Jornal_90_FINAL.indd 1 77 COLÉGIO MANUEL BERNARDES anos Diretor: Pe. António Tavares • [email protected] • Março 2014 • N.º 90 • Ano: LXXVII (2.ª série) Fundado 6 de abril de 1938 PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL 17/03/2015 17:24:16 2 ATUAL Memórias Palavra ao Colégio ivemos na quaresma uma época que é uma ocasião providencial para a renovação pessoal e comunitária. É que este tempo especial da quaresma que nos prepara para a Páscoa, convida-nos a esquecer-nos de nós próprios e irmos ao encontro dos outros. A quaresma é um tempo favorável para correspondermos ao apelo da conversão e da mudança. A igreja propõe para este período litúrgico, o jejum, a caridade e a oração, como remédio e antídoto que prepara os corações para a partilha e a solidariedade. Por isso, o Papa Francisco, na sua mensagem quaresmal para este ano, chama-nos a atenção para a indiferença, ou seja, a atitude de acomodação e insensibilidade perante os problemas dos outros. Para não nos deixarmos vencer pela indiferença, o Santo Padre dá-nos três sugestões: rezar mais intensamente, manifestar a nossa caridade ao outro e aceitar os nossos limites para acolher os limites dos outros. D. Manuel Clemente, a quem saudamos e apresentamos as maiores felicidades como novo cardeal da igreja de Portugal, afirma na sua mensagem quaresmal que “a misericórdia é a alma da quaresma”. O nosso Colégio Manuel Bernardes celebra os seus oitenta anos e tem demonstrado ao longo deste caminho percorrido que tem rasgado como afirma o seu hino, horizontes de esperança e humanismo para todos que por cá passaram, como astro que ilumina e orienta as suas vidas. Por isso estas mensagens quaresmais só acentuam de uma forma renovada a preocupação e cuidado colocados neste colégio para a abertura ao outro e a destruição da indiferença. Devem ser para todos nós fruto de reflexão e apelo renovado de entrega e dedicação. V P. António Partilho convosco uma palavra amiga ao colégio da nossa funcionária Elvira: Tantos anos a ensinar A tantas individualidades Oitenta anos a festejar Parabéns Manuel Bernardes Pedir a Deus proteção Mesmo com dificuldades Haja sempre dedicação Ao colégio Manuel Bernardes Não quero ferir ninguém Mas a todos que passaram Quero saudá-los também Por tudo o que ensinaram Patrões e empregados Todos temos uma missão Todos juntos empenhados Trabalhando em união. E ainda aos que cá estão Continuam a seu jeito Do fundo do coração Os saúdo com respeito João de Freitas Branco S abias que João de Freitas Branco, um dos intelectuais que marcaram o séc. XX em Portugal, que está para a nossa música, assim como Fernando Pessoa está para a nossa literatura, e que foi músico, compositor e maestro de extrema importância no panorama musical, foi professor no nosso Colégio? Concluída a licenciatura em Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências de Lisboa integrou o grupo de investigação matemática dirigido pelo professor Ruy Luís Gomes. Nesta época, beneficia também da orientação de outros mestres como Aniceto Monteiro e Bento de Jesus Caraça. Quando em 1944 começou a desempenhar as funções de assistente de programas musicais na Emissora Nacional, é contratado pelo Colégio Manuel Bernardes para dar aulas de matemática. Entretanto prossegue os trabalhos de investigação matemática sob a orientação de Ruy Luís Gomes, continuando a dar aulas de matemática no Colégio. Em 1947,intensifica a sua militância política participando em ações de oposição ao regime de Salazar. No final do ano letivo deixa de exercer as funções de professor no Colégio Manuel Bernardes e nunca mais voltará a dar aulas de matemática, muito embora os alunos o tenham elegido como um dos melhores docentes do Colégio. O Largo do fundador do Colégio Manuel Bernardes P or sugestão de antigos discípulos do Padre Augusto Gomes Pinheiro e da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Manuel Bernardes, foi consagrado na toponímia de Lisboa, pelo Edital de 28/02/1984, aquele que foi o fundador do Colégio Manuel Bernardes e que o dirigiu durante mais de quarenta anos. O arruamento escolhido para fixar o nome do Padre Augusto Gomes Pinheiro foi justamente o antigo Largo da Bomba, onde se situa o edifício principal do Colégio e, que vulgarmente também era conhecido como Travessa do Paço do Lumiar, por ser transversal às Ruas Direita e Esquerda ao Paço do Lumiar. Augusto Gomes Pinheiro (Torres Novas – Carvalhal da Aroeira/19.02.1893 – 16.11.1976/Lisboa) foi um padre que fundou uma das mais antigas instituições de ensino privado de Lisboa: a Escola Manuel Bernardes (alvará n.º 201 de 6 de novembro de 1935), no Paço do Lumiar. Quando abriu, o Colégio recebeu alunos de ambos os sexos embora o internato fosse exclusivo para alunos do sexo masculino e, quando em 1941 o poder central proibiu a educação mista, o estabelecimento de ensino escolheu os rapazes como público-alvo. Como pedagogo, o Padre Pinheiro identificava-se com os ideais do Padre Manuel Bernardes e, defendia que era ao educando que cabia integrar-se na metodologia do educador e ao professor a habilidade de o saber conduzir, para além de pugnar que a formação intelectual seguia a par da formação moral, cabendo à escola a tarefa do seu desenvolvimento simultâneo e, por isso, preferia o regime de internato para uma educação integral. Na sua vida pessoal, Augusto Gomes Pinheiro ingressou no Seminário de Santarém, realizou o Curso Superior de Teologia no Seminário dos Olivais, prestou serviço militar no Forte da Ameixoeira até ao final da Primeira Guerra Mundial e foi ordenado sacerdote a 15 de Julho de 1916. Começou na Paróquia de Enxara do Bispo onde já aí criou o Colégio Frei Luís de Sousa. Depois, veio instalar-se numa moradia do Paço do Lumiar, pertença da família Pereira da Silva, da qual era administrador e, aí começou a dar aulas às crianças que viviam nas imediações, pelo que mediante a cedência do rés-do-chão do edifício fez nascer a Escola Manuel Bernardes. Com o crescimento exponencial do número de alunos, passou o Colégio para a Quinta dos Azulejos e, em 1938, arrendou a Quinta do Paço para instalar as dependências do internato tendo ainda, em 1950, adquirido a contígua Quinta de Santo António para fixar a sua residência. O Padre Augusto Gomes Pinheiro foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Instrução Pública (1945) e o Colégio Manuel Bernardes com a a Medalha de Mérito Municipal, no grau Ouro, da Câmara Municipal de Lisboa (1987). Jornal_90_FINAL.indd 2 17/03/2015 17:24:26 ATUAL Responsabilização partilhada ste ano letivo, o Colégio tomou a iniciativa de envolver a comunidade educativa – Alunos (do 3.