UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA AMBIENTAL - PGCA “PERSPECTIVAS E LIMITES NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE: A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO COLÉGIO PEDRO II” Autor: Carlos Alexandre Turque Duarte Orientadora: Professora Doutora Angelica Carvalho Di Maio 2012 UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE ANÁLISE GEOAMBIENTAL PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA AMBIENTAL - PGCA “PERSPECTIVAS E LIMITES NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE: A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO COLÉGIO PEDRO II” Dissertação de Mestrado para a Obtenção de Grau de Mestre em Ciência Ambiental Área de Concentração: Estudos de Processos Socioambientais Linha de Pesquisa: Cultura, Educação e Políticas Ambientais Autor: Carlos Alexandre Turque Duarte Orientadora: Professora Doutora Angelica Carvalho Di Maio 2012 2 FOLHA DE AVALIAÇÃO Carlos Alexandre Turque Duarte “PERSPECTIVAS E LIMITES NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE: A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO COLÉGIO PEDRO II” Banca Examinadora: _______________________________________________________ Professora Doutora Angelica Carvalho Di Maio (Universidade Federal Fluminense – UFF) ________________________________________________________ Professora Doutora Elza Maria Neffa Vieira de Castro (Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ) ________________________________________________________ Professor Doutor José Glauco Tostes (Universidade Federal Fluminense – UFF) UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Niterói, 29 de Junho de 2012 3 AGRADECIMENTOS A Deus em primeiro lugar. Aos meus queridos pais Dionísio e Maria de Lourdes. À minha querida esposa Samantha. À minha dedicada orientadora, a professora Angelica Carvalho Di Maio. Ao nosso saudoso coordenador do PGCA, o estimado professor Ivan de Oliveira Pires. Aos servidores do colégio Pedro II, de maneira especial o professor Alex Werner Von Sydow e a coordenadora do curso de meio ambiente, a professora Lygia Vuyk de Aquino. Aos alunos e ex-alunos do curso técnico em meio ambiente do colégio Pedro II pela colaboração nas entrevistas. E a todos os amigos da turma de 2010 do mestrado em Ciência Ambiental. 4 EPÍGRAFE “Terra! És o mais bonito dos planetas. Estão te maltratando por dinheiro. Tu que és a nave nossa irmã. Canta! Leva tua vida em harmonia E nos alimenta com seus frutos. Tu que és do homem a maçã. Vamos precisar de todo mundo. Um mais um é sempre mais que dois. Pra melhor juntar as nossas forças. É só repartir melhor o pão. Recriar o paraíso agora. Para merecer quem vem depois...” (“O Sal da Terra” Beto Guedes) 5 RESUMO Esta dissertação fez uma análise sobre a formação de técnicos em meio ambiente na modalidade ensino médio integrado, com o objetivo de identificar as potencialidades e os limites que envolvem a formação desse profissional de origem recente na história brasileira, assim como sua relevância social. Na primeira parte foi traçado um histórico da implantação dos cursos profissionalizantes no Brasil e das ideologias que os caracterizaram. Em um segundo momento foi feita uma contextualização sobre as recentes discussões sobre o meio ambiente em escalas nacional e internacional, incluindo o que se refere à educação ambiental. Na terceira parte foi realizada uma análise sobre os aspectos legais e estruturais que envolvem a formação dos técnicos em meio ambiente. Por fim, foi feito um estudo de caso sobre o curso oferecido pelo colégio Pedro II na Unidade Escolar São Cristóvão III, buscando identificar suas potencialidades e limites. O estudo foi realizado com a coordenadora do curso, com 84 alunos das três séries do ensino médio, cursistas do ensino técnico integrado em meio ambiente, e com 12 alunos egressos. Ele apontou os aspectos formativos do referido curso, possibilitou a avaliação da sua relevância social e o grau de satisfação da comunidade escolar, assim como analisou as possibilidades de inserção do alunado no mercado de trabalho. Palavras - chaves: Ensino profissionalizante; Ensino e meio ambiente; Curso técnico em meio ambiente; Colégio Pedro II; Perspectivas e limites da formação técnica. 6 ABSTRACT This master's thesis made an analysis on the training of technicians in the environment in high school mode integrated in order to identify strengths and limitations involving the formation of a trader of recent origin in Brazilian history, as well as their social relevance. In the first part, a historical route of the deployment of professional courses in Brazil and ideologies that characterized them was presented. In a second step, it was contextualized the recent discussions about the environment at national and international level, with regard to environmental education. In the third part was done an analysis on the structural and legal aspects that involve the training of technicians in the environment Finally, it was made a case study on the course offered by the Pedro II Scholl in São Cristóvão III campus, seeking to identify their strengths and limitations. The study was conducted with the coordinator of the course, with 84 students from from the three grades of secondary schoolt technical education teacher students integrated into the environment, and 12 former students. It pointed to the formative aspects of this course, evaluated its social relevance and the degree of satisfaction of the school community as well as analyzed the possibility of inclusion of students in the labor market. Key-words: Professionalizing education, education and environment, technical course on the environment, Pedro II School, Perspectives and limits of technical training 7 ÍNDICE DE FIGURAS, GRÁFICOS, TABELAS E QUADROS FIGURAS Figura 1 – Imagens do Horto Botânico do Colégio Pedro II obtidas pelo autor no sítio da instituição: www.cp2.g12.br em 2011 ............................................... Figura 2 – Imagens do complexo escolar de São Cristóvão obtidas pelo autor em 2012 ............................................................................................................... 41 45 GRÁFICOS Gráfico 1 - Percentuais relativos à primeira questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ........................................................................................................... Gráfico 2 –Resultados referentes à terceira questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ........................................................................................................... Gráfico 3 – Resultados relativos à quarta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ........................................................................................................... Gráfico 4 – Resultados referentes à quinta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ........................................................................................................... Gráfico 5 – Resultados relativos à sexta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ................................................................................................................ Gráfico 6 – Resultados referentes à sétima questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ........................................................................................................... Gráfico 7 – Resultados relativos à oitava questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ........................................................................................................... Gráfico 8 – Resultados obtidos para a nona questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries ........................................................................................................... Gráfico 9 – Resultados da décima questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries .................................................................................................................... Gráfico 10 – Motivações para o ingresso no curso apontadas pelos alunos da 3ª série ...................................................................................................................... Gráfico 11 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: Qual é o significado que a natureza tem para a sua vida? .................................................. Gráfico 12 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: O que você esperava do curso técnico em meio ambiente? .................................................... Gráfico 13 – Respostas para dos alunos da 3ª série para a questão: O curso tem atendido às suas expectativas? ............................................................................. Gráfico 14 – Respostas da 3ª série para a questão: Quais são as principais dificuldades que você vem enfrentando em seu curso? ....................................... Gráfico 15 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Quais são as principais dificuldades que você acredita que irá enfrentar em sua atuação como profissional em meio ambiente ................................................................ Gráfico 16 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Como você espera contribuir para a sociedade através da sua atuação profissional? ............. Gráfico 17 – Respostas dos alunos egressos à questão: Atualmente você está realizando algum curso de graduação, politécnico ou outros? .......................... Gráfico 18 – Resposta dos alunos egressos para a questão: Por que você não está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente? ..................... 52 54 55 56 57 58 59 60 61 63 64 65 67 68 69 73 76 77 8 Gráfico 19 – Resposta dos alunos egressos à questão: Quais são as principais dificuldades que você está enfrentando, ou acredita que poderá enfrentar, para 78 atuar profissionalmente como técnico em meio ambiente? ................................. TABELAS Tabela 1 – quantitativo de alunos cursistas do técnico em meio ambiente na 1ª e na 2ª séries e o total de questionários respondidos ........................................ Tabela 2 - Percentuais de respostas para a segunda questão .............................. Tabela 3 – Graduações citadas pelos alunos entrevistados da 1ª e da 2ª séries ............................................................................................... Tabela 4: Pretensões profissionais dos alunos da 3ª série na carreira de técnico ambiental ............................................................................................................. Tabela 5: Área e/ou empresas nas quais os alunos da 3ª série gostariam de atuar ............................................................................................... Tabela 6: Concursos para técnico em meio ambiente em 2012 .......................... Tabela 7 – Respostas dos alunos da 3ª série à questão: Você acredita que o profissional em meio ambiente é valorizado pelo mercado de trabalho? Justifique ............................................................................................................. 52 53 62 70 71 72 75 QUADROS Quadro 1- Cronologia do ensino profissionalizante no Brasil – Séc.XX ........... Quadro 2 – principais eventos e políticas para o meio ambiente ocorridos na segunda metade do século XX ............................................................................ Quadro 3 – Sistematização dos conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade ....................................................................................... Quadro 4 – Linha de pesquisa do projeto Área Verde ........................................ Quadro 5 – Dados do curso técnico em meio ambiente ...................................... Quadro 6 - Distribuição das disciplinas específicas do curso técnico em meio ambiente .............................................................................................................. 19 27 37 43 45 47 9 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 12 2. OBJETIVOS ............................................................................................................. 14 2.1 OBJETIVOS GERAIS ................................................................................... 14 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .........................................................................14 3. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................ 15 3.1. BREVE HISTÓRICO DO ENSINO PROFISSIONALIZANTE NO BRASIL ..................................................... 15 3.1.1 O Contexto Político e Econômico do Brasil no Início do século XX .................................................................... 15 3.1.2 As Políticas para o Ensino Profissionalizante no Brasil ao longo do século XX ................................................................ 16 3.1.3 O Cenário Atual da Educação Pública Brasileira ................................................................................................... 20 3.2 A EMERGÊNCIA DAS DISCUSSÕES SOBRE MEIO AMBIENTE ......................................................................... 23 3.2.1 As Discussões sobre Justiça Ambiental ..................................................... 28 3.2.2 As Discussões sobre Educação Ambiental ................................................. 30 3.3. UM OLHAR SOBRE A FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE NO BRASIL .................................................................................................. 32 3.3.1 Aspectos Legais da Profissionalização em Meio Ambiente ..................................................................................... 32 4. METODOLOGIA .................................................................................................... 37 5. O ENSINO TÉCNICO INTEGRADO EM MEIO AMBIENTE DO COLÉGIO PEDRO II ..................................................... 40 5.1 HORTO BOTÂNICO - LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO .............................................................................. 40 5.2 A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO EM MEIO AMBIENTE ....................................................... 44 10 5.2.1 A Perspectiva dos Alunos em Relação ao Curso ..................................................................................................... 50 5.2.1.1 Entrevista com os Alunos das 1ª e 2ª Séries .................................................................................................. 50 5.2.1.2 Entrevista com os Alunos da 3ª série ..................................................... 62 5.2.1.3 Entrevista com os Alunos Egressos de 2010 ................................................................................................... 76 6. CONCLUSÕES ...................................................................................................... 81 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 84 APÊNDICE 1 - Questionário Aplicado à Coordenação do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II ......................................................................... 87 APÊNDICE 2 - Questionário Aplicado aos Alunos das 1ª, 2ª e 3ª séries do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II .......................................... 89 APÊNDICE 3 - Questionário Aplicado aos Alunos Egressos do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II ................................................ 93 ANEXO 1 - Proposta da Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II ............................................................... 94 ANEXO 2 - Ementa das Disciplinas Específicas do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II .............................................................................. 103 11 1. INTRODUÇÃO Ao longo das últimas décadas, a temática ambiental tem aparecido com mais frequência nos canais midiáticos e nas mais diversas arenas do saber. Vários são os interesses e concepções em disputa. No campo da ciência, cada vez mais o meio ambiente tem se tornado uma problemática interdisciplinar. Apesar disso, os esforços para se construir uma metodologia de pesquisa comum às várias ciências parcelares têm se revelado ainda insuficientes. No âmbito da profissionalização têm surgido graduações, pós-graduações, cursos politécnicos e técnicos com a finalidade de promover a formação conceitual e profissional em meio ambiente. Neste trabalho, busca-se identificar, a partir de uma análise crítica, as potencialidades e os limites relacionados à formação de técnicos em meio ambiente no nível médio de ensino da educação básica. O histórico de implantação dos cursos profissionalizantes no Brasil remonta ao início do século XX. Ao longo do tempo, essa modalidade sofreu inúmeras reestruturações, porém manteve a função básica de fornecer mão-de-obra técnica e especializada para o mercado de trabalho, sobretudo pela absorção das camadas mais pobres da população. Sendo assim, nas políticas governamentais, o ensino técnico sempre foi destinado às classes populares, enquanto que o ensino propedêutico era direcionado para as parcelas mais privilegiadas da população. No decorrer dos anos 2000 surgiu uma nova proposta de ensino técnico associado ao ensino propedêutico. Trata-se do ensino médio técnico integrado ao ensino regular. Algumas escolas adotaram essa proposta, entre eles o colégio Pedro II, que compõe a rede federal de ensino. Apropriando-se dessa nova perspectiva educacional, o colégio Pedro II, implantou, entre 2006 e 2007, o curso técnico em Meio Ambiente integrado ao ensino médio. As primeiras turmas formadas concluíram o curso em dezembro de 2009. Em 2010 outras duas turmas também obtiveram o título de técnico em meio ambiente. Em 2011 mais duas turmas concluíram. O concurso seletivo de alunos para o ano de 2012 contou com 423 inscrições validadas para candidatos concorrerem a 16 vagas no curso de meio ambiente oferecido pela instituição. Desses, 114 candidatos eram oriundos de escola pública e 309 provenientes de escolas privadas. As demais vagas para o curso serão preenchidas por alunos que já pertencem à instituição e que são egressos do ensino fundamental. Tendo em vista as contribuições oferecidas pelo tradicional colégio Pedro II à sociedade brasileira, sobretudo à fluminense, e a sua reafirmação como instituição educativa influente que, mesmo em meio a um contexto de desvalorização da escola pública, ainda 12 oferece ensino de excelência, torna-se importante analisar a implantação recente do curso técnico em meio ambiente na unidade São Cristóvão III - com possibilidades de ampliação para outras unidades. Desse modo, a sua avaliação não só já é possível como, também, é necessária, de modo que sejam identificadas e analisadas as perspectivas que ele tem gerado na comunidade escolar, sua estrutura e organização, sua potencial relevância social e as limitações de qualquer natureza que lhe são impostas. A atuação desses profissionais pode contribuir para o planejamento e o desenvolvimento de atividades menos impactantes ao meio ambiente em empresas públicas e privadas, ou mesmo em Organizações Não-Governamentais (ONGs). As atividades de consultoria também podem ser um campo interessante para os técnicos ambientais. A recente realização de concursos para essa área e a contratação de técnicos por firmas particulares têm demonstrado que o mercado de trabalho está começando a absorver, mesmo que em pouca quantidade, esse tipo de profissional. Para a formulação da parte teórica deste trabalho foi realizado um levantamento e uma revisão bibliográfica sobre: legislação nacional; Histórico, Estrutura e Funcionamento do ensino básico no Brasil; Epistemologia e Educação Ambiental; Economia; Geografia Política, Metodologia Interdisciplinar e Formação Técnica e Profissional. No estudo de caso, foi analisado o curso técnico em meio ambiente do colégio Pedro II a partir de análise documental e de entrevistas com a coordenação do curso, alunos das três séries e alunos egressos. Ao final, foi feita uma conclusão identificando os principais resultados da pesquisa e levantando questões para uma pesquisa seqüencial. 13 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Esta pesquisa tem como objetivo principal analisar as perspectivas e os limites na formação de técnicos em Meio Ambiente, recentemente implantado pelo tradicional colégio Pedro II através do ensino médio integrado, modalidade que interliga o currículo do ensino médio regular a um conjunto de disciplinas voltadas para a formação profissional. A proposta é avaliar de que modo o projeto oferecido pela escola tem contribuído para a formação de sujeitos qualificados e críticos para atuarem nos diversos campos sociais que se relacionam com a questão ambiental. 2.2 Objetivos Específicos - Identificar as principais características das políticas governamentais para o ensino profissionalizante ao longo do século XX; - Identificar as recentes discussões sobre o meio ambiente, surgidas a partir da segunda metade do século XX; - Analisar os aspectos legais da profissionalização em meio ambiente; - Identificar os pontos fundamentais que regulamentam e fundamentam o curso técnico em meio ambiente oferecido pelo colégio Pedro II; - Analisar seus aspectos formativos, tais como o seu conteúdo curricular obrigatório, o programa de estágio supervisionado, grau de interdisciplinaridade e as atividades extracurriculares desenvolvidas ao longo do período de formação. - Avaliar o grau de satisfação da comunidade escolar em relação ao curso e a sua respectiva relevância social - Analisar as possibilidades dos egressos em relação à inserção no mercado de trabalho. 14 3. REVISÃO DA LITERATURA 3.1. BREVE HISTÓRICO DO ENSINO PROFISSIONALIZANTE NO BRASIL A organização do ensino profissionalizante formal no Brasil teve início em 1909, no mandato do presidente Nilo Peçanha (1909 – 1910). Naquele ano, foi implantada a Rede Federal Profissional e Tecnológica e foram criadas, através do Decreto nº 7566, cerca de dezenove escolas de aprendizes artífices. Essa modalidade surgiu com características ocupacional e tecnicista, cuja finalidade prioritária era garantir a formação para o mercado de trabalho, de modo que fosse possível atender a demanda capitalista por mão-de-obra, e reduzir as taxas de desemprego nas áreas urbanas. Esse era o momento inicial de uma grande mudança na distribuição geográfica da população brasileira. SANTOS (1994, p.21) afirma que “no ano de 1900 a população urbana brasileira ultrapassava 1.200.000 habitantes”. Foi o começo do processo de urbanização pelo qual o Brasil passou ao longo do século XX e que provocou um enorme impacto nas relações políticas, econômicas e sociais, inclusive no que se refere à educação. 3.1.1 – O contexto político e econômico do Brasil no início do século XX O crescimento das cidades trazia consigo a reorganização das relações do homem com o trabalho. Novas necessidades produtivas e de serviços foram surgindo na vida tipicamente urbana. Além disso, crescia o número de marginalizados que aportavam nas cidades sem emprego e sem moradia. Segundo Saviani (2000), foi nesse contexto que a pedagogia tradicional se fortaleceu, defendendo a instrução formal nas escolas como possibilidade de adequação do indivíduo à sociedade, superando o problema da marginalização. Nessa perspectiva, os mais pobres precisavam ser treinados e orientados para que pudessem descobrir e exercer suas vocações profissionais. Isso possibilitaria o fechamento de um ciclo onde os trabalhadores receberiam um salário que os permitiria subsistir e continuar a oferecer a mão-de-obra necessária para o sistema capitalista periférico 1 que por aqui se desenvolvia. 1 O sistema capitalista periférico caracteriza-se pelo desenvolvimento econômico dos países mais pobres a partir de políticas e implantação de modelos econômicos que ensejam um alto grau de dependência em relação aos países centrais. 15 Porém, mesmo com a criação das escolas técnicas, as indústrias que se instalaram no país, sobretudo nas décadas de 1920 e 1930, continuavam carecendo de profissionais qualificados, pois elas trouxeram maquinários e tecnologias mais sofisticados. Uma das soluções para o enfrentamento desse problema foi a contratação de mão-de-obra estrangeira. O contexto econômico europeu do pós-guerra favoreceu o movimento migratório. De acordo com o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas “estima-se que em 1920, 64,2% dos estabelecimentos industriais de São Paulo estavam nas mãos de empresários imigrantes”. Os trabalhadores estrangeiros tiveram participação significativa no movimento operário que sacudiu a política brasileira entre 1917 e 1920. .No entanto, ao mesmo tempo em que resolviam o problema imediato da carência de mão-de-obra do setor industrial, esses estrangeiros trouxeram práticas novas e incômodas nas relações trabalhistas. Silveira afirma que: Primeiro, os operários contratados não transferiam seus conhecimentos aos trabalhadores locais, tomando para si o poder de operação das máquinas, o que acarretava aumento do valor da sua força de trabalho. Segundo, traziam consigo práticas e idéias, consideradas contra a ordem estabelecida, como, por exemplo, a idéia da organização sindical, paralisação da produção, como poder de barganha pela melhoria de salários, das condições de trabalho. (2006, Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0109.html) A Lei de expulsão de estrangeiros de 1921 e o decreto presidencial de 1930, que visava organizar e limitar a entrada de estrangeiros no Brasil foram os meios que o Estado adotou para tentar enfraquecer a influência dos trabalhadores imigrantes sobre a população nacional. Ainda de acordo com o CPDOC – FGV, o governo brasileiro considerava que apenas a entrada de estrangeiros era a responsável pela subversão da ordem dominante, ignorando os movimentos internos do proletariado brasileiro. O fato é que a criação desse cenário de lutas e pressões por condições mais dignas de trabalho levou à criação da organização sindical brasileira em 1942. 