Enquanto isso, no Brasil e no Mundo
Os anos 60 são um marco na História
do Brasil e do Mundo. Grandes transformações de valores e costumes propunham mudanças comportamentais que
foram sendo adotadas pela juventude
contestadora. O Maio de 68 na França
com o slogan “É proibido proibir” e, nos
EUA, o movimento hippie do “Faça amor,
não faça a Guerra” foram expressivos, pois
na Bahia
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
64
BENEVIDES, Maria Vitória de Mesquita. O governo Kubitscheck. 3.ed. Rio de Janeiro:
Paz e
Terra,1979.
BORGES, Sebastião Wenceslau. Memoriando. Passos: 3.ed. Editora São Paulo, 2003.
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COTRIM, John R. A história de Furnas. 2.
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Paulo: Editora Renover, 2006.
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OLIVEIRA, Edgar Rodrigues, Política, técnica e
sociabilidade na construção da Usina de Furnas
– 1957-1963 Dissertação Strictu Senso em História apresentada à UNESP –Franca, 2002.
Acervo fotográfico Leda Lemos Maia Silva.
Acervo do Prof. Eurípedes Gaspar de Almeida.
EXPEDIENTE
Especial editado pelo Jornal Folha da Manhã e Fundação de Ensino Superior de Passos - FESP
JORNAL FOLHA DA MANHÃ
Carlos Antônio Alonso Parreira - Diretor Jornalístico
Maria das Graças Lemos - Diretora Comercial
FESP/UEMG
Prof. Fábio Pimenta Esper Kallas - Presidente do Conselho Curador
Moeda de
Cuproníquel de
1967. Ela valia 20
centavos e foi
cunhada em
homenagem à
indústria
petrolífera.
EDIÇÃO: Carlos Antônio Alonso Parreira/ Profª. Selma Tomé
PESQUISA E REDAÇÃO: Profª. Leila Maria Suhadolnik
Oliveira Pádua Andrade
REVISÃO: Prof. José dos Reis Santos
IMAGENS E FOTOGRAFIA: Prof. Diego Vasconcelos
DESIGN GRÁFICO, CAPA E MOLDURA: Profª. Heliza Faria
Fascículo 08/10 - Novembro de 2008
pressionaram os governos e instituições
a se modificarem, acabarem com a Guerra
do Vietnã e com desdobramentos da
guerra fria. Os jovens passaram a ter
um comportamento livre de amarras
morais familiares e políticas. Nos EUA,
o Festival de Woodstock foi um momento importante dessa liberalização.
O Papa João XXIII abriu
o Concílio Vaticano II propondo mudanças nos ritos
para que a Igreja acompanhasse os novos tempos.
Na moda, a grande vedete dos anos 60 foi, sem
dúvida, a minissaia. A inglesa Mary Quant divide com
o francês André Courrèges
sua criação. Entretanto, nas
palavras da própria Mary
Quant: “A idéia da minissaia não é minha, nem de
Courrèges. Foi a rua que a
inventou”.
Fazia um enorme sucesso os concursos de Miss
Brasil e Miss Universo com
personalidades como Marta Rocha, Adalgisa Colombo, Terezinha Morango e
Yeda Vargas.
Em 1961, Jânio Quadros foi eleito presidente do
Brasil e renunciou após 9
meses de governo possibilitou a tomada do poder pela
burguesia industrial apoiada pelos Estados Unidos e
pelas igrejas, temerosos
com o avanço comunista. O
exército, apoiado pela direita assustada instalou a ditadura militar por mais de 20
anos: de 1964 a1985.
No inicio dos anos 60,
com a instalação do regime socialista em Cuba,
um pavor tomou conta da
América. Os EUA adotaram uma política de estímulo a repressão das idéias marxistas. Assim, Estados Unidos, as classes
burguesas, a elite agrária,
as igrejas, especialmente
a católica, associaram-se
para impedir a qualquer custo a propagação desses ideais.
Em 1964 alegando o perigo socialista
no governo João Goulart foi instalada a Ditadura no Brasil para “normalizar” a economia e a política, em crise desde a renúncia
de Jânio. A normalização não veio e sim um
endurecimento cada vez
maior por parte dos governos militares.
