PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática Daniel Guimarães Silva O ENSINO DA MATEMÁTICA COM MODELAGEM DE FENÔMENOS FÍSICOS – Desenvolvimento de atividades no Laboratório de Matemática e Física com alunos do Ensino Médio Técnico do IFNMG, campus Pirapora – Belo Horizonte 2013 2 Daniel Guimarães Silva O ENSINO DA MATEMÁTICA COM MODELAGEM DE FENÔMENOS FÍSICOS – Desenvolvimento de atividades no Laboratório de Matemática e Física com alunos do Ensino Médio Técnico do IFNMG, campus Pirapora – Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Ensino de Ciências e Matemática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ensino de Matemática. Orientador: Prof. Dr. João Bosco Laudares Belo Horizonte 2013 FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais S586e Silva, Daniel Guimarães O ensino da matemática com modelagem de fenômenos físicos: desenvolvimento de atividades no laboratório de matemática e física com alunos do ensino médio técnico do IFNMG, campus Pirapora / Daniel Guimarães Silva. Belo Horizonte, 2013. 159f.: il. Orientador: João Bosco Laudares Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática. 1. Matemática – Estudo e ensino. 2. Física – Estudo e ensino. 3. Ensino médio. I. Laudares, João Bosco. II. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática. III. Título. CDU: 51 4 Daniel Guimarães Silva O ENSINO DA MATEMÁTICA COM MODELAGEM DE FENÔMENOS FÍSICOS – Desenvolvimento de atividades no Laboratório de Matemática e Física com alunos do Ensino Médio Técnico do IFNMG, campus Pirapora – Dissertação apresentada à banca examinadora do Programa de Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Campus Coração Eucarístico - Belo Horizonte, como parte dos requisitos para obtenção do Título de Mestre em Ensino de Matemática. COMISSÃO EXAMINADORA __________________________________________________ Prof. Dr. João Bosco Laudares - Orientador PUC Minas __________________________________________________ Prof. Dr. Lev Vertchenko PUC Minas __________________________________________________ Prof. Dr. Dionísio Burak Universidade Estadual do Centro-Oeste Belo Horizonte, 20 de setembro de 2013. 5 Aos meus pais, que mesmo diante de tantas dificuldades, não mediram esforços para proporcionar, a mim e aos meus irmãos, a melhor educação possível. 6 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, que é presença constante em minha vida, protegendome e proporcionando-me tantas conquistas. Aos meus pais, Rogério e Madalena, exemplos de trabalho, esforço, dedicação, superação e êxito. Aos meus irmãos Caroline e Rogerinho, sempre presentes. A minha avó Joana e a minha tia Nedina, sinais de amor e carinho em minha vida. Aos meus primos Ana Paula, Renato e Danielle, aos meus padrinhos Antônio Augusto e Neidinha, ao meu tio Zé e ao meu avô Waldivino, sempre próximos e torcendo por minhas conquistas. A minha avó Carmelina, a minha madrinha Geralda e a todos os outros familiares paternos, que também estimam meu sucesso. Aos meus familiares, Adriana, Quitéria e Vinícius, não apenas por proporcionarem minha hospedagem em Belo Horizonte, quando necessário para desenvolver meus trabalhos de Mestrado, mas por terem se mostrado novos e queridos amigos. Aos meus companheiros Adadson, Analice, Ana Paula, Carla, Daniela, Kennedy, Vinícius de Morais e Vinícius de Sá, que me concedem inúmeros momentos de alegria e descontração. Ao estimado professor João Bosco Laudares, por ter me orientado com tamanha sabedoria, paciência e dedicação. A todos os professores do Mestrado, em especial, Dimas Felipe de Miranda, Eliane Scheid Gazire e Maria Clara Rezende Frota, importantes para a concretização desta pesquisa. A todos os meus professores de Matemática do Ensino Básico, em particular, Wagner e Igna, por contribuírem com essa minha paixão em estudar Matemática. Aos meus colegas de Mestrado, especialmente Christiano, Eduardo e Giarola, companheiros nessa jornada de estudos. Aos meus colegas do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), campus Pirapora, que contribuíram de alguma maneira para a realização deste trabalho. 7 Ao professor de Física Walter, também colega do IFNMG, pela imensa contribuição na construção das atividades desta Dissertação. 8 RESUMO Nesta Dissertação são apresentados resultados de uma Pesquisa em Ensino de Ciências e Matemática com Modelagem Matemática como alternativa pedagógica para o estudo da Matemática integrado à Física, utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Nesse contexto, buscou-se a significação de conteúdos matemáticos pela associação com a Física. Objetivou-se, também, no trabalho com a Modelagem, fazer o aluno despertar sua capacidade para construir seu próprio conhecimento, convidando-o a experimentar o processo de desenvolvimento e testar os resultados encontrados, incentivando sua autonomia. Foram elaboradas quatro atividades cujos principais conteúdos matemáticos estudados foram as Funções Quadráticas, Exponenciais e Trigonométricas no contexto de alguns fenômenos físicos desenvolvidos em laboratório, em um trabalho integrado à Física. As atividades foram desenvolvidas com um grupo de alunos da terceira série do Ensino Médio integrado aos cursos técnicos de Informática e Administração do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, campus Pirapora. Foi utilizado, em todas as atividades, o software GeoGebra e, em algumas, o Excel e o CidepeLab, que é específico para uso de determinados equipamentos do laboratório. Optou-se por uma pesquisa qualitativa, priorizando não apenas a análise final dos resultados obtidos, mas principalmente a análise dos procedimentos empregados pelos alunos e a eficácia desse tipo de trabalho para o ens ino de Matemática. A partir da análise qualitativa dos dados, foi possível verificar que as atividades de Modelagem Matemática, com a utilização das TICs integrando outra área de conhecimento, a Física, foram eficazes e motivadoras para o ensino e a aprendizagem de Matemática. O produto é o conjunto das atividades modeladas apresentadas num Caderno. Palavras-chave: Modelagem Matemática; Matemática e Física; Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). 9 ABSTRACT This dissertation presents the results of a search in the Mathematics and Science teaching with Mathematical modeling as a pedagogical alternative for the integrated study of mathematics to physics, using the Information Technologies and Communication (ITCs). In this context, we sought the meaning of mathematical contents by association with Physics. The objective was also, when working with the modeling, make the students awaken their ability to build to construct their own knowledge, invited them to experience the developing process and testing the found results, encouraging their autonomy. We prepared four activities whose main studied mathematical contents were Quadratic, Exponential and Trigonometric functions in the context of some physical phenomena developed into the laboratory in an integrated work to physics. The activities were developed with a group of students from the third grade of the integrated high school with the Technicians Computer and Management courses from Instituto Federal do Norte de Minas Gerais campus Pirapora. It was used in all the activities, the GeoGebra software and, in some of them, Excel and CidepeLab, which is specific to the use of certain equipment in the lab. We chose to a qualitative research, focusing not just the final results analysis, but mainly the used procedures analysis by the students and the effectiveness of this type of work for mathematics teaching . From the qualitative data analysis, it was possible to notice that the mathematical modeling activities with the use of ITCs by integrating other area of knowledge, The Physics, were effective and motivating for the mathematics teaching and learning . The product is a set of modeled activities presented in a notebook. Keywords: Mathematical Modeling, Technologies and Communication (ITCs). Mathematics and Physics, Information 10 LISTA DE FIGURAS Figura 01 - Esquema do processo de Modelagem Matemática ................................. 22 Figura 02 - A situação inicial e a situação final na Modelagem Matemática ............. 23 Figura 03 - Dinâmica das fases da Modelagem Matemática ..................................... 26 Figura 04 - Fases da Modelagem Matemática ............................................................ 27 Figura 05 - Esquema apresentado aos alunos sobre processo de Modelagem Matemática no contexto das atividades a serem desenvolvidas ............................... 54 Figura 06 - Equipamentos utilizados na atividade 1 ................................................... 65 Figura 07 - Equipamentos utilizados na atividade 2 ................................................... 71 Figura 08 - Esquema elétrico do circuito RC da atividade 4 ...................................... 75 Figura 09 - Equipamentos da atividade 4 .................................................................... 88 Figura 10 - Alunos do terceiro ano do Ensino Médio, ano 2013, do IFNMG – campus Pirapora desenvolvendo atividades de Modelagem Matemática no Laboratório de Física ............................................................................................................................ 97 Figura 11 - Relato sobre a meta da atividade 1 da dupla 2 ........................................ 99 Figura 12 - Gráfico da atividade 1 obtido no software CidepeLab pela dupla 4 ...... 100 Figura 13 - Obtenção da fórmula que modela o experimento da atividade 1 pela dupla 3 ........................................................................................................................ 101 Figura 14 - Gráfico da atividade 1 obtido no GeoGebra pela dupla 3, a partir da fórmula obtida manualmente ..................................................................................... 101 Figura 15 - Gráfico da atividade 1 obtido no Excel pela dupla 3 .............................. 102 Figura 16 - Gráficos obtidos no GeoGebra da atividade 1 pelo Excel e pelos três pontos selecionados pela dupla 3 ............................................................................. 103 Figura 17 - Questões respondidas pela dupla 1 na atividade 1 ............................... 104 Figura 18 - Obtenção da fórmula que modela o experimento da atividade 2 pela dupla 3 ........................................................................................................................ 105 Figura 19 - Procedimento de validação realizado pela dupla 3 na atividade 2 ....... 106 Figura 20 - Questões respondidas pela dupla 3 na atividade 2 ............................... 107 Figura 21 - Fórmula geral, condições de existência, de decrescimento e crescimento da Função Exponencial descritos pela dupla 2......................................................... 108 11 Figura 22 - Obtenção da fórmula que modela o experimento da primeira etapa da atividade 3 pela dupla 2 ............................................................................................. 109 Figura 23 - Gráfico da primeira etapa da atividade 3 obtido no GeoGebra pela dupla 2, a partir da fórmula obtida manualmente................................................................ 109 Figura 24 - Resolução manual do sistema de equações para obtenção da fórmula que modela o experimento da segunda etapa da atividade 3 pela dupla 3............. 111 Figura 25 - Resolução pelo GeoGebra da equação polinomial para obtenção da solução do sistema de equações da segunda etapa da atividade 3 pela dupla 3 .. 112 Figura 26 - Gráfico da segunda etapa da atividade 3 obtido no GeoGebra pela dupla 3, a partir da fórmula obtida manualmente................................................................ 112 Figura 27 - Questão respondida pela dupla 2 na atividade 4 ................................... 115 Figura 28 - Cálculos para obtenção da fórmula que modela o experimento da atividade 4 pela dupla 4 ............................................................................................. 116 Figura 29 - Gráfico da atividade 4 obtido no GeoGebra pela dupla 4, a partir da fórmula obtida ............................................................................................................. 117 12 LISTA DE QUADROS Quadro 01 - Livros didáticos de Matemática analisados ............................................ 42 Quadro 02 - Livro didático de Física analisado ........................................................... 47 Quadro 03 - Explicação das fases da Modelagem Matemática ................................. 54 Quadro 04 - Explicação sobre o funcionamento dos principais equipamentos do laboratório ..................................................................................................................... 55 Quadro 05 – Experimentação realizada com equipamentos do laboratório, com os softwares CidepeLab e Excel ...................................................................................... 56 Quadro 06 - Esquema básico de organização das atividades ................................... 61 Quadro 07 - Conceitos físicos relacionados à aceleração e ao movimento retilíneo uniformemente variado ................................................................................................ 63 Quadro 08 - Recursos necessários para desenvolver a atividade 1 e algumas considerações .............................................................................................................. 63 Quadro 09 - Procedimentos do experimento da atividade 1 ...................................... 64 Quadro 10 - Etapa de matematização e resolução da atividade 1 ............................ 66 Quadro 11 - Etapa de interpretação e resolução da atividade 1 e solução final ....... 67 Quadro 12 - Conceitos físicos relacionados à queda livre ......................................... 69 Quadro 13 - Componentes e procedimentos do experimento da atividade 2 ........... 69 Quadro 14 - Etapas da atividade 2 .............................................................................. 71 Quadro 15 - Conceitos físicos relacionados ao circuito RC ....................................... 73 Quadro 16 - Componentes do circuito RC e considerações sobre a atividade 3 ...... 74 Quadro 17 - Procedimentos da atividade 3 ................................................................. 75 Quadro 18 - Início da etapa de matematização e resolução da descarga do capacitor da atividade 3 ............................................................................................................... 78 Quadro 19 - Continuação da etapa de matematização e resolução da atividade 3: comentários relacionados ao número irracional e ...................................................... 79 Quadro 20 - Continuação da etapa de matematização e resolução da descarga do capacitor da atividade 3 ............................................................................................... 81 Quadro 21 - Etapa de interpretação e resolução da descarga do capacitor da atividade 3 .................................................................................................................... 82 13 Quadro 22 - Etapa de matematização e resolução da carga do capacitor da atividade 3 .................................................................................................................................... 83 Quadro 23 - Etapa de interpretação e validação da carga do capacitor da atividade 3 ...................................................................................................................................... 84 Quadro 24 - Definição sobre Movimento Harmônico .................................................. 86 Quadro 25 - Recursos necessários para desenvolver a atividade 4 e algumas observações ................................................................................................................. 86 Quadro 26 - Procedimentos do experimento da atividade 4 ...................................... 87 Quadro 27 - Etapa de matematização e resolução da atividade 4 ............................ 90 Quadro 28 - Etapa de interpretação dos resultados e validação da atividade 4 ....... 92 14 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 15 2 INTEGRAÇÃO ENTRE MODELAGEM, TECNOLOGIAS E FÍSICA NO ENSINO DA MATEMÁTICA ....................................................................................................... 20 2.1 Modelagem Matemática ..................................................................................... 20 2.1.1 Breve histórico da Modelagem Matemática no Brasil ................................. 20 2.1.2 Conceituações sobre a Modelagem Matemática ........................................ 20 2.1.3 Fases da Modelagem Matemática............................................................... 22 2.1.4 Modelagem no ensino da Matemática......................................................... 27 2.2 Tecnologias de Informação e Comunicação ..................................................... 31 2.2.1 As TICs no Ensino Básico ........................................................................... 31 2.2.2 As TICs no ensino por meio da Modelagem Matemática ........................... 34 2.3 O ensino da Matemática integrado à Física ...................................................... 36 3 PCNEM E ANÁLISE DO TEMA EM ESTUDO DE LIVROS DIDÁTICOS............. 39 3.1 Os PCNEM e o Ensino da Matemática por meio da Modelagem de Fenômenos Físicos ....................................................................................................................... 39 3.2 Análise do tema estudado em alguns livros didáticos ...................................... 42 4 ELABORAÇÃO DAS ATIVIDADES ........................................................................ 49 4.1 Introdução ........................................................................................................... 49 4.2 O software GeoGebra ........................................................................................ 51 4.3 O software Excel ................................................................................................. 52 4.4 Os equipamentos do laboratório e o software CidepeLab ................................ 52 4.5 Introdução às atividades..................................................................................... 53 4.6 Características das atividades ........................................................................... 60 4.7 Apresentação das atividades ............................................................................. 62 5 APLICAÇÃO DAS ATIVIDADES E RESULTADOS ALCANÇADOS.................... 94 5.1 Introdução ........................................................................................................... 94 5.2 Análise qualitativa da pesquisa .......................................................................... 94 5.3 Sujeitos e ambiente da pesquisa ....................................................................... 96 5.4 Aplicação das atividades .................................................................................... 96 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 118 REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 122 APÊNDICE (Produto da Dissertação) .................................................................... 126 15 1 INTRODUÇÃO Na perspectiva de uma educação básica que, além de formar profissionais para atuarem no mercado de trabalho, contribua para a formação geral de um cidadão, com capacidades e interesses distintos, permitindo associaç ões entre conteúdos escolares e a prática, o ensino da Matemática no nível médio pode ser desenvolvido objetivando uma constante interação entre o abstrato e o mundo físico, com o conteúdo aplicável e útil às diversas áreas do conhecimento. Uma possibilidade para o desenvolvimento desse tipo de ensino é a utilização de atividades que envolvam a Modelagem Matemática. Diversos problemas de outras áreas do conhecimento são resolvidos utilizando a Modelagem Matemática, pois se trata da união entre a Matemátic a abstrata e a realidade. Assim, “genericamente, pode-se dizer que Matemática e realidade são dois conjuntos disjuntos e a modelagem é um meio de fazê-los interagir.” Ela proporciona um trabalho prático, voltado a um ensino que tem sentido para o aluno. (BIEMBENGUT; HEIN, 2011, p. 13). Essa característica também está em acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM), que apontam a necessidade desse ensino ligado ao mundo contemporâneo, onde o conhecimento escolar tenha significado, mediante a contextualização e interdisciplinaridade. Um importante meio para atingir os objetivos contextualizada na atualidade é utilizar as Tecnologias dessa educação de Informação e Comunicação (TICs) como um instrumento metodológico. “O conhecimento s e dá fundamentalmente no processo de interação, de comunicação. A informação é o primeiro passo para conhecer. As tecnologias nos ajudam a ampliar a nossa comunicação”. (MORAN, 2010, p. 24-27) As TICs podem ser classificadas como um elo entre os conceitos tratados na escola com diversos outros meios externos e, também, responsáveis pela ligação entre áreas, facilitando, por exemplo, a aplicação de outras disciplinas na Matemática. Pensando nessa perspectiva de educação contextualizada e com tecnologia, buscou-se desenvolver, na pesquisa apresentada nesta Dissertação, atividades envolvendo Modelagem Matemática de Fenômenos Físicos, que foram realizadas no laboratório de Física e Matemática. Foi feita uma interface entre os experimentos e o 16 computador por meio de sensores e conexões, um ambiente computacional transportou os dados dos experimentos, convergindo-os para o formato de gráficos e tabelas, que foram exportados para outros softwares para que as inferências matemáticas fossem feitas. A proposta desse tipo de atividade surgiu por meio da minha trajetória acadêmica. Desde minha formação básica, recebi muitas influências de uma educação tradicional, tecnicista, sem foco em aplicações e contextualizações. Nas primeiras séries do Ensino Fundamental, tive um ensino de Matemática voltado para o desenvolvimento de algoritmos das operações básicas, sem preocupação com aplicações e sem estímulos relacionados ao raciocínio e a criatividade. Essa metodologia de um ensino puramente teórico, desvinculado da prática e dos recursos tecnológicos foi se estendendo até o Ensino Médio, que foi praticamente todo baseado na resolução de questões de vestibulares. Logo quando completei o Ensino Médio, comecei a graduação de Licenciatura em Matemática e, após quatro anos, já lecionava nos Ensinos Fundamental e Médio. Assim como meus antigos professores, passei a ser um transmissor de conhecimentos, era considerado um bom profissional, mas não tinha maturidade para refletir sobre minha ação, que estava totalmente atrelada ao estilo de formação que tive em minha educação básica. Em 2010, passei a ser professor efetivo do Instituto Federal do Norte de Minas, campus Pirapora. Com um ensino focado não apenas na transmissão de conhecimentos, passei por uma crise de identidade profissional. Não conseguia encontrar sentido na minha função de professor de Matemática. Qual o objetivo de trabalhar diversos conteúdos, corrigir tantos exercícios, se grande parte dos alunos não demonstrava interesse no que era trabalhado? Para muitos desses estudantes, a Matemática é vista como algo totalmente fora da realidade, sem sentido e aplicação. Por que, então, não ensinar a Matemática relacionando conteúdo e aplicação? As mudanças acontecem gradativamente e o professor pode inovar, trabalhar com tecnologias, buscar recursos que justifiquem o que é ensinado. Diante disso, pretendeu-se fazer uma revisão bibliográfica, objetivando a construção de sequências didáticas de atividades interligadas à Física e utilizando TICs, que visam a um trabalho nos moldes de um ensino investigativo, prático e atual. 17 De acordo com Almeida, Silva e Vertuan (2012), o desenvolvimento da Modelagem Matemática nas aulas de Matemática na educação básica, pode favorecer: a ativação de aspectos motivacionais e relações com a vida fora da escola ou com as aplicações da Matemática; a viabilização ou a solicitação do uso do computador nas aulas de Matemática; a realização de trabalhos cooperativos; o desenvolvimento do conhecimento crítico e reflexivo; o uso de diferentes registros de representação; a ocorrência de aprendizagem significativa. Todos esses fatores estão interligados aos objetivos da educação básica propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM), que não visam apenas ao aprendizado do conteúdo, mas também ao desenvolvimento de outras habilidades envolvidas no processo de ensino-aprendizagem. Nos dias atuais, existe uma crescente busca pela “matematização” das ciências, para que estas possam ser mais precisas, explicativas e capazes de fazer previsões de eventos futuros. Além disso, quase todas as áreas requerem alguma competência em Matemática, especialmente a Física, que é uma das ciências que mais necessita da Matemática como uma linguagem para expressar suas leis e desenvolver seus fundamentos, de modo a aumentar o seu poder de previsão. Essa dependência entre as duas áreas é mútua, uma vez que parte dos conceitos da Matemática encontram sua inspiração e desenvolvimento dentro da Física, como conceitos relacionados a derivadas parciais, que segundo Poincaré, citado por Karam (2007), foram desenvolvidos a partir de estudos sobre calor e eletricidade. Com a utilização de tecnologias, o trabalho entre a Física e a Matemática ganha agilidade, precisão e oferece um ambiente atrativo para o aluno desenvolver seus conhecimentos, raciocínios e capacidades de percepção. Embasado nessas ideias, surge o seguinte questionamento: Como atividades de Modelagem Matemática de Fenômenos Físicos utilizando TICs podem contribuir para o ensino-aprendizagem significativo da Matemática no Ensino Médio? Nessa perspectiva, os objetivos dessa pesquisa são: 18 Objetivo Geral Proporcionar uma aprendizagem significativa da Matemática integrada à Física com base no desenvolvimento de atividades que envolvam Modelagem Matemática de Fenômenos Físicos utilizando TICs no Laboratório de Física e Matemática. Objetivos Específicos Construir experimentos físicos em laboratório, verificando suas características e as grandezas envolvidas; Selecionar o conteúdo matemático a ser trabalhado com as situações físicas; Identificar como os PCNEM e livros de Matemática e Física apresentam os conteúdos abordados neste trabalho e a modelagem; Identificar softwares matemáticos para implementação dos modelos e obtenção de gráfico e tabelas; Selecionar instrumentação do laboratório para a aprendizagem pela Modelagem Matemática. Formular problemas que associem conteúdos matemáticos a práticas da Física para serem trabalhados no ensino de Matemática do nível médio. Esta Dissertação é constituída por quatro capítulos, além da introdução, considerações finais, referências e apêndices. Na introdução, apresenta-se o tema e a justificativa por sua escolha, os objetivos da pesquisa, a pergunta de pesquisa e a apresentação dos capítulos. O capítulo 2 é destinado à discussão teórica relacionada ao tema da pesquisa. Assim, são descritos conceitos sobre Modelagem Matemática, em especial as contribuições desse tipo de aprendizagem na prática educativa, Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e interação entre Matemática e Física no ensino. No capítulo 3 é feita uma descrição sobre conceitos retratados nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) e suas relações com este trabalho. É feita, também, a análise de dois livros didáticos de Matemática e um 19 de Física na parte correspondente aos conteúdos relacionados às atividades apresentadas nesta dissertação. As atividades de Modelagem Matemática desenvolvidas nesta pesquisa são explicitadas no capítulo 4. O capítulo 5 mostra relatos de como as atividades foram aplicadas, algumas respostas dos alunos e os resultados alcançados. 