ESTUDO DAS MASSAS D’ÁGUA E DA CIRCULAÇÃO GEOSTRÓFICA NA REGIÃO
SUDESTE DA BACIA DO BRASIL
Luiz Cláudio Cosendey Silva
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS
PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA
OCEÂNICA.
Aprovada por:
________________________________________________
Prof°. Afonso de Moraes Paiva, Ph.D.
________________________________________________
Profª. Susana Beatriz Vinzon, D.Sc.
________________________________________________
Prof°. Wilton Zumpichiatti Arruda, Ph.D.
RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL
SETEMBRO DE 2006
SILVA, LUIZ CLÁUDIO COSENDEY
Estudo das Massas D’água e da Circulação
Geostrófica na região Sudeste da Bacia
do Brasil [Rio de Janeiro] 2006
XII, 115 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M.Sc.,
Engenharia Oceânica, 2006)
Dissertação - Universidade Federal do
Rio de Janeiro, COPPE
1. Bacia do Brasil
2. Massas D’água
3. Geostrofismo
4. Circulação Termohalina
5. Variação Térmica e Salina
I. COPPE/UFRJ II. Título (série)
ii
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao meu orientador Afonso de Moraes Paiva por todos os
ensinamentos transmitidos durante o período do curso de mestrado sejam relativos ao
conteúdo do trabalho, como aos ensinamentos a serem utilizados em muitos outros
momentos da vida.
Aos meus pais e minha família por toda força e carinho durante toda a minha
vida e principalmente nos momentos mais difíceis.
Ao WHOI, na pessoa do cientista James R. Ledwell, por ceder os dados
utilizados neste trabalho de mestrado.
Ao amigo João Marcos pela fundamental ajuda no desenvolvimento da
metodologia de tratamento de dados e por toda a ajuda nos momentos mais
complicados.
Aos amigos Cláudia, Mariela, Pedro, Fernanda, Bruno, Rogério, Leandro,
Vladimir e Guerra pela ajuda e que acompanharam, uns mais e outros menos, todo o
meu caminho até a defesa da dissertação.
A Marise e a Glace por terem sido muito importante durante todo o curso, me
lembrando das coisas e me ajudando em alguns problemas complicados que
nenhuma matemática resolve.
Aos amigos da HabTec que souberam compreender esta fase da minha vida e
que me ajudaram de diversas maneiras, possibilitando a conclusão deste trabalho.
A todos os outros amigos que não foram citados nominalmente, mas que me
acompanharam e apoiaram esta trajetória difícil.
A minha namorada e amiga Fernanda pela ajuda, apoio, compreensão e
paciência durante esta etapa da minha vida. Obrigado por tudo.
E a Deus por estar em todos os lugares nos protegendo, e por ter me dado
tantos amigos.
Obrigado a todos!
iii
Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)
ESTUDO DAS MASSAS D’ÁGUA E DA CIRCULAÇÃO GEOSTRÓFICA NA REGIÃO
SUDESTE DA BACIA DO BRASIL
Luiz Cláudio Cosendey Silva
Setembro /2006
Orientador: Afonso de Moraes Paiva
Programa: Engenharia Oceânica
A partir da análise de dados de temperatura e salinidade coletados nos anos de
1997, 1998 e 2000 no projeto de pesquisa “Brazil Basin Tracer Release Experiment
(BBTRE)” do “Woods Hole Oceanographic Institution” foi estudada a oceanografia da
parte sudeste da Bacia do Brasil.
Os objetivos deste trabalho são definir e caracterizar as massas d’água
presentes na área de estudo, inferir a circulação geostrófica na região e verificar a
ocorrência de variações interanuais na estrutura termohalina da Bacia do Brasil.
Foram identificadas seis massas d’água na área de estudo sendo que a Água
Tropical (AT), Água Central do Atlântico Sul (ACAS), Água Intermediária Antártica
(AIA), Água Circumpolar Superior (ACP) fluindo para oeste junto com o Giro
Subtropical do Atlântico Sul e a Água Profunda do Atlântico Norte (APAN) e Água
Antártica de Fundo (AAF) fluindo preferencialmente para leste.
Os resultados identificaram uma variação térmica e salina dentro do intervalo
de tempo da coleta de dados, sendo que a maior variação é encontrada dentro da
camada de mistura diminuindo com o aumento de profundidade. Na ACAS a variação
chegou a ±1,5ºC para a temperatura e a 0,25 para a salinidade. Nas massas d’agua
intermediárias e profundas, a variação apresentou valores extremos similares, sendo
de aproximadamente ±0,1ºC para temperatura e de aproximadamente ±0,01 para
salinidade.
iv
Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)
STUDY OF WATER MASSES AND GEOSTROPHIC CIRCULATION OF SOUTHEAST
BRAZIL BASIN
Luiz Cláudio Cosendey Silva
September /2006
Advisor: Afonso de Moraes Paiva
Department: Ocean Engineering
The oceanography of the southeastern Brazil Basin was studied based on
salinity and temperature data collected during the years of 1997, 1998 and 2000 as
part of the research project Brazil Basin Tracer Release Experiment (BBTRE) from
Woods Hole Oceanographic Institution.
The objectives of this work are to define and characterize the water masses
presented at the studied area, to figure out the geostrophic circulation of the region as
well as to verify inter-annual variations of Brazil Basin termohaline structure.
Six water masses were identified at the studied area. The Tropical Water, South
Atlantic Central Water, Antartic Intermediate Water and Upper Circumpolar Water flows
westward along with South Atlantic Subtropical Gyre while the North Atlantic Deep
Water and the Antartic Bottom Water flows predominantly to east.
Thermal and saline variability were observed within the results over the period
studied, where the major variability occurred at the mixed layer, decreasing as depth
increases. At the South Atlantic Central Water the variability reached ±1.5ºC to
temperature and 0.25 to salinity. At intermediate and deeper water masses extreme
variability values were similar, being approximately ±0.1ºC for temperature and ±0.01
for salinity.
v
INDICE
1.
INTRODUÇÃO...................................................................................................... 1
2.
REVISÃO.............................................................................................................. 5
3.
4.
2.1.
CIRCULAÇÃO SUPERFICIAL NO ATLÂNTICO SUL.............................. 5
2.2.
MASSAS D’ÁGUA DO ATLÂNTICO SUL ................................................ 7
METODOLOGIA................................................................................................. 16
3.1.
ÁREA DE ESTUDO ................................................................................. 16
3.2.
AQUISIÇÃO DOS DADOS ...................................................................... 18
3.3.
ANÁLISE DOS DADOS........................................................................... 22
3.3.1.
Densidade .................................................................................22
3.3.2.
Massas d’água..........................................................................23
3.3.3.
Velocidade geostrófica ............................................................24
3.3.4.
Transporte de volume..............................................................25
3.3.5.
Variação interanual de temperatura e salinidade..................25
RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................... 26
4.1
MASSAS D’ÁGUA................................................................................... 26
4.1.1
Água Tropical (AT) ...................................................................29
4.1.2
Água Central do Atlântico Sul (ACAS) ...................................32
4.1.3
Água Intermediária Antártica (AIA).........................................36
4.1.4
Água Circumpolar Superior (ACP) .........................................42
4.1.5
Água Profunda do Atlântico Norte (APAN) ............................45
4.1.6
Água Antártica de Fundo (AAF) ..............................................52
4.2
ESCOAMENTO GEOSTRÓFICO............................................................ 56
4.3
VARIAÇÃO INTERANUAL...................................................................... 75
4.3.1
Seção 1......................................................................................78
4.3.2
Seção 2......................................................................................83
4.3.3
Seção 3......................................................................................86
4.3.4
Discussão sobre os resultados de variação térmica e
salina nas seções 1, 2 e 3......................................................................90
5
CONCLUSÕES................................................................................................... 97
6
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................ 102
vi
LISTA DE FIGURAS
Figura 1.1 – Distribuição geográfica das estações profundas de CTD no oceano
Atlântico Sul provenientes do projeto WOCE e de bancos de dados históricos. A
área de estudo deste trabalho está representada pelo retângulo vermelho. Fonte:
Modificado de MORRIS et al. (2001)...............................................................................3
Figura 2.1 – Giro subtropical do Atlântico Sul. A área de estudo deste trabalho está
representada pelo retângulo vermelho. Modificado de PETERSON & STRAMMA,
1991. ..................................................................................................................................6
Figura 2.2 – Distribuição de Temperatura e Salinidade no Oceano Atlântico. Fonte:
WOCE............................................................................................................................. 8
Figura 2.3 – Diagrama T-S mostrando a estrutura vertical das massas d’água do
oceano Atlântico. Fonte: DUXBURY et al., 2000............................................................ 9
Figura 2.4 – Esquema de circulação profunda no oceano Atlântico Sul. As linhas
continuas representam a circulação da APAN e as linhas tracejadas representam a
circulação da AAF. A área de es.Fonte: STRAMMA & ENGLAND,1999 ..................... 15
Figura 3.1 – Topografia do Atlântico Sul representada pelas isóbatas de 1000,
3000 e 5000 m. Modificado de PETERSON & STRAMMA, 1991..................................16
Figura 3.2 – Mapa da Bacia do Brasil, mostrando o relevo submarino e as
comunicações abissais. O retângulo vermelho delimita a área de estudo. Fonte:
Adaptado de MORRIS et al., 2001. ...............................................................................17
Figura 3.3 – Localização das estações oceanográficas de coleta de dados de
temperatura e condutividade durante os cruzeiros oceanográficos do projeto
BBTRE durante os anos de 1997, 1998 e 2000. ...........................................................19
Figura 3.4 – Foto do equipamento CTD – Rosette utilizado para coleta de dados. ......20
Figura 3.5 – Foto do salinômetro Guildline Autosal, utilizado para verificar a
calibração do sensor de salinidade acoplado ao CTD. .................................................22
Figura 4.1 – Diagrama TS espalhado com as 230 estações de CTD utilizadas nas
análises, coletadas nos anos de 1997 (azul), 1998 (verde) e 2000 (vermelho). ...........27
Figura 4.2 – Posicionamento das massas d’água, definido por isopicnais, plotadas
sobre mapas de salinidade (superior) e temperatura (ºC) para a área de estudo ao
longo da latitude de 22ºS...............................................................................................28
Figura 4.3 – Mapas representativos da espessura (m) da AT nos anos de 1997
(A), 1998 (B) e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala
vii
de longitudes (eixos horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a
mesma para os três mapas. ..........................................................................................30
Figura 4.4 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a AT no nível de
90 metros. ......................................................................................................................31
Figura 4.5 – Posicionamento em profundidade (m) do limite entre ACAS e AIA pela
área de estudo para o ano de 2000...............................................................................33
Figura 4.6 – Mapas representativos da espessura (m) da ACAS nos anos de 1997
(A), 1998 (B) e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala
de longitudes (eixos horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a
mesma para os três mapas. ..........................................................................................34
Figura 4.7 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a ACAS no
nível de 390 metros. ......................................................................................................35
Figura 4.8 – Posicionamento em profundidade (m) do limite entre AIA e ACP pela
área de estudo para o ano de 2000...............................................................................36
Figura 4.9 – Mapas representativos da espessura (m) da AIA nos anos de 1997
(A), 1998 (B) e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala
de longitudes (eixos horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a
mesma para os três mapas. ..........................................................................................38
Figura 4.10 – Mapas representativos das características do núcleo de salinidade
mínima da AIA. Valores de salinidade mínima (A), profundidade (m) do núcleo de
salinidade mínima (B) e densidade do núcleo de salinidade mínima (C)......................40
Figura 4.11 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a AIA no
nível de 790 metros. ......................................................................................................41
Figura 4.12 – Posicionamento em profundidade (m) do limite entre ACP e APAN
pela área de estudo para o ano de 2000.......................................................................43
Figura 4.13 – Mapas representativos da espessura (m) da ACP nos anos de 1997
(A), 1998 (B) e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala
de longitudes (eixos horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a
mesma para os três mapas. ..........................................................................................44
Figura 4.14 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a ACP no
nível de 1130 metros. ....................................................................................................45
Figura 4.15 – Posicionamento em profundidade (m) do limite entre APAN e AAF
pela área de estudo para o ano de 2000.......................................................................46
Figura 4.16 – Mapas representativos da espessura da APAN nos anos de 1997 (A),
1998 (B) e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala de
viii
longitudes (eixos horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a
mesma para os três mapas. ..........................................................................................48
Figura 4.17 – Mapas representativos das características do núcleo de salinidade
máxima da APAN. Valores de salinidade máxima (A), profundidade do núcleo de
salinidade máxima (B) e densidade do núcleo de salinidade máxima (C). ...................50
Figura 4.18 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a APAN nos
níveis de 2250 (esquerda) e 3550 (direita) metros........................................................51
Figura 4.19 – Mapa batimétrico da parte sudeste da Bacia do Brasil. Fonte: Etopo5
(http://www.ngdc.noaa.gov/mgg/global/etopo5.html) ......................................................52
Figura 4.20 – Mapas representativos da espessura (m) da AAF nos anos de 1997
(A), 1998 (B) e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala
de longitudes (eixos horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a
mesma para os três mapas. ..........................................................................................54
Figura 4.21 – Mapas de distribuição de T e S para a AAF no nível de 5000 metros. ...55
Figura 4.22 – Seção meridional de velocidades zonais, ao longo de 22ºW,
englobando profundidades acima do nível de referência. Valores negativos (azul)
indicam velocidades para oeste e valores positivos (vermelho) indicam velocidades
para leste. ......................................................................................................................58
Figura 4.23 – Variação do posicionamento dos dois fluxos para oeste pela área de
estudo. Cada gráfico representa o transporte zonal pontual (Sv) na ACAS em perfis
distanciados de dois graus de longitude, localizados entre 16º e 26ºW........................59
Figura 4.24 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível
de 90 metros sendo representativo do centro da Água Tropical (AT). ..........................61
Figura 4.25 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível
de 390 metros sendo representativo do centro da ACAS. ............................................61
Figura 4.26 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível
de 790 metros sendo representativo do centro da AIA. ................................................62
Figura 4.27 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível
de 1130 metros sendo representativo do centro da ACP..............................................62
Figura 4.28 – Seção vertical de velocidades zonais, ao longo de 22ºW, englobando
profundidades abaixo do nível de referência. Valores negativos (azul) indicam
velocidades para oeste e valores positivos (vermelho) indicam velocidades para
leste. ..............................................................................................................................64
Figura 4.29 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível
de 2250 metros sendo representativo do núcleo de salinidade máxima da APAN. ......65
ix
Figura 4.30 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível
de 4500 metros sendo representativo do centro da AAF. .............................................65
Figura 4.31 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível
de 2250 metros, plotado sobre o campo de salinidade máxima da APAN para a
mesma profundidade. ....................................................................................................66
Figura 4.32 – Campo horizontal de velocidades geostróficas (vetores), calculado
para o nível de 4500 metros, sobre o mapa batimétrico (contornos) da área de
estudo. ...........................................................................................................................67
Figura 4.33 – Seções de velocidade geostrófica zonal (acima) e meridional,
localizadas em 25,8ºW e 23,8ºS respectivamente. A área demarcada em vermelho
indica a localização em latitude e longitude da feição em forma de vórtice
observada. Os valores positivos (vermelho) indicam velocidades para leste e norte,
e os valores negativos (azul) indicam velocidades para oeste e sul. ............................69
Figura 4.34 – Transporte zonal integrado ao longo (~ 21ºS a 28ºS) de uma seção
meridional em 22ºW. .....................................................................................................71
Figura 4.35 – Transporte meridional integrado ao longo (~ 12ºW a 28ºW) de uma
seção meridional em 22ºS.............................................................................................72
Figura 4.36 – Comparativo dos transportes zonais e meridionais obtidos para cada
uma das massas d’água estudadas. A seção meridional está localizada em 22ºS e
a zonal em 22ºW. ..........................................................................................................74
Figura 4.37 – Localização das seções utilizadas para a análise da variação
interanual de temperatura e salinidade. Os círculos em amarelo identificam os
pares de estações utilizados para validar a interpolação dos dados. ...........................76
Figura 4.38 – Perfis pontuais de diferença de T (esquerda) e S (direita) para cada
uma das seções analisadas. O perfil pontual relativo a seção 1 analisa estações
localizadas próximas a 18ºW, a seção 2 próximas a 15ºW e para a seção 3
próximas a 22ºS. ...........................................................................................................77
Figura 4.39 – Perfil de variação da temperatura entre 1997 e 2000 para a seção 1.
A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e
a parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.................................80
Figura 4.40 – Perfil de variação da salinidade entre 1997 e 2000 para a seção 1. A
parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo....................................82
x
Figura 4.41 – Perfil de variação da temperatura entre 1997 e 2000 para a seção 2.
A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e
a parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.................................84
Figura 4.42 – Perfil de variação da salinidade entre 1997 e 2000 para a seção 2. A
parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo....................................86
Figura 4.43 – Perfil de variação da temperatura entre 1998 e 2000 para a seção 3.
A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e
a parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.................................88
Figura 4.44 – Perfil de variação da salinidade entre 1998 e 2000 para a seção 3. A
parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo....................................90
Figura 4.45 – Mapas de anomalia de TSM para a área de estudo, mostrando a
variação em torno de uma média climatológica para o mês de abril nos anos de
1997 (A), 1998 (B) e 2000 (C). As linhas pretas marcam o posicionamento das três
seções analisadas neste trabalho. A linha tracejada representa a seção 1, a linha
pontilhada representa a seção 2 e a linha contínua representa a seção 3. Fonte:
Modificado de NCEP. ....................................................................................................92
Figura 4.46 – Mapas de anomalia de TSM para a área de estudo, mostrando a
variação em torno de uma média climatológica para o mês de setembro nos anos
de 1997 (A), 1998 (B) e 2000 (C). As linhas pretas marcam o posicionamento das
três seções analisadas neste trabalho. A linha tracejada representa a seção 1, a
linha pontilhada representa a seção 2 e a linha contínua representa a seção 3.
Fonte: modificado de NCEP. .........................................................................................94
xi
LISTA DE TABELAS
Tabela 3.1 – Informações sobre os cruzeiros oceanográficos para coleta de dados....18
Tabela 3.2 – Valores de densidade utilizados para a definição dos limites das
massas d’água na área de estudo.................................................................................23
Tabela 4.1 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD
mostrando o posicionamento da AT, sua espessura e da camada de mistura pela
área de estudo durante os três anos de coleta de dados..............................................29
Tabela 4.2 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD
mostrando o posicionamento da ACAS e sua espessura pela área de estudo
durante os três anos de coleta de dados.......................................................................32
Tabela 4.3 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD
mostrando o posicionamento da AIA e sua espessura pela área de estudo durante
os três anos de coleta de dados....................................................................................37
Tabela 4.4 – Comparação com os valores obtidos por THOMSEN (1962) para o
núcleo de salinidade mínima da AIA. ............................................................................39
Tabela 4.5 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD
mostrando o posicionamento da ACP e sua espessura pela área de estudo durante
os três anos de coleta de dados....................................................................................42
Tabela 4.6 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD
mostrando o posicionamento da APAN e sua espessura pela área de estudo
durante os três anos de coleta de dados.......................................................................46
Tabela 4.7 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD
mostrando o posicionamento da AAF e sua espessura pela área de estudo durante
os três anos de coleta de dados....................................................................................53
Tabela 4.8 – Valores máximos observados para a velocidade geostrófica (m/s) em
cada uma das massas d’água estudadas. ....................................................................70
Tabela 4.9 – Valores máximos observados para o transporte de volume integrado
(Sv) em cada uma das massas d’água estudadas........................................................73
xii
1. INTRODUÇÃO
A Bacia do Brasil, localizada no oceano Atlântico Sul, onde se insere parte do
Giro Subtropical do Atlântico Sul, é uma região de grande interesse científico tendo em
vista a complexidade da dinâmica da circulação oceânica das massas d’água locais,
desde a superfície até o fundo. Devido ao fato do oceano Atlântico Sul receber águas
do oceano Atlântico Norte, do oceano Índico, do mar de Weddell e provenientes da
Corrente Circumpolar através da Passagem de Drake (REID,1989), aumenta ainda
mais a necessidade do conhecimento sobre a dinâmica oceânica local que pode
ajudar a compreender os processos globais.
A circulação em larga escala no oceano Atlântico Sul é composta pelo fluxo de
seis massas d’água principais (Água Tropical (AT), Água Central do Atlântico Sul
(ACAS), Água Intermediária Antártica (AIA), Água Circumpolar Superior (ACP), Água
Profunda do Atlântico Norte (APAN) e Água Antártica de Fundo (AAF)). As massas
d’água superficiais e intermediárias (AT, ACAS, AIA e ACP) fluem através do Giro
Subtropical passando pela Bacia do Brasil e chegando ao contorno oeste em
diferentes níveis de profundidade, como pode ser observado nas representações
esquemáticas de circulação em larga escala de STRAMMA & ENGLAND (1999).
Essas massas d’água, que chegam próximo à plataforma continental brasileira
provenientes da Bacia do Brasil, aumentam a necessidade de se estudar a dinâmica
dessa região que devido a influência sobre os processos costeiros, que tem
conseqüências mais diretas sobre as atividades antrópicas, como por exemplo a
exploração de óleo e gás em plataformas de petróleo offshore.
O projeto de pesquisa “Brazil Basin Tracer Release Experiment (BBTRE)”
idealizado pelo cientista James R. Ledwell do “Woods Hole Oceanographic Institution”
começou em 1996 com o lançamento de 110Kg do traçador Hexafluoreto de Enxofre
(SF6), em uma superfície isopicnal a 4000 m de profundidade. O SF6 foi lançado na
parte sudeste da Bacia do Brasil próximo aos flancos da Cordilheira Meso-Oceânica.
O objetivo principal da pesquisa é verificar a dispersão do traçador, determinar o
comportamento da circulação vertical e horizontal da água oceânica profunda e no
futuro estabelecer uma relação entre a troca de calor entre as massas d’água
profundas, se propagando até a superfície, e uma possível influência na condição
climática do planeta.
1
Junto à obtenção de dados para o projeto BBTRE foram coletados, com a
utilização de um CTD, dados de temperatura e condutividade durante três cruzeiros
oceanográficos realizados nos anos de 1997, 1998 e 2000. A coleta dos dados
aconteceu no período de março a maio, caracterizando uma condição de final de
verão e início de outono no hemisfério sul. As estações oceanográficas de CTD
obtidas estão compreendidas entre as coordenadas de 18°S e 28ºS de latitude e 11ºW
e 28ºW de longitude, o que corresponde à porção sudeste da Bacia do Brasil.
Neste trabalho, os dados de temperatura e salinidade obtidos durante o BBTRE
serão utilizados para caracterizar as condições oceanográficas da Bacia do Brasil. Os
dados foram cedidos diretamente pelo cientista responsável pelo BBTRE e ainda não
estão disponíveis em banco de dados públicos.
Cabe ressaltar a pouca disponibilidade de dados prévios coletados in situ na
região da Bacia do Brasil, como pode ser exemplificado no mapa de distribuição de
estações oceanográficas para coleta de dados de temperatura e salinidade apresentado
por MORRIS et al. (2001) (Figura 1.1). Isto pode ser explicado pelo grande custo que
representam cruzeiros oceanográficos para regiões afastadas da costa, além disso, a
Bacia do Brasil está localizada no oceano Atlântico Sul, ao passo que os países
desenvolvidos, que tem suporte financeiro para realizar pesquisas desta magnitude,
estarem no hemisfério norte e priorizarem o estudo de regiões mais próximas aos seus
territórios. Esta carência de dados para o estudo da região da Bacia do Brasil aumenta a
importância deste trabalho, já que os dados aqui utilizados são considerados de ótima
qualidade e de difícil aquisição.
Os estudos das massas d’água e de sua circulação são de fundamental
importância
no
conhecimento
da
circulação
termohalina,
assim
como,
na
caracterização oceanográfica física dos oceanos, o que serve como base para
pesquisas nas áreas de oceanografia química, geológica, biológica e outras áreas
afins, como por exemplo, alterações nas condições climáticas do planeta de forma
global.
