CBA - CERTIFICATE IN BUSINESS ADMINISTRATION TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO EMERSON CHINAGLIA PLANO DE NEGÓCIOS OPERACIONAL PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS AUTOSSUSTENTÁVEL São Paulo 2013 Emerson Chinaglia PLANO DE NEGÓCIOS OPERACIONAL PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS AUTOSSUSTENTÁVEL TCC apresentado ao curso CBA como requisito parcial para a obtenção do Grau de Especialista em Gestão de Negócios do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. Orientador: Prof. Adalto Barbaceia Gonçalves São Paulo 2013 Agradecimentos À minha esposa Josiane e ao meu filho Bruno por terem me apoiado durante todo o curso, onde suportaram a minha ausência em muitos momentos. Ao professor Adalto Barbaceia Gonçalves pela orientação, ensinamentos e pelas dicas avançadas, que certamente enriqueceram o conteúdo deste trabalho. Resumo CHINAGLIA, Emerson. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPINOFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS AUTOSSUSTENTÁVEL. São Paulo, 2013. 74p. TCC – Certificate in Business Administration. Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. Este trabalho de conclusão de curso – elaboração de um plano de negócios - tem como objetivo descrever o melhor cenário para transformar uma área de Pesquisa e Desenvolvimento de uma empresa pequena (small cap) em uma unidade de negócios autossustentável. A área de negócios abordada neste trabalho refere-se à área de tecnologia sem fio embarcada, que é bem retratada através do mercado M2M (machine-to-machine) e seus segmentos. Palavras-chave: M2M. Unidade Terminal Remota. Telemetria. Fluxo de Caixa Descontado. Financiamento. Sumário 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 8 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................................................... 9 2.1. PROCESSO EMPREENDEDOR ................................................................................................... 9 2.1.1. IDENTIFICANDO UMA OPORTUNIDADE ........................................................................ 10 2.1.2. PLANO DE NEGÓCIOS OPERACIONAL ............................................................................ 10 2.1.3. PLANO DE NEGÓCIO EFICIENTE ..................................................................................... 11 2.2. ESTRATÉGIA COMPETITIVA ................................................................................................... 12 2.2.1. FORÇA-1: AMEAÇA DE ENTRADA (ENTRADAS POTENCIAIS) ......................................... 13 2.2.1.1. Fonte-1: ECONOMIA DE ESCALA ............................................................................... 13 2.2.1.2. Fonte-2: DIFERENCIAÇÃO DO PRODUTO .................................................................. 14 2.2.1.3. Fonte-3: NECESSIDADE DE CAPITAL .......................................................................... 14 2.2.1.4. Fonte-4: CUSTOS DE MUDANÇA ............................................................................... 14 2.2.1.5. Fonte-5: ACESSO AOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ..................................................... 15 2.2.1.6. Fonte-6: DESVANTAGENS DE CUSTO (EXPERIÊNCIA) INDEPENDENTES DE ESCALA . 15 2.2.1.7. Fonte-7: POLÍTICA GOVERNAMENTAL ...................................................................... 15 2.2.2. FORÇA-2: PRESSÃO DOS PRODUTOS SUBSTITUTOS...................................................... 16 2.2.3. FORÇA-3: PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS COMPRADORES ............................................ 16 2.2.4. FORÇA-4: PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS FORNECEDORES ............................................ 17 2.2.5. FORÇA-5: RIVALIDADE ENTRE OS CONCORRENTES EXISTENTES................................... 17 2.3. ESTRATÉGIA DE MARKETING ................................................................................................. 19 2.3.1. ANÁLISE SWOT .............................................................................................................. 19 2.3.2. MERCADO E COMPETIDORES ........................................................................................ 20 2.3.3. PRODUTOS E SERVIÇOS ................................................................................................. 20 2.3.3.1. CICLO DE VIDA DO PRODUTO (CVP) .......................................................................... 21 2.3.3.2. A ESTRATÉGIA EM UMA INDÚSTRIA COMPETITIVA .................................................. 22 2.3.3.3. ESTRATÉGIAS DE PENETRAÇÃO DE MERCADO.......................................................... 23 2.4. PLANEJAMENTO FINANCEIRO ............................................................................................... 24 2.4.1. ASPECTOS GERAIS ......................................................................................................... 24 2.4.2. CUSTO DE CAPITAL ........................................................................................................ 24 2.4.3. CUSTO DO CAPITAL PRÓPRIO (CAPM)........................................................................... 24 2.4.3.1. CÁLCULO DO BETA (β) ............................................................................................... 25 2.4.4. CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL (WACC) ........................................................ 26 2.4.5. REGRAS DE ACEITAÇÃO DO EMPREENDIMENTO .......................................................... 27 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 3. 2.4.5.1. VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL) .............................................................................. 27 2.4.5.2. TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) ............................................................................ 27 2.4.5.3. PAYBACK E PAYBACK DESCONTADO ......................................................................... 28 DESCRIÇÃO DA EMPRESA .............................................................................................................. 28 3.1. NATUREZA DO NEGÓCIO ....................................................................................................... 28 3.2. MISSÃO E VISÃO .................................................................................................................... 29 3.3. OBJETIVOS ESTRATÉGICOS .................................................................................................... 30 3.4. BREVE HISTÓRICO DA EMPRESA ........................................................................................... 30 3.5. VANTAGENS COMPETITIVAS ................................................................................................. 31 3.6. RESPONSABILIDADE SOCIAL .................................................................................................. 31 3.7. PRODUTOS E SERVIÇOS ATUAIS ............................................................................................ 31 3.7.1. 4. PRODUTOS E SERVIÇOS NOVOS .................................................................................... 35 3.8. CLIENTES ................................................................................................................................ 35 3.9. FORNECEDORES .................................................................................................................... 36 3.10. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL ......................................................................................... 36 3.11. FATURAMENTO ................................................................................................................. 38 ANÁLISE DE CENÁRIO .................................................................................................................... 39 4.1. MICRO AMBIENTE ................................................................................................................. 39 4.1.1. MERCADO ...................................................................................................................... 39 4.1.2. CONCORRENTES ............................................................................................................ 42 4.1.2.1. 4.1.3. 4.2. MATRIZ DE AVALIAÇÃO DE VALOR ............................................................................ 44 PÚBLICO-ALVO .............................................................................................................. 45 MACRO AMBIENTE OU ANÁLISE EXTERNA (ANÁLISE PEST) .................................................. 46 4.2.1. ECONOMIA .................................................................................................................... 46 4.2.2. POLÍTICO-LEGAL ............................................................................................................ 47 4.2.3. SÓCIO-CULTURAL .......................................................................................................... 47 4.2.4. TECNOLOGIA ................................................................................................................. 48 4.2.5. FORÇAS DE PORTER ....................................................................................................... 48 4.2.5.1. INTENSIDADE DA RIVALIDADE INTERNA ................................................................... 50 4.2.5.2. AMEAÇA DE NOVOS ENTRANTES .............................................................................. 51 4.2.5.3. PRESSÕES DE PRODUTOS SUBSTITUTOS ................................................................... 52 4.2.5.4. PODER DE BARGANHA DOS FORNECEDORES............................................................ 53 4.2.5.5. PODER DE BARGANHA DOS COMPRADORES ............................................................ 54 4.3. ANÁLISE SWOT ...................................................................................................................... 55 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 5. PLANO DE IMPLANTAÇÃO ............................................................................................................. 57 5.1. MACRO-CRONOGRAMA ........................................................................................................ 57 5.2. ESTRATÉGIA DE PARCERIAS ................................................................................................... 58 5.3. RISCOS E RESPOSTAS ............................................................................................................. 58 6. ANÁLISE DO INVESTIMENTO ......................................................................................................... 58 6.1. DEMONSTRATIVO DE FLUXO DE CAIXA................................................................................. 58 6.1.1. 6.2. CÁLCULO DO CUSTO DO CAPITAL PRÓPRIO (Ks ou Ke) – CAPM ................................... 61 PREMISSAS DO NOVO PROJETO: ........................................................................................... 67 6.2.1. VALOR PRESENTE LÍQUÍDO............................................................................................ 69 6.2.2. TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) ................................................................................ 70 6.2.3. PAYBACK DESCONTADO ................................................................................................ 70 6.3. INDICADORES FINANCEIROS ................................................................................................. 71 6.4. ANÁLISE DO PONTO DE EQUILÍBRIO ..................................................................................... 71 7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................................................... 72 7.1. DESENHO DA ESTRATÉGIA .................................................................................................... 72 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................... 73 9. ANEXOS ......................................................................................................................................... 74 10. GLOSSÁRIO ................................................................................................................................ 