Insper Instituto de Ensino e Pesquisa Programa de Mestrado Profissional em Administração Cinthia Mazziero Quartarolo MONITORAMENTO E EFICIÊNCIA DOS AGENTES: EVIDÊNCIAS DO SETOR BRASILEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES São Paulo 2011 1 Cinthia Mazziero Quartarolo Monitoramento e eficiência dos agentes: evidências do setor brasileiro de telecomunicações Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Administração do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Administração. Orientador: Prof. Dr. Henrique Machado Barros – Insper Co-orientadora: Profª Drª Maria Cristina Gramani – Insper São Paulo 2011 2 Quartarolo, Cinthia Mazziero Monitoramento e eficiência dos agentes: evidências do setor brasileiro de telecomunicações / Cinthia Mazziero Quartarolo; orientador: Henrique Machado Barros; co-orientadora: Maria Cristina Nogueira Gramani – São Paulo: Insper, 2010. Dissertação (Mestrado – Programa de Mestrado Profissional em Administração) – Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. 3 FOLHA DE APROVAÇÃO Cinthia Mazziero Quartarolo Monitoramento e eficiência dos agentes: evidências do setor brasileiro de telecomunicações Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Administração do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Administração. Área de concentração: Contratos e estratégia Aprovado em: Banca Examinadora Prof. Dr. Henrique Machado Barros Orientador Instituição: Insper Assinatura: _________________________ Profª. Drª. Maria Cristina Nogueira Gramani Co-orientadora Instituição: Insper Assinatura: _________________________ Prof. Dr. Sandro Cabral Instituição: UFBA Assinatura: _________________________ Prof. Dr. André Luís de Castro Moura Duarte Instituição: Insper Assinatura: _________________________ 4 RESUMO QUARTAROLO, Cinthia Mazziero. Monitoramento e eficiência dos agentes: evidências do setor brasileiro de telecomunicações. 2011. Dissertação (Mestrado) – Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, São Paulo, 2011. A provisão de serviços de telefonia no Estado de São Paulo é feita por uma empresa concessionária que subcontrata prestadoras de serviços técnicos. As atividades desempenhadas por essas subcontratadas não vêm sendo bem avaliadas pela Agência Reguladora responsável. O objetivo deste trabalho é investigar se a distância geográfica entre a concessionária e as subcontratadas dificulta o monitoramento das atividades desempenhadas pelos agentes e se isso gera impactos no desempenho das subcontratadas. Usando Análise Envoltória de Dados obtém-se o ranking de eficiência relativa entre as subcontratadas e calcula-se a correlação entre a distância e a eficiência. Os resultados revelaram que quanto maior a distância, pior a eficiência relativa da empresa subcontratada. Palavras-chave: Contratos; Monitoramento; Telecomunicações; Eficiência; DEA 5 ABSTRACT QUARTAROLO, Cinthia Mazziero. Monitoring and agents’ efficiency: evidences from the Brazilian Telecommunications Sector. 2011. Dissertation (Mastership) – Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, São Paulo, 2011. The provision of telephony services in São Paulo is responsibility of a company that subcontracts agents to provide technical services. The activities performed by these agents are not achieving the goals stipulated by the Regulatory Agency. The objective of this paper is to investigate if the geographical distance between the company and the agents difficults the monitoring of the activities performed by these agents. Using Data Envelopment Analysis, the relative efficiency ranking of the agents is estimated and the correlation between distance and efficiency is calculated. The results reveal that the bigger the distance, the worst the efficiency of the agent. Keywords: Contracts; Monitoring; Telecommunication; Efficiency; DEA 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Mapa da telefonia no Brasil ................................................................. 14 Figura 2: Distribuição das subcontratadas pelo Estado de São Paulo ................ 27 Figura 3: Distribuição das subcontratadas pela região da Grande São Paulo..... 28 Figura 4: Esquema de interação das variáveis no modelo DEA ......................... 32 Figura 5: Retornos constantes (CRS) vs. Retornos variáveis (VRS) .................. 34 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Distribuição das Unidades da Federação em Regiões do PGO .......... 13 Tabela 2: Distância em quilômetros entre as DMUs e a filial que a monitora ... 29 Tabela 3: Dados de insumo e produto do modelo DEA ..................................... 31 Tabela 4: Correlação entre as variáveis de insumo e produto ............................ 32 Tabela 5: Ranking de eficiência e DMUs de referência ..................................... 33 Tabela 6: Resultados do DEA (retornos constantes) sem a DMU “A” .............. 34 Tabela 7: Correlação entre as variáveis e a eficiência das DMUs ...................... 35 Tabela 8: Peso das variáveis no modelo DEA .................................................... 36 Tabela 9: Sumário de melhorias .......................................................................... 37 8 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 9 2. SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES .................................................................................................... 12 2.1 2.2 3. REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................................................. 19 3.1 3.2 3.3 4. CONTRATOS................................................................................................................................... 19 ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO ............................................................................................... 20 INCENTIVOS E MONITORAMENTO ......................................................................................... 22 METODOLOGIA ...................................................................................................................................... 25 4.1 4.2 4.3 4.3.1 4.3.2 4.4 5. BREVE HISTÓRICO DO SETOR ................................................................................................. 12 PRINCÍPIOS ECONÔMICOS DO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES ............................... 16 ANÁLISE ENVOLTÓRIA DE DADOS ......................................................................................... 25 SELEÇÃO DE DMUS ...................................................................................................................... 27 DEFINIÇÃO DE VARIÁVEIS USADAS NO D.E.A. .................................................................... 29 INSUMOS .......................................................................................................................................... 29 PRODUTOS....................................................................................................................................... 30 MODELO FINAL ............................................................................................................................ 31 RESULTADOS .......................................................................................................................................... 33 5.1 5.2 ANÁLISE ENVOLTÓRIA DE DADOS ......................................................................................... 33 CORRELAÇÃO ENTRE DISTÂNCIA E EFICIÊNCIA ............................................................. 37 6. CONCLUSÕES E LIMITAÇÕES ........................................................................................................... 38 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................... 40 8. APÊNDICE................................................................................................................................................. 52 8.1 9. ANÁLISE DE SENSIBILIDADE DO MODELO .......................................................................... 52 ANEXO ....................................................................................................................................................... 53 9.1 INDICADORES DE QUALIDADE - ANATEL ............................................................................. 