2
Figura 1.1 – Distribuição geográfica das estações profundas de CTD no oceano Atlântico Sul
disponíveis no projeto WOCE e de bancos de dados históricos. A área de estudo deste
trabalho está representada pelo retângulo vermelho. Fonte: Modificado de MORRIS et al.
(2001).
O objetivo geral deste trabalho é caracterizar as condições oceanográficas da
porção sudeste da Bacia do Brasil. Os objetivos específicos são:
•
Definir as massas d’água presentes na área de estudo;
•
Determinar a distribuição geográfica destas massas d’água;
•
Calcular a circulação geostrófica na região;
•
Verificar a ocorrência de variações interanuais na estrutura
termohalina da região no período de estudo.
3
Esta dissertação está estruturada em 5 capítulos. No capítulo 2 é apresentada
uma revisão bibliográfica da circulação em larga escala do oceano Atlântico Sul, assim
como das massas d’água existentes. A teoria sobre a circulação geostrófica e o
cálculo do volume de transporte também estão apresentadas no capítulo 2. A
metodologia de coleta e análise dos dados coletados e uma descrição detalhada da
área de estudo estão apresentadas no capítulo 3. No capítulo 4 constam os resultados
obtidos e as discussões sobre os mesmos. Finalizando, as conclusões do trabalho
estão no capítulo 5.
4
2. REVISÃO
2.1. CIRCULAÇÃO SUPERFICIAL NO ATLÂNTICO SUL
A dinâmica da circulação no oceano Atlântico Sul, e conseqüentemente na
Bacia do Brasil, responde essencialmente ao giro anticiclônico subtropical (Figura 2.1)
e ao fluxo das principais massas d’água existentes na região.
Associado ao Giro Subtropical do oceano Atlântico Sul estão as seguintes
correntes superficiais: Corrente Sul Equatorial (ao norte), Corrente do Atlântico Sul (ao
sul), Corrente de Benguela (a leste) e a Corrente do Brasil (a oeste). Interagindo ainda
com o giro subtropical estão as seguintes correntes: Corrente das Malvinas, Corrente
da Guiné, Contra Corrente Equatorial e a Corrente Circumpolar Antártica (PETERSON
& STRAMMA, 1991).
O Atlântico Sul subtropical acima da APAN é dominado pelo giro anticiclônico
subtropical (STRAMMA & ENGLAND,1999), dentro da Bacia do Brasil, junto ao giro
subtropical do Atlântico Sul, circulam as massas d’água superficiais e intermediárias
(AT, ACAS, AIA e ACP) e nas maiores profundidades a APAN e AAF.
As águas que circulam junto ao giro subtropical passando pela região sudeste
da Bacia do Brasil, fluem predominantemente para oeste (REID, 1989; STRAMMA &
ENGLAND,1999), enquanto que, nas maiores profundidades no interior da Bacia do
Brasil, as massas d’água profundas (APAN e AAF), tem uma dinâmica mais complexa
onde se bifurcam e recirculam, como é explicado por autores como DE MADRON &
WEATHERLY (1994) e REID (1989).
5
Figura 2.1 – Giro subtropical do Atlântico Sul. A área de estudo deste trabalho está
representada pelo retângulo vermelho. Modificado de PETERSON & STRAMMA, 1991.
Ao norte do Giro Subtropical do Atlântico Sul, próximo a 21ºS, encontra-se o
giro ciclônico subequatorial (TSUCHIYA et al., 1994), que tem papel importante na
circulação do Atlântico Sul, principalmente em níveis intermediários, como pode ser
observado nos mapas de altura dinâmica apresentados por REID (1989).
A ACAS e AIA ao atingirem as proximidades da plataforma continental
brasileira, sendo transportadas pelo giro subtropical, se bifurcam, fluindo para norte e
para sul junto com as correntes de contorno oeste (STRAMMA & ENGLAND,1999).
A Corrente do Brasil (CB) que é a corrente de contorno oeste associada ao
Giro Subtropical do Atlântico Sul (SILVEIRA et al., 2000) é a principal corrente que
caracteriza a circulação superficial e sub-superficial da costa SE brasileira e o seu
comportamento tem grande influência na dinâmica do oceano Atlântico Sul. As
correntes de contorno oeste são caracterizadas por fluxos intensos, estreitos e bem
definidos fluindo ao largo de margens continentais (SILVEIRA et al., 2000). Porém a
CB que é quente e salina é descrita como uma corrente fraca quando comparada a
Corrente do Golfo que é a corrente de contorno oeste do oceano Atlântico Norte.
6
Antes de chegar à bacia de Campos, parte significativa do fluxo da CB passa
através dos canais dos bancos de Abrolhos e divide-se em dois ramos. Um deles flui
afastado da costa, além da isóbata de 3000 m (LIMA, 1997), enquanto o outro flui
seguindo a linha de quebra da plataforma, onde se estende até o fundo, com uma
significativa parte fluindo sobre a plataforma externa.
O núcleo da CB possui grande variabilidade sazonal, afastando-se para o largo
durante o inverno e estando mais junto à costa durante o verão (MOREIRA, 1997),
embora acompanhe o formato da costa durante praticamente o ano todo (LIMA, 1997).
A CB possui espessura de 400-700 m ao largo do Sudeste-Sul brasileiro (CALADO,
2001) e sua largura média é de aproximadamente 90 km (MOREIRA, 1997).
2.2. MASSAS D’ÁGUA DO ATLÂNTICO SUL
Massas d’água são corpos d’água com características físico-químicas bem
definidas e relacionadas a sua região de formação. São descritas através da análise
de perfis de temperatura e salinidade (Figura 2.2) e através de diagramas T-S. A partir
da análise de um diagrama T-S, que foi incorporado em 1916 a oceanografia por
Helland-Hansen (THOMSEN,1962), é possível delimitar compartimentos de forma e
tamanhos bem definidos e a mistura entre os mesmos (Figura 2.3). Uma vez
determinadas as características das massas d’água teremos meios de estudar a
propagação e mistura das mesmas pelos oceanos.
A temperatura e salinidade são parâmetros conservativos da água do mar. A
distribuição destes parâmetros pelos oceanos (Figura 2.4) e suas variações, junto com
a pressão da coluna d’água, definem a densidade da água nos oceanos. A relação
completa entre densidade, temperatura, salinidade e pressão pode ser estimada
através da Equação Internacional de Estado da Água do Mar de 1980. Muitas
combinações diferentes desses parâmetros podem produzir a mesma densidade, e a
distribuição da densidade pode também ser relacionada com a circulação de larga
escala nos oceanos através da relação geostrófica (POND & PICKARD, 1983).
7
Figura 2.2 – Distribuição de Temperatura e Salinidade no Oceano Atlântico. Fonte: WOCE
8
Figura 2.3 – Diagrama T-S mostrando a estrutura vertical das massas d’água do oceano
Atlântico. Fonte: DUXBURY et al., 2000.
Fluxos de calor e massa (evaporação e precipitação) na interface ar-mar
promovem a formação na superfície do oceano de tipos de água; uma massa d’água é
resultado da mistura de dois ou mais tipos de água. A camada mais superficial do
oceano é diretamente influenciada pela radiação solar que aquece a água, enquanto
que a evaporação a resfria; além disso, a pluviosidade diminui a salinidade, enquanto
a evaporação a aumenta (POND & PICKARD, 1983). A interação destes processos e
sua integração na camada de mistura definem as características termohalinas com
que as massas d’água são formadas.
Águas pouco densas permanecem sobre águas mais densas e perturbações
desses fatores podem gerar uma série de alterações no meio causando instabilidades
que levam a um movimento convectivo das águas, ou seja, circulação vertical, que
induz a circulação termohalina.
Diversos autores como DE MADRON & WEATHERLY (1994), TSUCHIYA et al.
(1994), STRAMMA & ENGLAND (1999) e MÉMERY et al. (2000) descrevem a
presença na Bacia do Brasil, das seguintes massas d´água superficiais e profundas:
Água Tropical (AT), Água Central do Atlântico Sul (ACAS), Água Intermediária
Antártica (AIA), Água Circumpolar Superior (ACP), Água Profunda do Atlântico Norte
9
(APAN) e Água Antártica de Fundo (AAF). A seguir serão descritas as principais
características destas massas d’água.
•
Água Tropical (AT): É a água presente na camada superficial do
Atlântico Sul, com uma tendência geral ao aumento da temperatura com a diminuição
da latitude. Apresenta uma variação de aproximadamente 5°C no Atlântico Sul entre o
equador e 40°S.
THOMSEN (1962), denomina AT a massa d’água com salinidade superior a
36. A AT foi descrita por EMILSON (1961) como parte da massa de água quente e
salina que ocupa a superfície do Atlântico Sul Tropical, a qual junto à costa é
transportada para o sul pela Corrente do Brasil. Essa água de superfície é formada
como conseqüência da intensa radiação e excesso de evaporação em relação à
precipitação características do Atlântico Tropical, mostrando estrita conexão entre as
variações de seus parâmetros físicos (temperatura e salinidade) e as condições
climáticas da região onde se encontra. A AT pode ser caracterizada por temperaturas
maiores que 20°C e salinidades acima de 36 ao largo do sudeste brasileiro
(SILVEIRA et al., 2000)
A AT possui temperatura máxima aproximada de 27°C, formando a camada
de mistura do Atlântico Tropical. A AT é transportada para oeste pela Corrente Sul
Equatorial até as proximidades da costa da América do Sul onde é distribuída
meridionalmente nas duas direções pelas correntes de contorno (MÉMERY et al.,
2000). A AT chega à costa brasileira em aproximadamente 15°S, e bifurca. A parte da
AT, proveniente da Bacia do Brasil, que não chega a costa brasileira, segue em
direção ao equador e retorna em sua maior parte ao Atlântico Sul na parte leste
transportada pela Contra-Corrente Equatorial Atlântica (STRAMMA & SCHOTT, 1999).
A AT é mais bem definida na faixa de profundidade de 0 a 100 metros entre
13ºS e 25ºS, logo acima da picnoclina, tendo seu máximo de salinidade (~37,27) na
superfície do oceano a aproximadamente 21ºS (TSUCHIYA et al., 1994). Ainda
segundo TSUCHIYA et al. (1994), a densidade potencial da AT varia desde 24,5 a
26,6 (σө), dependendo da sua localização, sendo no geral mais densa ao sul e menos
densa nas proximidades do equador.
10
•
Água Central do Atlântico Sul (ACAS): Massas d’água centrais são
caracterizadas por uma distribuição quase linear no diagrama T-S. A Água Central do
Atlântico Sul (ACAS) apresenta temperaturas variando de aproximadamente 8 a 18°C
e sua salinidade variando de aproximadamente 34,5 a 36 (SVERDRUP et al., 1942)
sendo delimitada inferiormente por uma bem definida AIA. Já SILVEIRA et al. (2000),
que trabalharam em uma região mais próxima a costa, definem a ACAS entre as
temperaturas de 6°C e 20°C e salinidades de 34,6 e 36.
A ACAS é formada na região da Convergência Subtropical, onde as águas
quentes e salinas afundam e seguem em direção ao equador, acompanhando o giro
subtropical, sobre uma água mais fria e menos salina que afunda em latitudes mais
altas.
A ACAS circula na parte sudeste da Bacia do Brasil preferencialmente para
oeste como parte do Giro Subtropical e atinge a costa da América do Sul transportada
pela Corrente Sul Equatorial, onde se bifurca, parte flui rumo ao equador enquanto a
outra porção toma o rumo sul. Isto é confirmado por autores como REID (1989),
TSUCHYA et al. (1994) e STRAMMA & ENGLAND (1999) que mostram o movimento
da ACAS na direção Sul em latitudes abaixo de 20°S ao largo da costa do sudeste
brasileiro (SILVEIRA et al., 2000).
A superfície isopicnal de σө = 27,1 é citada por MULLER et al. (1998) e
STRAMMA & ENGLAND (1999) como sendo a interface entre ACAS e AIA.
STRAMMA & ENGLAND (1999) ressaltam que para os subtrópicos a superfície de σө
= 27,05 define melhor essa transição entre ACAS e AIA.
•
Água Intermediária Antártica (AIA): A AIA é formada em regiões onde a
taxa de precipitação supera a de evaporação, pela mistura de águas superficiais e
sub-superficiais na região conhecida como Convergência Antártica, entre 40º e 50ºS.
Ela afunda por possuir uma densidade maior que a das águas adjacentes em função
de sua temperatura e flui seguindo o giro subtropical em profundidades que variam de
500 a 1100 metros aproximadamente.
SVERDRUP et al. (1942) definem os limites termohalinos da AIA como
variando entre 3° e 6°C para temperatura e entre 34,2 e 34,6 para salinidade.
11
THOMSEN (1962) delimita a AIA no intervalo de latitude entre 10ºS a 30ºS, entre
34,26 e 34,51 para salinidade e entre 3,76ºC e 5,63ºC para temperatura.
A circulação da AIA pelo oceano Atlântico Sul é definida por LARQUÉ et al.
(1997), como sendo um fluxo ao longo da fronteira oeste, no sentido norte, ao sul de
40ºS e ao norte de 25ºS. Entre estas latitudes a AIA faz parte do giro subtropical e flui
para leste aproximando-se da costa da América do Sul onde se ramifica, na altura de
26ºS (STRAMMA & ENGLAND, 1999), parte indo para sul acompanhando o giro e
parte fluindo para norte.
A AIA se caracteriza por apresentar um núcleo onde se encontra o mínimo de
salinidade no diagrama T-S. Este núcleo encontra-se na profundidade de 300 metros,
próximo de 45ºS, afundando para aproximadamente 900 metros na latitude de 30ºS e
700 metros nas proximidades do equador (TSUCHIYA et al., 1994). REID et al. (1977)
sugerem a superfície de σө = 27,18 como sendo representativa do posicionamento na
coluna d’água do núcleo de salinidade mínima da AIA, enquanto que próximo ao
equador essa superfície isopicnal é igual a aproximadamente σө = 27,3 (STRAMMA &
ENGLAND, 1999).
A determinação da profundidade do núcleo da AIA possui grande relevância
nos estudos de acústica submarina. O canal SOFAR (Sound Fixing and Ranging), ou
“Canal Profundo de Som” aprisiona a energia sonora podendo se propagar por
centenas de quilômetros no oceano. Esta característica é muito importante, uma vez
que torna possível a detecção de qualquer fonte sonora a longas distâncias. Estudos
mostram que a localização deste canal está associada aos valores mínimos de
salinidade da água do mar. Sendo assim é possível conhecer a forma deste canal
através do acompanhamento do núcleo da AIA (FISCH & RESENDE, 1996).
Além de um núcleo de salinidade mínima, a AIA, caracteriza-se também por
altas taxas de concentração de oxigênio dissolvido, concentrado na camada isopicnal
de σө = 27,15 a 27,20 (TSUCHIYA et al., 1994). MÉMERY et al. (2000) definem a
superfície da interface entre a AIA e a ACP na densidade de σ1 = 32,0.
•
Água Circumpolar Superior (ACP): A ACP se caracteriza como um largo
corpo d’água pouco salina, pobre em oxigênio e rico em nutrientes, quando
comparado a APAN. A ACP entra na Bacia da Argentina pela Passagem de Drake,
12
onde se divide em Água Circumpolar Superior (ACP) posicionada entre a AIA e APAN
e Água Circumpolar Inferior entre a APAN e a Água Profunda do Mar de Weddell. A
ACP entra na Bacia do Brasil pelos canais de Vema e Hunter e ao longo do Platô de
Santos (LARQUÉ et al., 1997).
A ACP flui para oeste na parte sudeste da Bacia do Brasil associada com o
limite norte do Giro Subtropical (REID, 1989; MÉMERY et al., 2000). Como a massa
d’água mais profunda a circular junto com o Giro Subtropical do Atlântico Sul, a ACP
está localizada logo abaixo da AIA fluindo de sul para norte até aproximadamente
22ºS (TSUCHIYA et al., 1994). TSUCHIYA et al. (1994) sugerem ainda que a fronteira
entre o Giro Subtropical e o Giro Subequatorial do Atlântico Sul, localizada na latitude
aproximada de 21ºS, seria o limite norte da ACP. Ao norte desta fronteira toda a
camada de água, que nessa profundidade era ocupada pela ACP, é ocupada pela AIA.
Tendo como principal característica a baixa quantidade de oxigênio dissolvido
(REID et al., 1977) e não tendo uma assinatura termohalina bem definida, a ACP, é
mais facilmente identificada pelo seu núcleo de oxigênio mínimo.
MÉMERY et al. (2000) definem como sendo de σ1 = 32,2 a superfície isopicnal
entre a ACP e a APAN para as latitudes da Bacia do Brasil.
•
Água Profunda do Atlântico Norte (APAN): Grande parte da APAN
(~80%) é formada no Mar da Groelândia, onde as águas da superfície são resfriadas e
conseqüentemente afundam, fluindo para sul além do equador.
Posicionada na coluna d’água entre a ACP e a AAF, se caracteriza por ser uma
espessa camada de água relativamente quente, com salinidade relativamente alta, rica
em oxigênio e pobre em nutrientes (REID,1989). Encontrada em profundidades que
variam de 1200 a 3900 metros próximo ao equador e de 1700 a 3000 metros na Zona
de Confluência Brasil-Malvinas (STRAMMA & ENGLAND, 1999), sua temperatura
varia de 3° a 4°C e sua salinidade varia de 34,6 a 35. A APAN se apresenta como um
fluxo organizado fluindo para o sul ao longo do contorno oeste até cerca de 32°S, onde
pelo menos parte da corrente retorna em direção ao equador (REID,1989; DE
MADRON & WEATHERLY,1994).
13
Frequentemente a APAN é dividida em três camadas (superior, média e
inferior) identificadas pelos valores de salinidade máxima e oxigênio máximo. O núcleo
de salinidade máxima da APAN se encontra em 1600 metros de profundidade perto do
equador afundando para 2500 metros a 25ºS (STRAMMA & ENGLAND, 1999).
A presença da Cadeia de Vitória-Trindade, próximo a 21ºS, serve como um
obstáculo para a circulação da APAN (Figura 2.4), fazendo com que exista uma
bifurcação onde parte do fluxo se direcione para leste no sentido do interior da Bacia
do Brasil (MÉMERY et al., 2000; STRAMMA & ENGLAND, 1999). Outra possível
explicação para o fluxo para leste da APAN em 21ºS, seria o bloqueio da APAN pela
recirculação subtropical da ACP (MÉMERY et al., 2000).
De MADRON & WEATHERLY (1994), MULLER et al. (1998) e STRAMMA &
ENGLAND (1999) definem a interface entre a APAN e AAF no oceano Atlântico Sul
como sendo a superfície de σ4 = 45,87.
•
Água Antártica de Fundo (AAF): A AAF é caracterizada por águas frias,
menos salinas do que a APAN e pobres em oxigênio tendo sua origem ao redor do
Continente Antártico (DE MADRON & WEATHERLY, 1994). Segundo HOGG &
OWENS (1999), a AAF encontra-se abaixo dos 3500 metros de profundidade e
somente pode entrar e sair da Bacia do Brasil através de quatro passagens: os canais
de Vema e Hunter na Elevação do Rio Grande, a zona de Fratura Romanche-Chain
que passa através da Cordilheira Meso-Oceânica no equador, e uma passagem,
também no equador que liga a Bacia do Brasil ao oeste do Atlântico Norte.
É possível que a AAF se forme a partir da mistura em partes aproximadamente
iguais de água de superfície de inverno e água Circumpolar Antártica. Durante o
inverno Austral, a água da plataforma continental do Mar de Weddel congela,
eliminando sal para as águas adjacentes. A diminuição da temperatura associada ao
aumento na salinidade faz com que essa água afunde pelo talude dirigindo-se para o
Atlântico Sul como também para leste em direção ao Índico e Pacífico, sofrendo
pequenas modificações em seus parâmetros físicos.
Próximo ao fundo, dentro da Bacia do Brasil, a AAF possui como
características valores de 0,19ºC para temperatura e de 34,7 para salinidade na
longitude de 25ºW (TSUCHIYA et al., 1994).
14
A AAF tem sua circulação fortemente influenciada pela topografia de fundo
(STRAMMA & ENGLAND, 1999) e propaga-se para norte dentro da Bacia do Brasil
após passar através do Canal de Vema (REID,1989; TSUCHIYA et al., 1994;
STRAMMA & ENGLAND, 1999) (Figura 2.4).
Figura 2.4 – Esquema de circulação profunda no oceano Atlântico Sul. As linhas
continuas representam a circulação da APAN e as linhas tracejadas representam a circulação
da AAF. A área de es.Fonte: STRAMMA & ENGLAND,1999
15
3. METODOLOGIA
3.1. ÁREA DE ESTUDO
Topograficamente o oceano Atlântico Sul é dividido em 4 bacias (Brasil,
Argentina, Angola e Cabo) pelas feições geográficas da Cordilheira Meso-Atlântica,
Cordilheira Walvis e a elevação de Rio Grande (LARQUÉ et al. 1997), como é
observado na Figura 3.1.
Figura 3.1 – Topografia do Atlântico Sul representada pelas isóbatas de 1000, 3000 e 5000 m.
A área de estudo deste trabalho está representada pelo retângulo vermelho. Modificado de
PETERSON & STRAMMA, 1991.
O presente trabalho foi desenvolvido com dados de temperatura e salinidade
coletados entre as coordenadas de 18ºS e 28ºS de latitude e 11ºW e 28ºW de longitude.
A região oceânica compreendida entre estas coordenadas é parte da Bacia do Brasil,
localizada no Oceano Atlântico Sul a leste da costa brasileira. Apresenta uma geometria
16
relativamente simples e dimensões de aproximadamente 3000 km no sentido Norte-Sul
e 2000 km no sentido Leste-Oeste (HOGG & OWENS,1999).
A Bacia do Brasil possui uma profundidade média de 5000 m, tendo como
fronteiras a cordilheira meso-oceânica a leste e a norte, a plataforma continental
brasileira a oeste e a Elevação do Rio Grande a sul (Figura 3.2).
Figura 3.2 – Mapa da Bacia do Brasil, mostrando o relevo submarino e as comunicações
abissais. O retângulo vermelho delimita a área de estudo e os retângulos pretos as entradas e
saídas das águas profundas na Bacia do Brasil . Fonte: Adaptado de MORRIS et al., 2001.
17
3.2. AQUISIÇÃO DOS DADOS
A coleta dos dados de temperatura e salinidade, na parte sudeste da Bacia do
Brasil, foi feita durante o BBTRE, patrocinado pelo WHOI, nos anos de 1997, 1998 e
2000.
Foram utilizados como base de coleta para os dados de CTD (Conductivity
Temperature Depth) os navios de pesquisa R/V Seward Johnson (1997 e 1998) e R/V
Knorr (2000). Os cruzeiros oceanográficos aconteceram entre os meses de março e
maio, caracterizando uma situação de outono nos diferentes anos de aquisição dos
dados (Tabela 3.1).
Tabela 3.1 – Informações sobre os cruzeiros oceanográficos para coleta de dados.
NAVIO
ANO
PERÍODO
NUMERO DE
ESTAÇÕES
R/V Seward Johnson
1997
21 março à 15 de abril
70
R/V Seward Johnson
1998
13 de março à 11 de abril
78
R/V Knorr
2000
7 de abril à 16 de maio
82
Dentre as estações oceanográficas realizadas, foram analisadas somente as que
se encontravam dentro dos limites geográficos estabelecidos e, as quais, os perfis não
apresentaram problemas na sua qualidade em função de falhas do CTD durante a
aquisição dos dados. A Figura 3.3 mostra a distribuição de todas as estações de CTD
utilizadas nesta dissertação, separadas pelo ano de coleta. A listagem das estações,
encontra-se no apêndice 1.
18
BRASIL
16
18
LATITUDE (S)
20
22
24
26
1997
1998
28
30
28
2000
26
24
22
20
18
LONGITUDE (W)
16
14
12
10
Figura 3.3 – Localização das estações oceanográficas de coleta de dados de temperatura e
condutividade durante os cruzeiros oceanográficos do projeto BBTRE durante os anos de
1997, 1998 e 2000.
