UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA AMBIENTAL - PGCA
“PERSPECTIVAS E LIMITES NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO
AMBIENTE: A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO COLÉGIO
PEDRO II”
Autor: Carlos Alexandre Turque Duarte
Orientadora: Professora Doutora Angelica Carvalho Di Maio
2012
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE ANÁLISE GEOAMBIENTAL
PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA AMBIENTAL - PGCA
“PERSPECTIVAS E LIMITES NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE:
A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO COLÉGIO PEDRO II”
Dissertação de Mestrado para a Obtenção de Grau de Mestre em Ciência Ambiental
Área de Concentração: Estudos de Processos Socioambientais
Linha de Pesquisa: Cultura, Educação e Políticas Ambientais
Autor: Carlos Alexandre Turque Duarte
Orientadora: Professora Doutora Angelica Carvalho Di Maio
2012
2
FOLHA DE AVALIAÇÃO
Carlos Alexandre Turque Duarte
“PERSPECTIVAS E LIMITES NA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE:
A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO COLÉGIO PEDRO II”
Banca Examinadora:
_______________________________________________________
Professora Doutora Angelica Carvalho Di Maio
(Universidade Federal Fluminense – UFF)
________________________________________________________
Professora Doutora Elza Maria Neffa Vieira de Castro
(Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ)
________________________________________________________
Professor Doutor José Glauco Tostes
(Universidade Federal Fluminense – UFF)
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
Niterói, 29 de Junho de 2012
3
AGRADECIMENTOS
A Deus em primeiro lugar. Aos meus queridos pais Dionísio e Maria de Lourdes.
À minha querida esposa Samantha. À minha dedicada orientadora, a professora Angelica
Carvalho Di Maio. Ao nosso saudoso coordenador do PGCA, o estimado professor Ivan de
Oliveira Pires. Aos servidores do colégio Pedro II, de maneira especial o professor Alex
Werner Von Sydow e a coordenadora do curso de meio ambiente, a professora Lygia Vuyk de
Aquino. Aos alunos e ex-alunos do curso técnico em meio ambiente do colégio Pedro II pela
colaboração nas entrevistas. E a todos os amigos da turma de 2010 do mestrado em Ciência
Ambiental.
4
EPÍGRAFE
“Terra! És o mais bonito dos planetas. Estão te maltratando por dinheiro. Tu que és a nave
nossa irmã. Canta! Leva tua vida em harmonia E nos alimenta com seus frutos. Tu que és do
homem a maçã. Vamos precisar de todo mundo. Um mais um é sempre mais que dois. Pra
melhor juntar as nossas forças. É só repartir melhor o pão. Recriar o paraíso agora. Para
merecer quem vem depois...”
(“O Sal da Terra” Beto Guedes)
5
RESUMO
Esta dissertação fez uma análise sobre a formação de técnicos em meio ambiente na
modalidade ensino médio integrado, com o objetivo de identificar as potencialidades e os
limites que envolvem a formação desse profissional de origem recente na história brasileira,
assim como sua relevância social. Na primeira parte foi traçado um histórico da implantação
dos cursos profissionalizantes no Brasil e das ideologias que os caracterizaram. Em um
segundo momento foi feita uma contextualização sobre as recentes discussões sobre o meio
ambiente em escalas nacional e internacional, incluindo o que se refere à educação ambiental.
Na terceira parte foi realizada uma análise sobre os aspectos legais e estruturais que envolvem
a formação dos técnicos em meio ambiente. Por fim, foi feito um estudo de caso sobre o curso
oferecido pelo colégio Pedro II na Unidade Escolar São Cristóvão III, buscando identificar
suas potencialidades e limites. O estudo foi realizado com a coordenadora do curso, com 84
alunos das três séries do ensino médio, cursistas do ensino técnico integrado em meio
ambiente, e com 12 alunos egressos. Ele apontou os aspectos formativos do referido curso,
possibilitou a avaliação da sua relevância social e o grau de satisfação da comunidade escolar,
assim como analisou as possibilidades de inserção do alunado no mercado de trabalho.
Palavras - chaves: Ensino profissionalizante; Ensino e meio ambiente; Curso técnico em meio
ambiente; Colégio Pedro II; Perspectivas e limites da formação técnica.
6
ABSTRACT
This master's thesis made an analysis on the training of technicians in the environment in high
school mode integrated in order to identify strengths and limitations involving the formation
of a trader of recent origin in Brazilian history, as well as their social relevance. In the first
part, a historical route of the deployment of professional courses in Brazil and ideologies that
characterized them was presented. In a second step, it was contextualized the recent
discussions about the environment at national and international level, with regard to
environmental education. In the third part was done an analysis on the structural and legal
aspects that involve the training of technicians in the environment Finally, it was made a case
study on the course offered by the Pedro II Scholl in São Cristóvão III campus, seeking to
identify their strengths and limitations. The study was conducted with the coordinator of the
course, with 84 students from from the three grades of secondary schoolt technical education
teacher students integrated into the environment, and 12 former students. It pointed to the
formative aspects of this course, evaluated its social relevance and the degree of satisfaction
of the school community as well as analyzed the possibility of inclusion of students in the
labor market.
Key-words: Professionalizing education, education and environment, technical course on the
environment, Pedro II School, Perspectives and limits of technical training
7
ÍNDICE DE FIGURAS, GRÁFICOS, TABELAS E QUADROS
FIGURAS
Figura 1 – Imagens do Horto Botânico do Colégio Pedro II obtidas pelo autor
no sítio da instituição: www.cp2.g12.br em 2011 ...............................................
Figura 2 – Imagens do complexo escolar de São Cristóvão obtidas pelo autor
em 2012 ...............................................................................................................
41
45
GRÁFICOS
Gráfico 1 - Percentuais relativos à primeira questão aplicada aos alunos da 1ª e
da 2ª séries ...........................................................................................................
Gráfico 2 –Resultados referentes à terceira questão aplicada aos alunos da 1ª e
da 2ª séries ...........................................................................................................
Gráfico 3 – Resultados relativos à quarta questão aplicada aos alunos da 1ª e
da 2ª séries ...........................................................................................................
Gráfico 4 – Resultados referentes à quinta questão aplicada aos alunos da 1ª e
da 2ª séries ...........................................................................................................
Gráfico 5 – Resultados relativos à sexta questão aplicada aos alunos da 1ª e da
2ª séries ................................................................................................................
Gráfico 6 – Resultados referentes à sétima questão aplicada aos alunos da 1ª e
da 2ª séries ...........................................................................................................
Gráfico 7 – Resultados relativos à oitava questão aplicada aos alunos da 1ª e
da 2ª séries ...........................................................................................................
Gráfico 8 – Resultados obtidos para a nona questão aplicada aos alunos da 1ª e
da 2ª séries ...........................................................................................................
Gráfico 9 – Resultados da décima questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª
séries ....................................................................................................................
Gráfico 10 – Motivações para o ingresso no curso apontadas pelos alunos da 3ª
série ......................................................................................................................
Gráfico 11 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: Qual é o
significado que a natureza tem para a sua vida? ..................................................
Gráfico 12 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: O que você
esperava do curso técnico em meio ambiente? ....................................................
Gráfico 13 – Respostas para dos alunos da 3ª série para a questão: O curso tem
atendido às suas expectativas? .............................................................................
Gráfico 14 – Respostas da 3ª série para a questão: Quais são as principais
dificuldades que você vem enfrentando em seu curso? .......................................
Gráfico 15 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Quais são as
principais dificuldades que você acredita que irá enfrentar em sua atuação
como profissional em meio ambiente ................................................................
Gráfico 16 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Como você
espera contribuir para a sociedade através da sua atuação profissional? .............
Gráfico 17 – Respostas dos alunos egressos à questão: Atualmente você está
realizando algum curso de graduação, politécnico ou outros? ..........................
Gráfico 18 – Resposta dos alunos egressos para a questão: Por que você não
está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente? .....................
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8
Gráfico 19 – Resposta dos alunos egressos à questão: Quais são as principais
dificuldades que você está enfrentando, ou acredita que poderá enfrentar, para 78
atuar profissionalmente como técnico em meio ambiente? .................................
TABELAS
Tabela 1 – quantitativo de alunos cursistas do técnico em meio ambiente na 1ª
e na 2ª séries e o total de questionários respondidos ........................................
Tabela 2 - Percentuais de respostas para a segunda questão ..............................
Tabela 3 – Graduações citadas pelos alunos entrevistados
da 1ª e da 2ª séries ...............................................................................................
Tabela 4: Pretensões profissionais dos alunos da 3ª série na carreira de técnico
ambiental .............................................................................................................
Tabela 5: Área e/ou empresas nas quais os alunos da 3ª série
gostariam de atuar ...............................................................................................
Tabela 6: Concursos para técnico em meio ambiente em 2012 ..........................
Tabela 7 – Respostas dos alunos da 3ª série à questão: Você acredita que o
profissional em meio ambiente é valorizado pelo mercado de trabalho?
Justifique .............................................................................................................
52
53
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70
71
72
75
QUADROS
Quadro 1- Cronologia do ensino profissionalizante no Brasil – Séc.XX ...........
Quadro 2 – principais eventos e políticas para o meio ambiente ocorridos na
segunda metade do século XX ............................................................................
Quadro 3 – Sistematização dos conceitos de multi, pluri, inter e
transdisciplinaridade .......................................................................................
Quadro 4 – Linha de pesquisa do projeto Área Verde ........................................
Quadro 5 – Dados do curso técnico em meio ambiente ......................................
Quadro 6 - Distribuição das disciplinas específicas do curso técnico em meio
ambiente ..............................................................................................................
19
27
37
43
45
47
9
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 12
2. OBJETIVOS ............................................................................................................. 14
2.1 OBJETIVOS GERAIS ................................................................................... 14
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .........................................................................14
3. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................ 15
3.1. BREVE HISTÓRICO DO ENSINO
PROFISSIONALIZANTE NO BRASIL ..................................................... 15
3.1.1 O Contexto Político e Econômico do
Brasil no Início do século XX .................................................................... 15
3.1.2 As Políticas para o Ensino Profissionalizante
no Brasil ao longo do século XX ................................................................ 16
3.1.3 O Cenário Atual da Educação Pública
Brasileira ................................................................................................... 20
3.2 A EMERGÊNCIA DAS DISCUSSÕES
SOBRE MEIO AMBIENTE ......................................................................... 23
3.2.1 As Discussões sobre Justiça Ambiental ..................................................... 28
3.2.2 As Discussões sobre Educação Ambiental ................................................. 30
3.3. UM OLHAR SOBRE A FORMAÇÃO
DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE
NO BRASIL .................................................................................................. 32
3.3.1 Aspectos Legais da Profissionalização
em Meio Ambiente ..................................................................................... 32
4. METODOLOGIA .................................................................................................... 37
5. O ENSINO TÉCNICO INTEGRADO EM
MEIO AMBIENTE DO COLÉGIO PEDRO II ..................................................... 40
5.1 HORTO BOTÂNICO - LOCALIZAÇÃO
E CARACTERIZAÇÃO .............................................................................. 40
5.2 A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO
INTEGRADO EM MEIO AMBIENTE ....................................................... 44
10
5.2.1 A Perspectiva dos Alunos em Relação
ao Curso ..................................................................................................... 50
5.2.1.1 Entrevista com os Alunos das 1ª e
2ª Séries .................................................................................................. 50
5.2.1.2 Entrevista com os Alunos da 3ª série ..................................................... 62
5.2.1.3 Entrevista com os Alunos Egressos
de 2010 ................................................................................................... 76
6. CONCLUSÕES ...................................................................................................... 81
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 84
APÊNDICE 1 - Questionário Aplicado à Coordenação
do Curso Técnico em Meio Ambiente
do Colégio Pedro II ......................................................................... 87
APÊNDICE 2 - Questionário Aplicado aos Alunos
das 1ª, 2ª e 3ª séries do Curso Técnico
em Meio Ambiente do Colégio Pedro II .......................................... 89
APÊNDICE 3 - Questionário Aplicado aos Alunos
Egressos do Curso Técnico em
Meio Ambiente do Colégio Pedro II ................................................ 93
ANEXO 1 - Proposta da Curso Técnico em Meio
Ambiente do Colégio Pedro II ............................................................... 94
ANEXO 2 - Ementa das Disciplinas Específicas
do Curso Técnico em Meio Ambiente
do Colégio Pedro II .............................................................................. 103
11
1. INTRODUÇÃO
Ao longo das últimas décadas, a temática ambiental tem aparecido com mais
frequência nos canais midiáticos e nas mais diversas arenas do saber. Vários são os interesses
e concepções em disputa. No campo da ciência, cada vez mais o meio ambiente tem se
tornado uma problemática interdisciplinar. Apesar disso, os esforços para se construir uma
metodologia de pesquisa comum às várias ciências parcelares têm se revelado ainda
insuficientes. No âmbito da profissionalização têm surgido graduações, pós-graduações,
cursos politécnicos e técnicos com a finalidade de promover a formação conceitual e
profissional em meio ambiente. Neste trabalho, busca-se identificar, a partir de uma análise
crítica, as potencialidades e os limites relacionados à formação de técnicos em meio ambiente
no nível médio de ensino da educação básica.
O histórico de implantação dos cursos profissionalizantes no Brasil remonta ao
início do século XX. Ao longo do tempo, essa modalidade sofreu inúmeras reestruturações,
porém manteve a função básica de fornecer mão-de-obra técnica e especializada para o
mercado de trabalho, sobretudo pela absorção das camadas mais pobres da população. Sendo
assim, nas políticas governamentais, o ensino técnico sempre foi destinado às classes
populares, enquanto que o ensino propedêutico era direcionado para as parcelas mais
privilegiadas da população. No decorrer dos anos 2000 surgiu uma nova proposta de ensino
técnico associado ao ensino propedêutico. Trata-se do ensino médio técnico integrado ao
ensino regular. Algumas escolas adotaram essa proposta, entre eles o colégio Pedro II, que
compõe a rede federal de ensino.
Apropriando-se dessa nova perspectiva educacional, o colégio Pedro II,
implantou, entre 2006 e 2007, o curso técnico em Meio Ambiente integrado ao ensino médio.
As primeiras turmas formadas concluíram o curso em dezembro de 2009. Em 2010 outras
duas turmas também obtiveram o título de técnico em meio ambiente. Em 2011 mais duas
turmas concluíram. O concurso seletivo de alunos para o ano de 2012 contou com 423
inscrições validadas para candidatos concorrerem a 16 vagas no curso de meio ambiente
oferecido pela instituição. Desses, 114 candidatos eram oriundos de escola pública e 309
provenientes de escolas privadas. As demais vagas para o curso serão preenchidas por alunos
que já pertencem à instituição e que são egressos do ensino fundamental.
Tendo em vista as contribuições oferecidas pelo tradicional colégio Pedro II à
sociedade brasileira, sobretudo à fluminense, e a sua reafirmação como instituição educativa
influente que, mesmo em meio a um contexto de desvalorização da escola pública, ainda
12
oferece ensino de excelência, torna-se importante analisar a implantação recente do curso
técnico em meio ambiente na unidade São Cristóvão III - com possibilidades de ampliação
para outras unidades. Desse modo, a sua avaliação não só já é possível como, também, é
necessária, de modo que sejam identificadas e analisadas as perspectivas que ele tem gerado
na comunidade escolar, sua estrutura e organização, sua potencial relevância social e as
limitações de qualquer natureza que lhe são impostas.
A atuação desses profissionais pode contribuir para o planejamento e o
desenvolvimento de atividades menos impactantes ao meio ambiente em empresas públicas e
privadas, ou mesmo em Organizações Não-Governamentais (ONGs). As atividades de
consultoria também podem ser um campo interessante para os técnicos ambientais. A recente
realização de concursos para essa área e a contratação de técnicos por firmas particulares têm
demonstrado que o mercado de trabalho está começando a absorver, mesmo que em pouca
quantidade, esse tipo de profissional.
Para a formulação da parte teórica deste trabalho foi realizado um levantamento e
uma revisão bibliográfica sobre: legislação nacional; Histórico, Estrutura e Funcionamento do
ensino básico no Brasil; Epistemologia e Educação Ambiental; Economia; Geografia Política,
Metodologia Interdisciplinar e Formação Técnica e Profissional. No estudo de caso, foi
analisado o curso técnico em meio ambiente do colégio Pedro II a partir de análise
documental e de entrevistas com a coordenação do curso, alunos das três séries e alunos
egressos. Ao final, foi feita uma conclusão identificando os principais resultados da pesquisa e
levantando questões para uma pesquisa seqüencial.
13
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Esta pesquisa tem como objetivo principal analisar as perspectivas e os limites na
formação de técnicos em Meio Ambiente, recentemente implantado pelo tradicional colégio
Pedro II através do ensino médio integrado, modalidade que interliga o currículo do ensino
médio regular a um conjunto de disciplinas voltadas para a formação profissional. A proposta
é avaliar de que modo o projeto oferecido pela escola tem contribuído para a formação de
sujeitos qualificados e críticos para atuarem nos diversos campos sociais que se relacionam
com a questão ambiental.
2.2 Objetivos Específicos
- Identificar as principais características das políticas governamentais para o ensino
profissionalizante ao longo do século XX;
- Identificar as recentes discussões sobre o meio ambiente, surgidas a partir da segunda
metade do século XX;
- Analisar os aspectos legais da profissionalização em meio ambiente;
- Identificar os pontos fundamentais que regulamentam e fundamentam o curso técnico em
meio ambiente oferecido pelo colégio Pedro II;
- Analisar seus aspectos formativos, tais como o seu conteúdo curricular obrigatório, o
programa de estágio supervisionado, grau de interdisciplinaridade e as atividades
extracurriculares desenvolvidas ao longo do período de formação.
- Avaliar o grau de satisfação da comunidade escolar em relação ao curso e a sua respectiva
relevância social
- Analisar as possibilidades dos egressos em relação à inserção no mercado de trabalho.
14
3. REVISÃO DA LITERATURA
3.1. BREVE HISTÓRICO DO ENSINO PROFISSIONALIZANTE NO BRASIL
A organização do ensino profissionalizante formal no Brasil teve início em 1909,
no mandato do presidente Nilo Peçanha (1909 – 1910). Naquele ano, foi implantada a Rede
Federal Profissional e Tecnológica e foram criadas, através do Decreto nº 7566, cerca de
dezenove escolas de aprendizes artífices. Essa modalidade surgiu com características
ocupacional e tecnicista, cuja finalidade prioritária era garantir a formação para o mercado de
trabalho, de modo que fosse possível atender a demanda capitalista por mão-de-obra, e reduzir
as taxas de desemprego nas áreas urbanas.
Esse era o momento inicial de uma grande mudança na distribuição geográfica da
população brasileira. SANTOS (1994, p.21) afirma que “no ano de 1900 a população urbana
brasileira ultrapassava 1.200.000 habitantes”. Foi o começo do processo de urbanização pelo
qual o Brasil passou ao longo do século XX e que provocou um enorme impacto nas relações
políticas, econômicas e sociais, inclusive no que se refere à educação.
3.1.1 – O contexto político e econômico do Brasil no início do século XX
O crescimento das cidades trazia consigo a reorganização das relações do homem
com o trabalho. Novas necessidades produtivas e de serviços foram surgindo na vida
tipicamente urbana. Além disso, crescia o número de marginalizados que aportavam nas
cidades sem emprego e sem moradia. Segundo Saviani (2000), foi nesse contexto que a
pedagogia tradicional se fortaleceu, defendendo a instrução formal nas escolas como
possibilidade de adequação do indivíduo à sociedade, superando o problema da
marginalização.
Nessa perspectiva, os mais pobres precisavam ser treinados e orientados para que
pudessem descobrir e exercer suas vocações profissionais. Isso possibilitaria o fechamento de
um ciclo onde os trabalhadores receberiam um salário que os permitiria subsistir e continuar a
oferecer a mão-de-obra necessária para o sistema capitalista periférico 1 que por aqui se
desenvolvia.
1
O sistema capitalista periférico caracteriza-se pelo desenvolvimento econômico dos países mais pobres a partir
de políticas e implantação de modelos econômicos que ensejam um alto grau de dependência em relação aos
países centrais.
15
Porém, mesmo com a criação das escolas técnicas, as indústrias que se instalaram
no país, sobretudo nas décadas de 1920 e 1930, continuavam carecendo de profissionais
qualificados, pois elas trouxeram maquinários e tecnologias mais sofisticados. Uma das
soluções para o enfrentamento desse problema foi a contratação de mão-de-obra estrangeira.
O contexto econômico europeu do pós-guerra favoreceu o movimento migratório. De acordo
com o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC),
da Fundação Getúlio Vargas “estima-se que em 1920, 64,2% dos estabelecimentos industriais
de São Paulo estavam nas mãos de empresários imigrantes”.
Os trabalhadores estrangeiros tiveram participação significativa no movimento
operário que sacudiu a política brasileira entre 1917 e 1920. .No entanto, ao mesmo tempo em
que resolviam o problema imediato da carência de mão-de-obra do setor industrial, esses
estrangeiros trouxeram práticas novas e incômodas nas relações trabalhistas. Silveira afirma
que:
Primeiro, os operários contratados não transferiam seus conhecimentos aos trabalhadores
locais, tomando para si o poder de operação das máquinas, o que acarretava aumento do valor
da sua força de trabalho. Segundo, traziam consigo práticas e idéias, consideradas contra a
ordem estabelecida, como, por exemplo, a idéia da organização sindical, paralisação da
produção, como poder de barganha pela melhoria de salários, das condições de trabalho.
(2006, Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0109.html)
A Lei de expulsão de estrangeiros de 1921 e o decreto presidencial de 1930, que visava
organizar e limitar a entrada de estrangeiros no Brasil foram os meios que o Estado adotou para tentar
enfraquecer a influência dos trabalhadores imigrantes sobre a população nacional. Ainda de
acordo com o CPDOC – FGV, o governo brasileiro considerava que apenas a entrada de
estrangeiros era a responsável pela subversão da ordem dominante, ignorando os movimentos
internos do proletariado brasileiro. O fato é que a criação desse cenário de lutas e pressões por
condições mais dignas de trabalho levou à criação da organização sindical brasileira em 1942.
3.1.2 – As políticas para o ensino profissionalizante no Brasil ao longo do século XX
A promulgação da Constituição de 1937, durante o primeiro mandato do
presidente Getúlio Vargas (1930 – 1945), reforçou o caráter sectário da educação brasileira ao
afirmar em seu artigo 129 que:
O ensino profissional destinado às classes menos favorecidas era o primeiro dever do Estado
em relação à educação. [...] fundando institutos de ensino profissional e subsidiando os de
iniciativa dos Estados, dos Municípios e dos indivíduos ou associações particulares e
profissionais (Brasil, 1937).
Com essa legislação, o governo federal oficializou a intenção de incluir a
população mais pobre no mercado de trabalho através da formação técnica. A formação
16
propedêutica, por sua vez, era direcionada aos filhos da classe média e classe média alta. A
formação geral para esses últimos grupos permitia um preparo mais completo para o ingresso
na educação superior.
Porém, foi a partir da década de 1940 que houve forte estruturação e aumento da
oferta dos cursos técnicos no Brasil. Em 1942, foi publicado o Decreto-Lei n.º 4073/42,
conhecida como Lei Orgânica do Ensino Médio, que unificou a organização do Ensino
Técnico em nível nacional, colocando-o praticamente no mesmo nível que o ensino
propedêutico. “A partir dele as escolas de aprendizes artífices foram transformadas em
Escolas Industriais e Técnicas” (PACHECO; PEREIRA e SOBRINHO, 2009, p. 53).
Neste mesmo ano, foi realizada a Reforma Capanema2, que segregou de modo
mais efetivo o que veio a ser chamado de “educação para rico” e “educação para pobre”.
Também nesta década foram criados o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial –
SENAI (1942) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC (1946). Ambas
são instituições privadas e visam, respectivamente, a formação de mão-de-obra para os setores
secundário e terciário da economia.
Desse modo, a estruturação do ensino profissionalizante legitimou a ideologia
dominante, que destinava aos mais pobres uma formação voltada para o saber fazer, enquanto
os mais ricos eram contemplados com o ensino propedêutico, que visava promover o saber
pensar. Em suma, a ideologia elitista presente na sociedade brasileira naquela época pregava
que as classes menos favorecidas deveriam ser preparadas para formar o exército de mão-deobra disponível para o mercado, ao passo que os filhos das classes média e alta deveriam ser
formados para se manterem no controle e na planificação macroeconômica e política da
sociedade brasileira. Reforçavam-se assim, nos campos da educação e do trabalho, as
desiguais relações de poder e de classes, inerentes à acumulação capitalista.
No período Juscelinista (1956 – 1961), o apoio governamental para o ensino
profissionalizante continuou. Em 1959, as Escolas Industriais e Técnicas foram transformadas
em autarquias passando a ser denominadas Escolas Técnicas Federais, com autonomia
administrativa e pedagógica. A ideologia nacional-desenvolvimentista, que marcou àquele
período, baseava-se na busca pelo desenvolvimento econômico a partir de uma
2
“Os currículos foram redefinidos e o ensino secundário ficou em oposição ao profissional, com existência de
articulação tênue entre eles, numa época que havia a necessidade de formação de força de trabalho. O curso
secundário foi preparado para formar os dirigentes da nação, já os ramos da educação profissional foram
designados para os seguintes setores da produção: primário, para o ensino agrícola; secundário para o ensino
industrial; terciário para o ensino comercial e o ensino normal para a formação de professores” (MANFREDI
apud PAMPLONA e OTRANTO, 2006, p.2).