53 9 1. INTRODUÇÃO Contratos são documentos que buscam alinhar os objetivos de dois agentes maximizadores de utilidade que, por algum motivo, precisam interagir (JENSEN; MECKLING, 1976). Essas relações inter-organizacionais não são pautadas apenas em instrumentos jurídicos (contratos formais); a confiança entre os „parceiros‟ pode ser crítica para o início, o desenvolvimento ou, mesmo, o término do relacionamento (MACAULAY, 1963, LAWLER III, 1971, POPPO; ZENGER, 2002). Além disso, a capacidade dos contratos preverem todas as contingências é questionável; e mesmo que todas as possibilidades possam ser contempladas, isso pode ocorrer a um custo muito alto (TIROLE, 1999; BATTIGALLI; MAGGI, 2002). De uma forma geral, um contrato busca alinhar objetivos dos envolvidos oferecendo uma remuneração mediante cumprimento de determinada tarefa. A remuneração pode ou não ser financeira e funciona como incentivos aos contratados. A estrutura de incentivos pode combinar remuneração fixa e variável e a combinação ótima depende de variáveis como especificidade do ativo envolvido, risco do negócio, entre outros (ARROW, 1964). Uma entidade pode estabelecer o mesmo tipo de relacionamento com diversos agentes. Quando isso ocorre, os contratos que vigoram costumam ser uniformes, afinal atividades semelhantes podem estar formalizadas através das mesmas cláusulas. É o que ocorre em contratos de trabalho, por exemplo (ROY; SERFES, 2002). Tendo em vista a mesma estrutura contratual, seria esperado que as partes envolvidas e subordinadas a tal estrutura se comportassem da mesma forma. Isso, entretanto, é questionável. A literatura sobre franquias, por exemplo, documenta a existência de free-riding entre as unidades franqueadas, ou seja, mesmo sujeitas a estruturas contratuais similares, existem unidades franqueadas que investem menos do que deveriam em uma ou mais dimensões e, ainda assim, são beneficiadas pelo investimento das demais unidades (BRICKLEY, 1999). Essa mesma literatura revela que a franqueadora também possui unidades próprias e que, nesse caso, o potencial comportamento indesejado parte dos funcionários (shirking ou moral hazard) que não são proporcionalmente beneficiados pelo melhor desempenho do sistema de franquias (SESHADRI, 2002). Nota-se, portanto, a necessidade de avaliação do comportamento dos agentes. Isso significa, dentre outras coisas, que algum mecanismo de avaliação de desempenho deve ser utilizado de forma a contrastar o desempenho real com as expectativas contratuais. 10 Todavia, dificuldades na mensuração do desempenho ou na avaliação do esforço alocado pelo agente diminuem a capacidade dos contratos de criarem incentivos. Nesses casos, existe uma maior necessidade de formas alternativas de controle, como o monitoramento direto (LAFONTAINE; SLADE, 2007). Porém, quando o monitoramento é custoso, os incentivos do mercado (i.e., desempenho do agente contratado) são mais eficientes, especialmente se o valor da reputação do principal não é tão alto (LAFONTAINE; SHAW; 2005). De fato, as evidências sugerem que, nos casos em que o monitoramento é custoso, a tendência é que haja menos integração vertical (e.g., BRICKLEY; DARK, 1987; SCOTT, 1995; LAFONTAINE; SHAW; 2005), ou seja, que a oferta de produtos e/ou serviços seja oferecida por terceiros. A desintegração vertical, entretanto, não implica na ausência de monitoramento por parte da contratante. Contudo, se os agentes contratados estão muito dispersos geograficamente, torna-se mais difícil para a contratante fazer o monitoramento. Dessa forma, em uma estrutura contratual na qual os incentivos são fracos, espera-se que quanto mais distante geograficamente da contratada os contratados estiverem, menor a probabilidade deles atenderem aos interesses da contratante. De fato, a literatura sobre incentivos revela que quando é difícil o monitoramento dos agentes, a estrutura de incentivos precisa ser forte o suficiente para fazê-los se comportar de acordo com o esperado pelo principal (GIBBONS, 1998). Em outras palavras, agentes sujeitos a baixo nível de supervisão ficam mais propensos a agir oportunisticamente em detrimento dos interesses do principal (FAMA, 1980). Este trabalho pretende analisar se a dificuldade no monitoramento dos agentes pode gerar índices de eficiência aquém do desejado. Para tanto, foram analisadas as eficiências de empresas subcontratadas por uma concessionária do setor de telecomunicações para prestar serviços técnicos aos usuários finais. Em particular, esta pesquisa analisa a correlação entre a localização da subcontratada e seu índice de eficiência relativa para checar se a variação na distância entre a contratada e a filial que a monitora (proxy para custo de monitoramento) pode levar a um pior desempenho por parte das subcontratadas. O setor de telecomunicações é um contexto adequado para esse estudo por vários motivos. Em primeiro lugar, porque a literatura sobre o setor se concentra nas relações entre agências reguladoras e concessionárias (e.g., LOEB; MAGAT, 1979; LAFFONT, 1994), enquanto que as relações entre concessionárias e empresas subcontratadas, até onde se sabe, ainda não foi explorada. Em segundo lugar, porque o setor apresenta um monitoramento relativamente custoso. Isso ocorre porque o que está sendo avaliado é a provisão de serviços e 11 não atributos de bens tangíveis. Além disso, a prestação de serviços ao usuário final pela empresa subcontratada é feita longe do contratante, ou seja, os custos de monitoramento são maiores pois o controle da operação demanda um esforço maior do contratante para averiguar se os resultados dos serviços prestados estão de acordo com as expectativas contratuais. Por último, mas não menos importante, destaca-se a relevância do setor para a economia brasileira, tendo alcançado quase 181 bilhões de reais de receita bruta em 2009 (o que equivale a 5,8% do PIB) e foi responsável pela arrecadação de 42,8 bilhões de reais em tributos (TELEBRASIL, 2010). Para analisar as eficiências das organizações foi empregada a técnica de Análise Envoltória de dados (DEA – Data Envelopment Analysis) que é uma técnica não-paramétrica utilizada para comparar a eficiência de unidades produtivas que desempenhem essencialmente as mesmas atividades, diferenciando-se apenas nas quantidades de insumos (inputs) a serem utilizados e produtos (outputs) a serem produzidos (HAO et al., 2000). A técnica tem como resultado a eficiência relativa entre as unidades analisadas, ou seja, pelo menos uma delas apresentará eficiência máxima e estará localizada na fronteira de eficiência (produtiva), enquanto que as outras terão índices de eficiência relativos a uma DMU de referência (que pode ser qualquer DMU localizada na fronteira) (GOLANY, 1988). O DEA é uma ferramenta bastante utilizada em diversas áreas do conhecimento. Em telecomunicações, essa ferramenta já foi usada para traçar fronteira de custos (SUEYOSHI, 1991), para avaliar o aparato regulatório (URI, 2003) e até mesmo para avaliar eficiência de empresas cujos dados não são precisos (COOPER et al., 2001; ZHU, 2004). O DEA é recorrentemente utilizado na análise de eficiência de outros setores também, como por exemplo, na educação pública para comparar escolas (RAY, 1991; LUDWIN; GUTHRIE, 1989), na saúde pública para comparar hospitais (BYRNES; FREEMAN, 1999; STEINMANN et al., 2004) e no setor financeiro privado para comparar diversos bancos (SEIFORD; ZHU, 1999; VASSILOGLOU; GOIKAS, 1990). Contudo, até onde se sabe, o DEA ainda não foi utilizado em um contexto como o da presente dissertação caracterizado pela comparação de diversos prestadores de serviço sujeitos a mesma estrutura contratual. Este trabalho segue com uma revisão de literatura sobre alguns conceitos econômicos inerentes ao setor de telecomunicações, tais como a estrutura do mercado e a existência de regulação. Ainda na seção 2, relata-se um breve histórico do setor brasileiro de telecomunicações e na 3 o tema de contratos e amplamente abordado. Na quarta seção, as variáveis e a metodologia são descritas e o modelo final é definido. A seção seguinte 12 apresenta os resultados da análise envoltória de dados, assim como a correlação entre o índice de eficiência relativa e a distância entre as contratadas e a sede da concessionária. Por fim, a seção de conclusões apresenta as principais contribuições deste trabalho, assim como as limitações e agenda para pesquisas futuras. 2. SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES 2.1 BREVE HISTÓRICO DO SETOR Antes da criação da empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás) em 1972, existiam cerca de 1.200 companhias de telecomunicações operando no Brasil (ANATEL, 1996). Entre 1972 e 1975, a Telebrás, através de suas subsidiárias adquiriu quase todas as companhias de telefonia que atuavam no território, tornando-se um monopólio na provisão deste tipo de serviço em todo o país. O Sistema Telebrás, por ser estatal, não deveria precisar de um órgão regulador, pois por definição - o Estado deveria pensar no bem-estar social (SCHMIDT, 1996, p. 2). Entretanto, as telecomunicações no Brasil não estavam atingindo este objetivo e, além disso, a situação financeira da estatal estava comprometida. Então, em 1995, o governo federal deu início a uma reforma nas telecomunicações brasileiras. Em julho de 1997, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral de Telecomunicações que estabeleceu um novo aparato regulatório para a privatização do Sistema Telebrás. Em Julho de 1998, todas as empresas do Sistema Telebrás foram privatizadas. As empresas privadas que assumiram o controle acionário da estatal ficaram responsáveis pela prestação do serviço enquanto que o governo ficou encarregado de regulamentá-lo através da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel (PAULA, 2003). A Anatel dispões de cinco ferramentas para regulamentar o Serviço de Telefonia Fixa Comutado (STFC). São eles: - Plano Geral de Metas de Universalização cujo principal objetivo é garantir que toda a população tenha acesso ao serviço de telefonia; - Plano Geral de Metas de Qualidade que visa garantir a excelência na prestação do serviço fixando metas e prazos; - Contratos de Concessão que são os contratos entre Estado e Empresas Privadas; 13 - Regulamentos de interconexão e de remuneração de redes que existem para garantir níveis aceitáveis de competição uma vez que compartilhar a estrutura de redes instalada é uma forma de reduzir as barreiras à entrada; e - Plano Geral de Outorgas que dividiu o país em quatro regiões de concessão, conforme tabela 1. A figura 1 ilustra a divisão das regiões I a III. A exploração dos serviços de telefonia pode ser feita em regime público ou privado. O regime público deve obedecer a princípios de universalização e continuidade (monitorados pela agência reguladora) e o contrato é o de concessão. A prestação do serviço em regime privado responde aos mecanismos de mercado e visa o lucro. O contrato, neste caso, é um contrato de autorização (VENTURA, 2001). Tabela 1: Distribuição das Unidades da Federação em Regiões do PGO Região do PGO REGIÃO I REGIÃO II Estados de Concessão Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas e Roraima Distrito Federal e Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Rondônia e Acre REGIÃO III Estado de São Paulo REGIÃO IV Nacional Fonte: PAULA, 2003 O Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) acabou por forçar as concessionárias e investirem pesado em infra-estrutura e manutenção. Os resultados foram bastante satisfatórios: o número de linhas em serviço passou de 20 milhões em 1997 para quase 39 milhões em 2002, ou seja, a penetração do serviço aumentou de 42% para quase 80% nos 5 primeiros anos de privatização. O tempo de espera pela instalação caiu de 1-2 anos para apenas 7 dias e o preço das linhas, que antes chegavam a custar 5.000 dólares, caiu para 40 dólares (BUFFARA, 2003). 