Green Project Awards Portugal Este suplemento é da responsabilidade editorial do departamento comercial da Cofina Media, é parte integrante do Jornal de Negócios nº 0000, de 24 de julho de 2014, e não pode ser vendido separadamente. Cidades para as Pessoas O investimento em Reabilitação Urbana e Mobilidade Eléctrica é prioritário para garantir maior sustentabilidade e coesão social nas cidades. • 600 milhões de euros de investimento para a Reabilitação Urbana • Brisa e Renault destacam iniciativas de Mobilidade Eléctrica Publicidade ? QUINTA-FEIRA 24 JUL 2014 | | Green Project Awards Portugal Discutir e premiar iniciativas de sustentabilidade O Green Project Awards assume-se como um dos principais mobilizadores da sociedade portuguesa para o desenvolvimento sustentável e em 2014 apresenta algumas novidades. Este ano a iniciativa passou a ter associado um ciclo de conferências e o galardão ganhou duas novas categorias, mantendo o seu propósito inicial de reconhecimento das boas práticas em projectos que promovam o desenvolvimento sustentável. A Agência Portuguesa do Ambiente, Quercus e GCI, organizadores da iniciativa, quiseram levá-la mais além e para a sua sétima edição decidiram apostar na realização de um conjunto de conferências sobre os temas mais prementes para a economia verde. A conferência “Inovação e Sustentabilidade nas cidades do futuro”, realizada no espaço da Culturgest a 28 de Fevereiro último, marcou a estreia desta nova vertente do GPA Portugal, que teve continuidade em Junho com a discussão do tema “Consumo Sustentável: O Poder do Consumidor”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e agora com a conferência “Cidades para as Pessoas”, que se realizou na Culturgest. Além das conferências, o GPA passou a apostar num modelo mais flexível que mantém o mesmo número de categorias a concurso, sete, mas em que três serão fixas e quatro irão mudar a cada ano. O Green Project Awards é neste momento um projecto internacional de sucesso, actualmente com edições em Portugal, no Brasil e em Cabo Verde. Até ao final do ano a iniciativa deverá ser igualmente lançada em Moçambique e Angola. Promovido em parceria com os governos locais, o galardão conta com uma rede internacional representativa dos principais sectores e áreas de actividade. Ao longo das seis edições concretizadas já recebeu mais de 1.000 candidaturas, tendo reconhecido acima de 60 projectos. RECUPERAR AS CIDADES PARA AS PESSOAS A reabilitação urbana e as iniciativas de mobilidade eléctrica têm acelerado nos últimos anos mas há ainda muito a fazer para que se tornem factores de promoção de sustentabilidade e pólos de desenvolvimento económico nas cidades. A A crise económica dos últimos anos deu espaço para lançar novas ideias e criar novos modelos de vivência nas cidades, onde a reabilitação urbana e a mobilidade eléctrica assumiram um papel mais relevante através de projectos de desenvolvimento sustentável que criam as bases para cenários de maior sustentabilidade ambiental e coesão económica. O tema esteve no centro da terceira conferência do Green Project Awards, dedicada às “Cidades para as Pessoas” e permitiu traçar um retrato sobre a evolução em duas áreas que são consideradas prioritárias. Os vários oradores trouxeram ao palco da Culturgest exemplos de inciativas inovadoras e projectos onde a sustentabilidade é palavra de ordem, com números que mostram a evolução registada nos últimos anos mas também com a noção clara que todo o processo está ainda no início e que é preci- so investir mais e melhor para tornar a Reabilitação Urbana e a Mobilidade Eléctrica uma realidade incontornável. Reabilitar e reutilizar A importância do sector imobiliário em termos económicos, mas também como factor de coesão social e fixação de populações, esteve no centro do debate dedicado à Reabilitação Urbana, onde os investimentos e iniciativas registadas nos últimos anos foram referidos. Ricardo Guimarães, do Confidencial Imobiliário, tinha começado por enunciar vários números relativos a Lisboa que mostram que a Reabilitação Urbana já é uma realidade aplicada na cidade, mas admite que este é ainda um exemplo que precisa de ser alargado a outras zonas. Na mesma linha de ideias Pedro Rutkowski, da Worx defende que “ainda há muito para fazer em Portugal e é preciso perceber que Reabilitação Urbana queremos fazer”, lembrando que há uma grande diferença entre pensar em reabilitação estratégica de zonas da cidade ou recuperação edifício a edifício, que dispersa os investimentos. O CEO da consultora imobiliária acredita que actualmente