Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 1 ARTIGOS COMPLETOS ...................................................................................................................2 RESUMOS SIMPLES .......................................................................................................................27 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS......................................................................................................31 Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 2 ARTIGOS COMPLETOS ASSOCIAÇÕES ENTRE ESTRUTURAS ALGÉBRICAS ...........................................................3 INTRODUÇÃO AOS GRUPOS LINEARES ...............................................................................12 PONTO FIXO DE BANACH........................................................................................................20 Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 3 ASSOCIAÇÕES ENTRE ESTRUTURAS ALGÉBRICAS Marcos Fabiano Firbida Eduardo¹, Natália Caroline Lopes da Silva¹, Nickson Moretti Jorge¹ Antonio Carlos Tamarozzi² ¹Acadêmicos do Curso de Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ([email protected]). ²Professor Associado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Trabalho financiado pelo programa PIBIC/UFMS. Resumo Uma Álgebra de Lie é um Espaço Vetorial L, munido de um produto, isto é, uma aplicação de L L a valores em L, com propriedades especiais, mas que tem uma construção similar à utilizada em estruturas algébricas mais simples, como Grupos, Anéis e Corpos. A Teoria de Lie tem aplicações relevantes na Matemática, como também tem sido extensivamente aplicada na Física contemporânea, sendo tema recorrente em muitos projetos de pesquisa. No desenvolvimento deste trabalho propomos investigar componentes de uma Álgebra de Lie, como submódulos, ideais e subalgebras de Lie, o que propicia a capacidade de estabelecer conexões entre as principais estruturas algébricas, generalizar conceitos e resultados e compreender particularidades. Palavras-chave: Módulo; Álgebra; Álgebra de Lie. Introdução e justificativa A Teoria de Lie teve sua origem por volta de 1870, com Sophus Lie, motivado a partir da idéia de se estudar Equações Diferenciais sob o mesmo enfoque adotado por Evariste Galois com relação às Equações Algébricas. As teorias de Álgebras e Grupos de Lie e suas representações, ou, simplesmente, Teoria de Lie, têm sido extensivamente aplicadas na Matemática e Física teórica contemporâneas, como, por exemplo, na análise de Equações Diferenciais e na Física de altas energias. O estudo desta teoria é, portanto, muito relevante e, por isso, tem sido tema recorrente em projetos de pesquisa e trabalhos de pós-graduação. Em geral, os cursos de Matemática das universidades brasileiras possuem uma grade curricular, na qual, os conteúdos de Álgebra são distribuídos entre duas disciplinas de Álgebra Abstrata e uma disciplina de Álgebra Linear. Enquanto que a Álgebra Abstrata explora as estruturas algébricas de Grupos, Anéis e Corpos, a Álgebra Linear se ocupa dos Espaços Vetoriais, operadores lineares e de suas representações. Mesmo em cursos de Bacharelado, salvo raras exceções, a limitação da carga-horária impõe que os conteúdos da Álgebra Abstrata e da Álgebra Linear sejam abordados de maneira estanque, sem apresentar e explorar as inter-relações entre eles. Apenas para citar um exemplo, uma breve consulta na bibliografia comumente utilizada nas disciplinas de Álgebra Linear revela que os livros definem um Espaço Vetorial sem mencionar que, na Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 4 verdade, trata-se de uma estrutura algébrica de Grupo aditivo com uma operação externa, via escalares em outra estrutura algébrica: um Corpo. Perdem-se, portanto, oportunidades de simplificar abordagens, investigar relações e explorar aplicações advindas de conteúdos anteriormente estudados. Metodologia Para a construção deste trabalho, partimos inicialmente do estudo isolado das principais estruturas algébricas: grupo, anel, corpo, módulo, espaço vetorial, álgebra e álgebras de Lie. Esta abordagem, embora clássica e encontrada na maioria das referências bibliográficas disponíveis na área de álgebra, permite estudar com profundidade as particularidades de cada estrutura. Por outro lado, o desenvolvimento teórico conjunto, além de simplificar definições, constrói uma rede de associações entre as estruturas algébricas com impacto relevante para o estabelecimento de conexões e generalização de conceitos. Ao longo do trabalho, identificamos e exploramos técnicas de importância comum entre as estruturas algébricas desenvolvidas, em particular, definições de subestruturas, homomorfismos e quocientes. Resultados e Discussões Estruturas Algébricas A estrutura de Grupo é fundamental na Álgebra Abstrata, sendo que outras estruturas algébricas importantes podem ser descritas a partir da mesma. Dado G um conjunto não vazio e uma operação : G G G , dizemos que G é um grupo se satisfaz as seguintes condições: i) Associatividade, isto é, a (b c) (a b) c, a, b, c G ii) Existe um elemento neutro, isto é, e G tal que a e a e a, a G iii) Todo elemento possui um elemento inverso, isto é, a G, b G tal que a b b a e Dizemos que o grupo G é abeliano ou comutativo se valer: iv) Comutatividade, isto é, a b b a, a, b G Consideremos um grupo abeliano G. Se definirmos em G uma nova operação, que admite as propriedades associativa e distributiva em relação à operação do grupo, Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 5 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 obteremos assim uma nova estrutura, denominada anel. Formalmente, dado (G, ) um grupo abeliano, no qual pode ser definido uma outra operação , diremos que G é um anel se a operação verifica as seguintes propriedades: i) Associatividade, isto é, a (b c) (a b) c, a, b, c G ii) A operação é distributiva em relação à operação +, isto é, a,b,c G a(b+c) a.b+ac e (b+c) a ba +ca Por uma questão de simplicidade de representação e linguagem, as operações + e são chamadas adição e multiplicação, respectivamente e utilizaremos ab para denotar a b . Assim, todo anel é um grupo relativo à operação de adição. Ainda no caso acima, consideremos 0 o elemento neutro aditivo de G. Se o conjunto G \{0} formar um grupo abeliano, e valer a propriedade distributiva da multiplicação em relação à adição, teremos uma nova estrutura, à qual chamamos corpo. Agora, sejam V um conjunto não vazio e K um corpo. Suponhamos que possam estar definidas as seguintes operações: :V V V , que associa a cada par de vetores (u, v) V um vetor u v V chamado soma de u e v , e : K V V que associa a cada elemento k K e a cada vetor v V o vetor k v V . Denominaremos V como um espaço vetorial sobre o corpo K se, para quaisquer a, b K e u, v V , forem satisfeitas as propriedades: i) (V , ) é um grupo abeliano ii) a(b v) (ab) v iii) (a b) v a v b v iv) a (u v) a u a v v) 1 v v Os elementos do corpo K são chamados escalares enquanto os elementos de V são chamados vetores. A estrutura de Módulo é uma generalização de Espaço vetorial, onde restringimos os escaleres a um anel. Assim, dado R um anel qualquer, um conjunto não vazio M é dito R módulo ou módulo sobre R , se M é um grupo abeliano em relação a operação de adição, onde é satisfeito: i) r (a b) ra rb, r R, a, b M Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 6 ii) r ( sa) (rs )a, r , s R, a M iii) (r s )a ra sa, r , s R, a M Se R possuir elemento unidade 1 e 1 m m para qualquer elemento m M , então M é denominado um R módulo unitário. Notemos que se R for um corpo, um R módulo unitário é um R espaço vetorial. Exemplos: 1 – Todo grupo abeliano A é um módulo sobre o anel dos inteiros. De fato, basta observarmos que, para quaisquer z Ժ, a A, zg g g g , se z 0 enquanto que zg ( g ) ( g ) ( g ) , se z 0 . 