1 INFLUÊNCIA DE FATORES DA MANUTENÇÃO QUE AFETAM A VIDA ÚTIL DOS MOTORES DE INDUÇÃO Marcos Antonio da Silva1, Manuel Losada y Gonzalez2 1 Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais Avenida Amazonas 5253, Bairro Gameleira, Belo Horizonte, MG. [email protected]. 2 Universidade Federal de Minas Gerais Avenida Antonio Carlos 6632, Pampulha, Belo Horizonte, MG. [email protected] Resumo – Este artigo tem como objetivo apresentar o efeito da manutenção na vida útil dos motores de indução. Para tal, apresenta uma introdução sobre os tipos de manutenção aplicada aos motores, mostrando os procedimentos indicados de manutenção preventiva e corretiva, em conformidade com cada processo produtivo. São também definidos os fatores que degradam a vida útil dos motores, seja por envelhecimento natural, desgaste, meio ambiente, carregamento e operação fora das condições nominais. Posteriormente uma análise técnica da ação destes fatores atuando de forma isolada ou simultânea é efetuada, onde se mostra a degradação da vida dos motores e os procedimentos de manutenção adotados para minimizar esta degradação e com intuito de manter a confiabilidade do sistema. Palavras Chaves - Confiabilidade, manutenção, motores de indução, vida útil. devendo este equilíbrio ser adequado, dentro de suas respectivas particularidades. Em sistemas motrizes, estas particularidades definem o formato de manutenção que pode ser aplicado em um todo ou em setores específicos da empresa. Dentro do sistema motriz deve ser dada uma especial atenção ao motor elétrico de indução, pois o mesmo é responsável pelo consumo aproximado de 25% de toda energia gerada no Brasil [1], e, obviamente, faz parte do acionamento de quase todos os sistemas operacionais. O motor de indução é composto por um conjunto fixo e outro móvel, denominado estator e rotor, respectivamente. Os outros principais componentes que fazem parte do rotor são os mancais de rolamentos e o eixo do motor. Há entre o conjunto fixo e o conjunto móvel um espaço vazio denominado entreferro, que permite o giro do rotor. A figura (1) mostra os principais tipos de falhas em motores de indução, e indica que 41% delas ocorrem nos mancais, 37% nos enrolamentos do estator, 10% no rotor e 12% são faltas diversas [2]. I. INTRODUÇÃO A manutenção é uma fonte de custo cara e complexa e como tal precisa ser administrada. Sua atividade meio, dentro de um sistema operacional, é de fundamental importância para a produção e a qualidade final do produto. Todo sistema operacional tem um tempo de vida estimado e a probabilidade deste sistema falhar aumenta com a redução do seu tempo de vida. Deste modo é essencial ter um sistema de manutenção confiável para atuar de forma simultânea com o processo produtivo, reduzindo a probabilidade de paralisação do sistema. Quando um sistema opera sem interrupção e perda da produção em período de tempo definido, pode-se dizer que este sistema é confiável. Portanto a confiabilidade de um sistema é definida como a probabilidade do sistema operar sem interrupção não programada em um determinado período de tempo. Um sistema 100% confiável é economicamente inviável, efetuando a manutenção dentro de custos viáveis sem impactar os custos do sistema produtivo, Fig. 1. Falhas percentuais nas partes constituintes de um motor. Neste trabalho apresentam-se, sugestões de manutenção que devem ser aplicadas a cada tipo específico de sistema motriz, mostrando a importância da mesma na vida útil dos motores e propiciando uma maior confiabilidade neste sistema. Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www.novapdf.com) 2 II. TIPOS DE MANUTENÇÃO Os procedimentos de manutenção são executados da forma corretiva ou preventiva. A seguir faz-se um relato sucinto de cada modelo. Manutenção Corretiva - deve ser efetuada quando instalações e equipamentos operam como unidades individuais, ou são separados por partes no processo de fabricação, com uma unidade suprindo a falha sem afetar imediatamente o processo de produção. Em uma instalação que opera com vários equipamentos com funções semelhantes, pode-se chegar à conclusão que é mais barato, fácil e rápido permitir que o motor pare e então substituí-lo por outros que já estão recondicionados ou novos. O motor substituído é então recuperado e mantido à disposição para futuras utilizações, verificando seu rendimento para atender a política de conservação de energia. É importante ressaltar que deve ser efetuado um planejamento do método de reparo, bem como a preparação de ferramental necessário. Especificamente a substituição não planejada é um formato de manutenção corretiva, utilizada em setores de sistemas produtivos que usam grande quantidade de motores pequenos de baixo custo. O setor de manutenção deve ter em estoque unidades capazes de substituir os motores danificados de forma eficiente. Este procedimento é indicado quando o custo de reparação é maior que o custo de aquisição e, em conseqüência disto, o motor danificado é substituído por outro motor novo com maior confiabilidade. Este tipo de manutenção não deve ser aplicado em motores que interrompam o processo produtivo. Manutenção preventiva é dividida em duas formas básicas, sendo uma baseada em períodos de tempos prédeterminados e denominada de manutenção sistêmica, e a outra baseada em acompanhamento de parâmetros e denominada manutenção preditiva. A manutenção sistêmica é utilizada quando o mecanismo de falha é típico de desgaste, como o tempo de troca dos mancais antes do travamento do rotor. Já a manutenção preditiva consiste do acompanhamento da condição e/ou desempenho, através da análise de testes periódicos em parâmetros representativos da situação do motor. Um exemplo de manutenção preditiva é a determinação da expectativa de vida útil do isolamento das bobinas do estator através da medição da resistência de isolamento. A substituição planejada é um formato de manutenção preventiva que é freqüentemente utilizada com bons resultados em vários setores industriais, principalmente naqueles em que um motor de grande porte é responsável pela principal unidade operacional da empresa. Nestes casos, a mesma deve ser realizada dentro de critérios técnicos e administrativos, tendo como suporte o banco de dados dos motores utilizados no sistema produtivo ou de informações de fabricantes ou fornecedores. Os procedimentos de manutenção devem ser efetuados em dia especifico de paralisação do processo produtivo, sendo que o conjunto ou parte do conjunto que será substituído deve estar disponível no momento da manutenção, juntamente com todo ferramental, instrumentos de medição e aferição e corpo técnico da empresa. III. CONFIABILIDADE A confiabilidade é a probabilidade (P) de um sistema motriz operar por um período de tempo definido sem ocorrência de falha. A manutenção preventiva em sistemas motrizes desempenha um papel importante na confiabilidade dos sistemas industriais e comerciais. As empresas que efetuam elevados gastos em equipamentos para obter um sistema mais confiável esquecem que um dos fatores chave da confiabilidade é a manutenção preventiva sistêmica ou preditiva. Procedimentos básicos de manutenção, como manter o sistema motriz limpo, seco e bem conectado, evitar umidade e poeira, e efetuar medições da tensão de alimentação, temperatura ambiente e desgaste prematuro de componentes, possibilita uma manutenção eficiente com custo relativo baixo frente à confiabilidade do sistema. A confiabilidade pode ser definida pela equação (1) [3]. C 1 P(t) (1) Onde: C – confiabilidade. P(t) – probabilidade de o sistema falhar no tempo (t). A confiabilidade pode também ser definida como o percentual da ocorrência do evento (falha) em função do tempo de vida útil do equipamento, e é descrita pela equação (2): (2) C e T/t Onde: T – é o tempo de vida do equipamento. t – é o tempo médio de falha do equipamento. Quando existe a possibilidade de ocorrência de um ou mais tipos de eventos, os mesmos são divididos em: - Série, quando o sistema deixa de operar devido à ocorrência de falha individual de qualquer componente. Os componentes não têm que estar conectados fisicamente como em circuitos elétricos, sendo que o efeito da falha é importante, como por exemplo, travamento do mancal, queima do enrolamento da bobina do estator ou rompimento das barras do rotor, ocasionando a paralisação do motor. Dois tipos de sistema série são possíveis: o sistema independente, quando o dano ocasionado pela a falha de um componente afeta somente ele, ou dependente, quando o dano ocasionado da falha afeta outros componentes. A equação (3) mostra que a confiabilidade resultante de um sistema série é o produto da confiabilidade de cada componente. C C1* C2 * C3...Cn (eT/t1 )* (eT/t2 )* (eT/t3 )....