a reabilitação urbana conta com projectos inovadores, sustentáveis e com uma construção mais leve e económica mas defende que as câmaras e as entidades públicas têm de ter apoio e criar planos de reabilitação que sejam estratégicos e permitam intervenções diferenciadoras e mais sustentáveis. Os 600 milhões de euros de incentivos à reabilitação urbana anunciados pelo Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza na sua intervenção no início da conferência (ver página 8) foram acolhidos com agrado por Isabel Santos, da Ecochoice, que referiu ainda outros projectos importantes para a maior consciencialização da importância de reabilitar o património imobiliário. Mas este é ainda um primeiro passo de um caminho que não se faz em um ou dois anos. “O caminho está traçado. É preciso continuá-lo para chegar às metas definidas no programa 2020”. Com uma visão mais negativa, Reis Campos, da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas, garante que 600 milhões euros é pouco para a necessidade de investimento em reabilitação em Portugal. O património foi-se degradando com a falta de investimento e perderam-se oportunidades que agora têm de ser reatadas. “O mercado é atrac- tivo e Portugal devia aproveitar o momento para reabilitar”, avisa. Chegar tarde traz vantagens? O atraso registado face a outros parceiros europeus na área da reabilitação urbana é reconhecido por todos os intervenientes do painel, apontando-se números que mostram bem a diferença: enquanto a média europeia situa em 36,8% o índice de reabilitação urbana, em Portugal a taxa está apenas nos 6,5%. Os dados foram referidos por Reis Campos para ilustrar a necessidade urgente de investir nesta área, que é prioritária e indissociável do futuro do sector da construção e da fileira imobiliária. “A Reabilitação Urbana é prioritária mas não avança. O que se construiu nos últimos tempos foi uma ideia errada”, defendeu Reis Campos. Segundo o responsável pela associação do sector, 27% dos prédios em Portugal precisam de obras, sendo que 11,4% estão muito degradados ou requerem reparações médias ou grandes. Citando um estudo da Universidade de Engenharia do Porto adiantou que a estimativa é de que seriam necessários 38 mil milhões de euros para reabilitar todas estas casas, sendo que só em Lisboa o valor se eleva a 3,2 mil milhões. QUINTA-FEIRA | 24 JUL 2014 | SUPLEMENTO COMER CIAL | ? Novos nómadas e perfis diferenciados PEDRO RUTKOWSKI, Worx O modelo de procura de habitações nas cidades está a mudar pela alteração na composição das famílias, mais pequenas, mas também pelo perfil dos cidadãos, jovens e cada vez mais nómadas que procuram casa para arrendar e não aquisição. Pedro Rutkowski, da Worx, defende que é preciso adequar a oferta a esta nova procura e refere ainda o mercado pouco explorado de habitação para estudantes, onde há uma enorme necessidade não satisfeita. 200 mil casas em risco REIS CAMPOS, Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas Há ainda muito a fazer para que a Reabilitação Urbana seja uma realidade efectiva e é preciso mobilizar mais investimento e apoios financeiros para esta área, defende Reis Campos da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas. Segundo os números citados na conferência, 200 mil casas estão em risco de segurança e Portugal precisa de mais 60 mil fogos. Com base num estudo da Universidade de Engenharia do Porto, Reis Campos defende que para reabilitar o património imobiliário seriam necessários 38 mil milhões de euros. Reabilitar em Ovar Rui Fragoso, da ADENE, reconhece também que o património edificado precisa de uma aposta clara na reabilitação. “Temos um património grande, generoso, mas que carece muito de ser melhorado, nomeadamente na eficiência energética”, afirma. Esta é uma área onde a ADENE tem apostado através de várias iniciativas, como o certificado energético que tem contribuído para a maior consciencialização dos vários actores do mercado. Pedro Rutkowski acredita porém que este atraso pode ser transformado em vantagem. “Temos a mais valia de entrar mais tarde no mercado do que os espanhóis e podemos aprender com o que eles fizeram”, defende. Sensibilização autárquica A reabilitação urbana tornou-se nos últimos anos uma das prioridades dos autarcas e Ovar não foge à regra. Salvador Ferreira da Silva, da Câmara Municipal de Ovar, reconhece que a nova geração está mais focada nas pessoas e deixou de lado a aposta no betão, valorizando a coesão social e territorial, mas lembra que fora de Lisboa o investimento é ainda diminuto e disperso. Embora