º ciclo), Pais, Professores- numa ação de esclarecimento acerca dos comportamentos aditivos. Esta ação revelou-se proveitosa, sobretudo no domínio no esclarecimento das consequências reais que o álcool, tabaco e drogas têm na saúde (particularmente na saúde mental), nas capacidades cognitivas e nas relações com os outros. Quando se refere que a ação foi proveitosa, não se trata de uma apreciação subjetiva, pessoal, mas o resultado dos inquéritos realizados aos Alunos e a análise realizada posteriormente pela associação ABC(António De Bacelar Carrelhas). De modo sucinto, 93% dos Alunos responderam afirmativamente à pergunta “Depois desta sessão, consideras que aprendeste algo de novo?”; 99% respondeu que a ação tinha contribuído para ficarem a saber mais sobre as substâncias psicoativas e à pergunta “consideras que mudaste de opinião em relação às substâncias psicoativas”, 60 % respondeu afirmativamente e 40 % respondeu que não. Mas a incidência desta ação visava o esclarecimento sobre as consequências do consumo das mesmas. Assim, de uma forma geral, 97 % respondeu que considera que as substâncias são mais perigosas do que pensavam, 98% responderam que têm mais riscos do que estariam “informados”, 93% considera que têm mais efeitos negativos do que pressupunham e, finalmente, 96% considerou que tinham mais consequências nocivas do que era expectável. Mas foi ainda mais proveitosa porque envolveu os Pais/ Encarregados de Educação, procurando-se trazer o debate e o diálogo sobre as preocupações relativas a estes comportamentos e aflorar algumas estratégias para lidar com o problema. Resta, portanto, uma ação de fundo com os docentes. Mas esta preocupação com os estímulos externos desviantes e disruptivos não se limita às substâncias psicoativas. Há outros problemas emergentes que envolvem a realidade dos jovens estudantes, razão pela qual são objeto de análise para quem investiga o tecido social e as intricadas correlações com a Educação. O problema novo que as sociedades têm que se deparar é o da informação e das tecnologias que servem de meio de difusão dessa informação, que está ao alcance das nossas crianças. Os estudos acerca do impacto destas tecnologias (na vida dos nossos estudantes) são extremamente importantes, não apenas porque as atuais gerações de pais são confrontadas com uma situação de difícil controle, mas também porque o problema está justamente enraizado na educação/formação das crianças e na sua capacidade (individual) de resistir aos apelos e filtrar tudo o que estas plataformas de informação são capazes de proporcionar. Além de serem modos de distração, atualmente representam uma das formas mais perigosas e incisivas de violência (psicológica e, posteriormente, física) na sociedade. Veja-se o que diz Jorge Amado, investigador responsável pelo Cyberbullying em Portugal: “Estas novas formas de violência ampliam incomensuravelmente as consequências do bullying tradicional, estudadas hoje em todo o mundo, depois dos estudos pioneiros de Olweus nos anos setenta (Olweus, 1993) e da sua equipa. Nesse sentido, pode dizer-se que se trata de problemas que afetam gravemente o clima de trabalho e o ambiente educativo e de aprendizagem que deve reinar nas escolas, colocam em risco a saúde mental das crianças e dos jovens e põem em causa direitos fundamentais dos cidadãos. Apesar da grande preocupação causada pela divulgação deste fenómeno, os responsáveis políticos e educativos não possuem uma ideia da dimensão e das diversas facetas do problema e sentem-se um pouco perplexos e desorientados no momento em que urge tomar medidas preventivas.” Assim, esta plataforma de investigação da Universidade de Lisboa procura realizar um diagnóstico que, para além de procurar estabelecer um confronto entre contextos de grandes cidades e zonas de província, em que situa a sua vida escolar e familiar, está igualmente interessada em saber quais os tipos de comportamentos agressivos mais habituais (troça, chantagem, ameaça, aliciamento, etc.), quais as tecnologias mais utilizadas (correio eletrónico, mensagens por telemóvel, páginas pessoais, facebook, youtube, etc), que conhecimento possuem destes perigos e em que situações o obtiveram, que estratégias usam para os evitar. Algumas das conclusões preliminares apontam para o habitual problema da curiosidade das crianças mais jovens, do anonimato dos ofensores e da aparente liberdade que uma identidade virtual proporciona. Verdadeiramente, o enraizamento de valores como a dignidade humana, o respeito pelo Outro, a noção de limites de ação, mesmo que encobertos por um interface e pela distância, a autoestima que valoriza o indivíduo, impermeável ao poder sugestivo alheio e o acompanhamento/ controle familiar são pistas de resposta a uma situação que tende para uma dimensão fora de controlo. Aliás, o problema da privacidade/intimidade entre famílias, entre pais e filhos, continua a proporcionar a vantagem aos agressores na sua ação. A ideia de um filho, menor, ter direito à sua privacidade e, por consequência, os pais ficarem impedidos de intervir neste domínio específico, controlando a comunicação entre os pares, é um dos problemas éticos mais frequentemente testemunhados pelas escolas. Se todos temos direito ao nosso próprio espaço, é imprescindível interiorizar que, enquanto menores, as crianças necessitam que os adultos imprimam no seu espírito diretrizes comportamentais que as orientem no seu quotidiano. Mas quando estas não são suficientes, é necessário uma ação mais assertiva e interventiva, sob pena dos pais só tomarem conhecimento destas situações muito tardiamente e, como tal, dificultando gravemente uma necessária intervenção. Ainda que as crianças precisem de compreender a importância da intimidade e privacidade, ao adulto exige-se a responsabilidade, a responsabilidade de conhecer, para poder atuar ou solicitar ajuda. Embora estejamos a caminhar num território ainda algo desconhecido e cujo impacto é muito maior do que aparentemente lhe é atribuído, parece evidente que o acompanhamento, conhecimento e consciência desta realidade, associado à responsabilização partilhada entre a família, a escola e demais instituições educativas é a condição de possibilidade para encontrar uma solução para este(s) problema(s), evitando consequências mais graves para todas as vítimas. 