(eT/tn ) (3) Onde: C1 C2 C3..Cn – é a confiabilidade dos componentes de um até n. (e-T/t n) – é a degradação do equipamento no tempo. - Paralelo, quando a ocorrência individual de um evento não afeta outros componentes. Para dois eventos idênticos e exclusivos, utiliza-se a equação (4). C C1 C2 (C1 * C 2 ) (4) Onde: C1 – confiabilidade do evento um. C2 – confiabilidade do evento dois. Para (n) eventos idênticos temos: C 1 (1 C1 )n Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www.novapdf.com) (5) 3 IV. VIDA ÚTIL DE MOTORES Em condições nominais de operação os motores têm um tempo médio de vida estimado pelos fabricantes e por pesquisadores. A referência [4] apresenta a estimativa de vida média para motores de baixa tensão apresentada na tabela I. TABELA I Estimativa de vida de motores de indução T- temperatura do motor no instante t (em ºC). Tf - temperatura final atingida pelo motor (em ºC). tF – tempo de funcionamento (minutos). TA – constante de tempo de aquecimento (minutos). Como a vida útil do isolamento está intrinsecamente ligada à temperatura de operação do motor [7], pode-se expressá-la conforme a equação (7): -(T1 - Tn ) Vu e (7) Vida média de motores (com manutenção e troca de componentes) Potência 1,0 – 7,5 kW 7,5 – 75 kW 75 – 250 kW Média de vida em anos 12 15 20 A referência [5] apresenta a seguinte estimativa de vida média, conforme mostrado na figura 2. Vu – vida útil do isolamento em (PU). α – constante da classe de temperatura do material. T1 – temperatura de operação em condições diversas (ºC). Tn – temperatura de operação em condições nominais (ºC). Como uma variação entre 8º e 10º centígrados provoca uma alteração pelo fator dois na vida útil do isolamento [8], pode-se então determinar a constante da classe de temperatura do material isolante conforme equação (8): α = 0,07/ Vu. (8) 40 35 30 Vida média em anos Onde: 25 VI. SIMULAÇÕES DE TEMPERATURA DE OPERAÇÃO PARA DIVERSAS CONDIÇÕES DE CARGA 20 15 10 5 0 0 50 100 150 Potência dos motores 200 250 Fig. 2. Vida média em função da potência em (CV). V. FATORES QUE AFETAM A VIDA ÚTIL DE MOTORES Existem vários fatores que afetam a vida útil de motores, tais como efeito térmico, mecânicos, elétricos, ambientais e manutenção. Estes fatores alteram a temperatura do motor em relação à temperatura ambiente, devido às perdas internas. Ao desenvolver o conjugado para acionar uma carga mecânica acoplada a seu eixo, o motor tem um aumento de temperatura. Esta temperatura não deve ultrapassar o valor definido pela classe de isolamento. Para determinar esta elevação de temperatura é necessário o desenvolvimento de um modelo térmico. Existe na literatura uma enorme diversidade de modelos térmicos devido à diversidade de fatores que afetam a variação de temperatura de um motor elétrico. Para determinar a temperatura final do motor, será utilizado o modelo térmico simplificado, em que o motor é considerado um corpo homogêneo, sendo que a energia absorvida é fornecida uniformemente ao ambiente. O motor quando acionado tem inicialmente um aumento de temperatura até alcançar o equilíbrio térmico, quando então inicia o processo de troca de calor com o ambiente [6], conforme a equação (6): t - F T (6) T T f (1 e A ) Onde: O trabalho de simulação será desenvolvido com motores de 1, 5 e 10 (CV), pois a faixa de motores entre 0 e 10 (CV) responde por 89% dos motores vendidos no mercado brasileiro e apresentam possibilidades de desenvolvimento de projetos eficientes em conservação de energia [1]. A vida média estimada para os mesmos será de 15 anos, em um regime de trabalho médio de 4000 horas por ano [4] totalizando 60000 horas de operação, sendo que a tabela II apresenta dados de catálogo do fabricante. TABELA II Motores utilizados na simulação Motores trifásicos IP55 - alto rendimento – classe F de isolamento Pot.