4 São Luís, 27 de setembro 2015. Domingo O Estado do Maranhão ALTERNATIVO A presença da colônia árabe no Maranhão Roda Viva Benedito Buzar [email protected] O marco temporal da chegada dos primeiros contingentes árabes no Brasil é a década de 1880, razão pela qual a colônia sírio-libanesa comemora nesta terça-feira, 29 de março, 135 anos de sua presença em terras brasileiras. No Maranhão, um grupo de descendentes árabes movimenta-se para a Câmara Municipal de São Luís, que tem a competência legal de dar nome aos logradouros públicos da cidade, e mediante lei, mudar o nome da Avenida Luis Eduardo Magalhães, no Calhau, para Avenida dos Libaneses, em homenagem a uma colônia, que depois da portuguesa foi a de maior presença em São Luís e com forte contributo nas áreas empresariais, políticas, científicas e culturais do Maranhão. Não é à toa que nada menos do que quatro descendentes árabes ocuparam o cargo de governador do Estado: Alfredo Duailibe, Antônio Dino, José Murad e Ribamar Fiquene. Se computarmos os eleitos para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa, bem como os que alcançaram os postos mais altos do Poder Judiciário, veremos, em toda plenitude, a marcante expressividade libanesa na estrutura institucional do Maranhão. Em dois momentos, os fluxos migratórios árabes ingressaram no Brasil. O primeiro, entre os anos 1880 e o começo de 1900, para se livrarem das perseguições movidas pelos turcos e pelo convite do imperador Pedro II, que, em visita diplomática ao Oriente Médio, concitou-os a substituírem o braço escravo, haja vista a abolição da escravatura. O segundo momento deu-se entre 1920 e 1940, quando o Brasil atravessava uma nova fase econômica e social, e precisava de mão de obra abundante para incrementar o processo de industrialização no sudeste brasileiro, mais notadamente São Paulo. Com respeito ao Maranhão, não há registros oficiais ou oficiosos que precisem a chegada dos pioneiros árabes. Nem os “Almanaques do Maranhão”, publicados na segunda metade do século XIX, que traziam informações preciosas sobre os estrangeiros que desenvolviam atividades econômicas, faziam alusão à participação dos sírio-libaneses. A única informação, assim mesmo duvidosa, sobre o assunto vem não se estabeleciam em São Luís, procuravam cidades localizadas do professor e médico Olavo Correia Lima. No opúsculo de sua au- às margens dos rios Itapecuru, Mearim e Pindaré, produtoras de toria, “Sírios e Libaneses no Maranhão”, publicado em 1986, afirma grande parte dos gêneros alimentícios que outras regiões do esque José Zequetervi, Miguel Mettre Heluy e José Nicolau Heluy foram tado consumiam. os primeiros árabes a chegar a São Luís, fato ocorrido em 1886 e ‘hósNessas cidades, chegavam sem saber falar o nosso idioma, mas pedes dos frades no Convento do Carmo’”. Sobre o que vieram aqui através de gestos conseguiam vender os produtos que mascateavam fazer nada foi revelado. e ainda recebiam as atenções dos moradores do lugar, principalNovas e mais categorizadas notícias acerca dos árabes no Brasil mente quando vinham acompanhados de mulher e filhos. datam do alvorecer do século XX, quando Foi dessa maneira que o Maranhão os receatraídos pelo mercado paulista, foram absorbeu e de braços abertos os ajudou a se torvidos em grande quantidade para o trabalho Nessa peregrinação pelo narem bem-sucedidos nas atividades produnas fábricas em processo de montagem. tivas, por conta das quais construíram famílias interior do Brasil, feita Anos depois, parte mais reduzida dela dessa e contribuíram decisivamente para o encorrente migratória, debandou para outras re- com coragem e sacrifício grandecimento e prosperidade das cidades. giões do país. Nessa empreitada, enfrentaram e quase sempre em Dentre os árabes que aportaram pioneiradificuldades de toda ordem, sobretudo com mente em nossa terra, figuram nomes que, lombos de animais ou relação aos meios de transporte, mas não se com o passar dos anos, tornaram-se embleintimidavam com as adversidades, pois, obs- usando os próprios pés, máticos pela participação e atuação em todos tinados como eram, só sossegavam quando os setores da vida maranhense, tais como: comercializavam encontravam lugar onde pudessem se