19
O CTD (Figura 3.4) foi desenvolvido por volta de 1950 permitindo a aquisição
de dados de condutividade, temperatura e pressão in situ. Este equipamento consiste
de uma sonda com sensores responsáveis pela obtenção dos parâmetros físicoquímicos citados acima, a qual é lançada de uma embarcação em cada estação
oceanográfica até a profundidade a ser estudada.
Figura 3.4 – Foto do equipamento CTD – Rosette utilizado para coleta de dados.
O equipamento utilizado durante as coletas foi um sistema CTD-Rosette que
incluía
um
CTD
Sea-Bird
911,
com
dois
(02)
pares
de
sensores
Condutivímetro/Termômetro acoplados, um pilão Sea-Bird-Rosette para acionar o
fechamento das garrafas de Niskin, um altímetro Datasonics, um pinger feito pela
Ocean Instrument Systems, e 24 garrafas de Niskin de quatro (04) litros cada. A
estrutura metálica de sustentação dos equipamentos apresenta um diâmetro de
aproximadamente 1 metro e pesa mais de 400 kg a fim de manter a tensão no cabo
durante a descida no lançamento, que alcançava a velocidade de descida de 90
metros/minuto.
O
sistema
pesa
Condutivímetro/Termômetro,
ao
o
todo
600
“secundário”
kg.
Um
por
dos
pares
convenção
da
de
sensores
Sea-Bird,
foi
posicionado próximo ao fundo da estrutura para minimizar o erro causado pela
descida, enquanto o par “primário” de sensores foi posicionado próximo ao topo da
estrutura metálica para melhorar os dados durante a subida no lançamento.
20
Os sensores Condutivímetro/Termômetro foram calibrados ainda na Sea-Bird
antes dos cruzeiros e seriam novamente calibrados após os cruzeiros. A calibração da
salinidade obtida pelos sensores Condutivímetro/Termômetro foi feita com um
salinômetro Guildline Autosal durante o cruzeiro visando garantir a qualidade dos
dados adquiridos. Sete amostras de salinidade foram utilizadas em cada estação.
Os dados de CTD foram obtidos em cada estação a partir dos 5 metros abaixo
da superfície do mar até aproximadamente 20 metros acima do fundo. Os melhores
dados são obtidos durante a descida, devido às paradas durante a subida para o
fechamento das 24 garrafas de Niskin. Durante a descida, os melhores dados são do
par de sensores (secundário) localizado mais abaixo na estrutura metálica.
Os dados adquiridos pelo CTD são visualizados em uma tela de computador a
bordo em tempo real, o que diminui a possibilidade de se continuar um lançamento
com erro. A unidade abaixo da água envia os dados à unidade do deck em 24 scans
por segundo. A unidade do deck foi preparada para calcular uma média acima de 12
scans, então se leva meio segundo de uma média de dados para o computador
adquirir dados a uma taxa de duas (02) gravações/segundo.
O software sea-bird do próprio equipamento foi utilizado para calcular a
salinidade a partir da temperatura, pressão e condutividade.
Vinte e quatro garrafas de água do tipo Niskin eram acionadas em diferentes
profundidades, principalmente entre 3000m e 5000m, durante cada lançamento. As
águas de sete (07) dessas garrafas provenientes de cada lançamento foram
amostradas e processadas utilizando um salinômetro Guildline Autosal (Figura 3.5),
que determina a salinidade através da medição da condutividade elétrica de uma
amostra de água do mar. Os dados de salinidade obtidos pelos sensores do CTD em
uma mesma profundidade foram comparados com os dados processados pelo
Autosal, com o objetivo de verificar a qualidade dos dados durante todo o período do
embarque do primeiro ao último lançamento do CTD.
21
Figura 3.5 – Foto do salinômetro Guildline Autosal, utilizado para verificar a calibração do
sensor de salinidade acoplado ao CTD.
3.3. ANÁLISE DOS DADOS
3.3.1. Densidade
A combinação dos valores de salinidade, de temperatura e de pressão
determinam a densidade (ρ) da água do mar. Isto é importante para a definição da
posição de equilíbrio de cada massa d’água pela coluna d’água, podendo ser
relacionado com a circulação em larga escala dos oceanos através da relação
geostrófica.
Os valores de densidade (ρ) para a água do mar são calculados utilizando a
Equação de Estado da Água do Mar de 1980 (PICKARD & EMERY, 1990) em função
de S, T e P.
Para melhor se estudar a estabilidade do oceano em função dos valores de
densidade, usa-se a densidade, chamada de sigma-t (σt), calculada considerando a
pressão reduzida ao valor da pressão atmosférica (P=0), porém com S e T igual aos
valores in situ (1).
22
σt = ρ (S,T,0) - 1000
(1)
No caso de águas profundas utiliza-se a densidade potencial (σө) que leva em
consideração para seu cálculo a temperatura potencial (ө) (2).
σө = ρ (S, ө,0) - 1000
(2)
Existem variações no cálculo de σө, onde o valor de pressão (zero) é
substituído na equação (3) por 1000 (σ1), 2000 (σ2) e 4000 (σ4), o equivalente a se ter,
adiabaticamente, as amostras a mesma pressão, porém sem variar muito sua pressão
in situ.
3.3.2. Massas d’água
Massas d’água são corpos de água no oceano que apresentam combinações
de características físico-químicas, como por exemplo, salinidade, temperatura e
densidade, bem definidas. Cada uma das massas d’água existentes na porção
sudeste da Bacia do Brasil foi estudada e caracterizada através de valores de
densidade para os limites entre as massas d’água, definidos em bibliografia e
aplicados para os dados coletados (Tabela 3.2).
A definição dos índices utilizados aconteceu após um estudo detalhado de
trabalhos existentes para a região de estudo, que levou em consideração a
metodologia de coleta, a área descrita em cada trabalho entre outras particularidades
de cada pesquisa.
Tabela 3. 2 – Valores de densidade utilizados para a definição dos limites superiores das
massas d’água na área de estudo.
MASSA D’ÁGUA
LIMITE ISOPICNAL SUPERIOR
REFERÊNCIA
AT
Superfície do oceano
-
ACAS
σө = 26,0
SVERDRUP et al., 1942
AIA
σө = 27,05
STRAMMA & ENGLAND, 1999
ACP
σ1 = 32,0
MEMERY et al., 2000
APAN
σ1 = 32,2
MEMERY et al., 2000
AAF
σ4 = 45,87
STRAMMA & ENGLAND, 1999
23
Foram construídos, para cada estação oceanográfica adquirida, perfis de
salinidade, temperatura, um diagrama T-S e perfis de densidade (σө, σ1, σ2 e σ4) que
ajudaram a determinar o posicionamento de cada massa d’água na coluna d’água
mostrando características como, espessura, núcleos de salinidade máxima e mínima e
limites de profundidade superior e inferior.
Foram feitos também mapas de distribuição horizontal além de perfis verticais
latitudinais e longitudinais, mostrando a variação pela área de estudo das
características mais importantes de cada massa d’água.
3.3.3. Velocidade geostrófica
Quando existe o equilíbrio entre a força gradiente de pressão e a força de
Coriolis (f) agindo sobre o movimento das águas, pode-se dizer que a corrente está
em equilíbrio geostrófico, sendo esta corrente denominada corrente geostrófica.
A partir da combinação da equação hidrostática (1) com as equações
geostróficas (2) e posterior derivação em z, obtemos a equação do vento térmico (3).
∂P
= −ρ g
∂z
− fv = −
1 ∂P
ρ 0 ∂x
∂v ⎛⎜ g
= −
∂z ⎜⎝ ρ 0 f
⎞ ∂ρ
⎟
⎟ ∂x
⎠
; fu = −
;
(1)
1 ∂P
ρ 0 ∂y
∂u ⎛⎜ g
=
∂z ⎜⎝ ρ 0 f
⎞ ∂ρ
⎟
⎟ ∂y
⎠
(2)
(3)
Pela equação do vento térmico é determinada a variação vertical da
(
velocidade, ou seja, é calculado o cisalhamento vertical para u ∂u
∂z
) e v (∂v ∂z ).
Para a obtenção de uma velocidade absoluta torna-se necessário definir um nível de
24
referência (NR) em z. Geralmente assume-se um NR onde a velocidade é nula,
situado entre 1000 e 2000 metros de profundidade (REID,1989 ; DE MADRON &
WEATHERLY,1994). Neste caso a velocidade geostrófica é referida como sendo a
velocidade absoluta ou a velocidade em relação a um NR pré-determinado.
3.3.4. Transporte de volume
Quando se conhece o campo de velocidade geostrófica, o transporte de
volume (Tv) pode ser determinado para um intervalo de profundidade [z0,z] por:
z
Tv x = L ∫ u (z ) dz
zo
z
; Tv y = L ∫ v (z ) dz
zo
Onde L é a distância entre as estações oceanográficas.
3.3.5. Variação interanual de temperatura e salinidade
A análise dos dados proporcionou descrever as mudanças na estrutura de
temperatura e salinidade pela coluna d’água da parte sudeste da Bacia do Brasil entre
os diferentes anos de coleta de dados.
As seções de CTD repetidas em diferentes anos oferecem a oportunidade de
examinar variações nas características das massas d’água; variações que são
esperadas serem relativamente pequenas. Por isso, a necessidade de uma alta
acurácia e precisão na aquisição dos dados (BRYDEN et al.,1996).
Objetivando observar e explicar uma possível variação temporal na estrutura
termohalina no oceano, foram selecionadas seções zonais e meridionais onde as
estações de coleta tivessem uma localização geográfica suficientemente próxima para
que fosse possível a comparação dos dados entre os diferentes anos de coleta. Para
cada seção, foram interpolados linearmente os dados de temperatura e salinidade,
gerando perfis zonais e meridionais para a coluna d’água desde a superfície até o
fundo. Entre as seções compatíveis para os diferentes anos de coleta foi subtraído o
perfil de um ano pelo de outro gerando um perfil diferença que representa a variação
do parâmetro entre os anos.
25
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos a partir das análises dos dados estão apresentados
separadamente em três itens. Primeiro é feita uma análise para cada uma das massas
d’água identificadas, mostrando o posicionamento de cada uma na coluna d’água e
analisando suas características térmicas e salinas. Em seguida é feita uma análise
geostrófica, mostrando a velocidade para os níveis de interesse e o cálculo do
transporte para a área de estudo. Finalizando são apresentados os resultados obtidos
com o objetivo de avaliar uma possível variação de temperatura e salinidade entre os
anos de coleta.
4.1
MASSAS D’ÁGUA
As massas d’água encontradas na parte sudeste da Bacia do Brasil, definidas
de acordo com os índices termohalinos (isopicnais) apresentados na Tabela 3.2 serão
descritas individualmente e por ano de coleta (1997, 1998 e 2000), determinando-se o
posicionamento de cada uma na coluna d’água.
As propriedades termohalinas das principais massas d’água presentes nos
oceanos podem ser observadas em um diagrama T-S espalhado (STRAMMA &
ENGLAND, 1999 e MÉMERY et al., 2000). Pelo diagrama T-S, onde estão
representadas as 230 estações de CTD coletadas na Bacia do Brasil, percebe-se que
as maiores variações de temperatura e salinidade, como era esperado, acontecem nos
primeiros metros da coluna d’água em função da interação do oceano com a
atmosfera onde existem intensas trocas de calor (Figura 4.1).
Em algumas regiões do diagrama T-S, como por exemplo, a região do núcleo
da AIA, onde a salinidade é mínima, notou-se uma variação de temperatura e
salinidade nos perfis analisados. Isto se deve ao espalhamento geográfico dos perfis
em relação à zona de formação da massa d’água, já que, ao longo do caminho da AIA
pelo oceano Atlântico Sul, acontecem processos de mistura com águas adjacentes
que vão alterando seus valores originais de T e S, isto é, estações mais distantes da
região de formação apresentam características diferentes das estações mais próximas
da mesma.
26
Figura 4.1 – Diagrama TS espalhado com as 230 estações de CTD utilizadas nas análises,
coletadas nos anos de 1997 (azul), 1998 (verde) e 2000 (vermelho).
Ressalta-se que as áreas abrangidas em cada um dos três anos de coleta de
dados não possuem a mesma distribuição espacial dentro da Bacia do Brasil, o que
deve ser levado em consideração ao se analisar os resultados de uma forma conjunta.
Entre os três anos de coleta, o ano de 2000 é o que tem a maior distribuição espacial
dos dados, seguido de 1998 e com menor abrangência o ano de 1997.
A análise dos dados mostrou na região de estudo, a presença de seis massas
d’água bem definidas: Água Tropical (AT), Água Central do Atlântico Sul (ACAS), Água
Intermediária Antártica (AIA), Água Circumpolar Superior (ACP), Água Profunda do
Atlântico Norte (APAN) e Água Antártica de Fundo (AAF). A Figura 4.2 representa a
distribuição pela coluna d’água de todas as massas d’água citadas acima, ao longo da
latitude de 22ºS, para o ano de 2000.
27
0
AT
-200
σө = 26,0
36.5
ACAS
Profundidade (m)
-400
-600
36
σө = 27,05
35.5
AIA
-800
35
-1000
σ1 = 32,0
34.5
ACP
-1200
σ1 = 32,2
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Longitudes
-1500
σ1 = 32,2
36.5
-2000
APAN
Profundidade (m)
-2500
36
-3000
35.5
-3500
σ4 = 45,87
-4000
35
AAF
-4500
34.5
-5000
-5500
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Longitudes
Figura 4.2 – Posicionamento das massas d’água, definido por isopicnais, plotadas sobre mapas
de salinidade para o intervalo de profundidade acima (superior) e abaixo (inferior) do nível de
referência, dentro da área de estudo, ao longo da latitude de 22ºS.
28
A seguir serão apresentados os resultados específicos para cada uma das
massas d’água identificadas, da mais superficial a mais profunda, caracterizando e
posicionando cada uma dentro da área de estudo.
4.1.1
Água Tropical (AT)
A AT está compreendida entre a superfície do oceano e a isopicnal de σө =
26,0 (SVERDRUP et al., 1942). Por ser a massa d’água superficial, a AT sofre uma
direta influência das trocas de calor entre o oceano e a atmosfera que modificam os
seus valores de temperatura e salinidade. Estas alterações de T e S, por
conseqüência, alteram a densidade da água o que gera uma circulação vertical em
função da diferença de densidade das camadas superficiais.
Os valores estatísticos obtidos após a análise de cada perfil de dados
individualmente (Tabela 4.1), mostraram que, na média, o limite inferior da AT foi de
177,3 metros, variando de um mínimo de 99 metros até um máximo de 221 metros. Os
valores máximos e mínimos foram observados no ano de 2000 em função da maior
distribuição espacial dos dados nesse ano.
Tabela 4.1 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD, mostrando o
posicionamento da AT, sua espessura e da camada de mistura pela área de estudo durante os
três anos de coleta de dados.
AT (1997)
Mínimo (m)
35
superfície
125
125
AT (1998)
Máximo (m)
79
superfície
217
217
Média (m)
57,8
superfície
185,9
185,9
Camada de mistura
Limite Superior
Limite Inferior (σө = 26,0)
Espessura
Mínimo (m)
26
superfície
119
119
Máximo (m)
90
superfície
214
214
Média (m)
47,1
superfície
175,2
175,2
Camada de mistura
Limite Superior
Limite Inferior (σө = 26,0)
Espessura
AT (2000)
Mínimo (m)
35
superfície
99
99
Máximo (m)
87
superfície
221
221
Média (m)
60,5
superfície
171,8
171,8
Camada de mistura
Limite Superior
Limite Inferior (σө = 26,0)
Espessura
29
AT (GERAL)
Mínimo (m)
Máximo (m)
26
90
superfície
superfície
99
221
99
221
Camada de mistura
Limite Superior
Limite Inferior (σө = 26,0)
Espessura
Média (m)
55,1
superfície
177,3
177,3
A AT mais espessa, aproximadamente 220 metros, foi observada na parte
noroeste da área de estudo, mostrando também, uma tendência de maiores
espessuras com a proximidade da linha do equador (Figura 4.2).
A camada de mistura, que se encontra inserida na AT, foi definida adotando-se o
critério de 0,5ºC de diferença da superfície até a sua base. A profundidade da camada
de mistura variou nos anos de coleta, entre 26 e 90 metros, estando em média, a 55
metros de profundidade. Utilizando dados climatológicos da base Levitus (World Ocean
Atlas 1994) para o mês de abril, encontramos a camada de mistura na região de estudo,
variando de 37 a 54 metros de profundidade, valores estes, coerentes com os
encontrados no presente trabalho (http://www.cdc.noaa.gov/cdc/data.nodc.woa94. html).
-18
-18
-20
-20
-22
-22
-24
-24
-26
-26
220
210
200
190
B
A
-28
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-28
-12
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
180
170
160
150
-18
140
130
-20
120
-22
110
-24
100
-26
C
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.3 – Mapas representativos da espessura (m) da AT nos anos de 1997 (A), 1998 (B) e
2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala de longitudes (eixos
horizontais) e latitudes (eixos verticais), assim como a barra de cores é a mesma para os três
mapas.
30
Para uma análise mais detalhada da AT são descritos o comportamento dos
parâmetros temperatura e salinidade pela área de estudo. Esta análise, foi feita a partir
de mapas de T e S para o ano 2000, onde a distribuição espacial dos dados é maior.
Esta metodologia de análise será utilizada para todas as massas d’água.
Para a AT foram analisados mapas de distribuição de T e S no nível de 90
metros, representando o nível de profundidade do centro da massa d’água
(Figura 4.4).
Temperatura AT (90m)
23.5
-18
23
-19
22.5
-20
22
-21
22
23
22
23
22
21.5
21
22
-23
21
22
latitude
-22
22
20.5
-24
22
21
20
21
-25
19.5
-26
21
19
19
-27
18.5
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Salinidade AT (90m)
36.9
-18
36.8
36
.4
-19
.6
36
36.7
36
.8
36
.6
-20
36.6
-21
36.4
36.5
36
.4
36.4
.6
36
36.6
-24
36.4
36 .4
.8
36
-23
.6
36
latitude
-22
36.3
36.2
-25
36 .4
36.1
36
.4
36
.2
-26
36
36
-27
35.9
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.4 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a AT no nível de 90 metros.
Tanto a salinidade quanto a temperatura apresentaram os maiores valores na AT
na parte noroeste da área de estudo indicando uma tendência de aumento à medida
que se aproxima do equador. Nota-se uma relação direta entre a variação de T, S e
31
espessura, onde quanto maior a espessura da massa d’água, maiores os valores de T e
S. Isto pode estar relacionado a regiões com maior incidência de radiação solar, o que
causa um aumento na temperatura da água, uma maior evaporação e por conseqüência
um aumento na salinidade. O resultado deste processo seria o afundamento desta água
mais pesada como é sugerido por STRAMMA & SCHOTT (1999).
Segundo TSUCHIYA et al. (1994), os maiores valores de salinidade da AT são
observados nas estações localizadas entre 25º e 27ºW e latitude de 21ºS, o que é
confirmado pelos dados analisados para a área de estudo.
4.1.2
Água Central do Atlântico Sul (ACAS)
A ACAS se posiciona na coluna d’água abaixo da AT e sobre a AIA, sendo
definida, neste trabalho, pelas isopicnais σө = 26,0 (limite superior) e σө = 27,05 (limite
inferior).
A fronteira entre a ACAS e a AIA variou seu posicionamento pela região de
estudo entre as profundidades de 442 e 713 metros. O limite inferior máximo foi
observado no ano de 2000 enquanto o limite inferior mínimo foi observado no ano de
1998 (Tabela 4.2).
Tabela 4.2 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD mostrando o
posicionamento da ACAS e sua espessura pela área de estudo durante os três anos de coleta
de dados.
Limite Superior (σө = 26,0)
Limite Inferior (σө = 27,05)
Espessura
Limite Superior (σө = 26,0)
Limite Inferior (σө = 27,05)
Espessura
Limite Superior (σө = 26,0)
Limite Inferior (σө = 27,05)
Espessura
ACAS (1997)
Mínimo
125
529
362
ACAS (1998)
Mínimo
119
442
264
ACAS (2000)
Mínimo
99
495
285
Máximo
217
672
493
Média
185,9
598,6
412,7
Máximo
214
702
537
Média
175,2
601,2
426
Máximo
221
713
605
Média
171,8
609,2
437,4
32
ACAS (GERAL)
Mínimo
99
442
264
Limite Superior (σө = 26,0)
Limite Inferior (σө = 27,05)
Espessura
Máximo
221
713
605
Média
177,3
603,2
425,9
O limite inferior da ACAS (σө = 27,05) mostrou-se mais profundo ao sul e mais
raso ao norte da área de estudo (Figura 4.5).
-18
-490
-510
-20
-530
latitude
-550
-570
-22
-590
-610
-24
-630
-650
-670
-26
-690
-710
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.5 – Posicionamento em profundidade (m) do limite entre ACAS e AIA pela área de
estudo para o ano de 2000.
A espessura da ACAS, delimitada pelas isopicnais acima citadas, mostrou um
nítido comportamento de variação latitudinal para os três anos de coleta (Figura 4.6)
sendo que para o ano de 2000 esta variação é mais facilmente observada pela maior
amplitude na distribuição dos dados. Quanto mais ao sul, maiores são os valores de
espessura da ACAS, chegando a aproximadamente 640 metros, e quanto mais a norte
da área de estudo, menor é a espessura da ACAS, chegando a aproximadamente 320
metros. Como a ACAS é formada na região da Convergência Subtropical sugere-se
que esta maior espessura ao sul da área de estudo estaria associada a proximidade
da zona de formação da massa d’água.
Quando se compara a área comum de coleta entre os anos de estudo não se
observa variação significativa nos valores de espessura da ACAS.
33
-18
-18
-20
-20
-22
-22
620
-24
-24
580
-26
540
-26
A
-28
B
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
500
460
-18
420
-20
380
-22
340
-24
300
-26
C
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.6 – Mapas representativos da espessura (m) da ACAS nos anos de 1997 (A), 1998 (B)
e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala de longitudes (eixos
horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a mesma para os três mapas.
Para a ACAS, foram analisados mapas de distribuição de T e S no nível de 390
metros, representando um nível de profundidade do centro da massa d’água
(Figura 4.7).
No nível estudado, T e S mostraram o mesmo comportamento pela área de
estudo. Onde houve aumento de salinidade também aconteceu um aumento de
temperatura. Na profundidade de 390 metros, T e S diminuíram no sentido sudoestenordeste.
34
Temperatura ACAS (390m)
12.5
-18
10
-19
12
-20
11
12
-21
11
latitude
11.5
11
-22
12
-23
12
11
12
12
-24
12
12
10.5
12
-25
-26
10
-26
12
12
-27
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Salinidade ACAS (390m)
-18
35.15
-19
35.1
34 .9
-20
35
35
34
.9
-21
35
35
35
-23
35.1
.1
35
35
.1
latitude
-22
-24
35.05
34.95
-25
34.9
-26
35 .1
34.85
.1
35
-27
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.7 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a ACAS no nível de 390
metros.
35
4.1.3
Água Intermediária Antártica (AIA)
A AIA se posiciona na coluna d’água abaixo da ACAS e sobre a ACP e se
caracteriza por um núcleo de salinidade mínima no diagrama T-S, sendo delimitada
neste trabalho pelas isopicnais σө = 27,05 (limite superior) e σ1 = 32,0 (limite inferior).
O limite entre AIA e a ACP foi encontrado entre as profundidades de 893 e
1104 metros (Tabela 4.3). Pela Figura 4.8 nota-se que este limite é mais profundo nas
maiores latitudes e menos profundo nas menores latitudes.
-900
-920
-940
-960
latitude
-980
-1000
-1020
-1040
-1060
-1080
-1100
longitude
Figura 4.8 – Profundidade (m) do limite entre AIA e ACP na área de estudo para o ano de
2000.
36
Tabela 4.3 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD mostrando o
posicionamento da AIA e sua espessura pela área de estudo durante os três anos de coleta de
dados.
