ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE UTILIZAÇÃO DA AP RENDIZAGEM MÓVEL NO ENSINO SUP ERIOR: UM SUP ORTE AO ENSINO E A APRENDIZAGEM Marcia Pereira1 1 Universidade Federal do ABC/ Departamento Engenharia da Informação/mp_ [email protected] Resumo - A necessidade de inserção das tecnologias na educação é uma realidade, porém professores e instituições de ensino se deparam com vários problemas, como o despreparo dos professores, o custo de hardware e software entre outros, que atrapalham esse processo. Com as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) cada dia mais presente na sociedade, a escola sente-se pressionada a inserir as TICs na rotina escolar dos alunos e professores, para assim preparar cidadãos, que possam atuar na sociedade do século XXI. Diante desta necessidade a aprendizagem móvel se mostra como uma opção de grande potencial apresentando vários aspectos positivos como a disseminação de equipamentos móveis, a mobilidade humana, a ubiquidade, o baixo custo dos equipamentos e a facilidade de uso. Este artigo apresenta um estudo de caso aplicando os recursos da tecnologia móvel no curso de Pedagogia. Com o objetivo de preparar os futuros profissionais da educação a descobrir e vivenciar situações propícias ao uso da tecnologia móvel na educação, explicitando também, a viabilidade da aprendizagem móvel como suporte ao processo ensino aprendizagem. Os resultados preliminares mostram que os alunos acreditam na tecnologia móvel, como uma ferramenta prática e produtiva para o ensino e aprendizagem. Palavras-chave: aprendizagem móvel, m-learning, recursos móveis, educação, ensino superior. Abstract - The need for integration of technology in education is a reality, but teachers and educational institutions are faced with several problems such as the lack of preparation of teachers, the cost of hardware and software among others, that hinder this process. With Information and Communication Technologies (ICTs) increasingly present in society, the school feels pressured to enter ICT in school routine of students and teachers, to prepare citizens so that they may act in society of the XXI century. Given this need for mobile learning appears as a choice of great potential presenting several positive aspects as the spread of mobile devices, human mobility, ubiquity, low equipment cost and ease of use. This article presents a case study applying the resources of mobile technology in the Faculty of Education. In order to prepare for future education professionals to discover and experience situations conducive to the use of mobile technology in education, explaining also the feasibility of mobile learning and support the learning process. Preliminary results show that students believe in the mobile technology, as a practical and productive tool for teaching and learning. Keywords: mobile learning, m-learning, mobile resources, education, higher education. 1 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE 1 Introdução A educação superior no Brasil passa por um processo de expansão muito significativo na vida de milhões de pessoas com o apoio do governo Federal através de programas como Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade para Todos (Prouni) e também pela exigência do mercado de trabalho por profissionais mais qualificados. Segundo Costa (2011), atualmente são seis milhões de jovens matriculados no ensino superior brasileiro, com indicadores de qualidade bem estabelecidos e um sistema integrado de ações. Projetos como o Fies e o Prouni, que promovem o acesso a estudantes de baixa renda a partir da concessão de bolsas parciais e integrais, inserem na malha educacional do país uma classe social que antes não sonhava com essa possibilidade. Quando os jovens e adultos ingressantes se deparam com os conteúdos do ensino superior sentem muita dificuldade para acompanhar o currículo das disciplinas propostas neste nível de ensino. Estas dificuldades são consequências das lacunas na aprendizagem, devido a baixa qualidade da educação nos níveis fundamental e médio ou também dificuldades por estar a alguns anos fora da escola. Como