20 2 INTEGRAÇÃO ENTRE MODELAGEM, TECNOLOGIAS E FÍSICA NO ENSINO DA MATEMÁTICA 2.1 Modelagem Matemática 2.1.1 Breve histórico da Modelagem Matemática no Brasil Segundo Burak (2004), o trabalho com a Modelagem Matemática começou a ser desenvolvido no Brasil por um grupo de professores da Biomatemática da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP na década de 1980, coordenados pelo Prof. Dr. Rodney Carlos Bassanezi do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica – IMECC, que desenvolvia estudos relacionados a modelos de crescimentos cancerígenos. No eixo da educação, Burak (2004) informa que os estudos relacionados à Modelagem Matemática no Brasil iniciaram em 1983, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guarapuava – FAFIG, hoje Universidade Estadual do CentroOeste – UNICENTRO, com os cursos de especialização para professores. Nos níveis fundamental e médio, a utilização da Modelagem como alternativa de ensino da Matemática surgiu em 1985, como proposta de trabalho de uma dissertação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP, campus Rio Claro, a ser desenvolvida na quinta série do Ensino Fundamental (BURAK, 2005). 2.1.2 Conceituações sobre a Modelagem Matemática Bassanezi (2011, p. 16) afirma que “a modelagem matemátic a consiste na arte de transformar problemas da realidade em problemas matemáticos e resolvê-los interpretando suas soluções na linguagem do mundo real”. Almeida, Silva e Vertuan (2012, p. 15) destacam que uma atividade de modelagem matemática tem em uma situação problemática a sua origem e tem como característica essencial a possibilidade de abarcar a cotidianidade ou a relação com os aspectos 21 externos à Matemática, caracterizando-se como um conjunto de procedimentos mediante o qual se definem estratégias de ação do sujeito em relação a um problema. Blum, citado por Sant’Ana (2007, p. 149), descreve como o ponto de partida para a Modelagem Matemática uma situação do mundo real, que é caracterizada como realidade ou tudo que advém da natureza, sociedade ou cultura, incluindo as disciplinas escolares e excetuando a Matemática. Essa associação entre diversos conhecimentos e a Matemática por Modelagem se dá por meio do processo de construção do modelo matemático, que é definido por Bassanezi (2011, p. 20) como “um conjunto de símbolos e relações matemáticas que representam, de alguma forma, o objeto estudado”. Segundo Franchi (2007, p.181), “um modelo matemático pode ser explicado como uma representação abstrata de uma parte do mundo real, através de estruturas e conceitos matemáticos”. Assim, a compreensão e interpretação de um fenômeno em estudo podem ser facilitadas com o modelo matemático, que, de acordo com Biembengut e Hein (2009), pode ser expresso em diversas estruturas e conceitos, como, por exemplo, em fórmulas e gráficos que se aproximam da realidade. Um modelo pode ser formulado em termos familiares, utilizando-se expressões numéricas ou fórmulas, diagramas, gráficos ou representações geométricas, equações algébricas, tabelas, programas computacionais, etc. Por outro lado, quando se propõe um modelo, ele é proveniente de aproximações realizadas para se poder entender melhor um fenômeno e nem sempre tais aproximações condizem com a realidade. Seja como for, um modelo matemático retrata, ainda que em uma visão simplificada, aspectos da situação pesquisada (BIEMBENGUT; HEIN, 2011, p. 12). Nessa perspectiva da possibilidade de um modelo matemático expressar situações da realidade, Bassanezi (2011, p. 24) define, ainda, Modelagem Matemática como “um processo dinâmico utilizado para a obtenção e validação de modelos matemáticos”. Bean (2001) destaca, inclusive, a obtenção do modelo matemático como objetivo de uma atividade de Modelagem Matemática, que representa possíveis características do objeto estudado. A essência da modelagem matemática consiste em um processo no qual as características pertinentes de um objeto ou sistema são extraídas, com a ajuda de hipóteses e aproximações simplificadoras, e representadas em termos matemáticos (o modelo). As hipóteses e aproximações significam que o modelo criado por esse processo é sempre aberto à crítica e ao aperfeiçoamento (BEAN, 2001, p. 53). 22 Complementando essas últimas características sobre Modelagem Matemática descritas por Bassanezi (2011) e Bean (2001), Biembengut e Hein (2011) se posicionam, também, sobre o processo de intuição e criatividade implícitos no processo de obtenção do modelo e de seleção dos conteúdos matemáticos a serem utilizados. Modelagem Matemática é o processo que envolve a obtenção de um modelo. Este sobe certa óptica, pode ser considerado um processo artístico, visto que, para se elaborar um modelo, além de conhecimento de matemática, o modelador precisa ter uma dose significativa de intuição e criatividade para interpretar o contexto, saber discernir que conteúdo matemático melhor se adapta e também ter senso lúdico para jogar com as variáveis envolvidas. (BIEMBENGUT; HEIN, 2011, p. 12). Biembengut e Hein (2011) relatam, ainda, sobre prováveis aplicações e teorias que podem ser obtidas ao serem formuladas as expressões para o problema estudado. Além disso, destacam a ideia sobre a Modelagem Matemática como um meio de interação entre Matemática e realidade, apresentando o esquema seguinte. Figura 01 - Esquema do processo de Modelagem Matemática Fonte: BIEMBENGUT; HEIN,2011, p. 13 2.1.3 Fases da Modelagem Matemática Como descrito no tópico anterior, uma atividade de Modelagem Matemática tem em uma situação problemática a sua origem. A identificação dessa situação é o ponto de partida do trabalho com a Modelagem Matemática, que tem como meta a aquisição de uma solução final. Entre esses dois extremos, há um conjunto de procedimentos a serem desenvolvidos. 23 [...] uma atividade de Modelagem Matemática pode ser descrita em termos de uma situação inicial (problemática), de uma situação final desejada (que representa uma solução para a situação inicial) e de um conjunto de procedimentos e conceitos necessários para passar da situação inicial para a situação final (ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012, p. 12). Almeida, Silva e Vertuan (2002) também ilustram essa característica, conforme o diagrama seguinte. Figura 02 - A situação inicial e a situação final na Modelagem Matemática Fonte: ALMEIDA, SILVA; VERTUAN, 2012, p. 12 Desde os processos referidos à situação real a ser estudada até a obtenção e validação de uma situação final, os autores relacionados ao estudo da Modelagem Matemática apresentam etapas consideradas fundamentais para esse tipo de atividade. Serão expostas as etapas descritas por Bassanezi (2011), Biembengut e Hein (2011) e Almeida, Silva e Vertuan (2012). Bassanezi (2011) aponta as fases de experimentação, abstração, resolução, validação e modificação. Segundo o autor, os dados relacionados ao experimento são alcançados na experimentação. Ele ressalta a importância de técnicas de pesquisa para seleção de dados que contribuirão para obtenção de um modelo adequado para o fenômeno estudado. 1. Experimentação – É uma atividade essencialmente laboratorial onde se processa a obtenção dos dados. Os métodos experimentais, que quase sempre são ditados pela própria natureza do experimento e objetivo da pesquisa. (...) Muitas vezes, novas técnicas de pesquisa empírica exercem pressão sobre o foco do interesse da teoria e permitem uma melhor seleção das variáveis essenciais envolvidas no fenômeno. (BASSANEZI, 2011, p. 26-27). Bassanezi (2011) subdivide a fase de abstração, que é onde começa a formulação dos modelos matemáticos, em quatro outras etapas. Ele descreve que, inicialmente, deve haver a seleção das variáveis, em que seus conceitos 24 relacionados ao contexto estudado devem ser claramente definidos; explica, também, que, nessa etapa, deve ocorrer a problematização, enfatizando que a formulação de um problema deve ser mais específica, indicando exatamente o que se pretende resolver. Após especificação dos objetivos, na formulação de hipóteses, o autor ressalta que elas dirigem a investigação, permitindo ao pesquisador deduzir manifestações específicas; por fim, nessa fase de abstração é indicada a subfase de simplificação, que ao voltar no problema original, busca-se restringir as informações a um nível que não desfigure o problema original, resultando num problema matemático tratável. 2. Abstração – É o procedimento que deve levar à formulação dos modelos matemáticos. Nesta fase, procura-se estabelecer: (a) seleção das variáveis; (...) (b) problematização ou formulação aos problemas teóricos numa linguagem própria da área em que se está trabalhando (...); (c) formulação de hipóteses (...); (d) simplificação (...). (BASSANEZI, 2011, p. 27-29). O autor destaca a concretização da mudança de linguagem natural para a matemática na fase de resolução. Frisando na especificidade da linguagem matemática em traduzir diferentes situações da linguagem natural, que podem ser expressas em alguns tipos de equações ou outras representações que podem ser mais ou menos complexas, muitas vezes, necessitando de auxílios computacionais para se obter alguma solução. Assim, é indicado que essa fase é específica do matemático. 3. Resolução – O modelo matemático é obtido quando se substitui a linguagem natural das hipóteses por uma linguagem matemática coerente (...). A resolução de modelos é uma atividade própria do matemático, podendo se completamente desvinculada da realidade modelada. (BASSANEZI, 2011, p. 29-30). Na fase de validação, Bassanezi (2011) descreve que nela é verificada a aceitação do modelo proposto com o grau de aproximação entre os dados reais e os encontrados por meio da Modelagem, destacando que o modelo deve prever, no mínimo, os fatos que o originaram, alegando que um bom modelo é aquele que tem capacidade de previsão de novos fatos ou relações insuspeitas. Os modelos obtidos podem estar em desacordo com o problema original, que, segundo o autor, pode acontecer devido a simplificações mal idealizadas, devido a alguma hipótese falsa 25 utilizada, por coleta de dados incorretos ou insuficientes, por algum erro matemático ou demais acontecimentos, por isso, ele propõe a fase de modificação. 4. Validação – É o processo de aceitação ou não do modelo proposto – Nesta etapa, os modelos, juntamente com às hipóteses que lhes são atribuídas devem ser testados em confronto com os dados empíricos, comparando suas soluções e previsões com os valores obtidos no sistema real – O grau de aproximação desejado destas previsões será o fator preponderante para sua validação. (...) A interpretação dos resultados obtidos através dos modelos pode ser feita com o uso de gráficos das soluções que facilita avaliar as previsões ou mesmo sugerir um aperfeiçoamento dos modelos. 5. Modificação – Alguns fatores ligados ao problema original podem provocar a rejeição ou aceitação dos modelos. Quando os modelos são obtidos considerando simplificações e idealizações da realidade, suas soluções geralmente não conduzem às previsões corretas e definitivas (...). (BASSANEZI, 2011, p. 30). Biembengut e Hein (2011) descrevem de maneira mais sucinta as fases de uma atividade de Modelagem Matemática, entretanto, têm a mesma essência em relação às cinco etapas apresentadas por Bassanezi (2011). São apresentadas tr ês etapas: interação, matematização e modelo matemático, cada uma subdividida em outras duas. Os autores descrevem que a interação se inicia ao ser delineada a situação-problema e vai se concretizando à medida que acontece a familiarização com o tema a ser analisado, essa etapa se ramifica em reconhecimento da situaçãoproblema e familiarização com o assunto a ser modelado. Os autores esclarecem que a ordem em que as duas subfases acontecem pode se inverter, além de se tornarem mais claras, enquanto vão se concretizando as outras fases. Na fase de matematização, que é subdividida em formulação do problema e resolução, em consonância com Bassanezi (2011), acontece a tradução da situaçãoproblema para a linguagem matemática. Os autores citam a importância da intuição, criatividade e experiência acumulada para o desenvolvimento desse processo, pois nessa etapa é que acontece a classificação das informações, das variáveis utilizadas e demais fatores e hipóteses importantes para que, formulada a situaçãoproblema, na segunda etapa dessa fase, seja feita sua resolução com o ferramental matemático que se dispõe. Por fim, tem-se a fase modelo matemático, que consiste na avaliação do modelo para verificação do nível de aproximação em relação à situação-problema, caracterizando, desse modo, as subetapas apresentadas de interpretação da situação (modelo) e validação do modelo (verificação de sua adequabilidade). 26 a) Interação - reconhecimento da situação-problema; - familiarização com o assunto a ser modelado referencial teórico. b) Matematização - formulação do problema hipótese; - resolução do problema em termos do modelo. c) Modelo matemático - interpretação da solução; - validação do modelo avaliação. (BIEMBENGUT; HEIN, 2011, p. 13). Essas fases são descritas, também, pelos autores, conforme o esquema seguinte, indicando as inter-relações entre as etapas e subetapas, sendo indispensável a retomada de qualquer fase, de acordo com a necessidade da dinâmica do trabalho desenvolvido. Figura 03 - Dinâmica das fases da Modelagem Matemática Fonte: BIEMBENGUT; HEIN, 2011, p. 15 Almeida, Silva e Vertuan (2012) apresentam quatro etapas bastante semelhantes às descritas por Biembengut e Hein (2011). Inteiração, matematização, resolução, interpretação de resultados e validação. Os autores, inicialmente, relatam sobre o termo “inteiração”, que remete a “ato de inteirar-se”, “informar-se sobre”, “tornar ciente de” e descrevem que, no contexto da Modelagem Matemática, essa etapa representa o primeiro contato com a situação-problema que se pretende estudar. Uma vez definido o tema dessa etapa, informações são estudadas, objetivando a familiarização com o assunto para o desenvolvimento de todo o trabalho. 27 Assim, com os conhecimentos necessários sobre o assunto abordado na matematização é feita a formulação do problema por meio da linguagem matemática, levantando hipóteses essenciais à efetivação da fase seguinte. Na etapa de resolução, Almeida, Silva e Vertuan (2012) também a caracterizam pela busca da construção de um modelo matemático, com a finalidade de descrever a situação, permitir a análise dos aspectos relevantes, responder às perguntas formuladas sobre o problema e, em alguns casos, viabilizar a realização de previsões. Além disso, os autores, em consonância com os demais apresentados, citam a quarta e última fase como sendo interpretação dos resultados e validação, retratadas em um processo avaliativo realizado pelos envolvidos na atividade, resultando na validação da representação matemática associada ao problema, considerando tanto os procedimentos matemáticos, quanto a adequação da representação para a situação. O esquema seguinte ilustra as fases apresentadas pelos autores. Figura 04 - Fases da Modelagem Matemática Fonte: ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012, p. 15 Como mencionado anteriormente, os autores ressaltam que essas fases não são estáticas, a qualquer momento pode ser oportuno voltar a um aspecto não observado ou antecipar alguma situação, na última fase, por exemplo, caso a conclusão adquirida não seja adequada, faz-se necessário o retorno às outras etapas. 2.1.4 Modelagem no ensino da Matemática Embasado por pesquisas feitas sobre o levantamento de produção de dissertação e teses relacionadas à utilização da Modelagem Matemática no campo da Educação Matemática, Barbosa (2007b) destaca o crescente interesse pelo 28 assunto nas últimas décadas. O autor relata a presença do tema nos eventos e publicações, estimulando o interesse de professores e pesquisadores nos diversos níveis de ensino. No nível médio, o ensino através da Modelagem possibilita o tratamento da Matemática em três aspectos: na Matemática como ciência, com características próprias; na Matemática formativa, que contribui no desenvolvimento de capacidades pessoais dos alunos e na Matemática como instrumento, com técnicas e estratégias para serem aplicadas a outras áreas do conhecimento. A partir dessa última característica, o ensino apresentado mostra-se atraente e em conformidade com os outros dois aspectos apontados. Barbosa (2001, p. 14) aponta que: um modelo matemático não é formulado com um fim em si mesmo, mas para resolver um problema. Sendo assim, a partir do modelo matemático, elabora-se um problema que será, se possível, resolvido pelas teorias matemáticas conhecidas. A solução é trazida de volta para a situação real para ser interpretada. Se possível, pode-se “validar” com os dados empíricos. Procura-se verificar o significado e a acuidade da solução obtida na situação-problema. Sendo assim, as três características apresentadas estão implícitas no processo de obtenção de um modelo matemático, pois, ao se buscar um problema qualquer para ser trabalhado e resolvido pela Matemática, o estudante estará utilizando essa ciência como instrumento, que com suas características, definições e propriedades específicas poderá despertar o aspecto formativo do aluno envolvido no processo de Modelagem Matemática, desenvolvendo nele capacidades de criatividade e intuição para interpretar, relacionar e resolver a situação proposta através do conteúdo matemático. Na perspectiva das contribuições para um ensino-aprendizagem eficiente e motivador, a utilização da Modelagem Matemática, na ótica de autores relacionados ao campo de educação matemática, também é favorável. Biembengut e Hein (2011) retratam o ensino da Matemática como algo que vai além da simples resolução de questões matemáticas, que, em muitos casos não são significativas para o aluno. Por isso, defendem que: a modelagem matemática no ensino pode ser um caminho para despertar no aluno o interesse por tópicos matemáticos que ele ainda desconhece ao mesmo tempo que aprende a arte de modelar, matematicamente. Isso porque é dada ao aluno a oportunidade de estudar situações-problema por 29 meio de pesquisa, desenvolvendo seu interesse e aguçando seu senso crítico (BIEMBENGUT; HEIN, 2011, p. 18). Burak e Barbieri (2005) mostram que além da interatividade proporcionada nesse tipo de ensino, ocorrem contribuições para o desenvolvimento do pensamento lógico-matemático dos alunos, enriquecendo o processo de ensino-aprendizagem. O ensino de Matemática pode se tornar extremamente interativo com a utilização da Modelagem Matemática, revelando uma nova concepção da disciplina, sobretudo no que se refere ao próprio crescimento cognitivo do aluno, em que os conteúdos matemáticos contribuem para o desenvolvimento do raciocínio lógico, indicando seu nível de colaboração na formação intelectual, social e pessoal (BURAK; BARBIERI, 2005, p. 8). A Modelagem como método de ensino, segundo Almeida e Brito (2005, p. 487), ”tem sido apontada por diversos educadores matemáticos como uma alternativa pedagógica que visa relacionar Matemática escolar com questões extramatemáticas de interesse dos alunos”. Barbosa (2007a, p. 161), por sua vez, defende que “a modelagem é um ambiente de aprendizagem no qual os alunos são convidados a problematizar e investigar, por meio da Matemática, situações com referência na realidade”. Nesse sentido, com a motivação encontrada nas aplicações dos conteúdos matemáticos, o aluno vai se tornando sujeito ativo na busca por conhecimentos indispensáveis à resolução de uma situação real. Outros autores também expressam como aspecto positivo a possível associação entre situações do mundo real e a Matemática que esse tipo de trabalho permite. Meyer, Caldeira e Malheiros (2011, p. 27) descrevem a importância de o aluno ser capaz de concatenar o mundo real com o universo matemático abstrato e que uma maneira de se obter essa associação é por meio da Modelagem. Desse modo, “o primeiro passo a ser dado para se trabalhar com Modelagem é reconhecer a existência de um problema real, no sentido de ser significativo para os alunos e suas comunidades”. Essas situações do mundo real, como já relatadas, com embasamento em Sant’Ana (2007), estão associadas a qualquer outra área do conhecimento. Nessa perspectiva, Biembengut e Hein (2011) citam a aproximação da Matemática com outra área como um dos objetivos do processo de ensino-aprendizagem, utilizando a 30 Modelagem em qualquer nível escolar. Além desse objetivo, os autores destacam outros cinco. - aproximar uma área do conhecimento da Matemática; - enfatizar a importância da Matemática para a formação do aluno; - despertar o interesse pela Matemática ante a aplicabilidade; - melhorar a apreensão dos conceitos matemáticos; - desenvolver a habilidade para resolver problemas; e - estimular a criatividade. (BIEMBENGUT; HEIN, 2011, p. 18-19). A criatividade e habilidades desenvolvidas pelos alunos acontecem, inclusive, pela característica, já apontada, desse tipo de atividade de estímulo à pesquisa, em que são mais autônomos em relação a uma outra simples atividade matemática de resolução de exercícios, por exemplo, pois eles são centro do processo ensinoaprendizagem. Meyer, Caldeira e Malheiros (2011, p. 25) apontam que, em Modelagem, “o sujeito do processo cognitivo é o aprendedor, é o aluno. Cada pessoa constrói o seu conhecimento, o sujeito atribui significados pelos próprios meios”. Portanto, em acordo com Almeida, Silva e Vertuan (2012), o professor, nesse processo, é uma espécie de orientador, não no sentido de estar alheio a sua postura, pois ele deve ser indicador de caminhos quando necessário, não oferecendo respostas acabadas a possíveis dúvidas, mas sugerindo procedimentos e não fazendo do aluno um simples seguidor de exemplos. Nas atividades com Modelagem Matemática, o professor consciente de sua função educativa estará fazendo com que o ensino se torne mais abrangente, envolvente e interdisciplinar, assumindo uma nova condição em relação ao processo de ensino deixando de ser um mero transmissor para se tornar orientador na construção de um conhecimento com reais significados. O aluno, aprende participando, tomando atitudes diante dos fatos, vivenciando sentimentos e escolhendo procedimentos para atingir seus objetivos. Dessa forma tende a assimilar com maior profundidade os conteúdos matemáticos. (BURAK; BARBIERI, 2005, p. 8). Diante disso, Abreu (2011, p. 59) afirma que: O aluno deve ser convidado a participar em seu processo de aprendizagem, e não a ser simplesmente um sujeito apático em um ambiente onde só o professor possui o direito à voz. Em trabalhos com a Modelagem, o aluno, deve ser convidado a se integrar, e pesquisar, inserido ao ambiente de aprendizagem que a Modelagem Matemática proporciona. 31 Portanto, o ensino da Matemática pautado na Modelagem não contempla apenas o vínculo da Matemática com a prática ou outras áreas do conhecimento, mas contribui, também, para a formação de um aluno crítico, participativo e pesquisador, além de exigir dele o domínio dos conceitos matemáticos. Com base nessas características, buscou-se uma pesquisa que contribua para o aperfeiçoamento da Modelagem Matemática como método de ensino de Matemática. 2.2 Tecnologias de Informação e Comunicação Em consonância com Kenski (2008), o conceito sobre Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) neste trabalho está associado a qualquer meio facilitador dos processos de propagação e interação de informação e comunicação, considerando o crescente avanço tecnológico nas últimas décadas, com a disseminação de inúmeros recursos, como televisão, computadores associados às redes digitais e diversas outras mídias. No contexto da educação, assim como relatado por Barros (2012), as TICs são intituladas como qualquer artefato auxiliador no processo de automação e comunicação de conhecimentos relacionados ao ensino e à pesquisa científica, desde meios e equipamentos mais simples, como internet, computador ou calculadora, até qualquer outro meio ou equipamento de maior sofisticação. 2.2.1 As TICs no Ensino Básico Com a rápida evolução de processos e produtos tecnológicos diferenciados e sofisticados na sociedade, como relatado por Kenski (2008), é um desafio, no âmbito da educação básica, atingir formas diferenciadas de ensinar e aprender que atendam a extrema velocidade de disseminação de informações e comunicações proporcionada por esse crescente avanço. Na concepção de Borba e Penteado (2001), pode-se buscar uma sintonia entre o ensino nas escolas e as TICs. Os autores entendem que “uma nova mídia, como a informática, abre possibilidades de mudanças dentro do próprio conhecimento e que é possível haver uma ressonância 32 entre uma dada pedagogia, uma mídia e uma visão de conhecimento”. (BORBA; PENTEADO, 2001, p. 43). Os estudantes têm cada vez mais vínculo com variados recursos tecnológicos, aumentando a possibilidade dos métodos de aprendizagem serem apoiados pelas TICs. O século XX entrou para a história com a inegável marca de um século no qual houve um desenvolvimento acelerado da tecnologia eletrônica, especialmente da informática e, por consequência, dos computadores. A partir da entrada do século XXI, esses equipamentos têm exercido um papel fundamental na formação de profissionais das mais diversas áreas. Essa realidade gera para a educação básica a demanda de inserir essas tecnologias em seus projetos pedagógicos e ambientes físicos. (FOLLADOR, 2007, p. 35). Apesar do crescimento exacerbado da informática em diversos segmentos, na escola isso acontece de forma bastante restrita. Segundo Masetto (2010, p. 133), “em educação escolar, por muito tempo – e eu diria mesmo, até hoje –, não se valorizou adequadamente o uso de tecnologia visando tornar o processo de ensinoaprendizagem mais eficiente e mais eficaz”. Não significa que o professor deva utilizar tais recursos indiscriminadamente, pois, para Moran (2010, p. 32), “cada docente pode encontrar sua forma mais adequada de integrar as várias tecnologias e os muitos procedimentos metodológicos”. De acordo com o conteúdo trabalhado no Ensino Médio e os objetivos almejados, é verificada a possibilidade do uso de um recurso tecnológico adequado que contribua para um processo de aprendizagem significativo e estimulante. As novas tecnologias de comunicação (TICs), sobretudo a televisão e o computador, movimentaram a educação e provocaram novas mediações entre a abordagem do professor, a compreensão do aluno e o conteúdo veiculado. A imagem, o som e o movimento oferecem informações mais realistas em relação ao que está sendo ensinado. Quando bem utilizadas, provocam a alteração dos comportamentos de professores e alunos, levando-os ao melhor conhecimento e maior aprofundamento do conteúdo estudado. (KENSKI, 2008, p. 45). Apesar dos inúmeros benefícios no processo de ensino-aprendizagem, as Tecnologias de Informação e Comunicação são apenas recursos didáticos que o professor deve utilizar como ferramenta de apoio, elas não devem ser encaradas como protagonistas na aprendizagem dos alunos, não são solução para os diversos problemas existentes na Educação Básica. Conforme Masetto (2010, p. 139): 33 [...] a tecnologia apresenta-se como meio, como instrumento para colaborar no desenvolvimento do processo de aprendizagem. A tecnologia reveste-se de um valor relativo e dependente desse processo. Ela tem sua importância apenas como um instrumento significativo para favorecer a aprendizagem de alguém. Não é a tecnologia que vai resolver ou solucionar o problema educacional do Brasil. Poderá colaborar, no entanto, se for usada adequadamente, para o desenvolvimento educacional de nossos estudantes. É o professor o mediador de todo o processo de ensino-aprendizagem e as TICs são valiosas ferramentas de apoio, criadoras de condições de aprendizagem. Mas, para que o docente atinja os objetivos relacionados ao conteúdo a ser aprendido, usando como um meio as tecnologias, faz-se necessário um planejamento mais rigoroso, atento à eficácia dos recursos utilizados quanto ao processo de ensino-aprendizagem e aos diversos meios tecnológicos e às constantes mudanças existentes nesse segmento. Um dos fatores primordiais para a obtenção do sucesso na utilização da Informática na educação é a capacitação do professor perante essa nova realidade educacional. O professor deverá ser capacitado de tal forma que perceba como deve efetuar a integração da tecnologia com a sua proposta de ensino. O professor deve estar aberto a mudanças, principalmente em relação a adquirir uma nova postura: a de facilitador e coordenador de processos de ensino-aprendizagem; ele precisa aprender a aprender, a lidar com as rápidas mudanças, ser dinâmico e flexível. (SANTIAGO, 2006, p. 82-83) Então, além da exigência de um trabalho mais rigoroso, a utilização adequada das TICs como auxiliadoras na aprendizagem requer, muitas vezes, postura de orientação, permitindo a autonomia do aluno no desenvolvimento de atividades. Moran (2010, p. 30) afirma que “o professor é um pesquisador em serviço. Aprende com a prática e a pesquisa e ensina a partir do que aprende. Realiza-se aprendendo-pesquisando-ensinando-aprendendo. O seu papel é fundamentalmente o de um orientador/mediador”. Laudares e Miranda (2007) também fazem considerações sobre essa nova postura do professor num ambiente informatizado de aprendizagem. [...] A ação docente não permanece mais no centro do processo do ensinar/aprender. O professor é impelido a converter-se em mediador, a mostrar aos alunos os caminhos para atingir a autonomia em relação ao conhecimento. Assim, ambiente e professor integrados são constituintes de um espaço escolar adequado ao desenvolvimento da didática, na 34 perspectiva de mais formação e não apenas informação. (LAUDARES, MIRANDA, 2007, p. 74) Ponte (2000) ressalta que, com o uso das TICs, professor e aluno passam a ser parceiros de um mesmo processo de construção do conhecimento, aumentando a responsabilidade dos professores, fazendo com que eles não sejam apenas (re)transmissores de conhecimentos, constituindo, assim, uma grande evolução educativa. No ensino da Matemática, além das calculadoras de diversos modelos, um importante e eficiente meio tecnológico auxiliador na aprendizagem é o computador, que permite a manipulação de diversos softwares matemáticos e a associação com outras mídias e recursos. O computador pode ser considerado como principal instrumento das TICs, devido à pluralidade de utilização de informações que podemos manipular. O computador é uma máquina que promove relações interativas, disponibiliza simultaneamente várias mídias como: televisão, rádio, blu-ray, máquina fotográfica, projetor multimídia, aparelho de som, entre outros. (BARROS, 2012, p. 40). Borba (2001, p. 34) explana que “as novas mídias, como computadores com softwares gráficos e as calculadoras gráficas, consentem que o aluno experimente bastante, de modo semelhante ao que faz em aulas experimentais de biologia ou de física”. Tem-se, então, um aluno ativo, participativo no processo de ensinoaprendizagem, que utiliza a tecnologia como meio de pesquisa e aprimoramento de um assunto abordado. Dessa maneira, as características apresentadas estão em acordo com atividades de ensino pautadas na Modelagem Matemática, que também tem o professor como orientador de um aluno totalmente participativo no processo. 