Limite Superior (σө = 27,05)
Limite Inferior (σ1 = 32,0)
Espessura
Salinidade Mínima
Prof. Salinidade Mínima
Dens. Salinidade Mínima
Limite Superior (σө = 27,05)
Limite Inferior (σ1 = 32,0)
Espessura
Salinidade Mínima
Prof. Salinidade Mínima
Dens. Salinidade Mínima
Limite Superior (σө = 27,05)
Limite Inferior (σ1 = 32,0)
Espessura
Salinidade Mínima
Prof. Salinidade Mínima
Dens. Salinidade Mínima
Limite Superior (σө = 27,05)
Limite Inferior (σ1 = 32,0)
Espessura
Salinidade Mínima
Prof. Salinidade Mínima
Dens. Salinidade Mínima
AIA (1997)
Mínimo
529
917
332
34,356
721
27,18
AIA (1998)
Mínimo
442
893
327
34,326
698
27,19
AIA (2000)
Mínimo
495
903
332
34,319
678
27,12
AIA (GERAL)
Mínimo
442
893
327
34,319
678
27,12
Máximo
672
1024
447
34,428
853
27,28
Média
598,6
966,5
367,9
34,403
786,5
27,24
Máximo
702
1068
486
34,449
883
27,3
Média
601,2
971,9
370,6
34,394
791,9
27,24
Máximo
713
1104
444
34,451
928
27,3
Média
609,2
981,8
372,6
34,388
791
27,23
Máximo
713
1104
486
34,451
928
27,3
Média
603,2
973,7
370,5
34,394
789,9
27,24
Pelos critérios de análise adotados, a espessura da AIA variou de 327 a 486
metros considerando os três anos de coleta. Pela Figura 4.9 observa-se que as
maiores espessuras estão na região nordeste da área de estudo próximo a 21ºS, onde
se localiza, de acordo com TSUCHIYA et al. (1994) e conforme pode ser observado
em REID (1989), a fronteira entre o Giro Subtropical e o Giro Subequatorial Ciclônico
na profundidade da AIA. Em grande parte da área de estudo a espessura da AIA
pouco variou, seja espacialmente em um mesmo ano ou quando são comparadas
áreas comuns entre os diferentes anos de coleta.
37
-18
-18
-20
-20
-22
-22
-24
-24
-26
-26
-28
-28
435
425
415
405
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-28
-12
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
395
385
375
-18
365
-20
355
-22
345
335
-24
-26
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.9 – Mapas representativos da espessura (m) da AIA nos anos de 1997 (A), 1998 (B) e
2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala de longitudes (eixos
horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a mesma para os três mapas.
O comportamento do núcleo da AIA, definido como a profundidade na qual a
salinidade é mínima na coluna d’água, foi estudado tendo-se em vista a relação destes
valores com a profundidade e a densidade correspondentes ao nível, para o qual, foi
encontrada a salinidade mínima no diagrama T-S.
Os valores de salinidade mínima da AIA encontrados variaram entre 34,319 e
34,451 (Tabela 4.3), mostrando uma relação direta com a localização das estações de
coleta, sendo os maiores valores encontrados nas menores latitudes e os menores
valores nas maiores latitudes (Figura 4.10A). Este comportamento na variação dos
valores de salinidade mínima está relacionado à proximidade da AIA em relação a sua
zona de formação. Isto por que ao longo do caminho da AIA pelo oceano Atlântico Sul
acontecem processos de mistura com águas adjacentes que vão alterando seus
valores originais de T e S.
O intervalo de profundidade onde foi localizado o núcleo de salinidade mínima
da AIA ficou compreendido entre 678 e 928 metros (Tabela 4.3). O núcleo da AIA foi
encontrado em menores profundidades nas baixas latitudes e em maiores
profundidades nas altas latitudes (Figura 4.10B). Este comportamento é condizente
com as variações de profundidade observadas entre os limites superior e inferior da
38
AIA, constatando que a variação de profundidade ocorre na massa d’água inteira e
não somente em seu núcleo de salinidade mínima.
Os resultados obtidos por THOMSEN (1962), mesmo este tendo trabalhado
com um número menor de estações, ao longo do meridiano de 30ºW e em uma
amplitude latitudinal maior, são essencialmente semelhantes aos observados neste
trabalho (Tabela 4.4).
Tabela 4.4 – Comparação com os valores obtidos por THOMSEN (1962) para o núcleo de
salinidade mínima da AIA.
Variação da Salinidade
Mínima
Variação da Profundidade
correspondente a Salinidade Mínima (m)
THOMSEN (1962)
34,26 a 34,51
685 a 950
Este estudo
34,32 a 34,45
678 a 928
A densidade (σө) da água em que se encontra o núcleo de salinidade mínima
da AIA está compreendida entre 27,12 e 27,3 (Tabela 4.3) estando na média a 27,24.
A variação da densidade do núcleo da AIA mostrou uma tendência de aumento de sul
para norte com os maiores valores sendo observados na parte nordeste da área de
estudo, coincidindo com a fronteira entre o Giro Subtropical e o Giro Subequatorial
Ciclônico citada por TSUCHIYA et al. (1994) (Figura 4.10C).
39
-18
34.45
34.44
34.43
-20
34.42
34.41
34.4
-22
34.39
34.38
34.37
-24
34.36
34.35
34.34
-26
A
34.33
34.32
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
-18
-680
-700
-720
-20
-740
-760
-22
-780
-800
-820
-24
-840
-860
-880
-26
B
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-900
-920
-12
-18
27.31
27.29
-20
27.27
27.25
-22
27.23
27.21
-24
27.19
27.17
-26
27.15
C
27.13
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.10 – Mapas representativos das características do núcleo de salinidade mínima da
AIA. Valores de salinidade mínima (A), profundidade (m) do núcleo de salinidade mínima (B) e
densidade do núcleo de salinidade mínima (C).
40
Para a AIA foram analisados mapas de distribuição de T e S no nível de 790
metros, representando o nível de profundidade média do núcleo de salinidade mínima
(Figura 4.11). Nessa profundidade a temperatura apresentou uma diminuição no
sentido sul-norte, enquanto que a salinidade mostrou um aumento no mesmo sentido.
Temperatura AIA (790m)
5.4
-18
4.
4
-19
5.2
-20
4.
4
4.4
5
-21
4.8
4.
8
4.8
-23
4. 8
latitude
-22
4.8
-24
8
4.
8
4.
4.6
4.
8
-25
4.4
5.
2
-26
-27
4.8
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Salinidade AIA (790m)
34.44
-18
34.43
-19
34.42
-20
34 .42
34.41
-21
2
34 .4
.42
34
latitude
-22
34.4
34.39
-23
34.38
8
34 .3
34 .38
-24
34
.38
34.37
34 .38
-25
34.36
-26
34.35
34 .38
4
34 .3
-27
34.34
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.11 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a AIA no nível de 790
metros.
41
4.1.4
Água Circumpolar Superior (ACP)
A ACP se posiciona na coluna d’água entre a AIA e a APAN. Caracteriza-se
por baixos valores de temperatura, salinidade e oxigênio e por altas concentrações de
nutrientes quando comparada com águas do Atlântico Norte (REID,1989).
A
ACP
não
possui
uma
assinatura
termohalina
bem
definida.
Bibliograficamente é caracterizada, e localizada na coluna d’água, principalmente por
sua baixa concentração de oxigênio dissolvido (REID,1989 ; TSUCHIYA et al.,1994 ;
MÉMERY et al., 2000). A partir da concentração de oxigênio são estabelecidos valores
de densidade para a delimitação da ACP. Neste trabalho utilizamos as isopicnais σ1 =
32,0 (limite superior) e σ1 = 32,2 (limite inferior).
O limite entre a ACP e a APAN ficou localizado entre as profundidades de 1196
e 1378 metros (Tabela 4.5). Este limite apresentou uma tendência de ser mais
profundo a sul e mais raso a norte, com exceção de uma região ao norte de 21ºS onde
a profundidade deste limite voltou a aumentar (Figura 4.12). Esta região coincide com
a fronteira entre o Giro Subtropical e o Giro Subequatorial Ciclônico citada por
TSUCHIYA et al. (1994), que considera que ao norte de 21ºS não se tem mais a
presença da ACP sendo toda a camada considerada ocupada pela AIA; esta hipótese
também é sugerida por MÉMERY et al. (2000).
Tabela 4.5 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD mostrando o
posicionamento da ACP e sua espessura na área de estudo durante os três anos de coleta de
dados.
Limite Superior (σ1 = 32,0)
Limite Inferior (σ1 = 32,2)
Espessura
Limite Superior (σ1 = 32,0)
Limite Inferior (σ1 = 32,2)
Espessura
Limite Superior (σ1 = 32,0)
Limite Inferior (σ1 = 32,2)
Espessura
ACP (1997)
Mínimo
917
1220
265
ACP (1998)
Mínimo
893
1201
247
ACP (2000)
Mínimo
903
1196
253
Máximo
1024
1320
337
Média
966,5
1266,8
300,3
Máximo
1068
1370
354
Média
971,9
1270,4
298,5
Máximo
1104
1378
374
Média
981,8
1277,9
296,1
42
ACP (GERAL)
Mínimo
893
1196
247
Limite Superior (σ1 = 32,0)
Limite Inferior (σ1 = 32,2)
Espessura
Máximo
1104
1378
374
-18
Média
973,7
1271,9
298,2
-1200
-1220
-20
-1240
latitude
-1260
-22
-1280
-1300
-24
-1320
-1340
-26
-1360
-1380
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.12 – Posicionamento em profundidade (m) do limite entre ACP e APAN pela área de
estudo para o ano de 2000.
Aceitando a hipótese de TSUCHIYA et al. (1994), a espessura da ACP pouco
variou pela área de estudo durante os anos de coleta de dados. Excluindo a região ao
norte do limite entre o Giro Subtropical e o Giro Subequatorial Ciclônico, onde na
verdade teríamos a presença da AIA, a variação da espessura da ACP foi da ordem
de 40 metros na região de estudo.
43
-18
-18
-20
-20
-22
-22
-24
-24
-26
-26
370
360
350
A
B
-28
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
340
330
320
310
-18
300
-20
290
280
-22
270
-24
260
-26
C
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.13 – Mapas representativos da espessura (m) da ACP nos anos de 1997 (A), 1998 (B)
e 2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala de longitudes (eixos
horizontais) e latitudes (eixos verticais), assim como a barra de cores é a mesma para os três
mapas.
Para a ACP foram analisados mapas de distribuição de T e S no nível de 1130
metros, representando o nível de profundidade no centro da ACP (Figura 4.14). A
temperatura e a salinidade, no nível analisado, tiveram comportamento similar.
Observou-se um aumento dos valores no sentido sul-norte, podendo este
comportamento estar relacionado com o distanciamento da massa d’água de sua zona
de formação e aos processos de mistura ao longo do seu fluxo pelo oceano Atlântico
Sul.
O comportamento da salinidade da ACP foi o mesmo observado na AIA,
aumentando de sul para norte, porém com valores um pouco superiores, o que
também foi observado por REID (1989), que estudou através de dados históricos todo
o oceano Atlântico Sul, porém de forma menos detalhada do que é feito neste trabalho
para uma região específica.
44
Temperatura ACP (1130m)
3.75
-18
3.7
-19
3. 7
3.65
3. 7
-20
3.6
-21
3.55
3.5
3.5
3.5
latitude
-22
-23
3.5
3.5
3.45
-24
3.4
3
3.
-25
3.3
3.35
-26
3.3
3.3
3.3
-27
3.25
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Salinidade ACP (1130m)
-18
34.62
-19
34.6
-20
34.58
34 .6
34 .6
34 .6
-22
latitude
34.56
34
.6
-21
34.54
5
34 .5
-23
34 .55
5
.5
34
34.52
-24
34.5
-25
34.5
34.48
34.5
-26
34.46
-27
34.44
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.14 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a ACP no nível de 1130
metros.
4.1.5
Água Profunda do Atlântico Norte (APAN)
A APAN está posicionada na coluna d’água entre a ACP e a AAF, e se
caracteriza por uma espessa camada de água, com alta salinidade, rica em oxigênio e
pobre em nutrientes fluindo para sul através do equador (REID,1989). A APAN foi
delimitada, neste trabalho, pelas isopicnais σ1 = 32,2 (limite superior) e σ4 = 45,87
(limite inferior).
45
O limite entre a APAN e a AAF foi encontrado entre as profundidades de 3286 e
4103 metros (Tabela 4.6). Pela Figura 4.15 observa-se uma tendência deste limite ser
mais raso ao sul e mais profundo ao norte da área de estudo. As maiores profundidades
entre a APAN e a AAF dentro da área de estudo são observadas em uma região na
parte leste da Figura 4.15. Isto se deve ao fato das estações de coleta responsáveis por
este resultado, estarem localizadas a leste da cordilheira meso-oceânica, o que faz com
que a dinâmica observada nesta área específica a esta profundidade esteja relacionada
a processos de circulação existentes na Bacia de Angola.
-18
-3300
-3400
-20
latitude
-3500
-3600
-22
-3700
-3800
-24
-3900
-4000
-26
-4100
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.15 – Posicionamento em profundidade (m) do limite entre APAN e AAF pela área de
estudo para o ano de 2000.
Tabela 4.6 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD mostrando o
posicionamento da APAN e sua espessura pela área de estudo durante os três anos de coleta
de dados.
Limite Superior (σ1 = 32,2)
Limite Inferior (σ4 = 45,87)
Espessura
Salinidade Máxima
Prof. Salinidade Máxima
Dens. Salinidade Máxima
Limite Superior (σ1 = 32,2)
Limite Inferior (σ4 = 45,87)
Espessura
Salinidade Máxima
Prof. Salinidade Máxima
Dens. Salinidade Máxima
APAN (1997)
Mínimo
1220
3407
2112
34,901
1995
27,8
APAN (1998)
Mínimo
1201
3364
2044
34,89
1800
27,78
Máximo
1320
3756
2495
34,945
2653
27,83
Média
1266,8
3557,2
2289,5
34,932
2170,3
27,82
Máximo
1370
3741
2494
34,95
2699
27,84
Média
1270,4
3550,5
2278,6
34,93
2216,8
27,82
46
Limite Superior (σ1 = 32,2)
Limite Inferior (σ4 = 45,87)
Espessura
Salinidade Máxima
Prof. Salinidade Máxima
Dens. Salinidade Máxima
Limite Superior (σ1 = 32,2)
Limite Inferior (σ4 = 45,87)
Espessura
Salinidade Máxima
Prof. Salinidade Máxima
Dens. Salinidade Máxima
APAN (2000)
Mínimo
1196
3286
2011
34,889
1783
27,79
APAN (GERAL)
Mínimo
1196
3286
2011
34,889
1783
27,78
Máximo
1378
4103
2816
34,955
2812
27,84
Média
1277,4
3555,3
2275,9
34,931
2246,5
27,82
Máximo
1378
4103
2816
34,955
2812
27,84
Média
1271,7
3554,3
2281,1
34,931
2212,3
27,82
A espessura da APAN variou de 2011 a 2816 metros considerando os três
anos de coleta (Tabela 4.6). As maiores espessuras da APAN estão na região norte da
área de estudo diminuindo para sul, o que também é citado por STRAMMA &
ENGLAND (1999), que trabalhou com seções do World Ocean Circulation Experiment
(WOCE) distribuídas pelo oceano Atlântico Sul. Na parte leste da área de estudo
observam-se os maiores valores de espessuras da APAN, principalmente nos anos de
1998 e 2000 quando a área de estudo é maior, e assim como explicado anteriormente
para o comportamento do limite entre APAN e AAF, os processos oceanográficos para
esta região são influenciados pelos processos existentes na Bacia de Angola. Para as
áreas comuns entre os diferentes anos de coleta não ficou constatada uma variação
significativa na espessura da APAN (Figura 4.16).
47
-18
-18
-20
-20
-22
-22
-24
-24
-26
2850
2750
2650
-26
B
A
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-28
-12
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
2550
-12
2450
-18
2350
-20
2250
-22
2150
-24
2050
-26
C
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.16 – Mapas representativos da espessura da APAN nos anos de 1997 (A), 1998 (B) e
2000 (C) pela área de estudo. Os mapas estão na mesma escala de longitudes (eixos
horizontais) e latitudes (eixos verticais), e a barra de cores é a mesma para os três mapas.
O comportamento do núcleo de salinidade máxima da APAN foi estudado
através da variação dos valores de salinidade máxima pela área de estudo e a relação
destes valores com a profundidade e a densidade relativas ao nível onde foram
observados.
Os valores de salinidade máxima da APAN variaram entre 34,889 e 34,955
(Tabela 4.6). O núcleo de salinidade máxima da APAN mostrou-se como uma “língua”
salina centrada entre as latitudes de 20 e 22ºS com os maiores valores de salinidade
sendo observados na parte oeste da área de estudo (Figura 4.17A). Este
comportamento da variação da salinidade máxima da APAN sugere a sua penetração
para o interior da Bacia do Brasil de oeste para leste, tendo sido observado também
por outros autores como DE MADRON & WEATHERLY (1994), TSUCHIYA et al.
(1994) e STRAMMA & ENGLAND (1999) e será explicado em maiores detalhes no
capítulo 4.2.
O núcleo de salinidade máxima da APAN ficou compreendido entre 1783 e
2812 metros (Tabela 4.6). De forma geral, o núcleo de salinidade máxima da APAN foi
encontrado em menores profundidades nas baixas latitudes e em maiores
profundidades nas altas latitudes (Figura 4.17B). Este comportamento confirma o que
foi observado por TSUCHIYA et al. (1994), segundo o qual, a salinidade máxima da
48
APAN é encontrada em menores profundidades próximo ao equador, e afunda em
direção ao sul, principalmente entre 22º e 25ºS onde a APAN é obstruída pela ACP.
A faixa de densidade (σө) da água em que se encontrou o núcleo de salinidade
máxima da APAN ficou compreendida entre 27,79 e 27,84 (Tabela 4.6) estando na
média a 27,82. As maiores densidades do núcleo da APAN foram observadas ao sul e
as menores ao norte da área de estudo (Figura 4.17C) comportamento coerente com
as profundidades de localização do núcleo de salinidade máxima da APAN.
49
-18
34.95
-20
34.94
34.93
-22
34.92
-24
34.91
34.9
-26
A
34.89
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
-18
-1800
-1900
-20
-2000
-2100
-2200
-22
-2300
-2400
-24
-2500
-2600
-26
B
-2700
-2800
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
-18
27.842
27.838
27.834
-20
27.83
27.826
27.822
-22
27.818
27.814
27.81
-24
27.806
27.802
27.798
-26
C
27.794
27.79
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.17 – Mapas representativos das características do núcleo de salinidade máxima da
APAN. Valores de salinidade máxima (A), profundidade do núcleo de salinidade máxima (B) e
densidade do núcleo de salinidade máxima (C).
50
Para a APAN foram analisados mapas de distribuição de T e S no nível de
2250 metros, representando o nível de profundidade média do núcleo de salinidade
máxima da APAN (Figura 4.18). Nessa profundidade a temperatura e a salinidade
mostraram o mesmo comportamento, com os maiores valores a oeste e uma
distribuição que sugere a penetração da APAN para o interior da Bacia do Brasil.
Temperatura APAN (2250m)
3.15
-18
3.1
-19
9
2.
3.05
3
-20
3.1
-21
3
2.9
3.1
3.1
latitude
-22
3
2.95
-23
2.9
3
-24
3.1
2.85
3
-25
3
3
-26
2.8
-27
2.75
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Salinidade APAN (2250m)
34.94
-18
34
.91
34.935
-19
34 .92
-20
34.93
34 .9
3
34 .91
34
.9
34 .9
4
34.92
34 .9
2
34.91
-25
34
.93
3
.9
34
-24
34.915
34
.91
34 .93
34
.94
latitude
-22
-23
34.925
34 .92
-21
-26
34.92
34.905
34
.92
34.9
34 .92
34.895
34
.9
-27
-26
-24
34 .9
1
34.89
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.18 – Mapas de distribuição de T (superior) e S (inferior) para a APAN no nível de 2250
metros.
51
4.1.6
Água Antártica de Fundo (AAF)
Relativamente fria e pouco salina (TSUCHIYA et al., 1994) a AAF tem como
limite superior a interface com a APAN (σ4 = 45,87) e como limite inferior a batimetria.
Segundo STRAMMA & ENGLAND (1999), a circulação da AAF é fortemente
influenciada pela topografia de fundo (Figura 4.19).
Figura 4.19 – Mapa batimétrico da parte sudeste da Bacia do Brasil. Fonte: Etopo5
(http://www.ngdc.noaa.gov/mgg/global/etopo5.html)
52
Tabela 4.7 – Resultados obtidos através da análise das 230 estações de CTD mostrando o
posicionamento da AAF e sua espessura pela área de estudo durante os três anos de coleta de
dados.
Limite Superior (σ4 = 45,87)
Limite Inferior (batimetria)
Espessura
Limite Superior (σ4 = 45,87)
Limite Inferior (batimetria)
Espessura
Limite Superior (σ4 = 45,87)
Limite Inferior (batimetria)
Espessura
Limite Superior (σ4 = 45,87)
Limite Inferior (batimetria)
Espessura
AAF (1997)
Mínimo
3407
4159
647
AAF (1998)
Mínimo
3364
3978
282
AAF (2000)
Mínimo
3286
3995
324
AAF (GERAL)
Mínimo
3286
3978
282
Máximo
3756
6013
2441
Média
3557,2
4851,4
1294,2
Máximo
3741
6000
2561
Média
3550,5
5014,6
1473,4
Máximo
4103
6042
2428
Média
3552,9
5144,6
1591,7
Máximo
4103
6042
2561
Média
3554,3
5011,4
1457,1
A espessura da AAF variou de 282 a 2561 metros pela área de estudo (Tabela
4.7). Por ter a profundidade local como seu limite inferior, sua espessura mostrou
nítida relação com a batimetria, sendo mais espessa em locais com maiores
profundidades, no interior da Bacia do Brasil, e menos espessa em regiões mais
rasas, sobre a Cordilheira Meso-Oceânica (Figura 4.20).
53
-18
-18
-20
-20
-22
-22
-24
-24
-26
2400
2200
2000
-26
B
A
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-28
-28
-12
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
1800
1600
1400
1200
-18
1000
-20
800
600
-22
400
-24
-26
C
-28
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
Figura 4.20 – Mapas representativos da espessura (m) da AAF nos anos de 1997 (A), 1998 (B)
e 2000 (C) na área de estudo. Os mapas estão na mesma escala de longitudes (eixos
horizontais) e latitudes (eixos verticais), assim como barra de cores é a mesma para os três
mapas.
Para a AAF foram analisados mapas de distribuição de T e S no nível de 5000
metros, representando uma profundidade média no centro da AAF (Figura 4.21).
Tanto para a temperatura quanto para a salinidade os menores valores foram
observados no interior da Bacia do Brasil, onde ocorrem as maiores profundidades. Na
região leste da área de estudo foram observados os maiores valores de T e S,
mostrando também relação com a batimetria local (Figura 4.19).
54
Temperatura AAF (5000m)
2
-18
-19
1.8
-20
1.6
-21
1.4
2
1. 6
-23
1.2
latitude
0. 8
-22
-24
0.8
1.2
-25
1
-26
-27
0.8
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Salinidade AAF (5000m)
-18
34.82
-19
-20
34.8
-21
5
34 .7
34.78
.72
34
-23
34 .7
8
latitude
-22
34.76
-24
-25
34.74
-26
34
.75
-27
34.72
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
longitude
Figura 4.21 – Mapas de distribuição de T e S para a AAF no nível de 5000 metros.
55
4.2
ESCOAMENTO GEOSTRÓFICO
Neste capítulo serão discutidos os resultados obtidos com a realização do
cálculo geostrófico para os dados coletados na área de estudo durante o ano de 2000,
escolhido em função da maior distribuição espacial dos dados. Seções verticais e
horizontais de velocidade geostrófica e gráficos de transporte zonais e meridionais
serão utilizados para explicar a circulação geostrófica em diferentes níveis de
profundidade dentro da área de estudo.
O nível de referência (NR) escolhido para que fossem realizados os cálculos
geostróficos, foi a profundidade da isopicnal de σ1 = 32,2 que representa o limite entre
a ACP e a APAN (Figura 4.22). Esta escolha foi feita, tendo em vista que a APAN e a
ACP fluem em sentidos contrários dentro da Bacia do Brasil (STRAMMA & ENGLAND,
1999), o que faz com que exista um nível de profundidade na interface entre estas
massas d’água onde a velocidade é nula.
