EconoWeek – Relatório Semanal
21/09/2015
EconoWeek
DESTAQUE INTERNACIONAL
Dentro do projetado, o Federal Reserve resolveu estender ainda
mais a política de juros inalterados nos EUA e o que não era
considerado uma surpresa, acabou por amargar um período
de “mau humor” entre os investidores globais.
Além de adiar a “agrura” de se aguardar por mais um período
a decisão da autoridade monetária americana, questiona-se a
manutenção dos EUA no cenário de alívio quantitativo, apesar
do fim de todas as medidas de resposta à crise, com exceção
dos juros baixos.
Por mais uma vez, o FOMC deixou que o mercado de trabalho
fosse o balizador da próxima decisão e como tanto o payroll
(criação geral de postos de trabalho) quanto o ADP
Employment (vagas do setor privado) não foram consistente
nos últimos meses a resposta foi a manutenção.
Porém, existe também o destaque da inflação, totalmente sem
sinais de pressão ou de perspectivas futuras de alta, estando
assim longe da meta formal de 2% ao ano do Fed
(informalmente seriam 2,2% aa) e tirando justificativas criveis
para uma elevação de juros.
Obviamente, existe a visão de que o Fed deveria subir pelo
menos 0,25% ao ano simplesmente para sair do contexto de
“estamos em ajuste” para retomar o cenário considerado
normal.
Todavia, existe o temor de que tal movimento pese demais em
economias como a chinesa, citada algumas vezes nos
discursos de membros do Fed para justificar a decisão, assim
como a fragilidade internacional que ainda impera.
O pretenso mau-humor pós-Fed obviamente perdeu força,
porém o reforço de que a decisão se pautará no mercado de
trabalho dá um referencial mais preciso e direto e não somente
uma expectativa contextual do “cenário”.
O resumo é que nem mesmo o Fed sabe ainda o que fazer e
que estamos ao menos num momento interessante aos
teóricos econômicos.
EconoWeek – Relatório Semanal
DESTAQUE NACIONAL
O que se imaginava pudesse ser uma semana mais calma para
o mercado brasileiro, foi a continuidade da incerteza quanto
ao futuro político da presidente Dilma e a incapacidade do
governo de levar em diante o plano de ajuste fiscal, conforme
apresentado pela equipe econômica anunciados no dia 14.
O grande foco do governo foi na receita e não nas despesas,
estas consideradas impossíveis até que perdemos o grau de
investimento. A criatividade da equipe econômica na busca
pelos R$ 26 bilhões mostrou que o governo realmente
acreditava que não tinha mais onde cortar, o que preocupa
muito, pois mostra que a cegueira institucional se estende
além do que aparecia até recentemente.
Ao pesar as receitas na CPMF (R$ 32 bilhões) o governo
reforça a falta de criatividade e mostra somente propostas
“tapa-buraco” dos erros advindos da “nova matriz
macroeconômica”. Para melhor compreensão, o antigo plano
foi mais ou menos assim: “faz aí, depois a gente dá um jeito
de arrumar”, sendo esta a resposta à crise de 2008.
O problema é que o “jeito” foi transferir o ônus para população
de um plano que nem de perto resolveria o problema
(estrutural e não conjuntural como alguns querem fazer
parecer) e sim daria um leve respiro para o Brasil tentar se
encaixar num contexto global que novamente fosse favorável.
Agora, o governo corta, mas de onde ainda não foi gasto e
se mostra excessivamente modesto no que cerne ao tamanho
do estado, limitando-se a refundir diversos ministérios
separados o passado para dar espaços a aliados políticos e
a números limitados de cargos comissionados.
O plano do governo se equivale a uma família rica que sofre
uma redução abrupta de renda e alto endividamento, a qual,
ao invés de cortar gastos como cabelereiros, massagens,
restaurantes caros, viagens e roupas de grife, simplesmente
corta um funcionário de 30 da casa (o mais dispensável), tira
os filhos da escola particular e os põe na pública e resolve
cobrar dos 29 funcionários que sobraram um pedaço dos
salários para ajudar a cobrir as dívidas dos patrões. É obvio
que não vai dar certo.
EconoWeek – Relatório Semanal
CÂMBIO
Mais uma semana em que os parâmetros de resistência técnica
para o dólar no Brasil foram perdidos quando a divisa se
manteve como o barômetro para a questão política.