(CV) In Veloc.(rpm) 1 2,98 1730 5 13,8 1720 10 26,4 1760 η=100% 82,6 88,0 91,0 η=75% 80,0 87,5 90,0 η=50% 77,5 85,0 88,0 Utilizando as equações (7) e (8), pode-se determinar a vida útil do isolamento nas diversas condições de carga, tomando como base a vida útil da classe F de isolamento, que é de 20000 horas, conforme tabela III[9]: TABELA III Vida útil do isolamento em função da carga Motor 1 (CV) Carga % 100 75 50 125 Vida útil em horas 20000 44796 194830 4450 Motor 5 (CV) Carga % 100 75 50 125 Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www.novapdf.com) Vida útil em horas 20000 97293 266595 223 Motor 10 (CV) Carga % 100 75 50 125 Vida útil em horas 20000 63881 195925 320 4 As figuras 3, 4 e 5 mostram as temperaturas de operação dos motores de 1, 5 e 10 (CV), nas diversas condições de carga. afetam á vida do motor [10]. A tabela IV apresenta os efeitos das condições ambientais na vida útil do isolamento, onde o fator de vida útil (M) citado é o expoente da equação (7): Variação da temperatura de operação (ºC) 140 100 80 60 carga nominal 75% da carga 125% da carga 50% da carga 40 20 0 10 20 30 40 50 60 Tempo (minutos) 70 80 90 100 Fig. 3. Temperatura de operação do motor 1(CV). 180 160 Variação da temperatura de operação (ºC) (9) M (T1 Tn ) Onde: M - fator de vida útil. TABELA IV Fator M para as condições ambientais 120 Condição Descrição do ambiente 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 Limpo e seco com temperatura menor que 25ºC. Limpo, c/ar condicionado temp.menor que 25ºC. Limpeza média, temperatura variável e umidade. Ambiente agressivo temperatura variável umidade. Ambiente agressivo temperatura variável e elevada umidade, acido/base, motor em torres de refrigeração. 2.1 2.2 2.3 2.4 120 100 0 0,5 0,75 1,0 x As tabelas V, VI e VII, mostram como o carregamento do motor afeta sua vida Útil. Quando o fator M é negativo temos um aumento no tempo de vida, quando positivo uma redução. TABELA V Fator M para o Carregamento do motor de 1(CV) Condição 140 Fator M Descrição carregamento Carga nominal. 75% da carga nominal 50% da carga nominal 125% da carga nominal Fator M 0 -0,8 -3,03 1,5 80 60 40 20 0 TABELA VI Fator M para o Carregamento do motor de 5(CV) carga nominal 75% da carga 50% da carga 125% da carga 0 10 20 30 40 50 60 Tempo (minutos) 70 80 Condição 90 100 3.1 3.2 3.3 3.4 Descrição carregamento Carga nominal. 75% da carga nominal 50% da carga nominal 125% da carga nominal Fator M 0 -1,58 -2,6 4,5 Fig. 4. Temperatura de operação do motor 5(CV). TABELA VII Fator M para o Carregamento do motor de 10(CV) 180 Condição Variação da temperatura de operação (ºC) 160 4.1 4.2 4.3 4.4 140 120 Descrição carregamento Carga nominal. 75% da carga nominal 50% da carga nominal 125% da carga nominal Fator M 0 -1,16 -2,28 4,13 100 80 60 carga nominal 75% da carga 50% da carga 125% da carga 40 20 0 0 10 20 30 40 50 60 Tempo (minutos) 70 80 90 100 Fig. 5. Temperatura de operação do motor 10(CV). VII. INFLUÊNCIA DA MANUTENÇÃO NA VIDA ÚTIL DO ISOLAMENTO Os procedimentos de manutenção ou de não manutenção, da tensão de alimentação, condições mecânicas de operação, condições ambientais como poeira, abrasivos, térmicas etc., A tensão de alimentação dos motores deve ser analisada periodicamente, pois em caso de desequilíbrio, a componente de seqüência negativa injetada produz um campo magnético girante em sentido oposto ao produzido pela componente fundamental. Este fato faz com que o motor desenvolva um maior conjugado para acionar a carga e compensar os efeitos desta componente. Como conseqüência ocorre um aumento da corrente drenada da rede e um aumento da temperatura, sendo este aumento proporcional ao desequilíbrio de tensão [11], conforme a equação (9): (9) T 2 * (%Vdesq. )2 Onde: T - Variação de temperatura %Vdesq. - desequilíbrio de tensão Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www.novapdf.com) 5 A tabela VIII mostra como o desequilíbrio de tensão afeta a temperatura de operação e a vida