3.1.2 – As políticas para o ensino profissionalizante no Brasil ao longo do século XX A promulgação da Constituição de 1937, durante o primeiro mandato do presidente Getúlio Vargas (1930 – 1945), reforçou o caráter sectário da educação brasileira ao afirmar em seu artigo 129 que: O ensino profissional destinado às classes menos favorecidas era o primeiro dever do Estado em relação à educação. [...] fundando institutos de ensino profissional e subsidiando os de iniciativa dos Estados, dos Municípios e dos indivíduos ou associações particulares e profissionais (Brasil, 1937). Com essa legislação, o governo federal oficializou a intenção de incluir a população mais pobre no mercado de trabalho através da formação técnica. A formação 16 propedêutica, por sua vez, era direcionada aos filhos da classe média e classe média alta. A formação geral para esses últimos grupos permitia um preparo mais completo para o ingresso na educação superior. Porém, foi a partir da década de 1940 que houve forte estruturação e aumento da oferta dos cursos técnicos no Brasil. Em 1942, foi publicado o Decreto-Lei n.º 4073/42, conhecida como Lei Orgânica do Ensino Médio, que unificou a organização do Ensino Técnico em nível nacional, colocando-o praticamente no mesmo nível que o ensino propedêutico. “A partir dele as escolas de aprendizes artífices foram transformadas em Escolas Industriais e Técnicas” (PACHECO; PEREIRA e SOBRINHO, 2009, p. 53). Neste mesmo ano, foi realizada a Reforma Capanema2, que segregou de modo mais efetivo o que veio a ser chamado de “educação para rico” e “educação para pobre”. Também nesta década foram criados o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (1942) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC (1946). Ambas são instituições privadas e visam, respectivamente, a formação de mão-de-obra para os setores secundário e terciário da economia. Desse modo, a estruturação do ensino profissionalizante legitimou a ideologia dominante, que destinava aos mais pobres uma formação voltada para o saber fazer, enquanto os mais ricos eram contemplados com o ensino propedêutico, que visava promover o saber pensar. Em suma, a ideologia elitista presente na sociedade brasileira naquela época pregava que as classes menos favorecidas deveriam ser preparadas para formar o exército de mão-deobra disponível para o mercado, ao passo que os filhos das classes média e alta deveriam ser formados para se manterem no controle e na planificação macroeconômica e política da sociedade brasileira. Reforçavam-se assim, nos campos da educação e do trabalho, as desiguais relações de poder e de classes, inerentes à acumulação capitalista. No período Juscelinista (1956 – 1961), o apoio governamental para o ensino profissionalizante continuou. Em 1959, as Escolas Industriais e Técnicas foram transformadas em autarquias passando a ser denominadas Escolas Técnicas Federais, com autonomia administrativa e pedagógica. A ideologia nacional-desenvolvimentista, que marcou àquele período, baseava-se na busca pelo desenvolvimento econômico a partir de uma 2 “Os currículos foram redefinidos e o ensino secundário ficou em oposição ao profissional, com existência de articulação tênue entre eles, numa época que havia a necessidade de formação de força de trabalho. O curso secundário foi preparado para formar os dirigentes da nação, já os ramos da educação profissional foram designados para os seguintes setores da produção: primário, para o ensino agrícola; secundário para o ensino industrial; terciário para o ensino comercial e o ensino normal para a formação de professores” (MANFREDI apud PAMPLONA e OTRANTO, 2006, p.2). 17 industrialização tardia e periférica. Entre as medidas prioritárias para se atingir tal objetivo, estava a necessidade de se investir na formação de profissionais tecnicamente capacitados para trabalhar nas linhas de produção das indústrias recém-chegadas ao país. De acordo com Cardoso: A formação de mão-de-obra qualificada para a indústria passa a definir toda a preocupação desenvolvimentista com a política educacional. Sua base é a educação voltada para o trabalho, tendo no mercado de trabalho o seu ponto básico de referência. A pretensão é torná-la técnica, especializada na medida do esforço técnico necessário para o tipo de desenvolvimento que se busca. Isto é, trata-se de uma educação que tem por finalidade adequar as novas gerações ao projeto de desenvolvimento em curso, com ela completando os elementos constitutivos do seu suporte na estrutura social [...]. (1977, p.347). Cardoso realiza uma análise crítica do período juscelinista, em que a ideologia nacional-desenvolvimentista propagava a modernização, ainda que conservadora, como única mola propulsora do desenvolvimento. Foi um período de abertura econômica aos investimentos diretos estrangeiros através de medidas que promoviam intensificação da produção e circulação de capitais no país, mas sem necessariamente promover a capitalização do Estado brasileiro, iniciando um grande ciclo de concentração de renda e dependência em relação aos capitais internacionais. Tratava-se, na verdade, da inserção periférica do Brasil no mercado global, a qual apenas uma pequena parcela da população era beneficiada. Foi nesse período que vieram para o Brasil as grandes empresas do ramo automobilístico que, além de instituírem um padrão de consumo primeiro mundista, baseado no transporte particular, também influenciaram decisivamente na opção pelo rodoviarismo como principal modal de transporte no país. Durante o período da ditadura militar (1964 – 1985) a estrutura de separação entre o ensino propedêutico e técnico foi mantida. A Lei n.º 5692, promulgada em agosto de 1971 enfatizava, entre outras coisas, a necessidade de desenvolver as potencialidades do educando, bem como qualificá-lo profissionalmente para o mercado de trabalho. Reafirmava-se, portanto, a necessidade de se formar trabalhadores disciplinados e eficientes, que dessem suas parcelas de contribuição para o crescimento econômico do país, sem a necessidade de refletir sobre as bases políticas e econômicas. De acordo com Biagini: A educação tornou-se, em tal perspectiva, um filtro eficaz para a reprodução da hierarquia da sociedade, um instrumento capaz de promover, sem qualquer resistência, a força de trabalho necessária ao desenvolvimento econômico; nesta medida, assegurou a produção e a distribuição do poder na organização social. O propósito de estabelecer uma concordância entre uma proposta pedagógica de educação e o modelo de desenvolvimento pretendido pelo governo fez com que a essência da educação fosse concebida de forma fragmentada. (2001, disponível em: http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/EDU/edu1713.htm). A partir da década de 1990, em pleno processo de abertura democrática, houve no Brasil a implantação, pelo Governo, do pacote de ajustes estruturais, acordados com as grandes instituições financeiras internacionais, como parte da adoção da política econômica 18 neoliberal. Com isso, o ensino técnico se fortaleceu como viés educacional necessário para a nova fase de acumulação capitalista. Não só na área técnica, mas em muitos meios profissionais, conceitos como qualidade total e eficiência passaram a ditar o ritmo do mercado de trabalho. E mesmo com as crises que o capitalismo e o modelo neoliberal vêm atravessando desde o início dos anos 2000, o ensino técnico continuou sendo um forte aliado do sistema produtivo, tanto que foi enfatizado durante os mandatos de Luís Inácio Lula da Silva (2002 – 2010). Concomitante a esse processo, os movimentos realizados pelos servidores destas instituições levou à reestruturação das Escolas Técnicas Federais que, através da Lei nº 11.892 de dezembro de 2008, passaram a constituir a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, transformando-se em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs). Nas plataformas de campanhas dos principais candidatos à eleição presidencial de 2010, o ensino técnico foi apresentado como uma das prioridades dos principais candidatos em relação às políticas educacionais. A candidata vencedora, Dilma Rousseff, mostrou-se uma grande defensora dessa modalidade de ensino nos debates em que participou. Porém, somente ao longo do seu mandato será possível avaliar os direcionamentos dados para esse setor. Em suma, ao longo do século XX, houve um grande movimento de criação, estruturação, reestruturações políticas do ensino profissionalizante. O Quadro 1 sintetiza cronologicamente os fatos mais relevantes desse período. Quadro 1- Cronologia do Ensino Profissionalizante no Brasil – Séc.XX ANO FATO 1 FATO 2 1909 Implantação da Rede Federal Profissional e Tecnológica Decreto nº 7566 criação das escolas de aprendizes artífices 1937 Constituição de 1937 - Ensino profissionalizante destinado às classes pobres 1942 Decreto-Lei nº 4073/42 - Organização do ensino técnico em nível nacional e no mesmo nível do ensino propedêutico. Transformação das escolas de aprendizes artífices em Escolas Industriais e Técnicas. 1946 Criação do SENAC Reforma Capanema Distinção entre educação para as classes mais privilegiadas e educação para as classes sociais destituídas de bens materiais e culturais. FATO 3 Criação do SENAI. 19 1959 1971 2008 As Escolas Industriais e Técnicas foram transformadas em autarquias passando a ser denominadas Escolas Técnicas Federais, com autonomia administrativa e pedagógica. Lei nº 5692 - Necessidade de desenvolver as potencialidades do educando, bem como qualificá-lo profissionalmente para o mercado de trabalho Lei nº 11.892 - Reestruturação das Escolas Técnicas Federais. Passaram a constituir a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, transformando-se em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs). 3.1.3 Cenário Atual da Educação Pública Brasileira Ao longo do século XX o mundo passou por uma série de transformações econômicas e sociais decorrentes, principalmente, dos avanços tecnológicos e da reestruturação do modo capitalista de produção. Atualmente, vivenciamos o seu estágio avançado, que é denominado globalização. As distâncias foram relativamente diminuídas, as barreiras comerciais entre os países foram progressivamente sendo desmontadas e a circulação de capitais, pessoas, idéias e informações atingiu patamares nunca antes registrados na história da humanidade. Nos países mais pobres, como o Brasil, a entrada de tecnologia e de capitais dinamizou os setores produtivos e de serviços mas, por outro lado, aumentou a dependência econômica externa e a concentração de renda dentro do país. A escola, como parte integrante da sociedade, não ficou alheia a essas mudanças. Ela reproduziu as características e contradições do mundo contemporâneo. Diversas ideologias políticas e pedagógicas, inclusive as oriundas de organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas - ONU e de instituições financeiras, como o Banco Mundial passaram a permear as políticas públicas para a educação. A diminuição das taxas de analfabetismo, o aumento da permanência das crianças e jovens na escola e a diminuição da reprovação passaram a ser condições para a manutenção do crédito dos países mais pobres com os credores internacionais. Paralelamente, também era exigido que esses governos lançassem medidas para assegurar o superávit primário, de modo que o pagamento das dívidas públicas fosse assegurado. Na maior parte dos casos, essas medidas traduziram-se em aumento da carga tributária e redução dos investimentos nos setores sociais, entre eles o da educação. Entre as 20 conseqüências, tivemos um processo de depreciação da escola pública, denunciada no sucateamento das instalações, congelamentos ou reajustes irrisórios nos vencimentos básicos dos profissionais da educação e aguçamento das experiências de fracasso escolar, manifestado nas reprovações em massa e na evasão escolar. Questões básicas como o acesso e permanência na escola sempre foram temas de muitas discussões, tanto na esfera acadêmica quanto política. A obrigatoriedade do Estado em garantir o acesso universal à escola é uma conquista relativamente nova. Foi sendo formulada ao longo do século XX e consolidada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996: Art. 4º. O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio. (BRASIL, Lei 9394/96). O acesso à escola, entendido pelo Estado como condição vital para o pleno exercício da cidadania e para a preparação para o mercado de trabalho, não necessariamente tem se traduzido em permanência na mesma. A escola pública sofre com a escassez de recursos públicos e apresenta condições mínimas de funcionamento. Os jovens de classe média e, principalmente, de classe média alta foram migrando, ao longo das décadas, para a rede particular de ensino, que geralmente possuem melhores condições estruturais. Os jovens de classes sociais mais baixas frequentam a rede pública, onde é mais difícil encontrar infraestrutura adequada. Em relação às modificações no mercado de trabalho, percebemos um grande paradoxo no Brasil: com a entrada das mais variadas tecnologias no país, a demanda por mãode-obra qualificada aumentou, mas os investimentos públicos para a formação desse tipo de trabalhador não acompanharam essa tendência. O resultado disso é a reprodução de um contingente de trabalhadores não qualificados e despreparados para assumir funções modernas que o mercado exige. Não é por acaso que os índices de trabalho informal no Brasil têm crescido nos últimos anos. De acordo com Bruno e Abreu: A complexidade do mundo em que vivemos hoje pede uma escola que propicie e prime pela formação integral da pessoa. Uma escola em que formar, ensinar e conviver sejam tratados como aspectos indissociáveis no processo educativo. (2007, p. 94). Atualmente, o Brasil possui uma grande rede de ensino e apresenta índices elevados de matrículas. Mas ao mesmo tempo lida com o sério problema da evasão escolar. Entre as explicações para esse paradoxo, está a inadequação dos conteúdos curriculares com as demandas dos jovens. Muitos deles não veem sentido nos conteúdos que compõem a grade 21 curricular obrigatória e perdem o interesse. Isso gera desmotivação entre os alunos que, em muitos casos, leva a consequências mais graves como o abandono dos estudos. De acordo com Alves: Nenhuma criança se evade do parque de diversões ou da sorveteria. Muitas coisas que se aprende na escola não fazem o menor sentido. Se as crianças fogem não é porque falta desejo de aprender, mas porque o que elas querem saber não está sendo ensinado. (2006). Núcleo importante das relações sociais, a escola ainda tem grandes dificuldades para lidar com temas contemporâneos, tensões e conflitos sociais. No caso do Brasil, país que ainda mantém forte tradição de concentração de renda, os problemas são imensos e a superação dos mesmos só será possível se forem promovidas revoluções estruturais em todos os sistemas envolvidos com a educação. Muitos são os movimentos que lutam pela educação de qualidade, mas as mudanças estruturais ainda são incipientes. A teoria da curvatura da vara, apresentada por Saviani, serve para elucidar bem essa questão: Com efeito, assim como para se endireitar uma vara que se encontra torta, não basta colocá-la na posição correta, mas é necessário curvá-la do lado oposto, assim, também, no embate ideológico, não basta enunciar a concepção correta para que os desvios sejam corrigidos; é necessário abalar as certezas, desautorizar o senso comum. E para isso nada melhor do que demonstrar a falsidade daquilo que é tido como obviamente verdadeiro demonstrando ao mesmo tempo a verdade daquilo que é tido como obviamente falso. (2003, p. 60). Isso significa que, para que a escola cumpra sua função de construir a cidadania, formar valores, e promover cultura geral, ela precisa de uma ampla e constante reflexão que gere maior comprometimento de todos os setores da sociedade, sobretudo do poder público e dos educadores que lutam por uma educação pública de qualidade. Pois, apesar das dificuldades, o papel da escola na sociedade tem mais se reafirmado do que enfraquecido. De acordo com Oliveira: A tensão que a escola se encontra, no entanto, não significa seu fim como instituição social educativa ou o início de um processo de desescolarização da sociedade. Indica, antes, o início de um processo de reestruturação dos sistemas educativos e da instituição tal como a conhecemos. A escola de hoje precisa não apenas conviver com outras modalidades de educação, mas também articular-se e integrar-se a elas, a fim de formar cidadãos mais preparados e qualificados para um novo tempo. (2003, pp. 52 e 53). Outro problema que vem dificultando a melhoria da educação pública no Brasil é o ciclo de descontinuidades que marca as políticas nacionais para o setor. Esse problema ocorre nas três esferas do poder, mas é no âmbito federal que essa questão se mostra mais grave. No final dos anos 1990, o Brasil passava por um período de transformações econômicas que tiveram como conseqüências a desvalorização do real, o aumento do endividamento externo e, consequentemente, o aumento da dependência externa. Naquela época, propostas de organizações econômicas internacionais, como o Banco Mundial, já sinalizavam com um modelo de educação baseado no aumento da escolarização mediante políticas locais articuladas aos princípios internacionais. Enfatizava-se 22 que a educação deveria ser voltada para a formação de mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho. Sendo assim, a integração das camadas populares poderia passar pelo novo rearranjo do ensino técnico. Em suma, essas propostas, ao mesmo tempo em que visavam reduzir taxas de analfabetismo e aumentar os anos de escolaridade, também contribuiria para a manutenção das antigas estruturas de poder, baseadas no controle do conhecimento mais sofisticado e politizado por parte de uma minoria elitizada. Isso porque, de modo geral, educação básica de qualidade no Brasil, salvo algumas exceções, é oferecida, sobretudo, por instituições privadas. O ensino público sofre contínuos processos de desvalorização e pauperização. De acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi: Na educação básica, orientado até mesmo por organismos internacionais como o Banco Mundial, o Estado deve atender o ensino público, uma vez que esse nível de educação é considerado imprescindível na organização do trabalho. Tal atendimento, no entanto, vem sendo conduzido por parâmetros de gestão da iniciativa privada e do mercado, tais como diversificação, competitividade, seletividade, eficiência e qualidade. Essa orientação aponta, mais uma vez, o beneficiamento das forças privatistas na educação. (2003, p.149). Em relação ao ensino profissionalizante, a maior parte das escolas que oferecem essa modalidade é pública. No Rio de Janeiro temos as escolas técnicas federais, que tradicionalmente oferecem esses cursos, além de outras instituições públicas, como o colégio Pedro II, que mais recentemente passaram a ofertar ensino profissionalizante. Desse modo, é preciso um estudo amplo para avaliar as conseqüências das políticas privatistas da educação para essas instituições. Nesta pesquisa, o objeto central é o curso técnico integrado em meio ambiente existente no colégio Pedro II. Para se traçar um perfil mais abrangente dos cursos técnicos integrados em meio ambiente é necessário analisar também os aspectos que se referem aos recentes debates sobre as questões ambientais e os impactos que eles têm causado na sociedade. Para aprofundar essa questão, o próximo item identifica as principais discussões sobre o meio ambiente que emergiram a partir da segunda metade do século XX. 3.2 A EMERGÊNCIA DAS DISCUSSÕES SOBRE O MEIO AMBIENTE A partir da segunda metade do século XX, sobretudo após a 1ª Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, as grandes lideranças políticas internacionais reconheceram formalmente a finitude dos elementos naturais, considerados até então fontes inesgotáveis de recursos. A partir de então, iniciaram-se discussões e movimentos em busca de um possível equilíbrio na relação homem - meio. Os países com industrialização tardia (que se industrializaram apenas no decorrer do século XX) 23 receberam orientações para frearem o crescimento econômico. O relatório The limits to growth (Os limites para o crescimento), preparado por uma equipe multidisciplinar do Clube do Roma em 1968, atestou a impossibilidade de o crescimento econômico apresentado pelos países ser exequível em escala global. De acordo com Furtado: Os autores do estudo formularam a seguinte questão: que acontecerá se o desenvolvimento econômico, para o qual estão sendo mobilizados todos os povos da terra, chegar efetivamente a concretizar-se, isto é, se as atuais formas de vida dos povos ricos chegarem efetivamente a unversalizar-se? A resposta a essa pergunta é clara, sem ambigüidades: se tal acontecesse, a pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem (ou, alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado) que o sistema econômico mundial entraria necessariamente em colapso. (1974, p.12). O autor fez uma análise da fragilidade do discurso do desenvolvimento econômico, que foi sustentado por sucessivos governos brasileiros. Um dos aspectos dessa fragilidade é exatamente a insustentabilidade ambiental que esse modelo de crescimento proporciona. Para ele, o relatório produzido pelo Clube de Roma em 1968, ao mesmo tempo em que oferecia obstáculos ao crescimento dos países periféricos e de industrialização tardia, oficializava a grande falibilidade do modelo econômico dominante, mesmo que os países centrais já estivessem expressivamente industrializados. Uma grande polêmica em torno desse relatório foi o fato de países como o Brasil, Índia e China – os de industrialização tardia - reivindicarem os mesmos direitos de industrialização e, consequentemente, de poluição que os países mais ricos já haviam usufruído. Se antes o crescimento sem limites era o que pautava a políticas dos países ricos, agora o discurso era outro. Tornava-se necessário restringir o crescimento econômico dos mais pobres. No bojo dessa polêmica nasce, no início da década de 1980, a idéia de desenvolvimento sustentável, tendo entre os seus pressupostos a educação ambiental. Em 1975 a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) já haviam publicado, por ocasião do Colóquio sobre Educação Ambiental realizado no mesmo ano na antiga Iugoslávia, a Carta de Belgrado. Neste encontro, foram formulados os princípios e traçadas as diretrizes de uma educação ambiental planetária. Este documento foi um atendimento à recomendação 96 da Conferência de Estocolmo3. Nele, foram estabelecidas como finalidade da educação ambiental: Formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os seus problemas, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de compromisso que lhe permitam trabalhar individual e 3 “A recomendação 96 da Conferência de Estocolmo sobre o Ambiente Humano reclamou o desenvolvimento da educação ambiental considerando-a como um dos elementos mais críticos para poder atacar a fundo a crise mundial do ambiente. Ela deve estar solidamente assente sobre os princípios fundamentais definidos na Declaração das Nações Unidas sobre a nova ordem econômica internacional” (Carta de Belgrado, 1975). 