14 Em 2009, o setor de telecomunicações (telefonia fixa e móvel) teve receita operacional líquida de mais de 97 bilhões de reais, sendo responsável por empregar 133 milhares de pessoas (TELEBRASIL, 2010). Nesse mesmo ano, o Brasil ocupava o 5º lugar em número total de telefones (1º entre países da América Latina) (TELECO, 2010). Segundo dados da PNAD de 2009 (IBGE, 2010 – consultado em 28/10/2010), 84,3% dos domicílios já têm acesso à telefonia (fixa ou móvel). O Estado de São Paulo apresentou as maiores taxas de penetração do serviço, principalmente devido às características sócioeconômicas da região que são mais favoráveis do que no restante do país. Figura 1: Mapa da telefonia no Brasil Fonte: ANATEL, 2010a Toda essa expansão se deu através da descentralização na prestação do serviço através da total terceirização, pelas concessionárias, da execução de serviços nos locais de instalação. A responsabilidade sobre esse tipo de serviço foi transferida para empresas devidamente contratadas mediante pagamento acordado entre as partes. O sistema funciona da seguinte forma: quando um cliente entra em contato com a central de atendimento comunicando algum 15 defeito ou solicitando a instalação da linha, a concessionária tenta de todas as formas resolver o problema via sistema online. Quando isso não é possível, é aberto um Boletim de Defeito (doravante BD), que nada mais é do que uma ordem de serviço no local da instalação. Esse BD é enviado à empresa contratada responsável pela área geográfica onde o cliente reside. De outubro de 2008 a setembro de 2009, a média mensal de BDs abertos no estado de São Paulo foi de 327.393 (soma de todas as contratadas). Cada contratada tem prazos (fixados pela Anatel via Plano Geral de Metas de Qualidade – vide apêndice 8.1) para atendimento do BD. Por exemplo: - Solicitação de reparo em clientes residenciais devem ser atendidas em até 24 horas em 98% dos casos; - Alteração de endereço em cliente residenciais devem ser atendidas em até 3 dias úteis em 98% dos casos. Fonte: ANATEL, 2010b Os prazos variam dependendo do perfil do cliente. Para prestadores de serviços de utilidade pública, por exemplo, o prazo para reparo cai de 24 horas para somente 2 horas e o de alteração de endereço passa a ser de apenas 6 horas. Existem ainda outras metas que não estão sob responsabilidade das contratadas, pois dependem do sistema interno da concessionária. A taxa de chamadas completadas com sucesso e a taxa de erro em documentos de cobrança emitidos são exemplos disso. Este trabalho irá focar nos contratos existentes entre concessionárias e subcontratadas. A hipótese que se pretende testar é se a distância geográfica entre as duas partes de um contrato dificulta o monitoramento por parte da concessionária e gera um desempenho aquém do desejado por parte da subcontratada. Para tanto será calculada a correlação entre a eficiência de cada subcontratada e sua distância até a filial da concessionária que a monitora. Vale lembrar que, neste caso, o desenho do contrato não exerce influência sobre o resultado da eficiência, uma vez que os contratos entre a concessionária e cada uma das subcontratadas são uniformes. 16 2.2 PRINCÍPIOS ECONÔMICOS DO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES No setor de telecomunicações, a característica que mais se destaca é a estrutura da indústria. O fato de se tratar de uma indústria intensiva em capital e a existência de elevados custos fixos (entre outros fatores) torna a provisão desse tipo de serviço um monopólio (GABEL, 1991, p. 598) Tanto para os serviços de telecomunicações, como para serviços de transporte, eletricidade, saneamento e gás, o termo “monopólio” não é o mais adequado. Nesses cenários, o que se verifica é o monopólio natural. Posner (1969, p. 548) definiu essa terminologia de uma forma bastante intuitiva ao dizer que “se toda a demanda de um mercado relevante pode ser atendida ao menor custo por uma firma ao invés de duas ou mais, então este mercado é um monopólio natural” (tradução nossa). Caso o mercado seja contestável, o monopólio natural será um equilíbrio estável apenas se os preços praticados forem sustentáveis (SHARKEY, 1981). A ideia de preços sustentáveis foi trazida, primeiramente por Panzar e Willig (1977). Basicamente, em um mercado com características de monopólio, a maximização do lucro tem como conseqüência o não atendimento de uma parte da demanda (aquela que tem menor disposição a pagar). Um entrante conseguiria capturar essa parcela da demanda oferecendo o produto / serviço a preços menores do que os já praticados. Se o preço vigente for sustentável, qualquer preço menor do que ele trará prejuízos ao concorrente. É por isso que a contestabilidade do mercado é essencial para se atingir o equilíbrio, pois garante que a firma atuante no mercado seja aquela que pratica o menor preço sustentável (COURSEY et al., 1984). Quando se fala em contestabilidade, o mercado de telecomunicações é um caso a parte. Posner (1969, p. 548) identificou essa peculiaridade como advinda das rápidas mudanças tecnológicas do setor. Segundo o autor, essa rápida evolução favorece o ambiente competitivo e impor uma regulação contando que o setor sempre será monopolista pode ser a principal causa para que isso de fato aconteça. A literatura existente sobre o setor costuma dar bastante destaque para as privatizações que ocorreram em diversos países. Qualquer que seja o setor analisado, os trabalhos costumam comparar dois cenários: antes da privatização e depois dela (e.g., SAVAS, 1987). Barnekov e Raffel (1990) concluem, por exemplo, que existem reduções nos custos de empresas privatizadas. O aumento da produtividade, entretanto, depende do grau de 17 monitoramento da atividade em questão. Atividades cujo monitoramento era mais simples (menos custoso) apresentaram ganhos de produtividade. Atividades cujo monitoramento era complicado (mais custoso) não apresentaram esses ganhos. Schmidt (1996) concorda que o processo de privatização gera redução nos custos. O autor conclui em seu trabalho que, em empresas privatizadas, os gestores têm incentivos para reduzir os gastos, pois priorizam a eficiência produtiva ao invés da eficiência alocativa. Nas empresas estatais, os custos são elevados, pois o gestor sabe que o governo suporta esse tipo de improdutividade desde que ele seja justificado com nível de produção ótimo para a sociedade. Frydman et al. (1999) faz uma análise diferente e opta por comparar somente empresas privatizadas com base no grupo que adquiriu o direito de exploração do bem ou serviço. Ele identifica dois grupos: os outsider-owners (grupos de pessoas que não possuíam nenhum tipo de vínculo empregatício com o setor público antes da privatização) e, analogamente, os insider-owners. O que os autores observaram é que as privatizações do tipo outsiders, tiveram como resultado um efetivo aumento na produtividade das empresas, enquanto que aquelas que foram privatizadas para insider-owners não apresentaram vantagens produtivas. Os ganhos de produtividade foram, entretanto, advindos de aumentos na receita ao invés da diminuição nos custos. O aumento na produtividade que costuma ser encontrado em empresas privatizadas pode ser atribuído ao foco no objetivo maior das empresas privadas: o lucro. As empresas estatais costumam focar no bem-estar social e, por isso, toleram certo nível de ineficiência. Essa diferença entre a estrutura de incentivos das empresas privadas (que focam no lucro) e das estatais (que focam no bem-estar social) é um dos motivos que justificam a existência da agência reguladora (HWANG; MAI, 1986). A privatização de monopólios é sempre acompanhada da criação de uma agência reguladora. Ela surge para garantir que o monopolista não irá cobrar preços abusivos pelo bem / serviço. O objetivo é conseguir os mesmos preços cobrados em mercados competitivos. O problema é que a intervenção no mercado por parte da entidade reguladora pode gerar um resultado do tipo second-best e os custos dessa intervenção nem sempre são facilmente mensuráveis. Para Posner (1969, p. 635) não só o resultado pode ser sub-ótimo como a contribuição para o bem-estar social e econômico pode ser, e possivelmente será, negativo. Joshi et al. (2001), por exemplo, mensuram o custo "oculto" da regulação