Em 1968, quando se falou em abertura política com
a Frente Ampla e a Passeata dos 100 mil o governo
aplicou “um golpe dentro do
golpe” através da imposição
do AI 5. A partir daí foram
os “anos de chumbo” dos
governos de Costa e Silva e
Médici: o auge da repressão, do uso de tortura, cassações e exílio.
Os festivais da Canção
representavam o crescimento da expressão musical brasileira com o advento da bossa nova, da MPB,
do rock brasileiro e da Jovem Guarda com as produções de grandes compositores e cantores brasileiros como Ivan Lins, Chico
Buarque, Jair Rodrigues,
Edu Lobo, Elis Regina,
Caetano Veloso, Roberto e
Erasmo Carlos, Gilberto
Gil e outros que representam uma maneira muito
própria do brasileiro de protestar com música.
Por outro lado houve um
crescimento econômico gigantesco de 12% do PIB. A
riqueza gerada ficou concentrada nas classes altas. O governo dizia que era preciso
fazer “o bolo crescer para
depois dividir” o que nunca
aconteceu. A enorme concentração de renda deixada
pelo período militar é uma
característica de nossa sociedade atual. Grandes
obras foram executadas no
período como Transamazônica, Ponte Rio- Niterói e Hidrelétrica de Itaipu.
A influência da Usina de Furnas no crescimento da cidade: o progresso econômico e social. O avanço cultural: a criação da FESP. A UPES
e a ação dos estudantes secundários passenses. O governo de Dr. José
Pereira dos Reis: últimas disputas entre PSD, UDN e PTB
Criação de Furnas provoca
profundas repercussões em Passos
Em fins dos anos 1950 e início dos
anos 1960, a política do presidente Juscelino Kubitschek era modernizar o Brasil. Seu slogan “50 anos em 5” fazia
coro com a necessidade de geração de
energia elétrica. Na bacia do Rio Grande, muito próxima ao eixo Rio/São Paulo, havia um cannion natural que facilitou a construção da Hidrelétrica de Furnas. Através do decreto n.º3/187 de 10
de fevereiro de 1957, o governo determinou que os terrenos destinados à execução do projeto de Furnas e os da área
58
Enormes caminhões de
fabricação nacional os
“Fê Nê Mê” (FNM produzidos pela Fábrica
Nacional de Motores)
passaram a fazer parte
da paisagem da cidade transportando tudo,
inclusive os operários.
Para isso, os caminhões
eram adaptados com
toldos de lona e quatro bancos de madeira
onde se acomodavam
as pessoas.
do reservatório fossem transformados
em áreas de utilidade pública e deveriam ser desapropriados. Nascia uma hidrelétrica.
Definidos o projeto e os orçamentos
básicos, em outubro de 1957, importantes firmas nacionais e internacionais se
qualificaram para participar da construção.
As estrangeiras tiveram que se associar a
uma nacional e o vencedor da concorrência
foi o grupo consorciado pelas firmas George Wimpey, da Inglaterra, e Companhia
Construtora Nacional, do Brasil.
Os trabalhos começaram em meados
de 1958. A sede da Empresa foi instalada
em Passos e havia uma expectativa muito
grande da população quanto aos resultados
do empreendimento. Arthur Amâncio da
Silveira afirmou isso no jornal “O Sudoeste”: “Estamos certos de que Passos emergida da bacia lacustre do Rio Grande foi
predestinada a ser uma deusa nestas paragens e se assentará no trono das suas montanhas, com o cetro de Rainha, sob a coroa
de suas riquezas naturais”.
A obra criou um aumento imediato na
demanda de empregos. Muitos operários
foram chegando de toda parte do Brasil e
eram chamados de “candangos”, a mesma
denominação dos trabalhadores das obras
de Brasília. Passos, por ser a maior cidade
do entorno da construção, tornou-se o ponto mais importante de lazer e comércio.
Houve um inegável impacto social, econômico, político e cultural sobre a cidade e
região após o início das obras da barragem.
Passos é capital de Minas por um dia
Em outubro de 1959, o presidente
Juscelino Kubitscheck visitou as obras e
declarou para a imprensa presente: “é
uma das obras que estão colocando o
Brasil do outro lado da fronteira do desenvolvimento”.