veja com bons olhos o investimento anunciado pelo Governo nesta área, o autarca defende que será necessário mobilizar os particulares. “ SALVADOR FERREIRA DA SILVA, Câmara Municipal de Ovar A Reabilitação Urbana é um dos objectivos definidos pela autarquia, que está mais focada na valorização das pessoas e na coesão social e territorial. Para já está a ser feito a delimitação urbana nas várias freguesias da cidade, um passo importante para conhecer a realidade antes de definir os planos estratégicos, defende Salvador Ferreira da Silva. E embora os apoios públicos sejam importantes no processo, em Ovar a reabilitação vai avançar mesmo que estes não existam. Melhorias na eficiência energética Ainda há muito para fazer em Portugal e é preciso perceber que Reabilitação Urbana queremos fazer. Até 1990 a eficiência energética não era um tema considerado importante na gestão do património mas nos últimos anos o panorama mudou de forma positiva e Rui Fragoso, da ADENE, refere que as mudanças legislativas foram um factor relevante para a maior consciencialização, embora não seja ainda suficiente. Há uma grande diferença entre pensar em reabilitação estratégica de zonas da cidade ou recuperação edifício a edifício, que dispersa os investimentos. PEDRO RUTKOWSKI Worx RUI FRAGOSO, ADENE Temos um património grande, generoso, mas que carece muito de ser melhorado, nomeadamente na eficiência energética. Bons exemplos a destacar RUI FRAGOSO ADENE O mercado é atractivo e Portugal devia aproveitar o momento para reabilitar. A Reabilitação Urbana é prioritária mas não avança. O que se construiu nos últimos tempos foi uma ideia errada. REIS CAMPOS Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas ISABEL SANTOS, Ecochoice A certificação energética promovida pela ADENE, o projecto Jessica e as iniciativas do Programa 2020 foram usados por Isabel Santos da Ecochoice como bons exemplos de um desenvolvimento registado nos últimos 10 anos em prol da Reabilitação Urbana e sustentabilidade energética, para a qual as indústrias estão também cada vez mais despertas, embora com uma visão de médio prazo. ? QUINTA-FEIRA 24 JUL 2014 | | Green Project Awards Portugal Investimento em Reabilitação Urbana começa em Lisboa Depois de anos a aguardar a maturidade do mercado da reabilitação urbana, um estudo do Confidencial Imobiliário mostra que a dinâmica está a acontecer, embora existam ainda desafios a ultrapassar. “Estamos no contexto da reabilitação urbana. Há reabilitação urbana” anunciou Ricardo Guimarães no final da sua intervenção na conferência Green Project Awards. O director da publicação Confidencial Imobiliário admitiu que nos últimos anos tem feito várias apresentações a defender que era essencial desenvolver este mercado, mas que finalmente isso está a acontecer, numa mudança bemvinda e que é sobretudo originada em Lisboa, mas que tem todas as condições para se disseminar a outras zonas do país. Usando como base os dados do SIR – Sistema de Informação Residencial para a Área Metropolitana de Lisboa, Ricardo Guimarães traçou a evolução do contexto do mercado residencial na região de Lisboa, apontando indicadores de valorização dos imóveis e preços de rendas, mas também de projectos de reabilitação urbana. De acordo com os indicadores, no contexto da crise financeira o mercado do arrendamento reagiu “bastante bem” com uma dinâmica que deu origem a um ajustamento das rendas, embora a procura se mantenha bastante abaixo da oferta e não seja uniforme nos vários segmentos de mercado. Na gama baixa os preços de arrendamento caíram 47% desde o início da crise, mas em 2013 registou-se uma recuperação de 9%, enquanto a Gama alta recuperou 24%, muito impulsionada por fenómenos como os vistos Gold mas também pelo ambiente económico de maior confiança. Números da Reabilitação Urbana Construção nova (2012-2013): * 48 projectos licenciados * 530 fogos de construção nova * média de 24 fogos/imóvel Reabilitação (2012-2013): * 208 projectos licenciados * 1.210 fogos reabilitados * média de 9 fogos/imóvel Obras de curta duração (2012-2013): * 224 projectos licenciados * 1.138 fogos intervencionados * média de 12 fogos/imóvel Incentivo ao investimento A recuperação de preços é vista por Ricardo Guimarães como um incentivo ao investimento que pode trazer uma nova dinâmica ao mercado imóvel, depois de alguns anos com um nível reduzido de construção de novos fogos e mesmo de recuperação habitacional, onde as obras de curta duração, reservadas a pequenas melhorias, também não registaram grande evolução. O retrato não é porém homogéneo