17
industrialização tardia e periférica. Entre as medidas prioritárias para se atingir tal objetivo,
estava a necessidade de se investir na formação de profissionais tecnicamente capacitados
para trabalhar nas linhas de produção das indústrias recém-chegadas ao país. De acordo com
Cardoso:
A formação de mão-de-obra qualificada para a indústria passa a definir toda a preocupação
desenvolvimentista com a política educacional. Sua base é a educação voltada para o trabalho,
tendo no mercado de trabalho o seu ponto básico de referência. A pretensão é torná-la técnica,
especializada na medida do esforço técnico necessário para o tipo de desenvolvimento que se
busca. Isto é, trata-se de uma educação que tem por finalidade adequar as novas gerações ao
projeto de desenvolvimento em curso, com ela completando os elementos constitutivos do seu
suporte na estrutura social [...]. (1977, p.347).
Cardoso realiza uma análise crítica do período juscelinista, em que a ideologia
nacional-desenvolvimentista propagava a modernização, ainda que conservadora, como única
mola propulsora do desenvolvimento. Foi um período de abertura econômica aos
investimentos diretos estrangeiros através de medidas que promoviam intensificação da
produção e circulação de capitais no país, mas sem necessariamente promover a capitalização
do Estado brasileiro, iniciando um grande ciclo de concentração de renda e dependência em
relação aos capitais internacionais.
Tratava-se, na verdade, da inserção periférica do Brasil no mercado global, a qual
apenas uma pequena parcela da população era beneficiada. Foi nesse período que vieram para
o Brasil as grandes empresas do ramo automobilístico que, além de instituírem um padrão de
consumo primeiro mundista, baseado no transporte particular, também influenciaram
decisivamente na opção pelo rodoviarismo como principal modal de transporte no país.
Durante o período da ditadura militar (1964 – 1985) a estrutura de separação entre
o ensino propedêutico e técnico foi mantida. A Lei n.º 5692, promulgada em agosto de 1971
enfatizava, entre outras coisas, a necessidade de desenvolver as potencialidades do educando,
bem como qualificá-lo profissionalmente para o mercado de trabalho. Reafirmava-se,
portanto, a necessidade de se formar trabalhadores disciplinados e eficientes, que dessem suas
parcelas de contribuição para o crescimento econômico do país, sem a necessidade de refletir
sobre as bases políticas e econômicas. De acordo com Biagini:
A educação tornou-se, em tal perspectiva, um filtro eficaz para a reprodução da hierarquia da
sociedade, um instrumento capaz de promover, sem qualquer resistência, a força de trabalho
necessária ao desenvolvimento econômico; nesta medida, assegurou a produção e a
distribuição do poder na organização social. O propósito de estabelecer uma concordância
entre uma proposta pedagógica de educação e o modelo de desenvolvimento pretendido pelo
governo fez com que a essência da educação fosse concebida de forma fragmentada. (2001,
disponível em: http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/EDU/edu1713.htm).
A partir da década de 1990, em pleno processo de abertura democrática, houve no
Brasil a implantação, pelo Governo, do pacote de ajustes estruturais, acordados com as
grandes instituições financeiras internacionais, como parte da adoção da política econômica
18
neoliberal. Com isso, o ensino técnico se fortaleceu como viés educacional necessário para a
nova fase de acumulação capitalista. Não só na área técnica, mas em muitos meios
profissionais, conceitos como qualidade total e eficiência passaram a ditar o ritmo do mercado
de trabalho. E mesmo com as crises que o capitalismo e o modelo neoliberal vêm
atravessando desde o início dos anos 2000, o ensino técnico continuou sendo um forte aliado
do sistema produtivo, tanto que foi enfatizado durante os mandatos de Luís Inácio Lula da
Silva (2002 – 2010).
Concomitante a esse processo, os movimentos realizados pelos servidores destas
instituições levou à reestruturação das Escolas Técnicas Federais que, através da Lei nº
11.892 de dezembro de 2008, passaram a constituir a Rede Federal de Educação Profissional,
Científica e Tecnológica, transformando-se em Institutos Federais de Educação, Ciência e
Tecnologia (IFETs). Nas plataformas de campanhas dos principais candidatos à eleição
presidencial de 2010, o ensino técnico foi apresentado como uma das prioridades dos
principais candidatos em relação às políticas educacionais. A candidata vencedora, Dilma
Rousseff, mostrou-se uma grande defensora dessa modalidade de ensino nos debates em que
participou. Porém, somente ao longo do seu mandato será possível avaliar os direcionamentos
dados para esse setor.
Em suma, ao longo do século XX, houve um grande movimento de criação,
estruturação, reestruturações políticas do ensino profissionalizante. O Quadro 1 sintetiza
cronologicamente os fatos mais relevantes desse período.
Quadro 1- Cronologia do Ensino Profissionalizante no Brasil – Séc.XX
ANO
FATO 1
FATO 2
1909
Implantação da Rede Federal Profissional e
Tecnológica
Decreto nº 7566 criação das escolas de
aprendizes artífices
1937
Constituição de 1937 - Ensino profissionalizante
destinado às classes pobres
1942
Decreto-Lei nº 4073/42 - Organização do ensino
técnico em nível nacional e no mesmo nível do
ensino propedêutico. Transformação das escolas
de aprendizes artífices em Escolas Industriais e
Técnicas.
1946
Criação do SENAC
Reforma Capanema Distinção entre
educação para as
classes mais
privilegiadas e
educação para as
classes sociais
destituídas de bens
materiais e culturais.
FATO 3
Criação do SENAI.
19
1959
1971
2008
As Escolas Industriais e Técnicas foram
transformadas em autarquias passando a ser
denominadas Escolas Técnicas Federais, com
autonomia administrativa e pedagógica.
Lei nº 5692 - Necessidade de desenvolver as
potencialidades do educando, bem como
qualificá-lo profissionalmente para o mercado
de trabalho
Lei nº 11.892 - Reestruturação das Escolas
Técnicas Federais. Passaram a constituir a Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica, transformando-se em Institutos
Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
(IFETs).
3.1.3 Cenário Atual da Educação Pública Brasileira
Ao longo do século XX o mundo passou por uma série de transformações
econômicas e sociais decorrentes, principalmente, dos avanços tecnológicos e da
reestruturação do modo capitalista de produção. Atualmente, vivenciamos o seu estágio
avançado, que é denominado globalização. As distâncias foram relativamente diminuídas, as
barreiras comerciais entre os países foram progressivamente sendo desmontadas e a
circulação de capitais, pessoas, idéias e informações atingiu patamares nunca antes registrados
na história da humanidade. Nos países mais pobres, como o Brasil, a entrada de tecnologia e
de capitais dinamizou os setores produtivos e de serviços mas, por outro lado, aumentou a
dependência econômica externa e a concentração de renda dentro do país.
A escola, como parte integrante da sociedade, não ficou alheia a essas mudanças.
Ela reproduziu as características e contradições do mundo contemporâneo. Diversas
ideologias políticas e pedagógicas, inclusive as oriundas de organismos multilaterais, como a
Organização das Nações Unidas - ONU e de instituições financeiras, como o Banco Mundial
passaram a permear as políticas públicas para a educação. A diminuição das taxas de
analfabetismo, o aumento da permanência das crianças e jovens na escola e a diminuição da
reprovação passaram a ser condições para a manutenção do crédito dos países mais pobres
com os credores internacionais.
Paralelamente, também era exigido que esses governos lançassem medidas para
assegurar o superávit primário, de modo que o pagamento das dívidas públicas fosse
assegurado. Na maior parte dos casos, essas medidas traduziram-se em aumento da carga
tributária e redução dos investimentos nos setores sociais, entre eles o da educação. Entre as
20
conseqüências, tivemos um processo de depreciação da escola pública, denunciada no
sucateamento das instalações, congelamentos ou reajustes irrisórios nos vencimentos básicos
dos profissionais da educação e aguçamento das experiências de fracasso escolar, manifestado
nas reprovações em massa e na evasão escolar.
Questões básicas como o acesso e permanência na escola sempre foram temas de
muitas discussões, tanto na esfera acadêmica quanto política. A obrigatoriedade do Estado em
garantir o acesso universal à escola é uma conquista relativamente nova. Foi sendo formulada
ao longo do século XX e consolidada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996:
Art. 4º. O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia
de:
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso
na idade própria;
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio. (BRASIL, Lei
9394/96).
O acesso à escola, entendido pelo Estado como condição vital para o pleno
exercício da cidadania e para a preparação para o mercado de trabalho, não necessariamente
tem se traduzido em permanência na mesma. A escola pública sofre com a escassez de
recursos públicos e apresenta condições mínimas de funcionamento. Os jovens de classe
média e, principalmente, de classe média alta foram migrando, ao longo das décadas, para a
rede particular de ensino, que geralmente possuem melhores condições estruturais. Os jovens
de classes sociais mais baixas frequentam a rede pública, onde é mais difícil encontrar
infraestrutura adequada.
Em relação às modificações no mercado de trabalho, percebemos um grande
paradoxo no Brasil: com a entrada das mais variadas tecnologias no país, a demanda por mãode-obra qualificada aumentou, mas os investimentos públicos para a formação desse tipo de
trabalhador não acompanharam essa tendência. O resultado disso é a reprodução de um
contingente de trabalhadores não qualificados e despreparados para assumir funções
modernas que o mercado exige.
Não é por acaso que os índices de trabalho informal no Brasil têm crescido nos
últimos anos. De acordo com Bruno e Abreu:
A complexidade do mundo em que vivemos hoje pede uma escola que propicie e prime pela
formação integral da pessoa. Uma escola em que formar, ensinar e conviver sejam tratados
como aspectos indissociáveis no processo educativo. (2007, p. 94).
Atualmente, o Brasil possui uma grande rede de ensino e apresenta índices
elevados de matrículas. Mas ao mesmo tempo lida com o sério problema da evasão escolar.
Entre as explicações para esse paradoxo, está a inadequação dos conteúdos curriculares com
as demandas dos jovens. Muitos deles não veem sentido nos conteúdos que compõem a grade
21
curricular obrigatória e perdem o interesse. Isso gera desmotivação entre os alunos que, em
muitos casos, leva a consequências mais graves como o abandono dos estudos. De acordo
com Alves:
Nenhuma criança se evade do parque de diversões ou da sorveteria. Muitas coisas que se
aprende na escola não fazem o menor sentido. Se as crianças fogem não é porque falta desejo
de aprender, mas porque o que elas querem saber não está sendo ensinado. (2006).
Núcleo importante das relações sociais, a escola ainda tem grandes dificuldades
para lidar com temas contemporâneos, tensões e conflitos sociais. No caso do Brasil, país que
ainda mantém forte tradição de concentração de renda, os problemas são imensos e a
superação dos mesmos só será possível se forem promovidas revoluções estruturais em todos
os sistemas envolvidos com a educação. Muitos são os movimentos que lutam pela educação
de qualidade, mas as mudanças estruturais ainda são incipientes. A teoria da curvatura da
vara, apresentada por Saviani, serve para elucidar bem essa questão:
Com efeito, assim como para se endireitar uma vara que se encontra torta, não basta colocá-la
na posição correta, mas é necessário curvá-la do lado oposto, assim, também, no embate
ideológico, não basta enunciar a concepção correta para que os desvios sejam corrigidos; é
necessário abalar as certezas, desautorizar o senso comum. E para isso nada melhor do que
demonstrar a falsidade daquilo que é tido como obviamente verdadeiro demonstrando ao
mesmo tempo a verdade daquilo que é tido como obviamente falso. (2003, p. 60).
Isso significa que, para que a escola cumpra sua função de construir a cidadania,
formar valores, e promover cultura geral, ela precisa de uma ampla e constante reflexão que
gere maior comprometimento de todos os setores da sociedade, sobretudo do poder público e
dos educadores que lutam por uma educação pública de qualidade. Pois, apesar das
dificuldades, o papel da escola na sociedade tem mais se reafirmado do que enfraquecido. De
acordo com Oliveira:
A tensão que a escola se encontra, no entanto, não significa seu fim como instituição social
educativa ou o início de um processo de desescolarização da sociedade. Indica, antes, o início
de um processo de reestruturação dos sistemas educativos e da instituição tal como a
conhecemos. A escola de hoje precisa não apenas conviver com outras modalidades de
educação, mas também articular-se e integrar-se a elas, a fim de formar cidadãos mais
preparados e qualificados para um novo tempo. (2003, pp. 52 e 53).
Outro problema que vem dificultando a melhoria da educação pública no Brasil é
o ciclo de descontinuidades que marca as políticas nacionais para o setor. Esse problema
ocorre nas três esferas do poder, mas é no âmbito federal que essa questão se mostra mais
grave. No final dos anos 1990, o Brasil passava por um período de transformações
econômicas que tiveram como conseqüências a desvalorização do real, o aumento do
endividamento externo e, consequentemente, o aumento da dependência externa.
Naquela época, propostas de organizações econômicas internacionais, como o
Banco Mundial, já sinalizavam com um modelo de educação baseado no aumento da
escolarização mediante políticas locais articuladas aos princípios internacionais. Enfatizava-se
22
que a educação deveria ser voltada para a formação de mão-de-obra qualificada para o
mercado de trabalho. Sendo assim, a integração das camadas populares poderia passar pelo
novo rearranjo do ensino técnico.
Em suma, essas propostas, ao mesmo tempo em que visavam reduzir taxas de
analfabetismo e aumentar os anos de escolaridade, também contribuiria para a manutenção
das antigas estruturas de poder, baseadas no controle do conhecimento mais sofisticado e
politizado por parte de uma minoria elitizada. Isso porque, de modo geral, educação básica de
qualidade no Brasil, salvo algumas exceções, é oferecida, sobretudo, por instituições privadas.
O ensino público sofre contínuos processos de desvalorização e pauperização. De acordo com
Libâneo, Oliveira e Toschi:
Na educação básica, orientado até mesmo por organismos internacionais como o Banco
Mundial, o Estado deve atender o ensino público, uma vez que esse nível de educação é
considerado imprescindível na organização do trabalho. Tal atendimento, no entanto, vem
sendo conduzido por parâmetros de gestão da iniciativa privada e do mercado, tais como
diversificação, competitividade, seletividade, eficiência e qualidade. Essa orientação aponta,
mais uma vez, o beneficiamento das forças privatistas na educação. (2003, p.149).
Em relação ao ensino profissionalizante, a maior parte das escolas que oferecem
essa modalidade é pública. No Rio de Janeiro temos as escolas técnicas federais, que
tradicionalmente oferecem esses cursos, além de outras instituições públicas, como o colégio
Pedro II, que mais recentemente passaram a ofertar ensino profissionalizante. Desse modo, é
preciso um estudo amplo para avaliar as conseqüências das políticas privatistas da educação
para essas instituições. Nesta pesquisa, o objeto central é o curso técnico integrado em meio
ambiente existente no colégio Pedro II.
Para se traçar um perfil mais abrangente dos cursos técnicos integrados em meio
ambiente é necessário analisar também os aspectos que se referem aos recentes debates sobre
as questões ambientais e os impactos que eles têm causado na sociedade. Para aprofundar essa
questão, o próximo item identifica as principais discussões sobre o meio ambiente que
emergiram a partir da segunda metade do século XX.
3.2 A EMERGÊNCIA DAS DISCUSSÕES SOBRE O MEIO AMBIENTE
A partir da segunda metade do século XX, sobretudo após a 1ª Conferência
Internacional sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, as grandes lideranças
políticas internacionais reconheceram formalmente a finitude dos elementos naturais,
considerados até então fontes inesgotáveis de recursos. A partir de então, iniciaram-se
discussões e movimentos em busca de um possível equilíbrio na relação homem - meio. Os
países com industrialização tardia (que se industrializaram apenas no decorrer do século XX)
23
receberam orientações para frearem o crescimento econômico. O relatório The limits to
growth (Os limites para o crescimento), preparado por uma equipe multidisciplinar do Clube
do Roma em 1968, atestou a impossibilidade de o crescimento econômico apresentado pelos
países ser exequível em escala global. De acordo com Furtado:
Os autores do estudo formularam a seguinte questão: que acontecerá se o desenvolvimento
econômico, para o qual estão sendo mobilizados todos os povos da terra, chegar efetivamente
a concretizar-se, isto é, se as atuais formas de vida dos povos ricos chegarem efetivamente a
unversalizar-se? A resposta a essa pergunta é clara, sem ambigüidades: se tal acontecesse, a
pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem
(ou, alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado) que o sistema
econômico mundial entraria necessariamente em colapso. (1974, p.12).
O autor fez uma análise da fragilidade do discurso do desenvolvimento
econômico, que foi sustentado por sucessivos governos brasileiros. Um dos aspectos dessa
fragilidade é exatamente a insustentabilidade ambiental que esse modelo de crescimento
proporciona. Para ele, o relatório produzido pelo Clube de Roma em 1968, ao mesmo tempo
em que oferecia obstáculos ao crescimento dos países periféricos e de industrialização tardia,
oficializava a grande falibilidade do modelo econômico dominante, mesmo que os países
centrais já estivessem expressivamente industrializados.
Uma grande polêmica em torno desse relatório foi o fato de países como o Brasil,
Índia e China – os de industrialização tardia - reivindicarem os mesmos direitos de
industrialização e, consequentemente, de poluição que os países mais ricos já haviam
usufruído. Se antes o crescimento sem limites era o que pautava a políticas dos países ricos,
agora o discurso era outro. Tornava-se necessário restringir o crescimento econômico dos
mais pobres. No bojo dessa polêmica nasce, no início da década de 1980, a idéia de
desenvolvimento sustentável, tendo entre os seus pressupostos a educação ambiental.
Em 1975 a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
(UNESCO) e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) já haviam publicado,
por ocasião do Colóquio sobre Educação Ambiental realizado no mesmo ano na antiga
Iugoslávia, a Carta de Belgrado. Neste encontro, foram formulados os princípios e traçadas as
diretrizes de uma educação ambiental planetária. Este documento foi um atendimento à
recomendação 96 da Conferência de Estocolmo3. Nele, foram estabelecidas como finalidade
da educação ambiental:
Formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os seus
problemas, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito,
as motivações e o sentido de compromisso que lhe permitam trabalhar individual e
3
“A recomendação 96 da Conferência de Estocolmo sobre o Ambiente Humano reclamou o desenvolvimento da
educação ambiental considerando-a como um dos elementos mais críticos para poder atacar a fundo a crise
mundial do ambiente. Ela deve estar solidamente assente sobre os princípios fundamentais definidos na
Declaração das Nações Unidas sobre a nova ordem econômica internacional” (Carta de Belgrado, 1975).
24
coletivamente na resolução das dificuldades atuais, e impedir que elas se apresentem de novo.
(CARTA DE BELGRADO, 1975).
Os destinatários desse tratado pela educação ambiental não eram só os envolvidos
com a educação formal, mas todo o conjunto da sociedade. O primeiro dos seus princípios era
o de “considerar o ambiente na sua globalidade, natural, criado pelo homem, ecológico,
político, tecnológico, social, legislativo, cultural e estético” (CARTA DE BELGRADO,
1975). Ficava clara a intenção de fazer da educação ambiental um sistema holístico que visava
integrar todas as esferas das relações humanas, sendo necessária uma abordagem
interdisciplinar para o novo paradigma de produção do conhecimento em ecologia.
Em conjunto com esse documento também foi lançado O Programa Internacional
de Educação Ambiental (PIEA). Dois anos depois, em 1977, na Conferência
Intergovernamental sobre Educação Ambiental (Conferência de Tbilise), esse plano foi
consolidado através da definição das suas finalidades, objetivos, princípios norteadores e
estratégias para a promoção da Educação Ambiental (MEC, 2005).
Já a formalização do conceito de desenvolvimento sustentável ocorreu em 1987
com a publicação do relatório “Nosso futuro comum” pela Comissão Mundial sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento (WCED). Este documento também ficou conhecido como
“Relatório de Brundtland”. Nele temos definido que o desenvolvimento sustentável
corresponde à capacidade da humanidade em suprir as necessidades da geração presente sem
afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas (Relatório de Brundtland,1987). Ou
seja, devem-se buscar meios para conciliar a necessidade de desenvolvimento econômico com
a garantia de sustentabilidade do planeta, por mais contraditório que isso possa parecer.
No Brasil, em 1981 foi promulgada a Política Nacional do Meio Ambiente
(PNMA) através da lei nº 6.938/81. Segundo o seu artigo nº 2 essa política tem por objetivo
“a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida humana [...]”
(LEI nº 6.938/81). Com essa lei, o meio ambiente passou a ser entendido juridicamente como
patrimônio público, cabendo ao Estado o dever de criar estratégias e mecanismos que
garantam o seu uso coletivo, bem como a sua proteção.
A educação ambiental é enfatizada no mesmo artigo, no inciso X. Nele, temos que
ela deve ocorrer em todos os níveis de ensino, inclusive no ensino destinado às comunidades
que possuem uma relação mais diretamente dependente da natureza. Para Cunha e Coelho
(2009) a criação PNMA fez parte de um conjunto de políticas estruturadoras 4 do Estado
4
De acordo com os autores, é possível distinguir três tipos de políticas ambientais implantadas no Brasil:
regulatórias, estruturadoras e indutoras. As primeiras referem-se “a elaboração de legislação específica para
25
brasileiro para o meio ambiente que ocorreu entre 1972 e 1987, ou seja, da Conferência de
Estocolmo às vésperas do estabelecimento da última Constituição Brasileira, de 1988.
Em 1992, com a culminância da 2ª Conferência Internacional sobre Meio
Ambiente, a ECO 92 conforme ficou conhecida, foi lançado um programa de ação com o
nome de Agenda 21. Nele, os governos e as instituições ligadas à sociedade civil organizada
de 179 países se comprometeram a implantar um conjunto de medidas abrangentes e de escala
planetária para que fosse possível promover um novo padrão de desenvolvimento, conciliando
a preservação e a conservação do meio ambiente com o atendimento das necessidades
socioeconômicas da população mundial. Assim, reforçou-se mais ainda a idéia de crescimento
sustentado. Todo esse movimento constituiu um marco, visto que, pela primeira vez na
história, vimos uma tentativa de internalização das questões ambientais pelo sistema
capitalista.
Paralelamente aos discursos e eventos intergovernamentais, ao longo da segunda
metade do século XX surgiram propostas mais radicais, no sentido de defenderem mudanças
estruturais na interface política, economia e meio ambiente. Uma dessas propostas é o
ecossocialismo. De acordo com Lowy, esse conceito configura-se como:
Uma resposta radical tanto à crise financeira, quanto à crise ecológica. Ambas são a expressão
de um processo mais profundo: a crise do paradigma da civilização capitalista industrial
moderna. A alternativa ecossocialista significa que os grandes meios de produção e de crédito
são expropriados e colocados a serviço da população. As decisões sobre a produção e o
consumo não serão mais tomadas por banqueiros, managers de multinacionais, donos de
poços de petróleo e gerentes de supermercados, mas pela própria população, depois de um
debate democrático, em função de dois critérios fundamentais: a produção de valores de uso
para satisfazer as necessidades sociais e a preservação do meio ambiente. (2012. Disponível
em http://diarioliberdade.org)
Os ideais ecossocialistas surgiram na década de 1970 como resposta dos setores
de esquerda, como o professor norte-americano Barry Commoner, ao relatório Os Limites do
Crescimento, que enfatizava a possibilidade do esgotamento dos recursos naturais.
O Quadro 2 faz uma síntese dos principais eventos e políticas para o meio
ambiente ocorridos na segunda metade do século XX e que foram apresentados neste tópico.
estabelecer ou regulamentar normas e regras de uso e acesso ao ambiente natural e a seus recursos, bem como à
criação de aparatos institucionais que garantam o cumprimento da lei”. Já as segundas referem-se à “intervenção
direta do poder público ou de organismos não-governamentais na proteção ao meio ambiente. Por fim, as últimas
se referem “a ações que objetivam influenciar o comportamento de indivíduos ou grupos sociais. São
normalmente identificadas com a noção de desenvolvimento sustentável e são implementadas por meio de linhas
especiais de financiamento ou de políticas fiscais e tributárias” (CUNHA E COELHO. 2009, p.45).
26
Quadro 2 – Principais eventos e políticas para o meio ambiente ocorridos na segunda metade
do século XX
ANO
FATO(S)
1968
∙ Publicação do relatório The limits to growth (Os limites para o crescimento) pelo Clube de
Roma.
1972
∙ Realização da 1ª Conferência Internacional sobre Meio Ambiente (Estocolmo 72).
1975
∙ Colóquio sobre Educação Ambiental na antiga Iugoslávia;
∙ Publicação da Carta de Belgrado pela ONU;
∙ Lançamento do Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA).
∙ Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental (Conferência de Tbilisi);
∙ Consolidação do Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA).
1977
1981
∙ Promulgação, no Brasil, da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) através da lei nº
6.938/81.
1987
∙ Publicação do relatório “Nosso Futuro Comum” (Relatório de Brundtland);
∙ Formalização do conceito de desenvolvimento sustentável.
