coleção cidadania
livro
fundamentação
ensino médio
coleção cidadania
Ensino Médio - Livro Fundamentação
Autoria
Química
Ambrósio Struginski
Língua Portuguesa
Jurema Ortiz
Produção de texto
Sônia Aparecida Glodis
Literatura
Roni Éder Bernardinis
Geografia
Nelson Barbosa
História
Matterson Christofer Martins
Filosofia
Denilson Santos de Souza
Língua Inglesa
Jefferson Ferro
Antonio Augusto
Língua Espanhola
Wagner Allan Cagliummi
Sociologia
Denilson Santos de Souza
Revisão
Carlos Melnik
Silvana Seffrin
Coordenação de Editoração
Roland Cirilo
Editoração
Leonir Bianchini
Ivan Vilhena
Eliana Pereira Quaresma
Bianca Cristaldi
Iconografia
Vera Cruz
Francielen Oliveira
Arte
Jussara M. de Oliveira Magrin
Editora Opet
Física
Cleber Lima
Direção Geral
Maria Cristina Swiatovski
Revisão Comparativa
Dyanne Lopes
Naelê Repetski
Matemática
Eduardo Quadros
Gerência Editorial
Célia Cúnico
Projeto Gráfico e Capa
Roland Cirilo
Biologia
Hélio Sylvestre
Maurízio Córdova
Coordenação Editorial
Silvia Campos Ferreira
Dados internacionais para Catalogação na Publicação (CIP): Biblioteca das Faculdades Opet
Ensino médio: 2.o ano / – Curitiba: Editora Opet, 2011
p. 114. Il.; 14 cm (Cidadania)
Material utilizado no Ensino Médio do Grupo Opet.
Conteúdo: Língua Portuguesa, Produção de Texto, Literatura, Língua Inglesa, Língua Espanhola, Arte, Física, Matemática,
Biologia, Química, Geografia, História, Filosofia, Sociologia.
1. 1. Ensino médio. I. Ortiz, Jurema. II. Gladis, Sônia Aparecida; III. Bernadinis, Roni Edu; IV. Ferro, Jefferson; V. Augusto,
Antonio; VI. Cagliummi, Wagner Allan; VII. Magrin, Jussara M. de Oliveira; VIII. Lima, Cleber, IX. Quadros, Eduardo; X.
Sylvestre, Hélio; XI. Córdova, Maurízio; XII. Shuginski, Ambrósio; XIII. Barbosa, Nelson; XIV. Martins, Matterson Cristofer; XV.
Souza, Denilson Santos de.
Por favor, não faça cópias dessa obra, pois as pessoas que são responsáveis por essa produção serão prejudicadas.
Editoração, Impressão e Comercialização: Editora Gráfica OPET • Rua Des. Hugo Simas, 1220 • CEP 80520-250
Curitiba–PR • Tel.: (41) 3017 0111 Fax.:(41) 3017 0100 - 0800 41 0034
Fundamentos
TEÓRICOS E METODOLÓGICOS
Imagens: www.sxc.hu
É preciso plantar a semente
da educação para colher
os frutos da cidadania.
Paulo Freire
Apresentação
Professores
Este livro apresenta os fundamentos teóricos e metodológicos
que embasam a proposta curricular da Coleção Cidadania do Ensino
Médio. Esses fundamentos são frutos de estudos e reflexões sobre a
relação entre educação, cidadania, currículo e sociedade, realizados
por um grupo de educadores que, como você, estão no dia a dia da
sala de aula, preocupados com a busca efetiva de um pensamento
contextualizador e globalizador. Apesar de conhecer a complexidade
que essa prática educativa apresenta, concluiu-se que uma das
formas de superação do pensamento reducionista e da fragmentação
dos saberes só pode vir a acontecer quando se opta por uma prática
educativa interdisciplinar e transdisciplinar, ou seja, quando se cria
uma cultura pedagógica que tem como base a construção interativa
do conhecimento.
Para dar visibilidade à proposta da Coleção Cidadania, o livro
contempla a concepção de educação não só como instrumento social
para a transformação, mas também como processo que permite a
formação de indivíduos capazes de compreender, interpretar, escolher
e contribuir para o rompimento com as dualidades e a fragmentação
do conhecimento, possibilitando, assim, a união entre a cultura
humanística e a cultura científica. Ainda, neste livro, explicitamos o
eixo que articula a proposta de conteúdos das disciplinas que compõem
as três grandes áreas do conhecimento – a leitura como sustentação da aprendizagem, uma prática educativa de interpretação,
compreensão e produção escrita, o que deve ser desenvolvido em
todas as disciplinas.
Desejamos que esses fundamentos possam ser referências para
o trabalho educativo, bem como para a implementação da proposta
curricular, e também que os ajudem a encontrar caminhos possíveis
para uma prática educativa coerente com os objetivos mais amplos da
educação – desenvolvimento humano, superação da fragmentação e
formação de pessoas que desejem viver o mundo cooperativamente.
Um grande abraço.
Equipe da Editora OPET
Sumário
Diretrizes da Coleção Cidadania .............................................................. 7
Ética e cidadania no Ensino Médio ............................................................. 9
Princípios pedagógicos no Ensino Médio.............................................. 10
Leitura .............................................................................................................. 10
Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade .......................................... 14
Estrutura didática da coleção .................................................................. 18
Abordagem curricular: temáticas e conteúdos ..................................... 19
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias ......................................... 21
Língua Portuguesa ......................................................................................... 23
Produção de Texto ........................................................................................ 29
Literatura ......................................................................................................... 33
Língua Inglesa................................................................................................. 39
Língua Espanhola .......................................................................................... 47
Arte .................................................................................................................. 53
Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias ................ 59
Física ................................................................................................................. 61
Matemática ..................................................................................................... 67
Biologia............................................................................................................. 73
Química ........................................................................................................... 79
Ciências Humanas e suas Tecnologias ............................................. 85
Geografia ......................................................................................................... 87
História ............................................................................................................ 95
Filosofia .......................................................................................................... 101
Sociologia ...................................................................................................... 107
Diretrizes da Coleção Cidadania
A educação para a cidadania constitui um conjunto
complexo que abraça, ao mesmo tempo, a adesão a valores,
a aquisição de conhecimentos e a aprendizagem de práticas
na vida pública. Não pode, pois, ser considerada
como neutra do ponto de vista ideológico.
Jacques Delors
A proposta pedagógica da Coleção Cidadania – Ensino Médio, da Editora
Opet, está embasada nos documentos oficiais do Ministério da Educação e Cultura,
com ênfase nos princípios apresentados pelo Programa Ensino Médio Inovador –
MEC (2009). Esse programa retoma alguns dos objetivos da LDB n.º 9.394/96 para
discutir a escola de Ensino Médio, no que se refere ao conhecimento necessário e à
formação integral necessária nessa última etapa da educação básica.
A grande intenção é incentivar as escolas públicas e privadas a criar iniciativas
inovadoras para o Ensino Médio, isto é, pensar novas soluções que diversifiquem
os currículos com atividades integradoras, a partir dos eixos trabalhos, ciência,
tecnologia e cultura, a associação entre teoria e prática – ênfase nas atividades de
laboratórios e oficinas de estudo, ampliação da carga horária mínima, promoção de
atividades práticas e experimentais (laboratórios e oficinas), incentivar as atividades
culturais e promover a valorização da leitura em todas as disciplinas.
“A leitura dá autonomia no aprendizado, na escola, na
universidade e no mundo do trabalho”, argumenta
Maria Eveline Villar Queiroz, coordenadora geral do
ensino médio no ministério. Colocar a leitura no centro
do currículo, segundo Maria Eveline, tem o objetivo de
preparar o cidadão para ter êxito tanto nos estudos como
na vida. Para ela, às vezes, a dificuldade do estudante
está na forma de ler e de interpretar os códigos e não
propriamente no conteúdo da disciplina.
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_
content&view=article&id=13523:encontro-discute-novo-enem-emudancas-no-corriculo&catid=211>.
Acesso em: 10 jan. 2011.
Assim, fica claro que uma proposta de qualidade para o Ensino Médio
deve dar atenção ao conteúdo curricular, mas também desenvolver uma prática
interdisciplinar entre as quatro linhas gerais de conhecimento (Linguagens e
Códigos, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas). Espera-se também
que o estudante apresente desenvolvimento cognitivo em cinco competências
básicas comuns a quaisquer áreas de conhecimento:
• domínio de diferentes tipos de linguagens;
• compreensão e interpretação de fenômenos;
• solução de problemas;
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
7
• construção de argumentações para a defesa de pontos de vista;
• elaboração de propostas novas.
Portanto, cada ano escolar do Ensino Médio exige atenção e, acima de tudo, é
decisivo para a formação humana, para a formação do cidadão e para a continuidade
dos estudos. Esse compromisso ganha amplitude quando passamos a conhecer
a meta 3 do Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 aprovado
pelo Congresso Nacional. Apresentamos, a seguir, algumas das estratégias que
consideramos mais pertinentes para este momento, em que queremos rediscutir a
identidade pedagógica do Ensino Médio.
Meta 3
Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a
17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%,
nessa faixa etária.
Estratégias
3.1) Institucionalizar programa nacional de diversificação curricular do Ensino
Médio, a fim de incentivar abordagens interdisciplinares estruturadas pela
relação entre teoria e prática, discriminando-se conteúdos obrigatórios e
conteúdos eletivos articulados em dimensões temáticas, tais como ciência,
trabalho, tecnologia, cultura e esporte, apoiado por meio de ações de aquisição
de equipamentos e laboratórios, produção de material didático específico e
formação continuada de professores.
3.2) Manter e ampliar programas e ações de correção de fluxo do Ensino Fundamental, por meio do acompanhamento individualizado do estudante com rendimento escolar defasado e pela adoção de práticas como aulas de reforço no
turno complementar, estudos de recuperação e progressão parcial, de forma a
reposicioná-lo no ciclo escolar de maneira compatível com sua idade.
3.3) Utilizar exame nacional do Ensino Médio como critério de acesso à educação
superior, fundamentado em matriz de referência do conteúdo curricular do
Ensino Médio e em técnicas estatísticas e psicométricas que permitam a
comparabilidade dos resultados do exame.
(...)
3.6) Estimular a expansão do estágio para estudantes da educação profissional
técnica de nível médio e do Ensino Médio regular, preservando-se seu
caráter pedagógico integrado ao itinerário formativo do estudante, visando
ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional, à
contextualização curricular e ao desenvolvimento do estudante para a vida
cidadã e para o trabalho.
(...)
8
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
3.6) Implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito e
discriminação à orientação sexual ou à identidade de gênero, criando rede de
proteção contra formas associadas de exclusão.
(...)
3.7) Universalizar o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de
alta velocidade e aumentar a relação computadores/estudante nas escolas da
rede pública de educação básica, promovendo a utilização pedagógica das
tecnologias da informação e da comunicação nas escolas de ensino médio.
(...)
Essas metas geram alguns questionamentos, como apresentados a seguir.
Quais estratégias didáticas são as mais indicadas para o processo educativo
voltado para o uso das tecnologias de informação e comunicação? Quais práticas educativas são mais coerentes para o desenvolvimento da competência leitora?
Como desenvolver o conteúdo curricular por meio de abordagens interdisciplinares? Como transformar a problematização em um instrumento de incentivo a pesquisa?
Algumas das respostas a essas e outras possíveis perguntas você pode encontrar
na proposta pedagógica da Coleção Cidadania, que busca o desenvolvimento do
estudante para a vida cidadã e para o trabalho. Nas palavras de Edgard Morin (2002),
a educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a assumir a
condição humana, ensinar a viver) e ensinara como se tornar cidadão.
Ética e cidadania no Ensino Médio
Imagens: www.sxc.hu
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Artigo 35, Inciso II, caracteriza as
finalidades do Ensino Médio – “preparação básica para o trabalho e a cidadania
do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com
flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores.”
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
9
O desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição
de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; (inciso III) e
o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de
tolerância recíproca em que se assenta a vida social (inciso IV).
Podemos afirmar, portanto, que o desenvolvimento da capacidade de aprender,
tem como estratégias básicas o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo
e de competências relacionadas explicitamente com a educação em valores.
Ainda, segundo Morin (2002) – um cidadão é definido, em uma democracia, por
sua solidariedade e responsabilidade em relação a sua pátria. O que supõe nele o
enraizamento de sua identidade nacional.
Assim, aos olhos do Ministério da Educação e Cultura (MEC), o conceito
de cidadania deve permear o processo ensino-aprendizagem tendo seu foco
direcionado não somente para o aluno, mas também para o professor, para a família
e também para outros agentes constituintes da sociedade.
A priorização do desenvolvimento da cidadania nos pressupostos estabelecidos pelo MEC é percebida na medida em que o termo é citado nos documentos
oficiais que definem, identificam e regulamentam a educação brasileira. Segundo a
LDB n.º 9.394/96, Art. 22.º (dez. 1996):
A educação básica tem por finalidades desenvolver o
educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios
para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
Princípios pedagógicos
no Ensino Médio
Leitura
A cidadania é uma invenção coletiva.
Cidadania é uma forma de visão do mundo.
Paulo Freire
No Brasil de hoje, a conquista da cidadania se dá pela universalização da
escolaridade, que significa universalização da competência da leitura e da escrita.
Sabemos, porém, que a problemática do aprendizado da leitura e da escrita
no Brasil decorre de vários fatores. Dentre eles estão as mudanças na forma de
comunicação humana provocadas pelo rápido desenvolvimento tecnológico nos
últimos 50 anos e, sobretudo, pela ampla extensão territorial e pela diversidade
sociocultural brasileira.
10
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
Essas características particulares são responsáveis pelos diferentes panoramas
educacionais da nossa sociedade, como o fato de o Brasil ter o segundo maior
índice de analfabetismo da América do Sul (são 12% de brasileiros analfabetos),
fora o baixo nível cultural e de acesso à leitura que a população apresenta. Pesquisa
realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) – 1.º Censo Nacional de Bibliotecas
Públicas Municipais, encomendado pelo Ministério da Cultura, revela que em 420
cidades brasileiras ainda não há bibliotecas municipais. O índice representa 7,54%
dos 5.565 municípios em todo o país. O estado com o maior número de cidades
sem esses espaços para leitura é o Maranhão (61).
O Pisa é um
Outro grande referencial que temos em mãos são os resultados apresentados
pelos Sistemas de Avaliações – Nacional – SAEB; Prova Brasil (Avaliação de
estudantes do Ensino Fundamental), Enem (Avaliação dos estudantes do Ensino
Médio), ou então vale a pena consultar os dados apresentados pelo INEPE sobre
o IDEB – o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica do seu município
e do Brasil. Já o Programa de Avaliação Internacional – PISA revela o nível de
conhecimentos e habilidades dos estudantes ( faixa etária 15 anos) com ênfase na
leitura, matemática e ciências – Em 2010 a ênfase foi em Leitura.
mico (OCDE). O
No último Programa de avaliação internacional – Pisa 2009, o Brasil ficou com
a 53.º colocação entre os 65 países que fizeram o exame.
Ainda é um desafio para a escola de educação básica promover uma
aprendizagem de leitura e escrita de qualidade. Isso porque, o aprender a ler e a
escrever na escola, não significa que os alunos incorporaram a prática de leitura
e da escrita, nem que adquiriram competências para usá-las, muito menos que
tenham envolvimento com as práticas sociais da sociedade letrada – não leem
livros ou jornais, não sabem redigir um of ício, um requerimento, uma declaração,
preencher um formulário, utilizar um catálogo telefônico, compreender um
contrato de trabalho, ou as informações contidas em uma conta de luz, de água ou
bula de remédio.
exame amostral,
realizado a cada
três anos pela
Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econôobjetivo principal
do programa é
fornecer aos países participantes
indicadores que
possam ser comparados internacionalmente,
de modo a subsidiar políticas
de melhoria da
educação. Participam do programa alunos de
15 anos de idade,
matriculados a
Assim, atualmente, são duas as questões, hoje, no cenário educacional:
partir da 8.º ano
1.º) De que maneira é possível formar leitores competentes que usem a leitura
de forma efetiva em sua vida cotidiana?
damental até o
2.º) Como crianças, jovens e adultos possam ter o interesse ampliado pela
leitura?
do Ensino Fun3.º ano do Ensino
Médio.
Essas perguntas permanecem sem respostas para todos aqueles que estão
envolvidos com o processo educativo e se arrastam incômodas, instigantes, ao
longo do tempo. Todavia, o presente exige respostas imediatas, exige soluções –
O fato de a avaliação educacional seja por sistemas nacionais ou internacionais, a
partir da década de 1990, ocorrer sistematicamente, de modo a se constituir em
uma referência de qualidade e de diagnóstico das virtudes e defeitos existentes na
educação básica brasileira trouxe à tona a dura realidade do se fazer educação de
qualidade – lutamos pela vaga na escola – quase vencemos o aspecto quantitativo,
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
11
no entanto, não conseguimos ainda a tão sonhada qualidade educativa das escolas,
sejam elas públicas ou privadas, quando nos referimos a utilização da leitura e da
escrita como ferramentas indispensáveis à cidadania.
A formação de uma sociedade leitora, segundo Perrotti (2005), envolve não
apenas a criação de instituições indispensáveis à sua constituição (escola, biblioteca,
editora, livrarias, entre outras), como também uma reflexão aprofundada sobre a
natureza dessas instituições, o sentido de suas orientações e de suas práticas.
Portanto, temos
a nossa frente
um grande
desafio a ser
enfrentado –
faz-se necessário
que cada
professor, que
Portanto, aprender a ler se justifica, também pela:
• compreensão de diferentes visões de mundo;
• aquisição de conhecimentos, oportunidade de descobertas, idealizações
e reflexões;
tenha um
• prática de consciência crítica, vivência de emoções, viagens pelo imaginário;
conhecimento
• análises de estilos e linguagens;
cada professora,
profundo das
características
do ler e do
escrever na sua
área de atuação,
a fim de que
seja possível um
diálogo seguro
e fecundo entre
as áreas.
12
Como o que se pretende é a desescolarização da
leitura e da escrita – para que sejam utilizadas como
ferramentas indispensáveis à cidadania, a formação
de leitores e não de ledores, meros decifradores de
textos, deve-se desenvolver práticas afinadas com a
concepção de leitura e leitores condizendo com o que o
Currículo Básico e as Diretrizes Curriculares apontam –
Queremos leitores questionadores, capazes de se situar
conscientemente na sociedade, capazes de acionar os
processos de leitura, praticados e aprendidos na escola.
Esses leitores não ingênuos ou ajustados inocentemente
na sociedade são os que através da prática social,
podem participar ativamente para uma transformação
social. (PERROTTI, 2005)
• convivência com a arte e com o estético.
Enfim, Leitura não é um conceito abstrato, é uma prática concreta, um exercício
linguístico que segundo Costa (2009) pode até nascer na escola, mas que deve
ultrapassar o limite da escola. Para a autora a leitura possibilita ao leitor descobrir-se
e conceituar o mundo em que vive, mas deve seguir alguns procedimentos, ou
seja pressupostos básicos para a leitura compreende o que lê, como os requisitos
cognitivos – que procede à conversão das palavras em elementos de significação,
após um esforço de abstração. Está ligado diretamente ao modo como o leitor e
os pressupostos contextuais no que se refere a situação da leitura, os referentes
culturais etc.
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
Muitas vezes, é somente no espaço escolar que os alunos têm contato com a
leitura, é quando iniciam sua escolaridade, demonstrando que em casa tiveram
pouca ou nenhuma intimidade com o livro. São inúmeras as razões, no entanto,
sabemos que precisamos buscar estratégias e meios capazes de incluir a família
do aluno da educação básica, em especial do Ensino Fundamental, no mundo
da leitura, sejam essas ações diretas ou indiretas. Portanto, temos a nossa frente
um grande desafio a ser enfrentado – faz-se necessário que cada professor, que
cada professora tenha um conhecimento profundo das características do ler e do
escrever na sua área de atuação, a fim de que seja possível um diálogo seguro e
fecundo entre as áreas.
É nesse contexto político, social, cultural e histórico que a escola, como um
espaço de comunicação entre adultos e crianças e de comunicação entre várias
gerações pode gerar as mudanças desse cenário, começando por ressignificar
as formas de ensinar, inovando-as. Isso não significa que seja preciso inventar
uma pedagogia absolutamente nova, mas, sim, que a escola assuma o seu papel
determinante, enquanto agente facilitador do acesso, não somente dos alunos,
mas também dos pais, dos professores e da comunidade à leitura e seus diferentes
suportes. No entanto, a escola não tem cumprido a sua principal função – a
formação de leitores competentes.
A capacidade de ler é considerada essencial à realização profissional e
individual do ser humano. O hábito da leitura necessita ser inserido, estimulado e
treinado desde a infância envolvendo os diversos tipos de leitura, seja na educação
realizada em casa ou no contínuo aprender na escola, no trabalho e por toda a vida.
As atividades de incentivo à leitura são imprescindíveis na escola, principalmente
nos anos iniciais do Ensino Fundamental, onde é mais fácil solidificar o hábito de
ler, pois as crianças têm a grande capacidade de brincar, de sonhar, de imaginar.
Brincando elas assimilam e assumem as atividades como parte de seu dia a dia.
Agora, é preciso ficar claro que as práticas de leitura devem ter continuidade ao
longo dessa etapa de ensino como um compromisso assumido pela escola e pelos
professores de todas as áreas do conhecimento, ou seja, são ações que precisam
se planejadas e realizadas com a colaboração mútua entre professores, alunos e a
biblioteca da escola.
Assim, para o enfrentamento da problemática educacional brasileira (ler
e escrever bem) e o entendimento da dimensão cultural e de desenvolvimento
humano que a que os princípios da formação cidadã propõem, a aprendizagem da
leitura e da escrita representa, se faz necessário um programa de ações inovadoras
no espaço escolar que, efetivamente, desenvolva a prática de ler e escrever. São
muitos os espaços de leitura e escrita diversificados que podem ser criados e
implementados, como o da literatura infantojuvenil clássica e contemporânea,
obras de arte, cinema, TV, jornais, revistas que fazem parte do cotidiano dos alunos
e das pessoas.
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
13
Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade
A interdisciplinaridade questiona a segmentação
entre os diferentes campos de conhecimento.
Produzida por uma abordagem que não leva em conta a inter-relação e a influência entre eles – questiona a visão
compartimentada (disciplinar) da realidade sobre a qual a
escola, tal como é conhecida, historicamente se constituiu.
Refere-se, portanto, a uma relação entre disciplinas.
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
curriculares nacionais: apresentação dos temas transversais,
ética. Brasília: MEC/SEF, 1997. p. 38.
Os conceitos de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade são atualmente
indissociáveis da prática pedagógica. Oriundos em proposições teóricas formuladas em tempos relativamente recentes, têm sido paulatinamente incorporados
às ações dos professores na sala de aula e contribuem sobremaneira para o ganho
de significância dos conteúdos ministrados, uma vez que tais abordagens, quando
articuladas em meio ao processo ensino-aprendizagem, permitem a concatenação
de informações e conhecimentos de diferentes disciplinas e a inclusão de elementos retirados do cotidiano dos alunos, uma vez que tais perspectivas de tratamento
da informação levam à valorização da realidade dos estudantes, ao incremento da
capacidade crítica e à inserção do conhecimento adquirido dentro da escola nos
diferentes ambientes frequentados pelo aluno.
Longe de constituírem conceitos antagônicos, inter e transdisciplinaridade são
tidos como diferentes etapas de um mesmo processo. Os termos são aplicados de
acordo com o nível de interação entre as disciplinas.
Quando falamos em interdisciplinaridade, estamos de algum modo
nos referindo a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do
saber. Todavia, essa interação pode
acontecer em níveis de complexidade
diferentes. E é justamente para distinguir tais níveis que termos como multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade foram criados.
(…)
14
A classificação apresentada abaixo
é a mais comum e foi proposta originalmente por Eric Jantsch. Sofreu
algumas adaptações de Hilton Japiassu
(1976), um dos pioneiros da interdisciplinaridade no Brasil.
(…)
Multidisciplinaridade
A multidisciplinaridade representa o primeiro nível de integração
entre os conhecimentos disciplinares. Muitas das atividades e práticas
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
de ensino nas escolas se enquadram
nesse nível, o que não as invalida.
Mas é preciso entender que há estágios mais avançados que devem ser
buscados na prática pedagógica.
Segundo Japiassu, a multidisciplinaridade se caracteriza por uma
ação simultânea de uma gama de disciplinas em torno de uma temática
comum. Essa atuação, no entanto,
ainda é muito fragmentada, na medida
em que não se explora a relação entre
os conhecimentos disciplinares e não
há nenhum tipo de cooperação entre
as disciplinas.
(…)
Pluridisciplinaridade
Na pluridisciplinaridade, diferentemente do nível anterior, observamos
a presença de algum tipo de interação
entre os conhecimentos interdisciplinares, embora eles ainda se situem
em um mesmo nível hierárquico, não
havendo ainda nenhum tipo de coordenação proveniente de um nível hierarquicamente superior.
(…)
Alguns estudiosos não chegam a
estabelecer nenhuma diferença entre
a multidisciplinaridade e a pluridisciplinaridade; todavia, preferimos considerá-la, pois a existência ou não de cooperação e diálogo entre as disciplinas
é determinante para diferenciar esses
níveis de interação entre as disciplinas.
Interdisciplinaridade
Finalmente, a interdisciplinaridade representa o terceiro nível
de interação entre as disciplinas. E,
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
segundo Japiassu, é caracterizada pela
presença de uma axiomática comum
a um grupo de disciplinas conexas e
definida no nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz a
noção de finalidade.
Dessa forma, dizemos que na
interdisciplinaridade há cooperação e
diálogo entre as disciplinas do conhecimento, mas nesse caso se trata de
uma ação coordenada. Além do mais,
essa axiomática comum, mencionada
por Japiassu, pode assumir as mais
variadas formas. Na verdade, ela se
refere ao elemento (ou eixo) de integração das disciplinas, que norteia e
orienta as ações interdisciplinares.
Segundo os PCNs:
A interdisciplinaridade supõe
um eixo integrador, que pode
ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação,
um plano de intervenção. Nesse sentido, ela deve partir da
necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos de
explicar, compreender, intervir,
mudar, prever, algo que desafia
uma disciplina isolada e atrai
a atenção de mais de um olhar,
talvez vários.
BRASIL, 2002, p. 88-89 (grifo do autor).
Portanto, defendemos que a
interdisciplinaridade não deveria ser
considerada como uma meta obsessivamente perseguida no meio educacional simplesmente por força da
lei, como tem acontecido em alguns
casos. Pelo contrário, ela pressupõe
uma organização, uma articulação
15
voluntária e coordenada das ações
disciplinares orientadas por um interesse comum. Nesse ponto de vista,
a interdisciplinaridade só vale a pena
se for uma maneira eficaz de se atingir metas educacionais previamente
estabelecidas e compartilhadas pelos
membros da unidade escolar. Caso
contrário, ela seria um empreendimento trabalhoso demais para atingir
objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais simples.
Transdisciplinaridade
A transdisciplinaridade representa um nível de integração disciplinar além da interdisciplinaridade.
Trata-se de uma proposta relativamente
recente no campo epistemológico.
Japiassu a define como sendo uma
espécie de coordenação de todas as
disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado, sobre a base
de uma axiomática geral.
(…) este é um tipo de interação
onde ocorre uma espécie de integração de vários sistemas interdisciplinares num contexto mais amplo e geral,
gerando uma interpretação mais holística dos fatos e fenômenos.
Gonçalves, C. J. Interdisciplinaridade
no ensino médio: desafios e potencialidades.
Disponível em: <http://vsites.unb.br/ppgec/
dissertacoes/proposicoes/proposicao_jairocarlos.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2011.
Percebe-se que a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade são conceitos
cuja aplicação depende da adoção de práticas cotidianas que vão além da aquisição
e da incorporação de novos conceitos, mas carece da adoção de novas posturas
e práticas que mudam a relação entre professores, entre alunos e também entre
alunos e professores. Leia o que diz Marise Nogueira Ramos, diretora de Ensino
Médio da Secretaria de Educação Média e Tecnológica do MEC, ao abordar o
“novo” Ensino Médio.
– A organização curricular do Ensino Médio tem como pressupostos dois
princípios: a interdisciplinaridade e a contextualização. A interdisciplinaridade
não é tanto defendida segundo uma visão epistemológica, e sim sob a óptica
metodológica, sendo explicitada como prática pedagógica e didática que
possibilita "relacionar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo,
pesquisa e ação". Ela supõe um eixo integrador que pode ser o objeto de
conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Essa óptica
deve partir da necessidade sentida por escolas, professores e alunos de explicar,
compreender, intervir, mudar, prever, algo que desafia uma disciplina isolada
e atrai a atenção de mais de um olhar, talvez vários. Explicação, compreensão,
intervenção, são processos que requerem um conhecimento que vai além da
descrição da realidade e mobiliza competências cognitivas para deduzir, tirar
inferências ou fazer previsões a partir do fato observado.
Assim, afirma-se que, no lugar de se estabelecerem os conteúdos específicos, devem-se destacar as competências de caráter geral, das quais a capacidade
16
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
de aprender é decisiva. Novamente a identidade autônoma é aqui evocada
como o fundamento para a seleção das competências.