ambiental na indústria do ferro. A regulação impede que as empresas utilizem os inputs e as técnicas 18 mais eficientes, substituindo-as pelos aparatos de produção ecologicamente corretos. Os autores constatam que os custos ocultos são de 9 a 10 vezes maiores do que os custos visíveis. Entretanto, existem cenários em que a regulação em um mercado acaba aumentando indiretamente a eficiência de outro mercado. No Canadá, a regulação que interveio no transporte ferroviário aumentou a eficiência dos portos e reduziu o preço da canola no mercado spot (CARTER, 1996). Outros estudos identificaram a regulação como gerador de bem-estar social (CHOWDARY, 2002) e, até mesmo, de vantagem competitiva (MAIJOOR; WITTELOOSTUIJN, 1996). Independente dos prós e dos contras da regulação existe uma corrente de pensamento a favor da desregulamentação. Coursey et al. (1984) afirmam que a contestabilidade do mercado é suficiente para levar a indústria para um equilíbrio de mercado competitivo. Outra forma de analisar a atuação de uma agência reguladora é enquadrando-a na ótica da Teoria de Agência. O problema de agência existe quando há diferenças entre os objetivos do agente e do principal. No caso do setor de telecomunicações, a função objetivo das concessionárias (i.e., agente) é maximizar o lucro. Já a agência reguladora (i.e. principal), que atua como representante dos consumidores, tem como principal objetivo maximizar o bemestar social (LAFFONT; TIROLE, 1986). Analogamente é a relação entre a concessionária (i.e., principal) e as empresas subcontratadas (i.e., agentes) por ela para realizar determinados serviços. Apesar da literatura existente já ter dado atenção à relação entre as concessionárias e as agências reguladoras (e.g., LOEB; MAGAT, 1979; LAFFONT, 1994), ela é silenciosa quanto à relação entre as concessionárias e as empresas subcontratadas. É esta lacuna que a presente dissertação pretende preencher por meio da análise do relacionamento entre a concessionária prestadora de serviços de telefonia no Estado de São Paulo e suas subcontratadas, responsáveis por reparos, instalações, habilitações e mudanças de endereços na linha telefônica dos clientes. Este caso específico, a saber, os contratos entre as concessionárias de telefonia e suas subcontratadas possui algumas peculiaridades: (i) trata-se de um contrato de prestação de serviço, fato que naturalmente dificulta o monitoramento; (ii) o serviço contratado é prestado em toda a extensão geográfica da concessão, diferente de contratos de terceirização de tecnologia, limpeza ou segurança que são executados próximos ao contratante; e (iii) todas as contratadas estão sujeitas a contratos padronizados. 19 O objetivo deste trabalho é testar se as subcontratadas apresentam variações no nível de eficiência de acordo com o grau de dificuldade de monitoramento cuja proxy será a distância entre a subcontratada e a filial da concessionária que a monitora. Para isso, os dados das subcontratadas serão utilizados em um modelo de análise envoltória de dados e o resultado será comparado com a localização da subcontratada em relação à concessionária. Como a teoria de contratos, em especial o problema de agência e a importância do monitoramento, se mostra bastante relevante para este trabalho, a seção a seguir faz uma revisão de literatura sobre este tema. 3. REVISÃO DE LITERATURA 3.1 CONTRATOS Juridicamente, "contrato é um acordo de vontades, na conformidade da lei, e com a finalidade de adquirir, resguardar, transferir, conservar ou modificar direitos" (PEREIRA, 1990). Economicamente, o conceito é mais abrangente já que se refere ao acordo que permeia todo tipo de interação entre agentes que buscam a melhor alocação para recursos escassos (BOLTON; DEWATRIPONT, 2005). Dada a dimensão deste campo do conhecimento, i.e., as relações contratuais, muitas teorias surgiram para explicar a forma como os agentes se organizam e quais são os incentivos que guiam suas ações. As duas principais são a Teoria dos Custos de Transação e a Teoria da Agência. Ambas têm como objetivo, entre outras coisas, explicar as cláusulas dos acordos estabelecidos entre agentes com base nos custos associados às interações econômicas e nas informações privadas dos agentes, respectivamente. Embora sigam linhas de pensamento diferentes, essas teorias não são conflitantes, mas sim complementares, como ficará claro mais adiante (KRAFFT; ALBERS; LAL, 2004). A Teoria dos Custos de Transação tem como principal objetivo entender a estruturas produtivas que se formam no mercado. Em geral, os trabalhos focados neste campo procuram responder qual será a escolha dos agentes (produzir internamente, obter o insumo no mercado ou, ainda, escolher uma forma híbrida de produção) com base nos custos de transação que permeiam essas interações (WANG, 1999). 20 Em seu trabalho pioneiro, Coase (1937) identifica os custos que podem levar o empreendedor a internalizar o processo produtivo ao invés de recorrer ao mercado para obter o insumo que precisa. Segundo ele, os principais custos são: custo de obtenção de informação, custo de barganha, custo da garantia de confidencialidade, custo de enforcement dos contratos, entre outros. Williamson (1985) incorpora à teoria outras contingências determinantes para a escolha da estrutura da firma, como a frequência da interação, a especificidade do ativo envolvido, a incerteza do ambiente, a racionalidade limitada e o comportamento oportunista dos agentes. A Teoria da Agência é complementar à Teoria dos Custos de Transação na medida em que explora um cenário específico derivado desta última, ou seja, a união entre a existência de custos de obtenção de informação (COASE, 1937) e a possibilidade de comportamento oportunista dos agentes (WILLIAMSON, 1985). Quando esses dois fatores se unem, os mecanismos contratuais – tais como incentivos e monitoramento – ganham destaque, pois atuam na redução dos conflitos de interesse entre agentes (contratados) e principais (contratantes) (GIBBONS, 1998). Em geral, esses conflitos são gerados pela assimetria de informação entre os envolvidos, ou seja, informações que o agente possui sobre suas habilidades, por exemplo, e que o principal gostaria de ter para desenhar um contrato que maximize o resultado final. Na Teoria da Agência, inúmeros problemas causados pela assimetria de informações foram identificados. Os principais são a seleção adversa, o efeito free-rider e o moral hazard. A literatura é bastante vasta quando se trata desses assuntos. Em especial, no que diz respeito a como corrigi-los. 3.2 ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO A seleção adversa tem como fato gerador a assimetria da informação acerca da dotação inicial de cada agente. A estrutura contratual é decisiva neste caso, pois as condições impostas pelo principal podem acabar atraindo apenas os agentes que não possuem as características que ele procura. Os dois principais mecanismos de solução do problema de seleção adversa são o preço e a sinalização. Por preço entende-se a estrutura de incentivos oferecida pelo principal, neste caso são os juros cobrados pelo empréstimo. A sinalização é a capacidade do agente de indicar qual é o grupo a que ele pertence, neste caso um avalista é uma forma de sinalizar que o agente é bom pagador ou o histórico de empréstimos contraídos e pagos. A 21 diferença principal entre esses dois mecanismos é que o preço é uma tentativa do principal de elaborar uma estrutura única de incentivos que seja capaz de separar os diversos tipos de agentes, enquanto que a sinalização é uma iniciativa do próprio agente de evidenciar a qual tipo ele pertence (BOLTON; DEWATRIPONT, 2005). Por sua vez, o free-riding ocorre quando existe um problema na alocação dos direitos de propriedade dos ativos envolvidos. Os primeiros trabalhos sobre o assunto tinham como foco a estrutura tributária, pois é ela que custeia os bens públicos e, sendo públicos, os direitos de propriedade sobre esses bens se tornam bastante nebulosos (SAMUELSON, 1958, HOLTERMANN, 1972, BAUMOL, 1972). Rapidamente, os teóricos constataram que o problema se repetia em outros cenários, sempre que existia dificuldade para atribuir a um único agente a sua parcela de responsabilidade nos resultados agregados (COASE, 1960). O exemplo típico do comportamento free-rider é a questão da poluição ambiental. Todos estarão em melhor situação se cada um fizer o necessário para reduzir a emissão de poluentes. Entretanto, como não é possível medir a contribuição individual na poluição agregada, cada agente negligencia o problema e o resultado final prejudica o meio ambiente como um todo. No ambiente organizacional, o free-rider é bastante comum entre franquias. As lojas franqueadas devem realizar investimentos em propaganda, mas os benefícios desse investimento serão apropriados por todos os franqueados e também pelo dono da marca. O agente, então, decide economizar o capital que deveria ser alocado para publicidade e esse comportamento oportunista só será identificado caso um considerável número de lojas adotálo (MATHEWSON; WINTER, 1985). Assim como a seleção adversa, o caso do free-rider também tem dois conceitos-chave: externalidade e monitoramento. Externalidades existem quando os efeitos das decisões de um agente geram conseqüências para o bem-estar de outro. A existência de externalidades (positivas ou negativas) é fator necessário para que os agentes tenham incentivos a agir de forma oportunista. E o monitoramento – embora custoso – combinado com mecanismos de sanção, é a principal forma de inibir esse tipo de comportamento (KELSALL, 2009). Já o moral hazard é caracterizado por um desvio de comportamento após o contrato ser firmado (BRINK, 2009). Suas causas são diversas, mas em geral o problema se origina porque os incentivos contratuais não são desenhados de forma a alinhar integralmente os objetivos do agente e do principal. O agente, portanto, desviará seu comportamento com a intenção de maximizar a sua utilidade individual (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2009, p. 280). O comportamento do agente leva em consideração diversos fatores, tais como os 22 investimentos realizados no passado - problema de hold-up - (LANGLOIS; ROBERTSON, 1989), as perspectivas futuras do relacionamento com o principal - construção de reputação – (MARTIN; MILLS, 2008) e a intensidade da sanção prevista (ESKELAND; THIELE, 1999). A teoria de contratos apresenta inúmeras contribuições no que diz respeito à correção da assimetria de informação. Os trabalhos já publicados sugerem soluções diversas para os problemas abordados, mas de um modo geral, todas elas podem ser agrupadas em dois grandes temas: a estrutura de incentivos contratuais e os mecanismos de monitoramento, detalhados na seção 3.3 a seguir. 