1992
∙ Realização da 2ª Conferência Internacional sobre Meio Ambiente (ECO 92) e lançamento
da Agenda 21.
Além disso, nos anos 1990 e 2000 tivemos a discussão sobre o protocolo de
Kyoto, acordo que visava à redução gradativa emissão de gases poluentes de acordo com a
cota que cada país se responsabilizava em alcançar até o ano de 2012. Essas cotas se
relacionavam com o tempo e grau de industrialização de cada grupo de países. Assim, aos
países centrais, era destinada o maior percentual de redução. O grande obstáculo que se impôs
foi o não cumprimento do acordo pelos dois maiores poluidores da atmosfera: Estados Unidos
e China. Atualmente, temos uma tendência de esvaziamento do protocolo por conta do não
comprometimento formal desses países.
Leroy
faz
uma
análise
das
ideologias
presentes
nesses
movimentos
contemporâneos em prol do desenvolvimento sustentável. Segundo o autor, uma das mais
fortes é a que se refere à defesa de uma grande operação de “modernização tecnológica”
mediante um sistema colaborativo e apoiado pelas tecnologias. Para ele, essa operação:
Designa o processo pelo qual as instituições políticas internalizam preocupações ecológicas,
no propósito de conciliar o crescimento econômico com a resolução dos problemas
ambientais, dando ênfase à adaptação tecnológica, à celebração da economia de mercado, à
27
crença na colaboração e no consenso. [...] a premissa é clara: a adaptação tecnológica e o
crescimento econômico deveriam levar à sustentabilidade e à redução da pobreza, pelo
caminho da colaboração e do consenso. (2002, p.17).
De fato, a pressão mundial por um ar mais limpo, por água potável, por alimentos mais
saudáveis vem aumentando, formando uma massa de consumidores mais exigentes em
relação à responsabilidade ambiental das
empresas.
Isso, porém,
não constitui
necessariamente um problema para o capitalismo, visto que existem formas de apropriação do
discurso ambiental pelo sistema, sem que seja necessário diminuir a remuneração do capital.
A questão da sustentabilidade pode ser tratada por diferentes perspectivas que se relacionam
aos interesses em disputa. Conforme afirma Leroy (2002), ela pode ser um instrumento de
legitimação da dominação econômica ou mesmo ser uma exigência de uma ética planetária.
Outra questão que tem emergido nesse contexto é a discussão sobre a justiça
ambiental. Trata-se de um conceito formulado na década de 1970 para definir as desiguais
exposições das populações aos perigos ambientais de acordo com seus níveis
socioeconômicos. O item a seguir aprofunda essa temática.
3.2.1 As Discussões sobre Justiça Ambiental
Por Justiça Ambiental entende-se o conjunto de princípios que visam garantir que
nenhum grupo populacional específico, seja étnico, racial ou de classe, sofra uma parcela
desproporcional das consequências ambientais negativas de operações econômicas, de
políticas e programas federais, estaduais e locais, bem como resultantes da ausência ou
omissão de tais políticas. De acordo com Herculano:
O conceito de Justiça Ambiental começa a ser construído nos EUA a partir do final da década
de 1970 através de movimentos sociais e das populações mais pobres, além das etnias
socialmente discriminadas e vulnerabilizadas, quanto à sua maior exposição a riscos
ambientais por habitarem nas vizinhanças de depósitos de lixos químicos e radioativos ou de
indústrias
com
efluentes
poluentes.
(2002,
Disponível
em:
http://www.professores.uff/seleneherculano/publicacoes.).
Dito de outra forma, trata-se da “espacialização da justiça distributiva, uma vez
que diz respeito à distribuição do meio ambiente para os seres humanos” (LOW & GLEESON,
apud Herculano, 2002). Historicamente, as populações mais pobres sempre estiveram mais
expostas aos riscos à saúde relacionados ao meio ambiente. Porém, à medida que a sociedade
foi se tornando mais complexa, sobretudo após a revolução industrial (século XVIII), os
fatores de riscos aumentaram.
28
Ao longo do século XX, esse processo se tornou ainda mais intenso. E apesar de
determinados tipos de exposição afetarem indiscriminadamente a população mundial, as
diferenças de classe mantiveram os grupos sociais menos favorecidos mais vulneráveis a eles,
e como parte exclusiva de exposição a riscos específicos. Segundo Giddens:
A intensidade global de certos tipos de riscos transcende todos os diferenciais sociais e
econômicos. Porém, isto não deve nos cegar para o fato de que, em condições de
modernidade, como no mundo pré-moderno, muitos riscos são diferentemente distribuídos
entre os privilegiados e os despossuídos. O risco diferencial – em relação, por exemplo, a
níveis de nutrição e suscetibilidade a moléstias – é uma grande parte do que realmente é tida
como privilégio e despossessão. (1990/1991, pp.127 e 128).
As respostas diferenciadas às variadas manifestações do meio, decorrentes das
desiguais condições socioeconômicas, constituem o que se chama de injustiça ambiental. Nos
Estados Unidos houve uma grande mobilização da população negra que habitava as terras do
Love Canal. No final da década de 1970, descobriram que se tratava de uma antiga área de
despejo de resíduos sólidos. Posteriormente, uma pesquisa feita no Estado da Califórnia
indicou que de cada quatro lixões, três situavam-se em áreas habitadas por negros e/ou
imigrantes.
A identificação dos fatores de riscos é de vital importância para a formulação de
políticas públicas que visem sua minimização. No Brasil, o marco inicial de sistematização e
divulgação da problemática referente à Justiça Ambiental foi a coleção intitulada
"Sindicalismo e Justiça Ambiental", publicada em 2000 pela Central Única dos Trabalhadores
- CUT/RJ, em conjunto com o IBASE, o Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano IPPUR (UFRJ) e com o apoio da Fundação Heinrich Böll.
Em 2001 foi realizado na Universidade Federal Fluminense, o “Colóquio
Internacional sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania”. Contando com a participação
de pesquisadores, ambientalistas e movimentos sociais, este evento resultou na criação da
Rede Brasileira de Justiça Ambiental. Atualmente, ela está sediada no Rio de Janeiro e é
composta por dezenas de grupos, tais como institutos de pesquisas, movimentos sociais,
pastorais, ONGs e sindicatos.
Todos esses movimentos apontam para a necessidade de criação de políticas
públicas que protejam as populações socialmente mais vulneráveis das conseqüências
ambientais das atividades econômicas e dos padrões de consumo. Em relação a esses dois
aspectos, existem propostas de conscientização e de racionalização dos padrões de produção e
consumo a partir da educação ambiental. A educação ambiental não pode ser considerada uma
disciplina, mas sim um conjunto de princípios, saberes e técnicas com características multi e
interdisciplinares. O próximo item aprofunda essa discussão.
29
3.2.2. As Discussões sobre Educação Ambiental
A educação ambiental é um termo relativamente recente que nasceu associado à
ideia de desenvolvimento sustentável, que foi formalizado no documento “Nosso Futuro
Comum”, em 1987. Ela tem sido defendida pelos mais variados setores da sociedade como
estratégia para evitar a degradação completa da natureza. Em geral, as argumentações
convergem para a importância de preparar os cidadãos para que internalizem conhecimentos e
práticas que levem ao equilíbrio da relação homem-meio.
Muitos autores têm se debruçado sobre essa temática, embora sua discussão seja
recente. De acordo com Silva e Pessoa:
A obra “Primavera Silenciosa” Carson (1962), fermentou ainda mais as discussões acerca da
questão ambiental no mundo inteiro. Nesta, a autora aborda a perda da qualidade de vida em
várias partes do planeta, causada, sobretudo pela crescente queda da qualidade ambiental,
produzida pela ganância dos lucros a qualquer custo, por meio da exploração predatória.
(2009, Disponível em http://www.cchla.ufrn.br/rmnatal/artigo/artigo19.pdf).
Esse livro foi traduzido em diversos países e até os dias atuais tem sido utilizado
como referência por pesquisadores e ambientalistas. Os meios utilizados para se alcançar o
aumento da produtividade e dos lucros gerou, tanto na cidade como no campo, um conjunto
de mudanças que afetou a saúde ambiental. Porém, é possível perceber que o sistema
capitalista vem tentando internalizar o discurso de proteção ao meio ambiente, mesmo que
seus principais atores, as mega empresas e as corporações financeiras continuem a adotar
práticas insustentáveis, do ponto de vista ambiental, para garantir os lucros.
Cabe observar que muitos dos projetos ambientais são patrocinados por esses
grupos. A criação da política dos créditos de carbono, por exemplo, concede o direito de
poluir às empresas que têm condições de arcar com os pagamentos e investimentos e projetos
ambientais. De acordo com Seabra:
Como parte integrante do processo de economização do meio ambiente, os movimentos
ecológicos e projetos ambientais recebem apoio e financiamento daqueles que mais degradam
o meio ambiente: as grandes corporações nacionais e multinacionais, tanto governamentais
como privadas. Este é o princípio do poluidor pagador que move e sustenta a economia e o
marketing ambiental. Sob esta ótica, o desenvolvimento sustentável permite poluir e degradar
a natureza, desde que haja compensações financeiras. (2011, p. 21).
Neste contexto, podemos afirmar que grande parte das políticas para a educação
ambiental está atrelada aos mais variados interesses econômicos, tornando superficiais suas
propostas de conservação do meio ambiente. Apesar disso, já existem legislações que
oferecem mecanismos para a construção de outra perspectiva sobre a educação ambiental. E a
partir delas, é possível estabelecer discussões mais críticas sobre programas e projetos para o
desenvolvimento da educação ambiental. O setor educacional figura como um canal
privilegiado para essa temática.
30
O artigo 22 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996
afirma que a educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a
formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para
progredir no trabalho e em estudos posteriores.
Essa passagem reforça o caráter multidimensional da educação. E entre as suas
atribuições está a necessidade de promover, em todos os níveis, a educação ambiental5. Este
aspecto já havia sido reforçado na Constituição de 1988. O inciso VI, do artigo 225, enfatiza
que “o Poder Público deve promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.
A legislação em relação ao tema representa uma inovação, pois ficam definidas as
bases legais para o planejamento e a execução de uma política de educação ambiental no
Brasil. Seguindo esta tendência, no campo científico vem crescendo a necessidade da
construção de princípios teóricos e metodológicos para a sua implantação. Em escala
internacional, as questões que envolvem a natureza vêm conquistando espaço nas pautas de
discussões dos grandes organismos supranacionais, das empresas transnacionais, dos setores
de planejamento urbano e rural e finalmente nos ambientes escolares e acadêmicos. A
impressão que se tem é que o meio ambiente finalmente ganhou a seriedade e importância que
realmente demanda.
A forma como a questão da sustentabilidade ambiental é apropriada é que vai
caracterizar as políticas governamentais e não governamentais para o meio ambiente. E ela
também ira influenciar na formação e na preparação de profissionais especialistas em meio
ambiente. A busca por esse tipo de trabalhador tem aumentado e, ao mesmo tempo, isso torna
necessário discutir questões relativas aos aspectos formativos da profissionalização em meio
ambiente.
O próximo item identifica as principais características da formação técnica em
meio ambiente no Brasil, enfatizando as limitações e possibilidades que eles oferecem para a
inserção mais sólida e crítica dos técnicos ambientais. Essa formação é oferecida em nível de
ensino médio, na modalidade integrada ao currículo de formação geral.
5
O discurso em torno da educação ambiental vem se fortalecendo nas últimas décadas, sobretudo por causa da
demanda que a questão do meio ambiente vem trazendo para a sociedade. Porém, existe uma grande pluralidade
de perspectivas em relação ao seu uso conceitual. Em suma, a educação ambiental pode estar associada, entre
outros, a um caráter meramente informativo, a uma idéia preservacionista, ou mesmo a uma forma de garantir a
sustentabilidade de uma empresa. Neste trabalho, a educação ambiental é entendida como um conjunto de
teorias, metodologias e práticas que opera criticamente perpassando e integrando todas as disciplinas
constituintes do currículo da educação básica, sem ter que, necessariamente, constituir-se em uma disciplina à
parte.
31
3.3. UM OLHAR SOBRE A FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM MEIO AMBIENTE NO
BRASIL
A educação profissional está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDB (1996) no seu capítulo III. O artigo 40 da LDB determina que a educação profissional
seja desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de
educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho.
Complementando essa determinação, foi feito o decreto nº 5154/2004, que regulamenta o
ensino médio integrado à educação profissional. A principal mudança em relação ao ensino
técnico comum é que a formação específica passa a ocorrer conjuntamente com o ensino
regular.
A educação profissional integrada ao ensino médio regular surge como
possibilidade de evitar que os estudantes em meio ambiente fiquem limitados às disciplinas
meramente operacionais. Em contrapartida, a carga horária aumenta. No colégio Pedro II, que
compõe a rede federal de ensino, a carga horária total de um estudante do ensino médio
regular é de 3.600 horas. Já para quem faz o curso integrado em Meio Ambiente é de 4.720
horas. Na prática, isso significa que os estudantes estudam em dois turnos quase todos os dias.
Essa carga horária elevada foi apontada na entrevista com os alunos do curso como uma das
dificuldades enfrentadas. Em relação aos aspectos legais da profissionalização em meio
ambiente, o item a seguir aprofunda a discussão.
3.3.1 – Aspectos Legais da Profissionalização em Meio Ambiente
Em janeiro de 2002 foi sancionada a Lei 10.410/02 que cria e disciplina a carreira
de especialista em meio ambiente. Entre os cargos criados, em seu artigo 1º, está o de técnico
ambiental, que é formado por profissionais de nível médio devidamente especializados. Em
seu artigo 6º, a Lei estipula as atribuições do cargo de técnico ambiental:
I – prestação de suporte e apoio técnico especializado às atividades dos Gestores e Analistas
Ambientais;
II – execução de atividades de coleta, seleção e tratamento de dados e informações
especializadas voltadas para as atividades finalísticas; e
III – orientação e controle de processos voltados às áreas de conservação, pesquisa, proteção e
defesa ambiental (BRASIL, Lei 10.410/02)
Cabe ressaltar que os cargos de gestor e analista ambientais também foram criados
por essa mesma Lei. Porém, apesar dessa Lei, a profissão de técnico em meio ambiente ainda
não foi regulamentada no Brasil. Em 2007, um deputado federal pelo estado de Minas Gerais
enviou um projeto de lei para a Câmara dos Deputados, de número 1105/07 que visava à
32
regulamentação da profissão. Porém, em 2008, a projeto foi rejeitado pela Comissão de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, sob a alegação de que as pretensas
atribuições desse profissional seriam, na verdade, multidisciplinares, campo de atuação de
várias ciências, não cabendo a um único profissional ou a um conjunto de profissionais com a
mesma formação o diagnóstico ambiental.
Sendo assim, ainda falta a regulamentação para o exercício profissional do técnico
ambiental. Apesar disso, o registro profissional do técnico ambiental é feito pelo Conselho
Regional de Química (CRQ) e algumas instituições privadas e públicas absorvem esses
profissionais. Desse modo, a morosidade na regulamentação não tem impedido a contratação
dos técnicos.
Atualmente, existem muitas escolas técnicas no Brasil e o estado do Rio de
Janeiro é um dos que mais concentram instituições com essa modalidade de ensino. Entre
elas, destacam-se o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Janeiro
(IFRJ); os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs); a Fundação de Apoio à
Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (FAETEC); a Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ); o Colégio Pedro II, objeto deste estudo; entre outras. Alem das públicas,
algumas instituições privadas também têm buscado implantar cursos profissionalizantes.
No IFRJ, tal como acontece no colégio Pedro II, o curso técnico em meio
ambiente é integrado ao ensino médio. Eles oferecem o curso em três unidades: Maracanã,
Pinheiral e Arraial do Cabo. No campus Maracanã, o curso é realizado ao longo de oito
semestres, incluindo o estágio curricular supervisionado. De acordo com o site oficial da
instituição: “os cursos concomitantes ou subsequentes são voltados para quem está cursando
ou já concluiu o ensino médio”.
A grade curricular específica do curso oferecida no campus Maracanã é composta
pelas seguintes disciplinas: Geoecologia; Estatística; Tratamento de Dados; Ecologia
Aplicada às ciências Ambientais; Inglês Instrumental I, II, II e IV; Princípios de Conservação
da Natureza; Microbiologia Geral; Química Analítica Quantitativa I; Química Ambiental;
Análise Instrumental I e II; Toxicologia Aplicada I e II; Meio ambiente e Desenvolvimento;
Microbiologia Ambiental; Processos Industriais; Química Analítica Ambiental I e II;
Segurança Ambiental e do Trabalho; Tratamento de Resíduos Sólidos e Poluição
Atmosférica; Ética Ambiental; Gestão da Qualidade; Gestão Ambiental Privada; Gestão
Ambiental Pública; Hidrodinâmica; Tratamento de Água e Efluentes Domésticos e
Industriais.
33
Nesse mesmo campus, o curso tem uma carga horária total de 3.807 horas e mais
480 horas de estágio curricular. Portanto, a carga horária total é um pouco menor que a do
colégio Pedro II. E tal como ocorre no Pedro II, a frequência semanal dos alunos IFRJ é de
seis dias. De acordo com o sítio da instituição, o perfil profissional do técnico ambiental é
caracterizado da seguinte forma:
O Técnico em Meio Ambiente apresenta competências e habilidades para atuar nas áreas de
educação, preservação e recuperação ambientais, obtendo e interpretando dados qualiquantitativos necessários ao monitoramento de parâmetros ambientais, e aplicando técnicas
disponíveis de tratamento de águas de abastecimento e industriais, assim como de tratamento
de efluentes e de emissões gasosas e de gerenciamento de resíduos. Pode atuar, ainda,
auxiliando na elaboração, acompanhamento e execução de sistemas de gestão ambiental.
(2012. Disponível em: www.ifrj.edu.br/webfm_send/2409).
De acordo com a Resolução nº 4 da Câmara de Educação Básica – CEB – de
dezembro de 1999, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Profissional de Nível Técnico, a carga horária mínima para a habilitação técnica em meio
ambiente é de 800 horas. Essa mesma resolução caracteriza a área profissional em meio
ambiente como aquela que:
Compreende ações de preservação dos recursos naturais, com controle e avaliação dos fatores
que causam impacto nos ciclos de matéria e energia, diminuindo os efeitos causados na
natureza (solo, água e ar). Compreende, igualmente, atividades de prevenção da poluição por
meio da educação ambiental não escolar, da tecnologia ambiental e da gestão ambiental.
(CEB 04/99).
Em relação aos aspectos formativos, mesmo em nível de ensino médio técnico, há
que se investigar se a formação oferecida está fundamentada em princípios teóricos e
metodológicos que levem à constante reflexão e integração entre os conteúdos estudados nas
disciplinas. Essa argumentação pode ser justificada pelo fato de que esse profissional atuará
em uma sociedade complexa, repleta de contradições e marcada por disputas de interesses.
Sendo assim, a sua formação demandará uma sólida base teórica e um nível, pelo menos
razoável, de politização. As práticas de campo também são de grande relevância para os
técnicos.
De técnicos em informática, por exemplo, talvez não sejam exigidos tantos
conhecimentos relacionados aos contextos políticos e socioeconômicos os quais se inserem
profissionalmente. Porém, para aqueles que se profissionalizam em meio ambiente esses
conhecimentos são necessários. Caso contrário, corre-se risco de realizarem suas práticas
profissionais de forma meramente tecnicista. Teríamos, na verdade, técnicos que, ao invés de
contribuírem efetivamente para o questionamento do paradigma conservador de
desenvolvimento, não irão além da adoção de discursos mitigadores e paliativos.
Mas será possível a um curso técnico em meio ambiente promover uma atmosfera
de amplo debate e discussões acerca de projetos de sociedade que se quer construir? A
34
pergunta se justifica pelo histórico de formação de técnicos no Brasil. Sendo assim, é
importante investigar se os atuais estudantes técnicos estão sendo formados em um contexto
tecnicista e pragmático, voltado para a apreensão de técnicas mitigadoras e que pouco
refletem sobre as estruturas políticas, econômicas e sociais responsáveis pelos problemas
econômicos e socioambientais.
Assumindo a ideologia imposta pelas elites - que são absorvidas por grande parte
da população - de naturalização da ordem vigente, como se não existissem alternativas ao
modelo vigente, tais cursos são permeados pela idéia da “salvação pelas técnicas.” E, no caso
do meio ambiente, pelo discurso de que o somatório das mudanças de atitudes individuais
seria suficiente para a superação dos desequilíbrios ambientais. De acordo com Quintas:
A idéia implícita nesta concepção é de que, se cada um passasse a consumir apenas o
necessário (aqueles que podem), a reaproveitar ao máximo os produtos utilizados e a
transformar os rejeitos em coisas úteis, em princípio, estariam fazendo sua parte para
economizar recursos naturais, energia e evitar a degradação ambiental [...] Esta abordagem
evidencia uma leitura acrítica e ingênua sobre a problemática ambiental e aponta para uma
prática pedagógica prescritiva e reprodutiva. (2009, p. 45).
Na concepção do autor, a discussão ambiental deve ir muito além dessas
perspectivas simplórias, passando pela apropriação crítica da realidade socioeconômica em
que nos encontramos. Quase sempre a grande mídia promove muitas afirmações do tipo “faça
a sua parte”, mas uma análise um pouco mais apurada da problemática ambiental aponta a
fragilidade dessas argumentações. Em relação à água potável, por exemplo, temos as
campanhas, muitas vezes bem intencionadas, que alertam a população em geral sobre o
desperdício e sobre o consumo responsável.
Porém, ao se pesquisar sobre o consumo total de água potável, verifica-se que o
uso residencial responde por pouco mais de 8% do montante, segundo dados da Organização
Não Governamental Universidade da Água (UNIAGUA). Só a atividade agropecuária é
responsável por mais de 70% do consumo. Essa desproporção evidencia que as políticas e
ações pedagógicas voltadas para o meio ambiente não podem desconsiderar a estrutura do
sistema socioeconômico vigente.
Em contrapartida, temos hoje um conjunto de referenciais teóricos e
metodológicos que permitem uma percepção mais crítica e integradora de estudos e práticas
profissionais em meio ambiente. Autores como Edgar Morin, Enrique Leff e Ignacy Sachs
fornecem propostas desafiadoras para o enfrentamento das questões ambientais. A utilização
de acervos desses e de outros autores poderia enriquecer a formação dos profissionais em
meio ambiente, mesmo os de nível técnico.
35
Portanto, é possível que, mesmo em nível de ensino médio técnico, os
profissionais em meio ambiente tenham uma formação mais profunda, crítica e ciente dos
interesses e projetos econômicos e socioambientais em disputa. A partir da construção de um
ambiente educacional atento às contradições inerentes ao atual modelo civilizatório, teríamos
a possibilidade de pensar e articular modelos alternativos para além da racionalidade técnica
que costuma caracterizar os cursos técnicos.
36
4. METODOLOGIA
Como base para essa pesquisa foi utilizado um acervo bibliográfico
multidisciplinar que, inicialmente, compõe-se de: legislação educacional brasileira;
documentos internos do colégio Pedro II; teóricos da educação nacional, cujas obras analisam
a conjuntura socioeconômica do país e as políticas públicas voltadas para a educação
brasileira. Para dar suporte às análises da organização e estrutura formativa do curso, foram
utilizados autores voltados para as discussões sobre a interdisciplinaridade. Entre eles,
podemos destacar Edgar Morin e Hilton Japiassu. Esses autores realizam importantes
reflexões sobre a necessidade da construção de teorias e métodos de pesquisa
interdisciplinares.
Para Morin, a compreensão da complexidade do mundo passa necessariamente
pela religação das ciências e dos saberes. Ele afirma que é necessário ultrapassar a visão
disciplinar, e mesmo a multidisciplinar, rumo à construção de uma metodologia comum de
pesquisa, que caracterizaria a interdisciplinaridade. De acordo com Japiassu e Marcondes
(1989), a interdisciplinaridade corresponde a um método de pesquisa e ensino suscetível de
fazer com que duas ou mais disciplinas interajam entre si. Essa interação pode ir da simples
comunicação das ideias até a integração mútua dos conceitos, da epistemologia, da
terminologia, da metodologia, dos procedimentos, dos dados e da organização da pesquisa.
Outro
autor
que
teve
grande
contribuição
na
discussão
sobre
a
interdisciplinaridade é Eric Jantsch. A partir de suas obras, autores como Japiassu
aprofundaram a sistematização dos conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade. O
Quadro 3 apresenta um resumo de Fazenda (1996) a partir dos estudos de Jantsch sobre as
principais características desses conceitos:
Quadro 3 – Sistematização dos conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade
Multidisciplinaridade
Pluridisciplinaridade
Interdisciplinaridade
Transdisciplinaridade
Gama de disciplinas
que
propõem-se
simultaneamente, mas,
sem fazer aparecer as
relações que possam
existir
entre
elas;
destina-se a um sistema
de um só nível e de
objetivos
múltiplos,
mas, sem nenhuma
cooperação.
Justaposição de diversas
disciplinas,
situadas,
geralmente, no mesmo
nível
hierárquico
e
agrupadas de modo a
fazer aparecer as relações
existentes entre elas;
destina-se a um tipo de
sistema de um só nível e
de objetivos múltiplos,
onde existe cooperação,
mas não coordenação.
Destina-se
a
um
sistema de dois níveis
e
de
objetivos
múltiplos, onde há
coordenação
precedendo do nível
superior.
