E ditorial O Conselho e a fiscalização O Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2ª Região/SP foi criado em 1981 pela Lei Nº 6965, que regulamenta a profissão. Uma de suas principais missões é fiscalizar a prática profissional e garantir, assim, que seja preservado o direito do fonoaudiólogo exercer plenamente seu trabalho e oferecer um bom atendimento à população. A fiscalização é prática rotineira do Conselho e um destes trabalhos é o tema da reportagem de capa desta edição da Revista da Fonoaudiologia. Entre maio de 2008 e outubro de 2009, o CRFa. 2ª Região/SP incrementou suas atividades de fiscalização junto aos serviços que prestam assistência fonoaudiológica na rede municipal de São Paulo e traçou um retrato que possibilita alertar gestores e todas as instituições reguladoras sobre a necessidade de ajustes. A preocupação com a assistência fonoaudiológica de qualidade, e acessível a todos, também permeia outras ações deste Conselho. É o caso da promoção de três eventos importantes realizados nos últimos meses de 2009 com a parceria de diversas instituições: a 1ª Mostra de Fonoaudiologia na Atenção Básica do Estado de São Paulo, o Fórum Atuação do Fonoaudiólogo na Educação e o XII Encontro dos Fonoaudiólogos do Serviço Público do Estado de São Paulo. Os principais temas discutidos nestes encontros são relatados em reportagens desta edição. A primeira Revista da Fonoaudiologia de 2010 também traz algumas histórias de iniciativas que muito contribuem para o aprimoramento de nossa profissão, como o trabalho de reabilitação fonoaudiológica em casos de ronco e apneia; a criação, por parte de fonoaudiólogos, de dois importantes serviços na área de linguagem oferecidos nas cidades de Marília e Osasco e também o desenvolvimento de um software gratuito, que auxilia no atendimento de distúrbios da fluência. Boa leitura e um ótimo 2010 a todos! Isabel Gonçalves Presidente do 8º Colegiado do CRFa. 2ª Região/SP Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 3 Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região 8º Colegiado PRESIDENTE Isabel Gonçalves VICE-PRESIDENTE Maria Cristina Pedro Biz DIRETORA-SECRETÁRIA Andréa Bonamigo Í ndice 5 “Mais Fluência” ajuda no tratamento de distúrbios da fala Software é gratuito e pode ser baixado do site da ABRA GAGUEIRA 6 Conselho reforça atuação no Controle Social Trabalho de fiscalização aponta a necessidade de ampliação do acesso à assistência fonoaudiológica na capital paulista DIRETORA-TESOUREIRA Carolina Fanaro da Costa Damato CONSELHEIROS Alexsandra Aparecida Moreira • Andrea Soares da Silva • Andrea Wander Bonamigo • Camila Carvalho Fussi • Carolina Fanaro da Costa Damato • Claudia Silva Pagotto Cassavia • Cristina Lemos Barbosa Furia • Daniela Soares de Queiroz • Gisele Gotardi de Oliveira • Isabel Gonçalves • Lica Arakawa Sugueno • Lilian Cristina Cotrim Ferraz • Maria Cristina Pedro Biz • Monica Bevilacqua • Nadia Vilela • Renata Cristina Dias da Silva • Renata Strobilius • Yalís Maria Folmer-Johnson Pontes DELEGACIA DA BAIXADA SANTISTA Rua Joaquim Távora, 93 – cj. 15 – Vila Matias CEP 11075-300 – Santos/SP Fone: (13) 3221-4647 – Fax: (13) 3224-4908 [email protected] DELEGACIA DE MARÍLIA Rua Paes Leme, 47 – 5º andar – sala 51 – Centro CEP 17500-150 – Marília/SP Fone/Fax: (14) 3413-6417 [email protected] 10 Noite de homenagens marca o Dia do Fonoaudiólogo Profissão foi celebrada em cerimônia na Assembleia Legislativa 14 Marília cria Centro de Atendimento Multidisciplinar Trabalho é voltado a crianças da rede municipal de ensino com dificuldade de aprendizado 16 Qualidade científica marca 17º Congresso de Fonoaudiologia Além do evento nacional, foi realizado o primeiro encontro ibero-americano; integração entre SBFa. e Sistema de Conselhos também foi importante 18 Reabilitação em apneia e ronco: um espaço para o fonoaudiólogo Cresce a atuação do profissional da área no atendimento de pacientes com distúrbios do sono DELEGACIA DE RIBEIRÃO PRETO Rua Bernardino de Campos, 1001 – 13º andar – cj. 1303 CEP 14015-130 – Ribeirão Preto/SP Fone: (16) 3632-2555 – Fax: (16) 3941-4220 [email protected] DEPARTAMENTOS CONTABILIDADE [email protected] DIVULGAÇÃO [email protected] DEPTO. PESSOAL [email protected] JURÍDICO [email protected] ORIENTAÇÃO E FISC. [email protected] RECEPÇÃO [email protected] REGISTROS/TESOURARIA [email protected] SECRETARIA [email protected] SUPERVISÃO [email protected] COMISSÕES Audiologia • Divulgação • Educação • Ética • Legislação e Normas • Licitação • Orientação e Fiscalização • Saúde • Tomada de Contas COMISSÃO DE DIVULGAÇÃO Carolina Fanaro da Costa Damato – Presidente Andrea Soares da Silva Lilian Cristina Cotrim Ferraz Nadia Vilela JORNALISTA RESPONSÁVEL Sérgio de Castro Rodrigues (MTb 23.903) PRODUÇÃO EDITORIAL E GRÁFICA Capa - Cláudia Barrientos Diagramação: Alexandre Barros VIANEWS Comunicação Integrada REDAÇÃO Conexão Nacional (11) 3151-5516 e 3151-5752 wwww.conexaonacional.com.br [email protected] Reportagem e edição: Luísa de Oliveira • Sérgio de Castro Rodrigues IMPRESSÃO Companygraf TIRAGEM 13.500 exemplares Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região/SP Rua Dona Germaine Burchard, 331 – Água Branca CEP 05002-061 – São Paulo/SP Fone/Fax: (11) 3873-3788 – www.fonosp.org.br Envio de artigos, sugestões ou reclamações: [email protected] As opiniões emitidas em textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. a reprodução de textos desta edição é permitida, exclusivamente para uso editorial, desde que claramente identificada a fonte. Textos assinados e fotos com crédito identificado somente podem ser reproduzidos com autorização por escrito, de seus autores. 21 Sucesso marca votação via internet Chapa Fono em Foco foi eleita para o triênio 2010/2013 22 Eventos 28 Mundo Acadêmico 29 Notas T ecnologia “Mais Fluência” ajuda no tratamento de distúrbios da fala D esde outubro, os fonoaudiólogos contam com a ajuda de mais uma ferramenta no atendimento de alguns distúrbios da fala. É o “Mais Fluência”, software gratuito desenvolvido pelo carioca Henrique Confessor, especialista em Tecnologia da Informação. O programa está disponível, gratuitamente, no site da ABRA GAGUEIRA. “Ele foi desenvolvido com o objetivo de auxiliar no tratamento de alguns distúrbios, mais especificamente a gagueira, pois pode melhorar a fluência das pessoas que gaguejam”, explica a presidente e fundadora da ABRA GAGUEIRA, a fonoaudióloga Daniela Verônica Zackiewicz. Nos primeiros 30 dias em que foi oferecido na internet, cerca de 100 fonoaudiólogos já baixaram o programa, que utiliza recursos DAF/FAF (Delayed Auditory Feedback/Frequency Altered Feedback - Realimentação Auditiva com atraso/Realimentação com Frequência Alterada). “Como tenho experiência com programação, pesquisei como funciona um DAF/FAF, sentei na frente do computador e passei várias madrugadas fazendo o software sozinho”, conta Confessor, que atualmente trabalha em uma empresa de telefonia celular. A vontade de ajudar no atendimento às pessoas que gaguejam veio da própria experiência. Aos 36 anos de idade, Confessor é um ativo colaborador da ABRA GAGUEIRA. Conheceu a entidade em um evento do Dia Internacional de Atenção à Gagueira realizado no Rio de Janeiro, em outubro de 2008. Desde então, tem participado de diversos fóruns e percebeu que muitos frequentadores vão aos eventos em busca de ajuda, pois não têm como financiar um tratamento fonoaudiológico. Fornecer o programa de forma gratuita já ajuda bastante. “Existem programas de computador que utilizam os recursos Foto: Arquivo Pessoal Software é gratuito e pode ser baixado do site da ABRA GAGUEIRA Henrique Confessor: software para todos DAF/FAF para melhorar a fluência, porém todos os que encontrei na internet eram em inglês e a maioria, paga. Funcionava por um tempo e depois você tinha que comprar o programa se quisesse continuar usando”, conta o programador. “Então, comecei a alimentar a ideia de fazer um software 100% brasileiro para uso pessoal e que fosse de graça, facilitando desta forma o acesso a recursos para tratamento que poderiam ser utilizados em casa”, explica. Funções Foram vários meses de pesquisa sobre DAF/FAF e captura/reprodução de áudio no computador para só então começar a montar o software. O programa tem duas funções e, para funcionar, são necessários um microfone e um fone de ouvido. O microfone vai captar a voz, que será modificada pelo programa e, então, enviada para o fone de ouvido - o ideal é usar um fone unilateral. A primeira função do programa é devolver a voz com um atraso de milissegundos, o DAF (Delayed Auditory Feedback). É possível atrasar mais ou menos o retorno. Em muitos casos, a utilização do programa modifica a fluência das pessoas que gaguejam. Outra função do software é a alteração da frequência da voz - mais aguda ou mais grave - proporcionada pelo efeito Frequency Altered Feedback (FAF). A utilização dos recursos faz com que surja um efeito “coro”, como se o interlocutor estivesse falando junto com outra pessoa. Os recursos podem ser utilizados de forma isolada ou associada. Certamente, a iniciativa já está produzindo frutos, que em breve serão analisados. Confessor pretende dispo nibilizar questionários para que os fonoaudiólogos comentem o funcionamento do programa. Se for preciso, serão feitos aprimoramentos. “Minha percepção sobre a gagueira - e sobre as pessoas - mudou depois que eu conheci a ABRA GAGUEIRA”, conta ele. “Ao invés de buscar ajuda para mim mesmo, resolvi ajudar os outros com o conhecimento que tenho”, continua o programador. “Antigamente, minha meta era parar de gaguejar. Hoje é simplesmente me conhecer melhor, perceber o que se passa pela minha mente e pelo meu corpo quando gaguejo, e trabalhar a mudança ou eliminiação do comportamento ou do pensamento bloqueador da fala. Acredito que a fluência será mera consequência deste processo”, ensina. Para saber mais n O software “Mais Fluência” pode ser acessado pelo site da ABRA GAGUEIRA: http://www.abragagueira.org.br/ mais_fluencia.asp Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 5 R eportagem de C apa Conselho reforça atuação no Controle Social Trabalho de fiscalização aponta a necessidade de ampliação do acesso à assistência fonoaudiológica na capital paulista O s Conselhos existem fundamentalmente para fiscalizar a prática, registrar e orientar os profissionais. Criado pela Lei nº 6965/81, que regulamentou a profissão de fonoaudiólogo, o Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/SP cumpre seu papel e vem ampliando sua atuação rotineira no sentido de trabalhar em consonância ao Controle Social. Entre maio de 2008 e outubro de 2009, a autarquia incrementou suas atividades de fiscalização junto aos serviços que prestam assistência fonoaudiológica na rede municipal de São Paulo. Os dados levantados pelo trabalho resultaram na convocação de Audiência Pública pela Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho, Idoso e Mulher da Câmara Municipal. A discussão já rendeu frutos: o legislativo comprometeu-se a levar o tema para as discussões vinculadas ao Plano Plurianual (PPA) da cidade e encaminhou requerimento à Secretaria Municipal de Saúde para obter informações sobre a assistência fonoaudiológica na rede de saúde. 6 Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 a categoria e assegurar o acesso da população à assistência de qualidade Cristina B iz ” “Fiscalizar é a missão do CRFa., é a nossa rotina ”, lembra Maria Cristina Pedro Biz, presidente da Comissão de Legislação e Normas do CRFa. 2a Região/SP. “Os Conselhos Profissionais são agentes no controle social. Ao fiscalizarem o exercício profissional, avaliam não só as condições de trabalho do fonoaudiólogo, mas principalmente a qualidade da assistência e o acesso a ela”, explica. Para Cristina Biz, não há dúvidas: “a fiscalização é um instrumento poderosíssimo na busca de uma assistência de qualidade e garantia do acesso à população”. Ao desenhar o retrato da assistência fonoaudiológica em um determinado local com dados concretos, a autarquia tem condições de alertar gestores e todas as instituições reguladoras sobre a necessidade de ajustes. Protocolo O trabalho mais intenso com a rede municipal de São Paulo começou há dois anos. “Em 2008, a Comissão de Saúde do CRFa. 2a Região/SP debruçou-se sobre o assunto e resgatou o protocolo de fiscalização. A partir do recebimento de inúmeras denúncias e consultas sobre serviços prestadores de assistência fonoaudiológica feitas tanto por parte da população como por parte de entidades do Poder Público”, Saúde Pública”, de Fábio Lessa e Gabriella Miranda (In: Britto ATBO (org.). Livro de Fonoaudiologia. São José dos Campos: Pulso Editorial; 2005). A informação também preocupa outros setores da sociedade. “É muito pouco, assim não dá para atender. Existem por volta de 600 unidades de serviço na cidade”, critica a vereadora Juliana Cardoso, presidente da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho, Idoso e Mulher da Câmara Municipal. “Os dados apresentados pela fiscalização só vêm ajudar a Câmara e a cidade, e são muito importantes para apontar as políticas públicas para o serviço de atendimento fonoaudiológico”, avalia. A comissão presidida pela vereadora coordenou a Audiência Pública realizada na Câmara no dia 4 de novembro, na qual o CRFa. 2a Região/SP apresentou os dados obtidos pela fiscalização. As informações levaram a Câmara Municipal a pedir explicações à Secretaria de Saúde. A Comissão de Saúde da Câmara já havia recebido queixas de munícipes sobre a dificuldade de encontrar atendimento fonoaudiológico