A contextualização, por sua vez, é entendida como o recurso para ampliar
as possibilidades de interação não apenas entre as disciplinas nucleadas em
uma área de conhecimento como também entre as próprias áreas de nucleação. A contextualização evocaria áreas, âmbitos ou dimensões presentes na
vida pessoal, social e cultural, mobilizando competências cognitivas já adquiridas. A contextualização visaria a tornar a aprendizagem significativa ao
associá-la com experiências da vida cotidiana ou com os conhecimentos
adquiridos espontaneamente e, assim, retirar o aluno da condição de espectador passivo.(...)
O currículo do Ensino Médio foi organizado em áreas de conhecimento
correspondentes aos seus propósitos. Essas áreas foram assim organizadas:
Ciências da Natureza e Matemática, Linguagens e Códigos, Ciências Humanas,
todas elas incluindo a dimensão tecnológica que estrutura ou se deriva do
respectivo objeto de conhecimento. Destacam as diretrizes curriculares que,
mesmo baseado em aproximações epistemológicas e/ou metodológicas, esse
agrupamento é fruto de um recorte que guarda certo grau de arbitrariedade
devido à ausência de um paradigma curricular que possa corresponder à
diversidade do conhecimento científico.
Deve-se ressaltar que a generalidade das áreas de conhecimento, mormente
associadas aos campos do conhecimento científico, por serem constructos a
partir dos quais os homens compreendem e transformam a natureza, não deve
substituir a especificidade de campos mais restritos do saber (por exemplo,
as Ciências Naturais comportam os conhecimentos da química, da f ísica
e da biologia, mas cada um desses campos possui suas especificidades que
não podem ser lidas a partir dos mesmos códigos e princípios aplicados, por
exemplo, à f ísica). Por isso, uma área de conhecimento deve ser compreendida
como uma "totalidade orgânica", síntese de diversas determinações, com
aspectos de generalidade mas também de particularidade.
Considerar o que há de específico de cada campo do saber não implica o
isolamento dos saberes. As áreas podem expressar uma interessante unidade
composta por uma diversidade que se articula e que se comunica entre si. Sobre
o recorte predeterminado, deve-se saber que um projeto construído a partir da
realidade do educando pode sugerir novas formas de organização do saber e de
se relacionar conhecimentos. Assim, a contextualização de conhecimentos não
pode ser um simples estabelecimento de relações entre conteúdos. Ela requer
um comprometimento com a realidade social dos educandos e, portanto,
um processo de investigação coletiva, um interrogar permanente sobre a
cotidianidade contraditória e muitas vezes perversa, diante do papel que deve
cumprir a escola.
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
17
Estrutura didática da coleção
A obra Coleção Cidadania – Ensino Médio apresenta dois formatos: livros
semestrais (dois volumes ao ano) e livros únicos (do curso Ensino Médio).
Os livros estão organizados por áreas de conhecimento e disciplinas.
O módulo Linguagens, Códigos e suas tecnologias é composto por dois
livros semestrais e um livro único que será usado de acordo com a organização
curricular da escola.
• Língua Portuguesa (livro semestral)
• Produção de Texto (livro semestral)
• Literatura (livro semestral)
• Língua Inglesa (livro semestral)
• Língua Espanhola (livro anual – separado do módulo de Linguagens)
• Arte (livro único)
• Educação Física (disponibilizado no Portal Opet Virtual)
O módulo Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias é composto
por dois livros semestrais.
• Matemática e Física (livro semestral)
• Química e Biologia (livro semestral)
O módulo de Ciências Humanas e suas tecnologias é composto por um livro
semestral e dois livros únicos que serão usados de acordo com a organização
curricular da escola.
• História e Geografia (livro semestral)
• Filosofia (livro único)
• Sociologia (livro único)
As organizações semestral e anual da obra segue uma das opções apresentadas
pela LDB n.º 9.394/96 no que se refere ao tempo escolar. A organização didática
dos conteúdos de cada disciplina se desenvolve por meio de temas e diversidade
textual.
Traz textos complementares, textos de apoio, atividades integradas, exercícios
do ENEM, exercícios atuais de vestibular, glossário, sugestões de leitura e filmes,
referências, o que torna o material consistente, integrado e contextualizado. Assim,
diferentes capacidades cognitivas são desenvolvidas, de forma interdisciplinar, a
fim de atender às necessidades da atual realidade educacional.
18
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
Abordagem curricular:
temáticas e conteúdos
Já faz algum tempo que o MEC vem se preocupando com as questões
curriculares. A grande movimentação nacional aconteceu na década de 1980, em
atendimento ao Artigo 210 da Constituição Federal de 1988, que determina como
dever do Estado para com a educação fixar “conteúdo mínimos para o Ensino
Fundamental, de maneira a assegurar a formação básica comum e respeito aos
valores culturais e artísticos, nacionais e regionais”.
Assim sendo, o Artigo 26 da LDB n.º 9.394, de 20/12/1996, para atender a
determinação da Constituição, define que “Os currículos do ensino fundamental
e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada
sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida
pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e
da clientela”. Além disso, é preciso que os conteúdos curriculares dos anos finais
do Ensino Fundamental apresentem consonância com os principais documentos
públicos nacionais que orientam o Ensino Fundamental – Diretrizes Curriculares
para o Ensino Fundamental.
Não basta definir os conteúdos curriculares como sendo situações prontas e
acabadas, inflexíveis. É preciso enxergar a flexibilidade dos conteúdos e o movimento
em espiral que apresentam, isto é, a articulação entre os eixos específicos de cada
área, os temas sociais que precisam ser abordados e os conhecimentos que os
alunos já adquiriram e de que fazem uso. Portanto, é fundamental que todos os
envolvidos no processo educativo questionem e busquem novas possibilidades
sobre currículo: O que é? Para que serve? A quem se destina? Como se constrói?
Como se implementa?
Referências
BERROTI, E. Confinamento cultural, infância e leitura. São Paulo: Summus, 1990.
BORTOLLI, L. H. de. Leitura: os meios da compreensão. Passo Fundo: UPF, 2002.
CAMPS, T.; COLOMER, A. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Porto Alegre:
Artmed, 2002.
CARVALHO, J. M. de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2001.
CHARTIER, R. A aventura do livro, do leitor, do navegador. São Paulo: Unesp,
1998.
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
19
CORRÊA, D. A construção da cidadania: reflexões histórico-políticas. 2. ed. Ijuí,
Rio Grande do Sul: UNIJUÍ, 2000.
COSTA, M. M. da. Sempreviva, a leitura. Curitiba: Aymará, 2009.
COVRE, M. de L. M. O que é cidadania. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1998.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia, saberes necessários à prática educativa. São
Paulo: Paz e Terra, 1996.
_____. A importância do ato de ler. 44. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
KLEIMANN, Â.; MORAES, S. Leitura e interdisciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1999.
MORAIS, J. A arte de ler. Tradução de Álvaro Lorencini. São Paulo: Ed. UNESP,
198-.
SILVA, E. T. Da leitura e realidade brasileira. 2. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto,
1985.
SMITH, F. Leitura significativa. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
20
FUNDAMENTAÇÃO – Introdução
Língua Portuguesa
Produção de Texto
Literatura
Língua Inglesa
Língua Espanhola
Arte
L
inguagens,
códigos e suas tecnologias
Língua Portuguesa
Quando imaginamos o material de Língua Portuguesa para a Coleção Cidadania, pensamos em uma proposta que levasse aluno e professor a uma profunda e abrangente reflexão sobre essa disciplina, por entendermos que o
ensino da língua não se resume, tampouco se limita, às regras gramaticais, à
leitura pela leitura, à escrita pela escrita.
O processo ensino-
O processo ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa deve contemplar
múltiplas e significativas experiências com a língua e com as linguagens,
sempre sob a égide da interação e da inclusão social. Foi sob essa perspectiva que concebemos a Coleção Cidadania. Pensar crítica e criativamente,
problematizar e desenvolver o raciocínio são algumas das competências que
almejamos trabalhar com o aluno. Assim, os conteúdos aqui presentes não
são apenas informativos, mas essencialmente formativos. Por esse motivo,
buscamos dar um tratamento atual aos temas, os quais são adequados à faixa
etária e acompanhados de imagens e de textos diversos.
experiências com a
-aprendizagem de
Língua Portuguesa deve
completar múltiplas
e significativas
língua e com
as linguagens, sempre
sob a égide da interação
e da inclusão social.
Nosso maior desejo é que professor e aluno encontrem, nesta coleção, não
apenas um instrumento de ensino e de aprendizagem, mas sobretudo um
meio de reflexão.
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Portuguesa
23
Concepção e objeto de estudo
O ensino da Língua Portuguesa, em sala de aula, atualmente, está articulado a
conteúdos de natureza procedimental, como leitura, práticas orais e produção de
textos. Todos, é claro, inter-relacionados.
Pensamos, então, ser necessário e possível ampliar o alcance das atividades
que envolvem esses três eixos, sem o rompimento com os conteúdos histórica e
culturalmente adquiridos, como o estudo da gramática normativa, e sem omitir
nomenclaturas ou substituí-las por qualquer outra. Nosso esforço consiste em
dar um novo tratamento a todos esses conteúdos, que passam pelo olhar da
Semântica, da Estilística e da Teoria do Discurso. Por isso, nosso intuito é de que
o ensino de Língua Portuguesa aborde a leitura, a produção de texto e o estudo
gramatical sob a perspectiva da língua como instrumento de comunicação e,
principalmente, de interação social. Objetivamos, ainda, por meio de seleção
criteriosa dos conteúdos (diversidade de textos, diversidade de imagens), bem
como da forma como tais conteúdos são apresentados e trabalhados, provocar o
aluno para a reflexão e, o mais importante, sensibilizá-lo para as questões que são
debatidas neste material, com vistas a formar um cidadão perspicaz, capaz de se
posicionar criticamente perante o que vê e o que lê, como bem elucida o doutor
em Letras e professor de Linguística e escrita Luiz Antonio Marcuschi (1983):
...o texto deve ser visto como uma sequência de atos de
linguagem (escritos ou falados) e não uma sequência
de frases de algum modo coesas. Com isto, entram, na
análise geral do texto, tanto as condições gerais dos
indivíduos como os contextos institucionais de produção
e de recepção, uma vez que estes são responsáveis pelos
processos de formação de sentidos comprometidos com
processos sociais e configurações ideológicas.
Cremos que o
ensino de Língua
Portuguesa deve
privilegiar o
estudo de textos
variados, porque
a linguagem se
faz presente em
todas as situações
da vida em
sociedade.
24
Cremos que o ensino de Língua Portuguesa deve privilegiar o estudo de
textos variados, porque a linguagem se faz presente em todas as situações da vida
em sociedade, originando e emanando múltiplas situações discursivas, as quais
têm papel fundamental na formação sociopolítica e ideológica dos indivíduos.
A ideologia é reflexo das condições sociais e entre esta e a linguagem há uma
estreita relação, a qual se materializa no discurso. Decorre disso a necessidade
de apresentarmos para nossos alunos a maior variedade possível de discursos.
Segundo o teórico da linguagem Mikhail Bakhtin, os movimentos humanos estão
relacionados à linguagem e é daí que surgem a diversidade no uso da língua e a
consequente variedade de gêneros textuais.
Dessa maneira, abre-se, também, espaço à rediscussão do papel do
professor, como elemento capaz de dar um novo sentido ao estudo da Língua
Portuguesa em sala de aula. Sua missão é desburocratizar a leitura, a escrita e
a oralidade, tornando-as vivas do ponto de vista social.
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Portuguesa
Abordagem metodológica
A Coleção Cidadania é dividida em áreas do conhecimento. O conteúdo
dessa disciplina não é distribuído seguindo uma estrutura fixa.
Apesar de apresentarem uma sequência de conteúdos, as unidades são
temáticas, independentes, e intercalam teoria, textos, imagens complementares
e exercícios diversificados, que visam auxiliar o trabalho do professor. A teoria
objetiva possibilitar a reflexão e aguçar o senso crítico do aluno. Os exercícios, que
são de análise, reflexão e interpretação de textos e de imagens, além de debates,
produção de diferentes tipos textuais e pesquisa, procuram equilibrar, de forma
sustentável, o desafio e a criatividade, tendo como característica fundamental
levar o aluno a buscar alguma operação linguística.
Entendemos que a avaliação, que se dá aqui por meio das atividades, tem como
objetivo singular integrar o processo ensino-aprendizagem e permitir que se redirecionem os objetivos e as estratégias de acordo com a necessidade educativa.
Corrobora com nosso pensamento e estratégia o filósofo e doutor em Educação
Cipriano Luckesi, “para quem a avaliação é uma atividade que não existe nem
subsiste por si mesma: Ela só faz sentido à medida que serve para o diagnóstico
da execução e dos resultados que estão sendo buscados e obtidos. A avaliação é
um instrumento auxiliar de melhoria de resultados.” Também contribui para essa
reflexão o doutor em Educação José Carlos Libâneo (1994):
Não existe possibilidade de atividade mental sem o
conhecimento teórico da matéria, s em a explicação da
matéria pelo professor. O importante é a combinação da
explicação com o movimento interno que acontece na
mente do aluno, de modo que o conteúdo, a pergunta, o
problema se convertam em conteúdo, pergunta, problema
na cabeça do aluno. Com os exercícios de consolidação,
recordação e aplicação da matéria, pode-se assegurar,
então, a profundidade e a solidez na assimilação dos
conhecimentos e habilidades.
Com este material, acreditamos que o professor conseguirá promover novas
estratégias de ensino de Língua Portuguesa, em que haverá um trabalho gramatical
integrado à leitura e à produção de textos, privilegiando-se, constantemente, a reflexão.
Objetivos
O princípio deste material é aliar a tradição à modernidade, sem perder a
especificidade do seu objetivo, que é integrar a exposição da teoria e o trabalho
efetivo com os conteúdos por meio de situações desafiadoras, em que o aluno
aplica seu conhecimento ao escrever, ao ler e ao falar.
Nesta coleção, o professor vai encontrar, como eixo norteador, um conjunto
de textos diversificados que permitem a sistematização dos conteúdos, bem
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Portuguesa
O importante é a
combinação da
explicação com
o movimento
interno que
acontece na
mente do aluno.
25
O eixo norteador
que dá sustentação ao trabalho
como a análise e a interação social. Encontramos na doutora em Linguística e
professora da USP Leonor Lopes Fávero e na doutora em Língua Portuguesa
Ingedore Koch Villaça, justificativas para tal procedimento:
com a língua, na
Texto em sentido amplo, designando toda e qualquer
manifestação da capacidade textual do ser humano (uma
música, um filme, uma escultura, um poema etc.), e, em se
tratando de linguagem verbal, temos o discurso, atividade
comunicativa de um sujeito, numa situação de comunicação
dada, englobando o conjunto de enunciados produzidos pelo
locutor (ou pelo locutor e interlocutor, no caso dos diálogos) e
o evento de sua enunciação. (FÁVERO; KOCH, 1983)
Coleção Cidadania, fundamenta-se na prática textual intensa, nos
âmbitos da leitura
e da escrita.
Os nativos da língua-mãe, a nossa língua portuguesa, pelo convívio familiar,
seguido pela prática social, naturalmente adquirem a chamada gramática internalizada. Mas é na prática escolar que eles têm a oportunidade de lapidar esse conhecimento. É por isso que o eixo norteador que dá sustentação ao trabalho com a língua,
na Coleção Cidadania, fundamenta-se na prática textual intensa, nos âmbitos da leitura e da escrita. Além de todos os aspectos aqui já explicitados, essa opção encontra
suporte no fato de que o aluno que lê mais aprende gramática mais facilmente, assimila melhor os conteúdos e torna-se mais sensível às mensagens subjacentes.
Referências
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
BECHARA, E. Ensino de gramática. Opressão? Liberdade? São Paulo: Ática, 2007.
_______. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
CAMARA JR., J. M. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Vozes, 2001.
DIONISIO, A. P.; BEZERRA, M. A. O livro didático de português. Rio de Janeiro:
Lucerna, 2001.
ELIA, S. A língua portuguesa no mundo. São Paulo: Ática, 1998.
FÁVERO, L. L.; KOCH, I. V. Linguística textual: introdução. São Paulo: Cortez,
1994.
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo:
Ática, 2007.
GERALDI, J. W. O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2006.
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
MARCUSCHI, L. A. Linguística textual: o que é e como se faz. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1983. v. 1. (Série Debates)
PAULINO, G. et al. Tipos de texto, modos de leitura. São Paulo: Formato, 2002.
POSSENTI, S. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de
Letras, 1998.
SILVA, R. M. e. Tradição gramatical e gramática tradicional. São Paulo: Contexto, 1996.
SOUZA, R. J. de. Caminhos para a formação do leitor. São Paulo: DCL, 2004.
26
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Portuguesa
Matriz de Conteúdos – Língua Portuguesa
1.º Semestre
Língua, história
e cultura
• Para início de conversa
• A história da língua
portuguesa
• O antes do antes
• A língua portuguesa
A língua
Língua,
portuguesa chega linguagens e
ao Brasil
códigos
• O português e o
indígena: choque de
culturas
• Brasileiro ou
selvagens? A questão
indígena
1.º ano
• A contribuição negra
• Língua, marcas e logotipos
• Linguagem
publicitária
e consumismo
Língua, norma
e variações
Sons e letras da língua
• Os diversos Brasis – as diversas línguas
• Fonema e letra
• A língua-padrão
• Comunicação, linguagem e língua
• A sílaba
• Os níveis de
linguagem
• Linguagem da
informática
• A linguagem do corpo
Acentuação
gráfica
• Acento prosódico,
acento gráfico
• Principais regras
de acentuação gráfica
• Acentuação gráfica:
regras especiais
• Entendendo a crase
• Prosódia: como se
pronuncia
Texto: estrutura
e sentido
2.º ano
• Texto e textualidade
• Coesão: as relações
textuais
• Coerência: a
construção do sentido
Sintaxe: o período Sintaxe: o período A comunicação
simples
composto
e as funções da
• A fala e suas
• As relações
linguagem
circunstâncias
entre as orações
• Sintaxe: a relação
entre as palavras
• Orações subordinadas
• Frase, oração e
período
• Orações coordenadas
• Orações reduzidas
• A comunicação
• Funções da linguagem
Os gêneros
do discurso
• Linguagem e práticas
sociais
• O texto descritivo
• A língua falada
• O texto narrativo
Morfologia:
classes de
palavras
Revendo o verbo
Sintaxe: o sujeito
• Morfologia do verbo
• Frase – oração – período
• Verbos abundantes
• O sujeito
• Flexão verbal
• Termos relacionados
ao nome
• O texto dissertativo
• O sujeito
3.º ano
• O predicado
Texto:
interpretação e
produção I
Texto:
interpretação e
produção II
• Começo de conversa
• Nossa língua corre
perigo?
• O leitor ideal
• Descrever
• Descrição
• Narração e narrativa
Linguagem:
funções e
situações
comunicativas
• Funções da linguagem
• Substantivo, artigo
e adjetivo
• Os constituintes
da narrativa
• Produção textual
QUADROS DE CONTEÚDO – Língua Portuguesa
27
2.º Semestre
Palavras, palavras!
Que mundo é o seu
mundo?
• Introdução
• Estrutura das palavras
• Formação de palavras
O que é, o que é?
• Substantivos
• Classificação
dos substantivos
• Formação
dos substantivos
• Flexão dos substantivos
1.º ano
• Grau dos substantivos
Adjetivo, artigo,
numeral
Verbo
Pronome
Palavras conectoras
• Introdução
• Função
• Preposições
• Introdução
• As flexões do verbo
• Classificação
• Conjunções
• Adjetivos: formação
e flexão
• Tempos verbais
• Artigo
• Locução verbal
• Numeral
• Conjugação verbal
O texto publicitário
O discurso legal
Texto instrucional
Redação oficial
• A linguagem publicitária
• O discurso legal
• Introdução
• Requerimento
• Formas nominais do verbo
As palavras
e o discurso
• Advérbio
• Interjeição
Linguagem
jornalística
• A manchete
• Texto jornalístico
• A reportagem
• Características
• Características do texto
jornalístico
• A entrevista
• Intertextualidade
• O editorial
• Argumentação
2.º ano
• A notícia
• Organização dos itens
instrucionais
• Pontuação nos textos
instrucionais
• A linguagem do texto
publicitário
• O título na linguagem
jornalística
• Estrutura do texto
de receita
O parágrafo
• Texto e parágrafo
• Relação: causa
e consequência
• Tempo e espaço
• Conceito
• Enumeração
3.º ano
• Contraste
Sintaxe: termos
da oração
Sintaxe de
concordância
Uso de pronomes
• Regras básicas
Crase
• O predicado
• Casos especiais
• Concordância nominal
• Termos relacionados
ao verbo
• Casos facultativos
• Concordância verbal
• Colocação dos pronomes
oblíquos átonos
• Pronomes pessoais
• Pronomes de tratamento
Genética
de populações
e especiação
• Introdução
• A vírgula entre os termos
da oração
• Pronomes demonstrativos
• O princípio de HardyWeinberg
• Pronomes possessivos
• Regência verbal
• Especiação
• Pronomes indefinidos
• Regência nominal
28
QUADROS DE CONTEÚDO – Língua Portuguesa
Produção de Texto
Ao considerar que o ensino da disciplina de Língua Portuguesa se realiza
por meio de práticas linguísticas – oralidade, escuta e leitura, produção
escrita e análise linguística – entendemos que a produção de textos merece
estudo específico, por se tratar de um dos maiores enfrentamentos a que
grande número de professores e de alunos de todos os níveis estão expostos. O professor dessa disciplina, especialista em linguagem, é também um
leitor e um produtor de escrita e exerce, na escola, o papel de mediador, de
observador e de criador de situações de ensino-aprendizagem.
A mediação do professor é fundamental, pois cabe a ele mostrar ao aluno
que, no processo de interlocução, a palavra do outro precisa ser considerada, ainda que não se concorde com ela. Essa é uma forma de se considerar o outro, além da possibilidade de se confrontar a própria opinião com
as demais e manter contato com a crítica e com a reflexão.
Abrir um espaço para o trabalho focalizado na produção de textos é indispensável para nos atermos à escrita de textos e às suas especificidades.
FUNDAMENTAÇÃO – Produção de Textos
29
Concepção e objeto de estudo
O domínio da língua como sistema simbólico utilizado pelos falantes de uma
determinada comunidade linguística é condição de participação social, uma vez
que é por meio dela que as pessoas têm acesso à informação, expõem, ouvem e
defendem opiniões, produzem cultura e conhecimento.
A prática linguística se dá pela interação, ou seja, é preciso haver mais de um
falante para que o processo linguístico se desenvolva. A interlocução é indispensável e ela se realiza em todas as situações de uso da linguagem, desde a conversa
informal, entre amigos, até a reflexão sobre um romance ou um ensaio científico.
Tais situações determinam a produção do texto, considerando-se o assunto, o
interlocutor, a finalidade, o veículo de divulgação, o momento, o lugar.
Pela linguagem se realizam atividades, constroem-se visões de mundo e
se estabelecem relações interpessoais antes inexistentes. Assim, é preciso tratar
a língua sob a perspectiva do sistema de signos construído historicamente, que
possui função primordialmente social.
Aprender e dominar a língua implica não apenas conhecer o código escrito,
mas, muito além disso, conhecer os significados culturais que essa língua expõe,
ou seja, como as pessoas entendem e interpretam o mundo, seus valores, seus
preconceitos, suas crenças, enfim, toda a riqueza cultural de um povo.
Abordagem metodológica
A proposta de produção de textos somente terá sentido se o aluno encontrar
razão para escrever, se ele encontrar na escrita uma forma interessante e adequada
para registrar o que pensa. Por isso, as atividades de produção de textos devem ser
significativas, partir de situações conhecidas, trabalhadas ou discutidas, para que o
aluno tenha o que dizer.
Não há nada mais desmotivador que a escrita sobre algo de que não se tem
informações, argumentos, ideias. E esse trabalho anterior à produção escrita
encontra-se estreitamente ligado à leitura.
Assim, o texto lido exerce também um papel de modelo para a produção escrita
do aluno. Em grande parte, são os textos lidos, comentados ou discutidos que
darão ao aluno referência e segurança para escrever. Quando lemos, observamos
as estratégias utilizadas pelo autor do texto, tanto em relação à estrutura deste
(formato, escolhas lexicais e sintáticas, formalidade, uso de recursos estilísticos
etc.) quanto em relação à temática (como desenvolve seu pensamento ou como se
posiciona diante do tema).
Outra preocupação do professor, ao propor uma produção escrita, deve ser a
publicação ou divulgação desse texto. É preciso apresentá-lo a um número maior
de leitores e não restringi-lo a um só interlocutor – o professor. É preciso criar
espaços de veiculação de textos dos alunos, afinal, sabemos que a escrita tem
função social. E por ser social, ela é vasta na diversidade de gêneros, de estilos
e de abordagens. Trazer essa diversidade para as aulas de produção de textos
certamente enriquece e estimula os alunos a ler e a produzir textos de forma cada
vez mais competente.
30
FUNDAMENTAÇÃO – Produção de Textos
Contudo, não se pode deixar de falar da necessidade de revisão do que se
escreve. O bom texto geralmente não fica pronto no primeiro turno. Ele exige um
segundo, terceiro ou até mais turnos para que seja apresentado ao público. Isso não
significa incapacidade do aluno e, sim, a possibilidade de emprego dos inúmeros
recursos de que a língua dispõe para escrever. Quanto maior o domínio desses
recursos, mais exigente e mais versátil será o aluno em sua produção escrita.
Aqui novamente é imprescindível a mediação do professor para mostrar ao
aluno a flexibilidade da linguagem e os efeitos do uso de um e de outro recurso
linguístico na produção de sentido.
Objetivos
Redigir textos em diferentes tipos e gêneros, estruturados de modo a garantir:
• a unidade temática;
• a adequação da linguagem ao gênero textual e às condições de produção;
• a clareza das relações entre as partes do texto por meio do emprego de
recursos linguísticos apropriados (retomadas, anáforas, conectivos);
• a escolha de elementos lexicais, sintáticos e estilísticos, adequando-os
às circunstâncias, ao grau de formalidade e aos propósitos do texto;
• a análise e a revisão do próprio texto em função dos objetivos e das condições de produção estabelecidas.
Referências
BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 13. ed. São Paulo: Hucitec, 2009.
FARIA, M. A. de O. O jornal na sala de aula: a organização de um jornal, leitura
crítica, redação escolar e linguagem da imprensa. 10. ed. São Paulo: Contexto, 2000.
(Coleção Repensando a Língua Portuguesa).
FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. 11. ed. São Paulo: Ática, 2006.
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. 17. ed. São
Paulo: Ática, 2007.
GERALDI, J. W. Linguagem e ensino. 2. ed. Campinas: Mercado de Letras, 2009.
GNERRE, M. Linguagem, escrita e poder. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
MAINGUENAU, D. Novas tendências em análise do discurso. 3. ed. Campinas:
Pontes, 1997.
MARCUSCHI, L. A. Análise da conversação. São Paulo: Ática, 2007.
NEVES, M. H. Gramática de usos do português. São Paulo: UNESP, 2003.
PÉCORA, A. Problemas de redação. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
PENNAC, Daniel. Como um romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
ROJO, R.; CORDEIRO, G. S. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado
das Letras, 2004.
TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de
gramática no 1.º e 2.º graus. São Paulo: Cortez, 2005.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
FUNDAMENTAÇÃO – Produção de Textos
31
Matriz de Conteúdos – Produção de Textos
1.º Semestre
A língua nossa de cada dia
1.º ano
• Diversidade textual
• Texto narrativo: descrição e crônica
• A descrição nos classificados
Informação,
citação e
argumentação
• Os elementos coesivos:
discurso direto e
indireto
3.º ano
2.º ano
• Texto argumentativo
Os territórios
da linguagem
O que significa
argumentar?
• A coerência e a unidade
temática
• A construção do texto
argumentativo
• O estudo da charge
• A coesão textual
O exercício
da escrita
O texto de opinião e a
intertextualidade
• O texto argumentativo
e o resumo
• O trabalho com a carta
• O trabalho com
argumentos
• Crônica jornalística, carta ao leitor e charge
2.º ano
1.º ano
2.º Semestre
Argumentação I
Argumentação II
• Carta argumentativa
• Recursos literários
• Texto informativo
• Paráfrase
• Discurso direto e
discurso indireto
• Informação
Trabalho com
o texto I
Trabalho com
o texto II
• Progressão textual
• Texto de opinião
• Carta argumentativa
• Leitura de gráficos
e de tabelas
• Texto literário e não
literário
• Charge
3.º ano
• Desconstrução e
reconstrução de textos
32
Sobre homens
e mulheres
A vida nas cidades
• Texto argumentativo
• Gráfico
• Diversidade de linguagens
• Paráfrase
• O verbal e o não verbal
QUADROS DE CONTEÚDO – Produção de Textos
Literatura
Estudar literatura é buscar raízes culturais de um povo e de uma
língua. É compreender aquilo que somos na atualidade e por que somos.
Este material apresenta a literatura como produção surgida por força
das práticas sociais e do diálogo entre as diversas culturas que influenciaram nosso país, até chegarmos à cultura por nós construída.
