Latin American Journal of Pharmacy (formerly Acta Farmacéutica Bonaerense) Lat. Am. J. Pharm. 29 (6): 941-7 (2010) Original Article Received: December 20, 2008 Accepted: January 26, 2010 Óleo Essencial de Thymus vulgaris: Elaboração de Enxaguatório Bucal e Avaliação do Efeito In Vitro na Formação da Placa Bacteriana Rodolfo I. SANTOS 1, Daniel F.A. PEREIRA 1, Guilherme R. TEODORO 1, Jose Orestes DEL CIAMPO 2, Mario S. OGASAWARA 2, Antonio C.V. CANETTIERI 1, Sonia KHOURI 1 & Marcos J. SALVADOR 3* Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), Laboratório de Microbiologia, Av. Shishima Hifumi, 2911 Urbanova São José dos Campos (SP), Brasil. 2 Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Departamento de Ciências Farmacêuticas, Via do Café, s/n, CEP 14040-903, Ribeirão Preto (SP), Brasil. 3 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto de Biologia, Curso de Farmácia, Caixa Postal 6109, CEP 13083-970, Campinas (SP), Brasil. 1 RESUMO. O objetivo deste estudo foi avaliar in vitro o efeito do óleo essencial de Thymus vulgaris (tomilho) puro ou incorporado em uma formulação farmacêutica de uso oral (enxaguatório bucal), frente ao Streptococcus mutans (ATCC 25175), determinando-se sua concentração inibitória mínima e o efeito na formação da placa bacteriana. A CIM obtida para o óleo essencial de tomilho foi de 100 μg/mL (1 %). Procedeu-se o desenvolvimento de enxaguatório bucal com efeito antiplaca contendo o óleo essencial comercial de tomilho. As análises da formação da placa bacteriana (ensaios microbiológicos, análise macroscópica de aderência e análises por MEV) confirmaram a eficácia destas novas formulações de enxaguatórios, sem álcool, contendo óleo essencial de T. vulgaris como agentes antiplaca bacteriana com possível emprego na odontologia preventiva. A caracterização química do óleo essencial bioativo foi realizada por CG-MS, verificando-se a presença de carvacrol, p-cimeno e α-pineno como constituintes majoritários. SUMMARY. “Essential Oil of Thymus vulgaris: Preparation of Pharmaceutical Mouthwash Formulation and In Vitro Evaluation of the Bacterial Plaque-Inhibiting Properties”. The aim of this study was to evaluate the in vitro effect of the essential oil of Thymus vulgaris (thyme) pure or incorporate in a alcohol-free pharmaceutical mouthwash formulation, against Streptococcus mutans (ATCC 25175), being determined the Minimal Inhibitory Concentration (MIC) and the effect in the bacterial plate formation. The MIC value obtained for the essential oil was 100 μg/mL (1 %). The mouthwash pharmaceutical formulation containing commercial essential oil of T. vulgaris was preparated. Microbiological and macroscopic analysis as well as analyses for MEV confirmed the effectiveness of this new alcohol-free mouthwash formulation containing essential oil of T. vulgaris as agent with plaqueinhibiting properties and possible application in the preventive dentistry. The chemical characterization of the bioactive essential oil was accomplished by CG-MS, being verified the presence of carvacrol, p-cimene and αpinene as major constituents. INTRODUÇÃO As substâncias naturais, produzidas pelas espécies vegetais, têm atraído pesquisadores de diversas áreas. Os produtos que mais se destacam são aqueles derivados do chamado “metabolismo secundário” vegetal, por sua importância terapêutica ou por sua toxicidade 1-4. Nos países industrializados, estima-se que 25 % dos medicamentos prescritos e registrados contem constituintes ativos derivados do reino vegetal (extratos, substâncias puras ou modificadas) 2,5. Óleos essenciais são misturas complexas de substâncias voláteis de baixo peso molecular oriundas do metabolismo secundário (monoterpenos, sesquiterpenos ou derivados dos fenilpropanóides) que apresentam odor forte e muitos óleos essenciais apresentam relato de atividade