aponta Lima (2012) a defasagem na aprendizagem dos estudantes seria uma consequência inevitável do perverso percurso de desigualdades de oportunidades sociais, econômicas e educacionais no Brasil. Estes problemas dificultam o progresso do aluno e pode leva- lo a evasão escolar. Por outro lado, a instituição de ensino e os professores também não conseguem oferecer um suporte individual e adequado aos alunos, devido a outros afazeres e o grande número de alunos na sala de aula. Com uma sociedade cada vez mais informatizada, tem-se nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) uma possibilidade de facilitar a execução de processos e tarefas. As políticas públicas educacionais no Brasil iniciaram em 1997 com a criação do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo) (UNESCO, 2012) com o objetivo de introduzir as tecnologias como ferramentas no suporte pedagógico. As escolas tê m dificuldade para inserir as tecnologias no dia a dia dos discentes, por vários motivos incluindo o alto custo da tecnologia e a formação de professores. Lima (2012) afirma que é importante considerar a implementação das TIC na educação, já que essas tecnologias podem converterse, por si só como veículo para outras ações e políticas educacionais, em oportunidades extraordinárias para acelerar a reversão do quadro educacional do país. De acordo com pesquisas realizadas pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (Nic.br, 2012) o uso efetivo do computador e da Internet nas escolas públicas brasileiras para realização das atividades realizadas pelos alunos, mesmo com investimentos para a introdução das TICs, ainda permanece como um desafio a ser vencido e os professores preferem atividades que não façam uso de tecnologias. Um trabalho realizado pela Unesco (2013) na região da América Latina, afirma que a aprendizagem móvel tem o potencial de amenizar algumas das desigualdades sociais aparentes em sistemas de ensino nesta região ou em áreas carentes e de difícil acesso, aumentando o acesso dos alunos e dos professores aos programas e materiais educativos e possivelmente melhorando a qualidade de ensino e aprendizagem também. Outro ponto favorável à adoção da aprendizagem móvel é o acesso a equipamentos móveis como os celulares por pessoas de baixo poder aquisitivo. De acordo com Grego (2012) o Brasil possui mais 255 milhões de linhas de celulares, distribuídas por todo o país e 2 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE São Paulo possui a maior concentração destes aparelhos, e para a Anatel (2012) em agosto de 2012 eram 257,9 milhões para uma população de 193.947 milhões 1 . Diante deste cenário a educação não pode ficar alheia a potencialidade deste equipamento e seus recursos, pois o aparelho celular pode, como outras tecnologias, ser um grande aliado na melhoria no processo de ensino aprendizagem e junto com outros recursos tecnológicos disponíveis e metodologias educacionais adequadas, é possível auxiliar o aluno na construção do próprio conhecimento. Este trabalho pretende mostrar a aplicação da aprendizagem móvel como auxiliar na construção do conhecimento e a potencialidade do aparelho celular, a partir do desenvolvimento de atividades em um curso superior presencial. O enfoque se dá no ensino superior por ser um dos níveis que apresentam currículos embasados em conhecimento que deveriam ser adquiridos nos anos de formação acadêmica anteriores e muitas vezes não foram adquiridos, por diversas causas. E a escolha do curso de pedagogia por ser o principal profissional responsável pela difusão e utilização deste recurso futuramente. Este artigo está organizado em cinco seções, incluindo esta. A seção 2 explana sobre o a metodologia educacional do mobile learning. A seção 3 apresenta um estudo de caso desenvolvido em um curso superior de pedagogia, que terá os resultados analisados na seção 4. A seção 5 relata as conclusões encontradas sobre a viabilidade da utilização do mobilelearning. 