é que está a pagar para que eles tenham mais dinheiro com menos espada? É o cidadão que se habituou a olhar para o peixe-espada muitas vezes como o peixe do pobre e que hoje é um peixe dos ricos, porque não é possível muitas das vezes ter acesso a tão precioso petisco como é o nosso peixe-espada. Entendemos que é importante pensarmos seriamente nos recursos desta espécie e que deve merecer uma especial protecção. Ainda no ano de 98 um navio que muitos com certeza se lembram, que passou pela nossa terra e que foi a Região Autónoma da Madeira que pediu a sua intervenção, no sentido de estudar as nossas capacidades e as nossas dificuldades na área piscícola, que era o Noruega, eu gostaria ainda, ou esta bancada gostaria de saber se é possível fazer chegar a esta Assembleia os estudos, as conclusões a que chegaram os técnicos, os cientistas que andaram na investigação desse navio? De certeza que já na altura havia preocupações em relação ao período da desova; esse período que geralmente está bem definido, é um período que decorre entre Outubro e Janeiro de cada ano… O SR. RUI COELHO (PSD):- Olhe que não! O ORADOR:- Não? Então V. Exa. vai fazer o favor de dizer qual é a altura para a sua mãe de melhor desova! Nós entendemos que é entre Outubro e Janeiro. Mas se esta for a única razão para divergirmos neste diploma, estamos disponíveis para aceitar que sejam outros meses, mas com bases científicas é que vamos lá. E a verdade é que quem nos deu estas datas são aqueles que andam no mar há décadas, são aqueles que conhecem o produto que trabalham durante toda a sua vida. Entendemos também que não é possível chegar ao pé de um pescador, chegar junto de um armador, que tem dificuldades já no seu dia-a-dia e impedir que vá continuar a sua faina entre Outubro e Janeiro. Mas é possível, porque esses homens que andam no mar, esses homens que são os lobos-do-mar de Câmara de Lobos conhecem perfeitamente que se continuarem com esta intensidade e nomeadamente na altura da desova o seu futuro está ameaçado. Podem alegar, como com certeza vão alegar aqui alguns adeptos do Sr. Secretário Regional, que isto é um problema dos países nórdicos, que também o peixe-espada é um peixe migratório e os países nórdicos é que têm culpa, vamos ouvir esta justificação e fundamentação colocada aqui nesta Casa. Mas para nós o que é verdade é que os nossos pescadores vão cada vez mais distante à procura do peixe-espada preto. Os nossos pescadores, com condições quase semi-artesanais, são obrigados a estarem cada vez tempo fora da família, fora da sua região e com dificuldades, e irem à procura de outros bancos que não têm encontrado naqueles que tradicionalmente lhes fornecia o pescado. E a verdade é que a qualidade e o tamanho das espécies são cada vez mais diminutas. Por essa razão é necessário e é possível que através de apoio financeiro, porque há uma coisa que esta bancada e os pescadores também ainda não entenderam, são homens que fazem os seus descontos, que descontam para a segurança social e então não seria possível nessa altura, quando a gente vê de uma forma aldrabada, de uma forma profundamente incorrecta haver empresas da hotelaria e de outros ramos e até de, enfim, de outros sectores económicos que quando querem fazer obras põem os trabalhadores em casa a receber o subsídio de desemprego, então não é possível que os pescadores na altura do defeso estejam também a usufruir de um direito para o qual já contribuíram com os seus descontos? É completamente impossível ir por este caminho? Claro que não, e se não for este, temos que encontrar outros e também para os armadores é possível minimizar. Até que nessa altura é sempre possível encontrar formas de aproveitar o tempo: é a manutenção que se exige nalguns barcos, e com certeza que era possível. Há fundos comunitários, e este Governo que passa a vida à procura de fundos para investir nos mais variados sectores económicos, agora, porque razão não se encontra, através desses fundos comunitários (que há), a possibilidade de minimizar as dificuldades porque passam, na altura do defeso, quer pescadores, quer armadores? É por essa razão que nós propomos este projecto de decreto legislativo regional e estamos disponíveis, como aqui já houve alguns apartes, Sras. e Srs. Deputados, para encontrar as formas mais diversas, para encontrar formas de alterar e minimizar algumas dificuldades que este diploma possa, por si, não ter ultrapassado. Pág. 14 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 É com essa intenção que apresentamos este projecto e que, com certeza, se for aprovado, em comissão merecerão a devida atenção as alterações que os Srs. Deputados queiram fazer. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- O Sr. Deputado José Manuel Rodrigues, para uma intervenção, faz favor. O SR. JOSÉ MANUEL (CDS/PP):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, não é a primeira vez que se coloca neste Parlamento a questão da defesa do peixe-espada preto, dos stocks, e saber como lidar com uma situação em que começa, se não a escassear, pelo menos a não abundar nos nossos mares, como já aconteceu outrora, o peixe espada preto. Esta não é uma situação fácil de lidar, porque se trata de um sector económico significativo para Câmara de Lobos, mas também para alguma indústria ligada à comercialização do peixe-espada preto. Ainda hoje tomámos conhecimento de que infelizmente cada vez mais os nossos governos têm menos soberania sobre os seus mares, tomámos conhecimento hoje de que a União Europeia vai deixar de apoiar a construção de novas embarcações, apesar da nossa pesca ser tradicional, tanto no peixe-espada preto, como na pesca da atum, que são as duas principais espécies capturadas nos nossos mares e portanto assistimos lentamente à agonia do sector das pescas na Madeira. Infelizmente, é isso que constatamos hoje e vamos constatar no futuro. Estamos a assistir à morte lenta do sector das pescas na Região Autónoma da Madeira. Em primeiro lugar, pela falta de poder negocial da Região e do Estado junto da União Europeia, em segundo lugar também por motivos relacionados com os stocks de pesca nesta Região. O CDS/PP não tem opinião formada sobre esta questão do defeso e entende que esta matéria deve merecer uma profunda reflexão e sobretudo é dever deste Parlamento, antes de aprovar qualquer defeso, ouvir as partes interessadas nesta matéria: o Sr. Secretário responsável pelas pescas, os armadores, os pescadores e sobretudo os técnicos que têm feito prospecções nos nossos mares para saber que stocks ainda existem nos nossos mares. Há uma verdade inquestionável: é que os pescadores do peixe-espada preto pescam cada vez mais longe, pescam cada vez menos e as espécies são cada vez menores. Isto será um indício de que os stocks estão em perigo? Possivelmente. Mas aí, só os técnicos poderão dizer e avaliar se é esta a situação. É um facto inquestionável de que muitos bancos usados para a pesca do peixe-espada preto hoje estão esgotados, de que se pesca cada vez mais longe, com mais horas de trabalho, pesca-se cada vez menos e o número de capturas é menor e o tamanho também é menor. E sendo assim, Sr. Presidente, Srs. Deputados, estamos dispostos a discutir esta matéria até porque, como aqui foi dito, há verbas da União Europeia para pagar indemnizações compensatórias a armadores e pescadores e também à indústria nas épocas do defeso. Isso já acontece com a sardinha no Continente e também com outras espécies e portanto não há que ter medo de encarar esta questão. Agora, o que era necessário era ouvir todas as partes envolvidas para chegar a uma conclusão, se realmente para a defesa da espécie, para a defesa deste sector económico ligado ao peixe-espada preto, se é necessário ou não parar durante um período, sobretudo na fase da desova, para que se possa manter o nível de stocks que tivemos até há poucos anos. É neste ponto que nos encontrámos e nos vamos abster neste diploma proposto pelo PCP. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Jaime Leandro, faz favor, para uma intervenção. O SR. JAIME LEANDRO (PS):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, mais do que fazer grandes discursos à volta desta temática é preciso atentarmos à realidade. E a realidade é que os stocks de peixe-espada preto têm vindo a diminuir de ano para ano, a realidade é que os rendimentos dos pescadores, dos armadores têm vindo a diminuir, contrariamente aquilo que se diz nalguns casos, de ano para ano. E o problema é que isto não é só um problema dos armadores e dos pescadores, é também um problema dos consumidores. e esta bandeira não é uma bandeira nem da oposição, nem do Governo, tem que ser uma bandeira da Região e todos nos deveríamos preocupar de facto com esta temática. Mais importante do que decidirmos, do que esgrimirmos aqui argumentos sobre se o período do defeso terá que ser entre Outubro e Janeiro ou se terá que ser entre Junho e Setembro, ou se terá que ser noutros meses quaisquer, não nos compete a nós fazer essa abordagem, compete aos técnicos, compete aos especialistas e nós temos que pôr na mão dessas pessoas de facto essa decisão e não virmos nós para aqui inventar. Em última análise dir-se-ia que se calhar era melhor que o defeso do peixe-espada preto fosse entre Junho e Setembro e nessa altura a espada ia de férias e tínhamos o problema resolvido! Quer dizer, isto não é conversa que se faça. Portanto, temos que encarar esta temática com sentido de responsabilidade. O Governo tem que descer do seu pedestal, deixar-se de conversas, deixar-se de esgrimir argumentos como se o problema da espada fosse um problema da oposição. Não, é um problema da Região, é um problema dos nossos recursos piscícolas e portanto há que ver isto com a acuidade que o assunto merece, deixando-nos de politiquices. É por isso que o Partido Socialista entende que esta matéria tem que ser de facto olhada com grande cuidado, com grande espírito de missão até, porque é hoje uma grande missão sabermos preservar os nossos recursos naturais. E portanto o PSD tem aqui uma responsabilidade acrescida, na medida em que pode viabilizar hoje este diploma e dar um contributo importante para a preservação dos nossos recursos naturais. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Rui Coelho, faz favor. O SR. RUI COELHO (PSD):- Obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o que se assiste ultimamente nesta Assembleia é mais do mesmo. Pág. 15 Sessão nº 51 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Uma corrida desenfreada por parte da Oposição para a estatística. Ou seja, mais um proposta que aqui o PCP traz a esta casa, apenas para aumentar o número de propostas. Isto porque, pela enésima vez, este projecto-lei vem a esta Assembleia e sempre com os mesmos argumentos. Ainda no ano passado aqui esteve, já está aqui novamente e nem uma vírgula alteraram. Neste assunto que é tão e muito importante para a frota pesqueira madeirense… Protestos do Sr. Leonel Nunes (PCP). …em três folhas apenas o Partido Comunista tenta fazer aqui um brilharete com uma irresponsabilidade de todos os tamanhos. Este diploma é de tão grande irresponsabilidade que, em três artigos, propõe um defeso, para o peixe-espada preto, que nada transmite e que nada procura resolver. O Partido Social-Democrata acha extemporâneo este projecto de decreto-lei que cria um defeso do peixe-espada preto,… Comentários do Sr. Leonel Nunes (PCP). …não vendo qualquer benefício nesta proposta, nem para os pescadores, nem muito menos para os próprios armadores. Srs. Deputados, num passado recente nesta Casa, tivemos aqui um voto de congratulação pelo facto da Comissão Europeia ter reconhecido que a pesca na Região não prejudicou os stocks do peixe-espada preto, e por conseguinte, manteve as quotas para a pesca de espécies de profundidade, para os anos de 2007 e 2008, entre as quais se encontra o peixe-espada preto. A Comissão Europeia reconheceu que o problema da exploração, que tem levado à diminuição das populações de espécies de águas profundas, acontece devido à acção dos pesqueiros industriais no Atlântico Norte. Eu vou repetir, a Comissão Europeia reconheceu que o problema da exploração, que tem levado à diminuição das populações de espécies de águas profundas, acontece devido à acção dos pesqueiros industriais no Atlântico Norte. Comentários do Sr. Leonel Nunes (PCP). Mais, V. Exas. propõem um defeso para esta espécie, de Outubro a Dezembro, ou seja uma paragem na captura deste peixe, que simplesmente corresponderia ao período habitualmente de maiores capturas de espécie em causa, e consequentemente com custos avassaladores para toda a frota pesqueira. O que querem simplesmente é pôr tudo à nora. É bom que todos os pescadores, saibam o que V. Exas. aqui apresentam, e o que V. Exas. aqui apresentam é simplesmente a morte da nossa frota pesqueira. Temos também que ter em atenção que, com este defeso, a previsível redução significativa nas quantidades anuais de espada preto capturadas, teria como consequência uma evidente fragilização da posição da Madeira na defesa das suas posições quanto à aplicação de cotas. Realço aqui também o recente acordo entre Madeira e Canárias para que as frotas possam pescar mutuamente nos seus territórios, decorrendo agora apenas trocas de informações técnicas para fechar todo o processo. Mais informo ao Grupo Parlamentar do PCP, autores deste projecto, pela enésima vez, que a desova ocorre de Novembro a Fevereiro e não no período de defeso que Vossas Exas. aqui pretendem implementar. Bem, em suma esta proposta só serve para estatística que aqui se vem fazendo nesta Assembleia. Importa ressalvar que para o Grupo parlamentar do PSD a conservação deste recurso necessita, neste momento, de uma intervenção muito mais abrangente e diversificada do que a proposta aqui em causa, quer através de dados mais fiáveis, quer com estudos muito mais aprofundados. Muito obrigado. Transcrito do original. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Vamos fazer o intervalo. Eram 11 horas. INTERVALO Assumiu a presidência, o Sr. Vice-Presidente, José Paulo Baptista Fontes. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Sras. e Srs. Deputados, já dispomos de quórum, vamos então reiniciar os nossos trabalhos. Eram 11 horas e 36 minutos. Estamos na discussão do ponto 3 da nossa ordem de trabalhos, o projecto de decreto legislativo regional da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Defesa do peixe-espada preto”. E o Sr. Deputado Leonel Nunes está inscrito, para um pedido de esclarecimento ao Sr. Deputado Rui Coelho. Tem a palavra. O SR. LEONEL NUNES (PCP):- Obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Rui Coelho, há uma coisa vai-me fazer justiça. A minha actividade profissional é ligada à hotelaria; V. Exa. tem outras responsabilidades ligadas à Secretaria da Agricultura e Pág. 16 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Pescas. Portanto, não somos especialistas profundamente nesta matéria, mas há uma coisa que temos a certeza e eu tenho a certeza que V. Exa. não me vai também contrariar. Não é possível que o peixe-espada preto algum dia tenha o seu desenvolvimento em cativeiro, através da aquacultura. Não é possível! Portanto, nós devemos tomar algumas medidas para preservar esta nossa espécie, como V. Exa. fez referência - e que é nossa preocupação também -, que nos mares do Norte as capturas são feitas sem ter em atenção o tamanho do pescado, etc.. Agora, mas V. Exa. também com certeza também que me vai dar razão. É verdade ou mentira que se apanham centenas, milhares de espadas quando estão na altura da desova na Região Autónoma da Madeira e que isso é igual a milhares e milhões de espadas que deixam de existir porque são pescadas na altura da desova? V. Exa. poderá dizer... Protestos do Sr. José Prada (PSD). Bom, afinal temos aqui um especialista nesta matéria e eu estou a perder tempo com o colega, veja lá! Deixe para aquelas coisas que você fala nos jornais tão bem que é das coisas dos advogados! Bom, o que é que interessa? É sabermos e constatarmos, Sr. Deputado. É que o problema não é só da espada preto, é que, por exemplo, já hoje uma espada preto é o peixe que mais captura tem na Região Autónoma da Madeira e que tem vindo a diminuir. De 2004 até agora perdemos 825 toneladas; o atum, perdemos 84 toneladas; a cavala e o chicharro, que, por excelência, se há muita cavala se há muito chicharro temos atum que é um peixe migratório que também vem à procura da ruama e que também devia de haver defeso. Agora a questão que se coloca, Sr. Deputado, é esta: estou de acordo que era necessária uma operação concertada em todo o mundo… O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Terminou o seu tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …para preservação das espécies, mas se nós aqui não fizermos aquilo que nos cabe, pergunte lá nos mares do Norte se eles estão a dar baldas para o pescado, para o fiel amigo que é o bacalhau?! Veja lá se eles não estão a tomar medidas drásticas para que não se extinga o bacalhau? O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Muito obrigado, Sr. Deputado. O ORADOR:- O nosso contributo era este que nós aqui apresentamos mas V. Exa. diz que não é possível porque os pescadores não querem! O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Muito obrigado. Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Rui Coelho. O SR. RUI COELHO (PSD):- Obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Leonel Nunes, na minha intervenção eu fui claro: discordo da posição do PCP. Mas, a certa a altura da minha intervenção eu disse que o Grupo Parlamentar do PSD ressalva que a conservação deste recurso necessita neste momento de uma intervenção muito mais abrangente e diversificada que a proposta aqui em causa, quer através de dados mais fiáveis, quer com estudos muito mais aprofundados. Estamos inteirados. De qualquer das maneiras, se é assim tão mau como V. Exa. diz, uma simples questão, vou-lhe fazer várias para lhe tentar responder, mas uma simples questão: sabe quantos barcos neste momento temos em projecto? Não é assim tão mau! Temos 8 barcos. Estão a ser projectados 8 barcos para a pesca. Não é assim tão mau como V. Exa. diz! O que o PCP quer é acabar com a pesca, o que o PCP quer é pôr os pescadores em casa e com o Governo a pagar. Mas que política é esta, Sr. Deputado? Muito mais. Sr. Deputado, eu repondo-lhe fazendo-lhe as seguintes questões, para que no próximo ano, quando trouxer esta nova proposta a esta Assembleia melhore alguma coisa nesta questão. Porquê 3 meses? Onde foi buscar esta ideia? Baseou-se em que estudos? Que irão fazer os pescadores e os armadores durante 3 meses? Quem vai pagar os ordenados a esses pescadores e armadores? Irão receber consoante o quê? V. Exa. já tem uma tabela? Deve ser a do Teixeira dos Santos, com certeza! Quem vai pagar a segurança social? O que iremos fazer com os vendedores de peixe? O que pretende fazer na lota do Mercado dos Lavradores? Que futuro para os bares e restaurantes que têm por principal prato o peixe-espada preto… O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Terminou o seu tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- Só um minuto para acabar. …e o nosso turismo que vem à procura desta nossa especialidade? Sr. Deputado, mais lhe digo, não traga para esta Casa propostas avulso simplesmente para a estatística! Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Sr. Deputado João Isidoro para uma intervenção, tem a palavra. O SR. JOÃO ISIDORO (MPT):- Obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o PCP traz aqui hoje uma proposta que eu considero importante, é uma proposta sobre uma matéria que há muitos anos se fala da necessidade de fazer o defeso nesta espécie que é do peixe-espada preto, mas o que é verdade é que muitas vezes a discussão à volta desta matéria tem andado entre o 8 e Pág. 17 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 88 nalguns casos e não se tem encontrado aqui um ponto de consenso no sentido de salvaguardar esta espécie. Penso que todas as pessoas que estão nesta Casa sabem que hoje os barcos de frota de pesca do peixe-espada preto já vão a uma distância de cerca de duzentas milhas, ou seja já nos mares de Canárias, para pescar. O que significa que toda a outra área onde era predominante e até abundante esta espécie, por não ter havido uma política de defeso, acabou por não se extinguir mas estar muito reduzida hoje a sua captura e por isso é necessário tomar algumas medidas neste sentido. Eu sei, até por alguma experiência do contacto que tenho mantido ao longo dos anos com os pescadores, armadores, que não é uma situação fácil. Todos concordam que é necessário defender a espécie. Quando chega ao momento de tomar medidas concretas não há consenso, ou porque da parte do Governo não existe, digamos, um projecto, não existem condições para que as pessoas que se dedicam a esta espécie possam ter rendimentos económicos para sim para as famílias e para todos aqueles que estão envolvidos nesta actividade e a verdade é que se foi prolongando esta questão e hoje a situação começa a ser, nalguns aspectos, preocupante. Há mesmo uns barcos que vão pescar a estas distâncias que não têm condições técnicas de segurança para fazer estas distâncias, o que é também uma questão que devia de ser motivo de reflexão por parte das entidades oficiais desta terra. Se é verdade que é uma situação que não gera consensos fáceis, esta iniciativa tem ao menos o condão de alertar uma vez mais para a necessidade de se tomar algumas medidas no sentido de preservar a espécie. E hoje existe já um entendimento entre Açores, Canárias e Espanha relativamente às pescas e no caso a Madeira pode pescar nos mares de Canárias onde ainda existe alguma quantidade desta espécie, mas não é inesgotável. E é preciso que se faça alguma coisa no sentido de preservar. É verdade que aqui já foi referido que isto tem muitas envolvências. É a questão da hotelaria, são as pessoas que trabalham na lota, são as pessoas que trabalham na praça do peixe do Mercado dos Lavradores, quer dizer, há aqui um conjunto de entidades e de situações que é preciso ter em consideração, é preciso com alguma serenidade estudar e tomar medidas. Julgo que ficar nesta situação sem tomar algumas medidas é mau e podemos estar a pôr em causa esta espécie que tem um impacto muito grande em termos económicos nomeadamente na área do turism o, na área de hotelaria. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Sr. Deputado Paulo Martins para uma intervenção, tem a palavra. O SR. PAULO MARTINS (BE):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ao discutirmos este nosso problema particular, o estado dos stocks do peixe-espada preto, estamos a discutir também um problema mundial. O esforço de pesca das espécies economicamente mais rentáveis colocou em muitas partes do globo espécies à beira do desaparecimento e obrigou a que as entidades responsáveis tomassem medidas de protecção limitando a tonelagem de pescado admissível e, inclusive, criando períodos de defeso para a pesca de algumas espécies. Isto acontece com variadas espécies à escala mundial. E o exemplo que mais nos toca, até por tradição de consumo, é os limites que foram impostos à pesca do bacalhau, espécie que existia em grande abundância nos mares do Norte mas que devido ao esforço de pesca esteve e está ainda seriamente ameaçado. Nós ao longo destes anos tradicionalmente pescamos em grandes quantidades o peixe-espada preto, uma actividade rentável e uma actividade útil ao consumo. Só que o esforço de pesca ao longo de anos, sem disciplina, sem limitações de qualquer ordem, levou a que os stocks se reduzissem. E hoje temos uma situação onde os bancos onde habitualmente existia esta espécie em abundância já estão quase que desertificados o que obriga os pescadores do peixe-espada preto na Região Autónoma da Madeira a terem que percorrer maiores distâncias para conseguirem pescar embora em menor quantidade do que antes era feito. Esta ideia de criação de um período de defeso na pesca do peixe-espada preto não é nova, é já repetida por várias vezes. Mas quando a questão é justa nada melhor que insistir até conseguir. Eu lembro-me, por exemplo, de uma iniciativa que repeti durante 11 anos nesta santa Casa, que foi a luta correcta pelo fim do pagamento das linhas pela bordadeira de casa. Insistimos, insistimos durante 11 anos, até que conseguimos. Também acho que é justo e pertinente insistir, insistir até se conseguir um período de defeso na pesca do peixeespada preto. Argumenta-se aqui com dois argumentos fundamentais para não aceitar esta proposta do Partido Comunista. O primeiro argumento é que os meses não serão propriamente os de Outubro a Janeiro mas sim os de Novembro a Fevereiro. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu creio que não teremos nós a capacidade técnica para deliberar qual é a data exacta em que se inicia o período de desova e em que acaba nem somos nós que por decreto vamos dizer à espada que comece a desovar em Novembro e que termine a desova em Fevereiro. A comissão, caso esta proposta ande para diante, que consulte os técnicos, que peça os estudos já feitos, que peça os levantamentos efectuados pelo navio Noruega que andou aí a trabalhar e que delibera em conformidade com os conhecimentos científicos adquiridos. E não vamos entrar numa discussão de treta que é discutir se é de Outubro a Janeiro ou de Novembro a Fevereiro. Por amor de Deus, isto não é discussão digna de nome num parlamento regional. Não vamos deliberar administrativamente sobre a data da desova. Em segundo lugar argumenta-se que o PCP quer pôr os pescadores em casa e o Governo a pagar (é o segundo grande argumento), argumento que só pode revelar o desconhecimento de quem assim fala, o desconhecimento do que este Parlamento já fez, do que tem feito que é uma batalha permanente e continuada para que os pescadores da região sejam abrangidos pelo fundo de garantia salarial de forma a estarem protegidos, receberem desse fundo quando por razões, incluindo as de defeso, na pesca de uma espécie não possam exercer a sua actividade. Afinal, porque é que não se estuda o que se passou neste Parlamento, propostas por nós feitas, propostas depois assumidas pelo PSD e até hoje, infelizmente, não conseguidas mas já aplicadas para os pescadores do Continente e para os pescadores dos Açores? A Madeira é que está de fora desta questão. Pág. 18 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Se existe esse fundo, porque não continuar a batalhar para que os pescadores da Madeira sejam cobertos? Não se venha dizer, portanto, que o PCP é que quer pôr os pescadores em casa e o Governo a pagar! É claro que outras envolvências existem, outros sectores estão envolvidos nas consequências deste período de defeso. Vamos estudar, vamos ver as medidas a tomar. Mas, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a questão que se coloca é esta: ou agarramos na tarefa de acautelar a salvaguarda desta espécie e garantir condições para que possa repovoar os bancos tradicionais ou então daqui a uns anos, por mais barcos que se construam, corremos o risco de ter que mandar abatê-los porque já não há peixeespada preto em condições, em quantidades que justifiquem a sua pesca. É este o caminho que lamentavelmente parece que pretendem seguir. Porque não é tarde ainda para começar a tomar medidas. Porque é que se recusa obstinadamente a começar a abrir um caminho que permita repovoar os bancos de pesca de espada preto e que permita conseguir que amanhã tenhamos quantidades mais próximas da nossa costa suficientes para serem pescadas. Isto faz-me lembrar também a teimosia que se colocou quando se tratou de definir a reserva das Ilhas Desertas. Não se queria fazê-lo, dizia-se que era uma desgraça para os pescadores, dizia-se que isto iria pôr em causa a economia dos pescadores. Mas fez-se. E os pescadores hoje agradecem porque o repovoamento de espécies que se deu naquela área permite beneficiar a pesca nas costas da Madeira e do Porto Santo. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Terminou o seu tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- E, portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estarei e votarei a favor desta proposta do PCP. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Muito obrigado. Para uma intervenção tem a palavra o Sr. Deputado Baltasar Aguiar, do PND. O SR. BALTASAR AGUIAR (PND):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, a situação da pesca da espada foi suficientemente abordada nesta Sessão e os problemas foram exaustivamente levantados e julgo que são aceites por todas as bancadas: diminuição de pescado, extinção da espécie ou risco de extinção da espécie, aumento dos custos da faina pesqueira por necessidade de procura do pescado noutras zonas. E a realidade também todos nós conhecemos. Todos nós sabemos que em determinadas épocas do ano são pescadas quantidades muito grandes de exemplares de peixe-espada, com ovas, ou seja em fase de criação. Seria desejável que essas ovas pudessem fortificar nos nossos mares e que esses peixes não fossem apanhados nessa época. Mas a verdade é que continuamos a ver o negócio, mesmo nos restaurantes, indiscriminado, da comercialização de ovas. Também aí parece que se devia fazer uma reflexão sobre medidas legislativas a tomar quanto à comercialização das ovas. Porque a comercializarem-se as ovas, que são especiarias e iguarias muito apreciáveis, nos termos em que elas estão a ser comercializadas, pode haver riscos para a diminuição de pescado. A preocupação da diminuição da espécie não é só desta Assembleia, é também dos pescadores. Quem anda no mar percebe e sente que os pescadores estão preocupados com a diminuição dos bancos de pesca. É certo, aqui tenho que conceder: os armadores não vêem com bons olhos uma medida como esta que é proposta, mas não vêem com bons olhos uma medida como esta que é proposta porque não lhes é oferecida uma solução alternativa para suportarem