Em março de 1960, o presidente
voltou a Furnas para a inauguração do
túnel de desvio das águas do Rio Grande. O PSD de Passos, fazendo pressão política,
compareceu maciçamente ao ato. JK assinou, nesse dia, a criação de um
grupo de trabalho destinado a dar andamento aos
estudos sobre a situação
econômica da zona do
reservatório de Furnas,
pois muitos donos de terra estavam descontentes com os trabalhos de indenização.
Em 21 de maio de 1961, o governador Magalhães Pinto visitou Passos
transformada em capital do Estado por
um dia. As elites políticas
apresentaram, na ocasião,
70 reivindicações e o governador fez várias determinações imediatas com o
objetivo lógico de deixar a
classe política e a população satisfeita e abrandar os
transtornos causados pelas
desapropriações e pela
construção da
barragem. As
principais reivindicações
foram: criação de infra-estrutura para defesa da fauna
(especialmente a pesca),
conclusão em seis meses
do prédio do Grupo Escolar
Abraão Lincoln, melhoria das instalações do Centro de Saúde (Posto de Higiene e Puericultura), construção da residência da presidência do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em
Passos, pavimentação da estrada Passos/
Paraíso - divisa de MG/SP - estudo para
fornecimento de energia a todos os municípios com terras inundadas por Furnas e financiamentos para a agricultura.
A carta reivindicatória terminava assim: “Por mais estranho que pareça por
encontrar-se Passos entre duas grandes
geradoras como a de Peixotos e Furnas,
vivemos à míngua de energia”.
O prefeito Dr. José Pereira dos Reis
Dr. José Pereira
dos Reis foi eleito
prefeito de Passos em
7 de outubro de
1962 pela coligação
UDN, PR, PDC, tendo como vice-prefeito Manoel Bruno da
Silveira. Derrotou
Chiquito Maia e José
Figueiredo do PSD, e
Dr. Breno Soares
Maia e Dr. Antonio Mendes Peixoto do
PTB. Essa foi a última eleição com esses
partidos, pois foram extintos pela Ditadura Militar.
Dr. José Reis fez um governo tranqüilo, promoveu desapropriações para a
sos com a chefia de Dr. Breno Soares
abertura, melhorias
Maia, que exercia uma liderança humanie calçamento das
tária e carismática representando as masruas Brandões, Gonsas operárias concentradas na Liga Opeçalves Dias, Barão do
rária que foi restabelecida no ano de
Rio Branco, Tereza
1954. Dr. Breno era médico, mas deiCristina, Anibale de
xou a medicina para se dedicar à educaFrancia, Cássia, Bonção, política, sociedade e cultura. Amava
sucesso, Cel. João de
Passos e
Barros.
usava o
Concluiu a
nome da ciEstação de
dade para
Tratamenseus empreto de Água e, na zona rural,
endimensubstituiu a madeira dos matatos: O Coléburrros por trilhos.
gio de PasO PTB, partido herdeiro
sos e a Rádo Varguismo, teve uma repredio Passos.
sentação importante em Pas- Dr. Breno, Tancredo Neves e Israel Pinheiro
UPES, bailes e pontos de encontro
No ano de 1961 foi fundada a União
Passense dos Estudantes Secundários (UPES).
A primeira diretoria foi formada por Ivan Caetano, Afrânio Alves de Andrade, Samir Hadad,
Marta Serafim, Maria Lúcia Bordezan, Dalva
Peres, Imaculada Soares, Eduardo Ferreira da
Silva e Paulo Bougleux de Andrade.
A sede da união ficava na Praça da Matriz e era um ponto de encontro dos estudantes, local onde se discutiam ações sociais e eram providenciadas as carteirinhas,
pois as dos colégios eram restritas ao controle interno. Para pagar meio ingresso no
cinema só valia a carteirinha da UPES.
Os estudantes chegaram a promover a
primeira greve estudantil em Passos,
reivindicando a diminuição das mensalidades estudantis dos colégios particulares. Os alunos do Colégio de Passos e Estadual faziam piquetes na esquina do CIC, impedindo as alunas
de freqüentarem as aulas.
No ano de 1966, a UPES liderou o XXIII Congresso Estudantil
Secundarista de Minas Gerais.
