UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM MATEMÁTICA ADENIR LOPES O USO DE MÉTODOS PRÁTICOS PARA UM MELHOR ENTENDIMENTO DE FIGURAS GEOMÉTRICAS CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2005 1 ADENIR LOPES O USO DE MÉTODOS PRÁTICOS PARA UM MELHOR ENTENDIMENTO DE FIGURAS GEOMÉTRICAS Monografia apresentada à Diretoria de Pósgraduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense- UNESC, para a obtenção do título de especialista em Matemática Orientador: Profª. MSc. Adriane Brogni Uggioni CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2005 2 Dedico este trabalho a todos os professores que me ajudaram, acompanhando minha pós, todo em aos meu que estiveram percurso especial a na minha orientadora, Adriane, que, acima de tudo, é muito mais que uma amiga. 3 “Não importa na pessoa, a sua beleza física, posição social ou cargo, mas sim a sua sensibilidade para encarar o mundo como um todo, e concretizar a difícil tarefa de espalhar a semente da sensibilidade, fraternidade, paz e, principalmente, o amor e a fé em Deus!” Beto - 1997 4 RESUMO O trabalho que segue trata-se de uma pesquisa pedagógica com fins de testar técnicas que possam auxiliar o professor no uso de novas abordagens dentro do estudo da geometria. Este projeto de pesquisa foi feito com o objetivo de enfatizar as dificuldades de assimilação que os alunos têm em relação à geometria, principalmente a plana que, muitas vezes, e graças ao currículo escolar em determinadas séries, não é vista, ou totalmente separada de outros conteúdos como a álgebra. Partindo desse aspecto, levantamos a seguinte problematização: “A utilização de material concreto em sala de aula pode contribuir para a melhor compreensão de figuras geométricas?” Com o objetivo de responder a esse questionamento, foi desenvolvido um trabalho acompanhado de algumas atividades pedagógicas para que os alunos pudessem distinguir as diferentes figuras geométricas e desenvolver a capacidade de percepção, tanto de forma individual quanto em grupo. Para tanto, inicialmente foram aplicados testes com o intuito de sondar o grau de conhecimento dos alunos. Depois de aplicados estes testes, foram preparadas aulas onde os alunos trabalharam em grupos ou individualmente, com material concreto para descobrirem, através desse trabalho, as fórmulas que os levariam a achar a área das figuras geométricas planas. O material concreto utilizado geralmente era papel quadriculado, cartolina, papel cartão e outros do gênero. Até se pensou em trabalhar em algo mais moderno, como desenvolver atividades no campo computacional, mas, devido à realidade que enfrentamos e o descaso de que muitas vezes a educação é acometida por parte dos órgãos competentes, isso não foi possível. Ao final dessas aulas foram aplicados novamente os testes para uma averiguação da retenção dos novos conhecimentos. Assim, chegamos à conclusão de que, utilizando material concreto em sala de aula, o aluno compreenderá melhor os cálculos que envolvem as figuras geométricas. Palavras-chave: Pesquisa pedagógica; Técnicas; Geometria; Material concreto. 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Ficha de avaliação dos alunos da 5ª série da E.E.B. Natálio Vassoler realizada durante a aplicação da pesquisa ........................................................ 25 Tabela 2. Notas alcançadas pelos alunos da 5ª série da E.E.B. Natálio Vassoler no pré e pós-teste ................................................................................................ 26 Tabela 3. Quantidade de alunos por nota .......................................................... 29 6 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1. .............................................................................................................. 27 Gráfico 2. .............................................................................................................. 28 7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 09 1.1 Enunciado do problema................................................................................. 09 1.2 Objetivos ......................................................................................................... 09 1.2.1 Objetivo geral .............................................................................................. 09 1.2.2 Objetivos específicos.................................................................................. 09 1.3 Justificativa..................................................................................................... 