no país. Lisboa é a região onde as mudanças se fazem sentir de forma mais relevante, mas o director do Confidencial Imobiliário admite que o mercado vai recuperar “de Lisboa para fora”. “No sector imobiliário as mudanças que vão acontecer serão necessariamente depois de se fazerem em Lisboa”, explicou, reconhecendo que no resto do país o cenário de Reabilitação Urbana é bastante diferente e menos significativo do que o registado na Capital, até pela relevância que o mercado imobiliário tem nesta região. Apesar do sentimento maioritariamente positivo, Ricardo Guimarães lembra que há ainda desafios a ultrapassar, sobretudo no financiamento bancário, onde se sente alguma recuperação. “É preciso que este potencial regresso do financiamento bancário possa ser aplicado de forma positiva no contexto da reabilitação urbana e não se torne uma ameaça, sendo penalizada pelo incentivo apenas à construção nova”. Ricardo Guimarães, director do Confidencial Imobiliário O efeito dos vistos Gold O preço das casas de luxo em Lisboa aumentou 54% em 2013 sob influência dos Golden Visa, atingindo os 4.266 euros por metro quadrado, um valor que supera o verificado antes da crise, no 3º trimestre de 2008, altura em que se fixava em 3.700 €/m². Os dados do SIR mostram que o incentivo à fixação em Portugal para investimento acima dos 500 mil euros está a atrair muitos estrangeiros, mas Ricardo Guimarães acredita que apesar de ser este o factor mais mediático ligado à subida dos preços não é o único. Segundo os dados do Confidencial Imobiliário, o efeito dos vistos Gold teve inicialmente um âmbito geográfico muito localizado na zona do Parque das Nações, onde o preço por metro quadrado chegou a atingir os 6,8 mil euros, mas começa agora a estender-se a outras zonas de Lisboa, criando novas oportunidades no contexto da reabilitação urbana. Os preços das rendas nas zonas da Baixa, Parque das Nações e Chiado são os mais altos da cidade de Lisboa, situando-se entre os 9,5€/m² e os 10,6€/m² no ano de 2013. O valor médio ronda os 7,9 euros por metro quadrado, sendo mais reduzido na margem sul onde se fixou nos 4,3 €/m². QUINTA-FEIRA Mudança de paradigma na mobilidade | 24 JUL 2014 | SUPLEMENTO COMER CIAL | ? PERGUNTAS A XAVIER MARTINET administrador delegado da Renault Portugal Desafios da mobilidade individual passam por conceitos inovadores A mobilidade eléctrica perdeu velocidade mas a Renault está empenhada em dar o impulso necessário ao tema para conseguir atrair mais utilizadores. Proporcionar uma boa experiência de condução é um dos objectivos. Muito vai mudar na forma como nos deslocamos nas cidades. Esta é a convicção da Brisa, que está a mudar o seu próprio negócio, deixando de ser uma empresa de estradas, para ser uma organização centrada em encontrar soluções de mobilidade cada vez mais eficientes e amigas do ambiente. “Mobilidade sustentável: as vantagens de uma abordagem integrada”. Foi este o tema que Franco Caruso, da Brisa, levou à conferência GPA sobre “Cidades para as Pessoas”. E o objectivo era dar a conhecer a visão da empresa sobre um tema que está na ordem do dia, mas que, segundo o próprio, a Brisa tem vindo a estudar. Franco Caruso apresentou algumas das conclusões de um estudo que a empresa fez em 2012 sobre mobilidade, que abordou quatro vectores: economia/demografia; comportamentos; tecnologia e políticas. E as conclusões mostram que “no campo da economia os transportes terão que ser cada vez mais eficientes, no caso dos comportamentos há uma tendência para se reduzir a mobilidade fora das cidades, nos comportamentos nota-se uma cada vez menor apetência para conduzir por parte dos jovens, quanto à tecnologia é cada vez maior a procura de soluções mais eficientes como a electricidade e mesmo o desenvolvimento de veículos alternativos (micro-carros) e, no caso das políticas há uma maior tendência para o financiamento de infra-estruturas sustentáveis”. O futuro: veículos sem condutor O orador focou ainda a questão legislativa, que é cada vez mais restritiva em termos ambientais, o que levará a essa mudança de paradigma, assentando a mobilidade, cada vez mais em soluções multi-modais. “A legislação ambiental é cada vez mais restritiva para as motorizações convencionais, os automóveis nas cidades serão cada vez mais residuais e mais perseguidos”, referiu Franco Caruso. Para o porta voz da Brisa “a mobilidade nas cidades não será sustentável como está, há um gap ambiental, social e de financiamento. O tema agora tem que ser o da eficiência e de uma civilização melhor do que aquela que existe”. Em