Coordenação de todas
as
disciplinas
e
interdisciplinas
do
sistema
de
ensino
inovado, sobre a base
de uma axiomática
geral – destina-se a um
sistema de nível e
objetivos múltiplos – há
coordenação com vistas
a
uma
finalidade
comum dos sistemas.
(Fonte: FAZENDA, 1996)
37
Outra questão abordada na pesquisa refere-se às mudanças no ensino regular
propostas pelo MEC. O novo ensino médio, nos termos da lei, de sua regulamentação e
encaminhamento assume a responsabilidade de preparar para a vida, qualificar para a
cidadania e capacitar para o aprendizado permanente, em eventual prosseguimento dos
estudos no ensino superior ou diretamente no mundo do trabalho. De acordo com as
orientações educacionais complementares aos parâmetros curriculares nacionais (MEC, 2002)
uma formação assim:
Exige métodos de aprendizado compatíveis, ou seja, condições efetivas para que os alunos
possam comunicar-se e argumentar, deparar-se com problemas, compreendê-los e enfrentálos, participar de um convívio social que lhes dê oportunidade de se realizarem como
cidadãos, fazerem escolhas e proposições, tomarem gosto pelo conhecimento, aprenderem a
aprender. (MEC, 2002, p. 9).
Partindo desse pressuposto, é necessário investigar se o curso oferecido no
Colégio Pedro II tem discutido e criado alternativas de ensino e práticas que vão no sentido da
proposta do MEC. Segundo Di Maio (2004), essa proposta vai ao encontro da reformulação
do ensino médio no Brasil, estabelecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDBEN) de 1996, regulamentada em 1998 pelas Diretrizes do Conselho Nacional de
Educação e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais.
A reformulação procurou atender a uma reconhecida necessidade de atualização
da educação brasileira que precisava responder a desafios impostos por processos globais que
excluem da vida econômica os trabalhadores não qualificados, por causa da formação exigida
pelo sistema de produção e serviços. Esse nível de escolarização demanda transformações de
qualidade para adequar-se à promoção humana de seu público atual, diferente daquela de
trinta anos atrás, quando suas diretrizes foram estabelecidas (MEC, 2002).
Para que os objetivos da pesquisa fossem atendidos foram utilizados os seguintes
procedimentos metodológicos:
- Levantamento e revisão bibliográfica sobre: legislação nacional, estrutura e funcionamento
do ensino básico no Brasil, filosofia da educação, educação ambiental, Geografia política,
interdisciplinaridade, formação técnica e profissional, entre outros, a fim de preparar a
fundamentação teórica da pesquisa;
- Pesquisa documental relacionada ao colégio Pedro II: Projeto Político Pedagógico,
regimento interno, pareceres, entre outros, de modo a compreender o funcionamento interno
do colégio e do curso em específico, além de complementar a fundamentação teórica;
- Estudo sobre os objetivos do curso técnico em Meio ambiente conforme documento oficial
do MEC comparando aos objetivos da formação oferecida pelo colégio Pedro II para saber até
que ponto os objetivos oficiais estão sendo atingidos;
38
- Acompanhamento contínuo do curso para avaliar o seu funcionamento no cotidiano, através
do monitoramento do seu funcionamento, do rendimento dos alunos e dos projetos
pedagógicos construídos e aplicados no curso;
- Entrevistas com membros do Pedro II, tais como a coordenação do curso e alunos do ensino
médio integrado e, ainda, os egressos do curso de modo coletar as percepções e perspectivas
que a comunidade escolar apresenta em relação ao curso. No total, foram entrevistados 84
alunos das três séries do ensino médio, 12 alunos egressos e a coordenadora do curso.
- Levantamento de dados sobre o mercado de trabalho para o técnico em meio ambiente;
Para obtenção das imagens da instituição, para a realização de análise documental
e para a aplicação das entrevistas o projeto deste trabalho foi submetido à apreciação do
Centro de Pesquisa e Cultura (CEPEC) do colégio Pedro II, sendo aprovado e autorizado em
Setembro de 2010.
O próximo capítulo fez uma análise sobre o curso técnico em meio ambiente
oferecido pelo colégio Pedro II. Ao final, será possível identificar suas potencialidades e
limites.
39
5. O ENSINO TÉCNICO INTEGRADO EM MEIO AMBIENTE DO COLÉGIO
PEDRO II
O Colégio Pedro II localiza-se no bairro de São Cristóvão, região norte da cidade
do Rio de Janeiro. Trata-se de uma área bastante degradada, tanto do ponto de vista das
paisagens naturais quanto ao seu contexto econômico e social. Antiga área de residência da
família imperial e de forte industrialização, o bairro apresenta hoje espaços altamente
modificados e deteriorados. Originalmente, essa região apresentava uma paisagem composta
por mata Atlântica e mangues. Atualmente, ela representa 13% da área verde de todo o
município, de acordo com informações fornecidas pelo site do colégio Pedro II
(www.cp2.g12.br).
Hoje, o comércio corresponde à principal atividade econômica do bairro, e a
população residente distribui-se em áreas de classe média, classe média baixa e classe baixa.
Mesmo com todas as mudanças negativas sofridas ao longo do século XX, São Cristóvão
possui importantes pólos atrativos, tais como a Quinta da Boa Vista, o Centro de Tradições
Nordestinas, o Estádio de São Januário (Bairro Vasco da Gama), o Museu de Astronomia e
Ciências Afins e o Colégio Pedro II.
O colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 na cidade do Rio de
Janeiro adotando padrões educacionais da Europa. Constitui hoje uma autarquia federal do
Ministério da Educação (MEC) que, de acordo com o seu Projeto Político Pedagógico (PPP),
tem como missão ministrar ensino público e gratuito nos níveis fundamental e médio. A
instituição é o único colégio citado nominalmente na Constituição da República de 1988 no
parágrafo 2º do artigo 242, onde é afirmado que o colégio Pedro II, localizado na cidade do
Rio de Janeiro, deverá ser mantido na órbita federal.
Um dos patrimônios do colégio Pedro é o horto botânico, onde se desenvolve o
projeto Área Verde. O próximo item identifica as duas principais características.
5.1 HORTO BOTÂNICO - LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
O Horto Botânico do colégio Pedro II encontra-se no complexo escolar de São
Cristóvão, localizada no bairro de mesmo nome, município do Rio de Janeiro. Este espaço
também é chamado de área verde. Ele possui 9.000 m² (menos de 1 ha) e fica na parte mais
alta do terreno do colégio. De acordo com informações da instituição, a organização da sua
área arbustiva teve a assessoria do paisagista Burle Marx.
40
Atualmente se encontram no horto cerca de 435 espécies de plantas nativas da
Floresta Atlântica, catalogadas e classificadas, além de hortaliças, plantas medicinais, ervas
aromáticas e bromélias. No horto, ainda existem cinco pequenos lagos povoados com peixes
exóticos, possuindo também um cultivo hidropônico de alfaces. A figura 1 exibe imagens do
horto botânico:
HORTO BOTÂNICO
Figura 1 – Imagens do Horto Botânico do Colégio Pedro II obtidas pelo autor no sítio da instituição.
Fonte: www.cp2.g12.br em 2011
De acordo com o colégio, a Área Verde constitui-se, fundamentalmente, como
espaço de experimentação pedagógica, onde se utilizam técnicas que visam à preservação da
biodiversidade. Este espaço se destina aos estudos e à prática de investigações científicas nas
áreas de botânica, ecologia do solo entre outras. Nele também se desenvolve, em caráter
pedagógico, a produção de vinagres aromáticos, pimentas em conservas, velas e peças de
cerâmica. Segundo a Instituição:
a proposta inicial foi de se revitalizar o mini-horto em concomitância a programas de
educação ambiental que se desenvolviam no Colégio Pedro II, uma vez que um dos grandes
problemas dos espaços verdes é o da sua manutenção e conservação. Isto implicava, sem
dúvida nenhuma, também em um investimento educativo, ou seja, em se desenvolver no
espaço escolar um trabalho pedagógico capaz de difundir determinados princípios de
valorização e de cuidados com o meio ambiente. (COLÉGIO PEDRO II, 2006).
41
O horto foi projetado e criado entre 1976 e 1977. Porém, passou um longo período
desativado, sendo reinaugurado em dezembro de 2002. Em 2004, o trabalho pedagógico que
vinha se desenvolvendo neste espaço através de disciplinas eletivas e oficinas variadas deu
origem ao primeiro Programa de Iniciação à Pesquisa Científica do Colégio Pedro II – o
IPC/CPII – que se desenvolve exclusivamente sob a coordenação e orientações pedagógica e
científica de docentes pertencentes ao Colégio Pedro II, além de ocorrer em seu próprio
espaço físico e institucional. A coordenação do projeto está vinculada ao Departamento
Pedagógico de Biologia e Ciências da instituição. Atualmente, ele se destina a alunos do
ensino médio de todas as suas unidades escolares.
De acordo com documentos da escola, o Projeto Área Verde tem promovido,
desde o seu início, atividades interdisciplinares nas seguintes áreas: técnicas de manejo de
solo, água e vegetação; produção de adubo orgânico; técnica de horticultura orgânica em
pequenos espaços e utilização de seus produtos na produção de conservas e artesanatos e
outros fins não alimentícios; hidroponia – técnica de cultivo de hortaliças com materiais de
baixo custo; trabalhos artísticos utilizando como matéria-prima sucatas vegetais e solo;
produção cosmética, chás e temperos desidratados; coleta e identificação de insetos do horto
do colégio Pedro II, para a construção de uma coleção didático-científica de entomologia;
levantamento histórico do desenvolvimento urbano e propostas para a recomposição da
cobertura vegetal da cidade do Rio de Janeiro; levantamento histórico sobre as espécies
vegetais nativas do Rio de Janeiro, especificamente do Bairro de São Cristóvão, na busca do
resgate original da flora.
A intensidade e a qualidade com que essas atividades vêm sendo desenvolvidas
têm dependido dos investimentos realizados no projeto e com o grau de comprometimento
dos departamentos envolvidos, que são os de biologia, química, história e geografia. Em
2005, o Projeto concorreu ao II Prêmio de Ciências no Ensino Médio, promovido pela
Secretaria de Educação Básica do MEC junto ao Fundo Nacional para o Desenvolvimento da
Educação (FNDE), tendo sido premiado em 1º lugar na categoria estadual.
O horto botânico é um espaço destinado, preferencialmente, aos alunos do ensino
médio, sobretudo aos do curso técnico em meio ambiente e, atualmente, abrange estudos e
investigações em ecologia do solo, plantas medicinais, horticultura e história da flora
brasileira, além de preocupar-se em despertar e cultivar a criação e a imaginação, o respeito e
a valorização da natureza e de realidades culturais e científicas as mais variadas, através de
experimentações e produções que têm lugar no seu denominado Atelier da Terra. As linhas de
pesquisa desenvolvidas na área podem ser mais bem visualizadas no Quadro 3:
42
Quadro 4 – Linha de pesquisa do Projeto Área Verde
LINHA DE PESQUISA
Ecologia do Solo
ATUAÇÃO
Recuperação do Solo, Microbiologia do Solo e Compostagem.
Horticultura
Hidroponia, Cultivo de Hortaliças e de Plantas Medicinais.
Preocupando-se com a construção da identidade cultural dos alunos e
em estabelecer uma relação entre Arte e Ciência, o IPC/CPII vem
também despertando e cultivando a criação e a imaginação aliada ao
respeito e à valorização da natureza, com origem a partir do contato
com a terra. Estas criações constituem as oficinas de cerâmica, de
pigmentos naturais extraídos de terras de coloração diversas, de
técnicas de impressão com elementos da natureza, e tantas outras.
Atelier da Terra
Oficinas artesanais de produção de
vinagres aromáticos e de pimentas
em conservas
Com caráter estritamente pedagógico e que também inclui pesquisa
científica sobre o tema, fabricando-se nestas oficinas velas, conservas e
vinagres aromáticos.
Projeto Viva-Chá
Compreende a produção e o estudo dos chás de ervas medicinais, dos
sabonetes (líquido e em barra), saches perfumados de plantas e ervas
aromáticas.
Entomologia
Implantado em 2005, o projeto compreende o estudo de taxonomia e
biologia de insetos. Com caráter inicial o estudo pretende a montagem
de uma coleção didática entomológica com os insetos do horto.
Implantado em 2005, desenvolve pesquisas sobre a flora nativa e
exótica na paisagem da cidade do Rio de Janeiro, em especial no bairro
de São Cristóvão. Faz a identificação de espécies vegetais e a
recuperação de área com replantio de espécies da Mata Atlântica
visando-se à composição de um novo setor anexo ao Horto
Flora Carioca
Documentação vegetal
Denominado Bosque Carioca, através de metodologia de trabalho de
campo.
Implantado em 2005, o projeto propõe a classificação e identificação
das espécies nativas e exóticas existentes no horto do CPII.
Fonte: Colégio Pedro II (www.cp2.g12.br)
A recuperação paisagística do horto botânico trouxe perspectivas de práticas
pedagógicas e científicas de interesse da instituição. Para os alunos do curso técnico, a
paisagem restaurada tem sido espaço de experimentação, visto que as turmas desenvolvem
projetos diversos na área. Usando a definição de Bertrand, temos que a paisagem é:
Uma determinada porção do espaço que resulta da combinação dinâmica dos elementos
físicos, biológicos e antrópicos, os quais interagindo dialeticamente uns sobre os outros
formam um conjunto único e indissociável em perpétua evolução. (1968, p.78.).
43
A partir dessa perspectiva, podemos identificar a importância da ação humana
para a criação e posterior restauração do horto do colégio Pedro II. Se por um lado, as
atividades antrópicas podem provocar alterações depreciativas na paisagem, por outro, uma
ação bem planejada, com prognóstico de bom manejo, pode ajudar a recriar ambientes
degradados ou mesmo introduzir na paisagem, elementos que a caracterizem como um espaço
sustentável.
De acordo com Naveh (1991, p. 109) “o homem não representa apenas um fator
de perturbação externa aos ecossistemas naturais, mas um componente interativo e coevolucionário”. Essa interação pode ocorrer espontaneamente, típica da relação de
interdependência que o homem estabelece com o meio, ou então de modo intencional, como é
o caso da criação e reconstrução de paisagens vegetais e da introdução de fauna nesses
ambientes. No caso da Mata Atlântica, sabemos que quase a sua totalidade remanescente no
estado do Rio de Janeiro é composta por vegetação secundária. Deste modo, a caracterização
mais correta do horto botânico é a de que se trata de uma paisagem composta por uma
fragmentação de vegetação secundária de Mata Atlântica.
O item a seguir apresenta as características da experiência do ensino médio
integrado em meio ambiente do colégio Pedro II. A partir da sua análise é possível identificar
as potencialidades e limitações do curso para a comunidade escolar.
5.2 A EXPERIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO INTEGRADO EM MEIO AMBIENTE
Entre os anos de 2006 e 2007 o colégio Pedro II implantou, na unidade escolar
São Cristóvão III (Figura 2), o curso técnico em Meio Ambiente integrado ao ensino médio.
As primeiras turmas formadas concluíram o curso em dezembro de 2009. No ano de 2010
outras duas turmas concluíram. Em 2011, uma turma concluiu e, em 2012, a perspectiva é que
uma turma também conclua. As turmas têm em média 30 alunos.
44
Figura 2 – Imagens do complexo escolar de São Cristóvão, Rio de Janeiro.
A
profissionalização
de
um
grupo
considerável
de
alunos
egressos
(aproximadamente 120 alunos) indica que a avaliação do curso não só já é possível como
também é necessária, de modo que sejam identificadas e analisadas as perspectivas que ele
tem gerado na comunidade escolar, sua estrutura e organização, sua potencial relevância
social e as limitações de qualquer natureza que lhe são impostas. O Quadro 5 identifica alguns
aspectos do curso:
Quadro 5 – Dados do curso técnico em meio ambiente
Ano de Implantação do Curso
Unidade Escolar de Implantação
2007
São Cristóvão III (Ensino Médio)
Departamentos Envolvidos
Biologia, Geografia, Química e História
Carga Horária Total
4.720 horas e mais 200 horas de estágio
Fonte: Proposta do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II (Anexo 1)
45
Tendo em vista as contribuições de longa data oferecidas pelo tradicional colégio
Pedro II à sociedade brasileira, sobretudo à fluminense, e a sua reafirmação como instituição
educativa influente que, mesmo em meio a um contexto de desvalorização da escola pública
ainda oferece ensino de excelência, torna-se importante analisar a implantação recente do
curso técnico em meio ambiente na unidade São Cristóvão III - com possibilidades de
ampliação para outras unidades - avaliando suas perspectivas e limites.
O concurso seletivo de alunos para o curso técnico em meio ambiente no ano de
2012 contou com 423 inscrições validadas para candidatos concorrerem a 16 vagas no curso
de meio ambiente oferecido pela instituição. Desses, 114 candidatos são oriundos de escola
pública e 309 provenientes de escolas privadas. As demais vagas para o curso são preenchidas
por alunos que já pertencem à instituição e que são egressos do ensino fundamental. A
maioria destes vem da unidade II, localizada no complexo escolar de São Cristóvão.
A carga horária total do curso técnico integrado em meio ambiente no colégio
Pedro II é de 4.720 horas e mais 200 horas reservadas para estágio curricular obrigatório. De
acordo com a proposta de implantação do curso técnico em meio ambiente, ele tem o objetivo
geral de formar profissionais capacitados para: identificar os recursos naturais; auxiliar na
preservação dos recursos naturais; avaliar e controlar os fatores antrópicos de intervenção no
meio ambiente que causam impacto nos ciclos de matéria e energia.
De acordo com a proposta de implantação do curso (anexo 1), os seus objetivos
específicos são: desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão na área ambiental,
transformando o colégio Pedro II em pólo regional de referência em questões ambientais;
atuar nas esferas da educação, da preservação e da recuperação ambiental; capacitar
profissionais críticos e aptos a intervir na busca de soluções para os problemas ambientais;
qualificar recursos humanos para desempenhar funções técnicas, educativas e administrativas
ligadas à área ambiental; desenvolver nos alunos a capacidade empreendedora como
alternativa para inserção no mercado de trabalho; preparar os alunos para o trabalho em
equipe, desenvolvendo a capacidade de liderança e o discernimento para a tomada de
decisões.
Além das disciplinas comuns do ensino propedêutico, os alunos têm uma grade
curricular específica a qual disciplinas profissionalizantes são distribuídas ao longo dos três
anos do ensino médio do seguinte modo apresentado no Quadro 6:
46
Quadro 6 - Distribuição das disciplinas específicas do curso técnico em meio ambiente
1ª Série
2ª Série
3ª Série
• Fundamentos de Meio
• Monitoramento Ambiental
• Legislação Ambiental e
Ambiente (160 h);
(120 h);
Normatização (80 h)
• Química Ambiental
• Química Analítica (120 h);
• Manejo de Sistemas Aquáticos
(120 h);
e Terrestres (120 h);
• Memória e Patrimônio do
• Estudos Geoambientais e
Meio Ambiente (80 h).
Noções de Ecoturismo
• Estudos de Impactos
Ambientais (120 h);
(120 h).
• Metodologia de Projetos (80 h).
Fonte: Proposta do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II, 2007 (Anexo 1)
Dentro da grade curricular nota-se uma base de conteúdos multidisciplinar e bem
fundamentados nas legislações, mas que negligencia disciplinas instrumentais importantes
como Sensoriamento Remoto e Sistemas de Informações Geográficas. Em pesquisa realizada
com os alunos, a maioria apontou que consegue perceber algum grau de integração entre os
conteúdos estudados nas diferentes disciplinas. E com relação ao sensoriamento remoto,
alguns buscam formações complementares em outras instituições, tais como a PUC Rio. A
carga horária adéqua-se às exigências do MEC para a formação de técnicos em meio
ambiente.
Em relação ao estágio curricular, ele tem uma carga horária mínima de 200 horas,
podendo ser cumprida até um ano após a conclusão das disciplinas previstas na grade
curricular. Sendo assim, o aluno receberá o diploma de técnico em meio ambiente após o
cumprimento da carga horária total de 1.240 horas.
De acordo com a coordenadora do curso, a professora Vuyk (2012), que concedeu
uma entrevista cujo modelo se encontra no Apêndice 1, a criação do curso técnico em meio
ambiente integrado ao ensino médio surgiu em função das políticas educacionais que
demandavam qualificação para o trabalho no nível médio. Como a instituição já realizava
estudos na área de meio ambiente no projeto Área Verde, essa proposta do governo federal
veio ao encontro das atividades já desenvolvidas na instituição, culminando com a criação do
curso técnico em meio ambiente integrado ao ensino médio.
47
Sendo assim, o curso surgiu com a perspectiva de fornecer mão-de-obra
qualificada para o mercado de trabalho, que vem demandando profissionais técnicos na área
de meio ambiente. Há que se destacar também todo o apelo em prol das questões que
envolvem o meio ambiente. Portanto, a criação de um curso de formação de técnicos em meio
ambiente pela instituição poderia atrair atenção por parte de outros segmentos da sociedade.
Segundo Vuyk (2012), as bases legais que fundamentam o curso estão na
resolução 04/99 da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação
(CNE). O perfil do profissional que se pretende formar está previsto nas competências gerais
da Área Profissionalizante de Meio Ambiente. A partir deste perfil, busca-se desenvolver no
estudante competências, habilidades e domínio de bases tecnológicas que o capacitem ao
desempenho de suas funções.
De acordo com essa resolução, a competência profissional do técnico é entendida
como “capacidade de mobilizar, articular e colocar em ação valores, conhecimentos e
habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela
natureza do trabalho”. A resolução também estabelece a caracterização da área profissional
em meio ambiente e as competências gerais dos profissionais. Segundo a coordenadora
(2012), as bases metodológicas do curso se apoiam nas perspectivas multidisciplinar e
interdisciplinar. Segundo ela, a questão ambiental é multifacetada e intrinsecamente articulada
às varias áreas do saber. Sendo assim, essa deve ser a abordagem nos estudos do curso
técnico.
Isso vai ao encontro do pensamento de Edgar Morin. De acordo com ele, a
interdisciplinaridade deve ser uma característica básica dos estudos científicos. Nos estudos e
pesquisas em meio ambiente, a interdisciplinaridade pode ser vital para o entendimento das
relações entre o homem e o meio ambiente. O paradigma atual das ciências se caracteriza pela
particularização dos saberes, criando as chamadas ciências parcelares. O fato é que, por conta
das questões complexas que caracterizam o mundo, o isolamento das ciências pouco contribui
para construção de conhecimentos mais sólidos. Segundo Morin:
Nossa formação escolar e, mais ainda, a universitária nos ensina a separar os objetos de seu
contexto, as disciplinas umas das outras para não ter que relacioná-las. Essa separação e
fragmentação das disciplinas é incapaz de captar o que está tecido em conjunto, isto é, o
complexo, segundo o sentido original do termo. (2001, p.52)
Para Morin, a integração entre os saberes é condição fundamental para que o
conhecimento do homem acerca da natureza e da própria sociedade se efetive com mais
intensidade. Para ele, algumas ciências como a Geografia e a Ecologia possuem um caráter
integrador dos saberes. Mas, a maioria caracteriza-se por estudos e práticas autocentrados,
48
como se fosse possível dar conta da realidade apenas através de uma via de conhecimento,
ensejando perspectivas muito fragmentadas.
Levando em conta as perspectivas multidisciplinar e interdisciplinar, a montagem
da grade curricular do curso técnico em meio ambiente deveria privilegiar a diversidade de
disciplinas e a articulação entre elas, buscando uma metodologia de estudos comuns. De
acordo com Vuyk (2012), existe a perspectiva de se disponibilizar novas disciplinas para a
grade do curso. A entrada de Sociologia Ambiental e Física Ambiental são propostas que
ainda dependem de pessoal qualificado e disponibilidade na grade curricular para serem
exequíveis.
Outro aspecto importante para a formação dos técnicos é a realização do estágio
curricular, que é componente obrigatório para a certificação do estudante. No caso do colégio
Pedro II, houve uma dificuldade inicial para a firmação de um número suficiente de convênios
com as empresas. Isso se refletiu na demora para que os estudantes das primeiras turmas
cumprissem a carga horária do estágio.
Atualmente, porém, a instituição conta com um número maior de empresas
conveniadas. São elas: Instituto Estadual do Ambiente (INEA); Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), em seus diversos centros e laboratórios; Núcleo Interdisciplinar de Meio
Ambiente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (NIMA-PUC); Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e; Universidade Santa Úrsula (USU). Segundo VUYK
(2012), além destas, “outras instituições, tanto públicas como privadas, recebem
esporadicamente alguns alunos, não se constituindo em parceiros permanentes e constantes”.
