Clipping Nacional de Educação Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014 Capitare Assessoria de Imprensa SHN, Quadra 2 Bloco F Edifício Executive Tower - Brasília Telefones: (61) 3547-3060 (61) 3522-6090 www.capitare.com.br Valor Econômico 28/01/14 POLÍTICA 00 Mercadante despacha no Planalto informalmente Por Andrea Jubé | De Brasília Com a reforma ministerial em andamento, e nenhuma confirmação oficial da troca de cadeiras, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, já despacha, informalmente, no quarto andar do Palácio do Planalto. Nos bastidores, o dia 3 de fevereiro desponta como data provável da posse de Mercadante como novo ministrochefe da Casa Civil. Simultaneamente, seria empossado o seu sucessor na pasta da Educação, José Henrique Paim Fernandes, e o novo ministro da Saúde, Arthur Chioro. Nos últimos dias, Mercadante tem reservado parte do expediente para se dedicar à transição na Casa Civil. A titular do cargo, ministra Gleisi Hoffmann, antecipou o retorno das férias para sexta-feira, para auxiliar o sucessor e municiá-lo com informações estratégicas da nova pasta. A Casa Civil responde pela coordenação-geral do governo, comanda a força-tarefa de ministros envolvidos na realização da Copa do Mundo, abrange ações na área de Defesa Civil e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. A opção por Mercadante resgata o perfil híbrido - de articulação política e gestão - que a Casa Civil ostentou no passado, com Antonio Palocci no governo Dilma, e José Dirceu na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Nomeado ministro no início da gestão Dilma, para a pasta de Ciência e Tecnologia, Mercadante conquistou a confiança da presidente e se tornou um dos raros interlocutores que ela ouve com alguma atenção. A nomeação do petista para a cadeira de Gleisi sugere, num primeiro momento, um esvaziamento das funções da titular das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Com mais envergadura política que sua antecessora, e a confiança de Dilma, Mercadante vai assumir atribuições políticas e atuar como interlocutor direto junto a aliados. No entanto, Ideli tem missões, e um trunfo particular, que obrigarão sua atuação conjunta com o colega da Casa Civil. A começar pelo trânsito livre junto à bancada do PMDB no Senado, onde Mercadante tem acesso limitado. O novo chefe da Casa Civil é persona non grata na bancada, pelos gestos do passado contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o ex-presidente da Casa José Sarney (AP). Ainda estão frescos na memória de Sarney e Renan os discursos na tribuna do então senador Mercadante, pedindo a renúncia de ambos aos respectivos mandatos. Em 2009, na crise dos atos secretos no Senado, Mercadante anunciou sua renúncia "irrevogável" à liderança do PT, diante da pressão do expresidente Lula para que o partido ajudasse Sarney a se livrar dos processos no Conselho de Ética. Instado por Lula, foi obrigado a recuar. Dois anos antes, Mercadante pedia na tribuna a renúncia de Renan à presidência do Senado, quando o alagoano era o alvo de denúncias de corrupção. Em outra frente, Ideli acumula uma série de atribuições que não competem a um chefe da Casa Civil, como o corpo-a-corpo com os parlamentares para discutir a liberação de emendas. Além disso, a ministra já tem uma série de tarefas a cumprir neste início de ano, como garantir a aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) do Orçamento impositivo, com a destinação de 50% dos recursos para a saúde. Em contrapartida, a atuação de Mercadante deverá ser decisiva nas questões mais imbricadas do Congresso. Um item considerado prioritário pela presidente, e que o governo quer aprovar neste ano, é o projeto de lei que institui o novo marco civil da internet. 28/01/14 00 POLÍTICA Continua Continuação 28/01/14 Continua Continuação 28/01/14 28/01/14 TENDÊNCIAS & DEBATES A3 Os verdadeiros motivos LUIZA NAGIB ELUF A população protesta contra os desvios de dinheiro, mas muitos dos que reclamam, quando encontram uma chance, fazem o mesmo na própria. E poucos percebem que essa é uma questão eminentemente política. Ou seja, tudo depende de quem vota em quem e por quê. Muito se fala que o Brasil tem problemas e precisa mudar. A cada dia, um escândalo diferente salta dos jornais. De fato, nosso sistema prisional é péssimo, medieval, injusto e vergonhoso, não apenas no Maranhão. Podemos dizer o mesmo dos nossos sistemas de saúde, educação, segurança pública, saneamento básico e preservação ambiental, bem como do planejamento urbano. As camadas sociais menos informadas votam mediante benefícios pessoais imediatos; os setores com melhores condições de discernir o joio do trigo ou votam de acordo com as próprias conveniências ou nem se interessam em pesquisar a vida pregressa dos postulantes a cargos públicos antes do sufrágio. Quando tudo está errado, tornase evidente que o problema não é setorizado, mas estrutural. Nossas dificuldades mais enraizadas são corrupção, incapacidade