os custos da paragem das embarcações nas fases do defeso. E a verdade também é esta: é que os pescadores, a comunidade pesqueira, toda ela, maioritariamente com quem se fala, defende uma época de defeso em tudo igual àquela que se pratica quanto a outro pescado, por exemplo, nos mares do Continente. O PSD sobre isto, aliás, tem sobre esta questão uma posição absolutamente cordata que é de reconhecer o problema e dizer que o problema tem que ser atalhado. O Deputado Rui Coelho diz, e eu quero acreditar que ele disse sabendo em conhecimento de causa, que o Governo está a estudar o problema e que é preciso medidas mais integradas, é preciso medidas efectivas para parar com este problema. Mas o Sr. Deputado Rui Coelho diz fundamentalmente quanto a esta proposta, ou avança fundamentalmente quanto a esta proposta com as seguintes objecções: discorda do período do defeso. Bem, se é questão é científica, Sr. Deputado Rui Coelho, então os técnicos que a resolvam! Se a questão é técnica, os técnicos que resolvam! Diz também o Sr. Deputado Rui Coelho, e aqui transmite o sentimento da sua bancada e julgo que do Governo, que discorda da eficácia da medida porque diz que este peixe é um peixe migratório que vai para os mares do Norte e no Norte pesca-se indiscriminadamente este tipo de peixes com tamanhos muito menores do que aqueles que são apanhados aqui na Madeira contribuindo-se assim para a diminuição da espécie. Ora, não há dúvida, é para isso que aqui estamos. O Sr. Deputado pertence a um partido que tem deputados na União Europeia, o Sr. Deputado pertence a um partido e apoia um governo que constantemente, constantemente leva problemas desta região para a União Europeia. Ora, este é um problema que tem, que está numa comissão de ultraperiferia. Ora, este é um problema exactamente que terá de ser resolvido nessa instância, na União Europeia. Fala-se de pouco governo, olha lá está uma medida em que este Governo podia dar algum sinal de existência. Vá para a Europa defender um projecto integrado, europeu, para a defesa desta espécie e para a defesa do peixe-espada que é um elemento essencial da nossa economia como o Sr. Deputado Rui Coelho bem sabe! E diz finalmente o Sr. Deputado Rui Coelho que uma medida destas teria efeitos devastadores. O que é que faríamos nós, diz o Sr. Deputado Rui Coelho, o que é que faríamos nós das embarcações que estão construídas, que neste momento estão em construção 8 embarcações? Aqui um parêntese, Sr. Deputado Rui Coelho (estão em construção 8 embarcações mas o Sr. Deputado também não pode desconhecer que uma parte importante, muitos barcos açorianos estão neste momento na faina da pesca da espada nos mares da Madeira, com capacidades técnicas de pesca que os madeirenses muitas vezes não têm). Diz o Sr. Deputado: o que é que faríamos a essas embarcações e estão 8 agora em construção? Diz o Sr. Deputado: o que é que faríamos à lota - eu não sei se ela não vai ser destruída pelas próximas obras da via rápida que Pág. 19 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 lá está a ser feita -, mas o que é que faríamos à lota? Diz o Sr. Deputado: o que é que faríamos aos pescadores? Diz o Sr. Deputado: o que é que faríamos aos armadores? E, finalmente, diz o Sr. Deputado: o que é que faríamos aos turistas que já nem podiam comer este peixe, isto é uma iguaria?! Oh! Sr. Deputado, o que eu pergunto é isto: o que é que faremos às nossas embarcações; o que é que faremos à nossa lota; o que é que faremos aos nossos pescadores e aos coitados dos nossos armadores? E o que é que faremos aos desgraçados dos turistas se continuar a diminuir, como tem diminuído até agora, a reserva desta espécie tão valiosa para a nossa economia que emprega metade dos pescadores da Madeira e que significa mais de metade das capturas de peixe da Madeira? Esta é que é a questão, Sr. Deputado! E a questão é esta: ninguém está a pedir que adira 100% a este projecto, mas o que lhe estamos a pedir é abertura para aprovar este projecto e em sede de comissão, com os estudos que são necessários, com as cautelas de que naturalmente um assunto destes deve rodearse e ser tratado, aprovar uma medida regional que salve esta actividade e que salve esta riqueza regional. É isto que é importante, é isto que nós esperamos da sua bancada. E eu na minha parte apenas posso fazer o seguinte: expressar o voto que eu desejava que a sua bancada, representando 50% da população da Madeira e julgo que representa também 50% ou mais dos pescadores da Madeira, que representando toda essa gente o voto que V. Exa. devia ter nesta Casa para bem da nossa terra! O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Sras. e Srs. Deputados, não havendo mais intervenções, a Mesa vai colocar à votação o projecto de decreto legislativo regional, da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Defesa do peixe-espada preto”. Submetido à votação, foi rejeitado com 21 votos contra do PSD, 2 abstenções do CDS/PP e 11 votos a favor sendo 6 do PS, 2 do PCP, 1 do BE, 1 do MPT e 1 do PND. Srs. Deputados, passamos ao ponto 4 da nossa ordem de trabalhos, com a apreciação e votação na generalidade do projecto de decreto legislativo regional, da autoria do Partido Comunista Português, denominado “Conselho Regional do Ambiente”. Está em discussão, Srs. Deputados. Sr. Deputado Edgar Silva para uma intervenção, tem a palavra. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos a apresentar neste Parlamento a proposta que visa, através de decreto legislativo regional, criar o Conselho Regional do Ambiente. Ao nível internacional, sobretudo a partir da “Agenda 21” e com a declaração ainda ante a “Declaração do Rio” e o “Princípio 10”, como documento anexo a essa declaração, as perspectivas da participação na definição das políticas de ambiente, nomeadamente o que decorre da “Agenda 21”, capítulo 8.7, quanto à exigência de criação de mediações participativas abrangentes para a definição de políticas de um desenvolvimento sustentável, recomenda a criação dos conselhos de ambiente. Ao nível nacional existe o Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na Região Autónoma dos Açores existe também o Conselho Regional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e consideramos nós também que na Região Autónoma da Madeira se torna também indispensável proceder à criação, à constituição do Conselho Regional para o Ambiente. Já em 1996 o Dr. Domingos Abreu, até há pouco Director Regional do Ambiente, defendia em artigo publicado na Revista Arquipélago, em 96, o artigo da Primavera 96, defendia esta necessidade de constituição de algo inovador a que designava como necessária a constituição de um conselho regional para o ambiente. E passo a citar o Dr. Domingos Abreu neste seu artigo na Revista Arquipélago, página 59. E diz assim: (não só pois faz o enquadramento quanto à medida inovadora, ao carácter inovador desta medida de importância para sua região) e diz, passo a citar: “Seria consensual a constituição de um conselho regional de ambiente incluindo representações das múltiplas áreas da sociedade civil, o que constituiria um fórum de elevado valor social e prático, no aprofunda mento e definição das grandes linhas mestras da política ambiental na região”. Fim de citação. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, esta aparente ou afirmada consensualidade quanto à importância, à centralidade e também à inovação da criação dos conselhos, neste caso de um conselho regional para as políticas do ambiente, embora algum tempo já criados noutras paragens e a algum tempo recomendados, aliás como o fez o até há pouco tempo Director Regional do Ambiente, a verdade é que na Madeira têm tardado as medidas no sentido de se concretizar a constituição desta mediação. Da nossa parte continuamos a acreditar que esta mediação, de acordo com decisões internacionais quanto ás políticas de sustentabilidade do desenvolvimento, continuamos a considerar que esta é uma medida que seria importante concretizar na Região Autónoma da Madeira. Mas também temos consciência das dificuldades na aprovação desta proposta porque na verdade, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, uma região que tendo outras obrigações na área do ambiente como, por exemplo, da elaboração dos planos de ordenamento da orla costeira, que tem planos estruturantes para a gestão e utilização do solo, como o POTRAM, os próprios PDM’s, que tendo compromissos legais na defesa do ambiente, na defesa do património ambiental e na salvaguarda do desenvolvimento sustentável, tendo esses instrumentos que têm força imperativa legal, chegamos a ter a situação, ainda não há muito tempo, em que um dos responsáveis governamentais teve o desplante de vir aqui a este Parlamento dizer que sendo lei até seria melhor não termos esses instrumentos legais e que tendo a região a obrigatoriedade de ter os POOC’s, até é melhor não ter porque maior é o zelo do Governo na defesa da orla costeira. Ora, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós bem sabemos quanto dá jeito, por aquilo que vamos assistindo, não existir um POOC porque o zelo do Governo é tal que não convém mesmo. Porque havendo lei é o que é, não havendo lei o zelo do Governo é aquele que se conhece! E por isso sabemos que poderá não ser fácil a um governo que tem afirmações como estas em sede parlamentar, que as leis não são necessárias, que as leis não são para ter carácter vinculativo e que não têm função material, que Pág. 20 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 não são para levar à prática, se temos um governo que nesta área se impõem os senhores da construção, se nestes sectores o engenheiro anula por completo quem deveria ter responsabilidades de gestão ambiental, se a sobreposição e a tutela é do engenheiro destruidor contra quem deveria ter funções de conservação, de salvaguarda da protecção, não é difícil antever a dificuldade da maioria em estando de acordo, eventualmente estando de acordo com o objectivo, com o âmago desta questão, a dificuldade em poder viabilizar um projecto como estes. Isto porquê? Porque se em 1996 o Dr. Domingos Abreu não era então Director Regional do Ambiente, era um cidadão com grandes responsabilidades nas organizações de defesa do ambiente na intervenção importante que teve e tem sobre as questões ambientais, não conseguiu, uma vez chegando ao Governo, implementar aquilo que antes defendia, nós compreendemos que a maioria, embora estando de acordo com o objectivo, certamente estando de acordo com o objectivo dos compromissos internacionais, estando de acordo com a mediação existente no Continente e nos Açores para a qual contribuiu votando favoravelmente como o fez o PSD, que aqui na Madeira, eventualmente estando de acordo e defendendo silenciosamente a necessidade destas mediações, na prática se sintam manietados perante a força do engenheiro da destruição. E, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na prática aquilo que se coloca aqui neste Parlamento e o grande desafio que se coloca à maioria é esta: haverá ou não da parte da maioria condições para a assunção de um acto de coragem para afrontar o engenheiro da destruição, para criar mecanismos que sejam capazes de cercear a intervenção desmedida, descontrolada, o desmando do engenheiro da construção no Governo e na Região Autónoma da Madeira. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, este é o desafio central. É: tem, ou não tem a maioria condições para desobedecer ao engenheiro da destruição? A questão central é esta: tem ou não tem a maioria parlamentar condições para afirmar que o Governo está dependente do Parlamento e não o Parlamento dependente do Governo e particularmente nunca poderá vir a acontecer, ou não deveria acontecer que o Parlamento, que a governação estivesse dependente dos interesses instalados da parte do engenheiro da destruição. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, este é o grande desafio que se nos coloca. Mas, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o grande objectivo que pretende este decreto legislativo regional atender, este projecto de decreto legislativo regional, é sobretudo de assegurar o órgão consultivo que seja um contraponto no exercício do diálogo e na cooperação entre as entidades governativas de âmbito regional mas a salvaguarda, o interesse, a defesa dos interesses específicos da região e do seu futuro. E é esta mediação que se pretende aqui criar. É óbvio e para isso queremos desde logo colocar toda a nossa disponibilidade. Para nós a questão central não está em saber se na composição do conselho regional do ambiente… O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Terminou o seu tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …atestar mais esta ou menos aquela entidade. Esses são aspectos que podem ser todos eles objecto de acerto, de aperfeiçoamento e estamos obviamente abertos a todos os acertos, a todos os contributos no sentido de melhorar a proposta. Agora o que nos parece importante é que a região… O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Tem que terminar, Sr. Deputado. O ORADOR:- …tal como acontece noutros países – termino já, Sr. Presidente -, tal como acontece no Continente, tal como acontece nos Açores, possa ter esta plataforma de diálogo, de cooperação e de intervenção activa na defesa do ambiente. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Muito obrigado. Sr. Deputado Paulo Martins, para um pedido de esclarecimento ao Sr. Deputado Edgar Silva tem a palavra. O SR. PAULO MARTINS (BE):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Edgar Silva, esta iniciativa é deveras interessante e as iniciativas do PCP têm sido sistematicamente atacadas pela maioria de serem repetições para a estatística. Eu gostaria, até para dar uma maior transparência na discussão desta iniciativa, saber se isto é uma repetição ou é algo de novo. E a segunda questão é a seguinte: o Sr. Deputado na iniciativa que aqui avança define a criação desta estrutura como um órgão meramente consultivo, com poucas competências próprias. Não será melhor colocá-lo, não pode ser de outra maneira, como um órgão consultivo mas com capacidade de ele próprio desenvolver iniciativas de recolha de opinião, de fomentar a participação, etc.? Eram estas duas questões: o carácter consultivo e, antes disso, se é repetição ou não é? O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Para responder tem a palavra o Sr. Deputado Edgar Silva. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Paulo Martins, em relação à apresentação desta proposta, as propostas do nosso grupo parlamentar, mais de 60% das nossas propostas aqui trazidas a este Parlamento vêm pela primeira vez. E são 60% delas, 63% aquelas que ainda não foram votadas, não foram objecto de votação no Parlamento, 62% das nossas propostas nunca foram objecto de abordagem neste Parlamento, em primeiro lugar. Em segundo lugar, esta proposta é também, tal como outras, a primeira vez que é trazida a este Parlamento. Em terceiro lugar, em relação ao âmbito de intervenção. Nós consideramos que existem bons exemplos ao nível nacional e também nos Açores, o caso dos Açores, em que o conselho, caso nacional, o Conselho do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável tem um papel importante e altamente prepositivo no sentido de elaboração de relatórios, de elaboração de tomadas de posição que são vinculativas e que em tantas situações tem obrigado a governação a Pág. 21 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 uma outra ponderação em relação a vários projectos. E certamente que em relação também à natureza desta proposta, desta mediação regional, estaríamos certamente disponíveis para que em sede de especialidade se possam garantir ainda mecanismos de maior operacionalidade e de maior eficácia, com certeza. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Sr. Deputado Victor Freitas para uma intervenção, tem a palavra. Um momento, Sr. Deputado. O Sr. Deputado Paulo Martins para interpelar a Mesa, faz favor. O SR. PAULO MARTINS (BE):- Tendo em conta o que aqui foi assumido, tendo em conta também o facto de haver uma iniciativa sobre igual matéria que no caso do Bloco de Esquerda não é nova dado que se trata de uma iniciativa que já foi apresentada aqui em 2006, para a criação do Conselho Regional do Ambiente e do Planeamento e do Desenvolvimento Sustentado e que agora, e ainda bem, o PCP aparece também, a questão que eu gostaria de colocar à Mesa é a seguinte: tendo já entrado a nossa iniciativa, que é repetição (sem vergonha nenhuma), de 2006, como é que se vai fazer? Se esta é chumbada a nossa já não pode ser discutida… Não é preferível, dado que já entrou a tempo… O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- O Sr. Deputado já está a fazer futurologia! Se ainda não entrou… O ORADOR:- Não é possível discutir as duas em conjunto? O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Sr. Deputado, se ainda não entrou e esta já está na ordem de trabalhos, tem que ser discutida é a que está aqui na ordem de trabalhos! Sr. Deputado Edgar Silva, faz favor. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, esta questão colocada pelo Sr. Deputado é pertinente mas há uma praxe parlamentar que tira os receios ao Sr. Deputado. É que nós apresentamos aqui neste Parlamento uma proposta sobre o acréscimo ao salário mínimo regional, o acréscimo de 7%, e a nossa proposta foi chumbada pela maioria. E logo a seguir entraram outras propostas, inclusivamente uma do Bloco de Esquerda que foi discutida e votada. Portanto, o problema está resolvido. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Paulo Fontes):- Srs. Deputados, essa é uma questão que se colocará quando chegar a proposta do Bloco de Esquerda sobre a mesma temática. Sr. Deputado Victor Freitas para uma intervenção, tem a palavra. O SR. VICTOR FREITAS (PS):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o PCP propõe aqui nesta Assembleia criar o Conselho Regional de Ambiente com competências em matéria de reunir, debater e dar pareceres sobre esta matéria. Quando vi esta proposta julguei que era do PSD. Depois fui ler melhor e apercebi-me que afinal era o Partido Comunista que trazia cá esta proposta. Mas queria recordar à bancada do PSD que em 2000, antes das eleições, a região e o vosso Governo apresentou um plano regional de ambiente que tinha uma série de medidas a tomar, um plano do PSD que tinha uma série de medidas a tomar. Entre elas a criação do conselho regional do ambiente. Era uma proposta do PSD. Nesse plano regional de ambiente também tinha uma segunda medida emblemática que era a criação do provedor regional do ambiente. Passados estes sete anos diversas vezes veio a esta Assembleia. Estas propostas também são vossas porque estão num documento orientador do Governo Regional e, para espanto de todos, assistimos aqui ao PSD a contrariar na Assembleia a estratégia do Governo em termos daquilo que foi definido no plano regional de ambiente. E também temos assistido ao Governo Regional, com a sua inacção em matéria política, a contrariar o plano regional de ambiente. E, portanto, ficamos aqui numa situação em que o PSD e o seu Governo na região têm uma posição dupla. Digamos, por um lado dizem que querem defender o ambiente; por outro criam instrumentos para a defesa e para a implementação de políticas ambientais; e depois o PSD nesta Casa contraria os documentos orientadores do Governo. O Governo na sua prática diária, pela sua inacção contraria os documentos estratégicos do próprio Governo. E vamos neste caminho. E temos assistido ao facto do PSD e do Governo Regional não quererem ouvir parceiros nenhuns em matéria de questões ambientais. Essa tem sido a prática deste Governo. E as atitudes deste Governo em relação ao ambiente espelham-se naquelas que têm sido as notícias que têm vindo a público em relação aos atentados ambientais na região em que os nossos governantes têm aqui uma responsabilidade de cumprir e de fazer cumpri r a lei, têm a responsabilidade