O presidente era Reinaldo
Fonseca. Estudantes de 80 cidades mineiras lotaram a cidade. Foram feitas reuniões,
competições e um baile de
encerramento com escolha da
rainha dos Estudantes. Um
problema surgiu nos dias do
congresso: havia estudantes
negros e sua entrada era dificultada no Passos Clube. Foi uma luta vitoriosa para os
estudantes os negros serem aceitos no baile. Os bailes da UPES tinham sempre público recorde, onde os jovens dançavam ao
som das músicas de Ray Connif, da Jovem
Guarda e dos Beatles, mas sempre vigiados
pelos diretores que proibiam qualquer avanço, especialmente dançar de rosto colado.
O ponto de encontro da juventude
era na Praça da Matriz, onde era realizado
o footing ou rela. Na passarela central do
jardim, em duas filas, as pessoas passeavam movendo-se cada uma para um lado,
de modo que sempre se encontravam.
Aconteciam os olhares, o flerte e o início
dos namoros. Quando o relógio da
Matriz batia 9 horas da noite as
filas começavam a diminuir e quando dava 10 horas, não havia mais
ninguém na Praça. O mais curioso
é que em dias de missa na Matriz,
quando o sino badalava lembrando a benção do Santíssimo, todas
as pessoas paravam enquanto o
sino tocava, faziam o sinal da
cruz e, só voltavam a andar, quando o sino parava de tocar.
Os homens vestiam calças jeans, camisas de ban-lon
ou camisetas e as moças minisaia e havaianas para espanto
dos mais velhos. Martinha fazia sucesso com sua mini saia.
Carnaval, bailes de
debutantes e teatro
O carnaval de rua em Passos era muito prestigiado pela população. O ponto
alto era o desfile dos blocos de fantasia
que desciam a rua Antonio Carlos e contornava a praça da Matriz. A prefeitura
oferecia um prêmio aos ganhadores e turmas de amigos reuniam-se para formarem blocos. A Turma da Barrinha destacava-se com as suas apresentações como
Saudação aos Pampas ou Os Gaúchos e
Soberanos do Mar.
Os bailes de debutantes, no Passos Clube, eram preparados
com muito rigor e beleza. Havia uma tradição
que as jovens colocavam
o primeiro sapato de salto e a primeira jóia durante o baile. Os vestidos eram verdadeiras obras de arte de costureiras famosas como Eva Maia,
Argenisia Tozzi Fonseca, Mariquinha Mandatti e Zuia.
Em 1966, fez muito sucesso a montagem da peça Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto e Chico Buarque de Holanda. Foi uma
sementeira da arte passense. Vários universitários participavam da peça e
do Teatro Universitário Passense (TUPA). Silas Figueiredo, Luciano de Cápua, Reinaldo Barbosa da Fonseca, Guatabi Bernardes, Eurípedes Gaspar de
Almeida, Helio Negrão, Jefferson Parenti, Ivani Almeida, Clélia eram alguns
dos nomes encenando no palco do Cine Alvorada com recorde de público.
Em 1969, nascia o Centro de Aprendizagem Pró-Menor de Passos
(CAAP), idealizado pelo irmão Natal Cesare Lisi com ajuda da comunidade. O primeiro presidente de 1969 até 1973 foi Dr. Breno Soares Maia.
63
O nascimento da FESP
62
A primeira idéia da criação de uma
Faculdade em Passos surgiu através da
Associação dos Professores de Passos,
em 1962. Os integrantes sonharam com
uma faculdade de filosofia para formar
devidamente os professores. Para isso,
começaram a se mobilizar estabelecendo contatos com o Rio de Janeiro, Belo
Horizonte e com as lideranças políticas
de Passos e região.
Em 1963, um movimento amplo e
envolvente tomou conta da comunidade
passense. Os colégios tradicionais de
Passos e seus estudantes fizeram abaixo-assinados, campanha de telegramas
para as autoridades, passeatas e outras
ações de mobilização. Destacaram-se,
nesse momento, as ações do Prof. Armando Righetto, Dr. Nilton Santos de
A cidade foi tomada por faixas com slogans que demonstram
a importância e a força do movimento.
“A Faculdade será uma dádiva para nós”
“Sê Passense de verdade apoiando a Faculdade”
“Faculdade de Filosofia de Passos é nossa máxima inspiração”
“Com esta faculdade serão longos os nossos passos”
“Uma faculdade engrandece uma cidade”
“Ajude Passos ajudando a Faculdade”
Brito e Madre Presentação Gonzáles, disadas. Em protesto, os professores deretora do Colégio Imaculada Conceição.
mitiram-se da diretoria da associação.
