CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO TURISMO Virgílio Miguel Rodrigues Machado Universidade do Algarve HYPERLINK "mailto:[email protected]" [email protected] RESUMO Criatividade e Inovação no Turismo podem apreender-se com recurso a processos e metodologias sistémicas, estruturais e funcionalistas. Linhas de força que estabelecem tensões construtivas entre movimentos de ida e retorno, circulação e sedentarização, integração e diferenciação estão na base do entendimento do que é o Turismo e dos seus modos institucionais de criação e acumulação de riqueza. Planos de negócios e projectos de empreendedorismo turístico podem ser viáveis e sustentáveis se forem eficientes. Na criação de componentes que estabeleçam relações de acção/reacção entre características da produção e atributos do consumo ou na sua implementação através de acções de coordenação/integração combinadas com segmentação e especialização. 3RUTXH7XULVPRpSURFHVVR«LQWHUDFWLYRHUHODFLRQDO Palavras - Chave: Eficiência, Organização, Processo, Interactividade, Relação. 1.Introdução A capacidade do ser humano em determinar objectivos, planear o futuro, de o fazer com o menor dispêndio de energia para o maior retorno, por si, ou em conjugação com outros indivíduos no seio de organizações, respeita um princípio fundamental, qual seja, que o resultado final seja eficiente. O Turismo, enquanto actividade produtiva, de planeamento e gestão orientada para uma actividade humana básica: o consumo de um tempo de lazer, deve ser entendido como um processo, tecnologia de organização das relações sociais, humanas e económicas tendo em vista um resultado de eficiência, ou seja, uma combinação entre uma maximização de estímulos, prazer, rendimentos e/ou a minimização de perdas/sofrimento. O estudo dos pontos de contacto entre a biologia e as organizações, a compreensão sistémica dos comportamentos do ser humano enquanto produtor e/ou consumidor devem merecer a máxima atenção no Turismo, em particular, em sede de criatividade e inovação, entendidas enquanto processos que assentam na dignidade e liberdade da pessoa humana, seja no direito à iniciativa económica e criação cultural, seja na sua fruição, enquanto consumidor com direitos, designadamente, à qualidade dos bens e serviços consumidos, formação, informação e protecção da sua saúde e segurança. 428 Assim, procurar-se ±à , neste artigo, identificar linhas de investigação para a criatividade e inovação do Turismo, enquanto processo interactivo e relacional entre acções/reacções de produção/consumo, rendimentos e sofrimentos ou componentes sensoriais/emocionais e cognitivas racionais de comportamento, sempre entendidos enquanto processos sistémicos que mantêm em equilíbrio o funcionamento de um ser vivo ou de uma organização, enquanto sistemas complexos, segundo Norel (2004). 2. Desenvolvimento. De uma maneira geral, comportamento é definido como um conjunto de acções ou reacções de um sistema dinâmico, vivo, em face às interacções e realimentações propiciadas pelo meio onde está inserido, de acordo com Camargo (2009). A economia comportamental tem como premissa fundamental a ideia que o ser humano tende a fazer coisas pelas quais é recompensado e não pelas quais é punido, pelo que, defende, é a acção entre o estímulo externo e a reacção que provoca na armazenagem de lembranças emocionais, tanto positivas como negativas, que explica os nossos comportamentos. Os estímulos e a reacção a esses estímulos podem ser enquadrados num processo compreensivo, um modo de estar que melhora a funcionalidade de individuos e /suas organizações em ordem a uma adaptação progressiva favorável. Como diz Soares (2011), a falta de estímulo é a atrofia, estimular é um modo de estar de individuos e/ou RUJDQL]Do}HV«SDUDYLYHUHPHVREUHYLYHUHP Criatividade e inovação em qualquer área de estudo do comportamento humano pressupõem o estudo de processos, de combinações relacionais entre estímulos externos e locais de memória, entre emoções positivas e reacções negativas, entre acções de produção e reacções de consumo, enquanto modos institucionais de criação e acumulação de riqueza aplicáveis significativamente ao Turismo, enquanto actividade económica e de profundo significado social. Richards et al GHILQHP7XULVPR&ULDWLYRFRPR³7XULVPRTXHRIHUHFHDRVYLVLWDQWHVD oportunidade de desenvolver seu potencial