24 coletivamente na resolução das dificuldades atuais, e impedir que elas se apresentem de novo. (CARTA DE BELGRADO, 1975). Os destinatários desse tratado pela educação ambiental não eram só os envolvidos com a educação formal, mas todo o conjunto da sociedade. O primeiro dos seus princípios era o de “considerar o ambiente na sua globalidade, natural, criado pelo homem, ecológico, político, tecnológico, social, legislativo, cultural e estético” (CARTA DE BELGRADO, 1975). Ficava clara a intenção de fazer da educação ambiental um sistema holístico que visava integrar todas as esferas das relações humanas, sendo necessária uma abordagem interdisciplinar para o novo paradigma de produção do conhecimento em ecologia. Em conjunto com esse documento também foi lançado O Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). Dois anos depois, em 1977, na Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental (Conferência de Tbilise), esse plano foi consolidado através da definição das suas finalidades, objetivos, princípios norteadores e estratégias para a promoção da Educação Ambiental (MEC, 2005). Já a formalização do conceito de desenvolvimento sustentável ocorreu em 1987 com a publicação do relatório “Nosso futuro comum” pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED). Este documento também ficou conhecido como “Relatório de Brundtland”. Nele temos definido que o desenvolvimento sustentável corresponde à capacidade da humanidade em suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas (Relatório de Brundtland,1987). Ou seja, devem-se buscar meios para conciliar a necessidade de desenvolvimento econômico com a garantia de sustentabilidade do planeta, por mais contraditório que isso possa parecer. No Brasil, em 1981 foi promulgada a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) através da lei nº 6.938/81. Segundo o seu artigo nº 2 essa política tem por objetivo “a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida humana [...]” (LEI nº 6.938/81). Com essa lei, o meio ambiente passou a ser entendido juridicamente como patrimônio público, cabendo ao Estado o dever de criar estratégias e mecanismos que garantam o seu uso coletivo, bem como a sua proteção. A educação ambiental é enfatizada no mesmo artigo, no inciso X. Nele, temos que ela deve ocorrer em todos os níveis de ensino, inclusive no ensino destinado às comunidades que possuem uma relação mais diretamente dependente da natureza. Para Cunha e Coelho (2009) a criação PNMA fez parte de um conjunto de políticas estruturadoras 4 do Estado 4 De acordo com os autores, é possível distinguir três tipos de políticas ambientais implantadas no Brasil: regulatórias, estruturadoras e indutoras. As primeiras referem-se “a elaboração de legislação específica para 25 brasileiro para o meio ambiente que ocorreu entre 1972 e 1987, ou seja, da Conferência de Estocolmo às vésperas do estabelecimento da última Constituição Brasileira, de 1988. Em 1992, com a culminância da 2ª Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, a ECO 92 conforme ficou conhecida, foi lançado um programa de ação com o nome de Agenda 21. Nele, os governos e as instituições ligadas à sociedade civil organizada de 179 países se comprometeram a implantar um conjunto de medidas abrangentes e de escala planetária para que fosse possível promover um novo padrão de desenvolvimento, conciliando a preservação e a conservação do meio ambiente com o atendimento das necessidades socioeconômicas da população mundial. Assim, reforçou-se mais ainda a idéia de crescimento sustentado. Todo esse movimento constituiu um marco, visto que, pela primeira vez na história, vimos uma tentativa de internalização das questões ambientais pelo sistema capitalista. Paralelamente aos discursos e eventos intergovernamentais, ao longo da segunda metade do século XX surgiram propostas mais radicais, no sentido de defenderem mudanças estruturais na interface política, economia e meio ambiente. Uma dessas propostas é o ecossocialismo. De acordo com Lowy, esse conceito configura-se como: Uma resposta radical tanto à crise financeira, quanto à crise ecológica. Ambas são a expressão de um processo mais profundo: a crise do paradigma da civilização capitalista industrial moderna. A alternativa ecossocialista significa que os grandes meios de produção e de crédito são expropriados e colocados a serviço da população. As decisões sobre a produção e o consumo não serão mais tomadas por banqueiros, managers de multinacionais, donos de poços de petróleo e gerentes de supermercados, mas pela própria população, depois de um debate democrático, em função de dois critérios fundamentais: a produção de valores de uso para satisfazer as necessidades sociais e a preservação do meio ambiente. (2012. Disponível em http://diarioliberdade.org) Os ideais ecossocialistas surgiram na década de 1970 como resposta dos setores de esquerda, como o professor norte-americano Barry Commoner, ao relatório Os Limites do Crescimento, que enfatizava a possibilidade do esgotamento dos recursos naturais. O Quadro 2 faz uma síntese dos principais eventos e políticas para o meio ambiente ocorridos na segunda metade do século XX e que foram apresentados neste tópico. estabelecer ou regulamentar normas e regras de uso e acesso ao ambiente natural e a seus recursos, bem como à criação de aparatos institucionais que garantam o cumprimento da lei”. Já as segundas referem-se à “intervenção direta do poder público ou de organismos não-governamentais na proteção ao meio ambiente. Por fim, as últimas se referem “a ações que objetivam influenciar o comportamento de indivíduos ou grupos sociais. São normalmente identificadas com a noção de desenvolvimento sustentável e são implementadas por meio de linhas especiais de financiamento ou de políticas fiscais e tributárias” (CUNHA E COELHO. 2009, p.45). 26 Quadro 2 – Principais eventos e políticas para o meio ambiente ocorridos na segunda metade do século XX ANO FATO(S) 1968 ∙ Publicação do relatório The limits to growth (Os limites para o crescimento) pelo Clube de Roma. 1972 ∙ Realização da 1ª Conferência Internacional sobre Meio Ambiente (Estocolmo 72). 1975 ∙ Colóquio sobre Educação Ambiental na antiga Iugoslávia; ∙ Publicação da Carta de Belgrado pela ONU; ∙ Lançamento do Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). ∙ Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental (Conferência de Tbilisi); ∙ Consolidação do Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). 1977 1981 ∙ Promulgação, no Brasil, da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) através da lei nº 6.938/81. 1987 ∙ Publicação do relatório “Nosso Futuro Comum” (Relatório de Brundtland); ∙ Formalização do conceito de desenvolvimento sustentável. 1992 ∙ Realização da 2ª Conferência Internacional sobre Meio Ambiente (ECO 92) e lançamento da Agenda 21. Além disso, nos anos 1990 e 2000 tivemos a discussão sobre o protocolo de Kyoto, acordo que visava à redução gradativa emissão de gases poluentes de acordo com a cota que cada país se responsabilizava em alcançar até o ano de 2012. Essas cotas se relacionavam com o tempo e grau de industrialização de cada grupo de países. Assim, aos países centrais, era destinada o maior percentual de redução. O grande obstáculo que se impôs foi o não cumprimento do acordo pelos dois maiores poluidores da atmosfera: Estados Unidos e China. Atualmente, temos uma tendência de esvaziamento do protocolo por conta do não comprometimento formal desses países. Leroy faz uma análise das ideologias presentes nesses movimentos contemporâneos em prol do desenvolvimento sustentável. Segundo o autor, uma das mais fortes é a que se refere à defesa de uma grande operação de “modernização tecnológica” mediante um sistema colaborativo e apoiado pelas tecnologias. Para ele, essa operação: Designa o processo pelo qual as instituições políticas internalizam preocupações ecológicas, no propósito de conciliar o crescimento econômico com a resolução dos problemas ambientais, dando ênfase à adaptação tecnológica, à celebração da economia de mercado, à 27 crença na colaboração e no consenso. [...] a premissa é clara: a adaptação tecnológica e o crescimento econômico deveriam levar à sustentabilidade e à redução da pobreza, pelo caminho da colaboração e do consenso. (2002, p.17). De fato, a pressão mundial por um ar mais limpo, por água potável, por alimentos mais saudáveis vem aumentando, formando uma massa de consumidores mais exigentes em relação à responsabilidade ambiental das empresas. Isso, porém, não constitui necessariamente um problema para o capitalismo, visto que existem formas de apropriação do discurso ambiental pelo sistema, sem que seja necessário diminuir a remuneração do capital. A questão da sustentabilidade pode ser tratada por diferentes perspectivas que se relacionam aos interesses em disputa. Conforme afirma Leroy (2002), ela pode ser um instrumento de legitimação da dominação econômica ou mesmo ser uma exigência de uma ética planetária. Outra questão que tem emergido nesse contexto é a discussão sobre a justiça ambiental. Trata-se de um conceito formulado na década de 1970 para definir as desiguais exposições das populações aos perigos ambientais de acordo com seus níveis socioeconômicos. O item a seguir aprofunda essa temática. 3.2.1 As Discussões sobre Justiça Ambiental Por Justiça Ambiental entende-se o conjunto de princípios que visam garantir que nenhum grupo populacional específico, seja étnico, racial ou de classe, sofra uma parcela desproporcional das consequências ambientais negativas de operações econômicas, de políticas e programas federais, estaduais e locais, bem como resultantes da ausência ou omissão de tais políticas. De acordo com Herculano: O conceito de Justiça Ambiental começa a ser construído nos EUA a partir do final da década de 1970 através de movimentos sociais e das populações mais pobres, além das etnias socialmente discriminadas e vulnerabilizadas, quanto à sua maior exposição a riscos ambientais por habitarem nas vizinhanças de depósitos de lixos químicos e radioativos ou de indústrias com efluentes poluentes. (2002, Disponível em: http://www.professores.uff/seleneherculano/publicacoes.). Dito de outra forma, trata-se da “espacialização da justiça distributiva, uma vez que diz respeito à distribuição do meio ambiente para os seres humanos” (LOW & GLEESON, apud Herculano, 2002). Historicamente, as populações mais pobres sempre estiveram mais expostas aos riscos à saúde relacionados ao meio ambiente. Porém, à medida que a sociedade foi se tornando mais complexa, sobretudo após a revolução industrial (século XVIII), os fatores de riscos aumentaram. 28 Ao longo do século XX, esse processo se tornou ainda mais intenso. E apesar de determinados tipos de exposição afetarem indiscriminadamente a população mundial, as diferenças de classe mantiveram os grupos sociais menos favorecidos mais vulneráveis a eles, e como parte exclusiva de exposição a riscos específicos. Segundo Giddens: A intensidade global de certos tipos de riscos transcende todos os diferenciais sociais e econômicos. Porém, isto não deve nos cegar para o fato de que, em condições de modernidade, como no mundo pré-moderno, muitos riscos são diferentemente distribuídos entre os privilegiados e os despossuídos. O risco diferencial – em relação, por exemplo, a níveis de nutrição e suscetibilidade a moléstias – é uma grande parte do que realmente é tida como privilégio e despossessão. (1990/1991, pp.127 e 128). As respostas diferenciadas às variadas manifestações do meio, decorrentes das desiguais condições socioeconômicas, constituem o que se chama de injustiça ambiental. Nos Estados Unidos houve uma grande mobilização da população negra que habitava as terras do Love Canal. No final da década de 1970, descobriram que se tratava de uma antiga área de despejo de resíduos sólidos. Posteriormente, uma pesquisa feita no Estado da Califórnia indicou que de cada quatro lixões, três situavam-se em áreas habitadas por negros e/ou imigrantes. A identificação dos fatores de riscos é de vital importância para a formulação de políticas públicas que visem sua minimização. No Brasil, o marco inicial de sistematização e divulgação da problemática referente à Justiça Ambiental foi a coleção intitulada "Sindicalismo e Justiça Ambiental", publicada em 2000 pela Central Única dos Trabalhadores - CUT/RJ, em conjunto com o IBASE, o Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano IPPUR (UFRJ) e com o apoio da Fundação Heinrich Böll. Em 2001 foi realizado na Universidade Federal Fluminense, o “Colóquio Internacional sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania”. Contando com a participação de pesquisadores, ambientalistas e movimentos sociais, este evento resultou na criação da Rede Brasileira de Justiça Ambiental. Atualmente, ela está sediada no Rio de Janeiro e é composta por dezenas de grupos, tais como institutos de pesquisas, movimentos sociais, pastorais, ONGs e sindicatos. Todos esses movimentos apontam para a necessidade de criação de políticas públicas que protejam as populações socialmente mais vulneráveis das conseqüências ambientais das atividades econômicas e dos padrões de consumo. Em relação a esses dois aspectos, existem propostas de conscientização e de racionalização dos padrões de produção e consumo a partir da educação ambiental. A educação ambiental não pode ser considerada uma disciplina, mas sim um conjunto de princípios, saberes e técnicas com características multi e interdisciplinares. O próximo item aprofunda essa discussão. 29 3.2.2. As Discussões sobre Educação Ambiental A educação ambiental é um termo relativamente recente que nasceu associado à ideia de desenvolvimento sustentável, que foi formalizado no documento “Nosso Futuro Comum”, em 1987. Ela tem sido defendida pelos mais variados setores da sociedade como estratégia para evitar a degradação completa da natureza. Em geral, as argumentações convergem para a importância de preparar os cidadãos para que internalizem conhecimentos e práticas que levem ao equilíbrio da relação homem-meio. Muitos autores têm se debruçado sobre essa temática, embora sua discussão seja recente. De acordo com Silva e Pessoa: A obra “Primavera Silenciosa” Carson (1962), fermentou ainda mais as discussões acerca da questão ambiental no mundo inteiro. Nesta, a autora aborda a perda da qualidade de vida em várias partes do planeta, causada, sobretudo pela crescente queda da qualidade ambiental, produzida pela ganância dos lucros a qualquer custo, por meio da exploração predatória. (2009, Disponível em http://www.cchla.ufrn.br/rmnatal/artigo/artigo19.pdf). Esse livro foi traduzido em diversos países e até os dias atuais tem sido utilizado como referência por pesquisadores e ambientalistas. Os meios utilizados para se alcançar o aumento da produtividade e dos lucros gerou, tanto na cidade como no campo, um conjunto de mudanças que afetou a saúde ambiental. Porém, é possível perceber que o sistema capitalista vem tentando internalizar o discurso de proteção ao meio ambiente, mesmo que seus principais atores, as mega empresas e as corporações financeiras continuem a adotar práticas insustentáveis, do ponto de vista ambiental, para garantir os lucros. Cabe observar que muitos dos projetos ambientais são patrocinados por esses grupos. A criação da política dos créditos de carbono, por exemplo, concede o direito de poluir às empresas que têm condições de arcar com os pagamentos e investimentos e projetos ambientais. De acordo com Seabra: Como parte integrante do processo de economização do meio ambiente, os movimentos ecológicos e projetos ambientais recebem apoio e financiamento daqueles que mais degradam o meio ambiente: as grandes corporações nacionais e multinacionais, tanto governamentais como privadas. Este é o princípio do poluidor pagador que move e sustenta a economia e o marketing ambiental. Sob esta ótica, o desenvolvimento sustentável permite poluir e degradar a natureza, desde que haja compensações financeiras. (2011, p. 21). Neste contexto, podemos afirmar que grande parte das políticas para a educação ambiental está atrelada aos mais variados interesses econômicos, tornando superficiais suas propostas de conservação do meio ambiente. Apesar disso, já existem legislações que oferecem mecanismos para a construção de outra perspectiva sobre a educação ambiental. E a partir delas, é possível estabelecer discussões mais críticas sobre programas e projetos para o desenvolvimento da educação ambiental. O setor educacional figura como um canal privilegiado para essa temática. 30 O artigo 22 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 afirma que a educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Essa passagem reforça o caráter multidimensional da educação. E entre as suas atribuições está a necessidade de promover, em todos os níveis, a educação ambiental5. Este aspecto já havia sido reforçado na Constituição de 1988. O inciso VI, do artigo 225, enfatiza que “o Poder Público deve promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”. A legislação em relação ao tema representa uma inovação, pois ficam definidas as bases legais para o planejamento e a execução de uma política de educação ambiental no Brasil. Seguindo esta tendência, no campo científico vem crescendo a necessidade da construção de princípios teóricos e metodológicos para a sua implantação. Em escala internacional, as questões que envolvem a natureza vêm conquistando espaço nas pautas de discussões dos grandes organismos supranacionais, das empresas transnacionais, dos setores de planejamento urbano e rural e finalmente nos ambientes escolares e acadêmicos. A impressão que se tem é que o meio ambiente finalmente ganhou a seriedade e importância que realmente demanda. A forma como a questão da sustentabilidade ambiental é apropriada é que vai caracterizar as políticas governamentais e não governamentais para o meio ambiente. E ela também ira influenciar na formação e na preparação de profissionais especialistas em meio ambiente. A busca por esse tipo de trabalhador tem aumentado e, ao mesmo tempo, isso torna necessário discutir questões relativas aos aspectos formativos da profissionalização em meio ambiente. O próximo item identifica as principais características da formação técnica em meio ambiente no Brasil, enfatizando as limitações e possibilidades que eles oferecem para a inserção mais sólida e crítica dos técnicos ambientais. Essa formação é oferecida em nível de ensino médio, na modalidade integrada ao currículo de formação geral. 5 O discurso em torno da educação ambiental vem se fortalecendo nas últimas décadas, sobretudo por causa da demanda que a questão do meio ambiente vem trazendo para a sociedade. Porém, existe uma grande pluralidade de perspectivas em relação ao seu uso conceitual. Em suma, a educação ambiental pode estar associada, entre outros, a um caráter meramente informativo, a uma idéia preservacionista, ou mesmo a uma forma de garantir a sustentabilidade de uma empresa. Neste trabalho, a educação ambiental é entendida como um conjunto de teorias, metodologias e práticas que opera criticamente perpassando e integrando todas as disciplinas constituintes do currículo da educação básica, sem ter que, necessariamente, constituir-se em uma disciplina à parte. 31 3.3. UM OLHAR SOBRE A FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE NO BRASIL A educação profissional está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDB (1996) no seu capítulo III. O artigo 40 da LDB determina que a educação profissional seja desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. Complementando essa determinação, foi feito o decreto nº 5154/2004, que regulamenta o ensino médio integrado à educação profissional. A principal mudança em relação ao ensino técnico comum é que a formação específica passa a ocorrer conjuntamente com o ensino regular. A educação profissional integrada ao ensino médio regular surge como possibilidade de evitar que os estudantes em meio ambiente fiquem limitados às disciplinas meramente operacionais. Em contrapartida, a carga horária aumenta. No colégio Pedro II, que compõe a rede federal de ensino, a carga horária total de um estudante do ensino médio regular é de 3.600 horas. Já para quem faz o curso integrado em Meio Ambiente é de 4.720 horas. Na prática, isso significa que os estudantes estudam em dois turnos quase todos os dias. Essa carga horária elevada foi apontada na entrevista com os alunos do curso como uma das dificuldades enfrentadas. Em relação aos aspectos legais da profissionalização em meio ambiente, o item a seguir aprofunda a discussão. 3.3.1 – Aspectos Legais da Profissionalização em Meio Ambiente Em janeiro de 2002 foi sancionada a Lei 10.410/02 que cria e disciplina a carreira de especialista em meio ambiente. Entre os cargos criados, em seu artigo 1º, está o de técnico ambiental, que é formado por profissionais de nível médio devidamente especializados. Em seu artigo 6º, a Lei estipula as atribuições do cargo de técnico ambiental: I – prestação de suporte e apoio técnico especializado às atividades dos Gestores e Analistas Ambientais; II – execução de atividades de coleta, seleção e tratamento de dados e informações especializadas voltadas para as atividades finalísticas; e III – orientação e controle de processos voltados às áreas de conservação, pesquisa, proteção e defesa ambiental (BRASIL, Lei 10.410/02) Cabe ressaltar que os cargos de gestor e analista ambientais também foram criados por essa mesma Lei. Porém, apesar dessa Lei, a profissão de técnico em meio ambiente ainda não foi regulamentada no Brasil. Em 2007, um deputado federal pelo estado de Minas Gerais enviou um projeto de lei para a Câmara dos Deputados, de número 1105/07 que visava à 32 regulamentação da profissão. Porém, em 2008, a projeto foi rejeitado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, sob a alegação de que as pretensas atribuições desse profissional seriam, na verdade, multidisciplinares, campo de atuação de várias ciências, não cabendo a um único profissional ou a um conjunto de profissionais com a mesma formação o diagnóstico ambiental. Sendo assim, ainda falta a regulamentação para o exercício profissional do técnico ambiental. Apesar disso, o registro profissional do técnico ambiental é feito pelo Conselho Regional de Química (CRQ) e algumas instituições privadas e públicas absorvem esses profissionais. Desse modo, a morosidade na regulamentação não tem impedido a contratação dos técnicos. Atualmente, existem muitas escolas técnicas no Brasil e o estado do Rio de Janeiro é um dos que mais concentram instituições com essa modalidade de ensino. Entre elas, destacam-se o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Janeiro (IFRJ); os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs); a Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (FAETEC); a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ); o Colégio Pedro II, objeto deste estudo; entre outras. Alem das públicas, algumas instituições privadas também têm buscado implantar cursos profissionalizantes. No IFRJ, tal como acontece no colégio Pedro II, o curso técnico em meio ambiente é integrado ao ensino médio. Eles oferecem o curso em três unidades: Maracanã, Pinheiral e Arraial do Cabo. No campus Maracanã, o curso é realizado ao longo de oito semestres, incluindo o estágio curricular supervisionado. De acordo com o site oficial da instituição: “os cursos concomitantes ou subsequentes são voltados para quem está cursando ou já concluiu o ensino médio”. A grade curricular específica do curso oferecida no campus Maracanã é composta pelas seguintes disciplinas: Geoecologia; Estatística; Tratamento de Dados; Ecologia Aplicada às ciências Ambientais; Inglês Instrumental I, II, II e IV; Princípios de Conservação da Natureza; Microbiologia Geral; Química Analítica Quantitativa I; Química Ambiental; Análise Instrumental I e II; Toxicologia Aplicada I e II; Meio ambiente e Desenvolvimento; Microbiologia Ambiental; Processos Industriais; Química Analítica Ambiental I e II; Segurança Ambiental e do Trabalho; Tratamento de Resíduos Sólidos e Poluição Atmosférica; Ética Ambiental; Gestão da Qualidade; Gestão Ambiental Privada; Gestão Ambiental Pública; Hidrodinâmica; Tratamento de Água e Efluentes Domésticos e Industriais. 33 Nesse mesmo campus, o curso tem uma carga horária total de 3.807 horas e mais 480 horas de estágio curricular. Portanto, a carga horária total é um pouco menor que a do colégio Pedro II. E tal como ocorre no Pedro II, a frequência semanal dos alunos IFRJ é de seis dias. De acordo com o sítio da instituição, o perfil profissional do técnico ambiental é caracterizado da seguinte forma: O Técnico em Meio Ambiente apresenta competências e habilidades para atuar nas áreas de educação, preservação e recuperação ambientais, obtendo e interpretando dados qualiquantitativos necessários ao monitoramento de parâmetros ambientais, e aplicando técnicas disponíveis de tratamento de águas de abastecimento e industriais, assim como de tratamento de efluentes e de emissões gasosas e de gerenciamento de resíduos. Pode atuar, ainda, auxiliando na elaboração, acompanhamento e execução de sistemas de gestão ambiental. (2012. Disponível em: www.ifrj.edu.br/webfm_send/2409). De acordo com a Resolução nº 4 da Câmara de Educação Básica – CEB – de dezembro de 1999, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico, a carga horária mínima para a habilitação técnica em meio ambiente é de 800 horas. Essa mesma resolução caracteriza a área profissional em meio ambiente como aquela que: Compreende ações de preservação dos recursos naturais, com controle e avaliação dos fatores que causam impacto nos ciclos de matéria e energia, diminuindo os efeitos causados na natureza (solo, água e ar). Compreende, igualmente, atividades de prevenção da poluição por meio da educação ambiental não escolar, da tecnologia ambiental e da gestão ambiental. (CEB 04/99). Em relação aos aspectos formativos, mesmo em nível de ensino médio técnico, há que se investigar se a formação oferecida está fundamentada em princípios teóricos e metodológicos que levem à constante reflexão e integração entre os conteúdos estudados nas disciplinas. Essa argumentação pode ser justificada pelo fato de que esse profissional atuará em uma sociedade complexa, repleta de contradições e marcada por disputas de interesses. Sendo assim, a sua formação demandará uma sólida base teórica e um nível, pelo menos razoável, de politização. As práticas de campo também são de grande relevância para os técnicos. De técnicos em informática, por exemplo, talvez não sejam exigidos tantos conhecimentos relacionados aos contextos políticos e socioeconômicos os quais se inserem profissionalmente. Porém, para aqueles que se profissionalizam em meio ambiente esses conhecimentos são necessários. Caso contrário, corre-se risco de realizarem suas práticas profissionais de forma meramente tecnicista. Teríamos, na verdade, técnicos que, ao invés de contribuírem efetivamente para o questionamento do paradigma conservador de desenvolvimento, não irão além da adoção de discursos mitigadores e paliativos. Mas será possível a um curso técnico em meio ambiente promover uma atmosfera de amplo debate e discussões acerca de projetos de sociedade que se quer construir? A 34 pergunta se justifica pelo histórico de formação de técnicos no Brasil. Sendo assim, é importante investigar se os atuais estudantes técnicos estão sendo formados em um contexto tecnicista e pragmático, voltado para a apreensão de técnicas mitigadoras e que pouco refletem sobre as estruturas políticas, econômicas e sociais responsáveis pelos problemas econômicos e socioambientais. Assumindo a ideologia imposta pelas elites - que são absorvidas por grande parte da população - de naturalização da ordem vigente, como se não existissem alternativas ao modelo vigente, tais cursos são permeados pela idéia da “salvação pelas técnicas.” E, no caso do meio ambiente, pelo discurso de que o somatório das mudanças de atitudes individuais seria suficiente para a superação dos desequilíbrios ambientais. De acordo com Quintas: A idéia implícita nesta concepção é de que, se cada um passasse a consumir apenas o necessário (aqueles que podem), a reaproveitar ao máximo os produtos utilizados e a transformar os rejeitos em coisas úteis, em princípio, estariam fazendo sua parte para economizar recursos naturais, energia e evitar a degradação ambiental [...] Esta abordagem evidencia uma leitura acrítica e ingênua sobre a problemática ambiental e aponta para uma prática pedagógica prescritiva e reprodutiva. (2009, p. 45). Na concepção do autor, a discussão ambiental deve ir muito além dessas perspectivas simplórias, passando pela apropriação crítica da realidade socioeconômica em que nos encontramos. Quase sempre a grande mídia promove muitas afirmações do tipo “faça a sua parte”, mas uma análise um pouco mais apurada da problemática ambiental aponta a fragilidade dessas argumentações. Em relação à água potável, por exemplo, temos as campanhas, muitas vezes bem intencionadas, que alertam a população em geral sobre o desperdício e sobre o consumo responsável. Porém, ao se pesquisar sobre o consumo total de água potável, verifica-se que o uso residencial responde por pouco mais de 8% do montante, segundo dados da Organização Não Governamental Universidade da Água (UNIAGUA). Só a atividade agropecuária é responsável por mais de 70% do consumo. Essa desproporção evidencia que as políticas e ações pedagógicas voltadas para o meio ambiente não podem desconsiderar a estrutura do sistema socioeconômico vigente. Em contrapartida, temos hoje um conjunto de referenciais teóricos e metodológicos que permitem uma percepção mais crítica e integradora de estudos e práticas profissionais em meio ambiente. Autores como Edgar Morin, Enrique Leff e Ignacy Sachs fornecem propostas desafiadoras para o enfrentamento das questões ambientais. A utilização de acervos desses e de outros autores poderia enriquecer a formação dos profissionais em meio ambiente, mesmo os de nível técnico. 