2 Aprendizagem móvel Com o desenvolvimento da tecnologia móvel, hoje praticamente é possível acessar serviços disponíveis para o dia a dia, a qualquer lugar ou horário, bastando ter acesso a um dispositivo móvel (celulares, tablets, handhelds, notebook, netbook entre outros) e para algumas situações específicas a Internet. A educação começa a tomar partido deste recurso, através da metodologia aprendizagem móvel, também conhecida como m- learning ou mobile learning, que de acordo com Polissoly & Loyolla (2012), define-se como a utilização de dispositivos móveis e portáteis quando usada para facilitar o acesso e a informação em programas de ensino. Para Unesco (2012) a aprendizagem móvel envolve o uso de tecnologia de comunicações móveis, por si só ou em combinação com outra TIC, para permitir a aprendizagem a qualquer momento e em qualquer lugar. A utilização da tecnologia de computação móvel como auxílio ao processo de aprendizagem permitirá ao aluno acessar em qualquer lugar e em qualquer hora o conteúdo necessário para o acompanhamento de cursos, principalmente aproveitando os horários de espera ou de locomoção (Polissoly, Loyolla, 2012; Unesco, 2012). O surgimento de novas tecnologias para transmissão de dados via telefonia celular e de novos modelos de telefones celulares com altas taxas de transmissão capazes de transmitir dados, imagens e em alguns casos vídeos, torna interessante o uso da telefonia celular para a aprendizagem móvel (Polissoly, Loyolla, 2012). 1 Estimat iva do instituto aponta que Brasil tem 193.946.886 habitantes, com dados do dia 1º de julho de 2012. São Paulo é o Estado mais populoso com 41 milhões 3 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE A aprendizagem móvel faz uso dos recursos da tecno logia sem fio, o que permite o acesso a tecnologias de ponta como serviços de mensagens curtas (SMS), da capacidade de transmissão de fotos, serviços de e- mail, multimidia message service (MMS) e de vídeo sob demanda. (Polissoly & Loyolla, 2012). A Unesco (2012) cita como atributos importantes para as tecnologias móveis, os seguintes itens: a) São facilmente transportáveis; b) Geralmente controlados por uma pessoa; c) Possuem recursos multimídia; d) Facilitam a realização de um grande número de tarefas, particularmente as de comunicação; e) A ubiquidade. A Unesco (2012) entende que os projetos utilizando a tecnologia móvel definem uma oportunidade de aprendizagem para quem não tem uma educação de qualidade. É importante considerar que as tecnologias móveis não substituem, mas sim complementam investimentos educacionais existentes, como livros didáticos, infraestrutura, hardware, treinamento e conteúdo (Unesco, 2012). 2.1. Exemplos de Aplicações Móveis Três projetos e iniciativas de uso do aparelho celular como ferramenta para suporte ao ensino e a aprendizagem na América Latina (Unesco, 2012). a) Minha Vida Móvel2 (MvMob)-Brasil: Projeto com objetivo de treinar professores e alunos para produção de audiovisual utilizando aparelhos celulares e promover o intercambio cultural através de uma rede interativa. O programa consiste em um portal de conteúdo e interação e diversas atividades e competições (Unesco, 2012). b) PSU Movel– Chile: é um aplicativo móvel, que permite o usuário acessar conteúdo gratuito para download, exercícios, jogos e podcasts todos organizados por assunto, com o objetivo de permitir que os alunos do ensino médio possam se preparar melhor para ingressar no ensino superior. O acesso ao curso superior é três vezes maior para os alunos de renda mais alta do que os de renda mais baixa Esta dificuldade de acesso se deve ao exame de seleção conhecido como Prueba de Selección Universitária (PSU). Com aplicativo PSU Móvel o usuário acessa informações como: cursos universitários, planos de carreira e datas importantes do PSU, além de realizar testes preparatórios que o ajudarão a se preparar para ingressar no curso superior (Unesco, 2012). c) Evaluación de Aprendizajes a través de Celulares - Paraguai: lançado em 2011 pelo Ministério da Educação do Paraguai, o projeto tem o objetivo de explorar a possibilidade de testes padronizados através de aparelhos celulares. O projeto foi destinado a alunos dos primeiros anos do ensino secundário envolvendo as disciplinas de matemática, língua espanhola