09 1.4 Hipóteses do trabalho.................................................................................... 11 1.5 Dificuldades e alterações .............................................................................. 11 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 13 2.1 Universo teórico ............................................................................................. 13 2.2 Conceituário básico ....................................................................................... 19 3 METODOLOGIA ................................................................................................. 21 3.1 Delineamento da pesquisa ............................................................................ 21 3.2 Descrição da população e da amostra ......................................................... 21 3.3 Métodos e técnicas utilizadas ....................................................................... 22 3.3.1 Metodologia da pesquisa bibliográfica ..................................................... 22 3.3.2 Metodologia da pesquisa de campo .......................................................... 22 3.4 Descrição dos instrumentos ......................................................................... 23 3.4.1 Instrumentos de avaliação ......................................................................... 23 3.4.2 Material concreto......................................................................................... 24 3.5 Descrição da coleta de dados ....................................................................... 24 4 ANÁLISE DOS DADOS E TRATAMENTO DOS DADOS .................................. 25 8 4.1 Evidenciação dos resultados ........................................................................ 26 4.2 Interpretação dos resultados ........................................................................ 30 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................. 31 5.1 Conclusões ..................................................................................................... 31 5.2 Recomendações............................................................................................. 32 REFERÊNCIAS...................................................................................................... 33 REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES ................................................................. 34 APÊNDICE............................................................................................................. 35 9 1 INTRODUÇÃO 1.1 Enunciado do problema A utilização de material concreto em sala de aula pode contribuir para a melhor compreensão de figuras geométricas? 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral Descobrir, junto aos alunos, o verdadeiro e importante valor do material concreto no estudo da geometria como meio de construção do conhecimento, primeiro pelo modo prático e, em seguida, fazendo a generalização do que foi aprendido. 1.2.2 Objetivos específicos - Capacitar os alunos a distinguirem as diferentes figuras geométricas; - Desenvolver a capacidade de trabalho em grupo e individual. 1.3 Justificativa O professor sente-se gratificado ao perceber que seu educando está 10 conseguindo desenvolver as atividades propostas. Sente-se ainda mais recompensado quando a aprendizagem é fruto de seu esforço como professor. Porém, para que isso ocorra com maior freqüência, é necessário que eles se encontrem permanentemente em estado de renovação, atualizando-se em técnicas de aprendizagem para que seus alunos possam aprender. Sabe-se que um professor encontra muitas dificuldades para conseguir que seus alunos aprendam, porém, o que mais o atrapalha nessa caminhada é a falta de tempo para cumprir o programa. Muitas vezes os professores pecam no ato de se preocuparem em cumprir o programa fazendo de suas aulas uma sucessão de perguntas e respostas, onde quem pergunta é sempre os alunos, e quem responde é o professor. A conseqüência de toda essa pressa é o baixo índice de aprendizagem encontrado no final de cada grau de ensino. A geometria é um conteúdo que, por muitas vezes, aparece no final do ano letivo. Então, geralmente, não há tempo de ministrá-la e as aulas não passam de somente um conjunto de normas e fórmulas para que o aluno memorize, sem saber o sentido ou para que servem. São raras as escolas públicas que conseguem oferecer aos seus alunos algumas noções de conceitos geométricos, caracterizando