3 Colégio Manuel Bernardes E Uma Santa Páscoa. O Diretor Pedagógico Hugo Miguel Quinta Jornal_90_FINAL.indd 3 80 Anos a servir Portugal! C omo é sabido, o Colégio Manuel Bernardes comemora, este ano, o octogésimo aniversário da sua fundação. São oitenta anos de vida de uma Instituição criada pela visão altruísta do Padre Augusto Gomes Pinheiro e alimentada e engrandecida pelo labor e dedicação cooperante de Diretores e Funcionários. São oitenta anos de vida durante os quais esta Instituição nasceu, cresceu e se consolidou, contribuindo decisivamente, como é público e notório, para a formação humana e moral e para o enriquecimento educacional e cientifico de gerações e gerações de jovens que nela acreditaram e a ela confiaram parte importante da responsabilidade da sua estruturação como homens e como cidadãos. Por isso e na sequência desta interação entre o Colégio Manuel Bernardes e os seus alunos, não só estes obtiveram, numa perspetiva pessoal, o resultado benéfico do seu processo de educação, mas também, numa perspetiva geral, foi o País enriquecido, ao ver assim aumentar o número de cidadãos capacitados para acrescentar mais qualidade e valor não só à sua vida privada como também à vida da comunidade. Neste contexto, ao longo destes anos, a ação do Colégio Manuel Bernardes, já de si tão meritória e louvável, é-o ainda tanto mais quanto ela resulta de um projeto e de um trabalho conjugados e alicerçados, - por um lado, na clarividência das suas Direções que, desde a fundação, têm sabido delinear e seguir uma estratégia de gestão conducente ao progressivo engrandecimento e reconhecimento público da ação do Colégio, tanto na vertente pedagógica como na vertente do acompanhamento moral e cívico dos seus milhares e milhares de alunos e – por outro lado, na cooperação dedicada de todos os funcionários do Colégio que, nas mais diversas funções e tarefas, têm, com lealdade e eficiência, sabido concretizar as decisões diretivas e assim contribuir, com fundamental importância, para a consecução dos superiores objetivos da Instituição. Eu, pessoalmente, honro-me de ser um desses funcionários e, perdoe-se-me a imodéstia, orgulho-me de ser um dos que, há mais tempo e com mais dedicação e empenho, assume a sua ligação profissional e afetiva a esta Casa. Na celebração destes primeiros oitentas anos de vida da nossa Instituição, uno-me, com entusiasmo ao esforço que todos, incondicionalmente não deixaremos de fazer para que o Colégio Manuel Bernardes continue na senda da solidez e do prestígio que fazem dele uma referência no País e o tornam credor do apreço de todos quantos, em qualquer função, nele e com ele conviveram. Jorge Amaro 17/03/2015 17:24:27 4 ATUAL 36 anos de Colégio Manuel Bernardes uantos mais anos vão passando, e, contrariamente ao que seria expectável, as memórias não se vão diluindo, mas antes vão-se presentificando, maioritariamente contribuindo para esse não esquecimento o facto de trabalhar no local onde estudei até aos meus 14 anos – o Colégio Manuel Bernardes. Esta duplicidade de papéis – aluna e professora – torna a minha experiência mais enriquecedora, porque os livros de ponto, os cadernos, os livros, as salas, os corredores e os empedrados, os azulejos e as árvores nunca saíram de mim… ou eu nunca saí deles. Torna-se irrelevante, dado que o fulcral é que sempre me movimentei na Escola, e cedo percebi que a Escola é a minha vida, que, no meu caso, se confunde com a vida do Colégio e com a minha vida no Colégio. Posso até dizer que nasci neste espaço – a minha mãe já aqui era educadora quando me carregava na barriga… Por isso, é sempre com ternura que falo desta Instituição: viu-me nascer e crescer. Muitas são as memórias, como disse, que trago comigo…tantas que me custa selecionar uma delas, sob pena de menosprezar as outras. Muitas aulas no antigo Real, nos antigos laboratórios, na quinta, com as suas folhas de amoreira, as balizas improvisadas, os jogos de futebol ao almoço, os recreios barulhentos com elásticos Q e meninas a saltar e meninos a trocar cromos de jogadores de futebol e a jogar ao berlinde…festas de Natal, visitas de estudo a Fátima, à Quinta do Peru, estágios de basquetebol na Serra da Estrela, treinos aos sábados, jogos. De entre as muitas fotografias que também contribuem para presentificar esses momentos da infância, tempo precioso, destaco duas que aqui partilho: a da festa de Natal em que cantámos “We all stand together”, de Paul McCartney e eu me mascarei de gato cor-de- -rosa. Vem de longe a minha paixão por gatos… A outra que não posso deixar de partilhar é a da Primeira Comunhão…lembro-me do nervosismo, dos fatos brancos, das flores brancas, de nós todos de pé e, finalmente, de ter sido chamada para ler. Talvez daí também venha a minha paixão pela leitura e pelo mundo dos livros… Muitos dos que trabalham comigo, no presente, contribuíram para a minha formação, para o meu crescimento, para a minha educação. Muitos dos que já cá não estão também. E presto homenagem a todos, sem esquecer os meus colegas daquele tempo e, agora, os meus alunos. Nasci para estar na Escola e é nela que vivo. O Colégio é, por isso, também um dos locais que fazem de mim aquilo que sou. Maria João Carvalho (antiga aluna n.º 712; atual professora de Português) Justiça C rescer é difícil. Assim como reconhecer que o estamos a fazer. E o certo é que somos um processo evolutivo contínuo, barro em movimento que é moldado e se molda. No meio de todo este processo, temos uma inesgotável e persistente tendência a ignorar aquilo que nos transforma. Olhando para trás, 15 anos passados no colégio tiveram uma imensidão de momentos que contribuíram para os caminhos que segui e que me levaram a envergar uma toga preta, destacar algum é apenas irrelevar todos os outros que, em maior ou menor grau, contribuíram para a transformação em pedra (relativamente) menos bruta. No entanto, ao escrever isto estou rodeado de códigos, doutrina e jurisprudência. Tomos pesados, que impõem uma ideia de Justiça. A ideia dos Homens do que vai sendo Justiça por estes dias... E foi a Justiça uma das melhores partes que levo dos meus anos no CMB. Não a justiçazinha óbvia do dia a dia, não a das divisõezecas pseudo-equitativas. Justiça no verdadeiro conceito, suum quique tribuere. Essa, devo-a a todos os professores que não nos “deram” notas, encorajaram-nos a que as merecessemos; aos prefeitos que não nos davam lições de moral, mas que nos condicionavam para percebermos que todos ganhávamos mais em não nos comportarmos como selvagens; ao Senhor Louro, que muitas vezes silenciosamente nos observava e raramente tinha uma intervenção visível, mas que actuava sempre que necessário com pulso de ferro; ao Sr. Ramiro que ao mesmo tempo que disciplinava era também o apoio com quem podíamos sempre contar e que tinha sempre a porta do gabinete aberta para qualquer de nós; e a todos aqueles que, não tendo nomeado especificamente, neste colégio que é a nossa alma mater, muitas vezes de formas mais ou menos subtis nos mantiveram a olhar em frente e não para o nosso umbigo, que Jornal_90_FINAL.indd 4 nos habituaram a não deixar ninguém para trás. E crescer também é isto. Sem paternalismos e sem sentimentalismos. É saber dizer obrigado. No código genético de um advogado deve estar a defesa até ao último momento daquilo que sabemos que é justo. Ao representarmos os nossos clientes estamos a contribuir para o equilíbrio: Perante o juiz, que julgará com base em tudo o que lhe é apresentado, estamos a ser intermediários de quem não pode ou não sabe defender-se, perante o Ministério Público, tentamos equilibrar a balança e evitar a acusação desproporcional ou infundada, perante os outros advogados, a defender a posição dos nossos clientes. Mas este não é um caminho fácil, e é no silêncio do escritório que tudo pesa e que passamos noites a estudar para não cometermos erros, porque, como disse Tartakower, “no xadrez, o vencedor é quem comete o penúltimo erro.”