e literatura, em trezentas escolas públicas, preparando também os profissionais envolvidos (professores e diretores) para ajudar os alunos a fazerem o teste em seus equipamentos celulares e fornecer suporte técnico no dia do exame. (Unesco, 2012). Os alunos introduziam um 2 Minha vi da móvel: site www.mvmob.com.br Acesso em Abr 2013 4 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE código no próprio aparelho celular para receber questões de múltipla escolha e enviava as respostas através de mensagens de texto que eram direcionados para o banco de dados do Ministério da Educação, facilitando o processo. Os resultados oficiais sobre a avaliação e o método, não foram divulgados fazendo parte de um relatório que será divulgado pelo Ministério da Educação do Paraguai (Unesco, 2012). 3 Estudo de caso O estudo consiste em utilizar os recursos da tecnologia móvel no desenvolvimento de atividades dentro e fora da sala de aula, com o objetivo de melhorar o processo ensino aprendizagem e mostrar a potencialidade do aparelho celular. 3.1. Metodologia Nesse estudo foi aplicado a metodologia qualitativa e quantitativa, com o objetivo de saber qual a percepção dos alunos sobre o uso da tecnologia móvel para o próprio aprendizado. A escolha do período noturno se justifica, porque se constata neste turno uma necessidade maior de apoio à aprendizagem por motivos como a falta de tempo para dedicação aos estudos porque os discentes trabalham. O estudo de caso foi aplicado no curso de pedagogia com 90 alunos (matriculados regularmente) do primeiro semestre sendo, 40 alunos no período noturno e 50 do período diurno, durante o primeiro semestre de 2013. O método de coleta de dados por questionário foi escolhido por necessitar de informações individuais, não haver tempo hábil para entrevista individual, as respostas serem simples e não precisava de um entrevistador presente. O problema deste método de coleta de dados é que muitas vezes os participantes não respondem o questionário, então a taxa de respostas é baixa (Bandeira, [200-]). Na aplicação no primeiro questionário 35 (88%) alunos participaram e para o segundo questionário: no período matutino 41 alunos responderam (82%) e noturno 33 alunos responderam (83%). Porém é importante destacar, também que muitos alunos evadiram o curso no decorrer do período, isto também explica a não participação de todos os alunos. 3.2. Questionários Foram aplicados dois questionários: um online e outro aplicado ao final da realização de três atividades usando a tecnologia móvel. O primeiro questionário aplicado foi um questionário on-line desenvolvido com a ferramenta formulário do google docs, onde podia-se identificar os equipamentos móveis que os alunos possuíam e consequentemente os recursos disponíveis e o seu uso. O questionário continha cinco questões objetivas. Este questionário foi respondido por 35 alunos (88%) dos alunos da turma do noturno. Os alunos do período matutino não responderam a esse questionário, pois a aprendizagem móvel foi aplicada apenas com os alunos do noturno. A aplicação deste questionário se fez necessário para determinar os tipos de atividades que poderiam ser desenvolvidas com a turma, considerando os recursos móveis disponíveis nos aparelhos celulares. Para responder este questionário, os alunos acessaram a Internet via computador ou via celular e responderam as questões a partir do link disponível aos alunos na página de conteúdo da disciplina, a qual eles tinham acesso. 5 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE Figura 1: Equi pamentos móveis que os alunos possuem (Questionári o 1) Deste questionário partiu a motivação para trabalhar com o telefone celular e não os demais equipamentos móveis, pois a maioria (97%) dos alunos possuíam este equipamento como mostra o gráfico da figura 2. Figura 2: Alunos que possuem celular (Questionário 1) O segundo questionário foi aplicado para as turmas dos dois períodos ( matutino e noturno), porém no período noturno foram acrescentadas algumas questões sobre a utilização da tecnologia móvel no desenvolvimento das atividades. Para os alunos do matutino algumas