antimicrobiana contra um grande número de microrganismos incluindo espécies resistentes a antibióticos e antifúngicos 6-8. A composição química de óleos essenciais pode depender do clima, da estação do ano, condições geográficas, período de colheita e da técnica empregada na extração (maceração, destilação, dentre outras). Os óleos essenciais podem apresentar ação tanto contra bactérias Gram-positivas PALAVRAS-CHAVE: Atividade antiplaca bacteriana, Formulação de enxaguatório bucal, Tomilho, Thymus vulgaris. KEY WORDS: Alcohol-free mouthwash formulation, Bacterial plaque-inhibiting properties, Thyme, Thymus vulgaris. * Autor a quem correpondência deve ser enviada: E-mail: [email protected], [email protected] ISSN 0326-2383 941 SANTOS R.I., PEREIRA D.F.A., TEODORO G.R., DEL CIAMPO J.O., OGASAWARA M.S., CANETTIERI A.C.V., KHOURI S. & SALVADOR M.J. quanto Gram-negativas e ainda frente a leveduras e fungos filamentosos 9. O óleo essencial de Thymus vulgaris (tomilho) tem sido usado em fitoterápicos, em cosméticos e em indústrias de alimento. Na medicina ocidental, a aplicação principal está no tratamento de queixas digestivas, de problemas respiratórios e na prevenção e no tratamento de infecções. A atividade biológica do produto de tomilho esta relacionada a seus principais constituintes, timol, carvacrol, cimeno e pineno. Além disso, dado a presença de substâncias fenólicas, significativa atividade antioxidante tem sido relatada para o óleo essencial de tomilho 10,11. Martinez et al. 11 avaliaram a ação antimicrobiana de diferentes óleos essenciais, dentre os quais o óleo essencial de T. vulgaris. Neste trabalho o óleo essencial de tomilho apresentou ampla atividade antibacteriana sobre as cepas estudadas com halo médio de inibição de 20 mm. Até o presente momento não se encontrou relato da avaliação do efeito do óleo essencial de tomilho na dinâmica da formação da placa bacteriana, bem como o relato de enxaguatório bucal com atividade antiplaca contendo este óleo essencial como principal ativo em sua formulação. Produtos oriundos de plantas utilizados na prática odontológica têm mostrado resultados efetivos sobre o controle da formação da placa bacteriana, podendo interferir na síntese de polissacarídeos (dextrano), agindo nas enzimas que produzem estas substâncias ou sobre a estrutura dentária 12. O Streptococcus mutans é o principal organismo relacionado à formação da placa dentária e conseqüentemente no surgimento da cárie, devido a sua capacidade de adesão à estrutura dentária. Dependendo de fatores tais como a dieta e a remoção mecânica regular da placa, o tipo de microbiota predominante na cavidade bucal pode variar. Todavia, quando a remoção mecânica da placa é deficiente e a ingestão de carboidratos em geral é freqüente, ocorre uma seleção para certos organismos patogênicos e a placa se torna mais virulenta, podendo resultar tanto em lesões de tecido duro (cáries), quanto de tecido mole (doenças periodontais) 13. Portanto, o desenvolvimento de gengivites está relacionado com a formação de placa bacteriana, sendo necessário seu controle e prevenção na manutenção da saúde bucal. Neste sentido, muitos agentes químicos vêm sendo estudados, dentre eles os produtos naturais, como componentes tanto nos géis dentifrícios como nos enxaguatórios bucais, visando 942 um possível emprego como adjuvante na terapia das doenças periodônticas e na profilaxia de rotina 6,14-16. Os antimicrobianos dos anti-sépticos bucais rompem a parede celular e inibem a atividade da célula microbiana. Adicionalmente, previnem a agregação bacteriana e diminuem a multiplicação microbiana. Entre os compostos ativos mais utilizados em anti-sépticos bucais temos a clorexidina, cloreto de cetilpiridinio e triclosan, além de óleos essenciais. A clorexidina, um dos biocidas mais utilizados em formulações