Durante a semana, o câmbio até reagia positivamente com a
possibilidade de manutenção dos juros nos EUA, o que alivia
o que seria um fluxo de dólares em busca do rendimento
americano e pressionaria a divisa em termos globais.
No dia da decisão, o dólar global apresentou maior
volatilidade, com especulações sobre uma possível alta nos
juros, apesar da falta de fundamentos para tal.
Concluída a reunião, dentro das expectativas, o humor dos
investidores pressionou globalmente a divisa, mesmo que o
comitê tenha deixado de dar quaisquer sinais de que um
aperto monetário possa ocorrer sequer este ano, mas como
reação exatamente a esta incerteza.
Localmente, o dólar também reagiu à dificuldade de
interlocução do governo com o congresso e fechou a semana
com ganho de 1,93% contra o Real, buscando os R$ 4,00.
Deste modo, revisamos a premissa indicada nas semanas
anteriores, com nova resistência do dólar aos R$3,9871,
seguida de R$3,9968, R$3,9991 e finalmente R$4,00, as quais
rompidas abrem caminho direto aos R$4,0774, o que tende a
dificultar em muito o trabalho do Banco Central no controle
da inflação.
Real/Dólar
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JUROS
As curvas de juros futuros dispararam com a tensão pela perda
do grau de investimento e formaram a principal reação ao
evento, principalmente nas curvas mais longas.
O mercado apresentou diversas tensões pontuais até a quintafeira, dia da decisão do Fed e ainda mantinha um relativo
fechamento das curvas longas e curtas.
Porém, tanto a decisão do FOMC quanto a total incerteza dos
investidores quanto a capacidade do governo em negociar um
pacote visto como inviável pelos analistas e de difícil aceitação
por parte do congresso, o que levou a uma primeira forte
abertura das curvas.
O final da semana mostrou que as perspectivas de piora da
economia podem se traduzir em algum movimento de política
monetária e os vencimentos mais longos terminaram em forte
e significativa alta.
Para esta semana, não existem sinais de devolução das altas
anteriores, principalmente enquanto perdurarem os temores de
que o governo falhará perante ao congresso e que os
indicadores econômicos locais continuarão a demonstram que
o cenário de recessão se prolongará ainda mais.
Juros Futuros
EconoWeek – Relatório Semanal
BOLSA DE VALORES
Até a reunião do FOMC, o mercado de renda variável
aparentava se recuperar do rebaixamento das notas soberana
e diversas empresas por parte da Standard&Poor`s, seguindo
em partes os desígnios do mercado internacional.
Na falta de referenciais locais e na forte ausência de
investidores estrangeiros, o IBOV acabou por repetir quase em
sua totalidade os movimentos das bolsas americanas,
principalmente pela quase coincidência de horários, como pode
ser observado nos gráficos semanais da bolsa de valores
brasileira e do índice S&P da bolsa de valores americana.
Esta tendência, porém, pode não se repetir nesta semana,
principalmente com a piora do cenário político local e
especulações cada vez mais constantes de perda de mais um
grau de investimento do Brasil.
Ibovespa
Ibovespa
EconoWeek – Relatório Semanal
COMENTÁRIO
Por mais uma vez, o governo deve tentar esta semana
ressuscitar a CPMF como parte do plano de ajuste fiscal
anunciado na semana anterior.
Quando analisamos profundamente o plano do governo, ele se
resume na verdade em buscar esta receita para “tampar uma
série de buracos” criados em grande parte pelo próprio
governo.
No Brasil, a previsão de como se comportarão os políticos é
tão difícil que deve ser deixada no campo do imponderável,
porém ao se imaginar que o presidente da Câmara, Eduardo
Cunha já tenha se colocado abertamente como oposição direta
a presidente Dilma, deixar a CPMF passar seria o equivalente
a chancelar seu modelo de governo.
É isto que pode dificultar, ou mesmo, amargar uma forte
derrota do governo nesta sensível questão e as especulações
de uma possível perda do grau de investimento do Brasil pode
se tornar realidade por parte da agência Moody’s ou da
agência Fitch, a qual tem se manifestado muito durante as
últimas semanas.
Em termos de Credit Default Swaps (CDS), o Brasil já opera
como um país sem nenhum grau de investimento aos 428
pontos, muito acima da relação que mantinha com a
desvalorização do Real frente ao dólar e supera em muito a
Rússia, a segunda colocada em uma cesta expandida de
moedas aos 356 pontos.