toda esta mudança de paradigma serão importantes, segundo Franco Caruso, dos desenvolvimentos tecnológicos, tanto com soluções que já existem e estão a ser testadas como com outras que aparecerão em 15/20 anos. “A automatização dos veiculos será uma tendência, embora ainda tenham que ser resolvidas algumas questões como a responsabilidade civil em caso de acidente”. Mas importante será também a informação que chegar aos cida- dãos. “Ter pessoas cada vez mais informadas e interessadas terá um impacto na oferta e na consciencialização para novas formas de mobilidade e na escolha de soluções multimodais”. “ A legislação ambiental é cada vez mais restritiva para as motorizações convencionais, os automóveis nas cidades serão cada vez mais residuais e mais perseguidos FRANCO CARUSO Brisa Projecto WBCSD A Brisa e várias empresas de diversos sectores, como construtores automóveis e petroliferas, estão envolvidas no projecto “WBCSD: Business Solutions for a Sustainable World”, que desde 2013 visa classificar as cidades em termos de mobilidade, perceber a situação, e criar um sistemna de indicadores para perceber o presente e apresentar soluções para o futuro. No âmbito do projecto será desenvolvida uma “tool-box” universal, mas com soluções diferentes para casos/cidades diferentes. Neste momento estão a decorrer experiências em seis cidades, que devem terminar no final do ano, tornandose depois público os resultados. O futuro do automóvel é a mobilidade eléctrica? O mundo de hoje está confrontado com uma série de desafios: económicos (a pressão sobre o preço dos combustíveis fósseis), ambientais (a necessidade de reduzir os impactos da mobilidade individual) e sociais (a concentração a nível global das populações nas cidades). A Renault vê a mobilidade eléctrica como a forma mais eficaz de responder a estes desafios. E por ser a forma mais eficaz tem todas as condições para vingar e tornar-se uma parte significativa do futuro da mobilidade individual. Com cerca de 15 mil unidades vendidas em menos de ano e meio, o Renault Twizy é um autêntico “case study”. O que mais destaca neste veículo? Desde logo o conceito inovador. Um quadriciclo, 100% eléctrico que se conduz como um automóvel, com um nível de segurança superior aos dos seus concorrentes mais directos (motociclos), com um custo de utilização extremamente reduzido e que pelas suas dimensões é extremamente desembaraçado no trânsito das grandes cidades. E, todos os que já puderam experimentar são unânimes: é um veículo extremamente divertido de conduzir. O ZOE foi o primeiro Renault exclusivamente concebido para ser 100% eléctrico? Um ano após a sua chegada ao mercado que balanço faz das vendas no mercado português? O balanço está intimamente ligado ao actual estado de desenvolvimento da mobilidade eléctrica em Portugal que perdeu muita velocidade em relação a um passado não muito distante. A nossa aposta no Zoe, tal como em todos os automóveis eléctricos, é a de propiciar ao maior número de pessoas possível a experiência de condução de um veículo eléctrico. Sabemos que hoje existem um conjunto de ideias associadas ao veículo eléctrico e que a melhor forma de “cativar” as pessoas para esta nova forma de mobilidade é proporcionar-lhes a experiência de condução. De qualquer forma o Zoe é um dos veículos eléctricos mais vendidos no nosso país. No futuro próximo qual deve ser o factor de maior influência no design de um veículo? A aerodinâmica, as exigências ambientais ou os novos materiais? Tudo! Pensamos que um automóvel tem que continuar a ser reconhecido como um automóvel, mas é evidente que a eficácia dos automóveis do futuro passará pela redução do seu peso (e logo pela aplicação de novos materiais), eventualmente das suas dimensões, pelo seu desempenho dinâmico (e logo, também pela aerodinâmica). O modelo de futuro passa por liberalizar a rede pública de carregamento de carros eléctricos, gerida pela Mobi.e, abrindo-a à concorrência e permitindo tornar o carregamento mais próximo dos cidadãos? A solução desenvolvida pela Mobi.e de um sistema “fechado” (como o são, por exemplo o multibanco ou a via verde), tinha uma vantagem, para nós importante, que era o de permitir da mesma forma, em qualquer posto, em qualquer lugar, um acesso exactamente da mesma forma. A habituação dos utilizadores era imediata. Se a liberalização conduzir a uma multiplicidade de formas de acesso e/ou pagamento será introduzida uma complexidade no sistema que, a priori, para nós será mais um travão que uma vantagem. De qualquer forma, para a Renault, os locais