na rede, mas os dados levantados pela fiscalização do Regional deram os subsídios necessários para que o legislativo enviasse um requerimento oficial solicitando informações sobre a rede. Em 2010, a Fonoaudiologia estará na agenda de discussões da Comissão. O CRFa. 2a Região/SP propôs, ainda, como um dos encaminhamentos da audiência, a criação de um Grupo de Trabalho para discutir o tema, com participação de representantes do executivo, do legislativo e Requerimento Segundo dados da própria Secretaria Municipal de Saúde, há 237 fonoaudiólogos na rede municipal, incluídos aí aqueles que exercem funções administrativas. O Município possui cerca de 11 milhões de habitantes. “Proporcionalmente, temos um profissional para aproximadamente 48 mil habitantes e o ideal seria um para cada 10 mil habitantes”, calcula Cristina Biz, referindo-se ao estudo “Fonoaudiologia e Foto: Sérgio Moura Alca Foto: RenattodSousa/Câmara Municipal O Conselho cumpre “ sua função ao resguardar lembra Claudia Pagotto Cassavia, presidente da Comissão de Saúde do Conselho. “Como já havia um trabalho realizado na gestão anterior voltado para os Núcleos de Saúde Auditiva, partiu-se dele para ampliar o olhar para os demais serviços neste primeiro momento. As comissões de Orientação e Fiscalização e de Legislação e Normas somaram esforços para apurar o que vem sendo disponibilizado ao munícipio” complementa Claudia. Desta forma, ampliou-se o olhar para dar conta da avaliação das especificidades dos serviços prestados nos Núcleos Integrados de Saúde Auditiva (NISAs) e nos Núcleos Integrados de Reabilitação (NIRs). Depois, foram feitos novos ajustes. “Aprimoramos esse protocolo e o estendemos também para outros tipos de serviços, como Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Apoio Psicossociais destinados ao atendimento de crianças e adolescentes (CAPSi)”, explica a fonoaudióloga Cibele Siqueira, assessora técnica do Conselho. Entre maio de 2008 e outubro de 2009, a analista de fiscalização e inspetoria, Luciane Gozzoli, visitou 53 serviços da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo que contam com fonoaudiólogos. “Eu já havia fiscalizado vários serviços e conhecia a realidade, mas fiquei surpresa frente às irregularidades encontradas”, conta Luciane, que trabalha na fiscalização do CRFa. 2a Região/SP há 12 anos. A rede mostrou “ progressos, mas há muito por fazer, como a definição clara dos fluxos e do número de profissionais inseridos nos três níveis de atenção ” Claudia Pagotto Cassavia Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 83 • out/nov/dez • 2009 7 de C apa Foto: RenattodSousa/Câmara Municipal R eportagem Administrar uma rede “como a de São Paulo é um desafio para qualquer gestor e precisamos saber quais são os lugares onde há problemas. As informações são muito importantes Claudia Taccolini Manzoni ” do Conselho. “O tema está entre as pendências que devemos discutir no próximo semestre”, garante a vereadora. “O levantamento foi muito importante para discutirmos a questão, pois a Saúde tem como investir”, garante Juliana Cardoso. Retrato O número reduzido de fonoaudiólogos contratados pela Secretaria Municipal de Saúde foi apenas um dos problemas constatados pela fiscalização do CRFa. 2a Região/SP. Uma das informações mais preocupantes é o acesso restrito ao atendimento fonoaudiológico nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), justamente a porta de entrada da população no sistema e local de importantes ações de prevenção e promoção da saúde. Menos de 10% do total de UBSs da ca pital contam com a presença de um fonoaudiólogo. A defasagem no atendimento fica ainda mais clara quando os dados demonstram que todas as clínicas-escola dos cursos de Fonoaudiologia do município possuem demanda reprimida, variando em média de 6 a 12 meses o tempo mí nimo de espera para o atendimento fo8 noaudiológico. “A rede de saúde mostrou progressos nos últimos anos e hoje podese identificar as melhorias. Mas há muito por continuar, a começar pela estruturação da rede, definição clara dos fluxos e do número de profissionais inseridos nos três níveis da atenção: primária, média e alta complexidade”, analisa Claudia Cassavia. “Mais um problema constatado é o fato de um mesmo profissional desempenhar suas ações simultaneamente em serviços de complexidades diferentes, como por exemplo no NIR e no NISA ou no NIR e na UBS”, conta Cibele. “Pensando que as ações diferem de um serviço para o outro, abrangem graus diferentes de complexidade que exigem aprimoramento profissional específico para uma assistência de qualidade, creio que tal fato não deveria acontecer”, avalia. (leia mais sobre os dados levantados pela fiscalização no quadro da página 9). A presidente da Comissão de Legislação e Normas do 2a Região/SP, Cristina Biz, também alerta para o fato de alguns serviços municipais não possuírem inscrição no Conselho, portanto, não contam com um fonoaudiólogo responsável. “A inscrição de tais serviços é obrigatória, sem ônus. O Responsável Técnico Fonoaudiólogo é quem zela pela prestação de serviços fonoaudiológicos, garantindo à comunidade práticas dentro dos preceitos legais, éticos e técnicos vigentes”, avisa Cristina Biz. Continuidade A Prefeitura quer saber mais sobre o levantamento feito pela fiscalização do CRFa. 2a Região/SP. Na Audiência Pública realizada na Câmara Municipal, a fonoaudióloga que compõe a equipe da coordenadoria de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Claudia Taccolini Manzoni, que representou o Secretário da Saúde, Dr. Januário Montoni, pediu maior detalhamento dos dados. “O CRFa. trouxe uma proposta de parceria e ficamos satisfeitos com isso”, comentou a representante do executivo no evento. “Administrar uma rede como a de São Paulo é um desafio para qualquer gestor e precisamos saber quais são os lugares onde há problemas. As informações são muito importantes”, A Visão da Prefeitura A Revista da Fonoaudiologia procurou a Secretaria Municipal da Saúde e recebeu um comunicado da Assessoria de Comunicação do órgão. Segundo as informações transmitidas pelos assessores, a SMS vem contratando fonoaudiólogos. “Em 2006, eram 174 profissionais e, atualmente, a SMS conta com 237. Conforme as necessidades apresentadas, novas contratações são realizadas, de acordo as políticas de saúde da SMS”, diz o comunicado. Também segundo o informativo, os fonoaudiólogos da SMS realizam atendimento nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs), nas unidades básicas de saúde (UBSs), e na rede de atenção especializada, como ambulatórios de especialidades (AEs), Núcleos Integrados de Reabilitação (NIRs), Núcleos Integrados de Saúde Auditiva (NISAs), CAPS, Centros Regionais de Referência em Saúde do Trabalhador (CERESTs), entre outras unidades, conforme o perfil de atuação do profissional. O texto também explica que há 10 fonoaudiólogos nas equipes multiprofissionais do Programa Aprendendo com Saúde, realizado nas escolas da rede municipal de ensino. Os alunos, depois de triados, são encaminhados para atendimento nas UBSs, nos NISAs ou NIRs. A Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo ressalta que as diretrizes para o trabalho dos fonoaudiólogos na rede variam de acordo com o modelo do estabelecimento de saúde. “Os fonoaudiólogos que trabalham nas equipes de NASFs seguem a portaria ministerial 154/2008. Já os profissionais que trabalham nos NIRs têm como diretriz ser referência para a reabilitação das pessoas com deficiência, integrando o trabalho com os demais serviços de saúde voltados a esta população”, explica o documento. Os NISAs, diz o comunicado, têm como atribuição a avaliação audiológica, monitoramento auditivo do RN de risco e reabilitação do deficiente auditivo. No caso de NISA II, as diretrizes são as mesmas da portaria ministerial 587/2004, relativa aos serviços de média complexidade em saúde auditiva. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 Os dados da fiscalização Conheça os principais itens levantados pela fiscalização do CRFa. 2ª Região/SP no trabalho realizado nos 53 serviços das cinco Coordenadorias Regionais de Saúde da rede municipal da capital paulista. Foram fiscalizados 12 Ambulatórios de Especialidades, sete CAPS Infantil/Adolescência/Juventude, 20 Unidades Básicas de Saúde (aproximadamente 50% das que contam com fonoaudiólogo), 14 Núcleos Integrados de Reabilitação e dez Núcleos Integrados de Saúde Auditiva: Núcleos Integrados de Saúde Auditiva I e II (NISAs) • A reabilitação auditiva é realizada em apenas 50% dos NISAs I; • Nos NISAs II, o número de procedimentos de reabilitação auditiva corresponde a aproximadamente 1% do total realizado; • Há fonoaudiólogos lotados nos NISAs que atuam simultaneamente em Ambulatório de especialidades, ou NIRs ou UBSs. Do total analisado, 50% dos fonoaudiólogos foram contratados para atuar nos NISAs. Os demais foram transferidos; • A maior parte dos serviços possui salas ruidosas, com ventilação deficiente, algumas sem pia, outras sem sala de espera e com mobiliário em mau estado de conservação. • As salas utilizadas para o atendimento fonoaudiológico são ruidosas, com ventilação deficiente, algumas sem pia, outras sem sala de espera e em condições de higiene inadequadas. Ambulatórios de Especialidades • O fonoaudiólogo participa de programas como acompanhamento de bebês de risco, AIDS, saúde mental, medicina tradicional chinesa; programa do desenvolvimento de linguagem e audição, de saúde do idoso, de saúde do escolar; • Há demanda reprimida para atendimento fonoaudiológico, porém, os fonoaudiólogos relataram que o serviço não efetua controle; • Os materiais específicos para o atendimento fonoaudiológico são adquiridos e doados pelos próprios profissionais, na maior parte das vezes, e alguns se beneficiaram da concessão para os NISAs; • A maior parte dos serviços possui salas ruidosas, com ventilação deficiente, algumas sem pia, outras sem sala de espera e com mobiliário em mau estado de conservação; • A maioria dos fonoaudiólogos foi transferida de outros serviços e não sabe informar como ficou a assistência fonoaudiológica no serviço de origem. Núcleos Integrados de Reabilitação (NIRs) • Há fonoaudiólogos lotados nos NIRs que atuam simultaneamente em Ambulatório de Especialidades, ou NISAs, ou UBS; • Fonoaudiólogos de cinco serviços visitados afirmaram ter demanda reprimida; • Os materiais específicos para o atendimento fonoaudiológico são adquiridos e doados pelos próprios profissionais, na maior parte das vezes, e alguns se beneficiaram da concessão para os NISAs; • Há atendimento de casos que não correspondem às atribuições do NIR, como distúrbio de leitura/escrita, fala, voz, atrasos de linguagem, gagueira e motricidade orofacial; • A maioria dos fonoaudiólogos não foi contratada para atuar nestes Núcleos; concluiu. Por isso mesmo, o Conselho ela borou documento para relatar as constatações encontradas. “Vamos fazer nossa parte, ou seja, entregar o relatório detalhado de cada unidade e ver a devolutiva disso”, conta a fiscal Luciane. O Conselho cumpriu sua função primordial. “Foi um evento importante”, analisa Cibele Siqueira. Segundo ela, merece destaque o fato de o CRFa. 2a Região/SP tornar públicos os dados coletados durante a fiscalização e, desta forma, colaborar para o Controle Social, mecanismo previsto na Federal Lei no 8.142/90. “Ele foi criado para viabilizar a participação de vários segmentos no processo de definição, implementação e gestão das políticas públicas, para que estas possam ir ao encontro Unidades Básicas de Saúde (UBSs) • O número de UBSs que contam com fonoaudiólogo é inferior a 10% do total de unidades; • Há fonoaudiólogos lotados nas UBSs que atuam simultaneamente no NIR ou NISA; • 50% das UBSs apresentam demanda reprimida, não controlada pelo serviço, mas pelo próprio profissional, e não há critérios para priorizar o atendimento; • Os materiais específicos para o atendimento fonoaudiológico são adquiridos e doados pelos próprios profissionais, na maior parte das vezes; • A maior parte dos serviços possui salas ruidosas, com ventilação deficiente, algumas sem pia, outras sem sala de espera e com mobiliário em mau estado de conservação. dos anseios da coletividade e garantam os princípios do SUS”, explica. Para Cristina Biz, todo esse proces so criou um espaço importante de dis cussão, no qual as partes envolvidas no processo regulatório da assistência, em conjunto com o gestor público, puderam abordar a reabilitação fonoaudiológica no município de São Paulo. “Considero um passo importante para a assistência fonoaudiológica ser pauta das discussões, pois demonstra a relevância de sua inserção no sistema de saúde e políticas públicas”, avalia a fonoaudióloga. Segundo a presidente da Comissão de Legislação e Normas, a categoria e o usuário ganham muito com esse trabalho de fiscalização. “O Conselho cumpre sua função ao res- guardar a categoria e assegurar o acesso da população à assistência de qualidade”, frisa Cristina Biz. Ela lembra que os serviços fiscalizados são os que hoje possuem atendimento fonoaudiológico e que é imprescindível ressaltar a importância da ampliação da assistência em outros serviços, como os voltados à mulher ou ao idoso. “A população deve ter garantida a assistência em todos os segmentos”, preconiza. “Este trabalho em parceria da fiscalização, do legislativo, do executivo e do controle social é o que de fato possibilita e garante o acesso e a qualidade da assistência ofertada. Esperamos que ele tenha continuidade e que produza desdobramentos efetivos”, conclui Cristina Biz. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 9 do F onoaudiólogo Foto: Neusa Nakahara D ia Na abertura da cerimônia, os presentes ouviram o Hino Nacional; a deputada Maria Lúcia Prandi foi a primeira a falar na mesa composta também pelas fonoaudiólogas Cecília Bonini, pela SBFa., Maria Angelina Martinez, pela ABA, Isabel Gonçalves, pelo CRFa., e Cláudia Taccolini, pelo CFFa. Noite de homenagens marca o Dia do Fonoaudiólogo Profissão foi celebrada em cerimônia na Assembleia Legislativa E m um evento que já se tornou tradição da categoria, o Dia do Fonoaudiólogo foi celebrado na noite de 9 de dezembro no Auditório Franco Montoro, na Assembleia Legislativa. A união dos profissionais, o trabalho conjunto pela saúde da população e a importância da Fonoaudiologia para a sociedade moderna marcaram o tom das falas, muitas vezes emocionadas, dos convidados. A deputada estadual Maria Lúcia Prandi, que convidou a categoria à casa, abriu a cerimônia. “É uma alegria poder comemorar mais uma vez essa data na Assembleia Legislativa”, comentou. Ela disse que a categoria tem recebido mais atenção da sociedade moderna, mas que ainda falta ao Poder Público dar maior importância à Fonoaudiologia. A deputada lembrou-se da lei que levou à Assembleia sobre a Saúde Vocal do Professor. Mesmo depois de aprovada, a lei ainda não entrou em vigor, pois foi vetada pelo Governador José Serra. O caso, agora, está na Justiça. Maria Lúcia também comentou sobre moção favorável ao Projeto de Lei que tramita no 10 Congresso Federal pela jornada de 30 horas semanais para o Fonoaudiólogo. Isabel Gonçalves, presidente do Con selho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/SP, tomou a palavra em seguida e parabenizou todos os fonoaudiólogos presentes. “Hoje, é dia de comemoração, mas, sobretudo, de agradecimentos”, disse ela. “Agradecimentos a todos os fonoaudiólogos, instituições, entidades e parceiros que contribuíram com o trabalho deste colegiado em prol da Fonoaudiologia”, continuou (leia a íntegra do discurso na página 12). Cláudia Taccolini, conselheira do CFFa., representou a presidente da autarquia, Leila Nagib, e comentou o quão gratificante tem sido atuar no Conselho Federal e sobre as perspectivas animadoras para a profissão. “Conseguimos colher vários frutos”, contou. E ressaltou duas importantes conquistas obtidas em 2009: os Núcleos de Apoio à Saúde da Família, onde os fonoaudiólogos estão incluídos, que vieram reforçar o trabalho na Atenção Primária; e o fato de a Fonoaudiologia ser a profissão mais requisitada pela Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 população na consulta pública realizada pela Agência Nacional de Saúde (leia mais sobre este tema na página 29). Maria Angelina Nardi Martinez, vi ce-presidente da Academia Brasileira de Audiologia e representante da entidade na cerimônia, mencionou seu orgulho de ser fonoaudióloga. “Parabéns para todos nós”, disse. Maria Angelina falou da importância da abertura dos fonoaudiólogos para a comunidade. “A Fonoaudiologia esteve muito presa em si mesma, mas cada vez mais assume seu papel de profissional da coletividade”, ressaltou ela. “Este é um caminho muito saudável para a profissão”, continuou. “Estamos no século da comunicação e a profissão que trabalha a comunicação tem que ocupar seu espaço”, finalizou. Maria Cecília Bonini Trenche representou a presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Fernanda Dreux Miranda Fernandes. Ela também falou sobre a importância da ação conjunta. “Uma pessoa pode ter uma ideia muito boa, mas ela se torna muito melhor quando é pensada por um gru- Delegacias também celebram a data A palestrante Andrea Cintra Lopes e a delegada Fabiana Martins Barreiros, de Marília po de pessoas”, afirmou. Para Cecília, o fonoaudiólogo tem um papel muito importante para a sociedade. “Eu diria que existe, no Brasil, um descaso muito grande com relação a um conjunto de problemas, que são negligenciados, e a Fonoaudiologia pode ajudar”, alertou. “Nossa sociedade não privilegia alguns aspectos importantes, como a comunicação e os fonoaudiólogos têm muito a contribuir. É uma profissão que humaniza”, concluiu. Uma história especial A cerimônia de comemoração também teve um momento para homenagear profissionais que contribuíram, e contribuem, para o aprimoramento da Fonoaudiologia. A grande homenageada da noite foi a fonoaudióloga Beatriz Padovan. “Estou muito honrada por ter sido convidada. Espero continuar com todos os fonoaudiólogos”, agradeceu. Beatriz é importância de saber avaliar o serviço e reconhecer onde estão as necessidades de investimento para um controle de qualidade que deve ser permanente. A Delegacia de Marília abrange cerca de 200 municípios, somando em torno de mil fonoaudiólogos. No encontro, estavam presentes profissionais de Marília e de cidades próximas. Os presentes aprenderam a aplicar questionários junto aos pacientes, que podem e devem participar desse processo de aprimoramento do serviço. Entre os temas questionados, estavam nível de satisfação, tempo de espera por consulta e para conseguir aparelho de audição. A Delegacia de Ribeirão Preto comemorou a data com um café da manhã oferecido aos fonoaudiólogos da região, no dia 12. O evento contou com a apresentação do Coral da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), sob a regência da Fonoaudióloga Cristina Angeloti, e com uma conversa descontraída sobre o mercado de trabalho e a atuação profissional com Ruxdi Saleh, consultor de carreira da Corporate RH. Também foram realizados sorteios de brindes. As fonoaudiólogas homenageadas pela Delegacia da Baixada Santista Em Santos, a cerimônia de comemoração foi realizada no dia 7, no auditório da Associação dos Cirurgiões Dentistas de Santos e São Vivente. Este ano, a Delegacia homenageou os profissionais da região que atuam há mais de trinta anos na área, com dedicação e trabalho em favor da comunidade e da Fonoaudiologia. O evento foi cercado de muita emoção, num encontro de profissionais, amigos e familiares. Após a cerimônia, todos brindaram com os fonoaudiólogos homenageados, num clima de muita alegria e confraternização. Foto: Neusa Nakahara Fotos: Divulgação A Delegacia Regional de Marília antecipou a data da festa e promoveu um encontro de profissionais no dia 3 de dezembro. O Happy Hour teve, além do caráter comemorativo, a intenção de reunir representantes da categoria para discutir formas de melhorar a qualidade do serviço prestado. “Indicadores e Proposta de Avaliação da Qualidade dos Serviços em Fonoaudiologia” foi o título da palestra proferida pela Dra. Andrea Cintra Lopes, da Universidade de São Paulo, Campus de Bauru. Ela salientou a a profissional em atividade com mais tempo de vida. Formou-se em 1970 e tem o diploma número 1 do Curso da Unifesp. Ela não começou sua vida profissional como fonoaudióloga. Era professora de uma escola da metodologia Waldorf e muito interessada pelos casos dos alunos que apresentavam dificuldaCristina Biz entrega a homenagem a Cibele Siqueira des de aprendizagem. Quando ficou sabendo que um deles havia sido todo segue reconhecido internacionaldiagnosticado com dislexia, mudou de mente e, aos 82 anos, Beatriz continua profissão. “Queria aprender mais e fui ministrando cursos no Brasil e em dipara a faculdade”, conta. Aos 43 anos, versos países da Europa. formou-se e dois anos depois, em 1972, Sua primeira viagem profissional foi criava o revolucionário método Pado- em 1974. Decidiu aprender na França, na van. “Na época, fui muito criticada pela Suíça e na Inglaterra, mas teve uma surFonoaudiologia”, lembra. Hoje, o mé- presa. “Tive dois sentimentos fortes na- Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 83 • out/nov/dez • 2009 11 D ia do F onoaudiólogo Uma noite de agradecimentos Foto: Neusa Nakahara Leia a íntegra do discurso proferido pela presidente do 8º Colegiado do CRFa 2ª Região/SP na cerimônia realizada na Assembleia Legislativa: “Boa noite, deputada Maria Lucia Prandi e demais integrantes da mesa, colegas fonoaudiólogos, parentes e amigos aqui presentes, que prestigiam nesta noite esta sessão comemorativa ao dia do Fonoaudiólogo. Gostaria de agradecer em nome do 8º Colegiado a gentileza da deputada Maria Lucia Prandi em nos oferecer sua casa para esta solenidade. Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar todos os fonoaudiólogos presentes. É dia de comemoração, mas, sobretudo, de agradecimentos. Agradecimentos a todos os fonoaudiólogos, instituições, entidades e parceiros que 12 contribuíram com o trabalho deste colegiado em prol da Fonoaudiologia. Essas parcerias resultaram na publicação de consultas, recomendações e pareceres, na realização de fóruns e reuniões ampliadas, na criação de grupos de trabalho, na atuação em instâncias de controle social, na interface multidisciplinar e multiprofissional, além de importantes ações que subsidiaram os poderes legislativo e executivo no acompanhamento do trâmite de projetos de lei e na realização de audiências públicas. Este é o papel do Conselho Regional de Fonoaudiologia, que trabalha para a valorização e reconhecimento da Fonoaudiologia, e que deve ser o compromisso de cada fonoaudiólogo.” Isabel Gonçalves atua na ABA, na PUC-SP e na Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos de Sorocaba (Apadas). Maria Cecília Bonini Trenche também foi homenageada e ressaltou o carinho que o evento representa. Ela dedicou a homenagem aos parceiros de trabalho. “Tudo o que faço é coletivamente, com gente que acredita nessa profissão Luciane Gozzoli recebe a homenagem de Isabel Gonçalves e tem compromisso”, ressaltou. “Tive a oportunidade de quela viagem: decepção e alegria. Decep- estar em alguns lugares defendendo a ção porque esperava encontrar uma coi- Fonoaudiologia e tenho certeza da imsa melhor que aqui, e alegria ao ver que portância da área”. nós não estávamos atrasados”, conta. A Sandra Vieira, conselheira do CFFa., partir daquela viagem, Beatriz continuou foi a quarta homenageada da noite. Por voltando à Europa, mas para dar aulas. causa de um compromisso previamente Beatriz não foi a única homenageada assumido e que não pôde desmarcar, foi da noite. Maria Angelina Nardi Martinez representada pela também conselheira teve seu trabalho reconhecido. “Foi uma Cláudia Taccolini. Cláudia leu a todos surpresa muito grande para mim e fico uma mensagem enviada por Sandra, na muito feliz”, agradeceu. “Se fiz algo, é qual agradeceu a homenagem e ressalporque existe um grupo coeso que tra- tou a benéfica parceria entre o CFFa. e o balha junto comigo. Sou só uma repre- 8o Colegiado do CRFa. 2a Região/SP na sentante do grupo que trabalha pela Au- discussão e aprovação de vários docudiologia”, comentou. Angelina citou es- mentos em prol do aprimoramento da pecialmente os profissionais com quem atuação fonoaudiológica. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 Patrocínio O CRFa. 2ª Região/SP agradece as empresas que, com seu patrocínio, tornaram possíveis as comemorações do Dia do Fonoaudiólogo: • Audibel • Barolli • Bernafon - Aparelhos Auditivos • Centro Auditivo Frevaza • CEV • Corporate RH • Fundação Educacional de Fernandópolis • GN Resound • Livraria Book Toy • Micro Som • Perfumes Mauá • Phonak • Plexus Editora • Pró-fono • Rubens Decorações • Siemens • Telex • Universidade de Franca • Widex Os integrantes do 8o Colegiado também destacaram o trabalho de alguns funcionários do Conselho cuja atuação tem sido primordial para a concretização das ações da autarquia. Luciane Gozzoli, analista de Fiscalização e Inspetoria, recebeu a homenagem em nome de todas as fiscais. Visivelmente surpresa e emocionada, agradeceu. “O Conselho precisa das fiscais fonoaudiólogas para que nossa categoria trabalhe cada vez mais dentro da ética”, lembrou. Além de Luciane, a fonoaudióloga assessora técnica do CRFa. 2a Região/ SP, Cibele Siqueira, teve seu trabalho destacado. “Aos 16 anos escolhi ser fo noaudióloga e tenho muito orgulho”, contou. “A profissão foi reconhecida legalmente em 1981, mas temos um longo caminho ainda”, continuou. “Obrigada pela confiança depositada em mim e dedico essa homenagem aos meus colegas de equipe”, concluiu. As comemorações não acabaram por aí. Na quinta-feira, dia 10, o CRFa. 2a Região/SP promoveu uma festa de Happy Hour no Bar Consagrado, no bairro do Itaim, na capital, onde os profissionais se encontraram para confraternizar e dançar ao som de música ao vivo. Homenagem aos Destaques da Fonoaudiologia Conheça mais sobre as profissionais que contribuem para o aprimoramento da profissão Maria Cecília Bonini Trenche O trabalho voltado à Saúde Coletiva destaca a atuação desta fonoaudióloga, que se dedica a atividades clínicas, de assessoria e acadêmicas. Cecília é mestre em Distúrbios da Comunicação, doutora em História e Filosofia da Educação e professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Fez parte da Comissão de Especialista do MEC (1998-2000) e da Comissão de Especialistas que elaborou as Diretrizes do Exame Nacional de Cursos (2002). Desenvolve pesquisas em linguagem, surdez, escrita, educação especial, formação profissional e saúde coletiva. Integra a Comissão de Ensino da SBFa. e representa a entidade no Fórum Nacional de Ensino das Profissões da Área da Saúde (FNEPAS). Beatriz Padovan Fonoaudióloga em atividade profissional com mais tempo de vida, Beatriz Padovan tem um importante papel na Fonoaudiologia. Beatriz desenvolveu o método Padovan de Reorganização Neurofuncional, reconhecido internacionalmente e tema de diversos estudos. O método parte do todo, ou seja, considera o paciente um ser holístico. Ele