(m)
-1200
-1220
-1240
-1260
-1150
Profundidade (m)
-1200
-1280
-1250
-1300
-1300
-10
-12
-1350
-14
-1320
-16
-1400
-18
-16
-1340
-20
-18
-22
-20
-22
-1360
-24
-24
-26
-26
Latitude
-28
-28
Longitude
Figura 4.22 – Superfície isopicnal de σ1 = 32,2 que representa o limite entre a ACP e a APAN e
o nível de referência escolhido.
56
A escolha de um NR fixo em uma determinada profundidade é comumente
utilizada para se estudar o escoamento geostrófico, como por exemplo, é feito por
REID (1989) que estudou a circulação geostrófica no oceano Atlântico Sul. Como
neste trabalho de dissertação o NR é variável, acompanhando uma isopicnal, foram
feitos testes com níveis de referência fixos para os dados analisados. A partir destes
testes concluiu-se que, com a utilização de um NR variável em profundidade pela área
de estudo, as feições são essencialmente as mesmas observadas quando se utiliza
um NR fixo, porém com uma visualização mais nítida do campo de velocidades
geostróficas.
Com a definição do NR foram calculados os campos verticais e horizontais de
velocidade geostrófica pela área de estudo. A análise conjunta dos resultados obtidos
através do cálculo geostrófico para as diferentes massas d’água permitiu ter uma visão
comparativa entre as massas d’água e uma descrição geral da dinâmica observada
em toda a coluna d’água pela área de estudo.
Acima do NR, que está localizado aproximadamente em 1200 metros de
profundidade, se encontram as massas d’água superficiais e intermediárias (AT,
ACAS, AIA e ACP) fluindo preferencialmente para oeste, junto ao Giro Subtropical do
Atlântico Sul. A análise de uma seção meridional, apresentando as velocidades
zonais, ao longo de 22ºW, identifica dois fluxos principais para oeste (Figura 4.23).
Estes fluxos estão centrados, apesar de existir uma variação meridional dos
seus posicionamentos pela área de estudo (Figura 4.24), em aproximadamente 22ºS e
25ºS. O fluxo mais a norte, centrado na média em 22ºS, varia seu posicionamento
entre 21ºS e 23ºS e o fluxo mais a sul, centrado na média em 25ºS, varia seu
posicionamento entre 24ºs e 26ºS.
As velocidades são maiores na superfície, diminuindo com a aproximação do
NR (Figura 4.23). Estudos existentes para o Atlântico Sul que trabalharam com uma
região muito maior (REID,1989; TSUCHIYA et al., 1994; STRAMMA & ENGLAND,
1999; MÉMERY et al., 2000), porém com dados históricos e com pouco detalhamento
para uma região específica, como é feito nesta dissertação, também citam as águas
superficiais e intermediárias circulando junto ao giro subtropical.
57
Velocidades Zonais (m/s) em 22ºW
0
0.06
-200
0.04
-400
profundidade (m)
0.02
-600
0
-800
-0.02
-1000
-0.04
-1200
-0.06
-27
-26
-25
-24
-23
-22
-21
latidudes
Figura 4.23 – Seção meridional de velocidades zonais, ao longo de 22ºW, englobando
profundidades acima do nível de referência. Valores negativos (azul) indicam velocidades para
oeste e valores positivos (vermelho) indicam velocidades para leste.
58
16ºW
-16
ACAS
-18
-20
L a t it u d e s
L a t it u d e s
ACAS
-18
-20
-22
-22
-24
-24
-26
-26
-28
-0.5
18ºW
-16
-0.45
-0.4
-0.35
-0.3
-0.25
Transporte (Sv)
-0.2
-0.15
-0.1
-0.05
-28
-0.8
0
-0.6
-0.4
-0.2
20ºW
-16
0
0.2
0.4
0.6
Transporte (Sv)
22ºW
-16
ACAS
-18
-20
-20
L a t it u d e s
L a t it u d e s
ACAS
-18
-22
-22
-24
-24
-26
-26
-28
-0.7
-0.6
-0.5
-0.4
-0.3
-0.2
Transporte (Sv)
-0.1
0
0.1
-28
-0.7
0.2
-0.6
-0.5
-0.4
24ºW
-16
-0.3
-0.2
-0.1
0
Transporte (Sv)
26ºW
-16
ACAS
ACAS
-18
-18
-20
L a t it u d e s
L a t it u d e s
-20
-22
-22
-24
-24
-26
-26
-28
-0.5
-0.4
-0.3
-0.2
-0.1
Transporte (Sv)
0
0.1
0.2
-28
-0.6
-0.5
-0.4
-0.3
-0.2
-0.1
0
0.1
Transporte (Sv)
Figura 4.24 – Variação do posicionamento dos dois fluxos para oeste pela área de estudo.
Cada gráfico representa o transporte zonal pontual (Sv) na ACAS em perfis distanciados de
dois graus de longitude, localizados entre 16º e 26ºW.
59
Para ajudar a entender a circulação geostrófica no Giro Subtropical do Atlântico
Sul, dentro da área de estudo, foram calculados mapas horizontais de velocidades
para um nível representativo do centro de cada uma das massas d’água encontradas
acima do NR (Figuras 4.25 a 4.28). O padrão de circulação observado foi bastante
similar para os diferentes níveis estudados, confirmando a presença de dois fluxos
principais para oeste e uma região entre os dois fluxos zonais principais, onde existe
uma recirculação com as correntes geostróficas menos intensas e organizadas do que
no restante da área de estudo.
A camada de água compreendida entre a superfície do oceano e a isopicnal de
σө = 26,0 é a camada com as maiores velocidades de corrente na maioria das regiões
dos oceanos (STRAMMA & ENGLAND, 1999); e por estar sendo diretamente
influenciada pelos fluxos de calor existentes na interação ar-mar, a AT apresenta
fluxos geostróficos menos ordenados do que nos outros níveis estudados dentro do
giro subtropical (Figura 4.25).
A ACAS circula na parte sudeste da Bacia do Brasil preferencialmente para
oeste (Figura 4.26) como parte do Giro Subtropical e atinge a costa da América do Sul
transportada pela Corrente Sul Equatorial. Este padrão de circulação também é
observado por REID (1989), STRAMMA & ENGLAND (1999) e SILVEIRA et al. (2000)
para trabalhos no oceano Atlântico Sul.
A AIA circula com o Giro Subtropical (Figura 4.27) chegando novamente a
costa do Brasil próximo a 23ºS, onde se bifurca com um ramo fluindo para norte e
outro para sul REID (1989), MAAMAATUAIAHUTAPU et al. (1992), STRAMMA &
ENGLAND (1999) e MÉMERY et al. (2000).
Ainda na Figura 4.27, que representa o campo de velocidades geostróficas na
profundidade média do núcleo de salinidade mínima da AIA, nota-se que na altura de
20ºS existe um fluxo para leste. A localização deste fluxo coincide com a fronteira
entre o Giro Subtropical e o Giro Subequatorial Ciclônico (TSUCHIYA et al., 1994),
podendo a dinâmica ali existente estar respondendo a processos na interface entre os
dois giros.
60
Velocidades Geostróficas (90 metros)
-18
-19
-20
-21
-23
-24
-25
-26
-1
0,1 m s
-27
-28
-28
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.25 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível de 90
metros sendo representativo do centro da Água Tropical (AT).
Velocidades Geostróficas (390 metros)
-18
-19
-20
-21
-22
latitude
latitude
-22
-23
-24
-25
-26
-1
0,05 m s
-27
-28
-28
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.26 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível de 390
metros sendo representativo do centro da ACAS.
61
Velocidades Geostróficas (790 metros)
-18
-19
-20
-21
latitude
-22
-23
-24
-25
-26
-1
0,05 m s
-27
-28
-28
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.27 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível de 790
metros sendo representativo do centro da AIA.
Velocidades Geostróficas (1130 metros)
-18
-19
-20
-21
latitude
-22
-23
-24
-25
-26
0,01 m s
-1
-27
-28
-28
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.28 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível de 1130
metros sendo representativo do centro da ACP.
62
A ACP flui para oeste na parte sudeste da Bacia do Brasil associada com o
limite norte do giro subtropical (REID, 1989; MÉMERY et al., 2000). Na região
nordeste da área de estudo, ao norte de 21ºS, é observado um fluxo para leste,
incluindo uma região onde a circulação geostrófica é praticamente nula. A dinâmica
oceânica nesta área pode estar associada à interface entre o Giro Subtropical e o Giro
Subequatorial Ciclônico, assim como acontece para a AIA na mesma região
(Figura 4.28).
A ACP é a massa d’água mais profunda a circular junto com o Giro Subtropical
do Atlântico Sul. TSUCHIYA et al. (1994) citam que a ACP está localizada logo abaixo
da AIA fluindo de sul para norte até aproximadamente 22ºS. TSUCHIYA et al. (1994)
sugerem ainda que a fronteira entre o Giro Subtropical e o Giro Subequatorial do
Atlântico Sul, localizada na latitude aproximada de 21ºS, seria o limite norte da ACP
sendo que ao norte desta fronteira toda a camada de água, que ao sul é ocupada ACP
ao norte é ocupada pela AIA.
Já as massas d’água profundas (APAN e AAF), abaixo do nível de referência,
ao
contrário
das
águas
que
circulam
junto
ao
giro
subtropical,
fluem
predominantemente para leste dentro da área de estudo (Figura 4.29). Assim como foi
observado nas seções horizontais de velocidade geostrófica para as águas superficiais
e intermediárias, existem dois fluxos zonais principais e uma região entre os fluxos
zonais onde existe uma recirculação com as correntes geostróficas menos
organizadas e menos intensas (Figuras 4.30 e 4.31).
63
Velocidades Zonais (m/s) em 22ºW
-1500
0.06
-2000
0.04
-2500
profundidade (m)
0.02
-3000
0
-3500
-4000
-0.02
-4500
-0.04
-5000
-0.06
-27
-26
-25
-24
-23
-22
-21
latidudes
Figura 4.29 – Seção vertical de velocidades zonais, ao longo de 22ºW, englobando
profundidades abaixo do nível de referência. Valores negativos (azul) indicam velocidades para
oeste e valores positivos (vermelho) indicam velocidades para leste.
No caso da APAN, têm-se um fluxo para o interior da Bacia do Brasil, centrado
em 22ºS, que pode estar representando a conseqüência da bifurcação desta massa
d’água, quando encontra a Cadeia de Vitória Trindade ao fluir para sul junto ao
contorno oeste como é citado por vários autores como REID (1989), TSUCHIYA et al.
(1994), STRAMMA & ENGLAND (1999) e MÉMERY et al. (2000). Outra explicação
para o fluxo para leste da APAN em 22ºS, seria o bloqueio da APAN pela recirculação
subtropical da ACP (MÉMERY et al., 2000) fazendo com que esta se direcione para o
interior da Bacia do Brasil (Figura 4.30).
Ainda no nível de profundidade da APAN, ao longo de 20ºS, observa-se um
fluxo para oeste. Segundo DE MADRON & WEATHERLY (1994), após penetrar na
Bacia do Brasil proveniente da fronteira oeste, a APAN, gira para nordeste
recirculando dentro da Bacia do Brasil, o que explicaria a dinâmica observada nesta
região (Figura 4.30).
64
Velocidades Geostróficas (2250 metros)
-18
-19
-20
-21
latitude
-22
-23
-24
-25
-26
-1
0,05 m s
-27
-28
-28
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.30 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível de 2250
metros sendo representativo do núcleo de salinidade máxima da APAN.
Velocidades Geostróficas (4500 metros)
-18
-19
-20
-21
latitude
-22
-23
-24
-25
-26
-1
0,05 m s
-27
-28
-28
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.30 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível de 4500
metros sendo representativo do centro da AAF.
65
DE MADRON & WEATHERLY (1994) localizam um núcleo de salinidade
máxima da APAN em 22ºS, a leste da Cadeia de Vitória-Trindade, indicando o fluxo
para leste já citado anteriormente, e que é confirmado na Figura 4.32 onde o campo
de velocidades geostróficas está representado sobre o campo de salinidade máxima
da APAN. Nota-se, nitidamente, que o escoamento geostrófico acompanha as
isohalinas, o que corrobora a penetração da APAN nesta região da Bacia do Brasil. A
“língua” com maiores valores de salinidade observada na Figura 4.32 delimitaria este
fluxo para leste, proveniente do contorno oeste.
Velocidades Geostróficas (2250 metros)
-18
34.94
-19
34.935
-20
34.93
latitude
-21
34.925
-22
34.92
-23
34.915
34.91
-24
34.905
-25
34.9
-26
34.895
-1
0,05 m s
-27
34.89
-28
-28
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.31 – Campo horizontal de velocidades geostróficas, calculado para o nível de 2250
metros, plotado sobre o campo de salinidade máxima da APAN para a mesma profundidade.
A AAF mostra um comportamento geostrófico similar ao da APAN, porém,
sendo diretamente influenciado pela batimetria local.
DE MADRON & WEATHERLY (1994) representaram esquematicamente o
fluxo da AAF dentro da Bacia do Brasil, onde a AAF entra na Bacia do Brasil pela parte
oeste fluindo para norte até aproximadamente 5ºS, de onde a maior parte retorna para
o interior da Bacia do Brasil se bifurcando em aproximadamente 18ºS em fluxos para
sul e para norte influenciados pela batimetria.
66
A AAF tem sua circulação fortemente influenciada pela topografia de fundo
(STRAMMA & ENGLAND, 1999) e propaga-se para norte dentro da Bacia do Brasil
após passar através do Canal de Vema (REID,1989; TSUCHIYA et al., 1994;
STRAMMA & ENGLAND, 1999). Estas orientações dos fluxos na AAF, que
acompanham o flanco da Cordilheira Meso-Oceânica, respondendo diretamente as
feições batimétricas da área de estudo, podem ser melhor observados, na Figura 4.33.
Velocidades Geostróficas (4500 metros)
-19
-20
-3500
-21
-4000
latitude
-22
-4500
-23
-24
-5000
-25
-5500
-26
0,05 m s
-28
-28
-6000
-1
-27
-26
-24
-22
-20
longitude
-18
-16
-14
-12
Figura 4.32 – Campo horizontal de velocidades geostróficas (vetores), calculado para o nível
de 4500 metros, sobre o mapa batimétrico (contornos) da área de estudo.
Como citado anteriormente, o escoamento geostrófico calculado para a área de
estudo mostrou-se bastante complexo em todos os níveis de profundidade estudados,
sendo caracterizado por dois fluxos zonais predominantes e uma região onde existe
uma recirculação com as correntes geostróficas menos organizadas e menos intensas
do que no restante da área de estudo.
Nesta região entre os fluxos principais, que é comum a todos os níveis
analisados, nota-se a presença de estruturas em forma de vórtices, sendo que uma
delas bem definida centrada em aproximadamente 23,8ºS e 25,5ºW. Com uma
dimensão de dois por dois graus, esta feição gira ciclônicamente na APAN e AAF e
gira anti-ciclônicamente na AT, ACAS, AIA e ACP; sendo mais facilmente visualizada
67
na ACP, APAN e AAF. A evidência da presença de vórtices profundos na Bacia do
Brasil é citada por HOGG & OWENS (1999) e por WEATHERLY et al. (2002), sendo
que o primeiro trabalhou com flutuadores de profundidade e o segundo com seções do
WOCE (World Oceanographic Circulation Experiment).
Alguns testes foram realizados visando buscar a robustez desta informação e
tentar se confirmar a presença de um vórtice na área de estudo. Testes com o nível de
referência fixo, em 1000 e 1500 metros, confirmaram a presença da estrutura vortical
com as mesmas características, eliminando a possibilidade de um nível de referência
variável estar gerando esta feição. O comportamento da velocidade geostrófica, zonal
e meridional, na localização da feição confirma a possibilidade da estrutura ser um
vórtice (Figura 4.34).
Nas seções escolhidas para mostrar a localização da estrutura vortical (Figura
4.34), percebe-se também a variação constante das direções das velocidades zonais e
meridionais. Este tipo de comportamento que é observado por toda a área de estudo,
foi apresentado por DE MADRON & WEATHERLY (1994) para a APAN e AAF, e
mostra também a grande complexidade da dinâmica oceanográfica existente na
região.
68
Velocidades Zonais (m/s)
0
-500
0.08
-1000
0.06
-1500
0.04
Profundidade (m)
-2000
0.02
-2500
0
-3000
-0.02
-3500
-0.04
-4000
-0.06
-4500
-0.08
-5000
-26
-25.5
-25
-24.5
-24
-23.5
-23
-22.5
-22
-21.5
-21
latitudes
Velocidades Meridionais (m/s)
0
-500
0.08
-1000
0.06
-1500
0.04
Profundidade (m)
-2000
0.02
-2500
0
-3000
-0.02
-3500
-0.04
-4000
-0.06
-4500
-0.08
-5000
-26
-24
-22
-20
-18
-16
longitudes
Figura 4.33 – Seções de velocidade geostrófica zonal (acima) e meridional, localizadas em
25,8ºW e 23,8ºS respectivamente. A área demarcada em vermelho indica a localização em
latitude e longitude da feição em forma de vórtice observada. Os valores positivos (vermelho)
indicam velocidades para leste e norte, e os valores negativos (azul) indicam velocidades para
oeste e sul.
69
Dentro do giro subtropical os maiores valores absolutos de velocidades
geostróficas foram observadas na AT (~0,13 m/s), diminuindo com o aumento da
profundidade, com o mínimo observado na ACP (~0,01 m/s). Cabe ressaltar que a
escolha do NR como a interface entre a ACP e a APAN explica a pequena intensidade
da velocidade geostrófica na ACP. Para as massas d’água profundas os máximos das
velocidades geostróficas absolutas observadas foram da ordem de 0,027 m/s tanto
para a APAN quanto para a AAF (Tabela.4.8).
Na Tabela 4.8 estão apresentados os valores máximos de velocidade
geostrófica absolutas, zonais e meridionais calculadas para a área de estudo. Os
valores máximos de velocidades zonais e meridionais observados para as massas
d’água profundas (APAN e AAF) são similares aos encontrados por DE MADRON &
WEATHERLY (1994) para a mesma área de estudo.
Tabela 4.8 – Valores máximos observados para a velocidade geostrófica (m/s) em cada uma
das massas d’água estudadas.
Velocidade Norte
Velocidade Sul
Velocidade Oeste
Velocidade Leste
Velocidade Absoluta
AT
0,045
0,095
0,104
0,093
0,135
ACAS
0,036
0,055
0,068
0,035
0,066
AIA
0,017
0,015
0,031
0,006
0,026
ACP
0,009
0,005
0,017
0,005
0,010
APAN
0,032
0,01
0,023
0,03
0,027
AAF
0,035
0,011
0,024
0,032
0,027
O transporte de volume integrado foi calculado ao longo de uma seção
meridional e uma zonal para cada uma das massas d’água encontradas na área de
estudo, com exceção da AAF. O transporte não foi calculado para a AAF pela
dificuldade na interpolação dos dados na camada de fundo que devem interagir com a
topografia para se chegar aos resultados esperados.
Foram escolhidas as seções em 22ºS (meridional) e a seção em 22ºW (zonal),
em função de serem as maiores seções possíveis de acordo com a distribuição das
estações de coleta de dados.
O gráfico do transporte zonal integrado ao longo de uma seção meridional em
22ºW, entre aproximadamente 21ºS e 28ºS, ilustra o comportamento dos fluxos das
massas d’água, na parte sudeste da Bacia do Brasil (Figura 4.35).
70
Transporte zonal (22ºW)
AT
1
ACAS
AIA
ACP
APAN
-10
-5
0
5
10
15
20
Transporte integrado (Sv)
Figura 4.34 – Transporte zonal integrado ao longo (~ 21ºS a 28ºS) de uma seção meridional
em 22ºW.
A AT, ACAS, AIA e ACP aparecem fluindo para oeste e a APAN com o maior
transporte, para leste. Dentro do giro subtropical a ACAS apresenta o maior transporte
(~6,5 Sv) e a ACP transportando cerca de 0,6 Sv tem o menor transporte para a seção
escolhida. Já a APAN é a massa d’água que transporta o maior volume (~15 Sv)
dentre todas as analisadas.
O gráfico do transporte meridional integrado ao longo de uma seção zonal em
22ºS, entre aproximadamente 12ºW e 28ºW, ilustra o comportamento dos fluxos das
massas d’água, na parte sudeste da Bacia do Brasil (Figura 4.36).
71
Transporte Meridional (22ºS)
6
AT
ACAS
5
AIA
ACP
Transporte integrado (Sv)
APAN
4
3
2
1
0
1
Figura 4.35 – Transporte meridional integrado ao longo (~ 12ºW a 28ºW) de uma seção
meridional em 22ºS.
Todas as massas d’água analisadas tem seu transporte meridional integrado
resultante para norte dentro da seção escolhida. A APAN com transporte de
aproximados 5 Sv foi a massa d’água com maior transporte meridional na seção
escolhida, enquanto que a ACP (~0,09 Sv) foi a que apresentou menor transporte.
A Tabela 4.9 resume os valores máximos de transporte integrado para cada
massa d’água dentro das seções escolhidas. Nota-se que o transporte meridional de
cada massa d’água é significativamente menor do que o transporte zonal, o que se
explica pelo transporte meridional estar representando basicamente o meandramento
dos dois fluxos principais dentro da área de estudo.
72
Tabela 4.9 – Valores máximos observados para o transporte de volume integrado (Sv) em cada
uma das massas d’água estudadas
AT
ACAS
AIA
ACP
APAN
TRANSPORTE INTEGRADO
ZONAL (Sv) 22ºW
TRANSPORTE INTEGRADO
MERIDIONAL (Sv) 22ºS
1,10 (W)
6,53 (W)
2,85 (W)
0,62 (W)
15,6 (E)
0,28 (N)
1,51 (N)
0,52 (N)
0,09 (N)
5,08 (N)
Foi calculado também o transporte pontual, zonal e meridional em 22ºW e 22ºS
(Figura 4.37). O comportamento do transporte zonal pela área de estudo identifica o
posicionamento dos fluxos predominantes (leste-oeste) observados e entre eles a
região onde existem perturbações nos fluxos, onde o transporte é menor. Pelo gráfico
do transporte zonal na Figura 4.37, observa-se novamente, que as massas d’água
superficiais e intermediárias fluem predominantemente para oeste junto com o Giro
Subtropical do Atlântico Sul e a APAN flui para leste no sentido do interior da Bacia do
Brasil.
Já o transporte meridional está sendo representativo, basicamente, do
meandramento existente em função destes fluxos predominantes (Figura 4.37), o que
também pode ser observado nos primeiros metros de profundidade da seção de
velocidades meridionais na Figura 4.34.
73
Transporte Zonal
-16
AT
ACAS
AIA
ACP
APAN
-18
Latitudes
-20
-22
-24
-26
-28
-1
-0.5
0
0.5
1
1.5
Transporte (Sv)
Transporte Meridional
1.5
AT
ACAS
AIA
ACP
APAN
Transporte (Sv)
1
0.5
0
-0.5
-1
-28
-26
-24
-22
-20
-18
-16
-14
-12
-10
Longitudes
Figura 4.36 – Comparativo dos transportes zonais e meridionais obtidos para cada uma das
massas d’água estudadas. A seção meridional está localizada em 22ºS e a zonal em 22ºW.
74
4.3
VARIAÇÃO INTERANUAL
Foram escolhidas para a análise da variação interanual 1 (uma) seção meridional
e 2 (duas) zonais dentro da área de estudo, de acordo com a localização geográfica das
estações de coleta, visando a possibilidade de comparação dos parâmetros como
temperatura e salinidade, entre os anos de aquisição dos dados (Figura 4.38).
Para que esta análise fosse possível, as coordenadas geográficas que definem
a localização das estações correspondentes entre os anos de coleta, devem ser as
mais próximas possíveis para que não seja inserido na análise um erro em função da
variação espacial dos parâmetros estudados pela área de estudo. Os dados foram
interpolados linearmente para uma mesma latitude ou longitude, conforme o caso.