criativo através da sua participação activa em cursos de formação e experiências de aprendizagem que são características do destino de IpULDVRQGHHVWmRORFDOL]DGDV´ Richards (2010) identifica ainda Turismo Criativo como um processo de reacção/evolução a XP 7XULVPR &XOWXUDO PDVVLILFDGR H HVWDQGDUGL]DGR D TXH DSHOLGD GH ³0DF&XOWXUDOL]DomR´ caracterizado por um consumo rígido, reproduzido em série por temas (ex: parques temáticos ou roteiros culturais), megaeventos (ex: Capitais Europeias de Cultura, ([SRVLo}HV,QWHUQDFLRQDLVRXHVWUXWXUDV³tFRQH´H[0XVHXV*XJJHQKHLPQmRDGHTXDGRD novas correntes de Turismo Cultural em que os turistas são mais experientes, sofisticados e capazes (vulgo, via internet) de estruturar suas próprias experiências turísticas. 429 Assim, Turismo Criativo, fundamenta, é caracterizado por providenciar aos turistas ferramentas de estímulo para desenvolver o seu próprio potencial criativo em envolvimento activo e troca com experiências locais e genuínas com a cultura local em compromisso com a sua população, o que envolve co-criação (entre produtor e turista) e criatividade dos próprios produtores do destino turístico. A aplicação deste conceito a experiências ligadas a redes de turismo criativo como identificadas por Raymond (2007) na Nova Zelândia (ex: artesanato, dialectos locais, gastronomia) ou por Richards (2007) a espaços criativos (ex: Universidade do Café em Itália como identificada em HYPERLINK "http://www.illy.com/wps/wcm/connect/us/illy/the-worldof-coffee/universita-del-caffe" http://www.illy.com/wps/wcm/connect/us/illy/the-world-of- coffee/universita-del-caffe ), eventos, itinerários culturais sugerem a necessidade de se entender o Turismo Criativo como um processo de co-produção ou de acção/ reacção entre a criatividade das populações locais e dos próprios turistas, segundo Richards (2010), movidas por princípios de qualidade e autenticidade, reinterpretação e inovação na tradição. Em comentário ao designado Turismo Criativo, importa transmitir que se trata de uma criação (o que, em marketing, se designa por produto turístico) orientada para uma lógica de segmentação/especialização de outro produto turístico (o Turismo Cultural), a que um determinado mercado, denominado turístico, atribui valor, pagando um preço pelo respectivo consumo. Até aqui, dir-se-ia, nada de novo, pois o Turismo é negócio que não vive/sobrevive sem o seu consumo. O turista é o alvo que se pretende com a criação de uma produção denominada turística, o que se denomina produto turístico. Sem turista não há Turismo. O Turismo Criativo é mais um produto turístico resultante de uma tecnologia de organização das relações económicas, sociais, e neste caso, culturais, que alinham eficientemente produção com consumo. Enquanto esse alinhamento for eficiente e efectivo existirá Turismo Criativo. Como existirão outros produtos turísticos, como o golfe, o turismo de caça, o jogo RXRGHVLJQDGR³VROHPDU´ O Autor deste artigo, não obstante todos os méritos científicos à volta do trabalho e dos conteúdos relacionados com o conceito de Turismo Criativo, considera a utilização deste conceito aplicado ao Turismo Cultural como redutor e não abrangente quanto aos processos de criatividade e inovação que subjazem ao Turismo. Importa mais investigar e operacionalizar processos e instrumentos, ferramentas, utensílios e interacção de conteúdos que desenvolvam a Criatividade e Inovação no Turismo. Porque criatividade e inovação em Turismo podem existir em qualquer produto turístico. E não só no Turismo Cultural. Prefere-se a utilização científica dos conceitos de Criatividade e Inovação no Turismo e não de Turismo Criativo. Daí o tema do artigo e potencial pertinência de apresentação de linhas de investigação para o seu conteúdo. 