anti-sépticas, é uma biguanida catiônica que age principalmente sobre bactérias Gram-positivas, além de leveduras e dermatófitos, enquanto que o cloreto de cetilpiridinio age principalmente sobre bactérias Gram-positivas e leveduras. Entre os compostos fenólicos, o triclosan tem sido o mais utilizado em formulações para controle da placa bacteriana, apresentando ação principalmente contra bactérias Gram-positivas, no entanto, este ativo tem sido utilizado em associação a copolímeros, que aumentam seu espectro de ação sobre bactérias Gram-negativas e leveduras 16,17. O enxaguatório que apresenta o maior histórico de uso é composto por solução hidro-alcoólica dos óleos essenciais timol, mentol e eucaliptol. Embora sejam normalmente utilizados como flavorizantes, os óleos essenciais podem contribuir com a propriedade antimicrobiana do produto devido à presença de compostos fenólicos como seus principais constituintes, os quais agem principalmente sobre bactérias Gram-positivas e leveduras. Os produtos existentes são formulados empregando-se misturas de ativos e a maioria apresenta atividade biocida associada ao efeito antiplaca bacteriana. Grande parte dos produtos disponíveis no comercio empregam álcool como excipiente na formulação 16-18. No Brasil, os enxaguatórios bucais são categorizados como produtos de higiene pessoal e cosméticos, sendo as formulações que apresentam indicações específicas, como anti-sépticos, antiplaca e de uso infantil, classificadas como produtos de grau 2. Assim, no presente estudo, buscou-se avaliar a atividade antibacteriana do óleo essencial de T. vulgaris e o desenvolvimento de uma formulação farmacêutica antiplaca bacteriana para uso oral contendo óleo essencial comercial de tomilho como constituinte ativo, visando possível aplicação tanto no tratamento como na prevenção da cárie e de doenças periodontais. Latin American Journal of Pharmacy - 29 (6) - 2010 MATERIAL E MÉTODOS Óleo essencial e sua caracterização química por cromatografia gasosa (CG-MS) O óleo essencial de Thymus vulgaris (tomilho, TM) foi adquirido comercialmente da empresa Ferquima Indústria e Comércio Ltda., Brasil. Este óleo essencial foi submetido a caracterização química utilizando a cromatografia gasosa com detecção por espectrometria de massas (CG-MS), determinando-se a porcentagem dos constituintes majoritários presentes na amostra. Esta análise foi realizada seguindo metodologia e condições de analise como descrito por Stefanello et al. 19. Elaboração das formulações farmacêuticas para uso oral No desenvolvimento das formulações farmacêuticas para uso oral (enxaguatório bucal) contendo o óleo essencial de tomilho foram empregados os seguintes materiais: água destilada, glicerina, metilparabeno, óleo de mamona hidrogenado, cocoamidopropilbetaína, fosfato de sódio, fluoreto de sódio, corante, sacarina, polivinilpirrolidona e o óleo essencial comercial de T. vulgaris na concentração inibitória mínima e concentração sub-inibitória, seguindo metodologia descrita por Cordeiro et al. 20; Farmacopéia brasileira 21, com modificações. Foram preparadas também formulações controles (Branco) contendo todos os excipientes, exceto o óleo essencial ativo, sendo uma formulação controle contendo o conservante metilparabeno e outra sem o conservante metilparabeno (0,2 %). Microrganismo indicador Foi utilizada como microrganismo indicador a cepa padrão de Streptococcus mutans (ATCC 25175), mantida como cultura pura no Laboratório de Microbiologia da Universidade do Vale do Paraíba (São José dos Campos - SP, Brasil). Determinação da Concentração Mínima Inibitória (CIM) Para determinação da CIM utilizou-se a técnica do poço 22-24 empregando-se meios de cultura Tripsina de Soja (TSB) produzidas pela DIFCO®. Em placas de Petri de vidro com 15 cm de diâmetro, colocou-se 1mL do inóculo (0,5 da escala de