Associações como Maçonaria, Rotary Club,
Em princípio de 1965, por via políUPES e o comércio local também se envoltica, retomaram-se os trabalhos ainda sob
veram na campanha colhendo assinaturas,
a liderança de Mauro Ferreira da Silva.
manifestos, ajuda financeira, colocando
Em 11 de março de 1965, o “Minas
palavras de ordem nas ruas e ações nos
Gerais” publicou a constituição do priescritórios, nas lojas, nas famílias. Colocameiro Conselho Curador da Instituição:
ram-se faixas alusiDr. José Francisco de
vas por toda a cidaOliveira Filho, Cônede e conseguiram o
go José Timóteo da
apoio da imprensa faSilva e Dr. Oto Lopes
lada e escrita, envide Figueiredo. A parando palestrantes às
tir daí, começou a fase
cidades vizinhas. Foi
da efetivação das auum incansável trabalas. A comissão formalho de grupo no qual
da por Oto de Assis
se destacavam os
Zebral, Ângelo JabaLançamento da Pedra Fundamental do
professores Armance, Antonio Ferreira
primeiro prédio da FESP
do Righetto, Ruy de
Maia e Helio Pimenta
Bittencourt, Mauro Ferreira da Silva, Frande Vasconcelos resolveu abrir um livro
cisco Soares de Melo, Sr. Leodor Marques,
de ouro, a fim de recolher assinaturas
Dr. Breno Soares Maia e muitos outros.
com donativos.
Na Assembléia Legislativa, trabaNo dia 21 de abril de 1965, no salhavam para ajudar a conseguir a criação
lão nobre do Colégio Imaculada Conceida Faculdade os deputados Joaquim de
ção, foi proferida a aula inaugural pelo
Melo Freire e Delson Scarano, autor do
professor Orlando de Carvalho, membro
projeto que foi sancionado através da Lei
do Conselho Estadual de Educação, com
2933, assinada pelo governador Magaa presença das autoridades municipais,
lhães Pinto.
regionais e dos curadores.
Imediatamente, formou-se uma coAs aulas iniciaram-se no dia seguinte,
missão para tratar da implementação práno prédio cedido pelo Colégio Estadual Jutica da Faculdade composta por Armanlia Kubitschek. Foram transferidas, mais
do Riguetto, Francisco Soares de Melo,
tarde, para o Grupo Escolar Wenceslau Brás
Nilton Santos de Brito, Ruy de Bittene depois, em 1966, para a Escola Estadual
court e Mauro Ferreira da Silva.
Lourenço de Andrade, onde permaneceEm março de 1964, com a imposiram até 1970, quando houve a mudança
ção da Ditadura Militar, arrefeceu-se o
definitiva para o prédio próprio. A turma
ânimo das lideranças da Associação dos
pioneira marcou a história da Faculdade de
Professores, pois alguns deles tiveram
Filosofia de Passos (FAFIPA), que foi resuas vozes caladas e suas palavras casconhecida em 1970
A invasão das águas intriga o povo
Em 9 de janeiro de 1963, as comportas dos túneis de desvio do Rio Grande foram fechadas. As águas começaram
a subir invadindo as terras ribeirinhas.
Cidades como Guapé e São José da Barra desapareceram com a subida das
águas, sendo necessária a construção da
Nova Guapé e da Nova Barra. Suas populações foram deslocadas para novas
cidades planejadas. A Empresa de Furnas registra que, oficialmente, 35 mil
pessoas foram afetadas pelo enchimento do reservatório e tiveram que ser removidas dos seus lugares de origem.
Obras de Furnas
Os barrageiros que moravam em outras
Existem relatos dizendo que “a água
cidades, principalmente Passos, levavam
escoou de forma rápida não dando tempo
sacas cheias de peixes para casa.
para os peixes acompanharem a correnEm pouco tempo a
teza do leito normal
notícia
se espalhou e
do rio, antes que
caminhões
que passaeste secasse”. Mivam
pela
rodovia
MGlhares de toneladas
050
paravam
para
tamde todas as espécies
bém
serem
cheios
com
ficaram presas em
os
maiores
peixes.