administrativa, irresponsabilidade, ignorância, burocracia e falta de respeito pelos bens públicos. A população protesta contra os desvios de dinheiro, mas muitos dos que reclamam, quando encontram uma chance de fazer o mesmo, aproveitam-na sem titubear. A cultura do salve-se quem puder está consolidada e é ela que gera o caos. Mas se isso desagrada o povo, por que tudo continua sempre como dantes? Porque as pessoas dizem querer seriedade, mas sempre pensando na seriedade do outro, não Já os(as) eleitos(as), ao selecionar sua equipe de governo, muitas vezes usam critérios políticos que nada têm a ver com a competência funcional ou a lisura administrativa. Assim é que se escolhe, por exemplo, um secretário municipal, estadual ou federal que nada sabe sobre a área técnica que terá de administrar, mas foi indicado por determinado partido ou compadre que se precisa agradar. Se quem foi nomeado para cuidar da saúde da população nada entende de saúde pública ou está no cargo apenas para se locupletar, ocorre uma tragédia. De tragédia em tragédia, chegamos à situação atual do país. É só somar corrupção com incompetência. E nada vai mudar enquanto a população não acordar para a importância de uma eleição, para a grande responsabilidade do exercício da cidadania e para o papel de cada um nos descalabros constantes. Vemos que a Ordem dos Advogados do Brasil quer proibir as doações de empresas em campanhas eleitorais. O Supremo Tribunal Federal está votando a matéria, e compreendemos que o propósito é evitar o comprometimento dos agentes públicos, mas nossos problemas não são pontuais e não se resolvem com paliativos. Precisamos modificar os padrões culturais. Temos que aplicar os critérios de honestidade e responsabilidade em todos os momentos de nosso dia a dia para que isso gere uma alteração de mentalidade que atinja a todos. Quando acontece um escândalo, além de vituperar contra as autoridades responsáveis, nosso povo precisa fazer uma reflexão sobre como alguém sem capacidade ou sem idoneidade foi parar no cargo que ocupa. Assim, ficará mais nítida a responsabilidade de cada um pelos rumos de seu próprio país. LUIZA NAGIB ELUF, 58, é advogada e ex-procuradora do Ministério Público de São Paulo. É autora de "A Paixão no Banco dos Réus", entre outros livros CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 Que lástima! » Mais uma vez a educação pública do Distrito Federal recebe prova de que não é relevante para o governo. Depois de o GDF prometer muitos milhões de investimentos em melhorias, chega a notícia de que a promessa vai ser reduzida. O pior é que muitos diretores que contavam com a verba já tinham planejamento traçado para o uso. Inclusive, com parte do recurso comprometido. ARI CUNHA CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 OPINIÃO O impacto da corrupção e as eleições » MARCELLO TERTO Presidente da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal A dignidade humana é um conceito aberto e plural, dotado de um conteúdo mínimo que tem como referência o ser humano como um fim em si mesmo, e não como mero instrumento para a realização de metas coletivas utilitaristas ou projetos pessoais. Traz em si a ideia de que o Estado existe para servir os indivíduos como seres humanos que são. Não é o que denuncia, infelizmente, o caso da Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, e de tantos outros presídios Brasil afora. Nesses estabelecimentos, práticas sanguinolentas e desumanas denunciam a nossa cupidez, apatia social e, sobretudo, a omissão política e administrativa das estruturas de poder responsáveis pelos destinos do progresso não apenas econômico — e até nisso caminhamos mal no momento —, mas social e cultural dos brasileiros. provavelmente a tirania, a revolução, a cisão ou qualquer outra forma de ruptura que põe em risco os valores fundamentais e universais, a começar pela dignidade humana e seus valores intrínsecos — a vida, a liberdade, a intimidade, a segurança. Corremos esse risco, porque o Brasil está entre os países mais corruptos, com base em dados de percepção de abusos de poder, acordos clandestinos, superfaturamentos e subornos nos setores públicos. Tudo isso é ainda fruto da baixa eficácia das leis brasileiras, que favorece a corrupção, gera redução do escore de eficiência e assim impacta de forma geral sobre indicadores sociais importantes, com destaque para a educação, a saúde, a segurança e a Justiça, os dois últimos diretamente relacionados às decapitações no Maranhão. Na atualidade, um governo não é legítimo só pela obediência à forma como alcança a sua posição, mas, sobretudo pelo que faz ou é capaz de realizar para os seus governados. Estudo publicado no número 41 da Revista Planejamento e Políticas Públicas (PPP), editada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que, do ponto de vista do combate à corrupção, o país deve considerar pelo menos três fatores: ambiente burocrático/organizacional, qualidade da participação popular e convergência