preferenciais de carregamento serão sempre aqueles onde o utilizador passa mais tempo (casa, trabalho) pelo que é importante que a legislação criada ou a criar integre estas dimensões nomeadamente no que diz respeito a condomínios. ? QUINTA-FEIRA 24 JUL 2014 | | Green Project Awards Portugal Mobilidade eléctrica é já incontornável Se até há pouco tempo os veículos eléctricos pareciam não ter «rodas» para andar, agora a realidade parece ser bem diferente. Até a nova “fiscalidade verde” poderá vir a dar uma ajuda. Os veículos movidos a electricidade parecem ter chegado para ficar. Quando se fala em mobilidade e em alterações no actual paradigma a primeira ideia que surge é a passagem para veículos eléctricos, de quatro, três e duas rodas. Daí que o Green Project Awards (GPA) tenha, na conferência “Cidades para as Pessoas”, convidado vários oradores para discutir o tema “Mobilidade Eléctrica”, num momento que pode trazer mudanças ao sector dos transportes e da mobilidade, estando em consulta o documento referente ao quadro legal para a mobilidade eléctrica, que está a ser denominado de “fiscalidade verde”, assim como o novo regulamento de transportes. Veículos para todos os gostos Sobre todas estas questões se debruçaram os oradores deste painel da conferência GPA. Para Luís Reis da APVE (Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico), “a mobilidade eléctrica é uma realidade incontornável”. “A mobilidade eléctrica não se esgota no veículo tradicional, há bicicletas, triciclos, e iniciativas que geram novos serviços e produtos. Seria também importante trazer as energias renováveis para o sistema de mobilidade eléctrica”, referiu. Mário Alves, consultor de Mobilidade, é da opinião que o melhor é mesmo não ter carro. Mas como isso não será uma realidade nos tempos mais próximos, explica que “estamos em alteração de paradigma, mas é preciso que todos passem a falar da mesma maneira porque só assim seja chega a medidas práticas”. No caso dos construtores de veículos as viaturas movidas a electricidade estão a entrar no dia-a-dia do seu negócio. Paulo Rodrigues, da ABIMOTA, começou por dizer que os veículos eléctricos podem ter “quantas rodas se quiser”. Para depois, mais a sério, referir que “o sector das duas rodas representa 200 milhões de euros em exportações, pelo que a indústria portuguesa já é capaz de gerar valor”. “Os segmentos das bicicletas eléctricas e das desdobráveis são os que mais têm crescido, isso mostra o papel que estas têm nas soluções multimodais, como parte de uma solução integrada”, acrescentou. Mais eléctricos que híbridos Para Xavier Martinet, Administrador Delegado da Renault Portugal, os veículos eléctricos são já uma realidade. E as pessoas têm que estar informadas para isso. “A Renault/Nissan vendeu 160 mil carros eléctricos a nível mundial, As viaturas movidas a electricidade vieram para ficar. número mais elevado do que os híbridos vendidos nos 3/4 anos de existência destes”, referiu o orador. De outro lado está “uma empresa que passa multas”, nas palavras de Óscar Rodrigues da EMEL, mas que “passou a estar focada na mobilidade”. Segundo o orador a EMEL tem vindo a estar envolvida em várias iniciativas nesta área, como o Mobi-e, que levou à instalação de postos de abastecimento de veículos eléctricos em Lisboa, e no “Dístico Verde” em que os veículos eléctricos não pagam estacionamento. Segundo Luís Paulo, representante dos CTT, 8% da frota da empresa tem motorizações alternativas, mas ainda há muito a fazer, porque nos outros 82% estão os 200 camiões da empresa. Mas, “os CTT estão neste momento a testar um camião eléctrico, sendo o primeiro operador postal no mundo a fazê-lo”. QUINTA-FEIRA | 24 JUL 2014 | SUPLEMENTO COMER CIAL | ? APVE quer olhar para o futuro A mobilidade eléctrica traz uma nova realidade e é preciso perceber o novo quadro legal. LUÍS REIS, APVE Para Luís Reis, da APVE está-se perante “ uma nova realidade e um novo balanço de forças em termos de mobilidade e energia, um mercado que abre espaço para novos serviços e produtos, novas empresas e novos modelos de negócio”. Sobre a nova revisão do quadro legal sobre a mobilidade eléctrica, o orador referiu que “não há ainda uma explicitação do balanço entre as medidas de discriminação positiva e as medidas de discriminação negativa, mas poderia haver mais ousadia, um sair fora da caixa e a fiscalidade deverá ter em conta outras componentes como o retorno ambiental, social e económico do uso de veículos eléctricos”. Mobilidade eléctrica não pode ser só fiscalidade A nova legislação para a mobilidade