Respanelas de água e
taurantes de Passos,
eram capturadas faMissa
em
Furnas
Ribeirão Preto e até
cilmente por quem
Belo Horizonte enviaquisesse. Dourados de todos os tamaram
caminhões
baús
repletos de gelo para
nhos, jaús, curimbatás e mandis flutuatransporte
dos
peixes,
que eram capturavam mortos ou estavam presos pela vedos
com
as
mãos
e
de
forma
fácil.
getação e pelas pedras de beira do rio.
Causos que marcaram a história
Casos pitorescos aconteceram durante a construção da barragem e da Usina. Os engenheiros visitavam a zona rural demarcando onde
a água, depois de represada, ia chegar. Os
moradores além de
não acreditar chamavam os engenheiros de
“bobos”. Um morador
da zona rural teimava
em permanecer na pequena casa que possuía,
às margens do rio, e que
já havia sido comprada
e paga pela Companhia
sendo alertado de que
viria um mundão d’água
e que ele precisava se
retirar o quanto antes, ao que ele respondeu: “Se nem a enchente de 1930 trouxe
água do Rio Grande até aqui, como é que a
barragem de Furnas, a léguas de distância
vai trazer água até minha roça? Mundão
d’água? Olhem, a água que vier aqui, eu bebo
ela todinha...”
Sr. Joaquim Bueno era
casado com D. Noêmia. Eles
moravam numa grande fazenda à beira do Rio Grande, chamada Varjão. Ele não aceitou o
acordo com Furnas e não quis
sair da fazenda, pois não acreditava que as águas iam subir.
No ano do fechamento da barragem ele plantou arroz, milho
e feijão, engordou porcos e galinhas, normalmente, como
costumava fazer. Quando as
águas começaram a subir, eles
ficaram em estado de choque.
Os vizinhos se arriscavam tentando retirar,
às pressas, tudo o que podiam. Os porcos,
as galinhas e as plantações ficaram debaixo
59
Obras de Furnas
d’água. Os vizinhos conseguiram retirar,
de qualquer jeito, os móveis, roupas e mantimentos que foram colocados em um barracão em Alpinópolis.
Numa noite de bebedeira, uns rapazes de Passos resolveram passar um trote
em algumas pessoas importantes da cidade, dizendo que a represa de Furnas havia estourado e a água estava chegando.
O boato tomou uma grande proporção:
as pessoas apavoradas saíram às ruas. Monsenhor
Messias mandou bater o
sino e muita gente se reuniu na porta da igreja, sem
saber o que fazer, até que a
notícia foi desmentida. Os
rapazes, apavorados com a
dimensão do fato, fizeram
um pacto de silêncio.
Furnas influenciou crescimento
De acordo com a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a cidade de Passos aumentou sua
população entre 1950 e 1960 em
40,74%, indo de 33.811 para 47.587
habitantes. Esse aumento populacional
gerou conseqüências imediatas: as pensões e hotéis viviam abarrotados de barrageiros solteiros ou que ainda não haviam trazido a família para a cidade, que
não estava preparada para atender a necessidade de moradia imediata.
Começaram a surgir vários loteamentos com recordes de venda, como
o Jardim Centenário, Jardim Bela Vista, Jardim N. S. das Graças e outros. A
propaganda do empreendimento do Sr.
Leodor Marques dizia: “Intensificada
a construção da gigantesca represa de
Furnas, será enorme o movimento rodoviário Itaú-Furnas. O Jardim N.S. das
Graças, no alto da cidade, próximo à
rodovia, é o loteamento de maior futuro em Passos”. Outros lançamentos
foram surgindo, como o Jardim América ao longo do Educandário e o bairro
Coréia (Jardim Progresso).
Em conseqüência desse desenvolvimento, a Prefeitura Municipal sancionou a Lei n.º 398 que criou o Código de
Obras do Município, regularizando posturas relativas às edificações e a lei nº.
439 que criou e regulamentou o Serviço de Água e Esgoto.
Festa de inauguração do edifício Abrão Jabur
A onda de progresso que envolveu o
Brasil nos anos 50 e 60 avançou em Passos durante a construção da barragem.
Muitos empreendimentos foram iniciados
nesse período como, em 1956, a inauguração do Passos Clube, promovendo um
baile de gala, ao som da orquestra de Silvio Mazzuca. Homens de smoking e mulheres de longo ostentando suas jóias embelezaram a festa.