35 Portanto, é possível que, mesmo em nível de ensino médio técnico, os profissionais em meio ambiente tenham uma formação mais profunda, crítica e ciente dos interesses e projetos econômicos e socioambientais em disputa. A partir da construção de um ambiente educacional atento às contradições inerentes ao atual modelo civilizatório, teríamos a possibilidade de pensar e articular modelos alternativos para além da racionalidade técnica que costuma caracterizar os cursos técnicos. 36 4. METODOLOGIA Como base para essa pesquisa foi utilizado um acervo bibliográfico multidisciplinar que, inicialmente, compõe-se de: legislação educacional brasileira; documentos internos do colégio Pedro II; teóricos da educação nacional, cujas obras analisam a conjuntura socioeconômica do país e as políticas públicas voltadas para a educação brasileira. Para dar suporte às análises da organização e estrutura formativa do curso, foram utilizados autores voltados para as discussões sobre a interdisciplinaridade. Entre eles, podemos destacar Edgar Morin e Hilton Japiassu. Esses autores realizam importantes reflexões sobre a necessidade da construção de teorias e métodos de pesquisa interdisciplinares. Para Morin, a compreensão da complexidade do mundo passa necessariamente pela religação das ciências e dos saberes. Ele afirma que é necessário ultrapassar a visão disciplinar, e mesmo a multidisciplinar, rumo à construção de uma metodologia comum de pesquisa, que caracterizaria a interdisciplinaridade. De acordo com Japiassu e Marcondes (1989), a interdisciplinaridade corresponde a um método de pesquisa e ensino suscetível de fazer com que duas ou mais disciplinas interajam entre si. Essa interação pode ir da simples comunicação das ideias até a integração mútua dos conceitos, da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos procedimentos, dos dados e da organização da pesquisa. Outro autor que teve grande contribuição na discussão sobre a interdisciplinaridade é Eric Jantsch. A partir de suas obras, autores como Japiassu aprofundaram a sistematização dos conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade. O Quadro 3 apresenta um resumo de Fazenda (1996) a partir dos estudos de Jantsch sobre as principais características desses conceitos: Quadro 3 – Sistematização dos conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade Multidisciplinaridade Pluridisciplinaridade Interdisciplinaridade Transdisciplinaridade Gama de disciplinas que propõem-se simultaneamente, mas, sem fazer aparecer as relações que possam existir entre elas; destina-se a um sistema de um só nível e de objetivos múltiplos, mas, sem nenhuma cooperação. Justaposição de diversas disciplinas, situadas, geralmente, no mesmo nível hierárquico e agrupadas de modo a fazer aparecer as relações existentes entre elas; destina-se a um tipo de sistema de um só nível e de objetivos múltiplos, onde existe cooperação, mas não coordenação. Destina-se a um sistema de dois níveis e de objetivos múltiplos, onde há coordenação precedendo do nível superior. Coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado, sobre a base de uma axiomática geral – destina-se a um sistema de nível e objetivos múltiplos – há coordenação com vistas a uma finalidade comum dos sistemas. (Fonte: FAZENDA, 1996) 37 Outra questão abordada na pesquisa refere-se às mudanças no ensino regular propostas pelo MEC. O novo ensino médio, nos termos da lei, de sua regulamentação e encaminhamento assume a responsabilidade de preparar para a vida, qualificar para a cidadania e capacitar para o aprendizado permanente, em eventual prosseguimento dos estudos no ensino superior ou diretamente no mundo do trabalho. De acordo com as orientações educacionais complementares aos parâmetros curriculares nacionais (MEC, 2002) uma formação assim: Exige métodos de aprendizado compatíveis, ou seja, condições efetivas para que os alunos possam comunicar-se e argumentar, deparar-se com problemas, compreendê-los e enfrentálos, participar de um convívio social que lhes dê oportunidade de se realizarem como cidadãos, fazerem escolhas e proposições, tomarem gosto pelo conhecimento, aprenderem a aprender. (MEC, 2002, p. 9). Partindo desse pressuposto, é necessário investigar se o curso oferecido no Colégio Pedro II tem discutido e criado alternativas de ensino e práticas que vão no sentido da proposta do MEC. Segundo Di Maio (2004), essa proposta vai ao encontro da reformulação do ensino médio no Brasil, estabelecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) de 1996, regulamentada em 1998 pelas Diretrizes do Conselho Nacional de Educação e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. A reformulação procurou atender a uma reconhecida necessidade de atualização da educação brasileira que precisava responder a desafios impostos por processos globais que excluem da vida econômica os trabalhadores não qualificados, por causa da formação exigida pelo sistema de produção e serviços. Esse nível de escolarização demanda transformações de qualidade para adequar-se à promoção humana de seu público atual, diferente daquela de trinta anos atrás, quando suas diretrizes foram estabelecidas (MEC, 2002). Para que os objetivos da pesquisa fossem atendidos foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: - Levantamento e revisão bibliográfica sobre: legislação nacional, estrutura e funcionamento do ensino básico no Brasil, filosofia da educação, educação ambiental, Geografia política, interdisciplinaridade, formação técnica e profissional, entre outros, a fim de preparar a fundamentação teórica da pesquisa; - Pesquisa documental relacionada ao colégio Pedro II: Projeto Político Pedagógico, regimento interno, pareceres, entre outros, de modo a compreender o funcionamento interno do colégio e do curso em específico, além de complementar a fundamentação teórica; - Estudo sobre os objetivos do curso técnico em Meio ambiente conforme documento oficial do MEC comparando aos objetivos da formação oferecida pelo colégio Pedro II para saber até que ponto os objetivos oficiais estão sendo atingidos; 38 - Acompanhamento contínuo do curso para avaliar o seu funcionamento no cotidiano, através do monitoramento do seu funcionamento, do rendimento dos alunos e dos projetos pedagógicos construídos e aplicados no curso; - Entrevistas com membros do Pedro II, tais como a coordenação do curso e alunos do ensino médio integrado e, ainda, os egressos do curso de modo coletar as percepções e perspectivas que a comunidade escolar apresenta em relação ao curso. No total, foram entrevistados 84 alunos das três séries do ensino médio, 12 alunos egressos e a coordenadora do curso. - Levantamento de dados sobre o mercado de trabalho para o técnico em meio ambiente; Para obtenção das imagens da instituição, para a realização de análise documental e para a aplicação das entrevistas o projeto deste trabalho foi submetido à apreciação do Centro de Pesquisa e Cultura (CEPEC) do colégio Pedro II, sendo aprovado e autorizado em Setembro de 2010. O próximo capítulo fez uma análise sobre o curso técnico em meio ambiente oferecido pelo colégio Pedro II. Ao final, será possível identificar suas potencialidades e limites. 39 5. O ENSINO TÉCNICO INTEGRADO EM MEIO AMBIENTE DO COLÉGIO PEDRO II O Colégio Pedro II localiza-se no bairro de São Cristóvão, região norte da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de uma área bastante degradada, tanto do ponto de vista das paisagens naturais quanto ao seu contexto econômico e social. Antiga área de residência da família imperial e de forte industrialização, o bairro apresenta hoje espaços altamente modificados e deteriorados. Originalmente, essa região apresentava uma paisagem composta por mata Atlântica e mangues. Atualmente, ela representa 13% da área verde de todo o município, de acordo com informações fornecidas pelo site do colégio Pedro II (www.cp2.g12.br). Hoje, o comércio corresponde à principal atividade econômica do bairro, e a população residente distribui-se em áreas de classe média, classe média baixa e classe baixa. Mesmo com todas as mudanças negativas sofridas ao longo do século XX, São Cristóvão possui importantes pólos atrativos, tais como a Quinta da Boa Vista, o Centro de Tradições Nordestinas, o Estádio de São Januário (Bairro Vasco da Gama), o Museu de Astronomia e Ciências Afins e o Colégio Pedro II. O colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 na cidade do Rio de Janeiro adotando padrões educacionais da Europa. Constitui hoje uma autarquia federal do Ministério da Educação (MEC) que, de acordo com o seu Projeto Político Pedagógico (PPP), tem como missão ministrar ensino público e gratuito nos níveis fundamental e médio. A instituição é o único colégio citado nominalmente na Constituição da República de 1988 no parágrafo 2º do artigo 242, onde é afirmado que o colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, deverá ser mantido na órbita federal. Um dos patrimônios do colégio Pedro é o horto botânico, onde se desenvolve o projeto Área Verde. O próximo item identifica as duas principais características. 5.1 HORTO BOTÂNICO - LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO O Horto Botânico do colégio Pedro II encontra-se no complexo escolar de São Cristóvão, localizada no bairro de mesmo nome, município do Rio de Janeiro. Este espaço também é chamado de área verde. Ele possui 9.000 m² (menos de 1 ha) e fica na parte mais alta do terreno do colégio. De acordo com informações da instituição, a organização da sua área arbustiva teve a assessoria do paisagista Burle Marx. 40 Atualmente se encontram no horto cerca de 435 espécies de plantas nativas da Floresta Atlântica, catalogadas e classificadas, além de hortaliças, plantas medicinais, ervas aromáticas e bromélias. No horto, ainda existem cinco pequenos lagos povoados com peixes exóticos, possuindo também um cultivo hidropônico de alfaces. A figura 1 exibe imagens do horto botânico: HORTO BOTÂNICO Figura 1 – Imagens do Horto Botânico do Colégio Pedro II obtidas pelo autor no sítio da instituição. Fonte: www.cp2.g12.br em 2011 De acordo com o colégio, a Área Verde constitui-se, fundamentalmente, como espaço de experimentação pedagógica, onde se utilizam técnicas que visam à preservação da biodiversidade. Este espaço se destina aos estudos e à prática de investigações científicas nas áreas de botânica, ecologia do solo entre outras. Nele também se desenvolve, em caráter pedagógico, a produção de vinagres aromáticos, pimentas em conservas, velas e peças de cerâmica. Segundo a Instituição: a proposta inicial foi de se revitalizar o mini-horto em concomitância a programas de educação ambiental que se desenvolviam no Colégio Pedro II, uma vez que um dos grandes problemas dos espaços verdes é o da sua manutenção e conservação. Isto implicava, sem dúvida nenhuma, também em um investimento educativo, ou seja, em se desenvolver no espaço escolar um trabalho pedagógico capaz de difundir determinados princípios de valorização e de cuidados com o meio ambiente. (COLÉGIO PEDRO II, 2006). 41 O horto foi projetado e criado entre 1976 e 1977. Porém, passou um longo período desativado, sendo reinaugurado em dezembro de 2002. Em 2004, o trabalho pedagógico que vinha se desenvolvendo neste espaço através de disciplinas eletivas e oficinas variadas deu origem ao primeiro Programa de Iniciação à Pesquisa Científica do Colégio Pedro II – o IPC/CPII – que se desenvolve exclusivamente sob a coordenação e orientações pedagógica e científica de docentes pertencentes ao Colégio Pedro II, além de ocorrer em seu próprio espaço físico e institucional. A coordenação do projeto está vinculada ao Departamento Pedagógico de Biologia e Ciências da instituição. Atualmente, ele se destina a alunos do ensino médio de todas as suas unidades escolares. De acordo com documentos da escola, o Projeto Área Verde tem promovido, desde o seu início, atividades interdisciplinares nas seguintes áreas: técnicas de manejo de solo, água e vegetação; produção de adubo orgânico; técnica de horticultura orgânica em pequenos espaços e utilização de seus produtos na produção de conservas e artesanatos e outros fins não alimentícios; hidroponia – técnica de cultivo de hortaliças com materiais de baixo custo; trabalhos artísticos utilizando como matéria-prima sucatas vegetais e solo; produção cosmética, chás e temperos desidratados; coleta e identificação de insetos do horto do colégio Pedro II, para a construção de uma coleção didático-científica de entomologia; levantamento histórico do desenvolvimento urbano e propostas para a recomposição da cobertura vegetal da cidade do Rio de Janeiro; levantamento histórico sobre as espécies vegetais nativas do Rio de Janeiro, especificamente do Bairro de São Cristóvão, na busca do resgate original da flora. A intensidade e a qualidade com que essas atividades vêm sendo desenvolvidas têm dependido dos investimentos realizados no projeto e com o grau de comprometimento dos departamentos envolvidos, que são os de biologia, química, história e geografia. Em 2005, o Projeto concorreu ao II Prêmio de Ciências no Ensino Médio, promovido pela Secretaria de Educação Básica do MEC junto ao Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE), tendo sido premiado em 1º lugar na categoria estadual. O horto botânico é um espaço destinado, preferencialmente, aos alunos do ensino médio, sobretudo aos do curso técnico em meio ambiente e, atualmente, abrange estudos e investigações em ecologia do solo, plantas medicinais, horticultura e história da flora brasileira, além de preocupar-se em despertar e cultivar a criação e a imaginação, o respeito e a valorização da natureza e de realidades culturais e científicas as mais variadas, através de experimentações e produções que têm lugar no seu denominado Atelier da Terra. As linhas de pesquisa desenvolvidas na área podem ser mais bem visualizadas no Quadro 3: 42 Quadro 4 – Linha de pesquisa do Projeto Área Verde LINHA DE PESQUISA Ecologia do Solo ATUAÇÃO Recuperação do Solo, Microbiologia do Solo e Compostagem. Horticultura Hidroponia, Cultivo de Hortaliças e de Plantas Medicinais. Preocupando-se com a construção da identidade cultural dos alunos e em estabelecer uma relação entre Arte e Ciência, o IPC/CPII vem também despertando e cultivando a criação e a imaginação aliada ao respeito e à valorização da natureza, com origem a partir do contato com a terra. Estas criações constituem as oficinas de cerâmica, de pigmentos naturais extraídos de terras de coloração diversas, de técnicas de impressão com elementos da natureza, e tantas outras. Atelier da Terra Oficinas artesanais de produção de vinagres aromáticos e de pimentas em conservas Com caráter estritamente pedagógico e que também inclui pesquisa científica sobre o tema, fabricando-se nestas oficinas velas, conservas e vinagres aromáticos. Projeto Viva-Chá Compreende a produção e o estudo dos chás de ervas medicinais, dos sabonetes (líquido e em barra), saches perfumados de plantas e ervas aromáticas. Entomologia Implantado em 2005, o projeto compreende o estudo de taxonomia e biologia de insetos. Com caráter inicial o estudo pretende a montagem de uma coleção didática entomológica com os insetos do horto. Implantado em 2005, desenvolve pesquisas sobre a flora nativa e exótica na paisagem da cidade do Rio de Janeiro, em especial no bairro de São Cristóvão. Faz a identificação de espécies vegetais e a recuperação de área com replantio de espécies da Mata Atlântica visando-se à composição de um novo setor anexo ao Horto Flora Carioca Documentação vegetal Denominado Bosque Carioca, através de metodologia de trabalho de campo. Implantado em 2005, o projeto propõe a classificação e identificação das espécies nativas e exóticas existentes no horto do CPII. Fonte: Colégio Pedro II (www.cp2.g12.br) A recuperação paisagística do horto botânico trouxe perspectivas de práticas pedagógicas e científicas de interesse da instituição. Para os alunos do curso técnico, a paisagem restaurada tem sido espaço de experimentação, visto que as turmas desenvolvem projetos diversos na área. Usando a definição de Bertrand, temos que a paisagem é: Uma determinada porção do espaço que resulta da combinação dinâmica dos elementos físicos, biológicos e antrópicos, os quais interagindo dialeticamente uns sobre os outros formam um conjunto único e indissociável em perpétua evolução. (1968, p.78.). 43 A partir dessa perspectiva, podemos identificar a importância da ação humana para a criação e posterior restauração do horto do colégio Pedro II. Se por um lado, as atividades antrópicas podem provocar alterações depreciativas na paisagem, por outro, uma ação bem planejada, com prognóstico de bom manejo, pode ajudar a recriar ambientes degradados ou mesmo introduzir na paisagem, elementos que a caracterizem como um espaço sustentável. De acordo com Naveh (1991, p. 109) “o homem não representa apenas um fator de perturbação externa aos ecossistemas naturais, mas um componente interativo e coevolucionário”. Essa interação pode ocorrer espontaneamente, típica da relação de interdependência que o homem estabelece com o meio, ou então de modo intencional, como é o caso da criação e reconstrução de paisagens vegetais e da introdução de fauna nesses ambientes. No caso da Mata Atlântica, sabemos que quase a sua totalidade remanescente no estado do Rio de Janeiro é composta por vegetação secundária. Deste modo, a caracterização mais correta do horto botânico é a de que se trata de uma paisagem composta por uma fragmentação de vegetação secundária de Mata Atlântica. O item a seguir apresenta as características da experiência do ensino médio integrado em meio ambiente do colégio Pedro II. A partir da sua análise é possível identificar as potencialidades e limitações do curso para a comunidade escolar. 5.2 A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO EM MEIO AMBIENTE Entre os anos de 2006 e 2007 o colégio Pedro II implantou, na unidade escolar São Cristóvão III (Figura 2), o curso técnico em Meio Ambiente integrado ao ensino médio. As primeiras turmas formadas concluíram o curso em dezembro de 2009. No ano de 2010 outras duas turmas concluíram. Em 2011, uma turma concluiu e, em 2012, a perspectiva é que uma turma também conclua. As turmas têm em média 30 alunos. 44 Figura 2 – Imagens do complexo escolar de São Cristóvão, Rio de Janeiro. A profissionalização de um grupo considerável de alunos egressos (aproximadamente 120 alunos) indica que a avaliação do curso não só já é possível como também é necessária, de modo que sejam identificadas e analisadas as perspectivas que ele tem gerado na comunidade escolar, sua estrutura e organização, sua potencial relevância social e as limitações de qualquer natureza que lhe são impostas. O Quadro 5 identifica alguns aspectos do curso: Quadro 5 – Dados do curso técnico em meio ambiente Ano de Implantação do Curso Unidade Escolar de Implantação 2007 São Cristóvão III (Ensino Médio) Departamentos Envolvidos Biologia, Geografia, Química e História Carga Horária Total 4.720 horas e mais 200 horas de estágio Fonte: Proposta do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II (Anexo 1) 45 Tendo em vista as contribuições de longa data oferecidas pelo tradicional colégio Pedro II à sociedade brasileira, sobretudo à fluminense, e a sua reafirmação como instituição educativa influente que, mesmo em meio a um contexto de desvalorização da escola pública ainda oferece ensino de excelência, torna-se importante analisar a implantação recente do curso técnico em meio ambiente na unidade São Cristóvão III - com possibilidades de ampliação para outras unidades - avaliando suas perspectivas e limites. O concurso seletivo de alunos para o curso técnico em meio ambiente no ano de 2012 contou com 423 inscrições validadas para candidatos concorrerem a 16 vagas no curso de meio ambiente oferecido pela instituição. Desses, 114 candidatos são oriundos de escola pública e 309 provenientes de escolas privadas. As demais vagas para o curso são preenchidas por alunos que já pertencem à instituição e que são egressos do ensino fundamental. A maioria destes vem da unidade II, localizada no complexo escolar de São Cristóvão. A carga horária total do curso técnico integrado em meio ambiente no colégio Pedro II é de 4.720 horas e mais 200 horas reservadas para estágio curricular obrigatório. De acordo com a proposta de implantação do curso técnico em meio ambiente, ele tem o objetivo geral de formar profissionais capacitados para: identificar os recursos naturais; auxiliar na preservação dos recursos naturais; avaliar e controlar os fatores antrópicos de intervenção no meio ambiente que causam impacto nos ciclos de matéria e energia. De acordo com a proposta de implantação do curso (anexo 1), os seus objetivos específicos são: desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão na área ambiental, transformando o colégio Pedro II em pólo regional de referência em questões ambientais; atuar nas esferas da educação, da preservação e da recuperação ambiental; capacitar profissionais críticos e aptos a intervir na busca de soluções para os problemas ambientais; qualificar recursos humanos para desempenhar funções técnicas, educativas e administrativas ligadas à área ambiental; desenvolver nos alunos a capacidade empreendedora como alternativa para inserção no mercado de trabalho; preparar os alunos para o trabalho em equipe, desenvolvendo a capacidade de liderança e o discernimento para a tomada de decisões. Além das disciplinas comuns do ensino propedêutico, os alunos têm uma grade curricular específica a qual disciplinas profissionalizantes são distribuídas ao longo dos três anos do ensino médio do seguinte modo apresentado no Quadro 6: 46 Quadro 6 - Distribuição das disciplinas específicas do curso técnico em meio ambiente 1ª Série 2ª Série 3ª Série • Fundamentos de Meio • Monitoramento Ambiental • Legislação Ambiental e Ambiente (160 h); (120 h); Normatização (80 h) • Química Ambiental • Química Analítica (120 h); • Manejo de Sistemas Aquáticos (120 h); e Terrestres (120 h); • Memória e Patrimônio do • Estudos Geoambientais e Meio Ambiente (80 h). Noções de Ecoturismo • Estudos de Impactos Ambientais (120 h); (120 h). • Metodologia de Projetos (80 h). Fonte: Proposta do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II, 2007 (Anexo 1) Dentro da grade curricular nota-se uma base de conteúdos multidisciplinar e bem fundamentados nas legislações, mas que negligencia disciplinas instrumentais importantes como Sensoriamento Remoto e Sistemas de Informações Geográficas. Em pesquisa realizada com os alunos, a maioria apontou que consegue perceber algum grau de integração entre os conteúdos estudados nas diferentes disciplinas. E com relação ao sensoriamento remoto, alguns buscam formações complementares em outras instituições, tais como a PUC Rio. A carga horária adéqua-se às exigências do MEC para a formação de técnicos em meio ambiente. Em relação ao estágio curricular, ele tem uma carga horária mínima de 200 horas, podendo ser cumprida até um ano após a conclusão das disciplinas previstas na grade curricular. Sendo assim, o aluno receberá o diploma de técnico em meio ambiente após o cumprimento da carga horária total de 1.240 horas. De acordo com a coordenadora do curso, a professora Vuyk (2012), que concedeu uma entrevista cujo modelo se encontra no Apêndice 1, a criação do curso técnico em meio ambiente integrado ao ensino médio surgiu em função das políticas educacionais que demandavam qualificação para o trabalho no nível médio. Como a instituição já realizava estudos na área de meio ambiente no projeto Área Verde, essa proposta do governo federal veio ao encontro das atividades já desenvolvidas na instituição, culminando com a criação do curso técnico em meio ambiente integrado ao ensino médio. 