Por meio da literatura, tomamos contato com épocas distintas, universos distintos, pessoas que, produzindo textos, transmitiram sensibilidade e inteligência. Literatura é a arte da palavra escrita; e, segundo
Aristóteles, “arte é mimese” (espelho da vida, imitação da natureza, imitação da realidade a fim de buscar a perfeição ou o belo).
Esperamos que este material seja para o estudante do Ensino Médio um
meio agradável, dinâmico e enriquecedor de conhecer o universo da
literatura e da cultura da qual ele faz parte.
FUNDAMENTAÇÃO – Literatura
Por meio da
literatura,
tomamos
contato com
épocas distintas,
universos distintos,
pessoas que,
produzindo textos,
transmitiram
sensibilidade e
inteligência.
33
Concepção e objeto de estudo
Mais produtivo
do que tentar
definir literatura
talvez seja
encontrar um
caminho para
decidir o que
torna um texto,
em sentido lato,
literário.
34
A literatura é a arte da palavra e um fenômeno vivo que, em contato com
outras manifestações culturais, participa do conjunto de transformações da sociedade.
Literatura é compreender a evolução do pensamento e dos sentimentos
humanos através dos tempos. É também aprender a ler textos, percebendo de que
forma eles estão relacionados com o momento histórico em que foram criados,
com a estrutura da sociedade e com a tradição cultural.
Para conseguirmos entender bem a concepção da disciplina e o objeto de estudo,
devemos levar em contar alguns conceitos técnicos. Literatura vem do latim litera. É a
arte de compor escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de
produções literárias de um país ou de uma época; carreira das letras.
Mais produtivo do que tentar definir literatura talvez seja encontrar um
caminho para decidir o que torna um texto, em sentido lato, literário. A definição
de literatura está comumente associada à ideia de estética, ou melhor, da ocorrência
de algum procedimento estético. Um texto é literário, portanto, quando consegue
produzir um efeito estético, ou seja, quando proporciona emoção e uma sensação
de prazer no receptor. A própria natureza do caráter estético, contudo, conduz
à dificuldade de elaborar alguma definição verdadeiramente estável para o texto
literário. Para simplificar, podemos exemplificar por meio de uma comparação
por oposição. Vamos opor o texto científico ao texto artístico: o texto científico
emprega as palavras sem preocupação com a beleza, com o efeito emocional, mas,
em compensação, essa será a preocupação maior do artista. É óbvio que também
o escritor busca instruir, procura repassar ao leitor uma determinada ideia, mas,
diferentemente do texto científico, o texto literário une a essa necessidade a questão
estética que toda obra de arte exige. O texto científico emprega as palavras no seu
sentido dicionarizado, denotativamente, enquanto o texto artístico busca empregar
as palavras com liberdade, preferindo o seu sentido conotativo, figurado. O texto
literário, portanto, é aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a
língua com liberdade e beleza, utilizando-se do sentido conotativo ou metafórico
das palavras.
A compreensão do fenômeno literário tende a ser marcada por alguns sentidos,
alguns marcados de forma mais enfática na história da cultura ocidental, outros
diluídos entre os diversos usos que o termo assume nos circuitos de cada sistema
literário particular.
Assim, encontramos uma concepção “clássica”, surgida durante o Iluminismo
(podemos chamá-la de “definição moderna clássica”, que organiza e estabelece
as bases de periodização usadas na estruturação do cânone ocidental); uma
definição “romântica” (na qual a presença de uma intenção estética do próprio
autor torna-se decisiva para essa caracterização); e, finalmente, uma “concepção
crítica” (na qual as definições estáveis tornam-se passíveis de confronto e a partir
da qual se buscam modelos teóricos capazes de localizar o fenômeno literário
FUNDAMENTAÇÃO – Literatura
e, apenas nesse movimento, “defini-lo”). Deixar a cargo do leitor individual a
definição implica uma boa dose de subjetivismo (postura identificada com a
matriz romântica do conceito de literatura); a menos que se queira ir às raias
do solipsismo, será encontrada alguma necessidade para um diálogo quanto a
essa questão. Isso pode, entretanto, levar ao extremo oposto de considerar como
literatura apenas aquilo que é entendido como tal por toda a sociedade ou por parte
dela, tida como autorizada à definição. Essa posição não só sufocaria a renovação
na arte literária como também limitaria excessivamente o corpus já reconhecido.
De qualquer forma, dessas três fontes (a “clássica”, a “romântica” e a “crítica”)
surgem conceitos de literatura, cuja pluralidade não impede de prosseguir às
classificações de gênero e exposição de autores e obras. “Os governos suspeitam da
literatura porque é uma força que lhes escapa.” (Émile Zola)
Na realidade de sala de aula, o ensino dessta disciplina deve levar em conta
aspectos relevantes que enriquecem e transformam a literatura em algo marcante
para o pensamento cultural de nossa sociedade, aspectos como contextualização e
a interferência direta da história no pensamento dos escritores, pois sem ela não
teríamos as escolas literárias, com suas características próprias, que retratam, por
meio da “palavra-arte”, um espelho histórico-social de uma época.
Não podemos deixar de salientar a importância da linguagem, da linguística e
da gramática como parceiras do processo de criação do texto literário, bem como da
filosofia, da sociologia e das mais variadas manifestações artísticas.
O objetivo maior da presença da disciplina de Literatura no Ensino Médio é
formar um leitor autônomo. Somente um leitor autônomo é capaz de ver e de usar
a literatura como instrumento efetivo de leitura do mundo.
Literatura é uma confrontação dialética de discursos, quando estes são
ironizados, parodiados e, inclusive, subvertidos, sendo que tais operações são as
mais importantes que a literatura realiza há muito tempo, sob diferentes formas.
Rompendo as fronteiras das formulações discursivas que se querem pertencentes,
com exclusividade, aos diferentes campos do saber, a literatura examina os
discursos, produzindo nestes e por estes campos e, ao contrastá-los, oferece uma
visão plural da sociedade que os gera e os sustenta.
De acordo com os PCNs, a literatura deve ser contextualizada e fazer harmoniosamente uma ligação entre a história, a filosofia, a sociologia, as artes e a linguagem, criando, em forma textual, a matéria-prima dessa disciplina.
Conforme a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei n.º 9394/96, e explicitado pelos
Parâmetros Curriculares Nacionais − PCN − e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais − DCN −, a literatura pode ocupar um lugar primordial na formação escolar.
É necessário, porém, que seu estudo não se feche unicamente na literatura erudita,
mas se abra, sem preconceitos elitistas, para outras manifestações literárias, como
a literatura para crianças e jovens, a literatura popular e mesmo a de massa. Da
mesma forma, essa flexibilização precisa também ampliar os conceitos de leitura
do texto literário, não se limitando, na prática escolar, apenas aos aspectos estéticos da obra.
FUNDAMENTAÇÃO – Literatura
O objetivo
maior da
presença
da disciplina
de Literatura
no Ensino Médio
é formar um
leitor autônomo.
35
A literatura, assim, pode vir a ser um patrimônio pedagógico precioso, não só
para fornecer a professores e a alunos caminhos para se atingir as metas fundamentais propostas pelos PCNs como ainda para ser esteio para a interdisciplinaridade, participando de alguns temas transversais propostos nos Parâmetros.
Abordagem metodológica
Este material busca estabelecer uma ligação entre a cultura brasileira passada e
a contemporânea, traçando paralelos entre aquela produção cultural e seus reflexos
na cultura da atualidade, nas diversas vertentes e manifestações artísticas.
O material é dividido por semestre (um total de 6 volumes para o Ensino
Médio). Para cada semestre, há uma divisão em unidade adequada à série destinada, e para cada unidade, temos a disposição metodológica descrita a seguir.
O período literário vem acompanhado de conceitos históricos e filosóficos da época,
suas características estéticas tanto na literatura quanto nas artes em geral. Dessa forma,
o material convida-nos a interagir com textos e a extrair deles possibilidades múltiplas de
reflexão, interpretação e análise.
Os objetivos fundamentais do material têm por base a apresentação da
cronologia dos estilos de épocas de nossa literatura, a análise dos diferentes
recursos expressivos de cada um desses estilos e o conhecimento e o uso das
terminologias técnicas literárias.
Este material apresenta exercícios que possibilitam ao aluno o desenvolvimento crítico, literário e reflexivo e também visam a uma boa preparação para
quem quer prestar exame para ingresso à universidade.
Dessa forma, o
material convida-nos a interagir
com textos e
extrair deles
possibilidades
múltiplas
de reflexão,
Para demonstrar um aspecto didático mais acolhedor, a iconografia facilita
a compreensão do conteúdo apresentado, não só documentando os períodos
como abrindo possibilidade para o estudo comparativo de manifestações culturais
diversas. No final de cada capítulo, há uma seção com um resumo do conteúdo
apresentado e textos em prosa ou em verso que permitem o trabalho intertextual.
Também como forma de ajuda na estruturação didática, o material indica a
utilização de recursos que enriquecem a compreensão do conteúdo sugerido, tais
como filmes, sites, artigos, jornais, entrevistas, livros etc.
Lembramos que as novidades tecnológicas não são inimigas da literatura e
da cultura, pois ao lado das variações tecnológicas há, também, o mundo das
palavras. Por isso, apresentamos esses recursos na intenção de fazer com que a aula
de literatura seja cada vez mais prazerosa, atuante, crítica e contextualizada.
interpretação
e análise.
36
FUNDAMENTAÇÃO – Literatura
Objetivos
• Capacitar o aluno ao conhecimento da teoria literária em suas terminologias e definições.
• Despertar o espírito crítico e reflexivo na interpretação das mais variadas formas textuais.
• Conhecer as escolas literárias, levando em conta o contexto histórico, as características, as
principais obras e os principais autores.
• Saber incorporar outras disciplinas (como História, Artes, Filosofia, Sociologia, Linguística
etc.) no enriquecimento do contexto literário.
• Fazer da intertextualidade literária um exercício para adquirir desenvolvimento intelectual,
emocional e criativo.
Referências
BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. 46. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
BUENO, L. Literatura na história e não história da literatura. Educar em Revista, Curitiba, UFPR, v. 20,
2002.
CAMPEDELLI, S. Y.; ABDAL, B. Tempos da literatura brasileira. 6. ed. São Paulo: Ática, 2001.
MASSAUD, M. Dicionário de termos literários. 14. ed. São Paulo: Cultrix, 1999.
_______. A literatura brasileira através dos textos. 25. ed. São Paulo: Cultrix, 1995.
TAVARES, H. Teoria literária. 11. ed. Belo Horizonte: Villa Rica, 1996.
Matriz de Conteúdos – Literatura
1.º Semestre
O que é
literatura?
2.º ano
1.º ano
• Literatura
Prosa
Verso
• Narrativa: um mundo
sem fronteiras
• Poesia? Poema?
• Narrativa como
representação
Introdução
ao Romantismo
Poesia romântica
• 1.a Geração Romântica
O romance
romântico
Realismo
e Naturalismo
• Contexto de época
e ideologia
• 2.a Geração Romântica
• O gênero “romance”
• 3.a Geração Romântica
• O teatro romântico
• Contexto histórico
e cultural
• O Romantismo no Brasil
• Características do
Realismo/Naturalismo
• Características
do Romantismo
continua
FUNDAMENTAÇÃO – Literatura
37
3.º ano
1.º Semestre
continuação
O Modernismo
A Geração de 22
• Introdução ao
Modernismo
• Mário de Andrade
• As vanguardas europeias
• Manuel Bandeira
• Carlos Drummond
de Andrade
• Alcântara Machado
• Jorge de Lima
• Outros poetas
• Murilo Mendes
• A Semana de Arte
Moderna
• Grupos, revistas
e manifestos
• Oswald de Andrade
Geração de 30 –
Poesia
• Cecília Meireles
• Vinicius de Moraes
• Mario Quintana
O Romance de 30
A Geração de 45
• Romance de 30:
introdução
• João Cabral de Melo
Neto
• José Américo de
Almeida
• Clarice Lispector
• Rachel de Queiroz
• João Guimarães Rosa
• Jorge Amado
• José Lins do Rego
• Graciliano Ramos
• Erico Verissimo
• Outros escritores 1.º ano
2.º Semestre
Literatura portuguesa:
do Trovadorismo
a Gil Vicente
Camões
e o Classicismo
• Literatura portuguesa: origens e contexto
• Camões
• Trovadorismo
• Os lusíadas
• O Humanismo português
• A poesia lírica de
Camões
• Literatura dos jesuítas
• As crônicas de Fernão Lopes
• O Classicismo português
Literatura:
origens
e contexto
O Barroco
• Literatura de
informação
• Gregório de Matos
• Arcadismo: contexto
e características
• Pe. Antônio Vieira
• Os poetas líricos
• Origens e características
• O Barroco no Brasil
Os poetas
do Arcadismo
• Os poetas épicos
• Poesia palaciana: o Cancioneiro geral
3.º ano
2.º ano
• O teatro de Gil Vicente
A obra
machadiana
Parnasianismo
Simbolismo
Pré-Modernismo
• Introdução
• A poética simbolista
• Dados biográficos
• Olavo Bilac
• Cruz e Sousa
• Introdução
ao Pré-Modernismo
• A narrativa machadiana
• Raimundo Correia
• Alberto de Oliveira
• Alphonsus de
Guimaraens
• Lima Barreto
• Principais romances
• Graça Aranha
• Augusto dos Anjos
• Monteiro Lobato
• Outros poetas
simbolistas
• João Simões Lopes Neto
As vanguardas
poéticas
Poesia
contemporânea
O conto
contemporâneo
O romance
contemporâneo
A crônica
contemporânea
• Contexto
• Ferreira Gullar
• Introdução
• Introdução
• Conceito e história
• Concretismo
• Thiago de Mello
• Dalton Trevisan
• Neoconcretismo e Práxis
• Carlos Nejar
• João Antônio
• Romancistas
contemporâneos
• Cronistas
contemporâneos
• Tendência e Violão
de Rua
• Adélia Prado
• Murilo Rubião
• Paulo Leminski
• Lygia Fagundes Telles
• Poesia jovem dos anos 70
• Outros contistas
• Poema-Processo
• Outros movimentos
38
• Outros poetas
QUADROS DE CONTEÚDO – Literatura
Língua Inglesa
Aprender línguas estrangeiras é imprescindível atualmente. A língua inglesa,
devido a uma série de acontecimentos, notadamente a partir da Segunda
Guerra Mundial, adquiriu o status de língua-padrão nos campos da ciência,
dos negócios e da diplomacia: mais de 80% dos trabalhos científicos e a
metade dos jornais do mundo são publicados nessa língua na atualidade.
Até o presente momento, não há qualquer indicação de que esse domínio
linguístico vá diminuir.
Há, atualmente, mais de trinta países dos cinco continentes do planeta, nos
quais o inglês é falado fluentemente, seja como língua nativa, oficial ou, ainda,
como segunda língua. Estima-se em mais de 1 bilhão o número de falantes do
idioma em todo o mundo. A difusão maciça da língua inglesa, na atualidade,
deve-se principalmente à liderança política e tecnológica exercida pelos
Estados Unidos. A indústria cultural norte-americana – cinema, música pop
e televisão – encarregou-se de fazer do inglês a língua da juventude de todo
o mundo capitalista. O rock-‘n’-roll e todas as suas derivações, que talvez
seja o maior fenômeno de cultura popular que nosso mundo já viu, tem
como língua oficial o inglês. Goste-se ou não, é um fato. Portanto, o inglês
é atualmente reconhecido como a primeira língua estrangeira que se deve
aprender.
Em vista disso, cabe a nós, professores brasileiros de Língua Inglesa, procurar
um caminho para ensinar essa língua que respeite nossa condição social e
nossa cultura.
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Inglesa
Cabe a nós,
professores
brasileiros de
Língua Inglesa,
procurar um
caminho para
ensinar essa
língua que
respeite nossa
condição social e
nossa cultura.
39
Concepção e objeto de estudo
O ensino de uma
língua estrangeira é entendido
como a busca
da compreensão
do outro e, como
consequência
direta, a reflexão
sobre a nossa
própria cultura.
40
Acreditamos que alunos e alunas do Ensino Médio deverão estar aptos não
apenas para exercer habilidades linguísticas no idioma estrangeiro, mas, principalmente, para o diálogo cultural que engloba as relações entre os países e seus
idiomas. Assim, o ensino de uma língua estrangeira é entendido como a busca
da compreensão do outro e, como consequência direta, a reflexão sobre a nossa
própria cultura.
Estudantes do Ensino Médio deverão encontrar na aula de línguas a oportunidade para a construção de uma ponte para o mundo globalizado, a qual vai
muito além da habilitação para o acesso a informações. Ela deverá ser construída
tendo suas bases no diálogo cultural, na compreensão das relações envolvendo
diversos países com base na língua inglesa.
Entendemos que os estudantes do Ensino Médio encontrarão na aula de língua estrangeira uma oportunidade para conhecer melhor a si mesmos e a seu país.
O sucesso de nossa prática pedagógica, que tem como ponto de partida o contato
com o idioma estrangeiro, dependerá, também, da comunicação com outras disciplinas do currículo regular e, sobretudo, com o mundo que nos cerca.
Acreditamos que a proposta pedagógica de nossa coleção representa uma
grande mudança na sistemática de ensino do inglês nas escolas regulares.
Essa mudança de foco, se observada em todos os níveis, ou seja, desde a
pré-escola, poderá significar, em médio prazo, a extinção das escolas de idiomas,
pois os alunos passarão a adquirir todas as competências linguísticas no idioma
estrangeiro (fala, leitura, escrita e entendimento) nos bancos escolares, tal como
se faz atualmente no Chile, por exemplo. O país andino, há cerca de cinco anos,
aceitou o desafio de fazer da geração atual a primeira do país alfabetizada na
língua inglesa, e caminha firme nesse sentido.
Sonhamos alto, sim. Certamente há um longo caminho para se chegar lá,
e é preciso mudar muito mais do que as apostilas escolares a fim de se atingir o
objetivo maior: fazer de todo aluno da rede escolar, ao final do Ensino Médio, um
usuário competente da língua inglesa em situações de interação comunicativa
com falantes nativos, leitura e em elaboração de textos simples. Assim, esperamos
que nosso trabalho possa ser um instrumento útil para aqueles que desejam iniciar
essa caminhada.
A evolução da linguística aplicada no século passado aprofundou muito o
conhecimento sobre o processo de aquisição de segunda língua. Atualmente sabemos muito sobre diversos fatores de ordem psicológica que são determinantes no
processo de aprendizagem de uma língua estrangeira.
Um dos fatores de maior relevância é o “filtro afetivo”, investigado por
Krashen nos anos 80 do século XX. Ele descobriu que, diante do objeto de
aprendizagem – no nosso caso, a língua inglesa – os aprendizes podem
subconscientemente levantar uma barreira psicológica (o filtro afetivo), o que
os impede de processar as informações que recebem. A atuação do filtro afetivo
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Inglesa
deve-se a uma série de razões: predisposição ao aprendizado, empatia com o
professor e com os colegas, dificuldade de aprender, autoestima etc. A hipótese
do filtro afetivo de Krashen não está distante, pois, das assunções de diversos
outros pesquisadores, incluindo Paulo Freire, que colocam o aluno como agente
central do processo de aprendizagem.
Os processos cognitivos envolvidos no ato da leitura são extremamente
dif íceis de serem precisados. Vygotsky, notadamente em Pensamento e linguagem
(1987), descobriu que a linguagem verbal não é um pressuposto genético do
pensamento, mas sim um produto da consciência humana. No entanto, seria
um erro considerar pensamento e linguagem como dois processos paralelos e
independentes. Essa interdependência entre pensamento e linguagem de que nos
fala o pensador russo é fundamental para entendermos como se dá o processo de
compreensão de textos.
Outro pesquisador que serviu como base para o desenvolvimento das atividades
dessa série é o inglês David Nunan. Em sintonia com outros pesquisadores de
ponta, como Frank Smith, Nunan afirma que “a leitura é um processo que envolve
operações cognitivas complexas e, muito além da mera decodificação, resulta
na reconstrução dos significados do texto pelo leitor” (NUNAN, 1999, p. 258).
Essa concepção nos leva a entender que, durante o processo de leitura, nosso
conhecimento prévio sobre o tema do texto e nossas expectativas sobre ele criam
uma rede de significados possíveis. É a partir dessa rede que reconstruímos os
significados do texto e derivamos nossa interpretação.
Segundo Nunan, há basicamente duas estratégias de leitura: uma direcionada
à informação factual, outra direcionada a conceitos. Essas estratégias serão
usadas de acordo com o tipo de texto que se lê e com a dificuldade que se
encontra na linguagem deste. Trata-se aqui de uma abordagem psicolinguística
da leitura que parte dos processos cognitivos envolvidos na reconstrução de
significados do texto.
Nos estágios mais elementares, as atividades que antecedem a leitura
propriamente serão muito importantes. É preciso preparar o leitor para a
informação que ele vai encontrar no texto. Uma vez que o leitor não possua
uma rede de significados que possa combinar com as informações do texto, seu
trabalho de leitura ficará limitado à decodificação. Daí a importância de, antes de
partir para a leitura de um texto propriamente, abordar o tema do qual ele trata,
proporcionando a “contextualização” do texto em sala de aula. Entendemos que o
texto não fornece significados, mas sim pistas, sinais que utilizamos para reconstruir
seu significado em nossas mentes. Como nos diz Nunan, nosso conhecimento e
expectativas a respeito do mundo “afetarão profundamente nossa capacidade de
entender novas informações na medida em que fornecem a base de interpretação
para a nova informação que recebemos.” (NUNAN, 1999, p. 260)
Pesquisadores de todo o mundo – como Frank Smith, Jean Foucambert e Angela
Kleiman – concordam que a leitura ativa é, na verdade, um jogo de adivinhação. Ao
debruçar-se sobre um texto qualquer, nosso cérebro está o tempo todo prevendo
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Inglesa
Nosso
conhecimento
e expectativas
a respeito do
mundo afetarão
profundamente
nossa capacidade
de entender novas
informações, na
medida em que
fornecem a base de
interpretação para
a nova informação
que recebemos.
41
automaticamente qual será a próxima palavra. Isso pode ser facilmente constatado
quando interrompemos uma frase durante uma conversa e nosso interlocutor a
completa para nós. Ou, ainda, quando pensamos em frases típicas do tipo “quem
me... dera”, “estou morrendo de... fome (se já passa do meio-dia) / sede (se é um dia
quente)” e, de maneira mais clara ainda, se pensamos em ditos populares como
“quem espera sempre... alcança”.
É interessante notar que uma nova vertente pedagógica, na área do ensino de
línguas, tem surgido nos últimos anos a partir dessa constatação. São dicionários
de collocations, livros didáticos que ensinam vocabulário e até mesmo pontos
gramaticais através de chunks. Depois de amplas pesquisas, os escritores e os editores
estão cada vez mais convencidos de que abordar o ensino da língua estrangeira a
partir da habilidade de prever elementos de linguagem, ou seja, da probabilidade
de ocorrência de certas palavras em certos contextos, é uma estratégia muito
proveitosa. Em larga medida, procuramos nos valer dessa ideia.
Abordagem metodológica
Nosso objetivo
é fazer com
que todos os
estudantes
sejam capazes
de expressar
seus sentimentos
e desejos
primários, bem
como comunicar
informações
básicas.
42
Nesta coleção, procuramos desde o início colocar o aluno no centro do
processo, como o agente principal de seu aprendizado. Por isso buscamos trabalhar a
prática da fala de maneira mais incisiva nas primeiras unidades (unidades 1 a 4), optando
por temas relacionados ao cotidiano do jovem brasileiro, de modo que pudéssemos
criar uma relação direta de identificação com os estudantes. Daí o próprio título que
escolhemos para nosso material: English and you. O objetivo na primeira unidade é de,
por meio de uma revisão de pontos gramaticais simples – que são trabalhados como
chunks de linguagem, e não a partir de regras gramaticais –, introduzir um léxico
básico relacionado às situações propostas, para que o aluno tenha, num primeiro
momento, a oportunidade de se expressar na língua estrangeira, formulando
sentenças simples e estabelecendo uma comunicação de nível primário, ou seja,
reconhecimento e troca de informações básicas, sem discussões profundas
ou argumentações. Nosso objetivo é fazer com que todos os estudantes sejam
capazes de expressar seus sentimentos e desejos primários, bem como comunicar
informações básicas sobre suas vidas em língua inglesa. Desse modo, fechamos
o primeiro ano com uma rápida revisão dos tempos simples (presente, passado
e futuro), do uso dos modais e condicionais, conteúdos que são abordados por
meio de exercícios que exigem a participação efetiva do aluno na construção de
sentenças que falem sobre si. Como já mencionamos, a abordagem é lexical, e não
gramatical, o que deixa espaço para o professor trabalhar as explicações e as regras
conforme julgar mais apropriado.
Já nesse nível encontraremos exemplos da abordagem cultural, que é um dos
principais pontos de nossa proposta, como na discussão sobre costumes nacionais
e atividades de lazer, para mencionar apenas dois. Esses aspectos serão explorados
mais profundamente à medida que estivermos trabalhando com input mais
elaborado, nos módulos seguintes.
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Inglesa
As unidades de 5 a 8 de nosso material contêm textos mais complexos, que
exploram em maior profundidade as capacidades de leitura e de compreensão de
estruturas gramaticais mais dif íceis. O léxico, contudo, continua sendo o aspecto
predominante no material, uma vez que estamos convencidos da sua maior
importância para a comunicação, se comparado com a gramática. A aprendizagem
de itens vocabulares em níveis mais profundos é comprovadamente o meio mais
eficiente para o desenvolvimento das habilidades linguísticas em língua estrangeira.
Em suma: o professor que estiver trabalhando com English and you não será um
professor de gramática. Ainda que o conhecimento gramatical seja importante
para o processo de aprendizagem, e como tal tenha recebido a devida atenção neste
material, o foco estará voltado para itens lexicais.
Propostas
A partir da segunda unidade, a habilidade da leitura ganha evidência. Cientes
das limitações impostas pelas salas de aula no país, o trabalho com estruturas
linguísticas de um nível mais elevado será focado na habilidade da leitura. Isto
não significa, porém, que o professor que se achar em condição de valorizar a
prática oral em sala de aula não poderá fazê-lo. As oportunidades para a prática da
expressão oral estarão sempre presentes neste material.
muito práticas
de leitura que
não respeitem
os interesses
do aluno, que
não se associem
de forma alguma
ao que ele sabe
ou quer saber,
são maneiras
de gerar
desinteresse
pela leitura.
Propostas de leitura que não respeitem os interesses do aluno, que não se
associem de forma alguma ao que ele sabe ou quer saber são maneiras muito
práticas de gerar desinteresse pela leitura. O tédio nasce da constatação de que
não há nada numa determinada situação que eu possa aprender, e isso é fatal para
qualquer esforço de aprendizado.
Buscamos então desenvolver as unidades de nosso material de forma a trazer
conteúdos interessantes aos alunos. Porém, o texto no papel nunca é suficiente para
realizar a mágica do aprendizado. É preciso alguém competente e motivado para
estabelecer a ponte entre os alunos e o conhecimento que se tem como objetivo
final.
Seguindo essa proposta, até o final do terceiro nível de nosso material (unidades
de 9 a 12) teremos abordado todo o sistema verbal da língua inglesa, colocado
como a espinha dorsal no desenvolvimento dos conteúdos gramaticais, acrescido
de uma série de pontos secundários que consideramos fundamentais. A ênfase, no
entanto, será dada sempre nos temas trabalhados, de forma a envolver os alunos,
despertando seu interesse. Desses temas deriva todo o trabalho de abordagem
lexical. No segundo e terceiro níveis, intensificamos a discussão cultural, na medida
em que os textos usados são mais complexos, culminando com uma abordagem
direcionada para vestibulandos. Assim, acreditamos ser possível ao professor
percorrer com sucesso o caminho que levará os alunos da comunicação mais
simples, restrita ao universo frasal, à compreensão de textos que proporcionem o
alargamento de sua visão de mundo.
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Inglesa
Crianças
aprendem por
tentativa e erro:
elas encontram
sentido para
aprender
a língua e não
o contrário.
43
Devemos, por fim, lembrar-nos de como aprendemos nossa língua materna.
Crianças aprendem por tentativa e erro: elas encontram sentido para aprender
a língua e não o contrário. Fazem isso de forma muito eficiente, pois não têm
medo de errar – pelo menos até o momento em que os adultos lhes incutem esse
medo. Se formos capazes de resgatar em nossos alunos a coragem de arriscar, de
procurar significados em sua leitura de mundo, estaremos, então, ajudando-os a
retomar o caminho da leitura significativa e, por fim, dando-lhes a oportunidade
de construir uma identidade na língua estrangeira.
Objetivos
• Compreensão auditiva e expressão oral (listening & speaking) –
Compreender e interagir com falantes de standard English em situações
que envolvam um contexto ou assunto familiar: situações cotidianas,
escola, trabalho, viagens, televisão, rádio, telefone.
• Leitura e escrita (reading & writing) – O aluno deverá ser capaz de compreender textos informativos escritos em inglês e de usar a escrita para transmitir informações essenciais, quando for requisitado, escrevendo mensagens breves, preenchendo formulários etc. Deverá também ser capaz de
compreender textos mais elaborados e específicos, que envolvam certas
peculiaridades sobre um país falante da língua inglesa, fazendo uso de seu
conhecimento sociocultural.
Referências
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.
37. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008.