o que Pavanello (1993, p. 03) denomina de “o abandono do ensino de geometria”. Por esse motivo a maioria dos alunos sente dificuldades neste conteúdo, pois o esquecem rapidamente. Voltando na história, o modo como os egípcios usavam a geometria despertou o interesse dos matemáticos, pois concluíram que, se os alunos trabalhassem a geometria com as mãos, medindo, construindo, desenhando, eles a entenderiam melhor. E se fossem bem orientados, poderiam descobrir e chegar as 11 conclusões que o professor sempre deu pronta para os alunos, como nos confirma Bertoni (2000, p. 22) na revista do professor de Matemática, quando diz: “Finalmente um balanço do curso: houve grande freqüência às aulas, diálogos ativos entre alunos e muito envolvimento nas atividades propostas, revelando entusiasmo e concentração.” Com o intuito de adotar novas técnicas e apresentá-las aos professores como sendo mais uma ferramenta a se utilizar para quebrar essa mesmice por que passa a Matemática, foi que se formulou tal problemática, pensando-se em novas maneiras de se inovar o estudo de tal disciplina escolar. 1.4 Hipóteses do trabalho 1. Trabalhando com material concreto, os alunos de 5ª série terão maior interesse pela aula; 2. Trabalhando com material concreto os alunos da 5ª série irão distinguir as figuras geométricas; 3. Trabalhando com material concreto os alunos poderão calcular a área das figuras geométricas sem o auxílio de fórmulas; 4. Trabalhando com material concreto os alunos poderão deduzir as fórmulas que definem as áreas das figuras geométricas. 1.5 Dificuldades e alterações No decorrer do trabalho a pesquisadora encontrou algumas dificuldades tais como: 12 - os alunos não tinham noção de geometria, embora no currículo dos anos anteriores constasse esse conteúdo; - na construção das fórmulas também não era exigido cálculo das áreas das figuras geométricas estudadas, devido ao grau de amadurecimento dos alunos, eles não conseguiam generalizar os números e substituí-los por letras. Por esses motivos a pesquisadora teve que fazer pequenas alterações nas aulas que foram ministradas. Essas alterações consistiam em não exigir de seus alunos fórmulas apresentadas em provas, visto que a maioria deles fazia os cálculos “de cabeça”. Além dessas dificuldades, nada mais houve que alterasse as previsões feitas no decorrer do processo ensino-aprendizagem. 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Universo teórico Uma educação de qualidade deve ser dirigida para o desenvolvimento pleno da pessoa e para reforçar o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais (Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948, Art. 26). O grande desafio que se apresenta agora, para os educadores matemáticos, é reconhecer como o ensino da matemática está inserido e contribuindo para essa meta maior da educação. Grande parte dos conteúdos que ainda hoje são ensinados vem de uma época em que a educação não era para todos, uma vez que deviam atender os objetivos e interesses da elite dos séculos XIX e XX. Observa-se, então, que os conteúdos defasados e obsoletos, em grande parte inúteis e desinteressantes, não atendem mais as necessidades cotidianas que agora se apresentam. Hoje as crianças estão expostas a uma enorme variedade de experiências resultantes de uma multiplicidade de situações e de meios, destacando o amplo espaço ocupado pela mídia, particularmente a televisão, que leva a conteúdos que vão desde telejornais a filmes de ficção (na sua grande maioria carregados de violência). Assuntos estes muito mais interessantes que o conteúdo apresentado pelo professor na escola convencional seguindo um programa tradicional que, em geral, tem pouca ou nenhuma utilidade na vida real do educando. Todas essas observações são convites a uma reflexão sobre a formação 14 dos professores, os quais tendem a ensinar como foram ensinados, tendo como agravante a falta de aprimoramento resultante da falta de tempo (pois trabalham até sessenta horas semanais), falta de recursos financeiros (o salário não condiz com a profissão), falta de incentivo por parte das entidades onde trabalham, entre outros. A escola, por sua vez, que seria um espaço privilegiado para relacionar o saber do passado com o fazer, criando o novo, não tem condições de oferecer isso por não dispor de recursos humanos, nem materiais suficientes e nem agilidade para evitar que a visão de passado e as novas experiências caiam no maçante e repetitivo, sendo rejeitado pelos alunos. Rejeição esta que se traduz nos