430 3. Linhas de investigação sobre Criatividade e Inovação no Turismo. Turismo pode e deve ser entendido como processo sistémico de acção/reacção entre componentes opostas, que visa manter em equilíbrio, regular, assegurar o funcionamento de um sistema complexo, segundo princípios de eficiência (Machado,2010). Assim, a um movimento de ida para um local que não corresponde ao local de residência habitual corresponde uma compensação de regresso a esse mesmo local; a uma acção de deslocação, seja por transporte, seja por estímulos de animação, correspondem reacções de sedentarização no local de alojamento ou de restauração. Igualmente, a acções de colectivização de recursos (ex: paisagens, monumentos históricos ou culturais, gastronomia) a que se denomina património turístico, correspondem reacções de venda e empacotamento em unidades divisíveis dessa paisagem ou monumento, seja sob a forma de postais ou recordações (souvenirs),seja sob a oferta de refeições individualizadas a cada cliente. A combinação, a relação entre unidades de alojamento autónomas e a existência de uma recepção que centraliza reservas, comunicações e informações dos clientes é uma tecnologia de organização tão natural e sistémica em Turismo, como a que centraliza no profissional de informação turística a responsabilidade de informação, assistência e condução das visitas a turistas individuais no âmbito de uma viagem organizada. O recurso a combinações, relações entre acções de coordenação/integração e de divisibilidade/ segmentação, designadamente, no alojamento, transporte e viagens e entre processos de criação exclusiva de riqueza no seio de organizações que são transferidos a turistas que neles reconhecem valor pelo pagamento de um preço, fazem parte de uma tecnologia organizacional movida por princípios de eficiência nos sistemas de turismo e dos seus negócios. Uma questão fundamental que se prende com o tema do artigo é esta: tal tecnologia pode ser objecto de conhecimento e aplicação à inovação e criatividade em Turismo? E aos seus negócios? Ou é UHVHUYDGD D FHUWRV FRQKHFHGRUHV GR ³VDEHU WXUtVWLFR´" 2 SURFHVVR GH inovação e criatividade em Turismo pode ser entendido e empreendido por qualquer pessoa? Ou só aos titulares de uma formação em Turismo ou nalguma das suas componentes (ex: alojamento, restauração, animação)? O entendimento proposto e que serve de base às linhas de investigação adiante propostas é que o processo empreendedor, incluindo em Turismo, pode ser ensinado e entendido por qualquer pessoa, secundando Dornelas (2008). Na verdade, existindo a necessidade de um equilíbrio, uma harmonia entre componentes opostas em Turismo geradoras de um consenso, uma troca de valor entre produção e consumo turístico com eficiência, secundando Machado (2010), todo e qualquer ser 431 humano, portador de estímulos positivos e reacções negativas a imagens (ex: de trabalho e de lazer), a comportamentos (ex: positivos de colectivização e negativos de individualização) ou acções (ex: de negativos de produção e positivos de consumo), pode ser estudado e incentivado a um perfil produtivo, numa ligação interactiva e eficiente entre componentes opostas que traduzem um potencial criativo e inovador. Por exemplo, se uma pessoa tem prazer em aspectos relacionados com a colectivização do património turístico, através de imagens de paisagens, classificação como de interesse nacional ou local e protecção do ambiente, em Turismo, deve ser incentivado, enquanto ligação produtiva, a colocar tal património em unidades divisíveis junto dos turistas (ex: portabilidade de informação turística em unidades móveis, miniaturização de exemplares do património, ambiente e qualidade de ar ou água colocado em pequenas garrafas ou frascos de perfume). Ao invés, uma pessoa estimula-se positivamente na prestação de informações especializadas sobre estadia ou relaxamento em unidades de alojamento ou postos de informação turística ou venda de souvenirs e pequenas recordações de artesanato aos turistas deve ser incentivada em Turismo a procurar contrários, ou seja, ligação dessa informação a uma experiência de mobilização (ex: animação, conhecimento) ou a uma articulação em artesanato de conjunto entre o material e o imaterial. Esta linha de investigação, porventura surpreendente, da aplicação das teorias sistémicas, funcionais e estruturalistas ao Turismo, nada mais resume que uma ideia fundamental, qual seja, que o Turismo é interacção, ligação, relação de compromisso entre uma liberdade pessoal de consumo e uma produção a que uma organização reconhece como representativa e integrante de um tempo de lazer em Turismo, compromisso que é percepcionado individualmente e organizado colectivamente como turístico. Assim, tudo o que um individuo valoriza/desvaloriza ou é indiferente como integrante de um direito ao consumo ou que emociona positivamente/ reage negativamente ou não valoriza nem desvaloriza, como