KLEIMAN, A. Oficina de leitura: teoria e prática. 6. ed. Campinas: Pontes, 1998.
LEFFA, V. J. (Org.). As palavras e sua companhia: o léxico na aprendizagem. Pelotas: Educat, 2000.
NUNAN, D. Second language teaching & learning. Boston: Thomson Heinle, 1999.
PAIVA, V. L. M. de O. e (Org.). Ensino de língua inglesa: reflexões e experiências.
3. ed. Campinas: Pontes, 2005.
SMITH, F. Leitura significativa. 13. ed. Porto Alegre: Artmed, 1999.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
44
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Inglesa
Matriz de Conteúdos – Língua Inglesa
1.º ano
1.º Semestre
My preferences
Activities
• What do you do?
• Leisure activities
• My preferences
• Science and techonology
• What do you look like?
• Relationships
• Food
• Jobs and professions
• Clothing
• Famous people
• Hobbies and games
• Fashion
• My personality
• Means of transportation
• Shopping
• My trip to New York
• Weather
• Numbers and shapes
3.º ano
2.º ano
• Review
English and You V
English and You VI
• Growing old
• Healthy habits make a healthy life
• On the catwalk
• The planet we live on
• Extreme!
• Far west
• Review lesson
• Review lesson
English and You XI
English and You XII
• Student’s life
• College degree: a dream come true?
• Brain Power
• Money makes the world go round
• Shopping Maniac
• What is a good job?
• Review - Unit
QUADROS DE CONTEÚDO – Língua Inglesa
45
2.º Semestre
English and You III
• Sports and games
1.º ano
• There + to be
• Music styles
• Simple past
• Daily activities, vacation,
last and ago
• Simple past
English an You IV
• Countries and nationalities,
immigration
• Fun activities
• Customs and habits
• Going to
• Should and must
• To be, there + to be, come
from
• Palm reading
• Rather than
• Will
• Would
• Verbs that indicate abilities
• First conditional
• Can
• War, blood donation,
brazilian economy
• Adjectives
• Comparatives
• Superlatives
• Decision making words
• Should and must
2.º ano
English and You VII
English and You VIII
• Law and crimes
• Streching one’s limits
• Environment
• Flying in a balloon
• Past perfect
• Future perfect
• Historical facts
• Supposed to, either X or,
neither X nor
• Passive voice
• Past perfect
• Conditionals
• Travelling abroad
• Passive voice
• Space exploration
• Cultural differences
• Words to express (un)
certainty
• Human body
• Perfect tenses
English and You XI
3.º ano
• Verb tenses
• Phobias
• Modal verbs + perfect
tenses
English and You XII
• Terrorism, war
• Linking words
• Relative clauses
• Religion, life and death,
extremism
• Used to
• Speech
• Collective nouns
• History of New York
• Shall
• Negative adverbs
• Immigration, race
• Social habits, science and
religion, intelligences
• Chemical war
Língua Espanhola
A proposta de incluir a disciplina de Espanhol como língua estrangeira, na
Coleção Cidadania, vem suprir a necessidade de uma formação que contemple
as demandas comunicativas do século XXI. Isso porque, com a globalização
das relações políticas, comerciais e culturais, torna-se necessário atender ao
processo de comunicação entre os povos, na promoção do desenvolvimento
de recursos humanos qualificados para as exigências mundiais de mercado.
Assim, a opção de espanhol como língua estrangeira, além de ser amparada
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), deve-se ao fato
de que esse idioma é a língua oficial de vinte países, em quatro continentes, e
também é o segundo idioma em importância nos Estados Unidos da América,
onde cerca de 25 milhões de pessoas o utilizam. Também se deve mencionar
que a ONU e a UNESCO têm o espanhol como um de seus idiomas oficiais.
A sua importância, portanto, não se reduz apenas às relações comerciais e
políticas dos países sul-americanos, mas também à sua extensão e difusão
em um mundo globalizado.
No caso específico do Brasil, a semelhança entre o português e o espanhol
pode ser uma armadilha para a aprendizagem deste, pois muitas pessoas
ainda acreditam que, devido a essa semelhança, não é necessário estudá-lo. Lamentavelmente, o conhecido “portunhol”, além de não facilitar as
competências comunicativas entre nativos de ambos os idiomas, também
desconsidera a percepção de que se trata da aquisição de um produto cultural
complexo. Dessa forma, este material visa a integração do estudante com as
variadas formas de cultura, com as tradições e com os hábitos dos povos
hispanohablantes, promovendo o aprendizado satisfatório do espanhol.
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Espanhola
47
Concepção e objeto de estudo
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96), em seu
artigo 35, preconiza que deve ser ofertada, pelos estabelecimentos de ensino, uma
língua estrangeira moderna como disciplina obrigatória e uma segunda, em caráter
optativo, de acordo com a disponibilidade da instituição. Pode-se observar, ainda,
nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, em seu capítulo 4, que a sanção da
Lei n.º 11.161 (5/8/2005) torna obrigatória a oferta da língua estrangeira moderna
– Espanhol no Ensino Médio, em horário regular, nas escolas públicas e privadas
brasileiras que atuam nesse nível de ensino.
Para que essas determinações ganhem sentido e produzam efeitos, deve-se
ressaltar que a língua espanhola apresenta-se, atualmente, como um idioma de
suma importância, por ser um instrumento de comunicação e de aperfeiçoamento
à preparação do estudante para o trabalho.
Assim, o material didático desenvolvido para a Coleção Cidadania considera
a heterogeneidade do idioma espanhol, como previsto nos PCNs, estabelecendo
temas geradores nas áreas política, econômica, social, educacional, entre outras.
Em razão disso, um amplo tema gerador pode levar a reflexões de ordem bastante
variada: (linguística, sociocultural, socioeconômica, política e discursiva) que, se
adaptadas à realidade do estudante, farão com que desenvolvam as habilidades de
ouvir, falar, entender e escrever no idioma espanhol. Ou seja, a partir do momento
em que o estudante domina tais competências e habilidades de forma integrada,
pode utilizar esse conhecimento em múltiplas esferas de sua vida pessoal, acadêmica e profissional.
Abordagem metodológica
Para Almeida Filho, uma abordagem de ensino se estabelece a partir da reflexão e
da consolidação de um conjunto de concepções e de princípios, segundo experiências,
crenças e pressupostos específicos de cada docente, ancorados em ideias sobre o
que significa ensinar.
Para que o ensino de espanhol tenha uma abordagem estabelecida nas bases
citadas anteriormente, o material desta coleção apoia-se em quatro grandes eixos:
o léxico, a escrita, a leitura e a oralidade. É composto por seis módulos semestrais
divididos em unidades temáticas. Cada módulo apresenta uma visão de conjunto do
idioma e um vocabulário condizente com as necessidades práticas e teóricas do estudante.
A estrutura de cada unidade está fundada em blocos de textos e diálogos
pertinentes ao nível do módulo, apresentando uma proposta interdisciplinar com
Geografia, História, Ciências Naturais e Exatas, propiciando ao estudante o preparo
para o vestibular e para o Enem, bem como para o mercado de trabalho.
48
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Espanhola
Além dos blocos de diálogos, seguem práticas comunicativas ou linguísticas,
noções estruturais relacionadas aos diálogos, desenvolvimento e ampliação de
vocabulário e estruturação gramatical. Cada unidade termina com práticas de
compreensão, interpretação e produção de texto. A utilização de imagens permeia
todo o material, a fim de que o estudante possa apropriar-se do idioma de modo
multissensorial, o que resulta em uma aprendizagem consistente.
Para o docente, é imprescindível delinear princípios que regulem o ensino
da língua espanhola. Como ponto de partida, ainda de acordo com os PCNs,
destaca-se a reflexão criteriosa acerca da função do idioma na escola regular; o
estabelecimento de objetivos realizáveis, considerando a heterogeneidade regional,
institucional e cultural; a seleção e a sequência dos conteúdos temáticos, funcionais
e gramaticais; e, sobretudo, a definição de estratégias e de metodologia mais
adequada, respeitando o ritmo e a diversidade no processo de aprendizagem, de
forma a incluir todos os alunos que compõem o grupo.
Objetivos
A combinação entre professor, estudante, novas tecnologias de informação
e um ambiente apropriado com recursos que não se limitem ao audiovisual
possibilita uma aprendizagem crítica sustentada pela motivação, pela criatividade
e pela ludicidade.
A proposta de ensino de um idioma deve considerar o real significado na
vida prática do estudante e não se limitar a averiguações de conteúdo por meio
de avaliações ou tão somente prepará-lo para provas oficiais. É necessário ampliar
horizontes, estimular a pesquisa, aguçar a curiosidade para a diversidade de
idiomas, de dialetos, de música, de paisagens, de sabores e de odores.
Desse modo, são objetivos da disciplina de Espanhol:
• Desenvolver competências comunicativas, apropriando-se das habilidades
necessárias para o processamento da comunicação, incluindo organização
do repertório e acessibilidade aos significados globais para a efetiva interação
entre os indivíduos.
• Desenvolver a habilidade de compreensão oral, levando em conta a
interpretação léxica, o sentido das pausas, as omissões, os silêncios e as
insinuações, bem como expressões faciais e corporais.
• Proporcionar a apropriação de uma produção oral significativa, permitindo
o posicionamento dos estudantes diante das mais diversas manifestações
discursivas.
• Propiciar o desenvolvimento da produção escrita, de acordo com as estruturas pertinentes ao idioma espanhol.
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Espanhola
49
Referências
AEROLINEAS ARGENTINAS MAGAZINE. Manzing Publishing, p. 34, jul. 2008.
ALMEIDA FILHO, J. C. P. O ensino de línguas no Brasil de 1978. E agora? Revista
Brasileira de Linguística Aplicada, Belo Horizonte, Faculdade de Letras da UFMG/
ALAB, v. 1, n. 1, 2001.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação: Lei n. 9.394/96. Apresentação.
3. ed. Brasília: DP&A, 2000.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEMTEC, 1999.
CAMARGO, M. L. O ensino do espanhol no Brasil: um pouco da sua história.
Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, Unicamp, 2004.
COIMBRA, M. de L. R. Gramática práctica de español: gramática y ejercicios de
aplicación. 4. ed. São Paulo: Nobel, 1984.
DIARIO LA RAZÓN. Buenos Aires: 21 jul. 2008.
FREIRE, M. T. M. Síntesis gramatical de la lengua española. 4. ed. São Paulo:
Faculdade Ibero-Americana/Novos Livros, 1995.
LURIA, A. Pensamento e linguagem: as últimas conferências de Luria. Porto Alegre: Artmed, 1987.
SIERRA, T. V. Espanhol instrumental. 2. ed. Curitiba: IBPEX, 2004.
El voceo. Disponível em: <http://es.wikipedia.org/wiki/Voseo>. Acesso em:
27 ago. 2008.
La última pregunta. Disponível em: <http://www.templotibidabo.org/relatos/Relatos2.htm#La_pregunta_más_importante_>. Acesso em: 3 set. 2008.
Voceo. Disponível em: <http://www.elcastellano.org/ns/edicion/2004/julio/voseo.
html>. Acesso em: 28 ago. 2008.
50
FUNDAMENTAÇÃO – Língua Espanhola
1.º ano
Matriz de Conteúdos – Língua Espanhola
Español en el siglo XXI
Español con fundamento
• El idioma español en el mundo
• Blog del Pepe
• El alfabeto fonético
• Los artículos
• Saludos y presentaciones
• ¿Vamos al cine?
• Los pronombres personales
• El cine – Elsa y Fred
El tiempo es veloz
• El verbo gustar
• Las marcas imborrables del tiempo
• Los verbos
• La familia
• Gentilício
• Los verbos
• ¿Este perrito es tuyo?
• Los posesivos
• Los demostrativos
• La vos rebelde de Mafalda
• Los verbos
Las cosas que vives
• Blog del Pepe 2
• Los numerales cardinales
• Los verbos
2.º ano
El sorprendente cuerpo humano
?
Consumir para vivir o vivir para consumir?
• La ingeniería del cuerpo
• El consumo
• ¡Me duelen las espaldas!
• Necesito comprar una tele
• Signos de puntuación
• Los alimentos
• Tonicidad de las palabras
• Los verbos
• Reglas de acentuación
• El cine: Volver
• Los verbos
¡Muevete!
Todos los colores se mesclan
• El deporte responsable
• La diversidad: nosotros y los otros
• Los verbos
• La diversidad de los colores
• Violencia en el deporte
• La diversidad de la lengua
• La diversidad de las expresiones
3.º ano
• El sustantivo
Mi casa es tu casa
Cuando tenga la tierra
• El planeta: la casa de todos
• El hogar un problema de justicia e igualdad
• Conjunciones
• Perífrasis verbal
• ¡En mi casa me siento mijor!
• El cine: Frida
• Habitación
• La diversidad del idioma español
• El artículo neutro lo
El trabajo, el futuro
Todas las voces, todas las manos
• Solo le pido a Dios que el futuro no me sea indiferente
• Canta conmigo, canta hermano americano
• Besa mi Chile cobre y mineral
• Las profesiones
• Los verbos de irregularidades propias
• El cine en el Chile
• Los números ordinales
• El festival de poesias
• Los medios de transporte
QUADROS DE CONTEÚDO – Língua Espanhola
51
Arte
No mundo globalizado, não basta apenas armazenar informações e
conhecimentos para ter sucesso. É preciso usá-los de forma crítica,
divulgando-os em diferentes veículos de comunicação.
O mundo precisa de cidadãos que interpretem os fenômenos sociais
ocorridos na história e desenvolvam a capacidade de redimensioná-los por
meio de soluções criativas, concretizando-as para que promovam mudanças,
evolução e o bem comum.
O ensino da Arte é uma excelente ferramenta para isso. Oportuniza a
apreciação e a reflexão sobre as várias produções humanas. Desenvolve
a visão do aluno como ser humano criador e capaz de manifestar-se com
autenticidade.
O estudo da Arte possibilita o exercício da sensibili­dade, da reflexão, da
imaginação e da percepção. Habilidades em que o aluno pode se relacionar
e interpretar melhor o mundo. Estudar as produções humanas é uma forma
de compreender as questões sociais, pois essas mostram os valores que
caracterizam cada cultura.
Enfim, pretende-se despertar a satisfação de constatar o belo, o simbólico e
o significativo na História da Arte nacional e mundial nas quatro linguagens
artísticas: a música, o teatro, as artes visuais e a dança, estimulando a criação
de trabalhos por meio de problematizações relacionados ao conteúdo.
Produzir arte é realização. Transforme seu sonho em realidade!
FUNDAMENTAÇÃO – Arte
53
Concepção e objeto de estudo
A intencionalidade do ensino de arte no Ensino Médio é a de contribuir para o
fortalecimento da experiência sensível e inventiva dos estudantes, para o exercício
da cidadania e da ética construtora de identidades artísticas. Portanto os estudos
propostos dão continuidade aos conhecimentos de arte desenvolvidos na Educação
Infantil e no Ensino Fundamental em artes visuais, dança, música e teatro, ampliando
saberes para outras manifestações, como as artes audiovisuais. (PCNs – EM)
Assim sendo, é um ensino que oportuniza aos alunos participarem de outras
manifestações artísticas, como cinema de animação, vedeoarte, multimídia artística, dentre outras as artes audiovisuais e informáticas.
Portanto, tem a função de apresentar elementos que desafiem ou provoquem
os estudantes, sensibilizando-os a olhar, investigar, experimentar, fazer relações,
refletir e, principalmente, aprender com prazer e alegria as inúmeras possibilidades
que o conhecimento artístico proporciona. Com base nesse conhecimento, é possível que realizem produções cujo objeto de estudo é a própria arte.
O ensino da arte não se dá no vazio, é necessário inseri-lo em determinado
espaço cultural, tempo histórico e condições particulares que envolvam aspectos
sociais, econômicos, ambientais, etários, culturais etc. Cabe ao professor de Arte
situar o fazer artístico dos alunos como fato cultural, histórico e humanizador, no
qual as características da arte podem ser percebidas nos pontos de integração entre
o fazer artístico dos alunos e o fazer dos artistas de todos os tempos.
Para compreender melhor a concepção atual do ensino de Arte, é preciso fazer
uma releitura das tendências pedagógicas que vêm influenciando o trabalho educativo dessa área. Na Tendência Idealista Liberal ou Modelo Social Libertador, as
aulas de Arte se resumiam a cópias e reprodução de modelos propostos pelo professor, sem liberdade de criação. Já a Tendência Realista Progressista ou Modelo
Social Transformador buscou as destrezas motoras, sugerindo, assim, desenvolver
uma educação que visa libertar as pessoas para criar e abrir espaço para a crítica
social, com o objetivo de transformar a sociedade. Por muito tempo, a educação
artística foi uma atividade fundamentada estritamente no fazer gráfico/plástico,
quase sempre desvinculado do conhecimento histórico/artístico.
A LDB 5.692/71 instituiu a educação por meio da arte como atividade obrigatória no currículo da educação básica, tendo como princípio o desenvolvimento
integral do indivíduo e propondo o trabalho com as linguagens artísticas (plástica,
musical, cinestésica e cênica). Essa proposta auxilia o aguçamento da sensibilidade,
da percepção e da fruição do mundo, no desenvolvimento da imaginação, em um
processo semelhante ao da aquisição da linguagem verbal (falar/ouvir; escrever/
ler). Assim, desde o início da década de 1970, os professores do ensino da Arte procuram novos caminhos na reestruturação de seu trabalho educacional.
A partir dos anos 1980, surgiu no Brasil a ideia de que arte não é só expressão,
mas também conhecimento, valorizando-se assim a produção artística como uma
54
FUNDAMENTAÇÃO – Arte
das vertentes da construção de conhecimentos, em que informações culturais
e históricas precisam ser ensinadas, bem como a análise de obras. Tal modo de
ensinar arte reúne as quatro instâncias do conhecimento: a produção, a crítica, a
estética e a história da arte. Esse fazer didático passou a integrar o currículo escolar,
com base na LDB n.º 9.394/96, título V, capítulo II, artigo 26, parágrafo 2.º, em que
fica clara a obrigatoriedade da Educação Artística nos currículos escolares: “O
ensino da Arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis
da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.”
A Arte, assim, passa a fazer parte do currículo escolar, comprometida com a
formação integral do indivíduo e, principalmente, com a cultura. Busca a formação
de um indivíduo culto e crítico, que sabe compreender as informações recebidas do
meio e transformá-las em proveito próprio, analisando a melhor forma de utilizá-las.
Abordagem metodológica
O material didático de Arte na Coleção Cidadania tem como fio condutor as
artes plásticas, relacionadas às outras áreas da arte.
Para isso, propiciou-se uma ação pedagógica que deflagra uma rede de relações
com a arte em todo o mundo, sem deixar de lado a produção nacional, que é aprofundada por outros percursos e pesquisas nas diferentes linguagens artísticas: artes
visuais, música, teatro e dança.
Artes visuais
A imagem é uma constante no mundo atual. Isso gera a necessidade de uma
educação na qual o aluno perceba, leia, interprete, distinga e transforme imagens
em sentimentos, sensações, ideias e conhecimentos, posicionando-se criticamente
diante da realidade.
Usando a imagem como objeto de estudo, possibilita-se um aprofundamento
sobre o autor e a época histórico-política em que a imagem foi produzida, além de
uma articulação com os eixos da história da arte e do fazer artístico.
Mostrando várias obras, produzidas em diferentes épocas, proporciona-se
uma leitura crítica e estética que explora a simultaneidade, a coerência e o seu valor
social, com o objetivo de apreensão da cultura, de dinamização das aulas e de possibilitar ao aluno trabalhar uma visão crítica e ampliar sua visão de mundo. A consciência crítica e a compreensão da realidade desenvolvida com compromisso pedagógico visam à real importância do conhecimento artístico, que é formar cidadãos
com capacidade de analisar, transformar e construir um mundo melhor.
Por meio de uma prática pedagógica fundamentada nos conhecimentos da produção artística nacional e mundial, busca-se levar os alunos a conhecer e utilizar
elementos da linguagem visual, integrando técnicas, procedimentos e informações
FUNDAMENTAÇÃO – Arte
55
históricas em trabalhos individuais e em grupo, capacitando-os, assim, a analisar,
refletir e construir os próprios conceitos artísticos.
Música
A música faz parte do cotidiano das pessoas. Mas como saber sobre os hábitos
musicais dos alunos e como está se formando seu gosto musical? Propõe-se que, na
escola, a educação musical também parta do conhecimento e das experiências que
o aprendente traz do seu cotidiano.
Na Coleção Cidadania, são sugeridas letras de músicas que estão dentro do
contexto da unidade. O professor pode desenvolver um trabalho de percepção e
utilização de elementos caracterizadores do som (altura, intensidade, duração, timbre e densidade) e propriedades da música (melodia, ritmo e harmonia). Durante
as atividades, deve promover momentos em que o aluno possa apreciar, cantar,
comentar e debater músicas. Para isso, é preciso criar situações de aprendizagem
nas quais ele possa ouvir vários ritmos musicais, assistir a videoclipes e programas
específicos de rádio e participar de eventos musicais, concertos, festivais e apresentações regionais. Isso contribuirá para a formação cultural e o gosto musical do
adolescente.
Teatro e dança
A expressão corporal inicia-se com o processo imitativo da infância e amplia-se por meio do processo interpretativo, ou seja, do teatro e da dança.
Na Coleção Cidadania, há sugestões de jogos dramáticos, principalmente no
Livro do Professor, que propiciam desenvolver nos alunos o movimento e a expressão e favorecem o conhecimento do próprio corpo, que, ao transcender suas limitações, possibilita a representação de outras realidades. Em suas apresentações, o
aluno deve participar de toda a elaboração do espetáculo, como roteiro, caracterização dos personagens, cenografia, sonoplastia e iluminação, culminando com a
exposição de sua criação e a inter-relação com o público. Cabe ao professor promover momentos de apreciação, debate e comentários de produções já existentes,
permitindo que o estudante aprofunde seu conhecimento, reflita e se posicione em
relação ao tipo de informação que recebe.
Objetivos
O ensino da Arte deve organizar-se de modo que os alunos possam:
• Apreciar a Arte como área de conhecimento, respeitando o contexto
sociocultural em que está inserida.
56
FUNDAMENTAÇÃO – Arte
• Experimentar, explorar a apreciar a arte nas diferentes formas de manifestação de cada linguagem artística.
• Expressar-se em arte, usando a percepção, a imaginação, a investigação,
a sensibilidade e a reflexão ao realizar seus trabalhos.
• Experimentar e conhecer materiais, instrumentos e procedimentos em
arte (artes visuais, música, teatro e dança), de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais.
• Construir uma relação de autoconfiança com a produção artística.
• Identificar, relacionar e compreender a arte no processo histórico como
fundamento da memória cultural.
• Observar as relações entre arte e realidade.
• Refletir, apreciar e respeitar as diversas manifestações artísticas em suas
múltiplas funções.
• Identificar, relacionar e compreender diferentes funções da arte, do trabalho e da produção artística pessoal, relacionando-as a fatos históricos
nas diversas culturas.
• Identificar, investigar e organizar informações sobre a arte, reconhecendo
e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias.
• Pesquisar e saber organizar informações sobre a arte em contato com
artistas, obras de arte, fontes de comunicação e informação.
• Conhecer a área de abrangência do profissional da Arte, considerando as
diferentes áreas de atuação e característica de trabalho.
Referências
ALMANAQUE Abril. São Paulo: Abril, 1998.
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: – do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
CUMMING, Robert. Arte em detalhes. São Paulo: Publifolha, 2010.
FREIXAS, Carlos. Arte e técnica do desenho a bico de pena. São Paulo: Hemus,
2007.
GOODMAN, Nelson. Linguagens da arte. São Paulo: Gradiva, 2006.
REVISTA Nova Escola. São Paulo: Abril, 1999.
REVISTA Superinteressante. São Paulo: Três, 1997.
FUNDAMENTAÇÃO – Arte
57
1.º, 2.º e 3.º anos
Matriz de Conteúdos – Arte
Artes visuais
Música
Teatro
Dança
• Pintura
• Capoeira
• Encenação
• Folclórica
• Escultura
• Instrumentos musicais:
• Rituais
• Rituais
• Obra de arte
• na capoeira;
• Teatros nacionais e internacionais
• Elementos da dança
• Nu na pintura
• percussão;
• Commedia dell’arte
• Frevo
• Pintores do nu
• sopro;
• Elementos do teatro
• Samba
• Pintores da Semana de Arte
Moderna
• de corda
• Pinturas rupestres
• Decoração ritualística
• Cerimônias de abertura nacionais
e internacionais
• Culturas indígenas
• Cores primárias
• Arquitetura
• Grafite
• Pop art
• Carnaval
• Música com função político-social
• Corpo humano na música
• Rituais
• Classificações do som
• Diferentes gêneros
• Hip-hop
• Música eletrônica
• Música experimental
• Moda na música
• Moda
• Elementos das artes visuais
• Cerâmica
58
QUADROS DE CONTEÚDO – Arte
Física
Matemática
Biologia
Química
C
iências da natureza,
matemática e suas tecnologias
Física
A reorganização do currículo no Ensino Médio facilita, de acordo com
as áreas de conhecimento, o desenvolvimento dos conteúdos em uma
perspectiva de interdisciplinaridade e contextualização.
O trabalho em
Conceitos, habilidades e valores são elementos que fazem parte do conteúdo
escolar e devem ser considerados em conjunto na elaboração de projetos
pedagógicos e em planos de trabalho em sala de aula. Ao selecionarmos
um determinado conteúdo, estamos também escolhendo a direção que
gostaríamos que o educando focasse, ou seja, não basta uma lista enorme de
conteúdos se não conhecemos a sua aplicabilidade. O estudante não pode
se tornar um simples acumulador de conhecimentos, mas deve ser levado a
perceber que em cada conteúdo há um conjunto de valores que também traz
consigo atitudes, bem como conceitos de mundo e vida.
e também dos
O papel da física no ambiente escolar necessita ser rediscutido, para
possibilitar uma melhor compreensão do mundo e uma formação mais
adequada, voltada à construção da cidadania. Dar novas dimensões ao
trabalho em sala de aula exige do professor e também dos alunos muita
curiosidade e inquietação, pois com base nisso e no inconformismo com
ideias prontas é que surgirá uma mentalidade que possa acompanhar a
velocidade das transformações que ocorrem no mundo.
surgirá uma
sala de aula
exige do professor
alunos muita
curiosidade e
inquietação,
pois, com base
nisso e no
inconformismo
com ideias
prontas, é que
mentalidade
que possa
acompanhar a
velocidade das
transformações
que ocorrem no
mundo.
FUNDAMENTAÇÃO – Física
61
Concepção e objeto de estudo
A f ísica é a ciência que trata de descrever e explicar os fenômenos naturais.
Para isso, cria modelos idealizados das situações reais, em que apenas os fatores
que interessam são considerados. A partir de conclusões sobre o comportamento
de um modelo, generaliza o resultado, a fim de explicar a situação real e é capaz
de prever circunstâncias futuras para o mesmo fenômeno.
A história da ciência tem mostrado que o desenvolvimento do conhecimento
não ocorre em um espaço sociocultural vazio, mas é condicionado por fatores
externos. O ensino da f ísica, em particular, deve acompanhar o contexto do
momento em que vivemos.
O espírito crítico é um dos postulados da ciência. A história da f ísica nos
oferece muitos exemplos disso: Copérnico, Galileu ou Einstein se notabilizaram
tanto pelas proposições novas como pela negação do que era aceito como
verdade.
As descobertas no campo da f ísica remontam à Pré-História. Assim, quando
o homem teve a ideia de usar uma pedra para abrir o crânio de um animal ou
fez um arco para atirar uma flecha, ele estava incorporando conhecimentos
elementares de mecânica.
Numerosos conhecimentos obtidos na tentativa de resolver problemas
práticos não estavam sistematizados em uma teoria explicativa, como é próprio
da ciência moderna. As soluções e os inventos surgiram lentamente a partir da
experiência empírica e da religião.
Na escola,
o ensino desta
disciplina deve
contribuir para
a formação de
uma cultura
científica
que permita
aos alunos a
interpretação
dos fatos, dos
fenômenos e
dos processos.
62
De lá para cá, os avanços no campo da f ísica foram enormes. A obtenção
de energia a partir da desintegração atômica, os satélites e as viagens espaciais
são alguns importantes exemplos de progresso recente. Equipamentos
ultrassofisticados, supercomputadores, sistemas de rastreamento por satélites,
telescópios gigantescos, se comparados aos instrumentos rudimentares usados
por Galileu, mostram o grande salto da ciência desde então.
Nesse contexto, a f ísica permite elaborar modelos, investigar o mundo
microscópico, o mundo das partículas que compõem a matéria etc. E
este conhecimento tornou-se indispensável à formação do ser humano
contemporâneo.
Na escola, o ensino desta disciplina deve contribuir para a formação de
uma cultura científica que permita aos alunos a interpretação dos fatos, dos
fenômenos e dos processos. Para tanto, é necessário que o conhecimento seja
explicitado como processo histórico, objeto de crescentes transformações,
sempre associado a outras formas de expressão humana.
Levando em conta as transformações rápidas que ocorrem a todo
instante em nosso mundo, é importante que o ensino promova a autonomia
para o aprendizado, buscando tornar o aluno independente em suas ações
e conhecimentos futuros, sabendo lidar com a quantidade de informações
atualmente disponíveis, obtendo, produzindo e interpretando informações.