propõe uma abordagem corporal, na qual são trabalhados movimentos que fazem parte do processo natural de maturação do sistema nervoso central, seguida de um trabalho oral com base nas funções de respiração, sucção, mastigação e deglutição. Desenvolvido no começo dos anos 70, o método Padovan baseia-se no trabalho de Rudolf Steiner e de Temple Fay. Indicado para todas as idades, é utilizado por profissionais que tratam distúrbios neuromotores, da fala, de linguagem, de aprendizagem e em casos de atendimento em Motricidade Oral. Maria Angelina Nardi Martinez A importante e conhecida atuação na área de Audiologia destaca o trabalho desta fonoaudióloga. Doutora em Psicologia e Professora Associada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Maria Angelina é fundadora e diretora da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos de Sorocaba. É vicepresidente da Academia Brasileira de Audiologia, entidade que já presidiu. Pesquisadora da Universidade de São Paulo,é autora de vasto material publicado em livros e publicações especializadas. Suas atividades são voltadas à deficiência e à reabilitação auditivas, ao diagnóstico precoce, à linguagem e ao desenvolvimento cognitivo. Foto: Divulgação Fotos: Neusa Nakahara Este ano, os integrantes do Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/SP fizeram uma homenagem especial durante o evento comemorativo do Dia do Fonoaudiólogo. Os conselheiros do 8o Colegiado ressaltaram o trabalho de profissionais que muito têm beneficiado a profissão e que, nos últimos três anos participaram mais diretamente de ações promovidas pelo Conselho. Beatriz Padovan, Maria Angelina Nardi Martinez, Maria Cecília Bonini Trenche e Sandra Maria Vieira Tristão de Almeida são os Destaques de 2009. Sandra Maria Vieira Tristão de Almeida A intensa atuação junto aos órgãos de classe ressalta o trabalho desenvolvido por essa fonoaudióloga. Atualmente, Sandra vem representando o Estado de São Paulo junto à Diretoria do Conselho Federal de Fonoaudiologia. Presidente da autarquia entre abril de 2008 e abril de 2009, atualmente ela é diretora-tesoureira do CFFa, além de presidir as Comissões de Orientação e Fiscalização e de Leis e Normas e de integrar a Comissão de Saúde da entidade. Tem importante participação nos sistemas de referência e contra-referência da Rede de Atenção à Saúde Auditiva. É Coordenadora da Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 13 L inguagem Marília cria Centro de Atendimento Multidisciplinar Trabalho é voltado a crianças da rede municipal de ensino com dificuldade de aprendizado U Mas sentia que era pouco. “Num determinado momento, parei para refletir sobre a minha atuação e cheguei à conclusão de que a implantação de um Centro de Atendimento Multidisciplinar seria ideal para atender a essa demanda”, lembra a fonoaudióloga. “Reunir várias especialidades num só local facilitaria a vida dessas pessoas e com um número adequado de profissionais agilizaríamos o atendimento evitando que uma alteração primária, como uma troca de letras na fala, virasse Ao lado, integrantes da equipe do CAM, coordenada por Marília Seno (na frente, à esquerda); abaixo, reunião de diretoras da rede Minucipal na qual os casos atendidos são analisados e discutidos Fotos: Divulgação m trabalho coordenado por uma fonoaudióloga está fazendo a diferença na rede Municipal de Ensino de Marília. É o Centro de Atendimento Multidisciplinar (CAM), que oferece atendimento em fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, psicopedagogia e terapia ocupacional aos alunos da Rede que apresentam alterações física, emocional, cognitiva, sensorial ou lingüística que estejam prejudicando o processo de aprendizagem. Vinculado à Secretaria Municipal de Educação, o CAM está disponível para as 50 escolas da rede – berçários, EMEIs e EMEFs – onde estão matriculados cerca de 23 mil alunos entre 4 meses e 12 anos de idade. Fonoaudióloga da Secretaria Municipal de Educação desde 2001, Marília Piazzi Seno desenvolvia palestras e oficinas com pais e professores, acompanhava o desenvolvimento de alunos, realizava triagens e elaborava manuais. 14 Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 uma ‘bola de neve’ influenciando até na alfabetização dessas crianças”, continua a coordenadora do Centro. Foram três anos de batalha. Depois de buscar, e encontrar, apoio na Secretaria de Educação, na Câmara dos Vereadores e na prefeitura, Marília iniciou o trabalho no ano passado. Em seus primeiros três meses de funcionamento, o CAM recebeu mais de 300 encaminhamentos, sendo que 270 foram agendados para triagem e 130 alunos estão em processo terapêutico. “A nossa maior queixa é quanto ao ‘atraso’ na aprendizagem”, revela Marília. Na maior parte dos casos, a crianças de pré-escola apresentam problemas em questões como coordenação motora; dificuldades em conceitos como cores, formas, lateralidade, esquema corporal; problemas de interação ou atraso na aquisição e desenvolvimento da fala. No caso dos alunos da 1a à 4a série, as dificuldades estão diretamente ligadas à leitura e escrita. Alguns pacientes apresentam simples trocas de grafemas por apoio na oralidade (“b” por “p”, “d” por “t”, “v” por “f”) e outros, na 1a série, ainda fazem garatujas. As crianças são encaminhadas pelas escolas por meio de um protocolo específico. “A assistente social agenda a triagem para confirmarmos a necessidade do atendimento e, após discussão do caso, definimos as áreas de terapia. A profissional avalia o aluno e define a frequência e o tipo de atendimento (individual ou grupo) mais adequado”, explica. A equipe do CAM é composta por um auxiliar de escrita, um auxiliar de serviços, duas fonoaudiólogas, duas psicólogas, dois terapêutas ocupacionais, uma fisioterapeuta, uma assistente social, duas psicopedagogas e uma coordenadora. Grande parte dos pacientes recebe atendimentos em mais de uma área. Alguns casos, mais específicos, recebem estimulação de duas profissionais ao mesmo tempo. “Enquanto a terapeuta ocupacional trabalha questões da vida diária, a fonoaudióloga está junto estimulando a linguagem oral”, exemplifica a coordenadora. Toda segunda-feira o grupo se reúne para um planejamento do trabalho. Além disso, ao final do semestre, a equipe realiza uma reunião com todas as diretoras das escolas. “Na reunião que fizemos no último semestre, elas receberam um relatório de cada aluno em atendimento para anexar ao prontuário escolar e discutiram cada caso com as terapeutas”, lembra. A equipe do CAM também realiza o atendimento de alunos com diversas síndromes, como Down, Silver-Russeal, Asperger, Transtorno Invasivo do De- Incentivo à leitura: 63% dos participantes melhoraram desempenho escolar Osasco ganha Oficina de Palavras A grande demanda de crianças atendidas no Programa de Apoio à Saúde (PAS) em Fonoaudiologia e Psicologia com queixas de dificuldade no aprendizado fez com que a fonoaudióloga Giovana Domingos da Silva idealizasse e desenvolvesse um trabalho diferenciado em Osasco, na Grande São Paulo. Voluntária no Instituto Vivereh, ONG voltada à promoção do atendimento em diferentes áreas da saúde e da educação, ela criou o “Projeto Oficina de Palavras: um processo de construção nas práticas de leitura e da escrita”. O objetivo é promover a leitura e a escrita na emancipação das crianças entre sete e 12 anos que estudam em escolas públicas no município e não sabem ler nem escrever. Por meio de oficinas lúdicas, elaboradas e desenvolvidas por profissionais das áreas de Fonoaudiologia, Psicologia, Educação Física e Pedagogia, a Oficina de Palavras cumpre seus objetivos de estimular a leitura e a escrita para o desenvolvimento das crianças, fortalecendo seu desempenho escolar e social. Também incentiva as práticas de leitura e envolve crianças para iniciarem o hábito de leitura de forma que esta se torne agradável. O grupo também trabalha para envolver as escolas, comunidades e parceiros no desenvolvimento das ações de atendimento da criança, além de incluir os familiares na participação do processo. Inicialmente, o programa atende 192 crianças, divididas em dois turnos (manhã e tarde), por um período de 12 meses. O projeto foi contemplado pelo FUNCAD (Fundo Municipal da Criança e Adolescente) com recursos direcionados pela Arcelor Mittal do Brasil (ex- Belgo Mineira). No dia 20 de agosto, a ONG apresentou o projeto a diversas entidades. A conselheira Lílian Cristina Cotrim Ferraz representou o CRFa. 2ª Região na cerimônia. Durante o evento, foram apresentados os primeiros resultados do trabalho: houve melhora de 22% no aprendizado escolar, 22% no interesse pelas atividades escolares, 17% no comportamento, 16% no relacionamento interpessoal e 19% na leitura e escrita. Portanto, 63% tiveram dos participantes tiveram melhoria para o desenvolvimento escolar e 33% agregaram valores de comportamento com consequente melhoria escolar. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3609-6981 ou pelo e-mail: [email protected]. senvolvimento, suspeitos de esquizofrenia e psicoses entre outros, todos incluídos na Rede Regular de Ensino. “A implantação deste Centro foi fundamental para auxiliar os professores a lidarem com as dificuldades apresentadas”, avalia Marília. “Ninguém dispõe, sozinho, de conhecimento, recursos e estratégias para lidar com crianças com necessidades educacionais especiais”, reconhece. “O trabalho em conjunto é fundamental para que, enquanto equipe, possamos descobrir as especificidades de cada caso e obtermos avanços para esses alunos que, assim como cada um dos outros, são especiais”, conclui. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 15 E m D ia Qualidade científica marca 17o Congresso de Fonoaudiologia Além do evento nacional, foi realizado o primeiro encontro ibero-americano; integração entre SBFa. e Sistema de Conselhos também foi importante E tes de praticamente todo o País. Apenas dois estados não tiveram profissionais presentes – Tocantins e Acre. Cerca de 900 fonoaudiólogos participaram das oficinas. Este ano, o Congresso apresentou formato diferente. As palestras tiveram duração maior, de 40 minutos, e os coordenadores das mesas tiveram papel mais evidente nas discussões. Para a conselheira Carolina Fanaro Damato, presidente da Comissão de Divulgação do CRFa. 2a Região/SP, devem ser ressaltadas a qualidade científica do evento e a abordagem de questões que dizem respeito também ao mercado de trabalho. “Discussões que no Congresso de Campos do Jordão, no ano passado, foram propostas pelos Conselhos, neste ano faziam parte da grade científica da SBFa”, conta ela. É o caso do tema “Balizadores de tempo em Terapia Fonoaudiológica”, tratado na mesa redonda composta pelas fonoaudió- logas Beatriz Novaes, Débora Befi-Lopes, Irene Marchesan e Sandra Vieira. “É um grande avanço, pois a ciência e as pesquisas irão nortear essa discussão que, de certa forma, necessita da normatização do nosso órgão federal, o CFFa.”, explica. A fonoaudióloga Leila Nagib, presidente do Conselho Federal, concorda com a colega de São Paulo. “O debate teve o propósito de apresentar a construção de parâmetros de tempo de tratamento junto às discussões que têm avançado para o estabelecimento de critérios que permitam relacionar os diversos transtornos fonoaudiológicos com os parâmetros de curta, média e longa duração”, conta ela. “A essência da discussão final foi a de criar novas estratégias para seguirmos o rumo do tema”, diz. Outro destaque do Congresso, segunda Leila Nagib, foi a mesa “Impacto das normativas ministeriais na formação em Fonoaudiologia: Carga Horária Mínima e Lei de Danilson Ramos/ Liberdade de Expressão Assessoria ntre os dias 21 e 24 de outubro, Salvador hospedou o 17º Congresso Brasileiro e o 1º Congresso Ibero-Americano de Fonoaudiologia. Palestras, mesas-redondas, debates, oficinas e exposições científicas preencheram a programação elaborada para os 1.600 profissionais inscritos. “Esse Congresso foi, de novo, muito bem sucedido. Tivemos 70% mais inscrições que no ano passado”, avalia Fernanda Dreux M. Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, entidade organizadora do evento. “A qualidade científica ficou muito evidente, em todas as áreas, que foram muito bem representadas”, continua ela, que ressaltou a equidade reservada a todas as especialidades da Fonoaudiologia. Durante quatro dias, cerca de 230 palestrantes, sendo oito estrangeiros, expuseram seus trabalhos para uma audiência que lotou todas as salas com representan- Na Sala dos Conselhos, Sandra Maria Vieira mediou a mesa sobre Atuação do Fonoaudiólogo na Rede de Cuidados em Saúde, que teve a participação de Érika Pisaneschi e da médica Tânia Palacios 16 Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 O stand dos Conselhos: mais de 500 visitantes Estágio”, organizada em reunião da Comissão de Ensino da SBFa. com o CFFa. na presença de representantes dos conselhos regionais. “Apresentamos histórico dos dois temas e ouvimos em sessão aberta os fonoaudiólogos e suas experiências e sugestões para os novos rumos a serem seguidos, tanto no que se refere à carga horária mínima estabelecida pelo MEC para a formação em Fonoaudiologia de 3.200 horas como para a nova legislação (Lei nº 11.788) em vigor desde 25/09/2008, que estabelece a definição de novas regras para estágios no país”, conta Leila. A mesa teve a participação de Carla Gentile Matas e Márcia Keske-Soares, pela Comissão Permanente de Ensino da SBFa., Maria Teresa Cavalheiro e a própria Leila Nagib, pelo CFFa. Segundo Leila, há vários outros temas discutidos no evento que também merecem ser ressaltados. Entre eles, a mesa “Políticas e movimentos para mudança na formação em Fonoaudiologia”, que promoveu o debate sobre os programas que o Ministério da Saúde implementou em parceria com o da Educação e que objetivam a formação profissional para o Sistema Único de Saúde (SUS) e o tema “Estratégias para o fortalecimento da área da Fonoaudiologia no movimento promovido pelo Fórum Nacional de Ensino das Profissões da Área da Saúde”, que contou com as representantes da SBFa. no FNEPAs. Maria Cecília Bonini Trenche e Vera Lúcia Garcia. Intercâmbio Em paralelo ao Congresso Brasileiro, foi realizado, o 1º Congresso Ibero-Americano de Fonoaudiologia. O encontro foi importante para a troca de experiências entre os profissionais de diversos países. “Pudemos mostrar a qualidade da Fonoaudiologia brasileira e vimos que a língua não é uma barreira”, comenta Fernanda Dreux. O sucesso do intercâmbio confirmou a realização de novos encontros entre os profissionais ibero-americanos, nos mesmos moldes do que hoje já acontece com o Congresso Internacional de Fonoaudiologia, organizado a cada quatro anos concomitantemente com o encontro nacional. Para Carolina Fanaro, do CRFa. 2a Região/SP, as discussões contribuíram bastante, pois houve a possibilidade de conhecer a realidade da Fonoaudiologia em outros países, inclusive no que se refere ao mercado Leila Nagib, do CFFa.: integração com a SBFa. de trabalho. “Penso que há um ganho nesse aspecto, pois há a possibilidade de despertar discussões aqui no Brasil relacionadas ao tema a partir das experiências compartilhadas com os colegas de outros países”. acredita. Conselhos Além dos eventos científicos organizados pela SBFa, o Congresso contou com uma extensa programação na sala reservada ao Sistema dos Conselhos. Cerca de 500 profissionais compareceram ao stand reservado ao federal e aos regionais. “Apesar desse número de visitas e de participações no stand do Sistema dos Conselhos de Fonoaudiologia ter aumentado em relação ao ano passado, penso que ainda é pequeno o montante dentro do total de inscritos”, avalia a presidente do SBFa., Leila Nagib. Um dos principais destaques da sala foi a discussão sobre as Novas Especialidades. No debate mais procurado da sala, Leila, o conselheiro Charleston Palmeira, a presidente do CRFa. 1a Região, Cláudia Maria de Lima Graça, e a vice-presidente do CRFa. 6a Região, Carla Girodo, explicaram os no- vos títulos e responderam a questionamentos da plateia. “Fizemos um breve histórico da retomada do processo de construção das novas especialidades em Fonoaudiologia e mediamos o debate, apresentando também as bases de cada uma das propostas”, conta ela. Cláudia falou sobre Fonoaudiologia Escolar/Educacional, Carla tratou de Fonoaudiologia em Disfagia, Charleston abordou a Fonoaudiologia do Trabalho e Leila, a Fluência. Outros importantes debates promovidos pelos conselhos trataram sobre a inserção do profissional na rede de cuidados em saúde, integração, política de atenção básica e atenção especializada, saúde complementar, fortalecimento da profissão e atuação fonoaudiológica na escola. Leila destaca algumas discussões, como o “Papel do fonoaudiólogo na Rede de cuidados em Saúde: integrando as políticas de atenção básica e atenção especializada” e “Fortalecimento da Profissão de Fonoaudiólogo: integração entre Conselhos, Sindicatos e Associações”, mesa que teve a participação de representantes dos Conselhos Regionais e Sindicatos. “Esse debate tratou da Fonoaudiologia na visão e na prática de suas regiões dentro das políticas dos representantes da categoria fonoaudiológica e da profissão, de suas gestões diferenciadas e de suas estratégias legais, trazendo também a maior necessidade de participação do fonoaudiólogo nesses espaços de discussão e de política”, comenta a presidente do CFFa.. Para Leila Nagib, entre os diversos pontos positivos do 17º Congresso Brasileiro de Fonoaudioilogia está o fortalecimento da relação entre a SBFa e o Sistema de Conselhos. “Há uma visível integração, cada vez mais estreita e ideal para a amplificação de todas as propostas científicas e políticas que se estabelecem na profissão Fonoaudiologia”, conclui. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 17 F ique por D entro Reabilitação em apneia e ronco: um espaço para o fonoaudiólogo Cresce a atuação do profissional da área no atendimento de pacientes com distúrbios do sono O prêmio conquistado por uma pesquisa realizada no Ambulatório Multidisciplinar de Medicina do Sono do Ambulatório Médico de Especialidades de Interlagos (Associação Congregação de Santa Catarina) no Congresso Europeu de Pneumologia da European Respiratory Society, em setembro, chamou a atenção para um tema importante e crescente na Fonoaudiologia: a atuação em reabilitação fonoaudiológica nos casos de Síndrome da Apneia e Hipoapneia Obstrutiva do Sono, a Sahos. Relativamente recente, o trabalho na área vem ganhando forma na última década. “A literatura relata que o interesse por tal doença intensificou-se a partir do final dos anos 70, porém nos últimos 10 anos vem crescendo o número de fonoaudiólogos atuantes e de publicações científicas nesta área, vislumbrando a contribuição da fonoterapia como uma das alternativas para o tratamento de pacientes com ronco e/ou com a Síndrome da Apneia e Hipoapneia Obstrutiva do Sono”, conta a fonoaudióloga do Instituto do Sono de São Paulo, Giovana Diaféria, Especialista em Voz e Motricidade Orofacial, Técnica em Polissonografia e Mestranda em Psicobiologia na área d a Medicina e Biologia do Sono pela Unifesp. Uma das mais importantes contribuições para a área veio depois da atuação pioneira da fonoaudióloga Kátia Carmello Guimarães, Especialista em Motri18 cidade Orofacial e Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de São Paulo. É dela o primeiro trabalho que confirma a eficácia do trabalho fonoaudiológico nesses casos. Tudo começou em Botucatu, onde vive, em 1998. “Fui voluntária na UNESP e durante minhas ‘andanças’ por lá, principalmente na área de anatomia de cabeça e pescoço, me apareceu o exame de polissonografia com pacientes reclamando de sufocação noturna e sensação de ‘bolo’ na garganta”, lembra a fonoaudióloga. “Ao ouvir essas queixas, pensei: se eu sou especialista em tecido mole de cabeça e pescoço, porque não tentar reabilitar esses pacientes? Daí, fui estudar apneia e os Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 distúrbios do sono. Imaginei uma técnica e deu certo, graças a Deus.” O estudo científico que comprova a eficácia da técnica foi publicado no ano passado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. A publicação, internacionalmente renomada, deu espaço ao tema também em seu editorial. “O trabalho da Kátia abre uma perspectiva enorme”, constata o pneumologista Prof. Dr. Geraldo Lorenzi Filho, Livre Docente da Faculdade de Medicina da USP e Diretor do Laboratório do Sono do InCor, HC-FMUSP, orientador da fonoaudióloga no doutorado demonstrado na publicação. “Mais trabalhos precisam ser feitos, mas esse é o potencial de uma nova grande especialidade dentro da fonoaudiologia”, acredita. O trabalho mostra o estudo randomizado com 31 pessoas que sofrem de Sahos moderada, entre 25 e 65 anos, realizado durante três meses. Do total, 15 pessoas, o grupo de controle, fizeram apenas uma parte da terapia - lavagem com soro e orientação de respiração e mastigação, mas sem muito detalhamento. As outras 16 pessoas fizeram 30 minutos diários de exercícios orofaríngeos (isotônicos e isométricos), que trabalharam língua, palato mole e a parede lateral da faringe. O grupo de controle não apresentou grandes mudanças, mas os indivíduos sujeitos à terapia apresentaram eliminação do ronco, redução da sonolência diurna e melhora na qualidade do sono. “Os pacientes apresenta- Foto: Arquivo Pessoal ram melhora de 62,5% no Índice de Apneia e Hipoapneia (IAH) e, em média, a melhora de 40% nos outros sintomas”, releva a pesquisadora. Os distúrbios de apneia do sono atingem boa parte da população. Estudo epidemiológico realizado pelo Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) analisou 1042 voluntários da cidade São Paulo, entre 20 e 80 anos de idade. Um terço (32,9%) da população da capital sofre do problema. “Além disso, em outros estudos, as estimativas mostram que a prevalência de ronco em adultos é de 40-60% e que 90-95% de pacientes com a Síndrome de Apneia e Hipoapneia Obstrutiva do Sono apresentam roncos”, conta a pneumologista Lia Bittencourt, do Instituto do Sono. “É comum encontrar Sahos entre pacientes que apresentam obesidade, acromegalia, hipertensão arterial, problemas cardíacos, diabetes e anormalidades craniofaciais”, continua. Para atender esses casos, as equipes médicas contam com o auxílio de uma fonoaudióloga. Antes de qualquer coisa, é necessária uma avaliação médica. “É importante Giovana Diaféria: fonoterapia em alta deixar claro que o diagnóstico de Sahos é feito pelo médico”, alerta a fonoaudióloga Carolina Fanaro Damato, integrante da equipe do Ambulatório Multidisciplinar de Medicina do Sono do Ambulatório Médico de Especialidades de Interlagos. “Depois, o fonoaudiólogo avalia quais as alterações de motricidade e funções orofaciais apresentadas pelo paciente, que podem estar colaborando com o agravamento do quadro”, explica. São justamente as técnicas de Motricidade Orofacial, aliadas ao conhecimento sobre distúrbios do sono e a musculatura de cabeça e pescoço, que irão ditar o atendimento. “O fonoaudiólogo vai trabalhar com exercícios para a adequação do tônus muscular, da mobilidade e postura dos órgãos fonoarticulatórios e das funções de respiração, mastigação e deglutição”, explica Carolina. “Geralmente, pacientes roncadores apresentam pouco espaço intra-oral e os exercícios miofuncionais orais têm por objetivo criar este espaço e fortalecer tal musculatura, para permitir que o fluxo aéreo não seja impedido pelas próprias estruturas intra-orais”, exemplifica a fonoaudióloga. O ronco pode ser um sinal de que o paciente sofre de apneia, mas não confirma o problema, pois para isso é necessária a realização de exame de polissonografia. A série de exercícios fonoaudiológicos usada para tratar o ronco e a apneia Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 19 Fotos: Arquivo Pessoal F ique P or D entro ram e voltam a reclamar de ronco. Assim, buscamos uma ação conjunta para tratar o fator obstrutivo, que pode ser a alteração muscular, a postura da língua ou até mesmo o fato de ela ser volumosa”, exemplifica a profissional. Mercado de trabalho Kátia Guimarães: trabalho pioneiro podem ser isométricos – que trabalham a tensão muscular – ou isotônicos – voltados à mobilidade. “Levando-se em consideração o fato de que alterações neuromusculares na faringe são fatores relacionados à fisiopatologia da Sahos, a atuação fonoaudiológica tem trazido benefícios aos pacientes com ronco primário e apneia, pois trata-se de um procedimento terapêutico simples, seguro, sem risco e não invasivo”, comenta Giovana, do Instituto do Sono. “Os exercícios tendem a aumentar a tensão muscular dos tecidos moles como língua, faringe e palato mole, que se encontram flácidos e com isso acarretam a obstrução da passagem do ar pela via aérea superior causando a suspensão da respiração durante o sono, ou seja, a apneia”, explica. Os exercícios não podem ser interrompidos. “Eles devem ser acoplados à atividade de vida diária para o resto da vida, como acontece com os outros tratamentos para apneia”, alerta a fonoaudióloga Kátia. Até o momento, a eficácia do atendimento foi comprovada nos casos moderados, mas considera-se que também pode auxiliar os pacientes com quadros mais leves. Além de trabalhar adultos, a reabilitação fonoaudiológica também pode ajudar crianças. “Elas têm menos tendências, mas há fatores obstrutivos como amígdalas ou adenóide grande, ou cornetos inchados que atrapalham a passagem do ar”, lembra a fonoaudióloga Sílvia Fernandes Hitos, que atua em otorrinopediatria no Centro do Respirador Bucal da Unifesp. “Há crianças que ope20 A atuação com os pacientes, sejam eles crianças ou adultos, abre um importante campo de atuação fonoaudiológica. “Se você tem um problema de ronco ou de apneia, que pode ter causas musculares e precisa ser trabalhado, você tem de ter um fonoaudiólogo na equipe”, afirma Silvia. A opinião é compartilhada por muitos médicos. “Devido ao fato da Sahos ser uma doença multifatorial, onde se acredita que ocorra uma hipotonia muscular ao nível de faringe, levando ao estreitamento e ao colapso da via aérea superior, acredita-se que exercícios que tonifiquem essa região tragam algum beneficio a esse grupo de pacientes”, explica Fernanda Martinho, otorrinolaringologista do Instituto do Sono. “Também sabemos que muitos pacientes com Sahos são respiradores bucais e a fonoterapia também poderia ajudar nesse sentido”, continua. O pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, do Incor, concorda com a colega e vai além. “A fonoaudióloga tem que passar a trabalhar em todos os centros que trabalham com Medicina do Sono. Tudo isso é novo e existe muito a ser divulgado”, afirma. A divulgação no meio médico também é defendida pelo otorrinolaringologista Agnaldo Carlesse, responsável pela equipe do Ambulatório de Rondo e Apneia do Ambulatório Médico de Especialidades de Interlagos: “Ainda não é comum o encaminhamento desses pacientes para a Fonoaudiologia. É necessário haver mais divulgação e uma melhor capacitação dos profissionais, baseada em pesquisa e evidências”. Seja qual for a causa dos diagnósticos de ronco ou de apneia, a