47 Sendo assim, o curso surgiu com a perspectiva de fornecer mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho, que vem demandando profissionais técnicos na área de meio ambiente. Há que se destacar também todo o apelo em prol das questões que envolvem o meio ambiente. Portanto, a criação de um curso de formação de técnicos em meio ambiente pela instituição poderia atrair atenção por parte de outros segmentos da sociedade. Segundo Vuyk (2012), as bases legais que fundamentam o curso estão na resolução 04/99 da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE). O perfil do profissional que se pretende formar está previsto nas competências gerais da Área Profissionalizante de Meio Ambiente. A partir deste perfil, busca-se desenvolver no estudante competências, habilidades e domínio de bases tecnológicas que o capacitem ao desempenho de suas funções. De acordo com essa resolução, a competência profissional do técnico é entendida como “capacidade de mobilizar, articular e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho”. A resolução também estabelece a caracterização da área profissional em meio ambiente e as competências gerais dos profissionais. Segundo a coordenadora (2012), as bases metodológicas do curso se apoiam nas perspectivas multidisciplinar e interdisciplinar. Segundo ela, a questão ambiental é multifacetada e intrinsecamente articulada às varias áreas do saber. Sendo assim, essa deve ser a abordagem nos estudos do curso técnico. Isso vai ao encontro do pensamento de Edgar Morin. De acordo com ele, a interdisciplinaridade deve ser uma característica básica dos estudos científicos. Nos estudos e pesquisas em meio ambiente, a interdisciplinaridade pode ser vital para o entendimento das relações entre o homem e o meio ambiente. O paradigma atual das ciências se caracteriza pela particularização dos saberes, criando as chamadas ciências parcelares. O fato é que, por conta das questões complexas que caracterizam o mundo, o isolamento das ciências pouco contribui para construção de conhecimentos mais sólidos. Segundo Morin: Nossa formação escolar e, mais ainda, a universitária nos ensina a separar os objetos de seu contexto, as disciplinas umas das outras para não ter que relacioná-las. Essa separação e fragmentação das disciplinas é incapaz de captar o que está tecido em conjunto, isto é, o complexo, segundo o sentido original do termo. (2001, p.52) Para Morin, a integração entre os saberes é condição fundamental para que o conhecimento do homem acerca da natureza e da própria sociedade se efetive com mais intensidade. Para ele, algumas ciências como a Geografia e a Ecologia possuem um caráter integrador dos saberes. Mas, a maioria caracteriza-se por estudos e práticas autocentrados, 48 como se fosse possível dar conta da realidade apenas através de uma via de conhecimento, ensejando perspectivas muito fragmentadas. Levando em conta as perspectivas multidisciplinar e interdisciplinar, a montagem da grade curricular do curso técnico em meio ambiente deveria privilegiar a diversidade de disciplinas e a articulação entre elas, buscando uma metodologia de estudos comuns. De acordo com Vuyk (2012), existe a perspectiva de se disponibilizar novas disciplinas para a grade do curso. A entrada de Sociologia Ambiental e Física Ambiental são propostas que ainda dependem de pessoal qualificado e disponibilidade na grade curricular para serem exequíveis. Outro aspecto importante para a formação dos técnicos é a realização do estágio curricular, que é componente obrigatório para a certificação do estudante. No caso do colégio Pedro II, houve uma dificuldade inicial para a firmação de um número suficiente de convênios com as empresas. Isso se refletiu na demora para que os estudantes das primeiras turmas cumprissem a carga horária do estágio. Atualmente, porém, a instituição conta com um número maior de empresas conveniadas. São elas: Instituto Estadual do Ambiente (INEA); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em seus diversos centros e laboratórios; Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (NIMA-PUC); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e; Universidade Santa Úrsula (USU). Segundo VUYK (2012), além destas, “outras instituições, tanto públicas como privadas, recebem esporadicamente alguns alunos, não se constituindo em parceiros permanentes e constantes”. Em relação à inserção dos egressos ao mercado de trabalho, Vuyk afirma que: O atual estágio de desenvolvimento socioeconômico do país exige uma atenção ambiental devido à necessidade de sustentabilidade, o que expande o mercado para os egressos, tanto em instituições governamentais quanto privadas. Podem ser citadas as empresas voltadas para o extrativismo, como as empresas de combustíveis fósseis, de matérias-primas naturais, tanto renováveis quanto não-renováveis, de construção nas suas diversas modalidades, de transportes aéreos, terrestres e marítimos e suas associadas, pois em todas estas atividades há uma necessidade de constante acompanhamento do impacto ambiental destas atividades. O espectro, no entanto, é muito mais amplo do que o citado. (2012) Ao realizar essa afirmação, a coordenadora do curso baseia-se no movimento mais recente que enfatiza a necessidade de se promover o desenvolvimento econômico sem comprometer a qualidade ambiental para as gerações futuras. Trata-se da idéia de desenvolvimento sustentável, surgida a partir dos desdobramentos da Conferência de Estocolmo, em 1972. O apelo pela sustentabilidade tem criado novas carreiras em todos os níveis. A formação de técnicos visaria atender a essa demanda. Demanda que é oriunda da tentativa do sistema capitalista internalizar as questões ambientais. Que nesse caso não cogita 49 mudanças nas bases que fundamentam a ordem econômica política e econômica mundial, mas sim a tentativa de se criar planos mitigadores para possibilitar a continuidade da exploração da natureza pelas atividades econômicas. Porém, esse é o ponto de vista dominante. Cabe, sobretudo, investigar se existe a possibilidade de formação de profissionais em meio ambiente mais críticos e propositores de mudanças estruturais. Isso pode depender de muitos fatores, como os que envolvem a filosofia da instituição, a filiação teórica e política dos seus gestores e docentes, bem como o contexto social em que se inserem. Por sua grandeza e diversidade de educadores, o colégio Pedro II tem potencial para oferecer uma formação mais crítica aos técnicos ambientais. 5.2.1 A Perspectiva dos Alunos em Relação ao Curso Ao final do primeiro semestre de 2011, foi realizada uma pesquisa com os alunos das três séries do curso técnico integrado em meio ambiente. Na turma da primeira série, que é composta por 30 alunos, 20 responderam ao questionário composto por dez questões com opções fechadas. Na segunda série, 22 alunos entre 26 responderam ao mesmo questionário. Já na terceira série, a metodologia do questionário foi diferente. 23 alunos dentre os 28 responderam a um questionário com dez perguntas com respostas abertas. No total, 84 alunos participaram da entrevista. Os roteiros das entrevistas aplicadas às três séries estão no Apêndice 2. 5.2.1.1 Entrevista com os Alunos das 1ª e 2ª Séries De um modo geral, as respostas demonstraram que há pouco envolvimento dos alunos e seus respectivos familiares em questões ambientais, seja em nível voluntário ou profissional. Isso demonstra que não existe, na grande maioria dos casos, uma influência por profissionais na família que atuam com o meio ambiente. Não foi possível perceber algum tipo de influência prévia por alguém da família que desenvolva trabalhos em meio ambiente. Provavelmente, os fatores que os motivaram a ingressar nesta área foram os apelos em relação às questões ambientais e à possibilidade, dita promissora, de ingressar no mercado de trabalho. Neste caso, ingressar no curso técnico seria uma forma de buscar uma porta para empregos promissores na área ambiental. Em relação à grade curricular, os alunos da segunda série percebem maior grau de integração entre as disciplinas cursadas do que os da primeira série, inclusive aqueles já participaram de projetos que envolveram duas ou mais disciplinas. Essa diferença pode ser 50 explicada pelo tempo maior que os primeiros já estão no curso. Quase todos os alunos das duas séries percebem as disciplinas oferecidas como satisfatórias para a formação técnica em meio ambiente. Sobre as atividades extracurriculares, os alunos da primeira série entendem que as disciplinas que a escola oferece são suficientes para a formação. Já os alunos da segunda série mostraram-se divididos em relação a este item. Na primeira série, todos os alunos afirmaram que não conhecem a legislação que cria e disciplina a carreira de técnico em meio ambiente. Na segunda série dezoito alunos afirmaram que a conhecem parcialmente. Apenas um afirmou que a conhece integralmente. A maioria dos alunos acredita que o mercado de trabalho está favorável para os técnicos em meio ambiente. Mas, na primeira série, dezesseis alunos afirmaram que pretendem cursar alguma graduação quando terminarem o curso. Na segunda série, apenas um aluno afirmou que não pretende fazer graduação. Este fato é curioso, pois, ao mesmo tempo em que a maioria dos alunos afirma que o mercado de trabalho está favorável para os técnicos, eles querem fazer alguma graduação, ou seja, não pretendem atuar apenas como técnicos em meio ambiente. Entre os cursos de graduação citados pelos alunos de ambas as séries aparecem: Engenharia Ambiental, Biotecnologia; Biologia, Biologia Ambiental, Química, Engenharia Genética, Engenharia Química, Geografia, Geologia, Engenharia Bioquímica, Veterinária, Engenharia Florestal, Arquitetura, Ecologia, Gestão Ambiental, Comunicação Social, Ciências Sociais, Cinema, Moda e Oficial dos Bombeiros. Dentre todos esses, os mais citados foram as graduações em Biologia e em Engenharia Ambiental. Estes dados mostram que, apesar de não quererem resumir suas atuações ao nível médio técnico, os alunos do curso identificam-se com profissões de nível superior que se relacionam com questões ambientais. A Tabela 1 apresenta o quantitativo de alunos cursistas do técnico em meio ambiente na 1ª e na 2ª séries e o total de questionários respondidos. 51 Tabela 1 – quantitativo de alunos cursistas do técnico em meio ambiente na 1ª e na 2ª séries e o total de questionários respondidos. SEGMENTO TOTAL DE ALUNOS QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS 1ª SÉRIE 30 20 2ª SÉRIE 26 22 A partir das respostas dos alunos foi realizada uma tabulação e construídos gráficos para identificar e permitir a análise dos dados obtidos na aplicação do questionário. Os percentuais de participação na entrevista permitem considerar os resultados relevantes. O gráfico a seguir apresenta os resultados referentes à primeira questão levantada. 1ª questão: Você está envolvido diretamente com alguma causa ambiental? Caso a resposta seja afirmativa, especifique a que grupo você pertence (ONG, movimento social, sindicato, associação de moradores, etc.) 1ª série 2ª série 100,00% 120% 90,00% 80,00% 100% 70,00% 80% 60,00% 60% 50,00% 40,00% 40% 30,00% 20% 20,00% 10,00% 0% 0,00% Sim Sim Não Não Usina de reciclagem e Greenpeace Gráfico 1 - Percentuais relativos à primeira questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Essa questão teve como objetivo saber se existe algum envolvimento dos alunos com causas ambientais específicas. Desse modo, seria possível identificar se houve alguma 52 influência dessa natureza na escolha pelo curso e seria possível também avaliar a influência dos ensinamentos e da experiência do curso nas práticas dos estudantes. Porém, na 1ª série apenas 10% dos alunos relataram participar de algum movimento. Um aluno afirmou que atua em uma usina de reciclagem e o outro é militante de Greenpeace. Na 2ª série, nenhum aluno relatou participar de algum movimento no qual atue em causas ambientais. Portanto, de modo geral, pode-se considerar que é baixo o grau de envolvimento prévio dos alunos com causas ambientais. Tabela 2 - Percentuais de respostas para a segunda questão: 2ª questão: Existem pessoas em sua família envolvidas diretamente com alguma causa ambiental? Caso a resposta seja afirmativa, especifique a que grupo ela( s) pertence(m) (ONG, movimento social, sindicato, associação de moradores, etc.) 2ª série 1ª série Sim Não 0% 100% Sim Não 0% 100% Neste item, o objetivo consiste em identificar se alguém da família dos alunos estava envolvido diretamente com alguma questão ambiental. Respostas afirmativas poderiam indicar algum tipo de influência familiar na escolha dos alunos. Porém, nas duas séries, todas as respostas foram negativas. O Gráfico 2 mostra a terceira questão respondida pelos alunos e que se refere à inserção de alguém da família em alguma profissão relacionada ao meio ambiente. 53 3ª questão: - Existem pessoas em sua família que atuam profissionalmente na área ambiental? Caso a resposta seja afirmativa, especifique em que e onde ela(s) trabalha(m). 1ª série 2ª série 25 20 Não 15 10 Sim 5 0 Total 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% Sim Não 80,00% 100,00% Empresas citatas: Fiocruz (Microbiologia), Fetranspor e UFCP Empresa citada: INEA Gráfico 2 –Resultados referentes à terceira questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Nesta questão, o objetivo foi buscar uma possível identidade profissional dentro das famílias dos estudantes. Dentre os estudantes da 1ª série, mais de 80% afirmaram não ter pessoas na família que trabalhem na área ambiental. Apenas três alunos possuem algum familiar atuando nesta área. As empresas citadas foram FIOCRUZ, FETRANSPOR e UFPC (Universidade Federal de Poços de Caldas). Dentre os estudantes da 2ª série, o índice de pessoas na família que atuam na área também foi baixo. Apenas um aluno mencionou que possui um familiar trabalhando no Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Este órgão faz parte do grupo de empresas conveniadas à escola para o oferecimento de estágios. Sendo assim, é possível concluir que não houve influência familiar significativa na escolha pelo curso técnico em meio ambiente. É mais provável que os estudantes tenham sido influenciados pela emergência das discussões sobre o meio ambiente, que vêm conquistando cada vez mais visibilidade na grande mídia. Na 4ª questão (Gráfico 3) buscou-se averiguar a percepção dos alunos em relação à relação entre os conteúdos estudados nas disciplinas que compõem o curso. Na 1ª série, 80% dos alunos afirmaram perceber interrelação entre os conteúdos estudados nas diferentes disciplinas. 20% responderam que a percebem eventualmente. Nenhum aluno afirmou que nunca percebeu essa conexão. Na 2ª série, mais de 60% respondeu que percebe alguma conexão. Um pouco mais de 30% visualiza essa relação eventualmente. Menos de 5% dos alunos responderam que nunca percebem. 54 4ª questão: Você percebe alguma interrelação, conexão entre os conteúdos estudados nas diferentes disciplinas que compõem a sua grade curricular? 1ª série 2ª série Nunca Nunca Eventualmente Eventualmente Sempre Sempre 0% 20% 40% 60% 80% 100% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Gráfico 3 – Resultados relativos à quarta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Alguns fatores podem explicar as diferenças nas percepções entre os alunos da 1ª e da 2ª séries. Analisando as ementas das disciplinas específicas oferecidas (anexo 2), percebem-se temáticas na 1ª série. Além disso, a carga horária de disciplinas específicas é maior nesta série. São 400 horas distribuídas ao longo de três trimestres. Outra hipótese é de que os alunos da 2ª série possuam um nível de maturidade acadêmica superior aos da 1ª série e, por isso, consigam perceber que os assuntos estudados exigem um grau maior de interdisciplinaridade. De qualquer modo, somando-se os dois grupos de resposta, a percepção dos alunos foi favorável em relação às relações entre os conteúdos das diferentes disciplinas. A quinta questão, mostrada no Gráfico 4, visou reforçar a questão da relação entre os conteúdos estudados, pressuposto básico, segundo os teóricos da complexidade, para os estudos ambientais. A realização de atividades em conjunto com duas ou mais disciplinas reforça nos alunos a premissa de que os objetos de estudo não são encerrados em um único saber. Na 1ª série, mais de 60% dos alunos afirmaram não ter ainda participado de projetos em conjunto com duas ou mais disciplinas. Mais de 30% deles afirmaram que já participaram. 10% deixaram a resposta em branco. O fato de apenas uma parte da turma ter afirmado participar de projetos desse tipo pode indicar que estes não foram obrigatórios. Ou então, aqueles que responderam negativamente podem não ter tido a percepção mesmo participando de tais projetos. 55 5ª questão: No curso, você já participou de algum projeto ou trabalho que envolvia duas ou mais disciplinas? 1ª série 2ª série 60,00% 100% 90% 50,00% 80% 70% 40,00% 60% 50% 30,00% 40% 20,00% 30% 20% 10,00% 10% 0% 0,00% Sim Não Em branco Sim Não Gráfico 4 – Resultados referentes à quinta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Dentre os alunos da 2ª série, o índice de alunos que afirmaram já ter participado de projetos envolvendo duas ou mais disciplinas foi superior a 80%. A diferença em relação à 1ª série pode ser explicada por àqueles alunos estarem em uma etapa mais avançada do curso. De modo geral, o alto percentual de respostas afirmativas demonstra que o curso vem valorizando esse tipo de atividade. Na 6ª questão (Gráfico 5), buscou-se identificar a perspectiva dos alunos em relação às matérias específicas oferecidas pelo curso. Na 1ª série, 69% dos alunos consideraram as disciplinas oferecidas satisfatórias para a formação profissional. 22% deles consideraram quase todas satisfatórias. Apenas 10% responderam que nenhuma ou poucas são satisfatórias. De maneira geral, o fato de estarem apenas no primeiro ano de formação não pesou negativamente nas respostas. As disciplinas ministradas nessa etapa são: Fundamentos de Meio Ambiente; Química Ambiental; Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo. 56 Questão 6: Você considera as disciplinas oferecidas pelo seu curso satisfatórias para a sua formação profissional? 1ª série 2ª série Sim 68% Quase todas 22% Poucas 5% Nenhuma 5% Sim 80% Quase todas 15% Poucas 0% Nenhuma 0% Em branco 5% Gráfico 5 – Resultados relativos à sexta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Conforme se observa no gráfico da Figura 06, na 2ª série, 80% dos alunos consideraram as disciplinas oferecidas satisfatórias para a formação. Entre os que consideraram quase todas satisfatórias o índice foi de 15%. Nenhum aluno respondeu que nenhuma e nem que poucas são satisfatórias. Além de já terem cursado as disciplinas citadas anteriormente, os alunos estudam na 2ª série outras três: Monitoramento Ambiental (120 h); Química Analítica (120 h); Memória e Patrimônio do Meio Ambiente. O elevado número de respostas positivas a este item indica que as disciplinas oferecidas têm atendido às expectativa dos alunos de ambas as séries. Na 7ª questão visou-se aferir a percepção dos alunos em relação às atividades extracurriculares desenvolvidas ao longo do curso. Dentre essas atividades estão incluídas visitas técnicas e participação em eventos. Conforme o gráfico 6, 85% dos alunos da 1ª série relataram que consideram as cargas horárias dessas atividades suficientes. Apenas 10% responderam que não. 57 7ª questão: Você considera a carga horária extracurriculares suficientes para a sua formação? 1ª série das atividades 2ª série Sim 85% Não 10% Em branco 5% Sim 50% Não 50% Gráfico 6 – Resultados referentes à sétima questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Como pode ser observado no gráfico 6, na 2ª série as opiniões ficaram divididas. Metade dos alunos respondeu que essas atividades são suficientes e a outra metade respondeu que não são. A diferença dos resultados para este item entre as duas séries chama atenção para o fato de que a percepção dos alunos em relação às atividades extracurriculares piora à medida que avançam para outras etapas de suas formações. Por outro lado, essas diferenças também podem indicar alguma valorização recente dessas atividades por parte da instituição. Na oitava questão, o objetivo foi averiguar o conhecimento dos alunos acerca da estruturação da profissão de técnico em meio ambiente. O Gráfico 7 apresenta os resultados. 58 8ª questão: Você conhece a legislação que cria e disciplina a carreira de técnico em meio ambiente? 1ª série 2ª série 80% 90,00% 70% 80,00% 60% 70,00% 60,00% 50% 50,00% 40% 40,00% 30% 30,00% 20% 20,00% 10% 10,00% 0% 0,00% Sim Não Parcialmente Em branco Sim Não Parcialmente Gráfico 7 – Resultados relativos à oitava questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Conforme mostrado no Gráfico 7, na 1ª série, mais de 70% dos alunos afirmaram desconhecer a lei 10.410/02. 20% afirmaram que a conhece parcialmente. Nenhum aluno nesta série disse conhecer a legislação. Na 2ª série, 80% dos alunos disseram conhecê-la parcialmente. 5% afirmaram conhecer bem a lei. E 15% afirmaram que não a conhecem. É importante que, até o final do processo de formação, os estudantes tenham contato e estudem a legislação que regulamenta a profissão. Inclusive, porque nela estão as atribuições do técnico ambiental. É fundamental ter essa clareza para que o futuro profissional tenha segurança sobre a sua atuação. Na nona questão, o objetivo foi identificar a percepção dos alunos em relação à potencialidade do mercado de trabalho para o técnico ambiental. 59 9ª questão: Você acredita que o mercado de trabalho está favorável para os técnicos em meio ambiente? 1ª série 2ª série Em branco Parcialmente Parcialmente Não Não Sim Sim 0% 20% 40% 60% 80% 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00 % Gráfico 8 – Resultados obtidos para a nona questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Analisando-se o Gráfico 8 verifica-se que para quase 80% dos alunos da 1ª série o mercado está favorável para os técnicos. Para 20% deles, o mercado está favorável em alguns aspectos. Nenhum aluno apontou que o mercado está desfavorável. Para quase 100% dos alunos da 2ª série, o mercado está bom para esse profissional. De modo geral, a maioria dos alunos indicou acreditar em futuro profissional promissor em relação à empregabilidade. Isso evidencia que os estudantes têm perspectivas otimistas no que se refere à titulação que receberão ao final do curso. O 10º questionamento teve como objetivo aferir o quantitativo de alunos que buscarão formação de nível superior ao final do curso. O Gráfico 9 apresenta esse percentual. 60 10ª questão: Você pensa em fazer alguma graduação quando terminar o curso? Caso a resposta seja afirmativa, indique o(s) curso(s) pretendido(s). 2ª série 1ª série 90,00% 100,00% 80,00% 90,00% 70,00% 80,00% 60,00% 70,00% 50,00% 60,00% 50,00% 40,00% 40,00% 30,00% 30,00% 20,00% 20,00% 10,00% 10,00% 0,00% 0,00% Sim Sim Não Não Gráfico 9 – Resultados da décima questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries Os resultados apontam, conforme se observa no Gráfico 9, o quantitativo de alunos que pretendem atuar apenas como técnicos. Na 1ª série, 80% dos alunos afirmaram que pretendem cursar alguma graduação. 20% não se manifestaram nesse sentido. Na 2ª série o percentual de alunos que buscarão a educação superior ainda é maior. Mais de 90% deles irão procurar formação para além do nível médio técnico. Esse dado indica que, mesmo que acreditem que o mercado está promissor para o técnico, eles não planejam uma carreira profissional exclusivamente de nível técnico. A tabela 3 apresenta a manifestação dos alunos em relação a escolha de uma carreira após o término do curso técnico em meio ambiente. 61 Tabela 3 – Graduações citadas pelos alunos entrevistados da 1ª e da 2ª séries GRADUAÇÕES CITADAS 1ª série Graduação 2ª série Citações Graduação Citações Engenharia Ambiental 5 Engenharia Ambiental 5 Biologia 4 Biologia 5 Biotecnologia 2 Biomedicina 2 Engenharia Genética 2 Gestão Ambiental 2 Biologia Ambiental 1 Alguma Engenharia 2 Engenharia Química 1 Geografia 1 Engenharia Bioquímica 1 Engenharia Química 1 Veterinária 1 Engenharia Florestal 1 Ecologia 1 Geologia 1 Gestão Ambiental 1 Ciências Sociais 1 Arquitetura 1 Comunicação Social 1 Química 1 Química 1 Cinema 1 Oficial dos Bombeiros 1 1 Não Especificou 2 Moda Analisando as graduações citadas, fica evidente que a maioria deles quer buscar profissões de nível superior que se relacionem à área ambiental. Ou seja, eles pretendem atuar na área ambiental, mas para além do nível técnico. As diferenças salariais e de prestígio entre os profissionais de nível médio e superior são as causas mais prováveis dessa situação. Embora valorizem o curso técnico em meio ambiente, eles acreditam que terão uma carreira mais promissora se buscarem um curso de graduação. Em se tratando de serviço público, isso pode ter relação com as políticas atuais de planos e cargos e salários para os servidores federais. Os planos de carreiras estabelecem uma diferença salarial significativa entre os profissionais de nível médio e os de nível superior. Além disso, o plano de carreira também prevê progressão funcional e incentivo à qualificação mais vantajosas para os servidores de nível de superior. Na esfera privada, mesmo com diversas categorias tendo piso salarial, é mais difícil mensurar essas diferenças. Mas, pelas informações advindas do mercado de trabalho, temos também uma valorização maior dos profissionais de nível superior em relação aos de nível médio. 5.2.1.2 Entrevista com os Alunos da 3ª Série Em novembro de 2011 foi realizada uma entrevista com os alunos do 3º ano do ensino médio integrado em meio ambiente. Eles responderam a dez questões dissertativas a respeito das suas impressões depois de três anos de curso e também sobre suas perspectivas 62 futuras e sobre a profissionalização em meio ambiente que estavam prestes a concluir na ocasião. A turma possuía 28 alunos. Desse total, 23 responderam à entrevista. A partir das respostas obtidas foi possível identificar alguns pontos positivos e deficitários na percepção dos alunos. Eles apontam para a necessidade de se realizar reflexões e promover determinadas reestruturações na formação oferecida pelo colégio Pedro II. Há que se destacar que, muitas das limitações apontadas pelos alunos podem ser explicadas pela recente implantação do curso. Porém, como já existe um número significativo de alunos egressos (ao final do ano de 2011, 120 alunos já haviam concluído o curso) é possível traçar um diagnóstico sobre os resultados oriundos da implantação do curso. Seguem os resultados da entrevista e uma análise sobre as respostas apresentadas: Conforme informações apresentadas no Gráfico 10, o interesse e preocupação com o meio ambiente apareceu em metade das respostas dadas pelos alunos. Gráfico 10 – Motivações para o ingresso no curso apontadas pelos alunos da 3ª série De acordo com a aluna A “a perspectiva de algum dia poder criar ou participar de soluções para os diversos problemas ambientais dos dias de hoje foi o que me motivou”. O interesse no possível aumento da demanda do mercado de trabalho foi um ítem presente em 36% das respostas. A expectativa de empregabilidade foi, portanto, um fator motivador para o ingresso dos alunos no curso técnico em meio ambiente. Segundo o aluno B, a área técnica em meio ambiente “tende a crescer, pois é uma área nova como profissão”. 