2 – Todo anel R é um R módulo sobre si mesmo. De fato, na definição de módulo dada acima, devemos ter que r , m R, rm R satisfazendo as três propriedades dadas. Mas estas condições decorrem imediatamente do fato de R ser uma anel. Álgebras Seja V um K espaço vetorial. Existem espaços vetoriais sobre um corpo K, nos quais a multiplicação de vetores pode ser também realizada. Isto ocorre, particularmente quando V for também um anel. Uma álgebra sobre um corpo é um espaço vetorial V com uma operação binária de multiplicação de vetores, que satisfaz: i) ( x y ) z xz yz e x( y z ) xy xz , para quaisquer x, y, z V ii) (ax)(by ) (ab)( xy ) , para quaisquer a, b K , x, y V . Quando a propriedade associativa da multiplicação na álgebra V for satisfeita, teremos uma álgebra associativa. Ou seja, diz-se que V é uma álgebra associativa, se para quaisquer x, y, z V valer que x( yz ) ( xy ) z . Quando a álgebra é associativa, podemos sem ambigüidade denotar produtos triplos como x(yz) e (xy)z simplesmente por Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 7 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 xyz. Uma álgebra V é dita ser uma álgebra comutativa ou uma álgebra abeliana se para todos x, y V, tivermos xy yx. Exemplos e observações: 3 – Seja V Mn(R) , o espaço das matrizes quadradas de ordem n com entradas reais. Então V é uma álgebra associativa sobre o corpo K , onde a operação de multiplicação é a multiplicação usual de matrizes. Notemos que este é um exemplo de álgebra associativa, mas não comutativa. 4 – Note que se ocorrer de V ser uma álgebra associativa sobre um corpo K , temos então que V com suas operações de soma e multiplicação de vetores formam um anel. Logo, pelo fato de V ser um anel, do exemplo 2 segue que podemos fazer de V , um V módulo sobre si mesmo. 5 – Pode ser provado que em uma álgebra V, o produto por escalares comuta com o produto da álgebra e é distributivo em relação a ele, ou seja: para todos x, y em V e a em K vale a(xy)(ax)yx(ay). Álgebras de Lie Agora vamos definir e explorar as propriedades de uma classe especial de álgebras, a chamada Álgebra de Lie, que tem definição baseada no conceito de colchete de Lie. Uma álgebra de Lie é um K espaço vetorial L munido de uma operação binária L L L , tal que ( x, y ) [ x, y ] , chamada colchete de Lie, que goza das seguintes propriedades: i) o colchete de Lie é bilinear, isto é, [ax by, z ] a[ x, z ] b[ y, z ] e [ z , ax by ] a[ z , x] b[ z , y ] , para quaisquer escalares a, b K e quaisquer x, y, z L ; ii) o colchete de Lie é anti-simétrico, isto é, [ x, x] 0 para qualquer x L ; iii) A identidade de Jacob, [ x,[ y, z ]] [ y,[ z, x]] [ z ,[ x, y ]] 0 é satisfeita para quaisquer x, y, z L . O colchete de Lie, em geral, não é associativo. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 8 Se x1 , x2 , , xn L então o produto [ x1 , x2 , , xn ] de n fatores é definido, para n 2 como: [ x1 , x2 , , xn ] [[ x1 , x2 , , xn 1 ], xn ] . Assim, a identidade de Jacobi pode ser escrita como [ x, y, z ] [ y, z , x] [ z , x, y ] 0 Uma estrutura algébrica bem conhecida é o chamado Anel de Lie, que fundamenta quase toda o ramo da álgebra conhecido como Teoria de Lie. Um anel de Lie nada mais é que uma estrutura algébrica com as mesmas propriedades de uma álgebra de Lie, sendo que os escalares estão no anel dos inteiros. Observemos que a propriedade [x,x] 0, x L, identifica a anti-simetria em uma á Lie L, porque: 0 [ x y , x y ] [ x , x y ] [ y , x y ] [ x , x ] [ x, y ] [ y , x ] [ y , y ] . E da igualdade acima resulta facilmente que, [ x, y ] [ y, x] . Reciprocamente, se [ x, y ] [ y, x] , para quaisquer x, y L , temos que [ x, y ] [ y, x] 0 , para quaisquer x e y . Em particular, se x y , temos que 2[ x, x] 0 , de onde concluímos que [ x, x] 0 . Exemplos: 6 – O espaços das matrizes quadradas reais M n ( ) é uma álgebra de Lie com o colchete definido por: [ A, B] AB BA . De fato, dados a, b e A, B, C M n ( ) temos i) [aA bB, C ] (aA bB)C C (aA bB) aAC bBC aCA bCB a ( AC CA) b( BC CB) a[ A, C ] b[ B, C ] . Analogamente, mostra-se que [C , aA bB] a[C , A] b[C , B] . Logo o colchete é bilinear; ii) [ A, A] AA AA 0 , portanto o colchete é anti-simétrico; iii) [ A, [ B, C ]] [ B,[C , A]] [C ,[ A, B]] A[ B, C ] [ B, C ] A B[C , A] [C , A]B C[ A, B] [ A, B]C A( BC CB ) ( BC CB ) A B (CA AC ) (CA AC ) B C ( AB BA) ( AB BA)C ABC ACB BCA CBA BCA BAC CAB ACB CAB CBA ABC BAC 0 . Ou seja, o colchete satisfaz a identidade de Jacob. 7 – Seja V um espaço vetorial qualquer. Defina: [ x, y ] 0 , para quaisquer x, y V . É imediato verificar que V , munido deste colchete de Lie, é uma álgebra de Lie. As Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 9 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 álgebras de Lie com colchete definido desta forma recebem o nome de álgebras de Lie abelianas. Seja V uma álgebra de Lie com colchete [, ] e W um subespaço vetorial de V . Diz-se que W é uma subálgebra de Lie de V se, e somente se, para quaisquer x, y W tem-se que [ x, y ] W . Assim, toda subálgebra de Lie de uma álgebra de Lie também é uma álgebra de Lie. Sejam L uma Álgebra de Lie e U, V subespaços de L. Veremos como podemos obter dois novos subespaços de L : i) Definimos [U ,V ] como sendo o subespaço de L gerado por todos os produtos [u, v] com u U , v V , isto é [U , V ] [u , v] | u U , v V ii) Escrevemos U V {u v | u U , v V } e temos que U V é um R - subespaço de L , e valem U V V U e (U V ) W U (V W ) . Das definições, temos as propriedades a seguir: a) [U ,V ] [V ,U ] . De fato, [U , V ] [u , v] | u U , v V [u , v] | u U , v V [V , U ]. b) Se U V , então [U , W ] [V ,W ] . De fato, seja x [U ,W ] . Então x [u, w] , com u U , w W . Como U V temos que u U u V . Logo x [u , w] [V , W ] . c) [U V ,W ] [U ,W ] [V , W ] e [U ,V W ] [U ,V ] [U ,W ] . Segue imediatamente da propriedade (i) da definição de álgebra de Lie. O produto [U,V] acima definido pode ser estendido para um n úmero (finito) qualquer se subespaços: Definição: Sejam L uma R -álgebra de Lie e U1 , ,U n R -subespaços de L . Definimos [U1 , ,U n ] como sendo o R -subespaços gerado por todos os produtos [u1 , , un ] com ui U i , i 1, , n Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 10 Verifica-se facilmente, por indução sobre n, que [U1 , , U n ] [[U1 , , U n 1 ], U n ] para todo n 2 . Homomorfismo Um outro conceito comumente explorado nas estruturas algébricas é o conceito de homomorfismo. Os homomorfismos em Espaços vetoriais são conhecidos como transformações lineares, no entanto, para uma Álgebra, a transformação linear deve também agir