presença de uma equipe multidisciplinar – que inclua médicos de várias especialidades, fonoaudiólogos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas – é crucial para o sucesso do trata- Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 Carolina Fanaro: prêmio em Viena mento. “Eu entendo que a Medicina só consegue evoluir com uma boa equipe multidisciplinar. Em se tratando de uma patologia que envolve a área de atuação fonoaudiológica, há uma resolução mais eficaz no tratamento com a participação de um fonoaudiólogo”, explica o otorrinolaringologista. E foi justamente esse trabalho multidisciplinar que permitiu à equipe de Carlesse receber o prêmio em Viena. O grupo foi reconhecido pelo trabalho intitulado Perda de massa óssea e risco de fraturas em pacientes com apneia do sono de ambos os sexos. Um exemplo de como a atuação conjunta de profissionais de várias áreas da saúde nos casos de Sahos pode contribuir com o desenvolvimento de novas pesquisas e tratamentos cada vez mais eficazes. Para saber mais n Para conhecer mais sobre o trabalho de doutorado da fonoaudióloga Kátia Carmello Guimarães, leia o American Journal os Respiratory and Critical Care Medicine, volume 179 de 2009. n Mais informações sobre o tema também podem ser encontradas nos trabalhos publicados pela equipe multidisciplinar do Instituto do Sono no site www.sono.org. br. Os trabalhos do grupo do Ambulatório de Especialidades Médicas de Interlagos estão no site www.ersnet.org. E leições Sucesso marca votação via internet Chapa Fono em Foco foi eleita para o triênio 2010/2013 A chapa Fono em Foco venceu as eleições disputadas em dezembro para a composição do 9º Colegiado do Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/ SP. Foram 4.627 votos recebidos, contra os 2.638 alcançados pela chapa Inovação. O grupo eleito assume o comando da autarquia no dia 1º de abril de 2010. Pela primeira vez, as eleições do Conselho foram realizadas pela internet. “Foi um sucesso”, analisou Fernando Barreira, diretor de engenharia da empresa The Perfect Link, contrata para dar consultoria e fazer toda a auditoria do processo eleitoral. “Por ser a primeira eleição via internet, eu imaginava que se obtivéssemos de 50% a 60% de participação da categoria já seríamos bem sucedidos. Mas chegamos a 80%, um resultado excelente”, comemorou. No total, 9.728 fonoaudiólogos estavam aptos a votar. Deste número, 80,76% (7.856 pessoas) participaram. “Os fonoaudiólogos estão bem informatizados”, constatou Barreira. Todos os itens considerados no processo eleitoral – desde o software elaborado para a votação, o provedor que hospedou o processo e a máquina utilizada na sede – passaram por detalhada auditoria. A segurança de todo o pleito foi item primordial, pois era fundamental precaver qualquer tipo de invasão – fosse para votar mais de uma vez ou até mesmo para inviabilizar e travar o processo – e assegurar que cada voto se mantivesse secreto. O programa instalado foi elaborado de tal forma que é possível saber quais fonoaudiólogos votaram, mas é impossível saber quem escolheram. Também foi garantida a capacidade de o sistema suportar o número de acessos esperados, tanto para trocar a senha como para votar. O sistema estava preparado até mesmo para suportar uma votação simultânea de todos os profissionais aptos. “Tudo foi minuciosamente analisado. Estabelecemos protocolos e fizemos testes significativos”, explicou Fernando. A empresa contratada para a auditoria tem extenso currículo na área do direito eletrônico e costuma realizar trabalhos Resultados Gerados Votos Brancos Fono em Foco Inovação Votos Nulos 384 4.627 2.638 207 A chapa vencedora Ana Camilla Bianchi Pizarro CRFa. 5808 Ana Leia Safro Berenstein CRFa. 3979 Andréa Cintra Lopes CRFa. 5766 Beatriz Ercolin CRFa. 14616 Fabiana Gonçalves Cipriano CRFa. 15477 Fabiana Regiani da Costa CRFa. 15354 Inayara Domenegheti de Carvalho CRFa. 14860 Irene Queiroz Marchesan CRFa. 152 Katia de Cássia Botasso CRFa. 6386 Kelly Cristiane D’Amelio Pedroso CRFa. 7001 Maria Cristina Alves Corazza CRFa. 4650 Maria do Carmo Redondo CRFa. 3482 Mariene Umeoka Hidaka CRFa. 5323 Monica Petit Madrid CRFa. 6324 Regina Buozzi CRFa. 1784 Silvia Tavares de Oliveira CRFa. 3861 Soraya Margall CRFa. 3837 Teresa Maria Momensohn dos Santos CRFa. 2305 Thais Raize CRFa. 14645 Thelma Costa CRFa. 4211 para bancos e escritórios especializados nos casos de crimes eletrônicos. Desde o início até o final, o processo eleitoral teve a coordenação da Comissão Eleitoral formada pelas fonoaudiólogas Anamy Vizeu, Cecília Albergaria, Daniele Tugumia, Márcia Regina da Silva, Marta Baptista e Suely Master. O grupo determinou as ações a serem executadas. O objetivo primordial, que balizou todas as decisões, foi o cumprimento do regulamento eleitoral. As fonoaudiólogas integrantes da Comissão realizaram reuniões periódicas entre si e com todos os envolvidos no processo funcionários do CRFa. 2a Região/SP, representantes das chapas e o auditor. Elas analisaram cada etapa do processo eleitoral e determinaram procedimentos. O trabalho do grupo envolveu desde a publicação do edital para inscrição das chapas até a finalização do processo e proclamação do grupo vencedor. No dia 11 de dezembro, às 18h04, ou seja, menos de cinco minutos depois de encerrado o período de votação, a Incorp Technology, empresa responsável pelo processo, já divulgava os dados, oficialmente anunciados aos representantes das duas chapas pelas integrantes da Comissão Eleitoral às 18h40. Em janeiro, as fonoaudiólogas voltam ao trabalho para a análise das justificativas dos fonoaudiólogos que não votaram. O processo eleitoral foi elogiado por todos aqueles que tiveram participação direta. Entre eles, a fonoaudióloga Thelma Costa, uma das representantes da chapa vencedora, que acompanhou a apuração na sede do Conselho. “Foi tudo muito bom”, comentou ela, que também ressaltou a eficiência e competência dos funcionários do CRFa. 2a Região/SP que trabalharam na organização do pleito, a participação da Comissão Eleitoral e a postura idônea e respeitosa dos integrantes da chapa adversária. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 21 Fotos: Neusa Nakahara E ventos Evento reuniu mais de 260 pessoas que assistiram a palestras e conheceram mais de 60 trabalhos desenvolvidos por profissionais da área Primeira Mostra voltada à Fonoaudiologia na Atenção Básica Evento foi organizado pelo CRFa. 2ª Região/SP em parceria com o CFFa. e a PUC-SP P romovida pela parceria entre o Conselho Regional de Fonoaudiologia 2a Região/SP, o Conselho Federal e a PUC-SP, a “I Mostra de Fonoaudiologia na Atenção Básica do Estado de São Paulo”, realizada na manhã do dia 25 de novembro, mobilizou os profissionais da área e os interessados no tema. Fruto de uma deliberação no II Fórum: Inserção do Fonoaudiólogo no NASF, o evento contou com o apoio do Departamento de Saúde Coletiva da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, da Academia Brasileira de Audiologia e dos Cursos de Graduação em Fonoaudiologia das seguintes instituições: Centro Universitário São Camilo, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru/USP, Faculdade de Medici- 22 na da USP, PUC-Campinas, Universidade de Guarulhos e UNESP/Marília Mais de 260 pessoas estiveram no Campus da PUC-SP localizado em Perdizes, na capital, para conhecer as diversas experiências desenvolvidas por fonoaudiólogos. No total, 61 trabalhos de várias cidades do estado, como São Paulo, Santos, Mogi Mirim, Itu, Campinas, Bauru, Casa Branca, Itapecerica e Taboão da Serra, foram expostos ao público. Além de profissionais e alunos, representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo também estiveram presentes. Além de conhecer os trabalhos, os participantes puderam assistir às palestras que discutiram o tema. As fonoaudiólogas Dra. Sandra Vieira, da Secretaria Municipal de Saúde/SP- Atenção Bá- Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 sica/Área Técnica da Pessoa com Deficiência, e Dra. Edinalva Neves Nascimento, do Ministério da Saúde – Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde, falaram sobre a “Fonoaudiologia na Atenção Básica”. Por sua vez, o Dr. Chao Lung Wen, presidente do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde e membro da Comissão Permanente de Telessaúde do Ministério da Saúde, proferiu a palestra “Contribuições da Telessaúde para a atuação da Fonoaudiologia na Atenção Básica”. Na palestra “Análise das tendências e perspectivas da atuação da Fonoaudiologia na Atenção Básica”, as fonoaudiólogas Dra. Andréa Bonamigo e Dra. Ana Claudia Fiorini fizeram uma análise dos trabalhos incritos e apresentaram um panorama sob a perspectiva da Formação e Serviço. Voltado a profissionais da área e estudantes de graduação, a Mostra teve como principal objetivo divulgar e debater a atuação fonoaudiológica na Atenção Básica. Outra proposta importante foi possibilitar aos gestores e pesquisadores mapear essas experiências e analisar as propostas e tendências de atuação nesse nível de atenção à saúde. “Foi um sucesso. As pessoas avaliariam que foi uma troca rica de experiências, pois puderam ser identificados avanços no campo da promoção da saúde e do trabalho em interdisciplinaridade, intersetorialidade e inclusão social”, comemora Maria Cecília Bonini Trenche, professora titular e coordenadora do Curso de Fonoaudiologia PUCSP, uma das organizadoras do evento. “O fato de termos proposto uma apresentação de poster dialogada possibilitou discussão produtiva, trocas, contato com a diversidade. Também foi ressaltada a qualidade dos trabalhos apresentados e o fato de a Fonoaudiologia estar alinhada às Política Públicas”, completa. O tema da Mostra, muito atual, nasceu dos dois Fóruns organizados pelo CRFa. 2a Região/SP para discutir a inserção do fonoaudiólogo nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs). Durante o segundo fórum, foi decidida a constituição de um Grupo de Trabalho de Atenção Básica, que atuou na organização da Mostra para levantar dados sobre as experiências que vêm sendo realizadas e seus resultados. “A possibilidade de troca de experiências entre os profissionais dos serviços na Atenção Básica, instituições formadoras, órgãos representativos da Classe Fonoaudiólogica e gestores já havia sido Cláudia Cassavia: troca de experiências entre profissionais, instituições e órgãos de classe identificada nos Fóruns NASF e a parceria entre estes atores se materializou na Mostra”, conta a presidente da Comissão de Saúde do CRFª, Claudia Pagotto Cassavia, integrante da Comissão organizadora da Mostra. “Espaços como este são solicitados pelos profissionais frequentemente em encontros e fóruns e foi gratificante testemunhar a resposta da categoria por meio do número de inscritos, quase 270 participantes e 61 trabalhos apresentados”, comenta. Profissionais que trabalham na Atenção Básica, docentes e estudantes das Instituições de Ensino Superior foram convidados a apresentar trabalhos que relatavam suas experiências. O material recebido foi resumido e organizado em anais gravados em CDs distribuídos ao público presente. “O objetivo da produção dos Anais da I Mostra Estadual, em conjunto com o CFFa, foi disponibilizar ao Fonoaudiólogo ferramentas que instrumentalizem sua prática e seu diálogo com o gestor local”, explica Claudia. O material entregue também incluiu um documento do CRFa. 2a Região/SP sobre a Atuação Fonoaudiológica nas Políticas Públicas, a Inserção do Fonaudiólogo no Programa Saúde da Família, além do Relatório dos Fóruns de Atuação Fonoaudiólogica nos NASFs. Realizado junto com o Seminário Interdisciplinar do Curso de Fonoaudiologia da PUC-SP, a Mostra, segundo Cecília Bonini, aproximou os estudantes das vivências dos profissionais, levando-os a conhecer e a identificar-se com a atuação junto à Atenção Básica. Outro destaque, avalia ela, foi a união de diversas entidades para organizar o evento. “Pudemos vivenciar uma experiência de rede social efetiva em torno de um objetivo. Isto é muito importante para a área e para a formação de novos profissionais. Estamos fazendo e mostrando o que defendemos - o diálogo, a convivência da diversidade, o movimento para mudar o que precisa ser mudado e o respeito pelo que vem se consolidando como produção da área”, conta. A Mostra teve tanta repercussão que já há solicitação por parte dos participantes para que sejam realizados eventos anuais, com duração maior, de um a dois dias. Conselho publica relatório referente a Fóruns Em maio e em agosto deste ano, o Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2ª Região/SP organizou, respectivamente, o I e o II Fórum: Inserção do Fonoaudiólogo no NASF. Conselheiros, especialistas, representantes de entidades e de universidades, além de profissionais que atuam nos núcleos, reuniram-se para discutir e trocar experiências. Os dois encontros tiveram como principal objetivo propiciar a reflexão da prática fonoaudiológica e chegar a um consenso entre os fonoaudiólogos sobre as diferentes formas de atuação nos Núcleos. Os dois encontros resultaram em um relatório que está disponível para consulta no site do CRFa. 2ª Região/ SP (www.fonosp.org.br). O material da Mostra também pode ser acessado pelo site. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 23 E ventos Santos recebe fonoaudiólogos do Serviço Público A inserção, a organização e o funcionamento dos serviços de Fonoaudiologia no estado foram analisados durante encontro O Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/ SP/Delegacia da Baixada Santista promoveu, no dia 27 de novembro, em Santos, litoral paulista, o XII Encontro dos Fonoaudiólogos do Serviço Público do Estado de São Paulo. O evento foi realizado no auditório do Centro Universitário Lusíada e ofereceu espaço para a reflexão e debate sobre a inserção, a organização e o funcionamento dos programas e políticas públicas em que a Fonoaudiologia está inserida nos municípios do Estado de São Paulo. Gratuito, o encontro contou com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Santos, da Divisão Regional de Saúde DRS-IV, do Conselho Federal de Fonoaudiologia e da Sabesp. De acordo com Maria Cristina Jabbur, delegada da Baixada Santista, cada encontro possibilita a construção de propostas significativas para melhorar o atendimento fonoaudiológico. “O fonoaudiólogo deve se capacitar sempre, valorizar seu trabalho e aprimorar seus conhecimentos”, comentou. Para ela, o encontro foi um sucesso e veio confirmar o interesse que a Fonoaudiologia tem em se envolver e contribuir com a melhoria das políticas públicas e a prestação de serviços. Representantes da capital e dos municípios de Carapicuíba, Barueri, Jandira, Cubatão, Guarujá, Santos, Guarulhos, Orlândia e Mogi Mirim estavam presentes. A programação foi dividida em quatro palestras, trabalhos em grupo e plenária final. Com o tema ‘Integralidade na Assistência à Saúde: A Organização 24 Fotos: Sérgio Moura Alca organizado pela Delegacia da Baixada Santista Cristina Biz, José Ricardo de Renz, Cristina Jabbur, Sandra Vieira e Heitor Oliveira na abertura do evento das Linhas de Cuidado’, a fonoaudióloga Dra. Érika Pisaneschi, coordenadora da Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (MS), fez uma explanação sobre os trabalhos, projetos e estruturas da saúde pública no Brasil e ressaltou a importância da emancipação social da pessoa com deficiência, haja vista a sua inclusão já ser uma realidade em muitas situações cotidianas. A especialista traçou um panorama sobre o Sistema Único de Saúde e explicou que por mais que o MS implante novos sistemas, as práticas só serão aplicadas à realidade se tiverem aceitação e participação dos municípios. Érika também abordou as diretrizes da Política Nacional de Saúde. Dentre elas, a promoção da qualidade de vida, a Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 prevenção de deficiências, a organização e o funcionamento dos serviços, a assistência integral à saúde e a atenção à pessoa com deficiência em todos os âmbitos da vida. “O ser humano deve ser tratado como um todo, para que assim tenha emancipação na sociedade”, alertou. Ela ainda reforçou o conceito de que os profissionais têm papel fundamental para o bom funcionamento das políticas públicas, pois são eles que transmitem a realidade a seus gestores. “O fonoaudiólogo precisa pensar no trabalho coletivo dentro da área pública e lembrar que o universo não é somente o consultório”, avisou. Os serviços de reabilitação não são isolados e há a necessidade de que os profissionais ligados a cada um façam uma interface. “A integração com as outras áreas é muito importante. Certa- mente ajudará na inclusão social e na emancipação das pessoas com deficiência que necessitam de atendimento”, concluiu. Serviços de Atendimento “Rede de Atenção à Saúde Auditiva: sistemas de referência e contra-referência” foi o tema da segunda palestra, ministrada pela coordenadora da Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria A delegada Cristina Jabbur e a aplestrante Érika Pisaneschi Municipal de Saúde de São Paulo e diretora tesoureira do Conselho Fe- nais têm que trabalhar com a Atenção deral de Fonoaudiologia, fonoaudióloga Básica, porém cada município deve deiSandra Vieira. xar claro ao Ministério da Saúde quais Sandra iniciou sua apresentação co- são as suas realidades e quais políticas mentando que a Política Nacional de devem ser adotadas dentro de seu esSaúde Auditiva preza pelo cuidado com paço”, explicou. a pessoa, o que demanda do profissional Segundo Cláudia, o vínculo do foo envolvimento em todo o processo do noaudiólogo com o SUS tem crescido a usuário: Atender, Acolher e Encaminhar. cada ano. Em 2007, por exemplo, eram Segundo ela, promover, orientar e aco- 8.180 profissionais vinculados. Em 2009, lher as famílias é papel do fonoaudiólo- o número chegou a 11.481. “Nossa cago. “Temos que integrar e identificar as tegoria está mais presente na Atenção necessidades de cada pessoa e de sua Especial, mas sabemos que podemos família e ajudar”, explicou. crescer ainda mais e ter maior participaA fonoaudióloga também fez uma ção na Atenção Básica”, completou. explanação sobre o funcionamento das redes de saúde auditiva no município de Conselhos A última palestra do dia foi minisSão Paulo e enfatizou que a integração com os profissionais e o repasse das trada pela fonoaudióloga Cláudia Casidéias e projetos para os gestores é de savia, presidente da Comissão de Saúsuma importância para o crescimento de do CRFa. 2a Região/SP. Em sua apresentação, Cláudia falou da assistência. sobre o tema “Ações dos Conselhos de Atenção Básica Fonoaudiologia-NASFs” e deu ênfase às Cláudia Taccolini, fonoaudióloga da propostas apresentadas pelo Conselho Prefeitura Municipal de São Paulo, da em busca de compreensão e esclareciÁrea Técnica da Pessoa com Deficiên- mento da atuação fonoaudiológica na cia, e presidente da Comissão de Saúde Atenção Básica, além de alertar sobre a do Conselho Federal de Fonoaudiologia, importância de se partilhar experiências trouxe à discussão o tema “Implantação e por em prática novas propostas. dos NASFs: Panorama Geral”. Logo no Cláudia Cassavia relembrou as atuainício de sua palestra, Cláudia reforçou ções e fóruns realizados pelo Conselho que a Política de Atenção Básica tem os a fim de esclarecer, refletir e orientar os princípios da universalidade, integralida- profissionais sobre a inserção do fonode, humanização e equidade, e que as audiólogo na Atenção Básica. Em 2004, equipes multiprofissionais acompanham o CRFa. 2a Região/SP publicou o docu um número definido de famílias com mento “Inserção do Fonoaudiólogo no área geográfica delimitada, a fim de pro- PSF”, fruto de discussões realizadas anmover a saúde, a prevenção e a resolu- teriormente. Cláudia também començão dos casos. tou que, em 2006, foi feita parceria com “Sabemos que todos os profissio- o Ministério da Saúde, a fim de acompa- nhar e fiscalizar a implantação da Política de Saúde Auditiva no estado. “A parceria rendeu bons frutos, pois possibilitou a observação da qualidade dos serviços e deu suporte para continuidade do trabalho”, afirmou. A presidente da Comissão de Saúde do CRFa. 2a Região/SP lembrou da realização, no ano passado, dos I e II Fórum: Inserção do Fonoaudiólogo no NASF e da I Mostra de Atenção Básica no Estado de São Paulo (leia mais sobre estes eventos nas páginas 22 e 23). Durante sua palestra, a conselheira comentou que cada município deve estruturar a saúde auditiva de acordo com suas necessidades e enfatizou a importância de levar essa realidade aos gestores, afirmando que essas atitudes geram mudanças positivas. “Precisamos trabalhar em equipe, levar sugestões e apresentar novas ideias sempre. Assim estamos caminhando para um futuro bem melhor”, finalizou. Debates Após o ciclo de palestras, os profissionais se dividiram em grupos para discutir, apontar e gerir novas propostas para os fonoaudiólogos que atuam na rede pública no Estado de São Paulo. Os pontos abordados pelos profissionais no XII Encontro compreendiam a coordenação técnica e interlocução da Fonoaudiologia, a reflexão da prática, apropriação do SUS e da epidemiologia, o diálogo entre os fonoaudiólogos sobre as linhas de cuidado, a união dos fonoaudiólogos nos serviços, a formação, a atualização profissional e educação continuada e permanente, a organização dos serviços, clareza das possibilidades de atuação, controle social e participação ativa como conselheiro. Para saber mais n Leia mais sobre os assuntos abordados no XII Encontro dos Fonoaudiólogos do Serviço Público do Estado de São Paulo no site www.fonosp.org.br. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 25 E ventos Conselho promove Fórum sobre atuação em Educação Na pauta dos especialistas, os diversos aspectos das Fotos: Divulgação competências dos fonoaudiólogos que atuam na área Profissionais, CRFa. e representantes da academia discutiram a Fonoaudiologia na Educação E m 14 de novembro, o Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a Região/SP, promoveu, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o Fórum “Atuação do Fonoaudiólogo na Educação”. O objetivo do encontro foi submeter à apreciação de profissionais da área o documento elaborado pelos integrantes do Grupo de Trabalho criado pela Comissão de Educação do Conselho em fevereiro deste ano, para discutir o tema e elaborar um texto orientador sobre a atuação no âmbito da Educação. Assim, integrantes do GT, representantes dos Conselhos Regional e Federal e da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, além de especialistas de várias cidades paulistas e até de fora do estado, discutiram neste dia as várias questões relacionadas às competências dos fonoaudiólogos na área da educação. Esse trabalho visa discutir o perfil e 26 as ações dos fonoaudiólogos que atuam na Educação. Deste modo, o GT buscou ampliar a discussão com a classe por meio da retomada de conceitos tratados nos documentos a serem reformulados, assim como ampliar outros necessários. “A discussão foi importante e produtiva. O fórum propiciou o exercício de uma interlocução entre os profissionais inscritos no CRFa. 2a Região e a gestão deste conselho, de modo a criar espaço de consulta, reflexão e encaminhamento de questões que balizam diferentes realidades: da academia, dos órgãos representativos e dos profissionais que atuam diretamente na área de Educação”, avalia a fonoaudióloga Márcia Matumoto, integrante do Grupo de Trabalho que colaborou com a Comissão de Educação do Conselho. Márcia trabalha junto à Secretaria de Educação do Município de São Bernardo do Campo. “Acredito que este Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 é um momento importante para a Fonoaudiologia no Brasil. Já nos consolidamos como profissão, como ciência com produção científica de qualidade e agora é a hora de nos organizamos como força política”, complementa Ana Luiza Navas, professora do Curso de Fonoaudiologia da Santa Casa e também integrante do GT. “Esta discussão sobre perfis de atuação em área tão estratégica como é a Educação no nosso país é um passo necessário para rever as políticas públicas relacionadas com o tema”, analisa. Para Márcia Matumoto, o debate é muito importante. “O fórum mostrou que o Conselho está aberto para participação e que conseguimos trazer no documento as questões mais polêmicas e importantes que circundam esta área de atuação”, comenta. “Isso é fundamental para co-responsabilidade pela tomada de decisão que envolve qualquer processo democrático, assim como para entendimento das tomadas de decisões que envolvem a instância do Conselho”, continua a especialista. Na abertura do fórum, Márcia apresentou a palestra “O cenário Atual do Fonoaudiólogo na Educação”, abrangendo alguns pontos discutidos no GT do CRFa. 2a Região. Ela traçou um breve histórico da área e abordou a legislação que promove a educação inclusiva. Definiu as principais ações do fonoaudiólogo nos serviços público e privado: a consultoria, análise institucional e de políticas públicas; a assessoria, papel formativo junto ao trabalho escolar como um todo e nas especificidades; e o gerenciamento, implementação e implantação de políticas públicas. A fonoaudióloga também comentou sobre a intersecção entre essas Interlocução entre saúde e educação também esteve na pauta debatida durante o Fórum funções no âmbito público e a separação entre elas quando se trata do universo da iniciativa privada. “A natureza das ações do fonoaudiólogo na educação tem procedimentos e especificidades que só cabem no âmbito educacional”, ressaltou. A revisão do conceito e da ação da educação especial também mereceu atenção da especialista. A inclusão de todos os alunos no ensino regular altera muita coisa. “Há uma mudança do paradigma de serviço e do entendimento de escola como lugar de aprender e não de tratar o aluno – o entendimento de atendimento na educação especial fica na política do AEE para os professores de educação especial”, disse ela, que deixou, ainda, duas questões para discussão: Como ressignificar a atuação do fonoaudiólogo neste contexto? Qual nosso papel em relação ao AEE? A busca por respostas para essas e outras questões balizaram as discussões do fórum, assim como foram apresentadas diversas sugestões. Entre elas, o pedido para que os Conselhos de Fonoaudio- logia atuem junto ao Ministério Público com o objetivo de garantir o cumprimento da legislação, que prevê direitos para as crianças e a inserção do fonoaudiólogo na educação. Durante toda a manhã, vários pontos foram abordados pelas profissionais, como alterações na Resolução CFFa. Nº 309 e no Parecer CRFa. 2a Região Nº 01/08, que abordam o tema, a criação da regulamentação da especialidade, a lotação do fonoaudiólogo junto ao Sistema Educacional e a atuação no ensino regular e na educação especial. A interlocução entre saúde e educação, foi outro ponto debatido. “Considerada profissão da área da Saúde, a Fonoaudiologia tem sua história marcada pela relação com a Educação. Por isso, é importante que o profissional saiba articular estes dois campos de conhecimento, considerandose o atual momento, em que os Ministérios da Saúde e