e instrumentos de fiscalizar a aplicação da lei. E o que é que vemos? Vemos um Governo Regional que olha para o lado quando vê um atentado ambiental. O que assistimos é a uma prática do Governo em que o Governo é aliado dos que fazem atentados ambientais nesta terra por atitudes que têm a ver com a inacção e com a fiscalização do Governo. E no passado fim-de-semana tivemos a situação de uma britadeira em Machico, ilegal, sem autorização do Governo, sem autorização da câmara. O que é que faz o Governo e os seus mecanismos de inspecção? Zero, nada! Na Ribeira do Faial. Há umas semanas atrás o roubo de disjunções colunares de basalto na Ribeira do Faial. O que é que faz o Governo, o que é que fazem os nossos governantes? Zero, nada! Não governam, não fazem nada, não Pág. 22 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 intervêm, não protegem o ambiente. E o que nós assistimos é a isto. É esta a realidade da Madeira. Temos um Secretário Regional dos Recursos Naturais e Ambiente que tem responsabilidades na sua secretaria em relação a esta matéria. O que é que ele faz? Zero, não faz nada, não combate aqueles que atacam o nosso ambiente e que cometem crimes ambientais na Região Autónoma da Madeira. Este Governo e este PSD têm, criaram instrumentos de planeamento para a região: o POTRAM, os PDM’s. E depois ao que é que assistimos? Este Governo é o primeiro a dar o exemplo: não cumpre estes instrumentos de planeamento. E veja-se o ridículo de governantes nesta terra que são eles os pais do instrumento de planeamento, criam as leis, estabelecem as regras. E veja-se, não serão outros são os mesmos, que depois têm as leis e as regras criadas por si e são os primeiros a dizer que estas leis e estas regras não se aplicam, que estas leis e estas regras são para infringir. E, portanto, perante este Governo social-democrata, perante esta falta de vergonha dos nossos governantes o que é que há a dizer em relação a querer ouvir as pessoas que percebem destas matérias e que estudam as questões ambientais?! Este Governo não precisa de ouvir ninguém! E o que se passa em relação aos planos de ordenamento da orla costeira que se iniciou um debate lá para o século passado, 95, 96, 97? Portanto, já se passaram 10 anos e não temos os planos de ordenamento da orla costeira aprovados e a execução. O Governo Regional começou a intervir em tudo o que era litoral madeirense, a fazer as asneiras que quis fazer, as intervenções que quis fazer, destruindo o nosso património ambiental, paisagístico, a fazer intervenções aberrantes como aquela no Jardim do Mar, aquele círculo de betão ali que afoga aquela freguesia e que afasta os turistas e a prática de uma modalidade náutica ali. Protestos na bancada do PSD. E, portanto, V. Exas. entram facilmente no conto da galinha dos ovos de ouro; querem matar a galinha para subtrair os ovos. V. Exas. brincam com o ambiente desta forma, querem matar a galinha dos ovos de ouro. Entretanto, assumiu a presidência o Sr. Presidente, José Miguel Jardim de Olival Mendonça. V. Exas. e os indicadores do turismo começam a dizer qual é qualidade do nosso turismo, começam a afirmar os vossos erros em matéria ambiental. E é estranho que quando alguém aqui nesta região quando vê regras estabelecidas e que diz aqui-d’el-rei, as regras que o PSD e o seu Governo aprovaram não estão a ser cumpridas, vem um presidente de câmara ou o Presidente do Governo a ameaçar essas pessoas que querem a legalidade, querem que os instrumentos de planeamento sejam executados e cumpridos conforme V. Exas. aprovaram, conforme V. Exas. transformaram em letra de lei. E vivemos de facto num mundo político às avessas: aqueles que criam os instrumentos são os primeiros a não quererem cumprir; quando alguém não cumpre esses instrumentos e por acaso se for um amigo ou apaniguado do regime, aparece um presidente de câmara ou aparece o Presidente do Governo a se colocar ao lado daqueles que atacam esses instrumentos de planeamento. Num estado de direito democrático a lei é para ser cumprida por todos. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o seu tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- A lei não pode ser torturada. Quando V. Exas. torturam a lei na acção governativa, quer nas câmaras, quer no Governo, a lei vai se adequando face à tortura que V. Exas. fazem quando metem a assinatura em projectos e atitudes ilegais. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Edgar Silva para um pedido de esclarecimento, tem a palavra. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Victor Freitas, a questão que gostaria de colocar ao Sr. Deputado tem a ver com aquela que é a realidade na região entre o que está prometido e aquilo que não tem sido cumprido nesta área. Porque se o Governo Regional e o PSD assumiram não só naquelas que foram as boas intenções pré-eleitorais mas em documentos estratégicos para o desenvolvimento da região, em instrumentos estratégicos para as políticas de ambiente na região, assumiram o compromisso da criação do conselho regional de ambiente enquanto estrutura regional, para não só dar pareceres, emitir pareceres mas para a recomendação de linhas de acção governativa na área do ambiente, porque razão considera o Sr. Deputado, porque razão é que o Governo, a maioria até hoje nunca fez chegar a este Parlamento uma proposta constitutiva desta mediação há muito anunciada e nunca viabilizada? Porque razão, no entender o Sr. Deputado, tem o Governo medo, receio e bloqueia a possibilidade de existir uma entidade que possa efectivamente assumir-se como provedoria dos interesses regionais, do elevado interesse regional na defesa de um desenvolvimento sustentável, na defesa do património ecológico, ambiental desta região insular distante? Esta é a questão central que agora se coloca. Porque se ao longo de tantos anos… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …até com responsabilidades governativas estiveram pessoas que estiveram directamente envolvidas Pág. 23 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 no concretizar destas propostas, se elas nunca foram viabilizadas é que outros valores certamente mais fortes, outras vozes certamente mais preponderantes se têm feito impor na região impedindo e inviabilizando esta concretização. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Victor Freitas para responder. O SR. VICTOR FREITAS (PS):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, entre o prometido e o cumprido vai uma grande distância especialmente em relação a estas áreas ambientais em relação à Região Autónoma da Madeira. E quando esse documento esteve on line na própria secretaria e quando foi apresentado aplaudi esse instrumento estratégico para a região e analisei esse instrumento e pensei que finalmente o Governo Regional tinha acordado para as questões ambientais, tinha acordado para resolver um problema que no ano 2000 começava a ser assustador devido às intervenções. Só que, depois, o que aconteceu é que esse instrumento foi metido na gaveta e o Governo Regional, de 2000 a 2004, foi o que se viu! Foi por isso que o instrumento foi colocado na gaveta! A visão estr atégica em termos ambientais foi colocada na gaveta e foi o que se viu entre 2000 e 2004 a intervir em tudo sem planeamento, sem regras e sem rigor e com atentados ambientais sucessivos. E julgo que V. Exas. se recordam de quem disse: mandem a terra para o mar! Quem disse foi o Presidente do Governo Regional, no Seixal, que mandou os senhores responsáveis pelas obras mandar a terra para o mar. E, portanto, a política do Governo em relação a estas matérias espelha bem quais foram as atitudes. Mas mesmo assim no Governo tiveram uma mais-valia, que foi tentar encontrar algumas pessoas que soubessem da poda, que percebessem de matérias ambientais para os colocarem como directores regionais. Só que depois… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- Só que depois o resultado foi o que se viu: não conseguiram implementar as suas próprias ideias. E em matéria ambiental, V. Exas. fizeram zero, zero, zero! O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado João Isidoro para uma intervenção, tem a palavra. O SR. JOÃO ISIDORO (MPT):- Obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, todos nós já abordamos nesta Casa e nas nossas intervenções a importância da nossa paisagem, que é mesmo se não o maior um dos maiores patrimónios culturais da nossa região, incluindo naturalmente a Laurisilva. E tudo o que for possível fazer no sentido de preservar este património, pela importância que ele tem em termos ambientais, em termos de qualidade de vida e em termos também daquilo que é a imagem da região lá fora, até por questões económicas (e estamos a falar nomeadamente na indústria do turismo), é importante. E também no nosso ponto de vista tudo o que se puder juntar de boas vontades no sentido de ajudar a preservar este bem essencial que é o ambiente e a nossa paisagem, deve ser, portanto este esforço deve ser tentado e se possível conseguido. A proposta que o PCP apresenta hoje não é uma proposta que traga custos, não é uma proposta que tenha por objectivo vincular o próprio Programa do Governo Regional, é uma proposta para um conselho consultivo do ambiente no sentido de juntar todos aqueles que têm intervenção política, cívica e social, de modo a darem as suas opiniões, a participar neste debate que deve ser colectivo tendo em conta a importância de preservar a nossa paisagem e o nosso ambiente. Digamos que este conselho regional do ambiente teria também como que uma responsabilidade colectiva em muitas matérias e isto seria uma forma de muitos intervenientes terem um espaço próprio e independentemente das opiniões que possam sempre emitir na sua actividade política pública mas também de manifestar, de darem sugestões, de ajudarem as questões do ambiente. É verdade que houve ao longo destes anos, sobretudo nos últimos anos, medidas positivas na área do ambiente mas também todos sabemos que há matérias que não têm tido essa