entre leis e demandas sociais. E o país anda mal em todos esses aspectos. Quando perde a legitimidade, os acordos se quebram e produzem consequências indesejáveis, A corrupção tende a aumentar o investimento público, mas deteriora sua qualidade e retornos sociais com maior ineficiência. Assim, se a corrupção dobrasse em um estado tecnicamente eficiente, resultaria na redução grave do bem-estar da população. Logo, têm razão aqueles que defendem ser a corrupção a base de todas as mazelas sociais. Entretanto, não se combate a corrupção vivendo de aparências e sob um modelo de atuação pública que nega a realidade e institucionaliza esse mal. É preciso investir na estruturação e controle de funções estratégicas e no imenso potencial que o país tem para crescer de forma sustentável, transparente, responsável e racional. A começar pela discussão séria dos problemas, sem negar-lhes a existência, pela melhoria da educação da população e pelo fortalecimento do aparato legal e institucional, concluímos que o melhor cenário é investir em ética, não apostar na impunidade que produz o estado de terror que atemoriza não só os maranhenses, mas todos nós que dependemos de ações estatais para vivermos dignamente e felizes. A tempo: em época de eleições democráticas, o povo pode começar essa revolução sem decapitar literalmente ninguém ou qualquer outra espécie de violência. O uso consciente do voto é a forma civilizada capaz de eliminar ou diminuir a influência dos agentes públicos fomentadores da nossa triste realidade. Façamos a nossa parte. CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 ECONOMIA INFRAESTRUTURA » Governo vai investir mais. Só que em Cuba A presidente do Brasil e o líder cubano, Raul Castro, disseram na cerimônia de ontem que pretendem ampliar as relações comerciais ainda comedidas entre os dois países Na inauguração de um porto no país caribenho, Dilma Rousseff anuncia a concessão de um novo financiamento ao projeto. Além dos US$ 682 milhões já repassados pelo BNDES, serão liberados US$ 290 milhões para a segunda etapa » ANTONIO TEMÓTEO Ao cortar ontem uma fita com as cores de Cuba nas novas instalações do Porto de Mariel, a presidente Dilma Rousseff anunciou um novo financiamento do governo brasileiro, de US$ 290 milhões, para a segunda fase de obras de modernização do terminal, a 50 quilômetros de Havana, a capital do país. O governo cubano já recebeu US$ 682 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pagos à Odebrecht, responsável pela obra. Os ditadores da ilha caribenha, Fidel e Raul Castro — o presidente —, apostam que o projeto impulsionará os negócios do país, submetido a restrições ao comércio e investimentos por parte dos Estados Unidos. Mas, para empresários e especialistas brasileiros, o investimento em Cuba contrasta com a carência de recursos que se enfrenta aqui para melhorar a infraestrutura em todas as áreas. “Mesmo submetido a injusto embargo econômico, Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe”, disse Dilma ontem. “O Brasil deseja ser um aliado econômico de primeira ordem para Cuba e uma maneira de fazer isso é aumentar as relações bilaterais de comércio”, afirmou a presidente, que participa de um encontro de chefes de Estado latino-americanos no país. A primeira fase da modernização de Mariel custou US$ 957 milhões, dos quais US$ 802 milhões foram investidos na compra de bens e serviços brasileiros. Na rabeira As relações comerciais entre os dois países ainda são pequenas. Em 2013, o Brasil exportou US$ 528,2 milhões para Cuba e importou US$ 96,6 milhões. De acordo com dados de 2012, os mais recentes disponíveis para comparação, o Brasil está em quarto lugar quando se considera a origem das mercadorias destinadas à ilha. Com 5,2% do total, ficou pouco à frente dos Estados Unidos, que, apesar do embargo, vendem a Cuba 4,3% de tudo o que se compra de fora. Os dados são do próprio governo norteamericano. Quando se considera o destino das exportações brasileiras, Cuba está em 53º lugar. Na avaliação do diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o economista Adriano Pires, é Continua Continuação “irracional” o governo anunciar mais um investimento de centenas de milhões de dólares para modernizar a infraestrutura de Cuba ao mesmo em que há, aqui, portos, aeroportos, ferrovias e rodovias de “péssima qualidade”. Pires afirmou que existe um componente ideológico na decisão brasileira, consequência da relação do ex-presidente Lula com Fidel Castro. Dilma manteve a aproximação construída pelo antecessor. “Ela foi a Davos (Suíça) para tentar atrair investidores estrangeiros para o país, mas não dá qualquer condição para que isso ocorra, sobretudo a implantação da infraestutura necessária para que grandes empresas se instalem no Brasil”, criticou. Na avaliação do economista, o governo brasileiro demonstra disposição de substituir a Venezuela como principal financiador da ditadura dos irmãos Castro, uma vez que o país sul-americano, maior aliado de Cuba, passa por dificuldades econômicas. Para o professor da Universidade de Brasília José Matias-Pereira, especialista em finanças públicas, o governo brasileiro e o BNDES mostram a “falta de compromisso com o dinheiro público” ao financiar a modernização de um porto em Cuba. Ele destacou que a sociedade brasileira clama por melhorias na saúde, no transporte, na segurança e na educação. 