Em relação à inserção dos egressos ao mercado de trabalho, Vuyk afirma que:
O atual estágio de desenvolvimento socioeconômico do país exige uma atenção ambiental
devido à necessidade de sustentabilidade, o que expande o mercado para os egressos, tanto em
instituições governamentais quanto privadas. Podem ser citadas as empresas voltadas para o
extrativismo, como as empresas de combustíveis fósseis, de matérias-primas naturais, tanto
renováveis quanto não-renováveis, de construção nas suas diversas modalidades, de
transportes aéreos, terrestres e marítimos e suas associadas, pois em todas estas atividades há
uma necessidade de constante acompanhamento do impacto ambiental destas atividades. O
espectro, no entanto, é muito mais amplo do que o citado. (2012)
Ao realizar essa afirmação, a coordenadora do curso baseia-se no movimento mais
recente que enfatiza a necessidade de se promover o desenvolvimento econômico sem
comprometer a qualidade ambiental para as gerações futuras. Trata-se da idéia de
desenvolvimento sustentável, surgida a partir dos desdobramentos da Conferência de
Estocolmo, em 1972. O apelo pela sustentabilidade tem criado novas carreiras em todos os
níveis. A formação de técnicos visaria atender a essa demanda. Demanda que é oriunda da
tentativa do sistema capitalista internalizar as questões ambientais. Que nesse caso não cogita
49
mudanças nas bases que fundamentam a ordem econômica política e econômica mundial, mas
sim a tentativa de se criar planos mitigadores para possibilitar a continuidade da exploração
da natureza pelas atividades econômicas.
Porém, esse é o ponto de vista dominante. Cabe, sobretudo, investigar se existe a
possibilidade de formação de profissionais em meio ambiente mais críticos e propositores de
mudanças estruturais. Isso pode depender de muitos fatores, como os que envolvem a filosofia
da instituição, a filiação teórica e política dos seus gestores e docentes, bem como o contexto
social em que se inserem. Por sua grandeza e diversidade de educadores, o colégio Pedro II
tem potencial para oferecer uma formação mais crítica aos técnicos ambientais.
5.2.1 A Perspectiva dos Alunos em Relação ao Curso
Ao final do primeiro semestre de 2011, foi realizada uma pesquisa com os alunos
das três séries do curso técnico integrado em meio ambiente. Na turma da primeira série, que
é composta por 30 alunos, 20 responderam ao questionário composto por dez questões com
opções fechadas. Na segunda série, 22 alunos entre 26 responderam ao mesmo questionário.
Já na terceira série, a metodologia do questionário foi diferente. 23 alunos dentre os 28
responderam a um questionário com dez perguntas com respostas abertas. No total, 84 alunos
participaram da entrevista. Os roteiros das entrevistas aplicadas às três séries estão no
Apêndice 2.
5.2.1.1 Entrevista com os Alunos das 1ª e 2ª Séries
De um modo geral, as respostas demonstraram que há pouco envolvimento dos
alunos e seus respectivos familiares em questões ambientais, seja em nível voluntário ou
profissional. Isso demonstra que não existe, na grande maioria dos casos, uma influência por
profissionais na família que atuam com o meio ambiente. Não foi possível perceber algum
tipo de influência prévia por alguém da família que desenvolva trabalhos em meio ambiente.
Provavelmente, os fatores que os motivaram a ingressar nesta área foram os apelos em relação
às questões ambientais e à possibilidade, dita promissora, de ingressar no mercado de
trabalho. Neste caso, ingressar no curso técnico seria uma forma de buscar uma porta para
empregos promissores na área ambiental.
Em relação à grade curricular, os alunos da segunda série percebem maior grau de
integração entre as disciplinas cursadas do que os da primeira série, inclusive aqueles já
participaram de projetos que envolveram duas ou mais disciplinas. Essa diferença pode ser
50
explicada pelo tempo maior que os primeiros já estão no curso. Quase todos os alunos das
duas séries percebem as disciplinas oferecidas como satisfatórias para a formação técnica em
meio ambiente.
Sobre as atividades extracurriculares, os alunos da primeira série entendem que as
disciplinas que a escola oferece são suficientes para a formação. Já os alunos da segunda série
mostraram-se divididos em relação a este item. Na primeira série, todos os alunos afirmaram
que não conhecem a legislação que cria e disciplina a carreira de técnico em meio ambiente.
Na segunda série dezoito alunos afirmaram que a conhecem parcialmente. Apenas um
afirmou que a conhece integralmente.
A maioria dos alunos acredita que o mercado de trabalho está favorável para os
técnicos em meio ambiente. Mas, na primeira série, dezesseis alunos afirmaram que
pretendem cursar alguma graduação quando terminarem o curso. Na segunda série, apenas um
aluno afirmou que não pretende fazer graduação. Este fato é curioso, pois, ao mesmo tempo
em que a maioria dos alunos afirma que o mercado de trabalho está favorável para os
técnicos, eles querem fazer alguma graduação, ou seja, não pretendem atuar apenas como
técnicos em meio ambiente.
Entre os cursos de graduação citados pelos alunos de ambas as séries aparecem:
Engenharia Ambiental, Biotecnologia; Biologia, Biologia Ambiental, Química, Engenharia
Genética, Engenharia Química, Geografia, Geologia, Engenharia Bioquímica, Veterinária,
Engenharia Florestal, Arquitetura, Ecologia, Gestão Ambiental, Comunicação Social,
Ciências Sociais, Cinema, Moda e Oficial dos Bombeiros. Dentre todos esses, os mais citados
foram as graduações em Biologia e em Engenharia Ambiental.
Estes dados mostram que, apesar de não quererem resumir suas atuações ao nível
médio técnico, os alunos do curso identificam-se com profissões de nível superior que se
relacionam com questões ambientais. A Tabela 1 apresenta o quantitativo de alunos cursistas
do técnico em meio ambiente na 1ª e na 2ª séries e o total de questionários respondidos.
51
Tabela 1 – quantitativo de alunos cursistas do técnico em meio ambiente na 1ª e na 2ª séries e
o total de questionários respondidos.
SEGMENTO
TOTAL DE ALUNOS
QUESTIONÁRIOS
RESPONDIDOS
1ª SÉRIE
30
20
2ª SÉRIE
26
22
A partir das respostas dos alunos foi realizada uma tabulação e construídos
gráficos para identificar e permitir a análise dos dados obtidos na aplicação do questionário.
Os percentuais de participação na entrevista permitem considerar os resultados relevantes. O
gráfico a seguir apresenta os resultados referentes à primeira questão levantada.
1ª questão: Você está envolvido diretamente com alguma causa ambiental?
Caso a resposta seja afirmativa, especifique a que grupo você pertence
(ONG, movimento social, sindicato, associação de moradores, etc.)
1ª série
2ª série
100,00%
120%
90,00%
80,00%
100%
70,00%
80%
60,00%
60%
50,00%
40,00%
40%
30,00%
20%
20,00%
10,00%
0%
0,00%
Sim
Sim
Não
Não
Usina de reciclagem e
Greenpeace
Gráfico 1 - Percentuais relativos à primeira questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Essa questão teve como objetivo saber se existe algum envolvimento dos alunos
com causas ambientais específicas. Desse modo, seria possível identificar se houve alguma
52
influência dessa natureza na escolha pelo curso e seria possível também avaliar a influência
dos ensinamentos e da experiência do curso nas práticas dos estudantes. Porém, na 1ª série
apenas 10% dos alunos relataram participar de algum movimento. Um aluno afirmou que atua
em uma usina de reciclagem e o outro é militante de Greenpeace. Na 2ª série, nenhum aluno
relatou participar de algum movimento no qual atue em causas ambientais. Portanto, de modo
geral, pode-se considerar que é baixo o grau de envolvimento prévio dos alunos com causas
ambientais.
Tabela 2 - Percentuais de respostas para a segunda questão:
2ª questão: Existem pessoas em sua família envolvidas
diretamente com alguma causa ambiental? Caso a resposta
seja afirmativa, especifique a que grupo ela( s) pertence(m)
(ONG,
movimento
social,
sindicato,
associação
de
moradores, etc.)
2ª série
1ª série
Sim
Não
0%
100%
Sim
Não
0%
100%
Neste item, o objetivo consiste em identificar se alguém da família dos alunos
estava envolvido diretamente com alguma questão ambiental. Respostas afirmativas poderiam
indicar algum tipo de influência familiar na escolha dos alunos. Porém, nas duas séries, todas
as respostas foram negativas. O Gráfico 2 mostra a terceira questão respondida pelos alunos e
que se refere à inserção de alguém da família em alguma profissão relacionada ao meio
ambiente.
53
3ª questão: - Existem pessoas em sua família que atuam
profissionalmente na área ambiental? Caso a resposta seja
afirmativa, especifique em que e onde ela(s) trabalha(m).
1ª série
2ª série
25
20
Não
15
10
Sim
5
0
Total
0,00%
20,00%
40,00%
60,00%
Sim
Não
80,00% 100,00%
Empresas citatas: Fiocruz
(Microbiologia), Fetranspor e
UFCP
Empresa
citada: INEA
Gráfico 2 –Resultados referentes à terceira questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Nesta questão, o objetivo foi buscar uma possível identidade profissional dentro
das famílias dos estudantes. Dentre os estudantes da 1ª série, mais de 80% afirmaram não ter
pessoas na família que trabalhem na área ambiental. Apenas três alunos possuem algum
familiar atuando nesta área. As empresas citadas foram FIOCRUZ, FETRANSPOR e UFPC
(Universidade Federal de Poços de Caldas). Dentre os estudantes da 2ª série, o índice de
pessoas na família que atuam na área também foi baixo. Apenas um aluno mencionou que
possui um familiar trabalhando no Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Este órgão faz
parte do grupo de empresas conveniadas à escola para o oferecimento de estágios.
Sendo assim, é possível concluir que não houve influência familiar significativa
na escolha pelo curso técnico em meio ambiente. É mais provável que os estudantes tenham
sido influenciados pela emergência das discussões sobre o meio ambiente, que vêm
conquistando cada vez mais visibilidade na grande mídia.
Na 4ª questão (Gráfico 3) buscou-se averiguar a percepção dos alunos em relação
à relação entre os conteúdos estudados nas disciplinas que compõem o curso. Na 1ª série, 80%
dos alunos afirmaram perceber interrelação entre os conteúdos estudados nas diferentes
disciplinas. 20% responderam que a percebem eventualmente. Nenhum aluno afirmou que
nunca percebeu essa conexão. Na 2ª série, mais de 60% respondeu que percebe alguma
conexão. Um pouco mais de 30% visualiza essa relação eventualmente. Menos de 5% dos
alunos responderam que nunca percebem.
54
4ª questão: Você percebe alguma interrelação, conexão entre os
conteúdos estudados nas diferentes disciplinas que compõem a
sua grade curricular?
1ª série
2ª série
Nunca
Nunca
Eventualmente
Eventualmente
Sempre
Sempre
0%
20%
40%
60%
80%
100%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Gráfico 3 – Resultados relativos à quarta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Alguns fatores podem explicar as diferenças nas percepções entre os alunos da 1ª
e da 2ª séries. Analisando as ementas das disciplinas específicas oferecidas (anexo 2),
percebem-se temáticas na 1ª série. Além disso, a carga horária de disciplinas específicas é
maior nesta série. São 400 horas distribuídas ao longo de três trimestres. Outra hipótese é de
que os alunos da 2ª série possuam um nível de maturidade acadêmica superior aos da 1ª série
e, por isso, consigam perceber que os assuntos estudados exigem um grau maior de
interdisciplinaridade. De qualquer modo, somando-se os dois grupos de resposta, a percepção
dos alunos foi favorável em relação às relações entre os conteúdos das diferentes disciplinas.
A quinta questão, mostrada no Gráfico 4, visou reforçar a questão da relação entre
os conteúdos estudados, pressuposto básico, segundo os teóricos da complexidade, para os
estudos ambientais. A realização de atividades em conjunto com duas ou mais disciplinas
reforça nos alunos a premissa de que os objetos de estudo não são encerrados em um único
saber. Na 1ª série, mais de 60% dos alunos afirmaram não ter ainda participado de projetos
em conjunto com duas ou mais disciplinas. Mais de 30% deles afirmaram que já participaram.
10% deixaram a resposta em branco. O fato de apenas uma parte da turma ter afirmado
participar de projetos desse tipo pode indicar que estes não foram obrigatórios. Ou então,
aqueles que responderam negativamente podem não ter tido a percepção mesmo participando
de tais projetos.
55
5ª questão: No curso, você já participou de algum projeto ou
trabalho que envolvia duas ou mais disciplinas?
1ª série
2ª série
60,00%
100%
90%
50,00%
80%
70%
40,00%
60%
50%
30,00%
40%
20,00%
30%
20%
10,00%
10%
0%
0,00%
Sim
Não
Em branco
Sim
Não
Gráfico 4 – Resultados referentes à quinta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Dentre os alunos da 2ª série, o índice de alunos que afirmaram já ter participado
de projetos envolvendo duas ou mais disciplinas foi superior a 80%. A diferença em relação à
1ª série pode ser explicada por àqueles alunos estarem em uma etapa mais avançada do curso.
De modo geral, o alto percentual de respostas afirmativas demonstra que o curso vem
valorizando esse tipo de atividade.
Na 6ª questão (Gráfico 5), buscou-se identificar a perspectiva dos alunos em
relação às matérias específicas oferecidas pelo curso. Na 1ª série, 69% dos alunos
consideraram as disciplinas oferecidas satisfatórias para a formação profissional. 22% deles
consideraram quase todas satisfatórias. Apenas 10% responderam que nenhuma ou poucas são
satisfatórias. De maneira geral, o fato de estarem apenas no primeiro ano de formação não
pesou negativamente nas respostas. As disciplinas ministradas nessa etapa são: Fundamentos
de Meio Ambiente; Química Ambiental; Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo.
56
Questão 6: Você considera as disciplinas oferecidas pelo seu
curso satisfatórias para a sua formação profissional?
1ª série
2ª série
Sim 68%
Quase todas 22%
Poucas 5%
Nenhuma 5%
Sim 80%
Quase todas 15%
Poucas 0%
Nenhuma 0%
Em branco 5%
Gráfico 5 – Resultados relativos à sexta questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Conforme se observa no gráfico da Figura 06, na 2ª série, 80% dos alunos
consideraram as disciplinas oferecidas satisfatórias para a formação. Entre os que
consideraram quase todas satisfatórias o índice foi de 15%. Nenhum aluno respondeu que
nenhuma e nem que poucas são satisfatórias. Além de já terem cursado as disciplinas citadas
anteriormente, os alunos estudam na 2ª série outras três: Monitoramento Ambiental (120 h);
Química Analítica (120 h); Memória e Patrimônio do Meio Ambiente. O elevado número de
respostas positivas a este item indica que as disciplinas oferecidas têm atendido às expectativa
dos alunos de ambas as séries.
Na 7ª questão visou-se aferir a percepção dos alunos em relação às atividades
extracurriculares desenvolvidas ao longo do curso. Dentre essas atividades estão incluídas
visitas técnicas e participação em eventos. Conforme o gráfico 6, 85% dos alunos da 1ª série
relataram que consideram as cargas horárias dessas atividades suficientes. Apenas 10%
responderam que não.
57
7ª questão: Você considera a carga horária
extracurriculares suficientes para a sua formação?
1ª série
das
atividades
2ª série
Sim 85%
Não 10%
Em branco 5%
Sim 50%
Não 50%
Gráfico 6 – Resultados referentes à sétima questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Como pode ser observado no gráfico 6, na 2ª série as opiniões ficaram divididas.
Metade dos alunos respondeu que essas atividades são suficientes e a outra metade respondeu
que não são. A diferença dos resultados para este item entre as duas séries chama atenção para
o fato de que a percepção dos alunos em relação às atividades extracurriculares piora à
medida que avançam para outras etapas de suas formações. Por outro lado, essas diferenças
também podem indicar alguma valorização recente dessas atividades por parte da instituição.
Na oitava questão, o objetivo foi averiguar o conhecimento dos alunos acerca da
estruturação da profissão de técnico em meio ambiente. O Gráfico 7 apresenta os resultados.
58
8ª questão: Você conhece a legislação que cria e disciplina a carreira
de técnico em meio ambiente?
1ª série
2ª série
80%
90,00%
70%
80,00%
60%
70,00%
60,00%
50%
50,00%
40%
40,00%
30%
30,00%
20%
20,00%
10%
10,00%
0%
0,00%
Sim
Não
Parcialmente Em branco
Sim
Não
Parcialmente
Gráfico 7 – Resultados relativos à oitava questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Conforme mostrado no Gráfico 7, na 1ª série, mais de 70% dos alunos afirmaram
desconhecer a lei 10.410/02. 20% afirmaram que a conhece parcialmente. Nenhum aluno
nesta série disse conhecer a legislação. Na 2ª série, 80% dos alunos disseram conhecê-la
parcialmente. 5% afirmaram conhecer bem a lei. E 15% afirmaram que não a conhecem. É
importante que, até o final do processo de formação, os estudantes tenham contato e estudem
a legislação que regulamenta a profissão. Inclusive, porque nela estão as atribuições do
técnico ambiental. É fundamental ter essa clareza para que o futuro profissional tenha
segurança sobre a sua atuação.
Na nona questão, o objetivo foi identificar a percepção dos alunos em relação à
potencialidade do mercado de trabalho para o técnico ambiental.
59
9ª questão: Você acredita que o mercado de trabalho está favorável
para os técnicos em meio ambiente?
1ª série
2ª série
Em branco
Parcialmente
Parcialmente
Não
Não
Sim
Sim
0%
20%
40%
60%
80%
0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00
%
Gráfico 8 – Resultados obtidos para a nona questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Analisando-se o Gráfico 8 verifica-se que para quase 80% dos alunos da 1ª série o
mercado está favorável para os técnicos. Para 20% deles, o mercado está favorável em alguns
aspectos. Nenhum aluno apontou que o mercado está desfavorável. Para quase 100% dos
alunos da 2ª série, o mercado está bom para esse profissional. De modo geral, a maioria dos
alunos indicou acreditar em futuro profissional promissor em relação à empregabilidade. Isso
evidencia que os estudantes têm perspectivas otimistas no que se refere à titulação que
receberão ao final do curso.
O 10º questionamento teve como objetivo aferir o quantitativo de alunos que
buscarão formação de nível superior ao final do curso. O Gráfico 9 apresenta esse percentual.
60
10ª questão: Você pensa em fazer alguma graduação quando terminar
o curso? Caso a resposta seja afirmativa, indique o(s) curso(s)
pretendido(s).
2ª série
1ª série
90,00%
100,00%
80,00%
90,00%
70,00%
80,00%
60,00%
70,00%
50,00%
60,00%
50,00%
40,00%
40,00%
30,00%
30,00%
20,00%
20,00%
10,00%
10,00%
0,00%
0,00%
Sim
Sim
Não
Não
Gráfico 9 – Resultados da décima questão aplicada aos alunos da 1ª e da 2ª séries
Os resultados apontam, conforme se observa no Gráfico 9, o quantitativo de
alunos que pretendem atuar apenas como técnicos. Na 1ª série, 80% dos alunos afirmaram que
pretendem cursar alguma graduação. 20% não se manifestaram nesse sentido. Na 2ª série o
percentual de alunos que buscarão a educação superior ainda é maior. Mais de 90% deles irão
procurar formação para além do nível médio técnico. Esse dado indica que, mesmo que
acreditem que o mercado está promissor para o técnico, eles não planejam uma carreira
profissional exclusivamente de nível técnico.
A tabela 3 apresenta a manifestação dos alunos em relação a escolha de uma
carreira após o término do curso técnico em meio ambiente.
61
Tabela 3 – Graduações citadas pelos alunos entrevistados da 1ª e da 2ª séries
GRADUAÇÕES CITADAS
1ª série
Graduação
2ª série
Citações
Graduação
Citações
Engenharia Ambiental
5
Engenharia Ambiental
5
Biologia
4
Biologia
5
Biotecnologia
2
Biomedicina
2
Engenharia Genética
2
Gestão Ambiental
2
Biologia Ambiental
1
Alguma Engenharia
2
Engenharia Química
1
Geografia
1
Engenharia Bioquímica
1
Engenharia Química
1
Veterinária
1
Engenharia Florestal
1
Ecologia
1
Geologia
1
Gestão Ambiental
1
Ciências Sociais
1
Arquitetura
1
Comunicação Social
1
Química
1
Química
1
Cinema
1
Oficial dos Bombeiros
1
1
Não Especificou
2
Moda
Analisando as graduações citadas, fica evidente que a maioria deles quer buscar
profissões de nível superior que se relacionem à área ambiental. Ou seja, eles pretendem atuar
na área ambiental, mas para além do nível técnico. As diferenças salariais e de prestígio entre
os profissionais de nível médio e superior são as causas mais prováveis dessa situação.
Embora valorizem o curso técnico em meio ambiente, eles acreditam que terão uma carreira
mais promissora se buscarem um curso de graduação.
Em se tratando de serviço público, isso pode ter relação com as políticas atuais de
planos e cargos e salários para os servidores federais. Os planos de carreiras estabelecem uma
diferença salarial significativa entre os profissionais de nível médio e os de nível superior.
Além disso, o plano de carreira também prevê progressão funcional e incentivo à qualificação
mais vantajosas para os servidores de nível de superior. Na esfera privada, mesmo com
diversas categorias tendo piso salarial, é mais difícil mensurar essas diferenças. Mas, pelas
informações advindas do mercado de trabalho, temos também uma valorização maior dos
profissionais de nível superior em relação aos de nível médio.
5.2.1.2 Entrevista com os Alunos da 3ª Série
Em novembro de 2011 foi realizada uma entrevista com os alunos do 3º ano do
ensino médio integrado em meio ambiente. Eles responderam a dez questões dissertativas a
respeito das suas impressões depois de três anos de curso e também sobre suas perspectivas
62
futuras e sobre a profissionalização em meio ambiente que estavam prestes a concluir na
ocasião. A turma possuía 28 alunos. Desse total, 23 responderam à entrevista.
A partir das respostas obtidas foi possível identificar alguns pontos positivos e
deficitários na percepção dos alunos. Eles apontam para a necessidade de se realizar reflexões
e promover determinadas reestruturações na formação oferecida pelo colégio Pedro II. Há que
se destacar que, muitas das limitações apontadas pelos alunos podem ser explicadas pela
recente implantação do curso. Porém, como já existe um número significativo de alunos
egressos (ao final do ano de 2011, 120 alunos já haviam concluído o curso) é possível traçar
um diagnóstico sobre os resultados oriundos da implantação do curso. Seguem os resultados
da entrevista e uma análise sobre as respostas apresentadas:
Conforme informações apresentadas no Gráfico 10, o interesse e preocupação
com o meio ambiente apareceu em metade das respostas dadas pelos alunos.
Gráfico 10 – Motivações para o ingresso no curso apontadas pelos alunos da 3ª série
De acordo com a aluna A “a perspectiva de algum dia poder criar ou participar
de soluções para os diversos problemas ambientais dos dias de hoje foi o que me motivou”. O
interesse no possível aumento da demanda do mercado de trabalho foi um ítem presente em
36% das respostas. A expectativa de empregabilidade foi, portanto, um fator motivador para o
ingresso dos alunos no curso técnico em meio ambiente. Segundo o aluno B, a área técnica
em meio ambiente “tende a crescer, pois é uma área nova como profissão”.
63
Ter uma formação técnica apareceu em terceiro lugar com 11% das respostas.
Neste caso, a formação técnica aparece como uma alternativa ao ingresso cada vez mais
competitivo nos cursos de graduação. Para a aluna C, o que motivou o ingresso no curso foi
“a idéia de obter uma formação adicional ao currículo”. Desse modo, a perspectiva de
ingressar no mercado não dependeria, necessariamente, de esperar o ciclo do ingresso e
conclusão de curso de nível superior.
Isso reflete em parte a angústia dos jovens com relação às inseguranças do
mercado de trabalho. No caso do aluno que foi inscrito no curso equivocadamente, a
permanência do mesmo até a 3ª série indica que, apesar do erro, foi dada uma oportunidade
de permanecer e conhecer o curso. O mesmo aluno, em resposta a outro ítem, mostrou-se em
dúvidas sobre se vai seguir ou não a carreira na área ambiental. As respostas obtidas para a
segunda questão evidenciam a importância que a relação homem - natureza tem para os
alunos.
O Gráfico 11indica as percepções dos alunos para a questão da importância da
natureza para as suas vidas. Houve uma grande diversidade de respostas, porém a
dependência em relação à natureza apareceu em uma quantidade expressiva de respostas.
Gráfico 11 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: Qual é o significado que a natureza tem para a sua
vida?
Conforme observado no Gráfico 11, oito alunos indicaram que dependemos da
natureza para sobreviver e termos qualidade de vida. De acordo com o aluno D, a natureza
“tem um importante significado, pois é ela que nos gera, sustenta e possibilita a vida”. Para a
aluna E “é dela que dependemos para sobreviver e conseguir ter uma vida saudável”. Esses
relatos destacam a relação de dependência que os seres humanos estabelecem com a natureza.
64
Sendo assim, a qualidade de vida decorreria de uma relação equilibrada entre os componentes
do meio. De acordo com Leff:
A qualidade de vida está entrelaçada com a qualidade do ambiente e com a satisfação das
necessidades básicas, com a conservação do potencial produtivo dos ecossistemas, com o
aproveitamento integrado dos recursos naturais e com a sustentabilidade ecológica do habitat.
(2000, p.223).
Essa perspectiva sobre a qualidade de vida aparece indiretamente nas outras
respostas. É provável que os fatores que influenciaram as respostas dos alunos estão além do
senso comum. Na 3ª série do ensino médio de um curso técnico em meio ambiente, eles já
tiveram acessos a conceitos e conhecimentos mais intensos e críticos a respeitos da temática
ambiental. Todas as respostas convergem para o fato de sermos partes integrantes do meio em
que vivemos.