Mc Farland, correspondendo à 3x108 UFC/mL), preparado em solução fisiológica a 0,9 % a partir de cultura fresca da cepa indicadora (24 h a 37 °C), e em seguida colocou-se o meio ágar Tripsina de soja a cerca de 40 °C. Após a gelificação do ágar, confeccionaram-se poços de 5mm de diâmetro. Uma alíquota de 20 µL das soluções teste e controles foram pipetados, individualmente, nos poços. O óleo essencial foi avaliado nas concentrações de 1/1, 1/2, 1/4, 1/8 e 1/16, tendo como diluente propilenoglicol/água destilada esterilizada (5:95, v/v). Como controle positivo utilizou-se Gluconato de Clorexidina a 0,12 % (Periogard®) e como controle negativo o diluente propilenoglicol/água destilada esterilizada (5:95). O tempo de pré-difusão foi de aproximadamente 5 horas dentro do fluxo laminar. Após a difusão das soluções no meio de cultura, as placas foram incubadas a 37 °C por 24/48 h. Dado o período de incubação, a leitura dos halos formados foi realizada em temos de diâmetro do halo de inibição em milímetros. Procedeu-se também a determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) do óleo essencial bioativo, empregando metodologia descrita pelo NCCLS 24. Todos os experimentos foram realizados pelo menos em duplicata. Avaliação da formação de placa bacteriana Foram utilizados cerca de 3 mL de caldo sacarosado, juntamente com uma bengala de vidro esterilizada (superfície sólida). Neste meio foi adicionado o inóculo da cepa padrão de S. mutans – ATCC 25175 de acordo com a turbidez 0,5 da escala de Mac Farland (correspondendo à 3x108 UFC/mL). Em seguida foi adicionado, separadamente, cerca de 1mL das amostras (óleos essências e formulações contendo o óleo essencial e formulações controle) e dos controles experimentais nos tubos de caldos sacarosados. Como controle negativo foi utilizada água destilada estéril e como controle positivo Clorexidina aquosa à 0,2 %. Sendo em seguida os tubos incubados em microaerofília a 37 ºC por 24 e 48 h. Os experimentos foram realizados, pelo menos, em duplicata. Após o período de incubação dos caldos sacarosados, os tubos foram agitados e cerca de 0,15 mL foram semeados em placas de ágar Sangue e incubadas nas mesmas condições acima descritas. Para verificação da ação bactericida ou bacteriostática, após 24 e 48 h de incubação foi avaliada a formação ou ausência de unidades formadoras de colônias por mL (UFC/mL) do caldo sacarosado. Avaliação da aderência em superfície sólida A avaliação da formação da placa bacteriana foi realizada visualmente (análise macroscópica), complementando a análise pela microscopia eletrônica de varredura (MEV). De modo que as bengalas de vidro, após período de incu943 SANTOS R.I., PEREIRA D.F.A., TEODORO G.R., DEL CIAMPO J.O., OGASAWARA M.S., CANETTIERI A.C.V., KHOURI S. & SALVADOR M.J. bação, foram cuidadosamente retiradas com alça de platina e colocadas em placas descartáveis estéreis, para avaliação qualitativa da ação antiplaca dos enxaguatórios. Procedendo a microscopia, as bengalas de vidro dos diferentes grupos foram colocadas em placa metálica para o banho eletrolítico de ouro em vacuolizadora DENTRON DESK II. Os corpos de prova foram analisados e fotodocumentados em microscópio eletrônico de varredura, JEOL modelo JSM – 5310, em aumento de 5000x. Estes experimentos foram realizados no Laboratório Associado de Sensores e Materiais (LAS/CTE) no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/São José dos Campos - SP, Brasil). Figura 1. Constituintes majoritários do óleo essencial RESULTADOS Os resultados da caracterização química do óleo bioativo estão apresentados na Figura 1, onde pode-se verificar a presença de carvacrol, m-cimeno e α-pimeno como constituintes majoritários. Empregando-se ensaios microbiológicos verificou-se que o óleo essencial de tomilho apresentou considerável atividade frente o S. mutans (ATCC 25175) com halos de inibição que variaram de 30 a 2 mm, respectivamente, entre a maior e menor concentração avaliado. A concentração inibitória mínima (CIM) obtida para este óleo essencial foi de 1 % (equivalente a 100 µg/mL). Como controle negativo empregou-se propilenoglicol/água deionizada esterilizada (5:95) para o qual não observou-se inibição do desenvolvimento microbiano, como controle positivo experimental utilizou-se Periogard® a 0,12 % que apresentou um halo de inibição frente ao S. mutans (ATCC 25175) de 22 mm. Procedeu-se o desenvolvimento de formulações de enxaguatório bucal contendo óleo de tomilho a 0,25 % (TM 0,25 %) e 1 % (TM 1 %) e formulações controle sem o óleo de tomilho, com e sem conservante, as quais foram submetidas à atividade antiplaca e antibacteriana (Tabela 1). No estudo para verificação da formação de placa constatou-se que na presença das duas de tomilho empregando a cromatografia gasosa (CG/MS). Avaliação Macroscópica da formação de placa (aderência) Avaliação Microscópica da formação de placa por MEV (aderência) Contagem de UFC/mL Interpretação frente ao microrganismo Formulação com conservante + óleo essencial TM 0,25% - + > 105 Viável Formulação com conservante + óleo essencial TM 1% - - 0 Bactericida - + 132 Bacteriostático - + > 105 Viável + + > 105 Viável - - 0 Bactericida Produtos Formulação Controle Branco com conservante Formulação Controle Branco sem conservante Controle negativo Água destilada esterilizada Controle positivo Clorexidina 0,05% Tabela 1. Avaliação do efeito na formação de placa bacteriana e da atividade antibacteriana da formulação de enxaguatório bucal contendo óleo essencial de Thymus vulgaris. -: ausência de aderência bacteriana; +: presença de aderência bacteriana. 944 Latin American Journal of Pharmacy - 29 (6) - 2010 Figura 2. Avaliação, macroscópica, do efeito na formação de placa bacteriana da formulação contendo óleo essencial de Thymus vulgaris (tomilho). A = controle negativo (água destilada esterilizada); B = controle positivo (Clorexidina aquosa a 0,2 %); C = Formulação do enxaguatório bucal Controle-Branco sem conservante; D = Formulação do enxaguatório bucal Controle-Branco com conservante; E = Formulação do enxaguatório bucal com óleo essencial de tomilho TM 0,25 %; F = Formulação do enxaguatório bucal com óleo essencial de tomilho TM 1 %. formulações contendo óleo de tomilho (TM 0,25 % e TM 1 %), não se observou macroscopicamente aderência de bactérias as bengalas de vidro, exceto para o controle negativo (Fig. 2, Tabela 1). Já na analise microscópica por microscopia eletrônica de varredura (MEV) a formulação com conservante + óleo essencial de tomilho a 1 % e o controle positivo clorexidina 0,05 % não foi possível verificar aderência de microrganismo na superfície sólida. As demais amostras analisadas já apresentaram aderência nas análises por MEV (Fig. 3, Tabela 1), DISCUSSÃO O interesse por agentes antibacterianos de origem natural tem aumentado com o propósito de combater doenças infecciosas mostrando que Figura 3. Avaliação, microscópica (MEV), do efeito na formação de placa bacteriana da formulação contendo óleo essencial de Thymus vulgaris (tomilho) por MEV. A = controle negativo (água destilada esterilizada); B = controle positivo (Clorexidina aquosa a 0,2 %); C = Formulação do enxaguatório bucal ControleBranco sem conservante; D = Formulação do enxaguatório bucal Controle-Branco com conservante; E = Formulação do enxaguatório bucal com óleo essencial de tomilho TM 0,25 %; F = Formulação do enxaguatório bucal com óleo essencial de tomilho TM 1 %. possuem espectro de ação com eficácia frente a diferentes agentes microbianos 11,19. O óleo essencial de T. vulgaris (tomilho) tem sido usado em fitoterápicos, em cosméticos e em indústrias de alimento. Martinez et al. 11, avaliaram a ação antimicrobiana