74 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 8 1. INTRODUÇÃO O que é M2M? De acordo com o website da empresa Numerex (http://www.numerex.com/globalm2m-portuguese) o termo M2M pode ser definido: pela capacidade de um dispositivo eletrônico (ex., sensor, medidor, etc.) em capturar um “evento” (ex., temperatura, nível de estoque, localização, etc.), que é transmitido através de uma rede (ex., wireless, com cabos ou híbrida) para um aplicativo (programa de software), traduzindo este evento capturado em uma informação significativa (por exemplo: a máquina de venda está vazia, o nível do tanque está baixo , etc.). Isto é uma tecnologia penetrante e que invade todos os tipos de recintos de nossas vidas diárias. A figura a seguir ilustra com clareza as etapas de um processo de captura de dados via uma solução M2M. Figura 1: Componentes de uma Solução M2M Fonte: V2 Telecom Aquisição: Integração física e lógica com as máquinas para coleta de informações; Comunicação: Gestão das redes de comunicação e do processamento das transações para transporte das informações coletadas; Ação: Disponibilização visual da informação e adição de inteligência de análise de dados ao processo A Wirelex Telecom atua com pouca representatividade no segmento de Serviços Públicos do mercado M2M, fornecendo soluções em sistemas de telemetria que englobam desenvolvimento de software, desenvolvimento de hardware e integração de sistemas de gestão técnica. A Wirelex Telecom começou a atuação no mercado M2M em meados de 2001 através da proximidade da empresa com uma grande concessionária de Telefonia PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 9 Celular. Como era muito reconhecida fornecendo serviços relacionados à sistemas celulares - infraestrutura, implantação, planejamento e otimização de redes – aceitou o desafio de desenvolver um sistema inédito para a época, que tinha por finalidade telecomandar equipamentos de proteção de rede de distribuição de energia elétrica, também chamados de Religadores Automáticos. Como não criou uma estrutura organizacional mínima para atender à crescente demanda do mercado M2M, o negócio não evoluiu conforme o desejo da alta direção da empresa. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. PROCESSO EMPREENDEDOR Segundo Dornelas (2008), um processo empreendedor pode ser entendido conforme a sequência de quatro fases, adaptada por HISRICH (1998): Fase-1: “Identificar e avaliar a oportunidade”. Nesta fase o empreendedor deve ter em mente o tipo de negócio que deseja criar, avaliar os riscos e os retornos da oportunidade e, principalmente, identificar a situação dos competidores estabelecidos no mercado que deseja atuar. Fase-2: “Desenvolver o plano de negócios”. Deve ser detalhado o conceito do negócio, o mercado e seus competidores, a estrutura necessária para operacionalizar o novo negócio, a estratégia de marketing e vendas que será abordada e a execução de um plano financeiro, que irá refletir em número tudo o que foi planejado em relação às receitas e custos do negócio. Fase-3: “Determinar e captar os recursos necessários”. Com o acesso, cada vez mais frequente, às fontes diversificadas de recursos financeiros (próprios, investidores, agências de fomento, etc) torna-se indispensável a busca pela melhor taxa de retorno do investimento, pois isso influenciará diretamente (positivamente ou não) no fluxo de caixa do projeto. Fase-4: “Gerenciar a empresa criada”. Muitas vezes esta fase é negligenciada pela maioria dos empreendedores, mas é a que necessita de maior atenção. Problemas PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 10 operacionais são comuns em qualquer empresa, principalmente para as mais novas, mas alguns fatores podem ajudar a minimizá-los, por exemplo: compor uma equipe multidisciplinar competente e experiente e elaborar um plano de ações rápido e eficiente. Tudo isso requer planejamento. Segundo TIMMONS (1994), “o planejamento, por meio de um plano de negócios é a ferramenta do empreendedor com a qual a equipe avalia oportunidades, identifica, busca e aloca recursos necessários ao negócio, planeja as ações a serem tomadas, implementa e gerencia o novo negócio”. 2.1.1. IDENTIFICANDO UMA OPORTUNIDADE Dornelas (2008, p. 37) afirma que: É importante que o empreendedor teste sua ideia ou conceito de negócio junto a clientes em potencial, empreendedores mais experientes (conselheiros), amigos próximos, antes que a paixão pela ideia cegue sua visão analítica de negócios. Por isso, o que conta não é ser o primeiro a pensar uma ideia revolucionária, mas sim o primeiro a identificar uma necessidade de mercado e saber como atendê-la, antes que outros o façam. Uma oportunidade deve ser algo que possa ser transformada em algo viável e factível, atendendo a um mercado pouco ou mal explorado. Neste aspecto deve-se evitar desenvolver um produto ou serviço “customizável” para cada cliente, ou seja, é preferível ter um produto ou serviço simples (e pronto) que atenda à maioria dos clientes de um mercado mal explorado. 2.1.2. PLANO DE NEGÓCIOS OPERACIONAL Dornelas (2008, p.96) descreve que: Plano de Negócios Operacional: é muito importante para ser utilizado internamente na empresa pelos diretores, gerentes e funcionários. É excelente para alinhar os esforços internos em direção aos objetivos estratégicos da organização. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 11 Uma das maneiras mais eficientes de “vender o peixe” ou um novo negócio, atingindo os principais interlocutores ou beneficiários da organização, é preparar um bom elevator speech, que pode ser desenvolvido em 6 (seis) passos: Passo-1: Oportunidade do negócio. Descubra qual oportunidade que o negócio irá focar, descrevendo os fatores motivadores para seu início e em quanto tempo levará para ser implantado. Passo-2: Atividades chave. Determine as atividades chave que a equipe irá desempenhar, definindo o tempo de execução de cada atividade e quando serão concluídas, enfatizando o resultado que será obtido. Passo-3: Beneficiários. Deve estar claro no plano de negócios os principais beneficiários com sua implantação (clientes, sócios ou funcionários) e quando esses benefícios serão obtidos. Passo-4: Recursos necessários. Nesta etapa definem-se os custos e as fontes do projeto (recursos próprios ou de terceiros), qual o perfil dos integrantes do projeto e as pessoas chave do desenvolvimento do negócio. Novos profissionais com habilidades extraordinárias (recursos adicionais) devem ser incorporados ao grupo nesta fase do projeto. Passo-5: Apoio. O novo negócio deve ter apoiadores, preferencialmente a alta direção da empresa. Como são os principais beneficiários darão o suporte necessário para sua implantação, evitando oposições de outros grupos ou interlocutores. Passo-6: Riscos. Os riscos inerentes ao novo negócio devem ser mapeados e gerenciados através de um plano de ação eficiente. 2.1.3. PLANO DE NEGÓCIO EFICIENTE Segundo Dornelas (2008), a principal seção de um plano de negócios é o sumário executivo, que expressa a síntese do que será apresentado, despertando no leitor (público-alvo) o interesse pela leitura do plano. Para isso, devem-se explorar os assuntos mais interessantes a este público, por exemplo, retorno financeiro ou posicionamento estratégico no mercado. Para auxiliar na elaboração de um sumário executivo, 6 (seis) perguntas objetivas devem ser respondidas pelo empreendedor, que são: PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 12 O quê? Neste tópico devem-se explorar os objetivos do plano de negócios, as informações da empresa (o que ela faz e quais são seus produtos e serviços), enfatizando como ela pode prover um benefício ao seu cliente. Onde? Descreve-se onde a empresa está localizada, qual o mercado de atuação e quem são os seus clientes. Por quê? Expõe-se uma justificativa clara sobre a necessidade do dinheiro requisitado. Como? Descreve-se de que forma será utilizado o dinheiro na sua empresa (no novo negócio). É importante ressaltar também a saúde financeira da empresa, descrevendo o crescimento nos últimos 3 anos. Quanto? Qual o valor do investimento necessário para o plano apresentado e qual será o retorno sobre o capital investido. Quando? Neste item descreve-se quando o negócio foi criado, a partir de que momento será necessário o capital e quando será iniciado o pagamento do empréstimo (caso o capital seja de terceiros). 2.2. ESTRATÉGIA COMPETITIVA Segundo PORTER, Michael – Estratégia Competitiva, 2004, o que determina o potencial de lucro final na indústria é um conjunto de 5 forças competitivas, que é medido em termos de retorno a longo prazo sobre o capital investido. A meta da Estratégia Competitiva é definida como a rentabilidade de uma indústria, onde os concorrentes estabelecidos agem no intuito de diminuir sua taxa de retorno sobre o capital investido. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 13 Figura 2: Forças que dirigem a concorrência na indústria Fonte: PORTER, M. E. 1947 2.2.1. FORÇA-1: AMEAÇA DE ENTRADA (ENTRADAS POTENCIAIS) Segundo Porter (2004, p.7): Novas empresas que entram para uma indústria trazem nova capacidade, o desejo de ganhar uma parcela do mercado e frequentemente recursos substanciais. Como resultado, os preços podem cair ou os custos dos participantes podem ser inflacionados, reduzindo, assim, a rentabilidade. Novos entrantes no mercado enfrentam barreiras de entrada, que podem ser classificadas como: 2.2.1.1. FONTE-1: ECONOMIA DE ESCALA Porter (2004, p.7) descreve que: Economias de escala referem-se aos declínios dos custos unitários de um produto (ou operação ou função que entra na produção de um produto), à medida que o volume absoluto por período aumenta. Economias de escala detêm a entrada forçando a empresa entrante PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 14 a ingressar em larga escala e arriscar-se a uma forte reação das empresas existentes ou a ingressar em pequena escala e sujeitar-se a uma desvantagem de custo: duas opções indesejáveis. 2.2.1.2. FONTE-2: DIFERENCIAÇÃO DO PRODUTO Para Porter (2004, p.9) diferenciação do produto significa que: as empresas estabelecidas têm sua marca identificada e desenvolvem um sentimento de lealdade em seus clientes, que foram atingidos a partir do esforço passado pela publicidade, do serviço ao consumidor, das diferenças do produto, ou simplesmente por terem entrado primeiro na indústria. Indústrias que entram primeiro num novo negócio (first movers) criam vantagens de diferenciação difíceis de ser alcançadas. Neste caso a indústria ENTRANTE tem que investir pesado para quebrar esse elo com a indústria existente, podendo gerar enormes prejuízos iniciais. 2.2.1.3. FONTE-3: NECESSIDADE DE CAPITAL De acordo com Porter (2004), além do capital necessário para construir a planta produtiva, também são necessários gastos vultosos com publicidade e propaganda, pesquisa e desenvolvimento, crédito ao consumidor e capital de giro suficientes para operar com prejuízos iniciais. Neste caso as empresas estabelecidas forçam as ENTRANTES a entrarem numa operação de alto risco devido à necessidade de elevados recursos de capital. 2.2.1.4. FONTE-4: CUSTOS DE MUDANÇA Porter (2004) afirma que os custos de mudança são aqueles percebidos por um comprador quando se vê obrigado a mudar de fornecedor. Isto pode ser notado em indústrias onde existe a necessidade de criar procedimentos específicos para operar, por exemplo, um determinado produto, máquina ou processo de um fornecedor já existente, causando resistência por parte do corpo técnico no caso de ser necessário criar novos procedimentos sempre que um novo fornecedor for substituído. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 15 2.2.1.5. FONTE-5: ACESSO AOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Porter (2004, p.11) afirma que “uma barreira de entrada pode ser criada pela necessidade de a nova entrante assegurar a distribuição para seu produto” e “quanto mais limitados os canais no atacado e no varejo para um produto e quanto maior o controle dos concorrentes existentes sobre eles, obviamente mais difícil será a entrada na indústria.” Exemplo: entrada da rede de lojas Magazine Luiza na cidade de São Paulo. Isso só pode ser concretizado após a aquisição da cadeia de lojas COLOMBO, onde a entrante teve a oportunidade de adquirir seus canais de distribuição para a entrada no varejo da cidade. 