Na questão mostrada no Gráfico 12, o objetivo foi identificar as expectativas dos
alunos em relação à formação técnica oferecida.
Gráfico 12 – Resposta dos alunos da 3ª série para a questão: O que você esperava do curso técnico em meio
ambiente?
A partir das respostas apresentadas no Gráfico 12, é possível fazer um panorama
dos principais interesses daqueles que buscam a formação técnica em meio ambiente. Aulas
práticas em campo e recebimento e aprofundamento dos conhecimentos apareceram em 73%
das respostas. A preparação para o mercado de trabalho, que de certa forma se relaciona
diretamente com os dois itens anteriores, apareceu em 18% das respostas. Ou seja, 91% das
respostas indicam as expectativas dos alunos em relação à qualidade da formação oferecida.
65
Pelo fato de os técnicos ambientais estudarem e atuarem em questões relativas à
natureza, as aulas em campo são fundamentais na visão de quase metade dos alunos. A aluna
F respondeu que “esperava ter uma maior interação verdadeira com o meio ambiente através
das aulas práticas”. A aluna G afirmou que “esperava mais aulas práticas e mais amor ao
meio ambiente. Mais respeito e pequenas ações poderiam ser ensinados”. De maneira geral,
na opinião de um grupo de alunos, as aulas de campo oferecidas não são suficientes para a
formação.
A preocupação dos alunos no que se refere às aulas práticas justifica-se por estas
serem pedagogicamente fundamentais em um curso voltado para o meio ambiente. Nenhum
aluno frisou que não ocorreram aulas práticas. Eles apenas indicaram que a quantidade
oferecida esteve aquém do que eles esperavam. Apareceram em 3% das respostas os itens
interdisciplinaridade, infra-estrutura adequada e amor ao meio ambiente. Em relação ao
primeiro item, o baixo número de respostas indica o desconhecimento prévio dos alunos em
relação à importância da prática interdisciplinar. A prática interdisciplinar ainda é um desafio
na maioria das escolas.
O número pequeno de respostas em relação ao item infra-estrutura mostra que a
preocupação com espaço físico, laboratórios e outros aspectos estruturais não foi tão
considerado. Talvez a grandeza da instituição tenha gerado um grau de confiança em relação a
esse aspecto. Por fim, a citação relativa ao amor ao meio ambiente mostra uma perspectiva
mais intensa e idealista em relação às expectativas geradas pelo curso.
O objetivo da questão, mostrada no Gráfico 13, foi fazer um comparativo entre as
expectativas dos alunos em relação ao curso e o atendimento dessas expectativas ao final do
processo de formação.
66
Gráfico 13 – Respostas para dos alunos da 3ª série para a questão: O curso tem atendido às suas expectativas?
Observa-se, no Gráfico 13, que dezoito alunos responderam que o curso não
atendia as expectativas iniciais. Três alunos responderam que estavam sendo atendidos em
parte. Apenas dois alunos responderam que o curso atendia às suas expectativas. Por se tratar
de um curso recém-implantado, é provável que ainda existam limitações que precisam ser
superadas e ajustes a serem incorporados nas práticas do curso.
O projeto do curso atende às exigências estabelecidas pela Câmara Básica de
Educação. Sua estrutura multidepartamental (Geografia, Biologia, Química e História) atende
aos princípios de multidisciplinaridade. O corpo docente apresenta boa qualificação.
O
retorno dos alunos, com base nesta pesquisa, pode ser um bom ponto de partida para gerar
reflexão na comunidade escolar, visando à superação dos obstáculos que vem comprometendo
o atendimento dos objetivos do curso e anseios dos discentes, o que consequentemente
propiciaria uma melhor qualidade no curso oferecido pelo Colégio Pedro II.
A questão seguinte procurou levantar as principais dificuldades que os alunos
sentem no curso. Nessa questão houve uma grande diversidade de respostas.
67
Gráfico 14 – Respostas da 3ª série para a questão: Quais são as principais dificuldades que você vem enfrentando
em seu curso?
Conforme verificado no Gráfico 14, em destaque, com 31% das respostas, o item
cumprimento da carga horário obrigatória foi apontado como a principal dificuldade dos
alunos em relação ao curso. Segundo a aluna H, a principal dificuldade está em “conciliar o
estágio, as aulas no turno oposto, as atividades fora da escola e a preparação para o
vestibular”. Conforma já foi mostrado na tabela 4, a carga horária total de um estudante do
ensino médio integrado é de 4.720 horas e mais 200 horas de estágio curricular obrigatório.
As duas graduações mais citadas pelos alunos na tabela 8 pelos alunos da 1ª e da
2ª séries, Engenharia Ambiental e Biologia, tem cargas horárias inferiores ao do técnico em
meio ambiente do colégio Pedro II. Na Universidade Federal de Viçosa, por exemplo, a
graduação
em
Engenharia
Ambiental
tem
carga
horária
total
de
3.690
horas
(http://www.ufv.br). Já em relação ao curso de Ciências Biológicas, a Resolução CNE / CES
nº 4, de 6 de abril de 2009, estabelece que a carga horária mínima é de 3.200 horas. Esse
comparativo indica que a carga horária do curso técnico integrado em meio ambiente no
colégio Pedro II é realmente elevada se comparada aos cursos de graduação mais citados.
Com essa carga horária elevada, os estudantes precisam fazer as matérias
específicas do técnico no turno oposto ao qual estudam. Sendo assim, na prática, o curso
acaba sendo integral. A queixa também é maior nessa série devido à preparação para o
vestibular. Os alunos que desejam cursar alguma graduação sentem dificuldades em conciliar
a elevada carga horária com os estudos para os vestibulares. Pois, como dito anteriormente,
mesmo adquirindo uma habilitação profissional, a maioria dos alunos deseja ingressar na
educação superior.
68
A falta de aulas práticas apareceu em 16% das respostas. Infraestrutura deficitária
aparece em terceiro lugar com 13% das respostas. Problemas de organização aparecem em
9% das respostas. Eles se referem basicamente à distribuição da carga horária ao longo do
curso e ao planejamento dos estágios. A defasagem teórica e a falta de motivação por parte da
equipe responsável pelo curso aparecem em um total de 16% das respostas. Trata-se de um
percentual relativamente baixo e que contrasta com a qualificação e envolvimento dos
profissionais que atuam no curso.
A dificuldade de realizar estágios esteve presente em 9% das respostas. Levandose em consideração se tratar de um curso novo, esse indicador reflete integração boa da
instituição com os órgãos que oferecem os estágios. O excesso de cobrança por parte da
equipe foi mencionado por 6% dos alunos. Provavelmente, isso seja um desdobramento da
carga horária elevada a que os alunos se referiram em outra resposta. No entanto, uma
cobrança exagerada para além da carga horária exigida não pareceu ser aspecto relevante nas
respostas.
A questão que aparece no Gráfico 15 refere-se às expectativas dos alunos em sua
atuação profissional. Neste item, seis alunos demonstraram ter uma grande preocupação em
relação à competitividade com outros profissionais no mercado de trabalho. Quatro deles
apontaram a dificuldade em executar projetos voltados para a saúde do meio ambiente.
Gráfico 15 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Quais são as principais dificuldades que você
acredita que irá enfrentar em sua atuação como profissional em meio ambiente
A competitividade foi a resposta mais apontada pelos alunos. A falta do interesse
do poder público e de empresas privadas apareceu quatro vezes entre as respostas. A
dificuldade de se executar projetos voltados para a saúde ambiental também teve quatro
69
apontamentos. Sobre este último, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o
conceito de saúde ambiental:
aborda os aspectos da saúde e qualidade de vida humana determinados por fatores ambientais,
sejam estes físicos, químicos, biológicos ou sociais. Refere-se também à teoria e prática de
avaliação, correção, controle e prevenção daqueles fatores que, presentes no ambiente, podem
afetar potencialmente de forma adversa a saúde humana de gerações presentes ou futuras.
(OMS – Organização Mundial de Saúde, 1995).
Três alunos apontaram que não pretendem atuar na área ambiental e um está na
dúvida. Esse dado nos mostra que, apesar das limitações apontadas pelo conjunto dos alunos,
o curso conseguiu manter, ou mesmo, suscitar o interesse pela área ambiental. Os itens
precariedade no local de trabalho, desconhecimento das atribuições do trabalho do técnico e
defasagem dos conteúdos técnicos apareceram duas vezes nas respostas. Preocupações com
burocracias e adaptação ao trabalho apareceram apenas uma vez. A Tabela 4 resume as
pretensões profissionais dos estudantes.
Tabela 4: Pretensões profissionais dos alunos da 3ª série na carreira de técnico ambiental
Atuar em campo
Atuar em programas de responsabilidade social
Trabalhar em setores de meio ambiente de empresas
Não tem
Ganhar um bom salário fazendo aquilo que gosta
Estabilidade profissional
Defender causas ambientais
Trabalhar em obras
Trabalhar com despoluição
Atuar na área de educação ambiental
Lecionar para cursos técnicos
Trabalhar na área da zoologia
Trabalhar com pesquisa marinha
Trabalhar na área de engenharia florestal
Trabalhar na área de petróleo e gás
Proteger e conservar a natureza
Trabalhar na área de geologia
Trabalhar na polícia federal
Trabalhar bem como técnico em meio ambiente
Ainda não decidiu
Não quer atuar na área
Transformar o sistema e promover o equilíbrio ambiental
1
1
1
1
4
4
1
1
1
1
1
2
1
3
1
1
1
1
3
1
2
1
Na questão sobre quais as pretensões profissionais como técnico em meio
ambiente houve diversidade de respostas, que indicam as inúmeras possibilidades oferecidas
pela carreira na área de meio ambiente. Somado a isso, os estudantes da 3ª série estão em uma
fase de dúvidas e incertezas sobre que caminho profissional seguir. A aluna A respondeu que
70
espera “poder fazer bastante trabalho de campo e, se possível, fazer parte de programas de
responsabilidade social”. Na maior parte das respostas, os alunos evidenciaram uma
preocupação com estabilidade, boa remuneração e fazer aquilo que gostam. A aluna I
destacou: “minha pretensão é alcançar um bom cargo estável, onde eu irei defender as
causas ambientais”.
Alguns alunos demonstraram já ter convicção a respeito de como querem se
especializar. A aluna J respondeu: “pretendo seguir a área de pesquisa marinha como bióloga
ou então seguir para a área de zoologia”. Em outra resposta, o aluno L disse: “tornar-me
engenheiro e trabalhar em obras e/ou despoluição”. Há que se destacar que dois alunos
responderam que não querem atuar na área e um respondeu que não tem pretensão
profissional nesta área. De modo geral, as respostas apontam para a necessidade desses alunos
receberem algum tipo de orientação profissional, seja por parte da escola ou por outros meios.
A Tabela 5 mostra alguma(s) área(s) específica(s) e/ou empresa(s) nas quais os
alunos gostariam de atuar como técnico em meio ambiente.
Tabela 5: Área e/ou empresas nas quais os alunos da 3ª série gostariam de atuar
Ainda não pensou no assunto
Petrobrás
Companhia Vale
Marinha
Outras empresas petrolíferas
Área de construções civis sustentáveis
Química
INEA (educação ambiental)
Engenharia ambiental
Qualquer empresa pública
IBAMA
Biologia
Zoologia
Engenharia florestal
Petróleo e gás
Furnas
Eletrobrás
Perícia criminal
Engenharia ambiental
Bayer
Química ambiental
Qualilab
Não tem
Trabalhar embarcado
ONU
Geração de energia limpa
1
4
2
2
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
4
1
1
1
71
Área socioambiental
Consultoria ambiental
Ecologia marinha
1
1
1
Nesse item, o objetivo foi identificar se os alunos já possuem uma meta específica
para a prática da profissão de técnico em meio ambiente. Daqueles que apontaram uma
empresa, quatro citaram a Petrobrás, prestigiada empresa do ramo petrolífero. A Companhia
de mineração e logística Vale apareceu em duas respostas. Outras empresas foram citadas em
pelo menos uma resposta, entre elas o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Eletrobrás.
O aluno M gostaria de “trabalhar na área de química em empresas como a Qualilab e outras
onde a especialização seria em química ambiental”.
O mercado de trabalho ainda é pequeno para os técnicos ambientais. Na esfera
pública, poucos são os concursos que demandam vagas para este cargo. Nos quatro primeiros
meses do ano de 2012 algumas instituições públicas incluíram em seus processos seletivos o
cargo de técnico em meio ambiente. A Tabela 6 exibe essa informação:
Tabela 6: Concursos para técnico em meio ambiente em 2012
Concurso
Prefeitura Municipal
Vagas
Atribuições
10
Não publicado
Carga
Vencimento
Horária
R$
40h
1.687,14
40h
2.896,02.
40h
3.120,00
de Rio das Ostras (RJ)
Executar e participar de programas de
controle de poluição, de otimização da
PETROBRÁS
14
utilização da água, energia e insumos,
bem
como
dos
processos
de
licenciamento e autorizações ambientais.
Executar e participar de programas de
controle de poluição, de otimização da
TRANSPETRO
1
utilização da água, energia e insumos,
bem
como
dos
processos
de
licenciamento e autorizações ambientais.
Fonte: www.pciconcursos.com.br, 2012
Como pode ser observado na tabela 6, as vagas disponibilizadas para técnicos
ambientais não são numerosas. A carga horária padrão é de 40 horas semanais e os salários
72
variam bastante. Não há piso salarial para essa carreira. Em relação às atribuições definidas
pelas empresas Petrobrás e Transpetro, elas estão de acordo com as estabelecidas pela Lei
10.410/02 que cria e disciplina a carreira de técnico em meio ambiente, já mencionada neste
trabalho.
Apesar de oferecerem poucas vagas, esses concursos geram a perspectiva de
maior demanda por esses profissionais no futuro, visto que o cargo de técnico ambiental
nunca havia sido requerido por essas instituições. Trata-se, portanto, de um fato inédito e que
abre precedentes para que outras empresas, sejam públicas ou privadas, passem a demandar
esses profissionais.
A questão Como você espera contribuir para a sociedade através da sua atuação
profissional? (Gráfico 16) é um desdobramento das duas anteriores. A diversidade de
respostas indica a multiplicidade de possibilidades que a área ambiental pode oferecer na
visão dos alunos.
Gráfico 16 – Respostas dos alunos da 3ª série para a questão: Como você espera contribuir para a sociedade
através da sua atuação profissional?
Observa-se que algumas respostas evidenciam a vontade de os alunos buscarem
algum curso de graduação a fim de aumentarem o poder de influência. Quase todos os alunos
73
entrevistados prestaram algum exame de admissão para a educação superior no final de 2012.
Esse fato reforça a pretensão dos alunos para além da formação técnica.
A preocupação com a sustentabilidade apareceu em quatro respostas. O aluno N
espera “impedir devastações desnecessárias e promover mecanismos de desenvolvimento
limpo”. A educação ambiental e as ações para melhorar a qualidade de vida das pessoas
aparecerem em três respostas cada. Para o aluno O desejo é “reflorestar áreas desmatadas e
educar a população evitando que ocorram enchentes devido ao lixo jogado no chão”. Dois
alunos responderam que pretendem contribuir pondo em prática os saberes ambientais
adquiridos. Outros dois desejam atuar em projetos de reflorestamento. Dois alunos mais uma
vez afirmaram que não vão atuar. Outras formas de contribuição para o equilíbrio do meio
ambiente apareceram uma vez nas outras respostas dos alunos.
Somando-se as respostas obtidas nesse questionário ao outro aplicado aos alunos
das 1ª e 2º séries temos um grande quantitativo de alunos que buscarão os cursos de
graduação, que não são exigências para a atuação do técnico em meio ambiente. De um modo
geral, para os alunos a formação técnica não bastará, mesmo que a maioria deles queira seguir
na área ambiental. Esse dado confronta as atuais políticas governamentais de incentivo à
educação profissional, pois se objetivo do poder público é profissionalizar os jovens já no
ensino médio para diminuir a pressão pela educação superior, pelo menos em relação aos
alunos do Colégio Pedro II isso não está ocorrendo. De acordo com os resultados dessa
pesquisa, trabalhar como técnico não é o ideal último dos estudantes em relação à carreira
profissional.
Há que se destacar também que as recentes reestruturações de planos de cargos e
salários do funcionalismo público têm remunerado melhor e oferecido mais vantagens aos
profissionais de nível superior. No setor privado, as diferenças salariais entre os profissionais
de nível médio e superior também são acentuadas. De acordo com dados do Cadastro Central
de Empresas (CEMPRE), divulgados no sítio oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatísticas (IBGE):
Em 2009, as 4,8 milhões de empresas e outras organizações integrantes do CEMPRE reuniam
40,2 milhões de assalariados, sendo que 23,4 milhões eram homens (58,1% do total) e 33,6
milhões não tinham nível superior (83,5% do total). Embora houvesse diferenças salariais
significativas entre homens e mulheres – eles ganhavam 24,1% a mais –, a desigualdade era
maior entre os trabalhadores com e sem nível superior: aqueles que concluíram faculdade
recebiam um salário 225% maior. (IBGE, 2011)
Essa mesma pesquisa indica que as grandes empresas contratam 57,7% do total de
trabalhadores com nível. Sendo assim, esses dois fatores podem estar entre os responsáveis
pela busca dos jovens pelos cursos de graduação, mesmo já tendo se profissionalizado em
74
nível médio. Apesar disso, as respostas obtidas na pergunta seguinte e que estão tabuladas na
Tabela 7 evidenciam que grande parte dos alunos acredita que o profissional técnico em meio
ambiente é valorizado pelo mercado de trabalho.
Tabela 7 – Respostas dos alunos da 3ª série à questão: Você acredita que o profissional em
meio ambiente é valorizado pelo mercado de trabalho? Justifique.
Sim, mas não o valor que realmente mereça
Não, pois o mercado nem sempre está adequado a este tipo de profissional
Sim, devido a atual demanda pela sustentabilidade
Nem sempre, depende de onde se trabalha
Sim, pois as empresas precisam fazer o marketing verde com esses
profissionais
Sim, pois a preocupação com o meio ambiente tem aumentado
Sim, pois é uma área em crise
Não, pois as empresas não conhecem o trabalho dos técnicos
Depende, pois existem muitas pessoas buscando essa área, aumentando a
competição
Sim, pois há muita demanda deste tipo de profissional, mas poucas
instituições oferecem formação técnica
Sim, mas ainda estamos no começo desse processo de valorização
1
1
4
2
1
10
1
2
1
1
1
Nessa questão, buscou-se identificar a percepção dos alunos em relação ao
mercado de trabalho para o profissional em meio ambiente. A maioria das respostas indica
que os estudantes acreditam que o mercado de trabalho está favorável ao técnico ambiental,
mas em algumas delas apareceram ressalvas. Para a aluna A “de certa forma o mercado está
favorável sim. Porém não acho que receba o valor que realmente mereça, já que ainda
existem muitas pessoas céticas em relação aos problemas ambientais”.
Esse depoimento revela que a temática ambiental gera polêmica. Ainda é
significativo em diversos meios o pensamento de que a natureza é fonte inesgotável de
recursos. Isso contribui para a sensação de que os problemas ambientais não são tão graves
quanto determinados setores da sociedade denunciam. Essa pode ser a raiz do problema que
se refere a não valorização dos técnicos em meio ambiente.
Porém, o aumento com a preocupação com o meio ambiente apareceu em dez
respostas que indicam a valorização do técnico. Para o aluno P “hoje esse profissional está
valorizado devido a tudo o que vem ocorrendo no globo, como as mudanças climáticas. Acho
também que a consciência da população mundial também vem mudando”. Essa expectativa
pode ser motivadora para os alunos do curso. A idéia de que o mundo está ficando mais
preocupado com o meio ambiente pode ser, em parte, vaga, mas suscita nos estudantes a
possibilidade de atuação transformadora no mercado de trabalho.
75
5.1.1.3 Entrevista com os Alunos Egressos de 2010
Em abril de 2012 foi realizada uma entrevista com os alunos egressos de 2010 do
curso técnico em meio ambiente do colégio Pedro II. O roteiro encontra-se no Apêndice 3. O
questionário foi enviado três vezes a trinta ex-alunos, porém apenas doze responderam. O
objetivo dessa entrevista foi identificar e analisar as perspectivas e limites gerados pelo curso
na vida profissional desses egressos. Para cada aluno foram feitas quatro perguntas. Uma
delas dissertativas e as outras três objetivas. Seguem os resultados:
Primeira questão: Atualmente você está atuando profissionalmente como técnico
em meio ambiente? Se a resposta for afirmativa indique onde.
Essa questão buscou identificar a absorção dos técnicos ambientais pelo mercado
de trabalho. Todos os alunos que responderam ao questionário afirmaram que não estão
trabalhando na área. Esse indicador pode evidenciar a dificuldade de inserção no mercado
profissional, preocupação que apareceu nas respostas do questionário aplicado aos alunos da
3ª série de 2011. A recente criação dessa profissão, a falta de conhecimento sobre suas
atribuições e pouca valorização desse profissional no mercado podem explicar as dificuldades
de inserção dos técnicos ambientais. O Gráfico 17 apresenta o percentual de egressos que
buscaram a educação superior.
Gráfico 17 – Respostas dos alunos egressos à questão: Atualmente você está realizando algum curso de
graduação, politécnico ou outros?
Nessa questão, o objetivo foi identificar o quantitivo de alunos egressos que
buscaram formação profissional para além do nível técnico. 92% dos alunos entrevistados
afirmaram estar cursando alguma graduação. Apenas 8% afirmou não cursar nada. Os cursos
citados pelos alunos foram:
76
- Engenharia Agrícola e Ambiental (UFF);
- Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente (UFF);
- Engenharia Ambiental (UFRJ);
- Geologia (UFRJ) duas vezes;
- Meteorologia (UFRJ);
- Turismo (UERJ)
- Letras Português – Literatura (UFRJ);
- Odontologia (UFRJ);
- Licenciatura em Desenho (UFRJ) e Design de Interiores (Veiga de Almeida);
- Psicologia (UFF);
Dos onze cursos mencionados, seis têm relação direta com a área ambiental.
Apenas os quatro últimos não possuem uma relação tão evidente, podendo apenas ser relativa.
Esse dado aponta para o fato de que a maior parte dos alunos egressos estão buscando
graduações com relações direta e indireta com a área ambiental. Isso mostra que o interesse é
grande por esse campo, mas que, ao mesmo tempo, eles estão buscando formação superior
para além da profissionalização em técnico ambiental. As respostas dadas para a questão
exposta no Gráfico 18 complementam essa discussão.
Gráfico 18 – Resposta dos alunos egressos para a questão: Por que você não está atuando profissionalmente
como técnico em meio ambiente?
77
Essa questão visou a identificar as dificuldades e as expectativas futuras dos
egressos em relação à carreira de técnico ambiental. A maioria das respostas vai ao encontro
da conclusão observada no item anterior (Figura 20). 75% dos alunos afirmaram que estão
dando prioridade a outra formação no momento, mas que, futuramente, pode ser que busquem
trabalhar como técnico em meio ambiente. Apenas 17% afirmaram que perdeu o interesse e
não querem mais atuar na área. 8% afirmaram que estão tendo dificuldades em entrar no
mercado de trabalho.
O fato de apenas 8% dos egressos terem mencionado essa dificuldade indica que,
para a maioria deles, as limitações do mercado profissional ainda não constituem um grande
problema, visto que ainda se consideram em fase de formação profissional. É provável que o
baixo número de empregos nessa área os tenha motivado a buscar uma formação de nível
superior, em sua maioria, compatível com a área ambiental, conforme evidenciado na questão
anterior. Apesar disso, não consideram essa dificuldade um grande entrave para a vida
profissional futura. O diploma de técnico em meio ambiente é, para a maioria deles, mais uma
possibilidade de ingresso no mercado de trabalho e não a única. O Gráfico 19 apresenta a
percepção dos alunos em relação às dificuldades de uma possível atuação técnica em meio
ambiente.
Gráfico 19 – Resposta dos alunos egressos à questão: Quais são as principais dificuldades que você está
enfrentando, ou acredita que poderá enfrentar, para atuar profissionalmente como técnico em meio ambiente?
Essa questão teve como objetivo identificar e analisar a percepção dos alunos em
relação às dificuldades impostas à atuação como técnico ambiental. Conforme mostra o
78
gráfico da figura 29% dos egressos destacaram que a pouca oferta de empregos para o técnico
é uma potencial dificuldade. 23% afirmaram que a concorrência é um obstáculo importante.
Essas respostas indicam que a maior parte deles acredita que a dificuldade principal para o
técnico ambiental é a inserção no mercado profissional. Para a aluna egressa A:
A concorrência pelas vagas tende a ficar maior, já que a área de meio ambiente está se
tornando cada vez mais necessária e por estar constantemente sendo abordada pela mídia, o
que faz mais pessoas se interessarem pelo assunto, aumentando assim a disputa por vagas de
emprego. (2012).
A preocupação com a inserção também é evidente em outras respostas. Para o
aluno egresso B a maior dificuldade é encontrar concursos ou vaga nesse ramo. Segundo a
aluna egressa C, as maiores dificuldades se referem à concorrência no mercado de trabalho.