perguntas sobre tecnologia móvel foram feitas, para identificar o interesse e conhecimento dos alunos sobre aprendizagem móvel. As questões aplicadas no período matutino foram: i) Você acha que é possível usar a tecnologia móvel em sala de aula? ii) O que acha do uso do celular em sala de aula (ensino médio e superior)? iii) Você gostaria de usar o celular durante o curso de pedagogia? As três questões eram objetivas. As demais questões aplicadas tinham o objetivo de avaliar o perfil dos alunos do curso de Pedagogia e interesses pelo curso. Para os alunos do noturno, além das questões contidas para o questionário matutino foram acrescentadas as questões sobre as atividades foram desenvolvidas com o apoio das tecnologias móveis. A figura 3 mostra um fragmento do questionário com algumas das questões aplicadas: 6 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE Figura 3: Frag mento do questionário 2: questões sobre a utilização dos recursos da tecnologia móvel nas ati vi dades realizadas. 3.3. Atividades desenvolvidas Foram desenvolvidas três atividades práticas e o envio e recebimento de mensagens de texto (SMS). A primeira atividade utilizando o celular foi baseada no trabalho de Schweitzer e Dino (2011) como uma forma de conhecer o aluno e acompanhar o seu desenvolvimento através de uma ficha das avaliações do semestre. A atividade consistia em: o aluno utilizando a câmera o próprio equipamento tiraria a sua foto e enviaria via bluetooth ao professor. Antes da atividade foi explicado o objetivo da desta, porém os recursos do celular utilizados não foram explicados, considerando que os alunos já conhecessem o equipamento e seus recursos. A partir desta atividade foi possível desenvolver o carômetro (identificação dos alunos e a foto) e a ficha de avaliação de cada um com os dados de avaliação, frequência e identificação. 7 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE Figura 4: Ficha indi vi dual do aluno utilizando a foto envi ada pel o aluno A segunda atividade desenvolvida foi a utilização de um vídeo do Youtube 3 sobre o conteúdo a ser tratado em sala de aula, com uma atividade escrita contendo algumas questões para responder com base no vídeo. O vídeo foi entregue via bluetooth pelo professor e pelos alunos pois, conforme iam recebendo repassavam aos demais. O objetivo desta atividade era que o aluno com auxílio do vídeo, conseguisse construir o seu conhecimento sobre o conteúdo. Barbosa et al. (2007) considera que o conhecimento é construído a partir de um processo de interação entre o indivíduo e o objeto de conhecimento, assim a interação entre o aprendiz e o meio permite que ele possa aprender de forma ativa. A terceira atividade foi sobre uma discussão em grupo onde os a lunos precisavam discutir sobre um tema contido em seu material de estudo. O grupo teria que organizar a discussão e gravar um áudio sobre os principais pontos discutidos e entregar via bluetooth. O objetivo foi trabalhar a colaboração e a cooperação, habilidades importantes do século XXI, importantes para o desenvolvimento do cidadão (Demo, 2008). Outro recurso utilizado do aparelho celular foi envio e recebimento de mensagens SMS. Recurso que possibilita a interação entre alunos e entre alunos e professores, a qualquer momento e em qualquer lugar e esta interação torna o “outro” mais próximo, a um pressionar de botão (Silva e Consolo, 200-). As mensagens SMS eram enviadas durante a semana, fora do horário de aula, para avisar os alunos sobre atividades a serem entregues, fatos relevantes a vida escolar como dicas, conteúdo de aula, indicação de sites entre outros e também para responder sobre dúvidas dos alunos. Os recursos do aparelho celular foram utilizados de acordo com a atividade aplicada e os recursos que os alunos possuíam e utilizavam com maior desenvoltura. Na próxima seção são apresentados os dados obtidos das respostas dos alunos. 