eléctrica precisa de um enquadramento. Esta é a opinião do consultor Mário Alves. MÁRIO ALVES, consultor “No caso da “fiscalidade verde” é importante que haja informação e comunicação com as pessoas. Estas têm que saber o que está em causa, se há um aumento ou uma redução de impostos”, referiu Mário Alves. Para o orador “no caso da mobilidade a eficiência energética pode ser uma maneira redutora de ver o problema, porque pode haver um aumento do consumo e logo há mais custos. Há um aumento do tráfego e outros problemas e impactos”. Pensar que cidades e que estilos de vida se querem A mobilidade eléctrica tem que ser enquadrada com a realidade das cidades, com o modelo que se pretende para estas. “ “A mobilidade eléctrica não se esgota no veículo tradicional, há bicicletas, triciclos, e iniciativas que geram novos serviços e produtos. Seria também importante trazer as energias renováveis para o sistema de mobilidade eléctrica” Luís Reis, APEV “Estamos em alteração de paradigma, mas é preciso que todos passem a falar da mesma maneira porque só assim seja chega a medidas práticas” PAULO RODRIGUES, ABIMOTA Fiscalidade deve ser estável Os veículos eléctricos há muito que fazem parte do portfólio da Renault e têm um peso cada vez maior. Quando à fiscalidade o importante é a estabilidade. XAVIER MARTINET, Renault Sobre a consulta em curso sobre o quadro legal da mobilidade eléctrica, Xavier Martinet, da Renault, explicou que para a empresa “o importante é saber-se com o que se conta, tem que haver alguma estabilidade a nível fiscal”. Quanto às mudanças no paradigma da mobilidade, o orador refere que este terá que mudar uma vez que o mercado dos veículos com os actuais motores de combustão não poderá continuar a crescer ao ritmo actual devido aos impactos económicos, ecológicos e sociais e isso acarreta. Tornar as cidades mais inteligentes Desde o Mobi-e ao Dístico Verde, a EMEL tem vindo a mudar o seu negócio. Mário Alves, Consultor “O sector das duas rodas representa 200 milhões de euros em exportações, pelo que a indústria portuguesa já é capaz de gerar valor” Para Paulo Rodrigues, da ABIMOTA, a mobilidade eléctrica “tem que estar ligada ao tipo de cidades que queremos e aos estilos de vida. É fundamental pensar a envolvente urbana”. Quanto à “fiscalidade verde”, o orador referiu que a maior dificuldade surge porque “ o Estado está viciado em vícios, ou seja em taxar vícios, como o tabaco, o álcool, os combustíveis. O Estado precisa de fazer terapia e encontrar outras soluções, que passarão pela mobilização da sociedade civil e por uma nova política de cidades”. O “M” da EMEL deixou de ser de “Municipal” para ser de “Mobilidade. Foi desta forma que Óscar Rodrigues explicou a mudança no core business da empresa. “A EMEL mudou muito e já não se posiciona apenas como a empresa de fiscalização do estacionamento de Lisboa mas como empresa que ajuda à mobilidade, à criação de uma cidade mais inteligente e mais inclusiva.” Para orador, no domínio da mobilidade, “ a sociedade civil precisa de combater os seus medos em relação aos veículos eléctricos, nomeadamente a autonomia, a questão do preço, que inicialmente é mais elevado”. Paulo Rodrigues, ABIMOTA ÓSCAR RODRIGUES, EMEL “A Renault/Nissan vendeu 160 mil carros eléctricos a nível mundial, número mais elevado do que os híbridos vendidos nos 3/4 anos de existência destes” Cumprir metas ambientais Xavier Martinet, Renault Os CTT são uma das empresas portuguesas com a maior frota. As motorizações alternativas já são uma opção, mas os camiões ainda estão de fora. “A EMEL passou a estar focada na mobilidade” Com viaturas de vários tipos e de motorizações diversas, os CTT estão a cumprir as metas ambientais que estão estipuladas internacionalmente para o sector, embora segundo Luís Paulo, representante da empresa, refira que “apenas 8% da frota tenha motorizações alternativas”. As escolhas da empresa nesta área estão relacionadas com uma “racionalidade económica, mas não só financeira. A nossa factura energética directa vale cerca de 7% dos serviços externos e a indirecta cerca do dobro, mas a opção pelo veículo eléctrico é analisada em termos de racionalidade caso a caso”. Óscar Rodrigues, EMEL “Os CTT estão neste momento a testar um camião eléctrico, sendo o primeiro operador postal no mundo a fazê-lo” Luís Paulo, CTT LUÍS PAULO, CTT QUINTA-FEIRA | 24 JUL 2014 | SUPLEMENTO COMER CIAL Green Project Awards Portugal | ? Caminhar para cidades sustentáveis O Homem foi de todos os habitantes do planeta aquele que melhor se adaptou às mudanças. Mas a sua