atenção pois tem havido muitos atentados ambientais. E é necessário, nomeadamente no caso que já se falou cá de pedreiras, que hajam regras bem definidas sobre isso nomeadamente no que toca aos períodos de funcionamento e de encerramento e respectivas requalificações, sem pôr em causa a necessidade que há desses inertes mas é necessário que tenham períodos concretos de vida, repito e de requalificação de todas essas áreas aliás como está consagrado na lei que foi aprovada por esta Assembleia. Por isso é uma matéria que nos merece particular atenção. E só para terminar, dizer que ainda recentemente o Partido da Terra visitou um aterro em São Jorge, que fica numa falésia a montante do calhau da Praia da Rocha de Baixo e não se compreende como é que, quer por parte da Câmara Municipal de Santana quer por parte dos organismos que têm responsabilidades no ambiente, se pode licenciar um aterro numa zona destas. E estamos a falar, por exemplo, numa falésia que pode ter em relação ao mar 500 ou 600 metros, onde tem terrenos agrícolas e moradias e eu penso que estamos ali, por exemplo, perante um barril de pólvora que pode a qualquer momento rebentar. E são estas medidas que são necessárias ter em consideração não só por uma questão ambiental mas também sobretudo por uma questão de segurança quer das populações quer dos seus bens que ali estão implantados. E por todas estas razões e não me alongando mais porque muito já foi dito sobretudo pelo partido proponente na sua apresentação, o Partido da Terra vai votar favoravelmente esta iniciativa. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Vicente Pestana para uma intervenção, tem a palavra. Pág. 24 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 O SR. VICENTE PESTANA (PSD):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, este projecto de diploma resume-se à criação de um órgão de âmbito regional envolvendo diversas entidades com o mero objectivo de emitir pareceres e recomendações. No que respeita às competências, é evidente a sobreposição ou a redundância relativamente às competências organicamente já atribuídas aos diversos organismos existentes, nomeadamente Direcção Regional do Ambiente, Direcção Regional de Florestas, IGA, Parte Natural da Madeira, organismo este que, curiosamente, esta proposta simplesmente esquece. Por outro lado, aquando da elaboração dos vários instrumentos estratégicos da região, quer sejam os planos de ordenamento global quer sejam os planos de política sectorial, são formadas equipas multisectoriais que, de acordo com as suas áreas de competências e especializações, elaboram tais instrumentos que visam não só a concretização de uma política de qualidade ambiental mas também a criação de condições para o desenvolvimento sustentável sendo este o suporte indispensável para o contínuo desenvolvimento da região. Aliás, quem analisar imparcialmente o desenvolvimento verificado nesta região facilmente concluirá que a política e estratégia seguidas, porventura com um ou outro ponto menos conseguido, de uma forma geral foram as correctas e estão bem demonstradas nos diversos indicadores, nomeadamente na qualidade do ar dos nossos centros urbanos, na taxa de recolha selectiva de resíduos, na taxa de tratamento de águas residuais, no aproveitamento, qualidade e gestão dos nossos recursos hídricos, no estado geral da nossa paisagem, estado de conservação das nossas florestas e das áreas protegidas cujo estado de conservação têm sido sobejamente reconhecidos pelos mais credenciados organismos internacionais, nomeadamente o Conselho da Europa e a UNESCO. Por isso, o Grupo Parlamentar do PSD entende que, em vez da criação de mais um órgão cujas funções se consideram redundantes, burocratizantes e inadequadas, prefere apoiar e incentivar o Governo Regional a prosseguir com o seu Programa de Governo para o período de 2007-2011, em que as estratégias e as políticas a desenvolver nas áreas do ambiente e do desenvolvimento sustentado estão bem definidas, assentes que foram em estudos e planos globais e sectoriais elaborados, discutidos e aprovados pelos organismos e entidades competentes, onde também se incluíram os contributos das organizações não governamentais e outras individualidades. Por último, em vez deste tipo de iniciativas avulsas e desenquadradas, seria preferível que em períodos préeleitorais os partidos da oposição, nomeadamente o Partido Comunista, apresentassem os seus programas onde incluíssem as suas ideias e propostas para a área do ambiente em vez de apresentação destas questões às pitadas, de uma forma demagógica e apenas para fins de estatística. E continuando nesta perspectiva e tendo em conta aquilo que foi dito até agora sobre esta proposta de decreto legislativo regional, eu gostaria de desafiar os Srs. Deputados da oposição porque eu estava à espera, e como na justificação da apresentação deste diploma isso não consta, gostava de desafiá-los para apresentarem indicadores, para apresentarem índices que justifiquem a apresentação desta proposta. Os Srs. Deputados falaram que no Continente existe o que se denomina as CNADS, que nos Açores também existe uma CNAD e eu pergunto: resultado prático desses conselhos? A nível nacional foram sobejamente debatidos assuntos do mais relevante interesse em termos ambientais. A questão do aeroporto, questão da co-incineração, questão da travessia sobre o Tejo, etc., etc.. Eu pergunto: o Governo da República consultou o Conselho Nacional? Qual foi a posição do Conselho Nacional sobre estas matérias? O Governo teve em conta aquilo que o Conselho Nacional disse ou manifestou sobre estas matérias? Digam-me o que é que se passou com esta situação. Mais. Apontem-me o índice indicador ou o indicador de qualidade do ambiente em que no Continente ou nos Açores seja melhor do que o da Madeira? Nomeadamente a qualidade do ar, o tratamento das águas residuais, na qualidade da paisagem, na qualidade das nossas florestas, do estado de conservação das nossas florestas e das áreas protegidas Eu pergunto, por exemplo, qual é a opinião do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável a propósito das cimenteiras que têm as suas pedreiras em plenas áreas protegidas? Qual é a posição e que medidas é que o Governo da República tomou perante esta situação? Zero, nada! Não se conhece qualquer posição e se foi tomada posição, pura e simplesmente foi ignorada. Então eu quero que me digam, quero que nos convençam de qual a utilidade destes conselhos? Espero até ao fim do debate que me apontem pelo menos uma ou outra razão, um ou outro indicador para que fique demonstrado a utilidade deste tipo de organismos ou destes órgãos de consulta. Se não os apresentarem e de uma forma convincente, continuaremos a manter a posição de que este tipo de órgãos não significam nada, não têm qualquer vantagem, não trazem mais nada para além daquilo que já existe. As próprias opiniões, as próprias posições de organizações não governamentais de associações de ambiente, de personalidades da sociedade civil estão plasmadas e foram tidas em consideração aquando da elaboração dos diferentes planos. O próprio Programa do Governo nesse aspecto é muito completo e muito exaustivo relativamente a estas matérias até porque assimilaram todas essas opiniões, todas essas preocupações tanto das entidades que têm essas atribuições… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- …e competências como da própria sociedade civil. Portanto, achamos perfeitamente desnecessária a criação deste conselho que não vem trazer mais-valias nem acrescentar nada àquilo que já se verifica neste momento. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Edgar Silva para um pedido de esclarecimento, faz favor, tem a palavra. O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado do PSD, gostaria de lhe fazer uma pergunta muito directa: o Sr. Deputado Jorge Moreira o que é que anda a fazer no Conselho Nacional de Educação? Para que é que serve? Só a gastar dinheiro do erário público, viajar para cá e para lá. Para que é que servem os pareceres? Para que é que Pág. 25 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 servem as intervenções do Conselho Nacional de Educação? Porque é que perde tempo? Qual o efeito prático? Para que é que isso serve para o país e para a região? O senhor tem tantos afazeres, o que é que vai fazer para o Conselho Nacional de Educação? Aquilo tem alguma utilidade prática? Aquilo tem algum tipo de interesse? Qual é a vantagem, qual é o benefício?! O senhor é conselheiro nacional de educação, é dos mais antigos de Portugal, e o Sr. Deputado, uma pessoa com tantos afazeres, na sua escola, no Parlamento, na região, Sr. Deputado o que é que anda lá a fazer? Para quê se aquilo não serve para nada segundo o Sr. Deputado Vicente Pestana?! Não é a nossa opinião. O que é que o Sr. Deputado anda lá a fazer se do ponto de vista prático aquilo não serve para nada?! É a opinião do Deputado Vicente Pestana, não é a nossa opinião! Mas o que é que de útil, de benéfico para o país faz V. Exa. ao estar ao longo de tantos anos no Conselho Nacional de Educação se aquilo vale zero, segundo o Sr. Deputado Vicente Pestana, mas que não é a nossa opinião?! Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Vicente Pestana, as perguntas que eu lhe dirigi e que dirigi ao Plenário, faço eu a V. Exa. o seguinte desafio: o desafio que nos colocou a nós, faça uma reunião do vosso grupo parlamentar e questionem o Deputado Jorge Moreira a esse propósito! O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Sr. Deputado Vicente Pestana, faz favor. O SR. VICENTE PESTANA (PSD):- Muito obrigado. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Edgar Silva, o Sr. Deputado acabou por me dar razão porque eu pedi… O SR. EDGAR SILVA (PCP):- Claro! O ORADOR:- Eu não falo do Conselho Nacional da Educação, não estou a par. Nestas questões eu fiz-lhe um conjunto de perguntas e fiz-lhe um desafio. Até agora nada. O Sr. Deputado não me demonstrou. Aliás, era dever seu na justificação, na nota justificativa deste decreto legislativo regional que apresentasse justificações plausíveis para que nos convencesse a aprovar esta proposta. Isto é nada! Isto é, aquilo que está aqui é zero, não significa nada. Em português, do princípio ao fim não diz nada, não justifica nada. De nota justificativa só tem o título, não tem mais nada! Eu pedi índices. Estas questões da qualidade do ambiente, da qualidade da paisagem, da qualidade das áreas protegidas, das áreas florestais, do território, da questão da qualidade do ar, da questão do tratamento das águas residuais, do tratamento de lixos, etc., etc., há números, eu tenho-os! Eu tenho alguns, posso não ter todos! Mas existem números, existem índices. Os Srs. Deputados falaram do Continente e dos Açores. Existem também números do Continente, números dos Açores. Eu quero que os confrontem, que justifiquem que estes conselhos, estes tipos de órgãos têm vantagens. Quais foram as opiniões que eu não conheço? Os Srs. Deputados talvez conheçam... Qual foi a opinião destes dois conselhos, Continente, Açores, sobre os mais variados assuntos que dizem respeito à questão do ambiente? Onde é que estão? Alguém os teve em consideração? Tiveram influência nestas decisões tão importantes como o aeroporto, como as pontes sobre o Tejo?… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- Como o tratamento das mais variadas vertentes do ambiente? Zero! Zero! Até agora, zero! Isto é, continuo à espera que me apresentem esses índices que justifiquem a aprovação deste diploma. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Baltasar Aguiar para um pedido de esclarecimento, tem a palavra. O SR. BALTASAR AGUIAR (PND):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr. Deputado Vicente Pestana, o Sr. Deputado pede-nos índices. Como o Sr. Deputado é um técnico e trabalhou em matéria ambiental eu podia-lhe fazer uma pequena sugestão, não leve a mal. O Sr. Deputado conhecia a zona do Lido aqui há dez anos atrás. O SR. VICENTE PESTANA (PSD):- Qual? O ORADOR:- A zona do Lido! Não conhecia? Se calhar não conhecia! Eu vou-lhe explicar: era uma zona muito ampla, com dezenas de hectares plantadas com bananeiras, das zonas verdes mais bonitas desta terra… Burburinho na bancada do PSD. Sr. Deputado mete-se na carreira do Lido, entra no autocarro do Lido e vá para o Lido! E eu peço-lhe já agora, já agora que o Sr. Deputado quer índices, vá lá e leve uma caneta e diga, conte o número de bananeiras que o Sr. Deputado consegue contar? Protestos do PSD. Leve uma caneta e diga-me! Leve uma caneta, Sr. Deputado e diga-me o número de metros quadrados não artificializados que a sua vista alcança? Leve uma caneta e diga-me, Sr. Deputado, leve uma caneta e diga-me o Pág. 26 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Sessão nº 51 Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 número de prédios com mais de 8 e 9 e 10 andares que se encontram naquela zona do Lido, Sr. Deputado?! O Sr. Deputado gosta de índices. Faça-me o favor e faça essa viagem turística. Sr. Deputado, eu não sei se o senhor algum dia foi subordinado do Sr. Dr. Domingos Abreu. Mas julgo que trabalhou com ele, julgo que trabalhou com ele e confirma. O Sr. Dr. Domingos Abreu certamente não é um idiota, pois não?! E não é desmiolado, não diz coisas que não façam sentido! Ele sobre este assunto, discordando certamente daquela que é a posição maioritária do Governo, disse o contrário, disse que era fundamental criar-se um conselho consultivo do ambiente. Disse que era fundamental! E eu pergunto-lhe o seguinte: em vez do senhor me pedir a mim uma razão para que haja o conselho consultivo do ambiente,… Protestos do PSD. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Sr. Deputado, já esgotou o seu tempo. O ORADOR:- Temos ali o Dr. Prada muito emocionado com outra questão! O SR. JOSÉ PRADA (PSD):- Com a educação! O ORADOR:- Talvez, talvez! …porque é que o Sr. Deputado não faz também o seguinte: quando for ao Lido, aproveite e convide o Dr. Domingos Abreu e já agora pergunte-lhe por uma única razão, uma única boa razão para que haja um órgão consultivo do ambiente? O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Vicente Pestana, faz favor. O SR. VICENTE PESTANA (PSD):- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Baltasar Aguiar, eu continuo à espera de indicadores comparativos de zonas do país onde há conselhos do ambiente ou ainda não existem para ver se se justifica ou se é uma mais-valia ou não é a criação desses conselhos. Quanto à questão de zonas que eram agrícolas e que agora existem construções, que ao fim e ao cabo foi isso que o Sr. Deputado quis dizer. Eu bem sei que há 40 anos atrás isto era tudo muito mais,… olhe, haviam até pessoas que hoje têm casa e vivem razoavelmente bem andavam com determinados meninos com cestas, a arrastar as cestas, a animar os meninos! O SR. BALTASAR AGUIAR (PND):- Ahhhhh!!!! O ORADOR:- E realmente grande da Madeira… - Sr. Deputado, oiça, oiça! – grande parte da Madeira era ocupada por agricultura, por bananeiras e não só, mas em que o povo vivia na miséria, onde não havia casas condignas e agora… O SR. BALTASAR AGUIAR (PND):- E agora há casas! O ORADOR:- …e é por isso que grande parte desses terrenos estão ocupados com casas, com hotéis, etc., etc.. E ainda bem, Sr. Deputado, ainda bem! Porque eu não sou daqueles… Burburinho nas bancadas da oposição. Olhe, oh! Sr. Deputado, onde eu tenho a minha casa já foi agricultura. Que eu saiba, onde muito boa gente tem as suas casas também foi agricultura e onde o Sr. Deputado tem a sua também já foi! Eu não concordo com aqueles que quando olham para a casa do vizinho é um mamarracho, quando olham para a sua é o meu lar, doce lar. Isto não pode ser assim! Realmente noutros tempos, e o Sr. Deputado conhece bem melhor do que eu, esses terrenos estavam todos agricultados e muito agricultados. Pudera, a miséria que havia! É que esses indivíduos andavam a trabalhar para sustentar determinados senhores que o senhor agora nem respeita! Protestos do Sr. Baltasar Aguiar (PND). O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- Ainda bem que muitos desses terrenos hoje não estão ocupados com agricultura, Sr. Deputado! O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Victor Freitas faz favor, tem a palavra. O SR. VICTOR FREITAS (PS):-. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, queria perguntar ao Sr. Deputado, o que é que passou pela cabeça do PSD e do seu Governo para colocar num documento estratégico para a Madeira em matéria de ambiente: o provedor do ambiente e o conselho regional do ambiente?! O que é que passou na cabeça do PSD, o que é que passou na cabeça do seu Governo para colocar estes dois instrumentos? Depois queria uma segunda questão. Falou de que estes conselhos não têm préstimos. Dê um exemplo dos Pág. 27 Sessão nº 51 Diário da Assembleia Legislativa IX Legislatura, I Sessão Legislativa (2007/2008) Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 préstimos que este conselho poderá ter? Bem, o ranking publicado há pouco tempo do National Geographic Traveler coloca os Açores, que têm um conselho destes, em segundo lugar e a Madeira em 69º? Vamos cá ver se de facto tem algum préstimo! E uma última pergunta: se o PCP trouxesse cá a criação de um conselho regional para o petróleo, eu estava aqui e votava contra! Só que na Madeira, o petróleo da Madeira é o ambiente e é por isso que o PCP trouxe cá uma proposta de conselho regional de ambiente. Imagine que vai para um país onde há petróleo e chegando lá depara-se com um conselho nacional do petróleo e vai ficar espantado! Aqui na região queremos um conselho regional do ambiente porque o nosso petróleo é de facto o ambiente, e V. Exa. fica admirado! O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Sr. Deputado Vicente Pestana para responder, tem a palavra. O SR. VICENTE PESTANA (PSD):- Muito obrigado, Sr. Presidente. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Deputado Victor Freitas, olhe, eu respondo-lhe da seguinte forma: o Sr. Deputado quer prestar um bom serviço à região? Um dos assuntos pendentes com o Governo da República, como sabe, é a questão do tratamento e do transporte dos resíduos sólidos da região. Olhe, um dos índices, só um dos indicadores de ambiente da região é que a Madeira… Burburinho na bancada do PS. Oiça, oiça porque talvez lhe faça bem! …tem uma taxa de recolha selectiva de lixos três vezes – três vezes, veja bem! –, superior à do Continente. Um dos assuntos pendentes com o Governo da República é exactamente o apoio ou o financiamento do transporte desses resíduos provenientes dessa recolhe selectiva que por ano, como sabe, custam cerca de 2 milhões de euros à região. Em vez do Partido Socialista andar a envenenar o Governo da República e pressionar o Governo da República para asfixiar o Governo Regional e por consequência os madeirenses, faça força, faça pressão para que o Governo da República apoie a região nesta questão dos transportes porque não faz mais do que o seu dever porque estaria a resolver um problema que é um imperativo constitucional, que é o da continuidade territorial. Por outro lado o Sr. Deputado falou do National Geographic. Oh! Sr. Deputado, para mim as instituições… O SR. LEONEL NUNES (PCP):- Não sabe o que é! O SR. VICTOR FREITAS (PS):- É uma instituição especialista! O ORADOR:- Oh! Sr. Deputado os Açores tem da área total do seu território em termos de flora natural tem 8%; nós temos mais de 30% do território e que ainda possui a flora natural de quando ela foi descoberta. Por outro lado, na questão… O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Terminou o tempo, Sr. Deputado. O ORADOR:- É pena Sr. Deputado! Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Muito obrigado, Sr. Deputado. Estão concluídos os nossos trabalhos por hoje. Continuamos amanhã, às 9 horas. Eram 13 horas Faltou à Sessão a seguinte Sra. Deputada: PARTIDO SOCIALISTA (PS) Maria Luísa de Sousa Menezes Gonçalves Mendonça ****** Pág. 28