2.2.1.6. FONTE-6: DESVANTAGENS DE CUSTO (EXPERIÊNCIA) INDEPENDENTES DE ESCALA Porter (2004, p.11) afirma que “as empresas estabelecidas podem ter vantagens de custos impossíveis de serem igualadas pelas entrantes potenciais, qualquer que seja o seu tamanho e as economias de escala obtidas” quando: O produto ou a tecnologia é patenteada; Tem acesso favorável às matérias-primas; Adquiriram localizações favoráveis; Conseguiram subsídios oficiais (governo); Adquiriram experiência (curva de aprendizado) nos processos de produção que proporcionaram reduções significativas nos custos unitários dos produtos. 2.2.1.7. FONTE-7: POLÍTICA GOVERNAMENTAL Segundo Porter (2004, p.14) O governo pode limitar ou mesmo impedir a entrada em indústrias com controles como licenças de funcionamento e limites ao acesso a matérias-primas. Restrições governamentais mais sutis podem derivar de controles tais como padrões de poluição do ar e da água e índices de segurança e de eficiência do produto. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 16 Esses controles, Segundo Porter (2004, p.14), “podem impor tempos de espera substanciais, o que não só aumenta o custo de capital da entrada como também dá às empresas estabelecidas notícia ampla da entrada iminente e, às vezes, pleno conhecimento do produto do novo concorrente com o qual podem formular estratégias de retaliação.” 2.2.2. FORÇA-2: PRESSÃO DOS PRODUTOS SUBSTITUTOS A pressão dos produtos substitutos é conquistada por meio de pesquisa e desenvolvimento. Porter (2004, p.24) afirma que “quanto mais atrativa a alternativa de preço-desempenho oferecida pelos produtos substitutos, mais firme será a pressão sobre os lucros da indústria.” Segundo Porter (2004, p.25), os produtos substitutos que exigem maior atenção são ”aqueles que estão sujeitos a tendências de melhoramentos do seu trade-off de preço-desempenho com o produto da indústria ou são produzidos por indústrias com lucros altos.” 2.2.3. FORÇA-3: PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS COMPRADORES Porter (2004, p.26) descreve que: os compradores competem com a indústria forçando os preços para baixo, barganhando por melhor qualidade ou mais serviços e jogando os concorrentes uns contra os outros – tudo à custa da rentabilidade da indústria. Um grupo comprador é poderoso se as seguintes circunstâncias forem verdadeiras: - Ele está concentrado ou adquire grandes volumes em relação às vendas do vendedor; - Os produtos que ele adquire da indústria representam uma fração significativa de seus próprios custos ou compras; - Os produtos que ele compra da indústria são padronizados ou não diferenciados; - Ele enfrenta poucos custos de mudança; - Ele consegue lucros baixos; - Compradores que são uma ameaça concreta de integração para trás; - O produto da indústria não é importante para a qualidade dos produtos ou serviços do comprador; - O comprador tem total informação (sobre demanda, preços reais de mercado e custos dos fornecedores). PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 17 2.2.4. FORÇA-4: PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS FORNECEDORES Resulta numa ameaça de elevar preços e reduzir a qualidade dos bens e serviços. Segundo Porter (2004, p29), “fornecedores poderosos podem consequentemente sugar a rentabilidade de uma indústria incapaz de repassar os aumentos de custos em seus próprios preços.” PORTER (2004) afirma que um fornecedor é poderoso se: - É dominado por poucas companhias e é mais concentrado do que a indústria para o qual vende; Não está obrigado a lutar com outros produtos substitutos na venda para a indústria; O poder de fornecedores poderosos pode ser posto em xeque se concorrerem com produtos substitutos; A indústria não é um cliente importante para o grupo fornecedor; O produto dos fornecedores é um insumo importante para o negócio do comprador; Os produtos do grupo de fornecedores são diferenciados ou o grupo desenvolveu custos de mudança; O grupo de fornecedores é uma ameaça concreta de integração para frente. POSICIONAMENTO Para Porter (2004, p.32) “o conhecimento das capacidades da companhia e das causas das forças competitivas colocará em destaque as áreas em que a companhia deve enfrentar a concorrência e aquelas em que deve evitá-la.” Estrategicamente a empresa deve se posicionar em relação aos produtos substitutos da indústria, saber quais são as barreiras de entrada e conhecer a estrutura dos concorrentes establecidos para competir com rivalidade. Para Porter (2004, p.32) o equilíbrio de forças é, em parte, resultado de fatores externos e, em parte, está dentro do controle da companhia. A análise estrutural pode ser usada para identificar os fatores básicos que orientam a concorrência na indústria em questão e, portanto, os pontos em que a ação estratégica para influenciar o equilíbrio produzirá o maior retorno. 2.2.5. FORÇA-5: RIVALIDADE ENTRE OS CONCORRENTES EXISTENTES PORTER (2004) afirma que a rivalidade pode ser definida pela disputa por posição com o uso de táticas como: concorrência de preços, batalhas de publicidade, introdução de produtos e aumento dos serviços ao cliente. “A rivalidade ocorre PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 18 porque um ou mais concorrentes sentem-se pressionados ou percebem a oportunidade de melhorar sua posição” (PORTER, 2004, p.18). A rivalidade, segundo Porter (2004, p. 18), é “conseqüência da interação de vários fatores estruturais”: “Concorrentes numerosos ou bem equilibrados”; “Crescimento lento da indústria”; “Custos fixos ou de armazenamento altos”; “Ausência de diferenciação ou custos de mudança”; “Capacidade aumentada em grandes incrementos”; “Concorrentes divergentes”; “Grandes interesses estratégicos”; “Barreiras de saída elevadas.” As principais fontes de barreiras de saída são (PORTER, 2004, p.21): “Ativos especializados”; “Custos fixos de saída” (exemplo: custo do passivo trabalhista); “Inter-relações estratégicas” (imagem, marketing, acesso ao mercado financeiro); “Barreiras emocionais”; “Restrições de ordem governamental e social”. Porter (2004, p.31) afirma que “uma vez diagnosticadas as forças que afetam a concorrência em uma indústria (e suas causas básicas), a empresa está em condições de identificar seus pontos fortes e fracos em relação à industria”. BARREIRAS DE SAÍDA E DE ENTRADA Porter (2004, p.24) afirma que “Embora as barreiras de saída e de entrada sejam conceitualmente distintas, seu nível de junção é um aspecto importante da análise de uma indústria”. As barreiras de entrada e saída frequentemente se relacionam conforme as seguintes combinações: PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 19 Barreiras de entrada BAIXAS x Barreiras de saída BAIXAS. Como os retornos estáveis são baixos, os lucros da indústria tornam-se desestimulantes. Barreiras de entrada ALTAS x Barreiras de saída BAIXAS. Como as barreiras de entrada são elevadas (geralmente por necessidade de altos investimentos), diminuem a quantidade de empresas entrantes e as que apresentarem insucesso, deixarão a indústria. Barreiras de entrada BAIXAS x Barreiras de saída ALTAS. Retornos arriscados baixos. Neste caso, a entrada é fácil (atraída por oscilações das condições econômicas), porém a capacidade não sairá da indústria quando os resultados se deteriorarem (PORTER, 2004). Barreiras de entrada ALTAS x Barreiras de saída ALTAS. “O potencial de lucro é alto mas, em geral, acompanhado de maior risco. Embora a entrada seja detida, as empresas mal-sucedidas permanecerão e lutarão dentro da indústria” (PORTER, 2004, p.24). 2.3. ESTRATÉGIA DE MARKETING 2.3.1. ANÁLISE SWOT ANDREWS, Kenneth (1971) popularizou a ideia de que uma boa estratégia consiste na avaliação da posição competitiva de uma empresa no mercado sob dois ambientes: externo (Threats e Opportunities) e interno (Strengths e Weaknesses). No ambiente externo são analisados os fatores do ambiente da indústria e do macroambiente - que afeta de maneira homogênea todas as organizações de uma mesma área geográfica ou que atuam num mesmo mercado. O ambiente externo está fora do controle das organizações, porém é possível monitorá-lo procurando aproveitar as Opportunities (oportunidades) de maneira mais ágil e eficiente e evitar as Threats (ameaças) enquanto for possível. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 20 Já no ambiente interno é importante identificar as Strenghts e Weaknesses (Forças e Fraquezas) para os aspectos relacionados diretamente com os fatores críticos de sucesso da organização, o que diferencia uma empresa perante seus concorrentes. 2.3.2. MERCADO E COMPETIDORES Dornelas (2008, p.130) afirma que uma das etapas mais importantes de um plano de negócios é a análise de mercado. Nesta etapa são analisados os principais concorrentes do mercado, o alcance dos seus canais de distribuição, os tipos de produtos e serviços oferecidos, o potencial dos compradores e a política de preços dos concorrentes. Depois de feita uma análise macro do setor, deve-se proceder a uma análise particular do segmento de mercado. “Quando se define um segmento de mercado, está-se definindo o grupo de pessoas (ou empresas) com características similares, necessidades e desejos comuns, e que serão o foco de vendas da empresa” (DORNELAS, 2008, p.133). No caso de mercado B2B (Business-to-Business), algumas perguntas podem auxiliar na definição do segmento de mercado: 1. Qual o perfil do comprador? Por exemplo: este comprador é técnico e pressionado por preços? 2. O que ele está comprando atualmente? Modem, unidades terminais remotas ou rádios? 3. Por que está comprando? Para reduzir custos operacionais? 4. Quais fatores influenciam sua compra? Preço e disponibilidade? 5. Quando, como e periodicidade que é feita a compra? Exemplo: a compra é feita no início do ano fiscal, através de leilão eletrônico com periodicidade anual? As respostas a essas questões ajudam o empreendedor a mapear o segmento de mercado que a empresa pretende atingir. 2.3.3. PRODUTOS E SERVIÇOS Descrever as características dos seus produtos e serviços é importante para diferenciar sob quais aspectos eles se diferenciam dos produtos e serviços dos seus PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 21 concorrentes. No caso de um fabricante ou atacadista deve-se detalhar a cadeia produtiva desde o recebimento dos insumos até a finalização do produto, descrevendo as características das matérias-primas, os seus custos e se há a possibilidade de escassez em determinada época do ano. Mapear esse processo e definir um plano de ações rápido (no caso de um problema de fornecimento ocorrer) pode diminuir o impacto que uma falha na cadeia produtiva pode causar no fluxo de caixa da empresa. 2.3.3.1. CICLO DE VIDA DO PRODUTO (CVP) Slack, N. et al. (1996) consideram que: Uma forma de generalizar o comportamento de clientes e concorrentes é associá-los ao ciclo de vida dos produtos da empresa. A partir do momento em que é introduzido até o ponto em que os clientes não estão mais interessados em comprá-lo, um produto passa por quatro etapas distintas, que são a introdução, o crescimento, a maturidade e o declínio. Em cada etapa, a empresa experimenta desafios diferentes, tanto na venda quanto na produção do produto. KOTLER (2000, p.326) utiliza o conceito de que a curva do CVP é dividida em quatro etapas ou estágios: 1. Introdução: um período de baixo crescimento em vendas, uma vez que o produto está sendo introduzido no mercado. Não há lucros nesse estágio, devido às pesadas despesas com a introdução do produto. 2. Crescimento: um período de rápida aceitação do mercado e melhoria substancial dos lucros. 3. Maturidade: um período de baixa no crescimento de vendas. Isso porque o produto já conquistou a aceitação da maioria dos compradores potenciais. Os lucros se estabilizam ou declinam, devido à competição acirrada. 4. Declínio: o período em que as vendas mostram uma queda vertiginosa e os lucros desaparecem. Kotler (2000, p.326) afirma que quatro consequências derivam do ciclo de vida dos produtos. Elas estipulam que: 1. Os produtos têm vida limitada; 2. As vendas dos produtos passam por quatro estágios distintos, cada um incorporando diferentes desafios ao produtor; 3. Os lucros aumentam e diminuem nos diferentes estágios do ciclo de vida dos produtos; e 4. Os produtos exigem diferentes estratégias de marketing, finanças, manufatura, compras e de pessoal em cada etapa de seus ciclos de vida. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 22 2.3.3.2. A ESTRATÉGIA EM UMA INDÚSTRIA COMPETITIVA Pensar de forma ampla, cultivando a criatividade e desenvolvendo uma maneira clara de como se desvencilhar da concorrência são atributos que refletem o panorama geral da empresa e permitem desenhar uma Matriz de Avaliação de Valor com foco, singularidade e mensagem consistente. A Matriz de Avaliação de Valor permite: mostrar o perfil estratégico do setor, revelar o perfil estratégico dos concorrentes atuais e potenciais e traçar o perfil estratégico da empresa, indicando seus atributos competitivos atuais e como deveriam ser desenvolvidos no futuro. Para definir uma curva de valor singular, a empresa deve se utilizar de uma ferramenta de instrumento analítico, chamada Modelo das Quatro Ações (KIM, W. Chan, MAUBORGNE, Renee – A Estratégia do Oceano Azul). Essa ferramenta auxilia a empresa a elaborar uma nova curva de valor, onde alguns atributos do produto devem ser eliminados e reduzidos (empresa desenvolve ideias para aperfeiçoar sua estrutura de custos) e outros atributos devem ser elevados e criados (aumentando valor para os clientes e criando nova demanda). PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 23 Figura 3: Modelo das Quatro Ações Fonte: KIM, W. Chan; MAUBORGNE, Renee 2.3.3.3. ESTRATÉGIAS DE PENETRAÇÃO DE MERCADO Segundo SUTTER, M.B.; CALIL, F. G.; TOLEDO, G. L. Estratégias de Crescimento e Competitiva: Um Estudo de Caso sobre a Evolução dos Conceitos em uma Empresa Brasileira do Ramo Têxtil. São Paulo, 2012, a relação entre o crescimento de mercado (que indica a dimensão e a direção dos negócios futuros da empresa), associado às dimensões da missão e do produto é ilustrada por meio da matriz Produto x Mercado que define as quatro estratégias que uma empresa pode adotar para crescer. A estratégia de penetração de mercado é a estratégia tradicional, cujo objetivo é a maximização da participação no mercado, ou seja, busca-se aumentar as vendas nos mercados em que a empresa já atua com produtos existentes. Já a estratégia de desenvolvimento de novos mercados busca comercializar os produtos atuais em novos mercados com novas missões. A opção estratégica de desenvolvimento de produtos parte do princípio da criação de novos produtos para serem vendidos nos mercados em que a organização já opera. Por fim, a estratégia de diversificação pressupõe a criação de novos produtos para serem comercializados em novos mercados (ANSOFF, 1990). PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 24 Figura 4: Matriz Produto x Mercado Fonte:Ansoff, 1979, p.92 2.4. PLANEJAMENTO FINANCEIRO 2.4.1. ASPECTOS GERAIS Depois de definido o tema do plano de negócios e caracterizá-lo tecnicamente, é necessário analisar se ele será lucrativo sob o ponto de vista econômico. Para isso há vários métodos de avaliação de investimentos - cada um com suas particularidades, vantagens e desvantagens - que possibilitam ao empreendedor analisar se terá ou não ganhos financeiros com o novo projeto (e em quanto tempo). 2.4.2. CUSTO DE CAPITAL O custo do capital ou o custo do dinheiro de uma empresa - segundo ROSS, Stephen A.; WESTERFIELD, Randolph W.; JORDAN, Bradford D, Administração Financeira (2008) - representa o retorno mínimo exigido, com um determinado nível de risco, associado a um novo projeto. Se o retorno do projeto exceder àquilo que os mercados financeiros oferecem para os investimentos (com um risco semelhante) este terá um Fluxo de Caixa Livre positivo e o projeto será viável financeiramente. 2.4.3. CUSTO DO CAPITAL PRÓPRIO (CAPM) Segundo BRUNI, A. L.; SOUZA, A. F.; LUPORINI, C E. M. Determinação do Valor da Empresa através do Fluxo de Caixa Descontado: Um Estudo de Caso. São Paulo, 1997: PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 25 O custo das ações ordinárias (Ke) é calculado com base no conceito de custo de oportunidade. Considerando que a empresa precisa remunerar os seus acionistas pelo dinheiro nela investido, ela deve aceitar apenas projetos que, no mínimo, cubram o seu custo de capital. Um dos métodos mais utilizados para determinar o preço dos ativos financeiros de uma empresa (Ke) é o CAPM (Capital Asset Pricing Model), que afirma que o retorno esperado de um ativo será igual ao retorno obtido através dos ativos sem risco (Rf), acrescido de um prêmio pelo risco aceitado. Esse prêmio, por sua vez, equivale à diferença entre o retorno esperado pelo portfólio de mercado (Rm) e a taxa de remuneração dos ativos sem risco (Rf) multiplicada pela sensibilidade da ação em relação às flutuações do mercado (β). A equação do CAPM pode ser representada por: Onde: K = taxa de retorno financeiro do ativo (Ke); Rm = taxa de retorno esperado pelo portfólio de mercado (iBOVESPA); Rf = taxa de remuneração dos ativos sem risco, representada pela taxa de rentabilidade de títulos públicos de curto prazo (SELIC: Sistema Especial de Liquidação e Custódia); β = coeficiente beta do ativo ou nível de risco sistemático da empresa 2.4.3.1. CÁLCULO DO BETA (Β) Para calcular o beta de empresas fechadas pode-se comparar com os betas de empresas com produtos similares, usar a média dos betas das empresas do setor com um todo ou utilizar a equação de Hamada, utilizado neste estudo. Segundo Cohen (2007), a equação de Hamada relaciona o beta de uma empresa alavancada a uma empresa desalavancada de referência, ou seja, determina o custo de capital de uma empresa alavancada baseada no custo de capital de uma empresa de referência ou empresa benchmark do setor. A equação pode ser expressa por: PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 26 Onde: D/E é o índice Debt to Equity (Dívidas Onerosas sobre o Patrimônio Líquido); βL = Leverage Beta ou Beta Alavancado (Beta de mercado) βU = Unleverage Beta ou Beta Desalavancado (sem risco) t = Taxa de impostos (IR+CSSL) 2.4.4. CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL (WACC) Para financiar suas necessidades e seus projetos, uma empresa geralmente compõe os seus recursos com dívidas, patrimônio líquido e títulos híbridos. Essa composição com os seus diferentes custos é denominada de Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC) ou Weighted Average Cost of Capital (WACC), que é a média ponderada dos custos dos diversos componentes de financiamento utilizados por uma empresa. A fórmula do WACC pode ser simplificada para empresas que não possuem ações ordinárias, que é o caso da empresa deste estudo. Neste caso ela pode ser representada conforme a equação abaixo: Segundo ASSAF, A. A Contabilidade Tradicional e a Contabilidade Baseada em Valor. Revista Contabilidade & Finanças - USP, São Paulo, n. 33, p. 16 - 32, setembro/dezembro 2003, o CMPC: É obtido pelo custo de cada fonte de capital ponderado por sua respectiva participação na estrutura de financiamento. Sua fórmula básica é a seguinte: CMPC = W1 x Ki + W2 x Ke. A tabela 2 demonstra essa fórmula. A utilização do custo médio ponderado de capital fundamenta-se na questão de que a empresa, normalmente, mantém uma certa relação entre passivos exigíveis e patrimônio líquido dentro de determinadas faixas. Onde: PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 27 W1 (fundos de terceiros) = : proporção, em valor de mercado, do capital de terceiros em relação ao mix de financiamento. W2 (capital próprio) = : proporção, em valor de mercado, das ações ordinárias em relação ao mix de financiamento. ou : Custo do Capital Próprio ou Ações Ordinárias. ou : Custo do Capital de Terceiros. E = Patrimônio Líquido (equity). D = Endividamento ou Dívidas Onerosas (debt). A fórmula também pode ser representada por: 2.4.5. REGRAS DE ACEITAÇÃO DO EMPREENDIMENTO Neste trabalho serão apresentados alguns métodos de avaliação de investimentos, tais como: Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Payback. 2.4.5.1. VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL) Segundo MONTEVECHI, J. A. B.; PAMPLONA, E. O.: "Apostila do Curso de Engenharia Econômica I." (2006): O método do valor presente líquido caracteriza-se, essencialmente, pela transferência para o instante presente de todas as variações de caixa esperadas, descontadas à taxa mínima de atratividade. Em outras palavras, seria o transporte para a data zero de um diagrama de fluxos de caixa, de todos os recebimentos e desembolsos esperados, descontados à taxa de juros considerada. Se o valor presente for positivo, a proposta de investimento é atrativa, e quanto maior o valor positivo, mais atrativa é a proposta. 2.4.5.2. TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 28 A taxa interna de retorno (TIR), segundo WESTON, J. Fred; BRIGHAM, Eugene F. (2000, p.536) é “a taxa de desconto que iguala o valor presente das entradas de caixa esperado de um projeto ao valor presente de suas saídas esperadas de caixa”, ou seja, a TIR é a taxa onde o valor presente líquido de um projeto torna-se nulo. Como método de avaliação de projeto a TIR deve ser comparada ao WACC para validar um projeto sob o aspecto financeiro, ou seja, se a TIR for maior que o WACC o projeto é viável. Se a TIR for menor que o WACC, o projeto torna-se inviável. 2.4.5.3. PAYBACK E PAYBACK DESCONTADO Segundo Dornelas (2008, p.159), “a técnica de Payback mede o tempo necessário para a recuperação do capital inicialmente investido”. Esta técnica, muito utilizada em análise de viabilidade financeira de projetos, apresenta duas vulnerabilidades fundamentais: não considera o valor do dinheiro no tempo, nem os fluxos de caixa recebidos após o prazo de payback. Se descontarmos os fluxos de caixa de cada período a uma taxa de desconto WACC, utilizado neste estudo, teremos o método Payback Descontado. Geralmente este método é utilizado como critério de desempate quando os métodos exatos (VPL, TIR e Fluxo de Caixa Descontado) apresentam resultados semelhantes. 3. DESCRIÇÃO DA EMPRESA 3.1. NATUREZA DO NEGÓCIO O negócio que será abordado neste trabalho é o de Sistemas de Telemetria/Telecomando em Tempo Real, que é um dos produtos e serviços desenvolvidos e comercializados pela empresa Wirelex Telecom. Nesse sistema há uma composição de diferentes áreas tecnológicas: - Desenvolvimento de Hardware: equipamentos eletrônicos são desenvolvidos com a finalidade de monitorar os dispositivos de proteção instalados nas redes de distribuição de energia elétrica; são os chamados Religadores Automáticos. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 29 - Desenvolvimento de Software: para que um operador da rede elétrica consiga realizar uma manobra à distância em determinado equipamento eletrônico instalado na rede elétrica, faz-se necessário o desenvolvimento de alguns módulos de software que interagem com os sistemas principais de monitoramento, também conhecidos como sistema SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition). - Integração de sistemas: Nessa atividade é necessário que a equipe técnica tenha sólidos conhecimentos em banco de dados relacional, redes, roteamentos, etc. Atualmente os concorrentes existentes nesse mercado também detêm conhecimento em todas essas etapas, porém a Wirelex Telecom apresenta vantagem significativa na etapa de integração de sistemas, podendo se beneficiar dessa competência, transformando-a numa vantagem competitiva. Como o negócio descrito corresponde a uma das receitas da empresa – atualmente pouco significativa - será necessário desmembrar o fluxo de receitas e custos deste negócio com o de serviços de telecomunicações. 3.2. MISSÃO E VISÃO Missão (reflete seus valores corporativos) - Oferecer a melhor solução customizada através de produtos de alta tecnologia e confiabilidade, desenvolvidos na própria empresa, superando as expectativas dos clientes, com o auxílio de profissionais altamente capacitados e envolvidos. - Conquistar, em até 5 anos, um Market Share mínimo de 10% dos segmentos de mercado de Energia Elétrica. Visão (define o posicionamento desejado) Ser uma empresa reconhecida pelas principais Concessionárias de Energia Elétrica do Brasil por sua competência técnica em ofertar produtos e serviços que garanta a sustentabilidade dos seus negócios e gere valor aos seus clientes. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 30 3.3. OBJETIVOS ESTRATÉGICOS O objetivo estratégico proposto pela empresa Wirelex Telecom é incrementar as receitas provenientes da comercialização de serviços (através do desenvolvimento e integração de software) e/ou produtos (produção de unidades terminais remotas). Uma das ações tomadas pela empresa para atingir essa meta é a contratação de uma empresa de consultoria que terá a tarefa de desenvolver uma plano estratégico e de marketing, mapeando os clientes potenciais desse mercado, suas necessidades, o preço que o cliente potencial está disposto a pagar, quais as características do produto que ele compra, ou seja, fazer uma pesquisa primária com os principais compradores desse segmento de mercado (Serviços Públicos / Concessionárias de Energia Elétrica) para levantar o seu perfil e para onde a necessidade da maioria dos compradores está convergindo. 3.4. BREVE HISTÓRICO DA EMPRESA Razão Social: WIRELEX TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Empresa optante pelo regime Lucro Real; Faturamento de R$ 2 milhões no último ano fiscal; Fundada em 1998 por profissionais do setor de telecomunicações; Participou como prestadora de serviços de planejamento, consultoria, site survey, drive test, instalação, comissionamento e otimização na maioria das redes celulares existentes no Brasil; É uma empresa reconhecida pelos seus clientes pela excelência dos serviços prestados e pelo alto grau de comprometimento; Desenvolveu o primeiro protótipo de uma unidade remota para Telemedição e Telecomando para o mercado M2M brasileiro; Portfólio de Produtos e Serviços: Consultoria; Engenharia; Instalação e Implantação; Desenvolvimento de software e hardware; P&D. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 31 3.5. VANTAGENS COMPETITIVAS A equipe que atualmente compõe a área de desenvolvimento da Wirelex Telecom detém conhecimento tanto na área específica em sistemas supervisórios de tempo real como expertise no desenvolvimento de software e hardware para esse fim. Alguns itens de extrema importância são ressaltados a seguir: - Flexibilidade: como a empresa é 100% nacional e mantém parcerias estratégicas com empresas locais, ela facilmente ajusta um equipamento ou software para a necessidade do cliente. Um ponto forte que esse mercado demanda é a integração de sistemas computacionais, o qual a equipe está plenamente capacitada para integração entre sistemas complexos de missão crítica. - Base de conhecimento: equipe multidisciplinar com conhecimentos diversos e uma equipe gerencial focada no potencial de crescimento de mercado, no público-alvo e atenta ao ciclo de vida do produto. - Parcerias estratégicas: desenvolvimento de fornecedores estratégicos para o atendimento de uma demanda onde a Wirelex Telecom não consiga atender. - Competência técnica reconhecida pelos clientes, sendo um atributo diferencial frente aos seus concorrentes; - Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento próprio, ou seja, a parte estratégica do negócio está sob domínio da empresa. - Suporte Técnico e Pós-venda: eleito pelos atuais clientes uma característica difícil de ser superada por outras empresas fornecedoras desse tipo de produto/serviço. 3.6. RESPONSABILIDADE SOCIAL Não há nenhuma política de responsabilidade social adotada pela Wirelex Telecom. 3.7. PRODUTOS E SERVIÇOS ATUAIS A WIRELEX TELECOM possui uma equipe multidisciplinar que desenvolve softwares para o segmento Utilities (Concessionárias de Energia Elétrica) e hardware que monitoram os Intelligent Electronic Devices (IED) das Concessionárias. Os IED são equipamentos instalados na rede de distribuição de PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 32 energia elétrica que controlam chaves motorizadas e religadores automáticos, que fazem a proteção da rede aérea, evitando a interrupção do fornecimento de energia. Os hardwares desenvolvidos pela WIRELEX são denominados de Unidades Terminais Remotas (UTR). São desenvolvidos e projetados por engenheiros da WIRELEX e fabricados no Brasil por parceiros locais. Atualmente são comercializados num mercado de nicho, com uma produção limitada, pois sua demanda está relacionada diretamente com a aquisição dos IED feita pela concessionária de energia elétrica, ou seja, se não houver esse equipamento, não haverá compra das unidades terminais remotas. Cada hardware que a Wirelex comercializa apresenta um ciclo de vida distinto, que reflete a evolução das soluções/produtos desenvolvidos ao longo dos últimos 10 anos. Portfólio: Desenvolvimento de software e integração de sistemas de gestão técnica e comercial (web-based): possui uma equipe de desenvolvimento, com conhecimento multidisciplinar, que desenvolve módulos de software, integrando-os aos principais sistemas de gestão técnica das concessionárias (e-SIT, Power-On, SAP, SCADA, etc) Unidades Terminais Remotas: MZX: Unidade Terminal Remota to tipo Master. É utilizada como remota concentradora em aplicações de telecomando e monitoração de Intelligent Electronic Devices (IED) tais como: reguladores de tensão, religadores automáticos e controles de bancos de capacitores. Possui dois módulos de comunicação: um módulo celular para a comunicação com o centro de controle e um módulo de rádio de pequeno ou médio alcance para a comunicação com as remotas do tipo Slave. MZ2: Unidade Terminal Remota do tipo Slave. É instalada no Intelligent Electronic Device e trabalha conforme as requisições da remota Master. Possui um módulo de PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 33 rádio de curto ou médio alcance (zigbee ou spread spectrum) para a comunicação com a unidade concentradora (Master). MZX-Lite: Unidade Terminal Remota utilizada em aplicações de telecomando e monitoração de Intelligent Electronic Devices. É facilmente integrada ao sistema SCADA da Concessionária, possibilitando um canal eficiente e com alta performance na conexão celular. A figura a seguir ilustra o estágio do ciclo de vida dos três produtos citados acima. Figura 5: Ciclo de Vida de um Produto - Introdução Fonte: KOTLER, Philip H5SE: Remota de supervisão de Estação de Transformação de Distribuição. Gerencia a UCC (Unidade Central de Controle) instalada nas subestações, aquisitando dados analógicos, SOE (Sequence of Events) e de Oscilografia (Padrão COMTRADE). É utilizada como backup de comunicação do link SCADA-Subestação (via rede celular ou rádio digital). A figura a seguir ilustra o estágio do ciclo de vida dos três produtos citados acima. Figura 6: Ciclo de Vida de um Produto - Maturidade PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 34 Fonte: KOTLER, Philip Para mitigar os riscos inerentes pelo fato da empresa ser fornecedor exclusivo de apenas um ou dois clientes (mercado de nicho) - desenvolvendo sistemas específicos para cada um - uma estratégia a ser adotada pela Wirelex Telecom é a revisão de seu portfólio, que demandará desenvolvimento de produtos e serviços que se adequem à maioria dos clientes potenciais. Alguns exemplos de produtos que poderiam ser desenvolvidos, atentando às oportunidades de mercado são: 1. Desenvolvimento de uma unidade remota com atributos de medição de grandezas elétricas: justificada pelo promissor mercado de SMART GRID no Brasil, atendendo à necessidade de aplicações SELF-HEALING – onde os circuitos elétricos deverão ter inteligência para se auto recuperarem após eventos de desligamentos ocorridos nas redes de distribuição de energia elétrica. Uma unidade remota com essas atribuições teria funções de inteligência local, atuando autonomamente e reportando ao Centro de Controle sobre as ações executadas; 2. Unidade remota para monitoramento de frotas (AVL): A proposta inicial atenta para uma necessidade interna da empresa para controlar os custos extras demasiados com mão-de-obra que trabalham em cidades fora da Unidade Administrativa da empresa (combustíveis, horas-extras, etc). Com a experiência adquirida nesse desenvolvimento pretende-se desenvolver um produto destinado a pequenas empresas de logística ou frotas corporativas (onde a empresa tem total autonomia para o gerenciamento da frota sem a necessidade de contratar esse serviço de uma operadora de risco). Como o mercado brasileiro de segurança eletrônica tem uma demanda crescente de aproximadamente 5% a.a, pretende-se absorver uma fatia de mercado; 3. Revisão do sistema atual de supervisão de unidades remotas proporcionado por um módulo de software de interface amigável, intuitiva e de fácil configuração que se adequa à necessidade do cliente, eliminando a necessidade de despender horas na integração com o sistema supervisório (SCADA) do cliente potencial. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 35 Outro ponto a ressaltar refere-se no investimento em capacitação técnica para incrementar a produtividade em determinadas tarefas (por exemplo: banco de dados relacional). Como a maioria dos clientes desse mercado utiliza o banco de dados Oracle, torna-se relevante investimentos para aumentar a base de conhecimento do profissional especialista nessa área, pois com o domínio em todos os principais bancos do mercado, a execução da tarefa de desenvolvimento de integração tornase mais rápida, consequentemente, traz maior retorno à empresa. 3.7.1. PRODUTOS E SERVIÇOS NOVOS 1. Um produto que pode ser adicionado ao portfólio é um serviço de suporte técnico. Como os sistemas de tempo real requerem uma competência técnica específica pelas empresas fornecedoras e essa competência é rara (valiosa), a empresa pode desenvolver um novo serviço – do tipo Support Plan - no intuito de aumentar as receitas e agregar valor ao negócio. 2. Outra opção interessante de desenvolvimento de produto seria voltada para a automação de bancos de capacitores, equipamentos amplamente utilizados pelas concessionárias de energia elétrica para melhorar a eficiência energética, controlando o fator de potência da rede. Atualmente estes equipamentos não possuem nenhum tipo de automação ou controle pelos sistemas supervisórios. 3.8. CLIENTES Atualmente a Wirelex Telecom atende dois clientes principais: Bandeirante Energia e EDP Escelsa. Para consolidar o negócio, elevando-o a patamares de receitas maiores, será contratada uma empresa para fazer o levantamento dos principais clientes existentes no mercado de energia elétrica, priorizando os de maior relevância (com maiores pontos de equipamentos) e fazendo um trabalho específico de marketing para elucidar/conscientizar os potenciais clientes sobre os benefícios PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 36 dos produtos da Wirelex Telecom (entendimento do mercado e seus segmentos e testes de prova de conceito). 3.9. FORNECEDORES Toda a tecnologia embarcada nos produtos da Wirelex Telecom é proprietária, porém a maioria dos componentes eletrônicos é importada. Para mitigar essa ameaça a empresa valida continuamente novos fornecedores dessa matéria-prima. 3.10. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Figura 7: Organograma da empresa Wirelex Telecom Fonte: Autor, 2013 Analisando a estrutura organizacional do Departamento de R&D da Wirelex Telecom evidencia-se um dos passos de um plano de negócios eficiente (Dornelas, José Carlos Assis – 2008), ou seja, o apoio da alta direção da empresa na implantação do plano de negócios proposto neste trabalho. Os quadros em branco ilustram os PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 37 profissionais da Wirelex Telecom que trabalham em tempo integral no departamento de R&D, que serão abordados adiante no plano financeiro do trabalho. Na estrutura organizacional atual da empresa não existe um profissional de marketing, mas face à estruturação da área para alavancar novos negócios torna-se fundamental a contratação deste profissional, que será responsável pelas seguintes funções: Entender o comportamento dos consumidores e suas características; Estudar o ambiente de marketing da empresa, entender a situação atual do seu negócio e definir as melhores alternativas para atingir os objetivos e metas estipulados no planejamento estratégico da empresa (Dornelas, 2008); Implantar um fluxo de informações e sistemas de pesquisa; Atentar-se às estratégias adotadas pela concorrência; Definir objetivos e elaborar o planejamento estratégico da empresa junto à alta direção da empresa; Analisar as oportunidades de mercado; Selecionar mercados-alvo e seus segmentos; Planejar e propor novos produtos e serviços de acordo com o plano estratégico estabelecido pela empresa; Estabelecer estratégia de preços e distribuição; Estabelecer ações de endomarketing, oferecendo ao funcionário um ambiente de educação, respeito e atenção, tornando-o bem preparado e informado para que seja uma pessoa CRIATIVA E REALIZADA, capaz de surpreender e encantar o cliente (BRUM, Analisa M., 2000); Efetuar controle e mensurar cada tipo de ação implementada de forma a transformar os dados obtidos em informações seguras para as decisões futuras. A Assessoria Jurídica e Contábil – outro ponto fundamental para a estrutura organizacional da empresa - já é representada por parceiros estratégicos que atendem às empresas do Grupo Hexagon Telecom. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 38 3.11. FATURAMENTO O faturamento da empresa Wirelex Telecom é composto da seguinte forma: - fornecimento de serviços (homem/hora) para o segmento de telecomunicações. A empresa é prestadora de serviços de instalação, comissionamento, implantação de sistemas celulares (antenas, torres, equipamentos de transmissão, etc). Seu principal cliente é a Hexagon Telecom, que também é controladora da Wirelex Telecom. - fornecimento de hardware e sistemas de telemetria e telecomando (M2M). O departamento que fornece esse tipo de produto é o foco deste plano de negócios, cujo objetivo é transformá-lo numa unidade de negócios autossustentável. No segmento M2M sua receita líquida no ano fiscal de 2010 foi de R$ 1,8 milhões. Os gráficos que seguem ilustram a evolução dos resultados da empresa, com destaque para o aumento da rentabilidade no ano de 2010, quando fora vendido ao cliente EDP Bandeirante um sistema envolvendo software, hardware e integração, representando aproximadamente 76% das receitas líquidas da empresa neste ano. Figura 8: Receita Líquida da Wirelex Telecom Fonte: Autor, 2013 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 39 Figura 9: Lucro Líquido da Wirelex Telecom Fonte: Autor, 2013 4. ANÁLISE DE CENÁRIO 4.1. MICRO AMBIENTE 4.1.1. MERCADO O mercado de soluções M2M (machine-to-machine) é segmentado conforme a relação a seguir: SERVIÇOS PÚBLICOS (Utilities) Energia Água & Saneamento Básico Gás AVL – Automatic Vehicle Location (Localização Automatizada de Veículos) Veículos Particulares, frotas privadas e frotas públicas. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 40 SERVIÇOS FINANCEIROS ATM’s e POS (Point-Of-Sale) OUTROS SERVIÇOS Automação Industrial Segurança (Patrimonial) Gerenciamento de Trânsito Saúde / Healthcare Máquinas Dispensadoras / Vending Machines A Wirelex Telecom atua no segmento de Serviços Públicos (Utilities), oferecendo sistemas e soluções para Concessionárias de Energia Elétrica onde as aplicações de missão crítica de tempo real requerem confiabilidade e robustez. Nota-se neste cenário que a empresa está inserida num mercado de nicho, onde os clientes buscam fornecedores com requisitos de capacitação tecnológica e que atendam às exigências desse segmento. Figura 10: Estudo de mercado de soluções M2M para o segmento de serviços públicos Fonte: Itelogy Partners, 20051. O segmento de serviços públicos (Utilities de Energia Elétrica) apresenta os seguintes investimentos em equipamentos de proteção de rede de distribuição feitos pelas principais concessionárias de energia elétrica da região sudeste para os anos de 2012 e 2013, lembrando que os produtos da Wirelex Telecom monitoram esse 1 Os dados de 2006 em diante foram estimados considerando um CAGR de 85%. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 41 tipo de equipamento (chamados de religadores automáticos ou chaves seccionadoras): CPFL Energia: pretende instalar 5.000 religadores automáticos até 2013; RGE (RS), empresa do grupo CPFL Energia: pretende instalar 1.800 religadores até 2013. AES Eletropaulo: pretende instalar 1.500 religadores até o final de 2012; CEMIG: pretende instalar 4.000 religadores até o final de 2012; Total: 12.300 equipamentos novos. Analisando dados secundários desse mercado, nota-se que os fornecedores desse tipo de equipamento estimam triplicar seus faturamentos nos próximos 5 anos, principalmente pelo fato da necessidade das concessionárias de energia elétrica investir em equipamentos de T&D (Transmissão e Distribuição) para preparar sua infraestrutura para as redes inteligentes ou Smart Grids. Fonte: Canal Energia ( www.canalergia.com.br) A estratégia formulada pela Wirelex Telecom não contempla a Diversificação de Mercado, que é o desenvolvimento de um novo produto em um novo mercado, por envolver muitos riscos e recursos financeiros. Sua estratégia está direcionada entre os quadrantes I e II da matriz de Ansoff, conforme ilustrado abaixo: Figura 11: Matriz Produto x Mercado Fonte:Ansoff, 1979, p.92 A estratégia para o quadrante-I (Desenvolvimento de Produto) será desenvolver uma nova unidade terminal remota (UTR) - para o mercado existente - que melhor se PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 42 adéque às necessidades dos potenciais clientes. O principal objetivo desse novo produto é ter maior flexibilidade para ser utilizado em diversos segmentos do mercado M2M, estendendo sua aplicação para outras concessionárias de serviços públicos (exemplo: água e gás), além de passar por uma atualização tecnológica para aumentar o seu ciclo de vida. Já a estratégia a ser formulada para o quadrante-II (Penetração de Mercado) será fornecer o produto atual para os potenciais clientes, que serão mapeados através da contratação da empresa de consultoria em planejamento estratégico e de marketing (B2B). O atual produto MZX-Lite poderá ser ofertado aos novos clientes, possibilitando à WIRELEX Telecom se aprimorar nos negócios nos mercados onde já atua. O principal risco na implantação dessas estratégias é a perda do foco, podendo causar dispêndios de energia, recursos financeiros e recursos humanos. 4.1.2. CONCORRENTES Por se tratar de um segmento conhecido, a Wirelex Telecom pode tirar proveito das melhores práticas adotadas pelos principais players do mercado, explorando e fazendo o reconhecimento da concorrência, analisando seus produtos e serviços disponibilizados ao mercado. Os principais players do mercado possuem soluções similares, porém com tecnologia e interfaces de comunicação diferentes. A seguir serão descritos os três principais concorrentes do mercado M2M que atuam em mais de um segmento: CAS Tecnologia, V2COM e iTECH. Como as barreiras de entrada para o segmento de energia são de moderadas a baixas, a quantidade de concorrentes pode crescer nos próximos anos. CAS Tecnologia (www.cas-tecnologia.com.br) A CAS Tecnologia é a empresa líder de mercado no segmento de serviços públicos, oferecendo: sistemas de telemedição para concessionárias de Água, Gás e Energia PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 43 Elétrica (atende 16 concessionária no Brasil) e sistemas de medição em condomínios verticais. É uma empresa com ampla visão do mercado e com recursos financeiros próprios, possibilitando altos investimentos consequentemente – maiores riscos. em novos projetos, assumindo – Segundo o website Canal Energia (www.canalenergia.com.br) ela pretende investir aproximadamente R$ 30 milhões nos próximos três anos em projetos de pesquisa e desenvolvimento. O faturamento do último ano fiscal foi de R$ 50 milhões. Algumas alianças estratégicas auxiliaramna na consolidação neste mercado, por exemplo: parceria com a empresa Serta Sistemas de Medição. Para a comercialização dos seus produtos desenvolveu canais de distribuição e revendas em todo o território nacional, que também são responsáveis pela instalação e manutenção dos produtos. A CAS Tecnologia já teve artigos publicados em diversos canais da mídia impressa e digital, além de apresentar o seu produto em vários Congressos Nacionais e Internacionais. V2COM (www.v2com.mobi) A V2COM atua fortemente no mercado latino-americano de M2M - principalmente no segmento de Serviços Públicos (Concessionárias de Energia, Água e Gás) fornecendo soluções de gestão remota para mais de 500.000 dispositivos no Brasil, Chile, Peru e Colômbia. Analisando informações na mídia especializada do setor, conclui-se que o grupo apresenta uma pontuação menor no atributo competência técnica, comparada ao seu principal concorrente: CAS Tecnologia. iTECH Wireless Solution (http://www.grupoitech.com.br) A iTECH Wireless Solutions é distribuidora exclusiva e parceira da Motorola e da Telit para o mercado de Wireless Module e Modem Celular. Desenvolve e comercializa soluções para transmissão de dados e voz nas tecnologias: GSM/GPRS-EDGE e UMTS/HSPA-3G. Suas soluções permitem uma penetração competitiva e de liderança no mercado de Wireless Modules no Brasil e em toda a América Latina. Possui experiência em desenvolvimento de soluções para Rastreamento Veicular (AVL), Segurança, POS (point of sales), Telemetria e PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 44 Correspondência Bancária. Além dessas soluções comercializa todos os periféricos o grupo iTECH é um dos maiores distribuidores de componentes eletrônicos do mercado brasileiro - necessários para a implementação de um projeto M2M, como: microcontroladores, conectores, antenas, GPS, etc. Uma desvantagem da iTECH Wireless Solutions é que os produtos que ela comercializa são genéricos, ou seja, não atendem às necessidades de disponibilidade e performance que algumas aplicações do segmento de Serviços Públicos exigem. 4.1.2.1. MATRIZ DE AVALIAÇÃO DE VALOR Como os concorrentes diretos da WIRELEX TELECOM são empresas de capital fechado, a análise é feita baseada em informações disponíveis na mídia especializada no segmento de Serviços Públicos de Energia Elétrica. A figura a seguir ilustra uma Matriz de Avaliação de Valor sugerida para a empresa Wirelex Telecom, tomando como referência as experiências e expectativas coletadas com os seus clientes atuais: Figura 12: Matriz de Avaliação de Valor Fonte:Autor, 2013 Através da Matriz de Inovação de Valor é possível identificar as fragilidades atuais da empresa, ou seja, os pontos onde necessita melhorar para conquistar novos clientes e firmar-se no mercado como uma empresa referência. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 45 Figura 13: Modelo das Quatro Ações Fonte: KIM, W. Chan; MAUBORGNE, Renee O atributo preço é o principal quesito a ser melhorado, pois através da pesquisa realizada com os clientes este é o principal fator para o comprador definir um fornecedor ganhador do pedido. Para mitigar esse problema, a WIRELEX vem trabalhando no desenvolvimento de um produto mais barato (e não menos robusto) para atender essa necessidade do cliente. Outro ponto chave a ser melhorado é sobre a participação de mercado. Como o produto é caro e não há investimentos expressivos em Marketing e Promoção, a participação de mercado da Wirelex Telecom neste setor é inexpressiva. Para mitigar essa fraqueza será contratada uma empresa especializada em Planejamento Estratégico e de Marketing para mapear os potenciais clientes, fazendo um trabalho de pesquisa primária, apontando as competências técnicas da empresa, deixando-a em evidência num mercado onde a capacitação tecnológica, aliada a postura de comprometimento, é extremamente importante. 4.1.3. PÚBLICO-ALVO PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 46 Como o nosso público-alvo pertence ao corpo técnico das concessionárias de energia elétrica, torna-se necessário que a Wirelex Telecom invista na divulgação dos seus produtos, através de material impresso do portfólio da empresa. Esse material pode ser enviado através de mala direta ou distribuído em eventos do setor. 4.2. MACRO AMBIENTE OU ANÁLISE EXTERNA (ANÁLISE PEST) 4.2.1. ECONOMIA Ameaças: - Volatilidade da taxa de câmbio; Figura 14: Série de Estatísticas Consolidadas – Taxa de Câmbio Fonte: BACEN - Alta demanda mundial de componentes eletrônicos, causando escassez de alguns part numbers ou elevando o seu preço no mercado global; - O Japão, maior produtor mundial de componentes eletrônicos, ainda não se recuperou dos danos causados pelo tsunami de 2011, interrompendo a parte japonesa da cadeia global de suprimentos. Alguns componentes – fabricados somente no Japão – podem sofrer aumento do preço. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 47 Oportunidades: - Estabilidade da moeda através do controle da inflação. Figura 15: Série de Estatísticas Consolidadas – Inflação Fonte: BACEN 4.2.2. POLÍTICO-LEGAL Oportunidades: - Rigidez adotada pela agência reguladora (ANEEL) no atendimento das metas de interrupção de energia elétrica, demandando às concessionárias de Energia Elétrica investimentos em equipamentos de Transmissão & Distribuição (exemplo: religadores automáticos e chaves seccionadoras); - Estabilidade política nos últimos anos reflete num cenário positivo para os negócios em geral; - Política fiscal austera no combate à inflação. 