baixos resultados mostrados em testes e exames, no desinteresse generalizado e na evasão. Com tudo isso, a aprendizagem fica mais difícil e o aluno vai para as séries posteriores, quando vai, não gostando de estudar matemática. O ideal seria realizar um estudo da matemática através das descobertas feitas pelo próprio aluno, processo este utilizado por Piaget. Sabendo que isso é pouco aplicado hoje, o presente trabalho tem como principal objetivo dinamizar as aulas de matemática de uma forma a fazer com que os alunos, além de aprenderem a matéria, passem também, se não gostarem, a aprendê-la com menos dificuldades. Este ponto poderia ser simplificado com uma vivência da álgebra, pelos alunos, desde suas séries iniciais, o que levaria a uma familiarização do conteúdo e, portanto, um melhor aprendizado. As últimas pesquisas em Psicologia da Aprendizagem Infantil demonstraram que uma criança de 4 anos já podia escrever, ler e ser introduzida na álgebra. É claro que esse ensino dependeria de formas de aprendizagem científicas apropriadas. Não seria com nossos métodos anacrônicos que iríamos obter mais resultados (TELES, 1990, p. 107). 15 Obter uma aprendizagem, como se vê, não é tão simples assim, precisamos de técnicas que desenvolvam na criança seu espírito criativo, que a faça pensar. Sabe-se que a maioria das crianças chega às escolas com vários fatores que a impedem de desenvolver sua capacidade de pensar e, conseqüentemente, aprender. Esses fatores se fossem enumerados seriam muitos, e é sabido que, cada criança que entra na escola tem seus problemas característicos. Podem-se citar alguns exemplos como: tensão, conflito, angústia e ansiedade como fatores emocionais provenientes do meio familiar, problemas de motivação e de comunicação ou falta de conhecimentos anteriores. Cabe ao professor a difícil tarefa de superar toda essa carga emocional e conseguir que o aluno desenvolva e aprenda com aulas mais dinâmicas e direcionadas. Essa importante tarefa está justificada em uma frase de Raths (1977, p. 14) que diz: “A cada hora do dia na escola não estamos vivendo apenas essa hora; estamos auxiliando na criação do mundo”. Auxiliar nesta criação é uma responsabilidade muito grande para o professor que, muitas vezes, não toma consciência disso e não utiliza devidamente as operações que enriqueceriam o solo fértil da mente de seus alunos. Para um professor desenvolver a capacidade de pensar em seu aluno, não são necessárias operações novas, mas sim a utilização correta das operações já existentes, o que levaria o aluno a desenvolver sua capacidade de pensar. Comparação, resumo, observação, classificação, interpretação, crítica, suposições, imaginação, obtenção e organização de dados, hipóteses, aplicação de fatos e princípios a novas situações, decisão, planejamento de projetos e pesquisas, codificação (RATHS, 1977, p. 19). 16 Explicar todas essas operações deixaria o leitor cansado e esse não é o objetivo. Claro está que cada uma seria usada num momento apropriado conforme a necessidade de cada classe, e relacioná-las com matemática dependeria da criatividade do professor. Mas antes de toda essa batalha que o professor enfrenta com a aprendizagem do aluno, ele tem que enfrentar uma verdadeira guerra contra o tempo para poder cumprir o programa. E esse programa, muitas vezes, se torna tão fundamental e tão cobrado que o professor não consegue dar ênfase na apresentação de idéias, nos porquês e no significado do que se faz, apresentando ao aluno apenas uma linguagem simbólica, com muitas regras e esquemas. Isso pouco a pouco leva a criança, que naturalmente é criativa, curiosa e exploradora, a ser conformista, querendo seguir todas as recomendações inibidoras do professor, com o objetivo de agradá-lo. Conseqüência de toda essa pressa é o baixo índice de aprendizagem apresentado pelos alunos ao final de cada grau de ensino. [...] para que pressa? Se fizéssemos uma avaliação no final da 8ª Série do 1º grau (como também no final de todos os níveis de ensino) para detectar o que ficou realmente de significado após 8 anos de estudos, teríamos uma grande surpresa. E aí, como justificar aquela pressa toda? (DANTE, 1989, p. 33). Depois de tudo isso, deve ter ficado claro o porquê dos alunos não gostarem de matemática. Como gostar de algo que não se entende, ou mesmo não se sabe de onde veio e muito menos para que serve? Muitos professores de matemática já foram surpreendidos com a pergunta: 17 “Professor onde vou usar isso?”; e não são poucos os alunos que recebam a