útil do isolamento. Condição Desequilíbrio 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 Fator M Tensão equilibrada Tensão desequilibrada de 2% e Δt = 8ºC Tensão desequilibrada de 3% e Δt = 18ºC Tensão desequilibrada de 4% e Δt = 32ºC Tensão desequilibrada de 5% e Δt = 50ºC 0 0,56 1,26 2,43 3,50 De posse do fator (M), pode-se definir a vida útil do isolamento com a tabela IX. Deve-se ressaltar que o fator (M), quando tratar de umidade, poeira, abrasivo, acidez significa o equivalente térmico de degradação do isolamento. Portanto pode-se associar esta degradação a um ΔT equivalente. Variação da tem peratura equivalente (ºC) TABELA VIII Fator M para o Desequilíbrio de tensão 120 100 80 60 40 temperatura nominal de operação (ºC) temperatura equivalente para fatores simultâneos (ºC) 20 0 0 10 20 30 40 50 60 Tempo (minutos) 70 80 90 100 Fig. 7. Temperatura equivalente de operação do motor de 1(CV), para condição (a). 200 TABELA IX Determinação de vida útil com fatores simultâneos a b c d 1.2, 5.2, 2.2 1.4, 5.1, 3.4 1.3, 5.2, 4.3 1.1, 5.1, 4.1 Fator M (0,50) + (0,56) + (-0,8) = 0,26 (1,00) + (0,0) + (4,5) = 5,50 (0,75) +(0,56) + (-2,28) = -0,26 (0,0) + (0,0) + (0,0) = 0 Vida útil do isolamento e-M xVu =15421 horas e-M xVu = 81 horas e-M xVu = 52758 horas e-M xVu = 20000 horas Após determinar o fator (M) equivalente para as condições simultâneas (a, b, c e d), pode-se traçar o gráfico de confiabilidade do isolamento dos motores em função da sua vida útil, utilizando a equação (2), conforme figura 6, onde pode perceber que a confiabilidade da condição (b) é praticamente zero e que a condição (c) apresenta o maior índice de confiabilidade. Variação equivalente da temperatura (ºC) Condições 180 140 120 100 80 60 40 temperatura nominal de operação (ºC) temperatura equivalente para fatores simultâneos (ºC) 20 0 0 10 30 40 50 60 Tempo (minutos) 70 80 90 100 120 0.8 Variação equivalente da temperatura (ºC) condição (a) condição (b) condição (c) condição (d) 0.9 0.7 0.6 0.5 0.4 0.3 0.2 100 80 60 40 20 temperatura nominal de operação (ºC) temperatura equivalente para fatores simultâneos (ºC) 0.1 0 20 Fig. 8. Temperatura equivalente de operação do motor de 5(CV), para condição (b). 1 Confiabilidade com fatores simultâneos (PU) 160 0 0 1 2 3 4 Vida útil dos motores (horas) 5 6 4 0 10 20 30 40 50 60 Tempo (minutos) 70 80 90 100 x 10 Fig. 6. Confiabilidade do isolamento dos motores 1, 5 e 10 (CV), quando submetidos a efeitos simultâneos. Fig. 9. Temperatura equivalente de operação do motor de 10(CV), para condição (c). Utilizando também o fator (M) equivalente das condições simultâneas (a, b, c e d), podem-se traçar os gráficos da temperatura equivalente e temperatura nominal de operação dos motores em função do tempo. Este é o tempo em que o motor após ser acionado a temperatura ambiente, gasta para chegar ao equilíbrio térmico, conforme figuras 7, 8 e 9. VIII. VIDA ÚTIL DOS MANCAIS O fator mecânico mais significativo para a vida útil do motor são os mancais de rolamentos. Neste trabalho os mancais de rolamento utilizados nos motores elétricos são do tipo ZZ, que vão da numeração 6201 a 6308, com carcaça do tipo 63 até 132M e não necessitam ser relubrificados, pois Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www.novapdf.com) 6 sua vida útil está em torno de 20.000 horas, sendo que a elevação da temperatura de trabalho não deverá ultrapassar de 60°C, em um ambiente de 40°C, ou uma temperatura máxima de 100ºC [12]. A previsão da vida útil de um mancal de rolamento com uma fadiga nominal devida ao desgaste é normalmente definida como o fator “L10”, onde este fator estima que 10% de uma grande população de mancais falham no tempo. Supondo que este tempo seja de um ano, então “L50” é a média que 50% falha, no tempo de cinco anos e a outra metade falha no tempo restante de vida útil [13]. A figura 10 apresenta o percentual de falhas dos mancais de rolamentos. 