. E, no caso dos advogados, quando envergamos a toga e entramos na sala de audiências, estão nas nossas mãos os bens, a liberdade, a vida dos nossos clientes. Aos que querem ser advogados, no dia em que franqueiam as portas do colégio pela última vez enquanto alunos, espero que saibam que cresceram, que levam convosco um pouco da Luz que vos deram, e que vos cabe espalhar. Porque o mundo cá fora é escuro e vão lidar com o pior da alma Humana. Com a escória. Com todos os que a sociedade rejeita. E estes nem sempre serão os vossos clientes, podem ser também os vossos colegas. Caber-vos-à fazer a vossa parte e, o “farol astro infinito” – citação daquele hino a que não se liga nenhuma enquanto aí se está mas que passados 13 anos ainda aqui ressoa – que é o Conhecimento, é o caminho para a Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Para a Justiça. Pedro Galvão Ex-aluno 17/03/2015 17:24:27 ATUAL 5 Dia do Colégio Discurso proferido pelo Diretor Pedagógico, Dr. Hugo Quinta, no dia 19 de Fevereiro, Dia do Colégio comemoração do Dia do Colégio, que se aproxima do seu octagésimo aniversário, leva-nos a uma reflexão sobre a pertinência, a importância e adequação desta instituição no seu longo percurso e na sua contextualização social contemporânea. Estamos na presença de quem pode testemunhar, com a experiência vivida, esse caminho. Essas palavras, essa descrição tem, certamente, um impacto e uma relevância maior do que aquela que vos poderia trazer aqui hoje. Por isso, é com humildade e com a honra de fazer parte desta celebração – partilhada por todos os que aqui trabalham e passam a maior parte do seu tempo – que, mais do que uma análise ao passado, trago uma brevíssima reflexão sobre a sua importância no presente e sobre a expectativa para o futuro. Parece evidente a todos que, mais do que ser uma instituição que procura ensinar, a sua génese radica na busca da formação do alunos, na procura da convergência entre saber, saber fazer e Ser. Sem dúvida que o propósito dos seus fundadores não seria a mera transmissão de conhecimentos, o ensino per si, mas a educação: é isso que as famílias procuram no Colégio Manuel Bernardes. Vezes sem conta, nestes curtos anos, Encarregados de Educação mencionam a escolha do Colégio, não apenas pela sua qualidade educativa, mas pela sua clara e inequívoca filosofia educativa: trabalhar para e com o aluno, na perspectiva de lhe proporcionar o sucesso educativo e, posteriormente, profissional, mas igualmente no âmbito da formação pessoal: na estruturação de uma personalidade disciplinada, respeitadora do seu próximo, com propósitos definidos, com espírito de sacrifício e solidário com todos que de si necessitam. Parece ser evidente a confiança que as famílias depositam no Colégio e que, desde 1935, procurou responder. Qual a mãe ou o pai que não quer para os seus filhos a melhor formação possível, o melhor ensino possível, dando-lhe as ferramentas para, na sua vivência adulta, obter o sucesso e a estabilidade na sua profissão, para estruturar o seu trabalho com rigor e a disciplina? Nesta linha de pensamento, o trabalho de todos nós tem sido justamente nessa orientação, ou seja, de dar continuidade ao legado que nos foi deixado. Trabalho este que tem, forçosamente, uma dinâmica diferente. Não ousarei dizer que é mais difícil, pois poderia ser facilmente refutado por quem passou pelos momentos extremos e difíceis que o Colégio viveu. Direi, apropriadamente apenas, que a sociedade transformou-se profundamente durante este período. Por isso, o Colégio teve e tem igualmente que acompanhar a dinâmica dos tempos. Neste momento de extrema dificuldade em Portugal, todos devemos recordar que a saída para uma crise desta natureza é, justamente, a qualificação. Como tal, a importância e a responsabilidade de uma instituição com a experiência e com a longevidade do nosso Colégio é, forçosamente, maior. Não podemos responder ou resolver muitos problemas de âmbito social, económico e político que o país atravessa. Mas podemos e devemos ter um contributo essencial no desenvolvimento da população jovem que é e será a resposta ao futuro do nosso país. Se contribuirmos com competência académica, tornando os nossos alunos agentes de produtividade, de competência e rigor na sua vida universitária e profissional, se se promover a iniciativa qualificada e, principalmente, se desenvolvermos o espírito solidário, analítico e, muito importante, crítico de todos os alunos que recebemos, estaremos a contribuir para uma sociedade mais competitiva, mais produtiva e, ao mesmo tempo, mais humana. Insisto nesta ideia porque parece, mais do que tudo, que os fundamentos que se encontram na origem do Colégio, do Sr. Prior, do Sr Louro que lhes deu continuidade e, no fundo, de todos nós que aqui nos encontramos residem nesta intenção, nesta busca, neste caminho. Por isso e embora nos encontremos verdadeiramente numa realidade em permanente dialéctica, a verdade é que os alicerces desta instituição permanecem intactos e devem ser eles que nos orientam, como um farol, para o futuro. A Parabéns Colégio Manuel Bernardes. Tenho dito. Muito Obrigado. Jornal_90_FINAL.indd 5 17/03/2015 17:24:30 6 ATUAL Parabéns a todos nós! O Colégio faz Anos! esta edição do jornal, no lugar do habitual «espaço da Matemática», e porque a semana da Matemática está para breve e eu prefiro guardar-lhe este espaço para seu próprio destaque, fica aqui um pequeno texto de parabéns ao nosso Colégio que comemora este ano 80 anos de existência. Diz no salmo 89 que “os dias da nossa vida andam pelos setenta anos e, se robustos, por uns oitenta…”. Alegro-me por constatar que o nosso Colégio atingiu a robustez dos oitenta! Passou, certamente, por trabalhos e desilusões, fadigas e canseiras, mas também por certo que viveu muitos momentos de glória e de sucesso, momentos altos e de alegria, momentos que deixaram todos aqueles que o possuem e os que nele trabalham com motivos de orgulho por fazerem parte própria dele mesmo. A História descreve os momentos mais marcantes e fala das grandes personagens e das grandes figuras que neles actuaram. Contudo, quando estudamos as coisas mais ao pormenor, damo-nos conta das pequenas personagens, das figuras muitas vezes apelidadas de «insignificantes», mas que foram decisivas num ou noutro ponto da cena, num ou noutro detalhe do acontecimento relatado. Também neste caso, nos oitenta anos de vida do nosso Colégio, é fácil falar dos seus fundadores, dos seus administradores, de alguns professores… sobretudo aqueles que mais deixaram a sua marca ao longo de vários anos, mas é difícil muitas vezes ouvir falar dos funcionários da cozinha, da secretaria, da recepção, da limpeza… sobretudo porque não são tão vistos, tal como o seu trabalho. Damos pela falta dele se este não for feito, mas não nos lembramos que o mesmo foi executado quando assim o foi. Por exemplo: se chegássemos ao refeitório para almoçar e nos servissem a travessa vazia… meu Deus, o que é que os cozinheiros fizeram? Ou não fizeram?? Mas como almoçamos