Para a aluna D: “há falta de conhecimento do empresário brasileiro com relação à atuação
dos profissionais da área de meio ambiente. Hoje em dia, as vagas dessa área têm crescido,
porém ainda são em número insuficiente”. Apesar das preocupações mencionadas, alguns
indicaram a esperança de haver maior absorção de técnicos para o mercado de trabalho. Para a
aluna egressa E:
Uma das dificuldades é a não abertura de muitas vagas para nível técnico. Até mesmo em
nível de graduação a área ambiental não há muita oferta. Porém, acredito que essa onda verde
em que as empresas estão tentando se adequar [...] pode reverter esse quadro e extinguir essa
dificuldade um dia. (2012).
É provável que a onda verde a qual a aluna egressa E mencionou tenha relação
com a emergência das discussões sobre meio ambiente e sustentabilidade. No continente
europeu, o mercado consumidor tem apresentado algumas resistências a empresas
ecologicamente incorretas. De acordo com o sítio oficial do Sustainability Knowledge Center:
A União Européia já definiu em 2008 um Plano de Ação para o Consumo e Produção
Sustentável6 tendo divulgado vários estudos comparativos que fornecem alguma informação
acerca dos consumos médios do cidadão europeu, dos impactantes ambientais do nossos
consumos, das práticas dos retalhistas, entre outros. (http://skc.ibs.iscte.pt, 2012):
A pressão de um potente mercado consumidor como o da Europa pode provocar
mudanças nos padrões de produção. Isso já vem ocorrendo com relativa intensidade. Sendo
assim, ao buscar internalizar as preocupações com o meio ambiente, o sistema capitalista
poderá lançar mão de profissionais em meio ambiente. As exigências e a necessidades de
obter os selos de certificação pode aumentar a contratação daqueles, incluindo os técnicos
ambientais.
6
Este Plano propõe uma série de medidas cujo objetivo é melhorar o comportamento energético e ambiental dos
produtos ao longo de sua vida útil e fomentar a demanda e o consumo de produtos de melhor qualidade, criando
desse modo um círculo vicioso. No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente elaborou esse mesmo Plano em 2010.
79
Nessa questão, outras respostas sugeriram dificuldades na atuação em si dos
técnicos ambientais. A adequação da teoria à prática, a falta de consciência ambiental, a falta
de experiência e as possíveis ameaças ao defender causas ambientais foram as dificuldades
mencionadas. Para a aluna egressa E, além de não abrirem muitas vagas em concursos
públicos para técnico ambiental, “existe a dificuldade em trabalhar com educação ambiental
pela falta de conscientização social, além da possibilidade de sofrer ameaças devido a
interesses locais”.
Segundo o aluno egresso F, a maior dificuldade será “o receio de não saber
empregar a teoria adquirida durante o curso na realização de atividades técnicas, mas no
meu caso esse temor seria causado por esse ser o meu primeiro emprego [...]”. Apesar das
dificuldades, alguns egressos relataram ter boas expectativas em relação ao futuro. O aluno
egresso G afirma: “Acredito que, no futuro, haverá muitas vagas para técnico em Meio
Ambiente, e igualmente grande será a procura por este emprego. Assim, a maior dificuldade
[...] caso venha atuar nessa área é a concorrência e a disputa pelas vagas”. Para ele, a
disputa ocorrerá por causa do aumento da demanda por esses profissionais, o que
desencadeará maior procura pelo curso. Por fim, um aluno egresso afirmou que não pretende
atuar na área e outro afirmou não conhecer as dificuldades impostas à profissão.
Em relação à formação oferecida pelo colégio Pedro II, o depoimento do aluno
egresso G foi emblemático:
Eu confesso que houve alguns momentos durante o curso em que eu pensei que as coisas que
eu estava aprendendo eram um tanto superficiais para uma atuação profissional, mas percebi
que o curso me ensinou bem quando vi que uma prova de concurso para técnico em meio
ambiente da Petrobrás abordava vários temas discutidos em aula. (2012)
Esses foram os resultados da pesquisa realizada com 12 alunos egressos. De modo
geral, eles buscaram formações de nível superior após concluir o curso técnico e têm
encontrado dificuldades para se inserirem no mercado de trabalho.
80
6. CONCLUSÕES
Historicamente, os cursos profissionalizantes no Brasil sempre foram marcados
por características mercadológicas, voltada para o atendimento da demanda, sobretudo, do
setor industrial. Ao longo do século XX, essa modalidade de ensino foi estruturada e
operacionalizada visando incorporar as classes sociais mais pobres ao processo produtivo. O
ensino propedêutico, por sua vez, foi direcionado para as classes sociais mais abastadas.
A discussão sobre a profissionalização em meio ambiente tanto quanto todos os
debates sobre as questões ambientais são frutos de um movimento relativamente recente de
reconhecimento da problemática da natureza. Esses movimentos, em geral, nem sempre
questionam as bases e os princípios que fundamentam o sistema capitalista atual. A educação
ambiental é tida como uma “tábua de salvação” que conscientizaria, no sentido mais simplista
do termo, as pessoas sobre os problemas ecológicos. O desenvolvimento sustentável também
é um conceito que nasce com esse propósito. Com ele busca-se conciliar desenvolvimento
econômico com conservação da natureza. Porém, são inúmeras as ideologias contidas nessas
propostas, que podem influenciar e causar controvérsias na formação dos profissionais em
meio ambiente.
Atualmente, a formação de técnicos em meio ambiente no Brasil está despertando
o interesse de jovens estudantes e suas famílias. A Lei 10.410/02 criou a carreira de
especialista em meio ambiente e oferece possibilidades para o exercício profissional. Apesar
das inúmeras proposições tipicamente mercadológicas que se referem ao meio ambiente,
temos alguns referenciais teóricos e metodológicos que possibilitam fornecer uma formação
mais crítica acerca das relações de poder que se estabelecem em diversos âmbitos das relações
políticas, econômicas e sociais. Além do mais, esses referenciais, alguns dos quais
mencionados neste trabalho, também possibilita aos profissionais em meio ambiente, entre
eles o técnico de nível médio, uma visão mais abrangente sobre os limites e as potencialidades
de práticas e manejos sustentáveis do meio ambiente.
Nesta pesquisa, foi possível identificar as bases estruturais, metodológicas e
teóricas do curso técnico em meio ambiente oferecido pelo colégio Pedro II. Através da
análise documental e da entrevista realizada com a coordenadora do curso percebeu-se que o
curso segue a estrutura e as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação e da Cultura
(MEC). Também foi mostrado que a implantação do curso foi incentivada pelas recentes
políticas federais de fomento ao ensino profissionalizante. Foi, inclusive, uma das plataformas
de governo de Luís Inácio da Silva e de campanha da atual presidente Dilma Roussef.
81
A partir das entrevistas realizadas com os alunos das três séries do ensino médio,
foi possível identificar a percepção e perspectivas gerais do corpo discente em relação ao
curso. De modo geral, as respostas indicaram que houve influência significativa do mercado
de trabalho na escolha dos alunos. Quase todos acreditam que o mercado está promissor para
o técnico ambiental. Em relação à estrutura do curso, a percepção dos alunos variou bastante
para cada item do questionário. Uma das limitações mais apontadas foi o baixo número de
atividades de campo, que, na concepção dos alunos, são fundamentais para a formação. Além
disso, grande parte dos alunos afirmou desconhecer ou conhecer apenas parcialmente a Lei
10.410/02, que cria e disciplina a carreira de especialista em meio ambiente, a qual se insere o
técnico ambiental.
Outro aspecto que, na opinião dos discentes, requer atenção é a elevada carga
horária do curso que, segundo apontaram as respostas, gera uma grande concentração de aulas
semanais. Porém, cabe ressaltar que essa questão se deve muito pelo fato do ensino técnico
ser integrado ao ensino regular. O artigo 40 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB
1996) determinou que os cursos técnicos se adequassem a essa nova realidade. A carga
horária total dos alunos é de 4.720 horas e mais 200 horas de estágio, carga que é maior do
que a de muitos cursos de graduação, inclusive os dois mais almejados pelos alunos:
Engenharia Ambiental (3.600 horas) e Ciências Biológicas (3.200 horas). Pelo fato dessa
modalidade de ensino ser relativamente nova, é importante que as instituições que a oferecem
discutam possibilidades de flexibilização e busquem melhor adequação na distribuição da
carga horária.
Entre os aspectos positivos, os alunos mencionaram que conseguem perceber uma
correlação entre as disciplinas e conteúdos estudados. De modo geral, também não houve
queixa significativa em relação à qualificação do corpo docente. Além disso, as dificuldades
em relação à inserção em estágios vêm sendo minimizadas, visto que um grande número de
instituições tem estabelecido convênios com o colégio, entre elas o Instituto Estadual do
Ambiente (INEA); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essa mudança é de
grande importância, visto que a realização dos estágios é condição obrigatória para a
conclusão do curso.
Por outro lado, as respostas obtidas dos alunos egressos indicam que existe certa
dificuldade de inserção dos técnicos ambientais no mercado de trabalho. Além disso, o fato de
92% deles ter indicado estar fazendo alguma graduação aponta para o fato de que a
profissionalização em nível médio não é considerada suficiente para eles, visto que buscaram
profissionalização de nível superior. Seria necessária uma amostragem maior e mais
82
diversificada de egressos de cursos de técnico ambiental para avaliar a relevância desse curso
para a sociedade. Preliminarmente, aponto para a hipótese de que essa profissionalização
conquiste mais relevância se for oferecida também em âmbito politécnico ou tecnólogo, visto
que são formações de nível superior.
Essa hipótese pode ser justificada pelo baixo ingresso dos técnicos ambientais no
mercado de trabalho e pelo alto ingresso deles em curso de nível superior. Todavia, os dados
obtidos e analisados nesta pesquisa servem apenas a priori para introduzir e fomentar uma
investigação mais ampla a respeito dessa carreira. É de vontade deste autor a investigação
mais aprofundada, em uma pesquisa subsequente a essa, para avaliar a validade dessa
premissa.
Enfim, espera-se que os resultados desta pesquisa ofereçam subsídios que possam
contribuir para gerar reflexões e discussões entre os gestores dos cursos técnicos em meio
ambiente, sobretudo o curso oferecido pelo colégio Pedro II, objeto central deste trabalho.
83
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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86
APÊNDICE 1:
Questionário Aplicado à Coordenação do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio
Pedro II
87
QUESTIONÁRIO APLICADO À COORDENAÇÃO DO CURSO
1- Quais fatores motivaram a criação do curso técnico em meio ambiente?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
2- Quais são as bases teóricas e metodológicas que estruturam o curso?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
3- O curso foi idealizado tendo como base uma perspectiva apenas multidisciplinar ou
também interdisciplinar?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4- Existem perspectivas de inserção de outras disciplinas na grade curricular do curso?
Qual(is)?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
5- Quais são as instituições que oferecem estágios curriculares aos alunos?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
6- Quais habilitações profissionais são esperadas ao final da formação dos alunos?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
7- Quais são as perspectivas que o mercado de trabalho oferece para os alunos egressos?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
88
APÊNDICE 2
Questionário Aplicado aos Alunos das 1ª, 2ª e 3ª séries do Curso Técnico em Meio Ambiente
do Colégio Pedro II
89
QUESTIONÁRIO APLICADO AS 1ª E 2ª SÉRIES
1- Você está envolvido diretamente com alguma causa ambiental? Caso a resposta seja
afirmativa, especifique a que grupo você pertence (ONG, movimento social, sindicato,
associação de moradores, etc.)
( ) sim ____________________________________
( ) não
2- Existem pessoas em sua família envolvidas diretamente com alguma causa ambiental?
Caso a resposta seja afirmativa, especifique a que grupo ela(s) pertence(m) (ONG, movimento
social, sindicato, associação de moradores, etc.)
( ) sim _____________________________________
( ) não
3- Existem pessoas em sua família que atuam profissionalmente na área ambiental? Caso a
resposta seja afirmativa, especifique em que e onde ela(s) trabalha(m).
( ) sim ______________________________________
( ) não
4- Você percebe alguma interrelação, conexão entre os conteúdos estudados nas diferentes
disciplinas que compõem a sua grade curricular?
( ) sempre
( ) eventualmente ( ) nunca
5- No curso, você já participou de algum projeto ou trabalho que envolvia duas ou mais
disciplinas?
( ) sim ( ) não
6- Você considera as disciplinas oferecidas pelo seu curso satisfatórias para a sua formação
profissional?
( ) sim ( ) quase todas ( ) poucas ( ) nenhuma
7- Você considera a carga horária das atividades extracurriculares suficientes para a sua
formação?
( ) sim ( ) não
8- Você conhece a legislação que cria e disciplina a carreira de técnico em meio ambiente?
( ) sim
( ) parcialmente
( ) não
9- Você acredita que o mercado de trabalho está favorável para os técnicos em meio
ambiente?
( ) sim ( ) parcialmente ( ) não
10- Você pensa em fazer alguma graduação quando terminar o curso? Caso a resposta seja
afirmativa, indique o(s) curso(s) pretendido(s).
( ) sim _____________________________________
( ) não
90
QUESTIONÁRIO APLICADO À 3ª SÉRIE
1- O que motivou a sua escolha pelo curso técnico em meio ambiente?
___________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
2- Qual o significado que a natureza tem para a sua vida?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3- O que você esperava do curso técnico em meio ambiente?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4- O curso tem atendido às suas expectativas? Justifique.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
5- Quais são as principais dificuldades que você vem enfrentando em seu curso?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
6- Quais são as principais dificuldades que você acredita que irá enfrentar em sua atuação
como profissional em meio ambiente?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
7- Quais são as suas pretensões profissionais como técnico em meio ambiente?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
8- Existe(m) alguma(s) área(s) específica(s) e/ou empresa(s) em que você gostaria de atuar
como técnico em meio ambiente? Qual(is)?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
9- Como você espera contribuir para a sociedade através da sua atuação profissional?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
10- Você acredita que o profissional em meio ambiente é valorizado pelo mercado de
trabalho? Justifique.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
91
APÊNDICE 3
Questionário Aplicado aos Alunos Egressos do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio
Pedro II
92
QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS EGRESSOS DE 2010
1- Atualmente você está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente? Se a
resposta for afirmativa indique onde:
( ) NÃO
( ) SIM _________________________________________________________
2- Atualmente você está realizando algum curso de graduação, politécnico ou outros? Se a
resposta for afirmativa indique qual e onde.
( ) NÃO
(
) SIM _________________________________________________________
Responda as próximas perguntas caso esteja atuando profissionalmente como técnico
em meio ambiente:
3- Em uma escala: RUIM, REGULAR, BOM E ÓTIMO indique o quanto você acha que as
formações teórica e prática oferecidas ao longo dos três anos do curso integrado em meio
ambiente no colégio Pedro II estão contribuindo para a sua atuação profissional.
( ) RUIM
( ) REGULAR
( ) BOM
( ) ÓTIMO
4- Você pretende investir na carreira de técnico em meio ambiente ou deseja seguir outro
rumo profissional? Justifique a sua resposta.
Resposta aberta
Responda as próximas perguntas caso não esteja atuando profissionalmente como
técnico em meio ambiente:
5- Por que você não está atuando profissionalmente como técnico em meio ambiente?
( ) PERDEU O INTERESSE PELA ÁREA E NÃO QUER MAIS ATUAR NELA.
( ) ESTÁ TENDO DIFICULDADES EM ENTRAR NO MERCADO DE TRABALHO.
( ) ESTÁ DANDO PRIORIDADE A OUTRA FORMAÇÃO NO MOMENTO, MAS PODE
SER QUE UM DIA BUSQUE TRABALHAR COMO TÉCNICO.
6- Quais são as principais dificuldades que você está enfrentando, ou acredita que um dia irá
enfrentar, para atuar profissionalmente como técnico em meio ambiente?
Resposta aberta
93
ANEXO 1
Proposta do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II
94
COLÉGIO PEDRO II - UNIDADE ESCOLAR SÃO CRISTÓVÃO
CURSO TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE
CNPJ
Razão Social:
Nome Fantasia
Esfera
Administrativa
Endereço
Cidade/UF/CEP
Telefone/Fax
E-mail
Site da unidade
Área do Plano
42414284/0001-02
Colégio Pedro II
Colégio Pedro II
Federal
Campo de São Cristóvão, 177
Rio de Janeiro, RJ. CEP: 20 921-440
21. 3891 1000
[email protected]
www.cp2.g12.br
Meio Ambiente
Habilitação, qualificações e especializações:
1
Habilitação :
Técnico em Meio Ambiente
Carga Horária: 4320 horas
Estágio–Horas 200 horas
1 - Justificativa e Objetivos do Curso
1.1 - Justificativa
As modificações que o meio ambiente vem sofrendo em conseqüência da ação
antrópica, principalmente a partir da Revolução Industrial (século XIX), têm comprometido o
equilíbrio e a manutenção dos ecossistemas, com graves conseqüências e problemas
ambientais.
No Brasil as discussões sobre as questões ambientais tiveram início na década de 70,
ainda de forma bastante incipiente. Somente na década de 80, com a criação do IBAMA e do
CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) houve um impulso no Controle
Ambiental.
Na década de 90, principalmente após a realização da RIO 92 (Conferência das
Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento), a sociedade brasileira iniciou
uma nova forma de relação com as questões ambientais que se materializaram através de:
 elaboração e aprovação de leis mais rígidas;
 melhor estruturação dos órgãos responsáveis pela conscientização e fiscalização do
Meio Ambiente;
 evolução das ações de controle e recuperação ambiental;
 surgimento e desenvolvimento de tecnologias limpas;
 inúmeras atividades voltadas para a educação ambiental;
 debate sobre o desenvolvimento sustentável.
Sensível aos grandes temas nacionais, em 2001, o Colégio Pedro II deu início ao
Projeto Área Verde que tinha como meta principal à recuperação de áreas degradadas. O
Horto, situado no Complexo Educacional de São Cristóvão III, Rio de Janeiro, foi recuperado.
A partir deste momento nesse espaço teve início uma série de atividades de Iniciação
Científica envolvendo alunos dos ensinos fundamental e médio do Colégio Pedro II,
culminando na oficialização de um Projeto de Iniciação à Pesquisa Científica (IPC/CPII) para
alunos do Ensino Médio de todas as Unidades Escolares do Colégio Pedro II.
Os resultados obtidos despertaram o interesse de Instituições renomadas na área de
Meio Ambiente, o que permitiu a assinatura de convênios de Cooperação Técnica e Científica
95
com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Fundação Roberto Burle Marx, Embrapa-Solos e
Observatório Nacional. Em 2004, o Colégio Pedro II em convênio com o Observatório
Nacional montou a Sala de Aula a Céu Aberto que consiste em um anfiteatro em área não
coberta equipado com relógio de Sol, telescópio itinerante e outros equipamentos para aulas e
atividades interdisciplinares.
Ao longo de cinco anos, o Projeto Área Verde e o Horto do Colégio Pedro II
ofereceram atividades/oficinas que envolveram trabalhos interdisciplinares sobre Educação
Ambiental para manutenção e revitalização da Área Verde:
1-Técnicas de manejo de solo, água, vegetação.
2-Produção de adubo orgânico.
3-Técnicas de horticultura orgânica em pequenos espaços e utilização de seus produtos
na produção de conservas e artesanatos e outros fins não alimentícios.
4-Hidroponia - técnica de cultivo de hortaliças com materiais de baixo custo.
5-Trabalhos artísticos utilizando como matéria-prima sucatas vegetais e solo.
6-Produção de cosmética, chás e temperos desidratados.
7-Coleta e identificação de insetos do horto do Colégio Pedro II, para a construção de
uma coleção didático-científica de entomologia.
8-Levantamento histórico do desenvolvimento urbano e propostas para a
recomposição da cobertura vegetal da cidade do Rio de Janeiro.
9-Levantamento histórico sobre as espécies vegetais nativas do Rio de Janeiro,
especificamente do Bairro de São Cristóvão, na busca do resgate original da flora.
Em 2005, frente aos resultados alcançados o Projeto Área Verde concorreu ao II
Prêmio de Ciências no Ensino Médio, promovido pela Secretaria de Educação Básica do
MEC junto ao FNDE, tendo sido premiado em 1º Lugar na categoria estadual.
1.2 - Objetivos
O Ensino Médio Integrado na área de Meio Ambiente tem como objetivo geral formar
profissionais capazes de:
 Identificar os recursos naturais;
 Auxiliar na preservação de recursos naturais;
 Avaliar e controlar os fatores antrópicos de intervenção no meio ambiente que causam
impacto nos ciclos de matéria e energia.
O Curso tem como objetivos específicos:
 Desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão na área ambiental,
transformando o Colégio Pedro II em pólo regional de referência em questões
ambientais;
 Atuar nas esferas da educação, da preservação e da recuperação ambiental;
 Capacitar profissionais críticos e aptos a intervir na busca de soluções para os
problemas ambientais;
 Qualificar recursos humanos para desempenhar funções técnicas, educativas e
administrativas ligadas à área ambiental;
 Desenvolver nos alunos a capacidade empreendedora como alternativa para inserção
no mercado de trabalho;
 Preparar os alunos para o trabalho em equipe, desenvolvendo a capacidade de
liderança e o discernimento para a tomada de decisões.
2.Perfil profissional de conclusão dos egressos do curso
Espera-se de um Técnico em Meio Ambiente que apresente capacidade de solucionar
problemas à luz da legislação vigente; propor mecanismos de gestão ambientalmente
eficientes e viáveis economicamente; propor e desenvolver programas de educação e
96
conscientização ambientais adaptados à realidade sócio-ambiental em que está inserido. Este
perfil está previsto nas competências gerais da Área Profissionalizante de Meio Ambiente na
resolução 04/99 do CNE/CEB abaixo relacionadas:
 Identificar, caracterizar e correlacionar os sistemas e ecossistemas, os elementos que os
compõem e suas respectivas funções.
 Identificar e caracterizar as grandezas envolvidas nos processos naturais de conservação,
utilizando os métodos e sistemas de unidades de medida e ordens de grandeza.
 Identificar parâmetros de qualidade ambiental dos recursos naturais (solo, água e ar).
 Classificar os recursos naturais (água e solo) segundo seus usos, correlacionando as
características físicas e químicas com sua produtividade.
 Identificar as fontes e o processo de degradação natural de origem química, geológica e
biológica e as grandezas envolvidas nesses processos, utilizando métodos de medição e
análise.
 Identificar características básicas de atividades de exploração de recursos naturais
renováveis e não-renováveis que intervêm no meio ambiente.
 Identificar e caracterizar situações de risco e aplicar métodos de eliminação ou de
redução de impactos ambientais.
 Identificar e correlacionar o conjunto dos aspectos sociais, econômicos, culturais e
éticos envolvidos nas questões ambientais.
 Avaliar as causas e efeitos dos impactos ambientais globais na saúde, no ambiente e na
economia.
 Identificar os processos de intervenção antrópica sobre o meio ambiente e as
características das atividades produtivas geradoras de resíduos sólidos, efluentes líquidos e
emissões atmosféricas.
 Avaliar os efeitos ambientais causados por resíduos sólidos, poluentes atmosféricos e
efluentes líquidos, identificando as conseqüências sobre a saúde humana e sobre a
economia.
 Aplicar a legislação ambiental local, nacional e internacional.
 Identificar os procedimentos de avaliação, estudo e relatório de impacto ambiental
(AIA/EIA/RIMA).
 Interpretar resultados analíticos referentes aos padrões de qualidade do solo, ar e água,
propondo medidas mitigadoras.
 Aplicar princípios e utilizar tecnologias de prevenção e correção da poluição.
 Organizar e atuar em campanhas de mudanças, adaptações culturais e transformações de
atitudes e condutas relativas ao meio ambiente.
Construídas tais competências o profissional deverá ser capaz de:
 Realizar campanhas de monitoramento ambiental, interpretando resultados analíticos
referentes aos padrões de qualidade do solo, ar e água, propondo medidas mitigadoras;
 Elaborar e desenvolver campanhas de educação ambiental em suas diversas formas e
modelos;
 Auxiliar no desenvolvimento de atividades de vigilância sanitária;
 Auxiliar na operação de sistemas de controle da poluição em suas diversas formas;
 Avaliar o risco de danos ambientais das atividades antrópicas;
 Propor, mediante estudos específicos, formas de ação para combater os problemas
ambientais observados.
 Desenvolver valores pautados na bioética e em atitudes que reflitam uma postura
coerente diante das questões ambientais, tendo como princípio o respeito aos seres
vivos e ao meio físico;
97




Demonstrar no desenvolvimento de suas atividades profissionais a responsabilidade, o
altruísmo, a autodisciplina, flexibilidade, iniciativa e capacidade de decisão em seu
ambiente de trabalho;
Apresentar boa capacidade de comunicação, articulação e trabalho em equipe;
Apresentar iniciativa de busca do conhecimento, a curiosidade e a capacidade de
observação;
Desenvolver capacidade e vocação para a qualidade e o empreendedorismo;
Este profissional estará preparado para desenvolver as principais atividades relacionadas às
demandas ambientais geradas em áreas urbanas.