fundamental e representativo para a existência de um património e recursos turísticos organizados colectivamente, são importantes para identificação e potenciação de linhas de investigação e criatividade em Turismo. Na verdade, para além de se indicar um perfil, diríamos psicoturístico, sobre a percepção/reconhecimento de um individuo ao que associa como positivo ou negativo em Turismo, podem ser percepcionadas as relações, os consensos que identificam as linhas de força de uma tecnologia de organização de relações sociais e económicas, a que atrás identificamos como Turismo, e que exprimem o potencial criativo e produtivo dos projectos e planos de negócios desse individuo nesse sistema. 432 A identificação das linhas de força, de relações que exprimem potenciais criativos e produtivos eficientes de indivíduos no seio de organizações, também são muito importantes para a análise da sua viabilidade enquanto sistemas eficientes de Turismo. Assim, qualquer empregador que tenha um novo projecto ou área de negócios no Turismo deve poder contar com um sistema de avaliação do perfil produtivo e eficiente dos seus empregados ou candidatos a emprego. Igualmente, tais candidatos ou empreendedores de projectos, estratégias ou planos de negócio em Turismo devem saber como construir produtiva e eficientemente os seus currículos, em atenção e adequação ao seu perfil produtivo e eficiente nos sistemas de turismo. Podemos exemplificar e aplicar estas linhas de investigação, através de uma figura que exprime preferências colectivas de organização de património turístico (ligadas a uma experiência de produção representativa, de identidade, orgulho sensorial e emocional) e preferências de consumo individual de qualquer produção turística (ligadas a uma componente racional/cognitiva de experiência avaliada em termos de benefícios). Esta figura corresponde a parte de um inquérito de avaliação feito em Agosto de 2011 a um cliente, cuja identidade não se revela por motivos de confidencialidade dos dados tratados, da empresa Empreender Turismo, Lda. ( HYPERLINK "http://www.empreenderturismo.pt" http://www.empreenderturismo.pt ), empresa que desenvolve investigação aplicada e operacional em empreendedorismo turístico aplicando metodologias sistémicas, estruturalistas e funcionalistas dos sistemas de turismo à avaliação do perfil produtivo e eficiente de clientes em projectos e planos de negócios no Turismo (Figura 1). 433 FIGURA 1 RELAÇÃO PRODUÇÃO/CONSUMO TURISTICO Justiça pronta e acessível Assistência Pós-venda Prevenção de acidentes Obtenção de respostas rápidas e adequadas Formação/Educação para o consumo Protecção da Saúde Informação Preço Tranquilidade/Privacidade Segurança pessoal/dos seus bens Higiene e limpeza nos serviços Facilidade de uso/comodidade Garantia do Contrato Manutenção/Conservação dos equipamentos Aptidão fins/funcionalidade do uso Prevenção contra abusos/ética do fornecedor Participação representativa Livre rescisão do contrato sem penalizações Prevenção de danos/manutenção/conservação Autenticidade Serviços de assistência/acompanhamento Originalidade Representativo de uma época Valorização ambiental/enquadramento paisagístico Antiguidade Testemunho de eventos históricos/culturais/científicos Memória Classificação de interesse histórico/arqueológico/arquitectónico Educação/formação ao público/transmissão a futuras gerações Informação e acessibilidade ao público Raridade/singularidade/exemplaridade Integração no conjunto Classificação de interesse artístico/social/etnográfico Classificação interesse científico/técnico/industrial Identificação/Inventariação Ligação material/imaterial Esta figura exprime quais são as relações, ligações entre estímulos positivos (identificados a verde) de produção e de consumo turístico, também as reacções negativas (identificadas a vermelho) entre essa produção e tal consumo e as áreas intermédias (indiferença ou inércia de estímulos e identificadas a branco) em que o sujeito avaliado se percepciona. Em análise ao perfil psicoturístico do indivíduo avaliado, verifica-se que a componente de informação interage favoravelmente, quer em sede de produção, quer em sede de consumo turístico, aquela ligada arqueológico/arquitectónico, a componentes de memória, classificação antiguidade e de interesse testemunho de histórico/ eventos históricos/culturais/científicos