63 Ter uma formação técnica apareceu em terceiro lugar com 11% das respostas. Neste caso, a formação técnica aparece como uma alternativa ao ingresso cada vez mais competitivo nos cursos de graduação. Para a aluna C, o que motivou o ingresso no curso foi “a idéia de obter uma formação adicional ao currículo”. Desse modo, a perspectiva de ingressar no mercado não dependeria, necessariamente, de esperar o ciclo do ingresso e conclusão de curso de nível superior. Isso reflete em parte a angústia dos jovens com relação às inseguranças do mercado de trabalho. No caso do aluno que foi inscrito no curso equivocadamente, a permanência do mesmo até a 3ª série indica que, apesar do erro, foi dada uma oportunidade de permanecer e conhecer o curso. O mesmo aluno, em resposta a outro ítem, mostrou-se em dúvidas sobre se vai seguir ou não a carreira na área ambiental. As respostas obtidas para a segunda questão evidenciam a importância que a relação homem - natureza tem para os alunos. O Gráfico 11indica as percepções dos alunos para a questão da importância da natureza para as suas vidas. Houve uma grande diversidade de respostas, porém a dependência em relação à natureza apareceu em uma quantidade expressiva de respostas. Gráfico 11 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: Qual é o significado que a natureza tem para a sua vida? Conforme observado no Gráfico 11, oito alunos indicaram que dependemos da natureza para sobreviver e termos qualidade de vida. De acordo com o aluno D, a natureza “tem um importante significado, pois é ela que nos gera, sustenta e possibilita a vida”. Para a aluna E “é dela que dependemos para sobreviver e conseguir ter uma vida saudável”. Esses relatos destacam a relação de dependência que os seres humanos estabelecem com a natureza. 64 Sendo assim, a qualidade de vida decorreria de uma relação equilibrada entre os componentes do meio. De acordo com Leff: A qualidade de vida está entrelaçada com a qualidade do ambiente e com a satisfação das necessidades básicas, com a conservação do potencial produtivo dos ecossistemas, com o aproveitamento integrado dos recursos naturais e com a sustentabilidade ecológica do habitat. (2000, p.223). Essa perspectiva sobre a qualidade de vida aparece indiretamente nas outras respostas. É provável que os fatores que influenciaram as respostas dos alunos estão além do senso comum. Na 3ª série do ensino médio de um curso técnico em meio ambiente, eles já tiveram acessos a conceitos e conhecimentos mais intensos e críticos a respeitos da temática ambiental. Todas as respostas convergem para o fato de sermos partes integrantes do meio em que vivemos. Na questão mostrada no Gráfico 12, o objetivo foi identificar as expectativas dos alunos em relação à formação técnica oferecida. Gráfico 12 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: O que você esperava do curso técnico em meio ambiente? A partir das respostas apresentadas no Gráfico 12, é possível fazer um panorama dos principais interesses daqueles que buscam a formação técnica em meio ambiente. Aulas práticas em campo e recebimento e aprofundamento dos conhecimentos apareceram em 73% das respostas. A preparação para o mercado de trabalho, que de certa forma se relaciona diretamente com os dois itens anteriores, apareceu em 18% das respostas. Ou seja, 91% das respostas indicam as expectativas dos alunos em relação à qualidade da formação oferecida. 65 Pelo fato de os técnicos ambientais estudarem e atuarem em questões relativas à natureza, as aulas em campo são fundamentais na visão de quase metade dos alunos. A aluna F respondeu que “esperava ter uma maior interação verdadeira com o meio ambiente através das aulas práticas”. A aluna G afirmou que “esperava mais aulas práticas e mais amor ao meio ambiente. Mais respeito e pequenas ações poderiam ser ensinados”. De maneira geral, na opinião de um grupo de alunos, as aulas de campo oferecidas não são suficientes para a formação. A preocupação dos alunos no que se refere às aulas práticas justifica-se por estas serem pedagogicamente fundamentais em um curso voltado para o meio ambiente. Nenhum aluno frisou que não ocorreram aulas práticas. Eles apenas indicaram que a quantidade oferecida esteve aquém do que eles esperavam. Apareceram em 3% das respostas os itens interdisciplinaridade, infra-estrutura adequada e amor ao meio ambiente. Em relação ao primeiro item, o baixo número de respostas indica o desconhecimento prévio dos alunos em relação à importância da prática interdisciplinar. A prática interdisciplinar ainda é um desafio na maioria das escolas. O número pequeno de respostas em relação ao item infra-estrutura mostra que a preocupação com espaço físico, laboratórios e outros aspectos estruturais não foi tão considerado. Talvez a grandeza da instituição tenha gerado um grau de confiança em relação a esse aspecto. Por fim, a citação relativa ao amor ao meio ambiente mostra uma perspectiva mais intensa e idealista em relação às expectativas geradas pelo curso. O objetivo da questão, mostrada no Gráfico 13, foi fazer um comparativo entre as expectativas dos alunos em relação ao curso e o atendimento dessas expectativas ao final do processo de formação. 66 Gráfico 13 – Respostas para dos alunos da 3ª série para a questão: O curso tem atendido às suas expectativas? Observa-se, no Gráfico 13, que dezoito alunos responderam que o curso não atendia as expectativas iniciais. Três alunos responderam que estavam sendo atendidos em parte. Apenas dois alunos responderam que o curso atendia às suas expectativas. Por se tratar de um curso recém-implantado, é provável que ainda existam limitações que precisam ser superadas e ajustes a serem incorporados nas práticas do curso. O projeto do curso atende às exigências estabelecidas pela Câmara Básica de Educação. Sua estrutura multidepartamental (Geografia, Biologia, Química e História) atende aos princípios de multidisciplinaridade. O corpo docente apresenta boa qualificação. O retorno dos alunos, com base nesta pesquisa, pode ser um bom ponto de partida para gerar reflexão na comunidade escolar, visando à superação dos obstáculos que vem comprometendo o atendimento dos objetivos do curso e anseios dos discentes, o que consequentemente propiciaria uma melhor qualidade no curso oferecido pelo Colégio Pedro II. A questão seguinte procurou levantar as principais dificuldades que os alunos sentem no curso. Nessa questão houve uma grande diversidade de respostas. 67 Gráfico 14 – Respostas da 3ª série para a questão: Quais são as principais dificuldades que você vem enfrentando em seu curso? Conforme verificado no Gráfico 14, em destaque, com 31% das respostas, o item cumprimento da carga horário obrigatória foi apontado como a principal dificuldade dos alunos em relação ao curso. Segundo a aluna H, a principal dificuldade está em “conciliar o estágio, as aulas no turno oposto, as atividades fora da escola e a preparação para o vestibular”. Conforma já foi mostrado na tabela 4, a carga horária total de um estudante do ensino médio integrado é de 4.720 horas e mais 200 horas de estágio curricular obrigatório. As duas graduações mais citadas pelos alunos na tabela 8 pelos alunos da 1ª e da 2ª séries, Engenharia Ambiental e Biologia, tem cargas horárias inferiores ao do técnico em meio ambiente do colégio Pedro II. Na Universidade Federal de Viçosa, por exemplo, a graduação em Engenharia Ambiental tem carga horária total de 3.690 horas (http://www.ufv.br). Já em relação ao curso de Ciências Biológicas, a Resolução CNE / CES nº 4, de 6 de abril de 2009, estabelece que a carga horária mínima é de 3.200 horas. Esse comparativo indica que a carga horária do curso técnico integrado em meio ambiente no colégio Pedro II é realmente elevada se comparada aos cursos de graduação mais citados. Com essa carga horária elevada, os estudantes precisam fazer as matérias específicas do técnico no turno oposto ao qual estudam. Sendo assim, na prática, o curso acaba sendo integral. A queixa também é maior nessa série devido à preparação para o vestibular. Os alunos que desejam cursar alguma graduação sentem dificuldades em conciliar a elevada carga horária com os estudos para os vestibulares. Pois, como dito anteriormente, mesmo adquirindo uma habilitação profissional, a maioria dos alunos deseja ingressar na educação superior. 68 A falta de aulas práticas apareceu em 16% das respostas. Infraestrutura deficitária aparece em terceiro lugar com 13% das respostas. Problemas de organização aparecem em 9% das respostas. Eles se referem basicamente à distribuição da carga horária ao longo do curso e ao planejamento dos estágios. A defasagem teórica e a falta de motivação por parte da equipe responsável pelo curso aparecem em um total de 16% das respostas. Trata-se de um percentual relativamente baixo e que contrasta com a qualificação e envolvimento dos profissionais que atuam no curso. A dificuldade de realizar estágios esteve presente em 9% das respostas. Levandose em consideração se tratar de um curso novo, esse indicador reflete integração boa da instituição com os órgãos que oferecem os estágios. O excesso de cobrança por parte da equipe foi mencionado por 6% dos alunos. Provavelmente, isso seja um desdobramento da carga horária elevada a que os alunos se referiram em outra resposta. No entanto, uma cobrança exagerada para além da carga horária exigida não pareceu ser aspecto relevante nas respostas. A questão que aparece no Gráfico 15 refere-se às expectativas dos alunos em sua atuação profissional. Neste item, seis alunos demonstraram ter uma grande preocupação em relação à competitividade com outros profissionais no mercado de trabalho. Quatro deles apontaram a dificuldade em executar projetos voltados para a saúde do meio ambiente. Gráfico 15 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Quais são as principais dificuldades que você acredita que irá enfrentar em sua atuação como profissional em meio ambiente A competitividade foi a resposta mais apontada pelos alunos. A falta do interesse do poder público e de empresas privadas apareceu quatro vezes entre as respostas. A dificuldade de se executar projetos voltados para a saúde ambiental também teve quatro 69 apontamentos. Sobre este último, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o conceito de saúde ambiental: aborda os aspectos da saúde e qualidade de vida humana determinados por fatores ambientais, sejam estes físicos, químicos, biológicos ou sociais. Refere-se também à teoria e prática de avaliação, correção, controle e prevenção daqueles fatores que, presentes no ambiente, podem afetar potencialmente de forma adversa a saúde humana de gerações presentes ou futuras. (OMS – Organização Mundial de Saúde, 1995). Três alunos apontaram que não pretendem atuar na área ambiental e um está na dúvida. Esse dado nos mostra que, apesar das limitações apontadas pelo conjunto dos alunos, o curso conseguiu manter, ou mesmo, suscitar o interesse pela área ambiental. Os itens precariedade no local de trabalho, desconhecimento das atribuições do trabalho do técnico e defasagem dos conteúdos técnicos apareceram duas vezes nas respostas. Preocupações com burocracias e adaptação ao trabalho apareceram apenas uma vez. A Tabela 4 resume as pretensões profissionais dos estudantes. Tabela 4: Pretensões profissionais dos alunos da 3ª série na carreira de técnico ambiental Atuar em campo Atuar em programas de responsabilidade social Trabalhar em setores de meio ambiente de empresas Não tem Ganhar um bom salário fazendo aquilo que gosta Estabilidade profissional Defender causas ambientais Trabalhar em obras Trabalhar com despoluição Atuar na área de educação ambiental Lecionar para cursos técnicos Trabalhar na área da zoologia Trabalhar com pesquisa marinha Trabalhar na área de engenharia florestal Trabalhar na área de petróleo e gás Proteger e conservar a natureza Trabalhar na área de geologia Trabalhar na polícia federal Trabalhar bem como técnico em meio ambiente Ainda não decidiu Não quer atuar na área Transformar o sistema e promover o equilíbrio ambiental 1 1 1 1 4 4 1 1 1 1 1 2 1 3 1 1 1 1 3 1 2 1 Na questão sobre quais as pretensões profissionais como técnico em meio ambiente houve diversidade de respostas, que indicam as inúmeras possibilidades oferecidas pela carreira na área de meio ambiente. Somado a isso, os estudantes da 3ª série estão em uma fase de dúvidas e incertezas sobre que caminho profissional seguir. A aluna A respondeu que 70 espera “poder fazer bastante trabalho de campo e, se possível, fazer parte de programas de responsabilidade social”. Na maior parte das respostas, os alunos evidenciaram uma preocupação com estabilidade, boa remuneração e fazer aquilo que gostam. A aluna I destacou: “minha pretensão é alcançar um bom cargo estável, onde eu irei defender as causas ambientais”. Alguns alunos demonstraram já ter convicção a respeito de como querem se especializar. A aluna J respondeu: “pretendo seguir a área de pesquisa marinha como bióloga ou então seguir para a área de zoologia”. Em outra resposta, o aluno L disse: “tornar-me engenheiro e trabalhar em obras e/ou despoluição”. Há que se destacar que dois alunos responderam que não querem atuar na área e um respondeu que não tem pretensão profissional nesta área. De modo geral, as respostas apontam para a necessidade desses alunos receberem algum tipo de orientação profissional, seja por parte da escola ou por outros meios. A Tabela 5 mostra alguma(s) área(s) específica(s) e/ou empresa(s) nas quais os alunos gostariam de atuar como técnico em meio ambiente. Tabela 5: Área e/ou empresas nas quais os alunos da 3ª série gostariam de atuar Ainda não pensou no assunto Petrobrás Companhia Vale Marinha Outras empresas petrolíferas Área de construções civis sustentáveis Química INEA (educação ambiental) Engenharia ambiental Qualquer empresa pública IBAMA Biologia Zoologia Engenharia florestal Petróleo e gás Furnas Eletrobrás Perícia criminal Engenharia ambiental Bayer Química ambiental Qualilab Não tem Trabalhar embarcado ONU Geração de energia limpa 1 4 2 2 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 4 1 1 1 71 Área socioambiental Consultoria ambiental Ecologia marinha 1 1 1 Nesse item, o objetivo foi identificar se os alunos já possuem uma meta específica para a prática da profissão de técnico em meio ambiente. Daqueles que apontaram uma empresa, quatro citaram a Petrobrás, prestigiada empresa do ramo petrolífero. A Companhia de mineração e logística Vale apareceu em duas respostas. Outras empresas foram citadas em pelo menos uma resposta, entre elas o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Eletrobrás. O aluno M gostaria de “trabalhar na área de química em empresas como a Qualilab e outras onde a especialização seria em química ambiental”. O mercado de trabalho ainda é pequeno para os técnicos ambientais. Na esfera pública, poucos são os concursos que demandam vagas para este cargo. Nos quatro primeiros meses do ano de 2012 algumas instituições públicas incluíram em seus processos seletivos o cargo de técnico em meio ambiente. A Tabela 6 exibe essa informação: Tabela 6: Concursos para técnico em meio ambiente em 2012 Concurso Prefeitura Municipal Vagas Atribuições 10 Não publicado Carga Vencimento Horária R$ 40h 1.687,14 40h 2.896,02. 40h 3.120,00 de Rio das Ostras (RJ) Executar e participar de programas de controle de poluição, de otimização da PETROBRÁS 14 utilização da água, energia e insumos, bem como dos processos de licenciamento e autorizações ambientais. Executar e participar de programas de controle de poluição, de otimização da TRANSPETRO 1 utilização da água, energia e insumos, bem como dos processos de licenciamento e autorizações ambientais. Fonte: www.pciconcursos.com.br, 2012 Como pode ser observado na tabela 6, as vagas disponibilizadas para técnicos ambientais não são numerosas. A carga horária padrão é de 40 horas semanais e os salários 72 variam bastante. Não há piso salarial para essa carreira. Em relação às atribuições definidas pelas empresas Petrobrás e Transpetro, elas estão de acordo com as estabelecidas pela Lei 10.410/02 que cria e disciplina a carreira de técnico em meio ambiente, já mencionada neste trabalho. Apesar de oferecerem poucas vagas, esses concursos geram a perspectiva de maior demanda por esses profissionais no futuro, visto que o cargo de técnico ambiental nunca havia sido requerido por essas instituições. Trata-se, portanto, de um fato inédito e que abre precedentes para que outras empresas, sejam públicas ou privadas, passem a demandar esses profissionais. A questão Como você espera contribuir para a sociedade através da sua atuação profissional? (Gráfico 16) é um desdobramento das duas anteriores. A diversidade de respostas indica a multiplicidade de possibilidades que a área ambiental pode oferecer na visão dos alunos. Gráfico 16 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Como você espera contribuir para a sociedade através da sua atuação profissional? Observa-se que algumas respostas evidenciam a vontade de os alunos buscarem algum curso de graduação a fim de aumentarem o poder de influência. Quase todos os alunos 73 entrevistados prestaram algum exame de admissão para a educação superior no final de 2012. Esse fato reforça a pretensão dos alunos para além da formação técnica. A preocupação com a sustentabilidade apareceu em quatro respostas. O aluno N espera “impedir devastações desnecessárias e promover mecanismos de desenvolvimento limpo”. A educação ambiental e as ações para melhorar a qualidade de vida das pessoas aparecerem em três respostas cada. Para o aluno O desejo é “reflorestar áreas desmatadas e educar a população evitando que ocorram enchentes devido ao lixo jogado no chão”. Dois alunos responderam que pretendem contribuir pondo em prática os saberes ambientais adquiridos. Outros dois desejam atuar em projetos de reflorestamento. Dois alunos mais uma vez afirmaram que não vão atuar. Outras formas de contribuição para o equilíbrio do meio ambiente apareceram uma vez nas outras respostas dos alunos. Somando-se as respostas obtidas nesse questionário ao outro aplicado aos alunos das 1ª e 2º séries temos um grande quantitativo de alunos que buscarão os cursos de graduação, que não são exigências para a atuação do técnico em meio ambiente. De um modo geral, para os alunos a formação técnica não bastará, mesmo que a maioria deles queira seguir na área ambiental. Esse dado confronta as atuais políticas governamentais de incentivo à educação profissional, pois se objetivo do poder público é profissionalizar os jovens já no ensino médio para diminuir a pressão pela educação superior, pelo menos em relação aos alunos do Colégio Pedro II isso não está ocorrendo. De acordo com os resultados dessa pesquisa, trabalhar como técnico não é o ideal último dos estudantes em relação à carreira profissional. Há que se destacar também que as recentes reestruturações de planos de cargos e salários do funcionalismo público têm remunerado melhor e oferecido mais vantagens aos profissionais de nível superior. No setor privado, as diferenças salariais entre os profissionais de nível médio e superior também são acentuadas. De acordo com dados do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgados no sítio oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE): Em 2009, as 4,8 milhões de empresas e outras organizações integrantes do CEMPRE reuniam 40,2 milhões de assalariados, sendo que 23,4 milhões eram homens (58,1% do total) e 33,6 milhões não tinham nível superior (83,5% do total). Embora houvesse diferenças salariais significativas entre homens e mulheres – eles ganhavam 24,1% a mais –, a desigualdade era maior entre os trabalhadores com e sem nível superior: aqueles que concluíram faculdade recebiam um salário 225% maior. (IBGE, 2011) Essa mesma pesquisa indica que as grandes empresas contratam 57,7% do total de trabalhadores com nível. Sendo assim, esses dois fatores podem estar entre os responsáveis pela busca dos jovens pelos cursos de graduação, mesmo já tendo se profissionalizado em 74 nível médio. Apesar disso, as respostas obtidas na pergunta seguinte e que estão tabuladas na Tabela 7 evidenciam que grande parte dos alunos acredita que o profissional técnico em meio ambiente é valorizado pelo mercado de trabalho. Tabela 7 – Respostas dos alunos da 3ª série à questão: Você acredita que o profissional em meio ambiente é valorizado pelo mercado de trabalho? Justifique. Sim, mas não o valor que realmente mereça Não, pois o mercado nem sempre está adequado a este tipo de profissional Sim, devido a atual demanda pela sustentabilidade Nem sempre, depende de onde se trabalha Sim, pois as empresas precisam fazer o marketing verde com esses profissionais Sim, pois a preocupação com o meio ambiente tem aumentado Sim, pois é uma área em crise Não, pois as empresas não conhecem o trabalho dos técnicos Depende, pois existem muitas pessoas buscando essa área, aumentando a competição Sim, pois há muita demanda deste tipo de profissional, mas poucas instituições oferecem formação técnica Sim, mas ainda estamos no começo desse processo de valorização 1 1 4 2 1 10 1 2 1 1 1 Nessa questão, buscou-se identificar a percepção dos alunos em relação ao mercado de trabalho para o profissional em meio ambiente. A maioria das respostas indica que os estudantes acreditam que o mercado de trabalho está favorável ao técnico ambiental, mas em algumas delas apareceram ressalvas. Para a aluna A “de certa forma o mercado está favorável sim. Porém não acho que receba o valor que realmente mereça, já que ainda existem muitas pessoas céticas em relação aos problemas ambientais”. Esse depoimento revela que a temática ambiental gera polêmica. Ainda é significativo em diversos meios o pensamento de que a natureza é fonte inesgotável de recursos. Isso contribui para a sensação de que os problemas ambientais não são tão graves quanto determinados setores da sociedade denunciam. Essa pode ser a raiz do problema que se refere a não valorização dos técnicos em meio ambiente. Porém, o aumento com a preocupação com o meio ambiente apareceu em dez respostas que indicam a valorização do técnico. Para o aluno P “hoje esse profissional está valorizado devido a tudo o que vem ocorrendo no globo, como as mudanças climáticas. Acho também que a consciência da população mundial também vem mudando”. Essa expectativa pode ser motivadora para os alunos do curso. A idéia de que o mundo está ficando mais preocupado com o meio ambiente pode ser, em parte, vaga, mas suscita nos estudantes a possibilidade de atuação transformadora no mercado de trabalho. 75 5.1.1.3 Entrevista com os Alunos Egressos de 2010 Em abril de 2012 foi realizada uma entrevista com os alunos egressos de 2010 do curso técnico em meio ambiente do colégio Pedro II. O roteiro encontra-se no Apêndice 3. O questionário foi enviado três vezes a trinta ex-alunos, porém apenas doze responderam. O objetivo dessa entrevista foi identificar e analisar as perspectivas e limites gerados pelo curso na vida profissional desses egressos. Para cada aluno foram feitas quatro perguntas. Uma delas dissertativas e as outras três objetivas. Seguem os resultados: Primeira questão: Atualmente você está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente? Se a resposta for afirmativa indique onde. Essa questão buscou identificar a absorção dos técnicos ambientais pelo mercado de trabalho. Todos os alunos que responderam ao questionário afirmaram que não estão trabalhando na área. Esse indicador pode evidenciar a dificuldade de inserção no mercado profissional, preocupação que apareceu nas respostas do questionário aplicado aos alunos da 3ª série de 2011. A recente criação dessa profissão, a falta de conhecimento sobre suas atribuições e pouca valorização desse profissional no mercado podem explicar as dificuldades de inserção dos técnicos ambientais. O Gráfico 17 apresenta o percentual de egressos que buscaram a educação superior. Gráfico 17 – Respostas dos alunos egressos à questão: Atualmente você está realizando algum curso de graduação, politécnico ou outros? Nessa questão, o objetivo foi identificar o quantitivo de alunos egressos que buscaram formação profissional para além do nível técnico. 92% dos alunos entrevistados afirmaram estar cursando alguma graduação. Apenas 8% afirmou não cursar nada. Os cursos citados pelos alunos foram: 76 - Engenharia Agrícola e Ambiental (UFF); - Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente (UFF); - Engenharia Ambiental (UFRJ); - Geologia (UFRJ) duas vezes; - Meteorologia (UFRJ); - Turismo (UERJ) - Letras Português – Literatura (UFRJ); - Odontologia (UFRJ); - Licenciatura em Desenho (UFRJ) e Design de Interiores (Veiga de Almeida); - Psicologia (UFF); Dos onze cursos mencionados, seis têm relação direta com a área ambiental. Apenas os quatro últimos não possuem uma relação tão evidente, podendo apenas ser relativa. Esse dado aponta para o fato de que a maior parte dos alunos egressos estão buscando graduações com relações direta e indireta com a área ambiental. Isso mostra que o interesse é grande por esse campo, mas que, ao mesmo tempo, eles estão buscando formação superior para além da profissionalização em técnico ambiental. As respostas dadas para a questão exposta no Gráfico 18 complementam essa discussão. Gráfico 18 – Resposta dos alunos egressos para a questão: Por que você não está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente? 77 Essa questão visou a identificar as dificuldades e as expectativas futuras dos egressos em relação à carreira de técnico ambiental. A maioria das respostas vai ao encontro da conclusão observada no item anterior (Figura 20). 