3.Organização curricular do curso
Curso Técnico em Meio Ambiente – 1ª Série
N
01
02
03
Fundamentos de Meio Ambiente
Química Ambiental
Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo
TOTAL
N
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
Carga Horária
Semanal/tempos
Disciplinas Específicas
Disciplinas de Formação Geral
4
3
3
10
Carga Horária
Semanal/tempos
Português
Educação Física
Artes
História
Geografia
Filosofia
Matemática
Biologia
Física
Química
Desenho
4
2
2
2
2
2
3
2
2
2
3
26
TOTAL
Carga
Horária
Anual/horas
160
120
120
400
Carga
Horária
Anual/horas
160
80
80
80
80
80
120
80
80
80
120
1040
Curso Técnico em Meio Ambiente – 2ª Série
N
01
02
03
04
Monitoramento Ambiental
Química Analítica
Memória e Patrimônio do Meio Ambiente
Legislação Ambiental e Normatização
TOTAL
N
01
02
03
04
05
Disciplinas
Disciplinas de Formação Geral
Português
Educação Física
História
Geografia
Sociologia
Carga Horária
Semanal/tempos
3
3
2
2
10
Carga Horária
Semanal/tempos
4
2
3
3
2
Carga
Horária
Anual/horas
120
120
80
80
400
Carga
Horária
Anual/horas
160
80
120
120
80
98
06
07
08
09
Matemática
Biologia
Física
Química
3
3
3
3
26
TOTAL
120
120
120
120
1040
Curso Técnico em Meio Ambiente – 3ª Série
N
01
02
03
04
Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres
Estudos de Impacto Ambiental
Metodologias em Educação Ambiental
Sociologia do Meio Ambiente
TOTAL
N
01
02
03
04
05
06
07
08
Carga Horária
Semanal/tempos
Disciplinas
Disciplinas de Formação Geral
3
3
2
2
10
Carga Horária
Semanal/tempos
Português
Educação Física
História
Geografia
Matemática
Biologia
Física
Química
TOTAL
5
2
3
3
4
3
3
3
26
Carga
Horária
Anual/horas
120
120
80
80
400
Carga
Horária
Anual/horas
200
80
120
120
160
120
120
120
1040
No Anexo I, as disciplinas de formação geral e as disciplinas específicas encontram-se
diagramadas em uma grade integrada.
As ementas das disciplinas específicas, atendendo à classe de ensino médio integrado,
apresentam a seguinte composição:
Disciplina: Fundamentos do Meio Ambiente
Carga horária: 160 horas
Ementa:
Fundamentos de Ecologia. Noções em Botânica e Zoologia. Microbiologia. Biossegurança.
Educação ambiental.
Disciplina: Química Ambiental
Carga horária: 80 horas
Ementa:
Elementos químicos. Funções Químicas. Soluções. Gases. Radioatividade
Disciplina: Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo
Carga horária:120 horas
Ementa:
Conceitos geográficos. Dinâmica de populações. Geografia econômica. Desenvolvimento
sustentável. Localização e deslocamento em espaços geográficos. Saúde pública.
Disciplina: Monitoramento Ambiental
Carga horária: 120 horas
Ementa:
Conservação do solo. Conservação de recursos hídricos.
Monitoramento ambiental.
Planejamento ambiental.
99
Disciplina: Química Analítica
Carga horária: 120 horas
Ementa:
Procedimentos de segurança. Equipamentos. Técnicas básicas em laboratórios. Análise
quantitativa. Análise qualitativa. Controle de qualidade.
Disciplina: Memória e Patrimônio do Meio Ambiente
Carga horária: 80 horas
Ementa:
Conceitos de memória e patrimônio. Relação homem e meio ambiente ao longo do tempo.
Processo de ocupação histórica do Rio de Janeiro.
Disciplina: Legislação Ambiental e Normatização
Carga horária: 80 horas
Ementa:
Histórico. Leis ambientais. Códigos e Resoluções. Sistema de Gestão e licenciamento
ambiental. Normas.
Disciplina: Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres
Carga Horária: 160 horas
Ementa:
Padrões de qualidade. Ciclo hidrológico. Bacias hidrográficas. Ambientes aquáticos.
Composição fisico-química e biológica do solo. Adubação. Compostagem. Hidroponia e
outras alternativas de plantio.
Disciplina: Metodologia de Projetos
Carga horária: 80 horas
Ementa:
Operações Unitárias. Estatística. Técnicas de redação. Confecção de relatórios. Normas da
ABNT. Acompanhamento e avaliação de projetos.
Disciplina: Sociologia do Meio Ambiente
Carga horária: 80 horas
Ementa:
Conceitos básicos de sociologia e antropologia. Ética e meio ambiente. Pobreza, desigualdade
social e desemprego como fator de degradação ambiental. Educação ambiental e cidadania.
As competências, habilidades e as bases tecnológicas previstas para serem
desenvolvidas nas disciplinas do Curso Técnico em Meio Ambiente são apresentadas a seguir:
4. Competências
 Caracterizar os sistemas e ecossistemas do Estado do Rio de Janeiro correlacionando e
avaliando os diversos fatores interdependentes e a estabilidade dos mesmos.
 Identificar e comparar os principais ecossistemas brasileiros.
 Classificar os recursos hídricos correlacionando as características físico-químicas com
a produtividade.
 Conhecer e correlacionar os processos de intervenção antrópica avaliando os efeitos da
poluição sobre a saúde ambiental.
 Compreender as perdas econômicas decorrentes dos riscos e impactos ambientais.
 Conhecer os princípios básicos das tecnologias de prevenção e de correção da
poluição ambiental.
5. Habilidades:
 Correlacionar os elementos componentes dos sistemas e ecossistemas.
100








Identificar mediante prática de campo, processos químicos, físicos e biológicos em
atuação nos mesmos.
Utilizar matrizes, tabelas e parâmetros para correlacionar o número de espécies e
indivíduos.
Utilizar sistemas de medida e ordem de grandeza, envolvidas nas medidas usuais para
caracterização de recursos naturais.
Conhecer fauna e flora das áreas de conservação e preservação ambiental das áreas de
risco.
Identificar e avaliar dados qualitativos e quantitativos relacionados a qualidade
ambiental segundo as Normas brasileiras.
Classificar resíduos segundo Normas da ABNT.
Tomar medidas preventivas e mitigadoras sobre os efeitos da poluição nos seres vivos.
Realizar relatório técnico-prático de minimização da poluição.
6. Bases tecnológicas:
 Ecossistemas: descrição, espécies, população, habitat e comunidade.
 Dimensionamento de populações, dinâmica e bioestatísticas das mesmas.
 Funções biológicas
 Sustentabilidade dos ecossistemas
 Ciclos biogeoquímicos
 Resíduos sólidos
 Efluentes líquidos e suas características
 Fonte de poluição fixa e móvel
 Interpretação das normas
 Fluxo migratório pela implantação da indústria
 Operações unitárias fundamentais relacionadas aos setores industriais relevantes na
região.
 Aspectos ambientais e significância dos impactos ambientais
 Minimização da poluição da água, ar e solo
 Princípio da produção mais limpa
 Técnicas de monitoramento dos poluentes
 Técnicas e análises físico-químicas e biológicas
 Tratamento de efluentes
 Propriedades de nutriente e enzimas
 Aterros sanitários
7.Organização do Estágio Curricular
O Estágio curricular é etapa obrigatória para obtenção do diploma do Técnico do Meio
ambiente. O aluno terá a oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos durante o curso
e aprimorar as experiências curriculares com bases nas vivências profissionais e habilidades
fundamentais na formação do futuro profissional. O Estágio Curricular será realizado com
orientação e supervisão adequadas, objetivando a interação aluno-meio-trabalho, conforme a
legislação em vigor e regulamentação própria. O Estágio Curricular deverá ser realizado em
órgãos públicos e privados, conveniados com o Colégio Pedro II. O aluno deverá ser
orientado por um profissional do órgão concedente do Estágio, que deverá apresentar
formação ou experiência comprovada na atividade de atuação do estagiário, e supervisionado
por um professor do curso técnico em meio ambiente, de acordo com o objeto de estudo do
relatório final.
O estágio supervisionado obrigatório compreenderá uma carga horária mínima de 200
101
horas, que poderá ser cumprido durante o curso ou num prazo máximo de um ano após a
conclusão das disciplinas previstas na matriz curricular. O aluno obterá o diploma de Técnico
em Meio Ambiente após o cumprimento da carga horária total de 1240 horas, incluindo o
estágio supervisionado.
8. Composição da Turma e Critérios de Avaliação
Para o melhor desenvolvimento das atividades de ensino-aprendizagem e da avaliação
por competência, as turmas não deverão ter um número superior ao de 36 alunos.
Os critérios de avaliação dos alunos do curso do Ensino Médio Integrado em Meio
Ambiente seguem as mesmas normas estabelecidas pelas diretrizes de ensino do Colégio
Pedro II, segundo a portaria 048/05.
9. Departamentos Envolvidos na Formação Específica
Departamento de Biologia e Ciências
Departamento de Geografia
Departamento de História
Departamento de Matemática
Departamento de Química
Departamento de Sociologia
Anexo I - Grade Curricular Integrada
Disciplinas de Formação Geral
Português
Educação Física
Artes
História
Geografia
Sociologia
Filosofia
Matemática
Biologia
Física
Química
Desenho
TOTAIS
1ª
4
2
2
2
2
2
3
2
3
2
2
26
26
Carga Horária
Total
520
240
80
320
320
80
80
400
280
360
280
160
3120
3
3
2
2
10
36
160
120
120
120
120
80
80
120
120
80
80
1200
4320
2ª
4
2
3ª
5
2
3
3
2
3
3
3
2
3
2
2
26
4
3
3
3
Disciplinas de Formação Específica
Fundamentos de Meio Ambiente
Química Ambiental
Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo
Monitoramento Ambiental
Química Analítica
Memória e Patrimônio do Meio Ambiente
Legislação Ambiental e Normatização
Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres
Estudos de Impacto Ambiental
Metodologias em Educação Ambiental
Sociologia do Meio Ambiente
TOTAIS
TOTAIS GERAIS
4
3
3
3
3
2
2
10
36
10
36
102
ANEXO 2
Ementa das Disciplinas Específicas do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Pedro II
103
Coordenação do Ensino Médio Integrado de Meio Ambiente
EMENTAS E PROGRAMAS DE DISCIPLINAS DO
ENSINO MÉDIO INTEGRADO – TÉCNICO DE MEIO AMBIENTE
Disciplinas Específicas
Fundamentos de Meio Ambiente
EMENTA
Ecossistemas. Equilíbrio e Dinâmica da Comunidade Biótica. Biodiversidade e Sistemática de
Classificação. Ciclos Biogeoquímicos. Antropismo e repercussões sobre a biosfera. Noções
de Biossegurança.
1a Série
- Teórica:
1. Ecossistemas: componentes e formação
- a Ecologia e suas áreas de estudo;
- avaliação de ambientes terrestres sob os conceitos de domínios morfoclimáticos, biomas e ecossistemas;
- fatores abióticos e bióticos;
- comunidade biótica: formação e características.
2. Equilíbrio e Dinâmica da Comunidade Biótica
- fluxos de matéria e energia / cadeias e teias tróficas;
- estudo e interpretação das pirâmides ecológicas;
- vulnerabilidades tróficas;
- interações ecológicas e adaptações;
- sucessões e eras geológicas.
3- Biodiversidade e Sistemática de Classificação
- microbiota;
- fauna;
- flora.
4- Noções dos Ciclos Biogeoquímicos
- água;
- oxigênio;
- carbono;
- nitrogênio.
5- Antropismo e repercussões sobre a biosfera
- poluição atmosférica;
- ocupação desordenada: erosão, esgotamento e contaminação do solo;
- crise da água;
- cultura: aculturação e degradação de patrimônios.
- Prática:
1. Estudo do solo: recuperação e manejo
- origem: agentes erosivos, rochas e minerais;
- tipos de solo e horizontes;
- etapas de manejo com finalidade agrícola;
- técnicas de adubação, correção e prevenção de desgaste do solo.
2. Biossegurança
3. Desenvolvimento Sustentável: descarte e reciclagem do lixo
4. Herborização e identificação de espécies
5. Técnicas de monitoramento do solo
Estudos Geoambientais e Noções de Ecoturismo
EMENTA
Conceitos geográficos. Dinâmica de populações. Geografia econômica. Desenvolvimento
sustentável. Localização e deslocamento em espaços geográficos. Saúde pública.
1a Série
104
1. O território nacional
- fronteiras marítimas e fronteiras terrestres;
- zonas de jurisdição marítima do espaço costeiro:
- importância estratégica.
2. Dinâmica dos elementos da Natureza
- a formação dos fatores abióticos da biosfera
- atmosfera;
- hidrosfera;
- litosfera;
- interdependência entre os elementos da Biosfera;
- a interferência humana na dinâmica natural da Biosfera:
- impactos ambientais da ação antrópica na Amazônia e rio São Francisco:
- desmatamento;
- projetos de irrigação;
- construção de hidrelétricas;
3. Dinâmica da litosfera
- a forma e os movimentos da Terra:
- tempo geológico;
- estrutura interna do planeta;
- teoria da dinâmica das placas tectônicas: Deriva Continental.
4. A dinâmica atmosférica
- troposfera e radiação solar;
- funções da estratosfera, mesosfera e exosfera;
- importância da radiação solar;
- zonas de alta e de baixa pressão atmosférica;
- circulação atmosférica mundial;
- deslocamento de massas de ar no Brasil ao longo do ano;
- dinâmica das massas equatoriais, tropicais e polares:
- fenômenos climáticos;
- frentes frias, quentes e de transição;
- principais conjuntos climáticos da Terra:
- influência das massas de ar dominantes, ventos, altitude e zona térmica;
- climas do Brasil:
- equatorial;
- semiárido;
- tropical;
- tropical úmido;
- subtropical;
- mudanças climáticas e as paisagens terrestres;
- impactos ambientais sobre biomas brasileiros.
5. Hidrologia
- ciclo hidrológico;
- distribuição da água sobre a superfície terrestre;
- bacias hidrográficas brasileiras:
- caracterização física e econômica;
- salinidade e temperatura;
- correntes marítimas da Terra:
- correntes quentes e correntes frias
- relação com biodiversidade e biomassa;
- influência no clima litorâneo;
- formação de desertos e áreas úmidas;
- água potável como questão geopolítica.
6. A Questão Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável
- histórico:
- revoluções industriais e revolução técnico-científica;
- a sociedade de consumo como modelo de desenvolvimento;
- o despertar da consciência ecológica:
- movimentos e conferências;
- o desenvolvimento sustentável;
- primeiras entidades de proteção ao meio ambiente;
105
- Rio-92:
- compromissos e metas;
- Rio +10 e o Protocolo de Kyoto:
- créditos de carbono;
- a rejeição dos EUA e dos países membros da OPEP;
- a política ambiental brasileira:
- os governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kutitschek;
- a ditadura militar brasileira;
- a Nova República.
7. Noções de Ecoturismo
- conceito de ecoturismo;
- reservas ambientais e ocupação;
- projetos ideológicos sobre preservação ambiental e unidades de conservação;
- pólos de ecoturismo;
- potencial ecoturístico brasileiro.
Química Ambiental
EMENTA
Poluição Hídrica. Poluição Terrestre. Poluição Aérea. Corrosão.
1a Série
1. Poluição Hídrica
- tipos de poluição;
- contaminação;
- efluentes industriais;
- indústrias poluidoras;
- toxidade de metais pesados;
- tratamento de efluentes;
- monitoramento da qualidade das águas (parâmetros químicos e biológicos )
2. Poluição Terrestre
- tipos de lixo: doméstico, industrial e hospitalar.
- lixões;
- composição do lixo urbano;
- alternativas de tratamento do lixo;
- bioquímica no aterro sanitário;
- decomposição de materiais;
- política dos 3Rs.
3. Poluição Aérea
- Protocolo de Quioto;
- atmosfera;
- ciclos biogeoquímicos: carbono, nitrogênio, fósforo e água;
- fontes de poluição do ar: natural e artificial.
- camada de ozônio;
- efeito estufa;
- percentual de contribuição dos gases para o efeito estufa;
- aquecimento global.
4.Corrosão
-Importância
-Considerações energéticas
-Tipos de corrosão
-Meios corrosivos
-Custos da corrosão
Monitoramento Ambiental
EMENTA
Conceitos fundamentais. Ferramentas. Tipos de Monitoramento. Técnicas.
2a Série
1. Introdução e conceitos fundamentais
106
- questões básicas de gestão ambiental;
- conceitos de poluição;
- conceito de qualidade ambiental, desenvolvimento sustentável e controle ambiental;
- importância do monitoramento ambiental.
2. Ferramentas de Análise Geo-ambientais
- cartografia;
- sensoriamento remoto;
- geoprocessamento.
3. Monitoramento de Resíduos Sólidos
- parâmetros bioquímicos.
4. Monitoramento de Resíduos Hídricos
- parâmetros bioquímicos;
- transporte de partículas e sedimentos;
- bacias hidrográficas;
- tratamento de efluentes;
- bioacumulação.
5.Monitoramento de Fauna e Flora
-técnicas de levantamento da flora e fauna.
6.Monitoramento de Áreas Urbanas
Química Analítica
EMENTA
Introdução à Química Analítica. Fundamentos teóricos. Detecção e análise de Cátions.
Descrição e nálise dos Ânions. Introdução à Química Analítica Quantitativa.
2a Série
1. Introdução à química analítica
- objetivos e os métodos da química analítica qualitativa;
- marcha geral de análise;
- métodos usuais.
2. Fundamentos teóricos
- unidades de concentração: grama por Litro, mol por Litro, porcentagem peso por peso, peso por volume;
- reações químicas: Reações de neutralização, oxi-redução, precipitação e complexação;
- produto iônico da água: pH; pOH; grau de ionização e força ácido/base;
- produto de solubilidade.
3. Detecção de cátions
- marcha geral de trabalho: Amostragem; solubilização de amostras; preparo das soluções;
- seletividade, especificidade, limite de detecção;
- descrição da divisão dos cátions nos diversos grupos.
4. Análise de cátions
- análise dos cátions dos grupos I a III.
5. Descrição da divisão dos ânions nos diversos grupos
- princípio da análise de ânions.
6. Análise dos ânions do grupo da prata e do grupo solúvel
- preparo da amostra, testes de eliminação e identificação.
7. Introdução à química analítica quantitativa
- métodos clássicos – gravimetria e volumetria;
- precisão; exatidão; erros.
Memória e Patrimônio do Meio Ambiente
EMENTA
Conceitos de memória e patrimônio. Relação homem e meio ambiente ao longo do tempo.
Processo de ocupação histórica do Rio de Janeiro.
2ª série
1. Noções dos conceitos da disciplina:
- Memória (coletiva e social);
- Patrimônio e Meio Ambiente;
- Ambiente Urbano;
- Conservacionismo, Costume, Cultura;
107
- Desenvolvimento Sustentável;
- Direito Ambiental;
- Ecologia , Espaço, Habitat;
- História Ambiental , História Local e Regional , História Natural, História Oral;
- Identidade , Lugar;
- Natureza , Paisagem , Paisagismo;
- Preservacionismo, Reflorestamento , Revitalização Urbana , Restauração;
- Sociedade,Tempo;
- Tombamento, Tradição;
- Urbanismo, Urbanização.
2. Panorama da ocupação histórica do espaço brasileiro
3. Espaço, tempo e natureza no Rio de Janeiro e 4. Estudos de Casos
Legislação Ambiental e Normatização
EMENTA
Direito ambiental. Legislação. Estrutura da Administração Pública para Meio Ambiente.
Política Nacional do Meio Ambiente.
3a Série
1. Princípios Gerais do Direito Ambiental.
- Direito Ambiental Internacional: Declarações, Convenções e Tratados;
- histórico das Conferências sobre Meio Ambiente;
2. O Direito Ambiental Brasileiro
- história;
- estrutura estatal: princípio da tripartição dos Poderes;
- estrutura dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário;
- hierarquia da legislação brasileira;
- competências e atribuições das instâncias do Poder Judiciário.
3. O Meio Ambiente na Constituição Federal Brasileira.
- competências e atribuições da União, Estados, DF e Municípios em Matéria Ambiental.
4. Os Estados na legislação ambiental.
- Estudo da Constituição do Estado do Rio de Janeiro;
- a organização da Secretaria de Ambiente: políticas, gerenciamento e órgãos.
5. Os Municípios: Urbanismo e Meio Ambiente.
- estudo da Lei Orgânica da Cidade do Rio de Janeiro.
6. A Política Nacional do Meio Ambiente e seus instrumentos.
- Lei 6938/81;
- zoneamento ambiental;
- estudo prévio de impactos ambientais;
- licenciamento e auditoria ambiental;
- infrações administrativas;
- financiamento – meio ambiente e desenvolvimento suntentável.
7. Reparação de danos ecológicos e meios processuais.
8. Crimes Ambientais
- Lei 9605/98
9. Legislação dos Recursos Hídricos.
- Lei 9433/97;
- Lei 24643/34.
10. Poluição e seus aspectos jurídicos.
11. Áreas de Preservação Permanente.
12. Unidades de Conservação da Natureza.
13. Legislação sobre Dano Nuclear e Rejeitos Radioativos.
- Lei 10308/01.
14. Aspectos jurídicos da Zona Costeira.
15. Patrimônio Cultural.
16. Engenharia Genética e Meio Ambiente.
- Lei 11105/05.
Manejo de Sistemas Aquáticos e Terrestres
EMENTA
Introdução. Ciclos. Sucessão Ecológica. Regiões fitogeográficas. Caracterização dos biomas.
Equilíbrio biogeocenótico. Bacias hidrográficas. Técnicas de manejos.
3a Série
108
1. Introdução ao manejo ambiental
- Definição;
- Importância.
2. Ciclos biogeoquímicos
3. Sucessão ecológica
4. Noções de regiões fitogeográficas
- deserto;
- tundra;
- taiga;
- campos e savanas;
- florestas tropicais.
5. Caracterização físico-química e biológica dos biomas brasileiros
- Amazônia;
- Mata Atlântica;
- cerrado;
- caatinga;
- Pantanal;
- campos sulinos;
- ambientes costeiros.
6. Equilíbrio biogeocenótico
- influência das flutuações das populações;
- influência dos consumidores sobre a produção primária.
7. Bacias hidrográficas
8. Técnicas de manejo florestal
- manejo de fauna;
- manejo da flora:
- manejo de produtos madeireiros e não-madeireiros;
- manejo de áreas degradadas.
9. Manejo do solo
10. Manejo de pastagem
11. Manejo de ecossistemas frágeis
12. Manutenção de ecossistemas aquáticos e seus recursos
13. Manejo de habitats marinhos e costeiros
Estudos de Impactos Ambientais
EMENTA
Definições. Problemas Ambientais. Tipos de Impactos. Licenciamento Ambiental.
3a Série
1. Definição de Impacto Ambiental
2. Os grandes problemas ambientais atuais
- efeito estufa;
- camada de ozônio;
- chuva ácida;
- ilhas de calor.
3. Tipos de impactos Ambientais: causas, conseqüências, soluções
- poluição urbana:
- crescimento de áreas impermeáveis;
- sepultamento e cremação;
- fezes, urina e outros resíduos urbanos;
- poluição sonora;
- danos ambientais decorrentes de empreendimentos imobiliários;
- poluição agrícola:
- manejo de pecuária intensiva;
- erosão;
- agrotóxicos, nitratos e pesticidas;
- poluição em florestas tropicais e demais ecossistemas:
- desmatamento;
- queimadas;
- introdução de espécies exóticas;
- garimpo, mineração e exploração de pedreiras;
109
- hidrelétricas;
- implantação de estradas;
- biopirataria;
- poluição em águas continentais:
- assoreamento;
- poluição por esgoto doméstico e industrial;
- eutrofização;
- poluição nos ambientes costeiros:
- poluição por esgoto doméstico e industrial;
- pesca;
- introdução de espécies exóticas.
4. Licenciamento Ambiental
- EIA/RIMA- Estudos de Impacto ambiental e Relatório de Impacto em Meio Ambiente;
- PCA/RCA – Plano de Controle Ambiental e Relatório de Controle Ambiental;
- PRAD – Plano de Recuperação de Áreas Degradadas instituído.
Metodologia de Projetos
EMENTA
Técnicas de redação. Confecção de relatórios. Normas da ABNT. Acompanhamento e
avaliação de projetos.
3a Série
1. Introdução à linguagem acadêmica
- Ciência, evolução, conhecimento científico:
- o que é Ciência;
- Paradigma e Método Científico;
- noção de problemas ambientais e de pesquisa ambiental;
- linguagem acadêmica como forma de leitura da realidade:
- o ato da leitura;
- o ato de escrever textos.
2. Pesquisa científica: conceito, classificação e características.
- objetivos da pesquisa;
- justificativa;
- seleção de métodos e técnicas:
- coleta de dados;
- mensuração: níveis de medida, confiabilidade e validez;
- produção e apresentação de dados quantitativos e qualitativos;
- fontes ;
- cronograma de atividades.
3. Sistematização de textos
- revisão da literatura
- resumo, resenha, relatório, artigos, fichamento
- normas de referências bibliográficas da abnt
- referências bibliográficas
- pesquisa bibliográfica
- citações
- notas de rodapé
4. Elaboração de um relatório técnico
- elementos textuais;
- introdução:
- desenvolvimento;
- conclusão;
- elementos pré textuais;
- elementos pós-textuais.
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A formação técnica em meio ambiente no Brasil