2.2.2 As TICs no ensino por meio da Modelagem Matemática Num trabalho de ensino por meio da Modelagem Matemática, uma situação real, ao ser matematizada, torna-se mais simples, atrativa, ilustrativa e precisa ao serem utilizadas as Tecnologias de Informação e Comunicação. 35 A modelagem pode e já foi bastante praticada no Brasil e em outros países sem o uso da mídia informática. Entretanto, a sinergia é imensa entre uma proposta que enfatiza a pesquisa por parte dos alunos e uma mídia que facilita tal empreitada. Softwares de geometria dinâmica como o Geometricks (2000) ou o Cabri, softwares de funções como os presentes nas calculadoras gráficas ou softwares que permitem o trabalho com funções, tabelas e estatística como o Excel, se tornam importantes aliados em investigações abertas como as empreendidas em uma abordagem ligada à modelagem. (BORBA; PENTEADO, 2001, p. 44). Meyer, Caldeira e Malheiros (2011), com embasamento em exemplos apresentados por outros autores, destacam as TICs como atrizes, ao se fazer Modelagem. Com o aumento da presença das TICs no cotidiano escolar, as possibilidades de experimentação e investigação de determinadas situações podem ser otimizadas, viabilizando a realização de simulações e previsões. (MEYER; CALDEIRA; MALHEIROS, 2011, p. 116). Os recursos computacionais aperfeiçoam o trabalho de Modelagem. Trabalhar com um número de dados e variáveis expressivos se torna mais fácil com a Informática, uma vez que os softwares matemáticos são eficientes na construção de gráficos e fórmulas, agilizam o trabalho e fazem estimativas mais precisas em relação ao trabalho manual. Jacobini, citado por Meyer, Caldeira e Malheiros (2011, p. 117), relata que, “ao se trabalhar com um volume grande de dados, além de um número considerável de variáveis, recursos informáticos são necessários para o processo de construção e simulação de modelos”. O trabalho conjunto da Informática com a Modelagem trouxe novas possibilidades para a Modelagem. Muitas das dificuldades do processo de Modelagem ficaram superadas pela facilidade de coleta e tratamento dos dados e pela manipulação das representações (matrizes, planilhas, gráficos ou equações) através da utilização de softwares e da Internet. O modelo pode ser construído com mais liberdade, sem o receio de que o tratamento matemático possa ser demasiadamente complicado, ou difícil de ser abordado naquela etapa de escolaridade. (FRANCHI, 2007, p. 185). Jacobini, agora mencionado por Diniz (2007), destaca que há muitas informações quantitativas em projetos de Modelagem, em que os alunos podem fazer simulações e construir diversos gráficos, sendo o Excel um software adequado, devido a sua facilidade de uso e disponibilidade. Por iss o, foi utilizado em duas das atividades desenvolvidas neste trabalho, as quais serão expostas no capítulo 3. Outro software utilizado em todas as atividades que serão relatadas nesta 36 Dissertação, adequado para o trabalho com gráficos, é o GeoGebra, que é dinâmico e se mostra apropriado para o Ensino Básico. Silva (2011), portanto, destaca os benefícios da utilização desse tipo de software no nível de ensino em questão. O uso de softwares dinâmicos pode melhorar a compreensão de conceitos, uma vez que relacionam propriedades numéricas, algébricas e geométricas do mesmo conteúdo, de forma versátil, conferindo aos alunos a possibilidade de ligarem habilidades visuais a numéricas. (SILVA, 2011, p. 42). Berry e Houston, citados por Diniz (2007), retratam um tipo de simulação em uma atividade de Modelagem Matemática de algo que pode ser construído. O autor cita o exemplo de um avião, em que se pode investigar, via simulação, várias situações que podem ocorrer durante o voo. Exemplo semelhante aos tipos de atividades a serem relatadas no capítulo 3, nas quais constam experimentos da Física construídos em laboratório, de maneira que se investigam situações através da Matemática. A internet é outro recurso computacional que aperfeiçoa o trabalho de Modelagem. Conforme Meyer, Caldeira e Malheiros (2011, p.116), “a sua utilizaç ão pode facilitar a realização de pesquisas”, o acesso à informação é rápido, atualizado e permite uma comunicação facilitada com sujeitos ligados ao assunto explorado. Franchi (2007, p. 185-186) destaca que “a utilização da informática pode também facilitar a comunicação entre as pessoas envolvidas no processo de construção do modelo, possibilitando um constante diálogo em momentos não presenciais”. Desse modo, as TICs são importantes meios para construção e simulação de modelos. Araújo (2002, p. 43-44) sugere que há “uma certa harmonia na parceria entre Modelagem Matemática e tecnologias informáticas. Parece haver uma solicitação natural pelo uso de computadores e/ou calculadoras quando se está desenvolvendo algum trabalho de Modelagem Matemática”. Então, num contexto social atual, um trabalho de Modelagem se mostra qualitativo com a utilização das TICs, sendo praticamente indispensável seu uso nos parâmetros atuais de desenvolvimento da tecnologia. 2.3 O ensino da Matemática integrado à Física 37 A Matemática é dotada de uma estrutura própria, entretanto, não é independente de outras ciências. Tanto a Matemática encontra suporte e motivação em áreas diversas, como Física, Química, Biologia e Estatística, quanto inúmeras outras ciências respaldam-se em conceitos matemáticos. O reconhecimento de uma teoria científica passou a ter como condição necessária o fato de poder ser expressa em uma linguagem matemática. A própria matemática teve uma evolução substancial, em decorrência da demanda das diversas áreas de pesquisa por novas teorias matemáticas. (BASSANEZI, 2011, p.19). A Física e a Matemática são influenciadas mutuamente. Uma encontra na outra inspiração para o desenvolvimento de muitas de suas teorias. Sobre isso, Karam (2007) relata que “o matemático depende tanto da Física como o inverso”. De acordo com Machado (2001, p. 50), “a Física nos entulha de exemplos de conceitos e teorias matemáticas que surgiram como respostas a questões formuladas pela experiência e não como fruto de mera especulação intelectual”. A importância da Física para a Matemática não se restringe apenas à possibilidade de aplicação de conceitos e teorias, algumas estruturas matemáticas são desenvolvidas a partir de conhecimentos físicos. Poincaré, citado por Karam (2007), afirma que, sem algumas teorias físicas, não seriam conhecidos alguns conceitos matemáticos. Ele descreve como exemplos a relação no desenvolvimento das equações e derivadas parciais com conceitos sobre calor e eletricidade e destaca, ainda, sobre a teoria das equações e derivadas parciais de segunda ordem que desenvolveu pela Física e para a Física. [...] os físicos não auxiliam os matemáticos apenas fornecendo-os problemas, mas também na solução destes através da sugestão de raciocínios e demonstrações baseados em imagens e analogias físicas. Muitas vezes, é só através dessas imagens e analogias que os matemáticos conseguem construir um melhor entendimento sobre objetos extremamente abstratos como, por exemplo, as funções de variáveis complexas. (KARAM, 2007, p. 6). A importância da Matemática para a Física também é aparente, esta última ciência encontra na Matemática uma formalização de seus conceitos, pois muitas de suas teorias são expressas pela Matemática e são demonstradas com as operações matemáticas. Robilotta, citado por Campos (2000, p. 52), pontua que “os conhecimentos da Física englobam fenômenos e teorias, sendo estas últimas 38 baseadas em conceitos e leis, e estruturadas por meio da Matemática”. Pietrocola (2002) destaca os aspectos positivos do estudo de conceitos científicos relacionados à Física, utilizado a Matemática como linguagem, que é universal. [...] a Matemática, enquanto linguagem, empresta sua própria estruturação ao pensamento científico para compor os modelos físicos sobre o mundo. Estas são em última instância, estruturas conceituais que se relacionam ao mundo, mediadas pela experimentação. A escolha da Matemática enquanto veiculo estruturador da ciência reside, entre outras coisas, nas suas características de precisão, universalidade e principalmente lógica dedutiva (possibilidade de previsibilidade). (PIETROCOLA, 2002, p. 101 102. Grifos do autor da citação). A ideia da Matemática num contexto estruturante de conhecimentos da Física pode ser estendida para o ensino a partir do entendimento dos conceitos físicos por parte dos alunos. Campos (2000, p. 54) alega que, “ao estabelecer relações operatórias entre os conceitos físicos, a Matemática cumpre uma função estruturadora do conhecimento, emprestando forma às teorias”. O estudante utiliza o conhecimento aprendido na Física, traduzindo-o em linguagem matemática, tirando conclusões sobre o que é estudado. Diante disso, Karam (2007) descreve que: [...] dentro desta perspectiva de ações integradas facilitadoras que pensamos que seja desejável uma abordagem interdisciplinar para o ensino de Matemática e Física, com os objetos matemáticos ganhando significado a partir de exemplos concretos de fenômenos físicos e estes fenômenos sendo modelizados pela linguagem matemática. (KARAM, 2007, p. 7). Nesse contexto, a metodologia de ensino de Matemática com a Modelagem Matemática de Fenômenos Físicos mostra-se propícia. Assim, Campos (2000) destaca o desenvolvimento de propostas metodológicas para introduzir os alunos na prática de Modelagem Matemática, que torna possível a resolução de problemas práticos, expressa regularidades, transformações e permanências entre grandezas físicas. 39 3 PCNEM E ANÁLISE DO TEMA EM ESTUDO DE LIVROS DIDÁTICOS 3.1 Os PCNEM e o ensino da Matemática por meio da Modelagem de Fenômenos Físicos Com base na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9.394/96, tem-se os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM), que indicam um novo foco para esse último nível de Ensino Básico no Brasil. A partir da década de 90, buscou-se a formação emancipatória do aluno em detrimento à formação de características tecnicistas presentes em décadas anteriores. Nessa nova concepção, os PCNEM indicam uma tendência da formação geral, em oposição à formação específica. Apresentam como características do Ensino Médio as capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e selecioná-las. Destacam como primordial o desenvolvimento da capacidade de aprender, criar e formular, ao invés da simples resolução de um exercício de memorização. Todas essas características surgem com a necessidade de uma educação atenta às mudanças estruturais da sociedade, que concomitantemente com o desenvolvimento contínuo de novas tecnologias, tem-se a alteração do modo de organização do trabalho e das relações sociais. Assim, com base no surgimento de novas tecnologias, na consolidação de um estado democrático, nas mudanças na produção de bens, serviços e conhecimentos e com referência nos princípios definidos pela LDB, o Ministério da Educação, num trabalho conjunto com educadores de todo o país, propõe com os PCNEM um ensino apoiado em competências básicas para a inserção dos alunos na vida adulta. Em contrapartida a um ensino descontextualizado, baseado no acúmulo de informações, é almejada a busca de significados ao conhecimento escolar, mediante a contextualização e interdisciplinaridade, valorizando o raciocínio e a capacidade de aprender. (BRASIL, 2000a). O ensino de Ciências e Matemática, que é iniciado no nível fundamental, além dos conceitos e informações a serem aprofundados e complementados, as 40 habilidades e competências também são desenvolvidas com maior plenitude no Ensino Médio, devido à maturidade adquirida pelo estudante em sua vida escolar. Os PCNEM propõem uma abordagem de ensino de Biologia, Física, Química e Matemática com procedimentos e conceitos científicos, os quais devem ser trabalhados, quando possível, envolvendo a articulação interdisciplinar desses saberes, contemplando os conteúdos tecnológicos e práticos já presentes junto a cada disciplina. Com isso, forma-se a área das Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, em que o desenvolvimento dos instrumentos matemáticos de expressão e raciocínio é preocupação de todos os professores envolvidos nessa área, já que os elementos matemáticos no Ensino Médio são necessários para a construção de conceitos das outras ciências nesse nível de ensino e estão presentes em outras situações internas e externas ao ambiente escolar. Nessa ideologia de necessidade de alguma competência em Matemática a outras áreas do conhecimento e de um Ensino Médio que contribui para a promoção e desenvolvimento das capacidades exigidas na vida social e profissional dos alunos, com diferentes motivações, interesses e habilidades, os PCNEM retratam a Matemática, nesse nível de ensino, com valor formativo e instrumental. Em seu papel formativo, a Matemática contribui para o desenvolvimento de processos de pensamento e a aquisição de atitudes, cuja utilidade e alcance transcendem o âmbito da própria Matemática, podendo formar no aluno a capacidade de resolver problemas genuínos, gerando hábitos de investigação, proporcionando confiança e desprendimento para analisar e enfrentar situações novas, propiciando a formação de uma visão ampla e científica da realidade, a percepção da beleza e da harmonia, o desenvolvimento da criatividade e de outras capacidades pessoais. (BRASIL, 2000b, p. 40). Esse aspecto, descrito no capítulo anterior, está de acordo com a característica de um ensino por meio da Modelagem Matemática, em que o estudante é o centro do processo e é convidado a desenvolver todo o trabalho de maneira autônoma. Através do seu próprio raciocínio e da pesquisa, ele deve interagir sobre o assunto estudado, buscando um modelo matemático para obtenção de uma solução e de conclusões sobre o problema apresentado ou sobre outras situações. A definição de Modelagem Matemática, também apresentada no primeiro capítulo, em citações de alguns autores, está associada à transformação de uma 41 situação relacionada a uma área de conhecimento qualquer para a Matemática, a fim de se obter conclusões sobre o assunto abordado, caracterizando, assim, o aspecto instrumental proporcionado à Matemática com esse tipo de atividade. No que diz respeito ao caráter instrumental da Matemática no Ensino Médio, ela deve ser vista pelo aluno como um conjunto de técnicas e estratégias para serem aplicadas a outras áreas do conhecimento, assim como para a atividade profissional. Não se trata de os alunos possuírem muitas e sofisticadas estratégias, mas sim de desenvolverem a iniciativa e a segurança para adaptá-las a diferentes contextos, usando-as adequadamente no momento oportuno. (BRASIL, 2000b, p. 40). Para aplicar essas técnicas e estratégias da Matemática, importantes para obter conclusões sobre um determinado assunto através da Modelagem, assim como apontado pelos PCNEM, do estudante se requer conhecimento sobre definições e propriedades específicas da Matemática, salientando, além do aspecto formativo e instrumental, uma abordagem dessa disciplina como ciência, com suas características estruturais próprias, que podem ser importantes para validar e dar sentido a outros conhecimentos. Os PCNEM também fazem uma reflexão específica entre relação Matemática e tecnologia, ressaltando o computador como o instrumento mais relevante nesse processo de ensino, o qual deve favorecer o desenvolvimento de habilidades e procedimentos úteis para orientação do sujeito num mundo de conhecimento em constante movimento. Na ideologia apresentada pela busca da contextualização e interdisciplinaridade, o conteúdo matemático “Função”, trabalhado nas atividades a serem relatadas no capítulo seguinte, é destacado pelos Parâmetros Curriculares como exemplo de um tema com caráter integrador a outras ciências. Além das conexões internas à própria Matemática, o conceito de função desempenha também papel importante para descrever e estudar através da leitura, interpretação e construção de gráficos, o comportamento de certos fenômenos tanto do cotidiano, como de outras áreas do conhecimento, como a Física, Geografia ou Economia. Cabe, portanto, ao ensino de Matemática garantir que o aluno adquira certa flexibilidade para lidar com o conceito de função em situações diversas e, nesse sentido, através de uma variedade de situações problema de Matemática e de outras áreas, o aluno pode ser incentivado a buscar a solução, ajustando seus conhecimentos sobre funções para construir um modelo para interpretação e investigação em Matemática. (BRASIL, 2000b, p. 43-44). 42 Uma abordagem totalmente associada às características da atividade 4 deste trabalho, que os PCNEM destacam, é relacionada à Função Trigonométrica, a qual pode ser trabalhada na construção de modelos que correspondam a fenômenos periódicos, propondo um projeto que envolva a Física, proporcionando uma oportunidade de aprendizagem significativa. 3.2 Análise do tema estudado em alguns livros didáticos O livro didático é um importante recurso no processo de ensino-aprendizagem da Matemática no Ensino Médio. Ele é útil como fonte de estudos para os alunos e como apoio às atividades propostas pelos professores, em que são apresentadas definições, propriedades, demonstrações e exercícios. Foram analisadas duas obras de Matemática integrantes do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), que fazem parte do cadastro de sugestões de livros a serem adotados por instituições públicas de ensino. Quadro 01 - Livros didáticos de Matemática analisados Livro 1 Título do Livro Matemática Volume(s) 1e2 Autores Gelson Iezzzi Ciência e Osvaldo Dolce Aplicações Davi Degenszajn Editora Ano Saraiva 2010 Ática 2009 Roberto Périco Nilze de Almeida 2 Matemática Único Luiz Roberto Dante Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação O conteúdo matemático analisado em cada livro é Função, especificamente as trabalhadas nas atividades a serem descritas no capítulo seguinte desta Dissertação, tendo sido retratadas as Funções Quadrática, Exponencial e Trigonométrica. 43 Os livros de Matemática foram analisados nos seguintes aspectos: introdução do conteúdo, abordagem metodológica adotada e exercícios propostos. Livro 1: Matemática Ciência e Aplicações – Volumes 1 e 2 Nesse livro, que é adotado na instituição em que a pesquisa foi des envolvida, o conteúdo Função é introduzido no volume 1 como uma noção intuitiva, através de quatro exemplos práticos de relação entre duas grandezas, como tempo e temperatura, dispostas em forma de tabela. Após alguns exercícios relacionados a situações básicas, que indicam relação entre duas grandezas, a noção de Função é abordada como relação entre dois conjuntos. São descritos exemplos teóricos e, em seguida, é apresentada a definição formal de Função. Depois, é feita a abordagem do conteúdo no contexto das fórmulas. A partir daí são apresentados os conceitos de domínio, contradomínio e conjunto imagem de uma Função. A abordagem gráfica é feita, inicialmente, no contexto informal com dados estatísticos, para depois ser trabalhada a construção de gráfico de Funções quaisquer a partir de elementos do domínio. No final do capítulo, são apresentados conceitos, como sinal de uma Função, crescimento e decrescimento, máximos e mínimos, simetrias e é finalizado com um conjunto de exercícios teóricos e práticos para serem resolvidos utilizando, como mídia, lápis e papel. Após o capítulo que aborda o conceito de Função Afim, tem-se o capítulo sobre Função Quadrática, que é introduzido por um exemplo sobre a quantidade de jogos realizados a partir do número de times participantes em um campeonato de futebol, em que todas as equipes jogam entre si, duas vezes. São apresentas duas situações numéricas e o próprio livro generaliza os casos, apresentando as fórmulas y x x 1 e y x 2 x , as quais associam a quantidade y de jogos realizados, a partir da variável x, que indica o número de times participantes do campeonato. Assim, baseando-se na segunda fórmula, é apresentado o conceito de Função Quadrática, para depois ser apresentada a definição formal e alguns exemplos. São descritos dois exemplos resolvidos de construção de gráfico desse tipo de Função mediante elementos do conjunto domínio e, após exercícios teóricos propostos, são apresentados os conceitos sobre raízes de uma Função Quadrática, 44 coordenadas do vértice de uma parábola e conjunto imagem desse tipo de Função. Cada tópico é seguido por uma lista de exercícios teóricos e contextualizados para serem resolvidos pelo estudante no caderno dado. Em outro capítulo do volume 1 desse livro, é abordada a Função Exponencial, que também é introduzida por um exercício resolvido, o qual apresenta uma situação indicando que a área coberta pelas algas marinhas em uma dada região cresce 75% a cada ano em relação à superfície coberta no ano anterior. É estimada em aproximadamente 4000 m 2 a área atual coberta pelas algas. Então, são feitos questionamentos sobre a área coberta depois de 2,3 e x anos. Apresenta-se a fórmula y 1, 7 5 x 4 0 0 0 , indicando uma ilustração sobre a Função Exponencial. Após o exemplo, é feita uma revisão sobre os tipos de potência e suas propriedades, para só então expressar a definição formal de Função Exponencial com suas condições de existência. Assim como no capítulo de Função Quadrática, são apresentados exercícios teóricos resolvidos vinculados à construção do gráfico desse tipo de Função a partir de elementos quaisquer do conjunto domínio. É feita uma explicação relacionada ao número irracional e, indicando sua importância em exemplos arrolados à Função Exponencial e Logarítmica e, em seguida, são apresentadas as propriedades de crescimento e decrescimento de uma Função Exponencial. São apresentados exemplos de outras Funções semelhantes às Exponenciais, cujo gráfico apresenta tendências semelhantes, como as Funções do tipo y 3 2 x ; y 5 x 2 ou y 2 x 1 3 . Também um conjunto de exercícios teóricos e contextualizados é proposto para ser resolvido no caderno. A Função Trigonométrica é abordada apenas no volume 2 dessa coleção. Após conceitos sobre as razões trigonométricas e outros relacionados à circunferência trigonométrica serem trabalhados, é apresentada a ideia de Função Periódica em situações reais vinculadas ao tempo, como os dias da semana, que se repetem a cada sete dias. Em seguida, são expostos alguns exemplos numéricos e uma definição formal sobre Função Periódica. São estudadas as Funções Trigonométricas Seno, Cosseno e Tangente. As metodologias utilizadas são semelhantes, conceitos e exemplos envolvendo crescimento e decrescimento, período, domínio e conjunto imagem dessas Funções e de outras com tendências semelhantes são apresentadas, como as Funções Múltiplas da Trigonométrica. Em 45 cada tópico são propostos exercícios teóricos, sendo que em cada parte onde são abordadas as Funções Seno e Cosseno há um exercício contextualizado. Livro 2: Matemática – Volume único O conceito de Função, nesse livro, é trabalhado de modo semelhante ao do livro anterior. Inicialmente, explora-se a noção intuitiva de Função através de exercícios práticos resolvidos e propostos, seguida da noção de conjuntos, conceitos de domínio, contradomínio e conjunto imagem, do trabalho com fórmulas e, por último, a análise gráfica, que também é retratada com dados estatístic os, para depois ser explorada a construção do gráfico de uma Função por meio de elementos do conjunto domínio. Cada conceito é seguido de exercícios um pouco mais contextualizados que os do outro livro. A Função Quadrática é introduzida por um exemplo que questiona sobre a maior área retangular possível de se cercar ao redor de uma quadra de basquete com 200m de tela. A área do terreno a ser cercado é dada pela fórmula f x 100 x x 100 x x 2 x 2 100 x , o ponto de partida para se definir esse tipo de Função. São apresentadas outras situações práticas, relacionadas à geometria. Nos primeiros exercícios propostos desse capítulo, existem três abrangendo a Física, sendo que um deles é sobre um corpo em queda livre, mesmo assunto do experimento da segunda atividade deste trabalho, e outro no contexto da eletricidade, envolvendo circuitos elétricos, mesmo da terceira atividade desta Dissertação. O gráfico da Função Quadrática é trabalhado, a princípio, pela definição geométrica de parábola, não por construção de gráfico a partir de elementos do conjunto domínio, como no outro livro. Em seguida, são trabalhados conceitos vinculados ao deslocamento vertical e horizontal, para só então ser estudado o vértice da parábola com valores de máximo ou de mínimo, onde é resolvido o exemplo proposto no início do capítulo. O conceito de Função Exponencial é iniciado por um exemplo sobre o crescimento da população de bactérias, seguido por uma revisão de potenciação. Após a definição formal e propriedades, são estabelecidos exercícios teóricos resolvidos e propostos. Em outra parte do capítulo, é feito um aprofundamento sobre aplicações dessa Função em conceitos associados à Progressão Geométrica, 46 Matemática Financeira e Radioatividade, em que são apresentados exemplos e exercícios. Após conceitos de Trigonometria na circunferência, o livro faz abordagem apenas das Funções Trigonométricas Seno e Cosseno. É apresentada, inicialmente, a definição dessas Funções e, logo depois, é feita a construção do gráfico mediante pontos notáveis do conjunto domínio. Em seguida, conceitos de conjunto imagem e período são apresentados de forma simples. As Funções definidas como Senoides, derivadas da Função Seno ou Cosseno, são trabalhadas gradativamente. É apresentada a alteração gráfica nas Funções Seno e Cosseno ao serem multiplicadas ou adicionadas por uma constante e, por conseguinte, descreve-se a fórmula geral de uma Senoide do tipo y a b sen cx d , explicitando as alterações ocorridas no período ao multiplicar a variável independente por uma constante. Depois, é feita uma comparação entre esse tipo de Função e a variação da altitude do mar em relação ao tempo. O mesmo conceito físico da quarta atividade desse trabalho, movimento harmônico simples, também é exposto no livro como uma aplicação dessas funções matemáticas. Ao serem descritas definições e propriedades desse movimento, um exemplo resolvido é apresentado, associando os conceitos do Movimento Harmônico Simples aos da Função Cosseno. Finalizado o capítulo, são propostos exercícios relacionados a esse movimento e a outras situações práticas. Portanto, com a análise dessas obras, percebe-se que os conteúdos Função Quadrática, Exponencial e Trigonométrica têm abordagem semelhante quanto à organização metodológica, os tópicos são introduzidos por um exemplo resolvido contextualizado, seguido de explicações, definições formais, exemplos e exercícios teóricos e relacionados a alguma situação prática. O segundo livro, entretanto, é mais contextualizado, permeado por uma das propostas desse trabalho, que é associar Física à Matemática, fazendo, inclusive, inferências a assuntos físicos trabalhados nas atividades desta Dissertação. As TICs, como alguns softwares matemáticos, ainda não são utilizadas como recurso nas atividades propostas pelos capítulos observados, e a Modelagem Matemática não se apresenta como proposta direta no ensino desses conteúdos. 