A análise dos dados foi feita sobre a seção vertical resultante da subtração da
seção do ano de coleta mais recente pela seção do ano de coleta mais antigo. Para as
seções zonais foram feitas comparações entre os anos de 1997 e 2000, enquanto que
na seção meridional somente foi possível comparar os dados entre os anos de 1998 e
2000.
A carência de trabalhos deste tipo realizados no oceano Atlântico Sul aumenta
a importância deste tipo de análise, porém, impossibilita a comparação com trabalhos
realizados anteriormente. Trabalhos que analisaram a variação no oceano Atlântico
Norte como LEVITUS (1989) e BRYDEN et al. (1996) serão utilizados para
comparações dos resultados encontrados, respeitando as particularidades de cada
região de estudo.
Visando validar a interpolação dos dados em cada uma das três seções
analisadas, foi calculado um perfil de diferença pontual de salinidade e temperatura
utilizando-se um par de estações em cada perfil, escolhido de acordo com suas
localizações geográficas (ver Figura 4.38). Os resultados estão apresentados na
Figura 4.39 e mostraram coerência com os resultados observados nos perfis de
variação para as 3 seções. Ficou evidenciado também um comportamento similar da
variação de temperatura com a variação de salinidade, comportamento este também
observado por BRYDEN et al. (1996) no Atlântico Norte.
75
SEÇÃO 1
-19
-19.5
1997
2000
-20
latitude
-20.5
-21
-21.5
-22
-22.5
-23
-23.5
-21
-20
-19
-18
-17
-16
-15
-14
-13
-12
longitude
SEÇÃO 2
-21
-21.5
1997
2000
-22
-22.5
latitude
-23
-23.5
-24
-24.5
-25
-25.5
-26
-21
-20
-19
-18
-17
longitude
-16
-15
-14
-13
SEÇÃO 3
-20
-21
1998
2000
-22
latitude
-23
-24
-25
-26
-27
-27
-26.5
-26
-25.5
longitude
-25
-24.5
-24
Figura 4.37 – Localização das seções utilizadas para a análise da variação interanual de
temperatura e salinidade. Os círculos em amarelo identificam os pares de estações utilizados
para validar a interpolação dos dados.
76
Figura 4.38 – Perfis pontuais de diferença de T (esquerda) e S (direita) para cada uma das
seções analisadas. O perfil pontual relativo a seção 1 analisa estações localizadas próximas a
18ºW, a seção 2 próximas a 15ºW e para a seção 3 próximas a 22ºS.
77
4.3.1
Seção 1
A seção 1 é uma seção aproximadamente zonal com latitude variando de
20,6ºS a 21,8ºS e longitude variando de 13ºW a 20ºW. As Figuras 4.40 e 4.41
mostram os campos de diferença de temperatura e salinidade para a seção 1 entre os
anos de 1997 e 2000.
Realizando-se uma análise da climatologia Levitus (World Ocean Atlas 1994)
com o objetivo de verificar qual a variação da profundidade da camada de mistura ao
longo do ano, identificou-se o mês de setembro como o que apresenta a profundidade
máxima atingida pela camada de mistura, sendo esta, de aproximadamente 250
metros na região de estudo (http://www.cdc.noaa.gov/cdc/data.nodc.woa94.html). O
intervalo de profundidade entre a camada de mistura no período estudado e a
profundidade máxima da camada de mistura durante o ano será chamado de camada
de mistura fóssil.
Nos primeiros 100 metros de profundidade, a água encontrada na camada de
mistura, apresentou uma variação acima de 2,0ºC. Entre 100 e 250 metros, no que
seria a camada de mistura fóssil, que ainda guarda informações de T e S provenientes
da variação da profundidade da camada de mistura durante o ano, a temperatura
apresentou uma diferença negativa com valores de aproximadamente -1,5ºC por
quase toda a seção.
Entre 250 e 700 metros, intervalo de profundidade onde se define a ACAS, há
um predominante resfriamento com valores aproximados de até -0,75ºC. Para estas
profundidades, somente entre 19º e 20ºW observa-se um aquecimento, porém em
menor escala com valores máximos aproximados de 0,25ºC. Entre 700 e 1000 metros,
região média da AIA, a seção 1 mostra uma variação térmica menos intensa do que
em regiões mais rasas, com o predomínio de um resfriamento com valor médio da
ordem de -0,1ºC e uma pequena região no extremo leste da seção onde é notada uma
variação positiva mínima. Abaixo dos 1000 metros de profundidade a variação térmica
observada é menos acentuada variando em grande parte da seção no intervalo
aproximado de -0,1ºC a 0,1ºC. Entre 1000 e 1500 metros existe uma área mais
aquecida a leste e um resfriamento a oeste. Entre as profundidades de 2000 e 3500
metros, tem-se uma tendência a um resfriamento de 1997 para 2000 por toda a seção,
porém com valores inferiores a -0,05ºC em poucas áreas do perfil. Abaixo de 3500
78
metros onde se encontra a AAF nota-se a dominância de uma variação positiva com
valores máximos aproximados de 0,1ºC.
79
Variabilidade Térmica - Seção 1
0.25
0.5
0.5
0.25
-0.75
75
-0.
-0.75
-0
25
-0 .
- 0 . - 0. 5
25
0.5
0.25
-0.7
5
-0.5
.2
-0.25
5
-0 .2
5
-0. 25
-0
.
0
5
-0 .5
-0.25
5
25
-0 . 2 5
5
-0.25
25
-0 .
-0.25
-0.5
-0.5
-0.25
-0. 25
0. 25
-700
5
-0.5
-0 .
-600
0.5
.2
25
75
5
-0 .
-0.25
-0.25
-0 .
-0.25
-0 .
0. 2
-0 . 2
-0.25
-0.25
-0.5
-0.25
-0.5
-0
-500
-0. 25
-0.5
-0.5
-0. 5
-0 .
5
1
5
-0. 5
-0.5
-0.5
0.25
-0 .
75
-0.75
-0. 25
-0.25
-0
-0 .5
5
-0.
-0.5
5
5
-0
1.5
0.25
-0.75
-0.75
5
-0 .
- 0 .2
-0.25
-0.25
5
0.5
-0.-0.5
25
-0.5
.7
0.50.25
0.25
0.25 0.25
-0.75
-0.75
-0.7
-0
P ro fun d id ad e (m )
-0.25
-0.25
-0.25
-0. 75
-0.25
25
-400
-0.5
-0.75
-0.25
-300
0.25
-0.25
-0.5
-0.5
-0.75
.2
-200
-0 .
0.5
-0. 5
-0.75
-0.5
0. 25
0. 5
-0.25
-0.25
.5
-100
5
0.
-0 .7 5
0.5
-1
-0.25
-800
-1.5
-900
-19
-18
-1000
-0.
05
.
-0.05 -0
-0. 1
-0.1
0. 05
0.05
0.1 0.1
0.05
1
1
-0
-0.
5
05
0.25
-0 .
0.2
- 0. 1
. 05
-0. 05
-0.05
-0.05
0.05
05
-0.05
0.05
-0.05
0.15
5
-0 .0
.1
-0.1
-0.05
-0 .
5
.0
-0
05
-0 .
05
0.05
-0. 05
-0.05
-2500
-0.05
-0.05
5
-0.0
-0.05
0
-0.05
-3000
-0 .
5
0.05
0.1
5
0.1
-0 .0
-20
-19
0.1
0.05 0.05
- 0. 0
0.05
-18
0.1
0. 05.05
0
0.05
5
-0.2
-0.05
0.05
0. 1
0.05
-0.15
-0.0
5
-0.25
0. 05
0 .1
0.05
-0.1
0.1
0.05
0.05
0.1
0.0 5
1
0. 1 0.1
0. 05
5
5
0.
5
5
.0
0. 0
.0
5
0. 0
-0
5
0
-0
5
.0
0.05
0.0
-4000
.0
0. 05
05
-0
0. 0
-0.1
-0.05
0.
-3500
05
-0.05
-0.05
-0 .0 5
-0.05
-0. -0.05
05
-0.05
-0.05
-0. 05
0.05
P ro fun d id ad e (m )
-0 .
0.1
-0.05
05
-0.
1
-0.05
-0.05
05
-0
-2000
-0.
-0
.0
5
0. 05
0.
0.
0.05
- 0. 0
0.05
0.05
-14
0.1
0.1
-0.05
-0.05
-0. 05
-0.05
0. 05
0.05
0.05
5
0.05
-0.05
-0.05
-0.1
-1500
0. 0
-15
05
-0.1
05
-16
0.
-0.05
-17
-0 .1
-1000
-20
0. 1
-17
Longitude
-16
-15
-14
Figura 4.40 – Perfil vertical da diferença de temperatura entre os anos de 2000 e 1997 para a
seção 1. A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.
80
A observação da seção de diferença de salinidade na seção 1 mostra que
existe uma variação de ±0,05 na camada de mistura. A aproximadamente 80 metros
de profundidade existe uma faixa com variação positiva de salinidade pela seção, com
valores aproximados de 0,5.
Entre aproximadamente 100 e 250 metros, na camada de mistura fóssil, notase uma predominância da diminuição da salinidade pela seção 1, sendo que a
presença desta água menos salina é nitidamente observada entre 15º e 19ºW com
valores inferiores a -0,25. Para este intervalo de profundidade é observado somente
um aumento na salinidade entre 19º e 20ºW, porém com uma variação de menor
intensidade da ordem de 0,1.
Entre 250 e 1000 metros a salinidade mostra uma variação, seja positiva ou
negativa, por todo o perfil, porém com valores bem menores do que na superfície.
Uma variação da ordem de -0,05 só é percebida entre 16º e 18º W.
Entre 250 e 700 metros, profundidades médias da ACAS, há um predomínio de
águas menos salinas exceto na parte mais oeste do perfil, entre 18º e 20ºW, enquanto
que entre 700 e 1000 metros, profundidade da AIA, existe um predomínio de águas
mais salinas (~0,01) no ano de 2000.
Entre 1000 e 2000 metros, a variação da salinidade é da ordem de ±0,05, com
um aumento nítido na salinidade entre 16º e 19ºW e uma tendência a variação
negativa no restante do perfil. Abaixo de 2000 metros até 3500 metros, apesar de uma
tendência geral a uma variação negativa, são observadas pequenas regiões com
variação da ordem de ±0,01 na salinidade de 1997 para 2000. Já abaixo de 3500
metros, profundidade da AAF, são observadas águas mais salinas (~0,01).
81
Variabilidade Salina - Seção 1
-0.05
0.1 0.05
0.1
-0 .0 5
.2
-0.05
05
-0.05
0.2
-0.05
-400
0.1
-0.05
-500
-0. 05
05
-0.05
-0.05
-600
0
-0 .
-0.05
-0.1
-700
-0.2
-800
-0.3
-900
-0.4
-19
0.01
0. 0
-0.01
0.01
-0
1
1
0.0
0. 01
0.01
1
0. 0
1
0.01
0. 01
0.01
0.01
0.01
0.
0.0011
0.01
0.01
-0.01
0.01
0.01
-0. 01
-0.0
0.01
0. 01
-0.01 -0.01
-0.01
0. 01
1
-0.01
-0.01
-0.01
0.04
-0.01
-0.01
0.03
1
0. 0
0.01
0. 01
0.01
0.01
0.01
0.01
0. 0
1
0.01
-0. 01
-0 . 0 1
-1500
.0
-14
0.01 0.01
0.01
0.01
1
-0.01
-0.01
1
-0-0
.0.0
11
-15
.0
-0.0
01
1
-16
-0
0. 0
-17
01
-1000
-18
0.
-1000
-20
-0 . 0
1
-0.0
1
-0 .
-2000
01
-0.01
-0.01
-0.01
-0.01
- 0.
01
-0. 01
0.02
0.01
-2500
0
0.01
0.01
0.01
0.01
-3000
0.01
-0.01
-0.02
-3500
-0.01
0.01
01
0.01
0. 01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.010.01 0.01
0.01
-0.03
1
0. 01
0.01
0.01
0.01
1
01
1
0.01
0. 0
0.
0. 0
-4000
1
0. 01
0. 01
0. 0
0. 0
0. 01
0.
P ro fu nd id a de (m )
0.3
-0 .
-0 .
5
-0.05
-0 . 0
5
-0.1
-0 .
05
05
-0.05
0. 0
0.4
1
05
-0.1
-0.1
-0.1
5
-0. 25
-0.1
0.05
0.
-0.05
-0
-0.
-0.05
1
-0. 1
-0.1
-0.1
0.1
-0.05
0.05
0.1 0.05
-0.1
-0.05
-0 .
-0.25
-0.25
-0.05
P ro fu nd id a de (m )
0.05
-0.1
0.05
-300
-0.1
.1
0.05
0.05
-0
0.1 0.05
0 .0 5
0 .1
-100
-200
-0.05
-0.05
-0 .0 5
0.1 0.05
0. 0
1
0.01
-0.04
0.01
0.01
0. 0
1
0.01
-20
-19
-18
-17
Longitude
-16
-15
-14
Figura 4.39 – Perfil vertical da diferença de salinidade entre os anos de 2000 e 1997 para a
seção 1. A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.
82
4.3.2
Seção 2
A seção 2 é uma seção localizada entre as latitudes aproximadas de 24ºS e
22,8ºS variando longitudinalmente entre 20ºW e 15ºW. As Figuras 4.42 e 4.43
mostram os campos diferença de temperatura e salinidade para a seção 2 entre os
anos de 2000 e 1997.
Nos primeiros 100 metros de profundidade a temperatura apresentou um
aumento do ano de 1997 para 2000 com valores superiores a 2,0ºC. A camada de
mistura fóssil também apresentou um aumento na temperatura com valores superiores
a 2,0ºC, sendo este aumento mais intenso na parte oeste da seção.
No intervalo de profundidade onde se encontra a ACAS (300 a 700 metros) a
água mostrou uma variação térmica positiva da ordem de 0,75ºC entre 17,5º e 19ºW, e
de até 1,5ºC entre 15º e 16ºW. Entre 16º e 17,5ºW foi observada uma variação
negativa com valores extremos da ordem de -0,25º C. Entre 700 e 1000 metros de
profundidade (AIA), a variação observada ficou entre -0,1º e 0,1ºC, com o predomínio
de uma variação térmica positiva pela seção.
Entre 1000 e 1500 metros, região da ACP, a temperatura teve uma variação
positiva com valores extremos de aproximadamente 0,1ºC a leste do perfil e negativa
(~ -0,1ºC) na parte oeste do perfil. Abaixo dos 1500 e até 3500 metros (APAN) foi
observada uma variação térmica positiva em regiões da parte leste da seção com
valores de aproximadamente 0,1ºC, enquanto que na parte mais a oeste da seção a
variação térmica é menos intensa (~ -0,01ºC) com uma tendência a resfriamento.
Abaixo dos 3500 metros (AAF) houve um predomínio de uma variação térmica positiva
com valores extremos de aproximadamente 0,1ºC.
83
0.75
0.25
0.25
0.25
0.25
0.5
0.75
0. 5
0.5
75
0. 2 5
0. 7
0.5
5
0.25
0.75
0.75
0. 5
5
0.
0.5
0. 5
0.25
0. 5
0.
0.5
25
-0 .2
0.25
5
0. 2
5
0. 25
0.25
.2
-0.25
5
-0.5
0.25
-0.25
0.25
-700
0
0. 5
- 0. 2
0.25
0.
5
0.25
-0.25
25
0. 5
0. 75
0.5
-0. 25
-0.25
0.5
75
0. 75
0.
5
0.
0. 5
-0
75
25
5
0.25
5
-600
0. 2
5
0.
0.25
0.
0. 5
-500
0. 2
0.2
P ro fu nd id a de (m )
0. 75
0.25
0.25
0.25
1
25
0. 5
5
0.75
0. 5
0. 25
0. 5
0.
0. 2
75
0.25
0.
0.5
-400
0. 5
0. 75
1.5
75
-200
-300
0. 5
0.
0.
0.5
0.
2
0.75 5
0.75
0. 5
0.5
0.5
0.75
5
-100
0.5
0.75
0.75
0.25
0.25 0.5
0.7
0.5
0 .5
Variabilidade Térmica - Seção 2
-0.25
5
- 0. 2
-0.25
0.25
-0. 25
-1
-800
-1.5
-900
0.05
0.05
5
-0.1
-16
5
5
0. 05
0.05
0. 0
0.05
0.05
0.05
0.1
0. 1
0.05
0.05
0.1
0. 0
0.1
0.1
5
0.1
05
0 .0 5
5
0.1
0 .0 5
0.1
0.1
0.05
0.05
0.05
0.05
0. 0
-0.15
5
0.05
0.05
0.05
0.05
0.05
0.05
-0.2
0.05
0.05
0.05
0.05
0.05
0. 05
0.1
0.05
0.05
0
-18.5
0.05
0. 05
0.05
0.05
0.05
0.05
-19
-0.1
0. 05
0.1
0.0
0.
05
0.1
0.1
-3500
-0.05
0. 05
5
0. 0
5
5
-18
0
0.1
0.1
0.
0.1
0. 0
-3000
0.05
0.1 0.1
0.05
0.05
0.1
5
0.1
0.1
0. 1
1
-2500
-19.5
0.15
0.1
0. 1
0.0.1
1
-4000
0.1
0.1
0.
0.05
0.2
0. 05
0.05
0. 05
5
0. 0
0.25
0.1
-0.05
-0.05
0. 0
0.1
0.1
0.05
0.05
0.05
0.05
0.1
0.05
0.05
0.05
0.05
0.1
5
-15
0.1
0.1
0.05
0.05
-15.5
0.05
0. 0
5
0. 0
0.05
-0.05
P ro fu nd id a de (m )
0. 0
-0.05
0.05
-0.05
-2000
-16.5
0.05
0.05
0.05
-0 . 0
-0.05
-0.05 -0.05
-17
0.05
-0. 05
-0.05
-1500
-17.5
.0
0.05
-18
-0
0.1
0.1
-18.5
5
-1000
-19
-0 .0
-19.5
0 .1
-1000
-17.5
Longitude
-17
-16.5
. 05
-16
0.10.1
0.1
-15.5
-0.25
0.05
-15
Figura 4.40 – Perfil vertical da diferença de temperatura entre os anos de 2000 e 1997 para a
seção 2. A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.
84
A variação da salinidade na seção 2 mostrou um aumento tanto na camada de
mistura recente como na camada de mistura fóssil, com valores da ordem de 0,25,
chegando a 0,5 de variação salina em áreas da camada de mistura recente.
No intervalo de profundidade de 300 a 700 metros, onde se encontra a ACAS,
a água mostrou-se mais salina, com valores máximos aproximados de 0,1 por quase
toda a seção com exceção da região entre 16º e 17,5º W onde são observadas
também, áreas com variação negativa, porém com valores menores. Entre 700 e 1000
metros de profundidade (AIA), a variação foi positiva entre 17º e 19ºW e
predominantemente negativa no restante do perfil, com valores da ordem de 0,01 e
-0,01 respectivamente.
Entre 1000 e 1500 metros (ACP) nota-se uma variação de ±0,01 na salinidade,
sendo positiva na parte leste e negativa na parte oeste da seção 2. Na região da
APAN a água mostrou-se mais salina em grande parte da seção, entre 15º e 18º W, e
uma tendência, mesmo que mínima, a uma variação negativa no restante da seção 2,
com valores maiores que -0,01.
Abaixo dos 3500 metros (AAF) houve um predomínio de variação salina
positiva com valores extremos de aproximadamente 0,01.
85
Variabilidade Salina - Seção 2
-100
0. 1
0.05
0. 10.1
0.1
0.1
0.1
0.1
5
0. 0
0.05
0.1
0.1
0. 05
0.1
0.
05
0.1
0.05
0.
0.
0.1
05
1
0.
05
0. 0
0. 0
5
0.1
0. 05
5
0
0.05
0.0
5
0.05
0. 0
-600
0. 0
5
5
-0.1
0.05
-700
-0.2
-800
-0.3
-900
-0.4
-1000
-19
-18.5
-18
-17.5
-0.01
- 0.
01
-0.0
1
-0. 0
-0.01
-0.
-1500
01
-0.01
-0.01
-0.01
-0.01
-0.0
1
-0 .
01
-0. 0
0. 01
0.01
0.01
0.01
0.010. 01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
1
0. 01
0.01
0. 0
-0.01
-0.01
0.01
0.01
-0. 01
0. 01
0.01
0.0
0.01 1
0.03
0.01
0.01
0.02
0.01
0.01
0. 01
1
0.0 1
0.0
1
0.01
0.01
0.0
0.01
0.010.01
0.01
0.01
0.
0.01
0. 01
0. 01
-19
0.01
0.01
0.01
0.0
0.01
1
-18.5
0.01
0.
0.01
0.01
-18
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
-17.5
Longitude
-17
-16.5
0. 01
0.01
0.01
0.01
0.00.01
1
-16
-0.03
0. 01 0.01 0.01
0.01
0.01
0.01
0.01 0.01
01
0.01
0.01
-0.02
0.01
0. 01
0.01
01
1
-4000
0.01
0.01 0.01
0.01
0.01
0.01
0.0
01
0.01
0.01
0.01
0.
0.01
01
0.01 0.01
0.01 0.01
0.01
0.
0.01
0.01
0.01
0. 01
1
0.01
-0.01
0.01
1
0. 01
-3500
0.01
0.01
01
0. 0
0.01
0.
0.01
0.01
-0 .0 1
1
0. 01
0
1
0. 0
0.01
0.01
0.01
0.01
0.01
0.010.010.01
-3000
.0
0. 01
1
-0
0. 0
-2500
-19.5
0.04
-0.01
1
0. 0
0.01
0.01
0. 01
0.01
0.01
-15
0 .0 1
-0.01
-0.01
-15.5
0.01
0.01
-0.01
-2000
1
0. 0
-16
0. 0
1
0.01
0.01 0.0
0.01
1
0.01
0.01
0.01
0. 01
-0. 01
-0.01
.01
-0.01 -0
-0.01
-16.5
0.01
-0.01
1
-17
1
-19.5
0. 0
-1000
P ro fu nd id a de (m )
0.1
0.05
0 .0 5
0.05
0.05
5
5
0. 0
0. 1
0.1
0.1
0 .1
0.05
0.05
0.05
0.2
1
05
0.
0.
-400 0.05
0.05
0. 05
5
0.05
0. 0
P ro fu nd id ad e (m )
0.3
0.1
0.05
0. 1
0. 0
-300
-500
0.1
0.1
1
0.05
0.4
0.
-200
0. 1
0.05
0. 1
-0.04
0. 01
0.01
0.01
0.01 0.01
0.01
-15.5
-15
Figura 4.41 – Perfil vertical da diferença de salinidade entre os anos de 2000 e 1997 para a
seção 2. A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.
86
Seção 3
A seção 3 é uma seção localizada na longitude de aproximadamente 25,5ºW,
variando latitudinalmente entre de 21º e 26ºS. As Figuras 4.44 e 4.45 mostram os
campos diferença de temperatura e salinidade para a seção 3 entre os anos de 1998 e
2000.
Na camada de mistura recente foi observada uma variação térmica negativa,
com valores inferiores a -2ºC por toda a seção 3. Na camada de mistura fóssil existe a
presença de águas mais frias (-0,5ºC) entre 23,5º e 24,5ºS e uma predominância de
águas mais quentes pelo restante da seção, sendo que as maiores variações (~1,5º)
são encontradas logo abaixo da camada de mistura recente, até a profundidade de
100 metros.
Na profundidade da ACAS a variação foi negativa na parte sul da seção, com
valores máximos aproximados de -0,25ºC principalmente até 400 metros. No restante
do perfil foi observado o predomínio de águas mais quentes (0,25ºC).
Entre 700 e 1000 metros (AIA) foi observada a presença de águas mais
quentes ao longo de quase todo o perfil, com os maiores valores (~0,25ºC) ao longo
do nível de 700 metros. Entre 1000 e 1500 metros (ACP) a variação térmica é positiva
no extremo norte da seção (~0,1ºC) e é notada uma tendência a uma variação
negativa na parte sul, porém com valores aproximados de -0,05ºC.