28/01/14 Matias-Pereira criticou também a falta de transparência no financiamento do BNDES aos cubanos (leia texto abaixo). O especialista ainda destacou que em um ambiente de baixo crescimento econômico e inflação crescente, qualquer despesa que gere desconfiança é um problema para a credibilidade do governo. “Algumas empresas são beneficiadas com esses financiamentos, mas a população é deixada de lado”, finalizou. Defensores do financiamento argumentam que o terminal de Mariel foi construído de frente para a costa da Flórida, nos Estados Unidos, e, com a expansão do canal do Panamá, poderá se transformar em um ponto de escala para cargueiros gigantes. O terminal é capaz de receber embarcações super PósPanamax de até 18 metros de calado, algo de que poucos portos brasileiros são capazes, e movimentar cerca de 1 milhão de contêineres ao ano. O presidente de Cuba, Raul Castro, agradeceu a participação do BNDES na empreitada e afirmou que a obra terá grande importância para o país. “O Porto de Mariel será a principal porta de entrada e de saída do comércio exterior em Cuba”, afirmou. Uma das empresas que demonstraram interesse em se instalar no terminal é a Odebrecht Infraestrutura, que informou em um comunicado está realizando “estudos de viabilidade econômica e técnica para a criação de empreendimento na área de transformação de plástico em Mariel, Cuba”. (Colaboraram Victor Martins e Rosana Hessel) » Cúpula A presidente Dilma Rousseff discursará hoje na abertura da 2ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que ocorre em Cuba. No início da noite, embarca para Brasília. Ontem, ela foi recebida em almoço pelo presidente Raul Castro. No domingo, quando chegou, proveniente de Lisboa, Dilma encontrou-se com a presidente argentina, Cristina Kirchner. Los hermanos O Brasil investe em Cuba, um parceiro comercial pequeno para o Brasil Investimento na modernização o porto de Mariel Custo total US$ 957 milhões Parcela financiada pelo BNDES US$ 682 milhões Novo aporte US$ 290 milhões Continua 28/01/14 Continuação Importações de Cuba em 2012 Valor total US$ 13,72 bilhões Venezuela 38,3% China 10,8% Espanha 8,9% Brasil 5,2% Estados Unidos 4,3% Exportações brasileiras a Cuba (2013) US$ 521 milhões Posição no ranking* 53º lugar * Entre os países de destino de exportações brasileiras Fontes: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior e governo norteamericano CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 POLÍTICA O BRASIL DAS RUAS » O bloco que assusta os políticos Familiares e amigos de Fabrício, baleado pela PM paulista no último sábado, levaram faixa e cartazes para a porta do hospital onde o rapaz está internado: inquérito aberto Grupos à frente das manifestações contra a Copa estão presentes nas 12 sedes e contam com mobilização nas redes sociais. Ao contrário dos rolezinhos, são formados por estudantes com nível superior » LEANDRO KLEBER » RENATA MARIZ » GRASIELLE CASTRO Criados há mais de três anos para cobrar das autoridades públicas mais investimentos e políticas voltadas à melhoria de vida da população, os 12 comitês populares contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil espalhados pelas cidades sedes do evento, que ajudaram a impulsionar inicialmente as ruas do país em junho do ano passado, não conseguiram mobilizar mais do que 5 mil pessoas no último fim de semana. Em Brasília, por exemplo, foram menos de 100 participantes marchando pela W3. Apesar da baixa adesão neste começo de ano, os protestos preocupam novamente o governo brasileiro principalmente pela violência registrada em São Paulo, que teve pessoas feridas e carros incendiados. O Planalto teme a má repercussão das cobranças da sociedade, principalmente às vésperas da eleição presidencial, principalmente por conta da grande mobilização desses grupos nas redes sociais. Diferentemente do público dos rolezinhos, composto basicamente por adolescentes da periferia que buscam espaço para diversão, os líderes dos manifestantes são moradores ou profissionais atingidos por políticas da Copa e estudantes com nível superior. Muitos se inspiram em manifestações recentes feitas pelo mundo, como a Primavera Árabe e os protestos contra o encontro da Organização do Comércio em Seattle (EUA), e se comunicam pela internet. Para tentar ganhar corpo e buscar apoio, mantêm diálogo com movimentos mais tradicionais, como os sem terra, indígenas, quilombolas e atingidos por barragens. “Não são marginais ou baderneiros. É uma articulação nacional preocupada com os gastos públicos e o impacto social da Continua 28/01/14 Continuação Copa”, avalia o sociólogo