na operação produto subjacente, para ser considerado um homomorfismo. Em particular, para álgebras de Lie, temos a seguinte definição Definição: Se L1 e L2 são R -álgebras de Lie, um homomorfismo de Lie de L1 em L2 é um homomorfismo de R -módulos : L1 L2 tal que [ x, y ] [ x , y ] , para quaisquer x, y L1 . Um automorfismo de uma álgebra de Lie é um isomorfismo dessa álgebra sobre si mesma. O produto de dois homomorfismos é um homomorfismo e os automorfismos de uma álgebra de Lie formam um grupo, denotado por Aut ( L) . Definição: Seja L uma álgebra de Lie e I um K -subespaço vetorial de L . Dizemos que I é um ideal da álgebra de Lie L , se [ I , L] I . Notação: I K L Facilmente podemos verificar que o núcleo de um homomorfismo é um ideal. De fato, se : L1 L2 é um homomorfismo e v Nuc( ) , então v 0 . Daí, dados u L1 e v Ker ( ) , [u , v] [u , v ] [u , 0] 0 , logo [u , v] Nuc( ) . Conclusão A apresentação das estruturas algébricas mais comuns da literatura matemática pode ser feita de maneira construtiva e gradativa. Assim procedendo, as relações estabelecidas em cada passo da construção reforçam a aprendizagem dos conceitos anteriores, permitindo obter extensões substanciais. Uma álgebra de Le é uma estrutura algébrica que contempla simultaneamente as estruturas de grupo, anel, espaço vetorial e álgebra. A exploração de conceitos como Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 11 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 subálgebras, idéias, homomorfismos e quocientes, podem ser transportados imediatamente como generalizações simples das estruturas anteriores. Referências 1. GARCIA, A.; LEAQUIM, I. Álgebra, um Curso de Introdução, Rio de Janeiro, Impa, 1999. 2. GILMORE, R. Grupos de Lie, Álgebras de Lie, e algumas Aplicações, Rio de Janeiro, Editora Cengage Learning, 2008. 3. LOURENÇO, Mary & COELHO, Flavio Ulhoa, Um Curso de Álgebra Linear, 2ª Edição, São Paulo, Edusp, 2005. 4. KOSTRIKIN, A. Introduction to Algebra, Berlin, Springer-Verlag, 1986. 5. SAN MARTIN, L.B., Álgebras de Lie, 1ª.Edição, Editora: UNICAMP, Campinas, 1999. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 12 INTRODUÇÃO AOS GRUPOS LINEARES Pâmela Catarina de Sousa Brandão1, Antonio Carlos Tamarozzi2, Eugenia Brunilda Opazo Uribe2 1 Aluna do Curso de Matemática – CPTL/UFMS, bolsista do Grupo PET Conexões de Saberes – Matemática/CPTL/UFMS; e-mail: [email protected] 2 Professores do Curso de Matemática – CPTL/UFMS Resumo O trabalho apresenta um desenvolvimento teórico da teoria de grupos, objetivando definir e explorar propriedades de casos importantes desta estrutura, que são frequentemente utilizados em aplicações dentro e fora da Matemática. São apresentados exemplos importantes de grupos, como por exemplo, Grupo das permutações de grau n, Grupo Simétrico de grau n e alguns dos chamados grupos clássicos como Grupo Linear Geral, Grupo Linear Especial, Grupo Ortogonal e Grupo Ortogonal Especial. Para esta finalidade, foram explorados técnicas básicas da teoria dos grupos relacionadas a homomorfismos e isomorfismos, grupos cíclicos, classes laterais e Teorema de Lagrange. Palavras Chave: Teoria de Grupos, Grupos Lineares, Subgrupos Normais Introdução Segundo Eves (2004) o primeiro matemático a usar a palavra “grupo” em seu sentido técnico foi Galois (1811-1832), as pesquisas nesta área foram levadas adiante por matemáticos como Cauchy (1789-1857) e Cayley (1821 – 1895). O conceito de grupo é uma das idéias centrais da Matemática e a Teoria de Grupos é um campo de pesquisas muito produtivo em Matemática. A Teoria dos Grupos faz parte da chamada Álgebra Abstrata e é uma das áreas da Matemática que possuem muitas aplicações em várias ciências, como é o caso da física e da química. O objetivo do presente trabalho é apresentar um estudo introdutório da teoria de grupos, dando uma ênfase especial a conceitos iniciais e exemplos importantes, e em seguida, estudar grupos cíclicos, classes laterais e Teorema de Lagrange, subgrupos normais e grupos quocientes. Os Subgrupos Normais correspondem a um tipo especial de subgrupos, com impactos importantes na estrutura do grupo. Por exemplo, no caso do grupo quociente de G por N (G/N) é fundamental que N seja um subgrupo normal para que este quociente seja de fato um grupo. A utilização de grupos quocientes, por sua vez, é uma técnica imprescindível no desenvolvimento de vários problemas dentro e fora da Matemática, além de constituírem ferramentas importantes para a descrição de muitas aplicações. O trabalho é finalizado com uma pequena introdução ao estudo dos chamados Grupos Clássicos. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 13 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 Metodologia O trabalho realizado foi baseado num estudo detalhado de conceitos fundamentais com uma ênfase especial de exemplos importantes de grupos, tais como os Grupos de Permutações e Grupo Simétrico de Grau n, permitindo assim o desenvolvimento de conceitos mais avançados de maneira a introduzir o estudo dos chamados Grupos Clássicos. Seja G um conjunto não vazio G no qual está definida uma operação fechada *:G G G de tal maneira que a cada par ( x, y ) G G associa o elemento x y G , satisfazendo os seguintes axiomas: (i) (a * b) * c a *(b * c) , quaisquer que sejam a, b, c G ; (ii) Existe um elemento e G tal que a * e e * a a , qualquer que seja a G ; (iii) Para todo a G existe um elemento a G tal que a * a a * a e . O elemento a G é chamado de simétrico de a. Nestas condições dizemos que (G,*) é um grupo. Se a operação * for comutativa, isto é, a * b b * a , quaisquer que sejam a, b G , diremos que o grupo é comutativo ou abeliano, em homenagem ao matemático norueguês Niels Abel (1802-1829). Um exemplo importante de grupo é formado considerando as permutações dos elementos de um conjunto. Entenderemos por permutação uma bijeção de um conjunto nele mesmo. Assim, se E indica um conjunto não vazio, denotaremos por S ( E ) o conjunto das permutações dos elementos de E , isto é, S ( E ) { f / f : A B, bijeção } . Temos que a composição de aplicações é uma operação sobre S ( E ) , pois a composta de duas bijeções é uma bijeção. A operação de composição de aplicações é associativa, existe o elemento neutro que é aplicação identidade iE : E E , já que iE f f e f iE f . Para cada permutação f existe a permutação inversa denotada por f 1 , e como f f 1 f 1 f iE temos que f 1 é o inverso de f para a composição de aplicações. Portanto, ( S ( E),) é um grupo, denominado grupo das permutações sobre E . Como a composição de aplicações não é comutativa, temos que o grupo das permutações ( S ( E ), ) , em geral, é não comutativo. Podemos considerar também um caso particular importante de grupo de permutações, trata-se do caso em que E {1, 2, , n} para n 1 . Para este caso usa-se a notação Sn ao invés da notação S ( E ) introduzida no exemplo anterior para indicar o conjunto das permutações sobre E . O grupo ( Sn , ) é denominado Grupo Simétrico de Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 14 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 Grau n . Observemos que este grupo tem ordem n ! , já que esse é o número de permutações que se podem construir com n elementos. Existe uma notação