47 Além das duas obras de Matemática, foi analisada uma coleção de Física, também integrante do PNLEM, quanto ao tema em estudo na pesquisa em realização. Quadro 02 - Livro didático de Física analisado Título do Livro Física ensino Volumes 1, 2 e 3 Autores Antônio Máximo médio Editora Ano Scipione 2006 Beatriz Alvarenga Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação A observação foi feita no intuito de verificar uma possível abordagem matemática nos conteúdos que foram tratados nos experimentos físicos realizados nas atividades deste trabalho. Os conteúdos observados foram Movimento Retilíneo Uniformemente Variado, Queda Livre, Movimento Harmônico Simples e conceitos relacionados à Eletricidade. O tópico Movimento Retilíneo Uniformemente Variado é abordado no volume 1 e abordado sob o conceito de aceleração, seguido por comentários relacionados e um exemplo resolvido. O conceito sobre Movimento Retilíneo com aceleração constante é apresentado por um exemplo relacionado à observação da velocidade a cada segundo de um carro e, assim, intuitivamente, é deduzida a fórmula v v 0 a t , que associa a velocidade v de um objeto em função do tempo t, sendo v 0 a velocidade inicial do objeto e a aceleração. Uma abordagem matemática surge com a apresentação do gráfico obtido a partir dessa fórmula num intervalo fechado qualquer e, a partir da área compreendida sob o segmento de reta formado, é deduzida a fórmula d v 0t 1 2 2 at , a qual define a distância d percorrida por um objeto uniformemente acelerado em função do tempo. O livro informa que o gráfico dessa fórmula não é retilíneo como o último, mas que forma uma parábola apresentando uma ilustração. São propostos exercícios relacionados aos conceitos e às fórmulas apresentadas. No mesmo capítulo, o tópico sobre Queda Livre é trabalhado após sucinta explicação do aumento da aceleração de um objeto ao ser abandonado de certa altura, caracterizando, assim, um movimento acelerado. Com considerações 48 relacionadas à teoria de Aristóteles e Galileu, o conceito de Queda Livre, desprezando a resistência do ar, é apresentado como sendo um movimento apenas com ação da aceleração constante da gravidade, que equivale a aproximadamente 9,8 m/s2. Ademais, as mesmas fórmulas utilizadas no tópico anterior são repassadas e seguidas de um exemplo resolvido e exercícios de fixação. O conteúdo Movimento Harmônico Simples é apresentado no volume 2 dessa obra a partir de uma associação entre um corpo e uma mola numa superfície horizontal sem atrito. Com compressão e, em seguida, o abandono da mola, iniciase o movimento de oscilação do corpo, denominado Harmônico Simples. Outros exemplos desse tipo de movimento são apresentados, como o pêndulo de um relógio em movimento. Conceitos físicos sobre amplitude, frequência e período são descritos, bem como a fórmula de cálculo do período do Movimento Harmônico Simples. Não é feita associação direta desses conceitos com o conteúdo trabalhado na Matemática do Ensino Médio em Funções Periódicas. Numa das atividades a serem apresentadas nesta Dissertação, é trabalhado o circuito elétrico RC, que resulta da associação em série de um resistor com um capacitor. Os conceitos relacionados à Eletricidade são expressos no volume 3 desse livro. Todavia, não é feita uma abordagem específica desse tipo de circuito nos conteúdos apresentados, apenas num exercício, ele é expresso de maneira sucinta. As características desse circuito são mais trabalhadas em livros do Ensino Superior, porém, os conceitos sobre circuito elétrico, resistor e capacitor são bastante trabalhados. O trabalho com gráficos e procedimentos algébricos está em todo instante presente nas explicações e exercícios do livro, mas os conteúdos específicos do Ensino Médio, como Função, não são abordados abertamente em alguns casos. Em alguns conteúdos, como nos dois primeiros apontados, essa abordagem é mais simples de ser feita que em outros casos, como no último apresentado. 49 4 ELABORAÇÃO DAS ATIVIDADES 4.1 Introdução Buscando um ensino em que os alunos desenvolvam suas capacidades, trabalhando os conceitos da Matemática vinculados a outros contextos externos a essa ciência, foram elaboradas atividades sobre Funções Quadrática, Exponencial e Trigonométrica para o Ensino Médio, aliadas ao contexto da Física. De acordo com os PCNEM, a Matemática no Ensino Médio deve ser vista pelo aluno como um conjunto de técnicas e estratégias a serem aplicadas em outras áreas do conhecimento, partindo de um experimento físico. Diante disso, as funções matemáticas citadas serão estudadas considerando-se definições, conceitos, propriedades, bem como as representações algébrica, tabular e gráfica. Além das Funções Quadrática, Exponencial e Trigonométrica, serão estudados os conteúdos Sistemas Lineares, Equações Exponenciais, Logaritmo e Equações Polinomiais. Cada atividade é introduzida por uma situação da Física, que é experimentada em laboratório, e a conexão entre tal situação e a Matemática ocorre pelo processo de Modelagem Matemática, que não é trabalhado em nível de estratégias e conceitos matemáticos externos ao Ensino Básico. O intuito desse trabalho no ensino é a possibilidade de uma alternativa para despertar o interesse do aluno por alguns tópicos matemáticos e proporcionar a aplicação de tais conceitos, além de iniciar o ato de modelar matematicamente algumas situações, as quais se estendem a outros níveis de ensino. Para elaboração das atividades, utilizou-se, principalmente, o livro Modelagem Matemática na Educação Básica, de Lourdes Almeida, Karina Silva e Rodolfo Vertuan. As atividades descritas na segunda parte do livro serviram de motivação para criar outras com moldes semelhantes, contudo, empregando o contexto de Fenômenos Físicos desenvolvidos em laboratório, foram usadas as mesmas fases de Modelagem Matemática descritas na primeira parte do livro. As fases apresentadas, os conceitos e algumas atividades dos livros Modelagem Matemática no Ensino, de Maria Salett Biembengut e Nelson Hein e Ensino- 50 Aprendizagem com Modelagem Matemática de Rodney Carlos Bassanezi, também serviram de apoio para a construção do trabalho. No decorrer de todas as atividades são utilizadas as TICs, que são importantes para cada etapa, contribuem para o enriquecimento do trabalho e, principalmente, para uma aprendizagem motivadora e significativa. O próprio experimento físico requer o uso das tecnologias, tanto para ser aplicado, quanto para captar os dados por meio do software CidepeLab, desenvolvido pela própria empresa construtora do laboratório. Com os dados coletados, os softwares GeoGebra e Excel proporcionam uma análise mais precisa do assunto estudado. Os gráficos elaborados com auxílio do GeoGebra, além de facilitar e agilizar o trabalho, possibilitam aos alunos fazer testes e cálculos sobre alguns questionamentos. As fórmulas e gráficos encontrados por meio do Excel são importantes para se comparar com os gráficos obtidos pelos alunos, com a finalidade de validar algumas situações. No intuito de os estudantes se familiarizarem com o tipo de alguns equipamentos utilizados nas atividades e com o software CidepeLab, é feito, antes do início das atividades, um experimento simples, descrito em seguida. O trabalho de pesquisa que originou esta Dissertação consiste num conjunto de quatro atividades, cujo principal objeto de estudo são algumas funções matemáticas, as quais são trabalhadas dentro do contexto de Fenômenos Físicos, executados no laboratório de Física. A primeira atividade tem como principal objetivo o estudo da Função Quadrática com a Modelagem Matemática do movimento de um corpo com aceleração constante. A segunda, o estudo da Função Quadrática com a Modelagem Matemática do movimento de um corpo em queda livre. A terceira, por sua vez, tem por finalidade principal estudar a Função Exponencial, modelando matematicamente a carga presente em um capacitor, que está conectado a um resistor num circuito elétrico em função do tempo. A quarta atividade objetiva o estudo das Funções Trigonométricas Seno ou Cosseno, fazendo a Modelagem Matemática de um movimento harmônico simples de um corpo. Em todas as atividades são utilizadas as etapas de Modelagem descritas por Almeida, Silva e Vertuan (2012): inteiração, matematização, resolução, interpretação de resultados e validação. Nesse tipo de trabalho, o que é claramente predefinido é 51 a etapa inicial, a situação problema, no caso, o experimento físico. As etapas seguintes, tais como os procedimentos de resolução e as possíveis soluções, não são apontadas aos alunos. A investigação sobre os métodos matemáticos que devem ser utilizados para atingir uma conclusão e as interpretações sobre o que foi atingido são feitas pelo discente, o professor surge apenas como mediador do processo de investigação, intervindo moderadamente apenas quando necessário. Assim, busca-se um trabalho que valoriza a criatividade do aluno/pesquisador, que, para obter algum resultado, precisará raciocinar mais que para uma atividade qualquer. O professor é apenas mediador de todo o processo, o que proporciona o incentivo à autonomia do discente. A seguir, são feitas descrições sobre os equipamentos do laboratório e sobre os softwares GeoGebra, Excel e CidepeLab. 4.2 O software GeoGebra Como a proposta de ensino se baseia nas funções matemáticas que estão associadas à representação gráfica, viu-se a necessidade da utilização de um software para tal representação, pois garante agilidade, precisão e permite recursos que são limitados em relação ao trabalho gráfico manual. O GeoGebra foi o escolhido por apresentar recursos diversificados em acordo com os objetivos das atividades, por ser de fácil manuseio, de livre acesso e, também, pelo fato de os alunos já saberem manuseá-lo. Trata-se de um software de Matemática Dinâmica gratuito para todos os níveis de ensino, que combina geometria, álgebra, gráficos e cálculo. Ele foi desenvolvido por Markus Hohenwarter, da Universidade de Salzburg, para educação matemática nas escolas. Permite realizar construções tanto com pontos, vetores, segmentos, retas, seções cônicas, quanto com Funções que podem se modificar posteriormente de forma dinâmica. Equações e coordenadas podem estar interligadas diretamente pelo GeoGebra, assim, o software tem a capacidade de trabalhar com variáveis vinculadas a números, vetores e pontos; permite achar derivadas e integrais de Funções e oferece comandos, como raízes e extremos. 52 O GeoGebra será utilizado em todas as atividades, seu trabalho dar-se-á com a associação entre a forma gráfica e algébrica de Funções. Os recursos explorados surgirão da necessidade do aluno explicitar claramente as etapas realizadas. 4.3 O software Excel O Microsoft Office Excel é um programa de planilha eletrônica escrito e produzido pela Microsoft para computadores que utilizam o sistema operacional Microsoft Windows. Dentre seus diversos recursos, inclui ferramentas de cálculo e de construção de gráficos. Esse software será empregado em duas atividades, os dados obtidos pelo experimento, organizados em forma de tabela pelo programa CidepeLab, serão exportados para o Excel, com o objetivo de traçar um gráfico com sua fórmula, que ajuste à tendência dos dados, com o fim de comparação e validação dos gráficos e fórmulas obtidos pelo GeoGebra e manualmente. 4.4 Os equipamentos do laboratório e o software CidepeLab Os equipamentos do laboratório de Física da Instituição na qual foram desenvolvidas as atividades desta pesquisa foram adquiridos da empresa fabricante de instrumentos educacionais, o Centro Industrial de Equipamentos de Ensino e Pesquisa (CIDEPE). Em três atividades foi empregado o sensor de posição, que ao iniciar a observação do movimento em um determinado instante, obtém a distância entre um objeto e o sensor numa variação de 0,4 a 1,5 metros em função do tempo gasto pelo objeto ao se deslocar do momento inicial até o observado. Os dados alcançados para uma interface são trabalhados no computador por meio do software CidepeLab, desenvolvido pela empresa. Criado para ambientes Windows, o software recolhe e armazena os dados, permitindo que sejam analisados em tabelas e gráficos. Ele comanda toda a aquisição de dados realizada pelo sensor de posição, desde as configurações 53 necessárias para iniciação do experimento até o armazenamento dos dados obtidos, que podem ser exportados para outros ambientes, como o Excel. A interface, que faz a interligação entre o sensor e o computador, pode ser conectada pela entrada USB. Em uma atividade não foi utilizado o programa CidepeLab, pois se trata de um circuito elétrico que também faz parte dos equipamentos do laboratório produzidos pela empresa. Os dados dessa atividade, com o auxílio de um cronômetro, foram coletados através de uma tabela manuscrita. 4.5 Introdução às atividades O Caderno de Atividades, disponível no Apêndice, inicia-se com uma explanação básica sobre a Matemática, informando que além de ser uma ciência, com suas características estruturais específicas, também tem um caráter instrumental. Por isso, deve ser vista como um conjunto de técnicas e estratégias para serem aplicadas a outras áreas do conhecimento, no caso do contexto a ser estudado, a Física por exemplo. É descrito que a palavra Matemática, do grego Mathema, está associada aos termos ciência, conhecimento e aprendizagem. Matemática é a ciência do raciocínio lógico e abstrato, que, além de estudar quantidades, medidas, espaços, estruturas e variações, tem o objetivo de procurar por padrões, formular conjecturas, estabelecendo novos resultados. Assim, outras ciências, como a Física, fazem uso da Matemática como linguagem, estruturando seus conceitos, fazendo previsões e conclusões. Nesse sentido, tem-se a Matemática como uma linguagem que permite modelar, expressar conceitos de outras ciências. A Modelagem Matemática é um processo utilizado para fazer essa ligação entre Matemática e outras ciências. É uma forma de abstração e generalização com a finalidade de previsão de tendências. Consiste, essencialmente, na arte de transformar situações da realidade ou de outras áreas em problemas matemáticos, os quais serão interpretados e solucionados. 54 É apresentado o seguinte diagrama, inspirado no livro Modelagem Matemática na Educação Básica, de Almeida, Silva e Vertuan (2012), com a intenção de ilustrar o processo de Modelagem Matemática nas atividades a serem trabalhadas. Figura 05 - Esquema apresentado aos alunos sobre processo de Modelagem Matemática no contexto das atividades a serem desenvolvidas Fonte: Adaptado de ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012, p. 12 Como já relatado, uma atividade de Modelagem Matemática requer algumas etapas, as quais são necessárias para estruturação e obtenção de conclusões sobre a situação a ser estudada, no caso, Fenômenos Físicos. Foram apresentadas as fases descritas por Almeida, Silva e Vertuan (2012): inteiração, matematização, resolução e interpretação dos resultados e validação. Foi exposto o seguinte quadro, explicando cada uma das fases. Quadro 03 - Explicação das fases da Modelagem Matemática 1 Inteiração Nesta fase, informações são estudadas, objetivando a familiarização com o tema para o desenvolvimento de todo o trabalho. 2 Matematização Nela é feita a formulação do problema por meio da linguagem matemática, levantando hipóteses necessárias para a efetivação da fase seguinte. 3 Resolução Busca-se a construção de um modelo matemático para a solução do problema. 4 Interpretação de resultados e validação É feita uma avaliação sobre o modelo construído, verificando sua eficácia em relação ao que foi proposto inicialmente. Fonte: Adaptado de ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012, p. 15-16 55 Nessa introdução às atividades, é esclarecido o principal objetivo, que é o estudo do conteúdo matemático: Função. São apresentados os principais equipamentos do laboratório. Quadro 04 - Explicação sobre o funcionamento dos principais equipamentos do laboratório Sensor de posição Obtém a distância entre ele e um objeto em função do tempo, operando numa faixa de 0,4 a 1,5m. Possui um cabo para se interligar à interface. Interface Coleta os dados obtidos pelo sensor de posição, extraindoos para o computador. Conecta-se ao computador via cabo USB. Computador Os dados recebidos pelo sensor e captados pela interface são trabalhados no computador por um software denominado CidepeLab. Nele, as informações são organizadas em forma de tabela ou gráfico, cujos dados podem ser exportados para outros ambientes, como o Excel. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação O experimento, que é descrito antes das atividades, intenta familiarizar o aluno quanto ao funcionamento dos equipamentos. Ele consiste em posicionar um livro alinhado ao sensor de posição distante 40 centímetros dele e, ao se ligar a interface durante um período de 15 segundos, o livro deve ser afastado lentamente, a uma velocidade praticamente constante. É explicado, nessa introdução, como o experimento é salvo e como seus dados são representados na tabela e no gráfico presente no CidepeLab. O gráfico do software é estático, serve apenas para visualizar o movimento descrito pelo objeto, os dados não são transmissíveis para outros ambientes, diferentemente da tabela, cujos dados podem ser exportados para outros ambientes. 56 Então, nessa etapa, fez-se a transferência dos dados presentes na tabela do CidepeLab para o Excel, onde devem ser selecionados apenas os dados expressivos, verificando no gráfico obtido pelo CidepeLab as distorções adquiridas do início ao final do movimento. Com os pontos selecionados nesse experimento, pede-se que seja criado um gráfico com uma curva e fórmula, que representa a tendência dos pontos que ilustram a posição em que o livro se encontra em função do tempo. Por tentar simular um movimento com velocidade constante, aceleração nula, o gráfico é próximo de um segmento de reta, caracterizando uma Função Afim. O quadro a seguir descreve todas as etapas desenvolvidas nesse experimento. Quadro 05 – Experimentação realizada com equipamentos do laboratório, com os softwares CidepeLab e Excel Equipamentos necessários 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 01 interface; 01 computador. Conexão dos equipamentos 1 2 3 Encaixe o sensor de posição na haste. Interligue o cabo do sensor de posição em qualquer uma das 4 entradas frontais da interface. Interligue a interface ao computador pelo cabo USB (a entrada de cabo USB da interface encontra-se na parte traseira). Ligue a interface a uma tomada, observando a tensão da tomada e a permitida pelo equipamento. O conjunto de equipamentos deve ficar semelhante à figura abaixo: 4 57 Configuração do software CidepeLab Abra o programa CidepeLab, que possui o seguinte ambiente: Menu principal 1 Janela de configuração Janela de ferramentas Área de Trabalho Para iniciar o experimento, deve-se habilitar o sensor de posição. Para isso, clique no comando Controle de Sensores, presente no menu principal, e perceberá que existem duas opções: Habilita Sensor e Desabilita Sensor. Verifique se a opção Habilita Sensor é a que está 2 marcada e observe a lista de sensores disponíveis, como Luminosidade, Posição, Força, Pressão etc. Clique em Posição e, em seguida, na opção Habilita Sensor e você perceberá que a palavra Posição se encontra no espaço direito da janela, ou seja, o sensor já está instalado, portanto, clique na opção Fechar. Clique agora no comando Configurar, também presente no menu principal, 3 clicando em seguida na opção Equipamentos. Aparecerá uma janela com 3 seções. 4 Na seção Interface, verifique se o modelo marcado é o LAB200. Na seção Sensores, verifique se o modelo posição, que habilitamos anteriormente, encontra-se ativo e na seção Conexões de Sensores. Clique na palavra Posição, presente na lista de sensores analógicos e, em 5 seguida, selecione o canal 1, 2, 3 ou 4 presente na tabela do lado direito da janela, de acordo com o número da entrada frontal da interface que o sensor de posição foi conectado. Depois de selecionado o canal, clique em Adicionar. Verifique se a palavra Posição encontra-se na tabela no canal que foi selecionado. 6 7 Feche a janela. Para captar algum movimento pelo sensor de posição, deve-se usar a ferramenta Osciloscópio, presente na janela de ferramentas. Para ativar 58 essa ferramenta, arraste a palavra Osciloscópio para a área de trabalho, mantendo pressionado o botão esquerdo do mouse. Observe que uma janela foi aberta. O sensor de posição no osciloscópio deve ser habilitado, para isso, clique no símbolo “+”, à esquerda da palavra Sensores, presente na janela de 8 configuração. Aparecerá a palavra Posição, arraste-a para a janela do osciloscópio que foi aberta. Com isso, o sensor de posição estará habilitado para uso no programa CidepeLab. Para verificar ou modificar as propriedades do sensor de posição, clique no 9 quarto ícone (Propriedades), presente na parte superior da janela do osciloscópio. Clicando nele, aparecerá uma nova janela: Parâmetros do Osciloscópio. 10 Clique no espaço destinado ao Nome e altere o título sem Nome para Atividade Teste. Em Parâmetros de Aquisição, marque 15s (segundos) em Tempo Total e 11 10ms (milésimos de segundos) em Amostragem. Significa que o experimento terá duração de 10s e que os dados serão coletados a cada 5 milésimos de segundo. E na opção Escala do Sensor, aparecerá o valor mínimo e o valor máximo 12 que o sensor de posição irá captar no movimento. Como os alcances mínimo e máximo do sensor são 0,4 e 1,5m, esses dados serão mantidos. 13 Feche a Janela. Realização do experimento 1 2 Ligue a interface através do interruptor presente na sua parte traseira. Pegue um objeto qualquer, um livro, por exemplo, posicione alinhado ao sensor de posição a uma distância de 0,4m aproximadamente. Afaste o livro do sensor de presença lentamente, a uma velocidade 3 praticamente constante. Para que o sensor capte esse movimento, é necessário habilitar o osciloscópio, clicando no primeiro ícone de sua janela. 4 5 Salve o experimento clicando no quinto ícone da janela do osciloscópio. Clicando no símbolo “+”, à esquerda da palavra Curvas, presente na janela de configuração, aparecerá o nome do experimento que você salvou: 59 “Atividade Teste”. Exportação dos dados do experimento para a tabela ou gráfico 1 2 Para visualizar a tabela e o gráfico, arraste as palavras Gráfico e Tabela, presentes na janela de ferramentas, para a área de trabalho. Arraste o nome do experimento feito, Atividade Teste, para o gráfico e depois para a tabela, obtendo os dados captados. Transferência dos dados da tabela para o Excel Os dados presentes na tabela podem ser copiados para outros ambientes, como o Excel. Vamos selecionar apenas os dados expressivos. Para tanto, 1 devem ser observadas as distorções discrepantes por meio do gráfico, provavelmente no início ou final do movimento. Ou seja, selecione na tabela apenas a partir dos valores que, no gráfico, se mostram confiáveis, até um valor que você acha importante ser observado. 2 Clique no quinto ícone presente na parte superior da janela da tabela. 3 Abra o programa Excel e cole os dados normalmente. Crie um gráfico através do Excel, clicando em: Inserir – Dispersão. Clique com o botão direito do mouse em cima do gráfico e selecione Adicionar Linha de Tendência, provavelmente o formato de seu gráfico 4 ficou semelhante a uma reta. Portanto, selecione o item Linear, que vai indicar uma reta de tendência dos pontos. Para mostrar a equação dessa reta, marque a opção Exibir Equação no Gráfico na parte inferior da janela. Feche a janela. 5 Foi obtida, então, a equação de uma reta que indica aproximadamente a posição indicada por um corpo em função do tempo. Figuras da representação dos experimentos no CidepeLab e Excel Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação 60 Cada etapa desenvolvida, desde a apresentação e conexão dos equipamentos, até o manuseio dos dados pelo Excel, é explicada cautelosamente, almejando esclarecer ao máximo o funcionamento geral dos recursos. 4.6 Características das atividades Como relatado, as atividades visam, principalmente, ao estudo de algumas funções matemáticas, envolvendo suas representações algébrica, gráfica e tabular. Outros conteúdos matemáticos também são estudados no decorrer da proposta, pois são indispensáveis ao desenvolvimento dos problemas. Com a utilização de recursos tecnológicos, serão feitas tais abordagens a partir de experimentos físicos, os quais serão modelados matematicamente. A metodologia de aplicação das atividades baseou-se nas fases citadas por Almeida, Silva e Vertuan (2012): inteiração, matematização, resolução, interpretação de resultados e validação, que, estruturadas, resultaram, basicamente, na seguinte configuração. 1) Leitura do que será feito na atividade; 2) Inteiração; 2.1) Recordação dos conceitos físicos associados aos problemas; 2.2) Instruções referentes à atividade a ser desenvolvida; 2.3) Realização do experimento físico; 2.4) Verbalização da meta almejada; 3) Matematização e resolução; 3.1) Identificação do tipo de função a ser estudada; 3.2) Indicação das variáveis dependente e independente e seus significados no contexto do problema; 3.3) Seleção de pontos do problema para se alcançar o modelo matemático; 3.4) Obtenção da fórmula matemática que modela a situação estudada; 3.5) Obtenção do gráfico da fórmula alcançada por meio do GeoGebra; 4) Interpretação e validação 61 4.1) Verificação da precisão da fórmula e do gráfico adquiridos; 4.2) Retorno ao processo de obtenção da fórmula e do gráfico que modelam a situação, se necessário; 4.3) Análise do resultado matemático adquirido no contexto do experimento físico; 5) Descrição de uma situação final alcançada (conclusão). Espera-se, inicialmente, através dessas atividades de Modelagem, além de estudar o conteúdo matemático, basicamente contemplar as características gerais desse tipo de método de ensino citadas por Biembengut e Hein (2011). Incentivo à pesquisa. Promoção de habilidade em formular e resolver problemas. Aplicação do conteúdo matemático. Desenvolvimento da criatividade. A metodologia das atividades foi esquematizada tencionando uma boa apreensão dos alunos em relação à proposta. Para tanto, buscou-se elaborar atividades visualmente atrativas, com ilustrações, clareza nos enunciados e organizada analiticamente. Assim, os enunciados que englobam as etapas citadas foram organizados em forma de tabela, num padrão representado no esquema seguinte. Quadro 06 - Esquema básico de organização das atividades Título da Atividade Objetivo Metodologia Situação inicial Inteiração Recordando na Física 62 Componentes do laboratório necessários para a experimentação Softwares utilizados Observações necessárias Procedimentos do experimento Meta da atividade Matematização e resolução Interpretação e validação Situação final Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação 4.7 Apresentação das atividades Atividade 1 Um carro de laboratório, que simula uma aceleração constante, é colocado em movimento, caracterizando um movimento retilíneo de um corpo com aceleração constante. A atividade tem, assim, essa situação inicial. No decorrer de seu desenvolvimento, será feita uma análise matemática sobre seu movimento, considerando a posição do objeto em função do tempo, almejando o estudo da Função Quadrática. Na etapa de inteiração, antes da realização do experimento, são descritos alguns conceitos físicos relacionados ao contexto da situação, acarretando na familiarização com o contexto estudado. São apresentados conceitos extraídos do 63 livro Física Ensino Médio, de Máximo e Alvarenga (2005), relacionados à Aceleração e Movimento Retilíneo Uniformemente Variado. Quadro 07 - Conceitos físicos relacionados à aceleração e ao movimento retilíneo uniformemente variado O conceito de aceleração está sempre relacionado a uma mudança na velocidade. Se o movimento de um corpo for variado, o valor da velocidade v1 no instante t1 será diferente do valor de uma outra velocidade v2 num instante qualquer t2. Isto é, durante o intervalo de tempo Δt = t2 – t1, a velocidade sofreu uma variação Δv = v2 – v1. Um movimento em que a variação da velocidade em cada intervalo igual de tempo Δt é constante, ou seja, no qual a aceleração é constante, é denominado Movimento Retilíneo Uniformemente Variado. Fonte: MÁXIMO; ALVARENGA, 2005, p. 49-50 ´ Em seguida, são apresentados os recursos necessários para experimentação, juntamente com algumas observações. Quadro 08 - Recursos necessários para desenvolver a atividade 1 e algumas considerações Os componentes necessários para essa experimentação serão 01 computador; 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 01 interface; 01 carro de retropropulsão. Serão utilizados os softwares CidepeLab; Excel; GeoGebra. Observações Os cálculos explicitados; necessários e comentários importantes devem ser a 64 Todas as etapas realizadas no GeoGebra e Excel devem ser salvas como “Atividade 1”; No tópico opções do GeoGebra, utilize arredondamento de 10 casas decimais. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Só após esse processo inicial de ambientação à proposta estabelecida é que a prática é realmente realizada. Como houve um reconhecimento inicial, descrito no tópico 3.8 deste capítulo sobre os equipamentos do laboratório e o software CidepeLab, é desnecessário relatar os procedimentos relacionados à configuração, restringindo, assim, apenas à descrição das etapas associadas à situação física. O carro será posicionado a quarenta centímetros do sensor de posição e a análise dos dados será feita durante dez segundos. O quadro subsequente indica os procedimentos do experimento dessa atividade. Quadro 09 - Procedimentos do experimento da atividade 1 Procedimentos do experimento 1 2 Posicione o carro de retropropulsão alinhado ao sensor de presença, distante 30cm dele. Salve a atividade a ser feita como “Atividade 1” no software CidepeLab. Inicie a análise dos dados, regulando a aquisição de dados na janela do 3 osciloscópio, de maneira que os dados sejam captados a cada 100ms em um tempo de 10s. 4 5 Exporte os dados para a tabela. Verbalize a meta dessa atividade. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação 65 Figura 06 - Equipamentos utilizados na atividade 1 Fonte: Fotos do autor desta Dissertação Com a familiarização sobre o problema, a experiência concretizada e a definição da meta da atividade, é proposto o início da transformação do objeto em estudo de linguagem natural para linguagem matemática. Essa transformação é exigida do aluno, é ele quem deve fazer a associação entre o contexto físico estudado e o conteúdo Função Quadrática, relembrando que é a Função adequada para vincular a posição de um objeto em função do tempo de um corpo com aceleração constante no movimento retilíneo. É a partir dessa transição que são trabalhados os conceitos matemáticos. Em relação ao problema, são exigidas as variáveis dependente e independente e o significado delas no contexto da questão. Em relação ao conteúdo de Função Quadrática, são trabalhados a definição desse tipo de Função e os cálculos para obter uma fórmula a partir de três pontos quaisquer do problema, surgindo a necessidade da resolução de um sistema linear de ordem três. Vale ressaltar que a escolha de apenas três, dentre dezenas de pontos pode configurar na obtenção de uma fórmula totalmente em desacordo com o movimento estudado. Entretanto a escolha de mais pontos, objetivando uma fórmula mais precisa, necessita de conceitos matemáticos além dos almejados para esse trabalho. Assim, os alunos são orientados a serem criteriosos nessa escolha, que pode não ser adequada. Além da forma algébrica adquirida através dos cálculos, é pedida a representação gráfica da Função. Nesse sentido, configura-se, então, a etapa de matematização e resolução. 66 Quadro 10 - Etapa de matematização e resolução da atividade 1 Matematização e resolução Sabendo que está sendo observado o movimento de um corpo com aceleração constante, responda, com base em seus conhecimentos de 1 Física, qual tipo de função matemática melhor representa o deslocamento do objeto em relação ao tempo. 2 Escreva a fórmula geral desse tipo de Função. Defina as variáveis dependente e independente e indique o que cada uma 3 representa no problema. Variável independente: Variável dependente: Quantos pontos do experimento são suficientes para obter os coeficientes da 4 fórmula geral descrita no item 2? 5 Gere o gráfico do experimento no programa CidepeLab. Observando o gráfico obtido e os dados da tabela, selecione esses pontos do 6 experimento. Faça essa escolha cuidadosamente, não utilizando pontos que fujam do padrão do movimento. Utilize cálculos manuais para obtenção da fórmula desejada. 7 8 9 Escreva a lei da Função obtida. Trace seu Gráfico no GeoGebra. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação O gráfico adquirido no GeoGebra, que representa a Função obtida, será utilizado para avaliar o processo realizado, interpretando a validade do modelo alcançado. 67 Os dados reais do problema apresentado no software CidepeLab serão exportados para o Excel, onde será criado o gráfico e uma fórmula polinomial de ordem 2, que indica a tendência dos pontos selecionados. A fórmula adquirida pelo Excel deve ser descrita no GeoGebra, a fim de compará-la ao gráfico da Função obtida com os cálculos realizados no tópico matematização e resolução. Deve-se considerar que são utilizados apenas três pontos de uma quantidade expressiva dentre os apresentados pelo experimento, portanto, será difícil que ambos os gráficos sejam praticamente coincidentes, necessitando-se, assim, de uma interpretação cautelosa, considerando o intervalo em que acontece o movimento e intervalos futuros. Com esse fato, é sugerida a retomada das etapas de matematização e resolução, objetivando minuciosidade na escolha dos três pontos e uma possível fórmula mais precisa. Para agilizar o processo, é sugerido que seja utilizado o GeoGebra para a resolução do sistema linear. Ao final da atividade, são propostas três questões básicas relacionadas à Física, que propiciam a aplicação da fórmula obtida no contexto do problema físico. É destinado um espaço para a situação final, onde o aluno irá descrever a conclusão alcançada com a realização da proposta estabelecida. Quadro 11 - Etapa de interpretação e resolução da atividade 1 e solução final Interpretação e validação Observando o gráfico obtido no CidepeLab, desconsidere os pontos iniciais 1 e finais que fogem do padrão e exporte da tabela do CidepeLab para o Excel todos os outros pontos gerados no experimento. 2 Gere no Excel o gráfico de tendência dos pontos e sua equação. 3 Obtenha no GeoGebra o gráfico da fórmula adquirida no Excel. Compare os dois gráficos no intervalo em que acontece a experimentação. 4 5 Eles demonstram uma tendência semelhante? Comente sobre os resultados alcançados. Retomando os processos de matematização e resolução 5.1 Faça o mesmo processo, a partir do item 6, utilizando outros pontos e 68 verificando a possibilidade de obtenção de um gráfico mais próximo do elaborado no Excel no intervalo desejado. Sugestões: Para agilizar o trabalho, utilize o software GeoGebra para os cálculos do item 7, em que se tem um sistema linear de três incógnitas e três equações. Elimine uma das três incógnitas somando as equações duas a duas, chegando a um sistema de ordem dois. Resolva-o no GeoGebra. Descreva abaixo os pontos selecionados e a fórmula obtida por cada 5.2 conjunto de pontos. 6 Escreva abaixo a fórmula cujo gráfico é mais preciso no intervalo desejado. Questões a serem respondidas Através da última fórmula do item anterior, informe a aceleração do 7.1 objeto. 7 7.2 Qual distância o objeto percorreria no intervalo de 1 hora? Obtenha a velocidade média do objeto, a partir do instante inicial, se 7.3 ele tivesse percorrido uma distância em um intervalo de 2min. Situação final Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Assim, na atividade 1 são trabalhados: Conceito de movimento retilíneo de um corpo com aceleração constante; Verbalização do problema físico; Associação entre o problema físico e o conteúdo matemático; Definição de Função Quadrática; Identificação de variáveis; 69 Obtenção da lei de uma Função Quadrática a partir de três pontos; Sistemas Lineares de ordem 3; Visualização e interpretação de gráficos; Associação do resultado matemático obtido às questões da Física. Atividade 2 Uma bola de plástico será pendurada numa haste e desprendida em um instante, no intuito de analisar o movimento desse corpo em queda livre. Analogamente à atividade anterior, será feita uma análise matemática sobre esse movimento, considerando a posição do objeto em função do tempo. Com a situação inicial apresentada, o processo de inteiração inicia com considerações relacionadas à queda livre, retiradas do livro Fundamentos de Física, volume 1 de Halliday e Resnick (2008). Quadro 12 - Conceitos físicos relacionados à queda livre Se um objeto for arremessado para cima ou para baixo e se, de alguma forma, puder ser eliminado o efeito do ar sobre o movimento, pode ser observado que o objeto sofre uma aceleração constante para baixo, conhecida como aceleraç ão em queda livre, cujo módulo é representado pela letra g. O valor dessa aceleração não depende das características do objeto, como massa, densidade e forma; ela é a mesma para todos os objetos. Fonte: HALLIDAY; RESNICK, 2008, p. 27 Na etapa de inteiração, configura-se, também, a descrição dos componentes utilizados, algumas observações e o procedimento prático. O procedimento consta no desprendimento da bola de plástico da haste, configurando o movimento do corpo em queda livre, a fim de captar sua posição em relação ao sensor de presença, encaixado na base da haste. Ao final dos procedimentos, é pedido que a meta da atividade seja verbalizada. Quadro 13 - Componentes e procedimentos do experimento da atividade 2 Componentes necessários para a experimentação 01 computador; 70 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 01 interface; 01 cabeçote superior acoplado com 01 retenção eletromagnética; 01 corpo de prova esférico (bola de plástico com ponto de metal). Softwares utilizados CidepeLab; Excel; GeoGebra. Observações Os cálculos necessários e comentários importantes devem ser explicitados; Todas as etapas realizadas no GeoGebra e Excel devem ser salvas como “Atividade 2”. No tópico opções do GeoGebra, utilize arredondamento de 10 casas decimais. Procedimentos do experimento 1 2 3 4 Posicione o cabeçote eletromagnético ao cesto da haste, para que a bola caia exatamente nele. Veja figura abaixo. Alinhe o sensor de posição ao cesto encaixado na haste. O conjunto de equipamentos deve ficar semelhante à figura abaixo. Salve a atividade a ser feita como “Atividade 2” no software CidepeLab. Ligue o sensor de posição e regule a aquisição de dados do osciloscópio para captar os dados a cada 25ms em um tempo de 3s. 5 Ative o osciloscópio e solte o objeto (bola de plástico). 6 Exporte os dados para a tabela. 7 Verbalize a meta dessa atividade. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação 71 Figura 07 - Equipamentos utilizados na atividade 2 Fonte: Fotos do autor desta Dissertação A etapa de matematização e resolução dessa atividade é bastante semelhante a da atividade 1, pois a Função cuja lei indica a posição do objeto em queda livre em função do tempo também é a Quadrática. É papel do aluno identificar, por meio dos seus conhecimentos em Física, essa relação. A solução do sistema linear de ordem 3, utilizado para obtenção da lei da Função Quadrática, pode ser obtida com o auxílio do GeoGebra, como sugerido na atividade anterior. A seguir, são descritos os procedimentos citados juntamente com duas questões correspondentes ao contexto de Queda Livre. Uma delas é relacionada à obtenção da aceleração gravitacional do ambiente a partir da fórmula alcançada, que deve ser próxima de 9,8 m/s 2 (metros por segundo ao quadrado). Quadro 14 - Etapas da atividade 2 Matematização e resolução Tomando como base seus conhecimentos em Física, qual tipo de função 1 2 matemática melhor representa, em relação ao tempo, a posição de um objeto em queda livre? Utilize o mesmo processo da atividade anterior para obter a fórmula que modela a situação do experimento. 72 Orientações: Descreva detalhadamente todas as etapas seguidas. Utilize o GeoGebra para os cálculos, quando necessário. 3 4 Escreva a lei dessa Função. Trace seu gráfico no GeoGebra. Interpretação e validação Faça a análise da fórmula obtida, avaliando sua validade em relação ao 1 problema de queda livre. Retome os processos de matematização e resolução, se necessário 2 3 Escreva abaixo a fórmula cujo gráfico é mais preciso no intervalo desejado. Questões a serem respondidas Qual o valor da aceleração gravitacional local, de acordo com a 7.1 fórmula obtida? 7 A partir da equação que modela o fenômeno, em que instante a bola 7.2 tocaria o solo? Situação final Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Na atividade 2 são trabalhados: Movimento de um corpo em queda livre; Verbalização do problema físico; Associação entre o problema físico e conteúdo matemático; Obtenção da lei de uma Função Quadrática a partir de três pontos; 73 Sistemas Lineares de ordem 3; Visualização e interpretação de gráficos; Associação do resultado matemático obtido às questões da Física. Atividade 3 Um capacitor, dispositivo utilizado para armazenar energia elétrica, será interligado a um resistor e a uma fonte de tensão num circuito elétrico denominado circuito RC. Através do circuito RC, com o capacitor inicialmente descarregado, será feita uma análise matemática sobre a diferença de potencial presente no capacitor ao carregá-lo e ao descarregá-lo. Assim, a situação inicial configura-se no carregamento e descarregamento de um capacitor num circuito RC. Para esclarecimentos sobre esse tipo de circuito, é apresentado aos estudantes uma breve explicação sobre esse contexto, retirada do livro Fundamentos de Física, volume 3 de Halliday e Resnick (2008). Quadro 15 - Conceitos físicos relacionados ao circuito RC O Capacitor é um dispositivo usado para armazenar energia elétrica. Uma forma de carregar um capacitor é colocá-lo em um circuito elétrico com uma bateria. Circuito elétrico é um caminho fechado que pode ser percorrido por uma corrente elétrica. Um circuito RC em série é formado por um capacitor, uma fonte ideal e uma resistência R. Quando a chave S é colocada na posição a, o capacitor é carregado. Mais tarde, quando a chave é colocada na posição b, o capacitor é descarregado através do resistor. No momento em que o circuito é completado, cargas começam a se mover (surgem correntes) no circuito. Essas correntes acumulam uma carga q cada vez maior nas placas do capacitor e estabelecem uma diferença de potencial VC (= q/C) entre as placas do capacitor. Fonte: HALLIDAY; RESNICK, 2008, p. 111-112, 128 74 Nesta atividade não é utilizado o ambiente CidepeLab, apenas o software GeoGebra. Os componentes utilizados no circuito são citados, assim como algumas observações. Quadro 16 - Componentes do circuito RC e considerações sobre a atividade 3 Componentes necessários para a atividade 01 quadro eletroeletrônico; 01 resistor de 150kΩ; 01 capacitor de 1000µF; 01 chave liga-desliga; 01 chave de desvio; 04 cabos vermelhos flexíveis com pinos de pressão para derivação; 03 cabos pretos flexíveis com pinos de pressão para derivação; 01 fonte de tensão (tipo EQ030C, EQ030F); 01 cronômetro; 01 multímetro; 01 computador; 01 calculadora científica. Software utilizado GeoGebra. Observações Os cálculos necessários e comentários importantes devem ser explicitados; Todas as etapas realizadas no GeoGebra devem ser salvas como “Atividade 3”. No tópico opções do GeoGebra, utilize arredondamento de 10 casas decimais. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação O circuito da atividade consta das interligações na seguinte ordem: uma fonte de tensão (quadro eletroeletrônico), uma chave liga-desliga, uma chave de desvio, um resistor, um capacitor que completa o circuito conectado à chave de desvio e à fonte de tensão. A diferença de potencial presente no capacitor (VC ) é medida pelo 75 voltímetro conectado ao capacitor. A figura abaixo apresenta o esquema elétrico do circuito RC mencionado. Figura 08 - Esquema elétrico do circuito RC da atividade 4 Fonte: Adaptado de RAMOS, 2011, p. 101 A chave de desvio, inicialmente, estará numa posição (I-II) que, ao ser ativada a chave liga-desliga, ligará o circuito, proporcionando o carregamento do capacitor. Quando a chave de desvio for acionada em outra posição (I-III), desligará o circuito, ocasionando o descarregamento do capacitor. A diferença de potencial mostrada no multímetro, presente no capacitor (VC), deve ser anotada a cada instante de 15 segundos, a partir do tempo inicial (zero). Imediatamente após o tempo de 300 segundos, a chave de desvio deve ser ativada na posição I-III, proporcionando o desligamento da fonte de tensão ao circuito, para que o capacitor comece a ser descarregado, a observação deve continuar no instante seguinte, ou seja, no tempo 315 segundos. A montagem do circuito fica a cargo do aluno, todos os passos para a montagem, bem como os procedimentos adotados ao se ligar o circuito, são descritos detalhadamente. Quadro 17 - Procedimentos da atividade 3 Procedimentos do experimento 1 Encaixe no quadro eletrônico o resistor e o capacitor, conforme a figura abaixo. 76 Resistor Entre os bornes D1 e E1. Capacitor Entre os Bornes F1 e F2. As conexões com os outros equipamentos devem ser feitas através dos cabos flexíveis, de acordo com a seguinte imagem. 2 Chave liga-desliga Borne 2 da chave interligado ao borne positivo da fonte. Chave de desvio Borne I da chave no borne C1 do painel. Borne III da chave no borne E2 do painel e ao borne negativo da fonte. Voltímetro Conexão vermelha no borne G1 do painel. Conexão preta no borne G2 do painel. A figura abaixo mostra o esquema elétrico do circuito RC. 3 O multímetro (ligado na função voltímetro, para medir a diferença de potencial) está conectado de modo a medir a diferença de potencial nos terminais do capacitor. 4 Verifique se o capacitor está totalmente descarregado antes de iniciar o experimento. 77 5 6 Coloque a chave de desvio na posição I-II, a chave liga-desliga na posição neutra (posição 1) e ajuste a fonte para 10 VCC. Para realizar a carga do capacitor, o cronômetro deve ser disparado ao mesmo tempo em que a chave liga-desliga. Para observar os dados, serão necessários dois alunos. Um deve observar o 7 tempo no cronômetro a cada 15 segundos e informar ao outro, para que ele anote na tabela apresentada a diferença de potencial presente no capacitor (VC), mostrada no multímetro naquele instante. Após o tempo de 300 segundos, o aluno que estiver anotando os dados deve 8 rapidamente acionar a chave de desvio para a posição I-III, para que o capacitor comece a ser descarregado. A observação deve continuar no instante seguinte, ou seja, no tempo 315 segundos. Ligue o circuito juntamente com o cronômetro e anote os dados na tabela seguinte. t (s) 9 VC (V) Carga t (s) 0 300 15 315 30 330 45 345 60 360 75 375 90 390 105 405 120 420 135 435 150 450 165 465 180 480 195 495 210 510 225 525 VC (V) Descarga 78 240 540 255 555 270 570 285 585 300 600 Verbalize a meta dessa atividade. 10 Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação com dados extraídos de RAMOS, 2011 Por se tratar de leis de Funções diferentes, as etapas seguintes são feitas separadamente para carga e descarga do capacitor. Por serem mais simples, os processos matemáticos para aquisição da fórmula da função matemática que modela a descarga do capacitor são feitos primeiramente. Os vinte e um pontos obtidos e descritos na tabela com a descarga do capacitor são digitados no GeoGebra. De acordo com a tendência desses pontos, são questionados se a Função que os contém é Crescente ou Decrescente e qual tipo de Função apresenta um gráfico que descreve uma tendência semelhante. Espera-se que o estudante aponte a Função Exponencial que é, de fato, a Função a ser trabalhada. São explorados, inicialmente, conceitos gerais desse tipo de Função, como definição, lei e condições de existência, além das condições conceituais de Função Crescente e Decrescente na fórmula geral. O quadro seguinte configura o início da etapa de matematização e resolução da atividade. Quadro 18 - Início da etapa de matematização e resolução da descarga do capacitor da atividade 3 Matematização e resolução Primeiro será feita a análise do processo de descarga do capacitor. Descarga do capacitor 1 Descreva todos os 21 pontos adquiridos com a descarga do capacitor no GeoGebra. A Função que contém esses pontos é Crescente ou Decrescente? 2 Justifique. 79 Dentre 3 as Funções Afim, Quadrática, Exponencial, Logarítmica e Trigonométrica, qual tipo descreve melhor a tendência desses pontos? Escreva a definição do tipo de Função citada no item anterior (fórmula geral 4 e condições de existência). Pela fórmula geral apresentada acima, qual a condição para que a Função 5 seja Crescente ou Decrescente? Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação A Função a ser estudada apresenta em sua lei o número irracional e (número de Neper), então, ainda na etapa de matematização e resolução são expostas explicações relacionadas ao número, tais como sua origem e aplicações. Quadro 19 - Continuação da etapa de matematização e resolução da atividade 3: comentários relacionados ao número irracional e A Função desejada é originada a partir de uma Função cuja base é o número irracional e. Atribui-se a John Napier (1550-1617) a descoberta do número de Neper. É 1 um número irracional obtido através do valor da expressão 1 n n para valores muito grandes de n, sendo e = 2,7182818284590452353602874... Esse número é denotado por e em homenagem ao matemático suíço 6 Leonhard Euler (1707-1783), um dos primeiros a estudar suas propriedades. Ele é importante em quase todas as áreas do conhecimento: Economia, Engenharia, Biologia, Sociologia. A Função Exponencial ex , cuja base é o número de Neper, modela fenômenos de importância vital nos mais variados campos da ciência: físico-químicas, biológicas, econômicas, agronômicas, geográficas, médicas, sociais. O número e é um número irracional, mas de uma categoria diferente de 2 , por exemplo. Enquanto 2 pode ser raiz de um polinômio, o número e 80 não pode ser raiz de polinômios de coeficientes inteiros: diz-se um número irracional transcendente. Pelas suas propriedades particulares, o número e tem sido usado como base de logaritmos privilegiados em Matemática Superior, embora a base 10 seja a mais usada em aplicações práticas. A base de logaritmos inventada por Neper, que era muito complicada, fazia intervir o número e, pelo que este continua a chamar-se “número de Neper” e os logaritmos de base e logaritmos “neperianos” ou “naturais”. Assim, podemos escrever: lo g 1 0 x lo g x e lo g e x ln x . Fonte: ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012, p. 121 Desse modo, após questionamentos gerais relacionados à Função Exponencial, o processo de matematização vai se associando diretamente ao contexto do problema. É descrito que a lei da Função desejada não é puramente do tipo apresentado na fórmula geral de Função Exponencial. Tem-se uma constante multiplicada à base da Função Exponencial e outra multiplicada à variável independente da fórmula geral, obtendo, assim, uma Função do tipo y a e b x , com gráfico semelhante ao das curvas exponenciais. Após a indicação da fórmula com as duas constantes quaisquer e a base e, são requisitados dos alunos a descrição das variáveis dependente e independente e seus significados no contexto do problema. Devem ser selecionados pontos necessários para aquisição da fórmula que modela o problema. Como a última fórmula geral apresentada, além das variáveis dependente e independente, contém as duas constantes multiplicadas à fórmula, são importantes apenas dois pontos dentre os vinte e um para obtenção do valor das duas incógnitas, utilizando conceitos do Ensino Médio. Os cálculos necessários se resumem a um sistema composto por duas equações exponenciais. Além da resolução do sistema pelo método de substituição, são trabalhadas propriedades de potência e logaritmo. É necessária a utilização da calculadora científica. Então, deve ser apresentada a fórmula obtida e o gráfico da Função no GeoGebra, configurando, assim, a etapa de matematização e resolução. 81 Quadro 20 - Continuação da etapa de matematização e resolução da descarga do capacitor da atividade 3 A fórmula da Função que contempla a situação da descarga do capacitor não é puramente a do tipo descrita no item 4. É a fórmula do tipo do item 4, com base e, multiplicada por uma constante a e tendo sua variável 7 independente multiplicada por uma constante b. Escreva, então, com as constantes a e b, a fórmula que representa a Função desejada. Distinga as variáveis dependente e independente e o significado de cada 8 uma no problema. Variável independente: Variável dependente: Dentre os 21 pontos digitados no GeoGebra, selecione a quantidade necessária para adquirir o valor dos coeficientes a e b. Lembre-se de que 9 essa escolha deve ser criteriosa. Através de cálculos manuais e com o auxílio da calculadora científica, obtenha os valores de a e b. Observações: A calculadora científica possui as teclas “e” e “ln”, que representam 10 respectivamente o número irracional de Neper e o logaritmo de base e. Procure não fazer arredondamentos. Escreva a lei da Função obtida. 11 12 Trace seu gráfico no GeoGebra. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação O gráfico traçado no GeoGebra deve seguir a tendência dos vinte e um pontos obtidos pela experimentação, caso contrário, a etapa anterior deve ser 82 retomada. A análise dessa observação configura-se, então, como a etapa de interpretação e validação da descarga do capacitor. Quadro 21 - Etapa de interpretação e resolução da descarga do capacitor da atividade 3 Interpretação e validação O gráfico obtido contempla a tendência dos 21 pontos? Se necessário, procure selecionar outros pontos, objetivando encontrar uma fórmula cujo 1 gráfico seja mais preciso, refazendo o item 10 do tópico de matematização e resolução. Faça comentários sobre a fórmula e o gráfico obtidos no contexto do 2 problema (descarga de um capacitor). Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Após a finalização da análise da descarga do capacitor, as etapas de matematização e resolução são retomadas para aquisição de uma fórmula que modela a situação de carga presente no capacitor em função do tempo. Assim como anteriormente, os vinte e um pontos alcançados devem ser digitados no GeoGebra, e é questionado se a Função que os contém é Crescente ou Decrescente. A lei da Função que modela o fenômeno também é derivada da Função Exponencial. Porém, como as constantes introduzidas à fórmula da Função Exponencial modificam consideravelmente o comportamento da curva, é apresentada a fórmula geral para a situação: y a 1 e b x a a e b x . Diante disso, devem ser escolhidos os pontos necessários para aquisição dos valores de a e b. Obtêm-se um sistema composto por duas equações exponenciais, que além das operações de potenciação e multiplicação, tem-se uma subtração, que dificulta os cálculos relacionados às propriedades de potência. É proposto ao aluno que a incógnita a seja isolada, a fim de se adquirir uma equação fracionária em função de b. Nessa equação, as potências de base e devem 83 apresentar mesmo expoente, no intuito de fazer uma troca entre elas e uma incógnita qualquer, alcançando-se, então, uma equação polinomial de grau maior que dois. Como a resolução dessa equação é trabalhosa, sugere-se que seja resolvida por meio do GeoGebra. Com os valores encontrados, trocando as incógnitas novamente, é possível encontrar os valores de a e b. São trabalhados Equações Fracionárias e Logaritmo. É necessária a utilização da calculadora científica. A fórmula obtida deve ser descrita e o gráfico da Função deve ser apresentado no GeoGebra. Quadro 22 - Etapa de matematização e resolução da carga do capacitor da atividade 3 Matematização e resolução Carga do capacitor 1 Descreva todos os 21 pontos obtidos através da carga do capacitor no GeoGebra. A Função que contém esses pontos é Crescente ou Decrescente? 