Educação têm formulado políticas interministeriais para atender às necessidades dos dois setores, como por exemplo, o Programa de Saúde na Esco- la (PSE)”, alerta Maria Tereza Cavalheiro, conselheira do CFFa., que participou do encontro. Ela lembra que o Sistema dos Conselhos, em parceria com a SBFa., constituiu uma comissão para planejar oficinas de capacitação do fonoaudiólogo na área. “É fundamental a definição de diretrizes para esta atuação”, explica. As discussões ainda não terminaram. “Acho que precisamos retomar as questões que ficaram deste fórum, ampliar a participação dos profissionais, propor ações de apresentação de documentos para a classe se posicionar e, a partir deles, também ter uma ação formativa junto ao fonoaudiólogo, ampliando seu leque de possibilidades de ação na área”, entende Márcia. Para ela, é preciso que os profissionais reflitam sobre suas práticas, que devem ser revistas, ampliadas e realocadas pelo próprio contexto sócio-histórico e profissional. “É necessário criar alguma forma de controle sobre onde está e o que faz o fonoaudiólogo que atua na Educação, como o banco de dados do Conselho para os próximos cadastramentos, assim como o uso da Internet como meio de participação”, propõe. Para saber mais n As discussões propostas pelo GT e pelo fórum serão transformadas em documento que estará disponível a todos os profissionais. Para acompanhar esse trabalho e a legislação que trata do tema – Resolução CFFa. Nº 309 e Parecer CRFa. 2ª Região Nº 01/08 – acesse o site do Conselho: www.fonosp.org.br Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 27 M undo A cadêmico Interfaces Educação Especial e Fonoaudiologia: um estudo baseado na produção científica de dissertações e teses Dissertação defendida em fevereiro deste ano no Programa de pós-graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Suzelei Faria Bello A Fonoaudiologia e a Educação Especial estabelecem relações de proximidade por possuírem objetos de estudos semelhantes, além de que o trabalho integrado entre os profissionais maximiza possibilidades de crescimento para ambas as áreas de conhecimento. Nesta perspectiva, o objetivo geral proposto nesta pesquisa encontra-se em compreender como a Fonoaudiologia foi tomada como objeto de pesquisa na Educação Especial com base na análise da produção científica de dissertações e teses do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (PPGEEs/UFSCar). Para tanto, mapeou-se a produção científica em Educação Especial com interface em Fonoaudiologia e identificou os principais aspectos que favore- cem essa integração. A fonte de dados foram as dissertações e teses defendidas no PPGEEs/UFSCar no período de 1981 a 2005. Este Programa foi escolhido por ser o primeiro e único da área no país. Os procedimentos metodológicos para desenvolver a pesquisa envolveram os seguintes passos: a) revisão de literatura em Educação Especial e Fonoaudiologia; b) levantamento e coleta de dados das dissertações e teses em Educação Especial defendidas no PPGEES/UFSCar que possuam interface com a Fonoaudiologia; c) categorização e análise bibliométrica. Os resultados obtidos, por meio da análise bibliométrica, revelaram que de 342 trabalhos, 74 entre eles 65 dissertações e 9 teses, fazem referência à interface entre Educação Especial e a Fonoaudiologia; a deficiência auditiva foi a mais investigada; a temática focada nos trabalhos foi “Ensino-aprendizagem” e ao rea- São Paulo, Brasil 28 de Março a 1º de Abril 28 Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 lizar a análise quantitativa das referências utilizadas nos trabalhos que fazem corelação com a área de Fonoaudiologia observou-se que se encontraram indexados na Pro-fono: Revista de Atualiza ção Científica e no Journal of Speech and Hearing Disorders; os da área de Educação Especial na Revista Brasileira de Educação Especial. Enfim, este estudo caminhou na direção de valorizar a interdisciplinaridade existente entre estas áreas de conhecimento, apontou tendências e temas emergentes que podem favorecer a atuação conjunta desses profissionais. Além disso, a dissertação pretendeu contribuir para a construção de um processo salutar de reflexão e avaliação do conhecimento produzido em Educação Especial consolidado na produção científica de teses e dissertações e sua interface com a Fonoaudiologia. L ivros A Linguagem e o Desenvolvimento Infantil SBFa. lança novo Tratado Com formação em Fonoaudiologia e Educação, Jáima Pinheiro de Oliveira e Tania Moron Saes Braga são as organizadoras do livro Desenvolvimento infantil: Perspectivas de Atuação em Educação e Saúde, lançado com o objetivo de levar a alunos e profissionais das áreas de saúde e educação, bem como aos familiares/ cuidadores, os conteúdos essenciais que englobam as principais áreas do desenvolvimento infantil, com especial atenção para temas fonoaudiológicos. A publicação reúne textos que analisam diferentes aspectos do desenvolvimento infantil, com contribuições que se situam na interface entre a saúde e a educação e promovem a visão global do processo evolutivo. Assim, facilitam a compreensão do processo pelo qual passam as crianças e ressaltam os cuidados no sentido de vigiar e promover os principais elementos desse processo, como a linguagem. Desenvolvimento infantil: Perspectivas de Atuação em Educação e Saúde De Jáima Pinheiro de Oliveira e Tania Moron Saes Braga Fundepe Editora No dia 14 de dezembro, a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia lançou oficialmente na capital paulista, a segunda edição do Tratado de Fonoaudiologia. A publicação conta com nova organização dos capítulos, o que, segundo as organizadoras, possibilita melhor articulação dos conteúdos, além de refletir o desenvolvimento de algumas áreas. Dividida em Fundamentos para a Fonoaudiologia, Audição e Equilíbrio, Linguagem, Motricidade Orofacial, Saúde Coletiva e Voz, a nova edição do Tratado apresenta um perfil aprofundado e atualizado da Fonoaudiologia no Brasil e, da mesma forma que a primeira edição da obra, se firma como referência para profissionais, estudantes e professores. O Tratado é indicado como bibliografia básica em quase todos os concursos realizados no país e na maioria dos cursos de graduação em Fonoaudiologia. Tratado de Fonoaudiologia - 2ª Edição De Fernanda Dreux Miranda Fernandes, Beatriz Mendes e Ana Luiza Navas Editora Roca N otas População pede atendimento fonoaudiológico Entre os meses de setembro e outubro de 2009, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou uma Consulta Pública através do site do órgão sobre a revisão do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que estabelece a cobertura mínima obrigatória para todos os planos contratados após 1º de janeiro de 1999. Os Conselhos de Fonoaudiologia enviaram manifestação formal à ANS sobre a matéria e divulgaram a consulta, sensibilizando a categoria e os usuários sobre a importância da participação, como forma de garantir a assistência fonoaudiológica integral. Segundo a ANS, foram recebidas cerca de 8 mil sugestões, sendo que a metade delas foi enviada por consumidores. O levantamento da ANS dá conta de que, entre as solicitações de alteração de diretrizes de utilização, 70% estão relacionadas à ampliação do número de consultas de Fonoaudiologia. As sugestões obtidas através da consulta pública estão sendo avaliadas por técnicos do órgão. Conselho participa do EDUCASUS A vice presidente do Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2ª Região/SP, que também preside a Comissão de Legislação e Normas, fonoaudióloga Maria Cristina Pedro Biz, participou, no dia 9 de dezembro, do Projeto EDUCASUS, plano de trabalho de Educação Continuada na Área de Saúde promovido pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a Associação Paulista de Medicina, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e a Secretaria Estadual de Saúde. A conselheira falou sobre o tema “Um Retrato da Reabilitação Fonoaudiológica com base em dados do Município de São Paulo”, que tratou dos dados coletados no processo de fiscalização do CRFa. 2ª Região/SP (leia mais sobre e tema nas páginas 6 a 9). Para assistir à palestra, acesse http://www.fcmscsp.edu.br/ead/educasus. Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 29 N otas CRFa. presente na UNILUS A delegada regional da Baixada Santista, fonoaudióloga Maria Cristina Jabbur, esteve presente na Colação de Grau dos alunos do Curso de Fonoaudiologia da Fundação Lusíada, em Santos, realizada no dia 21 de dezembro. Na solenidade, entregou aos formandos as Carteiras Profissionais de Fonoaudiólogo e as Cédulas de Identidade Profissional, emitidas pelo Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2ª Região/SP. No mês de outubro, a delegada havia proferido palestra para os futuros profissionais com informações sobre legislação, Código de Ética e também sobre o papel do Conselho Regional. 30 Cristina Jabbur (no centro, de azul), formandas, professores e a coordenadora do curso, a fonoaudióloga Heline Machado. Fonoaudióloga é finalista no Empreendedor Social CFFa. publica recomendação sobre prontuários A fonoaudióloga Cláudia Cotes, presidente da ONG Vez da Voz, foi uma das oito finalistas do Prêmio Folha Empreendedor Social 2009, concedido pelo jornal Folha de São Paulo em parceria com a Fundação Schwab, da Suíça. No total, 271 empreendedores sociais de todo o país foram inscritos na quinta edição da premiação. A ONG tem como objetivo promover a inclusão social da pessoa com deficiência e um de seus trabalhos mais conhecidos é o Telelibras, telejornal semanal voltado à comunidade surda. Para saber mais sobre a ONG e acessar o jornal visite o site www.vezdavoz.com.br. Em 5 de dezembro, o Conselho Federal de Fonoaudiologia publicou a Recomendação Nº 10, que “Dispõe sobre o registro de procedimentos fonoaudiológicos em prontuários”. Logo no primeiro artigo, o documento explica que “todo atendimento fonoaudiológico deve ser registrado em prontuário, manuscrito ou informatizado, e guardado por um período mínimo de 10 (dez) anos, sendo disponibilizado ao Conselho Regional de Fonoaudiologia, quando solicitado”. A Recomendação do CFFa. especifica, ainda, as informações mínimas que devem ser relatadas no prontuário, de forma legível, e garante o acesso do cliente a estas informações. Para ler a íntegra do documento, acesse o site do CRFa. 2ª Região/SP (www.fonosp.org.br). Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 Interior celebra Dia de Atenção à Gagueira Várias cidades paulistas promoveram ações para marcar o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, em 22 de outubro. Em Pompéia, Fernanda Ferreira, fonoaudióloga da prefeitura, fez a primeira divulgação sobre gagueira da história da cidade. Ela distribuiu folders que mostram o que é a gagueira e quais as atitudes positivas e negativas tomadas perante as pessoas que gaguejam. O material foi entregue em postos de saúde, creches, escolas e na Divisão de Educação e Cultura do município. Em Botucatu, a campanha organizada por Delvania Sleiman foi divulgada na imprensa local. Também houve ação em duas escolas, com a orientação dos C artas Matérias de interesse Parabéns, esse jornal (ed. 83) está muito bom, com reportagens atuais e entrevistas excelentes. Traz matérias de interesse dos fonoaudiólogos e mostra o que está acontecendo no momento. Assim deve ser um jornal. Irene Marchesan professores e o envio de texto com dicas e orientações para os pais dos alunos. Já em Jundiaí, foi inaugurado o primeiro Grupo de Apoio da ABRA GAGUEIRA da cidade, sob coordenação de Luciana Andrea Contesini e Fernando Bracalente. A data, escolhida pela International Fluency Association (IFA - Associação Internacional de Fluência) e pela International Stuttering Association (ISA - Associação Internacional de Gagueira), foi criada em 1998. Desde o início, o Brasil participa das comemorações com diversas ações voltadas para pessoas que gaguejam, familiares, profissionais e população em geral. O CRFa. 2ª Região agradece a todos pelas mensagens de Boas Festas • ACF Águia de Haia • Augusto Imóveis • 3J Tecnologia • CRQ-IV • Strutura Informática • CRTR-5ª Região • Fonoaudiologista Padovan • Deleg. Reg. da Baixada Santista • S.A.B.E.R. • CNRE-3 • Deleg. Reg. de Ribeirão Preto • Contronic • Dr. Farhat • Advocacia Tucunduva • CRP-SP • Assc. Cruz Verde • Nube-Estágios • Microsom • Curso de Fonoaudiologia • Deleg. Reg. de Marília • Goas-Osasco • FCMSC-SP Eu leio a Revista da Fonoaudiologia “A Revista de Fonoaudiologia é de excelente qualidade técnica, contribuindo para a atualização permanente dos profissionais e para o debate sobre temas importantes para a saúde no Brasil. É leitura obrigatória para os fonoaudiólogos e profissionais de saúde.” Marco Antonio Manfredini, conselheiro do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo E xtravios Veja a lista de fonoaudiólogos que perderam carimbos e cédulas de identidade profissional. Carimbo Simone Maria Alves Maria..................... CRFa. 8169 Vivian Maris............................................ CRFa. 14.746 Niely Manoelle Leite de Melo................ CRFa. 15.888 Juliana Ferreira Bertozzi........................ CRFa. 17.254 Thais de Salles Chieregatti.................... CRFa. 16.043 Viviane do Prado Almeida..................... CRFa. 12.784 Elaine Ap. Proença Fernandes............. CRFa. 6.509 Cédula Luciana Galeno...................................... CRFa. 12.873 Andrea Bordoi Pini................................. CRFa. 7005 Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 84 • jan/fev/mar • 2010 31