E ditorial
O Conselho e a fiscalização
O
Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2ª Região/SP foi criado em 1981 pela Lei Nº 6965, que
regulamenta a profissão. Uma de suas principais missões é fiscalizar a prática profissional e
garantir, assim, que seja preservado o direito do fonoaudiólogo exercer
plenamente seu trabalho e oferecer um bom atendimento à população.
A fiscalização é prática rotineira do Conselho e um destes trabalhos é o tema da reportagem de capa desta edição da Revista da Fonoaudiologia.
Entre maio de 2008 e outubro de 2009, o CRFa. 2ª Região/SP incrementou suas
atividades de fiscalização junto aos serviços que prestam assistência fonoaudiológica
na rede municipal de São Paulo e traçou um retrato que possibilita alertar gestores e
todas as instituições reguladoras sobre a necessidade de ajustes.
A preocupação com a assistência fonoaudiológica de qualidade, e acessível a todos, também permeia outras ações deste Conselho. É o caso da promoção de três
eventos importantes realizados nos últimos meses de 2009 com a parceria de diversas
instituições: a 1ª Mostra de Fonoaudiologia na Atenção Básica do Estado de São Paulo,
o Fórum Atuação do Fonoaudiólogo na Educação e o XII Encontro dos Fonoaudiólogos
do Serviço Público do Estado de São Paulo. Os principais temas discutidos nestes
encontros são relatados em reportagens desta edição.
A primeira Revista da Fonoaudiologia de 2010 também traz algumas histórias de iniciativas que muito
contribuem para o aprimoramento de nossa profissão, como o trabalho de reabilitação fonoaudiológica em
casos de ronco e apneia; a criação, por parte de fonoaudiólogos, de dois importantes serviços na área de
linguagem oferecidos nas cidades de Marília e Osasco e também o desenvolvimento de um software gratuito,
que auxilia no atendimento de distúrbios da fluência.
Boa leitura e um ótimo 2010 a todos!
Isabel Gonçalves
Presidente do 8º Colegiado do CRFa. 2ª Região/SP
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
3
Conselho Regional
de Fonoaudiologia
2ª Região
8º Colegiado
PRESIDENTE
Isabel Gonçalves
VICE-PRESIDENTE
Maria Cristina Pedro Biz
DIRETORA-SECRETÁRIA
Andréa Bonamigo
Í ndice
5
“Mais Fluência” ajuda no tratamento de distúrbios da fala
Software é gratuito e pode ser baixado do site da ABRA GAGUEIRA
6
Conselho reforça atuação no Controle Social
Trabalho de fiscalização aponta a necessidade
de ampliação do acesso à assistência
fonoaudiológica na capital paulista
DIRETORA-TESOUREIRA
Carolina Fanaro da Costa Damato
CONSELHEIROS
Alexsandra Aparecida Moreira • Andrea Soares da Silva • Andrea Wander
Bonamigo • Camila Carvalho Fussi • Carolina Fanaro da Costa Damato
• Claudia Silva Pagotto Cassavia • Cristina Lemos Barbosa Furia • Daniela Soares de Queiroz • Gisele Gotardi de Oliveira • Isabel Gonçalves
• Lica Arakawa Sugueno • Lilian Cristina Cotrim Ferraz • Maria Cristina
Pedro Biz • Monica Bevilacqua • Nadia Vilela • Renata Cristina Dias da
Silva • Renata Strobilius • Yalís Maria Folmer-Johnson Pontes
DELEGACIA DA BAIXADA SANTISTA
Rua Joaquim Távora, 93 – cj. 15 – Vila Matias
CEP 11075-300 – Santos/SP
Fone: (13) 3221-4647 – Fax: (13) 3224-4908
[email protected]
DELEGACIA DE MARÍLIA
Rua Paes Leme, 47 – 5º andar – sala 51 – Centro
CEP 17500-150 – Marília/SP
Fone/Fax: (14) 3413-6417
[email protected]
10
Noite de homenagens marca o Dia do Fonoaudiólogo
Profissão foi celebrada em cerimônia na Assembleia Legislativa
14
Marília cria Centro de
Atendimento Multidisciplinar
Trabalho é voltado a crianças da
rede municipal de ensino com
dificuldade de aprendizado
16
Qualidade científica marca 17º Congresso de Fonoaudiologia
Além do evento nacional, foi realizado o primeiro encontro
ibero-americano; integração entre SBFa. e Sistema de
Conselhos também foi importante
18
Reabilitação em apneia e ronco:
um espaço para o fonoaudiólogo
Cresce a atuação do profissional
da área no atendimento de pacientes
com distúrbios do sono
DELEGACIA DE RIBEIRÃO PRETO
Rua Bernardino de Campos, 1001 – 13º andar – cj. 1303
CEP 14015-130 – Ribeirão Preto/SP
Fone: (16) 3632-2555 – Fax: (16) 3941-4220
[email protected]
DEPARTAMENTOS
CONTABILIDADE
[email protected]
DIVULGAÇÃO
[email protected]
DEPTO. PESSOAL
[email protected]
JURÍDICO
[email protected]
ORIENTAÇÃO E FISC.
[email protected]
RECEPÇÃO
[email protected]
REGISTROS/TESOURARIA
[email protected]
SECRETARIA
[email protected]
SUPERVISÃO
[email protected]
COMISSÕES
Audiologia • Divulgação • Educação • Ética • Legislação e Normas
• Licitação • Orientação e Fiscalização • Saúde • Tomada de Contas
COMISSÃO DE DIVULGAÇÃO
Carolina Fanaro da Costa Damato – Presidente
Andrea Soares da Silva
Lilian Cristina Cotrim Ferraz
Nadia Vilela
JORNALISTA RESPONSÁVEL
Sérgio de Castro Rodrigues (MTb 23.903)
PRODUÇÃO EDITORIAL E GRÁFICA
Capa - Cláudia Barrientos
Diagramação: Alexandre Barros
VIANEWS Comunicação Integrada
REDAÇÃO
Conexão Nacional
(11) 3151-5516 e 3151-5752
wwww.conexaonacional.com.br
[email protected]
Reportagem e edição:
Luísa de Oliveira • Sérgio de Castro Rodrigues
IMPRESSÃO
Companygraf
TIRAGEM
13.500 exemplares
Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região/SP
Rua Dona Germaine Burchard, 331 – Água Branca
CEP 05002-061 – São Paulo/SP
Fone/Fax: (11) 3873-3788 – www.fonosp.org.br
Envio de artigos, sugestões ou reclamações:
[email protected]
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desta edição é permitida, exclusivamente para uso editorial,
desde que claramente identificada a fonte. Textos assinados
e fotos com crédito identificado somente podem ser reproduzidos com autorização por escrito, de seus autores.
21
Sucesso marca votação via internet
Chapa Fono em Foco foi eleita para o triênio 2010/2013
22
Eventos
28
Mundo Acadêmico
29
Notas
T ecnologia
“Mais Fluência” ajuda no tratamento
de distúrbios da fala
D
esde outubro, os fonoaudiólogos contam com a ajuda
de mais uma ferramenta no
atendimento de alguns distúrbios da fala. É o “Mais Fluência”, software
gratuito desenvolvido pelo carioca Henrique Confessor, especialista em Tecnologia da Informação. O programa está disponível, gratuitamente, no site da ABRA
GAGUEIRA. “Ele foi desenvolvido com
o objetivo de auxiliar no tratamento de
alguns distúrbios, mais es­­pecificamente a
gagueira, pois pode melhorar a fluência
das pessoas que gaguejam”, explica a
presidente e fundadora da ABRA GAGUEIRA, a fonoaudióloga Daniela Verônica Zackiewicz.
Nos primeiros 30 dias em que foi
oferecido na internet, cerca de 100 fonoaudiólogos já baixaram o programa,
que utiliza recursos DAF/FAF (Delayed
Auditory Feedback/Frequency Altered
Feedback - Realimentação Auditiva com
atraso/Realimentação com Frequência
Alterada). “Como tenho experiência
com programação, pesquisei como funciona um DAF/FAF, sentei na frente do
computador e passei várias madrugadas fazendo o software sozinho”, conta
Confessor, que atualmente trabalha em
uma empresa de telefonia celular.
A vontade de ajudar no atendimento às pessoas que gaguejam veio da
própria experiência. Aos 36 anos de
idade, Confessor é um ativo colaborador da ABRA GAGUEIRA. Conheceu a
entidade em um evento do Dia Internacional de Atenção à Gagueira realizado
no Rio de Janeiro, em outubro de 2008.
Desde então, tem participado de diversos fóruns e percebeu que muitos frequentadores vão aos eventos em busca
de ajuda, pois não têm como financiar
um tratamento fonoaudiológico.
Fornecer o programa de forma gratuita já ajuda bastante. “Existem programas
de computador que utilizam os recursos
Foto: Arquivo Pessoal
Software é gratuito e pode ser baixado do site da ABRA GAGUEIRA
Henrique Confessor: software para todos
DAF/FAF para melhorar a fluência, porém todos os que encontrei na internet
eram em inglês e a maioria, paga. Funcionava por um tempo e depois você tinha
que comprar o programa se quisesse
continuar usando”, conta o programador.
“Então, comecei a alimentar a ideia de
fazer um software 100% brasileiro para
uso pessoal e que fosse de graça, facilitando desta forma o acesso a recursos para
tratamento que poderiam ser utilizados
em casa”, explica.
Funções
Foram vários meses de pesquisa sobre DAF/FAF e captura/reprodução de
áudio no computador para só então começar a montar o software. O programa tem duas funções e, para funcionar,
são necessários um microfone e um fone
de ouvido. O microfone vai captar a voz,
que será modificada pelo programa e,
então, enviada para o fone de ouvido - o
ideal é usar um fone unilateral.
A primeira função do programa é devolver a voz com um atraso de milissegundos, o DAF (Delayed Auditory
Feedback). É possível atrasar mais ou
menos o retorno. Em muitos casos, a
utilização do programa modifica a fluência das pessoas que gaguejam. Outra
função do software é a alteração da
frequência da voz - mais aguda ou mais
grave - proporcionada pelo efeito Frequency Altered Feedback (FAF). A utilização dos recursos faz com que surja
um efeito “coro”, como se o interlocutor estivesse falando junto com outra
pessoa. Os recursos podem ser utilizados de forma isolada ou associada.
Certamente, a iniciativa já está produzindo frutos, que em breve serão
analisados. Confessor pretende dispo­­
nibilizar questionários para que os fonoaudiólogos comentem o funcionamento
do programa. Se for preciso, serão feitos
aprimoramentos. “Minha percepção sobre a gagueira - e sobre as pessoas - mudou depois que eu conheci a ABRA GAGUEIRA”, conta ele. “Ao invés de buscar
ajuda para mim mesmo, resolvi ajudar os
outros com o conhecimento que tenho”,
continua o programador. “Antigamente,
minha meta era parar de gaguejar. Hoje
é simplesmente me conhecer melhor,
perceber o que se passa pela minha
mente e pelo meu corpo quando gaguejo, e trabalhar a mudança ou eliminiação
do comportamento ou do pensamento bloqueador da fala. Acredito que a
fluência será mera consequência deste
processo”, ensina. Para saber mais
n O software “Mais Fluência”
pode ser acessado pelo site da
ABRA GAGUEIRA:
http://www.abragagueira.org.br/
mais_fluencia.asp
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
5
R eportagem
de
C apa
Conselho reforça
atuação no
Controle Social
Trabalho de fiscalização aponta a necessidade de ampliação
do acesso à assistência fonoaudiológica na capital paulista
O
s Conselhos existem fundamentalmente para fiscalizar a prática, registrar e orientar os profissionais. Criado pela Lei nº 6965/81, que
regulamentou a profissão de fonoaudiólogo, o Conselho Regional de
Fonoaudiologia - 2a Região/SP cumpre seu papel e vem ampliando sua
atuação rotineira no sentido de trabalhar em consonância ao Controle Social. Entre maio de 2008 e outubro de 2009, a autarquia incrementou suas
atividades de fiscalização junto aos serviços que prestam assistência fonoaudiológica na
rede municipal de São Paulo. Os dados levantados pelo trabalho resultaram
na convocação de Audiência Pública pela Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho, Idoso e Mulher da Câmara Municipal. A
discussão já rendeu frutos: o legislativo comprometeu-se a levar o tema para as discussões vinculadas ao Plano Plurianual
(PPA) da cidade e encaminhou requerimento à Secretaria
Municipal de Saúde para obter informações sobre a assistência fonoaudiológica na rede de saúde.
6
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
a categoria e assegurar
o acesso da população à
assistência de qualidade
Cristina B iz
”
“Fiscalizar é a missão do CRFa., é a
nossa rotina ”, lembra Maria Cristina Pedro
Biz, presidente da Comissão de Legislação
e Normas do CRFa. 2a Região/SP. “Os
Conselhos Profissionais são agentes no
controle social. Ao fiscalizarem o exercício
profissional, avaliam não só as condições
de trabalho do fonoaudiólogo, mas principalmente a qualidade da assistência e o
acesso a ela”, explica. Para Cristina Biz, não
há dúvidas: “a fiscalização é um instrumento poderosíssimo na busca de uma assistência de qualidade e garantia do acesso
à população”. Ao desenhar o retrato da
assistência fonoaudiológica em um determinado local com dados concretos, a autarquia tem condições de alertar gestores
e todas as instituições reguladoras sobre a
necessidade de ajustes.
Protocolo
O trabalho mais intenso com a rede
municipal de São Paulo começou há dois
anos. “Em 2008, a Comissão de Saúde do
CRFa. 2a Região/SP debruçou-se sobre o
assunto e resgatou o protocolo de fiscalização. A partir do recebimento de inúmeras denúncias e consultas sobre serviços
prestadores de assistência fonoaudiológica
feitas tanto por parte da população como
por parte de entidades do Poder Público”,
Saúde Pública”, de Fábio Lessa e Gabriella
Miranda (In: Britto ATBO (org.). Livro de
Fonoaudiologia. São José dos Campos:
Pulso Editorial; 2005).