Em 1957, a fundação do Rotary Club
de Passos que, na década de 60, teve uma
intensa participação em ações que ajudaram na criação da Faculdade de Filosofia e
nas melhorias do Clube Passense de Natação. O Rotary é clube de serviços internacional que tem como máxima: “Dar de
si sem pensar em si”. Alguns dos fundadores foram: Dr. Breno Soares Maia, José
Kallas, José Gonçalves Mendonça, Dr. Ito
Salles, José Calixto, Prof. Armando Righeto, Otto Lopes de Figueiredo e Nilton
Santos de Brito.
Em 1959, a construção do Grande
Hotel. O primeiro de luxo no centro da
cidade.
A partir de 1960 já se pode observar
o avanço provocado por Furnas em várias
áreas como:
- a instalação da Agência da Caixa Econômica Estadual; início do funcionamento
de ônibus circulares; a inauguração do
Cine Teatro Alvorada, construído pelo empresário José Figueiredo com inspiração
na arquitetura do Palácio do Planalto em
Brasília. Para freqüentar o cinema, os homens tinham que vestir paletó e as mulheres se esmeravam nas roupas de passeio. A música que foi tema do filme “Amores Clandestinos” introduzia as seções.
As pessoas ficavam em silêncio admirando o jogo de luzes coloridas que refletiam, nas paredes laterais, os símbolos do
Palácio Alvorada. Eram exibidos os noticiários da Atlântida, os “trailers” e filmes
clássicos do cinema como “Os dez mandamentos”, “Ben Hur”, “Imitação da vida”.
1966 - Foi inaugurado o Hospital São José por iniciativa de Dr. José Francisco de Oliveira Filho que
Em 1965, foi inaugurado o
formou com 18 médicos um grupo empresarial que bancou a construção do hospital e seus equipamentos.
primeiro
“arranha-céu” da cida1969- Fundação do Lions Clube de Passos por iniciativa de Sebastião Geraldo Getúlio de Vasconcelos –
de,
com
nove pavimentos, na
o Noivinho. É um clube de serviço que atende instituições de cunho social
da cidade como, por exemplo, o Gapop, Creches Camp e Naim Simão. O
praça da Matriz. Construído peLions participou da construção do prédio da Apae de Passos e da creche
los irmãos Jorge, Neif, Daude e
Múcio de Alencar Viana, no Bairro Aclimação. Um fato inédito aconteceu
José Jabur o projeto foi elaborano Lions Clube de Passos: Sebastião Geraldo Getúlio de Vasconcelos e
do por Daude Jabur, arquiteto
seu filho Sebastião Pimentel de Vasconcelos foram os únicos pai e filho
que, com suas idéias avançadas,
que ocuparam o cargo de governadores de distrito lionino.
introduziu a moderna arquiteMarço de 1969– Pastura na cidade. É de sua autoria
sos participou do programa Cidade contra cia residência de linhas bauhaudade do Programa Silvio Santos, da TV Tupi, enfrentando a
sianas, na rua Formosa, pertencidade de Garça. Apesar da união que suscitou a cidade de
cente ao Dr. Jorge Jabur. Em
Passos foi derrotada. O que tínhamos de melhor era um boi
março do mesmo ano, o sinal
de raça nelore que perdeu para o boi de Garça gerando
de TV chega a Passos. Uma iniuma brincadeira na cidade. Quando alguém era enganaciativa dos irmãos Gibron e Wido, vinha a crítica: “Ô boi de garça!” Ferreira Dias, o locutor
da Rádio Passos ficou nervoso, quando teve que responder o
llian Farah, Hitler Teixeira e Faque o macaco mais gostava. O povo não perdoou e apelirid Esper Kallas que construíPassenses no Programa Cidade X Cidade
dou-o de “Ferreira banana”.
ram um canal repetidor no alto
dos Coimbras.
60
Os “candangos” causam insegurança
A cidade, acostumada com a vida
pacata, foi invadida por gente de toda
parte. Cresceu e progrediu, porém aumentaram os casos de violência. Os jornais “O Sudoeste” e “A Gazeta” publicavam diariamente, desde 1960, o espanto quanto ao fenômeno do aumento
da insegurança:
“Onda de assaltos, furtos e arrombamentos está pondo em sobressalto a população e desafiando a nossa polícia. Residências, grupos escolares e estabelecimentos comerciais são assaltados. Que o
prefeito saia de seu comodismo e convoque homens de boa vontade para a criação
de uma eficiente guarda noturna (...) ainda
agora que as obras de Furnas despejam na
cidade centenas de homens de todas as
raízes. Passos já tem ares de capital. À
medida que o progresso avança em nossa
cidade também aqui
vem apontando indivíduos marginais”.