e cientista político Rudá Ricci. Segundo ele, os políticos tiveram chance de se reunir para conversar com os integrantes do movimento, mas não o fizeram. “Tenho a impressão de que o medo do governo de que as manifestações quebrem a normalidade do processo eleitoral levem ao confronto. O Planalto está desesperado com essa ameaça no meio da uma disputa eleitoral”, afirma. Segundo ele, cerca de 12 mil famílias tiveram de deixar as suas casas para a execução de projetos da Copa. A participação de black blocs nos atos não é vista com maus olhos pelos organizados das passeatas. Apesar de não integrarem os comitês contra o evento, os adeptos do uso da violência durante os protestos são tidos como “os que reagem contra a violência policial”. Para o integrante do comitê anticopa de Belo Horizonte Rafael Bittencourt, 26 anos, formado em sociologia, há “focos de violência” nas passeatas, mas isso não impede militantes pacíficos de protestar. “Parte dessa violência é uma resposta à repressão policial. O governo brasileiro teve tempo suficiente para contornar os impactos negativos do evento. Como não fizeram, existe um grande apelo negativo (por parte da população). Isso pode culminar em grandes manifestações que podem impedir o megaevento”, acredita. Baixa adesão Integrante do comitê contra a Copa na capital federal, o militante Vinícius Lobão, 29 anos, formado em comunicação social, justifica que o movimento no sábado foi prejudicado em Brasília por uma série de motivos. Lobão destaca a falta de campanhas este ano, as pessoas viajando durante as férias de janeiro e a realização de um acampamento da juventude capitalista no Rio de Janeiro. Ele reafirma que os jovens vão às ruas porque são contrários aos lucros “astronômicos” para a Fifa e seus patrocinadores. “Se for para continuar nesse modelo de megaevento, vamos lutar para que não tenha Copa mesmo, a não ser que o governo dê indicativos de que pessoas não serão removidas e que nossas crianças não estarão em risco (abuso sexual e tráfico de pessoas)”, diz. Já o estudante de economia da Universidade de Brasília Kauany Souza, 17 anos, não participa mais das manifestações contra a Copa. Segundo ele, desde o fim dos protestos de junho do ano passado, certos grupos usam os movimentos populares para disseminar destruição pura e simplesmente. “Isso aliado a uma vilanização dos policiais, porque alguns cometem excessos. Parecem que querem deslegitimar o trabalho da polícia. Sou a favor de manifestações contrárias à má administração de recursos do nosso governo atualmente. Mas de tentar usar um propósito legítimo para instaurar o caos e depois se vitimizar, não”, afirma ele, que também é coordenador do Estudantes pela Liberdade. CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 POLÍTICA MEMÓRIA » Conflitos em junho Os primeiros protestos tomaram conta de São Paulo, no início de junho passado do ano passado, contra o aumento da tarifa no transporte público. Manifestantes de outras capitais começaram a fazer atos públicos pelo mesmo motivo. Mas também reivindicavam saúde, educação, transparência, além de criticarem os gastos com a Copa do Mundo. A repressão policial aumentou. Houve confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Em vez de arrefecer as manifestações, a ação policial fez com que elas se multiplicassem. Em 17 de junho, milhões de pessoas foram às ruas, marcando o primeiro grande protesto. Houve atos de vandalismo. Em Brasília, manifestantes subiram a plataforma do Congresso Nacional. Em outras capitais, a confusão se repetia. De um lado, manifestantes usavam máscaras, lançavam rojões contra os policiais militares e apedrejavam prédios públicos. A polícia, por sua vez, protagonizava cenas de truculência. Foram registradas as primeiras mortes em protestos. Um estudante de Ribeirão Preto (SP) foi atropelado por um empresário que avançou o carro sobre os manifestantes. Uma gari, em Belém, sofreu uma parada cardíaca. Os atos de vandalismo se intensificaram entre junho e julho. Centrais sindicais e alguns partidos políticos, que geralmente não participavam dos atos públicos por ordem dos próprios manifestantes, começaram a entrar nos protestos. Entidades sindicais, estudantis e associações de classe também tomaram as ruas, com diferentes pautas de reivindicação. Com a situação insustentável, a presidente Dilma Rousseff anunciou, em rede nacional, “cinco pactos” para o Brasil: controle da inflação, reforma política com plebiscito, melhoria profunda nos serviços públicos de saúde, salto de qualidade no transporte público, e destinação dos royalties do petróleo para a educação. Os protestos passaram a ocorrer de forma esporádica. O temor do Planalto, agora, é que a onda de manifestações retorne. CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 PALAVRA DE ESPECIALISTA » É preciso convencer Os protestos, muitas vezes, se tornam maiores devido aos seus desdobramentos. O que vimos em junho foi uma ação que cresceu em decorrência da reação da polícia. Ou