2 Justifique. A fórmula que descreve a carga do capacitor em função do tempo é do tipo y a 1 e 3 bx a ae bx . Sendo a e b constantes e y a variável dependente que representa a carga presente no capacitor em função da variável independente x que indica o tempo. Dentre os 21 pontos digitados no GeoGebra, selecione a quantidade 4 necessária para identificar o valor dos coeficientes a e b. Lembre-se de que essa escolha deve ser criteriosa. Através de cálculos manuais e com o auxílio da calculadora científica e do GeoGebra, apresente os valores de a e b. 5 Sugestões: Isole a incógnita a nas equações e obtenha uma equação fracionária em função de b. 84 Note que os denominadores de ambos os membros da equação apresentam uma subtração entre um número real e uma potência de base e com expoentes diferentes. Faça com que essas duas potências de base e fiquem iguais, decompondo seus expoentes de maneira que se tenha potências iguais. 4 3 Por exemplo: e 8 b e 2 b e e 6 b e 2 b . Faça uma substituição da potência por uma incógnita qualquer, chegando, assim, a uma equação polinomial. Por exemplo: substitua e 2 b por x , obtendo: e 8 b x 4 e e 6 b x 3 . Resolva a equação polinomial com o auxílio do GeoGebra (para não atrapalhar o problema, abra uma outra janela). Volte na substituição feita, apresentando os valores de a e b. 6 Escreva a lei da Função obtida. 7 Trace seu gráfico no GeoGebra. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Além de verificar no GeoGebra se o gráfico elaborado contempla os pontos do problema, é solicitado, na etapa de interpretação e validação, que se faça comentários relacionados às mudanças ocorridas no gráfico da Função Exponencial y e x com a introdução das incógnitas uma a uma, até se chegar à Função com fórmula do tipo y a a e b x . Assim como nas outras atividades, uma situação final sobre a atividade desenvolvida deve ser descrita. Quadro 23 - Etapa de interpretação e validação da carga do capacitor da atividade 3 Interpretação e validação 1 O gráfico obtido contempla a tendência dos 21 pontos? Se necessário, procure selecionar outros pontos, objetivando encontrar uma fórmula cujo 85 gráfico seja mais preciso, refazendo o item 5 do tópico de matematização e resolução. Faça comentários sobre os impactos ocorridos no gráfico da Função Exponencial de fórmula y e x até ela se tornar a Função que modela o problema. Se necessário, explique fazendo esboços de gráficos a cada 2 transformação. Faça comentários sobre a fórmula e o gráfico obtidos no contexto do 3 problema (carga de um capacitor). Situação final Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Assim, na atividade 3 são trabalhados: Conceito de circuito elétrico composto por uma fonte, um capacitor e uma resistência (circuito RC); Verbalização do problema físico; Associação entre o problema físico e conteúdo matemático; Definição de Função Exponencial; Crescimento e decrescimento da Função Exponencial; Identificação de variáveis; Obtenção da lei de Funções derivadas da Exponencial, a partir de dois pontos; Resolução de Sistema de Equações Exponenciais com duas incógnitas; Propriedades de potência; Definição e propriedades de Logaritmo; Visualização e interpretação de gráficos; 86 Equações Fracionárias; Resolução de equações polinomiais por meio do GeoGebra; Associação do resultado matemático alcançado às questões da Física. Atividade 4 Uma bola de isopor será girada por um aparelho de rotação, que mantém a velocidade do giro constante. Será analisada a distância que o objeto se encontra do sensor de posição em função do tempo. Como a velocidade em que a bola é girada se mantém constante, a distância em que ela se encontra do sensor de posição é a mesma a cada intervalo de tempo constante. Esse tipo de movimento denomina-se Movimento Harmônico Simples de um corpo. Sendo assim, é apresentada uma sucinta definição sobre esse movimento do livro Fundamentos de Física, volume 2 de Halliday e Resnick (2009). Quadro 24 - Definição sobre Movimento Harmônico Recordando na Física Todo movimento que se repete a intervalos regulares é chamado de movimento periódico ou movimento harmônico. Fonte: HALLIDAY; RESNICK, 2009, p. 88 ´ A etapa de inteiração continua com a descrição dos componentes e softwares a serem utilizados, tais como algumas observações e procedimentos que devem ser realizados ao se fazer a prática. Quadro 25 - Recursos necessários para desenvolver a atividade 4 e algumas observações Componentes necessários para a experimentação 01 computador; 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 87 01 interface; 01 aparelho para rotação; 01 corpo de prova esférico (bola de isopor). Softwares utilizados CidepeLab; GeoGebra. Observações Os cálculos necessários e comentários importantes devem ser explicitados; Todas as etapas realizadas no GeoGebra devem ser salvas. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação O experimento consta em encaixar o sensor de posição à esquerda do aparelho de rotação, distante cinquenta centímetros um do outro. A configuração no software CidepeLab deve ser feita de maneira que os dados sejam captados a cada milésimo de segundo durante um tempo de quinze segundos. Com essas etapas e a descrição das metas da atividade, é configurada a inteiração sobre o fenômeno físico em estudo. Abaixo, seguem os procedimentos relatados. Quadro 26 - Procedimentos do experimento da atividade 4 Procedimentos do experimento 1 2 3 4 5 6 7 Encaixe a bola de isopor no aparelho de rotação, deixando-a mais à esquerda possível do aparelho. Posicione o sensor de posição à esquerda do aparelho de rotação alinhado à bola de isopor, distante 50cm dele. Interligue o sensor de posição à interface e a interface ao computador. Ao se ligar o aparelho de rotação, obter-se-á a distância que a bola se encontra do sensor de presença em função do tempo. Regule o aparelho de rotação na velocidade seis. Regule a aquisição de dados na janela do osciloscópio, de maneira que os dados sejam captados a cada 100ms, durante um tempo de 15s. Ligue o aparelho de rotação e, em seguida, o osciloscópio no software 88 CidepeLab. Inicie a análise dos dados. 8 9 Exporte os dados para a tabela. Com a experimentação feita, escreva a meta dessa atividade. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Figura 09 - Equipamentos da atividade 4 Fonte: Fotos do autor desta Dissertação O trabalho com o conteúdo matemático se inicia com a análise dos dados da tabela do CidepeLab. É pedido para o estudante descrever o que acontece com a posição da bola, à medida que se aumenta o tempo. O objetivo é que ele associe esse movimento periódico às Funções Seno ou Cosseno. Tal como nas atividades anteriores, as definições sobre as variáveis dependente e independente devem ser explicitadas e pontos do experimento devem ser selecionados. Mas a quantidade de pontos que serão utilizados para se alcançar a lei da Função é especificada, e não deduzida pelo aluno. É estabelecida a seleção de seis pontos, três máximos e três mínimos. Como o sensor de posição não é totalmente preciso no intervalo de tempo em que são captadas as posições, provavelmente será necessário fazer algumas aproximações nos valores do ponto, a fim de padronizar o movimento ao tipo de Função estabelecida. Esses cuidados em seleção de pontos e de possíveis aproximações são descritos aos alunos. Após a escolha dos seis pontos, eles devem ser traçados no GeoGebra e, com isso, o processo para obtenção da lei da junção que modela a situação é iniciado, concomitantemente aos questionamentos relacionados ao conteúdo matemático. 89 Primeiramente, é questionado o conjunto imagem da Função que contempla os seis pontos. Então, a lei matemática do tipo de Função dita inicialmente deve ser escrita, Função Seno ou Função Cosseno (y = sen x ou y = cos x). O gráfico de uma dessas Funções deve ser traçado no GeoGebra e, então, é questionado seu conjunto imagem. É descrito o significado de amplitude desse tipo de Função e, assim, pergunta-se qual a amplitude da Função cuja lei foi digitada no GeoGebra. Em seguida, com a sugestão de se fazer testes numéricos no GeoGebra, indaga-se, também, qual seria a amplitude de uma outra Função obtida ao multiplicar a fórmula da Função Seno ou Cosseno por uma constante c e qual seria também seu conjunto imagem. Nesse instante, começa-se, de fato, a construção da lei da Função desejada. Serão feitas alterações na fórmula da Função Seno ou Cosseno descrita pelos alunos. Cada alteração será registrada no GeoGebra, objetivando modelar a Função Trigonométrica inicial aos pontos estabelecidos inicialmente. Pede-se que, apenas multiplicando a lei da Função Seno ou Cosseno por uma constante positiva, seja apresentada a lei de uma outra, com mesma amplitude da Função que contém os seis pontos. Sendo assim, o aluno deverá pensar sobre o número que satisfaz a condição estabelecida. É questionado e exigido dele o procedimento que deve ser feito na última fórmula, para que seu gráfico atinja a mesma altura da Função que contempla os seis pontos do problema. Diante disso, são feitas indagações sobre o período de uma Função Trigonométrica. O período, que permanece o mesmo da Função Seno e Cosseno, deve ser alterado pelo aluno, tornando-se o mesmo da situação estudada. Provavelmente, o gráfico elaborado ainda não contemplará os seis pontos do problema, por isso, ele deve passar por um deslocamento horizontal. É apresentada ao estudante a necessidade da adição de uma constante k à última fórmula obtida. Após fazer esse acréscimo, o valor de k deve ser adquirido em substituição a um dos seis pontos do experimento nessa fórmula. Então, deve ser descrita a lei dessa última Função, que possivelmente terá seu gráfico contemplando os pontos obtidos com a experimentação. A seguir, temse a etapa de matematização e resolução dessa atividade, as quais foram relatadas. 90 Quadro 27 - Etapa de matematização e resolução da atividade 4 Matematização e resolução Analise os dados da tabela e descreva o que acontece com a posição da 1 2 bola em relação ao sensor de presença, à medida que se aumenta o tempo. Qual tipo de função matemática pode representar essa situação? Faça as seguintes definições sobre a Função que será estudada. 3 Variável independente: Variável dependente: Para fazer o trabalho de Modelagem Matemática, serão selecionados alguns pontos importantes que descrevem a tendência do movimento. Essa escolha é criteriosa, portanto, deve-se tomar cuidado para não utilizar pontos atípicos, que fogem do padrão esperado. Para que o modelo seja o mais preciso possível, provavelmente, será necessário fazer algumas 4 aproximações nos valores dos pontos, senão, será impossível padronizar o movimento no tipo de Função desejada. Portanto, selecione 3 pontos máximos e 3 pontos mínimos. Não há necessidade de que esses pontos sejam exatamente os da tabela. Faça ajustes (aproximações de valores), para que eles pertençam ao modelo de Função estudada. 5 6 Trace os 6 pontos no GeoGebra. Qual o conjunto imagem da Função que contempla esses pontos? Deve-se, então, procurar a lei de uma Função cujo gráfico siga o comportamento dos pontos assinalados. Para fazer isso, partiremos da 7 função básica citada no item 2. Escreva a lei matemática (fórmula) do tipo de Função citada no item 2. 91 8 9 Trace o gráfico dessa Função no GeoGebra. Qual seu conjunto imagem? Chama-se de amplitude desse tipo de Função a metade da diferença entre 10 os pontos máximo e mínimo. Então, qual a amplitude dessa Função? Se a lei da Função for multiplicada por uma constante “c”, qual será a 11 12 amplitude da Função gerada? (Caso necessário, faça testes com números quaisquer no GeoGebra). E seu conjunto imagem? Apenas multiplicando a lei da Função do item 7 por uma constante positiva, 13 obtenha a lei de uma Função com mesma amplitude da Função desejada (Função que contempla os 6 pontos selecionados). 14 Trace o gráfico dessa nova Função no GeoGebra. O que deve ser feito com a lei dessa nova Função para que ela atinja a 15 16 mesma altura da Função desejada? Escreva a fórmula dessa nova Função e trace o seu gráfico no GeoGebra. Qual o período dessa Função? O que deve ser feito na lei dessa Função para modificar seu período? 17 Descreva como acontece esse processo. 18 Qual o período da Função desejada? Como ficaria a lei de uma outra Função com o mesmo período da Função 19 desejada, aplicando o processo descrito no item 17 na lei da Função do item 13? 20 Trace no GeoGebra o gráfico dessa outra Função. 92 Caso o gráfico ainda não contemple os 6 pontos almejados, deve haver um deslocamento horizontal. Ou seja, uma constante “k” deve ser adicionada 21 na fórmula do item 19. Acrescente essa constante “k” no local adequado na lei dessa Função e descreva como se procede a alteração (confirme sua resposta fazendo testes no GeoGebra). Obtenha o valor de “k” substituindo um dos 6 pontos do experimento na 22 fórmula do item anterior. 23 Escreva a lei dessa Função. 24 Trace seu gráfico no GeoGebra. Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação, com base em ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012, p. 54-66 É estabelecida a validação da fórmula, verificando se o valor da posição da bola de isopor obtido em um dado instante é próximo de um valor apresentado na tabela do software CidepeLab. Assim como nas outras atividades, é destinado um espaço para que o aluno apresente uma conclusão da atividade desenvolvida, uma situação final. Quadro 28 - Etapa de interpretação dos resultados e validação da atividade 4 Interpretação dos resultados e validação Verifique a validade da fórmula obtida para outros casos. Faça um teste com alguns valores utilizando a fórmula e comparando o resultado com os 1 dados reais presentes na tabela construída com o experimento. Situação final Fonte: Elaborado pelo autor desta Dissertação Portanto, na atividade 4 são trabalhados: Conceito de Movimento Harmônico Simples de um corpo; 93 Verbalização do problema físico; Associação entre o problema físico e o conteúdo matemático; Função Trigonométrica Seno ou Cosseno; Identificação de variáveis; Amplitude, imagem e período da Função Seno ou Cosseno; Deslocamento horizontal e vertical da Função Seno ou Cosseno; Equação Trigonométrica; Visualização e interpretação de gráficos; Associação do resultado matemático obtido às questões da Física. 94 5 APLICAÇÃO DAS ATIVIDADES E RESULTADOS ALCANÇADOS 5.1 Introdução Para verificar as contribuições das atividades de Matemática utilizando Modelagem de Fenômenos Físicos no processo de ensino-aprendizagem, foram analisadas as etapas desenvolvidas pelos estudantes e suas expectativas no decorrer do trabalho, sem priorizar quantidade de erros e acertos. Para tanto, optouse como metodologia de pesquisa a qualitativa. 5.2 Análise Qualitativa da Pesquisa Bogdan e Biklen, citados por Lüdke e André (1986, p. 13), descrevem que “a pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, adquiridos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em relatar a perspectiva dos participantes”. Sendo assim, não é objetivo da pesquisa que os alunos acertem totalmente as atividades propostas, elaborando gráficos e fórmulas estritamente fiéis à situação física estudada. O propósito principal não está associado ao resultado final alcançado, mas sim à observação dos meios utilizados para se chegar a uma solução, verificando como essas estratégias atuam no processo de ensino do conteúdo matemático estudado. Lüdke e André (1986) apresentam cinco características básicas que configuram o conceito de pesquisa qualitativa segundo Bogdan e Biklen (1982). (1) A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento, supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo; (2) Os dados coletados são predominantemente descritivos, o material obtido nessas pesquisas é rico em descrições de pessoas, situações, acontecimentos; (3) A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto; (4) O “significado” que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador, há sempre uma tentativa de capturar a perspectiva dos participantes; (5) A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo, os pesquisadores não se 95 preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos (LÜDKE E ANDRÉ 1986, p. 11). Durante todo o desenvolvimento da pesquisa, buscou-se trabalhar seguindo essas características. Para se ter uma coleta de dados de forma natural, sem manipulação intencional do pesquisador, nenhum aluno foi indicado a participar das atividades nem foi oferecida qualquer gratificação aos sujeitos da pesquisa. Fez-se uma seleção espontânea, de maneira que qualquer aluno, independente de seu rendimento nas aulas regulares, pudesse participar. Verificou-se que, dentre os selecionados, havia alunos com desempenho escolar diversificado. Os dados coletados por meio da observação de toda a pesquisa foram descritos num “Diário de Bordo”, relatando os métodos utilizados pelos alunos, os questionamentos discutidos, as expectativas em relação à situação almejada, motivação e especulações dos estudantes ao longo de todo o desenvolvimento das atividades. Fiorentini e Lorenzato (2006) discorrem sobre esse tipo de instrumento de coleta de informações. Um dos instrumentos mais ricos de coleta de informações durante o trabalho de campo é o diário de bordo. É nele que o pesquisador registra observações de fenômenos, faz descrições de pessoas e cenários, descreve episódios ou retrata diálogos. Quanto mais próximo do momento da observação for feito o registro, maior será a acuidade da informação (FIORENTINI e LORENZATO, 2006, p. 118). Como destacado, o interesse da pesquisa está em estudar os processos desenvolvidos pelos estudantes ao fazer as atividades e suas diferentes interpretações e avaliações em relação ao que foi proposto, aspectos ligados à terceira e quarta características apresentas por Lüdke e André (1986). Apesar de existirem hipóteses sobre os resultados do trabalho, tais focos são, inicialmente, amplos, vão se especificando no desenvolvimento do estudo, confirmando ou não as ideias iniciais e se tornando diretos e específicos no final do trabalho, como citado por Lüdke e André (1986) na quinta característica. Portanto, seguindo os procedimentos de pesquisa qualitativa descritos, objetiva-se verificar a eficácia de atividades de Modelagem Matemática de Fenômenos Físicos com o uso das TICs para o ensino de Matemática no nível médio. 96 5.3 Sujeitos e ambiente da pesquisa As atividades foram desenvolvidas num grupo de oito alunos da terceira série do Ensino Médio, integrado aos cursos técnicos de Informática e Administração do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, campus Pirapora, no mês de abril do ano 2013. O pesquisador é professor dos estudantes desde a primeira série do Ensino Médio. A seleção dos alunos foi espontânea, foi disponibilizada uma lista nas turmas, em que os interessados em participar da pesquisa voluntariamente deveriam assinar. Não foi feita nenhuma motivação relacionada à pontuação nas aulas regulares ou a qualquer outra gratificação. Dentre o grupo, havia alunos com regular, bom ou ótimo desempenho escolar nas aulas de Matemática e um aluno com desempenho ruim. Os alunos se organizaram em duplas para desenvolverem todas as atividades, as quais aconteceram no Laboratório de Física da instituição. O ambiente foi preparado de maneira que se sentissem confortáveis e motivados. Cada dupla tinha à disposição um notebook, para utilização dos softwares CidepeLab, GeoGebra e Excel, uma calculadora científica e todos os alunos receberam um Caderno de Atividades (Apêndice da Dissertação) contento as questões a serem desenvolvidas, além de seus materiais pessoais. Os equipamentos para realizar as experimentações físicas eram únicos, necessitando, assim, de um revezamento entre as duplas. Havia à disposição do professor/pesquisador data-show, quadro e pincel para a introdução e motivação do conjunto de atividades, e para possíveis explicações. Após a explanação inicial, o professor se acomodou em uma mesa próxima às duplas, de modo que, em seu Caderno de Bordo, eram descritos os comentários, questionamentos e demais informações relevantes sobre o desenvolvimento das atividades. 5.4 Aplicação das atividades 97 O desenvolvimento do trabalho envolvendo a Modelagem Matemática de alguns Fenômenos Físicos aconteceu nos dias 10, 11, 17, 18, 24 e 25 de abril do ano 2013, sendo que cada encontro teve duração de aproximadamente 2 horas. Não foi previsto o dia de término das atividades, apenas que elas iriam ser desenvolvidas nas quartas e quintas-feiras no período da tarde, turno em que não havia aulas regulares. Todos os oito alunos que iniciaram as atividades concluíram o trabalho proposto. Figura 10 - Alunos do terceiro ano do Ensino Médio, ano 2013, do IFNMG – campus Pirapora desenvolvendo atividades de Modelagem Matemática no Laboratório de Física Fonte: Fotos do autor desta Dissertação Apesar de toda proposta de ensino ter sido desenvolvida em duplas, cada aluno deveria fazer seu registro manuscrito no Caderno de Atividades. Os dados do experimento, os gráficos, fórmulas e tabelas obtidos por meio do CidepeLab, GeoGebra e Excel eram analisados por dupla e salvos em pasta de arquivos, organizados de acordo com o número da atividade realizada e entregues ao professor via pen-drive. Como havia apenas um equipamento por experimento, cada dupla realizava separadamente a experiência e, após a coleta dos dados, continuava o desenvolvimento das atividades, destinando o equipamento à outra dupla. Os alunos eram orientados a explicitar ao máximo os cálculos e descrições sobre as etapas desenvolvidas. Os diversos recursos do GeoGebra deveriam ser 98 usados proveitosamente, de maneira que os processos realizados ficassem esclarecidos para o professor. Por exemplo, num arquivo que apresentasse mais de um gráfico, que eles fossem diferenciados por cores e nomeados. Não houve problemas quanto ao uso de tais recursos, pois os alunos já fizeram outras atividades utilizando o software. No primeiro encontro aconteceu, basicamente, a ambientação do laboratório, pois os alunos ainda não o conheciam, e a motivação inicial feita pelo professor sobre as atividades a serem desenvolvidas. Com o auxílio do data-show, foi explicado o processo e as fases de Modelagem Matemática no contexto das atividades e apresentados os equipamentos do Laboratório de Física que iriam ser utilizados. Os alunos se mostraram bastante interessados, já que nunca haviam tido aulas de Matemática em laboratório. Ainda no primeiro encontro, houve o momento de experimentação com os equipamentos. A experiência, que constava em captar a posição de um livro em relação ao sensor de presença em função do tempo, à medida que ele ia sendo afastado a uma velocidade praticamente constante, foi realizada inicialmente pelo professor, que ia relatando e apresentando todos os comandos. Em seguida, cada dupla pôde realizar o mesmo experimento, obtendo assim, o primeiro contato direto. Esse procedimento permitiu, também, que cada dupla configurasse o software CidepeLab em seu computador, ajudou bastante a relembrar alguns comandos do Excel e a tirar algumas dúvidas do CidepeLab. Foi dito, além disso, que o software GeoGebra ia ser utilizado em todas as atividades. Mesmo com todos os alunos sabendo utilizá-lo, pois já fizeram uso em outras ocasiões nas aulas de Matemática, foram relembradas suas principais atribuições. A receptividade do grupo em relação à proposta foi muito positiva, não tiveram dificuldades em fazer a experimentação, seguiram muito bem as etapas estabelecidas e gostaram bastante do fato de captar um movimento por meio da interface e trabalhar com os dados alcançados no computador. 99 Atividade 1: Análise do movimento retilíneo de um corpo com aceleração constante O desenvolvimento da primeira atividade aconteceu somente no segundo encontro. A princípio, foi descrito apenas que se tratava da análise matemática sobre o movimento retilíneo de um corpo com aceleração constante, considerando a posição do objeto em função do tempo. Não estabelecendo, assim, o tipo de Função a ser estudada, a qual deveria ser apresentada posteriormente pelo aluno. Ao se fazer o experimento, o carro de retropropulsão foi colocado num plano inclinado, com o objetivo de aumentar sua aceleração, a qual estava muito baixa, devido, provavelmente, ao desgaste de sua bateria. Ainda na etapa de inteiração, após a familiarização dos alunos com o problema e a realização do experimento, na verbalização da meta da atividade, todas as duplas escreveram que o objetivo estava associado à obtenção da uma Lei de Função para a situação. Veja resposta da dupla 2. Figura 11 - Relato sobre a meta da atividade 1 da dupla 2 Fonte: Dados da pesquisa Ao iniciar a etapa de matematização e resolução, as quatro duplas também souberam destacar a Função Quadrática como a indicada para representar o deslocamento do objeto em função do tempo para o movimento em estudo. No entanto, um integrante da dupla 1 disse que a Função adequada deveria ser a Afim, sendo corrigido pelo outro integrante da dupla. As duplas 2 e 3 associaram a Função Quadrática à situação através dos conhecimentos em Física, as demais equipes fizeram a associação pelo formato do gráfico obtido pelo software CidepeLab. 100 Figura 12 - Gráfico da atividade 1 obtido no software CidepeLab pela dupla 4 Fonte: Dados da pesquisa Todas as duplas escreveram corretamente a fórmula geral da Função Quadrática y ax 2 bx c , a 0 . As equipes 2 e 4 não tiveram problema em distinguir as variáveis dependente e independente, assim como os seus significados no contexto da questão. Foi necessária uma pequena intervenção do professor para que as outras duas duplas definissem como variável x a que representa o tempo, e a dependente, variável y, que representa a posição do objeto. . Para chegar aos valores dos coeficientes a, b e c da fórmula geral apresentada, a dupla 1 selecionou apenas dois pontos do experimento, sendo que, ao tentar fazer os cálculos, perceberam que, por se tratar de três incógnitas, tais pontos seriam insuficientes, fazendo, então, a escolha de um outro ponto. As demais duplas selecionaram normalmente os três pontos e todas conseguiram descobrir o valor das incógnitas, resolvendo o sistema linear obtido. 101 Figura 13 - Obtenção da fórmula que modela o experimento da atividade 1 pela dupla 3 Fonte: Dados da pesquisa Com a fórmula encontrada, as duplas representaram o gráfico da Função no GeoGebra. Figura 14 - Gráfico da atividade 1 obtido no GeoGebra pela dupla 3, a partir da fórmula obtida manualmente Fonte: Dados da pesquisa 102 Para iniciar a etapa de interpretação e validação, cada dupla exportou os pontos encontrados no experimento pelo CidepeLab para o Excel, apresentando, por meio desse programa, um gráfico com uma fórmula correspondente. Não houve objeção quanto a esse procedimento. Figura 15 - Gráfico da atividade 1 obtido no Excel pela dupla 3 Fonte: Dados da pesquisa Assim, as duplas descreveram a fórmula obtida pelo Excel no GeoGebra na mesma seção do gráfico elaborado a partir dos três pontos selecionados pelo experimento. As duplas 2 e 3 apresentaram gráficos semelhantes na primeira tentativa. A figura seguinte mostra os dois gráficos elaborados pela dupla 3, que fez a observação do experimento no intervalo compreendido entre um segundo e meio e cinco segundos. 103 Figura 16 - Gráficos obtidos no GeoGebra da atividade 1 pelo Excel e pelos três pontos selecionados pela dupla 3 Fonte: Dados da pesquisa A fase de retomada do processo de matematização e resolução foi importante, principalmente para as duplas 1 e 4, que só conseguiram obter gráficos com mesma tendência nesse momento. Ambas as duplas não haviam cometido erros de cálculo, apenas selecionaram pontos que proporcionaram uma distorção considerável entre os gráficos. Para que os alunos respondessem às três questões relacionadas à Física, o professor teve que relembrar a fórmula S S 0 V 0t 1 2 2 at , que relaciona a posição do objeto (S) em função do tempo (t) no movimento retilíneo uniformemente acelerado. 