do óleo essencial de T. vulgaris, verificando promissora atividade antibacteriana e tendo como constituintes majoritários no óleo bioativo os terpenos timol (39,7 %), cimeno (30 %) e limoneno (1,7 %). Nenhum relato de avaliação da atividade antiplaca bacteriana foi encontrado na literatura. Entretanto, os resultados experimentais obtidos nesta investigação indicam que a formulação do enxaguatório bucal sem álcool contendo óleo essencial de T. vulgaris (TM 0,25 % e TM 1 %) apresentou efeito antiplaca in vitro, com atua- 945 SANTOS R.I., PEREIRA D.F.A., TEODORO G.R., DEL CIAMPO J.O., OGASAWARA M.S., CANETTIERI A.C.V., KHOURI S. & SALVADOR M.J. ção na dinâmica da formação da placa bacteriana de S. mutans (ATCC 25175) no modelo experimental utilizado. Tanto no ensaio de cultivo em meio de cultura apropriado como na microscopia observou-se que a formulação evitou a formação da placa bacteriana comparando com os controles positivo (Clorexidina 0,2 %) e negativo (ensaio somente com água destilada; formulação base sem o óleo essencial e sem conservante e formulação base sem o óleo essencial e com conservante). Inicialmente verificou-se que o óleo de tomilho exerceu considerável atividade antibacteriana, apresentando CIM de 100 µg/mL para a indicadora S. mutans (ATCC 25175). Nas formulações de enxaguatório preparadas com TM 0,25 % observou-se que macroscopicamente não houve aderência a superfície sólida e no plaqueamento do caldo verificou-se que os microrganismos estavam íntegros, porém na formulação TM 1% também não houve aderência a superfície sólida, mas verificamos que o não houve crescimento dos microrganismos no plaqueamento do caldo, o que indica que nesta concentração o produto é bactericida. Já para as formulações controle (Branco) indicam que o conservante pode estar agindo como coadjuvante frente à cepa indicadora estudada, pois mesmo na ausência do óleo essencial de tomilho (principio ativo) o produto com conservante reduziu as colônias passando de 100 mil (formulação controle sem conservante) para 132 colônias (formulação controle com conservante). Estes resultados foram confirmados pela analise por MEV da superfície sólida da bengala de vidro. Assim, os resultados mostraram atividade antiplaca bacteriana para as formulações de enxaguatório bucal contendo óleo essencial de T. vulgaris (tomilho) frente a S. mutans (ATCC 25175) que é uma indicadora que se apresenta como agente importante de doenças da cavidade oral 15. Enxaguatórios bucais, contendo outros óleos essências, tem- se demonstrado tam- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Maciel, M.A.M., A.C. Pinto, V.F.Jr. Veiga, N.F. Grynberg & A. Echevarria (2002) Quim. Nova 25: 429-38. 2. Balandrin, M.F., J.A. Klocke, E.S. 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CONCLUSÃO Neste estudo verificou-se que o óleo essencial de T. vulgaris (tomilho) apresenta efeito antibacteriano frente a S. mutans (ATCC 25175) com CIM de 100 µg/mL. Os constituíntes químicos majoritários detectados por CG-MS no óleo bioativo foram carvacrol, p-cimeno e α-pineno. Procedeu-se a elaboração de formulação farmacêutica para uso oral contendo óleo essencial de T. vulgaris e os resultados obtidos indicam ação antiplaca in vitro do enxaguatório bucal contendo óleo essencial de tomilho a 1 % frente ao S. mutans (ATCC 25175) com atuação na dinâmica da formação da placa bacteriana. Verificou-se também que o conservante utilizado nas formulações pode agir como um coadjuvante, visto que a formulação controle (branco, sem o óleo essencial de tomilho) e com conservante inibiu macroscópicamente a aderência de bactérias a superfície sólida e apresentou efeito bacteriostático. Agradecimentos. À FAPESP, FAEPEX-UNICAMP e a Faculdade de Ciências da Saúde-UNIVAP pelo apoio financeiro. 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