seja, as pessoas passaram a protestar não por conta do primeiro problema, mas pelo desenrolar. E isso pode ocorrer novamente. É claro que as pessoas usam o que está acontecendo, como os protestos do fim de semana, para incluir o discurso da desigualdade e discriminação. O problema é que essas manifestações pedem melhorias nos serviços públicos, mas usam a violência porque acham que ser violento é ser revolucionário. Os fascistas, nazistas e outros de extrema direita também usam a violência. A marca da revolução é a capacidade de transformação. Para mudar a maneira de agir é preciso convencer as pessoas de que isso é necessário. Dizer que não vai ter Copa não tem sentido. A pergunta que fica é: depois de milhões gastos, o melhor é não ter Copa? Não tem como recuperar o dinheiro que foi gasto e não tem como voltar atrás. É preciso que os movimentos pensem em outra maneira de pressionar o governo para melhorar o país. » Alba Zaluar, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, especialista em antropologia urbana POLÍTICA CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 Vigília em São Paulo Baleado pela Polícia Militar em uma rua na cidade de São Paulo por supostamente ter reagido a uma abordagem no último sábado, Fabrício Chaves, 22 anos, recebeu ontem o apoio de parentes e amigos na porta do hospital onde está internado em estado grave. Integrantes dos grupos que organizaram o protesto na capital paulista fizeram uma vigília e montaram uma barraca no local para auxiliar a família do rapaz. Os manifestantes expõem cartazes e faixas, criticando principalmente a ação policial. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, ele levou dois tiros. Um no tórax e outro no pênis. O primeiro causou hemorragia e o segundo obrigou a retirada de um testículo. Segundo o hospital, o jovem passou por uma cirurgia e o estado de saúde é estável, apesar de grave. %u201CEle se dispersou e depois não sei o que aconteceu. Ficou com medo e correu%u201D, afirmou Gabriel Chaves, que estava com o irmão no protesto. O secretário de Estado de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, defendeu a atitude dos PMs. Segundo Grella, os policiais reagiram a uma agressão do rapaz, que portava um estilete. %u201CEle foi baleado porque tentou agredir o policial que estava caído%u201D, disse Grella, ao ressaltar que apenas os inquéritos criminal e militar poderão apurar se não havia outra forma de proceder. %u201CIsso vai ser apurado no inquérito. Existiu uma situação de agressão. Em tese, a agressão legitima a ação%u201D, destacou. POLÍTICA CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 POLÍTICA 00 O BRASIL DAS RUAS » Estratégia é evitar o pânico A Fifa e o governo tentam passar a imagem de tranquilidade em relação à realização da Copa, mas manifestações preocupam » THAÍS CUNHA » GRASIELLE CASTRO Blatter, presidente da Fifa: avaliação é que o futebol está %u201Cprotegido%u201D Os protestos que marcaram a realização da Copa das Confederações no Brasil, em junho do ano passado, deram sinais de que vão continuar no Mundial de 2014. A notícia de que mil manifestantes fecharam os dois sentidos da Avenida Paulista, em São Paulo, foi suficiente para causar transtorno ao paulistano, mas não preocupa a Federação Internacional de Futebol (Fifa), que descarta adiar ou cancelar a disputa no Brasil por conta do movimento Não vai ter Copa. Oficialmente, o clima de calmaria também reina no Palácio do Planalto. No entanto, embora negue que tenha marcado reunião de urgência com ministros envolvidos nos preparativos para o Mundial de futebol, o governo está atento aos movimentos sociais e tem sido cauteloso. A preocupação do Planalto tem fundamento nas manifestações de junho, que derrubaram a aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff, com vaias no estádio e protestos nas ruas. No início do mês, escaldada pelo desgaste do ano passado, a presidente pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que fizesse o possível para garantir segurança máxima. Organizado pelas redes sociais, o movimento contra a Copa foi reforçado em outras cidades brasileiras com o principal argumento de que os investimentos no torneio prejudicam os gastos com saúde e educação no Brasil. Cartazes como “Queremos hospitais e escolas no padrão Fifa” voltaram às ruas. Com o temor de que esse movimento ganhe grandes proporções, o governo ainda traça uma estratégia. A principal proposta é compartilhar a segurança do país entre o Ministério da Justiça e o da Defesa, como ocorreu na Jornada Mundial da Juventude e na Copa das Confederações. Comunicado Apesar da movimentação, a Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) se mostram confiantes. Em nota, as entidades afirmaram que respeitam a liberdade de expressão e o direito de manifestar-se de forma pacífica e condenam todas as formas de violência. “Temos total confiança nas medidas de segurança implementadas pelas autoridades brasileiras para torcedores, delegações e imprensa”, destacou. A