104 Figura 17 - Questões respondidas pela dupla 1 na atividade 1 Fonte: Dados da pesquisa Assim, a aceleração do objeto foi encontrada multiplicando por 2 o coeficiente a 0,089 do termo x 2 da fórmula. A distância que o objeto percorreria no intervalo de uma hora foi encontrada substituindo a variável x por 3600 segundos, que indica o tempo de uma hora. E a velocidade média do objeto, a partir do instante zero, foi identificada através da fórmula V m s t . s : Variação da distância percorrida; t : variação do tempo. Todas as duplas responderam corretamente as duas primeiras questões e apenas a dupla 1 acertou a última, sendo que as demais não utilizaram o tempo estipulado na questão de 2 minutos, que equivale a uma variação de 120 segundos, a partir do instante zero. Mesmo as duplas não tendo respondido corretamente, sem intervenção, todas as perguntas, que não era objetivo primordial da pesquisa, as características destacadas por Biembengut e Hein (2011), como o estímulo ao interesse por tópicos matemáticos e o incentivo à pesquisa, foram bastante nítidas. Os alunos relataram que estudar Função na prática é menos cansativo e mais interessante, porém, um pouco mais difícil, porque as perguntas eram mais amplas e a resposta final não é única. 105 Atividade 2: Análise do movimento de um corpo em queda livre As etapas relacionadas ao conteúdo matemático nessa atividade são basicamente as mesmas da anterior, sendo assim, os estudantes desenvolveram a proposta estabelecida com menos intermédio do professor. Após discussões, todas as duplas responderam que a função matemátic a cuja fórmula indica a posição de um objeto em queda livre em função do tempo é a Quadrática, associando, assim, juntamente com o professor, o experimento ao da atividade anterior, relembrando que a fórmula geral que indica a posição do objeto em função do tempo é a mesma, nesse caso, a aceleração é unicamente a gravidade do ambiente. Para facilitar a resolução do sistema para aquisição da fórmula que modela o problema, três duplas reduziram o sistema linear de ordem três para um de ordem dois, resolvendo-o pelo GeoGebra. Segue o processo realizado pela dupla 4, que não utilizou o GeoGebra. Figura 18 - Obtenção da fórmula que modela o experimento da atividade 2 pela dupla 3 Fonte: Dados da pesquisa 106 Para validar a fórmula encontrada, a dupla 1 se lembrou de verificar na fórmula se a aceleração obtida condizia, aproximadamente, com a aceleração da gravidade (aproximadamente 9,8 m/s 2). Assim, as três outras duplas fizeram o procedimento sugerido pela dupla 1, não necessitando fazer o mesmo procedimento da atividade 1, que é obter uma fórmula no Excel com os pontos do CidepeLab, a fim de comparar esse gráfico com o definido pela fórmula encontrada. Apenas a dupla 3 apresentou uma fórmula que indicava a gravidade próxima de 9,8 m/s 2. Segue a resposta dessa dupla para validação da fórmula. Figura 19 - Procedimento de validação realizado pela dupla 3 na atividade 2 Fonte: Dados da pesquisa A dupla 1, ao refazer a etapa de matematização, também obteve um valor próximo para a gravidade, 8,78 m/s2. As duplas 2 e 4 encontraram valores iguais a 7,2 e 6,61 m/s2, respectivamente. As duas questões relacionadas à Física foram respondidas sem nenhum problema. Seguem as respostas apresentadas pela dupla 3. 107 Figura 20 - Questões respondidas pela dupla 3 na atividade 2 Fonte: Dados da pesquisa Apesar de metade das duplas não terem conseguido apresentar um valor próximo para a aceleração da gravidade, o desenvolvimento da atividade foi bastante proveitoso, pois as etapas de Modelagem foram claramente trabalhadas, assim como os conteúdos matemáticos, de maneira atrativa para os alunos. Atividade 3: Análise da carga e descarga de um capacitor Para que os alunos entendessem de maneira clara o funcionamento do circuito e os procedimentos que deveriam ser adotados para estabelecer a diferença de potencial presente no capacitor ao carregá-lo e descarregá-lo, foi necessária uma revisão sobre as explicações e os procedimentos descritos no início da atividade. Diferentemente das outras três atividades, nessa não foi utilizado o CidepeLab, os pontos obtidos ao realizar o experimento foram anotados numa tabela apresentada no Caderno de Atividades. Apenas uma dupla precisou anotar os dados pela segunda vez, pois ao desativar a alimentação de tensão, descarregaram o capacitor no momento errado. Ao iniciar a etapa de matematização para a descarga do capacitor, quando os alunos descreveram os vinte e um pontos no GeoGebra, todas as equipes responderam correto que o tipo de Função cujo gráfico poderia descrever a tendência dos pontos é a Exponencial. Relataram, inclusive, que essa Função é Decrescente, devido aos valores da variável dependente decrescerem, à medida que os valores da variável independente aumentam. 108 Apenas a dupla 2 escreveu exatas a fórmula geral e as condições de existência e de decrescimento e crescimento da Função Exponencial sem auxílio do professor. Figura 21 - Fórmula geral, condições de existência, de decrescimento e crescimento da Função Exponencial descritos pela dupla 2 Fonte: Dados da pesquisa Todos os alunos descreveram, no contexto do problema, a variável x como independente, representando o tempo, e a variável y como dependente, indicando a diferença de potencial presente no capacitor. Não houve dificuldades na seleção dos dois pontos para a construção da fórmula, porém, as duplas1 e 4 necessitaram de ajuda do professor para resolver o sistema de equações exponenciais. Os estudantes resolveram o sistema pelo método de substituição. Segue a resolução da dupla 2. 109 Figura 22 - Obtenção da fórmula que modela o experimento da primeira etapa da atividade 3 pela dupla 2 Fonte: Dados da pesquisa As quatro equipes encontraram uma fórmula cujo gráfico contemplava os vinte e um pontos descritos. Figura 23 - Gráfico da primeira etapa da atividade 3 obtido no GeoGebra pela dupla 2, a partir da fórmula obtida manualmente Fonte: Dados da pesquisa 110 Ao iniciar a segunda etapa da atividade na fase de matematização e resolução para o processo de descarga do capacitor, não houve dificuldades na descrição de uma Função Decrescente que contemplasse os 21 pontos indicados. Após a apresentação da fórmula do tipo y a 1 e b x , que modela o fenômeno estudado, as duplas 1, 2 e 4 não entenderam claramente as sugestões apresentadas para aquisição dos coeficientes a e b após a seleção de dois pontos. Diante disso, fez-se necessária a intervenção do professor, explicando detalhadamente as etapas apresentadas. A equipe 3, após um tempo considerável de, aproximadamente, vinte minutos, conseguiu desenvolver o sistema de equações apenas até a etapa de substituição das variáveis. Não conseguiu, sem auxílio do professor, desenvolver o método proposto de resolução da equação polinomial obtida na substituição pelo GeoGebra. Com isso, foi necessário expressar a sugestão de anular o segundo membro da equação, para que no GeoGebra fosse descrito o gráfico da Função Polinomial de mesma fórmula que a equação, assim, a dupla percebeu que, para encontrar a solução da equação, bastava obter os pontos de interseção entre o gráfico e o eixo das abscissas. A seguir, a resolução do sistema de equações pela dupla 3, sendo que parte da resolução foi desenvolvida manualmente e a parte da equação polinomial de grau 10 utilizou-se o GeoGebra. 111 Figura 24 - Resolução manual do sistema de equações para obtenção da fórmula que modela o experimento da segunda etapa da atividade 3 pela dupla 3 Fonte: Dados da pesquisa 112 Figura 25 - Resolução pelo GeoGebra da equação polinomial para obtenção da solução do sistema de equações da segunda etapa da atividade 3 pela dupla 3 Fonte: Dados da pesquisa Figura 26 - Gráfico da segunda etapa da atividade 3 obtido no GeoGebra pela dupla 3, a partir da fórmula obtida manualmente Fonte: Dados da pesquisa Todas as outras duplas, com auxílio, também conseguiram encontrar, na primeira tentativa, a lei de uma Função cujo gráfico contemplasse os 21 pontos descritos no GeoGebra. 113 Os comentários sobre o gráfico obtido no contexto da Matemática foram feitos com o professor, sendo que, juntamente com as duplas, foi discutido que pelo fato do coeficiente do termo independente ser negativo e a base e da Função Exponencial ser maior que zero, a Função se torna decrescente. No entanto, como o número que é multiplicado pelo número irracional e também é negativo, a Função torna-se novamente crescente e o coeficiente positivo, que é adicionado à Função, faz com que parte do seu gráfico contemple o eixo das ordenadas em sua parte positiva, no primeiro quadrante do plano cartesiano. Os alunos relataram que, com o tempo, a carga do capacitor tende a estabilizar tanto no carregamento quanto no descarregamento. Apesar de mais trabalhosa, foi a atividade 3 que os alunos mais acharam interessante. Atividade 4: Análise do movimento harmônico simples de um corpo No último encontro, aconteceu o desenvolvimento da quarta atividade, em que o experimento foi realizado, assim como nas duas primeiras atividades, com o software CidepeLab. Como os alunos já estavam bastante habituados com o estilo dos procedimentos adotados, não houve dificuldades no trabalho com o software nem no início da etapa de matematização e resolução. Todas as equipes responderam correto que os tipos de funções matemáticas que podem indicar a posição do objeto em relação ao tempo são as Trigonométricas Seno ou Cosseno. Indicaram com exatidão, também, a variável independente x como tempo e a independente y como posição. Antes de os alunos selecionarem os seis pontos do experimento, 3 pontos de máximo e 3 de mínimo, o professor ressaltou que, para conseguir padronizar o movimento no tipo de Função indicada, a partir da escolha dos dois primeiros pontos, seriam necessárias aproximações de valores nos pontos seguintes, para que, assim, os pontos de máximo tivessem mesma altura, bem como os pontos de mínimo, além de estarem equidistantes um do outro. Os estudantes responderam com exatidão o conjunto imagem da Função a ser obtida, que contempla os seis pontos, como sendo o intervalo fechado entre os pontos de mínimo e máximo. Três duplas indicaram a lei da Função Cosseno 114 (y = cos x) como sendo a fórmula básica a ser trabalhada, e uma dupla indicou a lei da Função Seno (y = sen x). Após traçarem no GeoGebra o gráfico dessa última Função indicada, não houve objeção em indicar o intervalo fechado 1,1 como o conjunto imagem da Função Seno ou Cosseno. Apenas uma dupla teve incerteza em expressar a amplitude dessas Funções, sendo que as demais responderam corretamente como sendo o valor um. Como sugerido na atividade, através de testes numéricos feitos no GeoGebra, as duplas responderam com exatidão que a fórmula da Função Seno ou Cosseno, ao ser multiplicada por uma constante positiva c, irá gerar uma outra Função com amplitude c e conjunto imagem c , c . Duas duplas tiveram dificuldades em indicar a lei de uma outra Função com mesma amplitude da Função desejada, multiplicando a fórmula da Função Seno ou Cosseno por uma constante positiva. Assim, auxiliadas pelo professor, indicaram a lei dessa Função multiplicando a última fórmula obtida pela amplitude da Função que contempla os seis pontos indicados, que é calculada pela metade da diferença entre os pontos de máximo e mínimo. As outras duas duplas fizeram esse trabalho sem auxílio. Após traçarem o gráfico dessa última Função no GeoGebra, todas as duplas responderam de maneira correta que, para que essa Função atinja mesma altura da Função que contempla os seis pontos indicados, bastava adicionar à fórmula dessa última Função uma constante positiva. Apenas uma dupla encontrou dificuldades para identificar o valor dessa constante no contexto do problema. Após discutirem entre si, os integrantes de cada dupla responderam certo, cada dupla de sua maneira, como sendo 2 o período dessa última Função e que, para modificá-lo, a variável independente x deveria ser multiplicada por uma constante. Veja resposta da dupla 2. 115 Figura 27 - Questão respondida pela dupla 2 na atividade 4 Fonte: Dados da pesquisa Apenas a dupla 1 não respondeu corretamente, sem auxílio, o período da Função desejada. Após dicas do professor, todas as equipes encontraram o valor exato de uma constante positiva que, ao ser multiplicada pela variável independente x na última fórmula encontrada, gera a lei de uma nova Função com mesmo período da Função desejada. Os alunos tiveram certa dificuldade em identificar o valor dessa constante, por isso, fizeram bastantes testes no GeoGebra. Assim, com essa nova fórmula, eles foram orientados a adicionar a ela uma constante k, para que houvesse um deslocamento horizontal, a fim de que fosse estabelecida a lei de uma Função cujo gráfico contemplasse os seis pontos indicados inicialmente. Todas as equipes adicionaram a constante k no local adequado da fórmula. Através da dica de substituir um dos seis pontos nessa última fórmula e, com o auxílio da calculadora científica, obtiveram um valor adequado para a constante k, gerando a lei de uma Função que, de fato, modela a situação estudada. Seguem os cálculos desenvolvidos pela dupla 4 e o gráfico elaborado no GeoGebra. 116 Figura 28 - Cálculos para obtenção da fórmula que modela o experimento da atividade 4 pela dupla 4 Fonte: Dados da pesquisa 117 Figura 29 - Gráfico da atividade 4 obtido no GeoGebra pela dupla 4, a partir da fórmula obtida Fonte: Dados da pesquisa Na verificação da fórmula no contexto do problema, ao substituir valores reais, que representam o tempo na variável independente x, foram encontrados números que indicam a posição do objeto, relativamente próximos aos indicados na tabela do CidepeLab. 118 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na presente pesquisa, procurou-se elaborar e desenvolver atividades de Modelagem Matemática de Fenômenos Físicos, utilizando as TICs como recurso educacional que contribua num processo de ensino-aprendizagem significativo da Matemática no nível médio. O tema surgiu a partir de motivações pessoais do autor em proporcionar um ensino interessante e aplicável a outra área do conhecimento, em que o aluno encontre sentido no que é estudado, no caso deste trabalho, algumas funções matemáticas. A Física foi selecionada por ser uma das ciências que mais encontra influência mútua com a Matemática, além do fato de a instituição de ensino em que a pesquisa foi realizada possuir um Laboratório de Física e Matemática equipado, que nem sempre é utilizado pelos professores da área. Para fazer essa interação entre as duas disciplinas, foi pensada como metodologia a Modelagem Matemática, que proporciona essa associação naturalmente. Com embasamento teórico em autores como Bassanezi (2011), Burak e Barbieri (2005), Barbosa (2001), Biembengut e Hein (2011) e Almeida, Silva e Vertuan (2012), buscou-se investigar como se procedia essa interação, sendo que para analisar como esse trabalho poderia ser elaborado, estudou-se, principalmente, as atividades apresentadas por Biembengut e Hein (2011) e Almeida, Silva e Vertuan (2012), que estão relacionadas a esse tema no nível básico de ensino e Ensino Médio Técnico. A esquematização das atividades descritas nesta Dissertação foi inspirada nas apresentadas por esses últimos autores, que também fazem uma abordagem sobre Função na maioria dos problemas apresentados. Assim, as fases destacadas nesta obra, inteiração, matematização, resolução, interpretação de resultados e validação foram utilizadas em todas as atividades, que, além de caracterizá-las como sendo de Modelagem Matemática, facilitou o entendimento da proposta estabelecida por parte dos alunos. A organização das atividades em forma de tabela se mostrou atrativa, contribuindo, também, para clareza da proposta. Na consolidação da metodologia a ser desenvolvida, num aprofundamento teórico, autores como Borba e Penteado (2001), Meyer, Caldeira e Malheiros (2011), Fanchi (2007), dentre outros, destacam a grande sinergia entre um trabalho de 119 Modelagem Matemática com as TICs. Além de facilitar e aprimorar o trabalho de modelagem, os softwares matemáticos e outras tecnologias utilizadas concretizaram uma proposta de ensino dinâmica, que contribui para melhor compreensão de conceitos e auxilia nos processos de investigação e experimentação. Portanto, baseando-se nessas três perspectivas, buscou-se os seguintes objetivos específicos, que foram consideravelmente alcançados. Selecionar experimentos físicos em laboratório, verificando suas características e as grandezas envolvidas; Selecionar o conteúdo matemático a ser trabalhado com as situações físicas; Identificar softwares matemáticos para implementação dos modelos e obtenção de gráfico e tabelas; Formular problemas que associam conteúdos matemáticos a práticas da Física para serem trabalhados no ensino de Matemática no nível médio. Os experimentos físicos foram selecionados com base na possibilidade de estudo do conteúdo matemático proposto inicialmente, Função. Então, a partir da seleção do experimento, o tipo específico de Função a ser trabalhada e os demais conteúdos implícitos ao desenvolver as atividades eram delimitados. Por ser dinâmico e de fácil manuseio, além dos estudantes já terem conhecimento, o software GeoGebra foi selecionado para ser utilizado em todas as atividades. Em duas, também com o intuito de construção gráfica, foi utilizado o Excel, para conferência com o gráfico obtido pelos alunos no GeoGebra. A formulação dos problemas foi desenvolvida, principalmente, com o objetivo de estudo das definições, conceitos e procedimentos matemáticos. Nas duas primeiras atividades, os procedimentos para obtenção da Função Quadrática foram baseados na última atividade proposta por Biembengut e Hein (2011), que tratava da seleção de alguns pontos, que, por Sistema Linear, era encontrada a fórmula almejada. O experimento físico utilizado na terceira atividade surgiu como sugestão do professor de Física da instituição, que, embasado por Halliday e Resnick (2008), propôs o estudo da Função Exponencial. Os procedimentos matemáticos necessários para alcançar a Função Exponencial almejada perpassaram pelos conteúdos de Sistema de Equações Exponenciais e Logaritmo, além de necessitar da resolução de uma equação polinomial, cuja resposta foi conveniente obter pelo 120 GeoGebra. E a última atividade, elaborada a partir do terceiro problema proposto por Almeida, Silva e Vertuan (2012), apresentou vários conceitos da Função Trigonométrica Seno ou Cosseno, como imagem, período, amplitude, deslocamento vertical e horizontal do gráfico. Assim, as atividades apresentadas mostram que, com um único experimento físico, pode-se trabalhar com vários conceitos matemáticos, tanto relacionados à Função, como a conceitos externos a esse tema, além de permitir a utilização das TICs em praticamente todos os processos desenvolvidos. Outro objetivo específico proposto nesta pesquisa foi relacionado à análise dos PCNEM e de livros didáticos de Matemática e Física, quanto à abordagem desse tipo de atividade. Os conteúdos Função Quadrática, Exponencial e Trigonométrica são apresentados com metodologia semelhante nas obras de Matemática, não apresentando associação direta com a Modelagem Matemática e as tecnologias utilizadas nesta pesquisa. Os livros de Física exploram pouco essas Funções nos conteúdos relacionados às atividades. Com a análise dos PCNEM, identificou-se características semelhantes às apresentadas pelos autores estudiosos da Modelagem Matemática no ensino e em acordo com as análises dos resultados alcançados com a aplicação das atividades, que, além de proporcionar a contextualização e interdisciplinaridade, trazendo significado ao conhecimento escolar estudado, promoveu o incentivo à pesquisa, já que o aluno não tinha um conteúdo pré-estabelecido a ser estudado. Todas as etapas, desde a realização do experimento e a descrição do conteúdo a ser utilizado até a solução final, foram desenvolvidas pelo estudante-pesquisador, sujeito da pesquisa. Assim, verificou-se que as atividades elaboradas, de fato, posicionaram o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem, é dele a atribuição de buscar informações para resolver os problemas, tendo o professor como orientador, interferindo apenas quando necessário. Naturalmente, essas características não se concretizaram durante todo o desenvolvimento da pesquisa, principalmente na primeira atividade, em que os alunos não estavam habituados a esse tipo de proposta. Houve a necessidade de uma explicação praticamente contínua do docente durante o desenvolvimento das etapas, não permitindo, ainda, sua descentralização no processo. Ademais, nem 121 todos os alunos tinham domínio razoável sobre os conteúdos trabalhados, por isso, algumas equipes precisaram de interferências e explicações nos processos desenvolvidos com mais frequência que outras. Mesmo diante dessas considerações, a proposta de desenvolvimento de autonomia e raciocínio sobressaiu em relação à defasagem de conteúdo de alguns alunos. Nem todos os grupos apresentaram modelos e conclusões fiéis à situação física proposta, contudo, tal situação não descaracterizou os anseios desta pesquisa qualitativa, que, em conformidade com Lüdke e André (1986), estão associados não somente ao resultado final, mas à observação dos métodos utilizados para se obter uma solução, isto é, ao processo de sua construção. Assim, com a Modelagem de problemas físicos, almejou-se a concretização de uma proposta eficaz e motivadora de ensino-aprendizagem em Matemática, dando, desse modo, significado a alguns conceitos matemáticos, permitindo ao aluno oportunidades de desenvolver capacidades de interpretação, autonomia, enfatizando a aprendizagem do conteúdo matemático. 122 REFERÊNCIAS ABREU, Lorena Luquini de Barros. 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Dissertação (Mestrado em Ensino de Matemática) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Programa de PósGraduação em Ensino de Ciências e Matemática, Belo Horizonte. 126 APÊNDICE PRODUTO DA DISSERTAÇÃO 1 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática Área de Concentração: Matemática Caderno de Atividades de Matemática Utilizando Modelagem de Fenômenos Físicos Mestrando: Daniel Guimarães Silva Orientador: Prof. Dr. João Bosco Laudares Belo Horizonte – MG 2013 2 Apresentação Este caderno de atividades foi elaborado com o objetivo de servir como material de apoio ao estudo das Funções Quadrática, Exponencial e Trigonométrica Seno ou Cosseno no contexto de alguns Fenômenos Físicos desenvolvidos em laboratório. Ele foi criado no intuito de fornecer uma alternativa de ensino dos conteúdos matemáticos citados, de forma contextualizada e motivadora, por meio da Modelagem Matemática de Fenômenos Físicos, destinado aos alunos da terceira série do Ensino Médio integrado aos cursos técnicos de Informática e Administração do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, campus Pirapora. Neste material são apresentadas uma introdução relacionada ao processo de Modelagem Matemática, seguida de uma ambientação dos principais equipamentos do laboratório, além de um conjunto de quatro atividades de Matemática. As duas primeiras têm como principal objeto de estudo a Função Quadrática, sendo a primeira com a Modelagem do movimento de um corpo com aceleração constante, e a segunda com a Modelagem do movimento de um corpo em queda livre. A terceira está no contexto do estudo da Função Exponencial, modelando matematicamente a carga presente em um capacitor em função do tempo, que está conectado a um resistor num circuito elétrico. A quarta atividade objetiva o estudo das Funções Trigonométricas Seno ou Cosseno, fazendo a Modelagem Matemática de um movimento harmônico simples de um corpo. Além das Funções citadas, são estudados os conteúdos Sistemas Lineares, Equações Exponenciais, Logaritmo e Equações Polinomiais. São utilizados os softwares GeoGebra, Excel e o CidepeLab, que é específico para uso de determinados equipamentos do laboratório. 3 SUMÁRIO Introdução ..................................................................................................................... 4 Principais equipamentos do Laboratório ................................................................. 5 Experimentação ............................................................................................................ 6 Atividades sobre Função envolvendo Modelagem de Fenômenos Físicos ...... 10 Atividade 1................................................................................................................. 10 Atividade 2................................................................................................................. 15 Atividade 3................................................................................................................. 19 Atividade 4................................................................................................................. 29 4 Prezado aluno, este conjunto de atividades é parte integrante de um projeto de pesquisa de Mestrado cujo objetivo é trabalhar o ensino de algumas funções matemáticas utilizando a Física como motivação. Para fazer essa interação entre Matemática e Física, será utilizado um processo denominado Modelagem Matemática. Introdução A palavra Matemática, do grego Mathema, está associada aos termos ciência, conhecimento e aprendizagem. Matemática é a ciência do raciocínio lógico e abstrato, que, além de estudar quantidades, medidas, espaços, estruturas e variações, tem o objetivo de procurar por padrões, formular conjecturas, estabelecendo novos resultados. Assim, outras ciências, como a Física, utilizam a Matemática como linguagem, estruturando seus conceitos, fazendo previsões e conclusões. A Modelagem Matemática é um processo utilizado para a obtenção e validação de Modelos Matemáticos. É uma forma de abstração e generalização com a finalidade de previsão de tendências. A modelagem consiste, essencialmente, na arte de transformar situações da realidade ou de outras áreas em problemas matemáticos, que são interpretados para a solução de tais situações. Portanto, serão selecionados alguns fenômenos físicos, os quais serão trabalhados matematicamente e, assim, conclusões serão feitas sobre o resultado alcançado. Situação Inicial Matemática Problema Físico Situação Final Modelagem Conclusões Obtidas sobre o Problema Físico Uma atividade de Modelagem Matemática envolve algumas fases, que são necessárias para configuração, estruturação e para obter as conclusões sobre a situação estudada. Serão trabalhadas as seguintes fases: 5 1 Inteiração Nesta fase, informações são estudadas, objetivando a familiarização com o tema para o desenvolvimento de todo o trabalho. 2 Matematização Nela é feita a formulação do problema por meio da linguagem matemática, levantando hipóteses necessárias para a efetivação da fase seguinte. 3 Resolução Busca-se a construção de um modelo matemático para a solução do problema. 4 Interpretação de resultados e validação É feita uma avaliação sobre o modelo construído, verificando sua eficácia em relação ao que foi proposto inicialmente. Como mencionando inicialmente, será feito um trabalho com o objetivo de estudar o conteúdo matemático Função, portanto, todas as análises matemáticas serão sobre esse conteúdo. Uma das maneiras de representação de uma Função são as fórmulas e gráficos, os quais serão utilizados neste trabalho. Dessa forma, em todas as atividades temos o objetivo de encontrar uma fórmula e um gráfico que representem a situação estudada. Principais Equipamentos do Laboratório Sensor de posição Obtém a distância entre ele e um objeto em função do tempo, operando numa faixa de 0,4 a 1,5m. Possui um cabo para se interligar à interface. Interface Coleta os dados obtidos pelo sensor de posição, extraindoos para o computador. Conecta-se ao computador via cabo USB. Computador 6 Os dados recebidos pelo sensor e captados pela interface são trabalhados no computador por um software denominado CidepeLab. Nele, as informações são organizadas em forma de tabela ou gráfico, cujos dados podem ser exportados para outros ambientes, como o Excel. Experimentação O trabalho com o software CidepeLab e com os equipamentos é bastante simples, vamos fazer uma demonstração de como eles funcionam através de uma experimentação. Equipamentos necessários 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 01 interface; 01 computador. Conexão dos equipamentos 1 2 3 Encaixe o sensor de posição na haste. Interligue o cabo do sensor de posição em qualquer uma das 4 entradas frontais da interface. Interligue a interface ao computador pelo cabo USB (a entrada de cabo USB da interface encontra-se na parte traseira). Ligue a interface a uma tomada, observando a tensão da tomada e a permitida pelo equipamento. O conjunto de equipamentos deve ficar semelhante à figura abaixo: 4 7 Configuração do software CidepeLab Abra o programa CidepeLab, que possui o seguinte ambiente: Menu principal Janela de configuração 1 Janela de ferramentas Área de Trabalho Para iniciar o experimento, deve-se habilitar o sensor de posição. Para isso, clique no comando Controle de Sensores, presente no menu principal, e perceberá que existem duas opções: Habilita Sensor e Desabilita Sensor. 