todos os dias, podemos comentar alguma coisa acerca da comida, mas não nos lembramos que alguém trabalhou para que ela chegasse ao nosso prato. Eu poderia evocar aqui muitos funcionários que, no silêncio, fazem a máquina do nosso Colégio avançar, mas os senhores da redacção estão a fazer-me sinal que as linhas disponíveis para o meu texto estão a acabar e eu terei de, em breve, terminar. Seja como for, não posso deixar de tocar em dois pontos essenciais: o primeiro é o do próprio nome do nosso Colégio: «Manuel Bernardes». Este jesuíta, de quem poucos conhecem alguma coisa, foi escolhido pelo nosso fundador por alguma razão. Nos seus escritos e nas obras que ele publicou, destaca-se a «Nova Floresta» – a qual inspirou o nome a este jornal – que é composta por cinco volumes, nos quais o padre Manuel Bernardes trata vários assuntos. No entanto, nas primeiras linhas do primeiro volume surge logo a frase “para alumiar os que erram”, como que justificando o porquê de tal obra ter sido escrita e o porquê dos ensinamentos que a mesma conterá. Ora, todos nós erramos! Todos nós estamos cativos de um problema ontológico que está impresso em cada alma, que é o pecado original. Palavrões do mundo moderno – pensará possivelmente o leitor – mas a verdade é que é missão de cada homem cristão e de cada baptizado “alumiar os que erram”. Mas tal missão toma ênfase maior e é elevada a um patamar mais sublime se falarmos daqueles que foram chamados à docência e à dificílima missão de ser «professor». Trata-se não só de alumiar os alunos nos conteúdos académicos, ensinando-lhes e mostrando-lhes a verdade das coisas, a beleza da arte, da Ciência e das Letras, mas também de os instruir e preparar para a vida, como seres humanos capazes de compreender o mundo que os rodeia e com possibilidade de discernir o bem do mal. Não se pode ser educador somente a meio gás, passando o conhecimento e deixando de lado a educação, a correcção e o exemplo. Não podemos querer ser professores apenas em contexto de aula, fazendo carne a velha expressão “faz o que eu digo, mas não o que eu faço”. Pelo menos os baptizados não o podem fazer! Nós, cristãos, não usamos este ditado, mas sim este: “faz o que eu digo, porque também eu o faço!” Assim sendo, aquilo que estava presente no espírito do fundador e gravado na alma do nosso Colégio é precisamente isto: a nossa missão de ensinar passa por trazer a Luz aos nossos alunos, para que esta neles se manifeste multiformemente, como somente a Deus compete regular. No entanto, é um dever grave a todo o Cristão recordar-se do tesouro que lhe foi confiado por Cristo: “Vós sois o sal da Terra (…) Vós sois a luz do mundo”. É isto que está intrínseco no hino do nosso Colégio, quando este afirma “Um farol, astro infinito, guiando as gentes na terra”. O segundo e último ponto de reflexão neste texto é acerca do nosso projecto educativo. O nosso Colégio faz 80 anos e tem a marca que tem na história da educação em Portugal porque se manteve fiel ao espírito do seu fundador e ao projecto educativo que propôs aos seus alunos. É um dever e uma obrigação defender, cumprir e fazer cumprir esse mesmo projecto, pois não há Colégio Manuel Bernardes fora dele! Quem quiser mudar o projecto, pode fazê-lo… e assim teremos outro Colégio. Eventualmente até se pode mudar o nome! A criatividade é infinita, mas sejamos coerentes! Somos o que somos porque temos identidade! O que falta hoje à nossa sociedade é, precisamente, «identidade». É saber quem somos, de onde vimos e para onde vimos. É saber qual o nosso lugar na sociedade e no mundo. Nós, Colégio, se chegámos até aqui foi porque, mesmo em terríveis tormentas, mantivemos a nossa identidade. Não deitemos fora aquilo que foi e ainda é a fonte do nosso sucesso. A todos aqueles que, ao longo dos últimos 80 anos, fizeram com que hoje pudéssemos estar a fazer estas comemorações, os meus sinceros parabéns. No fundo, Parabéns a todos nós! Parabéns, Colégio Manuel Bernardes! N – O colégio faz anos! O “nosso” colégio faz anos, 80…é muito!!! – Eu quero que o colégio tenha uma boa festa de anos, com um bolo de chocolate. Não pode ter “saquinhos” porque não é uma pessoa! – Mas eu queria que ele tivesse uma prenda. Assim começa a conversa quando se coloca a questão: – Sabem quem faz anos hoje? – resposta pronta: – O colégio faz anos e é quase no dia de Carnaval! É verdade, o Colégio Manuel Bernardes está de parabéns e as crianças da turma A da Pré Escola não quiseram deixar passar esta data em claro. Afinal o colégio é o local onde passam a maior parte dos seus dias, onde têm os seus amigos, é o espaço que os acolhe e os mima, que lhes proporciona experiências novas, vivências divertidas, que acompanha o seu desabrochar para o mundo. É assim há 80 anos. Daí o enfâse com que participam no palratório: – O meu pai andou cá e a minha tia também. – Até o meu avô! – E o meu avô foi professor de música cá no colégio, quando a minha mãe era bebé! – A minha mãe disse que dantes não havia o ginásio novo. – E os meninos dormiam cá, não iam para casa deles. Dantes… Lembrar o colégio de antigamente, comparar o passado com o presente, não é um mero exercício de memória ou de nostalgia. É uma atitude afectiva que nos ajuda a sentir a alma e o pulsar de um estabelecimento de ensino, através dos caminhos das inevitáveis transformações e adaptações à evolução dos tempos, das mentalidades e das necessidades, dos alunos e dos pais. Em grupo, num diálogo de palavras simples e descontraídas, inerente à idade, segue a troca de opiniões: – O colégio é muito bonito e eu fico muito feliz por estar cá. – Adoro as brincadeiras que faço no colégio. – Eu gosto muito do colégio. Gosto de tudo, de estar cá, de brincar, de ter música e de ter ginástica e de trabalhar na sala. – Eu já disse à minha mãe que o colégio é muito bonito e que eu adoro o colégio e gosto muito de aprender coisas novas. – Eu gosto muito de estar aqui, muito, muito, muito… – Gosto dos meus amigos do colégio e gosto de jogar à bola com eles no campo de futebol. – O que eu gosto mais é de fazer experiências e pinturas e trabalhos na sala e brincar no recreio das casinhas. Muito mais do que um local de passagem, o colégio será sempre uma marca indissipável na vida das crianças que por ele passam, que com ele crescem. Amanhã será recordado com ternura, carinho e gratidão, hoje falam dele com entusiasmo e paixão: – É o melhor colégio do mundo, de todos os planetas. – Gosto muito deste colégio e não quero sair de cá. – É o colégio da minha irmã e o meu. Eu gosto muito, muito. Assim, gigante (abre os braços com veemência)! Adoro! Para estas crianças o Colégio Manuel Bernardes será sempre, orgulhosamente, “o nosso” colégio. Um espaço onde se sentem felizes, onde a sua educação se constrói com base em alicerces de apreço pela sua identidade e exemplos de partilha, respeito, perdão, solidariedade, honestidade, tolerância, generosidade, determinação, perseverança, criatividade… – No colégio eu posso fazer muitas coisas e