A informação também preocupa outros setores da sociedade. “É muito pouco, assim não dá para atender. Existem por
volta de 600 unidades de serviço na cidade”, critica a vereadora Juliana Cardoso,
presidente da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho, Idoso e Mulher da
Câmara Municipal. “Os dados apresentados pela fiscalização só vêm ajudar a Câmara e a cidade, e são muito importantes
para apontar as políticas públicas para o
serviço de atendimento fonoaudiológico”,
avalia. A comissão presidida pela vereadora coordenou a Audiência Pública realizada na Câmara no dia 4 de novembro, na
qual o CRFa. 2a Região/SP apresentou os
dados obtidos pela fiscalização.
As informações levaram a Câmara Municipal a pedir explicações à Secretaria de
Saúde. A Comissão de Saúde da Câmara
já havia recebido queixas de munícipes sobre a dificuldade de encontrar atendimento fonoaudiológico na rede, mas os dados
levantados pela fiscalização do Regional
deram os subsídios necessários para que o
legislativo enviasse um requerimento oficial solicitando informações sobre a rede.
Em 2010, a Fonoaudiologia estará na
agenda de discussões da Comissão. O
CRFa. 2a Região/SP propôs, ainda, como
um dos encaminhamentos da audiência,
a criação de um Grupo de Trabalho para
discutir o tema, com participação de representantes do executivo, do legislativo e
Requerimento
Segundo dados da própria Secretaria
Municipal de Saúde, há 237 fonoaudiólogos na rede municipal, incluídos aí aqueles
que exercem funções administrativas. O
Município possui cerca de 11 milhões de
habitantes. “Proporcionalmente, temos
um profissional para aproximadamente
48 mil habitantes e o ideal seria um para
cada 10 mil habitantes”, calcula Cristina Biz,
referindo-se ao estudo “Fonoaudiologia e
Foto: Sérgio Moura Alca
Foto: RenattodSousa/Câmara Municipal
O Conselho cumpre
“
sua função ao resguardar
lembra Claudia Pagotto Cassavia, presidente da Comissão de Saúde do Conselho. “Como já havia um trabalho realizado
na gestão anterior voltado para os Núcleos de Saúde Auditiva, partiu-se dele para
ampliar o olhar para os demais serviços
neste primeiro momento. As comissões
de Orientação e Fiscalização e de Legislação e Normas somaram esforços para
apurar o que vem sendo disponibilizado
ao munícipio” complementa Claudia.
Desta forma, ampliou-se o olhar para
dar conta da avaliação das especificidades dos serviços prestados nos Núcleos
Integrados de Saúde Auditiva (NISAs) e
nos Núcleos Integrados de Reabilitação
(NIRs). Depois, foram feitos novos ajustes. “Aprimoramos esse protocolo e o
estendemos também para outros tipos
de serviços, como Unidades Básicas de
Saúde (UBS) e Centros de Apoio Psicossociais destinados ao atendimento de
crianças e adolescentes (CAPSi)”, explica
a fonoaudióloga Cibele Siqueira, assessora técnica do Conselho.
Entre maio de 2008 e outubro de
2009, a analista de fiscalização e inspetoria,
Luciane Gozzoli, visitou 53 serviços da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo
que contam com fonoaudiólogos. “Eu já
havia fiscalizado vários serviços e conhecia
a realidade, mas fiquei surpresa frente às
irregularidades encontradas”, conta Luciane, que trabalha na fiscalização do CRFa.
2a Região/SP há 12 anos.
A rede mostrou
“
progressos, mas há muito
por fazer, como a definição
clara dos fluxos e do número
de profissionais inseridos nos
três níveis de atenção
”
Claudia Pagotto Cassavia
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 83 • out/nov/dez • 2009
7
de
C apa
Foto: RenattodSousa/Câmara Municipal
R eportagem
Administrar uma rede
“como
a de São Paulo é
um desafio para qualquer
gestor e precisamos saber
quais são os lugares onde há
problemas. As informações
são muito importantes
Claudia Taccolini Manzoni
”
do Conselho. “O tema está entre as pendências que devemos discutir no próximo
semestre”, garante a vereadora. “O levantamento foi muito importante para discutirmos a questão, pois a Saúde tem como
investir”, garante Juliana Cardoso.
Retrato
O número reduzido de fonoaudiólogos contratados pela Secretaria Municipal
de Saúde foi apenas um dos problemas
constatados pela fiscalização do CRFa.
2a Região/SP. Uma das informações mais
preocupantes é o acesso restrito ao atendimento fonoaudiológico nas Unidades
Básicas de Saúde (UBSs), justamente a
porta de entrada da população no sistema e local de importantes ações de prevenção e promoção da saúde.
Menos de 10% do total de UBSs da ca­­­­
pital contam com a presença de um fonoaudiólogo. A defasagem no atendimento
fica ainda mais clara quando os dados demonstram que todas as clínicas-escola dos
cursos de Fonoaudiologia do município
possuem demanda reprimida, variando
em média de 6 a 12 meses o tempo mí­­
nimo de espera para o atendimento fo8
noaudiológico. “A rede de saúde mostrou
progressos nos últimos anos e hoje podese identificar as melhorias. Mas há muito
por continuar, a começar pela estruturação
da rede, definição clara dos fluxos e do
número de profissionais inseridos nos três
níveis da atenção: primária, média e alta
complexidade”, analisa Claudia Cassavia.
“Mais um problema constatado é o
fato de um mesmo profissional desempenhar suas ações simultaneamente em serviços de complexidades diferentes, como
por exemplo no NIR e no NISA ou no
NIR e na UBS”, conta Cibele. “Pensando
que as ações diferem de um serviço para
o outro, abrangem graus diferentes de
complexidade que exigem aprimoramento profissional específico para uma assistência de qualidade, creio que tal fato não
deveria acontecer”, avalia. (leia mais sobre
os dados levantados pela fiscalização no
quadro da página 9).
A presidente da Comissão de Legislação e Normas do 2a Região/SP, Cristina Biz, também alerta para o fato de
alguns serviços municipais não possuírem inscrição no Conselho, portanto,
não contam com um fonoaudiólogo
responsável. “A inscrição de tais serviços
é obrigatória, sem ônus. O Responsável
Técnico Fonoaudiólogo é quem zela pela
prestação de serviços fonoaudiológicos,
garantindo à comunidade práticas dentro dos preceitos legais, éticos e técnicos
vigentes”, avisa Cristina Biz.
Continuidade
A Prefeitura quer saber mais sobre o
levantamento feito pela fiscalização do
CRFa. 2a Região/SP. Na Audiência Pública
realizada na Câmara Municipal, a fonoaudióloga que compõe a equipe da coordenadoria de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Claudia Taccolini Manzoni, que representou o Secretário da Saúde,
Dr. Januário Montoni, pediu maior detalhamento dos dados. “O CRFa. trouxe uma
proposta de parceria e ficamos satisfeitos
com isso”, comentou a representante do
executivo no evento. “Administrar uma
rede como a de São Paulo é um desafio
para qualquer gestor e precisamos saber
quais são os lugares onde há problemas.
As informações são muito importantes”,
A Visão da Prefeitura
A Revista da Fonoaudiologia procurou a Secretaria Municipal da Saúde e
recebeu um comunicado da Assessoria de Comunicação do órgão. Segundo
as informações transmitidas pelos assessores, a SMS vem contratando
fonoaudiólogos. “Em 2006, eram 174 profissionais e, atualmente, a SMS conta
com 237. Conforme as necessidades apresentadas, novas contratações são
realizadas, de acordo as políticas de saúde da SMS”, diz o comunicado.
Também segundo o informativo, os fonoaudiólogos da SMS realizam
atendimento nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs), nas unidades
básicas de saúde (UBSs), e na rede de atenção especializada, como
ambulatórios de especialidades (AEs), Núcleos Integrados de Reabilitação
(NIRs), Núcleos Integrados de Saúde Auditiva (NISAs), CAPS, Centros Regionais
de Referência em Saúde do Trabalhador (CERESTs), entre outras unidades,
conforme o perfil de atuação do profissional. O texto também explica que há 10
fonoaudiólogos nas equipes multiprofissionais do Programa Aprendendo com
Saúde, realizado nas escolas da rede municipal de ensino. Os alunos, depois de
triados, são encaminhados para atendimento nas UBSs, nos NISAs ou NIRs.
A Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo
ressalta que as diretrizes para o trabalho dos fonoaudiólogos na rede variam de
acordo com o modelo do estabelecimento de saúde. “Os fonoaudiólogos que
trabalham nas equipes de NASFs seguem a portaria ministerial 154/2008. Já
os profissionais que trabalham nos NIRs têm como diretriz ser referência para a
reabilitação das pessoas com deficiência, integrando o trabalho com os demais
serviços de saúde voltados a esta população”, explica o documento. Os NISAs,
diz o comunicado, têm como atribuição a avaliação audiológica, monitoramento
auditivo do RN de risco e reabilitação do deficiente auditivo. No caso de NISA II,
as diretrizes são as mesmas da portaria ministerial 587/2004, relativa aos serviços
de média complexidade em saúde auditiva.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
Os dados da fiscalização
Conheça os principais itens levantados pela fiscalização do
CRFa. 2ª Região/SP no trabalho realizado nos 53 serviços das
cinco Coordenadorias Regionais de Saúde da rede municipal
da capital paulista. Foram fiscalizados 12 Ambulatórios de
Especialidades, sete CAPS Infantil/Adolescência/Juventude,
20 Unidades Básicas de Saúde (aproximadamente 50% das
que contam com fonoaudiólogo), 14 Núcleos Integrados de
Reabilitação e dez Núcleos Integrados de Saúde Auditiva:
Núcleos Integrados de Saúde Auditiva I e II (NISAs)
• A reabilitação auditiva é realizada em apenas 50% dos NISAs I;
• Nos NISAs II, o número de procedimentos de reabilitação
auditiva corresponde a aproximadamente 1% do total realizado;
• Há fonoaudiólogos lotados nos NISAs que atuam
simultaneamente em Ambulatório de especialidades, ou
NIRs ou UBSs. Do total analisado, 50% dos fonoaudiólogos
foram contratados para atuar nos NISAs. Os demais foram
transferidos;
• A maior parte dos serviços possui salas ruidosas, com
ventilação deficiente, algumas sem pia, outras sem sala de
espera e com mobiliário em mau estado de conservação.
• As salas utilizadas para o atendimento fonoaudiológico são
ruidosas, com ventilação deficiente, algumas sem pia, outras
sem sala de espera e em condições de higiene inadequadas.
Ambulatórios de Especialidades
• O fonoaudiólogo participa de programas como
acompanhamento de bebês de risco, AIDS, saúde mental,
medicina tradicional chinesa; programa do desenvolvimento de
linguagem e audição, de saúde do idoso, de saúde do escolar;
• Há demanda reprimida para atendimento fonoaudiológico,
porém, os fonoaudiólogos relataram que o serviço não
efetua controle;
• Os materiais específicos para o atendimento
fonoaudiológico são adquiridos e doados pelos próprios
profissionais, na maior parte das vezes, e alguns se
beneficiaram da concessão para os NISAs;
• A maior parte dos serviços possui salas ruidosas, com
ventilação deficiente, algumas sem pia, outras sem sala de
espera e com mobiliário em mau estado de conservação;
• A maioria dos fonoaudiólogos foi transferida de outros
serviços e não sabe informar como ficou a assistência
fonoaudiológica no serviço de origem.
Núcleos Integrados de Reabilitação (NIRs)
• Há fonoaudiólogos lotados nos NIRs que atuam
simultaneamente em Ambulatório de Especialidades,
ou NISAs, ou UBS;
• Fonoaudiólogos de cinco serviços visitados afirmaram
ter demanda reprimida;
• Os materiais específicos para o atendimento
fonoaudiológico são adquiridos e doados pelos próprios
profissionais, na maior parte das vezes, e alguns se
beneficiaram da concessão para os NISAs;
• Há atendimento de casos que não correspondem às
atribuições do NIR, como distúrbio de leitura/escrita, fala, voz,
atrasos de linguagem, gagueira e motricidade orofacial;
• A maioria dos fonoaudiólogos não foi contratada para atuar
nestes Núcleos;
concluiu. Por isso mesmo, o Conselho ela­­
borou documento para relatar as constatações encontradas. “Vamos fazer nossa
parte, ou seja, entregar o relatório detalhado de cada unidade e ver a devolutiva
disso”, conta a fiscal Luciane.
O Conselho cumpriu sua função primordial. “Foi um evento importante”, analisa Cibele Siqueira. Segundo ela, merece
destaque o fato de o CRFa. 2a Região/SP
tornar públicos os dados coletados durante a fiscalização e, desta forma, colaborar
para o Controle Social, mecanismo previsto na Federal Lei no 8.142/90. “Ele foi criado para viabilizar a participação de vários
segmentos no processo de definição, implementação e gestão das políticas públicas, para que estas possam ir ao encontro
Unidades Básicas de Saúde (UBSs)
• O número de UBSs que contam com fonoaudiólogo é
inferior a 10% do total de unidades;
• Há fonoaudiólogos lotados nas UBSs que atuam
simultaneamente no NIR ou NISA;
• 50% das UBSs apresentam demanda reprimida, não
controlada pelo serviço, mas pelo próprio profissional,
e não há critérios para priorizar o atendimento;
• Os materiais específicos para o atendimento fonoaudiológico
são adquiridos e doados pelos próprios profissionais, na maior
parte das vezes;
• A maior parte dos serviços possui salas ruidosas, com
ventilação deficiente, algumas sem pia, outras sem sala de
espera e com mobiliário em mau estado de conservação.
dos anseios da coletividade e garantam os
princípios do SUS”, explica.
Para Cristina Biz, todo esse proces­­
so criou um espaço importante de dis­
cussão, no qual as partes envolvidas no
processo regulatório da assistência, em
conjunto com o gestor público, pude­ram
abordar a reabilitação fonoaudiológica no
município de São Paulo. “Considero um
passo importante para a assistência fonoaudiológica ser pauta das discussões, pois
demonstra a relevância de sua inserção
no sistema de saúde e políticas públicas”, avalia a fonoaudióloga. Segundo a
presidente da Comissão de Legislação e
Normas, a categoria e o usuário ganham
muito com esse trabalho de fiscalização.
“O Conselho cumpre sua função ao res-
guardar a categoria e assegurar o acesso
da população à assistência de qualidade”,
frisa Cristina Biz.