75% dos alunos afirmaram que estão dando prioridade a outra formação no momento, mas que, futuramente, pode ser que busquem trabalhar como técnico em meio ambiente. Apenas 17% afirmaram que perdeu o interesse e não querem mais atuar na área. 8% afirmaram que estão tendo dificuldades em entrar no mercado de trabalho. O fato de apenas 8% dos egressos terem mencionado essa dificuldade indica que, para a maioria deles, as limitações do mercado profissional ainda não constituem um grande problema, visto que ainda se consideram em fase de formação profissional. É provável que o baixo número de empregos nessa área os tenha motivado a buscar uma formação de nível superior, em sua maioria, compatível com a área ambiental, conforme evidenciado na questão anterior. Apesar disso, não consideram essa dificuldade um grande entrave para a vida profissional futura. O diploma de técnico em meio ambiente é, para a maioria deles, mais uma possibilidade de ingresso no mercado de trabalho e não a única. O Gráfico 19 apresenta a percepção dos alunos em relação às dificuldades de uma possível atuação técnica em meio ambiente. Gráfico 19 – Resposta dos alunos egressos à questão: Quais são as principais dificuldades que você está enfrentando, ou acredita que poderá enfrentar, para atuar profissionalmente como técnico em meio ambiente? Essa questão teve como objetivo identificar e analisar a percepção dos alunos em relação às dificuldades impostas à atuação como técnico ambiental. Conforme mostra o 78 gráfico da figura 29% dos egressos destacaram que a pouca oferta de empregos para o técnico é uma potencial dificuldade. 23% afirmaram que a concorrência é um obstáculo importante. Essas respostas indicam que a maior parte deles acredita que a dificuldade principal para o técnico ambiental é a inserção no mercado profissional. Para a aluna egressa A: A concorrência pelas vagas tende a ficar maior, já que a área de meio ambiente está se tornando cada vez mais necessária e por estar constantemente sendo abordada pela mídia, o que faz mais pessoas se interessarem pelo assunto, aumentando assim a disputa por vagas de emprego. (2012). A preocupação com a inserção também é evidente em outras respostas. Para o aluno egresso B a maior dificuldade é encontrar concursos ou vaga nesse ramo. Segundo a aluna egressa C, as maiores dificuldades se referem à concorrência no mercado de trabalho. Para a aluna D: “há falta de conhecimento do empresário brasileiro com relação à atuação dos profissionais da área de meio ambiente. Hoje em dia, as vagas dessa área têm crescido, porém ainda são em número insuficiente”. Apesar das preocupações mencionadas, alguns indicaram a esperança de haver maior absorção de técnicos para o mercado de trabalho. Para a aluna egressa E: Uma das dificuldades é a não abertura de muitas vagas para nível técnico. Até mesmo em nível de graduação a área ambiental não há muita oferta. Porém, acredito que essa onda verde em que as empresas estão tentando se adequar [...] pode reverter esse quadro e extinguir essa dificuldade um dia. (2012). É provável que a onda verde a qual a aluna egressa E mencionou tenha relação com a emergência das discussões sobre meio ambiente e sustentabilidade. No continente europeu, o mercado consumidor tem apresentado algumas resistências a empresas ecologicamente incorretas. De acordo com o sítio oficial do Sustainability Knowledge Center: A União Européia já definiu em 2008 um Plano de Ação para o Consumo e Produção Sustentável6 tendo divulgado vários estudos comparativos que fornecem alguma informação acerca dos consumos médios do cidadão europeu, dos impactantes ambientais do nossos consumos, das práticas dos retalhistas, entre outros. (http://skc.ibs.iscte.pt, 2012): A pressão de um potente mercado consumidor como o da Europa pode provocar mudanças nos padrões de produção. Isso já vem ocorrendo com relativa intensidade. Sendo assim, ao buscar internalizar as preocupações com o meio ambiente, o sistema capitalista poderá lançar mão de profissionais em meio ambiente. As exigências e a necessidades de obter os selos de certificação pode aumentar a contratação daqueles, incluindo os técnicos ambientais. 6 Este Plano propõe uma série de medidas cujo objetivo é melhorar o comportamento energético e ambiental dos produtos ao longo de sua vida útil e fomentar a demanda e o consumo de produtos de melhor qualidade, criando desse modo um círculo vicioso. No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente elaborou esse mesmo Plano em 2010. 79 Nessa questão, outras respostas sugeriram dificuldades na atuação em si dos técnicos ambientais. A adequação da teoria à prática, a falta de consciência ambiental, a falta de experiência e as possíveis ameaças ao defender causas ambientais foram as dificuldades mencionadas. Para a aluna egressa E, além de não abrirem muitas vagas em concursos públicos para técnico ambiental, “existe a dificuldade em trabalhar com educação ambiental pela falta de conscientização social, além da possibilidade de sofrer ameaças devido a interesses locais”. Segundo o aluno egresso F, a maior dificuldade será “o receio de não saber empregar a teoria adquirida durante o curso na realização de atividades técnicas, mas no meu caso esse temor seria causado por esse ser o meu primeiro emprego [...]”. Apesar das dificuldades, alguns egressos relataram ter boas expectativas em relação ao futuro. O aluno egresso G afirma: “Acredito que, no futuro, haverá muitas vagas para técnico em Meio Ambiente, e igualmente grande será a procura por este emprego. Assim, a maior dificuldade [...] caso venha atuar nessa área é a concorrência e a disputa pelas vagas”. Para ele, a disputa ocorrerá por causa do aumento da demanda por esses profissionais, o que desencadeará maior procura pelo curso. Por fim, um aluno egresso afirmou que não pretende atuar na área e outro afirmou não conhecer as dificuldades impostas à profissão. Em relação à formação oferecida pelo colégio Pedro II, o depoimento do aluno egresso G foi emblemático: Eu confesso que houve alguns momentos durante o curso em que eu pensei que as coisas que eu estava aprendendo eram um tanto superficiais para uma atuação profissional, mas percebi que o curso me ensinou bem quando vi que uma prova de concurso para técnico em meio ambiente da Petrobrás abordava vários temas discutidos em aula. (2012) Esses foram os resultados da pesquisa realizada com 12 alunos egressos. De modo geral, eles buscaram formações de nível superior após concluir o curso técnico e têm encontrado dificuldades para se inserirem no mercado de trabalho. 80 6. CONCLUSÕES Historicamente, os cursos profissionalizantes no Brasil sempre foram marcados por características mercadológicas, voltada para o atendimento da demanda, sobretudo, do setor industrial. Ao longo do século XX, essa modalidade de ensino foi estruturada e operacionalizada visando incorporar as classes sociais mais pobres ao processo produtivo. O ensino propedêutico, por sua vez, foi direcionado para as classes sociais mais abastadas. A discussão sobre a profissionalização em meio ambiente tanto quanto todos os debates sobre as questões ambientais são frutos de um movimento relativamente recente de reconhecimento da problemática da natureza. Esses movimentos, em geral, nem sempre questionam as bases e os princípios que fundamentam o sistema capitalista atual. A educação ambiental é tida como uma “tábua de salvação” que conscientizaria, no sentido mais simplista do termo, as pessoas sobre os problemas ecológicos. O desenvolvimento sustentável também é um conceito que nasce com esse propósito. Com ele busca-se conciliar desenvolvimento econômico com conservação da natureza. Porém, são inúmeras as ideologias contidas nessas propostas, que podem influenciar e causar controvérsias na formação dos profissionais em meio ambiente. Atualmente, a formação de técnicos em meio ambiente no Brasil está despertando o interesse de jovens estudantes e suas famílias. A Lei 10.410/02 criou a carreira de especialista em meio ambiente e oferece possibilidades para o exercício profissional. Apesar das inúmeras proposições tipicamente mercadológicas que se referem ao meio ambiente, temos alguns referenciais teóricos e metodológicos que possibilitam fornecer uma formação mais crítica acerca das relações de poder que se estabelecem em diversos âmbitos das relações políticas, econômicas e sociais. Além do mais, esses referenciais, alguns dos quais mencionados neste trabalho, também possibilita aos profissionais em meio ambiente, entre eles o técnico de nível médio, uma visão mais abrangente sobre os limites e as potencialidades de práticas e manejos sustentáveis do meio ambiente. Nesta pesquisa, foi possível identificar as bases estruturais, metodológicas e teóricas do curso técnico em meio ambiente oferecido pelo colégio Pedro II. Através da análise documental e da entrevista realizada com a coordenadora do curso percebeu-se que o curso segue a estrutura e as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação e da Cultura (MEC). Também foi mostrado que a implantação do curso foi incentivada pelas recentes políticas federais de fomento ao ensino profissionalizante. Foi, inclusive, uma das plataformas de governo de Luís Inácio da Silva e de campanha da atual presidente Dilma Roussef. 81 A partir das entrevistas realizadas com os alunos das três séries do ensino médio, foi possível identificar a percepção e perspectivas gerais do corpo discente em relação ao curso. De modo geral, as respostas indicaram que houve influência significativa do mercado de trabalho na escolha dos alunos. Quase todos acreditam que o mercado está promissor para o técnico ambiental. Em relação à estrutura do curso, a percepção dos alunos variou bastante para cada item do questionário. Uma das limitações mais apontadas foi o baixo número de atividades de campo, que, na concepção dos alunos, são fundamentais para a formação. Além disso, grande parte dos alunos afirmou desconhecer ou conhecer apenas parcialmente a Lei 10.410/02, que cria e disciplina a carreira de especialista em meio ambiente, a qual se insere o técnico ambiental. Outro aspecto que, na opinião dos discentes, requer atenção é a elevada carga horária do curso que, segundo apontaram as respostas, gera uma grande concentração de aulas semanais. Porém, cabe ressaltar que essa questão se deve muito pelo fato do ensino técnico ser integrado ao ensino regular. O artigo 40 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 1996) determinou que os cursos técnicos se adequassem a essa nova realidade. A carga horária total dos alunos é de 4.720 horas e mais 200 horas de estágio, carga que é maior do que a de muitos cursos de graduação, inclusive os dois mais almejados pelos alunos: Engenharia Ambiental (3.600 horas) e Ciências Biológicas (3.200 horas). Pelo fato dessa modalidade de ensino ser relativamente nova, é importante que as instituições que a oferecem discutam possibilidades de flexibilização e busquem melhor adequação na distribuição da carga horária. Entre os aspectos positivos, os alunos mencionaram que conseguem perceber uma correlação entre as disciplinas e conteúdos estudados. De modo geral, também não houve queixa significativa em relação à qualificação do corpo docente. Além disso, as dificuldades em relação à inserção em estágios vêm sendo minimizadas, visto que um grande número de instituições tem estabelecido convênios com o colégio, entre elas o Instituto Estadual do Ambiente (INEA); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essa mudança é de grande importância, visto que a realização dos estágios é condição obrigatória para a conclusão do curso. Por outro lado, as respostas obtidas dos alunos egressos indicam que existe certa dificuldade de inserção dos técnicos ambientais no mercado de trabalho. Além disso, o fato de 92% deles ter indicado estar fazendo alguma graduação aponta para o fato de que a profissionalização em nível médio não é considerada suficiente para eles, visto que buscaram profissionalização de nível superior. Seria necessária uma amostragem maior e mais 82 diversificada de egressos de cursos de técnico ambiental para avaliar a relevância desse curso para a sociedade. Preliminarmente, aponto para a hipótese de que essa profissionalização conquiste mais relevância se for oferecida também em âmbito politécnico ou tecnólogo, visto que são formações de nível superior. Essa hipótese pode ser justificada pelo baixo ingresso dos técnicos ambientais no mercado de trabalho e pelo alto ingresso deles em curso de nível superior. Todavia, os dados obtidos e analisados nesta pesquisa servem apenas a priori para introduzir e fomentar uma investigação mais ampla a respeito dessa carreira. É de vontade deste autor a investigação mais aprofundada, em uma pesquisa subsequente a essa, para avaliar a validade dessa premissa. Enfim, espera-se que os resultados desta pesquisa ofereçam subsídios que possam contribuir para gerar reflexões e discussões entre os gestores dos cursos técnicos em meio ambiente, sobretudo o curso oferecido pelo colégio Pedro II, objeto central deste trabalho. 83 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTRAND, G. Paysage et géographie physique globale: esquisse méthodologique. Revue géographique des Pyrénées et sud-ouest v. 39, fasc. 3. 1968. (Apud FILHO, Britaldo Silveira Soares. Análise de Paisagem: Fragmentação e Mudanças. Departamento de Cartografia, Centro de Sensoriamento Remoto – Instituto de Geociências, UFMG. 1998.) BIAGINI, Jussara. “Revisitando Momentos da História do Ensino Médio”. Disponível em: http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/EDU/edu1713.htm. Acessado em 10/08/2010. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1937. 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Acessado no primeiro semestre de 2012. 86 APÊNDICE 1: Questionário Aplicado à Coordenação do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II 87 QUESTIONÁRIO APLICADO À COORDENAÇÃO DO CURSO 1- Quais fatores motivaram a criação do curso técnico em meio ambiente? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 2- Quais são as bases teóricas e metodológicas que estruturam o curso? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 3- O curso foi idealizado tendo como base uma perspectiva apenas multidisciplinar ou também interdisciplinar? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4- Existem perspectivas de inserção de outras disciplinas na grade curricular do curso? Qual(is)? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 5- Quais são as instituições que oferecem estágios curriculares aos alunos? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 6- Quais habilitações profissionais são esperadas ao final da formação dos alunos? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7- Quais são as perspectivas que o mercado de trabalho oferece para os alunos egressos? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 88 APÊNDICE 2 Questionário Aplicado aos Alunos das 1ª, 2ª e 3ª séries do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II 89 QUESTIONÁRIO APLICADO AS 1ª E 2ª SÉRIES 1- Você está envolvido diretamente com alguma causa ambiental? Caso a resposta seja afirmativa, especifique a que grupo você pertence (ONG, movimento social, sindicato, associação de moradores, etc.) ( ) sim ____________________________________ ( ) não 2- Existem pessoas em sua família envolvidas diretamente com alguma causa ambiental? Caso a resposta seja afirmativa, especifique a que grupo ela(s) pertence(m) (ONG, movimento social, sindicato, associação de moradores, etc.) ( ) sim _____________________________________ ( ) não 3- Existem pessoas em sua família que atuam profissionalmente na área ambiental? Caso a resposta seja afirmativa, especifique em que e onde ela(s) trabalha(m). ( ) sim ______________________________________ ( ) não 4- Você percebe alguma interrelação, conexão entre os conteúdos estudados nas diferentes disciplinas que compõem a sua grade curricular? ( ) sempre ( ) eventualmente ( ) nunca 5- No curso, você já participou de algum projeto ou trabalho que envolvia duas ou mais disciplinas? ( ) sim ( ) não 6- Você considera as disciplinas oferecidas pelo seu curso satisfatórias para a sua formação profissional? ( ) sim ( ) quase todas ( ) poucas ( ) nenhuma 7- Você considera a carga horária das atividades extracurriculares suficientes para a sua formação? ( ) sim ( ) não 8- Você conhece a legislação que cria e disciplina a carreira de técnico em meio ambiente? ( ) sim ( ) parcialmente ( ) não 9- Você acredita que o mercado de trabalho está favorável para os técnicos em meio ambiente? ( ) sim ( ) parcialmente ( ) não 10- Você pensa em fazer alguma graduação quando terminar o curso? Caso a resposta seja afirmativa, indique o(s) curso(s) pretendido(s). ( ) sim _____________________________________ ( ) não 90 QUESTIONÁRIO APLICADO À 3ª SÉRIE 1- O que motivou a sua escolha pelo curso técnico em meio ambiente? ___________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 2- Qual o significado que a natureza tem para a sua vida? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3- O que você esperava do curso técnico em meio ambiente? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4- O curso tem atendido às suas expectativas? Justifique. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5- Quais são as principais dificuldades que você vem enfrentando em seu curso? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6- Quais são as principais dificuldades que você acredita que irá enfrentar em sua atuação como profissional em meio ambiente? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7- Quais são as suas pretensões profissionais como técnico em meio ambiente? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 8- Existe(m) alguma(s) área(s) específica(s) e/ou empresa(s) em que você gostaria de atuar como técnico em meio ambiente? Qual(is)? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9- Como você espera contribuir para a sociedade através da sua atuação profissional? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10- Você acredita que o profissional em meio ambiente é valorizado pelo mercado de trabalho? Justifique. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 91 APÊNDICE 3 Questionário Aplicado aos Alunos Egressos do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II 92 QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS EGRESSOS DE 2010 1- Atualmente você está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente? Se a resposta for afirmativa indique onde: ( ) NÃO ( ) SIM _________________________________________________________ 2- Atualmente você está realizando algum curso de graduação, politécnico ou outros? Se a resposta for afirmativa indique qual e onde. ( ) NÃO ( ) SIM _________________________________________________________ Responda as próximas perguntas caso esteja atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente: 3- Em uma escala: RUIM, REGULAR, BOM E ÓTIMO indique o quanto você acha que as formações teórica e prática oferecidas ao longo dos três anos do curso integrado em meio ambiente no colégio Pedro II estão contribuindo para a sua atuação profissional. ( ) RUIM ( ) REGULAR ( ) BOM ( ) ÓTIMO 4- Você pretende investir na carreira de técnico em meio ambiente ou deseja seguir outro rumo profissional? Justifique a sua resposta. Resposta aberta Responda as próximas perguntas caso não esteja atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente: 5- Por que você não está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente? ( ) PERDEU O INTERESSE PELA ÁREA E NÃO QUER MAIS ATUAR NELA. ( ) ESTÁ TENDO DIFICULDADES EM ENTRAR NO MERCADO DE TRABALHO. ( ) ESTÁ DANDO PRIORIDADE A OUTRA FORMAÇÃO NO MOMENTO, MAS PODE SER QUE UM DIA BUSQUE TRABALHAR COMO TÉCNICO. 6- Quais são as principais dificuldades que você está enfrentando, ou acredita que um dia irá enfrentar, para atuar profissionalmente como técnico em meio ambiente? Resposta aberta 93 ANEXO 1 Proposta do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II 94 COLÉGIO PEDRO II - UNIDADE ESCOLAR SÃO CRISTÓVÃO CURSO TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE CNPJ Razão Social: Nome Fantasia Esfera Administrativa Endereço Cidade/UF/CEP Telefone/Fax E-mail Site da unidade Área do Plano 42414284/0001-02 Colégio Pedro II Colégio Pedro II Federal Campo de São Cristóvão, 177 Rio de Janeiro, RJ. CEP: 20 921-440 21. 3891 1000 [email protected] www.cp2.g12.br Meio Ambiente Habilitação, qualificações e especializações: 1 Habilitação : Técnico em Meio Ambiente Carga Horária: 4320 horas Estágio–Horas 200 horas 1 - Justificativa e Objetivos do Curso 1.1 - Justificativa As modificações que o meio ambiente vem sofrendo em conseqüência da ação antrópica, principalmente a partir da Revolução Industrial (século XIX), têm comprometido o equilíbrio e a manutenção dos ecossistemas, com graves conseqüências e problemas ambientais. No Brasil as discussões sobre as questões ambientais tiveram início na década de 70, ainda de forma bastante incipiente. Somente na década de 80, com a criação do IBAMA e do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) houve um impulso no Controle Ambiental. Na década de 90, principalmente após a realização da RIO 92 (Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento), a sociedade brasileira iniciou uma nova forma de relação com as questões ambientais que se materializaram através de: elaboração e aprovação de leis mais rígidas; melhor estruturação dos órgãos responsáveis pela conscientização e fiscalização do Meio Ambiente; evolução das ações de controle e recuperação ambiental; surgimento e desenvolvimento de tecnologias limpas; inúmeras atividades voltadas para a educação ambiental; debate sobre o desenvolvimento sustentável. Sensível aos grandes temas nacionais, em 2001, o Colégio Pedro II deu início ao Projeto Área Verde que tinha como meta principal à recuperação de áreas degradadas. O Horto, situado no Complexo Educacional de São Cristóvão III, Rio de Janeiro, foi recuperado. A partir deste momento nesse espaço teve início uma série de atividades de Iniciação Científica envolvendo alunos dos ensinos fundamental e médio do Colégio Pedro II, culminando na oficialização de um Projeto de Iniciação à Pesquisa Científica (IPC/CPII) para alunos do Ensino Médio de todas as Unidades Escolares do Colégio Pedro II. Os resultados obtidos despertaram o interesse de Instituições renomadas na área de Meio Ambiente, o que permitiu a assinatura de convênios de Cooperação Técnica e Científica 95 com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Fundação Roberto Burle Marx, Embrapa-Solos e Observatório Nacional. Em 2004, o Colégio Pedro II em convênio com o Observatório Nacional montou a Sala de Aula a Céu Aberto que consiste em um anfiteatro em área não coberta equipado com relógio de Sol, telescópio itinerante e outros equipamentos para aulas e atividades interdisciplinares. Ao longo de cinco anos, o Projeto Área Verde e o Horto do Colégio Pedro II ofereceram atividades/oficinas que envolveram trabalhos interdisciplinares sobre Educação Ambiental para manutenção e revitalização da Área Verde: 1-Técnicas de manejo de solo, água, vegetação. 2-Produção de adubo orgânico. 3-Técnicas de horticultura orgânica em pequenos espaços e utilização de seus produtos na produção de conservas e artesanatos e outros fins não alimentícios. 4-Hidroponia - técnica de cultivo de hortaliças com materiais de baixo custo. 5-Trabalhos artísticos utilizando como matéria-prima sucatas vegetais e solo. 6-Produção de cosmética, chás e temperos desidratados. 7-Coleta e identificação de insetos do horto do Colégio Pedro II, para a construção de uma coleção didático-científica de entomologia. 8-Levantamento histórico do desenvolvimento urbano e propostas para a recomposição da cobertura vegetal da cidade do Rio de Janeiro. 9-Levantamento histórico sobre as espécies vegetais nativas do Rio de Janeiro, especificamente do Bairro de São Cristóvão, na busca do resgate original da flora. Em 2005, frente aos resultados alcançados o Projeto Área Verde concorreu ao II Prêmio de Ciências no Ensino Médio, promovido pela Secretaria de Educação Básica do MEC junto ao FNDE, tendo sido premiado em 1º Lugar na categoria estadual. 1.2 - Objetivos O Ensino Médio Integrado na área de Meio Ambiente tem como objetivo geral formar profissionais capazes de: Identificar os recursos naturais; Auxiliar na preservação de recursos naturais; Avaliar e controlar os fatores antrópicos de intervenção no meio ambiente que causam impacto nos ciclos de matéria e energia. O Curso tem como objetivos específicos: Desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão na área ambiental, transformando o Colégio Pedro II em pólo regional de referência em questões ambientais; Atuar nas esferas da educação, da preservação e da recuperação ambiental; Capacitar profissionais críticos e aptos a intervir na busca de soluções para os problemas ambientais; Qualificar recursos humanos para desempenhar funções técnicas, educativas e administrativas ligadas à área ambiental; Desenvolver nos alunos a capacidade empreendedora como alternativa para inserção no mercado de trabalho; Preparar os alunos para o trabalho em equipe, desenvolvendo a capacidade de liderança e o discernimento para a tomada de decisões. 