acção está a levar a uma situação insustentável. Para reverter esta tendência a aposta deverá ser, segundo Rui Vasques, na sustentabilidade. A fechar a conferência “Cidades para as Pessoas” do GPA, foi apresentada a tese de mestrado do designer Rui Vasques, que se centra no conceito Eco-Village Community. Ou seja, uma nova forma de desenhar os pólos habitacionais. A ideia de Rui Vasques é como que um voltar às origens, dando mais atenção à natureza e tirando partido do que esta verdadeiramente nos dá, sem contribuir para a sua degradação como se tem vindo a verificar. O orador começou por explicar os passos que nos trouxeram até aqui. A uma situação em que a sustentabilidade está na ordem do dia. “O homem foi o que melhor se adaptou ao meio ambiente, criando recursos para se desenvolver. A revolução industrial foi um marco, com coisas positivas mas outras que se revelaram negativas, com impactos que se sentem até hoje como a poluição, a destruição de recusrsos, as desigualdes sociais e no acesso a bens e os resíduos que é preciso tratar”, afirmou. base a construção sustentável, através da utilização de materiais reutilizáveis e que permitam climatizações naturais. “Deve haver uma nova lógica de apropriação do espaço por parte do Homem, um maior altruísmo, que é essencial para uma maior sustentabilidade e interesse pelo próximo, assim como um novo sistema social o mais auto-suficiente possível”. Mas de acordo com o orador a mudança de paradigma não deverá implicar a destruição de tudo o que existe, mas aproveitar e melhorar as cidades existentes, tendo em conta a ideia de sustentabilidade. “É essencial reabilitar o que já existe, não é destruir tudo e começar de novo, não deverá haver abandono mas uma adaptação”, concluiu. Uma nova lógica No entanto, realçou que “há agora uma maior consciência ambiental, e novas soluções que podem ser usadas com um menor impacto ambiental. Há mais informação e conhecimento”. Para Rui Vasques este é o momento para mudar de paradigma, apresentado o seu projecto Eco-Village Community, que tem por O conceito de Eco-Village Community assenta numa solução integrada com base em três ideias-chave. Desde a construção, ao espaço comunitário, passando pela forma de deslocação. “ Deve haver uma nova lógica de apropriação do espaço por parte do Homem, um maior altruísmo, que é essencial para uma maior sustentabilidade e interesse pelo próximo, assim como um novo sistema social o mais auto-suficiente possível RUI VASQUES Designer Eco-Village Community - Construção Local: matérias-primas e equipamentos o mais locais possível e técnicas milenares - Produção Local de Recursos: água, energia, comida, ferramentas e permacultura - Auto-suficiência Regional: auto-construção, energias renováveis, reciclagem, reaproveitamento, bio-combustível, troca de excedentes 600 milhões euros para reabilitação urbana A importância da reabilitação urbana foi um dos temas destacados pelo Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, na conferência “Cidades para as Pessoas” do Green Project Awards (GPA). A importância da reabilitação urbana foi um dos temas destacados pelo Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, na conferência “Cidades para as Pessoas” do Green Project Awards (GPA). “O Governo tem dado uma grande importância à reabilitação urbana e à sustentabilidade, sendo que estas só são relevantes tendo em conta o desenvolvimento económico, a qualidade de vida e a coesão”, referiu o governante. Para melhor explicar esta importância foi anunciada uma verba de 600 milhões de euros, no âmbito do programa Portugal 2020 para a reabilitação urbana. O Secretário de Estado referiu ainda outras áreas em que o executivo está a actuar para tornar as cidades mais sustentáveis, e que têm por base “uma mudança de es- tratégia assente numa economia mais sustentável”. O Governo irá desenvolver iniciativas nas áreas do licenciamento e do ordenamento do território, nomeadamente de simplificação legislativa e ainda na conservação e reabilitação das cidades com vista ao regresso das populações aos centros históricos. Outra vertente passa pela reforma do cadastro perdial e da política de cidades. Segundo Miguel Castro Neto, está já em curso, no âmbito da Agenda 2020, “a estratégia para as cidades sustentáveis, que assenta em quatro eixos estratégicos: “inteligência, sustentabilidade, inclusão e governance do território”. O governante fez ainda alusão à mobilidade, referindo que o veículo privado terá que começar a perder preponderância, apostando-se, cada vez mais, numa mobilidade “verde”.