3.3 INCENTIVOS E MONITORAMENTO Incentivo contratual refere-se a tudo aquilo que influencia o comportamento de um agente econômico, por exemplo, uma perspectiva futura é um incentivo, tanto quanto o prazo de duração de um contrato. A expectativa de renovação de um contrato pode ser capaz de disciplinar o agente a tal ponto que os contratos formais tornam-se desnecessários (MACAULAY, 1963). Apesar do baixo enforcement legal de contratos informais, eles são bastante usuais e são eficazes na medida em que refletem comportamentos de longo prazo e construção de reputação (BULL, 1987). Todos esses (e muitos outros) são incentivos que guiam as ações do agente e, quando bem desenhados, os incentivos contratuais podem extrair dos agentes o comportamento que o principal efetivamente contratou (DEVARO; PRASAD, 2011, p. 2). O esquema de remuneração monetária é o exemplo mais analisado. É possível identificar na literatura inúmeros esforços de calcular a combinação entre pagamento fixo e variável que confere ao principal a melhor utilidade possível, dado o cenário de informação assimétrica (ANDERSON; OLIVER, 1987; BASU; LAL; SRINIVASAN; STAELIN, 1985; HOLMSTROM; MILGROM, 1991). Anderson e Oliver (1987) constataram que o pagamento fixo é uma forma de controlar o comportamento, enquanto que o variável serve para incentivar maior empenho no executar das tarefas. Os autores afirmam, ainda, que não existe uma combinação superior em todos os aspectos; tudo depende de qual critério se quer influenciar. Ainda no que diz respeito a pagamento híbrido (parte fixo e parte variável), Basu et al. (1985) vinculam a estrutura híbrida comumente praticada em contratos de vendas à incerteza do ambiente. Para os autores, quanto maior a incerteza do ambiente, maior deverá ser o salário fixo e menor a comissão. Se a empresa tiver condições de investir para diminuir a 23 incerteza, isso pode ser produtivo, pois os vendedores concentrarão maior esforço na atividade para a qual foram contratados. Além da incerteza do ambiente, a capacidade limitada de influenciar os resultados finais, a valorização da qualidade do item produzido e a necessidade de garantir que os agentes aloquem parte de seu tempo na manutenção do aparato produtivo (HOLMSTROM; MILGROM, 1991) são aspectos que aumentam a participação do pagamento fixo na remuneração total. Por outro lado, agentes que detém o controle da produção, agentes neutros ao risco ou agentes que queiram sinalizar ao principal sua capacidade de produzir resultados estarão mais propensos a assinar contratos cuja remuneração é essencialmente variável. Para que seja possível calcular o valor do pagamento variável, costuma-se vincular a ele alguma medida de performance. Com freqüência, o objetivo do principal é extrair do agente um determinado comportamento que gere resultados para a empresa, mas monitorar um comportamento pode ser inviável ou muito custoso. Kerr (1975) cita inúmeros exemplos de estruturas de incentivos mal desenhadas que acabam por estimular outros comportamentos que não o desejado. Um dos motivos apontados pelo autor para a ocorrência deste fenômeno é a preferência por vincular o pagamento variável à medidas objetivas e diretamente observáveis de performance. Se essas medidas objetivas não forem resultado exclusivo do comportamento desejado, o agente pode trabalhar para melhorar o resultado que está sendo monitorado sem, contudo, se comportar conforme aspira o principal. Cria-se, então, um viés na estrutura de incentivos (ASCH, 1990). A assimetria de informações existe porque o monitoramento raramente é pleno. Em outras palavras, se fosse possível monitorar integralmente o comportamento de um agente, não existiria necessidade de criar estruturas de incentivo para inibir comportamentos indesejados (LAFONTAINE; SLADE, 2007). Uma das variáveis que impacta o custo de monitoramento é a dispersão geográfica dos agentes (LAFONTAINE; SLADE, 2007, p.643). A lógica associada a essa premissa é que monitorar o comportamento implica em monitorar um agente pessoalmente. Logo, se os agentes estão muito dispersos geograficamente o custo de observá-los in loco aumenta. Esse é um dos motivos que fundamenta a estratégia das franquias de distribuir algumas lojas próprias na rede de franqueadas (SESHADRI, 2002). No cenário em que este trabalho se concentra, a apuração dos indicadores de qualidade estabelecidos pela Anatel indica que as concessionárias de telecomunicações têm deixado de atingir a meta com freqüência (ANATEL, 2011). Uma vez que grande parte dos indicadores refere-se a serviços que as concessionárias optam por terceirizar, conclui-se que o 24 monitoramento das contratadas se encontra insatisfatório. Isso porque a natureza da atividade desenvolvida pelo agente é de difícil mensuração. Primeiro, porque se trata de um serviço. É mais simples controlar outputs concretos, por exemplo, quantidade de peças produzidas. Segundo, porque o serviço não é realizado próximo (fisicamente) do principal, mas sim no local de instalação das linhas, ou seja, em toda a extensão geográfica designada pelo contrato de concessão. A extensão geográfica de atuação da empresa é um fator importante no processo de tomada de decisão (LANDIER; NAIR; WULF, 2006). A dispersão geográfica das diferentes unidades de uma mesma empresa reflete, em parte, os custos de monitoramento que ela incorre(SORENSON; SORENSEN, 2001; MINKLER, 1990; MANESS, 1996; MARTIN, 1988). Na literatura sobre franquias, por exemplo, os custos de monitoramento, sob a forma de dispersão geográfica, explicam o número relativo de lojas próprias e lojas franqueadas (SORENSON; SORENSEN, 2001), a qualidade dos bens produzidos pelas lojas franqueadas (MICHAEL, 2000) e, até mesmo, o risco enfrentado pelo franqueador (MARTIN, 1988). Porém, na literatura mais ampla sobre incentivos contratuais, a dispersão geográfica foi pouco explorada. Sua relação com a eficiência dos agentes também aparenta ser um tema que tem recebido pouca atenção. Alguns trabalhos incluem a variável “monitoramento” na análise de eficiência dos agentes, mas a proxy usada para estimar essa variável não se baseia na dispersão geográfica. Por exemplo, Banker, Lee, Potter e Srinivasan (2010) analisaram a eficiência de vendedores e o monitoramento foi estimado como a razão entre o número de gerentes e o número de vendedores. O resultado encontrado pelos autores é contrário ao que a literatura sobre Teoria de Agência costuma prever, ou seja, as evidências indicam que o monitoramento por parte do supervisor resulta em impacto negativo sobre a produtividade das vendas. Em outro trabalho, sobre a eficiência de bancos, Pasiouras (2008) inclui uma variável que mede o grau de monitoramento privado. Os resultados indicam que o monitoramento é significante e afeta positivamente a eficiência dos bancos. O presente trabalho, portanto, se propõe a avançar um passo no entendimento dos efeitos do monitoramento em contextos de desintegração vertical (i.e., outsourcing) através da análise de como a eficiência dos agentes está relacionada com a distância entre eles e o principal. 