4.2.3. SÓCIO-CULTURAL A opinião da sociedade em relação a fatores ambientais pode ser considerada um disparo para as grandes empresas fornecedoras de equipamentos de energia elétrica desenvolverem novos projetos inovadores relacionados à eficiência PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 48 energética das redes de distribuição de energia. Isso propiciou o advento das redes de distribuição elétrica inteligentes, smart grids, que em países europeus (que apresentam maior escassez de energia limpa) já é uma realidade. No Brasil esse assunto é amplamente comentado e começa a ser regulamentado pelas agências competentes. A tendência é que as smart grids gerem uma demanda de produtos e serviços no mercado das Utilities (principalmente as de Energia Elétrica) e isso pode ser considerado uma grande oportunidade a ser explorada. 4.2.4. TECNOLOGIA No mercado onde a Wirelex Telecom atua a tecnologia é vital para atingir uma vantagem sobre a competição, pois - neste cenário - tecnologia propicia conhecimento e conhecimento é considerado ganhador de pedido. Um exemplo que se pode citar refere-se ao encapsulamento dos microcontroladores (“cérebro do hardware”) mais modernos existentes no mercado, chamado BGA (Ball Grid Array). À medida que a aplicação embarcada necessite de maior velocidade, torna-se necessário migrar para esse tipo de solução. Outro ponto importante a ressaltar é que os grandes fabricantes mundiais de componentes eletrônicos (microcontroladores, memórias, etc) começam a priorizar a fabricação de componentes com encapsulamento BGA devido ao menor custo de produção. Isso reflete também num menor custo oferecido ao desenvolvedor do hardware. Quem dominar esse processo ou tiver equipamentos de produção para esse tipo de tecnologia estarão com uma vantagem considerável, pois os custos deste tipo de componente tendem a ser bem mais baratos que os componentes de encapsulamento convencional (TSOP). Neste aspecto, a Wirelex Telecom pretende adquirir um conjunto de equipamentos (CAPEX) que poderá proporcionar maior autonomia e fabricar lotes intermediários de produção (até 100 equipamentos/mês). 4.2.5. FORÇAS DE PORTER Para exemplificar as ameaças presentes no setor em análise, serão descritas a seguir as forças competitivas de Porter (Porter, Michael E.), que refletem diretamente na rentabilidade das empresas, podendo ser diminuída pela entrada de PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 49 uma nova indústria no setor, um produto substituto, um comprador ou um fornecedor com alto poder de barganha ou através do grau de rivalidade entre os competidores do mercado de soluções M2M. Figura 16: Forças que dirigem a concorrência na indústria – Mercado M2M Fonte: PORTER, Michael E. A figura a seguir ilustra a intensidade das 5 Forças de Porter presentes no mercado de soluções M2M, com destaque especial para a “Ameaça de novos entrantes” e os “Produtos substitutos”. A ameaça de novos entrantes representa uma ameaça considerável porque uma nova indústria, com moderados recursos financeiros e experiência no segmento, pode ameaçar a rentabilidade dos principais concorrentes do setor. É o caso da Wirelex Telecom, que pretende se inserir neste segmento almejando uma porcentagem do market share. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 50 Figura 17: Intensidade das 5 Forças de Porter no mercado M2M Fonte: Autor, 2013 Já os produtos substitutos representa uma ameaça devido ao poderio dos grandes fabricantes de módulos celulares (Exemplo: Cinterion e Telit) que fornecem um produto (modem celular) em larga escala e a baixo custo, embora na maioria das vezes não atenda ao SLA (Service Level Agreement) definido pelas Utilities de Energia Elétrica. Fabricantes de rádios Spread Spectrum também representam uma ameaça, pois seus produtos começam a ser utilizados em larga escala, diminuindo os custos de aquisição. 4.2.5.1. INTENSIDADE DA RIVALIDADE INTERNA Embora seja um mercado de empresas fechadas, onde poucas informações são divulgadas, a rivalidade interna pode ser considerada pela presença de dois concorrentes nacionais (CAS-Tecnologia x iTECH), posicionados entre os principais do mercado. A estratégia da Wirelex Telecom baseia-se em adquirir market share desse mercado oferecendo um portfolio de produtos que atenda à maioria das aplicações desses dois concorrentes e que apresente uma diferenciação, ou seja, que possa gerar valor percebido pelo cliente. Outro diferencial competitivo que a Wirelex Telecom pode se beneficiar é através do fornecimento de novos tipos de serviços, exemplo: plano de suporte técnico possibilitado pela mão de obra rara e valiosa. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 51 Figura 18: Rivalidade Interna no Mercado M2M – Segmento Utilities Fonte: Autor, 2013 Um dos fatores que potencializa a rivalidade interna e que diminui a rentabilidade dos concorrentes é a Concorrência de preços. Ela só não é a única força presente no mercado de soluções M2M porque substituir um fornecedor já estabelecido nesta indústria pode gerar custos de mudança que inviabiliza a troca do fornecedor com menor preço. Isso é minimizado se o produto fornecido pelo concorrente apresentar uma diferenciação que possa ser percebido pelo cliente. 4.2.5.2. AMEAÇA DE NOVOS ENTRANTES No caso do mercado de M2M as barreiras de entrada são moderadas, uma vez que não demandam altos investimentos ao novo entrante, mas que exige elevado nível de capacitação técnica (Experiência), fator primordial para adquirir a confiança dos clientes com padrões e níveis de exigência elevados. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 52 Figura 19: Novos Entrantes no Mercado M2M – Segmento Utilities Fonte: Autor, 2013 Um exemplo prático desta ameaça é o exemplo da Wirelex Telecom, que deseja se tornar um novo entrante desta indústria e que, para isso, detém experiência necessária para adquirir a confiança dos clientes. 4.2.5.3. PRESSÕES DE PRODUTOS SUBSTITUTOS Esta ameaça, neste cenário, é dominada pela tendência contínua do comprador da indústria em substituir o player atual por um que apresente a melhor relação preço x desempenho. Rádios Spread Spectrum e fibras ópticas apresentam o melhor desempenho, mas ainda não tem um preço competitivo. Isso pode ser alterado com o tempo, pois muitas Utilities começaram projetos pilotos com esses sistemas, podendo se tornar uma ameaça no futuro. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 53 Figura 20: Produtos Substitutos no Mercado M2M – Segmento Utilities Fonte: Autor, 2013 Outro exemplo é a indústria de fabricantes de modem celular (Exemplos: Cinterion e Telit), que ao contrário dos Rádios Spread Spectrum e das fibras ópticas apresentam custo e desempenho menores. Esse fato também pode ser analisado pelo comprador da indústria se o baixo desempenho for tolerado. Neste caso, como o custo é muito baixo, a troca pelo produto substituto pode ocorrer. 4.2.5.4. PODER DE BARGANHA DOS FORNECEDORES O poder de barganha exercido pelos fornecedores é baixo. O maior risco está no fato do produto do fornecedor ser um insumo importante à estratégia da indústria. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 54 Figura 21: Poder dos Fornecedores no Mercado M2M – Segmento Utilities Fonte: Autor, 2013 4.2.5.5. PODER DE BARGANHA DOS COMPRADORES O poder de barganha dos compradores no mercado M2M representa ameaça à rentabilidade das indústrias deste segmento, uma vez que há no mercado soluções comoditizadas e mais acessíveis que atendem à necessidade do cliente, embora com níveis de qualidade e SLA inferiores aos dos produtos oferecidos pela Wirelex Telecom. O poder é maior ainda se os playes do mercado fornecerem produtos sem diferenciação e o comprador não enfrentar custos de mudança para outro fornecedor. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 55 Figura 22: Poder dos Compradores no Mercado M2M – Segmento Utilities Fonte: Autor, 2013 4.3. ANÁLISE SWOT Figura 23: Análise SWOT – Wirelex Telecom Forças Competência técnica reconhecida; Suporte técnico eficiente e excelente pós-venda; Domínio no assunto sobre redes celulares e sobre a aplicação do cliente (protocolos, redes, etc); Fraquezas Oportunidades Demanda crescente de equipamentos de controle e medição proporcionada pela implantação das redes inteligentes (smart grids) nas concessionárias de energia elétrica. Maior rigidez adotada pela agência reguladora (ANEEL) no atendimento das metas de interrupção de energia elétrica, demandando às concessionárias de Energia investimentos em equipamentos de proteção (religadores, chaves, etc); Estrutura organizacional insuficiente ou incompleta; Recursos financeiros escassos. Ameaças Aumento de produtos chineses; Pressão por preços, cada vez maior, imposta ao departamento de compra das concessionárias (não tendo muita relevância a qualidade dos produtos e/ou serviços). PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 56 Criação de nova fonte de receita, explorando a competência técnica e o pós-venda oferecido ao cliente. Fonte: Autor, 2013 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 57 5. PLANO DE IMPLANTAÇÃO 5.1. MACRO-CRONOGRAMA Figura 24: Cronograma de Implantação Fonte: Autor, 2013 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 58 5.2. ESTRATÉGIA DE PARCERIAS Contratação de uma empresa de consultoria para auxiliar no plano estratégico e de marketing. 5.3. RISCOS E RESPOSTAS 6. ANÁLISE DO INVESTIMENTO METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO REGRAS DE ACEITAÇÃO DO EMPREENDIMENTO A avaliação da empresa Wirelex Telecom será baseada no método Fluxo de Caixa Descontado (FDC), que é o método onde o valor dos ativos operacionais é obtido através do cálculo do Fluxo de Caixa Livre projetado, trazido a valor presente a uma taxa de desconto WACC (Custo médio ponderado de capital). 6.1. DEMONSTRATIVO DE FLUXO DE CAIXA O Fluxo de Caixa Livre utilizado em Análise de Investimentos é baseado no Fluxo de Caixa Gerencial, porém desconsidera as despesas com Dividendos e as Receitas e Despesas Financeiras Líquidas da Empresa. O Fluxo de Caixa Livre pode ser representado através da equação abaixo: PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 59 Receita líquida (-) Custos e Despesas Operacionais (+) Depreciação e Amortização = EBITDA (-) IR + CSSL (-) Investimentos (Capital de giro e permanente) (-) ou + despesas / receitas não operacionais = Fluxo de Caixa Livre PREMISSAS: O objetivo é avaliar a empresa antes e depois do novo projeto, que é tornar a unidade de Pesquisa & Desenvolvimento (Spin-off) em uma unidade de negócios autossustentável. A WIRELEX TELECOM tem suas receitas baseadas em duas fontes distintas: P&D e Serviços de Telecom. Inicialmente será apurado apenas o valor do negócio de telecomunicações, considerando uma margem líquida mínima (em torno de 1%) para as projeções da empresa. Para saldar o prejuízo fiscal de 2011, considerou-se um financiamento (capital de giro) de R$ 220.000,00 para equilibrar as finanças da empresa e contribuir para a viabilidade do novo negócio. RECEITA BRUTA: Esse índice varia entre 15% e 22%. Quando a receita bruta é proveniente apenas de serviços de telecomunicações, utiliza-se o índice de 15%, pois as deduções são compostas pelo ISS + adiantamentos de impostos. Quando a receita bruta é proveniente de produtos, o índice utilizado é de aproximadamente 22%, pois, neste caso, a venda obedece a uma proporção de 70% Hardware e 30% software (geralmente). O ano de 2009 é um exemplo em que a empresa obteve receita somente com serviços de telecomunicações. Para a projeção das deduções será utilizado o índice de 15% sobre a receita bruta. CUSTO DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS: Foi utilizado o índice de 2% sobre a Receita Bruta para projetar os custos dos bens e/ou serviços vendidos. Esse índice foi baseado no ano de 2010, onde não fora gasto recursos para compra de insumos de produção de remotas. Quando a maior parte da receita é proveniente da fabricação de produtos, esse índice fica em torno de 3% sobre a receita bruta. DESPESAS ADMINISTRATIVAS: As despesas Gerais e Administrativas