Ela lembra que os serviços fiscalizados
são os que hoje possuem atendimento
fonoaudiológico e que é imprescindível
ressaltar a importância da ampliação da
assistência em outros serviços, como os
voltados à mulher ou ao idoso. “A população deve ter garantida a assistência em
todos os segmentos”, preconiza. “Este
trabalho em parceria da fiscalização, do
legislativo, do executivo e do controle social é o que de fato possibilita e garante o
acesso e a qualidade da assistência ofertada. Esperamos que ele tenha continuidade
e que produza desdobramentos efetivos”,
conclui Cristina Biz.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
9
do
F onoaudiólogo
Foto: Neusa Nakahara
D ia
Na abertura da cerimônia, os presentes ouviram o Hino Nacional; a deputada Maria Lúcia Prandi foi a primeira a falar na mesa composta também
pelas fonoaudiólogas Cecília Bonini, pela SBFa., Maria Angelina Martinez, pela ABA, Isabel Gonçalves, pelo CRFa., e Cláudia Taccolini, pelo CFFa.
Noite de homenagens marca
o Dia do Fonoaudiólogo
Profissão foi celebrada em cerimônia na Assembleia Legislativa
E
m um evento que já se tornou
tradição da categoria, o Dia do
Fonoaudiólogo foi celebrado na
noite de 9 de dezembro no
Auditório Franco Montoro, na Assembleia Legislativa. A união dos profissionais, o trabalho conjunto pela saúde da
população e a importância da Fonoaudiologia para a sociedade moderna
marcaram o tom das falas, muitas vezes emocionadas, dos convidados.
A deputada estadual Maria Lúcia
Prandi, que convidou a categoria à casa,
abriu a cerimônia. “É uma alegria poder
comemorar mais uma vez essa data na
Assembleia Legislativa”, comentou. Ela
disse que a categoria tem recebido mais
atenção da sociedade moderna, mas
que ainda falta ao Poder Público dar
maior importância à Fonoaudiologia. A
deputada lembrou-se da lei que levou
à Assembleia sobre a Saúde Vocal do
Professor. Mesmo depois de aprovada,
a lei ainda não entrou em vigor, pois foi
vetada pelo Governador José Serra. O
caso, agora, está na Justiça. Maria Lúcia
também comentou sobre moção favorável ao Projeto de Lei que tramita no
10
Congresso Federal pela jornada de 30
horas semanais para o Fonoaudiólogo.
Isabel Gonçalves, presidente do Con­­­­­­­
selho Regional de Fonoaudiologia - 2a
Região/SP, tomou a palavra em seguida
e parabenizou todos os fonoaudiólogos
presentes. “Hoje, é dia de comemoração, mas, sobretudo, de agradecimentos”, disse ela. “Agradecimentos a todos
os fonoaudiólogos, instituições, entidades e parceiros que contribuíram com
o trabalho deste colegiado em prol da
Fonoaudiologia”, continuou (leia a íntegra
do discurso na página 12).
Cláudia Taccolini, conselheira do
CFFa., representou a presidente da
au­­­­­tarquia, Leila Nagib, e comentou o
quão gratificante tem sido atuar no
Conselho Federal e sobre as perspectivas animadoras para a profissão.
“Conseguimos colher vários frutos”,
contou. E ressaltou duas importantes
conquistas obtidas em 2009: os Núcleos de Apoio à Saúde da Família, onde
os fonoaudiólogos estão incluídos, que
vieram reforçar o trabalho na Atenção
Primária; e o fato de a Fonoaudiologia
ser a profissão mais requisitada pela
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
população na consulta pública realizada
pela Agência Nacional de Saúde (leia
mais sobre este tema na página 29).
Maria Angelina Nardi Martinez, vi­
ce-presidente da Academia Brasileira
de Audiologia e representante da entidade na cerimônia, mencionou seu orgulho de ser fonoaudióloga. “Parabéns
para todos nós”, disse. Maria Angelina
falou da importância da abertura dos
fonoaudiólogos para a comunidade. “A
Fonoaudiologia esteve muito presa em
si mesma, mas cada vez mais assume
seu papel de profissional da coletividade”, ressaltou ela. “Este é um caminho
muito saudável para a profissão”, continuou. “Estamos no século da comunicação e a profissão que trabalha a
comunicação tem que ocupar seu espaço”, finalizou.
Maria Cecília Bonini Trenche representou a presidente da Sociedade
Brasileira de Fonoaudiologia, Fernanda
Dreux Miranda Fernandes. Ela também falou sobre a importância da ação
conjunta. “Uma pessoa pode ter uma
ideia muito boa, mas ela se torna muito
melhor quando é pensada por um gru-
Delegacias também celebram a data
A palestrante Andrea Cintra Lopes e a
delegada Fabiana Martins Barreiros, de Marília
po de pessoas”, afirmou. Para Cecília,
o fonoaudiólogo tem um papel muito
importante para a sociedade. “Eu diria
que existe, no Brasil, um descaso muito grande com relação a um conjunto
de problemas, que são negligenciados,
e a Fonoaudiologia pode ajudar”, alertou. “Nossa sociedade não privilegia
alguns aspectos importantes, como a
comunicação e os fonoaudiólogos têm
muito a contribuir. É uma profissão que
humaniza”, concluiu.
Uma história especial
A cerimônia de comemoração também teve um momento para homenagear profissionais que contribuíram, e
contribuem, para o aprimoramento da
Fonoaudiologia. A grande homenageada
da noite foi a fonoaudióloga Beatriz Padovan. “Estou muito honrada por ter sido
convidada. Espero continuar com todos
os fonoaudiólogos”, agradeceu. Beatriz é
importância de saber avaliar o serviço e
reconhecer onde estão as necessidades
de investimento para um controle de
qualidade que deve ser permanente.
A Delegacia de Marília abrange
cerca de 200 municípios, somando
em torno de mil fonoaudiólogos.
No encontro, estavam presentes
profissionais de Marília e de cidades
próximas. Os presentes aprenderam a
aplicar questionários junto aos pacientes,
que podem e devem participar desse
processo de aprimoramento do serviço.
Entre os temas questionados, estavam
nível de satisfação, tempo de espera
por consulta e para conseguir
aparelho de audição.
A Delegacia de Ribeirão Preto
comemorou a data com um café da
manhã oferecido aos fonoaudiólogos
da região, no dia 12. O evento contou
com a apresentação do Coral da
Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp),
sob a regência da Fonoaudióloga
Cristina Angeloti, e com uma conversa
descontraída sobre o mercado de
trabalho e a atuação profissional com
Ruxdi Saleh, consultor de carreira da
Corporate RH. Também foram realizados
sorteios de brindes.
As fonoaudiólogas homenageadas
pela Delegacia da Baixada Santista
Em Santos, a cerimônia de
comemoração foi realizada no dia 7, no
auditório da Associação dos Cirurgiões
Dentistas de Santos e São Vivente.
Este ano, a Delegacia homenageou os
profissionais da região que atuam
há mais de trinta anos na área,
com dedicação e trabalho em favor da
comunidade e da Fonoaudiologia.
O evento foi cercado de muita
emoção, num encontro de profissionais,
amigos e familiares. Após a cerimônia,
todos brindaram com os fonoaudiólogos
homenageados, num clima de muita
alegria e confraternização.
Foto: Neusa Nakahara
Fotos: Divulgação
A Delegacia Regional de Marília
antecipou a data da festa e promoveu
um encontro de profissionais no dia 3
de dezembro. O Happy Hour teve, além
do caráter comemorativo, a intenção de
reunir representantes da categoria para
discutir formas de melhorar a qualidade
do serviço prestado. “Indicadores e
Proposta de Avaliação da Qualidade dos
Serviços em Fonoaudiologia” foi o título
da palestra proferida pela Dra. Andrea
Cintra Lopes, da Universidade de São
Paulo, Campus de Bauru. Ela salientou a
a profissional em atividade
com mais tempo de vida.
Formou-se em 1970 e
tem o diploma número 1
do Curso da Unifesp.
Ela não começou sua
vida profissional como
fonoaudióloga. Era professora de uma escola
da metodologia Waldorf
e muito interessada pelos casos dos alunos que
apresentavam dificuldaCristina Biz entrega a homenagem a Cibele Siqueira
des de aprendizagem.
Quando ficou sa­­­­bendo
que um deles havia sido
todo segue reconhecido internacionaldiagnosticado com dislexia, mudou de mente e, aos 82 anos, Beatriz continua
profissão. “Queria aprender mais e fui ministrando cursos no Brasil e em dipara a faculdade”, conta. Aos 43 anos, versos países da Europa.
formou-se e dois anos depois, em 1972,
Sua primeira viagem profissional foi
criava o revolucionário método Pado- em 1974. Decidiu aprender na França, na
van. “Na época, fui muito criticada pela Suíça e na Inglaterra, mas teve uma surFonoaudiologia”, lembra. Hoje, o mé- presa. “Tive dois sentimentos fortes na-
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 83 • out/nov/dez • 2009
11
D ia
do
F onoaudiólogo
Uma noite de agradecimentos
Foto: Neusa Nakahara
Leia a íntegra do discurso
proferido pela presidente do 8º
Colegiado do CRFa 2ª Região/SP na
cerimônia realizada na Assembleia
Legislativa:
“Boa noite, deputada Maria Lucia
Prandi e demais integrantes da mesa,
colegas fonoaudiólogos, parentes e
amigos aqui presentes, que prestigiam
nesta noite esta sessão comemorativa
ao dia do Fonoaudiólogo.
Gostaria de agradecer em nome
do 8º Colegiado a gentileza da
deputada Maria Lucia Prandi em
nos oferecer sua casa para esta
solenidade.
Em primeiro lugar, gostaria de
parabenizar todos os fonoaudiólogos
presentes. É dia de comemoração,
mas, sobretudo, de agradecimentos.
Agradecimentos a todos os
fonoaudiólogos, instituições,
entidades e parceiros que
12
contribuíram com o trabalho deste
colegiado em prol
da Fonoaudiologia.
Essas parcerias resultaram
na publicação de consultas,
recomendações e pareceres, na
realização de fóruns e reuniões
ampliadas, na criação de grupos de
trabalho, na atuação em instâncias
de controle social, na interface
multidisciplinar e multiprofissional,
além de importantes ações que
subsidiaram os poderes legislativo
e executivo no acompanhamento
do trâmite de projetos de lei e na
realização de audiências públicas.
Este é o papel do Conselho
Regional de Fonoaudiologia,
que trabalha para a valorização e
reconhecimento da Fonoaudiologia,
e que deve ser o compromisso de
cada fonoaudiólogo.”
Isabel Gonçalves
atua na ABA, na PUC-SP e na
Associação de Pais e Amigos
de Deficientes Auditivos de
Sorocaba (Apadas).
Maria Cecília Bonini Trenche também foi homenageada
e ressaltou o carinho que o
evento representa. Ela dedicou
a homenagem aos parceiros
de trabalho. “Tudo o que faço
é coletivamente, com gente
que acredita nessa profissão
Luciane Gozzoli recebe a homenagem de Isabel Gonçalves
e tem compromisso”, ressaltou. “Tive a oportunidade de
quela viagem: decepção e alegria. Decep- estar em alguns lugares defendendo a
ção porque esperava encontrar uma coi- Fonoaudiologia e tenho certeza da imsa melhor que aqui, e alegria ao ver que portância da área”.
nós não estávamos atrasados”, conta. A
Sandra Vieira, conselheira do CFFa.,
partir daquela viagem, Beatriz continuou foi a quarta homenageada da noite. Por
voltando à Europa, mas para dar aulas.
causa de um compromisso previamente
Beatriz não foi a única homenageada assumido e que não pôde desmarcar, foi
da noite. Maria Angelina Nardi Martinez representada pela também conselheira
teve seu trabalho reconhecido. “Foi uma Cláudia Taccolini. Cláudia leu a todos
surpresa muito grande para mim e fico uma mensagem enviada por Sandra, na
muito feliz”, agradeceu. “Se fiz algo, é qual agradeceu a homenagem e ressalporque existe um grupo coeso que tra- tou a benéfica parceria entre o CFFa. e o
balha junto comigo. Sou só uma repre- 8o Colegiado do CRFa. 2a Região/SP na
sentante do grupo que trabalha pela Au- discussão e aprovação de vários docudiologia”, comentou. Angelina citou es- mentos em prol do aprimoramento da
pecialmente os profissionais com quem atuação fonoaudiológica.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
Patrocínio
O CRFa. 2ª Região/SP agradece as
empresas que, com seu patrocínio,
tornaram possíveis as comemorações do Dia do Fonoaudiólogo:
• Audibel
• Barolli
• Bernafon - Aparelhos Auditivos
• Centro Auditivo Frevaza
• CEV
• Corporate RH
• Fundação Educacional
de Fernandópolis
• GN Resound
• Livraria Book Toy
• Micro Som
• Perfumes Mauá
• Phonak
• Plexus Editora
• Pró-fono
• Rubens Decorações
• Siemens
• Telex
• Universidade de Franca
• Widex
Os integrantes do 8o Colegiado também destacaram o trabalho de alguns
funcionários do Conselho cuja atuação
tem sido primordial para a concretização das ações da autarquia. Luciane
Gozzoli, analista de Fiscalização e Inspetoria, recebeu a homenagem em nome
de todas as fiscais. Visivelmente surpresa
e emocionada, agradeceu. “O Conselho
precisa das fiscais fonoaudiólogas para
que nossa categoria trabalhe cada vez
mais dentro da ética”, lembrou.
Além de Luciane, a fonoaudióloga
assessora técnica do CRFa. 2a Região/
SP, Cibele Siqueira, teve seu trabalho
destacado. “Aos 16 anos escolhi ser fo­­
noaudióloga e tenho muito orgulho”,
contou. “A profissão foi reconhecida legalmente em 1981, mas temos um longo caminho ainda”, continuou. “Obrigada pela confiança depositada em mim
e dedico essa homenagem aos meus
colegas de equipe”, concluiu.
As comemorações não acabaram
por aí. Na quinta-feira, dia 10, o CRFa. 2a
Região/SP promoveu uma festa de Happy Hour no Bar Consagrado, no bairro
do Itaim, na capital, onde os profissionais se encontraram para confraternizar
e dançar ao som de música ao vivo.