25 4. METODOLOGIA 4.1 ANÁLISE ENVOLTÓRIA DE DADOS A análise envoltória de dados (Data Envelopment Analysis – DEA) é uma técnica nãoparamétrica utilizada para comparar a eficiência de unidades produtivas que desempenhem essencialmente as mesmas atividades, diferenciando-se apenas nas quantidades de insumos (inputs) a serem utilizados e produtos (outputs) a serem produzidos. Essas unidades produtivas são chamadas de DMUs (Decision Making Units) (HAO; WEI; YAN, 2000) e suas eficiências são calculadas a partir da relação entre produtos e insumos (CHARNES; COOPER; RHODES, 1978). A técnica tem como resultado a eficiência relativa entre as DMUs, ou seja, pelo menos uma delas apresentará eficiência máxima e estará localizada na fronteira de eficiência (produtiva), enquanto que as outras terão índices de eficiência relativos a uma DMU de referência que estará situada na fronteira (GOLANY, 1988). A fronteira pode ser de dois tipos: 1. Retornos contantes de escala: um aumento nos insumos produtivos resultará em aumento proporcional nos produtos. Este modelo foi proposto por Charnes, Cooper e Rhodes (1978) e ficou conhecido como CCR. É recomendado seu uso quando as DMUs são de portes semelhantes; 2. Retornos variáveis de escala: um aumento nos insumos produtivos resultará em aumento não-proporcional nos produtos. Este modelo foi proposto por Banker, Charnes e Cooper (1984) e ficou conhecido como BCC. É recomendado seu uso quando as DMUs são de portes diferentes. A vantagem do DEA é que ele permite o cálculo da eficiência mesmo que existam múltiplos insumos e múltiplos produtos. A técnica atribui pesos para cada um dos insumos e dos produtos de forma a maximizar o índice de eficiência das DMUs. Outra vantagem é que, por ser uma técnica não-paramétrica, não requer a imposição de relação funcional entre os insumos e os produtos. A maximização supramencionada pode ser atingida de duas formas: maximizando o numerador do quociente de eficiência (os produtos) ou minimizando o denominador (os insumos). No primeiro caso, diz-se que o modelo é orientado a produtos, o que significa que o 26 resultado do modelo irá indicar quanto poderia ser produzido com os insumos já disponíveis. No segundo, o modelo será orientado a insumos. Isso significa que o resultado irá indicar quais insumos podem ser reduzidos (e em qual percentual) sem prejuízo a produção final. Existem outras técnicas para cálculo de eficiência, como a Análise de Fronteira Estocástica (SFA) e o Bootstrap. O SFA é uma modelagem econômica cujo ponto de partida é uma fronteira de produção estocástica (AIGNER et al., 1977). Já o Bootstrap, originalmente proposto por Efron (1979), é utilizado nos casos em que a distribuição teórica de uma estatística é muito complexa ou até mesmo desconhecida. As duas técnicas, portanto, trabalham com dados estocásticos. Todavia, como os dados utilizados neste trabalho são determinísticos, o DEA é a técnica mais indicada. Também vale lembrar que o DEA se mostra uma técnica bastante robusta. Inúmeros autores focaram seus esforços para comparar os resultados do DEA com os resultados de outras técnicas de cálculo de eficiência, como Multiple Objective Linear Programming (JORO et al., 1998), Game Theoretical Model (HAO et al., 2000), Multiple Criteria Decision Making (BOUYSSOU, 1999; STEWART, 1996) e Análise de Fronteira Estocástica (MIRANDA, 2009). Além disso, existem também alguns autores que concentraram esforços no sentido de aprimorar a técnica para casos específicos. As principais aprimorações referem-se à base de dados utilizada (ZHU, 2004, COOPER et al., 2001, PORTELA et al., 2004, ROUSSEAU; SEMPLE, 1993), ao controle dos pesos atribuídos aos insumos e produtos (COOPER et al., 2001, GOLANY, 1988, PODINOVSKI; ATHANASSOPOULOS, 1998, JORO; VIITALA, 2004, DYSON; THANASSOULIS, 1988), e à possibilidade de obter melhores resultados combinando o DEA com outras técnicas (PARK, 2004, BELTON; VICKERS, 1993, TOFALLIS, 2001). Tanto o DEA quanto suas aprimorações são amplamente utilizados pela academia nos mais diversos temas. Existem trabalhos que comparam escolas (RAY, 1991, LUDWIN; GUTHRIE, 1989), hospitais (BYRNES; FREEMAN, 1999, STEINMANN et al., 2004), bancos (SEIFORD; ZHU, 1999, VASSILOGLOU; GOIKAS, 1990), transporte escolar (SEXTON et al., 1994), entre outros. O DEA também tem aplicações no mercado. No setor de telecomunicações, por exemplo, os reajustes são calculados levando em conta os ganhos de produtividade da Concessionária. Esses ganhos são calculados conforme a Resolução 507 de 2008 e são 27 compartilhados com a sociedade reduzindo o percentual de reajuste do serviço prestado. O DEA entra no cálculo como uma premissa de eficiência do setor. 4.2 SELEÇÃO DE DMUs Foram selecionadas todas as empresas que possuíam contrato vigente com a concessionária no período de outubro de 2008 a setembro de 2009, totalizando doze DMUs. Das doze, uma delas (DMU “A”) faz reparos e manutenções em telefones de uso público (“orelhões”), ou seja, atua em toda a extensão territorial do estado de São Paulo. As outras onze realizam reparos e manutenções em linhas particulares (residenciais e corporativas) e se diferenciam apenas pela região geográfica de atuação dentro do Estado de São Paulo. Dyson et al. (2001) destacam que as DMUs devem ser homogêneas na sua atuação, fato este que deveria excluir a DMU “A” da análise. Serão apresentados, portanto, dois resultados: com a DMU “A” e sem ela. Figura 2: Distribuição das subcontratadas pelo Estado de São Paulo Fonte: elaboração própria As onze DMUs consideradas homogêneas na sua forma de atuação estão espalhadas pelo estado de São Paulo conforme as figura 2. A região da Grande São Paulo, que apresenta maior densidade de acessos em telefonia, aparece detalhada na figura 3. 28 Apesar da análise do comportamento das subcontratadas ser feito pela sede da empresa em São Paulo, capital, a concessionária possui filiais espalhadas pelo estado que são as responsáveis pelo monitoramento das subcontratadas. Por isso, a distância utilizada neste trabalho será calculada entre a sede de cada subcontratada e a filial da concessionária responsável pelo monitoramento. O cálculo foi feito utilizando o serviço gratuito Google Maps através do qual se insere o endereço de partida e o de chegada e o software calcula a distância entre eles. Subcontratadas que possuem filiais tiveram as diversas distâncias ponderadas pela densidade do serviço telefônico no entorno de cada filial. O que equivale dizer que filiais localizadas em regiões com maior número de acessos terão maior peso do que as demais. Esse raciocínio faz sentido, uma vez que o monitoramento integral da subcontratada por parte da concessionária é inviável, logo, os esforços devem se concentrar nas regiões com maior número de clientes. Figura 3: Distribuição das subcontratadas pela região da Grande São Paulo Fonte: elaboração própria Os dados tiveram suas escalas alteradas por exigência da concessionária sem, contudo, perder a proporcionalidade entre eles e estão relatados na tabela 2. 29 Tabela 2: Distância em quilômetros entre as DMUs e a filial que a monitora DMU TFN Distância A B 1 16,1 C 1 13,7 D 1 25,7 E 2 302,8 F 1 25,5 G 1 14,4 H 3 122,3 I 3 123,4 J 3 82,1 K 4 5,7 L 4 228,6 Fonte: elaboração própria 4.3 DEFINIÇÃO DE VARIÁVEIS USADAS NO D.E.A. 4.3.1 INSUMOS Serão usadas 3 variáveis como insumos no modelo: - Boletins de Defeito (variável BD): cada vez que um cliente liga para a central de atendimento, são efetuadas tentativas de resolver o problema através do sistema online. Quando isso não é possível, é aberto um Boletim de Defeito (BD) que funciona como uma ordem de serviço a ser realizado no local de instalação. A quantidade de BDs irá representar a demanda por serviços técnicos e o objetivo da contratada é minimizar este número, uma vez que a remuneração da contratada não varia de acordo com as solicitações1; - Acessos Totais (variável InvAcess): os serviços de telefonia no Brasil foram universalizados através de 2 Planos Gerais de Metas de Universalização e atendem 100% do território nacional (ANATEL, 2010c). Entretanto, muitos terminais não estão habilitados e em funcionamento, pois o cliente não contratou o serviço (seja pelo preço cobrado, seja pelo atual fenômeno de substituição entre telefone fixo e telefone móvel, ou por qualquer outro motivo). A variável “Acessos Totais” refere- 1 A concessionária tem como objetivo minimizar o número de solicitações que demandem algum tipo de serviço in loco. Logo, não faz sentido vincular a remuneração à quantidade de BDs. Isso desencadearia um problema de risco moral. 30 se à média mensal do número de terminais em serviço, ou seja, trata-se dos terminais que podem dar origem a um BD. A quantidade de acessos, como já foi mencionado, é uma aproximação para o tamanho da região a ser atendida. Quanto maior for a região, maior será a parte fixa da remuneração prevista em contrato. Portanto, o mais eficiente é que essa quantidade seja a maior possível. Como se trata de um insumo será necessário inverter o número, pois insumos devem ser minimizados2; e - Gastos com veículos (variável Veic): trata-se da média mensal dos gastos com locação da frota e combustível utilizado. Essa variável será considerada um insumo, pois servirá de proxy para estimar o tamanho da frota da empresa. O ideal, neste caso, é que a contratada consiga atender a todas as BDs com a menor frota possível. 4.3.2 PRODUTOS Foram coletadas 2 variáveis que serão consideradas produtos no modelo proposto: - Índice de produtividade (média mensal): é um índice que aponta quantas BDs um técnico atende por dia (BD/Técnico/Dia); e - Índice de deslocamento (média mensal): é um índice que aponta a distribuição geográfica das BDs e é medido em Km/BD. Dyson et al. (2001) recomendam a seguinte fórmula para a escolha da quantidade de insumos e produtos: QDMUs 2 * Inputs* Outputs Se o modelo usasse as 12 DMUs não seria necessário reduzir a quantidade de variáveis, mas como se pretende testar também o modelo sem a DMU A (responsável pelos telefones de uso público) é importante reduzir a quantidade total de variáveis. Para tanto, as variáveis de produto serão multiplicadas e o resultado será o deslocamento diário por técnico. Se não houvesse prazos para o atendimento dos BDs, seria possível agrupá-los de forma que o deslocamento fosse o menor possível. A existência dos prazos não permite que isso seja feito de forma muito intensiva, mas ainda assim, o mais eficiente é que o deslocamento diário por técnico seja o menor possível. Assim como ocorre com Acessos Totais, a variável precisará 2 Variáveis anti-isotônicas (DYSON ET AL., 2001, p. 251) 31 ser invertida, pois variáveis caracterizadas como produtos devem ser maximizadas (DYSON et al., 2001). A variável de produto será, portanto, chamada de InvDesloc. 