frustrante resposta: “Mais tarde isso vai servir”. Porém, do que adianta esse “mais tarde vai servir” se, quando realmente serve, o aluno já esqueceu as “regras” que o ajudariam a resolver o suposto problema, e o professor volta ao “Isso você resolve assim”, recitando novamente uma ladainha de regras e métodos. Novamente o professor dá de presente ao aluno a resposta, e como num círculo vicioso o aluno novamente memoriza regras que esquece mais tarde. E quando lhe perguntam qual a matéria que menos gosta cai na eterna resposta: “Matemática”. Claro que existe algumas exceções, porém outro autor nos afirma isso quando diz que: Até o ponto de serem as ciências em particular a matemática, vistas como disciplinas escolares as maiores responsáveis pela deserção escolar, por inúmeras frustrações e, em última instância, pela manutenção de uma estratificação social inaceitável ou, pelo menos, injusta (D’AMBROSIO, 1986, p. 84). Esse mesmo autor nos cita também que, na Idade Média começou-se a usar a matemática prática em algumas idéias da matemática erudita, no campo da geometria, ganhando, assim, maior importância. Porém, parece que com o passar do tempo, devido aos currículos escolares colocar os conteúdos de geometria para os bimestres finais, os professores em geral não conseguem ter tempo suficiente para aplicar uma geometria prática, voltando-se novamente para a geometria erudita, enfatizando fórmulas que possibilitam ao aluno resolver problemas imediatos sem que seja preciso para isso usar sua capacidade de pensar. 18 Isso nos leva novamente a uma memorização temporária, que logo será esquecida, como confirma Bertoni (2000, p. 18) em seu artigo: “Verificamos, logo no começo, que a classe era heterogênea e que os alunos tinham escasso conhecimento de figuras planas, de suas propriedades, suas fórmulas das áreas e justificativas das mesmas”. Por outro lado, verifica-se o que é mais sério ainda, que os alunos não sabem para que serve estudar tantas fórmulas referentes a essas figuras, que por falta de relacionamento com o cotidiano, não as visualizam em sua vida diária. Isso se tornou assunto de pesquisa, pois muitos professores se perguntaram por que algo tão antigo, usado a milênios, tornou-se algo tão complicado, ou é esquecido rapidamente por nossos alunos. Para tentar resolver esse problema seria preciso conhecer um pouco da história da geometria com o intuito de encontrar, na sua utilidade, a necessidade de aprendê-la. A geometria é uma parte da matemática que não tem sua origem bem clara. Uns afirmam que ela nasceu no Egito, com a necessidade de se fazer novas medidas de terras após inundações no vale do rio Nilo; outros acharam que a existência de uma classe sacerdotal é que havia conduzido ao estudo da geometria. Alguns autores defendem a idéia de que foram os filósofos que colaboraram para o desenvolvimento do estudo desta ciência. Arquimedes, Euclides, Tales, Pitágoras e Platão, tiveram a sua parcela de contribuição, cada qual, usando experiências e reflexões diferentes, sistematizaram esse conhecimento. 19 Tales, sem subir na pirâmide de Queóps, conseguiu medi-la pela sua sombra. Pitágoras aperfeiçoou este conhecimento com o Teorema de Pitágoras (relação existente entre as medidas de lados de qualquer triângulo retângulo). Euclides, com a geometria plana, deu forma dedutiva, aproveitando os trabalhos realizados anteriormente. Arquimedes foi o primeiro matemático a determinar a relação aproximada do diâmetro para com a circunferência, a quadratura da parábola, as propriedades das espirais, são atribuídas ao parafuso, as roldanas, a teoria da alavanca, e também a área de círculo de raio R. Já, Platão, relacionou sobre uma figura, a aritmética na geometria, a astronomia e a harmonia, portanto a geometria esta acima de tudo (OLIVEIRA, 1970, p. 391). Porém, para essas afirmações não foi considerado o homem neolítico que, com pouca necessidade de medir terras, tem em seus desenhos e figuras uma preocupação com as relações espaciais, o que abriu caminho para a geometria. Portanto, não se tem em exato a data de origem da geometria. Mesmo assim, o modo como os egípcios a utilizaram para medir terras despertou o interesse de matemáticos que usaram esse método para explicar as figuras geométricas planas. É destes exemplos, que estes estudiosos deixaram, que buscamos testar técnicas para que o ensino da matemática torne-se mais acessível, o que acaba nos levando à questão: A utilização de material concreto em sala de aula pode contribuir para a melhor compreensão de figuras geométricas? 