FUNDAMENTAÇÃO – Física
Enfim, o ensino da f ísica deve também possibilitar a formação crítica,
valorizando a abordagem de conteúdos específicos e suas implicações históricas.
Isso ocorre quando o aluno consegue desenvolver suas potencialidades e
habilidades para exercer seu papel na sociedade, compreender as etapas do
método científico e estabelecer um diálogo com temas do cotidiano que se
articulem com outras áreas do conhecimento.
Abordagem metodológica
O conhecimento da f ísica deve, necessariamente, começar por perguntas,
pela existência de problemas e pela curiosidade. Cabe ao professor, antes de
tudo, ensinar a perguntar. Perguntar o quê? Perguntar, por exemplo, como se
calculam os gastos com a luz em suas residências; como é que um chuveiro
elétrico funciona; qual o líquido no interior de um termômetro e por que ele
para de subir em determinado momento.
É importante fazer perguntas relacionadas ao dia a dia das pessoas, pois
o aluno tem uma ideia formada dos conceitos, abordados pela f ísica – como
força, movimento, velocidade, temperatura etc. Nem sempre o modelo que o
aluno traz para a sala de aula coincide com o científico. Na maioria das vezes,
a compreensão da realidade a partir da teoria científica implica, para o aluno,
uma mudança na maneira de olhar determinado fenômeno. Assim, as situações
de aprendizagem devem permitir, em primeiro lugar, que o aluno explicite suas
ideias sobre os assuntos em estudo para depois apresentar problemas que não
podem ser resolvidos pelo senso comum. Quando há a percepção de que suas
justificativas sobre um fenômeno não explicam todas as questões relativas ao
tema, nasce a investigação da realidade pelo aluno, permitindo-lhe avaliar suas
concepções diante das teorias científicas.
Dessa forma, o ensino da f ísica deve promover o livre diálogo entre as ideias
científicas e as ideias dos educandos.
Os fenômenos f ísicos devem ser apresentados de modo prático e vivencial,
privilegiando a interdisciplinaridade e a visão não fragmentada da ciência, a fim
de que o ensino possa ser articulado e dinâmico.
Optamos por um conjunto de procedimentos que podem facilitar a ação do
professor. Portanto, não se trata de elaborar novas listas de tópicos de conteúdo,
mas, sim, de dar ao ensino da f ísica novas dimensões.
Lembramos ainda que a avaliação deve ter como objetivo fundamental fornecer informações sobre o processo de ensino-aprendizagem como um todo,
informando não apenas o aluno sobre seu desempenho em f ísica como também
o professor sobre sua prática em sala de aula. Deste modo, a avaliação deve subsidiar o trabalho pedagógico, redirecionando o processo de ensino-aprendizagem,
sempre que necessário. A avaliação deve ser essencialmente formativa, contínua
e processual, vista como um instrumento dinâmico de acompanhamento pedagógico do aluno e do trabalho do professor.
FUNDAMENTAÇÃO – Física
O ensino
da Física deve
promover o livre
diálogo entre as
ideias científicas
e as ideias
dos educandos.
63
Este material apresenta o conteúdo de forma sequenciada por complexidade,
que vai do básico à situação globalizada. Esta moldagem fica caracterizada por
uma parte teórica (conceitos), outra para exercícios resolvidos (exemplos de
atividades) e fecha com atividades propriamente ditas, na forma de exercícios
abertos e testes de vestibular do ENEM.
Sugere-se, ainda, o trabalho com pesquisa, investigação, montagem e
apresentação de seminário (sugestão) para que o aluno perceba que o conteúdo
visto em sala faz parte de um todo, que não pode ser desprezado.
Objetivos
• Classificar diferentes formas de energia presentes no uso cotidiano,
observando suas transformações e regularidades.
• Desenvolver habilidades para medir e quantificar, identificando os parâmetros relevantes, reunindo e analisando dados, propondo conclusões.
• Compreender conceitos, leis, teorias e modelos mais importantes e
gerais da f ísica, que permitam uma visão global dos processos que ocorrem na natureza.
• Aplicar conceitos, leis, teorias e modelos trabalhados em sala de aula a
situações cotidianas próximas da realidade social, tecnológica e ambiental.
• Analisar criticamente hipóteses e teorias, conhecendo como ocorre a
sua evolução; formular e constatar hipóteses; realizar experiências.
• Desenvolver valores e atitudes próprias do trabalho científico, tais como
a busca de informações, o “olhar” crítico, a necessidade de verificação
das hipóteses e a procura de novas ideias.
Referências
BONJORNO, C. Física: história e cotidiano. Ensino Médio. São Paulo: FTD, 2005.
CARRON, W. As faces da f ísica. Ensino Médio. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2006.
HALLIDAY, D. et al. Fundamentos de f ísica. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009.
HAZEN, M.; TREFIL, J. The physical sciences. Nova York: Jonh Wiley & Sons, 1996.
SEARS, F. W.; ZEMANSKY, M. W. Física. São Paulo: Peasson Education, 2008.
TIPLER, A. P. Física moderna. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010.
TORRES, C. M. A. et al. Física: ciência e tecnologia. Ensino Médio. São Paulo:
Moderna, 2005.
64
FUNDAMENTAÇÃO – Física
Matriz de Conteúdos – Física
1.º Semestre
Introdução ao estudo da física
Cinemática
Cinemática: tipos de movimento
• O conhecimento da natureza
• Mecânica: cinemática
• Movimento uniforme
• A Física: conceitos iniciais
• Movimento uniformemente variado
• Introdução à cinemática vetorial
1.º ano
• Movimento circular uniforme
Queda dos corpos e movimentos
parabólicos
Dinâmica – as Leis de Newton
Plano inclinado
• Primeira Lei de Newton: Princípio da inércia
• Corpo em plano horizontal liso
• Composição de movimento
• Corpo em plano inclinado liso
• As forças em um corpo no ar
• Segunda Lei de Newton: Princípio fundamental da
dinâmica
• A aceleração em um corpo em movimento livre
• Terceira Lei de Newton: Princípio da ação e reação
• Lançamentos parabólicos
• Aplicações das Leis de Newton
Termologia: termometria
Termologia:
calorimetria
Mudanças de fase
Dilatação térmica
• Calor ou temperatura
• Mudanças de estado físico
• Medida de temperatura
• Noções de calorimetria
• Leis de mudança de estado físico
• Dilatação térmica dos
sólidos
• Conversão entre escalas
• Quantidade de calor
sensível
• Quantidade de calor latente
• Princípios de
calorimetria
• Diagramas de fases
• Variações de temperatura
2.º ano
• Escalas arbitrárias
• Força de atrito
• Trocas de calor com mudança de estado
• Dilatação térmica dos
líquidos
• Dilatação da água
• Calorímetros
Transmissão de
calor
Comportamento
Termodinâmica
térmico dos gases • Sistema de relações
• Processos de
transmissão de calor
• Estudo dos gases
• Condução
• Lei geral dos gases
perfeitos
• Convecção
• Isotransformações
• Trabalho
termodinâmico
• Irradiação
Carga elétrica e processos de
eletrização
Força elétrica
Campo elétrico
Trabalho e energia no campo elétrico
• Força elétrica • Descrição do campo elétrico
• Estudo da eletricidade
• A Lei de Coulomb
• Campo elétrico:
introdução
• Carga elétrica
→
• Intensidade de E (E)
• Eletrização por indução
3.º ano
• Linhas de força
• Vetor campo elétrico
• Processos de eletrização
Condutores eletrizados
Corrente elétrica
Resistência elétrica
• Condutores eletrizados em equilíbrio eletrostático
• Introdução
• As duas leis de Ohm
• Noções básicas
• Trabalho, energia e potência elétrica (τ, E e ρ)
QUADROS DE CONTEÚDO – Física
65
2.º Semestre
Trabalho e energia
A gravitação
universal
• Trabalho de uma força
Impulso e
quantidade de
movimento
• Teoremas da energia
• Movimento e impulso
• Aristóteles
• Sistema de corpos
• Nicolau Copérnico
• Choques mecânicos
• Leis de Kepler
• Energia
• Introdução
Estática
Hidrostática
• Equilíbrio dos corpos
extensos
• O equilíbrio dos fluidos
• Condições gerais de
equilíbrio para um corpo
rígido e extenso
• Pressão
• Densidade de um corpo
1.º ano
• Lei da Gravitação Universal
• Satélites
Óptica: conceitos
fundamentais
Óptica: refração
da luz
Óptica: espelhos
esféricos
Óptica: as lentes
esféricas
• Divisão da óptica
Óptica: reflexão
da luz e espelhos
planos
• Índice absoluto de refração
• Introdução
• Introdução
• Propagação retilínea da luz
• Reflexão da luz
• As Leis da refração
• Formação das imagens
• Convergência de uma lente
• Consequências da
propagação retilínea
• Espelhos planos
• Reflexão total
• Equações dos espelhos
esféricos
• Raios notáveis
• Profundidade aparente
2.º ano
• Ponto objeto e ponto
imagem
• Óptica da visão
Ondulatória
Acústica
• Ondas
• Introdução
• Elementos de uma onda
• Fenômenos sonoros
• Fenômenos ondulatórios
• Cordas vibrantes
• Dispersão da luz
• Tubos sonoros
• Polarização da luz
• O efeito doppler-fizeau
Associação de
resistores
Potência elétrica
Geradores
Circuitos elétricos
• Noções básicas
• Máquina elétrica ou bipolo
• Histórico
• Equação do gerador
• Associação de geradores
• Circuito elétrico resistivo
• Potência elétrica lançada
pelo gerador
Indução
eletromagnética
•
•
•
•
• Instrumentos ópticos de
aumento
• Instrumentos ópticos de
projeção
Instrumentos de
medidas elétricas
Eletromagnetismo
• Introdução
• Tipos de aparelhos de
medida
• Medidas de resistência
elétrica
• Propriedades dos ímãs
Física moderna:
relatividade
Física moderna:
física quântica
Física moderna:
radioatividade
• A Teoria da Relatividade
Especial
• A radiação do corpo negro
• Introdução
• O efeito fotoelétrico
• Radioatividade
• O átomo de Bohr
• Aplicações das radiações
• Introdução
• O magnetismo na matéria
3.º ano
• Resistores
• Imagens nas lentes
Óptica:
instrumentos
ópticos
66
Campo magnético
Força magnética
• Introdução
• A experiência de Oersted
• Noções básicas
• Trajetórias em um campo
de indução magnética
uniforme
• Força magnética sobre um
condutor retilíneo
Introdução
Campo
Lei de Faraday
Transformador
QUADROS DE CONTEÚDO – Física
Matemática
Os avanços da ciência a cada dia apontam para modelos futuros em que
a relação entre disciplinas, pessoas e áreas afins será uma constante. As
necessidades da ciência pressionam a elaboração de novas roupagens para
conteúdos, a fim de servirem aos interesses da sociedade vigente.
Atualmente, com a educação continuada e a pós-graduação, percebe-se
que todas as áreas não podem prescindir do aspecto quantitativo para tirar
suas conclusões. Desta forma, estudar matemática é fundamental para uma
melhor interação com as novidades que o avanço tecnológico proporciona
aos homens.
Longe de ser apenas a ciência que estuda os números, a matemática
compreende um processo contínuo de reflexão e de resolução de problemas,
cujas soluções são enunciados para novos questionamentos. Tais
questionamentos contribuem para a formação de um sujeito crítico, ciente
de seus direitos e capaz de promover mudanças necessárias no ambiente em
que vive.
Este material pretende apresentar a matemática situada no cotidiano, além
de fornecer o conjunto de conceitos sistematizados no decorrer do tempo,
transpostos didaticamente para nossos dias, suas aplicações e curiosidades,
remetendo a reflexões acerca do papel do homem em sua existência. A
matemática apresentada aqui, com suas fórmulas e problemas, pretende
aperfeiçoar em cada um a sua leitura de mundo.
FUNDAMENTAÇÃO – Matemática
A matemática
apresentada
aqui, com
suas fórmulas
e problemas,
pretende
aperfeiçoar em
cada um
a sua leitura
de mundo.
67
Concepção e objeto de estudo
Conhecida como linguagem universal ou meio pelo qual a ciência se expressa,
a matemática tem sido um elo entre diferentes áreas, em épocas diferentes, contribuindo para muitos avanços.
A matemática está na vida do homem e nas relações sociais e parece ser
consenso geral que sua presença é indispensável para a evolução da humanidade.
Em vários lugares do mundo, a matemática, juntamente com a língua
materna, é elemento imprescindível na formação dos cidadãos. Muitos afirmam que o indivíduo, para ser considerado alfabetizado, deve ter lições de
matemática.
Esta é muito mais que fórmulas e cálculos que levam a respostas prontas,
acessíveis somente a uma minoria. Atualmente ela é um convite ao desenvolvimento da criatividade, necessária para resolver situações inusitadas, relacionando conteúdos presentes no cotidiano.
A matemática
é muito mais
que fórmulas
e cálculos que
levam a respostas prontas,
acessível somente
a uma minoria.
Atualmente ela
é um convite ao
desenvolvimento
da criatividade,
necessária para
resolver situações
inusitadas, relacionando conteúdos presentes no
cotidiano.
68
A matemática que vem sendo produzida pelo homem com diferentes
objetivos e a que sofre transposições didáticas para tornar-se acessível
aos alunos apresentam características relevantes. Moreira (2005, p. 21.),
referindo-se a uma “Matemática Acadêmica”, afirma: “A prática do matemático
tem como uma de suas características mais importantes a produção de
resultados originais de fronteira. Os tipos de objetos com os quais se trabalha,
os níveis de abstração em que se colocam as questões e a busca permanente
de máxima generalidade nos resultados fazem com que a ênfase nas estruturas
abstratas, o processo rigorosamente lógico-dedutivo e a extrema precisão da
linguagem sejam, entre outros valores, essenciais à visão que o matemático
profissional constrói do pensamento matemático.”
O mesmo autor descreve também as características da “Matemática
Escolar”. Por sua vez, a prática do professor de Matemática da escola básica
desenvolve-se em um contexto educativo, o que coloca a necessidade de uma
visão fundamentalmente diferente. Nesse contexto, definições mais descritivas,
formas alternativas (mais acessíveis aos alunos em cada um dos estágios
escolares) para demonstrações, argumentações ou apresentação de conceitos
e de resultados, a reflexão profunda sobre as origens dos erros dos alunos etc.,
tornam-se valores fundamentais associados ao saber matemático escolar.
Diversos debates acerca de metodologias para ensinar matemática em
diferentes escolas e realidades têm acontecido principalmente com o surgimento das ideias da educação Matemática. Nesse movimento, muitas áreas
afins se unem em uma reflexão constante, a fim de melhorar cada vez mais
a prática pedagógica. Assim surgiram ideias como Transposição Didática,
Campos Conceituais, Obstáculos Epistemológicos, Contrato Didático, Engenharia Didática, Investigação Matemática e outras.
FUNDAMENTAÇÃO – Matemática
O ensino da matemática está vinculado a ideias que surgem de diversas vertentes. Bicudo (2003, p. 13.), referindo-se à Filosofia da Educação Matemática, descreveu algumas de suas atribuições “... Para que educar? O que é isto, a educação? Que
valores devem nortear o ato educador? Que concepção de conhecimento conduz
de modo mais apropriado os processos de ensino e de aprendizagem?”
As ideias apresentadas possibilitam perceber que tanto “ciência matemática”
quanto “Matemática como ferramenta” devem ser trabalhadas de forma articulada, contando com as tecnologias disponíveis em cada momento pedagógico.
O aspecto quantitativo inerente à matemática deve, também, despertar
no indivíduo uma dimensão humanística. Apesar de a matemática ser cada
vez mais utilizada pela sociedade, ela ainda não é acessível a todos. Há
barreiras sociais a serem vencidas e, muitas vezes, é necessário romper ideias
preconcebidas de incapacidade perante a aprendizagem da matemática ou
pressões de uma sociedade de consumo.
É necessário que o educador matemático passe a refletir mais sobre suas
ações. Para Perez (2004, p. 252.), “A reflexão é vista como um processo em
que o professor analisa sua prática, compila dados, descreve situações, elabora
teorias, implementa e avalia projetos e partilha suas ideias com colegas e
com alunos, estimulando debates em grupo. Para isso, o professor precisa ter
ausência de preconceitos e disposição para aceitar e implementar novas ideias,
ter atitudes de responsabilidade baseada em princípios éticos e ter entusiasmo
e coragem para adotar atitudes novas.
Estimular o
hábito do estudo,
aguçando
a criatividade e o
prazer
pela descoberta.
Abordagem metodológica
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, Lei n.º 9394/96
estabeleceu como sendo dever do Estado a progressiva extensão da obrigatoriedade
do Ensino Médio.
A educação básica tem por finalidade, segundo o artigo 22 da LDB, “desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação indispensável para o exercício da
cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”. Esta última finalidade deve ser desenvolvida de maneira precípua pelo
Ensino Médio, uma vez que entre as suas finalidades específicas incluem-se “a
preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando”, a serem desenvolvidas por um currículo que destacará a educação tecnológica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de
transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania.
A matemática do Ensino Médio tem como objetivo preparar o aluno para
estudos posteriores e mostrar a aplicabilidade dos conteúdos no cotidiano e
FUNDAMENTAÇÃO – Matemática
A matemática do Ensino
Médio tem como
objetivo preparar
o aluno para
estudos posteriores e mostrar
a aplicabilidade
dos conteúdos
no cotidiano
e nas profissões.
69
nas profissões. Vale salientar a importância de trabalhar o raciocínio lógico.
São várias as situações nas quais o aluno é convidado a formar cadeias de
raciocínios e desenvolver a abstração.
Assim, neste material, o aluno terá momentos nos quais fará investigações, experiências que resultarão em descobertas, tudo isso culminando com
uma sistematização ainda que provisória, mas necessária para que ele possa
organizar os conceitos para concursos vestibulares e mesmo para o mercado
de trabalho.
Sugestões de trabalho com o material
de Matemática da Coleção Cidadania
Descoberta dos conceitos − Elementos e informações são fornecidas aos
alunos para que eles descubram propriedades, criem e façam conjecturas para
que, então, ocorra a sistematização.
Matemática no cotidiano − Muitas vezes, experiências simples podem
contribuir significativamente para a aquisição de conceitos.
Problematização − O aluno, a todo instante, será chamado a opinar, a
emitir parecer sobre assuntos e a defender os resultados obtidos em problemas.
Saber o porquê − Mesmo que o aluno não pretenda seguir a área de exatas, é importante que ele veja a matemática como um bem cultural, uma necessidade futura e um diferencial que ele terá no mercado de trabalho.
Cálculo mental e estimativa − O aluno será estimulado a calcular mentalmente muitas situações, para evitar utilizar a calculadora sem necessidade.
Calculadora − Utilizada para descobrir propriedades como as dos valores
irracionais.
História da matemática − Utilizada para que o aluno faça leitura, interpretação e produção de texto. Assim estará treinando sua expressão textual.
Aplicativos livres − A internet é para pesquisar programas gratuitos que
possam servir para explicar propriedades.
Defesa de exercício − O aluno deve, sem ser avisado previamente, responder a um exercício.
70
FUNDAMENTAÇÃO – Matemática
Objetivos
• Desenvolver o raciocínio lógico, para formular e resolver problemas com
o rigor científico exigido para cada situação.
• Compreender e elaborar conceitos abstratos e argumentações matemáticas como definições, teoremas, exemplos e propriedades.
• Elaborar e interpretar gráficos a partir de diferentes tipos de fontes.
• Visualizar formas geométricas planas e espaciais e, se possível, utilizar
recursos para compreender os princípios teórico-práticos de tais construções.
• Fazer uso apropriado da calculadora e do computador.
• Estimular o hábito do estudo, aguçando a criatividade e o prazer pela
descoberta.
• Ler e compreender textos matemáticos para também poder resolver problemas de outras áreas.
• Estudar com conteúdos que possam ser significativos para o aluno.
• Trabalhar de forma a dar maior ênfase aos conceitos do que às técnicas,
fórmulas e algoritmos, dando o valor a cada um no momento certo.
• Ver a História da matemática como elemento de enriquecimento cultural.
Referências
BICUDO, M. A. V.; GARNICA, A. V. M. Filosofia da educação matemática. Belo
Horizonte: Autêntica, 2003.
BICUDO, M. A. V., BORBA, M. de C. (Org.). Educação matemática–pesquisa
em movimento. São Paulo: Cortez, 2004.
BORBA, M. de C.; PENTEADO, M. G. Informática e educação matemática. Belo
Horizonte: Autêntica, 2010.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: MEC/SEMTEC, 2000.
FALCÃO, J. T. da R. Psicologia da educação matemática. Belo Horizonte:
Autêntica, 2003.
MOREIRA, P. C.; DAVID, M. M. M. S. A formação matemática do professor. Belo
Horizonte: Autêntica, 2005.
PAIS, L. C. Didática da matemática: uma análise da influência francesa. Belo
Horizonte: Autêntica, 2001.
PONTE, J. P. da; BROCARDO, J.; OLIVEIRA, H. Investigações matemáticas na
sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
FUNDAMENTAÇÃO – Matemática
71
Matriz de Conteúdos – Matemática
1.º ano
1.º Semestre
Conjuntos
Função e relação
Função afim
Função polinomial de 2.º grau
Trigonometria I
• Conjuntos: uma nova linguagem
• Relação
• Função afim
• Função polinomial de 2.° grau
• Triângulos retângulos
• Função
• Triângulos quaisquer
• Operações entre
conjuntos
• Definição de função
• Unidades de medida de ângulo
• Conjuntos numéricos
• Análise de uma função
• Circunferência
trigonométrica ou ciclo
trigonométrico
• Intervalos reais
Trigonometria II
• Área de figuras planas
• Tópicos de
trigonometria
• Funções: cotangente,
secante e cossecante
• Funções: seno, cosseno e tangente
• Relação trigonométrica
2.º ano
Áreas
• Função trigonométrica
genérica
3.º ano
Geometria
analítica
• Estudo analítico do ponto
• Calculando a distância
entre dois pontos
• Ponto médio
• Condição de
alinhamento de três pontos
• Estudo analítico da reta
• Estudo analítico da
circunferência
• Baricentro de um triângulo
• Equações e inequações
trigonométricas
Análise combinatória e probabilidade
• Análise combinatória
• Binômio de Newton
• Probabilidades
• Funções circulares
inversas
Números
complexos
• Definição
• Igualdade entre
números complexos
• Operações entre
números complexos
• O plano de ArgandGauss
• Operações com
números complexos na
forma, trigonométrica
• Potências de i
1.º ano
2.º Semestre
Inequações
e funções
modulares
Funções:
Exponenciais
sistematizações e • Matemática financeira
• Funções exponenciais
atividades
• Exponenciais
• Tópicos de funções
• Equações exponenciais
• Equações logarítmicas
• Logaritmos
• Inequações
• Inequações
exponenciais
• Inequações logarítmicas
• Progressões
2.º ano
Matrizes,
determinantes e
sistemas lineares
• Planilhas eletrônicas e matrizes
• Cofator
• Teorema de Laplace
• Propriedades dos determinantes
• Pirâmides
• Matriz inversa
• Escalonamento de sistemas lineares
• Cones
• Determinantes
• Regra de Cramer
• Cálculo de
determinantes
• Progressão geométrica • Funções logarítmicas
• Poliedros
• Prismas
• Operações com matrizes
• Progressão aritmética
• Geometria espacial de posição
• Classificação de sistemas lineares
• Tipos de matrizes
Progressões
• Definição e
propriedades
Geometria
espacial
• Sistemas lineares
• Matriz genérica
Logaritmo
• Cilindros
• Esferas
• Troncos
3.º ano
Polinômios
• Equações algébricas ou polinomiais
• Tópicos de estatística
• Revisão II
72
QUADROS DE CONTEÚDO – Matemática
Biologia
Pretende-se, na disciplina de Biologia, não somente apresentar aos alunos
do Ensino Médio uma visão mais profunda e abrangente dessa ciência e de
seus diversos segmentos, mas, também, permitir aos cidadãos em formação a compreensão do porquê questões como a preservação de ecossistemas, a recuperação de áreas degradadas, a manutenção da biodiversidade
e o acúmulo de biomassa, são fatores muito discutidos na esfera internacional e considerados imprescindíveis para a continuidade da existência da
espécie humana e de suas sociedades no planeta. Assim, a Ciência da Vida
vê seu papel na sociedade ser rapidamente ampliado e, em decorrência disso, o conhecimento gerado por ela torna-se uma ferramenta cada vez mais
importante para a qualidade de vida no planeta.
FUNDAMENTAÇÃO – Biologia
A biologia se propõe a
permitir aos cidadãos
em formação
entender seu papel
na continuidade
da espécie humana e
suas sociedades
no planeta.
73
Concepção e objeto de estudo
Adequada à proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino
Médio (DCEM), a Coleção Cidadania, na disciplina de Biologia, busca atender a
todas às necessidades educacionais inerentes ao Ensino Médio, contribuindo significativamente para a formação de cidadãos aptos a responder às novas demandas que rapidamente se impõem em nossa sociedade.
O desenvolvimento do Material Didático segue os objetivos previstos nas
competências específicas das Ciências Naturais, que são:
• Expressão/representação e comunicação
• Investigação e compreensão
• Contextualização sociocultural
Da mesma forma, os temas estruturadores do ensino propostos nos PCNs
para a disciplina de Biologia são observados, a fim de garantir a pluralidade de
temas e de enfoques.
Temas Estruturadores
Ensino de Ciências
1. Interação entre os seres vivos.
2. Qualidade de vida das populações.
3. Identidade dos seres vivos.
4. Diversidade da vida.
5. Transmissão da vida, ética e manipulação da vida.
6. Origem e evolução da vida.
O material
de Biologia
pretende também
discutir questões
contemporâneas,
concernentes à
crescente presença
de tecnologia,
ao incremento
da veiculação
de informação
científica nos
diferentes meios
de comunicação.
74
No entanto, com o intuito de não somente garantir o cumprimento de diretrizes
teóricas gerais, mas, também, de oferecer a possibilidade de formação múltipla
ao estudante, foram priorizadas a atualidade e a contextualização dos conteúdos,
o que permite a adequação às diferentes metodologias de ensino e abordagens,
uma vez que constituem variáveis altamente condicionadas à realidade
sociocultural e educacional das diferentes re­giões do Brasil.
Assim, respeitando a heterogeneidade do panorama educacional em nosso
país e atento às demandas teóricas e práticas inerentes à produção didática
de qualidade, o Material de Biologia pretende também discutir questões
contemporâneas, concernentes à crescente presença de tecnologia, ao incremento
da veiculação de informação científica nos diferentes meios de comunicação e à
necessidade de conhecimento sobre as diversas ciências e seus progressos, para
obtenção de sucesso nos planos pessoal e profissional.
A realização de experimentos, a busca de exemplos na natureza e na
sociedade, o estímulo à observação, o incentivo à compreensão dos fatos e
fenômenos científicos, a constância da produção escrita, a diversidade de
atividades, que tem tanto o objetivo de fornecer subsídios para o trabalho do
professor quanto propiciar oportunidades de aprendizagem aos alunos, são
alguns elementos norteadores da Coleção Cidadania, bem como a preocupação
em preparar adequadamente os alunos para os exames do Enem e do Vestibular,
FUNDAMENTAÇÃO – Biologia
sempre considerando a importância da interdisciplinaridade e o estabelecimento
de relações entre as diferentes áreas do conhecimento como objetivo prioritário.
A inserção no mercado de trabalho e a busca por cursos profissionalizantes de
Ensino Médio também não foram esquecidos, pois a concatenação dos conteúdos
com informações científicas que exemplificam a presença das descobertas e dos
processos científicos no cotidiano pessoal e profissional ganham ênfase, com o
intuito de permitir ao estudante escolher um encaminhamento profissional de
acordo com seus talentos e opções.
Literalmente, biologia é o estudo da vida, sua origem, seus componentes e
processos que a mantêm e que dela decorrem, as relações entre os seres vivos e
os fatores abióticos.
A biologia, como Ciência da Natureza, apesar de se debruçar sobre objeto
distinto da f ísica e da química, constitui campo do conhecimento adjacente e até
mesmo interdependente com as demais, já que uma se vale de fatos apurados
pela outra para formular suas própria teorias. Basta observar a quantidade de
estudos existentes a respeito da Biologia Molecular da Célula, de Bioquímica, da
Biof ísica etc.
O material é organizado semestralmente contendo, entre outras, disciplinas
de química e de biologia, estruturadas em capítulos, que por sua vez são divididos
em unidades, em subtemas que facilitam a compreensão.
Biologia: literalmente,
o estudo da vida, sua
origem, componentes,
os processos que
a mantêm e que dela
decorrem, as relações
entre os seres vivos
e com os fatores
abióticos.
Abordagem metodológica
Em cada capítulo, há um breve texto introdutório que busca despertar o
interesse do aluno pelo conteúdo proposto ao mesmo tempo em que facilita a
abordagem do assunto.
Em cada unidade os conteúdos são ampliados pelos textos complementares
de diversas fontes fidedignas que, auxiliam na aproximação dos conteúdos
ao cotidiano, além de fornecer informações complementares que trazem a
integração entre as disciplinas e levam o aluno a perceber a aplicação prática dos
conhecimentos adquiridos.