especial para os elementos do conjunto Sn , a saber, se f Sn e f (1) i1 , f (2) i2 , , f (n) in , então escreveremos 1 2 n f . i1 i2 in Considerando os casos particulares para n 2 e n 3 , podemos construir as tábuas da operação de composição de permutações para S2 e S3 . Temos que S2 é o conjunto das permutações do conjunto E {1, 2 } , assim ele terá 2! elementos, especificamente o 1 2 1 2 conjunto S2 será dado por S 2 f 0 , assim fazendo a composição de , f1 2 1 1 2 permutações obtemos a tábua para S2 , f0 f1 f0 f0 f1 f1 f1 f0 que sistematiza as composições possíveis para os elementos deste conjunto e nos mostra também, devido á simetria da tábua, que este grupo é comutativo. O conjunto S3 das permutações do conjunto E {1, 2, 3} , terá 3! = 6 elementos e será dado por 1 2 3 1 2 3 1 2 3 , f1 , f 2 , S 3 f 0 1 2 3 2 3 1 3 1 2 1 2 3 1 2 3 1 2 3 , g 2 , g 3 . g1 1 3 2 3 2 1 2 1 3 Assim fazendo a composição de permutações obtemos a tábua para S3 , f0 f1 f2 g1 f0 f0 f1 f2 g1 Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 f1 f1 f2 f0 g2 f2 f2 f0 f1 g3 g1 g1 g3 g2 f0 g2 g2 g1 g3 f1 g3 g3 g2 g1 f2 15 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 g2 g3 g2 g3 g3 g1 g1 g2 f2 f1 f0 f2 f1 f0 Observando que a tábua não é simétrica em relação à diagonal principal, podemos afirmar que o grupo não é abeliano. Seja (G,) um grupo. Diremos que um subconjunto não vazio H G é um subgrupo de G se, i) H é fechado para a operação *, isto é, se a, b H então a b H . ii) ( H ,) também é grupo ( indica a restrição da operação de G aos elementos de H). Outros conceitos importantes são os de subgrupo gerado por um elemento do grupo e Grupo Cíclico. Para isto consideremos um grupo (G,) , um elemento a G e o elemento neutro e G . Definimos as potências de G da seguinte forma a0 e a n a n 1 a, se n Z , n 1 a n a 1 , se n Z , n 0 . n Denotamos por [a] o conjunto de todas as potências do elemento a, ou seja, [a] {a n / n Z } . Este conjunto é um subgrupo de G, denominado Subgrupo Gerado por a. Um grupo (G,) é chamado cíclico se G [a] , para algum a G . 1 2 3 , Considerando o grupo S 3 , podemos obter o subgrupo gerado por f1 2 3 1 1 2 3 , pois f10 1 2 3 1 2 3 , f11 2 3 1 1 2 3 1 2 3 1 2 3 f 2 f12 2 3 1 2 3 1 3 1 2 1 2 3 1 2 3 1 2 3 f 0 , f13 f12 f 1 3 1 2 2 3 1 1 2 3 e f14 f13 f 1 f1 , etc. Logo, obtemos que [ f1 ] { f 0 , f1 , f 2 } . Um dos problemas estudados em álgebra é o de determinar os subgrupos de um grupo dado G. Uma forma de resolver o problema é determinar todos os subconjuntos de G que contenham o elemento neutro e verificar se satisfazem as condições de subgrupo, mas ela não é prática. Quando o grupo em questão é finito temos um resultado fornecido pelo Teorema de Lagrange que ajuda a resolver este problema mais facilmente. Para Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 16 estudar o Teorema de Lagrange introduziremos primeiro o conceito de classes laterais e suas propriedades que permitem a demonstração do Teorema. Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Dado a G , chamamos de uma classe lateral (à esquerda) ao conjunto aH {a h / h H } . Observando que se e for o elemento neutro do grupo G, então eH H e que podemos definir a classe lateral a direita de maneira análoga Ha {h a / h H } . O Teorema de Lagrange afirma que se G um grupo finito e H um subgrupo de G, então, a ordem de H divide a ordem de G. Observemos que a recíproca do Teorema de Lagrange é falsa, isto é, não é verdade que se um inteiro m dividir | G | então G terá um subgrupo H de G com | H | = m. Ao estudarmos as classes laterais vimos que existem elementos a G tais que aH Ha , mas existem o mesmo número de classes laterais à esquerda e à direita, mesmo que não sejam iguais. Um caso especial será quando elas coincidem, isto é quando tivermos aH Ha , para todo a G . Este caso é muito importante porque permite definir uma operação no conjunto das classes laterais, o que fará deste conjunto um grupo. Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Definimos o conjunto das classes laterais à esquerda com respeito a H e o denotamos G / H {aH / a G} , o objetivo nesta parte do trabalho é definir uma operação no conjunto das classes laterais G / H de maneira a torná-lo um grupo. Pode-se provar que isto só é possível de ser feito se tivermos aH Ha , para todo a G , isto é, se H é um subgrupo normal de G. Sejam G um grupo e N um subgrupo normal de G, definimos a seguinte operação no conjunto das classes laterais G / N { aN / a G} aN bN (ab) N , para todo aN , bN G / N , esta operação está bem definida, isto é, independe da escolha dos representantes a e b das classes laterais aN e bN. Portanto, se N é um subgrupo normal, temos que o conjunto das classes laterais G / N é grupo com a operação de multiplicação assim definida. Chamamos este grupo de Grupo Quociente de G módulo N. Observemos que eN N é o elemento neutro do grupo e (aN ) 1 a 1 N é o elemento inverso de um elemento aN . Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 17 Resultados e Discussão Com as definições e exemplos apresentados foi possível formar uma base de conhecimentos que permite estudar alguns exemplos importantes como os denominados Grupos Clássicos, esta denominação é empregada para alguns grupos de matrizes, ou de classes de matrizes, em que a operação do grupo provêm do produto matricial. Cada matriz-elemento de um grupo assim deve ser invertível, e logo seu determinante não se anula. O primeiro grupo clássico é o grupo GLn ( A) , denominado Grupo Linear Geral formado pelo conjunto das matrizes n n cujo determinante é diferente de zero e os coeficientes em um anel comutativo A qualquer. Para este estudo consideraremos o caso particular GLn ( R) GL(n) { A M n ( R) / det A 0} , chamado de grupo linear real de grau n, que é formado pelo conjunto das matrizes n n cujo determinante é diferente de zero e os coeficientes em R. Como a multiplicação de matrizes não é comutativa, temos uma família de grupos não comutativos infinitos GL(2), GL(3),... Um subgrupo importante de GLn ( R) é o denominado Grupo Linear Especial, formado pelas matrizes de determinante 1, assim, SLn ( R ) SL(n) { A GLn ( R) / det A 1} . Observemos que se A e B GL(n) são matrizes ortogonais, ou seja, matrizes para as quais, A t A I n ou ainda se A t A 1 , então, ( AB 1 ) t AB 1 ( B 1 ) t A t AB 1 ( B 1 ) t B 1 I n . O que significa que a matriz AB 1 é ortogonal e, portanto o conjunto de todas as matrizes ortogonais O(n) é um subgrupo de GL(n) . Este subgrupo é chamado de Grupo Ortogonal e é dado por O(n) { A GL(n) / A t A I n } . Podemos considerar ainda o conjunto de todas as matrizes de O(n) cujo determinante é igual a 1, Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 18 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 SO(n) { A O(n) / det A 1} , este conjunto munido da operação de multiplicação de matrizes forma um subgrupo de O(n) , denominado Grupo Ortogonal Especial. Observando que se f : G L é um homomorfismo de grupos, então o Núcleo de f denominado Ker ( f ) é um subgrupo normal de G e o conjunto quociente G / N tem R {0} definida por estrutura de grupo. A aplicação f : GLn ( R) f ( A) det A é um homomorfismo, cujo núcleo é Ker ( f ) = { A GLn ( R) / det A 1} = SLn ( R) , portanto, temos que SLn ( R) é um subgrupo normal de GLn ( R) e o conjunto quociente GLn ( R) / SLn ( R) é um grupo. Conclusões Neste trabalho foi realizado um estudo da teoria de grupos, fazendo uma introdução de conceitos e resultados elementares, dando ênfase a exemplos importantes, como por exemplo, os Grupos de Permutações e Grupo Simétrico de Grau n, o que permitiu dar ao aluno uma visão geral da teoria. Foi realizado também, um estudo de subgrupos normais e grupos quocientes, bem como uma pequena introdução ao estudo dos chamados Grupos Clássicos, em particular, Grupo Linear Geral, Grupo Linear Especial, Grupo Ortogonal e Grupo Ortogonal Especial. Para esta finalidade foi necessária uma revisão de toda a teoria ligada a homomorfismos e isomorfismos, grupos cíclicos, classes laterais e Teorema de Lagrange. As técnicas utilizadas no trabalho permitem o desenvolvimento do Grupo Linear Projetivo e do Grupo Linear Especial Projetivo, que constituem a continuidade natural da investigação deste trabalho. Referências [1] A. GONÇALVES, Introdução à Álgebra, Projeto Euclides, Impa (1979). [2] P. HILTON e Y-C.WU, Curso de Álgebra Moderna, Editorial Reverté (1977). [3] T.W. HUNGERFORD, Algebra, Grad. Text. Match. 73, Springer-Verlag (1974). Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 19 [4] A. HEFEZ, Curso de álgebra, Impa, Rio de Janeiro (1996) [5] A. GARCIA & L. LEQUAIN , Álgebra, um Curso de Introdução, Rio de Janeiro, Impa (1999). [6] A. NUSSBAUM. Teoria de Grupos Aplicada para Químicos, Físicos e Ingenieros. Editorial Reverte S.A. (1974). [7] I. N. HERSTEIN. Tópicos de Álgebra. Editora da Universidade de São Paulo. (1970) [8] H. H. DOMINGUES, G. I. Iezzi. Álgebra Moderna. Editora Atual. (2003) [9] J. M. F. BASSALO. Teoria de Grupos. Livraria da Física. (2008) http://www.mat.ufmg.br/~anacris/Grupos.pdf A.C.VIEIRA, S.M.ALVES. Grupos. (2009). Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 20 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 Ponto Fixo de Banach Fernando Pereira de Souza, Antonio Carlos Tamarozzi, Osmar Rogério Reis Severiano Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas – MS. E-mail:[email protected] Resumo A Análise Funcional é uma área bastante estudada por suas aplicações em diversos ramos da ciência, e principalmente em várias áreas da Matemática. Neste trabalho, estudamos com detalhes O Teorema do Ponto Fixo de Banach, um resultado sobre espaços métricos com muitas aplicações, particularmente para se demonstrar a existência de soluções de equações diferenciais integrais. Muitas aplicações ocorrem em espaços normados e não se restringem as transformações lineares. Para demonstrarmos esse teorema estudamos alguns conceitos de espaços métricos tais como: métricas, normas, sequências de Cauchy, sequências convergentes, operadores lineares, operadores lineares contínuos e limitados, funcionais lineares, espaços métricos completos, espaços de Banach, bem como, alguns de seus exemplos mais utilizados. Palavras-Chave: Análise Funcional, Ponto Fixo de Banach, Espaços Métricos Completos. Definições e Exemplos Muitos problemas em Matemática se reduzem a encontrar pontos fixo de alguma aplicação. Assim torna-se importante dar condições que garantam a existência de pontos fixos. Para compreendermos a necessidade de tais condições são necessárias algumas definições e resultados da teoria dos espaços métricos. Definição 1: Uma métrica num conjunto M é uma função d : M ×M → R; que associa a cada par ordenado de elementos x, y M um número real d(x, y) de modo que sejam M: satisfeitas as seguintes condições para quaisquer x, y d1) d(x, x) = 0; d2) Se x ≠ y então d(x, y) > 0; d3) d(x, y) = d(y, x); d4) d(x, z) ≤ d(x, y) + d(y, z), para quaisquer x, y, z M. Um espaço métrico é um par (M, d), onde M é um conjunto e d é uma métrica em M. Definição 2: Seja a um ponto de um espaço métrico M. Dado um número real definimos: Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 , 21 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 A bola aberta de centro a e raio ; A bola fechada de centro a e raio ; A esfera de centro a e raio Esses são os conceitos básicos na teoria dos espaços métricos, no entanto, são responsáveis por quase toda linguagem e resultados que iremos estabelecer. As próximas definições, referem-se : a continuidade, fatos topológicos, limites,funções uniformente contínuas, sequências de Cauchy e espaços métricos completos. As consequências de cada assunto apresentado irão garantir as hipóteses feitas no Teorema do Ponto Fixo de Banach, veremos ainda o que acontece quando enfraquecermos suas hipóteses. Definição 3: Sejam M, N espaços métricos. Diz-se que a aplicação contínua no ponto a M quando, para todo que se dado, é possível encontrar . Diz-se que contínua em todo ponto a M. = {1, 2, 3,...}, e que a cada n Usaremos a notação ( , definida no faz corresponder o elemento . ) para indicar uma sequência. Definição 5: Dizemos que um ponto a para todo número tal é contínua quando ela é Definição 4: Uma sequência num conjunto M é uma aplicação conjunto é dado, pode-se obter Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 M é limite de uma sequência ( tal que ֜ ) quando, 22 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 O conceito de continuidade pode ser expresso mediante a limites de sequências como mostra o seguinte resultado. Proposição 1: Sejam M, N espaços métricos. A fim de que a aplicação contínua no ponto a M é necessário e suficiente que seja em M implique f → f(a) em N: Há diferentes maneiras de se definir o que se entende quando se diz que “uma converge para a aplicação sequência de aplicações ”. As mais naturais são; convergência simples e a convergência uniforme. Definição 6: Diz-se que a sequência aplicação limite x converge simplesmente em X para a quando, para cada x em M. Ou seja, para cada x X, , existe Definição 7: Diremos X, a sequência X, tem-se (dependendo de x e que a sequência uniformemente em X; para a aplicação dado, for possível obter tem . Isto significa que, dados ) tal que de . aplicações converge quando, para todo número real tal que , Espaços Métricos Completos O conceito de espaços métricos completos está diretamente relacionado com sequências de Cauchy. Uma sequência sequência de Cauchy quando, para todo ֜ num espaço métrico M chama-se uma dado, existe tal que m, n > . Intuitivamente, os termos de uma sequência de Cauchy vão se tornando cada vez mais próximos uns dos outros, à medida que cresce o índice n. Definição 8: Diremos que um espaço métrico M é completo se toda sequência de Cauchy em M for convergente. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 23 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 Exemplo 1: (R, | |) é completo, no entanto os racionais com a métrica usual induzida por R não é completo. Uma observação que deve ser feita é que os espaços métricos completos não garantem somente uma das condições da hipótese do teorema do ponto fixo, mas também nos permite demonstrar um dos resultados mais férteis da teoria dos espaços métricos, em que podemos garantir que a interseção de um número inumerável de conjuntos abertos e densos num espaço métrico M é denso em M, sempre que M for completo. Teorema do Ponto Fixo de Banach Definição 9: Um espaço vetorial completo chama-se um espaço de Banach. é um espaço de Banach. Exemplo 2: Definição 10: Seja M um conjunto. Um ponto fixo de uma aplicação elemento é um M satisfazendo A ( Definição 11: Sejam (X, d) e (Y, D) espaços métricos. Uma aplicação contração se existe uma constante D(A( ξ );A( η )) de modo que, para todos é uma ξ , η X, d(ξ , η). Teorema (Ponto Fixo de Banach): Seja R um subconjunto fechado do espaço métrico completo (X, d). Se a aplicação é uma contração, e então A possui um, e somente um, ponto fixo em R. Demonstração: Se ou seja, e são pontos fixos de A em R, então ; como segue que e a contração A não possui pontos fixos distintos em R. Para mostrar que existe um ponto fixo basta mostrar que, dado ( é de Cauchy, já que toda contração é contínua. Usando indução obtém-se e, de forma geral, Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 a sequência 24 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 . Assim para todos Como para , segue que é sequência de Cauchy em R, e a A possui um ponto fixo na região fechada R. Corolário 1: Usando a notação do Teorema anterior, com a sequência então para qualquer uma contração, converge ao único ponto fixo ζ de A e com erro (e “velocidade de convergência n-ésimo iterado estimado por Demonstração: Basta tomar na expressão e usar a continuidade da métrica. Corolário 2: Sejam R um conjunto fechado do espaço métrico completo (X,d) e Se existe de maneira que é uma contação, então A possui um, e somente um, ponto fixo em R.Além disso, para todo converge a esse ponto fixo. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 a sequência 25 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 Exemplo 3: Seja uma função dada na regiça que satisfaz a condição de Lipschitz Sendo L > 0. Se a equação integral não linear de Fredholm Possui uma única solução se L(b-a) < 1. Exemplo 4: [ Teorema de Picard ]: Dada a função contínua em e satisfazendo a condição de Lipschitz L > 0. Para todo (t,ξ), (t,η) , denote por . O problema de Cauchy possui uma única diferenciável , sendo o intervalo com 1/L, b). Dos exemplos apresentados vemos que algumas das aplicações do Teorema do Ponto Fixo de Banach estão relacionadas com: equações integrais de Fredholm, equações afins em espaços de Banach e equações diferenciais ordinárias em R. Geralmente, a dificuldade em aplicar esse teorema é encontrar espaços ou normas em que o operador de interesse seja uma contração. Conclusão Os Espaços métricos garantem o aparato teórico e estrutural, de onde decorrem motivações e generalizações importantes para o desenvolvimento da Topologia e Análise Funcional. Contudo, a exploração de seus conceitos, assegura, por si só, a obtenção de resultados de impacto na Matemática. O Teorema do Ponto Fixo é um resultado bem Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 conhecido na área de Análise Funcional, cujo desenvolvimento requer tão somente recursos e técnicas de Espaços Métricos. Referências ARMSTRONG, M. A., Topologia Básica. Rio de Janeiro: Editora Reverté, 1987. DOMINGUES, H. H., Espaços métricos e introdução à topologia, Atual Editora, 1982. LIMA, E. L., Espaço Métrico 13ª Edição, Projeto Euclides, SBM, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003. LIMA, E. L., Grupo Fundamental e espaços de recobrimento. 2ª Edição. Rio de Janeiro: SBM - Coleção Projeto Euclides, 1999. LIPSCHUTZ, S., General Topology. New York: McGraw-Hill, 1973. MUNKRES, J., Topology: a first course, Prentice Hall, 1975. KREYSZIG, E., Introductory functional analysis with applications, John-Wiley & Sons, 1968. KUHLKAMP, N., Introdução à Topologia Geral. 2ª Edição. Florianópolis: Editora UFSC, 2002. OLIVEIRA, CÉSAR R. de, Introdução à análise funcional:Rio de Janeiro,Impa 2010. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 26 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 27 RESUMOS SIMPLES ESTUDO ANALÍTICO E NUMÉRICO DO MODELO DE CRESCIMENTO POPULACIONAL .....................................................................................................................28 POLIEDROS E LEITURAS INSTRUCIONAIS ......................................................................29 USO DO ARDUINO PARA PROJETOS DE AUTOMAÇÃO RESIDENCIAL.....................30 Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 ENAPI 2011 28 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA MATEMÁTICA COMUNICAÇÃO ORAL ESTUDO ANALÍTICO E NUMÉRICO DO MODELO DE CRESCIMENTO POPULACIONAL ALENCAR, JANAINA KAWATA DE (Aluno de curso de graduação - UNOESTE) SANO, DAYENE MIRALHA DE CARVALHO (Professor - UNOESTE) Muitos fenômenos reais nas áreas das ciências, engenharias, economia, e outras, são modelados por equações diferenciais. Existem diversos modelos que resolvem problemas reais, dentre eles o ‘modelo de crescimento populacional’. Desde décadas passadas, têm-se feito estudos sobre a estimativa deste crescimento, pois, a partir dos resultados é possível determinar planos econômicos, industriais, educacionais e tantas outras onde envolve a população em geral. O objetivo do trabalho foi estudar analiticamente e numericamente os modelos de Crescimento Populacional e obter comparações entre os modelos e métodos numéricos. Foi realizado um estudo bibliográfico sobre as equações diferenciais ordinárias e sobre modelos de Crescimento Populacional, o modelo de Malthus e o modelo de Verhulst. Além disso, foram estudados métodos numéricos para resolver numericamente esses modelos, que foram implementados no software Matlab, a fim de se comparar as soluções numéricas com as soluções analíticas. Os resultados obtidos mostram que o modelo de melhor projeção foi o de Verhulst. Também foram comparados dados reais, obtidos da literatura, com dados numéricos que mostram resultados bem próximos. Também foram comparados dados reais, obtidos da literatura, com dados numéricos que mostram resultados bem próximos. Portanto, de maneira geral, através desses modelos pode-se ter uma estimativa de quanto a população irá crescer a longo prazo e desta forma, o universo estudado poderá se preparar para suportar o crescimento populacional de uma forma organizada. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 ENAENS 2011 29 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA MATEMÁTICA COMUNICAÇÃO ORAL POLIEDROS E LEITURAS INSTRUCIONAIS SOUSA, ROSÂNGELA DE (Aluno de programa de Pós-Graduação - UNOESTE) FARINA NETO, MIGUEL (Aluno de programa de Pós-Graduação - UNOESTE) A atividade denominada Poliedros e Leituras Instrucionais surgiu da necessidade de realizar um aprendizado diferenciado no ensino da matemática em alunos do 8ª Ano da Escola Pública EE Alfredo Marcondes Cabral, mais especificamente na geometria das dobraduras, partindo dos conceitos prévios já obtido pelos educandos, do qual teriam que montar os poliedros geométricos, partindo de leituras de textos instrucionais, relacionados a montagem das dobraduras dos poliedros. O trabalho teve como objetivo principal, desmistificar a matemática, contextualizando a leitura com aprendizado matemático, pois além da leitura instrucional, o aprender fazendo é muito importante para o resgate de conceitos geométricos em relação à geometria das dobraduras para conseguir êxito na construção de sólidos geométricos, seguindo o passo a passo instrucional, além da interpretação textual. O material utilizado foi texto explicativo do passo a passo na construção dos poliedros, enfatizando a dobradura como seu principal eixo, folhas de sulfite e lápis colorido e cola, a metodologia empregada foi o protagonismo juvenil, onde os próprios alunos ficaram responsáveis por sua aprendizagem, levando-os à pesquisar, ler, instrumentalizar e agir, para obter êxito na montagem dos poliedros. O resultado final foi excelente, pois o desafio de construção de um poliedro, foi o motivador para que não houvesse a desistência, bem como os próprios alunos entenderam que a resolução e solução de problemas, só caberiam a eles resolverem de maneira investigativa. Uma discussão interessante em relação ao ensino da matemática foi a diversidade de atividades que motivam os alunos a aprenderem mais e melhor, desafiando o educador a quebrar barreiras que a matemática só é ensinada de maneira tradicional, não limitando a aprendizagem em lousa e giz. Esse tipo de atividade foi um desafio tanto para alunos quanto para o educador, pois o professor através de atitudes demonstradas durante a atividade, consegue avaliar, a metodologia empregada, a aprendizagem dos alunos, quais conceitos assimilaram mais, quais conceitos ainda precisam ser trabalhados, quais dificuldades ainda permanecem e qual foi o resultado final. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 ENAPI 2011 30 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA MATEMÁTICA COMUNICAÇÃO ORAL USO DO ARDUINO PARA PROJETOS DE AUTOMAÇÃO RESIDENCIAL. HERNANDES, JOÃO FELIPE MAGRO (Aluno de curso de graduação - UNOESTE) FERRARI, DIONE JONATHAN (Professor - UNOESTE) A automação residencial não deve ser vista somente sob a concepção de luxo ou excentricidade, disponível a poucos com mais recursos financeiros. Como qualquer novidade, a automação residencial, inicialmente, é percebida pelo cliente como um símbolo de status e modernidade. No momento seguinte, o conforto e a conveniência por ela proporcionados passam a ser decisivos. E, por fim, ela se tornará uma necessidade e um fator de economia (AURESIDE, 2000a). Uma residência com essas características, além de ser confortável, pode oferecer um melhor desempenho e confiabilidade dos sistemas existentes e, em muitos casos, proporcionar também benefícios a pessoas com necessidades especiais, bem como a diminuição dos custos de manutenção agilidade de operação e segurança aos seus residentes. Propor um sistema de automação residencial de baixo custo, baseando seu projeto em conceitos já difundidos nas industrias, como: • Microcontrolador Arduino, sensores e atuadores discretos, de fácil aquisição junto ao mercado; • Dispositivos celulares para interface de monitoramento e configuração do sistema de automação residencial. • Pesquisa bibliográfica, referente ao assunto proposto, em livros, revistas, Internet e fabricantes. • Seleção do material que será utilizado para o desenvolvimento do trabalho. • Estudo sobre as tecnologias envolvidas em projetos com uso do Arduino. • Elaboração e entrega do anteprojeto. • Conhecer as características, do Arduino que será utilizado. • Apresentação de benefícios, problemas e soluções encontradas no Arduino utilizado. • Pesquisa quanto às implementações semelhantes. • Desenvolvimento do programa em linguagem de programação de C/C++. O uso da automação residencial pode contribuir para uma diminuição do consumo de energia elétrica e água potável, havendo assim um controle mais racional destes insumos cada vez mais escassos nos dias de hoje, gerando economia nas faturas mensais, sem que tais modificações afetem o conforto dos residentes. Outro ponto muito importante a ser considerado, devido à elevação dos índices de criminalidade, é o investimento em sistemas de alarme e movimentadores de portão, que cada vez mais tem pesado no custo das residências, além de sistema de detecção de vazamentos de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e de fumaça, o que também garante mais tranqüilidade aos moradores. A automação gera uma série de economias ao longo do tempo, o que compensa o investimento inicial do projeto, tanto que hoje, a grande maioria dos edifícios são ao menos preparados para receber novas tecnologias, o que lhes confere maior vida útil (AURESIDE, 2000b). A motivação para este trabalho é explorar estas oportunidades de execução de um sistema de automação residencial de baixo custo, propondo as vantagens e reduzindo os problemas acima descritos. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 31 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS APRENDIZAGEM, PET, MATEMÁTICA: DA TEORIA À PRÁTICA ................................32 INVESTINDO EM NOVOS TALENTOS DA REDE DE EDUCAÇÃO PÚBLICA PARA INCLUSÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO DA CULTURA CIENTÍFICA EM TRÊS LAGOAS - MATO GROSSO DO SUL ....................................................................................33 MATEMÁGICA - A MAGIA NO ENSINO DA MATEMÁTICA ..........................................34 Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 ENAEXT 2011 32 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA MATEMÁTICA COMUNICAÇÃO ORAL APRENDIZAGEM, PET, MATEMÁTICA: DA TEORIA À PRÁTICA FERREIRA, LIVIA DE OLIVEIRA (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) O projeto de extensão tem como objetivo assistir alunos do 1º ano do Ensino Médio de classes menos favorecidas oriundos do meio rural(assentamentos e regiões ribeirinhas) e bairros da periferia, com dificuldades na disciplina de Matemática. O projeto de cunho social da Universidade desenvolvido por alunos do Programa de Educação Tutorial (PET) em parceria com a Escola Estadual Afonso Pena, justifica-se pela preocupação em relação à deficiência na aprendizagem, principalmente na disciplina de Matemática, dos alunos de classes sociais menos favorecidas, oriundos da área rural e dos bairros periféricos. Conforme pesquisas, os pais são assalariados e não têm condições de onerar com aulas particulares, ou seja, reforço escolar para os filhos. Os alunos do curso de Licenciatura em Matemática, os quais são participantes do Programa PET; proporcionam atendimento aos alunos que estão cursando o 1º Ano do Ensino Médio. O Projeto foi iniciativa da UFMS(Campus de Três Lagoas/MS) em parceria com a Escola Estadual Afonso Pena através do Programa PET(Programa de Educação Tutorial) – Conexão dos Saberes dando continuidade ao trabalho desenvolvido em 2010, por alunos de Projetos de Extensão desenvolvidos por bolsistas da modalidade permanência. Este trabalho de cunho social está beneficiando tanto os alunos que estão sendo atendidos quanto os que estão prestando serviço, referindo-se aos petianos. Haja vista a oportunidade de recuperação dos alunos com dificuldades, bem como os alunos graduandos que estão colocando em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, por outro lado, vivenciando o trabalho direto com alunos da educação básica. A professora regente repassa os conteúdos a serem revisados, os petianos planejam estes conteúdos com atividades de fixação a serem resolvidos em sala. A metodologia prevê, quando possível, aulas na Sala se Tecnologia e a contextualização dos conteúdos para a prática diária. Em sala, as aulas são expositivas oportunizando aos participantes tirar dúvidas, trabalhar em equipe e individual. A avaliação do projeto é contínua e processual, pois acontece pela verificação da aprendizagem dos alunos, por meio da observação quanto ao domínio e retenção dos assuntos abordados por intermédio das atividades propostas nas aulas de reforço. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 ENAEXT 2011 COMUNICAÇÃO ORAL 33 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA MATEMÁTICA INVESTINDO EM NOVOS TALENTOS DA REDE DE EDUCAÇÃO PÚBLICA PARA INCLUSÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO DA CULTURA CIENTÍFICA EM TRÊS LAGOAS - MATO GROSSO DO SUL SOUZA, FERNANDO PEREIRA DE (Professor - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL UFMS) TAMAROZZI, ANTONIO CARLOS (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) ROMANINI, EDIVALDO (Professor - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) URIBE, EUGENIA BRUNILDA OPAZO (Professor - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL UFMS) MODESTO, SONIA ANGELINA GARCIA (Professor - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) SANTOS, ANA CARLA LELIS DE SOUZA DOS (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) LUZ, FLÁVIO CAMILO (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) O projeto "Investindo em Novos Talentos da Rede de Educação Pública para Inclusão Social e Desenvolvimento da Cultura Científica em Três Lagoas - Mato Grosso do Sul" visa promover a inclusão social e difusão do conhecimento científico da Matemática por meio de atividades extracurriculares visando o aprimoramento, a atualização e a transformação da realidade de alunos e professores das escolas da educação básica do município de Três Lagoas – MS. Este projeto será desenvolvido durante o ano de 2011 e é vinculado ao programa institucional "Interciências: Ações da UFMS para Ciências, Computação e Matemática na Educação Básica" financiado pela CAPES. Entre as atividades oferecidas pelo projeto podemos destacar mini-cursos e oficinas para professores de Matemática de escolas públicas de Três Lagoas, ministradas por professores do Curso de Matemática do Campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e de professores convidados de outras instituições de ensino, como por exemplo, o Professor João César Guirado que ministrou a oficina "Enfoques Metodológicos para o Ensino de Funções", o Professor Ademir Pereira Júnior que ministrou o minicurso "Cálculo Mental e Registros em Portfólios", os Professores Osmar Jesus Macedo e Edivaldo Romanini que ministraram o minicurso "Introdução ao Geogebra", as professoras Eugenia Brunilda Opazo Uribe e Sonia Angelina Garcia Modesto que ministraram o minicurso "Oficina Pedagógica: Mágica e Jogos no Ensino de Matemática" e o professor Valdeni Soliani Franco que ministrou a palestra "Matemática Pura, Matemática Aplicada e Educação Matemática: interações e interseções". O projeto oferece também atividades para alunos de escolas públicas de Três Lagoas, em período contrário ao das aulas. Durante o primeiro semestre de 2011 foram realizados encontros nos quais os alunos tiveram a oportunidade de revisar os conceitos de Matemática necessários para a resolução de problemas vinculados à Olimpíada Brasileira de Matemática das escolas públicas - OBMEP. No segundo semestre os alunos participaram de um minicurso de Matemática Básica, uma preparação para o ENEM além de conhecer a Exposição Interativa de Matemática da UEM o MATEMATIVA. O projeto Novos talentos proporcionou uma integração entre os professores da rede pública, alunos da rede pública, acadêmicos do curso de licenciatura em Matemática e professores da UFMS, estreitando laços de responsabilidade com o ensino da Matemática. Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 17 a 20 de outubro, 2011 ENAEXT 2011 34 UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA - UNOESTE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA MATEMÁTICA COMUNICAÇÃO ORAL MATEMÁGICA - A MAGIA NO ENSINO DA MATEMÁTICA CRUZ, WAGNER PINHEIRO DA (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) MOREIRA JÚNIOR, JOAQUIM RIBEIRO (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) FERREIRA, LIVIA DE OLIVEIRA (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) BRANDÃO, PÂMELA CATARINA DE SOUZA (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) JORGE, NICKSON MORETTI (Aluno de curso de graduação - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) MODESTO, SONIA ANGELINA GARCIA (Professor - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - UFMS) URIBE, EUGENIA BRUNILDA OPAZO (Professor - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL UFMS) O ensino de matemática na atualidade passa por inúmeras dificuldades, relatadas por professores de ensino básico e superior através de textos em jornais e revistas, bem como através de encontros e congressos de Matemática e Educação Matemática. O projeto de extensão Matemágica foi desenvolvido com objetivo de apresentar alternativas de ensino de matemática para o Ensino Básico por meio de truques e mágicas, de natureza aritmética e geométrica; buscando a divulgação e a desmistificação da Matemática. Nas atividades desenvolvidas no projeto, os acadêmicos envolvidos fizeram apresentações em escolas de Ensino Fundamental e Médio que iniciou-se em 2009 , continuou em 2010, e para o ano de 2011 já esgotou-se as datas possíveis. No período 2009-2010 foi realizado um total de 72 apresentações, no ano de 2011 dez apresentações em Escolas Estaduais, Municipais e Particulares. Os resultados obtidos até o momento são muito positivos, nas escolas em que foram realizadas as apresentações, houve uma excelente avaliação por parte dos professores e coordenadores das escolas visitadas. Os professores da disciplina Matemática constataram, um maior interesse dos alunos em desenvolver as atividades em sala de aula e, conseqüentemente, um melhor aprendizado na disciplina. Os alunos do Curso de Licenciatura em Matemática do Campus de Três Lagoas (CPTL) demonstram muito interesse de participar do projeto e esta participação os torna mais desinibidos e mais preocupados em desenvolver novas atividades para melhorar a prática docente. Foi elaborado um blog do projeto, que dispõe os objetivos deste trabalho, fotos das apresentações como uma forma de divulgar o projeto com a comunidade em geral. Desse modo, sempre que possível deve-se relacionar o conteúdo de matemática com a prática e com jogos e brincadeiras diversas, e assim, torna-se agradável estudá-la. Todos os alunos podem e devem compreender e usar diariamente as idéias matemáticas, pois tal habilidade não deve ser propriedade apenas de uma minoria que tenha mais afinidade com o raciocínio lógico-matemático. A matemática está presente nas atividades humanas em maior ou menor complexidade. Ao perceber isso, o aluno compreende o mundo a sua volta e pode atuar nele. A todos, sem distinção, deve ser dada à oportunidade de compreensão e atuação como cidadão. . Colloquium Exactarum, vol. 3, n. Especial, jul–dez, 2011