2.2 Conceituário básico Concreto – Entende-se por concreto tudo aquilo que se pode manusear, tocar, medir. Material Concreto – É o material que foi utilizado nas aulas. Esse material foi utilizado pelos alunos para a manufatura das figuras geométricas. É denominado de material concreto, pois as aulas serão baseadas em figuras feitas com sucata. Interesse – O interesse do aluno foi avaliado através de sua participação 20 em aula e a vontade com que realizou os exercícios ministrados. Distinguir – A distinção de uma coisa para outra é feita quando se percebe características particulares de cada objeto. Por isso a distinção das figuras geométricas foi avaliada no pós-teste onde o aluno mostrou, por meio da resolução das questões, que sabia distinguir figuras geométricas planas. Calcular – O ato de calcular é resolver, através da aritmética, expressões matemáticas. Dessa forma o aluno foi avaliado no pós-teste quando mostrou que sabia calcular a área de figuras geométricas planas resolvendo os exercícios. 21 3 METODOLOGIA 3.1 Delineamento da pesquisa O método utilizado será o modelo de grupo único com pré e pós-teste. Neste modelo, a verificação das variáveis dependentes ocorre tanto antes como depois do tratamento experimental. Este modelo é simbolizado da seguinte forma: M1 X M2 Onde: M1 = Pré-teste X = Tratamento (material concreto) M2 = Pós-teste 3.2 Descrição da população e da amostra A pesquisa foi realizada com uma turma de 5ª série da E.E.B. Natálio Vassoler, da rede estadual de ensino, na cidade de Forquilhinha – SC, onde exerço minhas atividades educacionais e profissionais. A 5ª série possuía 13 meninas e 19 meninos, totalizando 32 alunos numa faixa etária que variava de 11 a 13 anos. O nível sócio econômico era de médio para baixo. O bairro onde se situa a escola é próximo ao centro da cidade, sendo que 22 os alunos moram nos arredores da escola. 3.3 Métodos e técnicas utilizadas 3.3.1 Metodologia da pesquisa bibliográfica Para uma melhor orientação dos pesquisadores no decorrer das aulas, foram dadas listas de livros selecionados pelos professores para pesquisa. Dessas listas foram selecionados pela autora os livros que continham o assunto aqui pesquisado. Após a seleção, os livros foram lidos e seus conteúdos grifados para uma melhor memorização dos trechos que interessavam a pesquisadora. O material colhido foi organizado e serviu de base para o universo teórico da pesquisa. 3.3.2 Metodologia da pesquisa de campo O presente trabalho foi realizado na E.E.B. Natálio Vassoler, da cidade de Forquilhinha – SC, nos meses de setembro e outubro. O estudo piloto foi realizado no mês de agosto com o intuito de avaliar o pré e pós-teste. Esse estudo foi feito com a professora Mônica Freitas, a qual trabalha na mesma escola que a pesquisadora. Após esse estudo piloto, foi realizado inicialmente o pré-teste com o interesse de saber qual a profundidade dos conhecimentos dos alunos sobre o 23 assunto. Depois disso, foi iniciada a experiência utilizando-se 6 aulas. Nessas aulas foram desenvolvidos conceitos e temas pertinentes à geometria e, ao final de cada aula, eram dadas aos alunos umas notas de participação, que ficava sendo como uma avaliação da turma. Essa experiência teve como característica principal o emprego do raciocínio para que o aluno chegasse às conclusões desejadas pelo professor. Além disso, o aluno deveria aplicar esse conhecimento adquirido em novas situações que foram levantadas posteriormente nas aulas. Após o término da experiência o pesquisador aplicou o pós-teste com o objetivo de comparar com o pré-teste e assim poder avaliar a validade da experiência que foi realizada. 3.4 Descrição dos instrumentos 3.4.1 Instrumentos de avaliação Os instrumentos de avaliação utilizados nessa pesquisa foram um pré e um pós-teste, sendo que as questões enfocadas no pré-teste foram as mesmas avaliadas no pós-teste (Anexo 1). As questões propostas no pré e pós-teste, a princípio, podem até ser consideradas de nível fácil, mas deve-se levar em consideração que esses mesmos alunos só tiveram ambientação com a geometria a partir da efetivação de nossa proposta de trabalho. 24 3.4.2 Material concreto Foi utilizado como material concreto: - cartolina; - papel cartão; - lápis; - cordão; - borracha; - tesoura; - régua; - papel quadriculado. 