Homenagem aos Destaques da Fonoaudiologia
Conheça mais sobre as profissionais que contribuem
para o aprimoramento da profissão
Maria Cecília Bonini Trenche
O trabalho voltado à Saúde Coletiva
destaca a atuação desta fonoaudióloga, que se dedica a atividades clínicas,
de assessoria e acadêmicas. Cecília é
mestre em Distúrbios da Comunicação, doutora em História e Filosofia
da Educação e professora titular da
Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo. Fez parte da Comissão de
Especialista do MEC (1998-2000) e da Comissão de Especialistas que elaborou as Diretrizes do Exame Nacional de
Cursos (2002). Desenvolve pesquisas em linguagem, surdez, escrita, educação especial, formação profissional e
saúde coletiva. Integra a Comissão de Ensino da SBFa. e
representa a entidade no Fórum Nacional de Ensino das
Profissões da Área da Saúde (FNEPAS).
Beatriz Padovan
Fonoaudióloga em atividade profissional
com mais tempo de vida, Beatriz Padovan
tem um importante papel na Fonoaudiologia. Beatriz desenvolveu o método Padovan de Reorganização Neurofuncional,
reconhecido internacionalmente e tema
de diversos estudos. O método parte do
todo, ou seja, considera o paciente um
ser holístico. Ele propõe uma abordagem
corporal, na qual são trabalhados movimentos que fazem parte
do processo natural de maturação do sistema nervoso central,
seguida de um trabalho oral com base nas funções de respiração, sucção, mastigação e deglutição.
Desenvolvido no começo dos anos 70, o método Padovan
baseia-se no trabalho de Rudolf Steiner e de Temple Fay. Indicado para todas as idades, é utilizado por profissionais que tratam distúrbios neuromotores, da fala, de linguagem, de aprendizagem e em casos de atendimento em Motricidade Oral.
Maria Angelina Nardi Martinez
A importante e conhecida atuação na
área de Audiologia destaca o trabalho
desta fonoaudióloga. Doutora em Psicologia e Professora Associada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
Maria Angelina é fundadora e diretora
da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos de Sorocaba. É vicepresidente da Academia Brasileira de
Audiologia, entidade que já presidiu. Pesquisadora da Universidade de São Paulo,é autora de vasto material publicado em
livros e publicações especializadas. Suas atividades são voltadas
à deficiência e à reabilitação auditivas, ao diagnóstico precoce,
à linguagem e ao desenvolvimento cognitivo.
Foto: Divulgação
Fotos: Neusa Nakahara
Este ano, os integrantes do Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/SP fizeram uma homenagem especial
durante o evento comemorativo do Dia do Fonoaudiólogo.
Os conselheiros do 8o Colegiado ressaltaram o trabalho de
profissionais que muito têm beneficiado a profissão e que,
nos últimos três anos participaram mais diretamente de ações
promovidas pelo Conselho. Beatriz Padovan, Maria Angelina
Nardi Martinez, Maria Cecília Bonini Trenche e Sandra Maria
Vieira Tristão de Almeida são os Destaques de 2009.
Sandra Maria Vieira
Tristão de Almeida
A intensa atuação junto aos órgãos de
classe ressalta o trabalho desenvolvido por essa fonoaudióloga. Atualmente, Sandra vem representando o Estado de São Paulo junto à Diretoria do
Conselho Federal de Fonoaudiologia.
Presidente da autarquia entre abril de
2008 e abril de 2009, atualmente ela
é diretora-tesoureira do CFFa, além de presidir as Comissões de Orientação e Fiscalização e de Leis e Normas e de
integrar a Comissão de Saúde da entidade. Tem importante
participação nos sistemas de referência e contra-referência
da Rede de Atenção à Saúde Auditiva. É Coordenadora da
Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
13
L inguagem
Marília cria Centro de
Atendimento Multidisciplinar
Trabalho é voltado a crianças da rede municipal de ensino
com dificuldade de aprendizado
U
Mas sentia que era pouco. “Num determinado momento, parei para refletir sobre a minha atuação e cheguei à
conclusão de que a implantação de um
Centro de Atendimento Multidisciplinar seria ideal para atender a essa demanda”, lembra a fonoaudióloga. “Reunir várias especialidades num só local
facilitaria a vida dessas pessoas e com
um número adequado de profissionais
agilizaríamos o atendimento evitando que
uma alteração primária, como uma troca
de letras na fala, virasse
Ao lado, integrantes da
equipe do CAM, coordenada
por Marília Seno (na frente, à
esquerda); abaixo, reunião de
diretoras da rede Minucipal
na qual os casos atendidos
são analisados e discutidos
Fotos: Divulgação
m trabalho coordenado por
uma fonoaudióloga está fazendo a diferença na rede
Municipal de Ensino de Marília. É o Centro de Atendimento Multidisciplinar (CAM), que oferece atendimento
em fonoaudiologia, psicologia, fi­­sioterapia,
psicopedagogia e terapia ocupacional aos
alunos da Rede que apresentam alterações física, emocional, cognitiva, sensorial
ou lingüística que estejam prejudicando o
processo de aprendizagem. Vinculado à
Secretaria Municipal de Educação, o CAM
está disponível para as 50 escolas da rede
– berçários, EMEIs e EMEFs – onde estão
matriculados cerca de 23 mil alunos entre
4 meses e 12 anos de idade.
Fonoaudióloga da Secretaria Municipal de Educação desde 2001, Marília
Piazzi Seno desenvolvia palestras e
oficinas com pais e professores, acompanhava o desenvolvimento de alunos,
realizava triagens e elaborava manuais.
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Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
uma ‘bola de neve’ influenciando até na
alfabetização dessas crianças”, continua
a coordenadora do Centro. Foram três
anos de batalha. Depois de buscar, e
encontrar, apoio na Secretaria de Educação, na Câmara dos Vereadores e na
prefeitura, Marília iniciou o trabalho no
ano passado.
Em seus primeiros três meses de
funcionamento, o CAM recebeu mais
de 300 encaminhamentos, sendo que
270 foram agendados para triagem e
130 alunos estão em processo terapêutico. “A nossa maior queixa é quanto ao
‘atraso’ na aprendizagem”, revela Marília. Na maior parte dos casos, a crianças
de pré-escola apresentam problemas
em questões como coordenação motora; dificuldades em conceitos como
cores, formas, lateralidade, esquema
corporal; problemas de interação ou
atraso na aquisição e desenvolvimento
da fala. No caso dos alunos da 1a à 4a
série, as dificuldades estão diretamente
ligadas à leitura e escrita. Alguns pacientes apresentam simples trocas de
grafemas por apoio na oralidade (“b”
por “p”, “d” por “t”, “v” por “f”) e outros, na 1a série, ainda fazem garatujas.
As crianças são encaminhadas pelas escolas por meio de um protocolo
específico. “A assistente social agenda a
triagem para confirmarmos a necessidade do atendimento e, após discussão
do caso, definimos as áreas de terapia.
A profissional avalia o aluno e define a
frequência e o tipo de atendimento (individual ou grupo) mais adequado”, explica.
A equipe do CAM é composta por um
auxiliar de escrita, um auxiliar de serviços,
duas fonoaudiólogas, duas psicólogas,
dois terapêutas ocupacionais, uma fisioterapeuta, uma assistente social, duas psicopedagogas e uma coordenadora.
Grande parte dos pacientes recebe
atendimentos em mais de uma área. Alguns casos, mais específicos, recebem
estimulação de duas profissionais ao
mesmo tempo. “Enquanto a terapeuta
ocupacional trabalha questões da vida
diária, a fonoaudióloga está junto estimulando a linguagem oral”, exemplifica
a coordenadora. Toda segunda-feira o
grupo se reúne para um planejamento do trabalho. Além disso, ao final do
semestre, a equipe realiza uma reunião
com todas as diretoras das escolas. “Na
reunião que fizemos no último semestre, elas receberam um relatório de
cada aluno em atendimento para anexar
ao prontuário escolar e discutiram cada
caso com as terapeutas”, lembra.
A equipe do CAM também realiza
o atendimento de alunos com diversas
síndromes, como Down, Silver-Russeal,
Asperger, Transtorno Invasivo do De-
Incentivo à leitura: 63% dos participantes melhoraram desempenho escolar
Osasco ganha Oficina de Palavras
A grande demanda de crianças atendidas no Programa de Apoio à
Saúde (PAS) em Fonoaudiologia e Psicologia com queixas de dificuldade
no aprendizado fez com que a fonoaudióloga Giovana Domingos da Silva
idealizasse e desenvolvesse um trabalho diferenciado em Osasco, na Grande
São Paulo. Voluntária no Instituto Vivereh, ONG voltada à promoção do
atendimento em diferentes áreas da saúde e da educação, ela criou o “Projeto
Oficina de Palavras: um processo de construção nas práticas de leitura e
da escrita”. O objetivo é promover a leitura e a escrita na emancipação das
crianças entre sete e 12 anos que estudam em escolas públicas no município
e não sabem ler nem escrever.
Por meio de oficinas lúdicas, elaboradas e desenvolvidas por profissionais
das áreas de Fonoaudiologia, Psicologia, Educação Física e Pedagogia, a
Oficina de Palavras cumpre seus objetivos de estimular a leitura e a escrita para
o desenvolvimento das crianças, fortalecendo seu desempenho escolar e social.
Também incentiva as práticas de leitura e envolve crianças para iniciarem o hábito
de leitura de forma que esta se torne agradável.
O grupo também trabalha para envolver as escolas, comunidades e parceiros
no desenvolvimento das ações de atendimento da criança, além de incluir os
familiares na participação do processo. Inicialmente, o programa atende 192
crianças, divididas em dois turnos (manhã e tarde), por um período de 12 meses. O
projeto foi contemplado pelo FUNCAD (Fundo Municipal da Criança e Adolescente)
com recursos direcionados pela Arcelor Mittal do Brasil (ex- Belgo Mineira).
No dia 20 de agosto, a ONG apresentou o projeto a diversas entidades.
A conselheira Lílian Cristina Cotrim Ferraz representou o CRFa. 2ª Região na
cerimônia. Durante o evento, foram apresentados os primeiros resultados do
trabalho: houve melhora de 22% no aprendizado escolar, 22% no interesse pelas
atividades escolares, 17% no comportamento, 16% no relacionamento interpessoal
e 19% na leitura e escrita. Portanto, 63% tiveram dos participantes tiveram melhoria
para o desenvolvimento escolar e 33% agregaram valores de comportamento com
consequente melhoria escolar.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3609-6981 ou pelo
e-mail: [email protected].
senvolvimento, suspeitos de esquizofrenia e psicoses entre outros, todos
incluídos na Rede Regular de Ensino.
“A implantação deste Centro foi fundamental para auxiliar os professores
a lidarem com as dificuldades apresentadas”, avalia Marília. “Ninguém dispõe,
sozinho, de conhecimento, recursos e
estratégias para lidar com crianças com
necessidades educacionais especiais”,
re­­­­conhece. “O trabalho em conjunto é
fundamental para que, enquanto equipe, possamos descobrir as especificidades de cada caso e obtermos avanços
para esses alunos que, assim como cada
um dos outros, são especiais”, conclui.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
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E m D ia
Qualidade científica marca 17o
Congresso de Fonoaudiologia
Além do evento nacional, foi realizado o primeiro encontro ibero-americano;
integração entre SBFa. e Sistema de Conselhos também foi importante
E
tes de praticamente todo o País. Apenas
dois estados não tiveram profissionais presentes – Tocantins e Acre. Cerca de 900
fonoaudiólogos participaram das oficinas.
Este ano, o Congresso apresentou formato diferente. As palestras tiveram duração
maior, de 40 minutos, e os coordenadores das mesas tiveram papel mais evidente nas discussões.
Para a conselheira Carolina Fanaro Damato, presidente da Comissão de Divulgação do CRFa. 2a Região/SP, devem ser ressaltadas a qualidade científica do evento e a
abordagem de questões que dizem respeito também ao mercado de trabalho. “Discussões que no Congresso de Campos do
Jordão, no ano passado, foram propostas
pelos Conselhos, neste ano faziam parte da
grade científica da SBFa”, conta ela.
É o caso do tema “Balizadores de tempo em Terapia Fonoaudiológica”, tratado na
mesa redonda composta pelas fonoaudió-
logas Beatriz Novaes, Débora Befi-Lopes,
Irene Marchesan e Sandra Vieira. “É um
grande avanço, pois a ciência e as pesquisas irão nortear essa discussão que, de certa
forma, necessita da normatização do nosso
órgão federal, o CFFa.”, explica.
A fonoaudióloga Leila Nagib, presidente do Conselho Federal, concorda com a
colega de São Paulo. “O debate teve o propósito de apresentar a construção de parâmetros de tempo de tratamento junto às
discussões que têm avançado para o estabelecimento de critérios que permitam relacionar os diversos transtornos fonoaudiológicos com os parâmetros de curta, média
e longa duração”, conta ela. “A essência da
discussão final foi a de criar novas estratégias para seguirmos o rumo do tema”, diz.
Outro destaque do Congresso, segunda Leila Nagib, foi a mesa “Impacto das normativas ministeriais na formação em Fonoaudiologia: Carga Horária Mínima e Lei de
Danilson Ramos/ Liberdade de Expressão Assessoria
ntre os dias 21 e 24 de outubro,
Salvador hospedou o 17º Congresso Brasileiro e o 1º Congresso Ibero-Americano de Fonoaudiologia. Palestras, mesas-redondas, debates, oficinas e exposições científicas preencheram a programação elaborada para
os 1.600 profissionais inscritos. “Esse Congresso foi, de novo, muito bem sucedido. Tivemos 70% mais inscrições que no ano passado”, avalia Fernanda Dreux M. Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de
Fonoaudiologia, entidade organizadora do
evento. “A qualidade científica ficou muito
evidente, em todas as áreas, que foram muito bem representadas”, continua ela, que
ressaltou a equidade reservada a todas as
especialidades da Fonoaudiologia.
Durante quatro dias, cerca de 230 palestrantes, sendo oito estrangeiros, expuseram seus trabalhos para uma audiência
que lotou todas as salas com representan-
Na Sala dos Conselhos, Sandra Maria Vieira mediou a mesa sobre Atuação do Fonoaudiólogo na Rede
de Cuidados em Saúde, que teve a participação de Érika Pisaneschi e da médica Tânia Palacios
16
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
O stand dos Conselhos: mais de 500 visitantes
Estágio”, organizada em reunião da Comissão de Ensino da SBFa. com o CFFa. na presença de representantes dos conselhos regionais. “Apresentamos histórico dos dois
temas e ouvimos em sessão aberta os fonoaudiólogos e suas experiências e sugestões para os novos rumos a serem seguidos, tanto no que se refere à carga horária
mínima estabelecida pelo MEC para a formação em Fonoaudiologia de 3.200 horas
como para a nova legislação (Lei nº 11.788)
em vigor desde 25/09/2008, que estabelece a definição de novas regras para estágios no país”, conta Leila. A mesa teve a participação de Carla Gentile Matas e Márcia
Keske-Soares, pela Comissão Permanente
de Ensino da SBFa., Maria Teresa Cavalheiro
e a própria Leila Nagib, pelo CFFa.