A inserção do conhecimento científico na realidade social do aluno se efetiva
por meio de exemplos, de atividades variadas, de experimentos, de trabalhos em
grupo, de debates etc.
Os fatos científicos, sua pertinência no cotidiano e suas inter-relações
com outros fatos ou fenômenos de natureza científica, filosófica ou social são
apresentados e debatidos.
Também é demonstrada a importância da aquisição de conhecimento
científico para compreensão e realização de ações de preservação do meio
ambiente, seja na utilização de recursos naturais, na aquisição de responsabilidade
ambiental ou no reconhecimento de atividades danosas à natureza.
As atividades, presentes no final de cada capítulo contemplam a totalidade
dos conteúdos abordados, exigindo a concatenação de ideias e de conhecimentos,
FUNDAMENTAÇÃO – Biologia
Apresentar aos alunos
o objeto da biologia,
de suas principais
ciências afins, suas
interdependências e
interdisciplinaridades
com outras áreas
do conhecimento.
75
desenvolvendo a escrita e preparando o aluno, mediante atividades específicas, para exames
vestibulares e para o Enem, além de atender às sugestões dos PCNs, o que inclui:
• Praticar experimentos ou procedimentos empíricos, analisando as relações entre as variáveis
ambientais como tempo, espaço, temperatura etc., e as mudanças decorrentes percebidas
nos fenômenos biológicos, o que permite compreender as relações entre os múltiplos fatores
componentes da natureza, suas múltiplas inter-relações, além de possibilitar a avaliação das
consequências oriundas nas alterações ambientais causadas pelo homem.
• Relacionar conceitos da biologia entre si e com as outras ciências, como os conhecimentos
f ísicos e químicos, para entender processos referentes à origem e à evolução da vida e do universo ou o fluxo da energia e o metabolismo nos sistemas biológicos. Relacionar, também,
conhecimentos geográficos e históricos para compreender a preservação ou a destruição dos
ambientes naturais e para entender a produção do próprio conhecimento biológico.
• Reconhecer a presença dos conhecimentos biológicos e da tecnologia oriunda destes no
desenvolvimento da sociedade, e que esses conhecimentos podem resultar tanto em benef ícios quanto em malef ícios, dependendo do modo como são utilizados.
Objetivos
• Apresentar aos alunos o campo da biologia e as principais ciências afins, assim como as interdependências e interdisciplinaridades com outras áreas do conhecimento.
• Desenvolver a capacidade de observação dos fenômenos e de fatos inerentes à biologia.
• Valorizar a importância do conhecimento biológico como instrumento para melhorar a qualidade de vida humana.
• Analisar as causas e as consequências da destruição da diversidade biológica, bem como a
ética dos procedimentos científicos.
Referências
AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Biologia. São Paulo: Moderna, 2005. v. 1, 2 e 3.
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros curriculares nacionais – Ciências da Natureza,
Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC, 2006.
CORSON, W. H. Manual global de ecologia: o que você pode fazer a respeito da crise do meio
ambiente. São Paulo: Augustus, 1993.
EYNG, A. M. (Org.). Planejamento e gestão educacional numa perspectiva sistêmica. Curitiba:
Champagnat, 2002.
HANN, J. Guia práctica ilustrada para los amantes de la Ciencia. Barcelona: Blume, 1981.
KOFF, E. D. A questão ambiental e o estudo das ciências: algumas atividades. Goiânia: Editora da
UFG, 1995.
LABURÚ, C. E. Educação científica: controvérsias construtivistas e pluralismo metodológico.
Londrina: Eduel, 2005.
PERUZZO, F. M.; CANTO, E. L. do. Química. São Paulo: Moderna, 2007. v. 1, 2 e 3.
WEISSMANN, H. Didática das ciências naturais: contribuições e reflexões. São Paulo: Artmed, 2006.
76
FUNDAMENTAÇÃO – Biologia
Matriz de Conteúdos – Biologia
1.º Semestre
A espécie humana e os seres
vivos
A origem da vida
• A percepção da vida e sua compreensão
Ecologia:
conceitos
fundamentais
Fluxo de energia
e de matéria nos
ecossistemas
• A Biologia em nosso cotidiano
• Introdução à Ecologia
• Características dos seres vivos
• Componentes
abióticos
• A radiação solar e os seres
vivos
• O começo de tudo
1.º ano
• Formas de vida
• Níveis de organização dos seres vivos
• O que são ciclos
biogeo/químicos
• Ciclo da água
• A cadeia alimentar
• Ciclo do carbono
• A teia alimentar
• Ciclo do oxigênio
• As pirâmides ecológicas
• Ciclo do nitrogênio
Diversidade das comunidades
biológicas
Comunidades e
populações
Ação do homem
no meio ambiente
• Sequência de comunidade: sucessão
ecológica
• Relações entre os seres
vivos
• Poluição e outros
problemas
• Biomas da Terra
• Os biomas brasileiros
• Dinâmica das
populações
Os seres vivos
Reino Monera
Reino Protista
Reino Fungi
• A natureza dividida em reinos
• Reino Monera: bactérias
e cianobactérias
• Reino Protista
• Características gerais
Reino Plantae ou
Vegetal
• Estrutura dos fungos
• Briófitas e pteridófitas
• Vírus
• Classificação e reprodução
• Principais viroses humanas
• Liquens
• Fanerógamas:
gminospermas e
angiospermas
• Regras de nomenclatura científica
2.º ano
Os ciclos
biogeoquímicos
Histologia vegetal
• Tecidos vegetais
Organologia
vegetal
Fisiologia vegetal
• Estudo da raiz
• Absorção, transpiração
• Estudo do caule
• Transporte
• Estudo da folha
• Hormônios vegetais
• Fotossíntese
• Estudo da flor
3.º ano
• Estudo do fruto e da
semente
Histologia humana
Anatomia e fisiologia humana
• Introdução
• Anatomia e fisiologia humana: introdução
• Tecido epitelial
• Sistema digestório e digestão
• Tecido conjuntivo
• Sistema respiratório ou de trocas
• Tecido muscular
• Sistema cardiovascular e circulação
• Tecido nervoso
• Sistema urinário e excreção
• Sistema imune
• Sistema de integração
• Sistema endócrino
• Sistema nervoso
• Orgãos sensoriais
QUADROS DE CONTEÚDO – Biologia
77
2.º Semestre
Composição
química da célula
O código da vida
• A química celular
• Código genético: síntese de proteínas
• Substâncias inorgânicas
• Ácidos nucleicos
• Substâncias orgânicas I
1.º ano
• Substâncias orgânicas II
Estudo geral da
célula
Os componentes
da célula
Energia para a
vida
O ciclo celular
• Teoria celular
• Envoltório celular
• Mitose
• Organização geral das células
• Citoplasma
• Reações de óxidoredução
• Respiração celular
• Célula procariótica
• Síntese, armazenamento
e digestão celular
• Fermentação
• Célula eucariótica
• Mitocôndrias e plastos
• Fotossíntese
• Controle do
funcionamento celular
Embriogênese
• Histogênese e
organogênese
• Divisão celular
• Meiose
• Embriologia
• O óvulo
• Tipos de ovos
Reprodução
humana
• Introdução
• Sistema reprodutor
masculino
• Sistema reprodutor
feminino
• Métodos
anticoncepcionais
Reino Animália
• Classificação geral dos
animais
• Critérios de classificação
dos animais
2.º ano
• Esquema geral da
sistemática animal
Esponjas e
Cnidários
Platelmintos e
Nematelmintos
Filo Anelídeos
Filo Moluscos
Artrópodos
• Características
• Introdução
• Introdução
• Filo Poríferos ou
Espongiáros
• Filo Platelmintos
• Estrutura e fisiologia
• Estrutura e fisiologia
• Estrutura e fisiologia
• Filo Cnidários ou
Celenterados
• Introdução
• Classificação
• Classificação
• Características
• Morfologia externa e reprodução
• Filo Nematelmintos
• Características
Equinodermos
Filo Cordados I
Filo Cordados II
Filo Cordados III
Classe Aves
• Introdução
• Introdução
• Subfilo vertebrados
• Classe Amphibia
• Introdução
• Características
• Características
• Características
• Introdução
• Morfologia externa
• Estrutura e fisiologia
• Urocordados
• Classe Agnata
• Morfologia externa
• Características gerais
• Morfologia externa
• Cefalocordados
• Características
• Características gerais dos anfíbios
• Classe mamíferos
• Classe Reptilia
• Introdução
• Introdução
• Morfologia externa
• Características
• Características gerais dos mamíferos
• Superclasse peixes
• Introdução
• Classificação
Genética: as Leis
de Mendel
Genética: tipos de Genética: tipos de Número de
herança I
herança II
cromossomos
Evolução:
principais teorias
• Caracteres biológicos
• Herança monogênica
autossômica
3.º ano
• As Leis de Mendel
• Mecanismos da
hereditariedade
• Números de
cromossomos
• Interação gênica
• Introdução
• Introdução
Genética de
populações e
especiação
• Terceira lei da herança:
Lei de Morgan
• Mutações
cromossômicas
numéricas
• Lamarckismo
• Introdução
• Darwinismo
• O Princípio de Hardy-Weinberg
• Herança dos
cromossomos sexuais
• Neodarwinismo
• Especiação
História da
evolução
biológica
• A evolução biológica
• A evolução do homem
78
QUADROS DE CONTEÚDO – Biologia
Química
Considerando que a principal função do ensino da Educação Básica é
preparar os alunos para o exercício pleno da cidadania, não se pode conceber
uma sociedade democrata na qual os indivíduos não estejam minimamente
preparados com conhecimentos básicos e que não tenham espírito crítico
desenvolvido.
O conhecimento
Especificamente em Química, é importante que o estudante questione, do
ponto de vista químico, o mundo ao seu redor, permitindo que desenvolva
ações que contribuirão para a sociedade em que vive.
o mundo
Desse ponto de vista, o ensino e a aprendizagem dessa disciplina devem
estar vinculados, necessariamente, a assuntos fundamentais da química
relacionados ao dia a dia, pois as pessoas interagem com conhecimentos
químicos por diversos meios.
da química
permite que
o estudante
questione
ao seu redor
e desenvolva
ações cidadãs.
Enfim, o ensino dessa disciplina, de forma contextualizada, deve conduzir ao
desenvolvimento de conhecimentos e de valores que sirvam de mediadores
na interação entre o indivíduo e o mundo.
FUNDAMENTAÇÃO – Química
79
Concepção e objeto de estudo
A construção do conhecimento químico no Ensino Médio desenvolve a
compreensão das transformações químicas ocorridas no mundo f ísico, ou seja,
na matéria, de forma abrangente e integrada. Auxilia, assim, no julgamento
das informações advindas da sociedade, possibilitando ainda a tomada de
decisões e construindo, desta forma, um conhecimento científico em estreita
relação com as aplicações tecnológicas e suas implicações ambientais, sociais,
políticas e econômicas.
Um dos aspectos mais significativos da química, presente em nossa vida, é o
tratamento de água. Sem água não há vida. Sem água potável não há vida digna.
Entretanto, este assunto dificilmente é enfocado com a devida importância na
escola. Inclusive, muitos textos do Ensino Médio sequer fazem alusão a ele. Muito
timidamente o assunto é visto em livros do nível fundamental e, devido ao estágio
de desenvolvimento da criança, não pode ser explorado na sua plenitude.
Desta forma, pode-se sugerir visitas a estações de tratamento de água.
Também é fácil conseguir material e introduzir a experimentação no assunto. O
uso de reagentes baratos e de fácil manuseio, a ausência de resíduos perigosos ao
final do processo favorece a experimentação em aula. Além dos diversos aspectos
fundamentais da química que podem ser abordados, é possível, ainda, trabalhar
o tema de forma interdisciplinar, correlacionando-o com a f ísica, a biologia, a
geografia, a matemática, as ciências sociais e a história.
O conhecimento de química é essencial para o desenvolvimento de valores
pertinentes às relações entre os homens, entre eles e o meio e entre o homem e o
conhecimento, visando a contribuir para a formação de indivíduos conscientes,
sensíveis e solidários.
O volume de informações existentes na sociedade atual, muito mais que
em qualquer outra época, obriga o ser humano a atualizar-se, pois a falta dessas
informações impede o indivíduo de fazer uma análise crítica. Mas somente o
acesso às informações da química não assegura uma ação consciente, portanto, é
necessário estimular os alunos para que analisem, critiquem, sugiram, compreendam
e comprometam-se com os problemas atuais, em seus aspectos sociais, políticos,
econômicos, culturais e éticos.
Esse comprometimento vincula-se ao exercício da cidadania plena, que exige
a possibilidade de acessar e de saber utilizar as informações e o conhecimento
científico, pois este é o mais eficiente instrumento desenvolvido pelo homem para
a compreensão da sociedade.
Os fenômenos
associados à
transformação
da matéria como
objeto de estudo
da química.
80
Abordagem metodológica
Sendo a química a ciência da matéria, devemos considerar “os fenômenos
associados à transformação da matéria como objeto de estudo da química”. Eles são
tomados como referência na seleção e na organização dos conteúdos, bem como
servem de orientação ao trabalho metodológico. Desta maneira, é necessário dotar
FUNDAMENTAÇÃO – Química
os futuros cidadãos de uma bagagem conceitual e metodológica que lhes permita
serem partícipes desses conhecimentos. Portanto, é necessário que o professor
trabalhe os conteúdos de maneira articulada, entendendo que o homem está
inserido nessas relações como sujeito transformador do meio ambiente.
Estas ações resultam em intervenções que podem comprometer as
condições de sobrevivência da espécie humana.
Um dos objetivos fundamentais da formação científica em química é
fazer com que os alunos sejam capazes de enfrentar situações cotidianas,
analisando-as e interpretando-as por meio dos modelos conceituais e também
dos procedimentos próprios dessa ciência. Em vista disso, consideramos
importante dominar esses requisitos e, para tanto, cabe ao professor relacionar
os conteúdos e trabalhá-los de forma articulada, utilizando diferentes recursos
para conduzir o aluno ao entendimento desses conteúdos e conceitos.
Não se pode estudar o objeto isoladamente, sob pena de apresentar um
modelo extremamente reduzido e estático que inviabiliza a compreensão da
realidade material na sua complexidade. Nesta abordagem, apresenta-se uma
organização coerente de conteúdos, dentro de uma visão de totalidade, ou
seja, de garantir a articulação do conhecimento científico com as práticas
sociais, entendidas como a realidade de todos os homens.
É propósito da coleção, à medida que o curso se desenvolve, levar os
estudantes a perceber que a química está presente em nossas vidas e que ela
pode ajudá-los a compreender muitos dos problemas dos quais ouvem falar e
dos quais são informados pelos meios de comunicação.
Objetivos
• Desenvolver postura crítica em relação ao papel da ciência no mundo
do trabalho e na realidade social brasileira, identificando onde e como o
conhecimento químico é utilizado.
Fazer com que
• Adquirir e aperfeiçoar habilidades de manipulação de equipamentos simples de laboratório e produtos químicos.
os alunos sejam
• Desenvolver as habilidades de observar, coletar, organizar e analisar
dados.
situações cotidianas,
• Favorecer a compreensão da dinâmica da construção do conhecimento
químico, que está constante sujeito amudanças como fruto do trabalho
de muitos pesquisadores.
e interpretando-as
• Propiciar o conhecimento dos materiais por meio de suas propriedades,
de suas várias formas de transformação, de produção e de utilização.
e de procedimentos
FUNDAMENTAÇÃO – Química
capazes de enfrentar
analisando-as
por meio de modelos,
de conceitos
próprios da química.
81
Abordagem metodológica
Nesta disciplina, os conteúdos são apresentados na sequência habitual e
abordados segundo sua relevância. Um mesmo assunto é retomado e apresentado
cada vez de forma mais profunda e mais específica. Busca-se trabalhar conduzindo
o aluno, convidando-o a participar da construção do conhecimento.
Trabalhamos a partir de títulos e em cada título buscamos contextualizar as
informações apresentando problemas que afetam a sociedade e que, na forma
de debate, desenvolvem no estudante o espírito crítico e o instrumentalizam
para a compreensão dos diversos aspectos envolvidos no problema (sociais,
políticos, econômicos).
Os artigos de jornal e de revistas ou textos de diferentes autores têm por
objetivo iniciar um tema e aprofundá-lo durante o desenvolvimento do assunto
tratado ou servir como fechamento para retomar o que foi discutido.
Também é objetivo da obra que a construção do conhecimento químico
seja feita por meio de manipulações, orientadas e controladas, de materiais
no laboratório. Na impossibilidade de serem realizadas atividades práticas, o
conhecimento é construído a partir de atividades contextualizadas e caracterizadas
pela participação ativa do aluno. Os experimentos são descritos e os dados
apresentados e analisados para, a partir deles, fluir a teoria. Assim, mesmo sem
a experimentação, o papel da investigação proporcionado pelos experimentos
descritos auxilia o aluno na compreensão do fato.
Os tópicos que abordam
debates, diálogos e
discusssões fornecem
novas informações, que
podem ser trabalhadas
com a turma para
ampliar e aprofundar o
conhecimento. Podemos
afirmar, então, que
a problematização
é um dos modos de
abordar os conteúdos,
a qual visa apresentar
situações em que
o aluno tenha que
investigar e aplicar o
conhecimento científico
já adquirido.
82
As atividades propostas permitem ao aluno assimilar, acumular e organizar
as informações necessárias à elaboração dos conceitos fundamentais da química.
A cada novo momento, esses conceitos são retomados para auxiliar a busca de
novas explicações, a elaboração de novos conceitos e proporcionar ao aluno o
domínio e o bom entendimento da química.
A resolução de exercícios prioriza a aplicação dos conceitos aprendidos, em
vez da utilização de fórmulas matemáticas. Essa abordagem exige um trabalho
intelectual que enfatiza o aspecto operativo do conhecimento, levando os alunos
a fazer inferências e comparações, a estabelecer relações, interpretações etc., com
mais facilidade, propiciando o uso e o desenvolvimento de habilidades cognitivas.
Sempre que possível, procuramos mostrar as implicações da utilização do
conhecimento químico e da tecnologia nas nossas vidas, na sociedade e no ambiente.
A metodologia é contextualizada com fatos concretos para que as
aprendizagens dos conhecimentos químicos partam da visão macroscópica de um
fenômeno e sejam compreendidas por meio da análise microscópica da matéria.
Por exemplo, no título “Matéria e Energia” p. 2, vol. 1, 1.a série, o texto Lixo:
material que se joga fora pretende-se que o aluno associe a ação transformadora
do homem que, com o advento da tecnologia, desencadeou mudanças drásticas no
meio ambiente. A população cresceu, dobrou, triplicou, alcançou a marca de seis
bilhões de pessoas em todo mundo. A industrialização acelerou o desenvolvimento.
FUNDAMENTAÇÃO – Química
Passou-se a produzir em grande escala, a cultivar em grandes áreas e a consumir
cada vez mais. Nesse caso, o aluno deve apontar e explicar os principais problemas
enfrentados pela população, indicando atitudes, sejam ela individuais, coletivas ou
de políticas públicas que devem ser tomadas para amenizá-las.
Podemos afirmar, então, que a problematização é um dos modos de abordar os conteúdos, a qual visa a apresentar situações em que o aluno tenha que
investigar e aplicar o conhecimento científico já adquirido. Para isso, faz-se
necessário a constante atenção e estudo das transformações, inovações e descobertas científicas e tecnológicas para articular estes elementos não no sentido
de domínio de suas técnicas, mas, fundamentalmente, de explicitar seus princípios
gerais enquanto conhecimento químico, científico e tecnológico e suas relações
com o modo de produção da sociedade.
Referências
ALLINGER, N. L.; ALLINGER, J. Estrutura de moléculas orgânicas. São Paulo:
Edgard Blücher, 1978.
QUAGLIANO, J. V.; VALLARINO, L. M. Química. Rio de Janeiro: Guanabara
Dois, 1980.
RUSSEL, J. B. Química geral. São Paulo: Macron Books, 1994.
REVISTA Química nova na escola. Publicação da Divisão de Ensino
da Química da Sociedade Brasileira de Química em São Paulo.
Sites de pesquisa
<www.sbq.org.br>
<www.rosseti.eti.br/dic.htlm>
<www.iupac.org/news/index.html>
<http://atelier.uarte.mct.pt/fq/organica>
<www.ciencia.org.br/welcome.html>
<www.escolanet.nmd.com.br>
FUNDAMENTAÇÃO – Química
83
Matriz de Conteúdos – Química
1.º ano
1.º Semestre
Ciência e
sociedade
Matéria e energia O átomo
Tabela periódica
• Matéria: o que é?
• O surgimento da
Química
• Energia: o que é?
• A evolução dos modelos
atômicos
• Por que tabela
periódica?
• Energia, calor e
temperatura
• Introdução ao modelo atômico atual
• A tabela periódica atual
• A Química na sociedade
• Espécies de matéria
• A ciência e seus
métodos
3º ano
2.º ano
Soluções
• Disposição da tabela
periódica
• Separação de misturas
• Propriedades atômicas
Cinética química
• Misturas
Reações em
solução aquosa
Termodinâmica
química
• Tipos de soluções
• Reações ácido-base
• Propriedades das
soluções
• Reações de complexação
e de precipitação
• Termodinâmica e
energia
• Cálculos da variação de entalpia
• Propriedades coligativas
• Reações com
transferência de elétrons
• Entalpia e capacidade
calorífica
• Entropia: 2.a lei da
Termodinâmica
• Variações quantitativas
de concentrações
• Velocidade de reação
• Fatores que afetam o
valor da entalpia
Introdução à
química orgânica
Funções orgânicas: hidrocarbonetos
• Química orgânica
• Hidrocarbonetos de cadeia fechada
• O carbono
• Hidrocarbonetos aromáticos
• Nomenclatura oficial
• Hidrocarbonetos ramificados
• Radicais livres
• Fontes dos compostos orgânicos
• Hidrocarbonetos de cadeia aberta
Funções
oxigenadas
Compostos nitrogenados e outras
funções orgânicas
•
•
•
•
•
•
•
•
• Aminas
Álcoois
Enol
Fenol
Éteres
Aldeídos
Cetonas
Ácidos carboxílicos
Ésteres
• Amidas
• Nitrilos
• Nitrocompostos
• Derivados halogenados
• Compostos sulfurados
• Compostos de funções mistas
2.º Semestre
1.º ano
Ligações químicas Gases Ideais
• Definições
• Introdução
• Tipos de ligações
químicas
• Lei de Boyle
• Tipos de substâncias
• Princípio de Avogadro
• Fórmulas eletrônicas e
estruturais
• Lei de Charles
• A Lei do Gás Ideal
2.º ano
• Número de oxidação
• Cálculo da Lei do Gás Ideal
• Misturas de gases: Lei
de Dalton das Pressões
Parciais
Funções
Inorgânicas
Fórmulas, equações e estequiometria
• Teoria de Arrhenius
• Massa atômica e outras massas
• Conceitos de ácidos,
bases e sais de
Arrhenius
• O mol
• Teoria CinéticoMolecular
• Combinações e conjuntos de átomos
• Estequiometria de fórmulas
• Equações químicas
• Estequiometria de reações
Equilíbrio químico
Eletroquímica
Radioatividade
• Reações: sistemas e
constantes de equilíbrio
• Introdução
• Introdução
• Fatores e variáveis de
alteração do equilíbrio
• Pilhas eletroquímicas
• Radioatividade natural
• Eletrólise
• Radioatividade artificial
Propriedades
dos compostos
orgânicos
Reações orgânicas
Polímeros
• Polimerização
Tópicos de
bioquímica
Lipídios
• Reações químicas
• Reações de substituição
• Introdução
• Açúcares
• Classificação
• Acidez e basicidade
• Reações de adição
• Classificação
• Propriedades físicas dos
compostos orgânicos
• Reações de eliminação
• Classificação dos
polímeros
• Equilíbrio iônico
Isometria
• Introdução
3.º ano
• Isomeria plana
• Isomeria espacial ou
estereoisometria
• Isomeria óptica
• Definição
• Mutarrotação
• Reações de oxidação
• Reações de ozonólise
Aminoácidos e
proteínas
• Aminoácidos
• Proteínas
84
FUNDAMENTAÇÃO – Química
Geografia
História
Filosofia
Sociologia
C
iências humanas
e suas tecnologias
Geografia
O término da primeira década do século XXI trouxe à tona grandes questões
e desafios que não são exclusivos de determinados povos, países ou
sociedades. São transformações de ordem ambiental, política, econômica e
social que imprimem um grande dinamismo ao mundo contemporâneo, o
qual vem se reestruturando dia após dia de maneira rápida, sob influência da
globalização e do advento da chamada era tecnológica.
Nesse contexto, a geografia assume um papel da mais alta relevância, uma vez
que, apresentando relações com todos os principais ramos do conhecimento
científico, essa ciência, em síntese, permite uma visão geral do mundo e de
seus problemas, tornando possível o estabelecimento de conexões entre os
fatos que elaboram o espaço geográfico, definindo padrões de organização
espacial e fornecendo um amplo conhecimento do planeta em que vivemos.
A proposta de estudo obedece a uma sequência de conteúdos que, ao
mesmo tempo, integram-se e estão dispostos em um nível crescente de
interdependência e de complexidade. Na abertura de cada grande unidade
temática, há uma página que apresenta o macrotema de forma evidenciada e
ilustrada por textos e imagens, bem como os subtemas referentes à unidade
de estudo em questão. O texto, em cada conteúdo programático, é sempre
enriquecido com a introdução de mapas, figuras, gráficos, fotografias etc.,
o que permite melhor visualização e compreensão dos assuntos abordados.
Ao final de cada unidade, é possível revisar os conteúdos por meio de
atividades que envolvem, sobretudo, a resolução de questões discursivas e
testes retirados dos principais exames vestibulares do país. Além disso, o
professor pode contar com textos complementares para o aprofundamento
dos conteúdos programáticos e para promover discussões e debates em
classe, trazendo, assim, a realidade do espaço geográfico para dentro da sala
de aula, utilizando exemplos e situações atuais vivenciadas no cotidiano dos
alunos.
A geografia assume
um papel da mais
alta relevância,
uma vez que
apresenta relações
com todos
os principais ramos
do conhecimento
científico.
Dessa forma, procuramos tornar o aprendizado mais sólido e dinâmico,
proporcionando ao aluno a oportunidade de conhecer melhor o mundo e o
país onde vive e de se posicionar na sociedade, podendo opinar e influir em
questões de natureza política, econômica, social e ambiental.
FUNDAMENTAÇÃO – Geografia
87
Concepção e objeto de estudo
Ao analisar a evolução do pensamento geográfico no século XX, pode-se
constatar que o conceito de geografia sofreu modificações e foi enunciado,
também, sob as mais variadas formas, nos diferentes períodos da pesquisa científica
de caráter geográfico. O eminente geógrafo francês Emmanuel de Martonne,
considerando o aspecto descritivo da geografia, definiu-a no início do século
XX como “a ciência que estuda a distribuição dos fenômenos f ísicos, biológicos
e humanos pela superf ície terrestre, as causas desta distribuição e as relações
locais destes fenômenos”. Para Sauer, a geografia é “a ciência da diferenciação das
áreas”, enquanto Hartshorne afirma que “a geografia tem por objeto proporcionar
a descrição e a interpretação, de maneira precisa, ordenada e racional, do caráter
variável da superf ície da Terra”. Na concepção de Cholley, a geografia tem por
objeto “conhecer a Terra” em seu caráter total, não levando em conta categorias
isoladas, mas combinações produzidas entre as várias categorias – f ísicas,
biológicas e humanas.
Em todos esses conceitos, é possível identificar a orientação positivista dos
autores, que encaravam o espaço geográfico como uma entidade estática, não
mais sujeita a significativas transformações. O positivismo influenciou a chamada Geografia Tradicional, que vê a humanidade apenas como mais um elemento
da paisagem, sendo as relações sociais pouco valorizadas. Além disso, as definições tradicionais consideram que a natureza condiciona ou determina a ação do
homem, quando, na realidade, sabemos que ela apenas exerce influência sobre a
ação humana. À medida que o homem aperfeiçoa seus conhecimentos técnicos e
dispõe de capital, procura transformar a natureza e produzir o tipo de espaço de
que necessita para sua sobrevivência.
Podemos definir
a geografia como
a ciência
que estuda a
organização do
espaço geográfico,
espaço produzido
pelo homem
ao intervir no
meio natural
através
do trabalho.
88
Em decorrência do grande dinamismo que vem dominando os estudos
geográficos nos últimos anos, podemos definir a geografia como a ciência que
estuda a organização do espaço geográfico, espaço produzido pelo homem ao
intervir no meio natural, adaptando-o à sua exploração, à utilização dos seus
recursos, segundo as formas institucionais e os elementos culturais, técnicos
e econômicos de que dispõe. Ao estudar a organização do espaço, o geógrafo
pode utilizar dois enfoques ou formas de abordagens diferentes. Quando toma
um segmento dos estudos geográficos, como o relevo, o clima, a população, a
agricultura etc., estudando-o isoladamente para toda a superf ície terrestre, faz
a geografia geral ou sistemática. Quando, ao contrário, seguindo os modelos de
Paul Vidal de La Blache, seleciona uma determinada área e nela realiza o estudo
dos aspectos f ísicos – estrutura geológica, relevo, clima, vegetação etc. – e dos
aspectos humanos – população, agropecuária, indústria, comércio e serviços –
por meio de sua ação conjunta ou integrada, faz a chamada geografia regional.
