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09/03/2010 | 0::00
Tribuna do Norte: Morte de moreias é um mistério
Morte de moreias é um mistério
Publicação: 09 de Março de 2010 às 00:00
A análise das amostras dos animais mortos, de algas marinhas e das águas do
Atlântico Sul coletadas por técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente
e Recursos Renováveis (Ibama) da ong Oceânica, no dia de ontem, é o ponto
de partida para esclarecer as causas da mortandade de moreias e peixes,
ocorrida no fim de semana ao longo da costa ao norte de Natal.
O superintendente regional adjunto do Ibama, Luiz Eduardo Bonilha, disse
que as amostras foram coletadas "para se tentar fazer um laudo preliminar"
sobre o acidente ambiental ocorrido na fauna marinha no litoral que banha os
municípios de Extremoz, Ceará Mirim, Maxaranguape e Rio do Fogo.
Luiz Eduardo Bonilha disse que ainda não se podia apontar se foram causas
artificiais ou naturais que provocaram a mortandade dos animais marinhos,
embora ele falasse em algumas hipóteses, como o aumento da temperatura da
água do mar ou até envenenamento por algas marinhas tóxicas, mas sem
afastar a possibilidade da contaminação por derramamento de óleo na costa
devido à atividade petrolífera.
Bonilha explicou que o acidente "não é associado à atividade pesqueira", em
virtude dos animais mortos terem aparecido numa faixa muito extensa da
costa. Segundo ele, quando isso ocorre, os peixes ou animais marinhos mortos
se concentram mais numa determinada faixa do litoral.
Ele estima que a partir de amanhã até o fim de semana, o Ibama poderá
divulgar um laudo preliminar sobre o caso das moreias encontradas nas praias
de Jacumã, Pitangui, Muriú, Jacumã, Maracajaú e Punaú. "As moréias são da
espécie verde", disse o superintende adjunto do Ibama
Moradores e pescadores dessas praias afirmaram que a situação começou a se
agravar na manhã de domingo. "Eram apenas algumas mortas, mas na manhã
de domingo a quantidade ficou assustadora. Enquanto caminhava pela beira da
praia, contei 1.250 moreias mortas", afirmou um morador da praia de Muriú, o
aposentado Oton Osório, 72 anos.
Além de dificultar a caminhada matinal dos banhistas, os peixes mortos na
areia também causam mau cheiro. "Os urubus não estão dando conta de tanta
carniça. A noite, não há quem aguente o cheiro de peixe apodrecido", afirmou
Oton Osório.
As moreias não foram as únicas espécies encontradas mortas na praia. Em
número bem menor, peixes de outras espécies, como bagres, baiacus e
moriongos, também havia morrido e chegado às margens da praia de Muriu.
"Em mais de 40 anos pescando nessa praia nunca vi nada do tipo, nem com
moreias, nem com outros peixes. Não faço a menor ideia do que pode ter
causado tantas mortes", afirmou o pescador Sebastião da Silva, 65 anos.
Espécie
Peixes ósseos, anguiliformes, da família dos murenídeos. Têm como uma das
suas principais características o corpo longo e cilíndrico. Há cerca de 200
espécies distribuídas por 15 gêneros, das quais a maior mede 4 metros de
comprimento e pesa 15 quilos. As moreias habitam cavidades rochosas,
preferencialmente, próximo a corais. Possuem hábitos noturnos e são animais
carnívoros, se alimentando de polvos, crustáceos e peixes pequenos. Não têm
escamas e, ao contrário do que se divulga, também não são venenosas.
Temperatura está mais alta
O chefe do Setor de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do
Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, explicou que, realmente, a
temperatura da água do mar, desde a costa do Pará e até o sul do Brasil, "está
acima do normal em até 1.5 e dois graus".
CEPETEC INPE
http://150.163.133.64/repositorio/noaa_all/
tsm_web/tsm_mosaico/2010/04/
S11687153_201004060000.jpg
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Publicação: 09 de Março de 2010 às 00:00 A análise das amostras