instaSimão, Murad, Mettre, Salomão, Jorge, Duaibugigangas e com a lar e prosperar. libe, Aboud, Farah, Àzar, Damous, Maluf, Nessa peregrinação pelo interior do Brasil, venda delas Buzar, Fiquene, Sauaia, Fecury, Mouchereck, feita com coragem e sacrifício e quase sempre Saback, Tajra, Curi, Millet, Sekeff, Saem lombos de animais ou usando os próprios sustentavam-se faddy,Nazar, Mubarack, Abdala, Tomeh, Bouépés, comercializavam bugigangas e com a res, Waquim, Nahuz, Dino, Mattar, Francis, venda delas sustentavam-se e conquistavam estímulo e força na per- Boabaid, Chouairy, Assef, Zaidan, Mohana, Hadad, Haikell e Lauande. seguição dos objetivos que os levaram a deixar o país de origem. João e Rafiza Buzar, meus avós, quando chegaram a ItapecuruComo mascates, atividade na qual ninguém os superava, acumula- Mirim, já ali encontraram os patrícios Basílio e Paulo Simão, Chafi ram poupança e se estabeleceram como futuros comerciantes. Buzar, João Elias Murad e Jorge Assef. Em abril de 1913, eles deDentre os estados nordestinos, o Maranhão se deu bem com a pre- sembarcaram no porto de Salvador, de onde rumaram para a cidade sença das correntes migratórias procedentes da Síria e do Líbano. que os acolheu de modo fraternal, por isso, de lá nunca saíram. De Atraídos pelas condições que a natureza nos oferece, fixaram-se com mascates, transformaram-se em prósperos comerciantes, com a a vontade indômita de ganhar dinheiro e construir família. Quando ajuda dos filhos ali nascidos: Abdala e José João Buzar. Fotos/Divulgação TRAÇOS de Ciro Falcão Artista plástico expõe até o dia 30 deste mês na Biblioteca Pública Benedito Leite sua nova exposição artista plástico Ciro Falcão está em cartaz com a mostra “Quebra para fora”, sua 22ª exposição. Montada na Biblioteca Pública Benedito Leite (Centro) até o dia 30 deste mês, reúne telas inéditas que retratam cultura popular, lendas, casarões e temas relacionados a cidade de São Luís. De acordo com Ciro Falcão, no último dia da mostra, ele fará uma performance teatral baseada em poemas de Augusto dos Anjos e em canções de César Teixeira. “O título da exposição, aliás, é referência a uma das músicas de César Teixeira e a mostra é também uma alusão ao mês de aniversário da cidade”, diz Ciro Falcão. De tamanhos variados, as telas são feitas na técnica óleo sobre tela e a maior mede 1,50X1,50cm. “Costumo dizer que não escolhi a arte, O foi ela que me escolheu, por isto mesmo sigo sempre pintando, produzindo”, destaca o artista acerca de sua produção. Ele conta que ficou muito feliz ao receber o convite para expor na Biblioteca Pública Benedito Leite e que o local possibilita que ele reforce o diálogo constante que mantém com outras vertentes artísti- Essa é a 22ª exposição do artista plástico cas. “O fato de ser professor me possibilita essa interação, que neste caso une literatura, artes plásticas e teatro”, observa Ciro Falcão, que é docente das redes estadual e municipal de ensino. Escola De obras fortemente influenciadas pelo expressionismo, Ciro Falcão diz que flerta com outras escolas de arte. “Isso é possível porque minha vivência é rica em experiências diversas e assim estou sempre em contato com outras vertentes, aberto a novas experiências”, atesta Ciro Falcão. Após a exibição na Biblioteca Pública Bendito Leite, Ciro Falcão conta que se esforçará para que a mostra seja montada em outros espaços. “Quero levar a exposição para outros espaços, fazer com que ela seja itinerante, para alcançar mais pessoas”. A carreira de Ciro Falcão começou em 1971 quando Zelinda Lima e Zé Figueiredo o convidaram elaborar cartazes com desenhos da cultura popular, do folclore de São Telas de autoria de Ciro Falcão sempre mostram um pouco das representações culturais do Maranhão Luís e do Maranhão. Os desenhos focaram nos aspectos místicos, pois ele fez o cadastro de vários centros de cultura afro-brasileiro em São Luís. No curso de Educação Artística da Universidade Federal do Maranhão, passou a produzir desenhos para os trabalhos da pesquisadora, escritora, antropóloga Mundicarmo Ferretti. Serviço O quê Exposição “Quebra para fora”, de Ciro Falcão Quando Até o dia 30 deste mês Onde Biblioteca Pública Bendito Leite, Centro César Teixeira será homenageado por Ciro Falcão em performance