A geografia é, possivelmente, a ciência de história mais longa, no entanto ela
começou realmente a se estruturar como ciência na Alemanha, com os trabalhos
de Alexander von Humboldt (1769-1859) e Karl Ritter (1779-1859).
FUNDAMENTAÇÃO – Geografia
Esses dois cientistas deram à geografia um método de análise, procurando
compreender as relações existentes entre os fenômenos naturais e destes com a
ação humana, sistematizando, dessa forma, o conhecimento geográfico e estabelecendo leis.
A partir daí, a geografia abandonou seu papel puramente descritivo e acadêmico, sendo reconhecida oficialmente ainda no século XIX, quando passou a ser
ensinada nas escolas. Surgiu, assim, a denominada geografia moderna.
Durante o século XX, muitas e importantes modificações ocorreram no
mundo, tais como as duas grandes guerras mundiais, o confronto entre países
capitalistas e socialistas e a revolução tecnológica. Acompanhando todas essas
mudanças, surgiram, também, diversas correntes do pensamento geográfico
(geografia quantitativa, geografia crítica ou marxista etc.).
Nos últimos tempos, foram propostas abordagens mais abrangentes, que
procuram explicar a configuração do espaço como resultado das relações sociais,
como um produto histórico, influenciado por questões de ordem econômica,
política, social e cultural.
Abordagem metodológica
Nas últimas décadas, o ensino da geografia vem passando por significativas
transformações. Os manuais didáticos tradicionais abordavam os fatos sociais de
maneira descritiva e simplista, muitas vezes ocultando a realidade e enfatizando a
simples memorização dos elementos constituintes da natureza, nada contribuindo
para a formação do senso crítico e para a análise mais profunda da complexidade
que caracteriza o espaço geográfico em qualquer ponto da superf ície terrestre.
Por outro lado, as novas formas de abordagem metodológica, que
ganharam espaço desde a década de 1980 e que surgiram como resposta ao
ensino tradicional da geografia, deram demasiada importância aos aspectos
políticos e sociais, negligenciando o estudo da geografia f ísica, que fornece a
base para a compreensão da dinâmica do espaço natural e que muito auxilia no
entendimento dos processos de degradação ambiental que atualmente atingem
enormes extensões do globo terrestre, tanto nos países subdesenvolvidos quanto
nos desenvolvidos.
Verifica-se, portanto, que ambas as formas de abordagem descritas
anteriormente são insuficientes para promover uma compreensão mais ampla
e profunda do mundo atual e de suas contradições. Por isso, optamos por uma
orientação metodológica mais equilibrada dos diversos temas geográficos,
adotando uma análise dos aspectos f ísicos e ambientais e dos aspectos
socioeconômicos que, de forma integrada, explicam as formas visíveis de
organização do espaço terrestre.
A seleção do conteúdo proposto em cada série obedece a uma sequência
de organização que pressupõe o domínio de conhecimentos básicos, não
FUNDAMENTAÇÃO – Geografia
É importante
que o aluno
desenvolva a
consciência
de que a geografia
não está apenas
nos livros, nos atlas
ou nos testes
dos exames
vestibulares.
89
fragmentados, essenciais aos temas posteriores. A temática desenvolvida
na 1.a série constitui, portanto, o alicerce para as demais, iniciando com o
estudo integrado dos elementos do espaço natural e as noções fundamentais
de orientação e de localização no globo, bem como a representação gráfica
de superf ície da Terra. A seguir, são debatidos os aspectos populacionais e
econômicos que moldam o espaço geográfico, contribuindo, cada vez mais,
para uma paisagem cultural ou humanizada.
Todos esses conhecimentos são aplicados nas séries seguintes, que se referem
ao estudo do espaço brasileiro e mundial, dando especial relevo às radicais e
rápidas transformações políticas e socioeconômicas do mundo globalizado,
atualmente caracterizado por uma nova ordem denominada multipolar, na qual a
economia se regionalizou, consolidando grandes polos econômicos de poder.
Para que a prática pedagógica da geografia torne-se interessante e produtiva, é necessário usar conhecimentos e experiências dos alunos, que devem ser
ampliados por meio da leitura de textos, da resolução de variados tipos de exercícios, do debate e da apresentação de temas mais polêmicos, contando-se, para
isso, com recursos didáticos diversificados (mapas, textos complementares, filmes etc.), além das mais modernas ferramentas fornecidas pela tecnologia.
É importante que o aluno desenvolva a consciência de que a geografia não
está apenas nos livros, nos atlas ou nos testes de exames vestibulares. Ela está
presente, sobretudo, no seu cotidiano e na imprensa, que podem trazer inúmeras
informações e levantar produtivos debates a respeito dos assuntos pertinentes à
ciência geográfica.
É essencial para o aluno, também, o entendimento de que, na era da
globalização, um acontecimento político ou econômico aparentemente distante
e isolado, situado, por exemplo, na Europa, no Oriente Médio ou no Extremo
Oriente Asiático, pode ter importantes repercussões no seu cotidiano e na
realidade de seu país. Esperamos, enfim, que a geografia, ciência que estuda o
espaço e as relações que nela ocorrem, seja realmente um instrumento de reflexão
para futuras transformações socioambientais e para a construção da cidadania.
Objetivos
• Compreender as diferentes formas de organização do espaço geográfico
que resultam da ação conjunta dos fatores f ísicos ou naturais e dos fatores
humanos, explicando o porquê desta organização e oferecendo indicações
de procedimentos para o futuro.
• Compreender a dinâmica da natureza por meio da interação de seus principais
elementos: estrutura geológica, relevo, clima, vegetação e hidrografia.
90
FUNDAMENTAÇÃO – Geografia
• Identificar e caracterizar as grandes paisagens naturais do globo terrestre, seus elementos fisiográficos mais significativos e as diversas formas
de ocupação humana e de exploração econômica dos ecossistemas terrestres e aquáticos.
• Conhecer os elementos que compõem uma representação cartográfica e
saber utilizá-los, a fim de conhecer a distribuição espacial dos mais variados fenômenos geográficos.
• Diferenciar o modo de apropriação da natureza e de desenvolvimento das
forças produtivas nas economias subdesenvolvidas, nas chamadas nações
emergentes e no mundo desenvolvido, bem como as implicações de ordem
socioeconômica e ambiental.
• Interpretar o crescimento do fenômeno urbano em escala mundial as causas e as consequências de ordem política, econômica, social e ambiental
decorrentes desse crescimento.
• Caracterizar o atual panorama geopolítico do mundo e identificar as principais
áreas de tensão e de conflitos existentes em cada um dos continentes.
• Compreender a estruturação da economia planetária no período pós-Segunda Guerra Mundial e no atual mundo multipolar, globalizado e
organizado em megablocos econômicos.
• Compreender a formação econômica da sociedade brasileira e a inserção
do Brasil no comércio internacional.
Dessa forma,
procuramos
tornar o
aprendizado mais
• Identificar e caracterizar as grandes paisagens naturais do território brasileiro, dando especial ênfase às questões econômicas que individualizam
cada região.
sólido e dinâmico,
• Saber utilizar os meios de orientação e de localização na superf ície terrestre e nos mapas, desenvolvendo habilidades que permitam um maior
domínio sobre o espaço geográfico.
a oportunidade
• Conhecer as principais características da população mundial, sobretudo
os aspectos relacionados à sua distribuição geográfica, ao crescimento, à
estrutura e aos movimentos migratórios.
e o país onde vive
FUNDAMENTAÇÃO – Geografia
proporcionando
ao aluno
de conhecer
melhor o mundo
e de se posicionar
na sociedade.
91
Referências
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______. Geografia da América: aspectos da geografia física e social. São Paulo:
Moderna, 1989.
ANDRADE, M. C. de. Geografia econômica. São Paulo: Atlas, 1998.
COELHO, M. de A. Geografia do Brasil. São Paulo: Moderna, 1997.
COELHO, M. de A; TERRA, L. Geografia geral: o espaço natural e socioeconômico.
São Paulo: Moderna, 2003.
GARCIA, H. C.; GARAVELLO, T. M. Coleção geografia dos continentes. São Paulo:
Scipione, 2007.
MAGNOLI, D.; ARAÚJO, R. Paisagem e território: geografia geral e do Brasil.
São Paulo: Moderna, 1997.
______. A nova geografia: estudos de geografia geral. São Paulo: Atual, 2008.
MAGNOLI, D. O mundo contemporâneo. São Paulo: Moderna, 1997.
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OLIVA, J.; GIANSANTI, R. Espaço e modernidade: temas da geografia mundial.
São Paulo: Atual, 1996.
SCALZARETTO, R. Geografia geral: nova geopolítica. São Paulo: Scipione, 1995.
SENE, E. de; MOREIRA, J. C. Espaço geográfico e globalização: geografia geral e do
Brasil. São Paulo: Scipione, 2000.
VESENTINI, J. W. Sociedade e espaço: geografia geral e do Brasil. São Paulo:
Ática, 2005.
92
FUNDAMENTAÇÃO – Geografia
Matriz de Conteúdos – Geografia
1.º Semestre
Introdução
ao estudo
geográfico
• A geografia como
ciência
• O Sistema Solar
1.º ano
• Nosso satélite natural:
a Lua
Orientação e
localização
no espaço
geográfico
Noções
de cartografia
Origem e
evolução do
planeta Terra
A dinâmica atmosférica
• Origem da Terra
• A temperatura atmosférica e seus fatores
• Orientação no espaço
• Estrutura da Terra
• A pressão atmosférica
• Localização
• Deriva Continental
e a Tectônica de Placas
• Os ventos
• As principais formas
de relevo
• Unidade atmosférica
• Mapas: sua evolução
e importância
• A Terra: nosso planeta
• Atmosfera terrestre
• Elementos e fatores do clima
• Massas de ar e frentes
• Principais classificações climáticas
• Influências humanas sobre o clima
• Os fenômenos El Nino e La Niña
As paisagens
climatobotânicas
• Tipos de formações
vegetais
• Principais formações
vegetais
• Degradação das
formações vegetais
A constituição do território brasileiro Aspectos físicos do território
• Formação territorial
brasileiro
• Regionalização do espaço brasileiro
• Características gerais do espaço brasileiro
2.º ano
• Estrutura geológica
formadores da
população
• O litoral brasileiro
• População:
crescimento e
distribuição
• A hidrografia do Brasil
• Estrutura populacional
• Climas do Brasil
• Algumas questões
demográficas
• Relevo
• Domínios morfoclimáticos brasileiros
3.º ano
O povo brasileiro Radiografia
• Elementos étnicos
social
• Indicadores
socioculturais
• A pobreza assusta:
distribuição de renda
no Brasil
• A questão social no
Brasil
Introdução
à geopolítica
Europa
Rússia
• Características gerais do espaço territorial europeu
• Um pouco de história
A América
Anglo-Saxônica
A América
Latina I
• As visões de mundo
• Aspectos físicos da Europa
• Surge a URSS
• Introdução
• Estrutura social e
econômica do mundo
moderno
• Quadro humano
• A Rússia atual
• Canadá
• O que é a América
Latina?
• A economia mundial
• Conceitos de
geopolítica
• A conjuntura Pós-Segunda Guerra Mundial
• A União Europeia
• Estados Unidos
• México
• América Central
• Os países do Benelux
• Os países do Leste Europeu
QUADROS DE CONTEÚDO – Geografia
93
2.º Semestre
Hidrosfera
O espaço populacional
O espaço urbano
• Introdução
• Conceitos demográficos fundamentais
• Cidades
• Características gerais
dos rios
• Distribuição geográfica da população mundial
• Os lagos
• Estrutura populacional
• Sistemas de uso da terra
• Movimentos das populações
• Classificação das atividades
agrícolas
• Oceanos e mares
• Água: origem
• Crescimento das populações
Os recursos
naturais do planeta
O espaço
agropecuário
• Classificação dos recursos
naturais
• Conceitos básicos
em agricultura
• Agricultura sustentável
1.º ano
• A pecuária: sistemas
e finalidades
A atividade industrial
Os blocos econômicos mundiais
• Fatores de localização espacial
• As organizações e as relações comerciais
• Divisão internacional do trabalho
• Comunicação e transporte
• Tipos de indústrias
2.º ano
Espaço rural e espaço urbano no Brasil
O meio ambiente brasileiro
e seus problemas
Os recursos naturais
• Origens
• Hierarquia das cidades
• O meio ambiente brasileiro
• O extrativismo vegetal
• A utilização do espaço agrário
• O problema do lixo e a poluição das águas
• A pesca
• As relações de trabalho no campo
• O meio rural e os problemas ecológicos
• Os recursos minerais
• A Reforma Agrária e o MST
• Biodiversidade: ecossistemas ameaçados
• Recursos naturais e desenvolvimento sustentável
• O espaço agrário transformado
O potencial de crescimento econômico
do Brasil
O Brasil está inserido no mercado global?
• Estrutura agropecuária
• Os investimentos que vêm de fora
• Espaço industrial: pesquisa e tecnologia
• Transformações no mundo do trabalho e o desemprego
• Fontes energéticas
• As relações econômicas no Mercosul
• A economia global e suas transformações
• Transportes
• Meios de comunicação
América Latina II
• Países andinos
• Território: características
gerais
Ásia: uma visão
de conjunto
e o Oriente Médio
• Países platinos
• Herança do colonialismo
• Características espaciais
• Ásia Oriental ou Extremo Oriente
• Nova Zelândia
• As Guianas
• Aspectos populacionais
• Ásia Ocidental ou Oriente
Médio
• Japão
• Outros países
3.º ano
• América do Sul
África
• África Saariana ou África
do Norte
• África Subsaariana
ou África Negra
94
Ásia Meridional ou Monçônica
Oceania
• Subcontinente Indiano
• Introdução
• Sudeste Asiático
• Austrália
• China
• Tigres Asiáticos
QUADROS DE CONTEÚDO – Geografia
História
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9394/96) estabeleceu
uma perspectiva de educação integrada para o Ensino Médio, com uma
proposta que articule as funções dos educandos em uma ação conjunta que
busque desenvolver:
A obra didática
• a formação pessoal, de maneira a desenvolver valores e competências
necessárias à integração de seu projeto individual ao projeto da sociedade
em que se situa;
das múltiplas
• o aprimoramento do educando em todos os aspectos de sua vida, incluindo
a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do
pensamento crítico;
ao longo do tempo,
de História
possibilita ao aluno
a compreensão
possibilidades de
vida em sociedade
em diferentes
espaços.
• a preparação e a orientação básica para sua integração ao mundo do
trabalho, com as competências que garantam seu aprimoramento
profissional e permitam acompanhar as mudanças que caracterizam a
produção no nosso tempo;
• O aprimoramento de competências para continuar aprendendo, de forma
autônoma e crítica, em níveis mais complexos de estudo.
Frente a isso, a obra didática de história possibilita ao aluno a compreensão
das múltiplas possibilidades de vida em sociedade ao longo do tempo, em
diferentes espaços, reconhecendo processos e sujeitos sociais a partir da
experiência presente, para, dessa forma, desenvolver uma compreensão
ativa da realidade, que é condição para o desenvolvimento e a formação da
cidadania.
FUNDAMENTAÇÃO – História
95
Concepção e objeto de estudo
A história tem
como objeto
de estudo as
ações humanas
no âmbito das
relações sociais.
96
O material didático desenvolvido pela Coleção Cidadania tem como premissa básica o aprofundamento do conhecimento adquirido nos anos do Ensino
Fundamental.
Como parte da área do conhecimento de Ciências Humanas e suas Tecnologias, a disciplina de História possibilita o estudo e o entendimento de questões
relacionadas à contemporaneidade, observando-as nas mais diferentes temporalidades, o que permite aos alunos a construção de uma reflexão sobre as possibilidades de transformações ou permanências nas sociedades.
A integração da História com as demais disciplinas das ciências humanas
possibilita consolidar e aprofundar conteúdos estudados no Ensino Fundamental,
ressaltando contingências da vida em sociedade e a capacidade do indivíduo
de agir diretamente no processo histórico, compreendendo a necessidade de
transformação como fruto de cada momento social. Ou seja, a ação de indivíduos
como sujeitos da história e ações individuais que são determinadas pelas diversas
sociedades.
O contato cada vez maior entre a história escolar e a produção acadêmica,
a partir do final da década de 1970, possibilitou ao conhecimento histórico o
desenvolvimento de currículos que abordam as incertezas e os mitos vivenciados
pela juventude, bem como o desenvolvimento de um ensino com caráter
humanista, que foi capaz de propiciar uma compreensão do mundo sem a
utilização de dogmas, de crenças religiosas e de misticismos.
Em um mundo marcado pela incidência frequente de novas tecnologias e
pela rapidez da circulação das informações, o conhecimento histórico, com ações
conjuntas com outras disciplinas das ciências humanas, deve se transformar em
um agente formador de cidadãos críticos e conscientes, capazes de ingressar na
vida adulta e na sociedade.
A história tem como objeto de estudo as ações humanas no âmbito das relações sociais, construídas entre diferentes indivíduos, grupos, segmentos e classes
sociais, bem como as construções intelectuais que estes elaboram nos processos
de construção dos conhecimentos que, em cada momento, mostram-se necessários para o viver em sociedade, em termos individuais e coletivos.
A historiografia contemporânea, evidenciada por nomes como Eric
Hobsbawm e Carl Schorske, promove o estudo de novos temas, levando em
consideração a diversidade de agentes sociais em seus confrontos, mudando a
percepção histórica tradicional – e sua crítica erudita das fontes – baseada nos
grandes eventos (personalidades, mobilizações militares ou documentos oficiais),
ou nas concepções estruturalistas calcadas no modo de produção, com os sujeitos
relegados a um segundo plano.
Com as novas abordagens da história cultural e social, com estudos como
os de Robert Darton e Roger Chartier, podemos compreender as sociedades
observando suas diferentes temporalidades, os diversos componentes sociais,
os estágios de desenvolvimento econômico e suas manifestações culturais, por
meio da apuração de suas mentalidades. Em outras palavras, compreender que as
FUNDAMENTAÇÃO – História
representações de um povo em determinado momento histórico são elementos
importantes de percepção de suas realidades sociais.
É necessário compreender o termo cultura como todas as representações,
ideias, maneiras de ser e de sentir das pessoas em um determinado contexto
histórico. Em uma perspectiva cultural para a análise histórica do cotidiano,
o levantamento dos modos de viver funciona como uma boa maneira para
compreendermos as construções culturais, à medida que podemos entender o
significado e o sentido das experiências diárias, compreendendo o mundo como
uma representação.
Junto a essa percepção do cotidiano, podemos trabalhar a noção de memória, um elemento essencial na análise das culturas políticas – um conceito que
compreende as tradições compartilhadas, transmitidas por gerações; um conjunto de tendências psicológicas com relação à política e os slogans, os símbolos
e as imagens que dela resultam.
Com a cultura, a memória constitui o lugar onde são elaboradas as experiências
históricas. Faz-se importante ressaltar que as culturas políticas são codificadas e
transmitidas pela memória, uma mediadora entre representações coletivas do
passado, do presente e do futuro.
Os saberes
produzidos
no decorrer
dos tempos,
organizados
sob a forma
de disciplinas,
devem contribuir
para uma visão
integradora
do conhecimento
das ciências e
das humanidades.
Abordagem metodológica
A aprendizagem da história busca situar o jovem na sociedade atual para
melhor compreendê-la e, assim, desenvolver a efetiva capacidade de apreensão
do tempo como conjunto de vivências humanas.
No desenvolvimento do material, o tempo histórico utiliza o tempo cronológico,
que possibilita referenciar o lugar dos momentos históricos em seus processos de
sucessão e de simultaneidade. Fugindo da cronologia meramente linear, busca
identificar também os diferentes níveis e ritmos de duração temporal.
A formação de futuros cidadãos se dá por meio da reflexão sobre o que é ser
cidadão. Do ponto de vista da formação histórica do aluno, a questão da cidadania envolve escolhas pedagógicas específicas para que este possa conhecer e distinguir diferentes concepções históricas, delineadas em diferentes épocas.
Para desenvolver o conhecimento histórico no Ensino Médio, reconhecemos
a importância do desenvolvimento de competências ligadas à leitura, à análise,
à contextualização e à interpretação das mais variadas fontes e testemunhos de
períodos passados e do presente, dos diferentes sujeitos históricos envolvidos,
suas motivações políticas e as diferentes linguagens e suportes por meio do qual
se expressaram.
Com a finalidade de atingir tais objetivos, os conteúdos de História da
Coleção Cidadania para o Ensino Médio foram organizados por semestres e são
apresentados em unidades, o que permite também uma adequação fácil às várias
realidades escolares no país e apresenta, ainda, relação com as disciplinas afins
(da área de ciências humanas).
FUNDAMENTAÇÃO – História
A formação de
futuros cidadãos se
dá por meio
da reflexão sobre
o que é ser cidadão.
97
O conteúdo da disciplina possibilita promover um debate sobre como o conhecimento precisa
ser compreendido de forma orgânica. Utilizamos uma estrutura de trabalho com eixos norteadores,
como tempo e relações sociais. Trabalhado pelas diferentes disciplinas de forma integrada, deve
estar inserido no contexto das vivências sociais e pessoais do indivíduo e ser percebido como
uma construção coletiva, histórica, além de estar associado às diferentes linguagens. Os saberes
produzidos no decorrer dos tempos, organizados sob a forma de disciplinas, devem contribuir
para uma visão integradora do conhecimento das ciências e das humanidades, demonstrando sua
importância para a compreensão histórica da ação humana.
Visando desenvolver uma compreensão adequada do ambiente social, do sistema político, da
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade, os materiais de História
apresentam questões discursivas e de múltipla escolha (retiradas dos mais importantes concursos
de vestibular do país e do ENEM), que possibilitam aos alunos o desenvolvimento de sua capacidade
de aprendizagem, com a aquisição de conhecimentos e de habilidades que podem levar à formação
de atitudes e de valores que fortalecem os vínculos familiares, a solidariedade e a tolerância.
Objetivos
• Desenvolver a percepção da importância da valorização das identidades dos alunos na construção de uma cidadania efetiva, por meio da compreensão da alteridade, do contato com
outras culturas em diversos períodos, ampliando a noção de tempo histórico.
• Observar as diferentes concepções de tempos históricos, como construções elaboradas de distintas sociedades; a importância dos mitos e das religiões como modelo explicativo para a origem de grupos sociais primitivos e modernos; a noção de tempo, cíclico (do eterno retorno)
e cronológico (sequencial), para o ajustamento da vida social.
• Delimitar e compreender que o modelo de tempo histórico adotado pela civilização ocidental
permite uma localização do lugar dos acontecimentos históricos em seu processo de sucessão
e simultaneidade, ou seja, compreender a duração de tempos históricos, junto com a percepção de continuidades e rupturas sociais.
Referências
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BOURDIEU, P. O poder simbólico. São Paulo: Bertrand Brasil, 2006.
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DARNTON, R. O beijo de Lamourette: mídia, cultura e revolução. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.
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2010.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 2007.
REMOND, R. (Org.). Por uma história política. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
SCHORSKE, C. E. Pensando com a história: indagações na passagem para o modernismo. São Paulo:
Cia. das Letras, 2000.
VEYNE, P. Como se escreve a história. Brasília: UnB, 2008.
98
FUNDAMENTAÇÃO – História
Matriz de Conteúdos – História
1.º Semestre
1.º ano
Introdução ao estudo da História
Pré-História:
ao encontro do passado
Civilizações da Antiguidade
• A história como ciência
• As ciências auxiliares da história
• Origem e evolução do homem
• Antiga Mesopotâmia
• Divisão da história
• A Pré-História
• Civilização egípcia
• Tempo e história
• Arte, ciência e religião na Pré-História
• O povo hebreu
• O profissional da história
• A Pré-História brasileira
• Os fenícios
Civilização grega
Civilização romana
• O legado grego
• Os primórdios da civilização romana
• Os antigos habitantes das proximidades do mar Egeu
• Imperialismo romano
• Primórdios da civilização grega
• Os irmãos Graco
• Esparta e Atenas
• Os triunviratos
• Imperialismo grego
• O Império Romano
• O domínio macedônico
• A decadência de Roma
• Civilizações antigas: ontem e hoje
• A cultura grega
• A cultura helenística
Renascimento
• A crise da Idade Média
2.º ano
• Renascimento:
conceituação e
abrangência
• Arte e pensamento
• A Reforma Protestante
A expansão ultramarina
e o mercantilismo europeu
A colonização
europeia
da América
A América portuguesa:
os sentidos da colonização
• As tentativas de exploração e colonização
• As navegações espanholas
• Os habitantes da
América
• Mercantilismo e colonialismo
• A conquista espanhola
• O sentido da colonização
• A colonização inglesa
• O indígena e o negro: sujeição e resistência
• O expansionismo ultramarino europeu
• As navegações portuguesas
• Contrarreforma: a
reação católica
• Os habitantes do Brasil
• A presença estrangeira no Brasil
• A colonização francesa
• Formação do Estado
Nacional Moderno
3.º ano
• A expansão comercial
europeia
Da Monarquia
à República
A República Velha
A Primeira Guerra Mundial
• A República Oligárquica
• Contexto e antecedentes
• A Proclamação
da República: causas
• Os presidentes
• E veio a guerra...
A crise do
período
entreguerras
• A economia
• Os tratados de "paz"
• A Proclamação da
República
• Contexto histórico
• Movimentos sociais
• As consequências da Primeira Guerra
• Os governos
republicanos: o
governo Deodoro
• As questões de fronteira
• O Brasil e a Primeira Guerra Mundial
• As Revoluções Russas
de 1917
• Ciência e arte
• O governo Floriano
• O fascismo italiano
• A Crise de 1929
• O nazismo na
Alemanha
• O franquismo
e o salazarismo
A Segunda
Guerra Mundial
• Contexto e causas
• As fases da guerra
• Consequências
• O Brasil na Segunda
Guerra Mundial
QUADROS DE CONTEÚDO – História
99
1.º ano
A Idade Média
• Conceitos e divisões
A Alta Idade
Média
A Baixa Idade
Média
A Igreja na Idade
Média
A cultura
medieval
• Invasões bárbaras
• Origens do islamismo
• As Cruzadas
• A Igreja medieval
• Estrutura da sociedade feudal
• A expansão muçulmana
• O renascimento
comercial e urbano
• A ação da Igreja
• A educação na Idade
Média
• A cultura árabe
2.º ano
• O Império Bizantino
• A ciência na Idade
Média
• As artes na Idade Média
A crise do Antigo
Regime
Revoluções
e liberdade
O século XIX: Revolução Industrial e
utopias sociais
O processo da
Independência
Brasil Imperial
• As transformações
do século XVII
• A Revolução
Americana
• A Revolução Industrial
• A Colônia Portuguesa
em crise
• O Período Regencial
• A Revolução Inglesa
• As ondas revolucionárias
• O auge da crise
• O Segundo Reinado
• A Revolução Científica
• A Revolução
Francesa
• Iluminismo e liberalismo
• A Era Napoleônica
• As utopias do século XIX
• Nacionalismos e unificações
• A vinda da Família Real
De Juscelino
a João Goulart
A Ditadura Militar A Nova República
• Introdução
• Diretas-Já
• Introdução
• O governo Castelo
Branco
• O governo Sarney
• O governo Costa e Silva
• O governo Itamar
• O Primeiro Reinado
• Um país em ebulição
• A Restauração
A descolonização
Afro-Asiática
• Causas
3.º ano
• A independência da Índia
• A independência
da Indochina
• A descolonização africana
A Era Vargas
• Introdução
• O Governo Provisório
• O Governo
Constitucional
• O Estado Novo
• Política econômicofinanceira
• O trabalhismo
• O segundo mandato
de Vargas
100
• A herança de Vargas
• O Plano de Metas
• Outros aspectos
do governo JK
• O governo Médici
• A renúncia de Jânio
Quadros
• O governo Figueiredo
• O governo Geisel
• O governo Collor
• O governo FHC
• O governo Lula
• O governo João Goulart
QUADROS DE CONTEÚDO – História
Filosofia
A reintrodução da obrigatoriedade da disciplina de Filosofia, por meio do
Parecer n.º 38 do Conselho Nacional de Educação (CNE), de 16 de agosto de
2006, trouxe de volta um dilema. Desde o momento em que foi constituída
como pensamento, há mais de 2 600 anos (desde o embate entre o pensamento
de Platão e as teses dos sofistas), a filosofia traz consigo o problema de seu
ensino.
Numa tentativa de solucioná-lo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB n.o 9394/96) definiu que, no Ensino Médio, essa disciplina deve ter a
posição de “saber transversal” às disciplinas do currículo. O art. 36 determina
que, ao final do Ensino Médio, o aluno “deverá dominar os conhecimentos
de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania”. O caráter
transversal dos conteúdos filosóficos aparece com clareza nos documentos
oficiais, cumprindo a exigência da lei quanto à necessidade de domínio desses
conhecimentos, mas sem a exigência da introdução efetiva da disciplina na
matriz curricular das escolas de Ensino Médio.