Isso demonstra uma total insegurança com o Brasil, uma
perspectiva quase certa de perda de grau de investimento
como consequência da falta de um acordo crível para um
ajuste fiscal. A perda do grau de investimento certamente se
seguiria de perda de mandato.
Nesta semana, destacamos no Brasil o IPCA-15 na terça-feira,
desemprego, relatório de inflação e TJLP na quinta-feira. Nos
EUA, atenção se volta principalmente ao PIB americano na
sexta-feira e na China, o PMI Caixin Industrial na terça-feira.
EconoWeek – Relatório Semanal
Hora
País
Evento
Projeção
Anterior
Segunda-feira, 21 de Setembro de 2015
11:00
EUA Vendas de Casas Usadas (Mensal) (Ago)
11:00
EUA Vendas de Casas Usadas (Ago)
-4,80%
1,80%
5,31M
5,58M
Terça-feira, 22 de Setembro de 2015
SEM HORÁRIO
Brasil CAGED
- 710.000 - 157.905
09:00 Brasil IPCA-15 (Anual) (Set)
9,59%
9,57%
09:00 Brasil IPCA-15 (Mensal) (Set)
0,41%
0,43%
10:00
EUA Índice de Preços de Imóveis (Mensal) (Jul)
0,40%
0,20%
10:00
EUA Índice de Preços de Imóveis (Anual) (Jul)
10:00
EUA Índice de Preços de Imóveis (Jul)
11:00
EUA Índice de Manufatura Fed Richmond (Set)
5,60%
223,40
22:45 China PMI Industrial Caixin (Set)
4,00
-
47,50
47,30
Quarta-feira, 23 de Setembro de 2015
08:00
EUA Pedidos de Hipotecas MBA (Semanal)
-7,00%
10:30 Brasil Transações Correntes (USD) (Ago)
-3,25B
-6,16B
10:30 Brasil Investimento Estrangeiro Direto (USD) (Ago)
3,40B
5,99B
10:45
53,30
EUA PMI Industrial (Set)
53,00
12:30 Brasil Fluxo Cambial Estrangeiro
-0,52B
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2015
SEM HORÁRIO
Brasil Relatório de Inflação
08:00 Brasil Confiança do Consumidor FGV (Set)
79,00
80,60
09:00 Brasil Taxa de Desemprego (Ago)
7,70%
7,50%
09:30
EUA Índice de Atividade Nacional Fed Chicago (Ago)
09:30
EUA Pedidos de Bens Duravéis (Mensal) (Ago)
-2,00%
2,20%
0,34
09:30
EUA Pedidos de Bens Duráveis ​Excl. Defesa (Mensal) (Ago)
-1,20%
1,00%
09:30
EUA Núcleo de Encomendas de Bens Duráveis (Mensal) (Ago)
0,10%
0,40%
09:30
EUA Núcleo de Encomendas de Bens de Capital (Mensal) (Ago)
-0,10%
2,10%
09:30
EUA Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego
10:45
EUA Confiança do Consumidor Bloomberg
11:00
EUA Vendas de Casas Novas (Mensal) (Ago)
1,60%
5,40%
11:00
EUA Venda de Casas Novas (Ago)
515K
507K
12:00
EUA Índice de Atividade Industrial Fed KC (Set)
271K
264K
4020,00%
-
19:34 Brasil Taxa de Juros de Longo Prazo (Q4)
16,00
7,00%
6,50%
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015
09:30
EUA Núcleo de Preços PCE (Q2)
1,80%
1,80%
09:30
EUA PIB (Trimestral) (Q2)
3,70%
3,70%
09:30
EUA Índice de Preços do PIB (Trimestral) (Q2)
2,10%
2,10%
09:30
EUA PIB - Vendas (Q2)
3,50%
3,50%
09:30
EUA Preços do PCE (Q2)
2,20%
2,20%
10:30 Brasil Empréstimos do Banco do Brasil (Mensal) (Ago)
0,30%
10:45
EUA PMI de Serviços (Set)
55,60
56,10
11:00
EUA Confiança do Consumidor Michigan - Leitura Final (Set)
77,00
76,40
11:00
EUA Índice Michigan de Percepção do Consumidor (Set)
11:00
EUA Índice de Condições Atuais Michigan (Set)
Jason Vieira
Economista-Chefe – Infinity Asset
[email protected]
86,70
85,70
100,60
100,30
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