brinco ao que eu gosto mais. Às vezes sou a mãe, mas às vezes deixo as outras meninas serem mãe, porque elas também gostam. – Em casa a mãe não gosta que eu suje as coisas com tintas, mas no colégio posso fazer pinturas e quando brinco depois arrumo tudo. – Quando alguns meninos não conseguem fazer as coisas eu ajudo e gosto de trocar cromos com os amigos. – Quando eu não consigo fazer os trabalhos, tento muitas vezes. O colégio que se deita tranquilo e satisfeito, ao final de cada dia, sobre o seu passado é o mesmo que se ergue revigorado e empolgado em cada manhã, graças a estas crianças, para um futuro que queremos longo e auspicioso: – Adoro o colégio e espero que tenha um bom aniversário e que ele seja ainda mais velhinho. – Quero que o colégio seja muito feliz! – Fizemos os nossos nomes num desenho para oferecer ao colégio. Nota: Os diálogos foram criados pelas 23 crianças da turma A da Pré Escola Ana Fernandes (Educadora da turma A) Prof. Emanuel Oliveira Jornal_90_FINAL.indd 6 17/03/2015 17:24:34 ATUAL 7 De Pai para Filho ara além de muitas informações contidas nos genes que passamos aos nossos filhos, existem outras coisas que vamos passando e não nos damos conta facilmente. Outras tentamos passar por achar que serão boas para eles. É o caso de um filho meu ser hoje aluno do CMB, muitos anos depois de eu ter frequentado o Colégio. Foi uma decisão tomada em harmonia entre os pais e com o apoio fulcral dos avós, todos desejando a melhor educação para ele. Nesta decisão, creio que contou bastante o facto de a minha experiência como antigo aluno ter sido muito positiva e importante, na formação como Ser Humano, bem como o Colégio continuar a ser uma referência do ensino nacional. Acredito que essa minha boa experiência de formação para a vida, de certa maneira, também pode continuar a ter este meu filho. Entrei no CMB após o 25 de Abril de 1974, para frequentar o antigo 5.º ano, como aluno interno, passando depois a aluno semi-interno, no 6.º ano, e acabando como externo, no 7.º ano. Quando cheguei ao Colégio, era um adolescente com algumas notas negativas do ano anterior. Um pouco em desespero de causa, tinha perguntado à minha mãe se podia matricular-me como aluno interno, por sentir que precisava de alguma reclusão para trabalhar em paz, procurar melhorar o meu estudo e obter bons resultados. Felizmente acedeu ao meu pedido. Na altura, confesso, vinha desanimado com a vida e comigo próprio, mas o Colégio revelou-se tranquilo e bem organizado, como eu desejava e precisava. Hoje ainda recordo, com alegria e saudade, o nosso ilustre Diretor, Dr. Louro (o Pe. Pinheiro já estava muito doente quando entrei), o nosso magnífico Secretário-geral, Dr. Mendonça (um amigo de porta sempre aberta para todos), os colegas, os professores, os chefes de disciplina, os vigilantes e outros funcionários. Lembro-me que as camaratas ficavam na Quinta do Paço (hoje são salas de aula), onde existia um vestiário (hoje um refeitório), e uma horta (hoje um recreio) de onde saíam alfaces para a nossa mesa, na qual morava um burro e uma carroça. A água era aquecida numa caldeira a lenha, que ardia durante a noite, para de manhã podermos tomar um duche rápido, seguindo depois para a oração na Capela e o pequeno-almoço. Foi durante essa minha curta presença de 3 anos que, pela primeira vez, entraram alunas no Colégio, através do então chamado ensino misto. Um avanço para a época, que hoje pouco ou nada diz aos alunos, de tão natural que é. E ainda havia as reguadas para acalmar ânimos exaltados e desrespeitosos, hoje uma prática fora de uso. Percebíamos que as coisas estavam a ficar negras para o nosso lado quando ouvíamos o Diretor dizer uma frase “meus amigos, parece-me que isto já lá não vai com punhos de renda”. O certo é que passei de negativas a Bom e Muito Bom, fiz grandes amigos para a vida e saí do Colégio com o sentimento de que o melhor de mim tinha voltado a ganhar chama. Muitas histórias ficam por contar, pois tive uma vivência e uma perspectiva do Colégio que não são comparáveis às dos alunos de hoje, em que a dinâmica é muito maior na relação entre pais, alunos e a estrutura escolar. A noção de tempo/espaço alterou-se e, com ela, mudou a proximidade e a atuação dos que fazem parte da vida do Colégio. Por exemplo, atualmente há mais reuniões, existe uma Associação de Pais, as atividades disponíveis para os alunos aumentaram, o espaço para desporto é incomparavelmente maior (na altura, para jogar à bola, tínhamos um campo pelado!) e as crianças vão com mais facilidade a casa uns dos outros, seja a festas de anos ou apenas brincar. O essencial é que o Colégio continua a saber avivar a chama dos seus alunos, ajudando a encontrar o melhor que cada um tem dentro de si. Facto atestado pela boa evolução do meu filho, pois, para além do apoio da sua família e do que os genes ajudam, o Colégio tem sido para ele, como foi comigo, um excelente integrador na vida com os outros, no respeito pelas suas diferenças. É certo que o mundo mudou e o CMB também, mas os seus valores mantiveram-se ativos. Reconheço-os nos que hoje aqui trabalham, nas pessoas com responsabilidade pelo boa condução do Colégio, como o Dr. Mendonça, que é referência viva para mim. Assim continuem, por muitos e bons anos. E que o meu filho venha a sentir o mesmo, quando sair. P Francisco Cunha Rêgo Ex-aluno Quadradinho da Saúde A educação de um Cirurgião para ser O Colégio comemora 80 anos. 80 anos de altos e baixos, maiores e menores sucessos. Neste contexto, pediram-me para escrever sobre a importância do Colégio na minha situação actual ou, melhor, o que é que o Colégio me deu para chegar onde estou? Esta pergunta remete-me para uma mesa. A essa mesa estão sentadas pessoas. Essas pessoas jantam um belo jantar, cada um tendo pedido o que mais lhe apetecia no momento (ah! Já disse que estávamos num restaurante?). Pizza com ovo, bife com pasta, Calzone… De repente, o Nuno pega no telemóvel e mostra uma foto da ecografia do seu filho ainda por nascer. Todo embevecido, não está à espera do comentário do Pedro: “Sim, sim. Isso é tudo muito giro mas não penses que é por seres pai que te safas de pagar a conta! É a tua vez!”. O Eduardo, como quem diz mata e quer esfolar: “Sim, sim! Eu já paguei daquela vez que fomos comemorar a apresentação da minha tese!”. “Era o mínimo que podias fazer depois de nos teres feito passar por aqueles 90 minutos de sofrimento…” respondi logo eu, com uma palmada nas costas. “Por falar nisso, David, quando voltas cá? Essa coisa de passares a vida em França a trabalhar e passares férias noutro lado que não Portugal não dá com nada…”. “Vocês é que me podiam ir visitar! Há 7 anos que estou lá e nunca combinámos nada fora de Portugal…”. E foi isto que o Colégio me deu e que eu não esqueço. Mais do que a disciplina, sentido de dever e capacidade de trabalho, foram os amigos para a vida! Eles que me animam quando o mundo me testa ao limite. E com quem comemoro quando algum anuncia que acabou a tese. Com quem choro quando um familiar nos deixa. E por quem fico feliz de ver bradar em plenos pulmões que vai ser pai. É este o sentido da vida. Tenho a agradecer ao Colégio por nos ter juntado e, talvez por um acaso, talvez porque tinha de ser, nos ter feito amigos. Simplesmente amigos. Obrigado Colégio! Nota: Como já deves ter reparado eu não aderi ao novo acordo ortográfico. Escrevo hoje como aprendi a escrever no Colégio, não assim há tanto tempo. Miguel Fróis Borges Ex-aluno CMB n.