Nessa perspectiva, a Filosofia perdeu seu estatuto de disciplina e foi reduzida
a uma ferramenta virtual necessária ao exercício da cidadania, sem, contudo,
espaço definido nos currículos escolares. A partir de sua obrigatoriedade,
foi superada a condição de disciplina complementar e seus conhecimentos
foram reconhecidos como fundamentais ao exercício da cidadania.
O material de Filosofia por nós proposto visa assegurar a síntese da recente
discussão acerca dos conteúdos dessa disciplina. Ou seja, ao mesmo tempo
pretende garantir a especificidade de seu conteúdo e debater transversalmente com as demais disciplinas da área de ciências humanas.
FUNDAMENTAÇÃO – Filosofia
101
Concepção e objeto de estudo
Platão acreditava que, sem uma noção básica das técnicas de persuasão, a prática do ensino da filosofia teria efeito nulo sobre os jovens. Também considerava
que se o seu ensino se limitasse à transmissão de “técnicas” de sedução do ouvinte,
por meio de discursos, o perigo seria outro: a filosofia favoreceria posturas polêmicas, como o relativismo moral ou o uso pernicioso do conhecimento.
Neste material, buscou-se um permanente equilíbrio entre as “técnicas” das
várias escolas filosóficas e a relativização da vida da sociedade contemporânea (em
permanente mudança), a fim de proporcionar aos alunos elementos que lhes permitam superar os novos dilemas que a liberdade de pensar sempre nos impõe.
Por meio da ação filosófica, formam-se espíritos livres, reflexivos e responsavéis diante dos grandes problemas contemporâneos.
A sociedade atual impõe ao ser humano algumas tarefas: descobrir a importância de compreender as lógicas da natureza, da sociedade e do universo; ser crítico, de modo a não aceitar passivamente o critério da autoridade ou da tradição
para tornar válida uma ideia; valorizar a experimentação; separar os campos da fé
e da razão, ao mesmo tempo em que confia na razão como instrumento para obter
o conhecimento objetivo do mundo.
O pensamento contemporâneo é resultado das preocupações do homem,
principalmente no tocante à historicidade, à sociabilidade, à secularização da consciência e ao antidogmatismo. Somam-se a isso acontecimentos históricos como o
Iluminismo, a Revolução Francesa, a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.
A fim de possibilitar uma sólida compreensão da contemporaneidade, um dos
nossos objetos de estudo será a história da filosofia, marcada pelo pluralismo filosófico, o que permite pensar de maneira específica cada um dos conteúdos apresentados em nosso material.
Evidentemente, cada processo de escolha determina ausências e toda
ausência gera questionamento. Por que não adotamos simplesmente um percurso cronológico seguindo a história da filosofia? Porque procuramos garantir que o ensino dessa disciplina não perca algumas características essenciais, como a capacidade de dialogar de forma crítica e mesmo provocativa
com o presente. As experiências com abordagem estritamente cronológica não
costumam favorecer esse diálogo que, em última análise, prima por proporcionar
as ferramentas para que cada aluno seja um sujeito crítico de sua história.
Abordagem metodológica
A preocupação maior com relação à delimitação de metodologias para o
ensino de Filosofia, assunto muito debatido na história dessa disciplina, é garantir
que os métodos de ensino não lhe deturpem o conteúdo. A ideia de que em conteúdos como moral e política praticamente não há verdades absolutas é tese defendida
com frequência por filósofos. Ocorre que essa discussão, ao ser transposta para o
102
FUNDAMENTAÇÃO – Filosofia
ensino, torna inevitável o estranhamento que a ausência de conclusões definitivas
provoca nos alunos. Essa é uma característica da filosofia, que, como lição preliminar a qualquer conteúdo filosófico, deve ser bem compreendida.
Isso não significa que o conhecimento filosófico não leva a lugar algum e que,
por isso, é somente um ponto de partida em um mundo tão dominado pelas certezas da ciência.
Embora a filosofia e a ciência tratem dos mesmos problemas, a abordagem
filosófica é diferente. A filosofia se ocupa de questões cujas respostas estão longe
de serem obtidas pela ciência. Problemas como a estrutura do universo, a origem
das noções de bem e de mal, os efeitos que a consciência humana projeta sobre o
mundo, entre outros, são temas discutidos mais propriamente pela filosofia porque
ainda são desafiantes e carecem de respostas científicas.
Diante disso, são muitas as possibilidades para construir um planejamento
de ensino dessa disciplina. Para esse propósito, elegemos os seguintes conteúdos
estruturantes:
• Mito e filosofia
• Teoria do conhecimento
• Ética
• Filosofia política
• Estética
• Filosofia da ciência
Cabe lembrar que os conteúdos apresentados recebem tratamento diverso,
pois é preocupação metodológica deste material destacar as especificidades, para
não gerar anacronismos nem verdades absolutas.
Objetivos
Na atual polêmica mundial e brasileira acerca dos possíveis sentidos dos valores éticos, políticos, estéticos e epistemológicos, a filosofia tem um espaço a ocupar e
uma contribuição a fazer. Basicamente gira em torno de problemas e de conceitos
que nos fazem pensar, por exemplo, na ética, na moral, na virtude, os quais, devidamente aplicados, geram discussões promissoras e criativas que desencadeiam,
frequentemente, ações e transformações. Por isso, permanecem atuais.
Um dos objetivos do Ensino Médio é a formação pluridimensional e democrática, capaz de oferecer aos estudantes a possibilidade de compreender a complexidade do mundo contemporâneo, suas múltiplas particularidades e especializações.
Nesse mundo, que se manifesta quase sempre de forma fragmentada, o aluno não
pode prescindir de um saber que opere por questionamentos, por conceitos e por
categorias de pensamento, que busque articular o espaço temporal e o sócio-histórico em que se dá o pensamento e a experiência humana. Desse modo, são objetivos da disciplina de Filosofia:
FUNDAMENTAÇÃO – Filosofia
103
• proporcionar a compreensão da realidade na qual o aluno está inserido,
por meio dos condicionantes da prática social e da sua construção histórica;
• problematizar a respeito desses condicionantes, para compreender os
componentes ideológicos e os interesses que fazem com que as desigualdades se perpetuem sem que sejam contestados;
• levar o aluno a construir o caminho para a superação da sua realidade
social por meio da reflexão crítica.
Características da estrutura didática
do material e propostas de atividades
O trabalho desenvolvido nesta coleção tem sua especificidade na concretização da relação do aluno com os problemas suscitados, na busca de soluções nos
trechos de textos filosóficos selecionados e na investigação que conduz à criação
de conceitos.
Outra situação quanto ao ensino da Filosofia no Ensino Médio diz respeito
àquilo que se pretende ensinar. A escola habituou o aluno a identificar a aprendizagem com a aquisição de conteúdos estáveis de conhecimento, acumulados progressivamente.
Muitos concursos vestibulares reforçam essa prática com programas de
conteúdos que devem ser aprendidos e medidos por meio de prova. Com a
inclusão da Filosofia nos concursos vestibulares e nas provas do ENEM,
deve-se ter o cuidado em não transformá-la em conhecimentos estanques,
segundo a ótica de determinada escola filosófica ou de determinada doutrina
ou autor. Esse tipo de encaminhamento não é adequado ao ensino de Filosofia,
conforme os motivos já expostos na abordagem metodológica.
Do ponto de vista didático-pedagógico, considera-se que o ensino de qualquer
das disciplinas do currículo escolar não pode prescindir de conteúdos objetivamente mediadores da construção do conhecimento. Por isso, o currículo de Filosofia responde a duas exigências que atendem à fundamentação dessa proposta:
• o ensino de Filosofia não se confunde com o simples ensino de conteúdos;
• a disciplina tem em seus conteúdos elementos mediadores fundamentais
para que possa desenvolver seu caráter específico: problematizar, investigar e criar conceitos.
Ao procurar romper com uma concepção enciclopédica de Filosofia, o material didático desta coleção não desvaloriza conteúdos que possam ser trabalhados
ao longo do percurso filosófico. A aprendizagem estará articulada à atividade reflexiva do sujeito, que aprende enquanto interroga e age sobre sua condição.
104
FUNDAMENTAÇÃO – Filosofia
De fato, o ensino de Filosofia não se dá no vazio, no indeterminado, na generalidade, na individualidade isolada, mas requer do aluno compromisso consigo
mesmo, com o outro e com o mundo.
Os conteúdos devem estar vinculados à tradição filosófica, de modo a confrontar diferentes pontos de vista e concepções, para que o aluno perceba a diversidade
de problemas e de abordagens. Num ambiente de investigação, de análise e de descobertas, pode-se garantir aos alunos a possibilidade de elaborar, de forma problematizadora, suas próprias questões e tentativas de respostas.
Com esse objetivo, buscamos justificar e localizar cada conteúdo ao longo do
Ensino Médio, indicando possíveis recortes a partir de problemas sobre os quais
cada conteúdo nos leva a pensar. Assim, cada escola pode decidir em qual momento
oferecer a disciplina de Filosofia para seus alunos, se em uma série específica ou ao
longo dos três anos.
Para isso, dividimos os componentes que serão tratados em nosso material
didático em três grandes eixos, que podem ser trabalhados em sequência ou distribuídos ao longo das séries.
Referências
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Letras, 1997.
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(Coleção Trans).
MORA, F. Dicionário de filosofia. São Paulo: Loyola, 2001.
GALLO, S.; KOHAN, W. O. (Org.). Filosofia no ensino médio. Petrópolis: Vozes,
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REALE, G.; ANTISERI, D. História da filosofia: patrística e escolástica. São Paulo:
Paulus, 2003.
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Paulo, v. 6, n. 14, p. 157-166, jan./abr. 1992.
FUNDAMENTAÇÃO – Filosofia
105
Matriz de Conteúdos – Filosofia
2.º ano
1.º ano
Quadro de conteúdos
O princípio da
filosofia grega
O pensamento medieval
• Filosofia medieval
• A pólis grega e a filosofia
O pensamento na
modernidade
A filosofia e a
contemporaneidade
• Filosofia moderna
• Filosofia no século XIX
• Filosofia no século XX
• Sofistas
O problema do
conhecimento
Ética
Filosofia política
Estética
• Os valores morais e éticos
• A política: origem e fundamentos
• Os caminhos do saber
• A ética na Antiguidade
• A política na Grécia Clássica
• Filosofia da arte e o conceito de
beleza
• Conhecimento à moda grega
• A ética no Período Medieval
• O poder político na Idade Média
• A arte na Antiguidade
• Como o conhecimento é formado?
• A ética na modernidade
• A ética contemporânea
• Do estado de natureza para o
contrato social
• A arte no Período Medieval
• Crer para conhecer
• A arte na modernidade
• As tendências contemporâneas da
política
• A arte contemporânea
• O que o homem moderno pensava
sobre o conhecimento?
3.º ano
• O homem reconciliado com o
mundo
O homem em busca
do saber – a ciência
O homem como ser cultural O homem
O homem em sociedade
• O homem e o animal
• A vida
• A sociedade
• Ceticismo x dogmatismo
• Cultura
• A morte
• Cidadania
• O conhecimento científico
• Filosofia da linguagem
• O corpo
• Relações de trabalho
• A ciência na Antiguidade
• Consumo e indústria cultural
• A imaginação
• Responsabilidade social
• A ciência medieval
• Os meios de comunicação
• A afetividade
• Globalização
• A ciência na modernidade
• O amor
• A ciência contemporânea
• Bioética
106
QUADROS DE CONTEÚDO – Filosofia
Sociologia
Ao se retomar o ensino da sociologia no Ensino Médio, percebe-se o fato
de que, no Brasil, buscar a compreensão social e a compreensão crítica da
realidade significa percorrer um caminho marcado por intermitências. A
retirada dessa disciplina da grade curricular do Ensino Médio, no período
militar, demonstra o fato de ela estar atrelada a interesses de ordem política.
Isso pode ser percebido no art. 36, § 1.o, inciso III, da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação (Lei n.º 9394/96), o qual considera entre as finalidades do Ensino
Médio o domínio dos conhecimentos de Sociologia, assim como de Filosofia,
necessários ao exercício da cidadania.
Durante a regulamentação dessa lei, contudo, ocorreu uma profunda
alteração em seu sentido, pois foi apresentado como proposta o tratamento
interdisciplinar dos conteúdos de Sociologia. Sua especificidade e seu
caráter de obrigatoriedade foram, portanto, esvaziados. Essa nova derrota da
Sociologia impulsionou uma série de debates e de propostas de ações para
reverter essa situação em vários estados do país, uma vez que, até aquele
momento, a obrigatoriedade dessa disciplina não estava garantida.
A trajetória do ensino da Sociologia, caracterizada por frequentes
interrupções, trouxe à disciplina marcas que não podem ser ignoradas,
quando de sua reinserção no cenário educacional. Alguns aspectos
originários dessas interrupções dificultam a consolidação da disciplina em
muitas escolas. Entre esses itens, podemos destacar:
• a ausência de tradição curricular, que dificulta a construção de um espaço
estável nas grades curriculares;
• a carência de materiais didáticos adequados, o que torna limitado o ensino
da disciplina;
• a carência de pesquisa e de metodologias para esse nível e modalidade
de ensino implica, de algum modo, reprodução de métodos do ensino
superior, que já tem tradição nesses estudos em diversos cursos de
graduação.
É na tentativa de suprir essas carências que propomos o material de Sociologia
da Coleção Cidadania.
FUNDAMENTAÇÃO – Sociologia
107
Em nossa realidade contemporânea, não há mais espaço para debates
pretensamente neutros, como se fazia no positivismo do século XIX, pois
a sociologia tem a função de ir além da leitura e da interpretação teórica da
sociedade. De fato, tornou-se questionável explicar e compreender normas
sociais e institucionais pelo interesse de simplesmente adaptar sujeitos ao
meio, ou mesmo para que eles façam uma mera crítica da sociedade, com
base em um determinado capital cultural.
Espera-se da disciplina de Sociologia que contribua para que os sujeitos
(nesse contexto, os alunos) tenham recursos para analisar e desnaturalizar
conceitos dados historicamente como irrefutáveis. Espera-se também que,
por meio da pesquisa, os alunos desenvolvam o aprimoramento do senso
crítico e promovam a transformação de sua realidade e a conquista de uma
participação ativa na sociedade.
Os grandes problemas que vivemos atualmente, provenientes da globalização
econômica e da grande urbanização, em que os recursos naturais estão se
esgotando e a vida em grandes conglomerados urbanos ampliam o medo da
violência e a individualização, implicam a necessidade de novos instrumentais
para o conhecimento, para a crítica e para a intervenção social. É, pois, tarefa
inadiável da escola e da sociologia promover ações sociais e reflexão em
torno da realidade atual, bem como analisar e refletir a formação de novos
valores, de nova ética e de novas práticas, que indiquem a possibilidade de
construção de relações sociais e de cidadania mais inclusivas.
108
FUNDAMENTAÇÃO – Sociologia
Concepção e objeto de estudo
As inquietações que mobilizaram os primeiros sociólogos no final do século
XIX, após a Revolução Industrial, em muitos aspectos se aproximam das nossas
preocupações. No entanto, é importante compreender as modificações verificadas
nas relações sociais, decorrentes das mudanças estruturais geradas pela formação
de um novo modo de produção econômica.
Embora consolidado, o sistema capitalista não cessa de se transformar
dinamicamente e assume formas de produção e de distribuição nunca imaginadas
pelos precursores do estudo da sociedade, o que implica novas formas de olhar,
de compreender e de atuar socialmente.
Conhecer as várias concepções sociológicas torna-se de importância central
na construção do pensamento social, sobretudo no contexto escolar. Por meio
de tais conceitos, o docente reflete e orienta criticamente sua ação pedagógica,
e o aluno do Ensino Médio tem acesso a outros saberes, elaborados de forma
rigorosa e crítica, acerca da realidade, a qual ele poderá também relacionar com
as demais disciplinas que está estudando.
De fato, uma visão plural das concepções sociológicas possibilita ao professor
e ao aluno, cada um em seu nível de compreensão, alterar qualitativamente sua
prática social. A sociologia clássica e a contemporânea permitem esclarecer
muitas questões acerca de desigualdades e de práticas sociais, econômicas,
políticas e culturais da sociedade brasileira.
Nessa perspectiva, estamos descartando a neutralidade, a imparcialidade, o
descompromisso, o conformismo, a ausência de historicidade. Propomos para
a Coleção Cidadania uma Sociologia Crítica que pesquisa, reflete e analisa
a realidade em sua perspectiva de prática e de crítica social. Dessa relação,
propomos alguns questionamentos, tais como: Quais seriam as causas das
desigualdades sociais? Quais as adversidades e os antagonismos presentes no
meio social em que vivem os alunos e os professores, considerando o espaço
local e global?
Sob a ótica da sociologia crítica, essas questões podem ser analisadas
conforme as diversas perspectivas dos grupos e das classes sociais, situados num
dado contexto histórico, utilizando-se uma análise que deve incluir as distintas
interpretações sistematizadas acerca de tais perspectivas.
Na escola, o pensamento sociológico só se consolidará quando houver a
articulação entre experiências e conhecimentos fragmentados, com experiências
e conhecimentos sendo compreendidos como totalidades complexas.
FUNDAMENTAÇÃO – Sociologia
109
A partir desses pressupostos, procuramos dar um tratamento teórico aos
problemas decorrentes do modo como a sociedade baseada na economia de
mercado está organizada, cujas características mais evidentes são:
• desigualdades sociais e econômicas
• exclusão do mundo do trabalho
• relações sociais conflituosas
• problemas socioambientais
• negação e afirmação da diversidade cultural, de gênero e étnico-racial
Em síntese, trata-se de reconstruir dialeticamente com o aluno do Ensino Médio
os conhecimentos de que ele já dispõe, bem como apresentar conceitos e teorias
sociológicas de maneira que este alcance um nível de compreensão mais elaborado
em relação à conjuntura histórica na qual se situa. Mais que isso, que ele possa intervir
na realidade com sua capacidade de transformar as práticas sociais.
Desde a sua constituição como conhecimento sistematizado, ainda no século
XIX, a sociologia tem contribuído para ampliar o conhecimento dos homens
sobre sua própria condição de vida e, fundamentalmente, para a análise das
sociedades, isso ao compor, consolidar e alargar um saber especializado, pautado
em teorias e em pesquisas que buscam esclarecer muitos dos problemas da vida
em grupo.
A sociologia se afirmou durante o desenvolvimento e a consolidação do
capitalismo, por isso traz a especificidade de, simultaneamente, fazer parte
e procurar explicar a sociedade capitalista como forma de organização social.
Contudo, não há uma única forma de explicar sociologicamente a realidade; cada
perspectiva depende de posicionamentos políticos e paradigmáticos distintos,
o que confirma o princípio de que não há neutralidade científica em análises do
social, como foi pensado nos primórdios da disciplina.
O tratamento dos conteúdos pertinentes à sociologia se fundamenta e se
sustenta em teorias originárias de diferentes tradições sociológicas, cada uma
com seu potencial explicativo. A ciência, dessa forma, pode ser mobilizada para
a conservação ou para a transformação da sociedade. Como disciplina escolar,
a sociologia deve acolher essa particularidade (das diferentes perspectivas
teóricas) e, ao mesmo tempo, recusar qualquer espécie de síntese, assim como
encaminhamentos pedagógicos de ocasião, carentes de método e de rigor.
No século XX, três diferentes linhas teóricas clássicas, sistematizadas por Émile
Durkheim, Karl Marx e Max Weber, alicerçaram (e ainda alicerçam) concepções
sociológicas contemporâneas. Entre essas concepções, destacam-se as de Antony
Giddens, de Pierre Bourdieu e do brasileiro Florestan Fernandes. Cada uma, a sua
maneira, elege conteúdos, temáticas, problemáticas e metodologias concernentes
ao contexto histórico em que foram construídas e buscam interpretar e dar
respostas aos problemas da realidade contemporânea.
110
FUNDAMENTAÇÃO – Sociologia
Ressalte-se que, como disciplina acadêmica e escolar, a história da sociologia
não está desvinculada dos fundamentos teóricos e metodológicos que a constituem
como campo científico mais abrangente. É preciso destacar nos teóricos clássicos
suas concepções de sociedade e, também, suas concepções de educação, já que
uma está relacionada à outra e orientam mutuamente campos de ação política e,
por conseguinte, de ação educacional.
Abordagem metodológica
Propõe-se metodologicamente, neste material didático, que o ensino da
sociologia seja fundamentado em conteúdos estruturantes, que não se resumem
a uma listagem de temas e conceitos encadeados de forma rígida.
Esses conteúdos propostos são representativos dos grandes campos do saber,
da cultura e do conhecimento universal, e devem ser compreendidos a partir da
práxis pedagógica como construção histórica. De fato, os conteúdos de sociologia
são conhecimentos de grande amplitude, são conceitos e práticas que identificam
e organizam campos de estudo considerados centrais e básicos para compreender
os processos de construção social. Tais elementos norteiam professores e alunos
na seleção, na organização e na problematização dos conteúdos específicos, a
partir das necessidades locais e coletivas, sem perder a busca da totalidade, nas
inter-relações e não apenas na simples soma das partes.
O ensino da sociologia deve ser conduzido de modo que os fenômenos sociais
sejam explicados e entendidos longe do senso comum. Isso tudo em busca de uma
síntese que favoreça a leitura das sociedades e suas representações, e leve à superação
de sua realidade, se necessário. Embora não esteja dividida em áreas ou conteúdos
disciplinares, o ensino da sociologia requer que o tema seja tratado por partes, a fim
de torná-lo compreensível e acessível a um maior número de alunos.
Os elementos analíticos do conhecimento sociológico não podem ser
estudados em si mesmos nem podem ser estanques; devem estar em contínuo
diálogo com as transformações socioeconômicas, culturais e políticas do mundo
contemporâneo. Assim, sem essa relação, é impossível à sociologia debater
exclusão, desemprego, violência urbana e no campo, segurança, cidadania,
consumo, individualismo, reforma agrária, educação e saúde, ou seja, não
se podem estudar esses aspectos desvinculados de outros mais amplos, tais
como a transnacionalização da economia, a sujeição de países às exigências do
capitalismo, o superdimensionamento do mercado, os limites do Estado-Nação,
o mercantilismo nas relações sociais, os conflitos étnico-raciais, a celebração da
cultura de massas, os estilos de vida individualistas e consumistas. Ou seja, os
problemas aparentemente locais são decorrentes de macromovimentos globais.
FUNDAMENTAÇÃO – Sociologia
111
Não se pretende, contudo, responder à totalidade das implicações relacionadas à
sociologia, pois nelas estão presentes a dimensão e a dinâmica próprias da sociedade
e do conhecimento científico que as acompanha. Estas, inclusive, não devem ser mais
ignoradas numa análise atenta e crítica.
Ressalte-se que os conteúdos estruturantes e os conteúdos específicos
propostos devem ser desenvolvidos de modo inter-relacionado, conforme a
sequência que o professor considerar mais adequada e, sobretudo, podem ser
rearticulados e revistos sempre que uma nova questão a eles relacionada se
apresente.
Os conteúdos estruturantes da disciplina de Sociologia aqui propostos são:
• O processo de socialização e as instituições sociais
• A cultura e a indústria cultural
• Trabalho, produção e classes sociais
• Poder, política e ideologia
• Cidadania e movimentos sociais
Objetivos
• Identificar os elementos contemporâneos de socialização, tais como
inserção, construção e transmissão de valores, normas e regras capazes
de desenvolver a vida em sociedade. Isso constitui o processo que possibilita compreender as diferentes formas de organização social.
• Estudar sociologicamente as instituições sociais e conseguir recuperar
sua historicidade nos diversos grupos humanos, a fim de que sejam desnaturalizadas e, posteriormente, sofram crítica e explicação de aspectos
aparentemente estáticos e imutáveis.
• Refletir a respeito das mudanças de atitudes, a fim de que se ampliem as
condições de cidadania dos estudantes.
• Contribuir para o desenvolvimento do pensamento analítico, livre de
noções preconceituosas e deterministas acerca das relações sociais.
• Compreender como a cultura se reproduz e se transforma, entendendo
rupturas e permanências culturais.
• Contrapor as características da cultura hegemônica, marcada sobretudo
por interesses políticos e econômicos, às das culturas diversificadas, já
que a sociedade se compõe de vários e distintos grupos.
112
FUNDAMENTAÇÃO – Sociologia
Estrutura Didática
e Propostas Pedagógicas
Para o ensino da sociologia no Ensino Médio, propõe-se que sejam
redimensionados aspectos da realidade por meio de uma análise didática e crítica
das questões sociais, visto que a dinâmica da sociedade e do conhecimento
científico que os acompanha, como vimos, é provisória e, portanto, não
constitutiva de uma dimensão fixa de totalidade.
Ressalte-se que os conteúdos estruturantes e os conteúdos específicos deles
desdobrados não devem ser pensados e apresentados de maneira autônoma,
como se bastassem por si próprios. Da mesma forma, eles também não exigem
uma obediência sequencial. Ou seja, apesar de estarem articulados, é possível
o estudo e a apreensão pelos alunos de cada um desses conteúdos sem a
necessidade de vinculação direta com os demais.
Este material didático sugere que a disciplina seja inicialmente abordada com
uma breve contextualização da construção histórica da sociologia e das teorias
sociológicas fundamentais, as quais devem ser constantemente retomadas, numa
perspectiva crítica, para fundamentar teoricamente as várias possibilidades de
explicação sociológica.
O conhecimento sociológico deve ir além da definição, da classificação,
da descrição e do estabelecimento de correlações dos fenômenos da realidade
social. É tarefa primordial do conhecimento sociológico pesquisar, explicitar e
explicar problemáticas sociais concretas e contextualizadas, a fim de discutir,
rever e desconstruir prenoções e preconceitos que quase sempre dificultam o
desenvolvimento da autonomia intelectual e de ações políticas direcionadas à
transformação social. Cada realidade escolar, portanto, pode escolher a melhor
temporalidade para a sua realidade específica, sem qualquer prejuízo para o
conhecimento sociológico.
Aprender a pensar sobre a sociedade em que vivemos e, consequentemente,
a agir nas diversas instâncias sociais implica, antes de tudo, uma atitude ativa e
participativa. O ensino da sociologia pressupõe metodologias que coloquem o
aluno como sujeito de seu aprendizado. Não importa que o encaminhamento seja
feito por meio da leitura, do debate, da pesquisa de campo ou da análise de filmes,
o que importa é o aluno seja constantemente provocado a relacionar a teoria com
o vivido, a rever conhecimentos e a construir coletivamente novos saberes.
Pela apropriação e pela reconstrução do conhecimento sistematizado,
cabe à educação escolar garantir ao aluno, também, a compreensão crítica
das mudanças ocorridas no processo histórico brasileiro, em suas várias
características: urbanização, mercado de trabalho, relações étnicas, relações de
gênero e transformações socioculturais.
FUNDAMENTAÇÃO – Sociologia
113
Referências
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BENEDICT, R. Padrões de cultura. Lisboa: Livros do Brasil, s/d.
CANCLINI, N. G. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: Edusp, 2003.
CLASTRES, P. As sociedades contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.
DE DECCA, M. A. G. Indústria, trabalho e cotidiano: Brasil – 1889 a 1930. São Paulo: Atual, 1991.
FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959.
HALL, S. Identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
JOANILHO, A. L. Revoltas e rebeliões. 12. ed. São Paulo: Contexto, 1989. (Coleção Repensando a História).
LAHUERTA, M. Intelectuais e resistência democrática. Cadernos AEL, Campinas, Unicamp/IFCH,
n. 14-15, 2001.
MAQUIAVEL, N. Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
______. O príncipe. São Paulo: Centauro, 2001.
MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1992.
MOLLO, M. de L. R. A concepção marxista de Estado: considerações sobre antigos debates com
novas perspectivas. Revista Economia (ANPEC), Brasília, v. 2, n. 2, jul./dez. 2001.
ORTIZ, R. Cultura brasileira e identidade nacional. São Paulo: Cia das Letras, 1996.
______. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1996.
ROUSSEAU, J. J. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, s/d.
Matriz de Conteúdos – Sociologia
O conhecimento em ciências sociais
• O desenvolvimento do pensamento social
1.º , 2.º e 3.º ano
• As ciências sociais no Brasil
Relação sociedade – natureza:
rrabalho e meio ambiente
Estrutura e estratificação social:
desigualdades sociais
• A relação sociedade – natureza na perspectiva
do trabalho e da cultura
• Estrutura e estratificação social
• A divisão do trabalho e as várias formas de
trabalho: escravo, servil e assalariado
• As desigualdades sociais no Brasil
As sociedades e o Estado
Indivíduo, sociedade e cultura
• O surgimento do Estado
• O homem: um ser social
Mudanças e transformações
sociais
• O surgimento e o desenvolvimento do Estado
moderno
• A cultura
• A mudança social
• Diversidade, uniformidade cultural
e subculturas
• Identidade e sociedade no Brasil
• Transformações no Estado
• A formação dos modernos Estados nacionais
• Mudanças políticas
• Movimentos sociais: os direitos civis,
políticos e sociais
• Estado nacional no mundo atual
114
• As várias formas de desigualdades sociais
A sociologia como meio de
conhecimento
Métodos da sociologia
• A sociologia, para que serve?
Métodos sociológicos aplicados
ao mundo contemporâneo
• A sociedade no século XXI
• A sociologia crítica
• A sociologia diante do novo
• A sociologia e o mundo contemporâneo
• Métodos sociológicos
• Estados nacionais e política global
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