Na APAN, entre 1500 e 3500 metros, observa-se uma tendência a
resfriamento, com valores chegando a -0,25ºC na parte norte do perfil e entre 1500 e
2000 metros. Abaixo de 3500 metros, na AAF, apesar da tendência a resfriamento,
somente entre 22,5º e 24ºS existem valores da ordem de -0,1ºC.
87
Variabilidade Térmica - Seção 3
-0.5
0. 5
-100
0.5
0. 2
.2
-0.2
5
5
-0
.5
-0
5
-0 .
-0.25
-0.25
0.5 0.5
0.5
0.25
0.25
0.5
0. 5
0.25
1.5
0.5 0.5
0.5
0.5
-0.25
0.25
0. 25
0.25
0.5
0.25
0.25
1
25
0.25
-0.25
-0.25
0.5
0.25
-0.25
0.
0.5
0.5
0.5
-0.25
-400
-0.5 0.25
0.5
0.5
0.25
0.25
0.25
-0.25
-0.5
-0.25
-0.25
P ro fun d id ad e (m )
.2
-0.5 0.25
0.5
0.25
0.25
-0.5
0.25
0.25
-300
-0
-0.5
5
-0.5
-0.25
0.5
-0.5
-0 .5
0.5
-200
-0.25
-0.25
-0.5
-0.25
-0.25
0.25
0. 25
-0.25
0. 2
5
0.25
25
0.25
-500
0.25
0.25
0.25
0.25
0.25
0.25
-600
-0.25
0.25
0.25
0.25
0.25
-700
-0.5
0.25 0.25
0.25
0.25
0.25
0
0.25
0.25
-1
0. 25
0.25
-800
0. 25 0.25
0.25
0.25
-1.5
-900
-1000
-24.5
-24
-23.5
-1000
0. 05
-0.05
-0.05
-0.05
-0.05
0.1
0.05
0.05
0.05
-0.05
-1500
0.1
0.05
0.05
-0.05
-0.1
0.2
-0.1
05
-0.05
-0.1
5
-0.05
-0 . 1
-0.1
-0.05 -0.05
-0.05
0.25
0. 1
-0.1
-0.1
-0.25
-0.25 -0.25
-0.25 -0.25
25
-0.-0.25
-0. 05
0.
0.1
-0.1
-0. 05
-22
0. 1
0.05
0.1
-0 . 1
0.05
0. 0
-22.5
0.05
-0.05
-2000
-23
-0.05
-0.15
0
-0 .
0.15
-0.05
5
- 0. 0
0.1
-0.05
-0. 05
-0.05
-0.05
-0 . 0 5
05
5
-0.2
-0 . 0
-0 .
-0.25
1
5
-0 .
1
.0
1
-23.5
Latitude
5
-0 .
-0
0. 05
-0.05
-24
.05
5
-0 .
-0.1
.0
-0.15
-0
-0.1
-0.1
-0.05
-0.1
-0.05
-0.1
-0. 1
-0
-24.5
-0.05
-0.1
-0.1
-0.1 -0.1
-0.05
-0.05
-0.05
-0.1
.0
. 05
5
-0
-0
-0.0
-0.05
- 0 .1
-0.05
-4500
05
-0 .0 5
-0.05
-0 .
-0. 05
-0.05
-0 .1
-0 . 05
0.05
-4000
-5000
-0.05
1
-0 .
0.05
0
-0.05
-0.05
-0.05
05
-3500
0.05
0.05
-0.05
-0. 05
-3000
-0.
P ro fun d id ad e (m )
-2500
-0.1
-0 05
-23
-22.5
-22
Figura 4.42 – Perfil vertical da diferença de temperatura entre os anos de 2000 e 1998 para a
seção 3. A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.
88
Nos 100 primeiros metros da coluna d’água, região onde se encontra a camada
de mistura recente, a variação na salinidade foi positiva por toda a seção, com valores
extremos de aproximadamente 0,7.
Na camada de mistura fóssil a água mostrou uma variação positiva por
praticamente toda a seção com os valores de variação diminuindo de 0,25 até 0,05
com o aumento da profundidade. Somente na parte sul da seção, entre 200 e 300
metros, é observada a presença de uma água menos salina (-0,05).
Na profundidade da ACAS verifica-se a presença de uma água mais salina
(0,05) na parte norte da seção e uma variação negativa, menos intensa, ao sul,
chegando a um mínimo localizado de -0,05, próximo a 400 metros. Nas proximidades
de 700 metros foi observada a presença de águas mais salinas (0,05) entre 24º e
25ºS.
Na faixa de profundidade da AIA (700 e 1000 metros) pouca variação foi
observada entre os perfis de salinidade dos anos de 1998 e 2000. Nas regiões onde a
variação salina ocorreu os valores foram da ordem de ±0,01.
A
variação
da
salinidade
abaixo
dos
1000
metros
apresentou
um
comportamento muito parecido com o apresentado pela variação térmica para a seção
3. Entre 1000 e 2000 metros houve uma variação negativa por praticamente todo o
perfil chegando a valores mínimos inferiores a -0,05 na parte mais ao norte do perfil.
Em aproximadamente 2000 metros, no extremo sul da seção, notou-se a presença de
uma água mais salina da ordem de 0,01.
Entre 2000 e 3500 metros (APAN), praticamente não existiu variação salina
entre 1998 e 2000 apesar de uma tendência negativa com valores superiores a -0,01
na parte central do perfil. Em regiões mais profundas do que 3500 metros, foi notada
uma tendência a águas menos salinas, porém, com valores inferiores a -0,01 somente
entre as latitudes de 22,5º e 24ºS.
89
Variabilidade Salina - Seção 3
0.25
0.25
-100
0. 2
0.1
0.1
0.1
0.1
-0 .0 5
-200
0.05
0. 1
5
0.25
0.25
0.1
-0.05
0.1
0.1
0. 05
5
0. 0
0.05
0.05
0.05
0.05
0.05
0.05
0.2
0.05
-0.05
0.05
0.05
5
5
0.05
-500
0. 0
0. 0
0.05
0.05
0.05
0.4
0. 05
0.05
0.05
0. 05
-400
0.6
0.1
0.1
-300
P ro fu nd id a de (m )
0.25
0.1
-0.05
-0.05
0.25
0. 1
0.05
5
0. 0
0.05
0.05
0.1
0.1
0.05
0.25
0.25
0
-600
0.05
0. 0
-700
0. 0
-0.2
5
0.05
5
0.05
0. 05
0.05
0.05
-0.4
-800
-900
-0.6
-23.5
-23
-22.5
.0
-0.01
1
-0 . 0
-0.01
0.01
-0.01
-0.01
-0.01
-0.0
-0
.0
1
0.01
- 0. 0
-0. 01
0.01
0. 01
-2000
1-0. 01
-0 .
0 .0 1
0.01
0.01
-0.01
01
-0.01
-0.01
-0.01
-0.01 -0.0
1
-0.01
-0.01
-0.01
-0.05-0.05 -0.05 -0.05
-0 . 0
-0.01
01
-0.01
1
-0. 01
0.08
-0. 05
-0.05
-0.05
-0.05
0.
0.01
-0.01
-0.01
0.01
0.01 0.01
-0.01
-0.01
-0.05
5
- 0. 0
-0.05
-0.05
1
-0.01
-0.01 -0.01
-0.01
-0.01
-0.01
05
-0.01
-0.01
-1500
-0.01
-0.01
-0.01
-0.01
-0.01-0.01
-0 .
0.010.01
-22
-0.01
1
-24
-0
-1000
-24.5
0.06
-0 .0 1
-1000
-0.01
0.04
0.02
-3000
-0 .0 1
-0.01
-0.01
-0
.0
-0.01
1-0.01
-0.01 -0.0
-0.01
-0.01
-0.01
-0.01
-0.01
1
-0 . 0
1
-4000
-0.01
-0.01 -0
-0.01
.01
-0.01
-0.01
-0. 01
-0.01
-0.01
-4500
-0
-0.0
-23.5
Latitude
-0. 01
-0.06
.01
-0. 01 -0
-0.01
1
-0.0
-0.08
1
1
-24
-0 . 0
1
-0.01
-24.5
-0.04
01
-0. 01
-0 .
01
-0.01
-0.01
-0.
0
. 01
-0.
-0. 01
-0.01
-5000
-0.02
-0.01
-0 .0 1
-3500
-0 .0 1
0
-0 .0 1
P ro fu nd id a de (m )
-2500
-23
-22.5
-22
Figura 4.43 – Perfil vertical da diferença de salinidade entre os anos de 2000 e 1998 para a
seção 3. A parte superior da figura mostra a variação de 0 a 1000 metros de profundidade e a
parte inferior da figura mostra a variação entre 1000 e o fundo.
90
Discussão sobre os resultados de variação térmica e salina nas seções 1, 2 e 3
A discussão dos resultados obtidos através do cálculo da variação interanual
dos dados de temperatura e salinidade nas seções escolhidas, pode ser dividida em
partes distintas, procurando explicar os processos que atuariam em diferentes
camadas da coluna d’água.
Na camada de mistura, compreendida aproximadamente nos primeiros 100
metros da coluna d’água, os valores positivos ou negativos das anomalias de
temperatura ou salinidade respondem a processos climáticos locais durante o período
de coleta de dados, por exemplo, incidência de radiação solar e pluviosidade.
Mapas de anomalia de temperatura superficial do mar (TSM) gerados a partir
de dados do NCEP (National Centers for Environmental Prediction), para o mês de
abril nos anos de coleta, mostram que existe uma variação anual nos valores de TSM,
no mesmo sentido e na mesma ordem de grandeza para cada uma das seções
analisadas neste trabalho dentro da região de estudo (Figura 4.46). Ressalta-se que
os dados do NCEP são médias climatológicas obtidas a partir de imagens de satélite,
enquanto que as seções de diferença de temperatura e salinidade apresentados neste
trabalho, são gerados a partir de dados coletados in situ o que aumenta o
detalhamento e a confiabilidade dos resultados.
Para as seções 1 e 2, correspondentes à variação entre os anos de 2000 e
1997, a variação térmica existente a partir dos dados de TSM provenientes do NCEP
foi positiva, sendo de aproximadamente 1,0ºC (seção 1) e 0,9ºC (seção2). Já para a
seção 3, correspondente à diferença entre os anos de 1998 e 2000, a variação foi
negativa da ordem de 0,75ºC. A variação foi no mesmo sentido das observadas in situ
para a camada de mistura, com menores intensidades, pois os dados do NCEP são
médios.
91
A
B
C
Figura 4.44 – Mapas de anomalia de TSM do NCEP para a área de estudo, mostrando a
variação em torno de uma média climatológica para o mês de abril nos anos de 1997 (A), 1998
(B) e 2000 (C). As linhas pretas marcam o posicionamento das três seções analisadas neste
trabalho. A linha tracejada representa a seção 1, a linha pontilhada representa a seção 2 e a
linha contínua representa a seção 3.
92
A variação interanual de temperatura e salinidade encontrada na camada de
mistura fóssil nas seções analisadas tem como possível explicação uma “memória” de
T e S absorvida pela água no final do inverno do ano anterior quando a camada de
mistura atinge sua maior espessura ao longo do ano. Na observação dos mapas de
anomalia de TSM, gerados a partir de dados do NCEP para o mês de setembro dos
anos anteriores aos de coleta, quando a camada de mistura fóssil é formada, mostram
que existe uma variação nos valores de TSM na região (Figura 4.47).
Pelos dados do NCEP a variação na camada de mistura fóssil foi positiva para
as seções 1 e 2 com valores de aproximadamente 0,6ºC e 0,8ºC respectivamente.
Para a seção 3 a variação foi negativa, com valores da ordem de 0,4ºC. Diferente do
observado para a camada de mistura, somente para a seção 2 os valores de variação
de TSM encontraram correspondência em intensidade e sentido com os resultados
obtidos in situ (Figura 4.42). Já para as seções 1 e 3 são notadas, para os dados do
NCEP, regiões no intervalo de profundidade correspondente a camada de mistura
fóssil com similar intensidade e mesmo sentido dos dados coletados in situI, porém,
são observadas também regiões com variação no sentido contrário as obtidas nos
resultados das Figuras 4.40 e 4.44.
Estes resultados sugerem que para a camada de mistura fóssil, além das
condições climáticas no momento de formação, outros processos como variações
climáticas na zona de formação da massa d’água e a dinâmica local onde existem
intensos meandramentos e estruturas vorticais (ver capítulo 4.2) podem causar a
variação observada neste trabalho.
93
A
B
C
Figura 4.45 – Mapas de anomalia de TSM do NCEP para a área de estudo, mostrando a
variação em torno de uma média climatológica para o mês de setembro nos anos de 1997 (A),
1998 (B) e 2000 (C). As linhas pretas marcam o posicionamento das três seções analisadas
neste trabalho. A linha tracejada representa a seção 1, a linha pontilhada representa a seção 2
e a linha contínua representa a seção 3.
94
Nas três seções analisadas ficou caracterizada uma diminuição gradativa na
intensidade da variação nos parâmetros temperatura e salinidade abaixo da
profundidade da camada de mistura fóssil. Sejam nos perfis de temperatura ou de
salinidade, os maiores valores de variação encontrados abaixo da camada de mistura
fóssil estão na faixa aproximada de profundidade entre 250 e 700 metros.
Neste intervalo de profundidade está localizada a ACAS, massa d’água que é
formada na região da Convergência Subtropical, afunda e entra no Giro Subtropical do
Atlântico Sul. Durante o processo de formação, as características de temperatura e
salinidade da ACAS são influenciadas pelas condições climáticas existentes na
Convergência Subtropical e ao afundar, a ACAS mantém a “memória” de temperatura
e salinidade com que foi formada.
Como a ACAS flui pelo Giro Subtropical em profundidades superiores ao
alcance máximo da camada de mistura, ela não sofre influência das trocas de calor
entre a superfície do oceano e a atmosfera na área de estudo. Por este fato pode-se
sugerir que para a ACAS, como também para as outras massas d’água profundas, as
variaçãos encontradas nas seções estudadas responderiam, principalmente, a
variações nas condições climáticas no momento de formação da massa d’água e
possíveis processos de mistura com águas adjacentes durante o percurso da massa
d’água desde a região de formação até a área de estudo onde foi verificada a
variação.
BRYDEN et al. (1996), em um estudo similar para o Atlântico Norte, sugerem
que como a AAF e a APAN estão significativamente distantes das suas regiões de
formação, mudanças nas suas características de T e S devem refletir uma tendência
das condições sob as quais foram formadas, ou condições ao longo dos seus
percursos.
Para se definir qual o momento de formação da massa d’água que estaria
influenciando a variação dos dados na área de estudo, deve-se calcular o tempo
necessário para que a água flua desde a região de formação até a parte sudeste da
Bacia do Brasil. Como não foi possível estimar este tempo, não se pode afirmar que as
variações climáticas existentes na região da Convergência Subtropical são
responsáveis pela variação observada na área de estudo. Outra explicação possível
para esta variação em águas profundas seria uma variação na dinâmica local, onde
pela presença de vórtices e pelo meandramento observado dos fluxos nos campos de
95
velocidades geostróficas calculados no capítulo 4.2, poderia existir uma variação no
posicionamento das isotermas e isohalinas durante o intervalo dos anos de coleta,
causando a variação observada, ao se diminuir as seções de T e S de um ano para o
outro.
Fazendo uma análise da variação por massa d’água encontrada na parte
sudeste da Bacia do Brasil, nota-se um comportamento diferenciado para cada
intervalo aproximado de profundidade que delimitam as massas d’água.
Assim como em LEVITUS (1989), na AT, entre a superfície do oceano e
aproximadamente 220 metros, região que engloba a camada de mistura recente,
foram observados os maiores valores de variação de T e S em todas as seções.
Para a ACAS, entre aproximadamente 300 e 700 metros, houve um predomínio
de uma variação negativa de T e S na seção 1, enquanto que na seção 2 houve um
predomínio de variação positiva de T e S. A seção 3 (meridional) mostrou uma
variação positiva de T e S na parte norte da seção e negativa na parte sul.
Na região da AIA, aproximadamente entre 700 e 1000 metros, a variação
observada foi menos intensa do que em águas mais rasas, com a temperatura
variando aproximadamente de ±0,1ºC e a salinidade de ±0,01, em todas as seções
estudadas.
O intervalo aproximado de 1000 e 1400 metros (ACP) apresentou uma
variação mais expressiva nos perfis de salinidade do que nos de temperatura, porém
com valores, assim como na AIA, da ordem de ±0,1ºC para temperatura e de ±0,01
para salinidade.
Para a APAN, entre aproximadamente 1400 e 3500 metros, pouca variação de
T e S foi observada, quando existente foi da ordem de ±0,1ºC para temperatura e
±0,01 para salinidade.
Em profundidades maiores do que 3500 metros (AAF) houve um aumento da
salinidade e temperatura da água para as seções zonais e uma diminuição da
salinidade e temperatura na região central da seção meridional. Ressalta-se que as
seções zonais comparam os anos de 1997 e 2000, enquanto que a seção meridional
os anos de 1998 e 2000.
96
5 CONCLUSÕES
Esta dissertação apresentou uma caracterização da estrutura termohalina, da
circulação geostrófica e da variação interanual térmica e salina na parte sudeste da
Bacia do Brasil entre as coordenadas de 18°S e 28ºS de latitude e 11ºW e 28ºW de
longitude. O conjunto de dados utilizados foi adquirido durante os anos de 1997, 1998
e 2000, como parte do projeto de pesquisa BBTRE (Brazil Basin Tracer Release
Experiment) do Woods Hole Oceanographic Institution, tendo como período de coleta
sempre os meses de março, abril e maio, caracterizando uma situação de final de
verão e início de outono para a área de estudo.
A parte sudeste da Bacia do Brasil possui uma dinâmica oceanográfica
complexa influenciada por feições de larga escala, como o Giro Subtropical do
Atlântico Sul e o Giro Subequatorial do Atlântico Sul onde se encontram as massas
d’água superficiais e intermediárias, e pela circulação profunda onde se inserem as
massas d’água profundas.
A caracterização das massas d’água e da circulação foi feita com base em 230
estações oceanográficas de CTD coletadas durante os três anos de coleta (1997,
1998 e 2000). Apesar de englobar uma região específica do oceano Atlântico Sul, este
trabalho se difere dos apresentados anteriormente para a mesma região, pois, a
densidade espacial dos dados é maior. Em trabalhos anteriores realizados na região
(REID,1989; TSUCHIYA et al., 1994; STRAMMA & ENGLAND, 1999; MÉMERY et al.,
2000), os resultados são baseados em poucas seções latitudinais ou longitudinais
distantes espacialmente e temporalmente.
Foram identificadas seis massas d’água fluindo pela área de estudo, sendo
elas: Água Tropical (AT), Água Central do Atlântico Sul (ACAS), Água Intermediária
Antártica (AIA), Água Circumpolar Superior (ACP), Água Profunda do Atlântico Norte
(APAN) e Água Antártica de Fundo (AAF).
Para o cálculo geostrófico foi utilizado como nível de referência a isopicnal de
σ1 = 32,2 que representa o limite entre a ACP e a APAN. As velocidades e transportes
apresentados a seguir são relativos a este nível de referência.
97
A AT foi delimitada pela superfície do oceano e a isopicnal de σө = 26,0, que é
representativa da interface da AT com a ACAS estando na média em 177 metros de
profundidade. A profundidade atingida pela camada de mistura, inserida dentro da AT,
esteve na média em 55 metros de profundidade. As velocidades geostróficas na AT,
que flui preferencialmente para oeste, foram as maiores observadas em toda a coluna
d’água com o máximo de 0,13 m/s para oeste.
A ACAS aparece posicionada entre a AT e a AIA, sendo delimitada pelas
isopicnais de σө = 26,0 (limite superior) e σө = 27,05 (limite inferior). A interface com a
AIA ficou na média no nível de 603 metros de profundidade e a espessura média da
ACAS foi de 425 metros, sendo mais espessa ao sul da área de estudo. Fluindo para
oeste dentro da área de estudo, a ACAS, teve um máximo de velocidade geostrófica
da ordem de 0,06 m/s.
Posicionada abaixo da ACAS e sobre a ACP, a AIA foi delimitada pelas
isopicnais de σө = 27,05 (limite superior) e σ1 = 32,0 (limite inferior). A interface com a
ACP ficou na média em 973 metros e sua espessura teve um valor médio de 370
metros com pouca variação pela área de estudo. O núcleo de salinidade mínima da
AIA ficou localizado na média em 789 metros de profundidade, com a salinidade
mínima variando de 34,31 a 34,45 e a densidade da salinidade mínima variando entre
27,12 e 27,3 (σө). As correntes geostróficas observadas para a AIA fluem
predominantemente para oeste, com velocidade máxima de 0,026 m/s.
A ACP foi delimitada entre as isopicnais de σ1 = 32,0 (limite superior) e σ1 =
32,2 (limite inferior) estando posicionada sobre a APAN, com a interface com esta
massa d’água na profundidade média de 1271 metros. A espessura média da ACP foi
de 298 metros pouco variando pela área de estudo. A ACP flui predominantemente
para oeste na área de estudo, apresentando as menores velocidades (~0,01 m/s)
observadas na coluna d’água como um todo.
Caracterizada por um núcleo de salinidade máxima, a APAN se posiciona entre
as isopicnais de σ1 = 32,2 (limite superior) e σ4 = 45,87 (limite inferior), com a interface
com a AAF se encontrando na média em 3554 metros de profundidade. Com
espessura média de 2280 metros, é a mais espessa das massas d’água, diminuindo
sua espessura de norte para sul. O núcleo de salinidade máxima da APAN ficou
localizado na média em 2212 metros de profundidade, com a salinidade máxima
variando de 34,89 a 34,95 e a densidade da salinidade máxima variando entre 27,78 e
98
27,84 (σө). Fluindo preferencialmente para leste, a APAN apresentou velocidade
geostrófica máxima de 0,027 m/s.
A AAF tem como limite superior a interface com a APAN (σ4 = 45,87) e como
limite inferior a batimetria. Com espessura média de 1457 metros, a AAF, é mais
espessa em locais com maior profundidade. A AAF tem sua circulação influenciada
pela batimetria local, fluindo predominantemente para leste se desviando de acordo
com os obstáculos topográficos encontrados na área de estudo. As velocidades
máximas da AAF foram da ordem de 0,027 m/s.
Resumindo a circulação geostrófica dentro da parte sudeste da Bacia do Brasil,
a AT, ACAS, AIA e ACP, mostraram-se fluindo predominantemente para oeste junto
ao Giro Subtropical do Atlântico Sul que transporta estas massas d’água para próximo
da plataforma continental brasileira. Já a APAN flui predominantemente para leste,
possivelmente pela influência da Cadeia de Vitória-Trindade que se mostra como um
obstáculo a sua circulação pelo contorno oeste na altura aproximada de 22ºS. A AAF
flui preferencialmente para leste dentro da área de estudo com a circulação fortemente
influenciada pela batimetria.
O transporte integrado foi calculado para duas seções, sendo uma meridional
(22ºS) e outra zonal (22ºW). O transporte zonal representa basicamente os fluxos
principais
leste-oeste,
enquanto
que
o
transporte
meridional
representa
o
meandramento dos fluxos zonais principais.
Dentro do giro subtropical o maior valor de transporte foi observado para a
ACAS (~6,5 Sv), seguida pela AIA (~2,8 Sv), AT (~1,1 Sv) e ACP (~0,6 Sv) com o
menor transporte. O transporte zonal integrado somado para as massas d’água
superficiais e intermediárias foi de aproximadamente 11 Sv o que é significativo em
relação ao transporte total do giro subtropical.
O maior transporte integrado entre as massas d’água estudadas foi observado
na APAN, com aproximadamente 15 Sv, o que é significativo se considerarmos que
aproximadamente 15 Sv de APAN são formados no Atlântico Norte(SCHMITZ, 1996).
Os fluxos geostróficos observados na área de estudo são organizados
predominantemente no sentido leste-oeste ou oeste-leste. Os transportes para norte
99
ou sul que foram registrados na análise dos dados representam basicamente o
meandramento destes fluxos organizados pela área de estudo.