2 Verifique se a opção Habilita Sensor é a que está marcada e observe a lista de sensores disponíveis, como Luminosidade, Posição, Força, Pressão etc. Clique em Posição e, em seguida, na opção Habilita Sensor e você perceberá que a palavra Posição se encontra no espaço direito da janela, ou seja, o sensor já está instalado, portanto, clique na opção Fechar. Clique agora no comando Configurar, também presente no menu principal, 3 clicando em seguida na opção Equipamentos. Aparecerá uma janela com 3 seções. 4 Na seção Interface, verifique se o modelo marcado é o LAB200. Na seção Sensores, verifique se o modelo posição, que habilitamos anteriormente, encontra-se ativo e na seção Conexões de Sensores. Clique na palavra Posição, presente na lista de sensores analógicos e, em seguida, 5 selecione o canal 1, 2, 3 ou 4 presente na tabela do lado direito da janela, de acordo com o número da entrada frontal da interface que o sensor de posição foi conectado. Depois de selecionado o canal, clique em Adicionar. Verifique se a palavra Posição encontra-se na tabela no canal que foi selecionado. 6 Feche a janela. Para captar algum movimento pelo sensor de posição, deve-se usar a 7 ferramenta Osciloscópio, presente na janela de ferramentas. Para ativar essa ferramenta, arraste a palavra Osciloscópio para a área de trabalho, mantendo pressionado o botão esquerdo do mouse. Observe que uma janela foi aberta. 8 O sensor de posição no osciloscópio deve ser habilitado, para isso, clique no símbolo “+”, à esquerda da palavra Sensores, presente na janela de 8 configuração. Aparecerá a palavra Posição, arraste-a para a janela do osciloscópio que foi aberta. Com isso, o sensor de posição estará habilitado para uso no programa CidepeLab. Para verificar ou modificar as propriedades do sensor de posição, clique no 9 quarto ícone (Propriedades), presente na parte superior da janela do osciloscópio. Clicando nele, aparecerá uma nova janela: Parâmetros do Osciloscópio. 10 Clique no espaço destinado ao Nome e altere o título semNome para Atividade Teste. Em Parâmetros de Aquisição, marque 15s (segundos) em Tempo Total e 10ms 11 (milésimos de segundos) em Amostragem. Significa que o experimento terá duração de 10s e que os dados serão coletados a cada 5 milésimos de segundo. E na opção Escala do Sensor, aparecerá o valor mínimo e o valor máximo que o 12 sensor de posição irá captar no movimento. Como os alcances mínimo e máximo do sensor são 0,4 e 1,5m, esses dados serão mantidos. 13 Feche a Janela. Realização do experimento. 1 2 Ligue a interface através do interruptor presente na sua parte traseira. Pegue um objeto qualquer, um livro, por exemplo, posicione alinhado ao sensor de posição a uma distância de 0,4m aproximadamente. Afaste o livro do sensor de presença lentamente, a uma velocidade 3 praticamente constante. Para que o sensor capte esse movimento, é necessário habilitar o osciloscópio, clicando no primeiro ícone e sua janela. 4 Salve o experimento clicando no quinto ícone da janela do osciloscópio. Clicando no símbolo “+”, à esquerda da palavra Curvas, presente na janela de 5 configuração, aparecerá o nome do experimento que você salvou: “Atividade Teste”. Exportação dos dados do experimento para a tabela ou gráfico 1 Para visualizar a tabela e o gráfico, arraste as palavras Gráfico e Tabela, presentes na janela de ferramentas, para a área de trabalho. 9 2 Arraste o nome do experimento feito, Atividade Teste, para o gráfico e depois para a tabela, obtendo os dados captados. Transferência dos dados da tabela para o Excel Os dados presentes na tabela podem ser copiados para outros ambientes, como o Excel. Vamos selecionar apenas os dados expressivos. Para tanto, 1 devem ser observadas as distorções discrepantes por meio do gráfico, provavelmente no início ou final do movimento. Ou seja, selecione na tabela apenas a partir dos valores que, no gráfico, se mostram confiáveis, até um valor que você acha importante ser observado. 2 Clique no quinto ícone presente na parte superior da janela da tabela. 3 Abra o programa Excel e cole os dados normalmente. Crie um gráfico através do Excel, clicando em: Inserir – Dispersão. Clique com o botão direito do mouse em cima do gráfico e selecione Adicionar 4 Linha de Tendência, provavelmente o formato de seu gráfico ficou semelhante a uma reta. Portanto, selecione o item Linear, que vai indicar uma reta de tendência dos pontos. Para mostrar a equação dessa reta, marque a opção Exibir Equação no Gráfico na parte inferior da janela. Feche a janela. 5 Foi obtida, então, a equação de uma reta que indica aproximadamente a posição indicada por um corpo em função do tempo. Figuras da representação dos experimentos no CidepeLab e Excel 10 Atividades sobre Função envolvendo Modelagem de Fenômenos Físicos Atividade 1 Análise do movimento retilíneo de um corpo com aceleração constante Objetivo Estudar Função através do movimento retilíneo de um corpo com aceleração constante. Metodologia Seja um corpo (carro com aceleração constante), será feita uma análise matemática sobre seu movimento, considerando a posição do objeto em função do tempo. Situação inicial Movimento retilíneo de um corpo com aceleração constante. Inteiração Como já mencionado, nesta etapa acontece a familiarização com a situação. Nela vai ocorrer o primeiro contato com a situação-problema, em que será formulado o problema e definidas as metas almejadas. Recordando na Física O conceito de aceleração está sempre relacionado a uma mudança na velocidade. Se o movimento de um corpo for variado, o valor da velocidade v1 no instante t1 será diferente do valor de uma outra velocidade v2 num instante qualquer t2. Isto é, durante o intervalo de tempo Δt = t2 – t1, a velocidade sofreu uma variação Δv = v2 – v1. Um movimento em que a variação da velocidade em cada intervalo igual de tempo Δt é constante, ou seja, no qual a aceleração é constante, é denominado Movimento Retilíneo Uniformemente Variado. Livro: Física Ensino Médio Antônio Máximo e Beatriz Alvarenga, São Paulo: Scipione, 2005, p. 49-50, v. 1. Os componentes necessários para essa experimentação serão 01 computador; 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 11 01 interface; 01 carro de retropropulsão. Serão utilizados os softwares CidepeLab; Excel; GeoGebra. Observações Os cálculos necessários e comentários importantes devem ser explicitados; Todas as etapas realizadas no GeoGebra e Excel devem ser salvas como “Atividade 1”; No tópico opções do GeoGebra, utilize arredondamento de 10 casas decimais. Procedimentos do experimento Posicione o carro de retropropulsão alinhado ao sensor de presença, distante 30cm dele. Veja a figura abaixo. 1 2 Salve a atividade a ser feita como “Atividade 1” no software CidepeLab. Inicie a análise dos dados, regulando a aquisição de dados na janela do 3 osciloscópio, de maneira que os dados sejam captados a cada 100ms em um tempo de 10s. 4 Exporte os dados para a tabela. Verbalize a meta dessa atividade. 5 Matematização e resolução 1 Sabendo que está sendo observado o movimento de um corpo com 12 aceleração constante, responda, com base em seus conhecimentos de Física, qual tipo de função matemática melhor representa o deslocamento do objeto em relação ao tempo. 2 Escreva a fórmula geral desse tipo de Função. Defina as variáveis dependente e independente e indique o que cada uma 3 representa no problema. Variável independente: Variável dependente: Quantos pontos do experimento são suficientes para obter os coeficientes 4 da fórmula geral descrita no item 2? 5 Gere o gráfico do experimento no programa CidepeLab. Observando o gráfico obtido e os dados da tabela, selecione esses pontos 6 do experimento. Faça essa escolha cuidadosamente, não utilizando pontos que fujam do padrão do movimento. Utilize cálculos manuais para obtenção da fórmula desejada. 7 13 8 9 Escreva a lei da Função obtida. Trace seu Gráfico no GeoGebra. Interpretação e validação Observando o gráfico obtido no CidepeLab, desconsidere os pontos iniciais 1 e finais que fogem do padrão e exporte da tabela obtida do CidepeLab para o Excel todos os outros pontos obtidos no experimento. 2 Gere no Excel o gráfico de tendência dos pontos e sua equação. 3 Obtenha no GeoGebra o gráfico da fórmula adquirida no Excel. Compare os dois gráficos no intervalo em que acontece a experimentação. Eles demonstram uma tendência semelhante? Comente sobre os resultados alcançados. 4 Retomando os processos de matematização e resolução Faça o mesmo processo, a partir do item 6, utilizando outros pontos e verificando a possibilidade de obtenção de um gráfico mais próximo do elaborado no Excel no intervalo desejado. Sugestões: 5.1 Para agilizar o trabalho, utilize o software GeoGebra para os cálculos do item 7, em que se tem um sistema linear de três incógnitas e três equações. 5 Elimine uma das três incógnitas somando as equações duas a duas, chegando a sistema de ordem dois. Resolva-o no GeoGebra. Descreva abaixo os pontos selecionados e a fórmula obtida por cada conjunto de pontos. 5.2 14 6 Escreva abaixo a fórmula cujo gráfico é mais preciso no intervalo desejado. Questões a serem respondidas Através da última fórmula do item anterior, informe a aceleração do objeto. 7.1 Qual distância o objeto percorreria no intervalo de 1 hora? 7 7.2 Obtenha a velocidade média do objeto, a partir do instante inicial, se ele tivesse percorrido uma distância em um intervalo de 2min. 7.3 Situação final 15 Atividade 2 Análise do movimento de um corpo em queda livre Objetivo Estudar Função através do movimento de um corpo em queda livre. Metodologia Um objeto (bola de plástico) será desprendido de uma estrutura, caracterizando, então, um movimento em queda livre. Será feita uma análise matemática sobre seu movimento, considerando a posição do objeto em função do tempo. Nessa atividade, você desenvolverá o processo de Modelagem Matemática com maior autonomia, descrevendo todo o processo de maneira clara e detalhada. Situação inicial Movimento de um corpo em queda livre. Inteiração Recordando na Física Se um objeto for arremessado para cima ou para baixo e se, de alguma forma, puder ser eliminado o efeito do ar sobre o movimento, pode ser observado que o objeto sofre uma aceleração constante para baixo, conhecida como aceleração em queda livre, cujo módulo é representado pela letra g. O valor dessa aceleração não depende das características do objeto, como massa, densidade e forma; ela é a mesma para todos os objetos. Livro: Fundamentos de Física David Halliday e Robert Resnick, Rio de Janeiro: LTC, 2008, p. 27, v. 1. Os componentes necessários para essa experimentação serão 01 computador; 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 01 interface; 01 cabeçote superior acoplado com 01 retenção eletromagnética; 01 corpo de prova esférico (bola de plástico com ponto de metal). Serão utilizados os softwares 16 CidepeLab; Excel; GeoGebra. Observações Os cálculos necessários e comentários importantes devem ser explicitados; Todas as etapas realizadas no GeoGebra e Excel devem ser salvas como “Atividade 2”. No tópico opções do GeoGebra, utilize arredondamento de 10 casas decimais. Procedimentos do experimento 1 Posicione o cabeçote eletromagnético ao cesto a haste, para que a bola caia exatamente nele. Veja figura abaixo. Alinhe o sensor de posição ao cesto da haste. O conjunto de equipamentos deve ficar semelhante à figura abaixo. 2 3 4 Salve a atividade a ser feita como “Atividade 2” no software CidepeLab. Ligue o sensor de posição e regule a aquisição de dados do osciloscópio para captar os dados a cada 25ms em um tempo de 3s. 5 Ative o osciloscópio e solte o objeto (bola de plástico). 6 Exporte os dados para a tabela. 7 Verbalize a meta dessa atividade. 17 Matematização e resolução Tomando como base seus conhecimentos em Física, qual tipo de função 1 matemática melhor representa, em relação ao tempo, a posição de um objeto em queda livre? Utilize o mesmo processo da atividade anterior para obter a fórmula que modela a situação do experimento. Orientações: Descreva detalhadamente todas as etapas seguidas. Utilize o GeoGebra para os cálculos, quando necessário. 2 3 4 Escreva a lei dessa Função. Trace seu gráfico no GeoGebra. Interpretação e validação Faça a análise da fórmula obtida, avaliando sua validade em relação ao 1 problema de queda livre. 18 Retome os processos de matematização e resolução, se necessário 2 3 Escreva abaixo a fórmula cujo gráfico é mais preciso no intervalo desejado. Questões a serem respondidas Qual o valor da aceleração gravitacional local, de acordo com a fórmula obtida? 7.1 7 A partir da equação que modela o fenômeno, em que instante a bola 7.2 tocaria o solo? Situação final 19 Atividade 3 Análise da carga e descarga de um capacitor Objetivo Estudar Função através da análise do carregamento e descarregamento de um capacitor. Metodologia Através de um circuito RC, conectando-se a uma fonte de tensão, um resistor e um capacitor inicialmente descarregado, será feita uma análise matemática sobre a diferença de potencial presente no capacitor ao carregá-lo e ao descarregá-lo. Situação inicial Carregamento e descarregamento de um capacitor num circuito RC. Inteiração Recordando na Física O Capacitor é um dispositivo usado para armazenar energia elétrica. Uma forma de carregar um capacitor é colocá-lo em um circuito elétrico com uma bateria. Circuito elétrico é um caminho fechado que pode ser percorrido por uma corrente elétrica. Um circuito RC em série é formado por um capacitor, uma fonte ideal e uma resistência R. Quando a chave S é colocada na posição a, o capacitor é carregado. Mais tarde, quando a chave é colocada na posição b, o capacitor é descarregado através do resistor. No momento em que o circuito é completado, cargas começam a se mover (surgem correntes) no circuito. Essas correntes acumulam uma carga q cada vez maior nas placas do capacitor e estabelecem uma diferença de potencial VC (= q/C) entre as placas do capacitor. Livro: Fundamentos de Física David Halliday e Robert Resnick, Rio de Janeiro: LTC, 2008, p. 111, 112 e 128, v. 3. 20 Os componentes necessários para essa atividade serão 01 quadro eletroeletrônico; 01 resistor de 150kΩ; 01 capacitor de 1000µF; 01 chave liga-desliga; 01 chave de desvio; 04 cabos vermelhos flexíveis com pinos de pressão para derivação; 03 cabos pretos flexíveis com pinos de pressão para derivação; 01 fonte de tensão (tipo EQ030C, EQ030F); 01 cronômetro; 01 multímetro; 01 computador; 01 calculadora científica. Será utilizado o software GeoGebra. Observações Os cálculos necessários e comentários importantes devem ser explicitados; Todas as etapas realizadas no GeoGebra devem ser salvas como “Atividade 3”. No tópico opções do GeoGebra, utilize arredondamento de 10 casas decimais. Procedimentos do experimento Encaixe no quadro eletrônico o resistor e o capacitor, conforme a figura abaixo. 1 Resistor Entre os bornes D1 e E1. Capacitor Entre os Bornes F1 e F2. 2 As conexões com os outros equipamentos devem ser feitas através dos 21 cabos flexíveis, de acordo com a seguinte imagem. Chave liga-desliga Borne 2 da chave interligado ao borne positivo da fonte. Chave de desvio Borne I da chave no borne C1 do painel. Borne III da chave no borne E2 do painel e ao borne negativo da fonte. Voltímetro Conexão vermelha no borne G1 do painel. Conexão preta no borne G2 do painel. A figura abaixo mostra o esquema elétrico do circuito RC. 3 O multímetro (ligado na função voltímetro, para medir a diferença de potencial) está conectado de modo a medir a diferença de potencial nos terminais do capacitor. 4 5 6 Verifique se o capacitor está totalmente descarregado antes de iniciar o experimento. Coloque a chave de desvio na posição I-II, a chave liga-desliga na posição neutra (posição 1) e ajuste a fonte para 10 VCC. Para realizar a carga do capacitor, o cronômetro deve ser disparado ao mesmo tempo em que a chave liga-desliga. 22 Para observar os dados, serão necessários dois alunos. Um deve observar 7 o tempo no cronômetro a cada 15 segundos e informar ao outro, para que ele anote na tabela apresentada a diferença de potencial presente no capacitor (VC), mostrada no multímetro naquele instante. Após o tempo de 300 segundos, o aluno que estiver anotando os dados 8 deve rapidamente acionar a chave de desvio para a posição I-III, para que o capacitor comece a ser descarregado. A observação deve continuar no instante seguinte, ou seja, no tempo 315 segundos. Ligue o circuito e o cronômetro e anote os dados na tabela seguinte. t (s) 9 VC (V) Carga t (s) 0 300 15 315 30 330 45 345 60 360 75 375 90 390 105 405 120 420 135 435 150 450 165 465 180 480 195 495 210 510 225 525 240 540 255 555 270 570 285 585 300 600 VC (V) Descarga 23 Verbalize a meta dessa atividade. 10 Matematização e resolução Primeiro será feita a análise do processo de descarga do capacitor. Descarga do capacitor 1 Descreva todos os 21 pontos adquiridos com a descarga do capacitor no GeoGebra. A Função que contém esses pontos é Crescente ou Decrescente? 2 Justifique. Dentre 3 as Funções Afim, Quadrática, Exponencial, Logarítmica e Trigonométrica, qual tipo descreve melhor a tendência desses pontos? Escreva a definição do tipo de Função citada no item anterior (fórmula geral 4 e condições de existência). Pela fórmula geral apresentada acima, qual a condição para que a Funç ão 5 seja Crescente ou Decrescente? A Função desejada é originada a partir de uma Função cuja base é o número irracional e. Atribui-se a John Napier (1550-1617) a descoberta do número de Neper. É 6 1 um número irracional obtido através do valor da expressão 1 n n para valores muito grandes de n, sendo e = 2,7182818284590452353602874... Esse número é denotado por e em homenagem ao matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783), um dos primeiros a estudar suas propriedades. Ele é importante em quase todas as áreas do conhecimento: 24 Economia, Engenharia, Biologia, Sociologia. A Função Exponencial, ex, cuja base é o número de Neper, modela fenômenos de importância vital nos mais variados campos da ciência: físico-químicas, biológicas, econômicas, agronômicas, geográficas, médicas, sociais. O número e é um número irracional, mas de uma categoria diferente de 2 por exemplo. Enquanto 2 pode ser raiz de um polinômio, o número e não pode ser raiz de polinômios de coeficientes inteiros: diz-se um número irracional transcendente. Pelas suas propriedades particulares, o número e tem sido usado como base de logaritmos privilegiados em Matemática Superior, embora a base 10 seja a mais usada em aplicações práticas. A base de logaritmos inventada por Neper, que era muito complicada, fazia intervir o número e, pelo que este continua a chamar-se “número de Neper” e os logaritmos de base e logaritmos “neperianos” ou “naturais”. Assim, podemos escrever: lo g 1 0 x lo g x e lo g e x ln x . Livro: Modelagem Matemática na Educação Básica Lourdes Almeida, Karina Silva e Rodolfo Vertuan, São Paulo: Contexto, p. 121 A fórmula da Função que contempla a situação da descarga do capacitor não é puramente a do tipo descrita no item 4. É a fórmula do tipo do item 4, com base e, multiplicada por uma constante a e tendo sua variável 7 independente multiplicada por uma constante b. Escreva, então, com as constantes a e b, a fórmula que representa a Função desejada. Distinga as variáveis dependente e independente e o significado de cada uma no problema. 8 Variável independente: Variável dependente: 9 Dentre os 21 pontos digitados no GeoGebra, selecione a quantidade necessária para adquirir o valor dos coeficientes a e b. Lembre-se de que 25 essa escolha deve ser criteriosa. Através de cálculos manuais e com o auxílio da calculadora científica, obtenha os valores de a e b. Observações: A calculadora científica possui as teclas “e” e “ln”, que representam respectivamente o número irracional de Neper e o logaritmo de base e. Procure não fazer arredondamentos. 10 Escreva a lei da Função obtida. 11 12 Trace seu gráfico no GeoGebra. Interpretação e validação O gráfico obtido contempla a tendência dos 21 pontos ? Se necessário, procure selecionar outros pontos, objetivando encontrar uma fórmula cujo gráfico seja mais preciso, refazendo o item 10 do tópico de matematização e resolução. 1 26 Faça comentários sobre a fórmula e o gráfico obtidos no contexto do 2 problema (descarga de um capacitor). Matematização e resolução Carga do capacitor 1 Descreva todos os 21 pontos obtidos através da carga do capacitor no GeoGebra. A Função que contém esses pontos é Crescente ou Decrescente? 2 Justifique. A fórmula que descreve a carga do capacitor em função do tempo é do 3 tipo y a 1 e b x a a e b x . Sendo a e b constantes e y a variável dependente que representa a carga presente no capacitor em função da variável independente x que indica o tempo. Dentre os 21 pontos digitados no GeoGebra, selecione a quantidade 4 necessária para identificar o valor dos coeficientes a e b. Lembre-se de que essa escolha deve ser criteriosa. Através de cálculos manuais e com o auxílio da calculadora científica e do GeoGebra, obtenha os valores de a e b. Sugestões: 5 Isole a incógnita a nas equações e obtenha uma equação fracionária em função de b. Note que os denominadores de ambos os membros da equação apresentam uma subtração entre um número real e uma potência de 27 base e com expoentes diferentes. Faça com que essas duas potências de base e fiquem iguais, decompondo seus expoentes de maneira que se tenha potências iguais. 4 3 Por exemplo: e 8 b e 2 b e e 6 b e 2 b . Faça uma substituição da potência por uma incógnita qualquer, chegando, assim, a uma equação polinomial. Por exemplo: substitua e 2 b p o r x , o b te n d o : e 8 b x 4 e e 6b x 3 . Resolva a equação polinomial com o auxílio do GeoGebra (para não atrapalhar o problema, abra uma outra janela). Volte na substituição feita, apresentando os valores de a e b. 6 Escreva a lei da Função obtida. 7 Trace seu gráfico no GeoGebra. Interpretação e validação O gráfico obtido contempla a tendência dos 21 pontos? Se necessário, 1 procure selecionar outros pontos, objetivando encontrar uma fórmula cujo gráfico seja mais preciso, refazendo o item 5 do tópico de matematização e resolução. 28 Faça comentários sobre os impactos ocorridos no gráfico da Função x Exponencial de fórmula y e até ela se tornar a Função que modela o problema. Se necessário, explique fazendo esboços de gráficos a cada transformação. 2 Faça comentários sobre a fórmula e o gráfico obtidos no contexto do 3 problema (carga de um capacitor). Situação final 29 Atividade 4 Análise do movimento harmônico simples de um corpo Objetivo Estudar Função através do movimento harmônico simples de um corpo. Metodologia Seja uma bola de isopor, será feita sua rotação através de um aparelho que mantém a velocidade do giro constante. Apesar de se ter um movimento circular bidimensional da bola de isopor, será feita a análise apenas do movimento em uma dimensão, um estudo sobre um movimento harmônico. Situação inicial Movimento harmônico simples de um corpo. Inteiração Recordando na Física Todo movimento que se repete a intervalos regulares é chamado de movimento periódico ou movimento harmônico. Livro: Fundamentos de Física David Halliday e Robert Resnick, Rio de Janeiro: LTC, 2009, p. 88, v. 2 Os componentes necessários para essa experimentação serão 01 computador; 01 sensor de posição; 01 tripé universal delta acoplado com uma haste pequena; 01 interface; 01 aparelho para rotação; 01 corpo de prova esférico (bola de isopor). Serão utilizados os softwares CidepeLab; GeoGebra. Observações Os cálculos necessários e comentários importantes explicitados; Todas as etapas realizadas no GeoGebra devem ser salvas. devem ser 30 Procedimentos do experimento 1 2 Encaixe a bola de isopor no aparelho de rotação, deixando-a mais à esquerda possível do aparelho. Posicione o sensor de posição à esquerda do aparelho de rotação alinhado à bola de isopor distante, 50cm dele. Interligue o sensor de posição à interface e a interface ao computador. O conjunto de equipamentos deve ficar semelhante à figura abaixo. 3 4 5 6 7 8 Ao se ligar o aparelho de rotação, obter-se-á a distância que a bola se encontra do sensor de presença em função do tempo. Regule o aparelho de rotação na velocidade seis. Regule a aquisição de dados na janela do osciloscópio, de maneira que os dados sejam captados a cada 100ms, durante um tempo de 15s. Ligue o aparelho de rotação e, em seguida, o osciloscópio no software CidepeLab. Inicie a análise dos dados. Exporte os dados para a tabela. Com a experimentação feita, escreva a meta dessa atividade. 9 Matematização e resolução Analise os dados da tabela e descreva o que acontece com a posição da 1 2 3 bola em relação ao sensor de presença, à medida que se aumenta o tempo. Qual tipo de função matemática pode representar essa situação? Faça as seguintes definições sobre a Função que será estudada. 31 Variável independente: Variável dependente: Para fazer o trabalho de Modelagem Matemática, serão selecionados alguns pontos importantes que descrevem a tendência do movimento. Essa escolha é criteriosa, portanto, deve-se tomar cuidado para não utilizar pontos atípicos, que fogem do padrão esperado. Para que o modelo seja o mais preciso possível, provavelmente, será necessário fazer algumas 4 aproximações nos valores dos pontos, senão, será impossível padronizar o movimento no tipo de Função desejada. Portanto, selecione 3 pontos máximos e 3 pontos mínimos. Não há necessidade de que esses pontos sejam exatamente os da tabela. Faça ajustes (aproximações de valores), para que eles pertençam ao modelo de Função estudada. 5 6 Trace os 6 pontos no GeoGebra. Qual o conjunto imagem da função que contempla esses pontos? Deve-se, então, procurar a lei de uma Função cujo gráfico siga o comportamento dos pontos assinalados. Para fazer isso, partiremos da 7 função básica citada no item 2. Escreva a lei matemática (fórmula) do tipo de Função citada no item 2. 8 9 Trace o gráfico dessa Função no GeoGebra. Qual seu conjunto imagem? Chama-se de amplitude desse tipo de função a metade da diferença entre 10 os pontos máximo e mínimo. Então, qual a amplitude dessa Função? Se a lei da Função for multiplicada por uma constante positiva “c”, qual 11 será a amplitude da Função gerada? (Caso necessário, faça testes com números quaisquer no GeoGebra). 12 E seu conjunto imagem? 32 Apenas multiplicando a lei da Função do item 7 por uma constante positiva, 13 obtenha a lei de uma Função com mesma amplitude da Função desejada (Função que contempla os 6 pontos selecionados). 14 Trace o gráfico dessa nova Função no GeoGebra. O que deve ser feito com a lei dessa nova Função para que ela atinja a mesma altura da Função desejada? Escreva a fórmula dessa nova Função 15 16 e trace o seu gráfico no GeoGebra. Qual o período dessa Função? O que deve ser feito na lei dessa Função para modificar seu período? 17 18 Descreva como acontece esse processo. Qual o período da Função desejada? Como ficaria a lei de uma outra Função com o mesmo período da Função desejada, aplicando o processo descrito no item 17 na lei da função do 19 item 13? 20 Trace no GeoGebra o gráfico dessa outra Função. Caso o gráfico ainda não contemple os 6 pontos almejados, deve haver um deslocamento horizontal. Ou seja, uma constante “k” deve ser adicionada 21 na fórmula do item 19. Acrescente essa constante “k” no local adequado na lei dessa Função e descreva como se procede a alteração (confirme sua resposta fazendo testes no GeoGebra). 33 Obtenha o valor de “k” substituindo um dos 6 pontos do experimento na fórmula do item anterior. 22 23 Escreva a lei dessa Função. 24 Trace seu gráfico no GeoGebra. Interpretação dos resultados e validação Verifique a validade da fórmula obtida para outros casos. Faça um teste com alguns valores utilizando a fórmula e comparando o resultado com os 1 dados reais presentes na tabela construída com o experimento. Situação final