Segundo Leila, há vários outros temas
discutidos no evento que também merecem ser ressaltados. Entre eles, a mesa “Políticas e movimentos para mudança na formação em Fonoaudiologia”, que promoveu
o debate sobre os programas que o Ministério da Saúde implementou em parceria
com o da Educação e que objetivam a formação profissional para o Sistema Único de
Saúde (SUS) e o tema “Estratégias para o
fortalecimento da área da Fonoaudiologia
no movimento promovido pelo Fórum Nacional de Ensino das Profissões da Área da
Saúde”, que contou com as representantes
da SBFa. no FNEPAs. Maria Cecília Bonini
Trenche e Vera Lúcia Garcia.
Intercâmbio
Em paralelo ao Congresso Brasileiro, foi
realizado, o 1º Congresso Ibero-Americano de Fonoaudiologia. O encontro foi importante para a troca de experiências entre
os profissionais de diversos países. “Pudemos mostrar a qualidade da Fonoaudiologia brasileira e vimos que a língua não é uma
barreira”, comenta Fernanda Dreux. O sucesso do intercâmbio confirmou a realização de novos encontros entre os profissionais ibero-americanos, nos mesmos moldes do que hoje já acontece com o Congresso Internacional de Fonoaudiologia, organizado a cada quatro anos concomitantemente com o encontro nacional.
Para Carolina Fanaro, do CRFa. 2a Região/SP, as discussões contribuíram bastante, pois houve a possibilidade de conhecer a
realidade da Fonoaudiologia em outros países, inclusive no que se refere ao mercado
Leila Nagib, do CFFa.: integração com a SBFa.
de trabalho. “Penso que há um ganho nesse aspecto, pois há a possibilidade de despertar discussões aqui no Brasil relacionadas ao tema a partir das experiências compartilhadas com os colegas de outros países”. acredita.
Conselhos
Além dos eventos científicos organizados
pela SBFa, o Congresso contou com uma
extensa programação na sala reservada ao
Sistema dos Conselhos. Cerca de 500 profissionais compareceram ao stand reservado ao federal e aos regionais. “Apesar desse número de visitas e de participações no
stand do Sistema dos Conselhos de Fonoaudiologia ter aumentado em relação ao
ano passado, penso que ainda é pequeno
o montante dentro do total de inscritos”,
avalia a presidente do SBFa., Leila Nagib.
Um dos principais destaques da sala foi
a discussão sobre as Novas Especialidades.
No debate mais procurado da sala, Leila, o
conselheiro Charleston Palmeira, a presidente do CRFa. 1a Região, Cláudia Maria de
Lima Graça, e a vice-presidente do CRFa.
6a Região, Carla Girodo, explicaram os no-
vos títulos e responderam a questionamentos da plateia. “Fizemos um breve histórico da retomada do processo de construção das novas especialidades em Fonoaudiologia e mediamos o debate, apresentando também as bases de cada uma das
propostas”, conta ela. Cláudia falou sobre
Fonoaudiologia Escolar/Educacional, Carla tratou de Fonoaudiologia em Disfagia,
Charleston abordou a Fonoaudiologia do
Trabalho e Leila, a Fluência.
Outros importantes debates promovidos pelos conselhos trataram sobre a inserção do profissional na rede de cuidados em
saúde, integração, política de atenção básica e atenção especializada, saúde complementar, fortalecimento da profissão e atuação fonoaudiológica na escola. Leila destaca
algumas discussões, como o “Papel do fonoaudiólogo na Rede de cuidados em Saúde: integrando as políticas de atenção básica e atenção especializada” e “Fortalecimento da Profissão de Fonoaudiólogo: integração entre Conselhos, Sindicatos e Associações”, mesa que teve a participação de
representantes dos Conselhos Regionais e
Sindicatos. “Esse debate tratou da Fonoaudiologia na visão e na prática de suas regiões dentro das políticas dos representantes
da categoria fonoaudiológica e da profissão,
de suas gestões diferenciadas e de suas estratégias legais, trazendo também a maior
necessidade de participação do fonoaudiólogo nesses espaços de discussão e de política”, comenta a presidente do CFFa..
Para Leila Nagib, entre os diversos pontos positivos do 17º Congresso Brasileiro
de Fonoaudioilogia está o fortalecimento
da relação entre a SBFa e o Sistema de
Conselhos. “Há uma visível integração, cada
vez mais estreita e ideal para a amplificação
de todas as propostas científicas e políticas
que se estabelecem na profissão Fonoaudiologia”, conclui.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
17
F ique
por
D entro
Reabilitação em apneia e ronco:
um espaço para o fonoaudiólogo
Cresce a atuação do profissional da área no atendimento
de pacientes com distúrbios do sono
O
prêmio conquistado por
uma pesquisa realizada no
Ambulatório Multidisciplinar de Medicina do Sono
do Ambulatório Médico de Especialidades de Interlagos (Associação Congregação de Santa Catarina) no Congresso Europeu de Pneumologia da European Respiratory Society, em setembro, chamou a atenção para
um tema importante e crescente na Fonoaudiologia: a atuação
em reabilitação fonoaudiológica
nos casos de Síndrome da Apneia e Hipoapneia Obstrutiva do
Sono, a Sahos.
Relativamente recente, o trabalho na área vem ganhando forma na última década. “A literatura relata que o interesse por tal
doença intensificou-se a partir do
final dos anos 70, porém nos últimos 10 anos vem crescendo o
número de fonoaudiólogos atuantes e de publicações científicas
nesta área, vislumbrando a contribuição da fonoterapia como
uma das alternativas para o tratamento de pacientes com ronco e/ou com a Síndrome da Apneia e Hipoapneia Obstrutiva do
Sono”, conta a fonoaudióloga do
Instituto do Sono de São Paulo,
Giovana Diaféria, Especialista em Voz e
Motricidade Orofacial, Técnica em Polissonografia e Mestranda em Psicobiologia
na área d a Medicina e Biologia do Sono
pela Unifesp.
Uma das mais importantes contribuições para a área veio depois da atuação pioneira da fonoaudióloga Kátia Carmello Guimarães, Especialista em Motri18
cidade Orofacial e Doutora em Ciências
da Saúde pela Universidade de São Paulo. É dela o primeiro trabalho que confirma a eficácia do trabalho fonoaudiológico nesses casos. Tudo começou em
Botucatu, onde vive, em 1998. “Fui voluntária na UNESP e durante minhas ‘andanças’ por lá, principalmente na área de
anatomia de cabeça e pescoço, me apareceu o exame de polissonografia com
pacientes reclamando de sufocação noturna e sensação de ‘bolo’ na garganta”,
lembra a fonoaudióloga. “Ao ouvir essas queixas, pensei: se eu sou especialista em tecido mole de cabeça e pescoço, porque não tentar reabilitar esses
pacientes? Daí, fui estudar apneia e os
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
distúrbios do sono. Imaginei uma técnica e deu certo, graças a Deus.”
O estudo científico que comprova a
eficácia da técnica foi publicado no ano
passado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. A publicação, internacionalmente renomada, deu
espaço ao tema também em seu editorial.
“O trabalho da Kátia abre uma
perspectiva enorme”, constata o
pneumologista Prof. Dr. Geraldo
Lorenzi Filho, Livre Docente da
Faculdade de Medicina da USP e
Diretor do Laboratório do Sono
do InCor, HC-FMUSP, orientador da fonoaudióloga no doutorado demonstrado na publicação. “Mais trabalhos precisam
ser feitos, mas esse é o potencial de uma nova grande especialidade dentro da fonoaudiologia”, acredita.
O trabalho mostra o estudo randomizado com 31 pessoas que sofrem de Sahos moderada, entre 25 e 65 anos, realizado durante três meses. Do total, 15 pessoas, o grupo de controle, fizeram apenas uma parte
da terapia - lavagem com soro e
orientação de respiração e mastigação, mas sem muito detalhamento. As outras 16 pessoas fizeram 30 minutos diários de exercícios
orofaríngeos (isotônicos e isométricos),
que trabalharam língua, palato mole e a
parede lateral da faringe. O grupo de controle não apresentou grandes mudanças,
mas os indivíduos sujeitos à terapia apresentaram eliminação do ronco, redução
da sonolência diurna e melhora na qualidade do sono. “Os pacientes apresenta-
Foto: Arquivo Pessoal
ram melhora de 62,5% no Índice de Apneia e Hipoapneia (IAH) e, em média, a
melhora de 40% nos outros sintomas”,
releva a pesquisadora.
Os distúrbios de apneia do sono atingem boa parte da população. Estudo epidemiológico realizado pelo Instituto do
Sono da Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp) analisou 1042 voluntários
da cidade São Paulo, entre 20 e 80 anos
de idade. Um terço (32,9%) da população da capital sofre do problema. “Além
disso, em outros estudos, as estimativas
mostram que a prevalência de ronco em
adultos é de 40-60% e que 90-95% de
pacientes com a Síndrome de Apneia e
Hipoapneia Obstrutiva do Sono apresentam roncos”, conta a pneumologista
Lia Bittencourt, do Instituto do Sono. “É
comum encontrar Sahos entre pacientes
que apresentam obesidade, acromegalia, hipertensão arterial, problemas cardíacos, diabetes e anormalidades craniofaciais”, continua. Para atender esses casos, as equipes médicas contam com o
auxílio de uma fonoaudióloga.
Antes de qualquer coisa, é necessária uma avaliação médica. “É importante
Giovana Diaféria: fonoterapia em alta
deixar claro que o diagnóstico de Sahos
é feito pelo médico”, alerta a fonoaudióloga Carolina Fanaro Damato, integrante da equipe do Ambulatório Multidisciplinar de Medicina do Sono do Ambulatório Médico de Especialidades de Interlagos. “Depois, o fonoaudiólogo avalia
quais as alterações de motricidade e funções orofaciais apresentadas pelo paciente, que podem estar colaborando com o
agravamento do quadro”, explica.
São justamente as técnicas de Motricidade Orofacial, aliadas ao conhecimento sobre distúrbios do sono e a musculatura de cabeça e pescoço, que irão ditar o atendimento. “O fonoaudiólogo vai
trabalhar com exercícios para a adequação do tônus muscular, da mobilidade e
postura dos órgãos fonoarticulatórios e
das funções de respiração, mastigação
e deglutição”, explica Carolina. “Geralmente, pacientes roncadores apresentam pouco espaço intra-oral e os exercícios miofuncionais orais têm por objetivo criar este espaço e fortalecer tal
musculatura, para permitir que o fluxo
aéreo não seja impedido pelas próprias
estruturas intra-orais”, exemplifica a fonoaudióloga. O ronco pode ser um sinal de que o paciente sofre de apneia,
mas não confirma o problema, pois para
isso é necessária a realização de exame
de polissonografia.
A série de exercícios fonoaudiológicos usada para tratar o ronco e a apneia
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
19
Fotos: Arquivo Pessoal
F ique P or D entro
ram e voltam a reclamar de ronco. Assim, buscamos uma ação conjunta para
tratar o fator obstrutivo, que pode ser
a alteração muscular, a postura da língua
ou até mesmo o fato de ela ser volumosa”, exemplifica a profissional.
Mercado de trabalho
Kátia Guimarães: trabalho pioneiro
podem ser isométricos – que trabalham
a tensão muscular – ou isotônicos – voltados à mobilidade. “Levando-se em consideração o fato de que alterações neuromusculares na faringe são fatores relacionados à fisiopatologia da Sahos, a atuação
fonoaudiológica tem trazido benefícios
aos pacientes com ronco primário e apneia, pois trata-se de um procedimento
terapêutico simples, seguro, sem risco e
não invasivo”, comenta Giovana, do Instituto do Sono. “Os exercícios tendem
a aumentar a tensão muscular dos tecidos moles como língua, faringe e palato
mole, que se encontram flácidos e com
isso acarretam a obstrução da passagem
do ar pela via aérea superior causando a
suspensão da respiração durante o sono,
ou seja, a apneia”, explica.
Os exercícios não podem ser interrompidos. “Eles devem ser acoplados à
atividade de vida diária para o resto da
vida, como acontece com os outros tratamentos para apneia”, alerta a fonoaudióloga Kátia. Até o momento, a eficácia do atendimento foi comprovada nos
casos moderados, mas considera-se que
também pode auxiliar os pacientes com
quadros mais leves.
Além de trabalhar adultos, a reabilitação fonoaudiológica também pode ajudar crianças. “Elas têm menos tendências, mas há fatores obstrutivos como
amígdalas ou adenóide grande, ou cornetos inchados que atrapalham a passagem do ar”, lembra a fonoaudióloga Sílvia Fernandes Hitos, que atua em otorrinopediatria no Centro do Respirador
Bucal da Unifesp. “Há crianças que ope20
A atuação com os pacientes, sejam
eles crianças ou adultos, abre um importante campo de atuação fonoaudiológica. “Se você tem um problema de
ronco ou de apneia, que pode ter causas musculares e precisa ser trabalhado,
você tem de ter um fonoaudiólogo na
equipe”, afirma Silvia.
A opinião é compartilhada por muitos médicos. “Devido ao fato da Sahos
ser uma doença multifatorial, onde se
acredita que ocorra uma hipotonia muscular ao nível de faringe, levando ao estreitamento e ao colapso da via aérea
superior, acredita-se que exercícios que
tonifiquem essa região tragam algum beneficio a esse grupo de pacientes”, explica Fernanda Martinho, otorrinolaringologista do Instituto do Sono. “Também sabemos que muitos pacientes com
Sahos são respiradores bucais e a fonoterapia também poderia ajudar nesse sentido”, continua.
O pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, do Incor, concorda com a colega e vai além. “A fonoaudióloga tem
que passar a trabalhar em todos os centros que trabalham com Medicina do
Sono. Tudo isso é novo e existe muito
a ser divulgado”, afirma. A divulgação no
meio médico também é defendida pelo
otorrinolaringologista Agnaldo Carlesse, responsável pela equipe do Ambulatório de Rondo e Apneia do Ambulatório Médico de Especialidades de Interlagos: “Ainda não é comum o encaminhamento desses pacientes para a Fonoaudiologia. É necessário haver mais
divulgação e uma melhor capacitação
dos profissionais, baseada em pesquisa e evidências”.
Seja qual for a causa dos diagnósticos de ronco ou de apneia, a presença de uma equipe multidisciplinar –
que inclua médicos de várias especialidades, fonoaudiólogos, nutricionistas,
enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas – é crucial para o sucesso do trata-
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
Carolina Fanaro: prêmio em Viena
mento. “Eu entendo que a Medicina só
consegue evoluir com uma boa equipe
multidisciplinar. Em se tratando de uma
patologia que envolve a área de atuação fonoaudiológica, há uma resolução
mais eficaz no tratamento com a participação de um fonoaudiólogo”, explica o otorrinolaringologista.
E foi justamente esse trabalho multidisciplinar que permitiu à equipe de Carlesse receber o prêmio em Viena. O grupo foi reconhecido pelo trabalho intitulado Perda de massa óssea e risco de fraturas em pacientes com apneia do sono de
ambos os sexos. Um exemplo de como a
atuação conjunta de profissionais de várias áreas da saúde nos casos de Sahos
pode contribuir com o desenvolvimento
de novas pesquisas e tratamentos cada
vez mais eficazes.
Para saber mais
n Para conhecer mais sobre
o trabalho de doutorado da
fonoaudióloga Kátia Carmello
Guimarães, leia o American Journal
os Respiratory and Critical Care
Medicine, volume 179 de 2009.
n Mais informações sobre o tema
também podem ser encontradas
nos trabalhos publicados pela
equipe multidisciplinar do Instituto
do Sono no site www.sono.org.
br. Os trabalhos do grupo do
Ambulatório de Especialidades
Médicas de Interlagos estão no
site www.ersnet.org.
E leições
Sucesso marca votação
via internet
Chapa Fono em Foco foi eleita para o triênio 2010/2013
A
chapa Fono em Foco venceu
as eleições disputadas em dezembro para a composição
do 9º Colegiado do Conselho
Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/
SP. Foram 4.627 votos recebidos, contra
os 2.638 alcançados pela chapa Inovação.
O grupo eleito assume o comando da autarquia no dia 1º de abril de 2010.
Pela primeira vez, as eleições do Conselho foram realizadas pela internet. “Foi
um sucesso”, analisou Fernando Barreira,
diretor de engenharia da empresa The
Perfect Link, contrata para dar consultoria e fazer toda a auditoria do processo
eleitoral. “Por ser a primeira eleição via internet, eu imaginava que se obtivéssemos
de 50% a 60% de participação da categoria já seríamos bem sucedidos. Mas chegamos a 80%, um resultado excelente”,
comemorou. No total, 9.728 fonoaudiólogos estavam aptos a votar. Deste número, 80,76% (7.856 pessoas) participaram.
“Os fonoaudiólogos estão bem informatizados”, constatou Barreira.
Todos os itens considerados no processo eleitoral – desde o software elaborado
para a votação, o provedor que hospedou
o processo e a máquina utilizada na sede
– passaram por detalhada auditoria. A segurança de todo o pleito foi item primordial, pois era fundamental precaver qualquer tipo de invasão – fosse para votar mais
de uma vez ou até mesmo para inviabilizar e travar o processo – e assegurar que
cada voto se mantivesse secreto. O programa instalado foi elaborado de tal forma
que é possível saber quais fonoaudiólogos
votaram, mas é impossível saber quem escolheram. Também foi garantida a capacidade de o sistema suportar o número de
acessos esperados, tanto para trocar a senha como para votar. O sistema estava preparado até mesmo para suportar uma votação simultânea de todos os profissionais
aptos. “Tudo foi minuciosamente analisado. Estabelecemos protocolos e fizemos
testes significativos”, explicou Fernando.
A empresa contratada para a auditoria
tem extenso currículo na área do direito
eletrônico e costuma realizar trabalhos
Resultados Gerados
Votos Brancos
Fono em Foco
Inovação
Votos Nulos
384
4.627
2.638
207
A chapa vencedora
Ana Camilla Bianchi Pizarro
CRFa. 5808
Ana Leia Safro Berenstein
CRFa. 3979
Andréa Cintra Lopes
CRFa. 5766
Beatriz Ercolin
CRFa. 14616
Fabiana Gonçalves Cipriano
CRFa. 15477
Fabiana Regiani da Costa
CRFa. 15354
Inayara Domenegheti de Carvalho CRFa. 14860
Irene Queiroz Marchesan
CRFa. 152
Katia de Cássia Botasso
CRFa. 6386
Kelly Cristiane D’Amelio Pedroso CRFa. 7001
Maria Cristina Alves Corazza
CRFa. 4650
Maria do Carmo Redondo
CRFa. 3482
Mariene Umeoka Hidaka
CRFa. 5323
Monica Petit Madrid
CRFa. 6324
Regina Buozzi
CRFa. 1784
Silvia Tavares de Oliveira
CRFa. 3861
Soraya Margall
CRFa. 3837
Teresa Maria Momensohn
dos Santos
CRFa. 2305
Thais Raize
CRFa. 14645
Thelma Costa
CRFa. 4211
para bancos e escritórios especializados
nos casos de crimes eletrônicos.
Desde o início até o final, o processo
eleitoral teve a coordenação da Comissão Eleitoral formada pelas fonoaudiólogas
Anamy Vizeu, Cecília Albergaria, Daniele
Tugumia, Márcia Regina da Silva, Marta Baptista e Suely Master. O grupo determinou as
ações a serem executadas. O objetivo primordial, que balizou todas as decisões, foi
o cumprimento do regulamento eleitoral.
As fonoaudiólogas integrantes da Comissão realizaram reuniões periódicas entre si
e com todos os envolvidos no processo funcionários do CRFa. 2a Região/SP, representantes das chapas e o auditor.
Elas analisaram cada etapa do processo eleitoral e determinaram procedimentos. O trabalho do grupo envolveu desde a
publicação do edital para inscrição das chapas até a finalização do processo e proclamação do grupo vencedor. No dia 11 de
dezembro, às 18h04, ou seja, menos de cinco minutos depois de encerrado o período
de votação, a Incorp Technology, empresa
responsável pelo processo, já divulgava os
dados, oficialmente anunciados aos representantes das duas chapas pelas integrantes da Comissão Eleitoral às 18h40. Em janeiro, as fonoaudiólogas voltam ao trabalho para a análise das justificativas dos fonoaudiólogos que não votaram.
O processo eleitoral foi elogiado por
todos aqueles que tiveram participação direta. Entre eles, a fonoaudióloga Thelma
Costa, uma das representantes da chapa vencedora, que acompanhou a apuração na sede do Conselho. “Foi tudo muito bom”, comentou ela, que também ressaltou a eficiência e competência dos funcionários do CRFa. 2a Região/SP que trabalharam na organização do pleito, a participação da Comissão Eleitoral e a postura idônea e respeitosa dos integrantes da
chapa adversária.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
21
Fotos: Neusa Nakahara
E ventos
Evento reuniu mais de 260 pessoas que assistiram a palestras e conheceram mais de 60 trabalhos desenvolvidos por profissionais da área
Primeira Mostra voltada à
Fonoaudiologia na Atenção Básica
Evento foi organizado pelo CRFa. 2ª Região/SP em
parceria com o CFFa. e a PUC-SP
P
romovida pela parceria entre o
Conselho Regional de Fonoaudiologia 2a Região/SP, o Conselho Federal e a PUC-SP, a “I Mostra de Fonoaudiologia na Atenção Básica do Estado de São Paulo”, realizada na
manhã do dia 25 de novembro, mobilizou os profissionais da área e os interessados no tema. Fruto de uma deliberação no II Fórum: Inserção do Fonoaudiólogo no NASF, o evento contou com o
apoio do Departamento de Saúde Coletiva da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, da Academia Brasileira de Audiologia e dos Cursos de Graduação em
Fonoaudiologia das seguintes instituições:
Centro Universitário São Camilo, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa
de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru/USP, Faculdade de Medici-
22
na da USP, PUC-Campinas, Universidade
de Guarulhos e UNESP/Marília
Mais de 260 pessoas estiveram no
Campus da PUC-SP localizado em Perdizes, na capital, para conhecer as diversas experiências desenvolvidas por fonoaudiólogos. No total, 61 trabalhos de várias cidades do estado, como São Paulo,
Santos, Mogi Mirim, Itu, Campinas, Bauru, Casa Branca, Itapecerica e Taboão da
Serra, foram expostos ao público. Além
de profissionais e alunos, representantes
do Ministério da Saúde e da Secretaria
Municipal da Saúde de São Paulo também estiveram presentes.
Além de conhecer os trabalhos, os
participantes puderam assistir às palestras que discutiram o tema. As fonoaudiólogas Dra. Sandra Vieira, da Secretaria Municipal de Saúde/SP- Atenção Bá-
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
sica/Área Técnica da Pessoa com Deficiência, e Dra. Edinalva Neves Nascimento, do Ministério da Saúde – Secretaria
de Gestão do Trabalho e Educação em
Saúde, falaram sobre a “Fonoaudiologia
na Atenção Básica”. Por sua vez, o Dr.
Chao Lung Wen, presidente do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde e membro da Comissão Permanente de Telessaúde do Ministério da Saúde,
proferiu a palestra “Contribuições da Telessaúde para a atuação da Fonoaudiologia na Atenção Básica”. Na palestra “Análise das tendências e perspectivas da atuação da Fonoaudiologia na Atenção Básica”, as fonoaudiólogas Dra. Andréa Bonamigo e Dra. Ana Claudia Fiorini fizeram uma análise dos trabalhos incritos e
apresentaram um panorama sob a perspectiva da Formação e Serviço.
Voltado a profissionais da área e estudantes de graduação, a Mostra teve como
principal objetivo divulgar e debater a atuação fonoaudiológica na Atenção Básica.
Outra proposta importante foi possibilitar aos gestores e pesquisadores mapear
essas experiências e analisar as propostas e tendências de atuação nesse nível
de atenção à saúde. “Foi um sucesso. As
pessoas avaliariam que foi uma troca rica
de experiências, pois puderam ser identificados avanços no campo da promoção da saúde e do trabalho em interdisciplinaridade, intersetorialidade e inclusão
social”, comemora Maria Cecília Bonini
Trenche, professora titular e coordenadora do Curso de Fonoaudiologia PUCSP, uma das organizadoras do evento. “O
fato de termos proposto uma apresentação de poster dialogada possibilitou discussão produtiva, trocas, contato com
a diversidade. Também foi ressaltada a
qualidade dos trabalhos apresentados e
o fato de a Fonoaudiologia estar alinhada
às Política Públicas”, completa.
O tema da Mostra, muito atual, nasceu dos dois Fóruns organizados pelo
CRFa. 2a Região/SP para discutir a inserção do fonoaudiólogo nos Núcleos de
Apoio à Saúde da Família (NASFs). Durante o segundo fórum, foi decidida a
constituição de um Grupo de Trabalho
de Atenção Básica, que atuou na organização da Mostra para levantar dados sobre as experiências que vêm sendo realizadas e seus resultados.
“A possibilidade de troca de experiências entre os profissionais dos serviços na Atenção Básica, instituições formadoras, órgãos representativos da Classe
Fonoaudiólogica e gestores já havia sido
Cláudia Cassavia: troca de experiências entre
profissionais, instituições e órgãos de classe
identificada nos Fóruns NASF e a parceria entre estes atores se materializou na
Mostra”, conta a presidente da Comissão
de Saúde do CRFª, Claudia Pagotto Cassavia, integrante da Comissão organizadora da Mostra. “Espaços como este são
solicitados pelos profissionais frequentemente em encontros e fóruns e foi gratificante testemunhar a resposta da categoria por meio do número de inscritos,
quase 270 participantes e 61 trabalhos
apresentados”, comenta.
Profissionais que trabalham na Atenção Básica, docentes e estudantes das Instituições de Ensino Superior foram convidados a apresentar trabalhos que relatavam suas experiências. O material recebido foi resumido e organizado em anais
gravados em CDs distribuídos ao público
presente. “O objetivo da produção dos
Anais da I Mostra Estadual, em conjunto
com o CFFa, foi disponibilizar ao Fonoaudiólogo ferramentas que instrumentalizem sua prática e seu diálogo com o
gestor local”, explica Claudia. O material
entregue também incluiu um documento do CRFa. 2a Região/SP sobre a Atuação Fonoaudiológica nas Políticas Públicas, a Inserção do Fonaudiólogo no Programa Saúde da Família, além do Relatório dos Fóruns de Atuação Fonoaudiólogica nos NASFs.
Realizado junto com o Seminário Interdisciplinar do Curso de Fonoaudiologia da PUC-SP, a Mostra, segundo Cecília Bonini, aproximou os estudantes das
vivências dos profissionais, levando-os a
conhecer e a identificar-se com a atuação junto à Atenção Básica. Outro destaque, avalia ela, foi a união de diversas
entidades para organizar o evento. “Pudemos vivenciar uma experiência de rede
social efetiva em torno de um objetivo.
Isto é muito importante para a área e
para a formação de novos profissionais.
Estamos fazendo e mostrando o que defendemos - o diálogo, a convivência da
diversidade, o movimento para mudar o
que precisa ser mudado e o respeito pelo
que vem se consolidando como produção da área”, conta. A Mostra teve tanta repercussão que já há solicitação por
parte dos participantes para que sejam
realizados eventos anuais, com duração
maior, de um a dois dias.
Conselho publica relatório
referente a Fóruns
Em maio e em agosto deste ano, o Conselho Regional de Fonoaudiologia
- 2ª Região/SP organizou, respectivamente, o I e o II Fórum: Inserção do
Fonoaudiólogo no NASF. Conselheiros, especialistas, representantes de entidades
e de universidades, além de profissionais que atuam nos núcleos, reuniram-se
para discutir e trocar experiências. Os dois encontros tiveram como principal
objetivo propiciar a reflexão da prática fonoaudiológica e chegar a um consenso
entre os fonoaudiólogos sobre as diferentes formas de atuação nos Núcleos.