Em todos os níveis de profundidade que foram utilizados para descrição da
circulação geostrófica em cada massa d’água, foram observados dois fluxos zonais
principais localizados em aproximadamente 22º e 25ºS. Entre os dois fluxos zonais foi
observada uma região com fluxos menos organizados e com a presença de estruturas
em forma de vórtices em todos os níveis de profundidade, sendo que, uma mais nítida,
localizada entre 24º e 26ºW e outra não tão bem definida, em aproximadamente 20ºW.
Principalmente nos níveis da AIA e da ACP, ao norte de aproximadamente
21ºS, o Giro Subtropical do Atlântico Sul faz fronteira com o Giro Subequatorial do
Atlântico Sul, fazendo com que a dinâmica nesta região específica, que corresponde a
uma pequena área na porção nordeste da região de estudo, esteja respondendo a
processos na interface entre os dois giros. Variações significativas nas espessuras das
massas d’água citadas e fluxos contrários aos principais são algumas características
da dinâmica observada nesta região de fronteira entre os giros.
O estudo da variação interanual térmica e salina foi realizado pela análise de
três seções, sendo duas zonais e uma meridional, escolhidas em função da
localização das estações de coleta, visando a possibilidade de comparação dos
parâmetros temperatura e salinidade.
Na distribuição dos valores de variação térmica e salina pela coluna d’água
nota-se um comportamento diferenciado por intervalo aproximado de profundidade
que delimitam as massas d’água, sugerindo que existam processos específicos
atuando sobre cada uma separadamente
Na camada de mistura os valores extremos de variação na temperatura foram
da ordem de ± 2,0ºC e de 0,7 para a salinidade. Já na camada de mistura fóssil esses
valores foram da ordem de ±1,5ºC e de ±0,25 para a salinidade. A comparação com
valores de médias climatológicas do NCEP mostrou que a camada de mistura
responde diretamente as condições climáticas no momento de coleta dos dados,
enquanto que para o intervalo de profundidade da camada de mistura fóssil, além das
condições climáticas no momento de formação desta camada, processos na dinâmica
local e variações climáticas na zona de formação da massa d’água podem estar
associados.
100
No intervalo de profundidade aproximado da ACAS a variação térmica chegou
a valores extremos aproximados de ± 1,5ºC e de 0,25 para a salinidade. Para o
restante das massas d’água (AIA, ACP, APAN e AAF) presentes na parte sudeste da
Bacia do Brasil, a variação térmica e salina apresentou valores médios similares,
estando em aproximadamente ±0,1ºC para temperatura e em aproximadamente ±0,01
para a salinidade.
101
6 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
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105
APÊNDICE 1
106
LISTAGEM DAS ESTAÇÕES DE CTD UTILIZADAS NESTA DISSERTAÇÃO
Nome da
Estação
A01
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
Long (W)
21
Março
1997
05:30
21,858
20,488
Prof da
Estação (m)
,,,,,
Altímetro
(m)
,,,,,
Prof do dado
inicial (m)
6
Prof do dado
final (m)
4715
A02
21
Março
1997
14:45
21,832
20,142
,,,,
,,,,
7
4800
A03
21
Março
1997
23:06
21,788
19,778
,,,,,
,,,,,
6
4636
A04
22
Março
1997
07:00
21,784
19,422
5234
50
6
5184
A05
22
Março
1997
16:30
21,750
18,919
5245
50
7
5195
A06
23
Março
1997
02:27
21,732
18,562
5300
20
6
5280
A07
23
Março
1997
09:50
21,668
18,182
5363
40
77
5323
A08
23
Março
1997
16:44
21,605
17,809
5154
30
10
5124
A09
24
Março
1997
23:40
21,618
17,419
4705
20
6
4685
A10
24
Março
1997
05:26
21,510
17,082
5203
15
6
5188
A11
24
Março
1997
12:10
21,464
16,717
5058
30
8
5028
A12
24
Março
1997
20:06
21,384
16,383
4852
25
7
4827
A13
25
Março
1997
01:49
21,340
16,006
5052
15
8
5037
A14
25
Março
1997
15:00
21,250
15,290
4757
30
7
4727
A15
25
Março
1997
21:47
21,147
14,906
4980
20
6
4960
A16
26
Março
1997
04:06
21,057
14,502
4744
20
6
4724
A17
26
Março
1997
10:30
21,010
14,155
4982
10
15
4972
A18
26
Março
1997
16:35
20,915
13,721
4484
25
6
4459
A19
26
Março
1997
22:48
20,784
13,294
4658
20
9
4638
A20
27
Março
1997
04:30
20,701
12,979
4476
20
10
4456
A21
27
Março
1997
09:02
20,806
12,629
,,,,,
,,,,,,
8
3196
A22
27
Março
1997
17:32
20,432
12,594
3850
12
8
3838
A23
29
Março
1997
17:20
21,484
14,154
4330
12
7
4318
A24
30
Março
1997
00:10
21,587
14,767
4290
20
6
4270
A25
30
Março
1997
06:23
21,778
15,361
4566
20
6
4546
107
Nome da
Estação
A26
30
Março
1997
11:35
21,808
15,916
Prof da
Estação (m)
4159
A27
30
Março
1997
17:42
21,883
16,361
4470
10
8
4460
A28
30
Março
1997
23:07
21,942
16,794
4232
18
6
4214
A29
31
Março
1997
04:53
21,997
17,258
4557
15
6
4542
A30
31
Março
1997
10:31
22,068
17,714
4450
10
9
4440
A31
31
Março
1997
15:59
22,127
18,167
4687
10
8
4677
A32
31
Março
1997
21:38
22,185
18,598
4880
35
6
4845
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
Long (W)
Altímetro
(m)
10
Prof do dado
inicial (m)
8
Prof do dado
final (m)
4149
A33
1
Abril
1997
03:07
22,142
19,050
4861
35
6
4826
A34
1
Abril
1997
09:00
22,248
19,492
5149
10
6
5139
A35
1
Abril
1997
15:34
22,294
20,114
5055
15
8
5040
A36
1
Abril
1997
22:50
22,352
20,869
5260
20
8
5240
A37
2
Abril
1997
04:53
22,536
21,297
5296
16
6
5280
A38
2
Abril
1997
12:02
23,106
21,131
5034
15
8
5019
A39
2
Abril
1997
19:54
22,913
20,524
4716
10
8
4706
A40
3
Abril
1997
02:27
22,876
19,864
4769
18
6
4751
A41
3
Abril
1997
09:11
22,852
19,213
5029
10
7
5019
A42
4
Abril
1997
17:01
22,715
18,589
5003
20
6
4983
A43
5
Abril
1997
09:08
22,711
17,872
4684
20
6
4664
A44
5
Abril
1997
18:31
22,651
17,203
4477
10
6
4467
A45
6
Abril
1997
03:34
22,274
16,585
4758
25
6
4733
A46
6
Abril
1997
11:42
22,224
15,872
,,,,,
,,,,,
8
4242
A47
6
Abril
1997
18:57
22,821
15,862
4348
8
6
4340
A48
7
Abril
1997
03:01
22,907
16,557
4687
15
6
4672
A49
7
Abril
1997
12:11
23,132
17,511
5100
20
9
5080
A50
7
Abril
1997
08:30
23,442
18,401
4678
25
8
4653
A51
8
Abril
1997
04:56
23,496
19,332
5035
15
6
5020
A52
8
Abril
1997
12:54
23,691
20,154
4721
12
6
4709
A53
9
Abril
1997
01:00
23,844
20,988
6013
20
6
5993
108
Nome da
Estação
A54
9
Abril
1997
10:46
24,410
20,188
Prof da
Estação (m)
4710
A55
9
Abril
1997
18:35
24,951
20,724
4997
17
7
4980
A56
10
Abril
1997
03:12
24,805
19,804
5182
20
6
5162
A57
10
Abril
1997
11:09
24,144
19,333
4825
6
6
4819
A58
10
Abril
1997
20:40
24,149
18,358
4654
25
8
4629
A59
11
Abril
1997
08:44
23,405
16,821
4807
15
6
4792
A60
11
Abril
1997
17:59
23,186
15,882
5058
20
6
5038
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
Long (W)
Altímetro
(m)
5
Prof do dado
inicial (m)
6
Prof do dado
final (m)
4705
A61
12
Abril
1997
02:40
22,999
14,989
4979
27
6
4952
A62
12
Abril
1997
18:49
20,814
15,872
4639
10
6
4629
A63
13
Abril
1997
03:33
20,796
16,782
5236
20
6
5216
A64
13
Abril
1997
11:24
20,352
17,511
4563
10
6
4553
A65
14
Abril
1997
01:53
20,916
17,863
5432
20
7
5412
A66
14
Abril
1997
10:06
20,944
18,692
4706
10
6
4696
A67
14
Abril
1997
17:42
21,190
19,487
5157
12
6
5145
A68
15
Abril
1997
00:13
20,726
19,671
4803
20
8
4783
A69
15
Abril
1997
08:21
20,973
20,514
4849
10
6
4839
A70
15
Abril
1997
16:36
20,395
21,208
5360
5
6
5355
B01
13
Março
1998
18:00
13,355
28,972
5646
15
7
5631
B02
15
Março
1998
21:33
17,933
22,703
5790
50
9
5737
B03
16
Março
1998
07:05
19,696
20,250
5563
25
9
5538
B04
16
Março
1998
16:53
20,273
19,209
4809
16
8
4793
B05
17
Março
1998
00:59
20,333
18,040
5046
19
6
5029
B06
17
Março
1998
10:25
20,090
16,700
4185
20
6
4165
B07
18
Março
1998
00:10
19,829
15,415
3978
14
6
3965
B08
18
Março
1998
07:30
19,677
14,367
3785
15
6
3770
B09
18
Março
1998
14:48
20,270
13,772
4345
20
6
4212
B10
18
Março
1998
21:16
20,832
13,225
4646
12
6
4634
B11
19
Março
1998
03:17
21,518
13,260
4531
12
6
4519
109
Nome da
Estação
B12
19
Março
1998
09:24
22,127
12,935
Prof da
Estação (m)
4305
B13
19
Março
1998
16:56
22,847
13,246
4748
20
6
4729
B14
20
Março
1998
01:21
23,031
14,293
4106
10
6
4098
B15
20
Março
1998
12:50
23,891
14,405
4106
15
6
4091
B16
20
Março
1998
23:20
25,133
14,859
4001
14
6
3986
B17
21
Março
1998
05:40
25,979
15,240
4370
12
6
4358
B18
21
Março
1998
18:08
26,260
16,395
4391
20
9
4371
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
Long (W)
Altímetro
(m)
15
Prof do dado
inicial (m)
6
Prof do dado
final (m)
4290
B19
22
Março
1998
08:45
24,480
16,402
4220
20
6
4200
B20
22
Março
1998
18:12
23,323
16,153
5085
15
6
5070
B21
23
Março
1998
02:01
23,051
15,252
5045
20
8
5025
B22
23
Março
1998
08:51
22,182
15,467
4504
18
13
4486
B23
23
Março
1998
16:02
21,952
14,488
4293
20
7
4273
B24
23
Março
1998
23:20
21,052
14,462
4727
13
6
4714
B25
24
Março
1998
06:25
21,268
15,528
4920
18
6
4902
B26
24
Março
1998
14:54
21,415
16,620
4958
20
8
4938
B27
24
Março
1998
21:31
22,193
16,953
4525
12
6
4513
B28
25
Março
1998
10:20
21,62
17,753
5075
22
8
5053
B29
26
Março
1998
00:00
21,669
17,806
4992
18
6
4974
B30
26
Março
1998
03:03
21,518
17,840
4803
14
6
4789
B31
26
Março
1998
05:55
21,670
17,806
4932
12
6
4920
B32
26
Março
1998
09:29
21,519
17,842
4591
15
9
4576
B33
26
Março
1998
17:33
22,533
18,030
4444
20
11
4424
B34
26
Março
1998
20:51
22,390
17,990
5348
14
14
5334
B35
27
Março
1998
11:39
23,558
17,853
5298
15
9
5283
B36
27
Março
1998
19:24
24,540
18,122
5006
20
6
4986
B37
28
Março
1998
03:48
25,647
18,388
4419
14
8
4405
B38
28
Março
1998
14:46
26,623
19,580
5259
12
9
5247
B39
28
Março
1998
,,,,
25,705
19,630
4568
14
8
4554
110
Nome da
Estação
B40
29
Março
1998
04:42
24,830
19,575
Prof da
Estação (m)
5363
B41
29
Março
1998
12:38
23,815
19,570
4988
10
8
4978
B42
29
Março
1998
19:34
22,923
19,620
5029
20
8
5009
B43
30
Março
1998
02:42
22,018
19,542
5466
12
7
5454
B44
30
Março
1998
10:15
21,100
19,833
4819
20
9
4799
B45
30
Março
1998
18:33
20,727
20,997
5507
20
8
5487
B46
31
Março
1998
02:27
21,750
21,010
5379
15
8
5364
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
Long (W)
Altímetro
(m)
18
Prof do dado
inicial (m)
9
Prof do dado
final (m)
5345
B47
31
Março
1998
09:47
22,697
21,052
4883
20
7
4863
B48
31
Março
1998
16:35
23,588
21,087
4866
15
6
4851
B49
31
Março
1998
20:55
23,910
21,097
5314
12
8
5302
B50
1
Abril
1998
04:34
24,933
21,125
5318
16
9
5302
B51
1
Abril
1998
12:11
25,880
21,163
5061
20
8
5041
B52
1
Abril
1998
19:53
26,783
21,173
5231
15
8
5216
B53
2
Abril
1998
06:36
26,895
22,763
5414
12
14
5402
B54
2
Abril
1998
14:53
25,970
22,757
5061
20
8
5041
B55
2
Abril
1998
22:54
24,952
22,638
5552
15
6
5537
B56
3
Abril
1998
06:27
23,985
22,622
5300
48
13
5252
B57
3
Abril
1998
12:56
23,312
22,562
5431
120
11
5311
B58
3
Abril
1998
21:02
22,372
22,517
5405
40
14
5365
B59
4
Abril
1998
05:01
21,370
22,492
5454
30
7
5424
B60
4
Abril
1998
10:42
21,887
24,052
6000
89
10
5511
B61
4
Abril
1998
23:12
22,857
24,063
5900
400
8
5500
B62
5
Abril
1998
07:12
23,917
24,142
5581
80
9
5501
B63
5
Abril
1998
15:09
24,933
24,193
5762
260
8
5502
B64
5
Abril
1998
22:47
25,957
24,265
4960
14
9
4946
B65
6
Abril
1998
10:05
24,962
25,620
6000
520
6
5463
B66
6
Abril
1998
18:17
23,910
25,593
6000
488
8
5512
B67
7
Abril
1998
02:23
22,897
25,552
5725
180
8
5545
111
Nome da
Estação
B68
7
Abril
1998
10:28
21,863
25,537
Prof da
Estação (m)
5605
B69
7
Abril
1998
19:53
20,797
25,470
5357
15
B70
8
Abril
1998
05:47
20,663
24,007
5508
15
7
5493
B71
8
Abril
1998
14:18
20,270
22,920
5192
15
11
5177
B72
8
Abril
1998
22:52
20,022
21,702
5363
18
9
5345
B73
9
Abril
1998
14:46
19,295
19,217
4873
10
9
4863
B74
10
Abril
1998
00:05
19,175
17,942
4539
14
8
4525
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
Long (W)
Altímetro
(m)
67
Prof do dado
inicial (m)
6
Prof do dado
final (m)
5538
9
5342
B75
10
Abril
1998
08:25
18,930
16,767
3990
10
8
3980
B76
10
Abril
1998
17:21
18,627
15,438
3826
15
10
3811
B77
11
Abril
1998
02:09
18,578
14,090
3829
10
8
3819
B78
11
Abril
1998
21:23
17,552
17,328
4148
10
8
4138
C01
8
Abril
2000
16:22:04
12,396
32,067
3831,2
28,4
6
3801
C02
9
Abril
2000
15:28:26
15,591
29,954
5099,1
10,0
6
5088
C03
10
Abril
2000
15:10:56
19,066
27,599
5478,4
19,0
6
5458
C04
10
Abril
2000
18:44:33
19,067
27,600
5482,2
18,1
6
5463
C05
11
Abril
2000
02:54:55
20,000
26,999
5382,4
17,8
6
5363
C06
11
Abril
2000
11:08:08
21,102
26,999
5570,0
17,7
7
5551
C07
11
Abril
2000
19:12:32
22,201
26,999
5373,8
18,9
6
5353
C08
12
Abril
2000
03:16:06
23,299
26,998
5564,5
19,4
6
5544
C09
12
Abril
2000
11:04:16
24,370
27,000
5902,7
17,9
6
5883
C10
12
Abril
2000
20:51:17
25,667
27,000
5421,1
17,6
7
5402
C11
13
Abril
2000
04:56:45
25,666
25,799
5124,7
20,8
6
5102
C12
13
Abril
2000
13:11:43
25,666
24,600
5106,5
20,4
6
5085
C13
13
Abril
2000
20:54:15
25,667
23,499
5029,0
17,2
6
5010
C14
14
Abril
2000
06:54:27
26,900
24,501
5596,6
18,0
6
5577
C15
14
Abril
2000
14:48:12
26,883
23,299
5487,1
19,1
6
5466
C16
14
Abril
2000
22:32:21
26,868
22,099
5367,1
18,7
6
5347
C17
15
Abril
2000
06:46:28
26,784
20,900
5060,3
20,6
7
5038
112
Nome da
Estação
C18
C19
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
15
Abril
15
Abril
2000
15:23:53
27,900
2000
23:32:06
27,832
21,399
Prof da
Estação (m)
4939,9
Altímetro
(m)
21,3
Prof do dado
inicial (m)
7
Prof do dado
final (m)
4917
22,699
4728,2
20,6
6
4706
Long (W)
C20
16
Abril
2000
06:59:35
27,884
23,901
5570,9
17,3
6
5552
C21
17
Abril
2000
00:28:08
25,499
21,916
5108,1
16,9
6
5090
C22
17
Abril
2000
09:32:04
25,434
20,451
4976,6
18,5
6
4957
C23
17
Abril
2000
17:19:53
26,110
19,544
2665,6
98,8
6
2565
C24
17
Abril
2000
18:50:25
26,078
19,622
4855,5
19,4
6
4835
C25
18
Abril
2000
02:49:50
25,099
18,913
4957,1
18,8
6
4937
C26
18
Abril
2000
10:27:33
25,000
17,708
337,5
98,8
6
237
C27
18
Abril
2000
11:04:49
25,001
17,674
4614,2
16,6
6
4596
C28
18
Abril
2000
17:49:55
24,459
16,900
4697,0
16,3
6
4679
C29
19
Abril
2000
03:10:31
24,494
15,431
3995,7
20,0
6
3974
C30
19
Abril
2000
10:18:36
23,937
14,520
4106,7
17,0
6
4088
C31
19
Abril
2000
18:49:04
22,923
13,659
5509,7
17,7
6
5491
C32
20
Abril
2000
03:31:01
22,343
12,702
4427,2
18,8
6
4407
C33
20
Abril
2000
09:00:08
22,218
12,032
5434,0
16,7
6
5416
C34
20
Abril
2000
17:44:17
21,982
10,894
4681,5
18,7
6
4661
C35
21
Abril
2000
01:15:16
21,166
11,482
4070,7
18,0
6
4051
C36
21
Abril
2000
09:32:16
21,515
12,713
4610,4
16,7
6
4592
C37
21
Abril
2000
22:46:03
22,126
13,717
4413,5
17,8
6
4394
C38
22
Abril
2000
06:42:40
22,232
14,926
4474,4
17,1
6
4456
C39
22
Abril
2000
13:49:34
23,019
14,961
4987,9
16,3
6
4970
C40
22
Abril
2000
21:57:25
23,207
16,150
5053,0
18,3
6
5033
C41
23
Abril
2000
06:04:56
23,478
17,367
5275,3
16,8
6
5257
C42
23
Abril
2000
14:54:16
23,686
18,643
5326,4
16,7
6
5308
C43
23
Abril
2000
23:41:44
23,785
19,833
5693,7
18,5
6
5674
C44
24
Abril
2000
08:49:18
24,546
20,947
5107,3
16,8
6
5089
C45
24
Abril
2000
17:46:27
24,477
22,148
5054,8
16,9
6
5036
113
Nome da
Estação
C46
C47
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
25
Abril
25
Abril
2000
01:00:58
24,701
2000
09:31:02
24,551
23,105
Prof da
Estação (m)
5463,5
Altímetro
(m)
20,1
Prof do dado
inicial (m)
6
Prof do dado
final (m)
5442
24,333
5673,7
19,5
6
5653
Long (W)
C48
25
Abril
2000
18:47:26
24,376
25,534
5731,6
19,9
6
5710
C49
26
Abril
2000
03:41:35
23,222
25,617
5741,1
18,0
6
5722
C50
26
Abril
2000
22:03:57
23,446
24,137
5742,8
16,6
6
5725
C51
27
Abril
2000
06:08:33
23,420
23,038
5631,5
16,3
6
5614
C52
27
Abril
2000
14:26:28
23,298
21,919
5564,2
15,6
6
5547
C53
28
Abril
2000
03:42:38
23,096
20,694
5442,2
40,8
6
5400
C54
28
Abril
2000
12:38:41
22,839
19,438
5188,9
16,0
6
5171
C55
28
Abril
2000
21:58:04
22,458
18,217
5007,2
19,4
6
4986
C56
29
Abril
2000
07:07:37
22,580
17,140
4846,7
13,7
6
4832
C57
29
Abril
2000
14:43:42
22,300
16,136
4526,7
14,1
6
4511
C58
29
Abril
2000
23:57:10
21,200
15,360
5203,6
18,1
6
5184
C59
30
Abril
2000
08:49:27
21,003
14,181
4960,1
17,6
6
4941
C60
30
Abril
2000
17:26:57
20,747
13,033
4483,3
17,2
6
4465
C61
1
Maio
2000
03:00:55
19,785
13,516
3773,2
16,5
6
3755
C62
1
Maio
2000
11:01:10
18,638
13,897
3872,9
14,9
6
3857
C63
1
Maio
2000
19:46:36
19,287
15,065
4256,7
16,2
7
4239
C64
2
Maio
2000
02:13:52
20,090
15,128
4138,0
16,4
6
4120
C65
2
Maio
2000
16:30:03
21,445
16,642
5069,0
16,9
6
5051
C66
3
Maio
2000
02:46:59
21,646
17,810
5164,4
18,1
6
5145
C67
4
Maio
2000
21:17:38
20,222
16,737
4503,0
17,1
6
4484
C68
5
Maio
2000
05:37:15
19,203
17,277
4215,9
16,9
6
4198
C69
5
Maio
2000
14:28:36
20,369
17,956
5179,7
16,6
8
5162
C70
6
Maio
2000
08:22:16
21,768
19,103
5285,9
15,2
6
5269
C71
6
Maio
2000
16:36:40
21,848
20,403
5321,6
19,2
6
5301
C72
7
Maio
2000
01:03:46
22,050
21,672
5149,7
18,4
6
5130
C73
7
Maio
2000
09:44:11
22,069
23,067
6042,5
16,8
6
6024
114
Nome da
Estação
C74
C75
Dia
Mês
Ano
Hora
Lat (S)
7
Maio
8
Maio
2000
17:52:11
22,069
2000
02:33:22
21,977
24,271
Prof da
Estação (m)
5880,9
Altímetro
(m)
18,7
Prof do dado
inicial (m)
6
Prof do dado
final (m)
5861
25,603
5681,1
18,2
6
5661
Long (W)
C76
8
Maio
2000
11:59:38
21,203
24,550
5843,3
14,5
6
5827
C77
8
Maio
2000
20:57:30
20,623
23,426
5260,5
18,6
6
5240
C78
9
Maio
2000
05:59:16
20,634
22,091
5493,5
15,5
6
5477
C79
9
Maio
2000
15:28:10
20,645
20,683
5433,1
16,3
6
5415
C80
10
Maio
2000
00:17:06
20,356
19,443
5294,0
18,1
6
5274
C81
10
Maio
2000
09:40:57
19,008
19,208
5099,6
14,9
6
5083
C82
10
Maio
2000
17:56:33
18,020
18,630
4396,9
18,6
6
4377
115
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ESTUDO DAS MASSAS D`ÁGUA E DA CIRCULAÇÃO