º 1025/107 Médico Interno de Cirurgia Geral do Hospital Garcia de Orta Assistente Convidado de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa [email protected] Jornal_90_FINAL.indd 7 Fez-se poesia no 4.º B! É no colégio que se aprende Para um dia ser alguém O Colégio Manuel Bernardes Ensina a praticar o bem. Vera Carvalho Violas, flautas e melodia Compõem canções de fantasia Elogiam o nosso C. M. B. Que há 80 anos nos traz alegria. Madalena Eloy Santos Com muito trabalho e dedicação Ensinou todos os que aqui passaram Que mais importante que a sabedoria São os valores que daqui levaram. Francisco Branco Há 80 anos atrás O colégio aqui nasceu O nosso futuro melhor faz Alegria sempre nos deu. Vasco Santos 17/03/2015 17:24:36 8 FESTA DE NATAL Festa de natal – 1.º Ciclo Fotoreportagem: Eliseus Jornal_90_FINAL.indd 8 17/03/2015 17:24:37 ATUAL 9 Ação solidária oi neste Natal de 2014 que a turma do 8.º B se interessou em desenvolver uma acção solidária destinada às crianças mais necessitadas. No início pareceu-nos uma ideia muito longínqua que não iria passar disso mesmo, apenas uma ideia, mas aos poucos e poucos tudo começou a ganhar forma. A primeira pessoa a quem apresentámos a nossa ideia foi ao nosso professor de EMRC. Explicámos-lhe que tencionávamos pedir brinquedos, roupas, mantas e outras coisas ao maior número de turmas possível, que gostávamos de os embrulhar, agrupá-los e de seguida levá-los a várias instituições de apoio a crianças que desejassem estas coisas pelo Natal. O professor apoiou a nossa iniciativa e aconselhou-nos a apresentar mos a ideia à nossa Directora de Turma. E assim fizemos, apresentámos o nosso projecto à professora Liliana Carvalho, que nos incentivou neste projecto do início ao fim, de tal forma que sem a sua ajuda não teria sido possível. E foi a partir deste momento que nos começámos a organizar. Contactámos 6 instituições de apoio a crianças: a Unicef, a Associação Portuguesa de Apoio á Criança (APAV), a Abraço, a Ajuda de Berço, a Aldeias SOS e a Associação Vida e Paz. Todas se mostraram dispostas a apoiar a nossa iniciativa e a receber os nossos presentes. Depois disto, escrevemos uma carta á Direcção do Colégio a informar do nosso projecto e a pedir para podermos divulgar a mensagem às restantes turmas. Também a Direcção se mostrou positiva em relação ao projecto e, após a sua confirmação, pudemos pedir às restantes turmas ajuda nesta iniciativa. Deste projecto fizeram parte as Turmas do 2.º e 3.º Ciclos e também as do Secundário. Todas merecem o nosso agradecimento pois foi devido a todas que conseguimos ter tanto sucesso nesta iniciativa. Até ao dia 12 de Dezembro recebemos brinquedos e roupas de todas essas turmas, que agrupámos e guardámos. Depois, na tarde de sexta-feira do dia 12, a turma do 8.ºB contou com a participação de professores e alunos do secundário que nos ajudaram a embrulhar todos os brinquedos e roupas que tínhamos guardado. Também estes alunos e professores merecem um agradecimento especial por nos terem ajudado nesta fase do projecto onde foi tão útil a sua contribuição. Esta foi uma tarde trabalhosa, cansativa, muito divertida e acima de tudo uma tarde memorável onde sabíamos que tudo aquilo era para uma boa causa e onde conseguimos mostrar a nossa união e o nosso trabalho enquanto turma. Foi já com os presentes embrulhados que fomos em grupos de alunos levá-los às instituições. E foi nesta altura que soubemos que tudo isto valera a pena, soubemos que eram as nossas coisas, o nosso trabalho e a nossa iniciativa que estava em cada embrulho daqueles. É nesta altura que se sente orgulho por ter dado um Natal melhor a algumas crianças e que é algo muito recompensador, é mais uma experiencia louvável que o Colégio nos deixou proporcionar e que por isso fez também o nosso Natal melhor. F Inês Moreira, 1201 – 8.ºB Uma presença de Ontem... Uma presença de Hoje... O nosso querido Colégio faz oitenta anos! Entrevista ao Sr. José E como gostamos de participar nestas datas fizemos desenhos de “cantinhos” lindos que aqui temos, e que já fazem parte da vida da turma… conversámos com pessoas que trabalham cá há muitos anos, fizemos quadras… e entrevistas. – Obrigada por todos trabalhos que tem realizado para a nossa turma ao longo destes quatro anos. Agora gostaríamos de lhe fazer umas perguntas para o conhecermos um pouco melhor. Turma – Onde é que nasceu? Sr José – Nasci em Lisboa. Turma – Qual era a profissão dos seus pais? Sr José – O meu pai era eletricista e a minha mãe doméstica. Turma – O que desejava ser em pequeno? Sr José – Gostava de ter seguido a profissão do meu pai. Turma – Acha o seu trabalho difícil? Sr José – Não, realizo as tarefas com facilidade. Turma – Qual é a altura do ano que tem mais trabalho? Sr José – Em geral é quando há festas como o Natal, Expo Bernardes e Arraial. Turma – Trabalha desde que idade e há quantos anos está no colégio? Sr José – Comecei a trabalhar com 11 anos. No colégio já estou há 30 anos. Turma – Foi sempre esta a sua profissão? Sr José – Trabalhei alguns anos como tipografo. Turma – Como se sente no seu dia a dia de trabalho? Sr José – Sinto-me feliz. Turma – Como fica ao ver os seus trabalhos (árvores, prateleiras, janelas e outros), virarem “obras de arte” na Expo Bernardes? Sr José – Fico muito orgulhoso de ver os trabalhos que os meninos realizam a partir da estrutura que me pedem para fazer. Sinto-me muito feliz por me sentir útil. Turma – Muito obrigada por partilhar connosco um pouco da sua vida e pela prontidão e simpatia com que sempre nos ajudou a fazer coisas bonitas! 4.º Ano – Turma B Jornal_90_FINAL.indd 9 Entrevista à sra D. Luísa Pinheiro. Turma – Quantos anos trabalhou no colégio? E há quantos anos está reformada? D. Luísa – Trabalhei no colégio durante 26 anos e estou reformada há 12 anos. Turma – Como se sente por ter ajudado a “crescer” tantos meninos e meninas? D. Luísa – Foi muito gratificante ver o desenvolvimento e crescimento de tantos meninos e meninas que acompanhei ao longo dos anos de trabalho no colégio. Turma – Quando era pequena o que desejava ser quando fosse crescida? D. Luísa – Gostava de ter sido enfermeira. Turma – Como eram as festas no colégio? D. Luísa – As festas no colégio eram muito bonitas. Vinham muitas pessoas de fora, convidadas para as ocasiões, sendo a festa do Dia do Colégio a mais bonita de todas. No entanto, as festas de Natal, a Primeira Comunhão, que era celebrada no colégio, assim como a Comunhão Solene e o Crisma eram igualmente festas muito elegantes. Turma – Muito obrigada pela colaboração. Um grande beijinho da professora e dos alunos do 4.