3.5 Descrição da coleta de dados Os dados da presente pesquisa foram coletados na E.E.B. Natálio Vassoler em uma turma de 5ª série que continha 32 alunos. Esses dados foram aferidos e coletados pela professora Mônica e supervisionados por mim. 25 4 ANÁLISE DOS DADOS E TRATAMENTO DOS DADOS Os dados coletados referentes à ficha de avaliação dos alunos, pré e pósteste, foram organizados em tabelas e gráficos. Tabela 1. Ficha de avaliação dos alunos da 5ª série da E.E.B. Natálio Vassoler realizada durante a aplicação da pesquisa ALUNOS AULA 1 01 9,0 02 8,0 03 8,0 04 05 7,0 06 9,0 07 9,0 08 9,0 09 9,0 10 11 9,0 12 9,0 13 9,0 14 9,0 15 9,0 16 8,0 17 9,0 18 8,0 19 9,0 20 9,0 21 9,0 22 7,0 23 9,0 24 9,0 25 9,0 26 9,0 27 7,0 28 9,0 29 9,0 30 9,0 31 9,0 32 - AULA 2 7,0 8,0 9,0 8,0 8,5 8,0 8,0 5,0 9,0 10,0 8,5 9,0 10,0 8,0 8,0 9,0 10,0 8,5 8,0 8,0 5,0 8,5 8,0 8,0 5,0 9,0 Fonte: Dados da pesquisadora. AULA 3 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 7,0 7,0 7,0 7,0 AULA 4 7,0 8,0 7,0 8,0 7,0 8,0 8,0 9,0 8,0 9,0 7,0 9,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 8,0 9,0 8,0 7,0 8,0 8,0 9,0 8,0 9,0 AULA 5 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 7,0 8,0 8,0 8,0 7,0 8,0 7,0 8,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 7,0 7,0 8,0 7,0 8,0 8,0 7,0 8,0 7,0 8,0 8,0 8,0 AULA 6 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 8,0 8,0 8,0 8,0 7,0 8,0 7,0 8,0 7,0 7,0 7,0 7,0 7,0 8,0 7,0 7,0 8,0 8,0 8,0 8,0 7,0 8,0 8,0 8,0 8,0 8,0 MÉDIA 7,3 7,5 7,5 7,4 7,0 8,2 8,0 8,1 7,5 8,2 7,8 8,4 7,8 8,5 7,4 7,5 7,2 7,5 7,8 8,5 7,4 7,0 8,2 8,0 8,1 7,5 7,0 8,2 8,0 8,1 7,5 8,2 26 4.1 Evidenciação dos resultados Tabela 2. Notas alcançadas pelos alunos da 5ª série da E.E.B. Natálio Vassoler no pré e pós-teste ALUNOS 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 TOTAL Fonte: Dados da pesquisadora. PRÉ-TESTE 1,0 0,0 0,0 0,0 1,0 0,0 1,0 2,0 0,0 0,0 3,5 0,0 0,0 2,5 0,0 1,0 1,0 0,0 1,5 0,0 1,0 1,0 0,0 0,0 2,0 2,0 0,0 0,0 3,5 0,0 1,0 1,0 26,5 PÓS-TESTE 7,5 7,0 6,5 5,5 7,0 9,5 6,0 7,0 7,0 9,5 7,0 7,5 5,5 8,0 5,0 9,0 5,0 9,0 5,0 7,5 9,5 8,0 7,0 5,5 6,0 8,5 9,0 5,0 6,5 7,5 8,5 9,0 231 27 Gráfico 1. Notas dos alunos obtidas no pré-teste NOTAS DOS ALUNOS OBTIDAS NO PRÉ-TESTE 6% 3% 0.0 9% 3% 28% Fonte: Dados da pesquisadora. 1.0 51% 1.5 2.0 2.5 3.5 28 Gráfico 2. Notas dos alunos obtidas no pós-teste NOTAS DOS ALUNOS OBTIDAS NO PÓS-TESTE 5.0 13% 5.5 13% 7% 10% 7% 10% 13% 7% 20% 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 Fonte: Dados da pesquisadora. 29 Tabela 3. Quantidade de alunos por nota NOTAS DO PRÉ-TESTE NOTAS DO PÓS-TESTE NOTAS Nº DE ALUNOS NOTAS Nº DE ALUNOS 0,0 16 0,0 0 0,5 0 0,5 0 1,0 9 1,0 0 1,5 1 1,5 0 2,0 3 2,0 0 2,5 1 2,5 0 3,0 0 3,0 0 3,5 2 3,5 0 4,0 0 4,0 0 4,5 0 4,5 0 5,0 0 5,0 4 5,5 0 5,5 3 6,0 0 6,0 2 6,5 0 6,0 2 7,0 0 7,0 6 7,5 0 7,5 4 8,0 0 8,0 2 8,5 0 8,5 2 9,0 0 9,0 4 9,5 0 9,5 3 10 0 10 0 Fonte: Dados da pesquisadora. 30 4.2 Interpretação dos resultados O gráfico referente à tabela número 2 nos mostra o resultado do pré e pós-teste aplicados nos alunos de 5ª Série da E.E.B. Natálio Vassoler. Os resultados obtidos nos mostram que, no pré-teste, os conhecimentos da maioria dos alunos se mostravam quase nulos e, após a implementação do projeto, os alunos aumentaram seu nível de conhecimento. Esses resultados tornam válidas as hipóteses abaixo descritas: • Trabalhando com material concreto, os alunos da 5ª Série irão distinguir as figuras geométricas; • Trabalhando com material concreto, os alunos poderão calcular a área das figuras geométricas sem o auxilio de fórmulas; • Trabalhando com material concreto, os alunos poderão deduzir as fórmulas que definem as áreas das figuras geométricas. No que se refere aos dados obtidos na ficha de observação referentes ao desenvolvimento de habilidades e atitudes, percebemos que os alunos tinham maior interesse nas primeiras atividades. Ao perceberem que a técnica se repetia foram perdendo o interesse não tornando totalmente válida a seguinte hipótese: “Trabalhando com material concreto, os alunos de 5ª série terão maior interesse pelas aulas”. 