e o consumo ligado a componentes com características de sedentarização (tranquilidade, privacidade, segurança pessoal e higiene e limpeza dos serviços) em interacção com alguma mobilidade (educação/formação e informação) e acessibilidade ao público. Linhas de força que exprimem um potencial emocional favorável não devem esquecer, todavia, a acção/compensação no Turismo, devendo ter-se em conta as áreas em que a sedentarização deve interagir com mobilidade e aquelas em que não reage nem 434 favoravelmente nem desfavoravelmente como portadoras de um potencial criativo que deve ser explorado e incentivado (ex: como interagir segurança pessoal e de bens do turista com prevenção de danos/manutenção/conservação ou como interagir sedentarização com valorização ambiental ou serviços de assistência/acompanhamento). Estas linhas de investigação devem ser complementadas com análises de perfil sensorial/emocional e cognitivo-racional do individuo, acompanhadas de indicação das suas habilitações literárias ou profissionais, preferência por determinadas actividades profissionais ou áreas de negócio, territórios e actividades de consumo. Todas estas análises em conjunto vão permitir avaliar com maior eficiência a capacidade produtiva e empreendedora do indivíduo em relação ao Turismo. A linha de investigação proposta é útil para identificar as características fundamentais de posicionamento e movimentação, o que é a base do pensamento estratégico (António,2006), do perfil do individuo em relação aos sistemas de Turismo e aos seus princípios de eficiência, o que traduz um avanço na investigação científica sobre criatividade e inovação no Turismo. Por último, e antes das conclusões finais, dir-se-á em relação à figura escolhida para LQWHJUDU XP JUXSR GH WUDEDOKR QHVWD &RQIHUrQFLD ,QWHUQDFLRQDO TXH R ³SDWLQKR IHLR´ TXH exprime uma diferença, uma individualidade, uma singularidade em relação a um conjunto não é um défice, nem um obstáculo em Turismo para a criação e implementação de uma actividade criativa e inovadora no seio de organizações. 3RU XP ODGR QmR H[LVWHP ³SDWLQKRV IHLRV´ HP 7XULVPR TXDOTXHU SHVVRD SRUWDGRUD GH acções e reacções, estímulos positivos e negativos entre componentes de produção/consumo; memórias e aprendizagens, tempos de trabalho e tempos de lazer; pode ser compreendida nos sistemas de Turismo e seus princípios de eficiência. Pode ser portadora de potencial produtivo e criativo a ser instrumentalizado no âmbito desses sistemas. Por outro lado, o ³SDWLQKR IHLR´ HP 7XULVPR p XPD HQHUJLD PRELOL]DGRUD GH FDUJDV emocionais positivas e negativas em relação à procura do que é diferente e ao que é igual ³R SDWLQKR IHLR´ HUD DILQDO XP FLVQH RX VHMD D H[SHULrQFLD GH XP WHPSR GH OD]HU SRU oposto a um tempo de trabalho, a um local fora da nossa residência habitual e o local dessa residência. Nessas cargas reside a essência do Turismo e compreensão dos seus processos sistémicos, incluindo a criatividade e inovação. Também por essas causas (de sofrimento versus prazer) reside a essência da causa humana e o sucesso imemorial de um conto de histórias infantil. 435 4. Conclusões Finais São conclusões deste artigo: a) O Turismo é um sistema, um negócio que se move por princípios de eficiência, tendo como resultado o alinhamento equilibrado de uma produção e de um consumo, enquanto componentes opostas desse sistema; b) Criatividade e Inovação em Turismo baseiam-se na identificação e caracterização das componentes opostas de um sistema e da relação, ligação interactiva entre eles, enquanto relação causa-efeito entre uma perturbação e a sua anulação, da qual resulta o referido alinhamento; c) O Turismo, enquanto sistema baseado na contraposição entre liberdade de consumo individual /responsabilidade de produção e organização colectiva interacção entre tempo de trabalho e tempo de lazer, exprime preferências individuais e colectivas organizadas numa sociedade relacional, sendo aberto a qualquer indivíduo e/ou organização em termos de projectos, estratégias e/ou planos de negócios; d) Processo empreendedor em Turismo, enquanto sistema aberto, pode ser ensinado e entendido por qualquer pessoa, no âmbito de afirmação da sua personalidade livre, do seu direito à iniciativa económica, criação cultural e capacidade produtiva individual. 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