Durante o ano
de 1962, atendendo
a reivindicação da população por mais segurança, várias ações
foram criadas como
na delegacia de polícia, uma guarda civil,
polícia técnica, inOs trabalhadores de Furnas, também conhecidos como “candangos”
vestigadores, fiscais
de trânsito, pronto-socorro e medicina legiões do Estado se encontraram entre as
gal, três delegados e três escrivães.
grandes hidrelétricas de Furnas e PeixoEm 1963, o Governo instalou na citos. O fato gerou grandes polêmicas e
dade o 12º Batalhão de Polícia Militar de
discussões, umas favoráveis, outras desMinas Gerais, justificando que Passos tifavoráveis. A Câmara Municipal posicionha razões de ordem econômica, social e
nou-se contra ao que chamou de “preestratégica e era ponto chave de três resente de grego”.
O avanço do comércio
A educação progride
O centro de Passos, especialmente as
ruas Dr. João Bráulio, Expedicionários e
Antônio Carlos transformaram-se no centro do comércio passense. Vendia-se, principalmente os produtos em moda, na época como relógios “Seiko” e “Orient”, calças “Lee”, camisas “volta ao mundo”, blusas “Ban lon”, tênis “Conga”, alpargatas
“Roda”, etc. Famílias de libaneses, italianos e outras nacionalidades tornaram-se
especialistas no comércio central da cidade: Bacil, Esper Kallas, Jabur, Simão, Krakauer, Mohalem, Farjalla, Mattar, Calixto, Alux,
Guerra, Ajeje, Abdulmassyh, Salun, Aoun.
A estação rodoviária, no centro da cidade, tornou-se pequena para o intenso
tráfego. De hora em hora saíam ônibus para
Furnas carregando os barrageiros. Beirando o centro, a rua três de Maio passou a ser
exclusiva de bares, boates e prostituição.
Havia shows semanais de música e de striptease nos cabarés. A “Terceira”, como ficou conhecida viveu tempos áureos. Ficaram famosos o Restaurante do Bidú e do
Regozino, onde eram encontrados os melhores escaldados da cidade: um caldo de
frango com farinha de milho e muito tempero. Após os bailes do Passos Clube, a
moçada dirigia-se para a Terceira e regalava-se. Só os rapazes, porque nesse tempo,
“moça direita” nem dobrava a esquina da
referida rua.
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O avanço considerável da economia forçou a renovação das escolas
com melhorias nas instalações, funcionamento do curso clássico no Colégio Estadual, acabamento dos prédios dos grupos escolares Abraão Lincoln e Starling Soares e a criação da
primeira faculdade.
Os colégios mais tradicionais de
Passos eram o Colégio Imaculada Conceição, o Colégio Estadual (que passou a
chamar-se Julia Kubitscheck, nome da
mãe do presidente da República), e o
Colégio de Passos que era de propriedade de Dr. Breno Soares Maia.
Nos desfiles cívicos havia muita competição entre as escolas. Os alunos desfilavam, cada um querendo fazer o carro alegório mais bonito e apresentar-se de maneira impecável. A maior disputa era entre
o Colégio de Passos e o Estadual, que tinham fanfarras fortíssimas com gente competente nas suas direções, como professores Armando Righeto, Nilton Santos de
Brito e Toniquinho, e alunos como Samir,
Celito, Magela, Godô, Mark Piassi, Jair
Fernandes, Beto Krauss, Zau, Zé do Diu.
O Colégio de Passos tinha uma tradição:
um carneirinho que era a mascote e vinha,
sempre, na linha de frente.
As professoras Edna
Pimentel de Vasconcelos, Maria Aparecida Andrade Rosa,
Joana Batista da Silveira Moraes e Zeli
Bueno lideraram
uma comissão para
construir uma sede
para o Grupo Escolar São Francisco,
que havia sido despejado da casa
onde funcionava
devido ao atraso de
aluguéis pelo Estado. Foi assim que
começou a surgir a
Escola Starling Soares: uma luta de
mulheres.
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fasciculo nº7 - 1947-1960- selma