20 carregamento acima nominal tem uma redução, conforme mostrado na tabela X. TABELA X Determinação de vida útil dos mancais de rolamentos Motor 1 (CV) Carcaça - 80 rolamentos 6204 ZZ 6203 ZZ Carga Vida útil % em horas 100 20000 75 47407 50 160000 125 10240 Motor 5 (CV) Carcaça – 100L rolamentos 6206 ZZ 6205 ZZ Carga Vida útil % em horas 100 20000 75 47407 50 160000 125 10240 Motor 10 (CV) Carcaça – 132S rolamentos 6308 ZZ 6207 ZZ Carga Vida útil % em horas 100 20000 75 47407 50 160000 125 10240 18 16 IX. CONCLUSÕES Vida útil (anos) 14 12 10 8 6 4 2 0 0 10 20 30 40 50 60 70 Falhas percentuais nos mancais (%) 80 90 100 Fig. 10. Percentual de falhas durante a vida útil do rolamento. O desgaste dos mancais de rolamento é definido, conforme equação (10) [14]. 106 C a (10) L10 ( ) 60n P Onde: C – dinâmica do rolamento para carga nominal (N) P – carga no rolamento (N) n – velocidade (rpm) a – constante igual a três para rolamentos de esfera Já o tempo de vida em horas para mancais de rolamentos de esfera é definido pela equação (11) e (12) [15]. Onde: 106 C a (11) Lutil ( ) 500 * ( FL )3 60n P Onde: Lutil – vida nominal (horas) FL - fator de vida útil 1 C FL 3 *( ) (12) 30n P Nos motores de indução, a velocidade é praticamente constante, e supondo que o motor esteja montado na posição horizontal, onde a variação da carga é praticamente radial, pode-se admitir que o fator de vida seja inversamente proporcional a carga. Com base nas equações (11) e (12), pode-se estimar a influência da carga na vida útil dos rolamentos. Quando o carregamento dos motores está abaixo do nominal, os mancais têm aumento de vida útil, já um Este artigo apresentou a influência da manutenção na vida útil do motor, mostrando que os efeitos de carregamento do, desequilibrio da tensão aplicada, poeira, umidade, acidez, abrasivos e temperatura alteram a vida util nominal do motor, e que um procedimento de manutenção preventiva ou corretiva, programado e em conformidade com seu processo produtivo, deve ser aplicado para minimizar estes fatores. Quando da impossibilidade de eliminar um determinado fator, deve-se atuar nos outros fatores simultâneos, com objetivo de manter a operação do motor dentro das condições nominais. A degradação do isolamento pela umidade, poeira, abrasivos e acidez foi parametrizada através de uma equivalência com a degradação térmica, possibilitando a análise simultânea destes fatores. A consequência da associação de fatores simultâneos que degradam o isolamento pode reduzir a vida útil do motor a valores extremamente baixos, como a ação da condição (b) tabela IX. A confiabilidade devido ação dos fatores simultâneos pode ser analisada na figura 6, onde uma vida útil maior do isolamento, aumenta a confiabilidade, condição (c). Já para uma vida util de 81 horas, condição (b) a confiabilidade é quase zero. O sobredimensionamento de motores às vezes é necessário devido ao efeito agressivo do ambiente de operação, e para possibilitar um efeito térmico equivalente próximo das condições nominais, como a ação da condição (c) da tabela IX, onde a vida útil do isolamento teve um aumento signficativo. Ao operar o motor na faixa 75% de carregamento, tem-se um rendimento bem próximo do rendimento a plena carga, permitindo que o mesmo trabalhe dentro classe de isolamento mesmo sobre efeitos de agentes agressivos, sem colocar em risco a confiabilidade do sistema. O enfoque deste trabalho esta centrado nos mancais de rolamentos, isolamentos das bobinas do estator e tensão de alimentação, que representam mais de 80%, das causas de falhas de um motor. Pode-se ver que partes constituintes do motor interferem mutuamente entre si, afetando a temperatura final do motor e conseqüentemente a confiabilidade do sistema. Como os mancais sendo afetado pela temperatura da bobina do estator. Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www.novapdf.com) 7 REFERÊNCIAS [1] J. Haddad, A.H. Santos, “Eficiência Energética Teoria e Pratica”, Eletrobrás-procel Escola Federal de Engenharia de Itajubá, pp. 87, Itajubá 2007. [2] H.W. Penrose “A Novel Approach to Industrial Assessments for Improved Energy, Weste Stream, Process and Reliability”, Connectiticut , 1999. [3] R. Billinton, “Power System Reliability Evalution”, Gordon and Breach science publishers , New York 1976. [4] A.T. 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