serão consideradas 73,8% sobre a Receita Bruta: As despesas administrativas da Wirelex PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 60 em 2012 tendem ao mesmo patamar de 2011. Neste caso, serão desconsiderados os valores anuais de três funções: Desenvolvedor de Hardware, Gerente de Projetos e Desenvolvedor de Software - pois esses profissionais pertencem ao grupo de P&D. Os custos destes profissionais, somados a outros custos administrativos (especialista de MKT, representação comercial, Diretor de Tecnologia, etc) serão inseridos nos custos incrementais do novo negócio. IMPOSTO DE RENDA: Analisando os valores históricos do DRE da empresa, o imposto de renda pago fica em torno de 28%, pois uma parte já foi adiantada nas emissões das notas fiscais. DESPESAS ADMINISTRATIVAS (INCREMENTAL): consideram-se os valores de mão de obra adicionais no DRE para o novo projeto. PROPORÇÃO SOFTWARE x HARDWARE: Considera-se que 40% é uma componente de software para cada hardware vendido. PREVISÃO DE VENDAS: No segundo semestre de 2012 está praticamente acertada a venda de aproximadamente 800 unidades. DÍVIDAS ONEROSAS: Fonte de recurso: Agência de Fomento Paulista (Capital de Giro – LEP). Foi considerado um aporte financeiro de R$ 220.000,00 (Duzentos e Vinte Mil Reais) para compensar o prejuízo no último ano fiscal, equilibrando, desta forma, as contas da empresa sem o novo negócio. MERCADO: estimado U$ 350 milhões para as Utilities do Brasil, sendo que 40% dessa fatia é representada por 9 concessionárias da região sudeste, mercado onde a Wirelex deseja atuar. Ou seja, convertendo para um câmbio de U$ 1 = R$ 2, temse R$ 280 milhões para essa região. A Wirelex estima absorver 1% do mercado (cerca de R$ 2,8 milhões de faturamento). No primeiro ano já há uma receita prevista de aproximadamente R$ 1,3 milhões. No primeiro semestre de 2013 pretende-se intensificar ação comercial (visitar clientes potenciais) e marketing (ajuste de preço, participação em eventos, anúncios, etc ) para absorver a meta proposta (vender quantidades acima do ponto de equilíbrio = 1147 unidades). O PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 61 novo negócio será inserido no Fluxo de Caixa do projeto com valores incrementais de receitas, deduções, custos e despesas. 6.1.1. CÁLCULO DO CUSTO DO CAPITAL PRÓPRIO (KS OU KE) – CAPM Para o cálculo do custo do capital próprio da empresa (Ks ou Ke) deve-se, inicialmente, calcular o beta da empresa (βL). Para isso é necessário conhecer o beta desalavancado (βU) de uma empresa referência do setor (Telecom Services – Fonte: http://people.stern.nyu.edu/adamodar/New_Home_Page/datafile/Betas.html). A taxa de impostos (t) é a composição do Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social (CSSL), aproximadamente 34%. A proporção entre dívidas onerosas e patrimônio líquido é representada pela relação D/E. Cálculo do BETA alavancado - Referência: ano 2012 - Fórmula de Hamada Beta Desalavancado (βU) - empresa referência IR+CSLL Dívidas Onerosas (2010) - Debt Patrimônio Líquido (PL) - Equity Beta Alavancado Wirelex 0.76 34.00% R$ 300,874.03 R$ 130,055.01 1.920 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 62 Figura 25: Beta das empresas referência dos setores da economia PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 63 Fonte: http://people.stern.nyu.edu/adamodar/New_Home_Page/datafile/Betas.html CÁLCULO DO CUSTO DO CAPITAL PRÓPRIO - CAPM (Ks): Beta Alavancado (βL) Krf (Selic) Krm (iBOVESPA) Ks ou Ke (CAPM) 1.920 10.40% 12.70% 13.69% Onde: Krf (SELIC) = taxa de retorno de um ativo livre de risco2 Krm (iBOVESPA) = Taxa de retorno da carteira de mercado Ks ou Ke (CAPM) = Custo do capital próprio CÁLCULO DO WACC: Capital próprio (PL) Dívidas Onerosas (D) Capital Total da Empresa (PL+D) Valor (R$) Custo (% aa) % Recursos 14.82% 30% R$ 130,055.01 14.29% 70% R$ 300,874.03 R$ 430,929.04 WACC = 11,06% MicroCap size premia: 6.3% Representa o montante adicional de retorno (prêmio) exigido pelo investidor institucional conforme o tamanho da empresa (Size Premium). Por ser uma MicroCap - onde não há muitos recursos financeiros, nem informações relevantes para o mercado sobre a empresa – adotou-se o prêmio médio verificado para as ações de MicroCaps norte-americanas desde 1926. Fonte: Ibbotson (MorningStar). WACC = 10,72% + 6,3% = 17,02% A seguir será abordado o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE) da empresa nos últimos 5 anos e a projeção desses dados para os próximos 5 anos. A 2 Evolução da Taxa SELIC em 2012 foi de 10,40% (Fonte: Séries Consolidadas BACEN) PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 64 partir destes dados será possível projetar o Fluxo de Caixa Livre ou Fluxo de Caixa Descontado da empresa para os próximos anos considerando os dados financeiros do novo negócio. As premissas descritas anteriormente serão adotadas neste cálculo. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 65 Para uma receita proveniente de serviços, é o índice médio das deduções sobre a receita bruta. Tabela-1: DRE dos últimos 5 anos e projeção desconsiderando o novo negócio Fonte: Autor, 2013 Aporte financeiro de R$ 220.000,00 para compensar o prejuízo no último ano fiscal, equilibrando, desta forma, as contas da empresa desconsiderando o novo negócio. Analisando os valores do DRE da empresa, o imposto de renda pago fica em torno de 28%, pois uma parte já foi adiantada nas emissões das notas fiscais. Neste cenário considerou-se uma Margem Líquida mínima considerando que a WIRELEX forneça somente serviços para a HEXAGON. Neste contexto não estão considerados as receitas e despesas incrementais do novo negócio. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 66 Tabela-2: DCF dos últimos 5 anos e projeção desconsiderando o novo negócio Fonte: Autor, 2013 O VPL do projeto – considerando somente a prestação de serviços de telecomunicações - é de R$ 310.00,00 (Trezentos e Dez Mil Reais). PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 67 6.2. PREMISSAS DO NOVO PROJETO: Os dados a seguir ilustram as premissas que serão utilizadas no novo negócio, ou seja, a intensificação em vendas de equipamentos (remotas) para o monitoramento de IED (Intelligent Electronic Device). Para isso será considerado no Plano de Negócios a contratação de uma consultoria externa para mapear o novo mercado e definir as prioridades da empresa para atender aos objetivos de venda. A consultoria será dividida em 4 fases, a saber: Success Fee (“SF”) . 5% das vendas líquidas de soluções para Automação da Distribuição. Até 30% dos Honorários de Acompanhamento podem ser deduzidos das Comissões (SF) a receber, após o 4º. Mês de Início da Fase IV. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 68 Tabela-3: Demonstrativo de Fluxo de Caixa projetado com as premissas do novo negócio Fonte: Autor, 2013 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 69 6.2.1. VALOR PRESENTE LÍQUÍDO Tabela-4: Fluxo de Caixa Descontado (DCF) projetado com as premissas do novo negócio Fonte: Autor, 2013 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 70 6.2.2. TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) Tabela-5: Taxa Interna de Retorno (TIR) do novo negócio Fonte: Autor, 2013 6.2.3. PAYBACK DESCONTADO Tabela-6: DRE projetado com as premissas do novo negócio Fonte: Autor, 2013 PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 71 6.3. INDICADORES FINANCEIROS Pelos indicadores calculados conclui-se que o investimento é rentável sob o ponto de vista econômico, conforme ilustrado na Tabela-7. Tabela-7 – Indicadores financeiros Fonte: Autor, 2013. Para o cálculo do VPL e da TIR utilizou-se o WACC como taxa de desconto. Nos dois métodos de avaliação nota-se a viabilidade econômica do novo negócio, pois o VPL do projeto - considerando os valores incrementais de receitas, despesas, deduções e custos – foi positivo e maior que o VPL do projeto sem o novo negócio. Já a taxa interna de retorno (TIR) calculada (25,3%) apresentou um índice maior que a taxa de desconto do projeto (WACC), calculada em 17,36%. Para calcular o retorno do investimento pelo método Payback Descontado todos os fluxos encontrados foram descontados à taxa WACC de 17,36% e o tempo de retorno foi de 4 anos; 8 meses e 6 dias. 6.4. ANÁLISE DO PONTO DE EQUILÍBRIO O Ponto de Equilíbrio ou Break Even Point é a fase alcançada pela empresa onde as receitas totais se igualam aos custos e despesas totais. A seguir serão apresentadas as tabelas que ilustram o cálculo de unidades terminais remotas – produto: MZX-Lite - necessárias para atingir o ponto de equilíbrio do projeto. Para isso é necessário calcular, previamente, a margem de contribuição unitária de cada unidade vendida. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 72 Tabela-8: Margem de Contribuição do produto MZX-Lite Fonte: Autor, 2013 Tabela-9: Ponto de Equilíbrio do projeto Fonte: Autor, 2013 7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Analisando-se as projeções financeiras do projeto, considerando a atuação num mercado que antes não era explorado prioritariamente pela empresa Wirelex Telecom, nota-se sua viabilidade principalmente pelas oportunidades que o mercado de soluções M2M pode proporcionar em termos de rendimentos, ou seja, ainda há espaço para um novo competidor. 7.1. DESENHO DA ESTRATÉGIA A estratégia definida será desenhada em conjunto com a empresa de consultoria externa. Os principais objetivos da consultoria em planejamento estratégico e marketing serão: Mapear as regiões prioritárias para a exploração de novos clientes; Revisar preço e portfólio dos produtos que serão comercializados; Definir estratégia de posicionamento da empresa no mercado de interesse. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 73 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO, A.; AMP Araújo. A Contabilidade Tradicional e a Contabilidade Baseada em Valor. Revista Contabilidade & Finanças - USP, São Paulo, n. 33, p. 16 - 32, 2003. BRUM, Analisa M. Endomarketing: Estratégias de Comunicação Interna para Empresas que Buscam a Qualidade e a Competitividade. Porto Alegre: Ortiz, 1994. BRUNI, A. L.; SOUZA, A. F.; LUPORINI, C E. M. Determinação do Valor da Empresa através do Fluxo de Caixa Descontado: Um Estudo de Caso. São Paulo, 1997. COHEN, R. D. Incorporating Default Risk Into Hamada's Equation for Application to Capital Structure. Wilmott Magazine, 2007. DAMODARAN, A. Avaliação de Investimentos: Ferramentas e Técnicas para a Determinação do Valor de Qualquer Ativo. 5º Reimpressão. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003. KIM, W. Chan & MAUBORGNE, Renée. Estratégias do Oceano Azul – Como Criar Novos Mercados e Tornar a Concorrência Irrelevante. Rio de Janeiro: Campus, 2005. KOTLER, Philip. Administração de Marketing – 10ª Edição, 7ª reimpressão – Tradução Bazán Tecnologia e Lingüística; revisão técnica Arão Sapiro. São Paulo: Prentice Hall, 2000. MONTEVECHI, J. A. B.; PAMPLONA, E. O. "Apostila do Curso de Engenharia Econômica I." (2006). PORTER, M. E. Estratégia Competitiva: Técnicas para Análise de Indústrias e da Concorrência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. ROSS, Stephen A.; WESTERFIELD, Randolph W.; JORDAN, Bradford D. Princípios da Administração Financeira. 8ª Edição. São Paulo: Atlas, 2008. SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Editora Atlas, 1996. SUTTER, M.B.; CALIL, F. G.; TOLEDO, G. L. Estratégias de Crescimento e Competitiva: Um Estudo de Caso sobre a Evolução dos Conceitos em uma Empresa Brasileira do Ramo Textil. São Paulo, 2012. WESTON, J. Fred; BRIGHAM, Eugene F. Fundamentos da Administração Financeira. São Paulo: Makron Books, 2000. PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS 74 9. ANEXOS Anexo-1: Ibbotson Risk Premia Over Time Report - 2011 10. GLOSSÁRIO Beta: coeficiente que mede o risco não diversificável a que um ativo está sujeito. Capex: Dispêndios de capital, ou investimentos em manutenção e/ou expansão de capacidade. CAPM: Modelo de Precificação de Ativos. EBITDA: Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Prêmio de Risco de Ações: retorno adicional em relação à taxa livre de risco exigida pelos investidores para compensar o risco adicional assumido quando da realização de um investimento no mercado de ações. WACC: Custo Médio Ponderado de Capital (taxa de desconto). PLANO DE NEGÓCIOS PARA TRANSFORMAR UMA SPIN-OFF NUMA UNIDADE DE NEGÓCIOS