4.4 MODELO FINAL Na escolha da orientação do modelo, pode-se optar por maximizar o produto ou minimizar os insumos. Um modelo orientado a produtos identificaria quanto poderia estar sendo produzido com os insumos já disponíveis. Como será usada apenas uma variável de produto, é mais interessante rodar um modelo orientado a insumos, pois além de fornecer qual deveria ser o nível ótimo dos insumos sem prejuízo da produção final, é possível comparar as melhorias sugeridas para cada insumo e inferir qual deles está sendo a maior fonte de ineficiência. Os valores de cada insumo e produto estão relatados na tabela 3 e, novamente, sofreram alterações de escala por exigência da concessionária. Tabela 3: Dados de insumo e produto do modelo DEA DMU A B C D E F G H I J K L BD 4.797,04 54.308,56 9.043,00 35.621,65 41.171,39 28.437,85 36.467,89 32.970,64 16.449,21 27.556,60 19.453,27 21.115,55 InvAcess 0,54 0,07 0,22 0,08 0,06 0,13 0,14 0,11 0,22 0,14 0,19 0,20 Veic 970,52 1.013,03 985,15 1.013,59 1.256,63 1.026,88 1.045,14 1.270,62 1.151,72 1.194,89 1.168,17 1.212,91 InvDesloc 9.808,42 5.869,16 8.153,99 6.070,20 1.843,49 5.394,31 4.699,99 1.844,31 2.582,83 2.302,82 2.514,18 2.152,78 Fonte: elaboração própria A correlação entre as variáveis que serão utilizadas no modelo DEA segue conforme tabela 4 abaixo: 32 Tabela 4: Correlação entre as variáveis de insumo e produto BD InvAcess Veic InvDesloc BD 1 - InvAcess -0,8 1 - Veic 0,16 -0,37 1 - InvDesloc -0,33 0,57 -0,92 1 Fonte: elaboração própria A correlação de -0,33 entre InvDesloc e BD indica que quanto maior o número de BDs, maior será o deslocamento3. Com a variável InvAcess, a correlação de 0,57 (positiva) significa que quanto maior for a planta instalada, maior será o deslocamento. Por último, a correlação negativa entre Veic e InvDesloc mostra que quanto maior a frota, maior o deslocamento. Além da orientação do modelo DEA é necessário definir, também, se as DMUs em análise apresentam fronteira de eficiência com retornos constantes de escala ou com retornos variáveis. Coelli (1996) explica que os retornos de escala estão vinculados à natureza da atividade que está sendo analisada. Retornos variáveis de escala retratam melhor a realidade de DMUs que apresentam eficiência de escala, como é o caso dos bancos, por exemplo. Já as atividades desempenhadas pelas DMUs em análise neste trabalho contam com eficiências técnicas e nestes casos, ou autores indicam o uso da fronteira de retornos constantes de escala. Esquematicamente, o modelo final terá inputs e outputs se relacionando conforme a figura 4. Figura 4: Esquema de interação das variáveis no modelo DEA Fonte: Elaboração própria 3 Apesar da correlação negativa, a relação entre as variáveis ocorre conforme descrito acima devido ao fato da variável de produto (InvDesloc) estar invertida. 33 5. RESULTADOS 5.1 ANÁLISE ENVOLTÓRIA DE DADOS O software usado para calcular o modelo DEA proposto acima é o Frontier Analyst 4. O ranking de eficiência quando o modelo é orientado a inputs e mantendo a variável InvAcess como insumo não controlado segue conforme a tabela 5. Conforme previsto, o modelo com retornos constantes de escala retrata melhor a realidade das DMUs. Cinco das doze DMUs foram consideradas eficientes pelo DEA com retornos variáveis de escala. A DMU “E”, no entanto, serve de referência apenas para uma DMU: ela mesma. Dyson et al. (2001) chamam atenção para o fato de que variações consideráveis no tamanho das DMUs nem sempre indicam economias ou deseconomias de escala. Tabela 5: Ranking de eficiência e DMUs de referência DMU A B C D E F G H I J K L Retornos variáveis Eficiência Referências 100% 2 100% 5 100% 8 100% 5 100% 1 98% 0 96% 0 93% 0 86% 0 85% 0 85% 0 82% 0 Retornos constantes Eficiência Referências 100% 8 100% 2 100% 4 100% 1 17% 0 67% 0 53% 0 14% 0 22% 0 19% 0 21% 0 18% 0 Fonte: elaboração própria A figura 5 compara graficamente as fronteiras de eficiência obtidas com retornos constantes e com retornos variáveis de escala. 34 Figura 5: Retornos constantes (CRS) vs. Retornos variáveis (VRS) Fonte: Dyson et al. (2001) Como é possível visualizar, a fronteira obtida com retornos variáveis de escala é mais flexível e acaba por envolver as DMUs de uma forma que coloca várias delas na fronteira. Os autores destacam que esse modelo só deve ser utilizado quando as variações no retorno forem, de fato, comprovadas. A DMU “A” serve como referência para outras sete DMUs. Como já havia sido previsto, a DMU “A” será retirada da amostra, porque é importante que as DMUs sejam homogêneas (RAMANATHAN, 2003). Neste caso, a DMU “A” é responsável pelos telefones de uso público e as demais se encarregam das linhas particulares. Os novos resultados estão retratados na tabela 6. Tabela 6: Resultados do DEA (retornos constantes) sem a DMU “A” DMU B C D E F G H I J K L Eficiência 100% 100% 100% 18% 67% 54% 18% 27% 23% 26% 21% Referências 2 9 1 0 0 0 0 0 0 0 0 Fonte: elaboração própria 35 As DMUs ineficientes continuam muito concentradas, agora em torno da DMU “C”, enquanto que a DMU “D” é referência apenas para ela mesma. Ramanathan (2003) destaca que a existência de uma DMU que só serve de referência para ela mesma não caracteriza, por si só, um problema para a análise. O problema surge quando a retirada dessa DMU altera muito o ranking de eficiência das demais. Isso ocorre porque essa DMU pode ter um valor muito diferente para algum insumo ou produto e retirá-la da análise altera significativamente os pesos atribuídos a cada componente usado no cálculo da eficiência. O autor recomenda, então, um teste de sensibilidade para chegar a um modelo final que não seja viesado pelos insumos ou produtos de alguma DMU em particular. Os resultados dos testes de sensibilidade estão no anexo 1. A DMU “D” não está viesando a análise e, portanto, o resultado exposto na tabela 6 é, de fato, o modelo final. Tabela 7: Correlação entre as variáveis e a eficiência das DMUs BD InvAcess Veic InvDesloc Eficiência 0,20 -0,17 -0,93 0,96 Fonte: elaboração própria As relações entre as variáveis e a eficiência estão de acordo com o esperado (vide tabela 7). As variáveis que indicam insumos devem ser reduzidas para que a eficiência aumente, ou seja, devem apresentar correlação negativa com a eficiência. A correlação positiva entre BD e eficiência pode ser tolerada devido ao baixo peso atribuído a esta variável no cálculo da eficiência (tabela 8). A variável de produto apresenta correlação positiva. Atentando para o fato de que esta variável se encontra invertida, a análise da correlação fica da seguinte forma: quanto maior o deslocamento, menor a eficiência da DMU. Isso faz sentido, pois um bom planejamento logístico é essencial para garantir os prazos solicitados pela agência sem gastar muito com a frota de veículos. 36 Tabela 8: Peso das variáveis no modelo DEA DMU B C D E F G Peso BD 0% 0% 0,4% 0% 0% 0% Peso InvAcess 19,6% 0% 22,7% 0% 31,6% 0% Peso Veic 80,4% 100,0% 76,9% 100,0% 68,4% 100,0% Peso InvDesloc 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% H I J K L 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Média 0% 7% 93% Fonte: elaboração própria 100% O DEA também fornece uma tabela de melhorias (tabela 9). De acordo com os pesos estipulados pelo modelo, é possível calcular quais insumos podem ser reduzidos sem prejudicar a produção final. Como o modelo é orientado a insumos, não era esperada nenhuma sugestão de melhoria em InvDesloc (que é a variável de produto). Intuitivamente, também não deveria ser sugerida nenhum melhoria para InvAcess que foi classificado como insumo não-controlável. No entanto, o software prevê a possibilidade de que essas colunas apresentem, sim, percentuais de melhorias diferentes de zero. Isso quer dizer que alcançar a fronteira de eficiência pode exigir uma economia de insumos combinada com uma melhoria nas variáveis de produto ou que estar na fronteira depende também dos fatores que não são controláveis (BANXIA, 2010). O resultado não indica necessidade de melhorias em InvDesloc, mas sugere consideráveis melhorias em InvAcess: 61%, em média. Essa melhoria, no entanto, não é responsabilidade da empresa contratada. Dentre as variáveis de insumos controladas pelo agente, o tamanho da frota é a que precisa de mais ajustes. 37 Tabela 9: Sumário de melhorias DMU BD InvAcess Veic InvDesloc B 0% 0% 0% 0% C 0% 0% 0% 0% D 0% 0% 0% 0% E -95,0% -15,1% -82,3% 0% F -60,8% 0% -33,3% 0% G -85,7% -12,9% -45,7% 0% H -93,8% -54,6% -82,5% 0% I -82,6% -68,7% -72,9% 0% J K L -90,7% -85,7% -88,7% -57,5% -64,3% -70,7% -76,7% -74,0% -78,6% 0% 0% 0% Média -85,4% -43,0% -68,3% 0% Fonte: elaboração própria 5.2 CORRELAÇÃO ENTRE DISTÂNCIA E EFICIÊNCIA Este trabalho procurou unir duas vertentes na literatura de contratos. A primeira referese aos custos de monitoramento e sua relação com a dispersão geográfica dos contratados (BRICKLEY; DARK, 1987; MINKLER, 1990). A segunda diz respeito ao modo como esses contratados respondem aos incentivos aos quais estão expostos (KERR, 1975, HOLMSTROM, 1979, BASU ET AL., 1985, ANDERSON; OLIVER, 1987, ASCH, 1990, HOLMSTROM; MILGROM, 1991). Apesar da teoria de contratos estar intimamente ligada tanto a custos de monitoramento quanto a estrutura de incentivos, o foco do trabalho não é o desenho contratual em si. Por este motivo, foi escolhido um setor onde os contratos são uniformes entre os diversos agentes, a saber a relação estabelecida entre concessionária de telefonia fixa e suas subcontratadas responsáveis pelo serviço técnico realizado nos locais de instalação das linhas. Para tanto, a distância entre a sede de cada subcontratada e a sede da concessionária foi utilizada como proxy para o custo de monitoramento e foi estimada sua correlação com o ranking de eficiência relativa obtido através da análise envoltória de dados. Pressupõe-se que as subcontratadas agem de forma auto-interessada e combinam seus insumos da melhor forma possível levando em conta os incentivos (contratuais e extracontratuais) aos quais estão submetidas. 