31 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 5.1 Conclusões Como foi observado no gráfico mostrado anteriormente, o rendimento de 8% no pré-teste passou para 72% no pós-teste, o que demonstra uma acentuada diferença nos resultados. Isso comprova que, utilizando material concreto em sala de aula o aluno compreende melhor figuras geométricas tornando verdadeiras as hipóteses 2, 3 e 4 já descritas anteriormente. Também, durante o desenvolvimento do projeto, fez-se uma ficha que tinha como objetivo avaliar o interesse do aluno. Observando a ficha que avaliava o interesse do aluno, notou-se que nas primeiras atividades os mesmos tinham bastante interesse e, nas demais, demonstraram menos. O desinteresse não pode ser considerado total, porém eles se acostumaram à técnica, o que nos leva a concluir que o professor precisa estar sempre se renovando para que suas aulas não caiam na rotina. Isso comprova que a hipótese nº 1 “trabalhando com material concreto, os alunos da 5ª série terão maior interesse pela aula”, não é totalmente verdadeira. Nos trabalhos desenvolvidos individualmente, os alunos, na sua grande maioria, demonstraram bastante insegurança. Porém, nos trabalhos em grupo percebeu-se nitidamente o senso de solidariedade, onde os que tinham mais facilidade na confecção de figuras auxiliavam os que apresentavam maior 32 dificuldade, ocorrendo, assim, uma grande interação entre os grupos. Essa interação mostra que o conhecimento não se faz apenas através de um esquema em que o professor ensina e o aluno aprende, mas, também, por meio de uma simples comunicação entre os educandos. 5.2 Recomendações As recomendações dadas pela pesquisadora são as seguintes: 1 – Nunca repetir muitas vezes seguidas a mesma técnica para ministrar suas aulas, pois isso cansa o aluno. 2 – Sempre procurar trabalhar geometria utilizando material concreto, pelo menos para exemplificar, pois isso facilita a visualização do que você está falando para o aluno. 3 – Testar a mesma técnica (material concreto) utilizada aqui em outras partes da geometria, como geometria espacial, volumes, etc. 33 REFERÊNCIAS BERTONI, Neuza. O erro como estratégia didática: estudo do erro no ensino da matemática elementar. São Paulo: Papirus, 2000. D’AMBROSIO, Ubiratam. Da realidade à ação: reflexões sobre educação e matemática. São Paulo: Summos Editorial, 1986. DANTE, Luiz Roberto. Didática de resolução de problemas de matemática: 1ª a 5ª séries para estudantes do curso de magistério e professores dos 1º grau. São Paulo: Ática, 1989. DECLARAÇÃO Universal dos Direitos Humanos, 1948. Disponível http://www.vello.sites.uol.com.br/ubi.htm. Acesso em: 20 out. 2005. em: OLIVEIRA, Antonio M.; SILVA, Agostinho. Biblioteca da matemática moderna. São Paulo: Lisa, 1970. PAVANELLO, Regina Maria. O abandono do ensino de geometria no Brasil: causas e conseqüências. Campinas, CEMPEM/UNICAMP, ano I, nº. 6, 1993. RATHS, Louis F. Ensinar a pensar. 2. ed. São Paulo: Pedagógica e Universitária, 1977. TELES, Antônio Xavier. Psicologia moderna. 23. ed. São Paulo: Ática, 1990. 34 REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES ANDRADE, Mariana; MORAES, Lídia Maria de. Mundo mágico. 3. ed. São Paulo: Ática, 1997. BICUDO, Maria Aparecida. Educação matemática. 1. ed. São Paulo: Moraes, 1987. BOYER, Carl B. História da matemática. 1. ed. São Paulo: Edgard Blucher Ltda, 1974. ESCHER, M. C. Geometria + laboratório. Revista do professor de matemática, Brasília, v. 2, nº. 2, p.18-22 1º Semestre, 1983. GIOVANNI, José Rui; FREITAS, Ornaldo. Pelos caminhos da matemática. São Paulo: FTD, 1994. HILLEBRAND, Vicente; ZARO, Milton. Matemática instrumental e experimental. 1. ed. Porto Alegre: Ática, 1984. 35 APÊNDICE 36 Anexo 1. Pré-teste e Pós-teste FORQUILHINHA, _______/________/2005. ALUNO: __________________________________________________________ 1. Dê exemplo das seguintes curvas abaixo: a) Curva aberta simples b) Curva aberta não-simples c) Curva fechada simples d) Curva fechada não simples 2. Observe os desenhos abaixo e diga os seus nomes: ............................... .............................. .............................. .............................. .............................. .............................. 37 3. Encontre o perímetro das figuras abaixo: 2 1 1 P= ............................. 2 2 2 2 P=.............................. 2 1 1 P=.............................. 1 2 2 2 P=.............................. 2 3 2 2 P=............................. 3 2 2 2 4 P=.............................. 38 4. Encontre a área das figuras abaixo: 2 2 2,5 4 A=................... A=.................. 3 2 2 2 3 A=.................. 3 A=................... 6 A=.................. 5. Problemas: a) Um terreno retangular tem 25 metros de frente e 43 metros de fundo. Qual a área do terreno? b) Qual é a área de um terreno quadrado que tem de lado 23 metros? c) Calcular a área de um triângulo que tem 20 metros de base e 4 metros de altura. d) Qual a área de um trapézio cuja base maior mede 20 metros, a base menor 12 metros e a altura 8 metros? e) Qual é a área de um losango cuja diagonal maior mede 8 metros e a diagonal menor 4 metros?