º ano B que lhe desejam muita saúde, paz e alegria. 4.º Ano – Turma B 17/03/2015 17:25:05 10 NOTÍCIAS A justiça o dia 30 de janeiro, a minha mãe, que é juíza foi falar com os meninos do 4.º D sobre a justiça. Começou por nos explicar os trajes dos juízes e dos advogados que usam nos julgamentos. Assim como o motivo por que são diferentes, dizendo-nos ainda que os juízes usam Beca e os advogados Toga. A minha mãe vestiu a Beca para podermos ver. Depois explicou a Divisão dos poderes, referindo o filósofo Montesquieu, dizendo o que são os poderes Legislativo, Executivo e Judicial. O Legislativo é a Assembleia que faz as leis, o Executivo ou seja o Governo, executa as leis e o Poder Judicial são os Tribunais, que fazem cumprir a lei. Foi-nos dito que por vezes há países com leis injustas, e que existe uma Declaração Universal dos Direitos do Homem e também da Criança. Também falámos sobre a igualdade, a liberdade e a importância da mesma. A minha mãe deu-nos umas fotocópias de imagens onde existiam várias pessoas a agir contra a lei e pediu-nos para identificar as coisas erradas. Toda a turma fez imensas perguntas sobre o que era crime, as prisões e como funcionavam os julgamentos. N Uma tarde com Miguel Sousa Tavares e «O Segredo do Rio» Leonor Marques 4.º Ano D Visita de Estudo ao Planetário oje, dia 9 de janeiro de 2015, a minha turma (o 4.º D), e as outras turmas do quarto ano realizaram uma visita de estudo ao Planetário (que se situa em Belém). No início da visita, um senhor muito simpático falou connosco e perguntou-nos se algum de nós já tinha ido lá (ao planetário). Depois a magia começou! Apareceram muitas estrelas no céu (depois de termos soprado para as nuvens saírem lá de cima, da imagem). São as tecnologias. De seguida, o senhor começou a falar sobre as estrelas que eram astros com luz própria, que eram pequenos sóis, etc. Então, continuando, depois apareceram as constelações que tinham a forma de a ursa maior, a ursa menor, o carneiro, o touro, o escorpião, a harpa, o leão, etc. De seguida fizemos uma espécie de viagem. Fomos à Lua, a Júpiter e a Saturno. Adiante, voltámos à Terra, também conhecida como Planeta Azul porque a parte dos mares e oceanos é maior do que a de terra. Ou seja, é mesmo muito grande! Eu adorei a visita de estudo ao Planetário!” H Corta-mato CMB o dia 13 de janeiro de 2015 (terça-feira), participei no Corta-mato do C.M.B. Fiquei em primeiro lugar e claro que estou muito orgulhosa! Vou contar-vos o meu truque: primeiro têm de ter alguém a motivar-vos. A minha turma fez cartazes e teve sempre a gritar por mim o que me deu mais motivação! Quando estava quase a desistir, ouvi o meu nome e foi como se as minhas pernas se tivessem levantado como por magia! E eu só pensava: “Tu consegues, Mariana! Tu consegues!”! Adorei este dia! N Mariana Fernandes N.º1913 4.º B U ma tarde com Miguel Sousa Tavares e «O Segredo do Rio» Quisemos partilhar o nosso segredo com o escritor Miguel Sousa Tavares e fomos muito bem sucedidos. Deliciados com o seu «Conto», por cada um dos seus capítulos, cheios de vontade de lerem, conhecerem novos lugares, as crianças foram levadas a outra realidade na “simples cauda de um peixinho, na pele de um menino, até ao outro lado, até à outra margem”, transportados pela leitura e para a leitura, conduzidos sabiamente pelo escritor que os cativou de uma forma sublime e deveras inspiradora deixando a razão da sua presença impressa em cada menino e menina cujo os olhos brilhavam de alegria, de deslumbre, de felicidade, agarrando «O Segredo do Rio» com as suas mãozinhas, abraçando-o e encostando-o contra o seu peito, onde por vários momentos, parecia apenas ouvir-se o bater dos seus pequenos corações embalados pela voz, na hora de o ouvirem, no momento de o verem. A sua presença, única, elevou as nossas crianças à importância que todas elas merecem, o respeito de quem dá os primeiros passos nesta grandiosa aventura do ler, do escrever… “simplesmente belo e grandioso” como só o nosso querido escritor o sabe fazer. «O Rio» tinha um segredo, as nossas crianças descobriram-no e vão descobrindo, a importância, a magia de abrir um livro, mudar de página, a leitura aliada ao sonho ou à realidade… e partilhámo-lo. Deleitamo-nos com a sua presença, o aconchego das suas palavras. Uma tarde, simplesmente bem passada, um pedacinho de magia para cada criança, uma vitória ganha, a felicidade de conhecer e descobrir que o “melhor de tudo é ler” e que “ler é o melhor que há!” Agradeço a todos aqueles que tornaram este momento possível. CMB BASKET Professora Eloísa Almeida Apurado para os REGIONAIS de Desporto Escolar e 3x3 FPB CMB BASKET - Campeão Lisboa Central e Oriental LOVFX Iniciados feminino , apurado para Regional Desporto Escolar -em 23 de Maio (Setúbal) Missão cumprida: Resultados – Meias Finais – CMB-Forte da Casa 54-2; Final – CMB-Alves Redol 65-17 Parece fácil, mas o trabalho anterior é que é meritório e por vezes difícil conciliar a disponi-bilidade de todas as alunas/atletas da equipa. Claro que agora a dificuldade tende a aumentar. Agora vamos entrar na fase mais importante e decisiva da época desportiva ...se gostas mesmo disto, demonstra o teu empenho...desculpas esfarrapadas não serão aceites! Jornal_90_FINAL.indd 10 1.º lugar Lisboa 3x3 FPB – sempre a bombar! Apurados para o Regional na Seomara Costa Primo, Amadora a 22 Abril (4.ª f) – as 3 equipas CMB – 1.º lugar infantis; 1. º e 2.º lugar no escalão de Iniciados Principezinho N o dia 20 de janeiro, eu e as turmas do 4.º ano fomos ver o teatro “O Principezinho” que é no Politeama. O ator Principezinho é da minha escola e chama-se João Coelho. Nós saímos do Colégio Manuel Bernardes às 10 horas. Quando chegamos ao teatro “O Principezinho”, eu fiquei muito ansioso para ver quem eram as personagens, como é que o Principezinho viajava com a sua amiga raposa e as coisas amorosas que ele (O Principezinho) dizia sobre a sua rosa. Quando o teatro começou o Principezinho viajava por muitos asteróides. Primeiro passou pelo asteróide do rei, do bêbado, do vaidoso, etc. Até que chegou à Terra, onde encontrou uma serpente que mordeu o braço do Principezinho. Quando o teatro acabou fomos para o autocarro e seguimos a nossa viagem até chegarmos ao Colégio. Pedro Romeiro 4.º Ano Teuma D 17/03/2015 17:25:07 FESTA DE NATAL 11 Festa de natal – Pré-escola Fotoreportagem: Eliseus Jornal_90_FINAL.indd 11 17/03/2015 17:25:08 Propriedade e Administração: COLÉGIO MANUEL BERNARDES Morada: Qta. dos Azulejos – Lg. Padre Augusto Gomes Pinheiro, 44 – Paço do Lumiar 1600-549 Lisboa Telefone: 217 570 501 • Fax: 217 572 311 • email: [email protected] • site: cmb.pt Direção/Redação: Pe. António Tavares – Jorge Amaro Design: Quiná • Paginação e impressão: Gráfica 99, Lda • Dep. Legal: 19238 JUDO: desde 1993 Um cinto preto é um cinto branco que não desistiu. Jornal_90_FINAL.indd 12 17/03/2015 17:25:26