3 www.youtube.com.br 8 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE 4 Análise dos resultados A análise mostra que os alunos ainda não se sentem a vontade na utilização da tecnologia na sala de aula e não exploram todo o potencial do equipamento. Provavelmente por receio e por ser somente na disciplina de informática na educação que eles usam o telefone celular como suporte a aprendizagem, pois as outras disciplinas ainda não fazem uso. Os alunos têm interesse na adoção do celular em outras disciplinas como constatado na pergunta: Você gostaria de usar o celular durante o curso de pedagogia? Os alunos do noturno já têm opinião formada, o que especifica que a experiência neste curto período de tempo já permite aos alunos identificarem a potencialidade do equipamento ou não, ao passo que os alunos do matutino (32% Não e 22% Não souberam opinar) não reconhecem o celular como uma ferramenta de apoio pedagógico. Tabela 1: Respostas dos alunos sobre Período Sim Matutino 46% Noturno 79% a adoção do celular no curso de Pedag ogia Não Não sei opi nar 32% 22% 21% 0% A tabela 2 mostra dados importantes para adoção da tecnologia móvel, como suporte ao ensino aprendizagem para que os alunos tenham mais um recurso a favor da construção do próprio conhecimento. Barbosa (2007) identifica o aluno como elemento ativo no processo educacional, com a possibilidade de interagir com a informação e outros indivíduos, de forma a construir o próprio conhecimento. Os dados obtidos com aplicação do questionário dois tinham o objetivo de identificar as características sociais dos alunos além, da tecnologia móvel. Muitos alunos em sala de aula reclamam sobre a falta de tempo para estudar, pois trabalham e o questionário evidenciou este fato pois, 64% dos alunos do período noturno confirmam que trabalham e no horário matutino apenas 32% têm alguma ocupação além do estudo. Justifica-se com esta questão a escolha dos alunos para aplicação da aprendizagem móvel na turma do noturno e também o fato dos alunos do matutino conseguirem realizar as suas atividades com mais facilidade. Período Matutino Noturno Tabela 2: Perfil dos alunos da pes quisa manhã e noite Alunos que Es tudo concluí do Finalizaram o ensino trabalham em escola pública médi o há mais de cinco integral mente anos. 32% 66% 71% 64% 58% 14% Outro ponto curioso na tabela 2 é o percentual da maioria dos alunos que finalizaram o ensino médio há mais de cinco anos ser no período matutino, assim também como ter o maior percentual de conclusão dos estudos em escola pública. Como são alunos do FIES, é importante salientar que estão aproveitando uma oportunidade que não seria possível, caso não houvesse o programa do governo (Costa, 2011). Quanto as atividades aplicadas, a primeira atividade (envio da foto) os alunos tiveram dificuldade no envio por bluetooth, pois muitos tinham o recurso em seu celular e não sabiam 9 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE como utilizar e outros não tinham o recurso no celular. Outra dificuldade foi para renomear o arquivo da foto, mas mesmo assim 39% dos alunos consideraram interessante o uso do bluetooth e o tipo de atividade. O uso do vídeo na aula foi um recurso interessante, mas o retorno em relação a aprendizagem, não trouxe o resultado esperado. Dificuldades como envio do arquivo do vídeo por ser grande e o fato de alguns celulares não suportarem o formato, causou uma certa demora na entrega deixando os alunos dispersos e sem realizar a atividade durante a aula. Outro imprevisto foi o áudio, os alunos reclamaram do som pois havia ficado baixo em alguns aparelhos e seria necessário o uso do fone, individualizando a atividade que era em grupo. Esta foi a atividade apresentarem baixo aprendizado e reprovação do uso. Para pergunta: Qual atividade sentiu mais dificuldade para utilizar os recursos? As respostas foram: a) Fotografia (câmera)26%, b) Partes do computador (vídeo)45%, c) Discussão sobre os conflitos (áudio)12%, d) Nenhuma 36% Figura 5: Ati vi dades desenvol vi das com mais dificul dade A discussão do tema com gravação do áudio sobre os principais pontos permitiu ao aluno expor seu ponto de vista com maior naturalidade do que a atividade escrita. A avaliação pode ser individual e em grupo, pois os alunos têm uma participação muito efetiva apresentando a sua opinião, não fica restrito a organização de