38 O cálculo da correlação entre as distâncias relatadas na tabela 2 e o ranking de eficiência exposto na tabela 6 resultou no valor de -0,63902. Este resultado vai ao encontro às expectativas e corrobora a hipótese que se pretende investigar, pois indica que quanto maior a distância entre agente e principal, pior será a eficiência relativa do contratado, indicando claro problema de risco moral. 6. CONCLUSÕES E LIMITAÇÕES Usando a análise envoltória de dados, este trabalho visou estabelecer relação entre a eficiência dos diversos agentes submetidos a um contrato-padrão com concessionária de telefonia fixa e a dificuldade em monitorá-los. Os resultados indicam uma correlação moderada e negativa entre a dificuldade em monitorar as subcontratadas e a eficiência relativa delas. Esta correlação corrobora a hipótese de que quanto mais longe estiver a subcontratada, mais difícil será monitorá-la e pior será seu desempenho. Como os contratos que guiam os relacionamentos inter-organizacionais aqui analisados são idênticos entre os diversos agentes, a falta de credibilidade dos agentes para com o monitoramento do principal pode estar ocasionando este problema de moral hazard. Os modelos teóricos costumam analisar problemas de moral hazard considerando que os resultados são prejudiciais apenas ao contratante (principal). Este trabalho chama atenção para o fato de que os desvios de comportamento podem causar danos também ao agente, uma vez que a utilização ineficiente de insumos pode reduzir os lucros consideravelmente. O ferramental oferecido aqui, entretanto, não é suficiente para avaliar se o efeito líquido entre a economia de esforços e a perda de eficiência é positivo ou negativo. Do ponto de vista das concessionárias, uma questão gerencial que deve ser revista é a completa terceirização dos serviços em questão. Assim como no caso das franquias, um modelo híbrido (com prestadoras próprias e prestadoras contratadas) pode ser mais adequado do que o modelo atual de total desintegração vertical para minimizar o comportamento oportunista e melhorar os índices de qualidade estipulados pela Agência. Outra opção para tratar o problema aqui identificado seria efetuar ajustes nos contratos de forma a incorporar os custos de monitoramento na estrutura de incentivos. O pagamento variável poderia, por exemplo, estar vinculado ao índice de qualidade publicado pela Anatel. Desta forma, todas as 39 subcontratadas seriam penalizadas pelo desvio de comportamento de uma delas. Com uma estrutura de incentivos deste tipo, os custos de monitoramento são deslocados da concessionária para as subcontratadas, pois elas irão fiscalizar umas às outras para que o resultado agregado seja o almejado pelo regulador e pelo contratante. Vale lembrar que este trabalho analisou apenas a relação entre o monitoramento e a eficiência dos agentes. A correlação encontrada é considerada moderada e pode, portanto, estar indicando a existência de outros fatores capazes de influenciar os resultados das contratadas. Por exemplo, a extensão geográfica da área atendida por cada contratada pode influenciar a eficiência da mesma na medida em que prejudica o planejamento logístico do atendimento das BDs. Isso porque a existência de regulação no setor impede o agrupamento ótimo das BDs de forma a otimizar o itinerário dos técnicos. Outros aspectos que reduzem a eficiência dos agentes, mas não estão relacionados ao comportamento oportunista são eventos não controlados pela contrata como ocorrência de chuvas e roubo dos fios de cobre utilizados nas redes telefônicas. Nessas circunstâncias, a manutenção preventiva não é capaz de reduzir o número de BDs abertos. Por outro lado, podem existir situações em que a eficiência do agente aumenta, sem que isso seja, contudo, fruto do seu esforço. Nas regiões de maior densidade telefônica, por exemplo, algumas contratadas possuem contrato não só com a concessionária, mas também com algumas autorizatárias. Isso permite que o atendimento às solicitações de reparo sejam otimizados através de melhor planejamento logístico e redução de capacidade ociosa. Esses fatores, porém, vão além do escopo deste trabalho. Dentre as possíveis expansões deste trabalho, seria interessante refazê-lo utilizando outras medidas de desempenho (contábeis e/ou econômicas) para checar se o resultado se mantém. 40 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AIGNER, D.J.; Lovell, C.A.K.; Schmidt, P. “Formulation and estimation of stochastic frontier production functions”. Journal of Econometrics, Vol. 6. (1977) pp. 21-37. ANATEL. “Documento de Encaminhamento da Lei Geral das Telecomunicações”. Exposição de Motivos n. 231. Brasília, 1996 _______; “Norma da Metodologia para Cálculo do Fator de Transferência X”. Resolução n. 507 de 16 de julho de 2008 _______; 2010a. Disponível em <http://www.anatel.gov.br/hotsites/conheca_brasil/default .asp?nomeCanal=Telefonia%20Fixa&codigoVisao=4&site=1> Consultado em: 09/11/2010 _______; 2010b. Disponível em <http://sistemas.anatel.gov.br/saci/Relatorios/PgmqPerfil/ TelaPublico.asp> Consultado em: 14/08/2010 _______; 2010c. 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ANEXO 9.1 INDICADORES DE QUALIDADE - ANATEL Indicadores Meta DAS METAS DE QUALIDADE DO SERVIÇO - LOCAL Taxa de chamadas locais originadas completadas - Matutino 70% Taxa de chamadas locais originadas completadas - Noturno 70% Taxa de chamadas locais originadas não completadas por congestionamento - Matutino 4% Taxa de chamadas locais originadas não completadas por congestionamento - Noturno 4% DAS METAS DE ATENDIMENTO ÀS SOLICITAÇÕES DE REPARO Taxa de solicitação de reparos por 100 (cem) acessos em serviço - Integral 1,50% Taxa de atendimento de solicitações de reparos de usuários residenciais em até 24 horas Integral 98% Taxa de atendimento de solicitações de reparos de usuários não residenciais em até 8 (oito) horas - Integral 98% Taxa de atendimento de solicitações de reparo de usuários que são prestadores de serviços de utilidade pública em até 2 (duas) horas - Integral 98% DAS METAS DE ATENDIMENTO ÀS SOLICITAÇÕES DE MUDANÇA DE ENDEREÇO Taxa de atendimento ás solicitações de mudança de endereço de usuários residenciais em até 3 (três) dias úteis - Integral 98% Taxa de atendimento ás solicitações de mudança de endereço de usuários não residenciais em até 24 horas - Integral 98% Taxa de atendimento de solicitações de mudança de endereço de usuários que são prestadores de serviços de utilidade públicas em até 6 (seis) horas - Integral 98% 54 DAS METAS DO ATENDIMENTO POR TELEFONE AO USUÁRIO Taxa de atendimento por telefone ao usuário do STFC em até 10 segundos - Matutino 95% Taxa de atendimento por telefone ao usuário do STFC em até 10 segundos - Noturno 95% Taxa de chamadas na rede da prestadora, destinadas ao Centro de Atendimento da própria Prestadora, que resultam em chamada completada - Matutino 98% Taxa de chamadas na rede da prestadora, destinadas ao Centro de Atendimento da própria Prestadora, que resultam em chamada completada - Noturno 98% DAS METAS DE QUALIDADE PARA TELEFONE DE USO PÚBLICO Número de solicitações de reparo de Telefones de Uso Público por 100 (cem) TUP em serviço - Integral 8% Taxa de atendimento de reparos de Telefone de Uso Público instalados em regiões remotas ou de fronteira em até 5 (cinco) dias - Integral 92% Taxa de atendimento de reparos de Telefone de Uso Público instalados em regiões não caracterizadas como remotas ou de fronteira em até 8 (oito) horas, detectadas por sistema de supervisão - Integral 98% Taxa de atendimento de reparos de Telefone de Uso Público instalados em regiões não caracterizadas como remotas ou de fronteira em até 8 (oito) horas, por solicitação Integral 98% DAS METAS DE INFORMAÇÃO DO CÓDIGO DE ACESSO DO USUÁRIO Taxa de informação do código de acesso do usuário respondida em até 30 segundos ( área de atuação da Prestadora ) - Integral 98% DAS METAS DE ATENDIMENTO À CORRESPONDÊNCIA DO USUÁRIO Taxa de atendimento à correspondência do usuário respondida no prazo regulamentar (5 dias úteis até dez/2005 e 10 dias a partir de jan/2006 - área de atuação da Prestadora ) Integral 100% DAS METAS DE ATENDIMENTO PESSOAL AO USUÁRIO Taxa de atendimento pessoal ao usuário em até 10 minutos ( até dez/2005 por área de atuação da Prestadora e a partir de jan/2006 por CN ) - Integral 95% DAS METAS DE EMISSÃO DE DOCUMENTO DE COBRANÇA Taxa de contas contestadas ( em cada 100 contas ) com crédito devolvido referentes á modalidade Local - Integral 98% Taxa de documentos de cobrança, por código de acesso, entregue ao assinante com antecedência mínima de 5 dias de seu vencimento - Integral 100% 55 Número de documentos de cobrança com reclamação de erro em cada 1.000 (mil) documentos de cobrança emitidos na modalidade Local - Integral 2 DAS METAS DE MODERNIZAÇÃO DE REDE Taxa de digitalização da Rede Local - Integral Fonte: ANATEL, 2010b 99,50%