opinião é a mesma defendida pela diretora de Comunicação e Relações Públicas da Fifa, Delia Fischer. “Estamos confiantes de que o conceito aplicado no Brasil durante a Copa das Confederações vai garantir a segurança do público, de delegações e da mídia”, afirmou Fischer, em Zurique. O comunicado distribuído pela entidade à imprensa brasileira reflete a opinião do presidente Joseph Blatter quanto às manifestações no Brasil. Em entrevista polêmica e recente ao diário suíço 24 Heures, Blatter destacou não acreditar que os movimentos contrários à Copa possam paralisar o torneio. “O futebol está protegido. Acho que os brasileiros não atacam diretamente o esporte, que, para eles, é uma religião”, ressaltou. Durante a Copa das Confederações, competição realizada sob protestos no país, Blatter deixou o Brasil rumo à Turquia para acompanhar a abertura do Mundial Sub-20. CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 Reunião com empresários Chamados genericamente de rolezinhos, os encontros em shoppings de várias cidades do país, alguns feitos de forma pacífica e outros com registro de tumultos e protestos, levaram o governo federal a receber empresários do setor em uma reunião marcada para amanhã. Apesar da disposição em ouvir as queixas dos lojistas, dificilmente o Planalto se mobilizará para cuidar do problema. A avaliação é de que, como o encontro foi solicitado pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping, cabe ao governo escutar o que eles têm a dizer, sem a obrigatoriedade de propor soluções ou engajar-se em algum plano previamente desenhado pelos varejistas. Enquanto isso, os centros comerciais monitoram as redes sociais para lidar com futuras manifestações. O próximo rolezinho marcado em Brasília deve ocorrer no sábado, no Shopping do Gama — palco de um protesto no último fim de semana. A administração do local se reuniu ontem com o departamento jurídico para estudar soluções. Os advogados analisam se é possível acionar a Justiça para obter uma liminar impedindo a entrada de manifestantes, assim como alguns centros comerciais de São Paulo fizeram. Outra medida aventada pelo shopping é processar os organizadores do último encontro, que, segundo o estabelecimento, resultou em prejuízo de R$ 1 milhão. (Renata Mariz e Grasielle Castro) POLÍTICA CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 00 POLÍTICA O BRASIL DAS RUAS » Planalto conta com as Forças Armadas na Copa Reunião com Dilma deve discutir como Exército, Marinha e Aeronáutica podem atuar na segurança do evento. Militares defendem esse tipo de missão para garantir "a lei e a ordem" Luiz Carlos Azedo Militares do Exército e da Marinha ocupam o complexo de favelas do Morro do Alemão, no Rio: apoio da população A presidente Dilma Rousseff convocou os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Defesa, Celso Amorim, e dos Esportes, Aldo Rebelo, para discutir a segurança da Copa do Mundo, que já preocupa tanto quanto os atrasos nas obras de construção dos estádios e de mobilidade urbana. O encontro se dará tão logo ela volte da viagem a Cuba e à Venezuela. O ministro Celso Amorim vai informar que as Forças Armadas estão preparadas para garantir a segurança da competição, de atletas e torcedores. Os protestos de sábado, com pessoas feridas e ondas de vandalismo, ligaram o alarme no Palácio do Planalto. Ontem, o Ministério da Defesa anunciou que vai fazer “ajustes pontuais” no regulamento lançado em dezembro, que disciplina a atuação das Forças Armadas em ações de segurança pública. Publicado em 20 de dezembro, o Manual de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) atribui poder de polícia às Três Armas mediante ordem da presidente da República. Haiti, em estado de beligerância, tinha elevados índices de violência e de criminalidade. Além de ações de patrulha periféricas e esporádicas, o Exército instalou-se dentro das zonas conflagradas para garantir e manter um estado de segurança permanente para a população. A experiência, depois, foi aplicada na ocupação dos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, com bons resultados. O documento traduz a nova doutrina de “operações de amplo espectro” do Exército, que prevê a utilização de blindados em ações para garantir a ordem pública. Uma legislação antiterrorista também foi aprovada pelo Congresso para dar suporte legal à segurança da Copa. Recentemente, o Exército e a Marinha foram chamados para garantir o leilão de Libra, no Rio de Janeiro (veja Memória). O general de brigada Valério Stumpf Trindade, que, até recentemente, comandava a Brigada de Cavalaria Mecanizada do 3º Exército, publicou artigo na última edição da revista Doutrina Militar Terrestre no qual defende a adaptação dos regimentos de cavalaria blindada. Para ele, a Cavalaria Mecanizada, para cumprir suas missões clássicas, “necessita das capacidades decorrentes da combinação de meios (veículos) sobre lagartas (esteiras) e sobre rodas. O mesmo pode-se dizer em relação às operações urbanas, bastante prováveis em cenário de amplo espectro, como bem se observou em operações no Complexo do Alemão, no Haiti e na Faixa de Gaza. No Haiti, a abertura de fossos impediu o deslocamento de viaturas sobre rodas; no Complexo do Alemão, foram obstáculos de concreto”. Haiti, Gaza e Alemão Desde 2004, as Forças Armadas, especialmente o Exército, vêm desenvolvendo e aperfeiçoando a doutrina que prevê o emprego da tropa terrestre em ações tipicamente de polícia, utilizando-se da expressão “garantia da lei e da ordem” ou, simplesmente, GLO. Esse tipo de operação é regulamentado pela Lei Complementar nº 97/1999 , com base no art. 142 da Constituição Federal. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) vem servindo para os militares aperfeiçoarem a doutrina. O Memória Da Eco-92 ao leilão de Libra Desde a redemocratização do Continua Continuação 28/01/14 país, a primeira vez em que as Forças Armadas deixaram os quartéis para atuar na segurança pública foi na Conferência Eco-92, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a capital fluminense recebeu centenas de chefes de Estado e de governo para um amplo debate sobre meio ambiente. Com as favelas dominadas pelo tráfico ou por milicianos, os militares ocuparam pontos estratégicos da cidade entre o Aeroporto Internacional do Galeão e o Riocentro, incluindo os bairros nobres da Zona Sul da cidade. Os índices de criminalidade despencaram e pesquisas de opinião mostraram que a população apoiou a iniciativa. Com a política de pacificação das favelas cariocas, iniciada há três anos, os militares voltaram a ser acionados para atuar em conjunto com as forças policiais na ocupação das comunidades dominadas pelo crime organizado. No ano passado, a presidente Dilma Rousseff decidiu convocar os militares para impedir que protestos atrapalhassem a privatização do Campo de Libra, no pré-sal. Soldados do Exército cercaram o hotel em que o leilão era realizado, na Barra da Tijuca (Zona Oeste), enquanto lanchas da Marinha impediram que embarcações se aproximassem da praia. Mesmo assim, houve confrontos com pequenos grupos de manifestantes, que não conseguiram, no entanto, impedir o certame. CORREIO BRAZILIENSE 28/01/14 POLÍTICA 00 Protesto vira arma eleitoral DIEGO ABREU JOÂO VALADARES Governistas e opositores criticam possíveis excessos cometidos pela Polícia Militar de São Paulo durante manifestação do movimento “Não vai ter Copa”, no sábado, que culminou com um estudante de 22 anos gravemente ferido por tiros disparados por um PM. No entanto, os petistas não poupam ataques à área de segurança pública do governo comandado por Geraldo Alckmin (PSDB). Embora admitam que possa ter havido arbitrariedade na abordagem, aliados do tucano defendem a atuação da polícia nas manifestações. Na avaliação do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), a polícia apenas cumpre sua função constitucional ao atuar na repressão de atos violentos que porventura aconteçam durante protestos. “Esses movimentos são imprevisíveis e incontroláveis. Posso admitir que possa ter havido excessos, que devem ser corrigidos, embora não conheça os detalhes. Mas, na essência, a polícia deve manter a ordem”, disse Agripino. Segundo ele, o movimento que mobilizou manifestantes por sete capitais brasileiras é o “recrudescimento de uma insatisfação que ficou evidente diante de críticas de junho que não foram atendidas”. O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PPS-SP), admite que houve excessos da polícia, em São Paulo. “A polícia não pode ir para manifestações com arma de fogo. Há outras formas de reprimir. Ir armado é sempre um risco”, criticou. O parlamentar, porém, avalia que as críticas de integrantes do PT à segurança pública do maior estado do país são desproporcionais. “O problema do PT é que eles fazem qualquer coisa contra São Paulo”, acusou. O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PT-PI), politizou a discussão e debitou os problemas na conta de Geraldo Alckmin. “O governador é o comandante maior das polícias. Em alguns casos, a atuação policial acirra as manifestações, incentiva e cria um ambiente de agressividade”, disse. Ele reconheceu, no entanto, que há manifestantes que promovem a violência, mas não aliviou nas alfinetadas ao dirigente tucano. “Claro que há pessoas que vão com outras intenções, mas isso deveria remeter a uma polícia ainda mais preparada. Quem governa há tanto tempo não pode dizer que foi pego de surpresa”, declarou. Em seu blog, alimentado pela assessoria de imprensa, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que cumpre pena por corrupção no Complexo da Papupa, após ser condenado no processo do mensalão, criticou a polícia de São Paulo. “Um protesto contra a Copa do Mundo no Brasil em junho e julho próximos, realizado no sábado em São Paulo, começou pacífico. Começou. Até que a Polícia Militar apareceu para reprimir e a manifestação degenerou em violência, vandalismo, tiros, depredações e um jovem ferido”, comentou.