2.Perfil profissional de conclusão dos egressos do curso Espera-se de um Técnico em Meio Ambiente que apresente capacidade de solucionar problemas à luz da legislação vigente; propor mecanismos de gestão ambientalmente eficientes e viáveis economicamente; propor e desenvolver programas de educação e 96 conscientização ambientais adaptados à realidade sócio-ambiental em que está inserido. Este perfil está previsto nas competências gerais da Área Profissionalizante de Meio Ambiente na resolução 04/99 do CNE/CEB abaixo relacionadas: Identificar, caracterizar e correlacionar os sistemas e ecossistemas, os elementos que os compõem e suas respectivas funções. Identificar e caracterizar as grandezas envolvidas nos processos naturais de conservação, utilizando os métodos e sistemas de unidades de medida e ordens de grandeza. Identificar parâmetros de qualidade ambiental dos recursos naturais (solo, água e ar). Classificar os recursos naturais (água e solo) segundo seus usos, correlacionando as características físicas e químicas com sua produtividade. Identificar as fontes e o processo de degradação natural de origem química, geológica e biológica e as grandezas envolvidas nesses processos, utilizando métodos de medição e análise. Identificar características básicas de atividades de exploração de recursos naturais renováveis e não-renováveis que intervêm no meio ambiente. Identificar e caracterizar situações de risco e aplicar métodos de eliminação ou de redução de impactos ambientais. Identificar e correlacionar o conjunto dos aspectos sociais, econômicos, culturais e éticos envolvidos nas questões ambientais. Avaliar as causas e efeitos dos impactos ambientais globais na saúde, no ambiente e na economia. Identificar os processos de intervenção antrópica sobre o meio ambiente e as características das atividades produtivas geradoras de resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas. Avaliar os efeitos ambientais causados por resíduos sólidos, poluentes atmosféricos e efluentes líquidos, identificando as conseqüências sobre a saúde humana e sobre a economia. Aplicar a legislação ambiental local, nacional e internacional. Identificar os procedimentos de avaliação, estudo e relatório de impacto ambiental (AIA/EIA/RIMA). Interpretar resultados analíticos referentes aos padrões de qualidade do solo, ar e água, propondo medidas mitigadoras. Aplicar princípios e utilizar tecnologias de prevenção e correção da poluição. Organizar e atuar em campanhas de mudanças, adaptações culturais e transformações de atitudes e condutas relativas ao meio ambiente. Construídas tais competências o profissional deverá ser capaz de: Realizar campanhas de monitoramento ambiental, interpretando resultados analíticos referentes aos padrões de qualidade do solo, ar e água, propondo medidas mitigadoras; Elaborar e desenvolver campanhas de educação ambiental em suas diversas formas e modelos; Auxiliar no desenvolvimento de atividades de vigilância sanitária; Auxiliar na operação de sistemas de controle da poluição em suas diversas formas; Avaliar o risco de danos ambientais das atividades antrópicas; Propor, mediante estudos específicos, formas de ação para combater os problemas ambientais observados. Desenvolver valores pautados na bioética e em atitudes que reflitam uma postura coerente diante das questões ambientais, tendo como princípio o respeito aos seres vivos e ao meio físico; 97 Demonstrar no desenvolvimento de suas atividades profissionais a responsabilidade, o altruísmo, a autodisciplina, flexibilidade, iniciativa e capacidade de decisão em seu ambiente de trabalho; Apresentar boa capacidade de comunicação, articulação e trabalho em equipe; Apresentar iniciativa de busca do conhecimento, a curiosidade e a capacidade de observação; Desenvolver capacidade e vocação para a qualidade e o empreendedorismo; Este profissional estará preparado para desenvolver as principais atividades relacionadas às demandas ambientais geradas em áreas urbanas. 3.Organização curricular do curso Curso Técnico em Meio Ambiente – 1ª Série N 01 02 03 Fundamentos de Meio Ambiente Química Ambiental Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo TOTAL N 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 Carga Horária Semanal/tempos Disciplinas Específicas Disciplinas de Formação Geral 4 3 3 10 Carga Horária Semanal/tempos Português Educação Física Artes História Geografia Filosofia Matemática Biologia Física Química Desenho 4 2 2 2 2 2 3 2 2 2 3 26 TOTAL Carga Horária Anual/horas 160 120 120 400 Carga Horária Anual/horas 160 80 80 80 80 80 120 80 80 80 120 1040 Curso Técnico em Meio Ambiente – 2ª Série N 01 02 03 04 Monitoramento Ambiental Química Analítica Memória e Patrimônio do Meio Ambiente Legislação Ambiental e Normatização TOTAL N 01 02 03 04 05 Disciplinas Disciplinas de Formação Geral Português Educação Física História Geografia Sociologia Carga Horária Semanal/tempos 3 3 2 2 10 Carga Horária Semanal/tempos 4 2 3 3 2 Carga Horária Anual/horas 120 120 80 80 400 Carga Horária Anual/horas 160 80 120 120 80 98 06 07 08 09 Matemática Biologia Física Química 3 3 3 3 26 TOTAL 120 120 120 120 1040 Curso Técnico em Meio Ambiente – 3ª Série N 01 02 03 04 Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres Estudos de Impacto Ambiental Metodologias em Educação Ambiental Sociologia do Meio Ambiente TOTAL N 01 02 03 04 05 06 07 08 Carga Horária Semanal/tempos Disciplinas Disciplinas de Formação Geral 3 3 2 2 10 Carga Horária Semanal/tempos Português Educação Física História Geografia Matemática Biologia Física Química TOTAL 5 2 3 3 4 3 3 3 26 Carga Horária Anual/horas 120 120 80 80 400 Carga Horária Anual/horas 200 80 120 120 160 120 120 120 1040 No Anexo I, as disciplinas de formação geral e as disciplinas específicas encontram-se diagramadas em uma grade integrada. As ementas das disciplinas específicas, atendendo à classe de ensino médio integrado, apresentam a seguinte composição: Disciplina: Fundamentos do Meio Ambiente Carga horária: 160 horas Ementa: Fundamentos de Ecologia. Noções em Botânica e Zoologia. Microbiologia. Biossegurança. Educação ambiental. Disciplina: Química Ambiental Carga horária: 80 horas Ementa: Elementos químicos. Funções Químicas. Soluções. Gases. Radioatividade Disciplina: Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo Carga horária:120 horas Ementa: Conceitos geográficos. Dinâmica de populações. Geografia econômica. Desenvolvimento sustentável. Localização e deslocamento em espaços geográficos. Saúde pública. Disciplina: Monitoramento Ambiental Carga horária: 120 horas Ementa: Conservação do solo. Conservação de recursos hídricos. Monitoramento ambiental. Planejamento ambiental. 99 Disciplina: Química Analítica Carga horária: 120 horas Ementa: Procedimentos de segurança. Equipamentos. Técnicas básicas em laboratórios. Análise quantitativa. Análise qualitativa. Controle de qualidade. Disciplina: Memória e Patrimônio do Meio Ambiente Carga horária: 80 horas Ementa: Conceitos de memória e patrimônio. Relação homem e meio ambiente ao longo do tempo. Processo de ocupação histórica do Rio de Janeiro. Disciplina: Legislação Ambiental e Normatização Carga horária: 80 horas Ementa: Histórico. Leis ambientais. Códigos e Resoluções. Sistema de Gestão e licenciamento ambiental. Normas. Disciplina: Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres Carga Horária: 160 horas Ementa: Padrões de qualidade. Ciclo hidrológico. Bacias hidrográficas. Ambientes aquáticos. Composição fisico-química e biológica do solo. Adubação. Compostagem. Hidroponia e outras alternativas de plantio. Disciplina: Metodologia de Projetos Carga horária: 80 horas Ementa: Operações Unitárias. Estatística. Técnicas de redação. Confecção de relatórios. Normas da ABNT. Acompanhamento e avaliação de projetos. Disciplina: Sociologia do Meio Ambiente Carga horária: 80 horas Ementa: Conceitos básicos de sociologia e antropologia. Ética e meio ambiente. Pobreza, desigualdade social e desemprego como fator de degradação ambiental. Educação ambiental e cidadania. As competências, habilidades e as bases tecnológicas previstas para serem desenvolvidas nas disciplinas do Curso Técnico em Meio Ambiente são apresentadas a seguir: 4. Competências Caracterizar os sistemas e ecossistemas do Estado do Rio de Janeiro correlacionando e avaliando os diversos fatores interdependentes e a estabilidade dos mesmos. Identificar e comparar os principais ecossistemas brasileiros. Classificar os recursos hídricos correlacionando as características físico-químicas com a produtividade. Conhecer e correlacionar os processos de intervenção antrópica avaliando os efeitos da poluição sobre a saúde ambiental. Compreender as perdas econômicas decorrentes dos riscos e impactos ambientais. Conhecer os princípios básicos das tecnologias de prevenção e de correção da poluição ambiental. 5. Habilidades: Correlacionar os elementos componentes dos sistemas e ecossistemas. 100 Identificar mediante prática de campo, processos químicos, físicos e biológicos em atuação nos mesmos. Utilizar matrizes, tabelas e parâmetros para correlacionar o número de espécies e indivíduos. Utilizar sistemas de medida e ordem de grandeza, envolvidas nas medidas usuais para caracterização de recursos naturais. Conhecer fauna e flora das áreas de conservação e preservação ambiental das áreas de risco. Identificar e avaliar dados qualitativos e quantitativos relacionados a qualidade ambiental segundo as Normas brasileiras. Classificar resíduos segundo Normas da ABNT. Tomar medidas preventivas e mitigadoras sobre os efeitos da poluição nos seres vivos. Realizar relatório técnico-prático de minimização da poluição. 6. Bases tecnológicas: Ecossistemas: descrição, espécies, população, habitat e comunidade. Dimensionamento de populações, dinâmica e bioestatísticas das mesmas. Funções biológicas Sustentabilidade dos ecossistemas Ciclos biogeoquímicos Resíduos sólidos Efluentes líquidos e suas características Fonte de poluição fixa e móvel Interpretação das normas Fluxo migratório pela implantação da indústria Operações unitárias fundamentais relacionadas aos setores industriais relevantes na região. Aspectos ambientais e significância dos impactos ambientais Minimização da poluição da água, ar e solo Princípio da produção mais limpa Técnicas de monitoramento dos poluentes Técnicas e análises físico-químicas e biológicas Tratamento de efluentes Propriedades de nutriente e enzimas Aterros sanitários 7.Organização do Estágio Curricular O Estágio curricular é etapa obrigatória para obtenção do diploma do Técnico do Meio ambiente. O aluno terá a oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos durante o curso e aprimorar as experiências curriculares com bases nas vivências profissionais e habilidades fundamentais na formação do futuro profissional. O Estágio Curricular será realizado com orientação e supervisão adequadas, objetivando a interação aluno-meio-trabalho, conforme a legislação em vigor e regulamentação própria. O Estágio Curricular deverá ser realizado em órgãos públicos e privados, conveniados com o Colégio Pedro II. O aluno deverá ser orientado por um profissional do órgão concedente do Estágio, que deverá apresentar formação ou experiência comprovada na atividade de atuação do estagiário, e supervisionado por um professor do curso técnico em meio ambiente, de acordo com o objeto de estudo do relatório final. O estágio supervisionado obrigatório compreenderá uma carga horária mínima de 200 101 horas, que poderá ser cumprido durante o curso ou num prazo máximo de um ano após a conclusão das disciplinas previstas na matriz curricular. O aluno obterá o diploma de Técnico em Meio Ambiente após o cumprimento da carga horária total de 1240 horas, incluindo o estágio supervisionado. 8. Composição da Turma e Critérios de Avaliação Para o melhor desenvolvimento das atividades de ensino-aprendizagem e da avaliação por competência, as turmas não deverão ter um número superior ao de 36 alunos. Os critérios de avaliação dos alunos do curso do Ensino Médio Integrado em Meio Ambiente seguem as mesmas normas estabelecidas pelas diretrizes de ensino do Colégio Pedro II, segundo a portaria 048/05. 9. Departamentos Envolvidos na Formação Específica Departamento de Biologia e Ciências Departamento de Geografia Departamento de História Departamento de Matemática Departamento de Química Departamento de Sociologia Anexo I - Grade Curricular Integrada Disciplinas de Formação Geral Português Educação Física Artes História Geografia Sociologia Filosofia Matemática Biologia Física Química Desenho TOTAIS 1ª 4 2 2 2 2 2 3 2 3 2 2 26 26 Carga Horária Total 520 240 80 320 320 80 80 400 280 360 280 160 3120 3 3 2 2 10 36 160 120 120 120 120 80 80 120 120 80 80 1200 4320 2ª 4 2 3ª 5 2 3 3 2 3 3 3 2 3 2 2 26 4 3 3 3 Disciplinas de Formação Específica Fundamentos de Meio Ambiente Química Ambiental Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo Monitoramento Ambiental Química Analítica Memória e Patrimônio do Meio Ambiente Legislação Ambiental e Normatização Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres Estudos de Impacto Ambiental Metodologias em Educação Ambiental Sociologia do Meio Ambiente TOTAIS TOTAIS GERAIS 4 3 3 3 3 2 2 10 36 10 36 102 ANEXO 2 Ementa das Disciplinas Específicas do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II 103 Coordenação do Ensino Médio Integrado de Meio Ambiente EMENTAS E PROGRAMAS DE DISCIPLINAS DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO – TÉCNICO DE MEIO AMBIENTE Disciplinas Específicas Fundamentos de Meio Ambiente EMENTA Ecossistemas. Equilíbrio e Dinâmica da Comunidade Biótica. Biodiversidade e Sistemática de Classificação. Ciclos Biogeoquímicos. Antropismo e repercussões sobre a biosfera. Noções de Biossegurança. 1a Série - Teórica: 1. Ecossistemas: componentes e formação - a Ecologia e suas áreas de estudo; - avaliação de ambientes terrestres sob os conceitos de domínios morfoclimáticos, biomas e ecossistemas; - fatores abióticos e bióticos; - comunidade biótica: formação e características. 2. Equilíbrio e Dinâmica da Comunidade Biótica - fluxos de matéria e energia / cadeias e teias tróficas; - estudo e interpretação das pirâmides ecológicas; - vulnerabilidades tróficas; - interações ecológicas e adaptações; - sucessões e eras geológicas. 3- Biodiversidade e Sistemática de Classificação - microbiota; - fauna; - flora. 4- Noções dos Ciclos Biogeoquímicos - água; - oxigênio; - carbono; - nitrogênio. 5- Antropismo e repercussões sobre a biosfera - poluição atmosférica; - ocupação desordenada: erosão, esgotamento e contaminação do solo; - crise da água; - cultura: aculturação e degradação de patrimônios. - Prática: 1. Estudo do solo: recuperação e manejo - origem: agentes erosivos, rochas e minerais; - tipos de solo e horizontes; - etapas de manejo com finalidade agrícola; - técnicas de adubação, correção e prevenção de desgaste do solo. 2. Biossegurança 3. Desenvolvimento Sustentável: descarte e reciclagem do lixo 4. Herborização e identificação de espécies 5. Técnicas de monitoramento do solo Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo EMENTA Conceitos geográficos. Dinâmica de populações. Geografia econômica. Desenvolvimento sustentável. Localização e deslocamento em espaços geográficos. Saúde pública. 1a Série 104 1. O território nacional - fronteiras marítimas e fronteiras terrestres; - zonas de jurisdição marítima do espaço costeiro: - importância estratégica. 2. Dinâmica dos elementos da Natureza - a formação dos fatores abióticos da biosfera - atmosfera; - hidrosfera; - litosfera; - interdependência entre os elementos da Biosfera; - a interferência humana na dinâmica natural da Biosfera: - impactos ambientais da ação antrópica na Amazônia e rio São Francisco: - desmatamento; - projetos de irrigação; - construção de hidrelétricas; 3. Dinâmica da litosfera - a forma e os movimentos da Terra: - tempo geológico; - estrutura interna do planeta; - teoria da dinâmica das placas tectônicas: Deriva Continental. 4. A dinâmica atmosférica - troposfera e radiação solar; - funções da estratosfera, mesosfera e exosfera; - importância da radiação solar; - zonas de alta e de baixa pressão atmosférica; - circulação atmosférica mundial; - deslocamento de massas de ar no Brasil ao longo do ano; - dinâmica das massas equatoriais, tropicais e polares: - fenômenos climáticos; - frentes frias, quentes e de transição; - principais conjuntos climáticos da Terra: - influência das massas de ar dominantes, ventos, altitude e zona térmica; - climas do Brasil: - equatorial; - semiárido; - tropical; - tropical úmido; - subtropical; - mudanças climáticas e as paisagens terrestres; - impactos ambientais sobre biomas brasileiros. 5. Hidrologia - ciclo hidrológico; - distribuição da água sobre a superfície terrestre; - bacias hidrográficas brasileiras: - caracterização física e econômica; - salinidade e temperatura; - correntes marítimas da Terra: - correntes quentes e correntes frias - relação com biodiversidade e biomassa; - influência no clima litorâneo; - formação de desertos e áreas úmidas; - água potável como questão geopolítica. 6. A Questão Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável - histórico: - revoluções industriais e revolução técnico-científica; - a sociedade de consumo como modelo de desenvolvimento; - o despertar da consciência ecológica: - movimentos e conferências; - o desenvolvimento sustentável; - primeiras entidades de proteção ao meio ambiente; 105 - Rio-92: - compromissos e metas; - Rio +10 e o Protocolo de Kyoto: - créditos de carbono; - a rejeição dos EUA e dos países membros da OPEP; - a política ambiental brasileira: - os governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kutitschek; - a ditadura militar brasileira; - a Nova República. 7. Noções de Ecoturismo - conceito de ecoturismo; - reservas ambientais e ocupação; - projetos ideológicos sobre preservação ambiental e unidades de conservação; - pólos de ecoturismo; - potencial ecoturístico brasileiro. Química Ambiental EMENTA Poluição Hídrica. Poluição Terrestre. Poluição Aérea. Corrosão. 1a Série 1. Poluição Hídrica - tipos de poluição; - contaminação; - efluentes industriais; - indústrias poluidoras; - toxidade de metais pesados; - tratamento de efluentes; - monitoramento da qualidade das águas (parâmetros químicos e biológicos ) 2. Poluição Terrestre - tipos de lixo: doméstico, industrial e hospitalar. - lixões; - composição do lixo urbano; - alternativas de tratamento do lixo; - bioquímica no aterro sanitário; - decomposição de materiais; - política dos 3Rs. 3. Poluição Aérea - Protocolo de Quioto; - atmosfera; - ciclos biogeoquímicos: carbono, nitrogênio, fósforo e água; - fontes de poluição do ar: natural e artificial. - camada de ozônio; - efeito estufa; - percentual de contribuição dos gases para o efeito estufa; - aquecimento global. 4.Corrosão -Importância -Considerações energéticas -Tipos de corrosão -Meios corrosivos -Custos da corrosão Monitoramento Ambiental EMENTA Conceitos fundamentais. Ferramentas. Tipos de Monitoramento. Técnicas. 2a Série 1. Introdução e conceitos fundamentais 106 - questões básicas de gestão ambiental; - conceitos de poluição; - conceito de qualidade ambiental, desenvolvimento sustentável e controle ambiental; - importância do monitoramento ambiental. 2. Ferramentas de Análise Geo-ambientais - cartografia; - sensoriamento remoto; - geoprocessamento. 3. Monitoramento de Resíduos Sólidos - parâmetros bioquímicos. 4. Monitoramento de Resíduos Hídricos - parâmetros bioquímicos; - transporte de partículas e sedimentos; - bacias hidrográficas; - tratamento de efluentes; - bioacumulação. 5.Monitoramento de Fauna e Flora -técnicas de levantamento da flora e fauna. 6.Monitoramento de Áreas Urbanas Química Analítica EMENTA Introdução à Química Analítica. Fundamentos teóricos. Detecção e análise de Cátions. Descrição e nálise dos Ânions. Introdução à Química Analítica Quantitativa. 2a Série 1. Introdução à química analítica - objetivos e os métodos da química analítica qualitativa; - marcha geral de análise; - métodos usuais. 2. Fundamentos teóricos - unidades de concentração: grama por Litro, mol por Litro, porcentagem peso por peso, peso por volume; - reações químicas: Reações de neutralização, oxi-redução, precipitação e complexação; - produto iônico da água: pH; pOH; grau de ionização e força ácido/base; - produto de solubilidade. 3. Detecção de cátions - marcha geral de trabalho: Amostragem; solubilização de amostras; preparo das soluções; - seletividade, especificidade, limite de detecção; - descrição da divisão dos cátions nos diversos grupos. 4. Análise de cátions - análise dos cátions dos grupos I a III. 5. Descrição da divisão dos ânions nos diversos grupos - princípio da análise de ânions. 6. Análise dos ânions do grupo da prata e do grupo solúvel - preparo da amostra, testes de eliminação e identificação. 7. Introdução à química analítica quantitativa - métodos clássicos – gravimetria e volumetria; - precisão; exatidão; erros. Memória e Patrimônio do Meio Ambiente EMENTA Conceitos de memória e patrimônio. Relação homem e meio ambiente ao longo do tempo. Processo de ocupação histórica do Rio de Janeiro. 2ª série 1. Noções dos conceitos da disciplina: - Memória (coletiva e social); - Patrimônio e Meio Ambiente; - Ambiente Urbano; - Conservacionismo, Costume, Cultura; 107 - Desenvolvimento Sustentável; - Direito Ambiental; - Ecologia , Espaço, Habitat; - História Ambiental , História Local e Regional , História Natural, História Oral; - Identidade , Lugar; - Natureza , Paisagem , Paisagismo; - Preservacionismo, Reflorestamento , Revitalização Urbana , Restauração; - Sociedade,Tempo; - Tombamento, Tradição; - Urbanismo, Urbanização. 2. Panorama da ocupação histórica do espaço brasileiro 3. Espaço, tempo e natureza no Rio de Janeiro e 4. Estudos de Casos Legislação Ambiental e Normatização EMENTA Direito ambiental. Legislação. Estrutura da Administração Pública para Meio Ambiente. Política Nacional do Meio Ambiente. 3a Série 1. Princípios Gerais do Direito Ambiental. - Direito Ambiental Internacional: Declarações, Convenções e Tratados; - histórico das Conferências sobre Meio Ambiente; 2. O Direito Ambiental Brasileiro - história; - estrutura estatal: princípio da tripartição dos Poderes; - estrutura dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário; - hierarquia da legislação brasileira; - competências e atribuições das instâncias do Poder Judiciário. 3. O Meio Ambiente na Constituição Federal Brasileira. - competências e atribuições da União, Estados, DF e Municípios em Matéria Ambiental. 4. Os Estados na legislação ambiental. - Estudo da Constituição do Estado do Rio de Janeiro; - a organização da Secretaria de Ambiente: políticas, gerenciamento e órgãos. 5. Os Municípios: Urbanismo e Meio Ambiente. - estudo da Lei Orgânica da Cidade do Rio de Janeiro. 6. A Política Nacional do Meio Ambiente e seus instrumentos. - Lei 6938/81; - zoneamento ambiental; - estudo prévio de impactos ambientais; - licenciamento e auditoria ambiental; - infrações administrativas; - financiamento – meio ambiente e desenvolvimento suntentável. 7. Reparação de danos ecológicos e meios processuais. 8. Crimes Ambientais - Lei 9605/98 9. Legislação dos Recursos Hídricos. - Lei 9433/97; - Lei 24643/34. 10. Poluição e seus aspectos jurídicos. 11. Áreas de Preservação Permanente. 12. Unidades de Conservação da Natureza. 13. Legislação sobre Dano Nuclear e Rejeitos Radioativos. - Lei 10308/01. 14. Aspectos jurídicos da Zona Costeira. 15. Patrimônio Cultural. 16. Engenharia Genética e Meio Ambiente. - Lei 11105/05. Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres EMENTA Introdução. Ciclos. Sucessão Ecológica. Regiões fitogeográficas. Caracterização dos biomas. Equilíbrio biogeocenótico. Bacias hidrográficas. Técnicas de manejos. 3a Série 108 1. Introdução ao manejo ambiental - Definição; - Importância. 2. Ciclos biogeoquímicos 3. Sucessão ecológica 4. Noções de regiões fitogeográficas - deserto; - tundra; - taiga; - campos e savanas; - florestas tropicais. 5. Caracterização físico-química e biológica dos biomas brasileiros - Amazônia; - Mata Atlântica; - cerrado; - caatinga; - Pantanal; - campos sulinos; - ambientes costeiros. 6. Equilíbrio biogeocenótico - influência das flutuações das populações; - influência dos consumidores sobre a produção primária. 7. Bacias hidrográficas 8. Técnicas de manejo florestal - manejo de fauna; - manejo da flora: - manejo de produtos madeireiros e não-madeireiros; - manejo de áreas degradadas. 9. Manejo do solo 10. Manejo de pastagem 11. Manejo de ecossistemas frágeis 12. Manutenção de ecossistemas aquáticos e seus recursos 13. Manejo de habitats marinhos e costeiros Estudos de Impactos Ambientais EMENTA Definições. Problemas Ambientais. Tipos de Impactos. Licenciamento Ambiental. 3a Série 1. Definição de Impacto Ambiental 2. Os grandes problemas ambientais atuais - efeito estufa; - camada de ozônio; - chuva ácida; - ilhas de calor. 3. Tipos de impactos Ambientais: causas, conseqüências, soluções - poluição urbana: - crescimento de áreas impermeáveis; - sepultamento e cremação; - fezes, urina e outros resíduos urbanos; - poluição sonora; - danos ambientais decorrentes de empreendimentos imobiliários; - poluição agrícola: - manejo de pecuária intensiva; - erosão; - agrotóxicos, nitratos e pesticidas; - poluição em florestas tropicais e demais ecossistemas: - desmatamento; - queimadas; - introdução de espécies exóticas; - garimpo, mineração e exploração de pedreiras; 109 - hidrelétricas; - implantação de estradas; - biopirataria; - poluição em águas continentais: - assoreamento; - poluição por esgoto doméstico e industrial; - eutrofização; - poluição nos ambientes costeiros: - poluição por esgoto doméstico e industrial; - pesca; - introdução de espécies exóticas. 4. Licenciamento Ambiental - EIA/RIMA- Estudos de Impacto ambiental e Relatório de Impacto em Meio Ambiente; - PCA/RCA – Plano de Controle Ambiental e Relatório de Controle Ambiental; - PRAD – Plano de Recuperação de Áreas Degradadas instituído. Metodologia de Projetos EMENTA Técnicas de redação. Confecção de relatórios. Normas da ABNT. Acompanhamento e avaliação de projetos. 3a Série 1. Introdução à linguagem acadêmica - Ciência, evolução, conhecimento científico: - o que é Ciência; - Paradigma e Método Científico; - noção de problemas ambientais e de pesquisa ambiental; - linguagem acadêmica como forma de leitura da realidade: - o ato da leitura; - o ato de escrever textos. 2. Pesquisa científica: conceito, classificação e características. - objetivos da pesquisa; - justificativa; - seleção de métodos e técnicas: - coleta de dados; - mensuração: níveis de medida, confiabilidade e validez; - produção e apresentação de dados quantitativos e qualitativos; - fontes ; - cronograma de atividades. 3. Sistematização de textos - revisão da literatura - resumo, resenha, relatório, artigos, fichamento - normas de referências bibliográficas da abnt - referências bibliográficas - pesquisa bibliográfica - citações - notas de rodapé 4. Elaboração de um relatório técnico - elementos textuais; - introdução: - desenvolvimento; - conclusão; - elementos pré textuais; - elementos pós-textuais. 110