Os dois encontros resultaram em um relatório que está disponível para consulta
no site do CRFa. 2ª Região/ SP (www.fonosp.org.br). O material da Mostra
também pode ser acessado pelo site.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
23
E ventos
Santos recebe fonoaudiólogos
do Serviço Público
A inserção, a organização e o funcionamento dos serviços de
Fonoaudiologia no estado foram analisados durante encontro
O
Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/
SP/Delegacia da Baixada
Santista promoveu, no dia
27 de novembro, em Santos, litoral paulista, o XII Encontro dos Fonoaudiólogos
do Serviço Público do Estado de São
Paulo. O evento foi realizado no auditório do Centro Universitário Lusíada e
ofereceu espaço para a reflexão e debate sobre a inserção, a organização e
o funcionamento dos programas e políticas públicas em que a Fonoaudiologia
está inserida nos municípios do Estado
de São Paulo. Gratuito, o encontro contou com o apoio da Secretaria Municipal
de Saúde de Santos, da Divisão Regional
de Saúde DRS-IV, do Conselho Federal
de Fonoaudiologia e da Sabesp.
De acordo com Maria Cristina Jabbur, delegada da Baixada Santista, cada
encontro possibilita a construção de
propostas significativas para melhorar
o atendimento fonoaudiológico. “O fonoaudiólogo deve se capacitar sempre,
valorizar seu trabalho e aprimorar seus
conhecimentos”, comentou. Para ela, o
encontro foi um sucesso e veio confirmar o interesse que a Fonoaudiologia
tem em se envolver e contribuir com a
melhoria das políticas públicas e a prestação de serviços. Representantes da
capital e dos municípios de Carapicuíba,
Barueri, Jandira, Cubatão, Guarujá, Santos, Guarulhos, Orlândia e Mogi Mirim
estavam presentes.
A programação foi dividida em quatro palestras, trabalhos em grupo e plenária final. Com o tema ‘Integralidade
na Assistência à Saúde: A Organização
24
Fotos: Sérgio Moura Alca
organizado pela Delegacia da Baixada Santista
Cristina Biz, José Ricardo de Renz, Cristina Jabbur, Sandra Vieira e Heitor Oliveira na abertura do evento
das Linhas de Cuidado’, a fonoaudióloga
Dra. Érika Pisaneschi, coordenadora da
Área Técnica de Saúde da Pessoa com
Deficiência da Secretaria de Atenção
à Saúde do Ministério da Saúde (MS),
fez uma explanação sobre os trabalhos,
projetos e estruturas da saúde pública
no Brasil e ressaltou a importância da
emancipação social da pessoa com deficiência, haja vista a sua inclusão já ser
uma realidade em muitas situações cotidianas. A especialista traçou um panorama sobre o Sistema Único de Saúde e
explicou que por mais que o MS implante novos sistemas, as práticas só serão
aplicadas à realidade se tiverem aceitação e participação dos municípios.
Érika também abordou as diretrizes
da Política Nacional de Saúde. Dentre
elas, a promoção da qualidade de vida, a
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
prevenção de deficiências, a organização
e o funcionamento dos serviços, a assistência integral à saúde e a atenção à pessoa com deficiência em todos os âmbitos
da vida. “O ser humano deve ser tratado
como um todo, para que assim tenha
emancipação na sociedade”, alertou.
Ela ainda reforçou o conceito de que
os profissionais têm papel fundamental
para o bom funcionamento das políticas
públicas, pois são eles que transmitem a
realidade a seus gestores. “O fonoaudiólogo precisa pensar no trabalho coletivo
dentro da área pública e lembrar que o
universo não é somente o consultório”,
avisou. Os serviços de reabilitação não
são isolados e há a necessidade de que
os profissionais ligados a cada um façam
uma interface. “A integração com as outras áreas é muito importante. Certa-
mente ajudará na inclusão social
e na emancipação das pessoas
com deficiência que necessitam
de atendimento”, concluiu.
Serviços de
Atendimento
“Rede de Atenção à Saúde
Auditiva: sistemas de referência
e contra-referência” foi o tema
da segunda palestra, ministrada pela coordenadora da Área
Técnica de Saúde da Pessoa
com Deficiência da Secretaria
A delegada Cristina Jabbur e a aplestrante Érika Pisaneschi
Municipal de Saúde de São Paulo e diretora tesoureira do Conselho Fe- nais têm que trabalhar com a Atenção
deral de Fonoaudiologia, fonoaudióloga Básica, porém cada município deve deiSandra Vieira.
xar claro ao Ministério da Saúde quais
Sandra iniciou sua apresentação co- são as suas realidades e quais políticas
mentando que a Política Nacional de devem ser adotadas dentro de seu esSaúde Auditiva preza pelo cuidado com paço”, explicou.
a pessoa, o que demanda do profissional
Segundo Cláudia, o vínculo do foo envolvimento em todo o processo do noaudiólogo com o SUS tem crescido a
usuário: Atender, Acolher e Encaminhar. cada ano. Em 2007, por exemplo, eram
Segundo ela, promover, orientar e aco- 8.180 profissionais vinculados. Em 2009,
lher as famílias é papel do fonoaudiólo- o número chegou a 11.481. “Nossa cago. “Temos que integrar e identificar as tegoria está mais presente na Atenção
necessidades de cada pessoa e de sua Especial, mas sabemos que podemos
família e ajudar”, explicou.
crescer ainda mais e ter maior participaA fonoaudióloga também fez uma ção na Atenção Básica”, completou.
explanação sobre o funcionamento das
redes de saúde auditiva no município de Conselhos
A última palestra do dia foi minisSão Paulo e enfatizou que a integração
com os profissionais e o repasse das trada pela fonoaudióloga Cláudia Casidéias e projetos para os gestores é de savia, pre­­­­­­sidente da Comissão de Saúsuma importância para o crescimento de do CRFa. 2a Região/SP.
Em sua apresentação, Cláudia falou
da assistência.
sobre o tema “Ações dos Conselhos de
Atenção Básica
Fonoaudiologia-NASFs” e deu ênfase às
Cláudia Taccolini, fonoaudióloga da propostas apresentadas pelo Conselho
Prefeitura Municipal de São Paulo, da em busca de compreensão e esclareciÁrea Técnica da Pessoa com Deficiên- mento da atuação fonoaudiológica na
cia, e presidente da Comissão de Saúde Atenção Básica, além de alertar sobre a
do Conselho Federal de Fonoaudiologia, importância de se partilhar experiências
trouxe à discussão o tema “Implantação e por em prática novas propostas.
dos NASFs: Panorama Geral”. Logo no
Cláudia Cassavia relembrou as atuainício de sua palestra, Cláudia reforçou ções e fóruns realizados pelo Conselho
que a Política de Atenção Básica tem os a fim de esclarecer, refletir e orientar os
princípios da universalidade, integralida- profissionais sobre a inserção do fonode, humanização e equidade, e que as audiólogo na Atenção Básica. Em 2004,
equipes multiprofissionais acompanham o CRFa. 2a Região/SP publicou o docu­
um número definido de famílias com mento “Inserção do Fonoaudiólogo no
área geográfica delimitada, a fim de pro- PSF”, fruto de discussões realizadas anmover a saúde, a prevenção e a resolu- teriormente. Cláudia também començão dos casos.
tou que, em 2006, foi feita parceria com
“Sabemos que todos os profissio- o Ministério da Saúde, a fim de acompa-
nhar e fiscalizar a implantação da Política de Saúde Auditiva no estado. “A parceria
rendeu bons frutos, pois
possibilitou a observação da
qualidade dos serviços e deu
suporte para continuidade
do trabalho”, afirmou.
A presidente da Comissão de Saúde do CRFa. 2a
Região/SP lembrou da realização, no ano passado, dos I
e II Fórum: Inserção do Fonoaudiólogo no NASF e da
I Mostra de Atenção Básica
no Estado de São Paulo (leia mais sobre
estes eventos nas páginas 22 e 23).
Durante sua palestra, a conselheira comentou que cada município deve
estruturar a saúde auditiva de acordo
com suas necessidades e enfatizou a
importância de levar essa realidade aos
gestores, afirmando que essas atitudes
geram mudanças positivas. “Precisamos
trabalhar em equipe, levar sugestões e
apresentar novas ideias sempre. Assim
estamos caminhando para um futuro
bem melhor”, finalizou.
Debates
Após o ciclo de palestras, os profissionais se dividiram em grupos para discutir,
apontar e gerir novas propostas para os
fonoaudiólogos que atuam na rede pública
no Estado de São Paulo. Os pontos abordados pelos profissionais no XII Encontro
compreendiam a coordenação técnica e
interlocução da Fonoaudiologia, a reflexão
da prática, apropriação do SUS e da epidemiologia, o diálogo entre os fonoaudiólogos sobre as linhas de cuidado, a união
dos fonoaudiólogos nos serviços, a formação, a atualização profissional e educação
continuada e permanente, a organização
dos serviços, clareza das possibilidades de
atuação, controle social e participação ativa como conselheiro.
Para saber mais
n Leia mais sobre os assuntos
abordados no XII Encontro dos
Fonoaudiólogos do Serviço
Público do Estado de São Paulo
no site www.fonosp.org.br.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
25
E ventos
Conselho promove Fórum sobre
atuação em Educação
Na pauta dos especialistas, os diversos aspectos das
Fotos: Divulgação
competências dos fonoaudiólogos que atuam na área
Profissionais, CRFa. e representantes da academia discutiram a Fonoaudiologia na Educação
E
m 14 de novembro, o Conselho
Regional de Fonoaudiologia - 2a
Região/SP, promoveu, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa
Casa de São Paulo, o Fórum “Atuação do
Fonoaudiólogo na Educação”. O objetivo
do encontro foi submeter à apreciação
de profissionais da área o documento
elaborado pelos integrantes do Grupo de
Trabalho criado pela Comissão de Educação do Conselho em fevereiro deste
ano, para discutir o tema e elaborar um
texto orientador sobre a atuação no âmbito da Educação. Assim, integrantes do
GT, representantes dos Conselhos Regional e Federal e da Sociedade Brasileira
de Fonoaudiologia, além de especialistas
de várias cidades paulistas e até de fora
do estado, discutiram neste dia as várias
questões relacionadas às competências
dos fonoaudiólogos na área da educação.
Esse trabalho visa discutir o perfil e
26
as ações dos fonoaudiólogos que atuam
na Educação. Deste modo, o GT buscou ampliar a discussão com a classe por
meio da retomada de conceitos tratados
nos documentos a serem reformulados,
assim como ampliar outros necessários.
“A discussão foi importante e produtiva. O fórum propiciou o exercício de
uma interlocução entre os profissionais
inscritos no CRFa. 2a Região e a gestão
deste conselho, de modo a criar espaço
de consulta, reflexão e encaminhamento
de questões que balizam diferentes realidades: da academia, dos órgãos representativos e dos profissionais que atuam
diretamente na área de Educação”, avalia
a fonoaudióloga Márcia Matumoto, integrante do Grupo de Trabalho que colaborou com a Comissão de Educação do
Conselho. Márcia trabalha junto à Secretaria de Educação do Município de São
Bernardo do Campo. “Acredito que este
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
é um momento importante para a Fonoaudiologia no Brasil. Já nos consolidamos
como profissão, como ciência com produção científica de qualidade e agora é
a hora de nos organizamos como força
política”, complementa Ana Luiza Navas,
professora do Curso de Fonoaudiologia
da Santa Casa e também integrante do
GT. “Esta discussão sobre perfis de atuação em área tão estratégica como é a
Educação no nosso país é um passo necessário para rever as políticas públicas
relacionadas com o tema”, analisa.
Para Márcia Matumoto, o debate é
muito importante. “O fórum mostrou
que o Conselho está aberto para participação e que conseguimos trazer no
documento as questões mais polêmicas
e importantes que circundam esta área
de atuação”, comenta. “Isso é fundamental para co-responsabilidade pela
tomada de decisão que envolve qualquer
processo democrático, assim como para
entendimento das tomadas de decisões
que envolvem a instância do Conselho”,
continua a especialista.
Na abertura do fórum, Márcia apresentou a palestra “O cenário Atual do
Fonoaudiólogo na Educação”, abrangendo alguns pontos discutidos no GT do
CRFa. 2a Região. Ela traçou um breve histórico da área e abordou a legislação que
promove a educação inclusiva. Definiu
as principais ações do fonoaudiólogo nos
serviços público e privado: a consultoria,
análise institucional e de políticas públicas; a assessoria, papel formativo junto
ao trabalho escolar como um todo e nas
especificidades; e o gerenciamento, implementação e implantação de políticas
públicas. A fonoaudióloga também comentou sobre a intersecção entre essas
Interlocução entre saúde e educação também esteve na pauta debatida durante o Fórum
funções no âmbito público e a separação
entre elas quando se trata do universo da
iniciativa privada. “A natureza das ações
do fonoaudiólogo na educação tem procedimentos e especificidades que só cabem no âmbito educacional”, ressaltou.
A revisão do conceito e da ação da
educação especial também mereceu atenção da especialista. A inclusão de todos os
alunos no ensino regular altera muita coisa.
“Há uma mudança do paradigma de serviço e do entendimento de escola como
lugar de aprender e não de tratar o aluno – o entendimento de atendimento na
educação especial fica na política do AEE
para os professores de educação especial”,
disse ela, que deixou, ainda, duas questões
para discussão: Como ressignificar a atuação do fonoaudiólogo neste contexto?
Qual nosso papel em relação ao AEE?
A busca por respostas para essas e
outras questões balizaram as discussões
do fórum, assim como foram apresentadas diversas sugestões. Entre elas, o pedido para que os Conselhos de Fonoaudio-
logia atuem junto ao Ministério Público
com o objetivo de garantir o cumprimento da legislação, que prevê direitos para as
crianças e a inserção do fonoaudiólogo na
educação. Durante toda a manhã, vários
pontos foram abordados pelas profissionais, como alterações na Resolução CFFa.
Nº 309 e no Parecer CRFa. 2a Região Nº
01/08, que abordam o tema, a criação da
regulamentação da especialidade, a lotação do fonoaudiólogo junto ao Sistema
Educacional e a atuação no ensino regular
e na educação especial.