um texto único onde muitas vezes a opinião de alguns alunos fica omitida ou o aluno se acomoda e não contribui em nada. Através das respostas dos alunos é possível analisar e verificar a importância do construtivismo (Barbosa et al., 2007) e da colaboração (Demo, 2008) na construção do próprio conhecimento identificado como não terminado e é constituído pela interação do indivíduo com o meio físico. Algumas respostas dadas pelos alunos sobre a atividade mais interessante, e eles escolheram a gravação do áudio: a) “Gravar o áudio, pois cada um se expressa do jeito que pode”; b) “foi legal”; c) “Tem que ter muita atenção e entender o assunto”; d) “Foi muito bom fazer o áudio”. Na turma da manhã a atividade sobre a discussão foi realizada no blog, porém teriam que discutir e postar no blog a opinião de todos. Portanto não é possível saber qual foi a contribuição de cada um, entendendo o trabalho final como o resultado das discussões de todos, porém muitos não participam, concordam com os outros com vergonha de dar sua 10 ESUD 2013 – X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Belém/PA, 11 – 13 de junho de 2013 - UNIREDE opinião, ou até não participam por desinteresse. Já a gravação do áudio deixou explicita qual é a participação de cada um, pois eles se identificavam e faziam o seu comentário. A questão O uso do celular está ajudando no aprendizado? Foi uma questão aberta para que o aluno expressasse da sua maneira. Algumas respostas explicitam a aprovação e a identificação da potencialidade do equipamento: a) “Sim, porque é uma coisa prática que a gente tem nas mãos e ajuda muito.”; b) “sim porque estou usando ferramentas que não tenho o hábito de usar”; c) “Sim aproxima mais o professor e o aluno”; d) “Sim, é muito bom é um aprendizado a mais”; e) “Sim, podemos fazer várias coisas com o celular”. O envio de mensagens foi interessante pois foi possível antecipar alguns pontos que tomariam boa parte da aula, usando o SMS, a mensagem era enviada eles discutiam e durante a aula acertava-se o que ficou em aberto não tomando parte da aula, que ficava disponível para o tratamento de conteúdos presenciais (Unesco, 2013). Outro ponto importante é o estreitamento da relação professor e aluno, pois é possível auxiliar o aluno no desenvolvimento de atividades, extinguir alguma dúvida que o aluno tem sobre o conteúdo, até sobre o curso, dúvidas de informática entre outros. Alguns alunos retornavam questionando sobre suas dúvidas e outros não participavam. O bluetooth foi o recurso mais utilizado, pela eficiência na comunicação em sala de aula para envio e recebimento de atividades e também por não ter nenhum custo na utilização. 5 Conclusão O uso da tecnologia móvel como suporte a aprendizagem é muito gratificante em termos de facilidade de uso e pela potencialidade dos recursos que possui. É muito importante quando pode-se propor uma atividade que o aluno possui o recurso para desenvolver pois ele rapidamente consegue imaginar como será o processo para atingir o objetivo proposto e se empenha em realizar. Dentre os resultados importantes obtidos, pode-se destacar a colaboração. Todas as atividades permitiam que os alunos interagissem entre eles e com o professor e realizassem um único trabalho, porém com várias contribuições. As atividades propostas sempre tiveram a adesão da maior parte dos alunos, o maior problema consistia no desconhecimento de alguns recursos, que após serem entendidos eram usados com muita naturalidade. Outro ponto que pode ser melhorado é o uso da tecnologia móvel por outras disciplinas, para que o aluno possa ampliar o seu conhecimento e melhorar a sua prática de forma mais global em questão de currículo. Para trabalhos futuros penso em um aplicativo para celular que possa auxiliar o professor no gerenciamento das atividades dentro e fora da sala de aula, na ampliação do projeto para outras disciplinas e continuar usando em todas as minhas disciplinas. 6 Referências BANDEIRA, Marina. Texto 9. Definição das variáveis e métodos de coleta de dados. Laboratório de Psicologia Experimental. UFJS. 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