A interlocução entre saúde e educação,
foi outro ponto debatido. “Considerada
profissão da área da Saúde, a Fonoaudiologia tem sua história marcada pela relação
com a Educação. Por isso, é importante
que o profissional saiba articular estes dois
campos de conhecimento, considerandose o atual momento, em que os Ministérios da Saúde e Educação têm formulado
políticas interministeriais para atender às
necessidades dos dois setores, como por
exemplo, o Programa de Saúde na Esco-
la (PSE)”, alerta Maria Tereza Cavalheiro,
conselheira do CFFa., que participou do
encontro. Ela lembra que o Sistema dos
Conselhos, em parceria com a SBFa., constituiu uma comissão para planejar oficinas
de capacitação do fonoaudiólogo na área.
“É fundamental a definição de diretrizes
para esta atuação”, explica.
As discussões ainda não terminaram.
“Acho que precisamos retomar as questões que ficaram deste fórum, ampliar
a participação dos profissionais, propor
ações de apresentação de documentos
para a classe se posicionar e, a partir deles, também ter uma ação formativa junto
ao fonoaudiólogo, ampliando seu leque
de possibilidades de ação na área”, entende Márcia. Para ela, é preciso que os profissionais reflitam sobre suas práticas, que
devem ser revistas, ampliadas e realocadas pelo próprio contexto sócio-histórico
e profissional. “É necessário criar alguma
forma de controle sobre onde está e o
que faz o fonoaudiólogo que atua na Educação, como o banco de dados do Conselho para os próximos cadastramentos,
assim como o uso da Internet como meio
de participação”, propõe.
Para saber mais
n As discussões propostas
pelo GT e pelo fórum serão
transformadas em documento
que estará disponível a todos os
profissionais. Para acompanhar
esse trabalho e a legislação que
trata do tema – Resolução CFFa.
Nº 309 e Parecer CRFa. 2ª Região
Nº 01/08 – acesse o site do
Conselho: www.fonosp.org.br
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
27
M undo A cadêmico
Interfaces Educação Especial e Fonoaudiologia: um estudo
baseado na produção científica de dissertações e teses
Dissertação defendida em fevereiro deste ano no Programa de pós-graduação
em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Suzelei Faria Bello
A
Fonoaudiologia e a Educação Es­­­­pecial estabelecem relações de proximidade por
possuírem objetos de estudos semelhantes, além de que o trabalho
integrado entre os profissionais maximiza
possibilidades de crescimento para ambas
as áreas de conhecimento. Nesta perspectiva, o objetivo geral proposto nesta
pesquisa encontra-se em compreender
como a Fonoaudiologia foi tomada como
objeto de pesquisa na Educação Especial
com base na análise da produção científica
de dissertações e teses do Programa de
Pós-Graduação em Educação Especial da
Universidade Federal de São Carlos (PPGEEs/UFSCar). Para tanto, mapeou-se a
produção científica em Educação Especial
com interface em Fonoaudiologia e identificou os principais aspectos que favore-
cem essa integração. A fonte de dados
foram as dissertações e teses defendidas
no PPGEEs/UFSCar no período de 1981
a 2005. Este Programa foi escolhido por
ser o primeiro e único da área no país.
Os procedimentos metodológicos para
desenvolver a pesquisa envolveram os
seguintes passos: a) revisão de literatura
em Educação Especial e Fonoaudiologia;
b) levantamento e coleta de dados das
dissertações e teses em Educação Especial defendidas no PPGEES/UFSCar que
possuam interface com a Fonoaudiologia;
c) categorização e análise bibliométrica.
Os resultados obtidos, por meio da análise bibliométrica, revelaram que de 342
trabalhos, 74 entre eles 65 dissertações
e 9 teses, fazem referência à interface
entre Educação Especial e a Fonoaudiologia; a deficiência auditiva foi a mais
investigada; a temática focada nos trabalhos foi “Ensino-aprendizagem” e ao rea-
São Paulo, Brasil
28 de Março a 1º de Abril
28
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
lizar a análise quantitativa das referências
utilizadas nos trabalhos que fazem corelação com a área de Fonoaudiologia
observou-se que se encontraram indexados na Pro-fono: Revista de Atualiza­­
ção Científica e no Journal of Speech
and Hearing Disorders; os da área de
Educação Especial na Revista Brasileira
de Educação Especial. Enfim, este estudo caminhou na direção de valorizar
a interdisciplinaridade existente entre
estas áreas de conhecimento, apontou
tendências e temas emergentes que
podem favorecer a atuação conjunta
desses profissionais. Além disso, a dissertação pretendeu contribuir para a
construção de um processo salutar de
reflexão e avaliação do conhecimento
produzido em Educação Especial consolidado na produção científica de teses e dissertações e sua interface com
a Fonoaudiologia.
L ivros
A Linguagem e o
Desenvolvimento Infantil
SBFa. lança novo Tratado
Com formação em Fonoaudiologia e
Educação, Jáima Pinheiro de Oliveira
e Tania Moron Saes Braga são as
organizadoras do livro Desenvolvimento
infantil: Perspectivas de Atuação
em Educação e Saúde, lançado
com o objetivo de levar a alunos e
profissionais das áreas de saúde e
educação, bem como aos familiares/
cuidadores, os conteúdos essenciais
que englobam as principais áreas do
desenvolvimento infantil, com especial
atenção para temas fonoaudiológicos. A publicação reúne textos
que analisam diferentes aspectos do desenvolvimento infantil,
com contribuições que se situam na interface entre a saúde e
a educação e promovem a visão global do processo evolutivo.
Assim, facilitam a compreensão do processo pelo qual passam as
crianças e ressaltam os cuidados no sentido de vigiar e promover
os principais elementos desse processo, como a linguagem.
Desenvolvimento infantil: Perspectivas de Atuação
em Educação e Saúde
De Jáima Pinheiro de Oliveira e Tania Moron Saes Braga
Fundepe Editora
No dia 14 de dezembro, a Sociedade
Brasileira de Fonoaudiologia lançou
oficialmente na capital paulista,
a segunda edição do Tratado de
Fonoaudiologia. A publicação conta com
nova organização dos capítulos, o que,
segundo as organizadoras, possibilita
melhor articulação dos conteúdos, além
de refletir o desenvolvimento de algumas
áreas. Dividida em Fundamentos para
a Fonoaudiologia, Audição e Equilíbrio,
Linguagem, Motricidade Orofacial,
Saúde Coletiva e Voz, a nova edição
do Tratado apresenta um perfil aprofundado e atualizado da
Fonoaudiologia no Brasil e, da mesma forma que a primeira
edição da obra, se firma como referência para profissionais,
estudantes e professores. O Tratado é indicado como bibliografia
básica em quase todos os concursos realizados no país e na
maioria dos cursos de graduação em Fonoaudiologia.
Tratado de Fonoaudiologia - 2ª Edição
De Fernanda Dreux Miranda Fernandes,
Beatriz Mendes e Ana Luiza Navas
Editora Roca
N otas
População pede
atendimento
fonoaudiológico
Entre os meses de setembro
e outubro de 2009, a Agência
Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) realizou uma Consulta Pública
através do site do órgão sobre a
revisão do Rol de Procedimentos e
Eventos em Saúde, que estabelece
a cobertura mínima obrigatória
para todos os planos contratados
após 1º de janeiro de 1999. Os
Conselhos de Fonoaudiologia
enviaram manifestação formal à
ANS sobre a matéria e divulgaram a
consulta, sensibilizando a categoria
e os usuários sobre a importância
da participação, como forma de
garantir a assistência fonoaudiológica
integral. Segundo a ANS, foram
recebidas cerca de 8 mil sugestões,
sendo que a metade delas foi enviada
por consumidores. O levantamento
da ANS dá conta de que, entre
as solicitações de alteração de
diretrizes de utilização, 70% estão
relacionadas à ampliação do número
de consultas de Fonoaudiologia.
As sugestões obtidas através da
consulta pública estão sendo
avaliadas por técnicos do órgão.
Conselho participa do EDUCASUS
A vice presidente do Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2ª
Região/SP, que também preside a Comissão de Legislação e Normas,
fonoaudióloga Maria Cristina Pedro Biz, participou, no dia 9 de dezembro,
do Projeto EDUCASUS, plano de trabalho de Educação Continuada na
Área de Saúde promovido pela Federação das Santas Casas e Hospitais
Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), em parceria com a
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a Associação
Paulista de Medicina, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São
Paulo e a Secretaria Estadual de Saúde.
A conselheira falou sobre o tema “Um Retrato da Reabilitação
Fonoaudiológica com base em dados do Município de São Paulo”,
que tratou dos dados coletados no processo de fiscalização do CRFa.
2ª Região/SP (leia mais sobre e tema nas páginas 6 a 9). Para assistir à
palestra, acesse http://www.fcmscsp.edu.br/ead/educasus.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
29
N otas
CRFa. presente na UNILUS
A delegada regional da Baixada Santista, fonoaudióloga Maria
Cristina Jabbur, esteve presente na Colação de Grau dos alunos
do Curso de Fonoaudiologia da Fundação Lusíada, em Santos,
realizada no dia 21 de dezembro. Na solenidade, entregou aos
formandos as Carteiras Profissionais de Fonoaudiólogo e as
Cédulas de Identidade Profissional, emitidas pelo Conselho
Regional de Fonoaudiologia - 2ª Região/SP. No mês de outubro,
a delegada havia proferido palestra para os futuros profissionais
com informações sobre legislação, Código de Ética e também
sobre o papel do Conselho Regional.
30
Cristina Jabbur (no centro, de azul), formandas, professores
e a coordenadora do curso, a fonoaudióloga Heline Machado.
Fonoaudióloga é finalista no
Empreendedor Social
CFFa. publica recomendação
sobre prontuários
A fonoaudióloga Cláudia Cotes, presidente da
ONG Vez da Voz, foi uma das oito finalistas do Prêmio
Folha Empreendedor Social 2009, concedido pelo
jornal Folha de São Paulo em parceria com a Fundação
Schwab, da Suíça. No total, 271 empreendedores
sociais de todo o país foram inscritos na quinta edição
da premiação. A ONG tem como objetivo promover
a inclusão social da pessoa com deficiência e um
de seus trabalhos mais conhecidos é o Telelibras,
telejornal semanal voltado à comunidade surda. Para
saber mais sobre a ONG e acessar o jornal visite o site
www.vezdavoz.com.br.
Em 5 de dezembro, o Conselho Federal de Fonoaudiologia
publicou a Recomendação Nº 10, que “Dispõe sobre o registro
de procedimentos fonoaudiológicos em prontuários”. Logo no
primeiro artigo, o documento explica que “todo atendimento
fonoaudiológico deve ser registrado em prontuário, manuscrito
ou informatizado, e guardado por um período mínimo de 10
(dez) anos, sendo disponibilizado ao Conselho Regional de
Fonoaudiologia, quando solicitado”. A Recomendação do CFFa.
especifica, ainda, as informações mínimas que devem ser relatadas
no prontuário, de forma legível, e garante o acesso do cliente a
estas informações. Para ler a íntegra do documento, acesse o site
do CRFa. 2ª Região/SP (www.fonosp.org.br).
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
Interior celebra Dia de Atenção à Gagueira
Várias cidades paulistas promoveram ações para
marcar o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, em 22
de outubro. Em Pompéia, Fernanda Ferreira, fonoaudióloga
da prefeitura, fez a primeira divulgação sobre gagueira da
história da cidade. Ela distribuiu folders que mostram o
que é a gagueira e quais as atitudes positivas e negativas
tomadas perante as pessoas que gaguejam. O material
foi entregue em postos de saúde, creches, escolas e na
Divisão de Educação e Cultura do município.
Em Botucatu, a campanha organizada por Delvania
Sleiman foi divulgada na imprensa local. Também
houve ação em duas escolas, com a orientação dos
C artas
Matérias de interesse
Parabéns, esse jornal (ed. 83) está muito
bom, com reportagens atuais e entrevistas
excelentes. Traz matérias de interesse
dos fonoaudiólogos e mostra o que está
acontecendo no momento.
Assim deve ser um jornal.
Irene Marchesan
professores e o envio de texto com dicas e orientações
para os pais dos alunos. Já em Jundiaí, foi inaugurado
o primeiro Grupo de Apoio da ABRA GAGUEIRA da
cidade, sob coordenação de Luciana Andrea Contesini e
Fernando Bracalente.
A data, escolhida pela International Fluency
Association (IFA - Associação Internacional de Fluência) e
pela International Stuttering Association (ISA - Associação
Internacional de Gagueira), foi criada em 1998. Desde o
início, o Brasil participa das comemorações com diversas
ações voltadas para pessoas que gaguejam, familiares,
profissionais e população em geral.
O CRFa. 2ª Região agradece a todos
pelas mensagens de Boas Festas
• ACF Águia de Haia
• Augusto Imóveis
• 3J Tecnologia
• CRQ-IV
• Strutura Informática
• CRTR-5ª Região
• Fonoaudiologista Padovan
• Deleg. Reg. da Baixada Santista
• S.A.B.E.R.
• CNRE-3
• Deleg. Reg. de Ribeirão Preto
• Contronic
• Dr. Farhat
• Advocacia Tucunduva
• CRP-SP
• Assc. Cruz Verde
• Nube-Estágios
• Microsom
• Curso de Fonoaudiologia
• Deleg. Reg. de Marília
• Goas-Osasco
• FCMSC-SP
Eu leio a Revista da Fonoaudiologia
“A Revista de Fonoaudiologia é de excelente
qualidade técnica, contribuindo para a
atualização permanente dos profissionais e
para o debate sobre temas importantes para
a saúde no Brasil. É leitura obrigatória para os
fonoaudiólogos e profissionais de saúde.”
Marco Antonio Manfredini, conselheiro
do Conselho Regional de Odontologia
de São Paulo
E xtravios
Veja a lista de fonoaudiólogos que perderam
carimbos e cédulas de identidade profissional.
Carimbo
Simone Maria Alves Maria..................... CRFa. 8169
Vivian Maris............................................ CRFa. 14.746
Niely Manoelle Leite de Melo................ CRFa. 15.888
Juliana Ferreira Bertozzi........................ CRFa. 17.254
Thais de Salles Chieregatti.................... CRFa. 16.043
Viviane do Prado Almeida..................... CRFa. 12.784
Elaine Ap. Proença Fernandes............. CRFa. 6.509
Cédula
Luciana Galeno...................................... CRFa. 12.873
Andrea Bordoi Pini................................. CRFa. 7005
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010
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